Xadrez Verbal #478 Política Externa Brasileira nas Eleições
from Xadrez Verbal
354m 28s
O episódio 478 do podcast Xadrez Verbal, gravado em 8 de outubro de 2026, inicia com anúncios e solidariedade a universidades afetadas por um incêndio. A "brincadeira do ônibus" celebra a linha 478P, com ouvintes compartilhando memórias. No "Giro de Notícias", a pauta latino-americana domina: a Argentina lança um controverso "passaporte dourado" para atrair capital estrangeiro, enquanto o judiciário argentino arquiva acusações contra Evo Morales. No Paraguai, o Partido Colorado vence as eleições municipais. A atenção se volta para as eleições brasileiras, com reações internacionais. Javier Milei (Argentina) e Abelardo de la Espriella (Colômbia) parabenizam Flávio Bolsonaro, gerando preocupações sobre ingerência externa. A análise da jornalista Fernanda Simas destaca o peso dessas declarações. O programa também aborda a Índia, onde a Suprema Corte investiga a exclusão de 130 milhões de eleitores, um processo que afeta minorias religiosas. A entrevista principal é com o professor Feliciano Guimarães (USP), que discute o impacto da política externa nas eleições. Ele argumenta que temas internacionais, como o conflito Israel-Palestina e a relação com os EUA, têm saliência eleitoral e afetam a popularidade presidencial. Guimarães observa que os brasileiros são pacifistas e desejam protagonismo, e que o bolsonarismo explora pautas internacionais para mobilização política. A entrevista conclui que a política externa se tornou parte do debate eleitoral, exigindo equilíbrio dos candidatos.
Central 3
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Bom crepúsculo, ouvintes da Central 3
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A sua revista semanal de política internacional
Em formato podcastal
Meu nome é Matias Pinto e como sempre estou ao lado dele
Meu amigo e companheiro Felipe Nobre Figueiredo
O homem por trás do tabuleiro
Olá meu caro Matias, olá a todos os nossos ouvintes
Todo mundo que nos ouve, nos divulga, nos prestigia, nos ama, nos tolera, nos deseja
Diz que nos odeia, mas não nos tira do ouvido
Chegando o programa de número 478
Gravado nesse dia 8 de outubro de 2026
E a gente vai começar com um recado
Pro pessoal de Caxias do Sul
E se você conhece pessoas em Caxias do Sul
Manda isso pra elas
Porque nesse domingo agora, dia 11
Ou seja, logo depois que o programa for ao ar
Na feira do livro de Caxias do Sul
Nós vamos ter um painel
Às 14 horas
Chamado
Como viver em um país ocupado
A França sob o nazismo
Que vai ser um bate-papo entre a Cláudia Fim
E a nossa queridíssima
Franciele Becker
Incluindo sessão
De autógrafos do livro dela
Sobre a sombra da suástica
A França ocupada
Lembrando que a Fran já participou aqui do Xadrez Herbal
Inclusive falando
Do livro dela
E o evento vai ter apoio
Da livraria do Arco da Velha
Antes da gente entrar
Na brincadeira dos ônibus
Dessa semana
A gente também quer mandar um abraço
E nos solidarizar com todos
Os nossos ouvintes
E amigos e colegas
Da Universidade de Caxias do Sul
E da Universidade Federal de Pernambuco
Já que nessa última noite
Do dia 7 de outubro
Um dos principais laboratórios
Da universidade
Foi tomado por um incêndio
Além do dano ao patrimônio público
Que o prédio tinha mais de 100 milhões
De reais em equipamentos
Segundo o reitor da universidade
Também danificou e destruiu
Anos de pesquisas
De diferentes áreas
Algumas pesquisas com 20 anos de material
Muitas delas ligadas à área de faróis
Farmácia
Mas também outras áreas do conhecimento
Então a gente se solidariza
Manda um abraço a todos os nossos amigos e ouvintes
Da Federal de Pernambuco
E que seja investigado
Se foi incêndio criminoso
E se foi incêndio criminoso
Que os criminosos sejam responsabilizados
Agora a gente vai entrar
Na nossa brincadeira do ônibus
Mas a gente vai começar com um recado
Do programa passado
Por quê?
Porque na semana passada a gente deixou a brincadeira do ônibus
Para o final do programa
Já que
Enfim, foi uma gravação muito caótica
E sem muito
Ânimo, sem muito clima
Pelo que aconteceu com o nosso querido Lito
E a gente deixou o recado
Da nossa queridíssima Patrícia
A Miss Armênia
Para esse programa
Porque ela exigiu
Que ele fosse lido na íntegra
Para o meu constrangimento
Então
O meu ônibus do coração
É o 477A10
Que liga o terminal Pinheiros
Ao Sacomã
Onde eu descia na Avenida Paulista
Com a Brigadeiro
Ir ao Ópera Mundi
Descendo a pé para o Bixiga
Usei essa rota entre 2013 e 2016
Na minha outra vida
Quando era jornalista
E quando tive a honra de te conhecer
Como colunista do Ópera
E de onde nasceu nossa amizade
Eu me lembro com muito carinho
Sobre nossas conversas
Sobre o embrião do xadrez herbal
Quando você me falou que iria transformar
O seu site em um podcast
Quando ninguém falava da mídia podcast
Como meio de política internacional
Quando política internacional não definia eleição
E ainda era nicho do jornalismo
E de 5 horas de duração
Quando ninguém achava que escutaria um programa de rádio tão longo
E eu achava que você iria passar fome
Desde então, mais de 10 anos se passaram
Eu me tornei a Miss Armênia
Mas você foi mais vezes para a Armênia do que eu
E muito mais importante
Se tornou uma referência na imprensa brasileira
Sobre política internacional
E eu não consigo mais sair na rua com você
Sem ninguém pedindo para tirar uma foto com você
Love you amigo
A gente agradece
Eu particularmente agradeço o carinho da Pathy
Mas a gente tem que fazer uma breve correção
Na cronologia
Duas coisas
Primeiro
O podcast surgiu quando eu era colunista
Do Opera naquele momento
Mas o convite para fazer o podcast
Foi feito pelo Matias
E ele não nasceu com 5 horas de duração
Tinha uma hora
A nossa ideia original
Era fazer 45 minutos
Mais acréscimos
Uma coisa bem
Futebolística
Mas a gente sempre explica isso
Muitas vezes a gente fala
Isso aqui não dá para se aprofundar
Isso aqui deixa para outro momento
E aí por demanda popular
Ele foi ficando maior e maior
Até as loucuras
Que a gente já fez por aqui
E em Priscazeras
Eu peguei muito o 477A
E ele era
Seasa Sacomã
Em 2013 que ele mudou
Para terminar o Pinheiro Sacomã
Tem 3 477
E todos acho que já mudaram de nome
E falando em mudança de nome
A gente vai falar do melhor ônibus do universo
Agora
Que é o 478P
Sacomã Pompeia
Que antes disso era Ipiranga Pompeia
E hoje é Sacomã Vila Romana
Mas o correto
No meu coração é Ipiranga Pompeia
Mas você tem o 478P10
Que vai pela Afonso Bovero
E o 478P31 que vai pela Heitor Penteado
E a Tânia Oda
Nos mandou o 478P
O Gabriel
E o Hadi também mandou
São um casal
E o Gabriel disse que pegou muito esse ônibus
Quando estudava na Vila Mariana
E ia pra lá pra visitar minha amada Hadi
Que foi quem me apresentou o Xadrez Herbal
E atualmente moramos juntos
Os dois mandaram no site
Já nos e-mails meu caro Matias
O Jefferson Pacaembu
Não sei seu nome dele, seu bairro dele
Seu apelido dele
Também mandou o 478P
Ele que contou uma história que envolve você
Ele pegava o 478P
Porque ele ia trabalhar na Vila Paulista
Porém na volta
Aí ele disse assim
Ficando no ônibus mais alguns pontos
Poderia descer perto do São Camilo
E caminhar algumas quadras até o bar de futebol de Botão
Onde fui ver vocês
Numa live com o lançamento de um livro
Se não me falha a memória
Sobre torcidos organizadas da Argentina
Eu não estava, era só o Matias
Mas ele continua
Nessa época eu tinha ouvido poucos episódios
Estava super empolgado
Queria divulgar pra todo mundo
Então selecionei os amigos que achei que tinham mais perfis
Convenci a ir
Todos meio intelectuais, politizados, jornalistas, eloquentes, acadêmicos
Resultado
Eles montaram uma mesa na calçada
E começaram a beber e conversar super entrosados
Tanto que não pararam para ver o lançamento
E falavam tão alto que até atrapalharam a live
Sim, a culpa foi minha
Hoje ele mora em Madrid
Não parou de nos escutar
Ele pediu um abraço pro André Coxa
E forças pro André
Que ele está passando por um tratamento médico
Um abraço pro Thiago Nascimento
Que também mandou os dois 478P
Embora ele lembrou novamente
Que ele foi unificado numa linha só
Ele morava no Cambuci
E pegava a linha
Pra ir para a Avenida Paulista
E ele disse que num carnaval
Ele viu um estandarte vermelho escuro
Muito bonito
Homenageando a 478P
Nos blocos de rua da Vila Romana
Perto do seu ponto final
E nunca descobriu a quem pertenceu o estandarte
Muitos carnavais depois
Encontrei minha amada Ana Clara Schneider
A quem peço pra que vocês mandem um beijo
Um beijo pra Ana Clara
Ela morava na Vila Livieiro
No Sacomã
E hoje eles moram na Vila Mariana
Um abraço pro JC Assis
Que é o João Carlos
Mas ele assina JC
E ele disse que
De fim de semana essa linha demora muito
O que é verdade
Inclusive
E ele agora está esperando o episódio 7272
Vai demorar
É
É o Terminal Lapa
Um abraço pro Juliano Cantadore
Ele que nos ouve há muitos anos
Ele que é formado em relações internacionais
E ele disse que
Antes do tempo do celular
Ele tinha pavor de pegar por engano
O 478P31 e não o 10
E ele disse que no coração dele
Sempre será a Sacomã Pompeia
Um abraço pro
Jean Câmara
Que também mandou o 478P
E pediu um salve para o Gus
Meu irmão de vida
E ele disse que
E o Hélio que me apresentou o programa
Nos seus primórdios há cerca de 10 anos
E finalmente meu caro Matias
Um e-mail que me deixou muito triste
A gente recebeu um e-mail
Da Suzane Felício
Que nos ouve desde 2016
Ela mandou o 478P10
Sacomã Vila Pompeia
Que agora é Vila Romana
Que passava na porta da casa dela
Em que ela morava desde criança
E ela pegou esse ônibus passando por debaixo da catraca
Pra ir no Museu do Ipiranga
Ela também pegou ele pra ir pra Avenida Paulista
Tudo mais
E também para ir comprar
Pra ir na Avenida Paulista
Na Sports Arcade
Ela nos parabeniza
E hoje ela mora em San Diego
Na Califórnia
Ela encontrou o Guilherme Casarões
Na San Diego State University
E é muito curioso
Porque o Casarões vai participar desse programa
E vai mencionar essa história
E não foi ensaiado
Só que por que esse e-mail me deixou triste Matias?
Porque ela manda assim
PS
Felipe, creio que você não vai lembrar de mim
Mas estudamos na mesma sala no Ensino Fundamental
Quando eu mencionei que é esportes aqui da Paulista, eu ia com a Mariana Mariani.
E óbvio que eu lembro de você, Suzane.
A mãe dela me tratava muito bem, então um beijão para a Suzane.
E fica aqui um abraço para dois ouvintes que eu encontrei no ônibus recentemente.
O Vitor, lá na Climação, e o Renato, no Butantã.
O Renato que é torcedor do Maringá e trabalha na Amazú, ali na Corifeu, a ZV do Marques.
Bem, passemos agora para o primeiro bloco do Giro de Notícias.
Giro de Notícias
Notícia da sexta-feira da semana passada.
A Argentina endividada lança esquema de passaporte dourado para atrair estrangeiros ricos.
O detalhe, meu caro Matias, é que essa manchete é do Euronews.
É um veículo ligado a. A União Europeia.
Então, assim, o uso dos termos e tudo mais é muito curioso.
A manchete da Forbes, por exemplo, é. Cidadania Argentina será novo símbolo de status para americanos ricos, dizem especialistas.
Pois é. Então, o que a Argentina lançou agora?
Se você contribuir com 350 mil dólares ao Tesouro Argentino. Investir 800 mil dólares num novo título de dívida pública argentino,
você vai receber um passaporte argentino.
E tem desconto para famílias, entendeu?
Então, assim, famílias, até quatro pessoas não vão precisar pagar quatro vezes o valor, entendeu?
Lembrando que a Argentina enfrenta uma dívida que vai vencer em 2027
de 20 mil dólares.
22 bilhões de euros, o que vai dar mais do que isso em dólares.
E a ideia da Argentina é captar até 2 bilhões de euros com esse esquema de passaporte dourado
em que você adquire a cidadania.
Lembrando que a maioria dos países que têm esses esquemas, por exemplo, Chipre,
os grandes compradores desses esquemas são pessoas cujas fortunas têm origem suspeitas
e elas precisam de opções para se refugiar por aí.
É.
É.
É.
A maioria dos países que lançam mão disso são nações insulares com poucos recursos,
principalmente no Caribe e no Pacífico Sul.
Isso.
Mas está copiando o Trump Gold Card também agora, né?
E o detalhe é que essa medida vem no momento em que se discute justamente a compra de terras
por estrangeiros na Argentina.
É, você deixa de ser estrangeiro.
Você deixa de ser estrangeiro, você consegue comprar propriedade.
Comprar propriedades rurais.
Pois é.
E olha só, tem lítio na minha propriedade rural.
Olha, que coincidência.
Que coisa.
E em uma notícia envolvendo o judiciário argentino, meu caro Matias, o Evo Morales,
ex-presidente da Bolívia, o juiz federal argentino Sebastião Ramos,
arquivou as denúncias contra o Evo Morales pela acusação de que ele teria supostamente
abusado.
Sexualmente de menores.
Essa acusação, lembrando, era no judiciário argentino.
Então foi arquivado por inexistência de delito.
Não houve absolutamente nenhuma prova material, aparentemente.
Foram 28 depoimentos colhidos nesse contexto.
E a Nádia Beller, cidadã boliviana que teve uma tentativa de assassinato por parte do
seu marido, o argentino Fernando Serimedo, declarou que por conta. Da prisão do procurador Roger Mariaca, tanto o Estado de Direito quanto a Soberania Nacional
apodreceram.
E isso para encobrir o Fernando Serimedo, nesse caso em específico, no qual ele está
sendo investigado na Bolívia por essa tentativa de homicídio, mas porque ele sabe demais
justamente das relações de poder tanto na Argentina quanto na Bolívia.
E nesse aspecto também. A senadora boliviana Ana Maria Crispim enfrentou um grupo de representantes das embaixadas
de Argentina, Estados Unidos e Peru que estavam no Parlamento em nome do escudo das Américas.
Isso logo após também a prisão do procurador-geral da Bolívia, como a gente repercutiu na semana
passada.
E para concluir esse pequeno pião pela nossa quebrada latino-americana aqui no Giro de Notícias,
cabe lembrar que o Paraguai teve eleições municipais nesse final de semana, a Associação
Nacional Republicana, mais conhecida como Partido Colorado, foi a grande vencedora,
agora comandará 186 das intendências, subiu 23 no total, teve mais de 50% de votos.
O principal partido de oposição, que é o Liberal Radical Autêntico, perdeu 29 prefeituras,
comanda apenas 34, enquanto que o Jocreo, que tinha apenas uma prefeitura, mais uma importante,
que é Ciudad del Este, que a gente até repercutiu a eleição suplementária no final do ano
passado, continuou comandando Ciudad del Este, onde teve uma grande vitória, novamente com
o intendente Daniel Pereira Mujica, que desponta agora como principal nome de oposição, pensando
nas próximas eleições presidenciais.
E conquistou mais duas prefeituras, enquanto que partidos e alianças locais conquistaram
10 prefeituras, estão com 39 no total.
Então, o Partido Colorado teve mais de 50% dos votos nessas eleições municipais no
país vizinho.
E outro país da região, no caso o Peru, também realizou eleições regionais no último
domingo, mas até o momento desta gravação, ainda não temos os resultados.
E, meu caro Matias, essa semana também tivemos a publicação da mais recente pesquisa do
Latinobarômetro, que mediu que os latino-americanos avaliam que a influência chinesa é vista
como positiva por 65% das pessoas, em contraste era 48% anos atrás, e agora 57% aprovam a
dos Estados Unidos.
Ou seja, veja que mais da metade aprovam as duas.
São duas perguntas separadas, não foi quem você prefere, foi se você vê de maneira
positiva ou de maneira negativa.
E, antes de você puxar a próxima notícia também da América Latina, meu caro Matias,
e explicando para o nosso ouvinte, a gente não vai ter o tradicional giro pela América
Latina, como vocês vão ver, mas a gente tem muitas participações especiais nesse
programa, mas antes de você puxar a próxima notícia, perguntar para o nosso
ouvinte, para ele pensar em como era o mundo da informática 10 ou 20 anos atrás, e pedir
para ele comparar com o que a gente tem hoje.
A tecnologia mudou esse tempo todo, novas linguagens de programação, inteligência
artificial, ferramentas, possibilidades que transformam não só a maneira como você
trabalha, mas também as oportunidades que existem, e acompanhar tudo isso exige aprendizado
contínuo.
E aí que entra a Lura, a maior escola de tecnologia e inteligência artificial do Brasil, e não
só a Lura, mas a Lura também.
Você vai encontrar cursos e formações para começar do zero, aprender novas habilidades,
aprofundar seus conhecimentos, ou dar um novo rumo à sua carreira.
E o aprendizado vai além da teoria, você vai desenvolver projetos práticos, conteúdos
atualizados, vai receber certificados para valorizar seu currículo, e também vai ter
recursos como o modo entrevista, o Lura e Vision, para ajudar a analisar imagens, identificar
erros, solucionar problemas.
E se seu objetivo é trabalhar com tecnologia no exterior, a Lura também tem conteúdo
de inglês e de língua.
E de espanhol.
Não importa se você está dando os primeiros passos, se já trabalha na área, sempre existe
algo novo para aprender.
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Também.
Também na sexta-feira da semana passada, guarda costeira dos Estados Unidos diz ter
interceptado o navio que transportava combustível para Cuba.
A guarda costeira dos Estados Unidos anunciou que interceptou esse navio de combustível
que seria de uma Shadow Fleet.
E assim, esse termo normalmente é utilizado nos Estados Unidos e na Europa para se referir
à Rússia.
O comunicado não fala diretamente de Rússia, mas usa um termo que normalmente é utilizado
para se referir à Rússia.
O nome do navio era Grace, ele foi interceptado no início de setembro e foi escoltado de
volta para o México, onde ele foi inspecionado pela Marinha Mexicana, que confirmou a presença
de grandes quantidades de combustível nos seus tanques.
Então, é uma notícia. Notícia de setembro.
cujo anúncio público foi feito agora, e vou repetir,
usa um termo muitas vezes utilizado para se referir à Rússia,
mas não acusa a Rússia frontalmente, nominalmente.
Ainda no Caribe, meu caro Matias, as autoridades haitianas,
como infelizmente a gente já tinha até especulado aqui,
adiaram as eleições que estavam previstas para dezembro.
Lembrando, a última eleição no Haiti ocorreu 10 anos atrás.
De lá para cá, a violência e a crise humanitária do país só se agravaram.
Em 2021, o então presidente Jovenel Moise foi assassinado
e agora as eleições foram novamente adiadas.
O primeiro turno estava marcado para o dia 13 de dezembro,
porém, um novo calendário ainda não foi anunciado.
E o atual presidente da Colômbia, o Abelardo de la Espriella,
se manifestou em relação aos 17 colombianos que serão julgados,
justamente pelo magnicídio do Jovenel Moise em 2021.
Lembrando que ele é advogado de defesa e em suas redes publicou
Não podem pagar os justos por pecadores.
Não sou da classe de presidente que abandona os seus heróis
quando enfrentam dificuldades.
Assim, ele está falando de ex-militares colombianos
que foram contratados como mercenários
Como mercenários.
para matar o presidente de um país vizinho.
Enfim, é assim que ele está tratando.
E o ministro da Justiça, o Ivan Cancino,
diz que já nos colocamos em contato com familiares
e há uma pessoa da chancelaria a caminho da Flórida, no caso.
E também nos Estados Unidos relacionado à Colômbia,
o Departamento de Tesouro anunciou a retirada de 37 pessoas
e 31 empresas da chamada lista Clinton,
que foi criada justamente no mandato do ex-presidente Bill Clinton
para punir pessoas ou empresas que lavavam dinheiro
para os cartéis ali nos anos 90.
Notícia da segunda-feira passada, dia 5 de outubro.
Trump confunde Brasil com Índia em post que elogia a eleição.
O Donald Trump, ele decidiu elogiar a eleição brasileira.
E ele disse,
125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial da Índia.
Os resultados saíram pouco depois do encerramento da votação,
no mesmo dia.
E aí, logo depois, ele corrigiu para Brasil.
Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e em várias outras cidades dos Estados Unidos,
os resultados, com números muito menores,
muitas vezes levam semanas para serem fraudados.
Quero dizer, calculados.
A votação nos Estados Unidos é. É maiúsculas corrupta.
Ou seja, ele já está plantando o discurso de acusação de fraude
para aprovar a derrota que os republicanos vão sofrer
nas eleições de meio de mandato.
E aqui, a gente vai falar rapidamente de algumas notícias
sobre a eleição brasileira.
E a gente vai ter duas entrevistas nesse programa
sobre as eleições e sobre a política externa
e a relação com as eleições.
Mas, imagino que todos nós ouvintes sabem que no último dia 4,
dia 4 de outubro, nós tivemos eleições gerais aqui no Brasil.
O Donald Trump elogiou a Índia pela celeridade dos resultados.
É pertinente ao xadrez herbal lembrar que, na sexta-feira, dia 2,
Estados Unidos e Austrália suspenderam os serviços consulares no Brasil,
alegando questões de segurança na véspera das eleições.
Nós tivemos missões observadoras aqui nas eleições brasileiras
e a missão. A observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos,
liderada por um chileno chamado José Miguel Insulza,
emitiu o seu relatório preliminar,
parabenizando o povo brasileiro,
elogiando a urna brasileira,
porém destacando também que o ambiente eleitoral brasileiro
foi muito marcado pela desinformação nas redes sociais.
Falando da ausência de critérios jurídicos harmonizados
na justiça eleitoral sobre uso de imagem real
gerada por inteligência artificial, etc, etc, etc.
Tá?
Comunicado inteiro, vocês podem acessar online.
Nas eleições brasileiras nos Estados Unidos,
meu caro Matias,
tivemos um episódio absolutamente surreal.
É difícil até achar palavras.
Já que um brasileiro de 46 anos
decidiu ficar circulando por um local de votação em Miami
fantasiado de agente do ICE.
Ele foi preso
e aí uma juíza chamada Mindy Glazer
disse que não era Halloween,
que o traje não era apropriado,
não é agora e não seria durante as eleições brasileiras
no Miami Dade College.
O brasileiro disse que a roupa foi comprada na Amazon,
contestou a acusação do uso ilegal de ensino policial,
o que torna, assim,
tipo, você ter comprado uma roupa do ICE na Amazon
não é uma justificativa.
Enfim, a juíza disse também que era necessário levar o contexto
e ele teve que ir para o Brasil.
E ele teve que pagar uma fiança de 5.650 dólares,
ou seja, o que vai dar mais ou menos aí
uns 26, 28 mil reais.
E antes de você puxar a participação da nossa querida Fernanda,
meu caro Matias,
recomendar também a leitura da coluna
do professor Matias Spector
na revista Foreign Affairs,
que fala sobre as eleições brasileiras,
mas no contexto da política,
que está na brasileira.
E a linha fina, a frase de chamada foi
Brasil está perdendo a influência global
e a sua autonomia para agir está sob risco.
E agora nós ouviremos a participação
da nossa companheira Fernanda Simas
fazendo um pequeno pião
pela nossa quebrada latino-americana
repercutindo as reações dos países vizinhos
em relação às eleições brasileiras.
Olá, Matias.
Olá, Felipe.
E olá a todas e todos que nos assistem.
Nos acompanham.
Essa semana, o primeiro turno das eleições brasileiras
também esteve em foco
em alguns países da América Latina,
principalmente Argentina e Colômbia,
onde os atuais presidentes
que representam a extrema-direita da região
felicitaram Flávio Bolsonaro.
Javier Millet, Abelardo de la Esprieia
e a opositora venezuelana Maria Corina Machado
foram os primeiros políticos da região
a comentarem o desempenho de Flávio
no primeiro turno.
Sobrou aspas aqui.
A liberdade avança no Brasil.
Felicidade ao amigo Flávio Bolsonaro
por essa histórica eleição
diante do comunista Lula,
escreveu Millet no ex-antigo Twitter.
O presidente argentino foi ainda mais longe
e já deu como certa a chegada do candidato
ao Palácio do Planalto
e afirmou que mantém a vontade de fortalecer
as relações entre os dois países.
O continente americano é,
de cidadãos que querem viver em liberdade.
Espero que rapidamente
possamos começar a trabalhar juntos
para que Argentina e Brasil
continuem sendo grandes sócios comerciais,
culturais e políticos.
Foi o que Millet disse.
A venezuelana Corina Machado
também se pronunciou rapidamente
após o resultado e disse,
abro aspas,
meu respeito e carinho ao povo do Brasil
por uma jornada democrática exemplar
na qual se pôde exercer com orgulho
a sua vida.
Soberania popular por meio do voto.
Meu reconhecimento a Flávio Bolsonaro,
ganhador desse primeiro turno.
A Corina Machado foi um pouco mais longe também
e vinculou o resultado ao cenário político regional,
dizendo,
nós, latino-americanos,
queremos viver com liberdade,
democracia, prosperidade e justiça.
O Brasil tem um peso decisivo
no futuro de nossa região.
Muito em breve,
a Venezuela também avançará no caminho
da liberdade e deixaremos para trás
para sempre o comunismo,
a violência e o crime.
Uma reflexão importante
que eu trago aqui,
esses dois personagens têm pesos
diferentes ao darem essas declarações,
porque o Millet
é um presidente
de um país
que não é composto
apenas por eleitores da extrema-direita,
ele está ali representando
o Brasil,
que é seu principal parceiro comercializado,
e cria uma situação muito complicada,
principalmente em caso de não se concretizar
uma vitória do Flávio Bolsonaro
no segundo turno,
no fim de outubro.
Por outro lado,
a Corina Machado está em uma posição
de opositora importante na Venezuela,
mas uma liderança política,
ela não está ali representando
a Venezuela em si.
Então eu trago isso porque
são declarações muito semelhantes
que trazem aqui a palavra liberdade,
criticam a questão do comunismo
no governo,
mesmo a gente sabendo que, enfim,
principalmente aqui no Brasil,
a gente não tem um governo comunista,
mas com pesos diferentes.
A gente tem que lembrar desse detalhe.
O Millet, ele representa um país
cujo Brasil é o seu principal
parceiro comercial.
E para entrar um pouco
nas declarações do De La Esprieia,
o presidente colombiano,
eu lembro que a gente vem abordando
aqui nos últimos programas, justamente
a questão
de como os
pontos ideológicos
vêm se sobrepondo
até a questões políticas práticas
entre os vizinhos. Isso apareceu
muito justamente na resposta
colombiana aos terremotos
que afetaram o país
dias depois da posse do novo presidente
logo de imediato
ele recusou a ajuda de determinados
países por não serem países
ideologicamente alinhados
com o seu governo
depois de algumas críticas ele voltou atrás
mas enfim
fica aqui de novo essa ressalva
de como a questão
ideológica está se sobrepondo
a questões práticas
de política entre vizinhos
logo após a divulgação
dos resultados do primeiro turno
aqui no Brasil, o De La Esprieia
falou em mudança no país
dizendo, abre aspas
hoje meu coração está com o Brasil
que Deus tenha piedade do país
irmão como teve da Colômbia
a verdadeira mudança é derrotar
a esquerda
o De La Esprieia chamou o Flávio Bolsonaro
de amigo e foi ainda mais longe
eles tiveram uma conversa
dias depois
por meio de uma chamada
de vídeo feita
por intermédio do Eduardo Bolsonaro
que está nos Estados Unidos
apresentando aí o Flávio
e diversas perguntas eram feitas
ao De La Esprieia, principalmente
dos temas de segurança
que é um assunto que movimenta
muito essa questão
dos países latino-americanos
diante das novas determinações da Casa
Branca e também
falando até das designações
religiosas aí do governo
e aqui chama a atenção
que o De La Esprieia em determinado
momento dessa conversa, ele fala
estamos completamente de acordo
e temos a mesma visão
ninguém Flávio
se equivoca quando faz o correto
nós estamos do lado
certo da história, os equivocados
são eles, né
então claramente opondo aí
a questão do governo Lula com
o candidato Flávio Bolsonaro
e se posicionando já
muito claramente
alinhado com Flávio
Bolsonaro, isso não é uma novidade
mas da mesma forma que eu falei
do Milenio, eu falo aqui do De La Esprieia
ele é presidente da Colômbia
ele representa o povo colombiano
e quando ele faz declarações
assim, ou quando ele participa de uma conversa
com um candidato
à presidência do Brasil, ele está
ali representando o seu país
ele fala como presidente
a gente não pode dissociar essa imagem
não é o De La Esprieia
político
que tem uma visão
mais alinhada ao Flávio Bolsonaro
ou um político da extrema direita
que está ali falando simplesmente
como a gente pode até
colocar a questão da Maria Corina Machado
hoje, ele é o presidente
da Colômbia, ao falar
justamente da questão de segurança
por exemplo, durante a conversa
o De La Esprieia traz
à tona a figura do Jair Bolsonaro
dizendo que o pai do Flávio
seria aí o grande exemplo
a ser seguido
e traz depois na sequência
a questão
de que eles são candidatos
políticos que devem o seu
capital político à fé
então ele encerra falando
esta não é apenas
uma guerra política, é uma guerra
espiritual
e ele se convence, ele fala
estar convencido de que Deus
vai mexer a sua mão
pelo Brasil
e o último ponto que eu queria
trazer aqui para vocês hoje
é justamente a ingerência externa
no processo eleitoral brasileiro
a gente vem abordando isso
ao longo dos últimos programas
falando principalmente da questão
da interferência dos Estados Unidos
no processo eleitoral
a gente teve questionamento de urnas
lá em 2022
a gente teve isso sendo ventilado
novamente ao longo dessa campanha
mas essa cartilha
ela não se realiza
ela não se restringe
ao ocupante da Casa Branca
e nem ao governo Donald Trump
a gente precisa lembrar
que o próprio Milley subiu no palanque
do Flávio Bolsonaro ao longo da campanha
ele fez aquele show
como a gente lembra
falou da motosserra
o Flávio falou também
então a gente teve aí a atuação
de um presidente da Argentina
numa campanha política brasileira
isso é algo que precisa ser levado
em consideração quando a gente avalia
esse tipo de atitude diplomática
política entre os líderes
aqui da América Latina
e como isso tem ficado a serviço
de uma cartilha
dos Estados Unidos
e de uma série de ações
coordenadas internacionalmente
e para finalizar
como era esperado também
nos Estados Unidos
tanto o secretário de Estado Marco Rubio
quanto o próprio presidente Donald Trump
comentaram o fato
de que Bolsonaro largou na frente
na corrida pelo Palácio do Planalto
Rubio afirmou
vamos para o segundo turno
acho que todos já esperavam por isso
o Donald Trump foi mais enfático
dias antes inclusive da votação
dizendo que estava acompanhando
muito de perto porque a eleição brasileira
era muito importante
e após a votação
e ao contrário do que ele já havia
ventilado diversas vezes sobre a questão brasileira
o Trump elogiou
a rapidez da apuração eleitoral
aqui no Brasil dizendo
125 milhões de pessoas
votaram hoje no primeiro turno
da eleição presidencial do Brasil
os resultados saíram logo
após o encerramento da votação
no mesmo dia
foi o que ele escreveu aí na Truth Social
ele inclusive fez uma confusão
entre Brasil e Índia
e depois corrigiu no post
mas fato é, ele usou essa informação
justamente para se referir
a essa agilidade, dizendo que
nos Estados Unidos o sistema eleitoral
não é bom e que tem
muita demora para apuração de votos
e que isso pode levar a fraudes
a gente sabe que segundo as pesquisas
o governo Trump
pode enfrentar um revés aí nas eleições
de meio de mandato em novembro
mas fica aqui
essa fala dele
contradizendo um pouco toda
essa linha de fraude
nas urnas brasileiras que também já havia sido
ventilada
outros países latino-americanos
não se pronunciaram de forma oficial
tendo aí o presidente
como porta-voz, digamos assim
a gente teve por exemplo no Uruguai
diversos pronunciamentos
de políticos, senadores
da oposição e do governo
e a própria
Lucia Topolansky, que é mulher do
Pepe Mujica e ex-vice-presidente
aí ela sim dando apoio
ao Lula no sentido de dizer
como ele era importante para as mudanças
sociais no Brasil
a gente vai continuar acompanhando
as possíveis reações ainda
a esse resultado de primeiro lugar
no primeiro turno aqui no Brasil
dificilmente alguma declaração
oficial sai a partir de agora
e muito provavelmente
só depois do segundo turno
no dia 25 de outubro
de qualquer forma, algo que a gente tem que ficar de olho
a partir disso tudo
que eu trouxe para vocês hoje
é quais vão ser as futuras
relações diplomáticas
com o próximo presidente
do Brasil, seja ele o Lula
e aí com algumas dificuldades diante
desse cenário que já foi apresentado
ou seja ele Flávio Bolsonaro
Notícia da segunda
feira passada, dia 5
de outubro
Suprema Corte da Índia
exige respostas
sobre alterações na lista
de eleitores, agora é da Índia
Isso, agora é da Índia
mas por quê?
Os nossos ouvintes, eles devem
se lembrar que a gente mencionou algumas vezes
aqui em alguns programas, no Giro de Notícias
de que a Índia
está fazendo o que
as autoridades indianas
estão chamando, lembrando que as
autoridades nacionais indianas
e que hoje governa boa parte dos estados
é do BJP
que é o partido do nacionalismo
hindu, um partido que tem
dentro dos seus braços
uma conexão com o movimento RSS
que é um movimento, basicamente
é um fascismo hindu
e eu digo que é um fascismo porque
o movimento foi criado
literalmente espelhado
no fascismo italiano
tá?
Pois bem, a Índia
segundo as suas autoridades
está realizando um processo
de recadastramento
dos seus eleitores
por quê?
Porque a Índia
alega que muitos registros eleitorais
são antigos, que muitos registros
eleitorais incluem
pessoas mortas, pessoas que já
faleceram, que isso favorece
fraudes, esse tipo de coisa
mas, ao mesmo
tempo, muitos grupos de oposição
dizem que isso
na verdade é uma maneira
de criar dificuldades
para o registro eleitoral
para tirar do
registro eleitoral pessoas que estão
vivas, mas que
terão questionados o seu
direito ao voto ou a sua cidadania
por, por exemplo, serem
muçulmanos
ou por não conseguirem
comprovar exatamente
as circunstâncias do seu nascimento
pensando no processo de
partição da Índia
então, uma pessoa que
nasceu na década de 1980
mas cujos avós
nasceram onde hoje é Bangladesh
pode ter
pode ter não, na verdade
está tendo a sua cidadania
questionada
é um processo que é focado especialmente contra
os muçulmanos, mas
contra a oposição em geral
e nessas
últimas semanas, últimos meses
assim como nós tivemos esses
purgos, essas tentativas, melhor dizendo, de expurgos eleitorais, também tivemos
muitos protestos da oposição, incluindo
tanto o Congresso Nacional Indiano, o
principal partido de oposição, partido
de centro-esquerda e esquerda, quanto
também do movimento dos estudantes das
baratas. E, como consequência das ações
judiciais movidas por alguns desses
grupos de oposição, e que inclusive levou
a renúncia do chefe da Comissão Eleitoral
Indiana, a Suprema Corte, provocada por
essa ação, emitiu uma demanda ao governo
Modi para esclarecer, de forma
transparente, sobre esse projeto de
recadastramento dos eleitores, que teria
levado à exclusão de dezenas de milhões
de eleitores dos registros, e que já
influenciou eleições estaduais, como, por
exemplo, na Bengala Ocidental, e a gente
falou disso em abril, aqui no programa,
Bengala Ocidental, que fica na fronteira
com Bangladesh. Então tem essa conexão
com a questão muçulmana e também com o
uso jurídico, uso cínico, juridicamente,
dessa questão de nacionalidade, pensando
no processo de partição da Índia. E
estamos falando de, potencialmente,
dezenas de milhões de pessoas que têm o
direito ao voto e que foram excluídas da
lista, e o número final de pessoas
excluídas da lista de eleitores é de
130 milhões de pessoas. Isso é mais do
que a população do México, isso é mais
do que a população inteira da Argentina.
Esses nomes foram excluídos e muitos
deles, provavelmente, foram excluídos de
maneira irregular ou ilegal. E, como
apenas uma citação, apenas um
complemento, meu caro Matias, dessa notícia indiana,
nessa semana, o Ministro de Relações
Exteriores da Índia, o Jain Shankar,
lembrando que estamos falando de um
governo à direita, ele participou de um
evento com autoridades europeias em Delhi,
e ele disse, para quem quiser ler o
discurso dele na íntegra, tem na internet,
ou vocês podem ler a matéria do Dehindo
sobre o discurso, mas ele falou uma coisa
que é o seguinte, o cenário internacional
atual é marcado, primariamente, por um
reposicionamento radical dos Estados
Unidos. Um reposicionamento que é uma
postura de escolha e que, de uma maneira,
está deliberadamente se isolando do
resto do mundo. A lonely power, ou seja,
uma potência solitária, uma potência
isolada. Enfim, achei uma declaração
interessante e fica a recomendação. E,
claro, um abraço para a nossa queridíssima Mariana Albuquerque,
talvez a principal especialista sobre, talvez não,
certamente a principal especialista sobre
política externa indiana hoje no Brasil.
Bem, passemos agora para a primeira das
três colunas abertas, na qual o Felipe
entrevistará o professor Feliciano
Guimarães, do Instituto de Relações
Internacionais da USP, sobre o impacto
eleitoral da política externa.
Coluna aberta.
Professor Feliciano, o senhor, nos últimos
anos, se dedicou também a pesquisar a
relação entre a política externa
brasileira e opinião pública e, também, o
impacto da política externa nas
instituições, em linhas gerais, como tem sido essa pesquisa e o que essa
pesquisa, o que os dados mostram hoje do interesse do brasileiro pela política externa do seu
país e pelo restante do mundo.
