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Xadrez Verbal #478 Política Externa Brasileira nas Eleições

from Xadrez Verbal

354m 28s

Xadrez Verbal #478 Política Externa Brasileira nas Eleições

O episódio 478 do podcast Xadrez Verbal, gravado em 8 de outubro de 2026, inicia com anúncios e solidariedade a universidades afetadas por um incêndio. A "brincadeira do ônibus" celebra a linha 478P, com ouvintes compartilhando memórias. No "Giro de Notícias", a pauta latino-americana domina: a Argentina lança um controverso "passaporte dourado" para atrair capital estrangeiro, enquanto o judiciário argentino arquiva acusações contra Evo Morales. No Paraguai, o Partido Colorado vence as eleições municipais. A atenção se volta para as eleições brasileiras, com reações internacionais. Javier Milei (Argentina) e Abelardo de la Espriella (Colômbia) parabenizam Flávio Bolsonaro, gerando preocupações sobre ingerência externa. A análise da jornalista Fernanda Simas destaca o peso dessas declarações. O programa também aborda a Índia, onde a Suprema Corte investiga a exclusão de 130 milhões de eleitores, um processo que afeta minorias religiosas. A entrevista principal é com o professor Feliciano Guimarães (USP), que discute o impacto da política externa nas eleições. Ele argumenta que temas internacionais, como o conflito Israel-Palestina e a relação com os EUA, têm saliência eleitoral e afetam a popularidade presidencial. Guimarães observa que os brasileiros são pacifistas e desejam protagonismo, e que o bolsonarismo explora pautas internacionais para mobilização política. A entrevista conclui que a política externa se tornou parte do debate eleitoral, exigindo equilíbrio dos candidatos.

Transcription

50362 Words, 295465 Characters

Portuguese
Central 3 Começa agora o Xadrez Verbal Bom crepúsculo, ouvintes da Central 3 Está começando mais uma edição do Xadrez Verbal A sua revista semanal de política internacional Em formato podcastal Meu nome é Matias Pinto e como sempre estou ao lado dele Meu amigo e companheiro Felipe Nobre Figueiredo O homem por trás do tabuleiro Olá meu caro Matias, olá a todos os nossos ouvintes Todo mundo que nos ouve, nos divulga, nos prestigia, nos ama, nos tolera, nos deseja Diz que nos odeia, mas não nos tira do ouvido Chegando o programa de número 478 Gravado nesse dia 8 de outubro de 2026 E a gente vai começar com um recado Pro pessoal de Caxias do Sul E se você conhece pessoas em Caxias do Sul Manda isso pra elas Porque nesse domingo agora, dia 11 Ou seja, logo depois que o programa for ao ar Na feira do livro de Caxias do Sul Nós vamos ter um painel Às 14 horas Chamado Como viver em um país ocupado A França sob o nazismo Que vai ser um bate-papo entre a Cláudia Fim E a nossa queridíssima Franciele Becker Incluindo sessão De autógrafos do livro dela Sobre a sombra da suástica A França ocupada Lembrando que a Fran já participou aqui do Xadrez Herbal Inclusive falando Do livro dela E o evento vai ter apoio Da livraria do Arco da Velha Antes da gente entrar Na brincadeira dos ônibus Dessa semana A gente também quer mandar um abraço E nos solidarizar com todos Os nossos ouvintes E amigos e colegas Da Universidade de Caxias do Sul E da Universidade Federal de Pernambuco Já que nessa última noite Do dia 7 de outubro Um dos principais laboratórios Da universidade Foi tomado por um incêndio Além do dano ao patrimônio público Que o prédio tinha mais de 100 milhões De reais em equipamentos Segundo o reitor da universidade Também danificou e destruiu Anos de pesquisas De diferentes áreas Algumas pesquisas com 20 anos de material Muitas delas ligadas à área de faróis Farmácia Mas também outras áreas do conhecimento Então a gente se solidariza Manda um abraço a todos os nossos amigos e ouvintes Da Federal de Pernambuco E que