Obrigado, Felipe, pela oportunidade de falar com vocês aqui no Xadrez Verbal. Adoro o canal
de vocês, vocês são fantásticos no trabalho que vocês fazem para manter os
temas das relações internacionais aí no debate público brasileiro e os meus
alunos aqui na universidade são muito engajados em todo o trabalho que vocês
fazem. Bem, essa pesquisa, a gente, como eu sou professor aqui da USP desde 2013,
desde essa época, eu trabalho exatamente com esse tema e já são 13 anos e essa
pesquisa já era anterior à própria entrada minha aqui, que ela vinha
liderada pela professora Maria Hermínia, e o que a gente faz, né,
com recursos da FAPESP, a partir de várias ondas de surveys, né, a gente faz como pesquisa
de opinião comum, assim, que você faz aí para eleições, só que em vez de fazer perguntas
sobre quem você vai votar e tudo mais, a gente faz perguntas sobre temas internacionais
para os brasileiros. E a gente já fez isso em seis ondas, né, nós temos provavelmente
a base de dados mais ampla do Brasil sobre o que os brasileiros pensam de política externa
e da posição do Brasil no mundo e dos temas internacionais, e nós já descobrimos algumas
grandes tendências ao longo desse tempo.
A primeira delas é que nós conseguimos determinar que a ideia de que política externa não era
importante para os eleitores brasileiros, ela era equivocada, né, isso durante muito tempo na
Nova República havia essa percepção genérica de que os brasileiros não se importavam com política
internacional e que seja para as opiniões, formação das suas opiniões, ou seja, para votar, a política
internacional não tinha nenhum peso, né. O que a gente mostra nessas pesquisas é que, na realidade, os
brasileiros, na sua imensa maioria, têm opiniões sobre temas internacionais e, mais do que isso,
essas opiniões são estruturadas e estáveis ao longo do tempo. Um indicador de que os brasileiros e
brasileiras não pensam, não teriam nenhum interesse em política internacional seria a instabilidade
das opiniões, na medida que você faz surveys, e aí você tem grandes mudanças da opinião em
política internacional ao longo do tempo. A gente mostra certos modelos estatísticos para fazer isso
e que isso não é o caso, e que os brasileiros têm opinião que ela é relativamente estável ao longo do
tempo. Essa é a primeira questão. A segunda questão é que a gente descobriu que a taxa de "não sei", que você faz
uma pergunta sobre um tema internacional e a pessoa diz "não sei", ela é declinante ao longo do
tempo, ou seja, os primeiros surveys que foram feitos lá no início de 2010, 2008, 2009,
a taxa de "não sei" era um pouco mais alta em alguns temas. Na medida que o tempo passou, essas taxas de "não sei" foram diminuídas.
É claro que algumas perguntas têm taxas de "não sei" mais altas do que outras. E como é um
survey de opinião pública, você faz 50 perguntas no máximo. A gente tenta limitar isso porque ninguém
responde muitas perguntas, fica muito custoso para o respondente. A gente faz uma amostra nacional com
uma certa margem de erro, e essa amostra nacional tem que corresponder a mais ou menos o
resultado nacional. E a gente faz perguntas, essas 50 perguntas, por telefone. A gente fez todas essas
surveys por telefone ao longo do tempo. Agora, no nosso novo survey, que entrará para as
ruas aí na virada do ano, a gente provavelmente fará pela internet, utilizando outras formas de
fazer o survey, de captar essas perguntas, que é mais rápido e tão eficiente quanto. E também
é importante fazer. Então, a gente descobriu que essa taxa de "não sei" vem diminuindo. Também é um
indicativo de que os brasileiros, de alguma forma, acompanham os temas internacionais. Isso não quer
dizer que a maioria dos brasileiros sabe exatamente o que é a COP30 ou os BRICS. Não se trata disso.
Se trata de dizer que, quando em estados e perguntados sobre os sistemas internacionais, mesmo em temas
que eles não conhecem bem e não acompanham, eles conseguem responder os surveys. Isso, a literatura
percebe que esses tipos de respostas, perguntas complexas de surveys, seja para política
internacional ou seja, política doméstica, quando o eleitor não sabe responder e ele acaba
respondendo, ele usa atalhos cognitivos que têm a ver com esquerda, direita, classe social, gênero e
preferências políticas. Então, ainda que uma pessoa, digamos, uma pessoa muito conservadora de direita,
que não acompanha temas internacionais, ela é perguntada pelos BRICS. Ela não sabe muito bem o
que é os BRICS, mas ela sabe que, como ela é de direita, ela vai ter uma opinião mais negativa sobre os BRICS, ou o inverso.
Entendeu? Então, se ela fosse uma pessoa altamente escolarizada de esquerda ou não escolarizada de esquerda.
Então, ainda que não acompanhasse temas internacionais. Então, esses são indicativos de que, de alguma maneira,
os brasileiros têm noções de temas internacionais. Outro aspecto que nós descobrimos é que, no que
diz respeito a voto e motivação de voto, e essa é a agenda com a qual nós estamos trabalhando hoje em dia,
e ela é uma agenda muito difícil de ser feita, mas a gente está trabalhando, é que nós identificamos que há temas
e temas na cabeça dos brasileiros.
Alguns temas internacionais são mais importantes do que outros. O que nós descobrimos é que, nessa eleição, nessa virada desse ciclo eleitoral,
quatro temas tomaram conta dos temas internacionais na cabeça dos brasileiros, que é, número um, o conflito entre Israel e Palestina,
número dois, Venezuela, número três, a guerra da Ucrânia, embora a guerra da Ucrânia tenha diminuído de importância
entre os brasileiros nos últimos anos, e número três, que aumentou muito a importância, obviamente, a relação Brasil-Estados Unidos,
mais especificamente, como o Trump trata o Brasil, né?
Então, esses temas, se eu pudesse dizer, responder a pergunta, quais são os temas internacionais que têm algum impacto eleitoral,
que motivam os brasileiros em voto, seriam esses quatro temas.
Isso não quer dizer que os brasileiros vão às urnas e votam baseado. Esses são os temas que definem o voto.
Não se trata disso. O que se trata de dizer é que esses são temas de alta saliência, ou seja, de importância.
É menor, por exemplo, a importância de um acordo Mercosul-União Europeia.
É menor a importância da. A organização da COP30, é a menor organização da Conferência dos BRICS.
Eu sempre digo isso, o presidente Lula, ele pode organizar 50. reuniões dos BRICS, fazer 50
COP30 no Brasil, mas se ele toma
uma posição errada na questão Israel-Palestina
do ponto de vista eleitoral
e do ponto de vista da popularidade do presidente
vai tudo por água abaixo
então são temas que a presidência da
república, qualquer que ela seja
se essa tendência continuar, terá que tomar muito
cuidado no seu posicionamento
não porque isso
efetivamente dá voto
mas porque isso efetivamente afeta
a imagem presidencial, e a imagem
presidencial é o principal
preditor de voto nas eleições
presidenciais. Outro
aspecto que tem crescido, a gente não tem dados
quantitativos, mas a gente tem dados
qualitativos, é que
existem vários candidatos
como essa eleição agora muito provavelmente
mostrará, a gente está começando a levantar esses dados
que candidatos a
deputados e senadores, principalmente
na direita, que
fazem campanhas eleitorais
usando vários temas, e muitos
desses temas são temas internacionais
se você notar os
deputados e senadores que faziam
parte da CAE, que é a Comissão de Assuntos
Exteriores do Senado, e foram para a reeleição
e da CREDEM, que é a Comissão de Relações Exteriores
e Defesa Nacional da Câmara, e foram para a reeleição
tiveram sucesso
e eles participaram, fizeram um debate
público de temas internacionais durante
toda essa legislatura
isso significa dizer que alguns deputados
e alguns senadores, e não são todos
obviamente, já intuíram e já
observaram na urna
que as suas pautas internacionais
têm efeito eleitoral
isso para resumir o que então?
de que política externa
é determinante no voto e na vitória
e na derrota de uma eleição presidencial?
não, não se trata disso, se trata apenas de dizer
que política externa e política
internacional fazem parte
hoje do número de
políticas públicas
que têm efeito eleitoral
na popularidade presidencial e na eleição
de alguns deputados e senadores
e não todos, então
no final a gente acabou vencendo um pouco
esse debate público de que política
externa efetivamente não dá
voto e que o Itamaraty
tinha liberdade de formular e implementar
política externa a despeito dos resultados
eleitorais de plantão, isso não é mais verdade
também não significa dizer
como eu falei, que política externa
é o fator determinante
eu acho em particular que o presidente Lula
nessa campanha presidencial agora
na medida que ele colocou soberania como
um dos temas fundamentais da sua campanha
ele intuiu um pouco
essa questão dos efeitos internacionais na eleição
talvez ele tenha errado na dosagem
porque ele fez uma campanha muito forte
em temas internacionais e aí talvez
tenha deixado
um pouco de lado
outros temas que estavam aí na cabeça
dos brasileiros e motivaram o voto
nesse primeiro turno e por isso está uma situação um pouco mais difícil
Feliciano
nessa sua primeira resposta você já
antecipou várias
das perguntas
que eu pretendo
lhe fazer e uma delas foi
você falou que temas
de política externa muitas vezes acabam sem
uma forma
de a pessoa
se ela não tem muito conhecimento
sobre aquele tema ela usa
o que você chamou de
gatilhos cognitivos
a partir da autoidentidade
ideológica dela
para definir a posição
dela, então você deu o exemplo lá dos
BRICS, se uma pessoa
for à direita e não
souber muito bem o que é os BRICS
ela muito provavelmente vai ter uma opinião negativa
sobre isso. A minha pergunta
para você é
considerando que
política externa e política internacional
não costuma
receber um grande espaço
no noticiário, costuma
ser uma discussão
às vezes um pouco mais difícil
um pouco mais inacessível
para muitas pessoas
ou até mesmo de não tão
grande interesse cotidiano
a gente vai entrar nisso também
mas considerando
esses fatores de inacessibilidade
de dificuldade
e que você tem
o que você chamou de gatilhos cognitivos
a visão de política externa
ela também não acaba sendo na verdade
uma visão
muitas vezes pouco
informada e que serve na verdade
de viés de confirmação
então se eu sou
de esquerda eu terei uma
posição, se eu sou de direita eu terei
essa outra posição e não
o contrário, por ter essa posição
eu acho que eu vou voltar
mais à esquerda ou vou voltar mais à direita
não acaba sendo um viés de confirmação?
Olha, uma da
como é que a gente faz o survey, né
a gente, a primeira pergunta do survey
desde o início das ondas a gente
pergunta assim para os respondentes
você se interessa por política internacional
e relações internacionais, política externa
e relações internacionais
aí a pessoa responde sim ou não
aí a segunda pergunta assim, você
me diga o que significa essa sigla
aí a sigla é ou ONU
ou OEA, quando você
faz isso você acaba segregando
a amostra em dois grandes grupos
entre o público informado
e interessado e o público
desinformado e desinteressado
então é 80%
em média desinteressado
e desinformado
e 20% em média informado
e interessado
e acontece, a gente sempre compara
em todos os relatórios
a opinião em certos temas de um grupo
versus outro grupo, o que a gente acabou descobrindo
é que não há grandes diferenças
entre os grupos informados
e interessados e os grupos
desinformados e desinteressados
em termos de política externa, ou pelo menos não era assim
até o nosso survey de
2019, que é quando começa
a captar a ascensão do bolsonarismo no Brasil
posso falar um pouco sobre isso porque eles têm
uma visão bastante diferente de política externa
do que era a visão média dos brasileiros
até então, então
o que a gente acabou notando é que
o nível de informação
ou pelo menos aquilo que a pessoa indica como o nível
de informação, ela não
altera muito as percepções
que os brasileiros têm, na média é isso, claro
de temas internacionais
então, é a mesma lógica
aplicada à política de saúde
à política de educação, por exemplo
eu particularmente, eu, Feliciano, não acompanho
muito a política de saúde, eu tenho algumas noções
gerais de política de saúde, aí talvez eu
sendo um cara de esquerda ou de direita, isso vai
ter uma certa, quando eu for instado sobre
isso, eu vou fazer esses atalhos
e vou tentar responder
o que é
o que significa dizer que
esse viés de confirmação possível mantém
uma certa estabilidade das
respostas ao longo do tempo, número um
e número dois, as lideranças
políticas têm um papel muito importante de
construir o que é ser de esquerda
e direita em política internacional, porque
não é tão simples isso
nós nunca vamos saber se as pessoas
que não acompanham política internacional não se
interessam, que são diferentes de você ou de mim
se essas pessoas elas são
elas são influenciadas e de que
maneira elas são influenciadas pela elite política
que são os
diplomatas e os
presidentes e governadores
e deputados e senadores que tratam
de temas internacionais e tem nas suas
plataformas, essa elite também é composta pelos
jornalistas, inclusive você faz parte da elite
eu também faço parte da elite na medida que eu sou
professor e estou toda hora falando na mídia
então, essa elite política
daquilo que a gente chama de comunidade da
política externa, que é um grupo pequeno de pessoas
em torno de 10 mil pessoas no Brasil
que tem interesse e falam sobre temas
internacionais sistematicamente, essa
tal de elite da política externa
qual o papel dela na formação
do pensamento do resto
dos brasileiros
é muito difícil de entender e é uma incógnita
nós não sabemos se é a elite
e as suas várias formatos
que definem a opinião das pessoas
ou a opinião das pessoas que define as elites
porque as elites fazem parte do resto da população
isso para dizer o seguinte, que
ainda que exista um certo viés de
confirmação, são as elites políticas
que acabam definindo o que é um pouco
ser a direita ou esquerda, então eu vou te dar
o exemplo hipotético agora que me vem à cabeça
então digamos que amanhã o presidente
seja Flávio Bolsonaro eleito no segundo turno
e você tem a percepção, se você é uma
pessoa de direita que apoia o Bolsonaro
você vai ter uma boa relação
você vai ter uma visão
positiva dos Estados Unidos
mas, se
por alguma razão, embora seja improvável
o governo Trump ou o próximo
governo democrata entrar em conflito com o governo
Flávio Bolsonaro e o Flávio Bolsonaro começar
a dar sinais de que a relação Brasil-Estados
Unidos é um problema para o governo dele
ele pode ter um efeito na opinião
das demais pessoas, as pessoas podem
deslocar aquela percepção
em relação aos Estados Unidos que era de
admiração para conflito, por exemplo
então
ainda que exista um certo viés
pela sua de ser direita ou ser esquerda
ser rico ou ser pobre, essas
opiniões elas podem ser alteradas
pela liderança política
eu vou te dar um exemplo de coisa rara
um outro exemplo que é raro de acontecer
em opinião pública e política internacional
que são mudanças repentinas
de opinião da população
quando começou a guerra de Gaza
a gente tinha feito um survey
perguntando, antes de
antes de outubro de
23, a gente tinha feito um survey recente
em que a gente perguntava aos brasileiros e brasileiras
o que eles achavam do conflito Israel-Palestina
e a gente tinha identificado
que a causa palestina no Brasil
não tinha nenhum apoio
da população, era zerado
apenas 1% da população
e essas pessoas eram altamente escolarizadas
e de esquerda
apoiavam a causa palestina sozinha
sem a solução de dois estados
era só isso
e a gente também tinha identificado
que na realidade a maior defesa
dos brasileiros, que era em torno de 30%
era a solução dos dois estados
depois um pouco mais só o lado israelense
e depois uma opção que a gente tinha
colocado que era o Brasil não se envolver
com esse tema, não ter opinião sobre esse tema
então não havia grande apoio
da causa palestina no Brasil
tem o ataque do Hamas, eu participei de outras
pesquisas de opinião por outras empresas.
empresas, ajudando e a gente acabou descobrindo que a opinião pró-Israel acabou aumentando nos
meses seguintes ao ataque do Hamas. Mas daí a guerra continua. A guerra continua, a guerra
continua, a guerra continua, as imagens do que aconteceu em Gaza chegam para todos os brasileiros
e aí começa a mudar a opinião dos brasileiros. O paper que nós vamos publicar agora, aqui eu e mais
dois coautores, é que o nome é da, não lembro, o título é algo como do apoio ao Israel ao empate.
Houve um empate, ou seja, a causa palestina no Brasil cresceu em apoio e cresceu bastante apoio
ao ponto de equilibrar com a causa só de Israel, que caiu em apoio. E a causa, e a solução dos
dois estados, a qual eu particularmente defendo, pessoalmente, ela ficou estável ao longo do tempo,
um pouco entre 20 e 30%. Isso é algo raro de acontecer. Isso significa dizer que ou as elites
políticas brasileiras, que eram mais que faziam defesa da causa palestina, ou a mídia brasileira,
ela teve um efeito.
Sobre a população em geral, e inclusive sobre aqueles que não acompanham e não se interessam
por política internacional.
O meu último ponto, que é algo com uma agenda de pesquisa que a gente abriu agora, a minha orientana,
a Ana Mello, ela ganhou o prêmio nacional CAPS, agora de tese de doutorado em relações internacionais
e ciência política, em que nós analisamos, ela faz uma grande análise de como a liderança
política da extrema direita, mas também da esquerda, mas com foco na extrema direita, opera temas
internacionais.
Nas mídias sociais, com ênfase no Twitter, ainda quando o Twitter era mais aberto.
O que a gente mostrou é que, com a profusão dos meios, veículos e mídias sociais, e eu acho que o
Xadrez Verbal, inclusive, participa desse processo, à medida em que espalha as opiniões sobre temas
internacionais para além da grande mídia brasileira, as fontes de informação sobre temas
internacionais se diversificou demais.
E aí essas enormes bolhas de opinião sobre temas internacionais, as fontes de opinião sobre temas
internacionais, se diversificou demais.
E aí essas enormes bolhas de opinião sobre temas internacionais, se diversificou demais.
E a tese de doutorado dela mostra como isso aconteceu dentro da extrema direita e como é importante
os temas internacionais para a consolidação de identidades, convencimento dos eleitores
e construção da comunidade extrema direita nas mídias sociais.
Então esse é um outro fator, quer dizer, ainda que exista o viagem de confirmação,
eu sou direita, eu vou gostar mais dos Estados Unidos, eu sou esquerda, eu vou gostar mais
da China, essas opiniões podem ser alteradas a depender do posicionamento
das lideranças políticas, porque as lideranças políticas, as elites, em geral, têm efeito,
embora a gente não saiba exatamente como opera esse mecanismo, na opinião das pessoas.
Então para dizer, é possível alterar essas opiniões de política internacional?
Claro que é possível.
É possível você fazer com uma pessoa que aparentemente tem opiniões exclusivamente
de direita em temas internacionais e em um ou outro tema tem uma opinião que não seja
de tão assim de direita?
É possível.
Agora, é claro que vai existir esses dois grandes polos de direita e esquerda e isso
tem efeito nas suas preferências de política externa.
Também, não apenas em política de saúde, política educacional e tudo mais.
Feliciano, uma outra questão, juntando alguns pontos das suas respostas, você nessa resposta
agora, você falou que pelo posicionamento de lideranças políticas, é possível que
a opinião das pessoas que seguem ou que apreciam, que votaram naquela liderança política, é
possível que a opinião, a posição dessas pessoas mude.
Além disso, nós vimos que a maioria das pessoas melhor votadas para cargos legislativos
nesse último pleito, são pessoas com uma forte presença nas redes sociais.
E nas redes sociais, nós temos um favorecimento de um modelo, de um formato, até pela sua
própria rede, pelos algoritmos, do formato de vídeos curtos, de conteúdos muitas vezes
mais superficiais, sensacionalistas.
E o terceiro elemento da minha pergunta, que foi na sua primeira resposta, você falou
que aquele isolamento técnico do Itamaraty, esse cenário está diminuindo.
Esse cenário vai ser afetado por essa mudança no comportamento brasileiro que a sua pesquisa
tem detectado.
A conclusão da minha pergunta, juntando esses três elementos, é, não há um risco, então,
de se surgir uma política externa completamente populista e sequestrada pelos impulsos das
redes, uma política externa que vai ser feita para gerar corte no Instagram, falando de
uma forma bem exagerada, um pouco exagerada até, uma política externa movida por TikTok,
e não uma política externa movida por pensamento de longo prazo, ou por elos considerados,
por laços, pela construção de laços comerciais, mesmo que com países completamente diferentes?
Com certeza será um problema para o Itamaraty e para todos os outros ministérios e o presidente
da República de plantão que opera a política externa.
Se a política externa se populariza dessa maneira, quer dizer, se ela faz parte, esses deputados e senadores
fazem cortes curtos, dizendo que. que precisa apoiar Israel, que precisa apoiar a Palestina, que a Venezuela é uma ditadura
e demora dois segundos, três segundos, e isso tem efeito eleitoral na eleição de deputados
e senadores, e os deputados e senadores vão para o Congresso Nacional, participam da Comissão
de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, ou a CAE, a Comissão de Relações
Exteriores do Senado, a CRE, eles vão responder a isso.
Assim como ocorre na política de saúde, educação, política econômica, e isso é uma pressão maior sobre
a burocracia de Estado e sobre o presidente de plantão.
E acontecerá muitas vezes, como já está acontecendo, de você ter essas ações altamente populistas
de certos deputados e senadores da esquerda e da direita, exigindo certas posições que o Itamaraty
não pode tomar, seja por, como você falou, seja por compromissos prévios assumidos, seja por conta
do segredo, política externa se faz com segredo, você faz compromissos com outros países,
e muitos desses compromissos são secretos, você faz, se você tem tratados internacionais,
você tem, às vezes, posições que são muito, podem ser muito extremadas na política, por exemplo,
uma narrativa anti-China muito forte, depois interesses econômicos muito concretos, que são muito
difíceis de reverter, e aí você tem uma pressão do Congresso sobre o Itamaraty, o Itamaraty se é colocado
numa situação difícil, não consegue resistir, é obrigado a ceder, e isso tem efeito econômico de longo prazo.
Então o presidente da República tem mais essa variável para lidar, ele tem que, ele vai ter que eternamente
uma forma de atender as demandas desses senadores e deputados mais sensacionalistas em termos internacionais
e as necessidades concretas da política externa de curto e longo prazo. Esse será um conflito enorme
que pode levar a uma paralisia, uma pressão excessiva sobre o Itamaraty, e erros crassos de política externa
com efeitos deletérios para a nação como um todo, com efeitos coletivos. Você pode ter aquele deputado
ou senador, por ser muito influente, mudado a posição do Brasil em certo tema, por alguma razão, e essa mudança
embora faça com que ele seja eleito e reeleito, e a base dele seja atendida, o Brasil sofre um grande prejuízo
porque a decisão, enfim, tem um efeito negativo. Aí vai depender sempre da presidência da República.
Esse é o risco que ocorre em todas as políticas públicas. Por que a política externa seria diferente disso?
Se você entrevistar esses diplomatas hoje trabalhando em Brasília, você vai notar que uma das grandes pressões
que eles sofrem hoje, que sofreram durante todo esse governo, foi exatamente da Comissão de Nações Exteriores
e Defesa Nacional.
E da Comissão de Nações Exteriores do Senado. Não porque eram simplesmente convocações do ministro
para ele explicar uma. Simples convocações do ministro para explicar uma posição A ou B.
Mas é a pressão política que é feita sobre o ministro nessas convocações.
Essa é uma leitura. Agora você pode ter uma outra leitura. É absolutamente necessário que o ministro
preste contas à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. Então, ele não pode se. E evitar esse tipo de ação, né? Então, o ponto é, a política externa sofre uma pressão de baixo para cima
que historicamente não sofria. Isso dificultará, não há dúvida, a construção de política externa de longo prazo
no Brasil. Mas isso não impossibilitará a construção de política externa de longo prazo no Brasil.
Vai depender muito da capacidade e do interesse da Presidência da República de coordenar as ações dos ministérios.
E esse vejo, esse nem é o maior efeito de isolamento ou enfraquecimento.
O Itamaraty sofre pressão de todos os lados. Acho que a maior pressão sobre Itamaraty e o seu histórico
isolamento de política externa não vem das camadas populares e dos seus representantes.
Ela vem de outros ministérios. Temas de política externa, eles fazem parte de todos os ministérios
da esplanada. O Ministério da Educação, o Ministério da Defesa, que é o mais próximo em
política externa do Itamaraty, vai no Ministério da Saúde, no Ministério da Infraestrutura, todos,
historicamente, sempre operaram. Mas durante a transição da ditadura para a democracia, nos primeiros anos
da democracia, o Itamaraty conseguia reter algum tipo de capacidade de coordenação das ações
políticas exteriores. Isso está cada vez mais diluído. E o Itamaraty tem cada vez mais dificuldade de manter isso.
Agora, cabe ao Itamaraty se reformar. O Itamaraty não se reforma. Me diga aí uma mudança na carreira, no sistema
carreiras no Itamaraty, na forma como
os diplomatas sobem na carreira,
Escolhidos como embaixadores nesses últimos 20 anos
Que tenha sido relevante
Me mostre uma reforma
Que o Itamaraty tenha feito no que diz respeito
A abertura da sua política externa
Para os conselhos populares
Todos os ministérios da república
Têm conselhos
Saúde, educação, todos
Agora houve um enorme esforço para abrir o conselho da política externa
Com o PEB Itamaraty no final
Aos 45 do segundo tempo
Muita gente achava que ia dar certo
O Itamaraty recuou e não deixa
Sob o argumento de que se deixar
Criar um conselho
Que é uma representação da sociedade civil
Não mandatória
Não tem efeito sobre a decisão concreta da política externa
Mas teria efeito sobre o debate
Da política externa dentro do Itamaraty
Esse conselho
Que era o com o PEB foi derrubado pelo Itamaraty
Sob o argumento de que isso seria contrário
A os interesses de longo prazo da política externa
Isso só contribui, na minha interpretação
Para o isolamento do Itamaraty
Então você nota
O momento muito difícil da casa
Porque de um lado
Eles vão sofrer uma pressão popular
Porque a política externa em alguns temas
Chegou às casas das pessoas
E de outro
Eles vão sentir essa pressão
Dos outros ministérios
Que são muito mais ativos na relação com a sociedade civil
E conseguem construir pautas internacionais
Mais legítimas e poderosas
Do que o próprio Itamaraty que fica isolado
Na sua burocracia
As burocracias isoladas
Que ainda mais na política externa
Que é a história da construção da política externa
Dos países
Que é uma
A ideia da coesão da diplomacia
Da burocracia
Talvez não seja o melhor formato
Para o Itamaraty hoje
Ele precisa se abrir
Sem perder a centralidade
Na formulação da política externa
Esse é o grande desafio da casa
E eu não sei se a casa está preparada
Para fazer isso
É muito difícil
Os diplomatas são muito corporativistas
Eles se defendem muito
Eu sou professor de universidade pública
Eu também sou corporativista
Eu também me defendo
Mas eu acho que algumas reformas
São importantes para a sobrevivência
O tema da política externa e das eleições
É um ingrediente a mais nesse sentido
Sobre a questão das redes sociais
Apenas para dar um exemplo
Talvez numérico
O xadrez herbal mais ouvido
De 2025
Foi sobre
A questão do Nepal
Aquele programa
Ele já chegou quase a 100 mil downloads integrais
Ou seja, o número de streamings
O número de audiência concreta
Nepal, veja só
Então, mas é exatamente isso que eu quero te explicar, Feliciano
E naquele programa a gente ficou
Mais ou menos uma hora, uma hora e pouco
Falando sobre o Nepal
Por conta daquelas imagens que viralizaram
E a gente fez todo um retrospecto
Eu assisti o programa
Sentei a bunda na cadeira e estudei
Só que
Você tinha imagens
Você tinha vídeos curtos
Feitos por, muitas vezes, deputados
Atores políticos
Que alcançavam milhões de visualizações
Com vídeos de 40 segundos, um minuto
Que eram apenas as imagens chocantes
Dizendo, ah, precisamos fazer a mesma coisa no Brasil
Ou seja, sem absolutamente
Nenhuma contextualização
Por isso que eu fiz a pergunta
Também dos cortes do Instagram
Ou das redes sociais em geral
Mas
Tentando trazer
A sua pesquisa
Para uma questão, digamos
Propositiva
O que a sua pesquisa, Feliciano
Tem detectado
De quais são os temas
Mais perenes e importantes
Para o brasileiro
Porque alguns temas ali
Como pacifismo
Protagonismo
Quais são os temas
Mais importantes para os brasileiros
Veja, quando você faz
Ótima pergunta
Quando você faz várias ondas de opinião
Pública
Aí você tem umas grandes bases de dados
Várias perguntas
O que a gente tentava
A gente fez um paper sobre isso
Tentar identificar algo
Que você foi identificado em muitos outros países
Quais são os princípios organizadores
Da visão de mundo dos brasileiros
Que são a base a partir de qual
Todas as opiniões são construídas
Isso foi feito nos Estados Unidos
Feito na França, feito na Argentina
E não tinha sido feito no Brasil
E a gente fez um enorme esforço
E tentou fazer isso
O que a gente fez foi fazer isso
O que a gente identificou
É que para os princípios
O que os brasileiros mais desejam
Das relações internacionais
Isso é a média dos brasileiros
Não é todos os brasileiros
As fringes mais radicais não pensam assim
Mas essa é a média dos brasileiros
São dois princípios gerais que organizam
O desejo dos brasileiros no mundo
Número um, que é pacifismo
Os brasileiros são altamente pacifistas
São contra a guerra
Contra a violência
É difícil explicar porquê
Os possam especular por conta do crime no Brasil
Enfim, é uma coisa que a gente tem que entender
Enfim, isso parece ser banal
Mas só que muitos outros países
Por exemplo, os Estados Unidos, não é assim
Pacifismo não é um princípio organizador
Da visão de mundo dos americanos
Pelo contrário, é guerra
Os chineses não são assim
Os russos não são assim
E os brasileiros são assim
O outro tema, que é típico do Brasil
E até intuitivo, que é o protagonismo
Ou seja, os brasileiros acham, na média
De que o mundo vai ganhar muito
Se nós formos protagonistas
Nós queremos ser mais do que aquilo que nós aparentamos
Ser ou daquilo que nós somos
É um desejo de grandeza dos brasileiros
Talvez seja por conta do nosso tamanho
Por conta das enormes frustrações
Que nós tivemos ao longo da história
Parece que o Brasil ia chegar e o Brasil nunca chegava
Então é esse enorme desejo de protagonismo
O que a gente argumenta
É que, isso é um pouco complexo de explicar
Mas o que a gente argumenta
É que isso são os princípios organizadores
De todas as visões dos brasileiros
Em todos os temas internacionais
Ou seja, se você gosta dos BRICS
Se você gosta dos Estados Unidos, da China
Se você acha que o Brasil deve se aproximar da China
Dos Estados Unidos
Independentemente se você é esquerda ou direita
O que significa dizer que qualquer presidente da república
Que trabalha contra esses dois princípios
Vai ter uma rejeição nacional
Em termos de política internacional
Um governo que trabalha a favor da guerra
O que parece ser impensável no Brasil
Vai ser, obviamente, muito questionado
E um governo que trabalha contra o protagonismo
Quer dizer, a ideia do Brasil pequeno
Também vai ser altamente questionado
Isso já é um pouco mais possível
De acontecer na formulação de política externa
Bom, esse é o tema da questão
A questão dos temas gerais
Da forma pela qual os brasileiros organizam a sua visão
Outra coisa que eu falei pra você
Em uma outra resposta
É que existem temas que estão na cabeça do cotidiano do brasileiro
Quando ele tem opiniões formadas sobre isso
Em temas internacionais
E são aqueles quatro que eu te falei
Que é o que a gente identificou nesse último ciclo aí
Que é Israel-Palestina
Que é o mais perene de todos
E não é só no Brasil isso
Pelo menos no ocidente inteiro
Não é no mundo todo
Porque os chineses
Os vietnamitas
E os japoneses
Não se importam muito com essa questão
Agora no ocidente
E no mundo islâmico
Obviamente esse é um tema muito importante
Esse é perene
O outro que se tornou importante no Brasil
É Venezuela
E principalmente nos últimos
Pelo menos desde a ascensão do Maduro no poder
O Maduro foi o político mais rejeitado pelos brasileiros da história
Mais de 90% dos brasileiros rejeitavam o Maduro
Numa incrível. Isso é raríssimo
Não tem nenhum outro líder brasileiro ou estrangeiro
Que tinha uma taxa de rejeição tão alta
Quanto o Maduro no Brasil
Na minha opinião pessoal
Por justas razões
Ser tão rejeitado
E aí no caso o presidente Lula
O governo dele tinha uma política externa
Muito longe do eleitor mediano brasileiro
Que causou não só problemas da política externa
Porque ele foi amplamente atacado pela oposição
Mas a própria operação da política externa
Na formulação
Que estava muito longe da média
De como os brasileiros pensam sobre o tema
A guerra da Ucrânia
Que é algo que entrou
Nos primeiros dois anos da guerra
Foi mais importante para os brasileiros
Nos últimos anos vem diminuindo a importância
A guerra da Ucrânia ficou um pouco assim como
O tema constante de política internacional
Porque a guerra nunca acaba
Então ela perde essa aliança
Mas a gente identificou que 65% dos brasileiros
São a favor da Ucrânia na guerra
E que a Rússia não tem apoio entre os brasileiros
Na realidade os brasileiros só vêem dois países
De forma negativa
Que é a Venezuela
E a gente não tem dados muito recentes
Da Venezuela
Portanto talvez tenha mudado a sua opinião
Com a mudança de governo na Venezuela
Aqui com a entrada da Dulce Rodrigues
Mas eu acho que não
Acho que ainda a Venezuela
Viu-se de forma muito negativa
É uma mistura de Venezuela com Maduro
Na percepção dos brasileiros
Antes do Maduro
Na época do Chávez
A visão da Venezuela não era tão negativa
Não era negativa
Era positiva
E a outra é a Rússia
E é o que é estranho
Porque a Rússia não tinha uma visão negativa
Antes da guerra da Ucrânia
É muito provavelmente que ter sido a guerra da Ucrânia
O que a Rússia faz na Ucrânia
E as imagens que chegam no Brasil
Que são na sua imensa maioria
Do lado brasileiro
Ucraniano
Do que acontece dentro do território ucraniano
Que fizeram com que a Rússia
Tenha sido colocada
Tenha sido
Nos nossos serviços
Colocada pelos brasileiros
Como a maior ameaça
A paz mundial
É maior que os Estados Unidos
O governo Trump
É maior que a China
É a Rússia do Putin
Então
Esse também é interessante
E por fim
Que é o tema que tomou conta agora
Nesses últimos meses
Anos
Nesse último ano e meio
Que é o Trump
E a agressividade da política do Trump
Em relação ao Brasil
Isso foi bastante debatido
Na mídia aí
Sobre aquele efeito
Rally around the flag
Que era
As primeiras tarifas do Trump
E a lei Magnitsky
Deram um boom de popularidade
Para o presidente Lula
Porque ele saiu para defender
O nacionalismo
Brasileiro
E aí parte do eleitorado
Que não era tão pró-Lula
Acabou apoiando o presidente
Nesse momento
Porque era como um alto de resistência
Mas os americanos aprenderam
Os americanos viram
Que aquelas ações muito agressivas
Com o Brasil
Eram contraproducentes
E ajudavam o candidato
Que eles queriam
queriam que perdessem nessa eleição com o presidente Lula.
Eles foram ajustando. suas posições e na hora que eles designaram
o Comando Vermelho e o PCC como
organizações terroristas, a pesquisa
da Atlas Intel identificou um apoio de quase
60% dos brasileiros a essa
designação.
E nós, as relações internacionais, pensamos
a que ponto chega o desespero
de uma parcela importante da população brasileira,
não só o radicalismo da
direita, do bolsonarismo, mas uma parcela importante
da população brasileira, que
acha que um governo estrangeiro, ao designar
essas duas
organizações como terroristas, vai ajudar
no combate a essas organizações
e, portanto, vai melhorar a vida desses
brasileiros, sabendo que, muito provavelmente,
isso não será o caso, nós aqui sabendo,
mas uma parcela importante dos brasileiros
identificou
isso nesse sentido.
Então, o presidente Lula foi colocado
numa situação difícil, porque, por um lado,
ele conseguia ter
um apoio nessa questão da
soberania, da lei Magnitsky, das tarifas,
e, por outro lado, ele foi colocado na parede
porque a maioria dos eleitores brasileiros
achavam que, de fato, o PCC e o Comando Vermelho são
organizações terroristas e, tudo bem,
os americanos designar como tal.
E aí ficou um pouco mais difícil para o presidente Lula.
Adiciona, Saís, o fato de que a crise é longa,
já está um ano e meio
em relação aos Estados Unidos, e não
necessariamente melhorou, na realidade, até piorou.
Essa semana vai sair
uma reportagem
na Folha de São Paulo
sobre as regiões
que foram afetadas pelos
tarifas dos Estados Unidos, como elas votaram
maciçamente no Flávio
Bolsonaro no primeiro turno.
É claro que tem muita variável omitida aí,
porque já eram regiões que votavam
no bolsonarismo anteriormente,
mas isso aumentou, então é um pouco difícil
você se separar de dizer que é por causa das tarifas,
mas mostra aí que uma
parcela da população culpa o presidente Lula
pelas tarifas, aqueles que são
atingidos diretamente pelo efeito das tarifas,
não toda a população toda.
Então aí o presidente Lula talvez tenha cometido um erro
tático, que é um excessivo
peso em política internacional na sua
propaganda de governo
e talvez tenha esquecido
esses outros temas que são mais importantes
do cotidiano dos brasileiros.
Voltando àquele ponto que eu falei anteriormente,
política externa é importante,
ela se torna um tema de debate,
não necessariamente decisiva em política externa,
então a campanha eleitoral precisa
sopesar isso e encontrar
um equilíbrio interessante.
Então aí esse jogo está em aberto,
nós vamos ter aí no segundo turno, vamos ver como vai acontecer.
Feliciano,
eu sei que a gente está encerrando o tempo,
eu não quero tomar mais muito do seu tempo,
então eu vou fazer
duas perguntas em uma e aí você
dosa a resposta
de acordo com a sua própria prioridade,
porque eu ia fazer uma pergunta, mas essa
sua resposta de agora me
abriu outra.
A pergunta baseada na sua última
resposta é, você mencionou que hoje
os países com mais imagem
negativa, em média, na opinião
pública brasileira, seriam
Venezuela e Rússia.
Eu queria perguntar para você o quanto
disso pode ser ainda
uma herança
ou talvez uma renovação
do pensamento
conservador
tradicional brasileiro, herdado
ali do período, por exemplo, da ditadura,
que
no caso da Venezuela,
ela substitui Cuba como
o país comunista
negativo do continente americano
nessa perspectiva
e a Rússia,
ela é muitas vezes associada
à União Soviética, tanto por pessoas
que são russófilas, quanto
por pessoas que não gostam
da Rússia. Então, o
quanto desse
antigo temor soviético
da opinião pública brasileira
da época da ditadura pode
estar sendo agora projetado nisso,
ou se não teria relação.
E a outra pergunta final,
você mencionou
que
as pesquisas
de desenvolvimento
ouvidas por vocês
com sua participação, elas
diagnosticaram essa mudança
no comportamento brasileiro.
Em um artigo você até resgata
a expressão do Ulisses Guimarães
de que o Itamaraty só ganhava voto no Burundi
e que isso não é mais verdade.
Explica um pouquinho
nessa conclusão
o diagnóstico
sobre o que causa
essa mudança
no geral, além das lideranças políticas
usando isso, mas se são
redes sociais,
se é uma maior
integração econômica do Brasil
com o mundo, se é uma
expansão do turismo, da viagem
internacional, enfim,
essas são as conclusões e aí
novamente
desculpa apertar o pouco tempo.
Não, imagina, ótimas perguntas.
Sobre a tua primeira pergunta,
eu poderia dizer
que
existia ou existe esse efeito
de herança das percepções
anticomunistas,
controcomunistas,
mas só que a imagem de Cuba
entre os brasileiros é positiva, não é negativa.
Então, não é tão positiva
como a imagem, por exemplo,
da França ou da Alemanha,
ou Coreia do Sul,
que são imagens bastante altas,
bem positiva, mas
ela é positiva, mas negativa.
O que eu acho que aconteceu na Venezuela,
veja, eu estou falando isso de forma impressionista
porque eu não fiz um estudo específico sobre a Venezuela
para te dar as evidências,
é que os brasileiros se compadeceram
da tragédia humana
que foi,
o governo Maduro,
eles perderam 5 milhões de pessoas
que migraram, quase 1 milhão
vieram para o Brasil, e muitos
brasileiros, principalmente dos grandes centros
urbanos, entraram em contato com
esses venezuelanos que vieram fazer
a vida no Brasil.
Adiciona-se a isso um fato de que Maduro dava golpe
atrás de golpe, perdeu a eleição,
deu um golpe e ficou no poder.
E, portanto, isso gerou
uma grande rejeição dos brasileiros.
Isso do lado da Venezuela,
do lado da Rússia,
estranho explicar a Rússia, porque a Rússia
não tinha uma imagem negativa antes da guerra
da Ucrânia. É muito provável que tenha sido
a guerra da Ucrânia que tenha derrubado isso,
tanto que não é só no Brasil, isso acontece
em muitos países do mundo, a imagem da Rússia
declina, inclusive nos países do sul
global. Uma coisa é a estratégia
dos países do sul global que são mais ligados
à Rússia, outra coisa são as populações
do sul global em relação à Rússia.
Por exemplo, a Rússia mantém uma imagem positiva
na Índia, não são todos
os países do sul global que fazem isso.
No caso do Brasil,
essa imagem mudou. Eu até conversei
com alguns russos sobre isso, e alguns
ucranianos sobre isso, para tentar
problematizar essas questões.
E isso dificulta um pouco a posição
da Rússia no Brasil,
facilita um pouco mais para a Ucrânia, mas não faz
com que o Brasil oficialmente
mude de posição em relação
à guerra. Vamos ver o que vai acontecer
se o governo Flávio Bolsonaro
for eleito.
Então isso, a Rússia ainda. Em ambos os casos, vale a pena
uma dissertação de mestrado
e uma tese de doutorado aqui na USP,
em outros lugares, que pegue esses dados,
que avalie esses dados mais detidamente,
e que depois faça um estudo qualitativo,
entrevistando pessoas, entrevistando imigrantes,
para tentar encontrar outros tipos
de evidência para responder essa pergunta.
A tua segunda pergunta,
que são as causas da mudança
da posição dos brasileiros
no político internacional, você um pouco já
respondeu. Eu não consigo responder
com firmeza, porque eu não pergunto sobre
quando você faz survey
de opinião, você não entende o
mecanismo na cabeça das pessoas. Então você
só pergunta para as pessoas assim.
Ah, aliás, desculpe eu te falar, o terceiro país,
existe um terceiro país que tem imagem negativa no Brasil
hoje, é os Estados Unidos. O governo Trump
fez questão de derrubar essa imagem.
Até o governo Trump,
se eu pudesse resumir a posição dos brasileiros
em relação aos Estados Unidos a uma palavra,
essa palavra significava admiração.
Agora é entre conflito e medo.
Então o governo Trump conseguiu
fazer isso. Não só no Brasil,
você vê que a imagem dos Estados Unidos no mundo todo
é declinada. Acontece em geral,
com partidos republicanos,
mas com o Trump no poder é absurda a queda,
por conta da agressividade da posição
americana, enfim. Então esse é outro país
que ficou negativo,
o que é estranhíssimo, porque o Brasil, nas nossas
pesquisas comparadas com a América Latina,
os brasileiros eram os latino-americanos
que mais admiram os Estados Unidos,
e todos os latino-americanos, mais que os mexicanos, mais que os
argentinos, mais que os peruanos e bolivianos.
Enfim, esse é o terceiro país.
Sobre as causas, eu acho que a primeira
causa é a maior integração da economia
brasileira com o mundo. O processo
de globalização trouxe
o mundo para dentro do Brasil e o mundo para fora
do Brasil. Aí você tem
um potencializador, que é um mecanismo
que potencializa isso, que é
a difusão das redes
sociais para
todos os brasileiros e a capacidade que
milhares de pessoas têm de gerar informação,
não apenas a grande mídia,
que em geral não acompanhava,
por óbvias razões, política internacional,
como acompanhava a política doméstica.
Então, o grau de informação
recebida do exterior e as bolhas
criadas a partir daí
geram o maior nível informacional
dos brasileiros. É claro que esse nível informacional
volta aquilo que a gente falou.
Pode ser muito superficial, não há dúvida que é
muito superficial, mas ele acaba
construindo certas visões de mundo.
Então, talvez seja a combinação desses dois fatores.
Uma economia que se abre, o mundo chegando
no Brasil e uma
informação que se dissipa, que ela
se espalha no mundo todo. Você faz um
programa sobre o Nepal.
Se você perguntar ao brasileiro
médio onde ficaria o Nepal, essa é uma daquelas
perguntas que teria uma taxa de não ser
alta. Vai ser difícil você
identificar onde fica. No entanto, você faz um programa
que gera milhares de
engajamentos. É claro que você deve ter atingido
algumas bolhas que são bastante engajadas
em temas internacionais. E como elas já são grandes,
o Brasil é muito grande, então você tem
muito download.
Muita view, muita
visão, muita
gente assistindo.
Então, esses são os fatores
que, de modo geral, fazem com que isso ocorra.
E, por fim, o terceiro fator que eu falei a vocês
é que, como isso aconteceu,
como os dois fatores,
economia aberta e mídias sociais,
colocou os brasileiros mais em contato em termos
internacionais, as ideias. essas políticas acompanharam isso
então elas aceleram
seja da esquerda ou seja da direita
elas identificam que certas pautas
internacionais
elas são importantes
e elas aceleram
esse processo. Por fim, agora que eu estou falando
lembrei de uma quarta causa
que acho que é importante, que é o seguinte
o direito
a lei
aqui no Brasil, ela é cada vez mais uma lei
internacional, ou seja, o Brasil assina cada vez
mais tratados em muitas áreas
esses tratados são internalizados
mudam a lei e a constituição brasileira
então o que acontece?
o que a gente chama em relações internacionais
uma harmonização internacional
de políticas públicas
em que as organizações internacionais
tem um efeito muito grande
na forma como o direito nacional é construído
nos mais diversos países, sobretudo
em democracias
então você notou no governo
Jair Bolsonaro uma enorme
defesa do Brasil na
Conselho de Direitos Humanos da ONU
lá em Genebra
algo que não era tão importante no debate público brasileiro
em política externa, mas por que ficou importante?
porque lá eram discutidos pautas de valores
da família
então para o bolsonarismo isso era muito importante
então eles transformaram a missão do Brasil em Genebra
no Conselho de Direitos Humanos da ONU que fica em Genebra
a uma missão muito importante
então ali no caso
é de combater a harmonização de políticas
públicas porque
no que diz respeito ao direito das mulheres
ao direito ao aborto
era predominantemente
progressista
então você tem uma pauta conservadora contrária
a ser construída lá, e tanto que foi criada
a famosa Aliança de Genebra
que era Brasil, Arábia Saudita e Estados Unidos
contra o direito das mulheres ao aborto
então isso mostra
que a arena internacional
na medida que ela participa da arena doméstica
ela se torna politizada
e o bolsonarismo, a gente acabou não falando
sobre como o bolsonarismo pensa
a política internacional, o quão diferente é
da média
dos brasileiros em política internacional
o bolsonarismo identifica
nessas organizações internacionais um inimigo
por isso que eles são contrários à ONU
são críticos à União Europeia
são críticos ao Mercosul
porque eles acham que essas organizações
internacionais impõem de fora pra dentro
valores que são estranhos àquilo que eles
chamam da família tradicional brasileira
então essa é outra
causa dessa
enorme mudança
da posição dos brasileiros, da atenção dos brasileiros
a temas internacionais
é que
o nível internacional
o direito internacional entra cada vez mais
na vida das famílias e dos brasileiros
Feliciano, já que você
abriu essa brecha nessa sua resposta
e você disse em off
que ainda tem um tempinho
então explica um pouco mais
sobre essa relação do bolsonarismo
com a política externa
e envolvendo também
aquele fator que a gente mencionou
de um possível
um sequestro
entre aspas de pautas
de política externa
pra gerar cortes
pra gerar mobilização visando
as eleições, às vezes numa perspectiva
sensacionalista desse conteúdo
Olha
nós fizemos um
survey em 2019 que foi
uma mudança de paradigma
e foi muito difícil, e tem sido muito difícil
entender até hoje, até 2026
até 2018 a gente
identificava aquilo que
aliás nós deveríamos ter escrito um artigo
sobre isso, a gente fez várias apresentações
acabou não escrevendo
e eu chamava nas minhas apresentações
chamado Consenso da Política Externa, o que era isso?
Quando você olhava os resultados do survey
de 2010 a 2018, você identificava
que havia um enorme consenso indireto
entre os grandes princípios
da política externa brasileira
consagrados na Constituição
no artigo da Constituição
e aquilo que os brasileiros pensavam
na política externa, então um grande apoio
à autonomia, um grande apoio
à integração latino-americana
um grande apoio ao multilateralismo
à solução pacífica de controvérsia
esses grandes princípios da política externa
brasileira tinham um apoio de todas as classes
sociais, de todos os lados do Brasil
e era difícil dizer se era o povo
que tinha feito os diplomatas ou se eram
os diplomatas que tinham feito o povo
aquela coisa entre elite e povo, quem influencia
quem, quem vem antes
é aquela que eu falei anteriormente
os diplomatas são filhos
vem do povo, então eles
representam um pouco a média
do pensamento dos brasileiros
ao mesmo tempo eles são uma elite, então eles estão
também, influenciam
a forma como os brasileiros pensam a política externa
o princípio fundamental
era a ideia da defesa da autonomia
política econômica do Brasil, que tinha grande
apoio entre os brasileiros
até o bolsonarismo
na mostra de 2019
a gente identificou que 30%
dos brasileiros, quase 30, um pouquinho menos
entre 30 e 20% pensavam
completamente diferente
e aí foi um pouco até assustador
porque essa ideia do consenso, e aí a gente chama
isso da quebra do consenso
veja, quando você
quais são os, em linhas gerais
quais são os quatro
grandes parâmetros de política externa
do Brasil ao longo
do tempo, que forma
a cabeça dos diplomatas
e por alguma razão forma a cabeça do povo
eram dois eixos, o primeiro eixo
era autonomia e alinhamento
ou você ficava mais autônomo
ou você ficava mais alinhado aos Estados Unidos
e o outro eixo era abertura e fechamento da economia
você tem uma economia mais aberta e uma economia mais fechada
então os diplomatas
e os diferentes governos do Brasil
se posicionavam dentro desses dois espectros
ao longo do tempo, um governo era mais protecionista
outro era mais liberal, outro era mais autônomo
outro era mais alinhado, e aí tinha maior
ou menor apoio da população, mas ficava dentro
desses eixos, o bolsonarismo
pensa completamente
diferente a política externa, não são esses
eixos, na realidade a palavra autonomia
ela nem aparece no linguajar
dos bolsonaristas, da liderança
bolsonarista e política externa
só tem um eixo que é fundamental para eles
dois eixos, que é o primeiro
eixo que é fundamental, que é
conservadorismo versus globalismo
então eles, um pouco
aquilo que eu falei na resposta anterior
eles acham que existe um grande complô
uma teoria da conspiração internacional
entre as esquerdas do mundo
as elites políticas
desraizadas, antinacionalistas
que formam
um grande consenso liderado
por trás, pelo partido comunista chinês
cujo objetivo é impor
sobre as famílias brasileiras uma certa forma
de viver e uma certa forma
de ser que é inaceitável
aos valores tradicionais do Brasil
e que os conservadores estão numa luta
civilizacional para barrar essa
ascensão e que portanto a política externa
deve ser orientada dessa maneira, esse é o primeiro eixo
e esse é um eixo que é contrário
aos princípios
gerais da política externa
a ideia de autonomia e alinhamento não se encaixa
porque o alinhamento ali
para os bolsonaristas não é um alinhamento do ponto de vista
estratégico, hoje é melhor
ficar perto dos Estados Unidos porque os Estados Unidos podem dar
mais benefício político e econômico para o Brasil
hoje é melhor estar mais perto da China porque a China
pode dar mais benefício econômico
para o Brasil, o alinhamento é o alinhamento
de valores, então assim
tudo bem você se submeter aos Estados Unidos
desde que os Estados Unidos tenham uma liderança
conservadora que defenda esses
valores, isso não
sabe, na realidade isso não é
submissão na visão deles, isso é
luta civilizacional que precisa ser e deve
ser feita, então é uma mudança
muito importante que não
havia, a gente não tinha isso detectado
nos servers anteriores e que agora
detecta a partir de 2019, no server
de 2023 a gente detectou e agora no de
2026, muito provavelmente, a gente
vai detectar ainda mais. O segundo eixo
é um eixo mais tático
do bolsonarismo, porque assim, se você
pegar a extrema direita no mundo todo e você
deve ter feito eventos, vários
programas aqui no xadrez
no mundo todo
principalmente no ocidente
ela tem duas características importantes
que é essa questão do globalismo versus
conservadorismo e a
segunda é a
protecionismo
econômico, o Trump é super
protecionista, a extrema direita europeia
é super protecionista, é anti-União
Europeia, os acordos comerciais da União Europeia
e tudo mais, e o bolsonarismo não
é protecionista em matéria comercial
não foi pelo menos no governo
Júlio Bolsonaro, você tinha uma ala liberal
aliança liberal conservadora, a minha
interpretação é que isso é um movimento
tático do bolsonarismo para ganhar a eleição, não é
um movimento que eles realmente acreditam, no fundo
eles vão ser mais protecionistas na economia
esse é o modelo pelo menos que eles
deveriam seguir, se eles seguem o modelo americano
ou não, então vamos ver
como vai ser o governo Jair Bolsonaro
se o Flávio Bolsonaro ganhar essa eleição
mas isso é essa outra
questão, que eles são
teoricamente, eles deveriam ser mais protecionistas
mas no entanto aparece no serviço como eles são
um pouco mais liberais na pauta econômica
isso é outra
e esse é o eixo mais tradicional de liberal
e protecionista
no Brasil, então essa
é uma mudança pela qual passam
os eleitores bolsonaristas, pela qual passam
a liderança política
bolsonarista, que ao chegar ao poder
seja no Jair Bolsonaro
ou seja no Flávio Bolsonaro, caso o Flávio Bolsonaro
vença, não encontra
dentro do Itamaraty diplomatas em número
suficiente que defendam essa pauta, porque
essas pautas não fazem parte da formação
dos diplomatas, não é à toa
que durante o governo do Jair Bolsonaro
quando o ministro
era Ernesto Araújo, houve essa intervenção
no Instituto Rio Branco
e na FUNAG para que mudasse o currículo
da formação dos diplomatas,
porque a currícula da formação dos diplomatas
é uma antítese, é a visão tradicional
da política externa, um pouco mais da direita
um pouco mais da esquerda, que não é
condizente com a visão de mundo dos bolsonaristas
então, caso o Flávio Bolsonaro
vença essa eleição e esse
lado conservador da política externa do Bolsonaro
tem algum efeito no
Itamaraty, nós veremos outra crise dentro
do Itamaraty nesse aspecto, porque eles vão tentar impor
de fora para dentro um currículo
que não é a tradição do Itamaraty, porque eles
representam uma parcela da população que pensa
diferente, volta o problema da nossa
polarização que também chega na política externa.
Luciano, a gente agradece muito
o seu tempo, a gente
até passou um pouquinho
do combinado
e para encerrar
fique à vontade para as suas considerações sinais
como as pessoas
podem melhor acompanhar
o seu trabalho, se você quiser
falar das redes sociais, se você quiser divulgar
alguma produção recente
e a gente sempre pede uma
dica cultural para os nossos convidados
então um livro
um filme, um documentário
algo que você ame e queira partilhar
com os nossos ouvintes, não necessariamente
precisa ter relação com a nossa conversa
então, sei lá, se você assistiu, esqueceram
de mim essa semana e gostou
e lembrou, sei lá, quer recomendar, pode ser
e novamente, muito obrigado
pelo seu tempo
Obrigado Felipe, eu sou um admirador do trabalho
de vocês aí no Xadrez Verbal
em tudo que vocês têm feito
nesses últimos anos
E eu peço desculpas por todos os alunos
que nesses anos todos em algum momento devem ter levantado
a mão querendo te confrontar com alguma
coisa, dizendo, não, mas eu ouvi no Xadrez Verbal
que, enfim
a gente sabe que isso às vezes acontece
Não tem nada, não tem nenhuma desculpa
a ser pedida aí, pelo contrário
e aliás, isso ocorre com frequência
lá no Xadrez Verbal, professor, tarari, tarara
falei, ah, eu conheço o Felipe, eu sei, não, tá ótimo
é uma honra, o que mostra
que nós precisamos de fontes
diversas, ainda mais qualificadas, como é o seu caso
com o caso do Xadrez, por debaixo da política internacional do Brasil
Bom, no ponto de vista das dicas
bom, eu tenho a minha rede social
Feliciano de Sagmarães no Instagram, eu não sou
muito ativo em redes sociais, aliás, eu preciso
me atualizar melhor, tem o site
do grupo de pesquisa, o nome do grupo
de pesquisa é Brasil, Américas e o Mundo
BAM, B-A-M, né, nosso site
precisa ser melhorado, aliás, nós temos alguns
relatórios, meu e-mail é felicianosa
tudo junto, sem acento, arroba
usp.br, se alguém quiser algum
material, os relatórios sobre opinião pública e política
externa, a gente tem vários pra mandar, a gente
pode mandar, vocês podem ver mais o detalhe
das opiniões dos brasileiros sobre os
mais diversos temas de política internacional
A dica cultural, por exemplo, é que se você
sabe que eu sou um cara velho, Felipe, então eu hoje
finalmente, depois de 30 anos, terminei
a minha coleção completa
do Asterix, né, eu cresci lendo Asterix
né, então, hoje eu terminei
o último livro que eu não tinha comprado
que era Rosa e o Gládio
eu acabei comprando, né, e eu
tenho a coleção desde o número 1, eu tenho
todos da época que eu era menino, né, lá em Curitiba
eu sou de nome em Curitiba, eu ficava lendo na biblioteca
da escola, depois comprei alguns, até
o último, então aí tenho quase
40 volumes
então a minha dica é ler Asterix
leia os antigos, que
do Gotini e do Dezo, que são melhores
mas pode ler os novos aí, com a nova geração
de cartunistas
e se você
lê e cresce com Asterix
e como a ideia geral do Asterix é
ser um irredutível gaulês
você sempre lutará contra as hegemonias do mundo
e isso vale a pena na vida
então essa é a minha dica, obrigado
Vocês ficam agora com a segunda
coluna aberta, na qual Felipe
entrevistará o amigo da casa
Guilherme Casarões, que
também é internacionalista
e professor da Florida International
University, sobre a
política externa no segundo turno
das eleições presidenciais
brasileiras
Coluna aberta
Bem pessoal, com muito prazer
a gente recebe novamente o nosso querido
professor Guilherme Casarões
que nos brinda todo ano com
uma análise do discurso brasileiro na ONU
e dessa vez a gente
vai conversar
sobre as
duas plataformas
de política externa que estão no
segundo turno das eleições
brasileiras
Casa, eu queria
primeiro começar com as suas impressões
gerais sobre
as diferentes plataformas
e a partir
disso destacar que
o fato de que as duas
candidaturas publicaram
os seus documentos no
STE sobre
os seus projetos
de governo, o projeto
do Lula tem 78
páginas, o projeto do Flávio Bolsonaro
tem 66 páginas
e uma grande diferença
é que o projeto do Lula fala
em Mercosul, BRICS
União Europeia
e o projeto do Flávio fala
muito de Estados Unidos
Estados Unidos aparece seis
vezes no projeto de governo dele
duas vezes China
uma vez União Europeia e uma vez
Israel, ou seja, nós
temos dois projetos
registrados em que um
fala de organizações
multilaterais, de organizações
internacionais
e o outro fala
de países, especialmente um
deles, Estados Unidos, e também
fala nominalmente em Israel
como você compara
como você avalia esses dois projetos?
Bom, Felipe
mais uma vez eu que agradeço o convite
é um prazer conversar contigo
sobre esse, sobre outros assuntos
talvez a gente
nem gostasse
de estar fazendo essa conversa
pensando no
momento que a gente está vivendo no Brasil
mas eu acho que é fundamental a gente ter uma perspectiva
já que temos aí três semanas
ou duas semanas para o
segundo turno, é importante
que a gente possa contrastar de maneira
sóbria.
Os programas de governo que em meio
ao ciclo de notícias
que antecedeu o primeiro turno
não dava nem para falar disso, a gente teve muito pouco
tempo efetivamente para sentar e analisar
o que estava acontecendo.
Eu diria que a grande
diferença, Felipe, há diferenças
substantivas, há diferenças
de ênfase, isso tudo
é verdade, mas eu diria
que a grande diferença que a gente tem
entre o programa de governo do Flávio Bolsonaro e do Lula
para a política externa
e aqui frisando um ponto que você
já tocou, que é o fato de que há
um espaço diminuto
ao tema da política externa em ambos
os programas, o caso do Lula é maior
sem dúvida do que o do Flávio
do Flávio são uma página e meia
mais ou menos de reflexões
do Lula são, sei lá, quatro
cinco, talvez um pouco mais
deixa eu ver, vai da página
da 77 até
80
até 82
então são aí cinco
páginas inteiras. A grande
diferença é o enquadramento
e eu acho
fundamental colocar isso porque
mais do que
diferenças estratégicas
se devemos dar mais
ênfase a um parceiro A ou B ou C
eu acho que Lula e Flávio
Bolsonaro partem de duas
visões fundamentalmente distintas
e até opostas
sobre o lugar do Brasil no mundo
o programa do Lula
como foi aliás o tom da
liberdade do governo Lula
a questão da política externa
ao longo dos últimos anos e meio
fala muito de soberania
o tema da soberania é o tema
que embala e que amarra
os pontos que o programa
traz, fala-se
bastante de
áreas estratégicas ou
prioritárias da política externa
mas também fala de defesa
fala de infraestrutura, de compra
de arma, de inteligência de Estado
de Amazônia, de fronteira
então ali você vê
muito claramente
uma ênfase no
pensamento da soberania
como o eixo organizador
da política externa do Lula
e se a gente compara esse
programa de 2026 com os
anteriores
a gente vê uma
mudança de ênfase
o enquadramento da soberania
ele é muito central
nesse
programa e nos outros
ele talvez não tenha sido
claro, soberania é sempre um tema
que corre ali no fundo do debate
mas se a gente pega
os programas anteriores
a gente vê muito a coisa
de uma certa
altivez diplomática
aquela história do Celso Mourinho de política
externa ativa e altiva
a diversificação de parcerias, pensar o Brasil
a partir das conexões
e dos laços construídos com o mundo inteiro
mas o tema da soberania
era um tema que estava ali percorrendo o argumento
mas não
central como forma de organização
do argumento
o programa do Flávio Bolsonaro, por sua vez
é um programa
é muito mais genérico
eu acho que
obviamente isso tem a ver
com o fato de que o Flávio não tem experiência
nenhuma em política externa
e nem se cerca de pessoas
com grande experiência de política externa
eu chamaria atenção
aqui para talvez duas figuras
que tenham protagonismo na campanha do Flávio
Bolsonaro nesse campo que são
Eduardo Bolsonaro, irmão do Flávio
que está morando aqui nos Estados Unidos
desde o ano passado
e o Marcos Degô
que foi secretário
não sei se era de comércio
de armas ou de
alguma coisa nessa linha
do Ministério da Defesa, do governo Bolsonaro pai
que foi
vice-secretário de assuntos estratégicos
no governo Temer
na época do
Hussein Kalout como secretário
e o
Marcos Degô é a figura que tem
inclusive escrito, publicado a respeito
da política externa, tem um texto dele
com o Eduardo Bolsonaro que foi veiculado
umas semanas atrás
mas são poucas
pessoas que efetivamente têm
experiência, trânsito, traquejo
com temas de política externa
o que se reflete muito nas
míseras duas páginas que aparecem
no programa a respeito disso
ele fala muito
você tem razão de Estados Unidos
de Israel
é
o que indica muito claramente
que a ênfase
do programa de governo
tem a ver com uma reconstrução
uma legada reconstrução, porque essas relações
elas nunca foram
abdicadas do nosso lado, mas
a ideia de reconstruir a política externa
e sobretudo
a partir da relação com os Estados Unidos
ela está muito presente
nessa discussão
a relação com Israel, claro
é tributária de uma dimensão
do que eu venho
chamando de nacionalismo cristão
como plataforma de governo do Bolsonaro
uma coisa ampla, que tem ali em Israel
um símbolo poderoso
e isso aparece também no programa
muito voltada para
comércio, a plataforma do Flávio
e como não poderia deixar de ser
ainda que a gente não saiba exatamente para onde ele vai
levar
essa dimensão comercial
fala-se inclusive de OCDE
de retomar a entrada do Brasil
na OCDE, agora
uma coisa que me chamou atenção é que
os temas de política externa
que o Lula reúne
lá no finalzinho do seu programa
lá para as páginas
setenta e tantos
no caso do Flávio, aparece um pouco espalhado também
se tem a sessão Brasil no Mundo
que é justamente essa sessão
focada nos temas econômicos
a partir dos Estados Unidos, falando muito
genericamente de segurança e defesa
e de Israel
mas a gente percebe que
lá no começo
do programa de governo, quando se fala
por exemplo de combate ao crime organizado
você tem uma referência
a terrorismo
você tem de alguma maneira
uma tentativa de
colocar o problema
da segurança pública como um tema
também internacional
então as entradas
que o Flávio possibilita
no programa de governo dele a temas internacionais
elas vão para além dessa sessão curtinha
elas aparecem
em vários cantos do programa de governo
nesse por exemplo de crime organizado e terrorismo
tem até um nome curioso
que é
aqui na sessão ele fala
terrorista vai ser tratado como terrorista
na página 13, o que não deixa de ser uma coincidência
meio mórbida
mas o fato é que
aqui a gente
vê muito claramente que
pela perspectiva do programa de governo
que a gente está lendo pelo valor de face
há o interesse de terceirizar
determinadas políticas públicas
ou determinados
campos de políticas públicas
por uma relação mais próxima
com os Estados Unidos também
então acho que esse não deixa de ser
um sinal interessante
é uma política externa se a gente for comparar
muito menos ideológica no sentido
olavista da palavra
do que a do Jair Bolsonaro lá em 2018
mas é uma
política externa que de novo
usa essa relação sobretudo com os Estados Unidos
como muleta, como gancho
para uma série de áreas de políticas
públicas em que esses temas
aparecem lateralmente
Casa, você mencionou
o Eduardo Bolsonaro
e o Marcos Degô
e nós temos
especulações
especulações não, nós temos uma demanda
pública do Eduardo Bolsonaro
para ele ser o ministro de relações exteriores
do eventual governo
do irmão dele e a brincadeira
que a gente fez aqui no Xadrez Herbal
é que ele e o Jared Kushner
compartilham a principal
competência que é de
ser parente do presidente
e você também mencionou o Marcos Degô
que também tem sido especulado como até mesmo
um possível ministro da defesa
ou enfim, algum
cargo ele pode
acabar tendo
e ambos publicaram esse artigo que você mencionou
algumas semanas atrás no jornal
Gazeta do Povo
e eu queria que você comentasse duas coisas
primeiro, a possibilidade
e como você interpreta
essa possibilidade, se é real
se não é, se é burburinho
se apenas
se ele seria um chanceler de
eminência parda
na verdade você teria um diplomata de fato
à frente do ministério, algo assim
do Eduardo Bolsonaro chanceler
e que você também comentasse as impressões
desse artigo, porque
esse artigo publicado pelos dois
talvez seja até mais revelador
do que o próprio plano de governo
do candidato
Olha, eu
começo falando
do Eduardo Bolsonaro e depois
a gente pode passar para o artigo
específico. O Eduardo
Bolsonaro, justiça seja
feita, ele acumulou
alguma experiência em
política externa ao longo dos últimos
oito anos
a gente não pode se esquecer de que
Eduardo
Bolsonaro foi presidente da Comissão de Relações
Exteriores da Câmara dos Deputados
desde que o pai dele tomou
posse lá em 2019
eu lembro de ter naquele
momento conversado com
algumas figuras da Câmara
um pessoal do PT inclusive
dizendo
a comissão
ela tem que ser um espaço de batalha também
ela tem que ser um espaço de disputa, porque
ao contrário de outras políticas
públicas que demandam
novos projetos de lei, demandam
coordenação federativa
demandam que o Bolsonaro de alguma maneira
module as suas propostas, aquilo
que as forças políticas
são capazes de absorver
no caso da política externa você não tem isso
no caso da política externa
a única força política capaz
de absorver alguma pancada é o próprio
Itamaraty
e o Itamaraty tem como característica
histórica
ser uma burocracia que
ela modula por tradição
modula por visões de mundo
e convicções
quaisquer exageros que possam
partir do planalto
em matéria de política externa, mas
por não ser uma burocracia
particularmente politizada
ela também em algum momento
vai se dobrando
às mudanças de curso e às exigências
do próprio governo
então
a ideia do diplomata como
um servidor de estado é muito poderosa
e isso me parece
relevante para a gente poder
pensar que
no caso do Eduardo Bolsonaro
desde que ele assumiu
a presidência da Comissão de Relações Exteriores
ele vem tentando criar
no mais das vezes uma diplomacia
paralela, eu poderia
afirmar
e acho que você concorda comigo
que Eduardo Bolsonaro foi uma espécie de chanceler
paralelo durante o governo Bolsonaro
porque na ausência de uma política externa
que partisse do Itamaraty
e sobretudo da cabeça
absolutamente confusa
do então chanceler Ernesto Araújo
o Eduardo é quem fazia efetivamente
muitas dessas conexões
muitas dessas negociações
viagens internacionais
delegações comitivas
então o Eduardo
ele tinha esse papel na qualidade
de deputado federal
e aí você tem toda a razão
deputado federal e ao mesmo tempo
filho do presidente
o que lhe dava ali uma
latitude até maior
de ação
e uma das críticas que a gente
fazia muito durante o governo Bolsonaro
era justamente
a confusão permanente
uma espécie até de conflito de interesse
entre
um parlamentar
e que ao mesmo tempo falava
em nome do governo
eventualmente
ainda que não tivesse mandato
para isso exatamente
então o Eduardo ele foi
seguindo essa trajetória
como chanceler paralelo
eu acho que ele fez também
e eu e o Davidson Lopes
da UFMG que você conhece bem
a gente tem até um artigo sobre isso
que saiu ano passado
para além do trabalho de chanceler do B
ele teve uma grande função
ali durante os anos
Bolsonaro
que foi a construção de uma articulação transnacional
de extrema direita
que se estendeu para
Madrid, para Lisboa
claro as conexões com
Trumpismo sempre tiveram ali muito presentes
e isso é importante
a extrema direita
latino-americana gravitou
em torno do Eduardo Bolsonaro durante
esse período e os resultados
disso foram institucionalizados
ao longo do tempo, o foro de Madrid
que foi
oficialmente inaugurado em 2020
o capítulo brasileiro da CEPAC
que é a conferência da ação política conservadora
que o Eduardo importou para o Brasil
havia até um congresso conservador
que de alguma maneira
foi substituído pela CEPAC
a partir de 2021
então
eu acho que
ele tem mais experiência
que o Kuchner nesse sentido
porque ele tem um trabalho
como parlamentar
como liderança partidária
e como
símbolo
da extrema direita
latino-americana, brasileira
lembrando que o Eduardo Bolsonaro foi escolhido pelo Steve Bannon
ele próprio
como a face latino-americana
do movimento
da Redundância
que foi criado pelo Bannon lá em 2019
então acho que tudo isso
eu não vou dizer que qualificaria o Eduardo Bolsonaro
para ser chanceler
eu acho que a experiência dele vai
para um caminho que é muito diferente do caminho da diplomacia
tradicional e da política externa
como a gente a conhece
mas respaldo internacional
e uma certa legitimidade
dentro do próprio bolsonarismo
é algo que ele tem
eu não tenho dúvida
e essa reivindicação pública
que ele faz para assumir o Itamaraty
tem a ver com duas coisas
primeiro é voltar para o Brasil
com um cargo
o que seria importante para ele
o que talvez o blindasse
pelo menos num primeiro momento
de qualquer possibilidade de
julgamento, condenação e eventual prisão
no Brasil
mediante o retorno dele
ele, a gente não pode
esquecer de que se Flávio for eleito
uma das primeiras coisas que ele fará
é se articular com a bancada
amplíssima no Senado
bolsonarista, para
colocar o impeachment do Alexandre de Moraes
sobre a mesa, e isso claro
vai ser uma espécie de
muro de contenção para qualquer coisa
que o Alexandre de Moraes quiser fazer com relação
a outros membros da família Bolsonaro
então Eduardo voltaria para o Brasil
com a posição de chanceler
e faria, desde essa
posição, algo que eu acho
que aí sim poderia
fazer extravasar
aquilo que o Eduardo tem de experiência acumulada
e que ele está doido para implementar no Brasil
que seria uma espécie de programa
Marco Rubio
e aí o artigo
da Gazeta do Povo que ele escreve com
Marcos Degô vai muito
nesse sentido, porque é um artigo
que faz uma grande crítica à
política externa brasileira de hoje
é uma crítica tanto no campo substantivo
quanto no campo forçado
formal, da maneira como
política externa vem sendo construída
a maneira como as decisões
são tomadas, e por plano
Marco Rubio
é aí que eu acho que é o gancho a esse
artigo que foi publicado
pelo Degô e pelo Eduardo Bolsonaro
é que a primeira
coisa que o Marco Rubio fez assim que virou
secretário de Estado do novo
governo Trump, foi promover
uma grande reestruturação
do Departamento de Estado
e do ponto de vista burocrático é muito
menos
pesado, é muito menos
inercial do que o Itamaraty
o Departamento de Estado tem
várias vias de entrada
tem um número muito maior de funcionários
funcionários são contratados em regimes
que não são exatamente do servidor público
federal americano, ao passo que o Itamaraty
é muito mais duro, mas basicamente o que
me parece que vai acontecer nos primeiros
meses de um eventual governo Flávio Bolsonaro
é uma tentativa até
de alteração legislativa
para assegurar
um novo Itamaraty
um Itamaraty que tenha
por um lado uma grande
ênfase na dimensão de comércio exterior
de cooperação estratégica
com pouquíssimos países
que são os mesmos países de quem o pai
gostava
Israel, Estados Unidos
agora que a América Latina
virou à direita, talvez alguns parceiros
aqui na nossa região
também, mas sobretudo um Itamaraty
com características burocráticas
muito diferentes, então pode ser
o fim inclusive dessa
lógica de concurso de admissão
à carreira de diplomata, pode ser
ou pelo menos isso pode ser diluído
com outras formas de ingresso
pode haver uma mudança
no perfil de
recrutamento dos
novos diplomatas
eu não sei exatamente o que esperar
até porque esses planos não estão
exatamente colocados
mas a sensação que eu tenho é que
a partir desses sinais que a gente
está lendo, a partir
de um elogio
recorrente que Eduardo Bolsonaro
vem fazendo ao Marco Rubio
a maneira como a política externa é feita
a partir dos Estados Unidos
no artigo da Gazeta do Povo eles falam muito
do National Security Strategy, ou seja
até da possibilidade de uma securitização
da nossa política exterior
a partir de critérios muito semelhantes a dos Estados Unidos
eu acho que
o resumo que a gente pode tirar
dessa volta toda que eu dei é que mudanças
importantes vêm por aí
caso Flávio Bolsonaro consiga
se eleger presidente no segundo plano
Casa, essas mudanças
importantes, você acabou
de dizer que a gente ainda está no campo especulativo
porém, mesmo
no campo especulativo a gente já tem tido
alguns sinais
o Eduardo Bolsonaro
ele num vídeo na quarta-feira, dia 30 de setembro
ele
disse que
então, meu caro servidor do Itamaraty
se você ajudou a sabotar o governo
Bolsonaro, preocupe-se de verdade
porque eu vou estar na sua
cola
e alguns dias depois ele postou
nas suas redes sociais
ataques a diplomata
Vanessa Dout de Faria, que nós já entrevistamos
aqui no Xadrez Herbal
ela que é autorrepresentante
para temas de gênero no Itamaraty
e foi atacada pelo Eduardo Bolsonaro
que, entre aspas
ameaçou até
com envio ali para cargos
pouco prestigiados, etc
e quando a gente
olha porque o Marco Rubio fez um departamento
de estado
hoje nós temos quase metade
das embaixadas dos Estados Unidos
vagas, muitas delas estão
nas mãos de
pessoas que, aliados políticos
Donald Trump, ou de pessoas que
o principal credencial
é ter financiado, ter doado
para a campanha do Donald Trump, embora
esse seja até um costume histórico
nos Estados Unidos, mais ou menos
mas, então
quando a gente olha para esses dois cenários
é possível que nesse cenário
especulativo
nós possamos pensar
numa eventual
caça às bruxas, num eventual expurgo
dentro dos quadros do Itamaraty
além desse processo
de mudança de ingresso
que você mencionou?