seja investigado Se foi incêndio criminoso E se foi incêndio criminoso Que os criminosos sejam responsabilizados Agora a gente vai entrar Na nossa brincadeira do ônibus Mas a gente vai começar com um recado Do programa passado Por quê? Porque na semana passada a gente deixou a brincadeira do ônibus Para o final do programa Já que Enfim, foi uma gravação muito caótica E sem muito Ânimo, sem muito clima Pelo que aconteceu com o nosso querido Lito E a gente deixou o recado Da nossa queridíssima Patrícia A Miss Armênia Para esse programa Porque ela exigiu Que ele fosse lido na íntegra Para o meu constrangimento Então O meu ônibus do coração É o 477A10 Que liga o terminal Pinheiros Ao Sacomã Onde eu descia na Avenida Paulista Com a Brigadeiro Ir ao Ópera Mundi Descendo a pé para o Bixiga Usei essa rota entre 2013 e 2016 Na minha outra vida Quando era jornalista E quando tive a honra de te conhecer Como colunista do Ópera E de onde nasceu nossa amizade Eu me lembro com muito carinho Sobre nossas conversas Sobre o embrião do xadrez herbal Quando você me falou que iria transformar O seu site em um podcast Quando ninguém falava da mídia podcast Como meio de política internacional Quando política internacional não definia eleição E ainda era nicho do jornalismo E de 5 horas de duração Quando ninguém achava que escutaria um programa de rádio tão longo E eu achava que você iria passar fome Desde então, mais de 10 anos se passaram Eu me tornei a Miss Armênia Mas você foi mais vezes para a Armênia do que eu E muito mais importante Se tornou uma referência na imprensa brasileira Sobre política internacional E eu não consigo mais sair na rua com você Sem ninguém pedindo para tirar uma foto com você Love you amigo A gente agradece Eu particularmente agradeço o carinho da Pathy Mas a gente tem que fazer uma breve correção Na cronologia Duas coisas Primeiro O podcast surgiu quando eu era colunista Do Opera naquele momento Mas o convite para fazer o podcast Foi feito pelo Matias E ele não nasceu com 5 horas de duração Tinha uma hora A nossa ideia original Era fazer 45 minutos Mais acréscimos Uma coisa bem Futebolística Mas a gente sempre explica isso Muitas vezes a gente fala Isso aqui não dá para se aprofundar Isso aqui deixa para outro momento E aí por demanda popular Ele foi ficando maior e maior Até as loucuras Que a gente já fez por aqui E em Priscazeras Eu peguei muito o 477A E ele era Seasa Sacomã Em 2013 que ele mudou Para terminar o Pinheiro Sacomã Tem 3 477 E todos acho que já mudaram de nome E falando em mudança de nome A gente vai falar do melhor ônibus do universo Agora Que é o 478P Sacomã Pompeia Que antes disso era Ipiranga Pompeia E hoje é Sacomã Vila Romana Mas o correto No meu coração é Ipiranga Pompeia Mas você tem o 478P10 Que vai pela Afonso Bovero E o 478P31 que vai pela Heitor Penteado E a Tânia Oda Nos mandou o 478P O Gabriel E o Hadi também mandou São um casal E o Gabriel disse que pegou muito esse ônibus Quando estudava na Vila Mariana E ia pra lá pra visitar minha amada Hadi Que foi quem me apresentou o Xadrez Herbal E atualmente moramos juntos Os dois mandaram no site Já nos e-mails meu caro Matias O Jefferson Pacaembu Não sei seu nome dele, seu bairro dele Seu apelido dele Também mandou o 478P Ele que contou uma história que envolve você Ele pegava o 478P Porque ele ia trabalhar na Vila Paulista Porém na volta Aí ele disse assim Ficando no ônibus mais alguns pontos Poderia descer perto do São Camilo E caminhar algumas quadras até o bar de futebol de Botão Onde fui ver vocês Numa live com o lançamento de um livro Se não me falha a memória Sobre torcidos organizadas da Argentina Eu não estava, era só o Matias Mas ele continua Nessa época eu tinha ouvido poucos episódios Estava super empolgado Queria divulgar pra todo mundo Então