Felipe, eu diria que sim
deixa eu começar
essa minha resposta
prestando aqui minha solidariedade
à Vanessa
que
, que eu conheço bem
e que tem feito um trabalho muito importante
que não começou no governo Lula
na verdade, é um trabalho de
de muitas mãos, inclusive
de muitas mulheres diplomatas
que há pelo menos uma década
vem fazendo um esforço muito grande
de chamar atenção para a importância
da representatividade de gênero
e claro, também, de raça
dentro do Itamaraty
e que
e como complemento, Caso, ela é diplomata
desde 1999, desculpa
te interromper, mas antes que algum ouvinte nosso
pense que a Vanessa Doutri de Faria
ela chegou ontem
ou não, algo do tipo
não, ela tem uma experiência
enorme, ela tem um trabalho
intelectual, inclusive, nessa direção
como diplomata
e um trabalho prático também na construção
dessas novas plataformas
de representação
e de projeção
de gênero
sobretudo dentro do Itamaraty
então, minha solidariedade a ela porque
obviamente
essas dinâmicas de rede social
elas são particularmente
perniciosas quando a gente está falando
de pessoas normais
que viram alvo
uma coisa é bater para cima, uma coisa é
criticar o político, uma coisa é criticar o governo
gente com
cargo eletivo
Eduardo Bolsonaro foi deputado por
dois mandatos, um mandato
e pouco
aliás, dois mandatos e pouco
depois foi expurgado
da Câmara, mas
usar a capilaridade que ele tem
em rede social e usar o lugar
que ele ocupou e sobretudo esse lugar
meio dúbio, de filho do presidente
ou do ex-presidente, deputado
um político importante do
bolsonarismo, talvez um dos mais importantes
contra uma pessoa
que é servidora pública, que é uma pessoa
que está fazendo o seu trabalho
acho que isso é de uma baixeza
moral
muito grande
e justamente porque a gente está falando de pessoas
que têm uma
pequenez moral e que se orientam
por essa pequenez moral
de uma maneira geral
eu não duvido que haja
uma caça às bruxas
ampla dentro do
Itamaraty e de outras
burocracias
esse é o espírito
se a gente quiser colocar em perspectiva comparada
do que foi o projeto
2025
que embasou
as grandes decisões tomadas pelo governo
Trump desde o primeiro dia do seu retorno
à Casa Branca em janeiro de 2025
o projeto foi nomeado
inclusive em função disso
ele já estava circulando desde 2023
o New York Times fez as primeiras matérias
denunciando a existência
e os perigos desse projeto
em 2024
e o governo Trump passou muito tempo
durante a campanha se esquivando
da autoria ou de qualquer conexão
com esse projeto até o dia em que o Trump tomou posse
e começou a botar em marcha
esse projeto basicamente pela
letra dele
então foi uma coisa realmente muito rápida
muito impressionante
muito direcionada
houve um estudo de muitos anos
para exatamente conseguir romper
ponto de resistência
do Estado norte-americano
de maneira veloz
por meio de decretos executivos
ou por meio de outras
formas de legislação
vindas da presidência
e o Departamento de Estado
foi basicamente desmontado
tanto na perseguição
a determinados servidores públicos
quanto na extinção de determinados cargos
e até mesmo
de determinadas agências
como foi o caso da Agência Norte-Americana
de Desenvolvimento Internacional
USAID
que talvez no papel ainda exista
mas foi completamente
despida das suas funções
e do seu orçamento principalmente
Eduardo Bolsonaro quer fazer uma coisa
muito parecida no Brasil
ele já deixou isso sugerido
em várias referências
que ele faz ao Marco Rubio
nesse artigo da Gazeta do Povo
volta-se a esse ponto também
e se a gente
vivesse em tempos normais
eu até diria para você
que o bolsonarismo
e o Eduardo Bolsonaro, caso seja chanceler
de um governo irmão
que ele faria
uma caça às bruxas
dentro do que a lei
e dentro do que as estruturas institucionais
permitem, a substituição de determinados
cargos de primeiro escalão
a mudança da lei, a mudança da lei
a mudança na dinâmica dos cargos de confiança. Mas como a gente não está vivendo num período de normalidade,
eu temo, e temo de verdade para quem está nos ouvindo,
que comece a haver uma caça às bruxas, inclusive por vias ilegais.
Ou por vias que exigirão mudanças de lei que vão colocar muitos servidores
super expostos daqui para frente.
E isso me parece muito problemático.
Eu fico me lembrando, por exemplo, de uma figura importante
nessa conversa política externa que a gente conhece bem,
que é o embaixador Paulo Roberto de Almeida,
quando ele falava, por exemplo, da caça às bruxas que havia feito pelo PT,
feita pelo PT durante aqueles anos do início do governo Lula,
contra embaixadores diplomatas que eram tucanos
ou que se ligavam mais às gestões do PSDB.
E assim, mesmo ele,
ele tem reconhecido,
eu julgo de uma honestidade intelectual muito grande,
ele mesmo tem reconhecido que o que a gente está vendo diante dos nossos olhos hoje,
com todas essas sinalizações, com as promessas,
com essa vassalagem que a gente vê se desenhando muito claramente
entre um eventual governo Flávio e o governo Trump nos Estados Unidos,
é muito distinto em termos de qualidade, em termos de conteúdo,
em termos de forma e em termos de moralidade.
E isso, de fato, me preocupa,
porque,
o Eduardo Bolsonaro, além disso tudo que a gente comentou,
é uma pessoa que, por estar
auto-exilada, entre muitas aspas, nos Estados Unidos,
provavelmente voltará para o Brasil com uma sede de vingança política muito grande.
Não só contra o Alexandre de Moraes e o STF,
mas também contra aquilo que,
dentro dos meios de extrema-direita e no bolsonarismo não é diferente,
se convencionou chamar de Estado Profundo, né?
Que são os burocratas, que são os servidores públicos,
muitos dos quais culpados ou responsabilizados, alegadamente,
por terem impedido o papai de governá-la em 2019
e que poderiam colocar algum obstáculo para um eventual governo Flávio Bolsonaro.
E, Casa, você usou agora o termo vassalagem, né?
Então, eu vou partir para a nossa próxima pergunta, que é
como você imagina as relações Brasil-Estados Unidos,
nos próximos dois anos, especificamente.
E por que eu especifico esses dois anos?
Em caso de vitória do Flávio Bolsonaro,
nós teremos um alinhamento entre Flávio Bolsonaro, Trump e Marco Rubio,
que tem uma visão completamente ideológica sobre a América Latina,
marcada ali pela doutrina Monroe,
ele se vê ali como a personificação da doutrina Monroe,
como a gente já explicou aqui no programa.
e também, eventualmente, como seria uma relação entre Lula e Trump.
O Trump e o Marco Rubio defenderiam a ideia de que a eleição do Lula
não teria sido completamente legítima,
o Lula enfrentaria um congresso hostil,
e em torno dessas relações nós temos questões que você já abordou,
como escudo das Américas,
o crime organizado como, classificado como grupos terroristas,
a questão de minerais estratégicos,
enfim, como você enxerga esses próximos dois anos,
não apenas o cenário do Flávio Bolsonaro,
que você classificou de possível assalagem,
mas também uma eventual especulação sobre o governo Lula e Trump.
Bom, vamos começar pelo mais fácil,
que é justamente o menos provável,
que é uma vitória do Lula no segundo turno.
E eu não digo isso como torcida, muito antes o contrário,
eu digo isso porque eu diria que em poucas semanas
a reversão de um quadro que se desenhou no primeiro turno
de vantagem avassaladora do bolsonarismo,
e com vitórias concretas e muito maiúsculas no Senado, na Câmara, nos Estados,
eu acho que é muito pouco provável que o Lula consiga virar esse quadro,
mas eventualmente ele ganhando,
eu diria que ele vai enfrentar uma batalha por dia,
em matéria de política externa e na relação com os Estados Unidos.
Não vai ser um governo fácil,
e eu temo que seja um governo basicamente inviável de saída,
porque com potenciais maiorias no Senado e na Câmara,
o bolsonarismo vai praticamente impedir a possibilidade da continuidade de políticas públicas
e vai haver uma sabotagem permanente a qualquer iniciativa que o Lula queira fazer,
que tenha um mínimo de. de caráter transformador, né?
Então, eu acho que é pouco provável e seria muito difícil caso acontecesse.
De todo modo, eu temo por algumas coisas caso o Lula ganhe.
Primeiro, até mesmo em função do cenário que se desenhou no primeiro turno,
vai ficar muito difícil para os Estados Unidos reconhecerem a vitória do Lula
caso ele se eleja para um quarto mandato.
Em algum momento, a tendência é que isso normalize.
Sim.
Deslumbra para o Brasil um cenário à la Venezuela,
em que os Estados Unidos efetivamente reconheceram o outro, né?
No caso, não foi exatamente um perdedor, ali houve uma disputa na Assembleia Nacional,
mas a gente se lembra que nos anos de pandemia, até um pouquinho antes,
a gente tinha Juan Guaidó como presidente reconhecido da Venezuela
por parte da grande maioria dos países do Ocidente e de muitos países latino-americanos.
O Brasil foi um dos poucos, naquele momento, que não reconheceu Guaidó
e depois tentou reconhecê-lo.
E o Brasil foi um dos poucos que não reconheceu Guaidó e depois tentou reconhecer Guaidó.
No meio da pandemia, deu uma confusão lá na Embaixada,
que os ouvintes talvez se lembrem.
Então, eu não acho que isso vai acontecer com o Brasil,
mas pode ser que os Estados Unidos retardem a possibilidade de reconhecimento
do novo governo brasileiro, caso Lula se eleja.
A narrativa de fraude eleitoral não cessou no Brasil.
Hoje mesmo eu recebi um vídeo de um grupo bolsonarista
de fraude eleitoral de novo.
Ou seja, nem quando ganham eles sossegam, né?
Porque fraude eleitoral quando perde é uma coisa,
fraude eleitoral quando ganha é no mínimo surpreendente.
Aí tentando fazer uma matemática muito maluca com o número de votos
para senadores bolsonaristas e como é que o Flávio teve menos votos
para presidente, que ele deveria ter ganhado no primeiro turno.
Talvez na cabeça de alguns com 80% dos votos, vai saber.
Então, acho que o Trump vai tentar segurar o máximo que puder
o reconhecimento de uma vitória do Lula.
Mas eu tenho o pouco de otimismo que me resta,
eu tenho a esperança de que em algum momento,
até mesmo antes da própria posse, se o Lula ganhar,
o Trump vai querer normalizar as relações com o Brasil.
Porque aqui eu acho importante abrir a caixa preta
do processo decisório da política externa dos Estados Unidos.
O Trump, ele não é, quer dizer, o governo Trump não é um monolito
quando a gente fala de Brasil.
Aliás, muito daquilo que a gente fala de Brasil,
a gente viu das idas e vindas, desde julho do ano passado,
Tarifasso, Magnitsky, investigação comercial,
aí o Lula encontra o Trump, aí tem química,
aí volta, negocia em algumas coisas, bate em cabeça em outras.
Isso tudo revela que o Trump, pessoa física,
ele tem um certo respeito pelo Lula,
ele talvez até tenha uma certa admiração pelo Lula,
e ele em si não veria problema em manter relações cordiais
e funcionais.
Com Lula, num eventual quarto mandato.
O problema está justamente em escalões mais baixos do governo americano.
E aqui eu penso, claro, no Marco Rubio, que é secretário de Estado,
assessor de segurança nacional, mas penso também nessas figuras
que apareceram muito no noticiário ao longo dos últimos meses.
Darren Beatty, Jason Miller, Sebastian Gorka,
pessoas que têm uma visão muito mais ideológica sobre Lula,
ou Brasil, ou sobre o Bolsonaro,
ou que tem até uma certa proximidade do Eduardo Bolsonaro e da família,
eu acho que aí é que vai haver uma pressão,
vai haver uma espécie de cabo de guerra ali dentro da Casa Branca
para ver se a estratégia mais interessante para os Estados Unidos
vai ser isolar o Brasil,
ou normalizar um eventual quarto mandato do governo Lula.
De toda forma, vai exigir do Brasil uma grande capacidade de negociação,
eventualmente algumas concessões dolorosas em áreas que o Brasil,
não está preparado para fazer concessões, tipo minerais críticos,
alguma cooperação na área de inteligência artificial, data centers,
enfim, a gente não sabe exatamente o que vai aparecer,
mas a gente sabe que os Estados Unidos, número um,
tem uma antipatia já demonstrada, comprovada,
com relação ao Lula, ao Brasil e a esse governo que está aí.
E a gente sabe também, além disso tudo,
que os Estados Unidos não têm nenhum constrangimento,
em pressionar, às vezes de maneira brutal,
às vezes de maneira até chantageista,
países para que eles façam concessões a partir dos interesses
até mesmo financeiros norte-americanos, econômicos e financeiros.
Então, vai ser difícil, mas eu acho que o Lula poderia em algum momento,
ele tem um governo, ele é muito capaz desse campo diplomático,
ele tem um governo que está preparado para isso,
já tem feito isso há um ano e meio,
então é possível que a gente atinja,
de uma certa normalização, talvez a um custo relativamente alto.
No caso do Flávio Bolsonaro,
aí minhas preocupações vão para o outro lado,
que é o quanto. que o Flávio Bolsonaro presidente será capaz de entregar já de mão beijada
e rapidamente para os Estados Unidos assim que ele assumir.
A gente viu há alguns meses atrás uma carta em que ele fala para o Marco Rubio
sobre a possibilidade de destacar uma delegação de transição de governo no Brasil
para ficar sediada nos Estados Unidos.
Acho que a palavra que de alguma maneira caracteriza bem a relação do Flávio Bolsonaro com os Estados Unidos
é terceirização, é vassalagem, claro, como a gente comentou mais cedo,
mas tem um elemento de terceirização que é basicamente o seguinte,
e o programa de governo do Flávio aponta para isso,
é terceirização de alguns temas de segurança pública,
é terceirização da exploração de minérios estratégicos brasileiros,
é terceirização de algumas políticas econômicas,
é terceirização de algumas decisões de política externa, inclusive.
Então, é essa vassalagem.
E se traduz num conjunto muito amplo de concessões ou de terceirizações
para que os Estados Unidos possam, de alguma maneira, direta ou indireta,
tomar decisões em nome do Brasil.
Decisões que a gente sabe que dificilmente favorecerão o interesse nacional como tal,
e que vão ser muito prejudiciais para o Brasil no longo prazo,
construindo novas estruturas de dependência.
É curioso porque o plano de governo do Flávio fala que a gente tem que se livrar
de certas dependências estruturais.
Eu acho que o que a gente vai construir com os Estados Unidos
é uma dependência ainda mais profunda, com contornos neocoloniais,
e que não farão bem para o Brasil.
Eu não consigo imaginar nenhum cenário de subserviência aos Estados Unidos
que possa ser bom para o Brasil, nem no curto, nem no médio,
muito menos no longo prazo.
E há uma questão adicional em cima disso que eu acho importante destacar,
e que muito pouca gente tem olhado por esse ângulo, que é o seguinte.
Como a gente tem uma onda, que eu não sei exatamente se é uma onda concatenada,
se existe ali uma relação exatamente coordenada,
mas a gente tem um conjunto grande de governos de direita, vamos dizer, mais securitária,
ou em alguns casos de extrema direita, na América do Sul e em pedaços da América Central, hoje.
Então, de Bukele até Milley, a gente tem aí uma gradação muito ampla
de lideranças de extrema direita na América Latina.
E o Brasil seria mais um, entre tantos outros, que hoje ali se reúnem
naquele programa que você mencionou, o Escudo das Américas, liderado pelo Trump e pelo Rubio.
O que eu acho que pode acontecer?
Muita gente fala assim, pode ser um cenário bom, porque aí o Flávio vai se dar bem com os coleguinhas,
o Pellas Prié, o Milley, o Castro.
Eu não consigo ver dessa forma.
Eu acho que a gente está diante de uma situação. que é muito diferente da onda neoliberal dos anos 80 para 90,
ou da onda rosa do começo dos anos 2000,
em que a convergência ideológica levou à construção de um projeto de integração.
Porque, veja, Menem e Collor, nos anos 90, colocaram em pé o Mercosul.
Lula, Chaves, Evo Morales, Néstor Kirchner colocaram em pé o Unasul,
o que veio depois e que, claro, a gente pode criticá-la,
mas ali a gente está falando de um acumulado de mecanismos de integração regional
que funcionaram por um tempo e que tem uma importância política, estratégia, geopolítica,
se a gente quiser, para a América do Sul, principalmente.
O que a gente está vendo hoje se configurando na América do Sul não tem nada disso.
Nenhum desses líderes tem perspectiva de integração regional.
Nenhum desses líderes trata cooperativas. Não trata cooperação como algo positivo e necessário para suas políticas externas,
a não ser a cooperação subservente aos Estados Unidos.
E, portanto, eu acho que a conclusão a que isso pode nos levar,
ou a situação a que isso pode nos levar, é o que na ciência política, às vezes,
a gente chama de race to the bottom, que seria uma corrida para o fundo do poço.
Em vez de a gente estar discutindo possibilidades de autonomia frente aos assédios norte-americanos,
em vez de a gente estar discutindo possibilidades de autonomia frente aos assédios norte-americanos,
a gente vai estar debatendo daqui a um ano, se Flávio Bolsonaro ganhar,
qual é o país da América do Sul que vai fazer mais concessões e mais rapidamente
para poder garantir a amizade inquebrantável com o governo Trump.
E isso, além de patético, do ponto de vista das relações internacionais,
eu acho que é extremamente perigoso, porque a gente vai estar diante de presidentes
que, disputando a lealdade do presidente máximo, que seria o Donald Trump,
sinta coisa importante para os seus países como demonstração de uma certa lealdade
que, a gente sabe muito bem, inclusive, nunca é recompensada da maneira que se espera.
Ou nunca é recompensada em absoluto, muitas vezes.
Então, esse cenário de uma corrida para o fundo do poço, eu acho que é muito plausível,
em vez de cooperarem esses líderes, vão começar a disputar uns com os outros,
e isso vai dilapidar os patrimônios estratégicos,
desses países, de maneira muito veloz, exatamente de acordo com o script daquilo que o Trump quer.
E aí, o foco dos dois anos é importante, porque o que vai acontecer de 2029 para frente,
a gente não sabe, a gente não sabe quem vai ser candidato, quem tem possibilidade real de ganhar,
e talvez um termômetro para nossos ouvintes se atentarem, ficarem antenados daqui para frente,
vai ser justamente as eleições de meio de mandato, que dificilmente vão mudar o panorama de vida,
do sistema de política externa dos Estados Unidos, porque o Congresso tem algumas competências importantes,
mas tem muito pouca capacidade de barrar ações de política externa, não sei que seja uma guerra escancarada,
mas, de resto, tem pouco alcance, mas a gente já pode ver uma virada de clima,
uma virada no pêndulo político dos Estados Unidos, que pode indicar o que será de um eventual governo democrata
a partir de 2029, ou mesmo de um governo republicano.
Um governo republicano, que não seja exatamente o Trump, ou ninguém ali muito próximo do Trump,
e os limites disso para a política externa daí para frente.
Mas a gente viu no caso do, quer dizer, se a história imediata não serve de lição,
a gente viu que no caso do Bolsonaro pai, a relação dele com o Biden, assim que o Biden se elegeu em 2020 para 2021,
ficou muito difícil por um tempo, até porque o Bolsonaro cometeu um equívoco diplomático maiúsculo,
eu diria que foi não reconhecer a vitória do Biden.
A vitória do Biden foi reconhecida imediatamente, demorou muito para fazê-lo,
e isso acabou contaminando as relações, pelo menos por um ano.
Ali, o ano de 2021 foi um ano de muita distância, e depois a coisa foi normalizando aos poucos,
mas não me parece ser um bom sinal em nenhum dos casos.
Parte da sua resposta, Casa, me lembrou o clássico do Gerson Moura,
o alinhamento sem recompensa, sobre a política externa do governo Dutra.
E como você já falou das midterms na sua resposta,
a gente fecha Estados Unidos, eu tenho mais duas perguntinhas para parar de tomar seu tempo.
Uma delas é, como você contempla, especula essa política externa bolsonarista
em relação aos dois blocos mais importantes hoje que o Brasil faz parte, Mercosul e BRICS?
Mercosul tem hoje um grande crítico dentro dele, que é o Javier Millet.
Ao mesmo tempo, no governo do Jair Bolsonaro, as negociações por um acordo de livre comércio
entre Mercosul e União Europeia foram retomadas, ganharam fôlego,
e nós chegamos a ter o anúncio de um acordo, que depois teve que ser renegociado.
Então, como você contempla essa relação com Mercosul, e como você contempla a questão dos BRICS?
Já que, ideologicamente, boa parte da direita bolsonarista associa o BRICS ao comunismo,
ao comunismo chinês, algo do tipo, o BRICS não é algo que agrada ao Marco Rubio,
mas, ao mesmo tempo, no governo Jair Bolsonaro, nós tivemos uma manutenção de relações,
porque o BRICS fornece, dentre outras coisas, a garantia de você ter um encontro de alto nível com a China,
no mínimo, uma vez por ano, coisa que muitos países não fazem em anos.
O Brasil, todo ano, tem um encontro de alto nível com a China.
Então, Mercosul e BRICS numa eventual presidência de Flávio Bolsonaro, como você vê esses temas?
Felipe, eu vou começar pelos BRICS.
Eu acho que o Bolsonaro, o pai, só não foi mais aberto, mais ostensivo com relação a esvaziar,
ou mesmo abandonar os BRICS, fazer uma espécie de Brexit dos BRICS,
porque o Brasil sediaria, e isso já estava precificado quando o Bolsonaro ganhou a eleição,
o Brasil sediaria uma reunião dos BRICS.
Então, eu acho que ficaria muito ruim para o Bolsonaro ficar torpedeando o bloco,
sendo o Brasil sede de uma das reuniões que aconteceriam naquele período de quatro anos.
Isso não aconteceria com o Flávio, a não ser que haja uma. lógica de rotação que não
contempla os novos membros, mas eu
eu diria que ainda vai levar um tempo para que a próxima conferência dos BRICS seja no Brasil,
o que daria um pouco mais de liberdade para o Flávio Bolsonaro,
não vou dizer negar os BRICS, mas de alguma maneira esvaziar a participação brasileira,
tratá-la como uma questão acessória na política externa,
em vez de o presidente ir para essas reuniões, pode ser que vá ao chanceler,
o que no caso dos Bolsonaro são todos irmãos, são todos do mesmo sangue,
então não sei se faz tanta diferença, mas enfim,
eu acho que haveria uma sinalização no governo Flávio Bolsonaro
de desinteresse brasileiro nos BRICS.
Quem, aliás, propôs isso textualmente um tempo atrás foi Romeu Zema,
um bolsonarista importante, ainda que tenha sido candidato à presidência da República,
a gente viu pelo resultado dele, parece que ele basicamente estava fazendo campanha para o próprio Flávio,
e ele escreveu na Folha de São Paulo, talvez um ano atrás,
sobre a necessidade de o Brasil sair dos BRICS,
e eu acho que essa seria a posição, pelo menos, da ala mais economicista
de um eventual governo Flávio Bolsonaro.
Agora, o que a gente tem que considerar, olhando para o copo meio cheio,
é que, muito provavelmente, o Flávio vai manter uma postura um pouco mais serena
com relação aos BRICS.
Porque a China ainda é um elemento, um campo magnético importante para os produtos,
sobretudo do agronegócio brasileiro.
Então, tudo isso teria que ser operado com muito cuidado.
E o que a gente não pode também desconsiderar é que, dentro do próprio bloco,
ainda mais com as expansões que a gente observou ao longo dos últimos anos,
existem aliados importantes dos Estados Unidos, inclusive.
Então, isso minimiza um pouco o impacto das críticas que a Casa Branca faz
aos BRICS.
Você falou que o Marco Rubio não gosta dos BRICS, de fato não gosta,
já deixou isso claro algumas vezes, mas é fundamental ressaltar que o próprio Trump
já fez críticas aos BRICS nas redes sociais, inclusive as primeiras ameaças de tarifas
que vieram ainda em novembro de 2024, quer dizer, ele tinha. Não lembro nem se ele tinha ganhado a eleição ou se ele estava para vencer a eleição,
mas ele já tinha feito ali uma ameaça explícita de colocar tarifas de 100%
aos países dos BRICS.
Então, eu acho que isso tudo nos dá um contexto de que os Estados Unidos
não gostam do que está acontecendo e que o Brasil, de alguma maneira,
vai ter que rebolar, digamos assim, para manter um certo equilíbrio
entre BRICS e a relação com Washington a partir desse momento.
E aí, falando em Gerson Moura, essa diplomacia pendular que ele também estudou
e é o grande ponto que eu acho que é muito importante,
o patrono dessa tese do pêndulo da equidistância pragmática,
eu acho que ela teria dificuldade de se aplicar na realidade do Flávio Bolsonaro
pelo fato de que, ao contrário do que a gente vem observando no Brasil
ao longo dos últimos anos ou décadas, de uma capacidade ali de interagir com o Ocidente,
com o mundo pós-ocidental, se a gente quiser, eu acho que a situação hoje é difícil,
não só porque o mundo está mais polarizado, está mais conflagrado,
mas também porque o Trump pode ser que ele, observando a situação,
a situação hoje da América Latina e revivendo todo esse interesse de reimplementar
a doutrina Monroe, ele começa a fazer exigências meio monogâmicas
por parte dos Estados Unidos aos países da América Latina.
Então, do tipo, olha, você não pode mais ter relação com a China,
ou a relação com a China tem que ser diminuída a um nível mínimo ali de trocas,
mas sem encontros de alto nível, coisas do tipo.
Não acho que o Trump ainda chegou a esse ponto,
mas pode ser que ele, a depender de como ele interprete a relação dos Estados Unidos,
com a China daqui para frente, isso acabe transbordando para a relação
que os Estados Unidos tentam manter com os vizinhos hemisféricos.
Com relação ao Mercosul, eu acho que basta uma canetada daqui para frente
para ele simplesmente desaparecer.
O Bolsonaro tentou ali criar uma alternativa, o pai, junto com Pinheira
e outros líderes naquele momento ali em 2019, que era o ProSul,
que seria uma substituição ao Unasul.
Mas que de alguma forma também ajudaria a esvaziar o Mercosul,
ou pelo menos incorporá-lo a uma nova estrutura mais liberal e tal.
Nada foi para frente naquele momento.
Hoje você tem potencialmente muito mais consenso regional
de que as coisas têm que mudar.
Mas, de novo, não me parecem ser lideranças na região
que tenham qualquer interesse pela integração regional.
E o Milley já sabotou o Mercosul várias vezes desde que virou presidente,
inclusive naquele infame episódio de ele faltar a uma reunião
de alto nível do Mercosul no Brasil, mas ao mesmo tempo estar no Brasil
numa conferência da CEPAC promovida pelo Eduardo Bolsonaro.
Então dali já ficou muito claro que o desinteresse é explícito e é, vamos dizer, é intencional.
Flávio Bolsonaro entrando na presidência, a gente está falando dos dois maiores países do Mercosul
e as duas maiores economias da América do Sul, Argentina e Brasil.
De novo, basta um empurrãozinho para que o Mercosul simplesmente desapareça.
Eu não sei se. Haverá uma avaliação no governo Flávio Bolsonaro
de que o custo reputacional, simbólico, de acabar com o Mercosul
é alto demais para valer a pena,
até porque eu acho que todo mundo agora está esperando os resultados mais tangíveis
de uma eventual implementação do acordo Mercosul-União Europeia.
Então acho que o Mercosul não vai desaparecer completamente,
mas ele vai ser esvaziado no sentido,
político, do que esse mecanismo sempre representou.
O Mercosul tem uma importância econômica muito grande,
mas a sua finalidade, desde a origem, ela é política também e sobretudo.
Então pode ser que o Mercosul vire um mero acordo de livre comércio
entre os países membros, até para poder manter essa relação com a União Europeia
de que se espera bastante, mas a ideia de usar o Mercosul como um escudo,
contra a interferência indevida de outros países na economia regional,
ou de usar o Mercosul como uma plataforma de projeção internacional desses países,
eu acho que esse momento, que já estava acabando há muito tempo,
respirando por aparelhos, acho que ele vai acabar definitivamente
a partir do momento em que o Flávio Bolsonaro vire presidente.
E Casa, uma última pergunta, já estou tomando seu tempo, já tem uma hora,
mas é uma pergunta que acho que você é a pessoa mais capacitada possível
para responder.
Que é o seguinte, você até citou Collor em uma das suas respostas,
e para os nossos ouvintes que não sabem, você estudou bastante,
dentre vários temas, a política externa brasileira nos anos 1990.
E naquele momento, o então presidente, ainda candidato, acho, o Collor,
ele dizia que ele, não, eu não vou expulsar a Organização de Libertação da Palestina do Brasil,
não tem esse negócio de Palestina, não vou fazer isso.
E ele sofreu muita pressão interna no Brasil,
tanto devido ao fato do Brasil ter uma comunidade árabe,
descendente de árabes muito forte,
quanto pelos laços comerciais entre Brasil e países árabes e países muçulmanos.
Cortamos para 30 anos depois, quase 40.
Nós temos o Brasil como o maior exportador,
como o maior exportador, como o maior exportador,
como o maior exportador de carne halal para países muçulmanos do mundo.
Nós temos o Brasil com a maior comunidade de origem árabe,
a maioria cristã, cristã maronita, enfim, fora dos países árabes.
E nós temos o Flávio Bolsonaro se encontrando com o Benjamin Netanyahu,
mais de uma vez, e o Flávio Bolsonaro dizendo,
para agradar um público neopentecostal,
que faz uma confusão teológica entre o reino de Israel da Bíblia
e o Estado de Israel.
Ele promete que o Brasil vai transferir a sua embaixada para Jerusalém,
vai reconhecer Jerusalém como parte de Israel.
Como você enxerga essas relações?
Como você enxerga essa possibilidade?
E caso ela seja concretizada, como você enxerga as consequências disso?
Você deixou a pergunta mais difícil e mais espinhosa para o final, né, Felipe?
Esse tema é um tema super complicado, também conflagrado,
quer dizer, qualquer coisa que eu disser aqui,
eu tenho que dizer com muito cuidado para tentar manter o equilíbrio analítico
do que está acontecendo, do que pode acontecer daqui para frente.
Deixa eu pegar a âncora lá no governo Collor, né?
Quando o Collor fez uma promessa, e foi uma promessa, assim,
eu estava acompanhando isso para fazer a tese,
isso foi divulgado na imprensa, mas até foi tímido.
Foi numa reunião na Hebraica, no Clube Hebraica em São Paulo,
recebido pelas autoridades da comunidade judaica,
e eu acho que ali, a gente está falando de 89, né?
Ele estava fazendo uma promessa meio que da cartola,
ele não sabia exatamente os detalhes sobre o que estava acontecendo,
sobre a maneira como o conflito estava se desenrolando.
89, a gente estava ali no ápice, eu diria, da primeira intifada,
Palestina, uma situação muito
tensa em Israel.
nos territórios ocupados e essa ideia que ele falou de expulsar a OLP
ou de não reconhecer a OLP, 88 tinha sido um ano em que o Arafat declarou
a independência da Palestina formalmente na ONU.
Eu acho que aquilo ali pegou muito mal porque o Collor queria fazer uma fala
que agradasse a comunidade judaica e ele acabou gerando a insatisfação
de grande parte das embaixadas em Brasília, de países árabes,
num momento, e aqui acho que é importante colocar coisa no seu contexto,
num momento em que havia já em construção a expectativa de um acordo de paz
entre Israel e os palestinos.
Pouco tempo depois, inclusive o Brasil participou lateralmente disso,
a gente teve a conferência de Madri em 91,
a gente teve os acordos geológicos,
o que vieram logo na sequência.
Então a gente está falando de um cenário ali nos anos 80, 90,
que era muito diferente desse que a gente tem hoje.
E o Collor ali tentando fazer uma fala para agradar,
uma fala claramente desinformada,
ele acaba gerando uma resposta,
uma reação por parte das embaixadas árabes muito forte.
Um ponto que eu acho importante destacar,
e aí já é o gancho para a gente pensar,
o atual, o contemporâneo.
As comunidades árabes, de uma maneira geral,
a comunidade síria, libanesa, mesmo egípcia e palestina,
que a gente tem no Brasil, sobretudo síria e libanesa,
nunca deu um apoio vocal ou um apoio explícito à causa palestina.
Até pelo fato de serem predominantemente cristãs maronitas,
alguns converteram-se para o catolicismo em algum momento,
você tem uma aderência,
uma aderência muito pequena desses temas ligados à causa palestina
junto à comunidade,
salvo raríssimas exceções e salvo algumas pessoas
que talvez tenham ali uma voz, uma posição mais preeminente,
que falam mais abertamente em defesa da causa palestina,
ou que fazem parte de grupos que têm, principalmente de esquerda,
que têm ali como eixo central a defesa da criação de um Estado palestino.
Então, eu não acho que. o ator mais consequente nessa discussão sobre a relação do Brasil com o Oriente Médio,
as posições diplomáticas que o Brasil assume,
eu não acho que esse ator é a comunidade árabe, síria ou libanesa no Brasil.
A comunidade judaica tem tido um papel cada vez mais preeminente na defesa de Israel
e no apoio ao bolsonarismo, inclusive,
mas por razões que foram sendo construídas desde 2017, 2018
e que se intensificaram muito.
Com o 7 de outubro de 2023, né?
Então, a gente está falando de um cenário hoje
que está absolutamente conflagrado a uma divisão muito grande ideológica,
uma polarização ideológica, se a gente quiser colocar assim,
entre defensores de Israel e defensores da Palestina,
que está ali, ela sobrepõe muito claramente ao espectro esquerda e direita,
no Brasil e no mundo, né?
Uma comunidade judaica que está muito alinhada à direita e ao bolsonarismo,
em parte por afinidades eletivas, em parte por concordâncias programáticas,
em parte por uma rejeição ao Lula,
e eu diria que esse alinhamento da comunidade judaica no Brasil,
ele já estava sendo desenhado ali desde o Bolsonaro,
o Bolsonaro pai que, inclusive, prometeu a mesma coisa,
de transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém e não cumpriu,
por pressão árabe, não da comunidade árabe brasileira,
mas dos árabes que compram carne ralau brasileira,
mas que também se intensificou com o início do governo Lula,
quando Lula começa a colocar a posição do Brasil em termos muito claros, né?
Chamando de genocídio o que está acontecendo em Gaza,
chamou de novo, inclusive, nessa última fala dele na Assembleia Geral,
faz críticas duras ao Estado de Israel e ao governo Netanyahu,
a zona não grata pelo governo atual de Israel,
e, obviamente, o Flávio Bolsonaro ter trazido o Benjamin Netanyahu
como figura de apoio para a sua própria campanha,
mostra como é que Israel está embrenhado nessa polarização política brasileira de hoje também.
Então, é um cenário em que as coisas estão muito cristalizadas, né?
Para um lado e para o outro no Brasil,
e eu diria que isso se reproduz em outros lugares do mundo também.
O Flávio Bolsonaro, presidente,
eu acho que ele vai ter uma dificuldade muito grande
de transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém,
por mais que isso agrade a um pedaço importante dos seus apoiadores,
inclusive no legislativo, principalmente evangélicos,
porque essa é uma questão que tem a ver com a segunda vinda de Cristo,
tem a ver com a Bíblia, uma profecia escatológica na Bíblia.
Então, isso é importante do ponto de vista teológico e ideológico,
mas isso não tem muito entrada do ponto de vista prático,
porque o Brasil ainda depende muito, né?
Os produtores pecuaristas ainda dependem muito de um mercado amplíssimo
que vai para além do mundo árabe, que eu estou pensando aqui no mundo muçulmano,
sobretudo, que também inclui Paquistão, Indonésia, Bangladesh, Índia,
que tem uma população muçulmana enorme,
e para quem o Brasil exporta muita carne, né?
O Brasil tem aí.
O Brasil tem aí uma entrada, quase um domínio no mercado halal,
e isso foi construído ao longo de muitas décadas, né?
Então, abrir mão disso vai ser muito difícil,
o Flávio Bolsonaro vai ter que pesar custos e benefícios
de fazer qualquer sinalização para Israel nesse momento,
não por medo de qualquer tipo de crítica ideológica,
mas por medo de uma crítica econômica daquilo que pode acontecer,
e era mais ou menos o alerta que a gente já fazia lá em 2018,
quando o Bolsonaro, o pai, ganhou as eleições
com a diferença de que agora está tudo muito mais tensionado e conflagrado.
Acho improvável que o Flávio consiga fazer grandes sinalizações
em defesa de Israel para além daquilo que ele já fala e para além da retórica,
e a gente tem que levar em conta também, dentro dessa equação,
que haverá eleições muito em breve em Israel,
que eu não acho que vão mudar o fundamento do que está colocado hoje,
mas a chegada. a chegada de um governo menos identificado ou não identificado com a extrema-direita israelense
talvez seduz até um pouco a pressão do lado do Brasil
de ter que tomar uma decisão muito rápida para agradar Israel,
porque assim como o interesse do Flávio e do bolsonarismo como movimento é agradar o Trump,
me parece que com relação ao Oriente Médio ali o interesse é agradar o Netanyahu,
e não necessariamente qualquer força política que esteja no poder em Israel,
a gente pode lembrar, por exemplo, que naquele pequeno interregno
que o Netanyahu saiu do poder ali entre 21 e 22,
muitas coisas que o Brasil tinha prometido, que queria fazer,
acabaram não sendo feitas, porque perde-se um pouco desse incentivo e desse interesse.
Então a gente vai ter que ver também o que vai acontecer nas eleições em Israel
para ver não só as possíveis consequências e desdobramentos,
mas também a necessidade de o Flávio ter que dar demonstrações de amor a Netanyahu
num momento em que a sua carreira política parece, e eu espero pessoalmente,
que acabe logo, parece estar acabando, e pode ser que isso também exima o Brasil
de ter que fazer alguma coisa mais consequente a respeito desse tempo.
Bem, Casa, a gente agradece muito o seu tempo, e eu abro para as suas considerações finais,
para você divulgar o que você achar apropriado,
enfim, o que você quiser divulgar nas suas redes sociais, enfim, o que você quiser,
e você, embora você participe do programa todo ano,
você sempre manda a sua análise, você manda a sua coluna,
mas dessa vez, como a gente tem essa entrevista, essa conversa,
você vai ter também a tarefinha de dar uma dica cultural para os nossos ouvintes,
pode ser um livro, um filme, um documentário, o que você quiser,
não precisa ser algo relacionado ao tema da nossa conversa,
pode ser, se você assistiu, enfim, um filme ontem e quiser recomendar o filme,
fique completamente à vontade.
E eu só tenho a agradecer pelo seu tempo, pela sua gentileza,
e a nível de pessoa, como diria o Faustão, pela sua amizade nesses anos todos.
Filipe, você sabe que a admiração é mútua,
a amizade se construiu aí de uma interação muito rica que a gente sempre teve,
intelectual, de poder dar aula junto, de poder pensar o mundo juntos,
eu acho que cada um aqui, num quadradinho um pouco diferente,
mas são quadrados que se cruzam muitas vezes, né?
E essa, acho que essa tarefa que você assumiu herculeamente, né,
de divulgação de conhecimento, e aqui a gente não está falando de divulgação em pílulas, né,
mas divulgação em prato feito, né, episódios grandes do xadrez,
que animam aí uma geração inteira, eu diria, de estudantes e de profissionais
de relações internacionais, eu acho que tudo isso é fascinante.
Uma anedota, só antes de eu falar da dica cultural,
eu estava em San Diego dando uma palestra sobre,
sobre eleições brasileiras na semana logo antes do primeiro turno,
e uma menina, uma estudante,
estudante lá, me parou, assim, no final da entrevista, no final da palestra, e disse
Guilherme, que bom te conhecer ao vivo, porque faz dez anos que eu te escuto no xadrez verbal.
E não foi a primeira, mas San Diego é uma coisa improvável, né, mas assim, não foi
a primeira vez que pessoas vieram falar comigo porque seguem o xadrez, porque tem essa, o
xadrez, ele tem um culto, basicamente, né, as pessoas seguem e seguem com muita lealdade
e há dez anos, imagina, escutando toda semana, todo episódio, eu acho que tem uma questão
que é muito legal mesmo, que você conseguiu construir e que eu tenho muito orgulho, sou
super feliz de poder fazer parte.
A audiência que está nos ouvindo, eu não sei exatamente quando vão nos ouvir, mas
acho que o que a gente pode dizer, o que eu posso dizer, assim, de maneira muito pessoal
e aproveitando esse lugar privilegiado e informal ao mesmo tempo.
É que, assim, a luta continua, né, eu não quero suar clichê, eu não quero dizer de
alguma maneira, votem por A ou B, que eu acho que essa não é exatamente a nossa função,
mas quem não está feliz com o que aconteceu no primeiro turno tem que colocar a cabeça
e colocar o coração ali para que o segundo turno seja diferente, eventualmente, e se
não der no segundo turno, para que a gente continue lutando por aquilo que a gente acredita
e combatendo aquilo que a gente acredita.
Então, a luta não pode parar, as pessoas, em geral, tendem a transformar a frustração
em ação, e eu acho que a nossa situação é exatamente o contrário, a gente tem que,
olhando para o mundo que a gente está diante dele, pensando nos filhos, nas gerações
futuras, eu acho que cabe a gente também seguir batalhando, e como eu sei que você
tem muitos ouvintes que são bem mais jovens do que a gente, essa altura do campeonato,
é importante.
Eu acho que eles entendam também a importância dessa participação permanente na política,
que não pode se reduzir a cada quatro anos.
Como dica cultural, eu andei vendo os filmes, eu tenho visto muitas séries interessantes,
assisti Breaking Bad e Better Call Saul de novo, com meu filho agora que é adolescente,
ele queria ver e eu assisti com ele, mas eu quero falar de um livro que eu estou lendo
e que eu estou adorando, que chama Harvest of Empire, de um jornalista.
Um jornalista americano, Juan Gonzalez, que conta a história dos latinos nos Estados Unidos.
Esse livro, eu estou aqui olhando o ano de publicação dele, acho que ele foi publicado
pela primeira vez em 2001, então é um livro mais antigo, mas que provavelmente vai achar
em sebo, enfim, e que fala da história, porque não é a situação atual, não é a ICE,
não chegou nesse momento.
Também está muito conflagrado aqui nos Estados Unidos, mas é a história da constituição
de diversas comunidades latinas nos Estados Unidos.
Por que eu acho isso muito rico e por que eu estou me referindo a esse livro que,
por coincidência, está aqui na minha cabeceira?
Porque eu estou morando nos Estados Unidos há um ano, um pouquinho mais de um ano agora,
estou dando aula aqui em Miami, e Miami é uma capital latina, em larga medida.
Ela tem um simbolismo.
A demografia que é muito distinta de outros lugares dos Estados Unidos, tanto pela diversidade
das comunidades latinas que vivem aqui, cubanos, venezuelanos, haitianos, brasileiros, colombianos,
argentinos, alguns mexicanos, mas não muitos, dominicanos, mas também porque, pela primeira
vez, e eu não sei se eu cheguei a comentar isso contigo, Filipe, em algum momento do
passado, das últimas conversas que a gente teve, mas eu estou me sentindo muito latino
pela primeira vez na minha vida.
Eu me sinto pertencendo a um grupo que hoje não é mais exatamente minoritário nos Estados
Unidos, mas que tem uma série de características culturais, comportamentais, ideológicas.
Então eu estou me sentindo muito parte desse grupo, falando espanhol na rua, claro, a gente
acaba se identificando também com várias pessoas.
Então é esse livro do Juan Gonzalez, Harvest of Empire.
Latinos in America.
É um livro que vale a pena para quem tem interesse em entender a constituição dessas
comunidades e eu acho que para todos nós que, de alguma maneira, agora estamos sendo
alvo de uma renovada investida norte-americana sobre a América Latina, eu acho que entender
os latinos que estão desse lado de cá é fundamental para a gente poder, inclusive,
pensar no que o futuro nos reserva também.
Bem, com essas palavras muito gentis do Casa sobre o nosso trabalho.
E a dica do Casarões, a gente fecha esse bloco e seguimos o programa.
Passemos agora para as efemérides da semana que vem.
A Semana na História.
14 de outubro de 1926.
100 anos atrás era publicado o primeiro livro.
O livro do personagem Ursinho Puff.
Primeiro, é Ursinho Puff, não é Poo.
Esse negócio de pá é o Poo.
Não, é Ursinho Puff.
Poo é o nome original, mas ele foi traduzido como Puff e tem que ser assim.
Tem que ser em tupi-guarani.
Brincadeiras à parte, o personagem do Ursinho surge em 1924 como Edward Bear, Urso Eduardo,
depois nós vamos ter as tirinhas com o nome Winnie the Pooh nos jornais na época do Natal de 1925,
mas por conta do sucesso das tirinhas que em 1926 nós vamos ter aí sim o primeiro livro do personagem.
E na década de 1960 a Disney vai comprar os direitos do personagem a partir da família,
né?
A partir do. Dos descendentes do escritor Alan Alexander Mewni, que é um dos criadores do Ursinho,
junto com o ilustrador Ernest Howard Shepard, que assinava como E.H. Shepard.
E então temos aí 100 anos do primeiro livro do Ursinho Puff.
E lembrando que recentemente nós tivemos inclusive um filme live action, digamos assim,
com o Ian McGregor e o Ursinho.
Sim, o Puff é animado, claro.
Em 2018 chamado Christopher Robin, além dos desenhos clássicos da Disney.
16 de outubro de 1951, há 75 anos, era assassinado o primeiro-ministro Liaquat Alicant no Paquistão.
Ele que foi o primeiro-ministro do Paquistão, e ele tem ali uma posição de um dos fundadores,
do país, embora o patriarca do Paquistão é o Muhammad Ali Jinnah,
que foi o primeiro governador-geral do Paquistão, mas principalmente era o líder
da liga muçulmana da Índia, desde o início do século XX,
no processo de construção de independência, não apenas do continente indiano,
mas a ideia de que os muçulmanos deveriam ter o próprio país.
Lembrando que essa não era a posição do Gandhi.
Eu sempre faço questão de frisar isso.
O Gandhi, ele era contra a partição da Índia, ele acha que deveria ser tudo a mesma coisa,
e que hindus e muçulmanos, as outras religiões, deveriam conviver em paz.
E esse era o simbolismo inicial da bandeira indiana, que une o açafrão do hinduísmo,
o verde do islã, com o branco da paz no meio, e era uma roda de fiar no centro,
não era uma roda do Dharma ainda.
Mas enfim, o fato é que o primeiro-primeiro-ministro do Paquistão, o Liaquat Alicant, governou de
forma muito diferente do que o primeiro-ministro do Paquistão, que era o presidente do país,
e que, em 1867, até 16 de outubro de 1961, quando ele estava dando um discurso em Hawapindi,
que fica na província do Punjab, bem no norte do país, perto da fronteira com o Afeganistão,
e aí ele foi assassinado por um afegão chamado Saeed Akbar.
E o detalhe é que esse afegão, que fez parte da luta armada contra os muçulmanos,
os britânicos, em anos anteriores, inclusive, a gente não sabe por que ele matou o primeiro-ministro do Paquistão.
Porque ele não deixou uma carta, não deixou uma declaração, e assim que ele atira no primeiro-ministro,
os seguranças do primeiro-ministro atiram nele, e ele é morto.
Então ele não foi interrogado, enfim, algo assim.
Então assim, tem várias especulações que falam da questão da Guerra Fria,
então ele seria um agente, ele poderia ser um agente,
ele poderia ser um agente soviético, enfim.
Tem gente que fala de questões ligadas aos Pashtuns,
porque os Pashtuns ficam divididos entre Afeganistão e Paquistão.
O fato é que a gente nunca vai saber por que o primeiro-ministro do Paquistão foi assassinado,
mas 75 anos atrás foi isso que ocorreu.
E na terça-feira da semana que vem,
completam-se 50 anos da primeira imagem do vírus ebola,
em 13 de outubro de 1976.
que acaba sendo uma coincidência muito
triste, né, considerando que estamos
no meio de uma epidemia de ebola
inclusive a gente vai ter uma notícia
sobre isso no segundo giro de notícias
desse programa
quem registrou essa imagem
foi o virologista dos Estados
Unidos, Frederick Murphy
que na época trabalhava no
CDC, o Center for Disease
Control and Prevention
e ele registrou a imagem
no microscópio e a
primeira imagem do ebola
ele que era parte da equipe
que descobriu o ebola
descobriu que o ebola era um vírus
separado, ainda não
sabia direito o que era o ebola
então infelizmente tem
essa coincidência de que
50 anos atrás tivemos
a primeira imagem do ebola
e no momento de que
ele está tirando vidas
novamente. Bem, vocês ficam agora
com a terceira coluna aberta
na qual o Felipe fará o balanço
dos discursos
dos países do Oriente Médio
na Assembleia Geral das Nações
Unidas
Coluna aberta
Bem pessoal, esse
conteúdo era para ter sido publicado duas
semanas atrás, só que
enfim, ocorreram os problemas das últimas
semanas que eu comentei aqui
por cima no programa
que foram adiando a
diando, então esse conteúdo
está sendo publicado um pouco
atrasado, eu peço
desculpas por isso e
conto com a compreensão de todos
vocês, mas também
por essa distância cronológica
eu acabei
tomando, decidindo fazer uma coisa
um pouco diferente do que
eu originalmente ia
fazer. Originalmente
eu ia passar por todos
os discursos
de países
do chamado Oriente Médio
na ONU
porém, acho que
isso hoje já não faria mais tanto
sentido, então eu vou
falar, eu vou pegar aqui
algumas coisas que eu fiz
o levantamento
que estariam nesse conteúdo de qualquer maneira
e aí eu vou dar uma
pincelada nos discursos
tá bom? Mas
que levantamento é esse que eu estou
falando? A gente vai começar pelo
fato, pelo levantamento
dos países que
falaram abertamente
explicitamente
que está ocorrendo
um genocídio
ou que existe uma política genocida
em relação aos
palestinos e a Gaza, certo?
Foram Maldivas,
Belize, Comores, Irã, Paquistão
Catar, África do Sul, Angola
Brasil, Cuba,
Espanha, Tunísia, Turquia
e mais a própria Palestina
esses foram
os países que falaram
explicitamente
acusando frontalmente de uma
política genocida em relação aos palestinos
e a Gaza. Além desses
países, nós tivemos
Islândia,
Eslovênia, Liechtenstein,
Líbano e Barbados
que falaram da necessidade
de prevenção de genocídio
necessidade de impedir
genocídios, enfim
de um termo mais
abrangente
tá?
Tá um pouco ali indireto
O Oman
também falou
em genocídio
O Oman ficou ali um pouquinho
foi indireto, mas
um passo
adiante na acusação
frontal
O Timor-Leste, que foi apresentado
pelo grande José
Ramos Horta, que já entrevistamos aqui no programa
ele mencionou
genocídios
ele falou da
Nakba Palestina
ele foi o único líder, pelo que eu vi
além do próprio Mahmoud Abbas
que falou da Nakba
que a Nakba é literalmente
catástrofe, que é o deslocamento
forçado, a expulsão, a limpeza étnica
de cerca de 700 mil palestinos
no final da década de 1940
com a fundação do Estado de Israel
e a consequente guerra
primeira guerra árabe-israelense
ou guerra de dependência de Israel, vai variar a nomenclatura
então o Timor-Leste
falou de uma série de genocídios
falou da importância
de também prevenir
conter genocídios
e mencionou a Nakba
então esses foram os países
que falaram
diretamente em genocídio
58
das intervenções
totais falaram
de uma solução
de dois estados
porque eu digo intervenções totais?
porque aqui eu estou incluindo o secretário-geral da ONU
a União Europeia
a Santa Sé
e a própria Palestina
Santa Sé e Palestina no caso
não são estados
Santa Sé é um estado observador
e o secretário-geral da ONU
e a União Europeia
também tem ali uma
caracterização própria
nesse ambiente, mas o fato é que
58 intervenções
totais falaram
de solução de dois estados
dentre eles
muitos países europeus
até porque, como eu disse, isso estava
no próprio discurso da União Europeia
e também
estava
no discurso de países
que não tem relações com Israel
como a Arábia Saudita e Oman
que eu já expliquei aqui
quando a Arábia Saudita defende uma solução
de dois estados
é uma referência implícita
ao próprio plano saudita de paz
que é falar, olha só
se tiver um estado palestino
nós vamos reconhecer Israel
ou seja, já é
um reconhecimento implícito
digamos assim
e eu quero deixar uma coisa aqui clara
que você vai ter países
que não falaram explicitamente
em solução de dois estados
e não falaram explicitamente
de uma questão de genocídio
mas abordaram
Israel, Palestina
de alguma maneira no seu discurso
o que eu estou fazendo aqui
é impor
um filtro, digamos assim
de contexto e conteúdo
isso não quer dizer que os outros países
simplesmente não falaram do assunto
mas o que eu quero dizer
é que nesse levantamento que eu fiz
alguns países
abordaram a questão
mas não necessariamente
de uma forma tão explícita
ou uma defesa explícita
de algum aspecto
e finalmente
treze países
condenaram o Hamas
ou pediram pelo
desarmamento do Hamas
ou pediram pelo desarmamento do Hamas
ou chamaram o Hamas de grupo terrorista
além, é claro, de Israel
Israel está incluso nessa lista
mas além de Israel
Bulgária, Romênia, Itália, Austrália, Brasil, Gana
Reino Unido, França, Chipre, Grécia, Canadá
Montenegro e San Marino
e sim, Brasil
o discurso do Lula, pra quem não viu
na íntegra, fala em atos terroristas
do Hamas
e aí quando a gente olha
para os discursos do Oriente Médio
em geral, Palestina foi
o principal tema
embora em diferentes
graus de presença
digamos assim
e o segundo grande tema foi obviamente
a guerra contra o Irã
e o fechamento do estreito
e aí nesse caso
nós podemos dizer que
você tem quatro
posições distintas
nesse assunto
você tem a posição israelense
que classifica o Irã
como uma ameaça existencial
que o Irã não pode ter armas
nucleares
que os ataques israelenses
foram na verdade preventivos
para impedir uma ameaça maior
você tem a posição iraniana
que o país foi atacado
e está apenas se defendendo
e critica uma aplicação desigual
do direito internacional
e que o Irã foi alvo de terrorismo
inclusive o presidente iraniano
ele estava todo de preto
falando inclusive das crianças
que foram mortas
no ataque dos Estados Unidos
a uma escola
logo nos primeiros dias
aí você tem um terceiro
terceiro grupo argumentativo
que é o das monarquias do Golfo
Bahrein, Arábia Saudita
e Emirados Árabes Unidos
que se colocam como alvos
de uma agressão indevida
iraniana aos Estados
soberanos do Golfo
e uma quarta posição
que é de Catar, Oman, Paquistão
e Turquia
que enfatizam a necessidade de uma solução
negociada para a
segurança regional duradoura
e afirmam
alguns mais categoricamente
do que outros
que não terá solução militar
para a situação atual
que é o que a gente vem dizendo aqui
há meses no programa
e agora eu vou passar
um pouco rapidamente
pelos discursos
do Oriente Médio
e aí eu vou na ordem
cronológica dos discursos
porque foi a ordem que eu fiz as minhas anotações
então elas não estarão numa ordem
temática
a gente vai começar com o rei
Abdullah II da Jordânia
que falou mais ou menos ali por 20 minutos
e o discurso dele
foi bastante
frontal
em relação a Israel
ele colocou que Israel
é uma ameaça de
segurança regional
colocando o fato de que hoje Israel
ocupa territórios na Síria
ele voltou a repetir
que em 2002 a proposta
de paz arábia saudita
envolvia a normalização
com 50%
57 estados em troca de um estado palestino e que não foi aceita pelo governo israelense,
ele disse que a comunidade internacional tem passado as últimas décadas administrando,
no lugar de solucionar a situação, e que o governo israelense teria se aproveitado nesse tempo
para expandir as suas ações, expandir as suas ações militares inclusive,
e que hoje é um problema de credibilidade para todo o sistema internacional.
Depois veio o Erdogan, com um discurso bastante longo, foi quase 40 minutos,
e ele buscou vincular, ele foi bastante frontal também sobre a questão palestina,
lembrando que o Erdogan busca com isso,
colher, na verdade, frutos internos, especialmente.
A questão palestina, para ele, é uma questão que tem um impacto interno muito grande,
e ele defendeu a reconstrução de Gaza, defendeu o estado palestino,
acusou Israel de ter uma mentalidade genocida, genocidal mindset,
mas o principal, ele coloca a questão de Gaza palestina como. como o grande símbolo da necessidade de uma nova arquitetura do sistema internacional,
especialmente uma reforma do sistema da ONU, uma reforma do Conselho de Segurança da ONU,
tanto com ampliação, quanto também defendendo o fim do chamado poder de veto.
Ele defendeu lá a aliança com a Arábia Saudita, com Paquistão, etc. Mencionou a questão da Síria,
no, basicamente, satélite da Turquia hoje.
Depois tivemos o discurso do Catar, do Tamim Altani, que durou ali por volta de 15 minutos,
defendeu negociações, acusou Israel de uma política genocida,
defendeu a Resolução 1701 em relação ao Líbano,
e aí temos o discurso da Síria, que eu achei ele bastante curioso. Por quê?
O discurso do Al-Sharah durou. Durou mais ou menos 11 minutos.
Ele falou, basicamente, de política doméstica de reconstrução da Síria,
a necessidade de reconstrução, agradeceu o fim das sanções dos Estados Unidos contra a Síria por terrorismo.
A única questão internacional que ele mencionou foi, basicamente, a questão das colinas de Golã,
dizendo que as colinas de Golã são território sírio, que as forças israelenses devem se retirar,
e uma solução negociada.
A solução negociada final precisa ser alcançada.
Ele não falou de Palestina, não falou de Líbano, não falou de Gaza, de genocídio, de nada disso.
Foi um discurso curto, centrado apenas em questões sírias, especialmente internas,
e das relações da Síria com Turquia e Estados Unidos, e a questão de Golã com Israel.
Então foi um discurso bastante comedido, de certo modo.
Aí tivemos o discurso do Irã, que durou mais ou menos 19 minutos.
Eu já falei um pouco do que ele falou.
Então, assim, que o sistema internacional fracassou, porque ele não tem os mesmos. não é um sistema coerente, que o Irã foi alvo de ataques terroristas,
que o Irã não aceitará restrições ao uso pacífico de tecnologia nuclear.
Gaza simboliza o grande fracasso desse sistema.
Esse sistema internacional. Enfim, foi um discurso bastante forte, e, repito, ele foi todo vestido de preto,
ele levou imagens das crianças mortas pelos ataques dos Estados Unidos,
e que o Irã apenas se defendeu de forma legítima.
Depois tivemos o discurso do Mahmoud Abbas, presidente da Palestina,
que durou mais ou menos 24 minutos.
O Mahmoud Abbas, ele não falou na ONU.
Ele teve que falar à distância, porque os Estados Unidos, novamente,
não permitiram que ele recebesse um visto para ir a Nova Iorque participar da Assembleia Geral da ONU.
Ele falou que corre-se o risco de uma nova náquiba, uma nova catástrofe.
Ele disse que 160 estados já reconhecem a Palestina,
então é hora da plena admissão palestina na ONU também.
Reforçou que a Palestina aceita a solução de dois estados,
a questão da legitimidade internacional,
e defendeu que a Palestina tem o direito de recorrer à Corte Internacional de Justiça,
ao Tribunal Penal Internacional, etc.
E também criticou muito as políticas de colonização da Cisjordânia por Israel,
que apoia, seja de forma direta ou seja de forma indireta,
os colonos ortodoxos na Cisjordânia.
Depois tivemos o discurso do Benjamin Netanyahu, que durou quase 40 minutos,
e eu já mencionei aqui alguns anos anteriores.
O discurso do Netanyahu na ONU é sempre muito voltado para as pessoas dos Estados Unidos.
Então, judeus que moram nos Estados Unidos, a comunidade nos Estados Unidos,
tanto que ele falou, por exemplo, do prefeito de Nova Iorque no discurso dele.
Os presidentes que vão falar apenas de questões globais,
não vão falar, às vezes, nem de questões domésticas.
O Netanyahu falou do prefeito de Nova Iorque,
porque o Netanyahu e os seus partidários acusam o prefeito de Nova Iorque de ser antissemita,
ou de ter colaborado com atos antissemitas,
enfim, de ter tolerado atos antissemitas, melhor dizendo.
Ele disse que Israel não está,
que é uma grande mentira que Israel estaria cometendo genocídio,
que, na verdade, Israel está impedindo
um genocídio,
colocou que o Irã é uma ameaça existencial,
e, principalmente,
acho que o que é mais interessante da gente mencionar aqui,
ele respondeu ao Shara,
dizendo que os judeus vivem nas colinas de Golã
desde os tempos da Bíblia,
que é um discurso
que busca legitimar o expansionismo,
legitimar uma anexação territorial,
e, ao mesmo tempo,
usa um argumento que é para ser consumido internamente nos Estados Unidos,
que é um argumento bíblico,
especialmente pelas comunidades cristãs,
algumas denominações cristãs,
que apoiam de forma acrítica o Estado de Israel,
porque confundem ele com o reino de Israel da Bíblia.
E, além desse comentário sobre a Síria,
o Netanyahu também usou muitos minutos
para atacar frontalmente o Catar e a Turquia,
dizendo que eles fomentam o antissemitismo,
de que eles hospedam lideranças terroristas
e financiam campanhas na tentativa de isolar Israel.
Depois tivemos o discurso iemenita,
que durou mais ou menos 20 minutos,
lembrando que é o discurso do governo internacional,
reconhecido e o governo aliado da Arábia Saudita,
não o Zutis, é o governo aliado da Arábia Saudita,
inclusive fez vários elogios à Arábia Saudita,
agradeceu a Arábia Saudita e disse que a segurança marítima global
precisa da estabilização do território iemenita
contra a milícia terrorista do Zutis.
Tivemos o discurso iraquiano,
que durou mais ou menos 20 minutos,
que falou muito de questões econômicas,
questões de infraestrutura,
buscando projetar o Iraque
como esse grande hub de infraestrutura,
pela posição geográfica do Iraque,
pela posição ali entre Irã
Síria, Turquia e Arábia Saudita,
ou seja, conectando a Península Arábica com o Planalto iraniano,
com o Planalto Armênio,
que depois chega na Anatólia,
com as terras baixas da Síria que vão chegar no Mediterrâneo,
então o Iraque como esse grande ponto de conexão.
Então ele falou das estradas,
falou de hubs de infraestrutura,
esse tipo de argumentação.
O discurso libanês durou mais ou menos 20 minutos,
falando da reconstrução do Estado,
falando da reconstrução da economia,
da participação do FMI,
defendeu a retirada israelense do território,
o cessar fogo
e a desmilitarização dos grupos armados internos
e que o Estado tem que ter o monopólio do uso legítimo das armas.
Ou seja, basicamente falando do resbolar.
O discurso paquistanês durou mais ou menos 24 minutos,
com o primeiro-ministro Shabat Sharif,
no que concerne aqui o Oriente Médio,
falou especialmente da aliança de Meca,
o acordo de Meca,
com Paquistão, Turquia e Arábia Saudita,
falou da necessidade disso,
uma solução negociada,
e que o Estreito de Hormuz e o Estreito de Bab-el-Mandeb,
no Golfo de Adem,
são as artérias da economia mundial.
E porque eu digo no que concerne esse bloco?
Porque ele também falou muito da questão da Cachemira,
falou da Índia também, obviamente,
falou da questão do Tratado das Águas do Rio Índio,
enfim.
O discurso do ministro Shabat Sharif,
Exteriores do Egito durou
mais ou menos 20 minutos
e também foi muito forte
na direção de reforma da
governança global, de reforma
do sistema ONU e especialmente
da expansão
da participação africana
na ONU
especialmente no Conselho
de Segurança da ONU, falando
por exemplo que a África
embora ela seja
um quarto dos membros
da ONU, ela tem
apenas 3 dos
15 assentos do Conselho de Segurança
ou seja, um quinto, então ela está
subrepresentada e não tem
nenhum país
com poder de veto
e também
falou da questão da Palestina
e como
a falta
de um Estado palestino
é o grande exemplo de como
o sistema internacional está quebrado
também falou da
segurança hídrica no Nilo, o que se
relaciona à Etiópia e que
daqui a pouco eu estou começando a
projetar, botar a guerra na Etiópia
o chifre da África como um todo
no bloco de Oriente Médio
porque são coisas que estão claramente
correlacionadas atualmente, embora não
correlacionadas geograficamente
tivemos o discurso
Barenita, que durou mais ou menos 22
minutos, que foi um discurso muito
ligado às questões
do comércio marítimo, da segurança
marítima, segurança de navegação
então falou de Golfo de Adem, falou de
Mar Vermelho, de Hormuz, de Bab el-Mandeb
além dos pontos
que eu citei anteriormente
com críticas ao Ira
o discurso saudita foi bastante
curto, bastante direto
ao ponto, durou ali 12 minutos
mais ou menos, pelo Ministro de Relações Exteriores
e basicamente
tudo que a Arábia Saudita falou
eu já mencionei, eu só quero frisar
que a Arábia
Saudita, ela
manteve
indiretamente o Plano
de Paz de 2002 na mesa, a ideia de
olha só Israel, se você reconhecer a Palestina
e o Estado Palestino na sua notícia 67
for criado, nós garantimos um amplo
reconhecimento e mais investimentos
em Israel, claro que
hoje esse acordo
essa oferta, ela é muito
mais fraca do que era em 2002
porque de lá pra cá nós tivemos
os acordos de Abraão, do governo Trump
e nesse período
dois pesos pesados
digamos assim,
econômicos, estabeleceram relações com Israel
Marrocos e Emirados Árabes Unidos
o discurso
do Oman durou mais ou menos 12 minutos
também, sempre defendendo a solução
diplomática
sempre defendendo ali
o papel do próprio Oman como
um negociador, o discurso
dos Emirados Árabes Unidos também foi relativamente
curto, durou mais ou menos 12 minutos
eu já abordei alguns dos principais
pontos, mas
eu quero frisar que
no discurso emiradense
o país
disse que as ilhas
de Abumussa e as ilhas de
Tumbi são dos Emirados
que estão ocupadas
pelo Irã e que seria
necessário ou uma negociação
uma mediação ou até mesmo
uma decisão da Corte Internacional de Justiça
então esses
foram os principais discursos
dos países
do Oriente Médio
repito, eu peço
desculpas pelo atraso em
publicar esse conteúdo, esse conteúdo
originalmente ele seria mais extenso
eu ia me debruçar um pouco mais
nos discursos, mas acho que
agora isso já não faz
tanto sentido
assim
pra quem quiser mais detalhes
quem quiser se aprofundar, vocês podem
lembrando, vocês podem assistir
todos os discursos, vocês podem
assistir inclusive, ouvir
com as dublagens oficiais
em qualquer idioma da ONU
vocês também podem ouvir
no idioma original, então por exemplo se você estuda
árabe, pode ser
uma ocasião pra você ouvir
um discurso em árabe, em que você vai ter
a sua disposição, uma transcrição
daquele discurso
pra você ter
uma conferência, enfim, pra você ter ali
uma colinha
uma coisa que está aqui
nas minhas anotações, que eu não sei se eu mencionei
em programas anteriores, mas
quando o Netanyahu foi
discursar
assim como no ano passado
dezenas de
delegações se levantaram
e se retiraram
incluindo a delegação
brasileira, eu não lembro
se eu mencionei isso aqui no programa
ou não, até porque repito
as últimas semanas foram um pouco
complicadas
e a Turquia
só pra fechar
além da pauta do fim
do poder de veto e tudo mais
a Turquia, tanto no seu discurso
mas como nas ações da delegação turca
nos painéis
que a Turquia participou
também bateu muito
na tecla da COP31
a COP31 vai ser na Turquia
em Antalya, esse ano
então a Turquia buscou
mobilizar parte da
comunidade internacional no sentido
da COP31, certo?
Vocês ficam agora com o match
no qual o Felipe observará
o movimento das peças
no sempre complicado tabuleiro
do Oriente Médio
Match
Bem pessoal, essa semana a principal notícia
da região do Oriente Médio
é o fato de que as forças
do governo em Imenita
nesse dia 5 de outubro
com apoio da Arábia Saudita, da Turquia
e do Paquistão, já vou falar disso
iniciaram uma ofensiva
contra os Houthis
e retomaram
a região do
Estreito de Bab-
El-Mandeb, o estreito
que une o Mar Vermelho ao Golfo
de Adem, o Mar Vermelho
que tem dois gargalos, ao norte
o gargalo de Suez, ao sul
o gargalo é esse estreito
os Houthis haviam tomado
o estreito semanas atrás
a gente repercutiu isso aqui
comentou isso aqui
e agora, nessa contra-ofensiva
as forças Imenitas
tomaram o território
e
a declaração
do governo Imenita
é basicamente
retomar todos
os territórios que estão nas mãos
dos Houthis, incluindo
a capital
oficial do país, Sanaa
se eles vão conseguir fazer isso
ainda não sabemos
porém, o que
está muito claro
nesse momento, é que é uma ofensiva
bastante
estruturada
não foi uma coisa
não é um movimento
repentino, não é um movimento
feito no desespero
e como eu mencionei, nós teremos a participação
de Turquia e Paquistão nessa lógica
o
Ministro de Relações Exteriores da Turquia
o Hakan Fidan
ele disse que o acordo de Meca
está pronto para ser votado
pelo parlamento
e o parlamento turco precisa
aprovar o deslocamento de tropas turcas
embora isso
seja uma mera formalidade
e que às vezes nem isso será necessário
o acordo de Meca
vamos lembrar, foi tema principal
do programa algumas semanas atrás
é o acordo de defesa
mútua entre
Turquia, Arábia Saudita e Paquistão
um dos dois eixos
tripartites que está se estabelecendo
na região
é um acordo defensivo
o New York Times
afirmou que
vetores
da força aérea paquistanesa
estariam participando
de operações
dentro do Iêmen
bombardeando posições
UTIs
o governo paquistanês
negou isso
veementemente
disse que você tem sim
elementos da força aérea paquistanesa
e outras tropas paquistanesas
em território saudita
mas que não estão participando de operações
no Iêmen
então, muito provavelmente
o que
se trata
o que está ocorrendo
usando aquela
analogia do cobertor curto
então, se você
cobra a cabeça, você descobre os pés
se você cobra o pé, você descobre a cabeça
a Arábia Saudita pediu
ajuda militar para os Estados Unidos
não obteve
a Arábia Saudita
recebeu ajuda militar pontual
francesa
mas para uma grande
ofensiva militar
é possível
que a Arábia Saudita
não tenha se sentido seguro
o suficiente para fazer uma operação
dessas sozinha
então
as tropas, as forças turcas
e paquistanesas, muito provavelmente
vão agir na defesa
do território saudita
contra ataques com mísseis
contra drones
contra eventuais incursões de fronteira
para permitir
que as tropas sauditas
possam participar de ações
ofensivas, pelo menos
do ponto de vista legal
e ostensivo
é claro que
muito provavelmente nós também teremos
aviões do Paquistão da Turquia
possivelmente, melhor dizendo
participando de operações
dentro do território yemenita
então se trata de um desdobramento
bastante importante
não apenas pela ativação da aliança
mas também pelo fato
de que
essa ofensiva
já
já obteve, já conseguiu avanços territoriais.
E do ponto de vista turco, você tem uma vitória simbólica muito grande aqui, que é, aparentemente, as forças turcas vão participar da defesa das cidades sagradas do Islã, o que dá um simbolismo muito grande para o Erdoğan.
Então, também tem esse elemento. Nessa semana, também tivemos novos mísseis Houthis sendo disparados contra território saudita, e a Arábia Saudita, inclusive, afirmou que três pessoas morreram em um desses ataques Houthis.
Agora a gente vai para o Irã, já que são conflitos interligados. Essa semana tivemos o anúncio de um novo ministro da defesa no Irã, e também o ministro do petróleo renunciou.
Então temos essas trocas ministeriais no Irã. Além disso, um relatório apresentado ao Congresso dos Estados Unidos mostraria que o país perdeu ou teve danificados 81 aviões.
Aí, somando aviões, tanto aviões que precisam de pilotos humanos, quanto também aeronaves, acho que foi melhor dizendo, quanto aeronaves autônomas.
O Donald Trump disse novamente que não vai realizar ataques contra o Irã antes das eleições de mid-term, no dia 3 de novembro.
Em um dos comícios, inclusive, ele estava em Nebraska, ele disse que a guerra contra o Irã é para manter os Estados Unidos seguros, e ele disse que, olha só, se a gente não fizer, eles poderiam destruir cidades dos Estados Unidos.
E aí ele falou, deixem que destruam, deixem que destruam Los Angeles, deixem que destrua San Diego, ou seja, cidades da Califórnia, que atualmente é um estado democrata, e cidades em que o Donald Trump tem baixos índices de aprovação.
E, finalmente, sobre a guerra no Irã, essa semana tivemos muitos voos sendo detectados pelas plataformas de rastreio de aviões entre Doha, capital do Catar, e Teherã.
Capital iraniana.
Pode ser uma negociação, pode ser algum tipo de movimento.
Agora nós vamos para a Palestina.
Mais de 100 colonos realizaram ataques contra palestinos na região de Nablus.
Um homem palestino chamado Ali Hassam Yasser al-Bazari, de 44 anos, foi assassinado enquanto colhia azeitonas, enquanto colhia nas suas oliveiras.
Foi assassinado pelos colonos israelenses e outras 16 pessoas palestinas ficaram feridas.
Essa semana também tivemos o anúncio de que a missão diplomática britânica em Jerusalém Oriental vai continuar funcionando, porém ela será diminuída.
Tanto no seu escopo, terá o seu nome trocado e também diminuirá a sua equipe.
Ou seja, o governo britânico basicamente fez uma construção.
Mas em nome de uma tradição, porque a presença diplomática britânica em Jerusalém oficialmente remonta ao início do século XIX.
É claro que eles vão voltar aos tempos das cruzadas, no discurso e tal, mas em Jerusalém, especialmente em Jerusalém Oriental, você tem inclusive uma catedral anglicana, que é bastante antiga também.
Agora, fazendo um breve, um pequeno adendo. Ao áudio gravado anteriormente, esse adendo sendo gravado na sexta-feira, dia 9, porque hoje tivemos o anúncio da jurista sul-africana Navenetem Pillay como Nobel da Paz.
Ela tem 85 anos de idade, ela foi reconhecida por sua atuação em defesa do direito internacional e, abro aspas, escolhida por liderar com coragem e integridade esforços para ampliar uma ordem jurídica global.
Ela foi uma ativista. Ela foi uma ativista no seu país contra o Apartheid, ela foi alta comissária da ONU para direitos humanos, ela foi juíza no Tribunal Penal Internacional para o genocídio de Ruanda e no Tribunal Penal Internacional de Haia.
Ela também presidiu, recentemente, uma comissão de inquérito sobre os territórios palestinos ocupados e, atualmente, integra a Corte Internacional de Justiça no caso em que Mianmar é acusado de genocídio contra os. E ela é uma das principais juristas em relação ao crime de genocídio como um todo e ela é uma das principais juristas da denúncia sul-africana contra Israel na Corte Internacional de Justiça por genocídio em Gaza.
Ela disse, né, algumas palavras que eu ouvi dela de aceitação, né, ela mencionou que é necessário uma expansão do direito internacional.
Que são necessárias soluções pacíficas para os conflitos, ela ironizou, né, dizendo que poderia dividir o prêmio com o Donald Trump e o fato dela ter sido juíza, né, do Tribunal Penal Internacional também tem aí um elemento, né, de aviso do Comitê do Nobel, né, sobre as ações do governo dos Estados Unidos em relação ao TPI e ao Estatuto de Roma
e o governo israelense. Disse que o Nobel premiou a maior mentira do século XXI e que ela teria um papel na demonização de Israel, porque é mais fácil você, né, criticar o mensageiro, o estudioso, do que rever as suas próprias políticas genocidas, ainda mais num contexto eleitoral.
E como eu estou gravando esse adendo posteriormente à nossa gravação habitual na quinta, ela será o peão promovido na. Na semana que vem, tá?
Falando de notícias israelenses, nós temos três notícias.
A primeira delas é que saíram mais informações sobre as investigações do episódio de possível terrorismo no voo da Fly Dubai.
E duas coisas.
Primeiro, o piloto, né, o copiloto, desculpem, foi confirmado como um cidadão do Oman e, assim, eu repito o que eu falei no programa passado, né, teoricamente esse homem não poderia estar nesse voo.
Então, houve uma brecha de segurança ou uma brecha intencional, enfim, aparentemente bem flagrante.
E a segunda, né, no programa passado eu falei que ele tentou. Esfaquear o piloto indiano, que era o que estava surgindo naquele momento.
Mas agora a investigação mostrou que ele não entrou no avião, ele não foi a bordo armado.
Ele usou um machado do kit de emergência do avião, que é utilizado caso você precise derrubar uma porta, caso o avião sofra um acidente, enfim, esse tipo de coisa.
Então, ele usou essa arma branca que estava a bordo do. Do próprio avião, tá?
Então, são duas informações nessa semana.
Ainda não está claro, né, pelo menos enquanto estamos gravando esse programa, quais seriam as motivações e qual era o plano final dele.
Se era realmente jogar o avião, por exemplo, num prédio ou jogar o avião no aeroporto, algo do tipo.
Isso ainda não está claro, né?
Mas o que está claro agora é que ele usou uma arma.
Ele usou uma arma que estava dentro do avião para atacar o piloto.
O piloto conseguiu abrir a porta da cabine e, então, o copiloto foi subjugado pelas outras pessoas.
E uma tripulação que estava a bordo em stand-by, eu comentei no programa passado que isso não é incomum, né?
Porque tem algumas pessoas que duvidam do que aconteceu porque, ah, como assim já tinha uma tripulação extra a bordo?
Isso não é incomum e, enfim, aí essa tripulação acabou. Pousando o avião.