selecionei os amigos que achei que tinham mais perfis Convenci a ir Todos meio intelectuais, politizados, jornalistas, eloquentes, acadêmicos Resultado Eles montaram uma mesa na calçada E começaram a beber e conversar super entrosados Tanto que não pararam para ver o lançamento E falavam tão alto que até atrapalharam a live Sim, a culpa foi minha Hoje ele mora em Madrid Não parou de nos escutar Ele pediu um abraço pro André Coxa E forças pro André Que ele está passando por um tratamento médico Um abraço pro Thiago Nascimento Que também mandou os dois 478P Embora ele lembrou novamente Que ele foi unificado numa linha só Ele morava no Cambuci E pegava a linha Pra ir para a Avenida Paulista E ele disse que num carnaval Ele viu um estandarte vermelho escuro Muito bonito Homenageando a 478P Nos blocos de rua da Vila Romana Perto do seu ponto final E nunca descobriu a quem pertenceu o estandarte Muitos carnavais depois Encontrei minha amada Ana Clara Schneider A quem peço pra que vocês mandem um beijo Um beijo pra Ana Clara Ela morava na Vila Livieiro No Sacomã E hoje eles moram na Vila Mariana Um abraço pro JC Assis Que é o João Carlos Mas ele assina JC E ele disse que De fim de semana essa linha demora muito O que é verdade Inclusive E ele agora está esperando o episódio 7272 Vai demorar É É o Terminal Lapa Um abraço pro Juliano Cantadore Ele que nos ouve há muitos anos Ele que é formado em relações internacionais E ele disse que Antes do tempo do celular Ele tinha pavor de pegar por engano O 478P31 e não o 10 E ele disse que no coração dele Sempre será a Sacomã Pompeia Um abraço pro Jean Câmara Que também mandou o 478P E pediu um salve para o Gus Meu irmão de vida E ele disse que E o Hélio que me apresentou o programa Nos seus primórdios há cerca de 10 anos E finalmente meu caro Matias Um e-mail que me deixou muito triste A gente recebeu um e-mail Da Suzane Felício Que nos ouve desde 2016 Ela mandou o 478P10 Sacomã Vila Pompeia Que agora é Vila Romana Que passava na porta da casa dela Em que ela morava desde criança E ela pegou esse ônibus passando por debaixo da catraca Pra ir no Museu do Ipiranga Ela também pegou ele pra ir pra Avenida Paulista Tudo mais E também para ir comprar Pra ir na Avenida Paulista Na Sports Arcade Ela nos parabeniza E hoje ela mora em San Diego Na Califórnia Ela encontrou o Guilherme Casarões Na San Diego State University E é muito curioso Porque o Casarões vai participar desse programa E vai mencionar essa história E não foi ensaiado Só que por que esse e-mail me deixou triste Matias? Porque ela manda assim PS Felipe, creio que você não vai lembrar de mim Mas estudamos na mesma sala no Ensino Fundamental Quando eu mencionei que é esportes aqui da Paulista, eu ia com a Mariana Mariani. E óbvio que eu lembro de você, Suzane. A mãe dela me tratava muito bem, então um beijão para a Suzane. E fica aqui um abraço para dois ouvintes que eu encontrei no ônibus recentemente. O Vitor, lá na Climação, e o Renato, no Butantã. O Renato que é torcedor do Maringá e trabalha na Amazú, ali na Corifeu, a ZV do Marques. Bem, passemos agora para o primeiro bloco do Giro de Notícias. Giro de Notícias Notícia da sexta-feira da semana passada. A Argentina endividada lança esquema de passaporte dourado para atrair estrangeiros ricos. O detalhe, meu caro Matias, é que essa manchete é do Euronews. É um veículo ligado a. A União Europeia. Então, assim, o uso dos termos e tudo mais é muito curioso. A manchete da Forbes, por exemplo, é. Cidadania Argentina será novo símbolo de status para americanos ricos, dizem especialistas. Pois é. Então, o que a Argentina lançou agora? Se você contribuir com 350 mil dólares ao Tesouro Argentino. Investir 800 mil dólares num novo título de dívida pública argentino, você vai receber um passaporte argentino. E tem desconto para famílias, entendeu? Então, assim, famílias, até quatro pessoas não vão precisar pagar quatro vezes o valor, entendeu? Lembrando que a Argentina enfrenta uma dívida que vai vencer em 2027 de 20 mil dólares. 