Outra notícia é que, segundo o jornal israelense Haaretz, o Benjamin Netanyahu, quando ele foi se encontrar com o MBZ em Dubai,
ele se encontrou com representantes de dez outros países e conversaram sobre uma nova rota de petróleo
que usaria a região israelense de Eilat, o porto israelense de Eilat, que fica no extremo sul do país,
o que é um projeto que poderia. Interessar ao Egito, porque transformaria, incentivaria o uso do canal de Suez.
Então, pode ter esse projeto como consequência do fechamento do Estreito de Hormuz.
E a terceira notícia é que, essa semana, o governo israelense lançou uma peça de propaganda
para responder ao documentário NASA, que se chama NASA, The Real Story.
E isso, teoricamente, não surpreende.
Talvez nem fosse uma notícia, mas o que eu quero destacar para vocês,
para quem for procurar o documentário para assistir, alguma coisa assim,
é que os produtores dessa peça de propaganda que responde ao documentário original
registraram o site nasadocumentary.com.
Então, tomem cuidado para não assistir a peça.
essa de propaganda estatal e não
o documentário original
e pra gente fechar
outras duas notícias, uma
delas é do Egito
já que seis jornalistas
foram presos nessa semana
sendo acusados
de trabalharem
de terem criado e trabalhado em um veículo
de imprensa que
na verdade seria uma fachada
para a Irmandade Muçulmana
lembrando que a Irmandade Muçulmana
é banida
é proibida no Egito
e eu falei dela semana passada coincidentemente
e o Tribunal Penal Internacional
emitiu mandados
de prisão para
dois ministros talibãs
por crimes contra a humanidade
por discriminação de gênero
e impedirem
que meninas e
adolescentes tenham acesso
a educação
então temos essa do
TPI e a gente continua
o nosso programa. Passemos agora
para o cheque no qual
eu e o Felipe daremos uma volta
pelo Atlântico Norte
Cheque
Espanha convoca
eleições antecipadas
diante da crise
habitacional. Então meu caro
Matias, antes da gente continuar
falando de Espanha, eu digo continuar
porque foi o tema do cheque no programa
passado, a gente tem que
registrar que
no meio dos decretos do Pedro Sanches
no meio dessa
convocação de novas eleições
no dia 7 de outubro
quarta-feira, a Maria
del Carmen Abascal Martín
conhecida como Mari Carmen
a senhora de 87 anos
que foi despejada
do imóvel onde ela vivia
há mais de seis décadas
com uso de força
policial
a mando da justiça
porque deu ganho de causa
a uma administradora
de imóveis
chamada
Urba Gestion
ela faleceu no
hospital, sem conseguir retornar
para o imóvel
não sei se já estava
com a saúde debilitada
enfim, o fato
é que o aluguel
dela era de
500 euros e
depois das mudanças na lei espanhola
o aluguel dela passou para
2.650 euros
e a aposentadoria
é de 1.400
então assim, esses
números e o fato dessa senhora
ter morrido no hospital
depois de ter sido despejada com uso de
força policial
mostram o absurdo da situação
na Espanha, que não se
restringe a Espanha, que é um processo que também
está ocorrendo, por exemplo, no Brasil
esse processo de gentrificação
tem se intensificado em algumas cidades
e talvez o pior exemplo
disso seja o Rio de Janeiro
onde as pessoas que moravam em Copacabana
estão se mudando para Niterói, as pessoas que moravam
em Niterói estão se mudando para São Gonçalo
e por aí vai
então, e se
essa notícia não te comove
por favor, peça ajuda profissional
sobre sua saúde mental
mas, feito esse registro
vamos lá, o que aconteceu
meu caro Matias, o Pedro
Sanches, ele
apresentou perante o parlamento
no final da semana
passada, no dia 2 de outubro
dois projetos
em relação a
moradia, um pacote ali
para tentar conter essa crise
habitacional e
esses dois projetos foram
depois transformados
em uma votação, apenas
na sexta-feira, dia 2
e dos 350
assentos
178 votaram
contra, e alguns
pode falar assim, mas pô Felipe, se é
parlamentarismo, o governo
deveria ter
maioria, quem
então não votou com o governo
foi os Juntes
da Catalunha
que é o partido
do separatismo catalão
economicamente à direita, você tem
a esquerda catalã
com o perdão da obviedade
e os Juntes, que é o partido
do Carles Puigdemont, o Harry Potter
da Catalunha, votou
contra, dizendo que
aquelas medidas prejudicariam o mercado
imobiliário, prejudicariam as grandes
empresas, etc. Agora
ironia das ironias
é que o Pedro Sanches
só conseguiu
formar o último governo
dele, depois das eleições
por ter oferecido ao
Juntes a anistia
das
lideranças do partido envolvidos
no movimento de independência
e essa
anistia
é extremamente criticada
pela direita espanhola
especialmente pela direita neofranquista
do Vox
que, ao que tudo indica, em caso
de novo pleito
vai chegar ao poder
e uma das coisas que eles vão
tentar fazer é
revogar esse processo de anistia
então
o Juntes da Catalunha tem que decidir
o que eles querem da vida, em outras palavras
mas enfim
nós tivemos o projeto
apresentado pelo governo sendo
rejeitado, e aí na segunda
feira, o Pedro Sanches
anunciou então
a convocação de novas eleições
para 29 de novembro
antecipando
as eleições do ano
que vem, lembrando que
o Pedro Sanches, ele
venceu
as últimas eleições
em 2023, quando ele formou
governo, mas
ele é o primeiro ministro
da Espanha desde
2018, um período
de oito anos, como se fosse
dois mandatos presidenciais brasileiros
e
depois de convocar as novas eleições
na terça-feira
dia 6
ele assinou dois
decretos sobre
a questão habitacional
porque como o parlamento está dissolvido
o parlamento não tem o que votar
então até o parlamento
voltar as suas atividades
o decreto estará
valendo, embora eles serão analisados
ali por um conselho especial
até pra ver a sua validade jurídica
então são
21 medidas que
pretendem ampliar o acesso a moradia
e aluguel, vai investir
10 bilhões
de euros
para financiar o programa
Tu Casa, pra aquisição
de residências principais
vai ser o Minha Casa Minha Vida Espanhol
digamos assim
e a prorrogação
automática de contratos
de aluguel
o que eu imagino que seja
o cálculo do Pedro Sanches
é que entre
a convocação das novas eleições
e a realização do pleito
nós temos aí um período de
mais ou menos 50 dias
e aí nesses 50 dias
a instituição
desses decretos sobre a moradia
favoreceria
a imagem dele
e do partido do PSOE
que é o partido de centro-esquerda
esquerda espanhol
mas mais de centro-esquerda
e possa levar a uma virada
nas pesquisas eleitorais
mas as pesquisas
indicam que esse cálculo
hoje não daria certo
porque
o PP
o Partido Socialista do Brasil
e o Partido Popular
que é o Partido Conservador
liderado pelo Alberto Nunes Feijó
com dois Os no final
está muito à frente
nas pesquisas
com mais de 31%
das intenções de votos
e conseguiria de 130 a 140 cadeiras
das 350
então ficando em primeiro
o PP teria a prerrogativa
de formar o governo
em segundo lugar nas pesquisas
vem o PSOE
com 25, 26%
das intenções de voto
mais ou menos entre 100 e 110 cadeiras
e em terceiro lugar
vem os neofranquistas do Vox
com mais ou menos 18%
das intenções de voto
o que vai dar entre 60 e 70 cadeiras
então
PP mais Vox
igual maioria
e antes que algum ouvinte possa falar assim
mas pô Felipe, será que o PP faria isso?
o Vox é um partido neofranquista
o Vox é um partido que tem posições xenófobas
em três regiões
espanholas nós já temos governo
de coalizão entre PP e Vox
Extremadura, Aragão
e Castile e León
León e Castela em português
então
a direita espanhola já
normalizou a parceria com o Vox
e o que o Vox
vai querer
vai botar a faca
no pescoço do PP
pra formar essa coalizão
as duas principais plataformas
do Santiago Abascal
o líder
do Vox
são a prioridade nacional
ou seja
espanhóis em primeiro lugar
espanhóis entre aspas de verdade
e em segundo lugar a desregulação
de questões econômicas
só que parte da prioridade nacional
meu caro Matias
inclui a remigração
que é um eufemismo
para deportação em massa
só que
qual que é a realidade
espanhola hoje?
Quando você olha para o. propaganda do Vox, que é muito
compartilhada por pessoas aqui no Brasil,
pessoas simpáticas ao
Vox no Brasil, pessoas simpáticas
especialmente
à direita bolsonarista brasileira,
vão
ver o esterótipo do Vox
de que o quê? Todo imigrante
na Espanha é um
homem jovem, de
baixa educação, vindo da África
subsaariana, potencialmente
criminoso, que comete
crimes, que não agrega nada
à economia, nada disso.
Quando você vai olhar pra realidade,
por exemplo,
20%
dos profissionais de saúde
da Espanha são estrangeiros.
A maioria deles vindos da
América Hispânica. Então,
o espanhol vai votar no Vox
mirando nesse imigrante
de esterótipo racista
e vai acertar no
médico colombiano e no enfermeiro cubano.
Porque,
como a gente tá vendo nos Estados Unidos
com o ICE, na hora que você
abre essa porta da remigração
dos espanhóis em primeiro lugar,
amigo, esquece.
Os caras não vão olhar. Ah, não, você é um
cirurgião colombiano que está aqui legalmente
e revalidou seu diploma. Nossa, você tem
mestrado pela Universidade de Salamanca?
Não, você vai lá falar. Ah, você não é
espanhol? Tchau. Você vai ser preso
e depois vão te fazer perguntas, que é o que
tá acontecendo nos Estados Unidos. Prende primeiro
e pergunta depois. Isso quando não aconteceu
em Minnesota, quando atiraram
primeiro e perguntaram depois.
Inclusive matando um cidadão dos Estados Unidos
que, por coincidência, era enfermeiro.
Que trabalhava com veteranos de guerra.
Então,
tudo indica que
a Espanha, daqui a
mais ou menos 50 dias,
terá um governo formado
pela união entre o Partido Conservador
e o Partido
Neofranquista de extrema-direita
do Vox, com
plataformas de remigração
e de espanhóis em primeiro lugar.
E aí, meu caro Matias, tem uma outra coisa
muito curiosa, assim, né? Que alguns
contextos, algumas contextualizações boas
de se fazer. Primeiro,
o período franquista, gente, é um
dos períodos mais sombrios da história espanhola.
Pelo menos a história contemporânea espanhola.
Porque além de ter custado centenas
de milhares de vidas,
eu não tô falando apenas da Guerra Civil. Tô falando
também do chamado Terror Branco, tá?
A Espanha
ficou no isolamento e
num atraso econômico, comparado ao resto
da Europa, absolutamente
abissal. A Espanha,
não passou pela destruição da
Segunda Guerra Mundial como o resto da Europa
e ficou pra trás
comparada com o resto da Europa.
E eu não tô falando comparado, sei lá, com Alemanha,
que sempre foi um sendo do céu. Tô falando, por exemplo, comparado com a
Itália, que também é um país que
tem parte do seu território rural, é um
país mediterrâneo, que tem uma geografia similar
com a Espanha em vários pontos, e que
dois terços do seu território
ficaram devastados com a guerra.
E a Espanha ficou pra trás,
graças ao senhor Franco.
Mas o que importa é que os
comunistas foram derrotados e a Opus Dei
pôde ser
elevada na Espanha.
E segundo contexto interessante
é quando você olha pros índices
macroeconômicos espanhóis.
A Espanha em 2025
cresceu muito mais do que a média
da zona do euro. O desemprego espanhol
tá nos melhores níveis desde a crise
de 2008.
O que acontece é especialmente
a crise de habitação e a inflação.
Só que a inflação na zona do euro
tem muito a ver com o quê? Com a invasão da Alcântara
na Ucrânia e a guerra no Irã.
E ainda a consequência da pandemia.
E tem um outro elemento que a gente não pode
esquecer, né, meu caro Matias, que é
o fato de que esse novo arranjo
certamente vai agradar
os senhores Donald Trump e Marco Rubio.
Que tem muito criticado o Pedro Sanches,
a Espanha. A Espanha não autorizou
o uso do seu espaço aéreo por aviões pra atacar
no Irã. Então, tudo indica
que o cenário espanhol não é
nem um pouco bonito
nos próximos meses.
E dando um contexto histórico
de que um governo formado pelo PP
e o Vox não seria de se escanhar,
cabe lembrar que
a Aliança Popular foi formada
em 1976
após a redemocratização
pelos chamados
Siete Magníficos, dos quais
seis foram ministros de Francisco
Franco. E esta federação
seria dissolvida 13 anos
depois, dando origem
ao atual Partido Popular.
E que só puderam criar um partido
depois que o Franco morreu. Porque se
você podia ser ministro do Franco, mas ter o seu próprio partido
aí já é demais. E, além da
questão de inflação de habitação,
vamos resumir alguns
outros pontos aqui. Primeiro, a gente
mencionou agora a questão da anistia
pra Cataluña.
E que, muito provavelmente, o Juntos
vai acabar dando um tiro no pé.
Segundo, nós tivemos
o caso Zapateiro,
envolvendo o ex
primeiro-ministro
do PSOE, o José
Luiz Rodrigues Zapateiro, que
tudo indica, recebeu
alguma grana
ali, uns presentinhos,
inclusive joias.
Joias são sempre ótimos
presentes. De mais
de um milhão de euros.
E você tem uma discussão
interna na Espanha, muito parecida
com o que você tem em vários
outros países, inclusive o Brasil,
sobre a política em relação a
Gaza e Israel. Lembrando que o governo
Pedro Sanches é um dos mais incisivos
no mundo sobre o fato
de que o que está ocorrendo em Gaza é uma
política genocida. E, do lado
do PP, nós temos
especialmente a questão
da queda de qualidade de serviços públicos,
como os acidentes
de trem, blackouts,
e o papel
dos governos do PP
em desastres ambientais,
especialmente naquelas enchentes em Valência,
em 2024,
que deixaram
centenas de pessoas mortas.
E, nos
últimos meses,
o tema do nosso programa de retorno
de recesso de meio de ano, que foi
a crise em Ceuta, que também tem
dominado parte do discurso público
espanhol. Então, assim,
claro que não é apenas a questão da habitação.
Espanha é um
país relativamente
grande. Você tem aí
mais ou menos. A população espanhola
é mais ou menos uns 50 milhões,
um pouquinho menos. Então, obviamente, você tem
outros temas, outras pautas, mas
claro que a questão da habitação,
e a principal pauta do Vox,
é a da remigração. Porque é o
discurso fácil, é o discurso
simples. Porque quando você olha
para o que está ocorrendo
na Espanha,
você vai ter, de um lado,
autoridades do PP,
como a Isabel Dias Ayuso,
falando que não,
o problema da moradia vai ser
suprido pela iniciativa privada
e o excesso de regras
que é o problema. Você vai ter o
PSOE dizendo, olha só, não,
o problema são os especuladores,
o Estado tem que
subsidiar a moradia e o aluguel
tem que ser controlado para evitar a especulação.
Que é o debate clássico
entre social-democratas
e conservadores
liberais econômicos.
Felipe, eu fui até conferir aqui a
população espanhola e, de acordo
com a estatística contínua de
população do Instituto Nacional de Estatística,
são quase 50 milhões
de pessoas que vivem
na Espanha, mas,
é curioso que as ferramentas de busca
já mostram a quantidade
de pessoas nascidas no estrangeiro
que vivem na Espanha,
que são mais de 10 milhões.
E a taxa de natalidade
da população imigrante
é crescente, enquanto
que da população nativa
da Espanha diminui.
Tem um decréscimo de
filhos de espanhóis
nascendo atualmente.
E essa distinção que você trouxe
é interessante, porque isso,
pessoal, afeta o número de eleitores.
A Espanha, eu fui conferir,
na última eleição, foram 37 milhões
e meio de eleitores registrados.
25 milhões foram
as urnas. Mas,
só para concluir o raciocínio, você tem
esse debate clássico entre
social-democratas e conservadores,
falando, olha só, subsídio
para moradia, controle de aluguel, função
social do imóvel, que é a Dan Smith,
sempre lembro isso, e do outro lado
os conservadores falando, não, iniciativa privada
tem regra demais. E aí, chega o Vox
com a solução fácil
do populismo, a pílula
mágica, dizendo, a culpa é do estrangeiro.
Se você deportar um monte
de gente, vai ter mais
imóveis para os, entre aspas,
espanhóis de verdade.
E aí, nisso, você
deporta o médico colombiano
e dane-se se você ficar
com um problema de oferta de profissionais
de saúde, por exemplo.
Enfim, então,
essas foram as atualizações
sobre o cenário espanhol. Lembrando que a gente
falou das manifestações também
no programa passado.
Agora a gente cruza os Pirineus
e vamos para a França,
já que cerca de
250 mil estudantes
franceses
protestaram nessa semana
em mais de uma dúzia de cidades,
sendo cerca
de 60 mil apenas
em Paris.
Especialmente os estudantes
chamados de secundaristas, o que
no Brasil a gente chama de ensino médio.
Por quê?
O Ministério da Educação constata
que no último ano letivo
quase 10% das horas
de aula não foram ministradas no ensino
secundário pela falta de professores.
Além disso,
os estudantes reclamam de problemas de
infraestrutura, como até mesmo
falta de cadeiras e turmas muito grandes
e também a questão das mudanças
climáticas, já que
as escolas francesas não são
preparadas para operarem sobre um calor
de 35 graus.
então você não tem ar condicionado
Você não tem esse tipo de infraestrutura.
E também há muitas críticas ao sistema online, o Parcoursup,
que é o sistema online de candidatura universitária do país.
É como se fosse o Sisu deles.
E nós estamos tendo esses vários protestos.
Já são milhares de estudantes que foram detidos,
mas depois eles são liberados, a maioria, porque são menores de idade.
As autoridades francesas anunciaram que apenas em Paris
foram pelo menos 305 policiais feridos.
Pelo lado dos estudantes, eles já comentam também
centenas de pessoas, tanto alunos quanto funcionários,
que ficaram feridos nas manifestações.
Um estudante, inclusive meu caro Matias,
perdeu a mão em uma das manifestações
e, por conta da repercussão desse episódio,
que ocorreu em Lens, no norte da França,
a França suspendeu o uso de granadas de efeito moral
pela polícia nessa última quarta-feira, dia 7.
E outra imagem que circulou bastante foi a do prefeito de Saint-Denis,
que participou de um cordão humanitário,
protegendo os estudantes e acabou sendo atingido por gás de pimenta.
Ele que assumiu o cargo.
No começo desse ano, a gente repercutiu a notícia,
o Bali Bacaíba.
E o ministro da Educação, o Eduard Jeffray,
ele se encontrou com lideranças estudantis.
Além disso, o primeiro-ministro, o Sebastián Lecornu,
Sebastián Oxifrudo,
disse que o governo vai propor melhorias no orçamento de 2027
para melhorar a oferta de professores.
Porém, os líderes da representação dos estudantes,
que é. que foi estabelecido em 2023,
em substituição à União dos Estudantes anterior,
disseram que os compromissos oferecidos não eram o suficiente,
que as manifestações continuariam.
E também por conta da continuidade das manifestações,
várias escolas, centenas de escolas,
suspenderam as aulas essa semana.
E enquanto tudo isso ocorria,
enquanto as ruas de Paris,
enquanto as ruas de Paris,
enquanto as ruas de Paris,
estavam pegando fogo e o pautorando por conta dos protestos,
o Emmanuel Macron, no dia 6 de outubro,
e a nossa querida Fran Becker disse que ele provou com isso
que era o Michael Scott do Eliseu,
e se deu crédito a gente,
ele foi a bordo de uma fragata da Marinha Francesa
assistir o primeiro teste do novo míssil balístico nuclear da França,
com capacidade nuclear,
lançado de submarinos.
É a versão 3.0, digamos assim, do míssil M51.
M51.3, para quem quiser procurar mais informações sobre o teste.
Agora, esse teste é importante,
apesar da piada, apesar da brincadeira,
porque é também um claro recado da França,
buscando projetar a sua influência no resto do continente,
para lembrar aos países europeus
qual é a retórica do Macron.
Olha só, nos Estados Unidos, o governo Trump não é confiável,
mas podem ficar tranquilos,
porque a França também tem armas nucleares.
É claro que o arsenal nuclear francês
é muito menor do que o arsenal nuclear
tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia.
Mas é um arsenal nuclear suficiente para destruir o mundo algumas vezes.
Lembrando que as bombas nucleares vão destruir o mundo,
elas vão deixar o mundo inabitável.
O mundo vai continuar, só que sem a gente.
A gente que vai ser o problema.
E o Macron também disse, meu caro Matias,
que os protestos dos estudantes estão sendo alimentados
e incentivados pela extrema esquerda,
pelo França em submissa,
pensando nas eleições do ano que vem.
Agora, o que é importante de destacar, meu caro Matias,
é que os protestos na França acabaram inspirando,
inspirando protestos similares na Bélgica.
Começaram na região francófona da Bélgica, em Liège,
mas depois os protestos também foram para Bruxelas
e para a região da Valônia.
Então, também temos protestos de estudantes na Bélgica,
também com centenas de pessoas detidas
e também imagens de repressão e tudo mais.
Dos protestos estudantis,
a gente começa a ver que o Brasil está em uma situação
em que a gente continua na Bélgica,
mas para citar duas notícias da União Europeia,
já que as principais instituições da União Europeia
são em Bruxelas.
Nós vamos aproveitar para citar aqui primeiro.
A União Europeia enviou o comissário
para a Segurança Econômica e Comércio,
o Maros Sefcovitch, para a China,
se encontrar com o seu homólogo chinês,
ele que é eslovaco,
para conversarem sobre um eventual
inclusive acordo comercial.
E a principal preocupação europeia, melhor dizendo,
é em relação aos carros elétricos chineses.
E a Associated Press usou uma expressão
dizendo que o que está ocorrendo
é que a Comissão Europeia está pensando
em usar uma bazuca comercial contra a China,
que seria basicamente uma série de medidas
à moda Trump, incluindo aí,
possíveis tarifas sobre produtos chineses.
E a outra notícia envolvendo a Europa
é que a União Europeia vai organizar,
junto com uma organização chamada
Desinfolab, ou seja,
o Laboratório da Desinformação,
vai realizar um evento, uma conferência,
sobre desinformação online
e o papel das big techs
e o papel dos estados.
E o governo dos Estados Unidos
está fazendo um lobby ativo
para enfraquecer e minar essa conferência.
Essa informação é da agência Reuters,
numa matéria assinada por Rafael Sater,
Sater com dois T's,
e Rumeira Pamuk.
Agora, da Bélgica, nós vamos para o Reino Unido.
Começando pelo fato de que os Estados Unidos
retiraram os seus bombardeios
da base aérea de Fairford,
aquela do incidente da semana passada
que está sob investigação.
Eles foram enviados para os Estados Unidos
e, claro, pode ser parte também
de um contexto do Donald Trump
adiando novos ataques contra o Irã
para depois das eleições de midterms.
Outra notícia envolvendo uma base aérea britânica,
mas agora a base aérea de Molesworth,
dois cidadãos letões foram presos
sob suspeita de terem violado
o perímetro de segurança da base.
A base que, além de aviões,
além de aviões da Força Aérea Real Britânica,
também cedia as operações de inteligência
dos Estados Unidos na região
e um quartel, uma sede da OTAN
de inteligência no Reino Unido.
Agora nós vamos para notícias britânicas,
começando pelo fato de que
o Banco da Inglaterra,
que é o Banco Central do Reino Unido,
anunciou que as notas de Libre Sterlina inglesas
vão ganhar uma nova identidade.
E agora teremos o quê?
Animaisinhos nas notas,
a partir do voto popular, inclusive.
Então teremos porco-espinho,
aluja e a famosa
bufftail bumblebee,
que é aquela abelha bunduda,
tipicamente britânica,
que vira cartoon, etc.
E é curioso, né, Matias,
porque a gente já falou aqui algumas vezes
da discussão que sempre vira e mexe
e ocorre em alguns países.
Eu lembro muito do caso argentino
de substituir caras de pessoas
nas notas por animais
para evitar, digamos assim,
polêmicas políticas,
para evitar a apropriação da história,
esse tipo de coisa.
Então você substitui por imagens da fauna do país,
o que o Brasil fez com as notas de real, inclusive.
Qualquer ouvinte nosso, por exemplo,
que for ali no Museu do Itaú Cultural
na Avenida Paulista,
vai poder ver cédulas antigas brasileiras.
E se você não sabe,
as cédulas brasileiras já tiveram rostos de pessoas.
E é muito curioso que, dependendo do período,
tem um tipo de pessoa nela.
Então, em alguns momentos,
eram mais militares ou ex-presidentes,
Eu gostava da nota do Gaúcho.
Então, aí você tem essas mais. Entre essas abstratas. Que é a da baiana. Aí tiveram as notas,
não lembro se de Cruzeiro, Cruzado Novo,
com os poetas, escritores. Cientistas. Isso, né?
Que foi depois da redemocratização.
Então, para evitar isso, põe os bichinhos.
Todo mundo gosta de bichinho.
Quer dizer, quase todo mundo, né?
Infelizmente, mais pessoas deveriam gostar, talvez.
E o Reform, o líder do Reform,
o Nigel Ferd, já está reclamando
Por quê? Porque Winston Churchill vai deixar
deixar de estar nas notas.
Winston Churchill, uma pessoa
muito amada na Índia,
na Nova Zelândia, na Austrália.
Se você não sabe do que eu estou falando,
o Winston Churchill
não ligava para indianos, ele matou
indianos deliberadamente de fome
e ele usou as tropas
anzáquia, australianas e neozelandesas,
como bucha de canhão na Primeira
Guerra Mundial, porque a morte deles
não causaria tanto impacto
político na carreira dele.
Outras notícias
britânicas, meu caro Matias, é que a sentença
de cinco
ex-operadores
do mercado financeiro
que haviam sido condenados
pelo escândalo Libor
em 2012, que é um dos maiores escândalos
financeiros da história,
eles tiveram
suas sentenças
anuladas com a
Suprema Corte Britânica, dizendo que o processo
original tinha vícios
processuais.
Se você não sabe do que eu estou falando,
especialmente se você trabalha com finanças,
com economia, enfim, procure
sobre o escândalo do Libor.
Libor é uma sigla para
London Interbank Offered Rate.
Em 2012, nós tivemos um grande
escândalo em que as taxas
de juros
e também as taxas de conversão foram manipuladas
e muita
gente ganhou muito dinheiro.
Enfim, isso foi
boa parte varrido para debaixo do tapete.
Posteriormente,
sobre a justificativa de você criar o sistema
europeu que substitui
o Libor. O Libor foi abolido.
Mas, enfim, é um tipo de leitura interessante.
E agora, meu caro Matias,
uma outra notícia do Reino Unido,
mas que mostra
um assunto que a gente sempre aborda aqui.
Nós temos um podcast que fala sobre isso,
chamado Fronteiras Invisíveis do Futebol.
Por quê?
No Reino Unido, a Premier League
terminou, depois de muitos
anos, a sua investigação sobre
o Manchester City.
A cidade de Manchester, que é uma das principais
britânicas, tem dois times tradicionais.
O Manchester United, que
ganhou muitos títulos, é muito tradicional.
E o Manchester City, que é muito tradicional
também na cidade,
mas que, até
o início do século XXI, não tinha tantos
títulos assim. Ele era mais conhecido por
ser o time dos irmãos Gallagher do Oasis.
Não, é sério. As pessoas
só sabiam desse Manchester City porque
o irmão Gallagher falava um deles.
E aí, o Manchester City foi adquirido
basicamente pelos Emirados Árabes Unidos.
Foi ali por um fundo, mas
pelos Emirados Árabes Unidos.
E virou uma máquina
de contratação. Por
quase uma década, teve o que
é considerado o principal treinador
do futebol das últimas décadas,
que é o Pepe Guardiola.
Gastou muito dinheiro e ganhou
muitos títulos. Ganhou título inglês,
ganhou Champions League, etc, etc, etc.
E agora,
a investigação da Premier League
descobriu que o Manchester City
não violou as
regras financeiras da Premier League
uma vez, duas vezes,
cinco vezes,
mas 115
vezes
entre 2009 e 2018.
Quem nunca? Pois é, quem nunca
disfarçou 900 milhões
de libras esterlinas
nos orçamentos. E
antes que o ouvinte pense isso, não
necessariamente quer dizer
crimes. Ou seja, não quer dizer necessariamente
que foi uma lavagem de dinheiro, por exemplo.
Mas violou as regras do campeonato, porque você tem
ali as regras do fair play financeiro.
Um clube não pode
arrecadar 10 e pagar
30 de salários. Você tem que ter um
equilíbrio para evitar
que ocorra o que
o Manchester City fez, mas especialmente
o exemplo do fair play
financeiro da UEFA,
quando ele foi acordado,
o grande exemplo era o Chelsea
do Roman Abramovic. Que o Roman
Abramovic chegou, comprou o Chelsea, botou um monte
de dinheiro lá e começou a contratar
todo mundo e tal. Enfim,
por que nós estamos falando
disso, meu caro ouvinte? Porque a
Premier League vai
determinar a sentença
do Manchester City. Que pode
ser multa, pode ser perda
de ponto, pode ser rebaixamento,
tem gente que especula
até a cassação de títulos,
como ocorreu com a Juventus na Itália,
mas por aí crimes mesmo,
aí envolvia manipulação de arbitragem.
E segundo o jornal Telegraph
do Reino Unido, que é um dos jornais
mais tradicionais do Reino Unido, é um jornal muito ligado
a partir do conservador, por isso ele tem um apelido
depreciativo de Torigraph, inclusive.
Segundo o Telegraph, os
Emirados Árabes Unidos mandaram
um recado para o governo britânico.
Se vocês punirem
o Manchester City,
os Emirados Árabes Unidos
vão tirar bilhões
e bilhões de libras da
economia britânica. Isso obviamente
não foi feito publicamente,
isso obviamente não é algo público notório,
mas o fato é que
tem essa reportagem,
essa denúncia do Telegraph
e o caso do Manchester City é bastante
grave. Então,
a conexão entre futebol e política internacional
não é tão abstrata
assim, né meu caro Matias? Pois é, Felipe,
no começo da operação, muitas pessoas
se perguntavam qual era o interesse
dos emiradenses em adquirir
um clube de futebol que não conquistava
um título inglês desde o final
dos anos 60. Mas essa
não é uma operação com fins
esportivos ou econômicos,
mas sim de relações políticas
e de posicionamento,
algo que é sintetizado pelo
termo Sportwashing.
E agora, o Grupo City
aparentemente chantageia
o governo britânico
em benefício próprio.
É curioso, né? Porque eu tenho certeza
que a gente vai ter algum ouvinte, provavelmente
mais novo, que se identifica como torcedor do
Manchester City. E não tem problema nenhum isso.
Mas, pra eu e você
que gostamos muito de futebol,
talvez até demais, e a gente acompanha futebol
há certo tempo, o ídolo do Manchester City
pré-compra, o ídolo
recente, era o Paulo Lanchope,
que foi o centroavante
da Costa Rica na Copa de 2006.
Quando eu e o Felipe começamos
a ver futebol estrangeiro,
o Manchester City estava na terceira
divisão inglesa. Isso, isso.
Isso não é uma hipérbole. É que o
Manchester City é de uma cidade tradicional
e tem uma característica que você
já destacou uma vez, né?
Em Manchester, a torcida do City costumava
ser maior do que a do United, né?
Porque até, tipo, um grande. torcedor pré, os irmãos
Gellinger, é o Ian Curtis, né?
Do Joy Division. Por que você sabe o time
do cara do Joy Division? Porque eu gosto de Joy Division.
E eu sempre achei que
todo o Joy Division era ligado
ao United, mas o Ian
Curtis torcia pro City.
Então, né? Vamos ver
como é que fica a paixão
número um britânica.
Quer dizer, a paixão número um britânica é apostar.
A paixão número dois
é o futebol. E assim, a brincadeira
que a gente fazia com o Neymar, quando ele jogava no PSG,
a gente falava que o Neymar era o funcionário
público mais bem pago do mundo, porque ele era o funcionário
público do Catar. O Pepe Guardiola,
ele era funcionário público dos Emirados
Árabes Unidos. O Haaland é funcionário público
dos Emirados Árabes Unidos.
Então. E o Felipe Melo
já disse que tem que caçar
o Mundial. Porque o Fluminense
seria o campeão. É.
O Felipe Melo já se
pronunciou e. Enfim. E agora
nossos ouvintes da Bahia devem perguntar,
tá, e como isso afeta o esporte
clube Bahia? É, o. É, aproveita e come. Por que isso?
Porque tem o time do Grupo City
no Uruguai também, que você deve acompanhar
mais do que o Bahia. O Montevideo City
Torque, né, que
vai disputar a semifinal da
Sul-Americana também,
contra o Atlético Mineiro,
e no momento ele tá brigando também pelo
título uruguaio. É que assim,
o campeonato uruguaio é um pouco
abstrato de explicar, porque você
tem o Apertura e o Clausura,
o campeão de cada turno,
disputa uma semifinal pra enfrentar
o clube com mais pontos
na tabela anual, porque ainda tem o
torneio intermédio entre
os dois turnos. Então, no
momento o City Torque tá em terceiro
na tabla anual e tá
em segundo no Clausura, né?
Mas, então, pode ser
campeão uruguaio também e tá aí
na disputa pela Sul-Americana
contra o Clube Atlético Mineiro.
Bem, meu caro Matias, agora a gente
vai do Reino Unido
pra Alemanha, mas pra fazer
essa transição, a gente
vai falar justamente do encontro
essa semana entre o
Andy Burham e o
chanceler da Alemanha, o Friedrich Merz,
que se encontraram em Berlim
e ambos os países
anunciaram uma parceria para
conter sabotagem
e cyber-ataques
e o Reino Unido,
na declaração, nomeou a
Rússia como razão
dessa nova iniciativa,
dizendo que os adversários, especialmente
a Rússia, estão representando
uma ameaça híbrida a toda a Europa.
E a outra notícia é que
o Reino Unido teria
convidado a Alemanha
para entrar no Global
Combat Air Program,
que é o programa que busca
desenvolver um caça de
sexta geração, formado
por Reino Unido, Itália e Japão.
Lembrando que você tinha
o projeto entre Alemanha e
França, esse projeto
aparentemente ruiu, e
agora tem essa possibilidade da Alemanha
entrar nesse projeto britânico.
O que é aquela coisa,
a história não se repete, mas ela
rima muito, porque no final
dos anos 80, os europeus
falaram, vamos desenvolver um novo avião
de caça, um avião de caça europeu.
E aí a França falou, não, não, não,
eu quero fazer o meu próprio,
porque eu quero beneficiar a minha empresa, a Dassault.
E aí a Dassault fez o projeto
do Rafale, e Itália,
Alemanha e Reino Unido fizeram
o Eurofighter, que
Teve esse nome, que depois foi rebatizado
como Tufão, Taifun, mas
era o Eurofighter. Agora, a única diferença
é que adicionou o Japão nessa
equação. Enfim,
os europeus, mostrando que em 40
anos, não aprenderam
a lição de todo anime,
de todo desenho infantil,
que é o poder da amizade.
Porque se tivesse aprendido sobre o poder
da amizade, faziam o programa unificado.
Agora nós vamos
para a Alemanha, meu caro
Matias, com duas
notícias, ambas
bastante importantes, bastante significativas.
Uma delas é
que o August Hanning,
de 80 anos de idade,
foi preso essa semana.
E alguém pode vir lá e falar assim,
Felipe, quem é August Hanning?
Ele chefiou
o Serviço Federal de
Inteligência da Alemanha,
de 1998
a 2005, e ele foi
preso pelo fortes
suspeitas de espionagem
traidora,
e venda
de segredos de Estado.
O Serviço Federal
de Inteligência da Alemanha, gente, é
o equivalente alemão da CIA,
do MI6,
da antiga KGB,
enfim, do serviço que vocês
quiserem comparar, do Mossad.
E o Serviço Federal
de Inteligência da Alemanha é um serviço
de inteligência, com perdão na redundância
da palavra serviço, bastante
capilar, bastante presente por toda
a Europa, e bastante capaz.
Então, esse senhor
teve e continuou
tendo acesso
a muitas informações sensíveis.
As reportagens sobre a prisão
dele deixam muito claro
que o país suspeito
pra quem ele vendeu as informações
não é a Rússia,
mas não especifica
qual país. Outras reportagens
mais
especulativas e comentários
anônimos falam
que o país é,
é o Azerbaijão.
Citando aqui
a Der Spiegel. Então, ele
vendia informações para o Azerbaijão.
O Azerbaijão dificilmente seria
o destino final dessas informações.
O Azerbaijão, nesse caso,
pode, claro, se beneficiar
de informações também, né, sobre
o Cáucaso, mas, a partir
do Azerbaijão, nós temos outros
três ramificações possíveis.
Rússia, embora hoje
em menor grau, e repito,
as reportagens são claras em destacar,
a Rússia como o
destino final, como o agente
estatal, né,
que subornou, que, enfim,
contratou ele. Israel,
que é um grande aliado do Azerbaijão,
e a Turquia, que é o outro grande aliado
do Azerbaijão. Porque, assim,
ele não vendia informações pro Azerbaijão
pra essas informações depois irem parar na Armênia,
que é o grande rival
do Azerbaijão e é visto pela
ditadura do Aliév como um inimigo existencial.
Os aliados do Azerbaijão
são Turquia,
Israel, e a Rússia
ainda tem
uma influência
residual na estrutura
de poder azerbaijana. Por que eu digo
ainda tem e residual?
Porque, pros nossos ouvintes,
que não sabem, ou que talvez não se lembrem,
o Azerbaijão, depois
da guerra de 2016
com a Armênia, entre
2016 e 2020, o Azerbaijão
faz um verdadeiro expurgo
nas suas forças armadas,
aposentando, ou,
colocando em cargos menores
oficiais formados ainda no
período soviético, e promove
rapidamente novos oficiais
formados na
Turquia, posteriormente.
Então, hoje, a influência
russa nas forças armadas azerbaijanas
é muito menor do que já foi, e as
forças armadas azerbaijanas são, praticamente,
uma divisão
das forças armadas turcas.
Por que isso ocorreu? Porque,
em 2016,
os azerbaijanos
consideram que a influência,
a influência russa, que impediu
uma vitória maior do Azerbaijão
depois de quatro dias de guerra, e que
os russos só conseguiram mediar a situação
porque os generais azerbaijanos
tinham esse contato
com a Rússia, tinham essas portas
abertas, e serviram
nesse canal diplomático clandestino.
Então, para evitar, entre
aspas, esse problema, a Turquia
virou e falou assim, olha só,
vocês têm esses oficiais aí, antiquados,
soviéticos, e os seus mais novos
estão sendo treinados na Turquia, a gente é
o país da UTAM, a nossa academia militar é mó
boa, a gente é tudo turco aqui,
promove esses caras. Então,
a influência militar russa hoje no Azerbaijão
é muito pequena, mas ainda existe.
Então, essa é a primeira notícia. Não é
uma notícia desprezível. É como se um
ex-diretor da CIA tivesse sido
preso, acusado de vender segredos
de Estado. E a outra notícia,
meu caro Matias, é que
eu vou reproduzir
aqui um
tweet que viralizou na Alemanha.
Tobias Rausch se
torna o primeiro presidente parlamentar
de um Estado na Alemanha
de extrema-direita desde
Hermann Goering. Hermann Goering,
pra quem não sabe, foi um braço direito de Adolf Hitler.
Ele foi um asse da Primeira Guerra
Mundial, foi um dos primeiros nazistas,
foi condenado em Nuremberg
e, no lugar de aceitar a sua
pena, sua condenação, ele
usando ali favores de um guarda,
ele tirou
a própria vida na prisão. E, recentemente,
foi interpretado pelo Russell Crowe
num filme sobre o julgamento de Nuremberg.
Eu não assisti o filme, então não posso comentá-lo
ainda. Mas por que o que aconteceu, meu caro
Matias? Recentemente, tivemos
eleições, né, no
Estado da Alemanha de
Saxônia-Anhalt
e o Alternativa para a Alemanha,
o AFD, o Partido de
Extrema-Direita Alemão, ficou em primeiro naquelas
eleições. E eles conseguiram
eleger o presidente do
parlamento regional,
que será o Tobias Rausch.
Ele é um
parlamentar local desde 2016
e é o seguinte, pra ele se
tornar presidente do parlamento, ele recebeu
48 votos.
A AFD tem 39 parlamentares.
Da onde vieram
os outros 9 votos? O voto
pra presidente do parlamento é
secreto. Então a gente não tem
como saber. Mas o que se
especula na Alemanha é que
a Aliança Saravagenek,
que é o partido de extrema
esquerda, mas que compartilha
com a AFD posturas
sobre questões de minorias
e também a visão sobre
a Rússia e a guerra na Ucrânia,
teria votado a favor dele,
o que dá 5 votos, e 4
integrantes da CDU,
o Partido Conservador.
O ministro da Defesa
e o primeiro-ministro da Alemanha,
o chanceler da Alemanha, já condenaram
isso, falando que isso seria
inaceitável. E agora a grande
questão é, para você eleger
o que seria o governador
do Estado, o ministro,
o presidente, o voto não é secreto.
E esse voto será
no dia 7 de dezembro.
No dia
5 de dezembro,
nós teremos a convenção
estadual da CDU,
o Partido Conservador,
onde os deputados
da CDU vão definir
se vão votar ou não por
um ministro-presidente
da AFD. E,
sinceramente, se a CDU
votar por um ministro-presidente da AFD,
o governo Frederic Merz,
não existe em 2027.
Então, temos essa
outra notícia importante
da Alemanha. E, como
correlação, eu recomendo
a reportagem publicada no dia 3
de outubro, na Folha de São Paulo, do
José Henrique Mariante,
sobre o fato de que,
no Estado da Saxônia, mais especificamente
na cidade de Heidenau,
de 15 mil habitantes,
a AFD votou contra
as placas de memória
do Holocausto. Aí você não quer
que a gente chame os caras de neonazistas.
Da Alemanha, meu caro Matias, vamos para
a Noruega, já que
amanhã teremos o anúncio do Nobel
da Paz. Não sei
se dará tempo de a gente colocar no programa,
enfim, talvez dê ou não, não sei,
acho que não. Mas, de qualquer maneira,
a escritora canadense
Annie Carson venceu o
Nobel de Literatura,
anunciado nessa quinta-feira,
dia 8.
Os outros nobeis
já anunciados,
são de Fisiologia e
Medicina. Foram
para Carl Deiseroth,
Peter Hegemann e
George Nagel, pelos
trabalhos de Optogênica.
Já em Física,
o Francis Housen,
um belga com também
cidadania nos Estados Unidos, venceu o
Nobel pelo seu trabalho
com Astrofísica de Alta Energia.
E, em Química,
foram laureados
Henri Cagan, da França,
e Kenzo Soai,
do Japão,
pelos seus trabalhos
em Síntese Orgânica
Assimétrica.
E, pela centésima
primeira vez,
todos os nobeis
das áreas do conhecimento
científico,
ou seja, Física,
Fisiologia e Medicina e Química,
foram apenas para homens.
Foram seis laureados,
todos homens.
E, dos seis laureados,
apenas um não é um homem branco.
Não foi exatamente o prêmio mais diverso
do mundo. Inclusive, até por isso,
eu não vou fazer a piadinha que a gente faz todo ano
em que eu peço para o Matias explicar o Nobel de Química.
Mas, da Noruega,
meu caro Matias, a gente vai para
a Letônia,
já que tivemos eleições no último dia
3 de outubro.
E o primeiro
ministro, Andris Kuhlbergs,
Andris Kuhlbergs,
ministro desde maio, saiu
vencedor das eleições, com 41 assentos e 36% dos votos.
Ele que é o líder da Lista Unida, que junta conservadores e verdes.
Uma espécie de centrão letão.
Rima não intencional.
Só que são 100 assentos, então o número mágico é 51.
Ele precisa de mais 10, vai ter que fazer coligação com alguém.
Em segundo lugar, ficou o partido de extrema-direita Letônia I.
Em terceiro lugar, ficou a Aliança dos Jovens Letões,
que é também um partido de direita conservador.
Em quarto lugar, a Aliança Nacional,
que é um partido também com elos com alguns movimentos de extrema-direita na Letônia.
E depois os progressistas, que é o Partido Social Democrata.
Com 10 assentos.
E em último, em sexto, ficou o Nova Unidade,
que é o partido regionalista letão,
que pretende representar, inclusive, algumas minorias na Letônia.
E, assim como o partido do governo, um partido pró-União Europeia.
Lembrando que na Letônia, o cálculo de esquerda e direita tem um fator regional importante,
que é a questão dos falantes de russo na Letônia.
A Letônia, ela tem. Ela tem uma parcela razoável da sua população, que é falante de russo,
mais ou menos de 20% a 25% da população.
A maioria desses partidos tem posturas mais à direita,
e você tem como reação partidos também de direita ou de extrema-direita nacionalistas
contra essas minorias russas.
E, inclusive, nos últimos anos, você teve um processo de que muitas pessoas dessa minoria falante de russo
perderam o direito a voto.
Porque não puderam comprovar a sua cidadania, enfim, devido ao processo de dissolução da União Soviética,
especialmente os mais idosos.
Então, quando eu falo que na Letônia você tem muitos partidos de direita,
é porque você tem como se fosse o partido de direita letão e o partido de direita dos russos.
Tem esse cálculo.
Falando de forma bem resumida, claro.
Mas o fato é que o primeiro-ministro vai continuar no cargo, resta ver com que aliança.
Da Letônia, meu caro Matias, a gente vai passar rapidamente pela Polônia.
Tá?
Pelo fato de que. Pelo fato de que viralizou aqui no Brasil, e muitos compatriotas nossos até curtiram, gostaram, compartilharam,
o fato de que um deputado polonês postou uma foto sobre duas brasileiras que residem na Polônia
e foram votar nas eleições brasileiras usando pins do PT.
E ele dizendo que aquilo era uma apologia do comunismo, o que seria proibido na Polônia,
e que ele iria colaborar com as. Deportações delas.
Esse deputado polonês, o Dominik Tarczynski, eu não lembro se a gente citou ele aqui,
mas a gente já falou de uma questão muito importante pra ele, que é o seguinte,
ele nega a participação polonesa no Holocausto, e ele nega que a Polônia tenha ou já tenha tido antissemitismo.
Ele, inclusive, perseguiu juridicamente. Uma historiadora polonesa especialista em Holocausto, a Bárbara Elgelking.
E nós falamos disso no programa 127, de 2 de fevereiro de 2018, com a presença da Tupá Guerra,
porque naquela época, naquele momento, a Polônia havia promulgado a sua nova lei sobre o Holocausto,
em que basicamente é proibido dizer que poloneses tiveram participação no Holocausto.
E poloneses tiveram uma participação no Holocausto.
Uma participação que não é desprezível.
Os campos de extermínio nazistas eram na Polônia ocupada, isso é fato,
mas muitos e muitos poloneses participaram do Holocausto, por diferentes motivos.
Alguns por antissemitismo, porque concordavam com aquilo.
Outros porque viam nessa colaboração uma maneira de sobrevivência.
Eu preciso colaborar com as autoridades nazistas, senão vão. Se não me perseguir, se não vão perseguir minha família.
Enfim, vários motivos.
Mas o fato histórico é, poloneses participaram do Holocausto.
Muitos de forma voluntária.
E nós falamos disso naquele programa de 2018.
A direita, tanto a direita conservadora, mas também a extrema direita polonesa,
negam esses fatos históricos para sanitizar a própria história polonesa.
E existe uma retórica muito maior antissoviética do que antinazista,
na Polônia contemporânea.
E essa questão dos símbolos do comunismo, inclusive,
ela tem muito mais a ver com o passado polonês de ocupação russa
e depois a invasão soviética em 1939.
Mas durante uns 150 anos, mais ou menos, não existiu Polônia.
A boa parte da Polônia era parte do Império Russo,
uma outra parte era parte do Império Alemão,
outra parte era parte do Império Habsburgo.
Inclusive, Varsovia era a terceira maior cidade do Império Russo.
E depois que os poloneses. Se revoltam contra o domínio russo, em 1830,
você tem o grande levante polonês,
que a repressão czarista vai ser absolutamente brutal,
ao ponto do Papa condenar a repressão.
A Rússia czarista, inclusive, vai converter muitas igrejas católicas na Polônia
para igrejas ortodoxas, forçadamente.
Vai converter as imagens, vai converter a arquitetura, enfim.
Vai reconsagrar os prédios.
Então, a Polônia tem uma série de particularidades históricas,
mas esse deputado, que foi aparentemente abraçado como herói
por algumas pessoas aqui no Brasil e que é aliado da família Bolsonaro,
ele é um líder da extrema-direita polonesa que nega a história do próprio país
por uma versão sanitizada e completamente mentirosa da história polonesa,
que é uma história que tem aspectos fascinantes
e também tem aspectos trágicos e criticáveis,
como a história de qualquer população, a história de qualquer país.
Da Polônia, meu caro Matias, nós vamos para outro país europeu de maioria católica.
Estou usando aqui a religião como transição,
já que na Itália nós tivemos a aprovação de uma reforma eleitoral
que tem sido criticada pela oposição por beneficiar o próprio governo da Georgia Meloni,
já que faltam apenas alguns meses para a próxima eleição italiana.
E o governo alega que essa nova lei vai promover,
promover a estabilidade política para facilitar a formação de maiorias.
O que vai acontecer agora na Itália é que a Itália vai adotar o proporcional puro
e não mais o sistema misto de distribuição de cadeiras.
Em outras palavras, vai ser mais difícil para partidos menores conseguirem cadeiras.
Além disso, o voto dos cidadãos italianos,
no exterior, vai valer menos.
Vão eleger menos cadeiras.
Lembrando que você tem cerca de 5 a 6 milhões de eleitores italianos fora da Itália
e mais da metade deles estão fora da União Europeia,
especialmente na América Latina,
porque Brasil e Argentina são os países campeões em nacionalidade italiana fora da Itália.
Porque embora você tenha mais descendentes,
nos Estados Unidos,
nos Estados Unidos eles não se, entre aspas,
se dão ao trabalho
de tirar o passaporte italiano,
a cidadania italiana, ao contrário do que acontece
na América Latina.
Então, eu estou falando de cabeça,
eu peço desculpa se eu estiver falando bobagem,
mas, salvo engano, Brasil e Argentina
são os países com mais
pessoas que adquirem a cidadania italiana
que não é a cidadania de nascimento.
Pelo menos proporcionalmente.
Então,
tivemos agora
essa reforma e que
a oposição alega, com uma certa
razão, que é uma reforma que
busca beneficiar o próprio governo
no poder.
Da Itália, meu caro
Matias, vamos para a
Bósnia, já que nesse dia 4 de
outubro tivemos as
eleições presidenciais
na Bósnia.
Lembrando que a
Bósnia tem uma presidência
tripartite.
Você, cada comunidade,
de Bósnia, elege
o seu representante.
Então, no caso,
a presidência dos
bósnios sérvios
foi conquistada
pela Zelika
Sivanovic,
que é uma aliada
do Mirolad Dodic,
que é o líder
dos nacionalistas sérvios
bósnios, um líder também
de extrema direita,
e que busca dissolver a Bósnia.
O propósito declarado dele é
dissolver a Bósnia. Já a presidência
dos bósnios croatas foi
conquistada pela Dariana
Filipovic, que é
do partido da União Democrática
Croata, na Bósnia
Herzegovina. Por que eu estou
especificando isso?
Porque é como se fosse uma
filial, digamos
assim, do principal
partido conservador
da própria Croácia.
E, embora
o partido croata
não seja tão chauvinista
quanto o Mirolad Dodic,
eles também aceitariam o fim da Bósnia.
Um pedaço da Bósnia vai para a Sérvia,
outro pedaço vai para a Croácia,
e Sarajevo, essa meiuca aqui,
fica na mão dos bosníacos,
e depois a gente trava uma outra guerra por ela.
Resumindo de forma bem caricata
o pensamento do Mirolad Dodic.
E os bosníacos elegeram o Denis Betirovich,
que é do Partido Social-Democrata Bosníaco,
que é o antigo Partido Comunista da Bósnia,
que é um partido aí pró-federação,
e que dentre esses três é o único partido à esquerda.
Então teremos esses três presidentes da Bósnia
que dificilmente vão topar trabalhar juntos.
E o Mirolad Dodic, ele agradeceu ao Donald Trump
e ao Vladimir Putin pela vitória.
Da Bósnia nós vamos para o Kosovo,
já que o parlamento kosovar,
no último dia 6 de outubro,
elegeu a Justina Pula como presidente do país,
presidente indiretamente,
no que pode ser um momento
de acabar ali com a crise política kosovar.
Lembrando que o Kosovo está com a sua política
completamente travada desde fevereiro de 2025.
Porque você teve lideranças que foram presas,
você teve lideranças que foram condenadas
no Tribunal Penal Internacional,
porque o principal partido não conseguiu,
e não conseguiu formar uma coalizão posterior.
Aí o mandato da presidente anterior venceu,
aí ela ficou interinamente além do prazo,
por isso ela vai ser indiciada na Justiça.
E agora temos uma nova presidente,
que é a Justina Pula,
com uma curiosidade, meu caro Matias.
Ela, que é uma economista que também foi diplomata,
ela é católica.
Lembrando que a imensa,
a maioria da população do Kosovo
é albanesa-muçulmana,
mas ela terá uma presidente católica.
E cabe lembrar que ela é de origem croata,
e na Croácia os católicos romanos
representam quase 90% da população.
Ainda nos Balcãs, na Albânia,
eu perdi as contas de quantos ouvintes
mandaram essa notícia pra gente.
O prefeito de Tirana, capital da Albânia,
está governando,
via um avatar de inteligência artificial,
diretamente da prisão.
Ele foi preso por corrupção,
e aparentemente ele gravou vídeos,
imagens dele, etc.,
pra serem utilizadas pra criar um deepfake
pros assessores dele fazerem anúncios e governarem,
a partir desse avatar de inteligência artificial.
Enfim, é bizarro.
Mas calma que tem mais Balcãs, meu caro Matias,
porque agora a gente vai pra Grécia,
porque a Grécia repatriou para a Bulgária
os restos mortais e as relíquias do Kizar Samuel,
que é um dos principais imperadores
do reino medieval da Bulgária.
O reino medieval da Bulgária é muito interessante,
porque ele foi muito extenso.
Os búlgaros foram ali uma potência regional,
digamos assim,
e ele desafiava Constantinopla diretamente.
Ele, sob o reino, inclusive, do Samuel da Bulgária,
ele governou boa parte dos Balcãs,
ele estabeleceu sua capital em Ócrida,
que hoje fica na Macedônia do Norte.
Lembrando que a Macedônia do Norte,
ela disputa ali sua herança,
tanto com os gregos, mas também com os búlgaros.
Tem uma estátua dele,
é uma estátua bem especial,
bem esquisita dele, inclusive, em Sófia.
Eu digo esquisita porque os olhos são de, sei lá,
madre pérola, eles brilham no escuro.
É sério, eles brilham no escuro.
Enfim, a Grécia repatriou os restos mortais
e as relíquias do imperador Samuel para a Bulgária.
Só que é interessante
a gente destacar duas coisas nesse gesto.
Porque, assim, além da curiosidade histórica,
arqueológica, isso aqui é um gesto político, tá, gente?
E o que eu quero destacar são duas coisas.
Primeiro, ele foi sepultado
dentro do território que atualmente é grego.
Ele não foi sepultado em algum lugar
e os gregos foram lá e levaram os restos mortais dele pra casa.
Ele foi sepultado onde hoje é Grécia.
E os restos mortais, ao chegarem no aeroporto,
foi recebido com recepção de Estado.
Aí no Nacional, salva de canhão,
salva de 21 tiros.
E segundo,
a Grécia está fazendo esse repatriamento
porque a Grécia quer apoio
e quer fazer um gesto
visando o repatriamento dos mármores do Partenon
que estão no Reino Unido.
Então a Grécia tá falando, olha só,
a gente não quer o patrimônio histórico
dos outros países.
Se os búlgaros querem as relíquias do imperador Samuel,
tá aqui.
Agora devolve as nossas.
E ao contrário do imperador Samuel,
os mármores do Partenon foram roubados
e levados pra Londres.
Então, esse gesto é uma notícia histórica interessante.
Pode servir pra algum de vocês que tá nos ouvindo
abrir o Google aí, editar
Rei Samuel da Bulgária,
ler um pouco sobre a história medieval da Bulgária,
pode se interessar por isso.
Sei lá, pode ler um livro sobre
Império Bizantino, não sei.
Mas, acima de tudo,
é um gesto político da Grécia
na sua busca por repatriação
do seu patrimônio histórico arqueológico,
especialmente o que tá no Reino Unido.
E ainda nos Balcãs,
mas saindo dos Balcãs,
a Romênia não gosta de dizer que é um país dos Balcãs.
Eles preferem dizer que são dos Cárpatos.
Mas, na Romênia,
o presidente do país nomeou
o diplomata Luca Niculescu
com a tarefa de tentar
formar um governo
para ser o primeiro ministro.
Lembrando que a Romênia
tá há mais de um ano
sem governo consolidado.
Da Romênia, a gente cruza o Mar Negro,
a gente vai dar uma roubadinha
e vamos para o Cáucaso.
Por quê?
Na última sexta-feira,
um soldado azerbaijano
entrou na Armênia,
violou o território armênio,
roubou uma casa
e atirou numa mulher.
Uma conduta completamente criminosa.
E ele foi preso pela Armênia.
E o governo armênio
disse que, até agora,
o governo do Azerbaijão
não solicitou
a extradição do soldado.
O que eu quero destacar
é que o governo armênio
deixou muito claro que ele cometeu
muitos crimes em território armênio.
Ele pode ser julgado por isso,
mas ele possivelmente
vai virar também uma espécie de
moeda de troca
em relação aos prisioneiros políticos armênios
que estão detidos em Baku.
Mas vou repetir,
esse soldado azerbaijano
ele fez tudo isso
aparentemente da cabeça dele.
E ele vai responder
as acusações de
entrada ilegal na fronteira,
contrabando de armas
e munições,
invasão de propriedade
e causar ferimentos graves
numa pessoa com arma de fogo.
Então, é uma notícia pra ficar de olho.
Agora, meu caro Matias,
da Armênia, dando essa roubadinha,
a gente fala roubadinha porque
a Armênia é parte da UEFA,
disputa o Eurovision,
mas geograficamente não está na UEFA.
Está na Europa, porque passou do Cáucaso.
Mas a gente agora
segue pra Rússia, porque
essa semana nós tivemos
a morte de uma pesquisadora
na Rússia
por suspeita
de peste pneumônica.
Uma pesquisadora de um
laboratório em
Irkutsk, que fica
na região da Sibéria russa.
Ela tinha
28 anos de idade.
As autoridades
russas
realizaram ali
medidas de contenção sanitária.
O governador
da região, chamado Igor Kobzev,
inclusive reuniu
a sua comissão regional de combate
a surtos sanitários.
Os funcionários de uma fábrica de alumínio
próxima tiveram que
usar máscaras, etc.
E quase 200 pessoas foram colocadas
em observação.
A peste
pneumônica é uma
aparente da peste
da Idade Média,
que era a peste bubônica.
Não me peça
pra
explicar a diferença entre elas.
E, assim,
aos nossos ouvintes que são biólogos,
que são médicos, que são sanitários,
não precisa mandar
muitos detalhes sobre as diferenças,
porque o que importa é que
é uma doença
transmitida por uma bactéria
e que pode matar a pessoa.
Então,
e o que acontece?
Primeiro, a internet foi a loucura.
É a nova pandemia, a gente vai morrer
de peste, etc, etc.
Mas, falando mais sério
e mais importante,
a OMS, a Organização Mundial de Saúde,
afirmou ontem, dia 7
de outubro,
que ainda não tem
os dados completos do que
aconteceu e
solicitou mais
informações da Rússia
sobre a pandemia.
o episódio
sabemos que 60%
das
Cerca de 200 pessoas em quarentena já foram liberadas.
E o governo russo disse que já compartilhou tudo o que sabia.
O Marco Rubio, governo dos Estados Unidos, também pediu mais informações sobre a Rússia.
Então, não é um momento de pouca transparência.
Não é algo exatamente proveitoso, acho, nesse momento.
Aí, meu caro Matias, saindo da Rússia, nós vamos para a guerra na Ucrânia.
Passar por algumas notícias.
Primeiro é que dois navios na costa da Bulgária foram atacados por drones.
Dois navios cargueiros.
Um deles foi a Pique.
Um deles naufragou a cerca de 130 quilômetros da costa búlgara.
Dentro, então, da zona econômica exclusiva da Bulgária.
E cerca de 200. Doze tripulantes, todos eles sírios, ainda não foram resgatados.
Estão desaparecidos.
Agora, se for um acidente, ou se há uma conexão entre um navio de carga sírio
ter sido atacado na costa da Bulgária, ainda não está claro quem atacou.
Se foi Rússia ou se foi a Ucrânia.
Então, enfim, são conexões curiosas de se fazer especulação.
A Rússia, no último dia 4, atacou a capital.
A capital ucraniana durante a visita do Friedrich Merz, chanceler da Alemanha.
Já nessa semana, ataques russos deixaram pelo menos 20 pessoas mortas na Ucrânia,
inclusive contra residências e micro-ônibus.
Outra notícia dessa semana é que a Turquia anunciou que está fornecendo sistemas antiaéreos
para a Ucrânia para serem utilizados na guerra antidrone.
Os sistemas Korkut, para ser mais específico.
E eu também li uma notícia sobre o coronel José David Chaparro.
É um nome tipicamente ucraniano.
É, que é mais conhecido como Katana.
Ele que é um cidadão venezuelano, foi diplomata também, enfim.
Estudou na Ucrânia ainda na época da União Soviética e voltou ao país como refugiado político,
porque liderou protestos de oposição.
E, em 2023, ele fundou o Batalhão Bolívar, que é uma unidade de dones junto ao exército ucraniano.
E, finalmente, meu caro Matias, o Marco Rubio, durante a sua visita à Europa,
a gente vai falar um pouquinho mais disso daqui a pouco,
mas ele visitou Islândia, Portugal e Grécia.
E ele disse que a guerra na Ucrânia está em um intervalo.
Um passe perigoso.
E que é necessário um acordo negociado para o fim dessa guerra
que seja permanente, duradouro e justo.
Lembrando que o Marco Rubio, embora ele publicamente siga as orientações do seu presidente
de não expressar muitas declarações efusivas sobre a Ucrânia,
nos bastidores, ele é um dos maiores defensores do apoio militar à Ucrânia.
Pra quê?
Pra desgastar a Rússia.
O Marco Rubio sempre foi um falcão de política externa.
A gente já falou isso aqui milhares de vezes.
Milhares não, vai, dezenas.
Ele sempre foi um falcão de política externa.
Ele, a postura dele em relação à guerra na Ucrânia,
lembra a postura do Donald Rumsfeld em relação à guerra Irã-Iraque.
Que ele falava, o ideal era que os dois perdessem.
Então, a postura do Marco Rubio é mais ou menos essa.
E aí, meu caro Matias, a gente aproveita justamente
pra falarmos de notícias dos. dos Estados Unidos, nesse giro do Atlântico Norte,
e vamos começar pela visita do Marco Rubio à Islândia.
Ele disse que a ilha é um baluarte estratégico
para a segurança do Atlântico Norte
e que é importante para monitorar atividades clandestinas
e dissuadir nossos adversários.
E também conversou com as autoridades islandesas,
porque o Donald Trump já postou também imagens da Islândia
sob a bandeira dos Estados Unidos.
Só que ao contrário da Groenlândia,
que é da Dinamarca, que é uma antiga potência,
assim, a Islândia, que foi da Dinamarca,
mas é independente da Segunda Guerra Mundial,
a parceria militar entre Islândia e Estados Unidos
ela é bastante consolidada, ela não é questionada.
A Islândia, ela não tem forças armadas permanentes.
Quem cuida da segurança externa da Islândia
é a OTAN, especialmente os Estados Unidos.
A Islândia, inclusive, o processo de dependência dela
está ligado a isso.
Porque quando a Dinamarca cai para as tropas nazistas,
e a Dinamarca cai rapidamente,
a Dinamarca tem um evento muito famoso,
pode ser interessante para os nossos ouvintes saberem essa curiosidade,
mas Hitler, supostamente, gostava de Copenhague, da cidade,
não de uma franquia da chocolateria que só aceite dinheiro vivo.
Então, a Alemanha nazista fala para a Dinamarca:
"Ó, se rende."
Dinamarca fala: "Não vamos nos render."
Aí a Alemanha nazista invade a Dinamarca
e ocupa boa parte do território dinamarquês
ali na região da Jutilândia.
E aí, em vez de você ter uma operação militar de, né, tomar conta, né,
de tomar Copenhague, alguma coisa assim,
Hitler mandou que os bombardeios a Luftwaffe
sobrevoassem Copenhague.
No sentido de: "Olha só,
se eu quiser, eu terraplano essa cidade."
Mas ele considerava os dinamarqueses, né,
nórdicos, primos dos alemães, etc, etc,
e aí a Dinamarca se rende.
Inclusive, muitos dinamarqueses depois vão lutar pela Alemanha nazista.
E aí, o que os britânicos fazem?
Invadem a Islândia.
Porque a Islândia era parte da Dinamarca
e os britânicos temiam que a Islândia pudesse ser utilizada
pela Alemanha nazista como uma base de submarinos.
E depois chegam tropas dos Estados Unidos também.
E aí, em 1943, a Islândia declara independência.
Num contexto parecido com o de Líbano e Síria.
Por quê?
Porque Líbano e Síria eram posses. eram colônias francesas
que são ocupadas pelos britânicos.
Na mesma lógica de impedir que a Alemanha nazista usasse esses territórios.
Só que os britânicos invadem e falam:
"Olha só, a gente tá aqui pra impedir os alemães de chegarem.
Vocês cuidem da sua própria vida aí.
A gente não vai administrar esse território.
A gente não tem gente pra isso.
Então, cuida da sua própria vida."
E aí, os caras olham e falam:
"Hum, esse negócio de cuidar da nossa própria vida é legal.
Vamos declarar a independência."
E aí, o que acontece?
Na Síria, no Líbano. A Síria declara a independência em 1943.
Líbano em 1944.
E Islândia também em 1943.
1943 e 1944, eu acho.
Um dos dois.
Então, assim, as tropas dos Estados Unidos
estarem na Islândia
é algo já pacificado desde a Guerra Fria.
Agora, meu caro Matheus, o que eu quero destacar rapidamente
é que o Marco Rubio foi a Atenas.
E ele fez um discurso, basicamente,
tentando vincular Atenas e a civilização grega
aos Estados Unidos.
É o poderio dos Estados Unidos, etc.
Foi um discurso muito simbólico
e tentando se apropriar da história.
Só que é muito curioso,
porque a decadência de Atenas
vem a partir do quê?
De uma expedição mal sucedida
de projeção de força naval
perto de um estreito estratégico.
Então, assim, não é uma boa hora
para você evocar uma história ateniense.
Para o ouvinte que não pegar a referência,
eu estou falando da expedição de Atenas a Siracusa.
Siracusa que teve, depois,
quando foi invadida pelos romanos,
tinha como um dos seus defensores
um cara chamado Arquimedes.
E fica perto do Estreito de Messina.
Continuando aqui,
depois dos devaneios históricos.
Os Estados Unidos prenderam
uma mulher de origem chinesa
acusada de ter espiado
a família do presidente de Taiwan.
O Donald Trump
também criou um órgão chamado
Força de Superinteligência,
que vai ser uma agência
para coordenar os esforços dos Estados Unidos
no ramo de inteligência artificial.
E ele achou de bom tom escrever:
"A Casa Branca considera
a qualquer um que use o termo
'inteligência artificial'
em oposição ao altamente aceitado
e mais preciso novo termo
'superinteligência'
'O Inimigo' em maiúsculas."
Então, assim, se você fala
inteligência artificial e não superinteligência,
você é o inimigo para o Donald Trump.
Eu vou falar mais de bravatas dele.
Donald Trump, essa semana,
também aprovou a primeira execução
de um militar dos Estados Unidos,
via pelotão de fuzilamento,
em 65 anos,
que foi aquele militar,
que é aquele militar
que, em 2009,
matou 13 pessoas em Fort Hood,
numa base militar.
Ele que era militar
e atirou nos seus colegas.
O major Nikal Malik Hassan, no caso.
Temos uma declaração de emergência
no estado de Nova York,
devido a um novo surto de sarampo,
falando das eleições
e de bizarrices nos Estados Unidos.
O Donald Trump, durante a disputa
pelo horário de verão nos Estados Unidos,
ele divulgou o telefone celular
de um senador do Partido Republicano,
mandando as pessoas, basicamente,
assediarem ele.
E aí, no Salão Oval,
ele disse que:
"Eu poderia ter feito coisas muito ruins
a Hillary Clinton,
eu poderia ter feito coisas muito ruins
a Joe Biden,
eu poderia ter feito coisas muito ruins
a Barack Hussein Obama.
Eu posso fazer o que eu quiser,
se eu quiser."
É. limites.
Limites de poderes.
E. E outra dele foi, eu sei mais sobre inflação, eu sei mais sobre tudo do que qualquer um nessa sala, do que qualquer um no mundo.
Vejam gente, isso é o que acontece na mente de uma pessoa que se torna centro de um culto de personalidade.
Ele, num comício eleitoral, disse literalmente, eu sei mais sobre inflação, eu sei mais sobre qualquer coisa que qualquer um nessa sala.
Mais do que qualquer pessoa no mundo.
É absolutamente bizarro isso.
E sobre as eleições, ele agora oficializou, por escrito, escreveu, se os republicanos vencerem a Câmara dos Deputados e o Senado nas eleições de Mediterrâneo em 2016,
eu darei a todos os cidadãos adultos nos Estados Unidos da América um cheque de 5 mil dólares.
Obrigado pela atenção a esse assunto.
E eu estou ansioso para assinar esse. E assim, se fizerem a conta, dá mais de um quilhão de dólares.
Obviamente ele não vai cumprir essa promessa.
Não, sim, mas assim, se ele fosse cumprir, daria mais de um quilhão de dólares para cidadãos adultos estadunidenses.
E ele também disse que o governo vai mandar cheques de 100 dólares para 20 milhões de cidadãos sêniores
para ajudar eles a pagarem a parte B do premium do Medicare.
Que já foi reduzido por. Por uma quantia significativa.
Então, assim, ele novamente está dizendo que vai mandar dinheiro para as pessoas
e para ajudar a pagar o plano de saúde, que é o plano de saúde federal, mas que você tem que contribuir de qualquer jeito.
Enfim, é uma completa distopia isso daqui.
E para a gente fechar, meu caro Matias, vamos para o Quebec, no Canadá,
já que tivemos as eleições na província canadense no último dia 5 de outubro,
para a Assembleia Nacional do Quebec.
Lembrando que 5 de outubro foi uma segunda-feira, não faz sentido ter uma eleição numa segunda-feira.
E o Parti Québécois, que é o partido separatista do Quebec, foi o imenso vencedor.
Eles foram de 7 para 59 assentos.
7 para 59.
Isso é uma coisa absolutamente surreal de um crescimento numa eleição.
Quase conseguiram a maioria, porque são 127 assentos, então o número mágico é 64.
Em segundo lugar ficou o Partido Popular.
E a gente comentou no último programa que esses dois partidos eram os mais projetados para crescer.
O Partido Liberal ficou com 40 assentos, foi de 18 para 22.
E, meu caro Matias, nós tivemos um cenário muito raro,
que é um partido foi de governo para erradicação.
Porque a Coalition Averni Quebec, que era o partido conservador autonomista do Quebec,
foi de 79 para zero cadeiras.
É isso mesmo que vocês ouviram, gente.
Foi de 79 para zero, em uma eleição.
Os cientistas políticos canadenses vão ter material para os próximos 10 anos com essa eleição.
Porque é algo absolutamente surreal.
E agora você vai ter, provavelmente, um governo formado pelos separatistas.
Porque você vai ter o Parti Québécois.
Que hoje a gente mencionou.
E, provavelmente, eles vão fazer coalizão com o Quebec Solidaire.
Que é também separatista, mas é mais à esquerda.
O Parti Québécois é meio que um grande centrão do separatismo do Quebec.
Bem, vocês ficam agora com a coluna da professora Vivian Almeida.
Gambito da Dama
Olá, pessoal. Espero que estejam todos bem.
Bom, não é surpresa para ninguém que estamos atravessando um dos momentos mais delicados
para usar de muito eufemismo na nossa história.
E as preocupações legítimas de qual será o futuro do país
se conectam com preocupações igualmente legítimas
sobre o que está acontecendo no mundo
e como interconectam-se os avanços políticos
e a implementação de políticas econômicas ao redor do globo.
Queria também adicionar que uma das coisas importantes de a gente fazer
não só de um ponto de vista técnico, intelectual,
no sentido da organização do pensamento para ler os cenários,
mas até para uma questão pessoal.
Porque momentos. Os pensamentos políticos podem ser também adoecedores numa esfera individual.
É projetar futuro e pensar alternativas.
A gente está vendo ao redor do globo
uma série de manifestações e uma série de transformações
que colocam em xeque, que vêm colocando em xeque
muito o mundo que a gente conhecia.
Então, é só você abrir o jornal que vai ter reportagem
dizendo que Trump é antítese.
De tudo o que aconteceu pós-segunda guerra,
a batalha no Irã trazendo resultados
que a gente mal sabe avaliar
e quais serão os desdobramentos desse conflito.
E, ao mesmo tempo, os acenos políticos,
tanto no Brasil quanto em outros países,
colocam em dúvida sobre quais as interações,
quais as interpretações que a gente dá
e como a gente se prepara.
Por exemplo, as manifestações na França
contra. Contra não, né?
A favor de uma melhora educacional
que, curiosamente,
é contra um governo mais progressista,
ao mesmo tempo que
se associa
ao líder,
ao líder da direita. Melochon. Ai, gente, desculpa.
Eu não tenho ideia de como falo.
Enfim, isso tudo coloca pra gente
um cenário muito turvo, né?
De como seguir
e como pensar em perspectivas.
Então, o propósito da coluna de hoje
é repercutir uma longuíssima entrevista do Piketty
que ele vai tratar
de uma ordem financeira global
global.
Para o futuro
que não contaria com
os Estados Unidos
o dólar, né?
Como a moeda principal
o que, obviamente,
traz efeitos econômicos
ao menos no curto prazo.
Mas eu queria trazer
a repercussão dessa entrevista
com vocês porque
de alguma forma coloca
alguns pontos
pra gente pensar
e projetar o futuro.
Porque, afinal de contas,
é isso que a gente faz, né?
E, justamente, ter perdido
em muitas instâncias a capacidade
de planejar e projetar o futuro
é o que tem trazido
uma paralisante
apatia
em muitos de nós.
Então, acho que seria
oportuno pensar
e repercutir essa entrevista
com vocês. Então, basicamente,
ela
começa
vivendo, né, uma fala
que o próprio Piketty falou
há cinco anos
comparando o mundo com o cenário
pré-revolução francesa.
E por que ele falou isso, né?
Ele falou isso porque a gente estava vivendo
uma
era de uma desigualdade
extrema e o que ele diz é que,
na verdade, em muitos sentidos, a gente
piorou meia década depois.
De fato, a gente ainda
vive
numa panela de pressão,
uma desigualdade aumentando
com um sistema
que não mais encontra
parâmetros que nós
pensávamos anteriormente
e que, portanto, traz muitos
riscos políticos, sociais
e econômicos.
Ele critica a ideia
dos tecnobilionários
e
tecnonacionalistas
por trazerem
para a projeção
de mundo uma própria
uma projeção
sua, né?
Desse conjunto de pessoas do mundo
com ideias que
aí eu estou reproduzindo que ele fala
malucas, né?
Malucas? Não, mentira, ele não fala malucas, é o que eu estou falando.
Distópicas, né?
Datacenter em tudo que é lugar,
inclusive em Marte,
guerra por combustível fóssil
e, ao fim e ao cabo,
de uma forma bem sintética, uma visão
trumpista do mundo
que não resolve
o mundo.
Uma questão de desenvolvimento
que traz
uma ideia de combate
a um problema paradoxalmente
criado justamente
por esses grupos econômicos
e que não projetam
um plano de desenvolvimento
nem econômico,
nem ambiental, nem social.