22 bilhões de euros, o que vai dar mais do que isso em dólares. E a ideia da Argentina é captar até 2 bilhões de euros com esse esquema de passaporte dourado em que você adquire a cidadania. Lembrando que a maioria dos países que têm esses esquemas, por exemplo, Chipre, os grandes compradores desses esquemas são pessoas cujas fortunas têm origem suspeitas e elas precisam de opções para se refugiar por aí. É. É. É. A maioria dos países que lançam mão disso são nações insulares com poucos recursos, principalmente no Caribe e no Pacífico Sul. Isso. Mas está copiando o Trump Gold Card também agora, né? E o detalhe é que essa medida vem no momento em que se discute justamente a compra de terras por estrangeiros na Argentina. É, você deixa de ser estrangeiro. Você deixa de ser estrangeiro, você consegue comprar propriedade. Comprar propriedades rurais. Pois é. E olha só, tem lítio na minha propriedade rural. Olha, que coincidência. Que coisa. E em uma notícia envolvendo o judiciário argentino, meu caro Matias, o Evo Morales, ex-presidente da Bolívia, o juiz federal argentino Sebastião Ramos, arquivou as denúncias contra o Evo Morales pela acusação de que ele teria supostamente abusado. Sexualmente de menores. Essa acusação, lembrando, era no judiciário argentino. Então foi arquivado por inexistência de delito. Não houve absolutamente nenhuma prova material, aparentemente. Foram 28 depoimentos colhidos nesse contexto. E a Nádia Beller, cidadã boliviana que teve uma tentativa de assassinato por parte do seu marido, o argentino Fernando Serimedo, declarou que por conta. Da prisão do procurador Roger Mariaca, tanto o Estado de Direito quanto a Soberania Nacional apodreceram. E isso para encobrir o Fernando Serimedo, nesse caso em específico, no qual ele está sendo investigado na Bolívia por essa tentativa de homicídio, mas porque ele sabe demais justamente das relações de poder tanto na Argentina quanto na Bolívia. E nesse aspecto também. A senadora boliviana Ana Maria Crispim enfrentou um grupo de representantes das embaixadas de Argentina, Estados Unidos e Peru que estavam no Parlamento em nome do escudo das Américas. Isso logo após também a prisão do procurador-geral da Bolívia, como a gente repercutiu na semana passada. E para concluir esse pequeno pião pela nossa quebrada latino-americana aqui no Giro de Notícias, cabe lembrar que o Paraguai teve eleições municipais nesse final de semana, a Associação Nacional Republicana, mais conhecida como Partido Colorado, foi a grande vencedora, agora comandará 186 das intendências, subiu 23 no total, teve mais de 50% de votos. O principal partido de oposição, que é o Liberal Radical Autêntico, perdeu 29 prefeituras, comanda apenas 34, enquanto que o Jocreo, que tinha apenas uma prefeitura, mais uma importante, que é Ciudad del Este, que a gente até repercutiu a eleição suplementária no final do ano passado, continuou comandando Ciudad del Este, onde teve uma grande vitória, novamente com o intendente Daniel Pereira Mujica, que desponta agora como principal nome de oposição, pensando nas próximas eleições presidenciais. E conquistou mais duas prefeituras, enquanto que partidos e alianças locais conquistaram 10 prefeituras, estão com 39 no total. Então, o Partido Colorado teve mais de 50% dos votos nessas eleições municipais no país vizinho. E outro país da região, no caso o Peru, também realizou eleições regionais no último domingo, mas até o momento desta gravação, ainda não temos os resultados. E, meu caro Matias, essa semana também tivemos a publicação da mais recente pesquisa do