Então,
repercutindo esse diagnóstico
que, obviamente,
não é um dos mais alviçareiros,
a gente não pode olhar para ele
para isso e ficar confortável,
mas foi construído
um relatório de. Justiça Global, em junho desse
ano, feito, capitaneado
por ele, mas com mais
mais de 50 pesquisadores
em que ele traz a ideia
da moeda internacional
é basicamente assim, né
a gente já falou bastante sobre isso
mas seria quase que um
um reviver
da conferência de Bretton Woods
só que dessa vez não tem uma dualidade
entre o White e o
Keynes, seria
o Piketty
apresentando esse relatório
mas a ideia de uma
reestrutura, né, de uma
governança global
pra pensar nesse mundo
mas continuando a repercussão
né, então seria uma moeda internacional
gerida pela ONU
baseada numa cesta de moedas
que substituiria
o dólar, tá
obviamente essa cesta
seria uma reprodução
e uma replicação
de moedas
com relevância
no cenário internacional e no sistema
de trocas, seja moeda
a própria moeda norte-americana
né, compondo a cesta
o euro, a moeda
chinesa, enfim, seria
uma, uma, não mais
uma moeda, mas uma cesta
de moedas, que
aqui uma livre interpretação
uma tentativa de retomar
o multilateralismo agora
pelo lado financeiro
né, e qual a justificativa
dele pra dizer que o dólar
perde espaço de hegemonia
e que é importante acender
uma cesta de moedas
primeiro porque a economia dos Estados Unidos
vem reduzindo
significativamente a sua
fatia no PIB mundial
né, então a gente
tem uma redução
da relevância
da moeda norte-americana
e além disso
é
, o próprio, o próprio
sistema atual que sobrevaloriza
o dólar na medida né, que tem
esse referencial e muita gente busca
piora o déficit, então
a própria, a própria política
norte-americana com o Trump
reforçando e
traduzindo muito
desse esforço
é a ideia
de tentar mesmo
tirar desse papel, né
numa reação aí
trumpista
de força, né, assim
de, é isso, né, buscar
conflito por combustíveis
fósseis, implementar data center
em tudo que é lugar
só que, enfim, na própria visão do Piketty
eu acho que eu compartilho
essa visão, isso não necessariamente
é uma demonstração de força
mas é aquela coisa assim
vou usar uma metáfora, né
numa discussão você começa
debatendo ideias e daqui a pouco
você tá gritando achando que
falar mais alto é que vai fazer você
vencer a discussão, mas na verdade
a única coisa que tá mostrando é que você tá perdendo
ali o controle
e a argumentação
então, enfim, né, essa metáfora aí
só pra dizer que não necessariamente
é uma sinalização de força
talvez muito mais uma sinalização de fraqueza
que demonstra uma mudança
da ordem econômica global
que a gente já vem observando há bastante
tempo, né
agora, em termos operacionais
por mais que
exista essa
essa tendência
esse movimento
de que talvez as próprias atitudes
dos Estados Unidos reforcem
essa ideia de perda de hegemonia
do dólar e mudança
migração pra talvez um sistema
de uma cesta de moedas
tem uma dificuldade operacional
que atualmente
os Estados Unidos tem poder
de veto perante ao FMI
de decisões
importantes, inclusive
a implementação de moeda
de uma outra moeda referencial
porém
como eu falei anteriormente
o que a gente observa é uma redução
da participação dos Estados Unidos
na fatia
da economia mundial
que faz com que
esse poder de veto também
tenda a cair
e portanto, essa ideia
talvez comece a ser
lapidada
e remodelada
para
de modo a comportar
mudanças importantes
como por exemplo essa transição
um outro aspecto que o Piketty defende
é que
a criação
de direitos especiais de saque
SDR, que seria uma espécie
de embrião
da moeda internacional
é claro que hoje ela é reflexo
do PIB, por isso que eu acabei de fazer
essa digressão sobre
ainda não ser possível essa transição
mas à medida que
os Estados Unidos vai perdendo o papel
essa transição é possível
só que o próprio Piketty defende
que essa distribuição dos direitos especiais
de saques
elas sejam feitas a partir
da ponderação por população
ou por dano climático
e não mais por PIB
que é também a operacionalização
de uma mudança econômica
para sinalizar
um novo tempo
para resolver
novos, entre a
muito, entre aspas, problemas
então olha, o PIB
talvez, isso a gente já falou
muitas vezes aqui, não seja
a variável mais importante
nem para refletir o que o
país é, nem para onde ele quer ir
na verdade agora o que a gente tem que pensar
muito mais é como salvaguardar
a população, não só
dos danos sociais
mas dos potenciais danos sociais
mas dos potenciais danos climáticos
então isso é um aspecto
super importante que ele traz
e que reflete essa
o que eu estou aqui numa livre interpretação
de tentar a partir
de uma operacionalização, de uma
sistematização, de uma
institucionalização
de medidas, refletir
um novo arcabouço
teórico, ideológico
que é, de novo, a gente
pensar as nossas decisões
a partir dos problemas
reais, sociais que nos acometem
e que tem acometido cada vez
mais.
Um outro aspecto interessante
é que
se a gente pensar
de novo no mundo
anterior
a gente talvez não consiga
um direcionamento claro
sobre como
utilizar as instituições de um mundo
antigo para criar
um mundo novo, por assim dizer.
Então, uma das
coisas que ele propõe
é o seguinte, olha
o mundo tem que avançar
tem que reformar
a ONU, o FMI
o Banco Mundial, mas por
consenso não dá, isso é inviável
então, que tal
se a gente pensar em coalizões
tanto que a própria cesta
de moedas reflete um pouco isso
mesmo sem os Estados Unidos
então, por exemplo, se a gente
pensar na convenção
da ONU sobre a
cooperação tributária, um dos exemplos usados
que vai ser em Nairobi
essa convenção
vai usar a maioria qualificada
ponderada pela população e não
unanimidade. E talvez
seja a transição que a gente
de fato precisa observar para a gente
tentar acomodar esse mundo aí
extremado, mas em soluções
que atendam os dois extremos
independente, enfim, né
de regime político-econômico
porque, independente das nossas
preferências, estamos todos
à beira aí de vários colapsos
ambientais, sociais e que
precisam de medidas coletivas
né
avançando um pouco mais na análise
como eu disse, né, eu queria trazer
aqui, eu sei que é mais
difícil a gente pensar nisso falando
mas eu acho que é um momento importante
da gente pensar em alternativas
para que o desânimo não nos acometa
então, por isso que eu quis trazer um pouco
essa coluna
num formato diferente, quase
que num
numa
coletânea de medidas
para que a gente tenha
perspectiva, esperança e capacidade
de ação, né
bom, seguindo aqui, feito
esse parênteses
outro aspecto
que ele traz
é que o discurso
ele já
ele já, ele não é
absolutamente
transformador
mas ele auxilia e
destaca que no G20, aqui
no Brasil, em 2024
o Brasil incluiu a taxação
de super-ricos no comunicado final
mesmo com a resistência da Argentina
um exemplo daquilo, né, olha, não precisa ter consenso
mas a gente precisa plantar
essas ideias
então, isso é um destaque, obviamente
lamenta muito
a possibilidade do Brasil seguir
o nacionalismo trumpista
mas destaca esse papel importante
do Brasil de trazer
a questão da taxação
dos super-ricos
para tentar reverter
todos esses problemas
diagnosticados em sua análise
por fim
faz uma crítica sobre
o abandono
que a esquerda teria
cometido
com relação a
um discurso dominante
de redistribuição
em prol de políticas
promercados e impostos
menos progressivos
o que, pelo entender dele, acabou
abrindo espaço para um nacionalismo
reduzindo
o espaço
para o debate político
então pensar em reabrir
a discussão sobre desigualdade
pode mudar
o próprio
o próprio
ai meu Deus do céu
a própria atmosfera
na medida que governos
nacionalistas tendem a perder
popularidade com o tempo
então acho que essa semana muita gente
conversou sobre o futuro do Brasil
e uma das coisas que eu vejo muito
presentes
independente do resultado
não dá para esmurecer
nas lutas pelo que se acredita
não dá para
cobrar
para pensar em política de distribuição
para pensar em melhores condições de vida
não dá para deixar isso
de lado e só relembrar daqui a 4 anos
então talvez esse seja
um recado convergente
com o relatório do
Piketty e o que está acontecendo
no Brasil. E para finalizar
com relação um pouco
ao que se vislumbra para o futuro
é uma das
ele começa retomando
ele começa falando que a gente está
em muitos sentidos pior do que há 5 anos
quando ele disse que a gente estava muito perto
do cenário pré-revolução francesa
o que faz com que
se a gente obviamente
não vai repetir mas fazer
uma comparação se a gente pensa
que em determinado momento
alguma crise
vai ser um estopim para uma mudança
para uma revolução
uma das coisas
que ele comenta é
não tem como você prever
qual vai ser a crise
que vai gerar essa transição
mas é preciso ter alternativa
então é difícil a gente
pensar num mundo
tão pressionado
tão dividido
com tantas crises vindo
que não haja uma ruptura
talvez isso
seja comungado
por quaisquer que sejam as visões
políticas de quem esteja me ouvindo
a gente está realmente num ponto
de abolição complexo
então qual é o preparo
que a gente precisa ter
para redesenhar
o mundo que a gente quer viver
e por que
é importante a gente pensar isso
mesmo numa perspectiva otimista
porque do jeito que eu estou falando parece que é pessimista
mas não, porque
sem mudança efetiva
a gente sabe que a gente vai ficar
mais desigual, mais quente
mais instável
e mais inviável
então é extremamente importante
começar a desenhar
as formas de encarar
as crises que virão
e mais do que isso
o mundo que a gente
vai ser pós-crise
pós-crise como se fosse
um episódio
isolado, mas ruptura
por assim dizer
e convergindo
esse meu discurso
que está meio
entre pessimista e otimista
ele tem a esperança
de que na verdade
exista um futuro multipolar
com o predomínio de forças
democráticas
que tem como protagonistas
como impulsionadores
o sul global
eu não sei se eu consigo ter
esse nível de otimismo
mas eu acho que a gente tem lições
muito importantes
desse relatório
no sentido de que
não desmerecer
não deixar de lutar
desenhar o mundo que se quer
é uma atividade perene
a gente
sabe que
a vida impõe a gente
lutar o tempo inteiro
não tem como a gente
eu vou suspender um pouquinho a minha vontade
de viver num mundo melhor
infelizmente não podemos
fazer isso
não podemos nos dar ao luxo
de fazer isso
então ler os relatórios
como o do Piketty
pensar, conversar
e desenhar um futuro
talvez seja o que de mais
importante e urgente
a gente precisa fazer agora
saber que
ter consciência de que
existe uma realidade
para além das redes sociais
existe um mundo em
franca transformação
existem indicadores
que a gente já sabe
que refletem uma piora
dramática
da vida
em sociedade como aumento da desigualdade
como mudanças
climáticas, como
redefinição do que a gente conhece
como emprego
esse diagnóstico se a gente já tem
agora é a hora da ação
e de pensar o que a gente pode fazer
o que a gente pode transformar
esse diagnóstico em medidas concretas
para que o redesenho
da sociedade seja
mais possível do que o fim dela
é isso pessoal, um beijo
e até semana que vem
passemos agora para o segundo bloco
do giro de notícias
giro de notícias
notícia da terça-feira passada
dia 7 de agosto de 2020
notícia da terça-feira passada
notícia da terça-feira passada
notícia da terça-feira passada
6 de outubro
Quênia confirma caso de ebola
após morte de homem
que viajou ao Congo
exatamente, um homem morreu
em Nairobi, capital do Quênia
depois de viajar vindo da República Democrática do Congo
ele foi sepultado
de acordo com os protocolos
sanitários
8 membros da família
e 21 trabalhadores de saúde
foram colocados em quarentena
27 pessoas que estavam
no mesmo voo que ele
estão sendo buscadas pelas autoridades
quenianas
e ele também pegou um veículo
na estrada a Kampala
então possivelmente
ele teve contato com mais pessoas
que precisarão ser rastreadas
então se torna
o quarto país
a declarar caso
de ebola
na atual epidemia
República Democrática do Congo
depois Uganda
França
com trabalhador de saúde
e agora no Quênia
infelizmente os números
nesse momento
são de 8.750 casos confirmados
com 4.208 mortes
ou seja, um índice
de fatalidade de mais de 48%
e falando em outro tema
que não respeita fronteiras
vírus não respeitam fronteiras
e as mudanças climáticas
não respeitam fronteiras
e muitas vezes vitimam
alguns seres muito inocentes
a ilha de Zavodovsk
que fica perto da Antártida
perdeu
o seu status
de maior colônia
de pinguins do mundo
porque entre 2015
e 2025
mais de 680 mil
aves
ou seja, mais de
dois terços da colônia
da ilha morreu
devido ao aumento
da temperatura das águas
que diminui a disponibilidade
de alimentos
então
especialmente nesse caso
da espécie chamada pinguim de barbicha
que é chamada em inglês
de chinstrap penguin
então uma notícia bastante triste
e que
infelizmente tem pessoas que acham
que as mudanças climáticas são uma mentira
que tem que desmatar mais a Amazônia
mesmo, que tem que passar boiada
e enfim
os alertas estão aqui sendo dados
no Xadrez Herbal toda semana
notícia da quarta-feira
dia 7 de outubro
tropas da Eritreia
invadem a Etiópia
então meu caro Matias
no último dia 1º de outubro
a Eritreia e a Etiópia
romperam relações
novamente
posteriormente no dia 4 de outubro
as forças do governo federal da Etiópia
tomaram a cidade de Mekele
a capital da região Tigrai
no norte da Etiópia
e como consequência
no dia 6
tropas da Eritreia invadiram
o território Etíope
especula-se
que pelo menos 6 mil
militares da Etiópia
entraram no território
especialmente no dia 7
e detalhe
não é uma operação de guerra
é uma operação clandestina
eles estão fazendo essa operação
uniformizados
e utilizando equipamento pesado
inclusive
então isso oficializa
a participação da Eritreia
no conflito interno
da Etiópia
que como a gente já explicou aqui
de interno tem muito pouco
porque envolve muitos atores regionais
e nesse processo no último dia 5 de outubro
o Abiy Ahmed
foi reempoçado
por um grupo de atores regionais
primeiro o ministro da Etiópia
depois da sua vitória
nas eleições de meses atrás
duas notícias de hoje
quinta-feira dia 8 de outubro
Estados Unidos adicionam
tortura à lista de acusações
contra Maduro
o Nicolas Maduro
que está sendo julgado
nos Estados Unidos
num julgamento cuja legitimidade
não é perfeitamente questionável
já que o acusado foi abduzido
para ser colocado
no banco dos réus, ele e sua esposa, Cília Flores, também foram acusados.
normalmente de conspiração para torturar opositores políticos e cidadãos americanos.
Então, isso agora foi adicionado às acusações contra eles.
Além disso, a defesa da Cília Flores pediu a libertação dela
ou que ela fosse enviada para um hospital porque ela estaria sofrendo problemas de saúde na prisão.
Outras duas notícias da parte norte da América Latina, digamos assim.
Se bem que a Venezuela a gente poderia ter colocado no primeiro bloco também, enfim.
Mas a presidente do México, a Claudia Sheinbaum, assinou nessa quarta-feira uma nova lei
que agora torna necessário que candidatos à presidência, ao governo de estados
ou à prefeitura da capital da cidade do México não possam ter dupla nacionalidade.
Tem que ter apenas a nacionalidade mexicana.
Para ser candidato, a pessoa terá a opção de renunciar à sua outra nacionalidade.
E isso não proíbe a dupla nacionalidade, apenas será um critério para a candidatura.
E na Nicarágua, meu caro Matias, o governo do Daniel Ortega
anunciou que está retirando o país do parlamento centro-americano
depois que a organização apoiou uma resolução da OEA para que a Nicarágua,
que é um regime autoritário sob uma ditadura familiar do Daniel Ortega,
que libertasse prisioneiros políticos e restaurasse as liberdades civis no país.
Grandes cervejarias japonesas são alvo de operações policiais.
As autoridades japonesas realizaram operações policiais contra as cervejarias
Asahi, Kirin, Suntory e Sapporo.
Dessas quatro, acho que é mais conhecido.
O mais conhecido aqui no Brasil é a Sapporo, né?
A Kirin também.
A Kirin também, né?
Pelo menos aqui em São Paulo, dá pra achar na Liberdade.
A Kirin comprou a Eskin, se eu não me engano.
Aí eu já não sei.
E tinha a Copa Kirin também.
É, isso me lembra.
E qual é a acusação?
Formação de cartel.
As quatro cervejarias, na verdade, estariam combinando os preços,
já que juntas elas controlam mais de 90% do mercado doméstico,
e estariam manipulando o preço pra cima.
Então, por isso agora, essas operações policiais
pra investigar essa formação de cartel.
Ainda sobre o Japão, meu caro Matias,
a Guarda Costeira do Japão anunciou nesse dia 6 de outubro
que expulsou um navio de pesquisa chinês
da sua zona econômica exclusiva
que estaria conduzindo pesquisas não autorizadas
nas águas da zona econômica exclusiva japonesa.
Só que tem um detalhe.
A gente já falou disso aqui.
Zona econômica exclusiva não é a mesma coisa que água territorial.
Então, essa história, eu não sei se ela tá exatamente mal contada.
Pode ter alguma outra coisa aí.
Se o navio estava realizando alguma atividade, de fato, econômica,
tava, sei lá. A gente tá um navio de pesquisa, estamos pesquisando camarão.
E aí, extraiu camarões da água,
aí você pode tirar ele das suas águas,
da sua zona econômica exclusiva.
Mas, se o navio só estiver passando,
por ali, teoricamente, você não pode fazer nada.
Então, tem alguma coisa nessa história.
Outra notícia sobre o Japão, meu caro Matias,
é que um fuzileiro naval dos Estados Unidos,
de 20 anos de idade,
foi preso em Okinawa
pela acusação de ter
assassinado uma mulher japonesa
de 39 anos de idade
em um hotel em Naha,
capital de Okinawa.
Nós temos um programa
no Fronteiras Invisíveis do Futebol,
em que nós contamos a história de um fuzileiro
de Okinawa e a história da diáspora
okinawana aqui no Brasil.
E, naquele programa, nós falamos,
inclusive, do histórico de crimes
cometidos por soldados dos Estados Unidos
na ilha.
E, pra gente encerrar
tanto esse giro pelo Japão,
quanto o giro de notícias
como um todo, meu caro Matias,
vamos passar aqui, rapidamente, pelos jogos
asiáticos, que se
encerraram essa semana, no dia 4 de outubro,
e ainda tem polêmica
diplomática. Por quê?
Porque, por exemplo,
nós temos a final do beisebol
entre Coreia do Sul e Japão
e o time da casa,
o Japão, que tem o beisebol
como seu esporte mais popular,
tem uma tradição muito grande no beisebol,
perdeu a final.
Vergonha.
Coreia do Sul levou
a medalha pra casa.
Pra ser justo, aparentemente,
a Coreia do Sul foi
a única delegação que levou
um time profissional.
Os outros países levaram ali
atletas juvenis, enfim,
não sei direito, de destacar
que a Palestina
disputou o beisebol
nos jogos asiáticos, uma seleção de
beisebol palestina. Aqui eu tô falando
beisebol masculino, tá, gente?
Até porque. Não existe beisebol feminino.
Isso, é. No feminino, normalmente, é o softball.
Que pode ser jogado misto, também.
E a Coreia do Sul saiu
vencedora. E os jogadores
da Coreia do Sul, celebrando,
felizes, fazendo stories,
no Instagram e tal.
Aí, que que um deles decidiu
falar?
Que ele tava muito feliz
com a medalha,
a medalha de ouro, porque
agora, isso significava
que eles estavam isentos
do serviço militar.
Só que assim, não foi
qualquer jogador que falou isso. Foi o capitão
da equipe. E aí, estamos
tendo um escrutínio sobre isso
na Coreia do Sul, porque jogadores
do futebol da Coreia do Sul,
também fizeram declarações
semelhantes. É, teve aquela
questão envolvendo o som,
né? Quando ele tava no Tottenham,
ainda, né? Que ele poderia perder um ano
do contrato, justamente
por conta do serviço militar
obrigatório. E aí, eu peguei
aqui a matéria do jornal
coreano, The Chozoon, né? Um jornal
coreano em língua inglesa, que
a matéria se chama assim,
Exclusive Asian Games Gold
Medalists Face
Scrutiny Over Military
Exemptions. Porque
em segunda matéria, 81% das
isenções dos Jogos Asiáticos, têm sido
questionadas por razões ali
de justiça, enfim. Uma matéria bastante
completa, que fala de atletas
do futebol, atletas
do baseball e também atletas
do atletismo, tá?
E, enfim. Então,
Jogos Asiáticos terminaram ainda com polêmica.
Pra passar
pela tabela de medalhas, a
China ficou
disparada na frente sobre qualquer critério,
porque foram 169 ouros
e 341 medalhas
totais. O Japão em segundo lugar,
com 83 ouros, ou seja, menos
da metade, e 269 medalhas
totais. Coreia do Sul fecha
o pódio da tabela de medalhas, com
39 ouros e
150 medalhas
totais. Não vi
nenhuma notícia de algum país que ganhou
seu primeiro ouro, alguma coisa assim.
E, infelizmente, seis
equipes não ganharam medalhas.
O time de refugiados,
Butão, Maldivas,
Iêmen, Palestina
e Timor-Leste,
infelizmente, saíram
de mãos abanando.
E, já que estamos no Japão, Felipe,
o país apresentou,
né, recentemente,
a sua candidatura pra sediar
a Copa do Mundo de Rugby de
2035. Lembrando que o
Japão já foi o país sede
em 2019. Porém,
a América do Sul apresentou
na segunda-feira passada, dia 5,
uma candidatura com
quatro países, né?
A Argentina, sendo a principal
sede, com oito
estádios, dois em
Buenos Aires, o Brasil com
Maracanã, o Chile com o
Estádio Nacional e o Uruguai
com o Estádio Centenário.
E, além dessas duas candidaturas,
temos a Espanha também
concorrendo aí pra sediar
um dos eventos esportivos
mais importantes do mundo.
E, caso a candidatura sul-americana
vença, seria
a primeira vez que a América
do Sul sediaria
a Copa do Mundo de Rugby masculina.
Lembrando que, ano
que vem, temos a Copa do Mundo de Rugby
na Austrália e,
em 2031, quem você
acha que vai sediar, Felipe?
Não sei. Estados Unidos.
Ah. Não, o que me
lembrou de uma coisa, né? Porque a gente teve a cerimônia
de encerramento de Jogos Asiáticos
e, dia 18 de outubro, agora vamos ter
os para Jogos Asiáticos,
mas
a delegação de Doha
recebeu a bandeira
pra sediar
a próxima edição. Só que
Doha realizou
os Jogos de 2006.
Entendeu? Tipo, em
24 anos não tinha outra cidade
na Ásia, o maior
continente que existe pra receber
os Jogos Asiáticos. Enfim,
é a magia do Catar.
Bem,
passemos agora para a premiação
que não altera a cotação
nem do dólar ou do iene,
mas a gente gosta de tirar
onda mesmo assim.
Bem, Felipe,
o peão isolado vai para
outro país que vê a ascensão
da extrema-direita.
Pois é, o peão isolado vai pra Alemanha,
pelo que aconteceu
na Saxônia e também
pela prisão do
seu ex-diretor de inteligência
algo também vergonhoso, mas principalmente pelo que aconteceu na Saxônia e vamos ver se a FD vai governar o Estado e como o sistema político alemão vai reagir a isso.
E o peão promovido, seguindo a tradição do programa, vai para o Endres Kulbergs, o novo velho primeiro-ministro da Letônia, vencedor das eleições.
Bem, passemos agora para as dicas culturais.
Felipe, qual que é a sua sugestão para os nossos ouvintes neste feriadão?
Então, meu caro Matias, o nosso querido ouvinte André Bidá nos enviou a notícia do falecimento.
Da Margaret Hamilton, ela que foi uma matemática e engenheira de software, cientista, que foi uma das principais cientistas matemáticas do programa Apolo.
Ela foi uma das responsáveis pelo sucesso do programa Apolo, da chegada do homem à Lua.
A vida dela não está presente em nenhum filme.
Não que eu tenha achado.
Aí, por conta disso, eu vou dar duas sugestões.
Uma delas é muito nichada, mas pensando que dia 12 de outubro é dia das crianças, não sei se dá tempo, mas enfim.
Se você é nosso ouvinte e você é uma mulher que gosta de Lego, ou você tem uma namorada, uma esposa, uma mãe, alguém que você quer presentear que gosta de Lego,
uma filha que gosta de Lego, tem um set da Lego que se chama Women of NASA.
Tá?
É uma série da NASA, que tem três minifiguras e três minicenários ali.
Uma das minifiguras é da Margaret Hamilton.
A questão é que esse set, oficialmente, ele nunca veio ao Brasil.
Então, ele não é tão fácil, assim, de encontrar.
E quando você encontra, ele não necessariamente estará num preço tão legal assim aqui no Brasil.
Até porque ele tá fora de linha.
Mas é uma sugestão.
E uma outra sugestão é o filme. Estrelas Além do Tempo, que é um filme sobre as matemáticas negras da NASA,
que é estrelado pela Tara J. Hanson, pela Janelle Monáe e a Octavia Spencer,
pensando nas três atrizes talvez a mais conhecida,
que interpretam três matemáticas que também foram do programa Apolo, Mulheres Negras,
e é um filme que também vale a pena.
Então, como. Como homenagem à Margaret Hamilton.
Bem, e a minha dica cultural é o livro recém-lançado,
Repórter da Cabeça aos Pés, do experiente jornalista Elvídeo Matos,
e que foi organizado pelo meu amigo Dudu Monsanto,
compilando diversas reportagens do Elvídeo em seus tempos de TV Cultura e ESPN Brasil.
Uma verdadeira aula de jornalismo.
O lançamento do livro foi realizado no sábado passado, na livraria Barrilete,
e fica. Vou deixar aqui um abraço para o proprietário Cadu Nakaharada e toda a família presente,
e também lá estavam o casal de ouvintes César Augusto Rodrigues e Grace Greco,
e ela inclusive foi bastante carinhosa com o meu filho.
Além da Barrilete, o livro também pode ser adquirido pelo site Elvídeo,
hífen matos, com dois t's, ponto lojaintegrada.com.br,
e todo o lucro será revertido para o tratamento de saúde,
deste experiente repórter.
Filipe, temos recados dos nossos ouvintes e considerações finais?
Bem, Matias, primeiro, o Mário dos Santos Gonçalves fez uma pequena correção a você,
porque você disse que a Ceguá, do Uruguai, faz divisa com Bagé.
Mas isso mudou em 1996,
porque a Ceguá, no Uruguai, faz divisa com a homônima Ceguá do Rio Grande do Sul,
que se emancipou de Bagé.
Então, tem essa correção, e é um dos seis pontos de fronteira terrestre
alfandegada entre os dois países, retratado no filme O Beiro do Papa.
Então, uma pequena correçãozinha.
Um abraço também para o Capitão Eriziano, que mandou um vídeo sobre a queda,
o fim da engesa.
Um abraço para o Bruno Godóis, que mandou lá no site do Teatro Exerbal
o link do vídeo.
Que o nosso querido Lito fez a partir de um comentário nosso aqui no Xadrez Herbal.
Também um abraço para o Luiz Eduardo Reis, lá no site do Teatro Exerbal, que sempre comenta.
Já nos e-mails, um abraço para o Gabriel Orso,
que manda um abraço para o amigo e compadre Lucas Faveiro,
e também um beijo para o grande amor dele, a Ivana,
eles que completaram um mês de casados.
Um abraço para a nossa querida Silvana, que nos escreveu diretamente do Canadá,
comentando. comentando um pouco das eleições no Quebec e também sobre o futuro na província de Alberta,
que também está discutindo na sua relação com a federação, mas por motivos diferentes.
Enquanto o Quebec tem um movimento nacionalista separatista antigo,
por razões até óbvias, como a diferença linguística,
Alberta tem ali uma questão mais político-partidária envolvida.
Um abraço para o Pedro Souza, que disse que os ouvintes mandam a notícia do Fat Bear Week,
porque a gente ensina. para os ouvintes que ursos são apenas grandes cachorrões.
Ele que é formado em relações internacionais pela Unesp de Franca.
Um grande abraço para o Felipe Vazquez, que acompanha nosso trabalho há muito tempo,
filho do meu amigo Vicente Vazquez,
que nos mandou uma notícia sobre um novo acordo comercial entre Belarus e Sudão,
e pediu para a gente comentar um pouquinho mais sobre isso.
É interessante mencionar que o Sudão tem uma relação relativamente próxima com a Rússia.
A Rússia já negociou, por exemplo, uma base militar no Mar Vermelho,
o Sudão é um dos poucos países no mundo que reconhece a anexação da Crimeia pela Rússia,
e Belarus, embora seja um país independente, é um país que tem relações muito próximas com a Rússia,
você tem toda a questão do tratado de união, enfim, uma eventual fusão,
e Belarus segue essa esteira, digamos assim.
Inclusive o Lukashenka já visitou o Sudão uma vez,
e o acordo que o Felipe mandou é ligado a questões agrícolas.
De exportação agrícola e tudo mais.
Belarus é um grande centro produtor de tratores e maquinário pesado,
porque uma das principais fábricas desse tipo de equipamento da União Soviética ficava em Minsk,
e continua sendo em Minsk, herdada por Belarus independente.
Então esse acordo possivelmente tem conexão com isso também.
Um abraço também para a Letícia Silveira, que reside na Dinamarca,
ela nos mandou ali algumas fotos, alguns detalhes,
de um evento que ela compareceu na Câmara Americana de Comércio,
e ela pediu um beijo para a esposa dela, Angélica,
e um beijo para o irmão dela, o Luiz Felipe.
Então um beijo para a Letícia, para a Angélica e para o Luiz Felipe,
que apresentou o xadrez herbal para ela.
O Felipe Garcia Fogal mandou um e-mail muito carinhoso sobre o nosso trabalho,
e pediu um beijo para os filhos dele, Miguel e Maria Isabel,
que escutam o podcast por osmose.
Um abraço.
Um abraço para o Roberto Santos, que me encontrou no Rio de Janeiro,
no lançamento do meu livro, ele que nos ouve desde 2019,
ele mandou um e-mail muito carinhoso, inclusive sobre esse encontro,
que ele gostou muito de ver, que algumas pessoas que a gente fala no programa
têm rosto, também conheceu a Vivian.
Então um grande abraço para o Roberto Santos pelo e-mail carinhoso dele.
Um abraço para o Paulo Berni, que mandou uma notícia curiosa
sobre o príncipe, entre aspas, Andrew,
que ele entrou na justiça contra as operações policiais que ele foi alvo,
e a nota do Guardian comenta que o último membro da família real que fez isso,
que desafiou a legalidade dos procedimentos criminais, foi executado.
Um abraço para o Rodrigo, que nos ouve nas Indas e Vindas ao Trabalho em São José,
em Santa Catarina, na grande Florianópolis,
e ele escreveu que o Havaí é o mais gigante,
um abraço para o Henrique, que é do Rio Grande do Sul,
mas mora em Nova Iorque, trabalhou como mesário nessa última eleição,
ele que conheceu o Xadrez Herbal a partir do Jovem Nerd e do Nerdologia.
Um abraço também para o Marcial Alves,
e aí eu peço desculpas para o Marcial, porque ele mandou um e-mail,
porque ele havia deixado um comentário no site do Xadrez Herbal,
e eu acabei não lendo o comentário, e aí eu peço desculpas para o Marcial,
porque foi uma distração, acabei passando,
ele que é de Belo Horizonte, e ele comentou que ele dificilmente vai poder participar da brincadeira dos ônibus,
já que os ônibus que ele pega em Belo Horizonte são 4034, 4111, 8405, 9412.
Ele disse que existem alguns bairros em Belo Horizonte que tem ônibus de três dígitos,
mas que eles não pegam com frequência.
Enfim, foi uma distração minha, porque talvez eu tenha buscado ali pelo número do episódio,
e aí acabei pulando, peço desculpas para o Marcial, e um grande abraço,
pra ele. Um abraço pra Júlia
de Lázari, que mandou o 477
P10, Ipiranga e Rio Pequeno, mas ela
mandou depois que a gente terminou a gravação
então a gente acabou não falando
mas então um abraço pra Júlia e pra
irmã dela, a Mariana
um abraço também pro
Otávio de Castro Domingues
que pediu pra gente mandar um abraço
pra amiga dele, a Luciana
que foi quem apresentou o xadrez oval pra ele
em 2021, no episódio sobre a vitória
da Xomara Castro
eles que estudaram na
PUC Rio, e finalmente
um abraço pra
Bia Matera, que escreveu
um e-mail bastante extenso, só que
uma grande coincidência
por quê? No programa
passado, a gente falou que muitas
pessoas mandaram a brincadeira do ônibus
e uma das pessoas que mandaram
a brincadeira do ônibus foi o Paulo Lotufo
professor na Medicina
USP, e no e-mail
dele, que nós lemos o programa passado
ele falou do filho dele
falou do neto dele
e agora a Bia
Matera nos escreveu
que é a nora dele
e aparentemente foi
por coincidência, não foi combinado
ela nos escreveu no dia 1º de outubro
na quinta-feira, durante a nossa gravação
e aí acabou não entrando
nos comentários do último programa
ela mesma diz, né, que ah, torcendo
pra vocês ainda não terem gravado o programa
porque eu devia ter escrito ontem, acabei me esquecendo
e ela disse que a linha 477A
Sacomã Terminal Pinheiros
segundo o marido dela, foi o responsável
pelo relacionamento deles ter dado certo
já que quando eles começaram a namorar
era o ônibus que ligava
eles, e agora
anos depois, eles estão
esperando o primeiro filho deles
o Fernando, que foi mencionado no e-mail
do doutor Paulo Lotufo
e ela menciona
que o sogro dela também pegava essa linha
quando era estudante
ela pede um abraço pro Paulo Lotufo
e também um abraço pros amigos
Vinícius e Paola
e pro marido dela, o Érico
que é ouvinte culposo do Xadrez Herbal
e amigo do
Biratã Leal. Ela disse que começou
nos ouvir em 2019
numa residência estudantil
em Buenos Aires
onde ela era a única brasileira
e continuou nos ouvindo
ela que passou parte da pandemia
em Buenos Aires
ela é muito carinhosa com o nosso trabalho
porque disse que fez companhia pra ela nesse momento
muito complicado, né, de passar a pandemia sozinha
em outro país
ela também nos parabeniza pela entrevista
com a Miriam Bregman
e no e-mail ela também menciona
que eles quase batizaram o filho
de Filipe com I
por conta da música Dear Theodosia
do musical Hamilton
mas que eles concordavam que a grafia
deveria ser Filipe com I
porém eles decidiram homenagear o Fernando Brandt
o maior parceiro musical
do Milton Nascimento
ela comentou ali também
da escolha de música pelo Matias
quando o Loborges
faleceu
e também que acha muito curioso
quando a gente cita algumas questões de cultura
argentina, já que ela, né
novamente residiu na Argentina
então um grande abraço pra Bia Mateira
e pra toda a família dela
aparentemente a família toda é ouvinte do Xadrez Herbal
Bueno, e a sugestão musical
vai em dose dupla, já que
nos últimos dias o rock
hispano-americano se despediu do guitarrista
e vocalista argentino
Ricardo Soulet, que faleceu
aos 76 anos na sexta-feira
da semana passada
e também do cantautor
italo-argentino-colombiano
Piero, falecido aos 81 anos
nesta quarta-feira
Soulet foi membro fundador
da icônica banda Vox Dei
formada em Quilmes no final
dos anos 60 e é um dos
compositores da música Presente
lançada pelo selo Mandioca em
1970 e que foi
revivida ao ser incluída na trilha
sonora do filme Tango Feroz
La Legenda de Tanguito
23 anos depois
Piero, por sua vez, compôs
a canção Mi Vierro, gravada
em 1969
no seu álbum de Estéia e que
se popularizou no restante do continente
sendo regravada por diversos
artistas e gêneros
musicais. Então me
despeço com essas duas sugestões sonoras
e nos encontramos na próxima
sexta-feira com mais uma edição
da sua revista semanal de
política internacional em
formato podcastal.
Tchau, tchau!
Podcast Summary
Key Points:
O programa aborda as reações de líderes latino-americanos, como Javier Milei e Abelardo de la Espriella, à eleição brasileira, destacando o apoio a Flávio Bolsonaro.
A Argentina lançou um esquema de "passaporte dourado" para atrair investimentos estrangeiros e lidar com sua crise da dívida.
A Suprema Corte da Índia exige explicações do governo sobre a exclusão de 130 milhões de eleitores dos cadastros, um processo que afeta minorias, especialmente muçulmanos.
A pesquisa do professor Feliciano Guimarães (USP) indica que a política externa tem impacto eleitoral crescente no Brasil, com temas como o conflito Israel-Palestina e as relações com os EUA sendo centrais.
A análise aponta que o eleitor brasileiro, mesmo o desinformado, usa atalhos ideológicos para formar opiniões sobre temas internacionais, que são estruturadas e estáveis.
O bolsonarismo utiliza pautas internacionais para mobilização política, transformando arenas como o Conselho de Direitos Humanos da ONU em palco para suas agendas conservadoras.
A guerra na Ucrânia e a crise na Venezuela mudaram a percepção dos brasileiros, tornando a Rússia e a Venezuela os países com as imagens mais negativas.
O programa também noticia a interceptação de um navio com combustível para Cuba pelos EUA e o adiamento das eleições no Haiti.
Summary:
O episódio 478 do podcast Xadrez Verbal, gravado em 8 de outubro de 2026, inicia com anúncios e solidariedade a universidades afetadas por um incêndio. A "brincadeira do ônibus" celebra a linha 478P, com ouvintes compartilhando memórias. No "Giro de Notícias", a pauta latino-americana domina: a Argentina lança um controverso "passaporte dourado" para atrair capital estrangeiro, enquanto o judiciário argentino arquiva acusações contra Evo Morales.
No Paraguai, o Partido Colorado vence as eleições municipais. A atenção se volta para as eleições brasileiras, com reações internacionais. Javier Milei (Argentina) e Abelardo de la Espriella (Colômbia) parabenizam Flávio Bolsonaro, gerando preocupações sobre ingerência externa.
A análise da jornalista Fernanda Simas destaca o peso dessas declarações. O programa também aborda a Índia, onde a Suprema Corte investiga a exclusão de 130 milhões de eleitores, um processo que afeta minorias religiosas. A entrevista principal é com o professor Feliciano Guimarães (USP), que discute o impacto da política externa nas eleições.
Ele argumenta que temas internacionais, como o conflito Israel-Palestina e a relação com os EUA, têm saliência eleitoral e afetam a popularidade presidencial. Guimarães observa que os brasileiros são pacifistas e desejam protagonismo, e que o bolsonarismo explora pautas internacionais para mobilização política. A entrevista conclui que a política externa se tornou parte do debate eleitoral, exigindo equilíbrio dos candidatos.
FAQs
É um podcast semanal de política internacional apresentado por Matias Pinto e Felipe Nobre Figueiredo, com duração variável e foco em análises aprofundadas.
Os apresentadores são Matias Pinto e Felipe Nobre Figueiredo, que discutem temas de política internacional e relações exteriores.
O episódio é o número 478, gravado em 8 de outubro de 2026.
Haverá um painel na feira do livro de Caxias do Sul em 11 de outubro, às 14 horas, sobre 'Como viver em um país ocupado: A França sob o nazismo', com Cláudia Fim e Franciele Becker, incluindo sessão de autógrafos.
O programa se solidariza com a Universidade de Caxias do Sul e a Universidade Federal de Pernambuco devido a um incêndio que destruiu laboratórios e anos de pesquisas em 7 de outubro.
O ônibus 478P, que liga Sacomã a Pompeia (agora Vila Romana), é destacado como o melhor, com menções a suas variações e histórias de ouvintes.
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