Latinobarômetro, que mediu que os latino-americanos avaliam que a influência chinesa é vista como positiva por 65% das pessoas, em contraste era 48% anos atrás, e agora 57% aprovam a dos Estados Unidos. Ou seja, veja que mais da metade aprovam as duas. São duas perguntas separadas, não foi quem você prefere, foi se você vê de maneira positiva ou de maneira negativa. E, antes de você puxar a próxima notícia também da América Latina, meu caro Matias, e explicando para o nosso ouvinte, a gente não vai ter o tradicional giro pela América Latina, como vocês vão ver, mas a gente tem muitas participações especiais nesse programa, mas antes de você puxar a próxima notícia, perguntar para o nosso ouvinte, para ele pensar em como era o mundo da informática 10 ou 20 anos atrás, e pedir para ele comparar com o que a gente tem hoje. A tecnologia mudou esse tempo todo, novas linguagens de programação, inteligência artificial, ferramentas, possibilidades que transformam não só a maneira como você trabalha, mas também as oportunidades que existem, e acompanhar tudo isso exige aprendizado contínuo. E aí que entra a Lura, a maior escola de tecnologia e inteligência artificial do Brasil, e não só a Lura, mas a Lura também. 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Também na sexta-feira da semana passada, guarda costeira dos Estados Unidos diz ter interceptado o navio que transportava combustível para Cuba. A guarda costeira dos Estados Unidos anunciou que interceptou esse navio de combustível que seria de uma Shadow Fleet. E assim, esse termo normalmente é utilizado nos Estados Unidos e na Europa para se referir à Rússia. O comunicado não fala diretamente de Rússia, mas usa um termo que normalmente é utilizado para se referir à Rússia. O nome do navio era Grace, ele foi interceptado no início de setembro e foi escoltado de volta para o México, onde ele foi inspecionado pela Marinha Mexicana, que confirmou a presença de grandes quantidades de combustível nos seus tanques. Então, é uma notícia. Notícia de setembro. cujo anúncio público foi feito agora, e vou repetir, usa um termo muitas vezes utilizado para se referir à Rússia, mas não acusa a Rússia frontalmente, nominalmente. Ainda no Caribe, meu caro Matias, as autoridades haitianas, como infelizmente a gente já tinha até especulado aqui, adiaram as eleições que estavam previstas para dezembro. Lembrando, a última eleição no Haiti ocorreu 10 anos atrás. De lá para cá, a violência e a crise humanitária do país só se agravaram. Em 2021, o então presidente Jovenel Moise foi assassinado e agora as eleições foram novamente adiadas. O primeiro turno estava marcado para o dia 13 de dezembro, porém, um novo calendário ainda não foi anunciado. E o atual presidente da Colômbia, o Abelardo de la Espriella, se manifestou em relação aos 17 colombianos que serão julgados, justamente pelo magnicídio do Jovenel Moise em 2021. Lembrando que ele é advogado de defesa e em suas redes publicou Não podem pagar os justos por pecadores. Não sou da classe de presidente que abandona os seus heróis quando enfrentam dificuldades. Assim, ele está falando de ex-militares colombianos que foram contratados como mercenários Como mercenários. para matar o presidente de um país vizinho. Enfim, é assim que ele está tratando. E o ministro da Justiça, o Ivan Cancino, diz que já nos colocamos em contato com familiares e há uma pessoa da chancelaria a caminho da Flórida, no caso. E também nos Estados Unidos relacionado à Colômbia, o Departamento de Tesouro anunciou a retirada de 37 pessoas e 31 empresas da chamada lista Clinton, que foi criada justamente no mandato do ex-presidente Bill Clinton para punir pessoas ou empresas que lavavam dinheiro para os cartéis ali nos anos 90. Notícia da segunda-feira passada, dia 5 de outubro. Trump confunde Brasil com Índia em post que elogia a eleição. O Donald Trump, ele decidiu elogiar a eleição brasileira. E ele disse, 125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial da Índia. Os resultados saíram pouco depois do encerramento da votação, no mesmo dia. E aí, logo depois, ele corrigiu para Brasil. Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e em várias outras cidades dos Estados Unidos, os resultados, com números muito menores, muitas vezes levam semanas para serem fraudados. Quero dizer, calculados. A votação nos Estados Unidos é. É maiúsculas corrupta. Ou seja, ele já está plantando o discurso de acusação de fraude para aprovar a derrota que os republicanos vão sofrer nas eleições de meio de mandato. E aqui, a gente vai falar rapidamente de algumas notícias sobre a eleição brasileira. E a gente vai ter duas entrevistas nesse programa sobre as eleições e sobre a política externa e a relação com as eleições. Mas, imagino que todos nós ouvintes sabem que no último dia 4, dia 4 de outubro, nós tivemos eleições gerais aqui no Brasil. O Donald Trump elogiou a Índia pela celeridade dos resultados. É pertinente ao xadrez herbal lembrar que, na sexta-feira, dia 2, Estados Unidos e Austrália suspenderam os serviços consulares no Brasil, alegando questões de segurança na véspera das eleições. Nós tivemos missões observadoras aqui nas eleições brasileiras e a missão. A observação eleitoral da Organização dos Estados Americanos, liderada por um chileno chamado José Miguel Insulza, emitiu o seu relatório preliminar, parabenizando o povo brasileiro, elogiando a urna brasileira, porém destacando também que o ambiente eleitoral brasileiro foi muito marcado pela desinformação nas redes sociais. Falando da ausência de critérios jurídicos harmonizados na justiça eleitoral sobre uso de imagem real gerada por inteligência artificial, etc, etc, etc. Tá? Comunicado inteiro, vocês podem acessar online. Nas eleições brasileiras nos Estados Unidos, meu caro Matias, tivemos um episódio absolutamente surreal. É difícil até achar palavras. Já que um brasileiro de 46 anos decidiu ficar circulando por um local de votação em Miami fantasiado de agente do ICE. Ele foi preso e aí uma juíza chamada Mindy Glazer disse que não era Halloween, que o traje não era apropriado, não é agora e não seria durante as eleições brasileiras no Miami Dade College. O brasileiro disse que a roupa foi comprada na Amazon, contestou a acusação do uso ilegal de ensino policial, o que torna, assim, tipo, você ter comprado uma roupa do ICE na Amazon não é uma justificativa. Enfim, a juíza disse também que era necessário levar o contexto e ele teve que ir para o Brasil. E ele teve que pagar uma fiança de 5.650 dólares, ou seja, o que vai dar mais ou menos aí uns 26, 28 mil reais. E antes de você puxar a participação da nossa querida Fernanda, meu caro Matias, recomendar também a leitura da coluna do professor Matias Spector na revista Foreign Affairs, que fala sobre as eleições brasileiras, mas no contexto da política, que está na brasileira. E a linha fina, a frase de chamada foi Brasil está perdendo a influência global e a sua autonomia para agir está sob risco. E agora nós ouviremos a participação da nossa companheira Fernanda Simas fazendo um pequeno pião pela nossa quebrada latino-americana repercutindo as reações dos países vizinhos em relação às eleições brasileiras. Olá, Matias. Olá, Felipe. E olá a todas e todos que nos assistem. Nos acompanham. Essa semana, o primeiro turno das eleições brasileiras também esteve em foco em alguns países da América Latina, principalmente Argentina e Colômbia, onde os atuais presidentes que representam a extrema-direita da região felicitaram Flávio Bolsonaro. Javier Millet, Abelardo de la Esprieia e a opositora venezuelana Maria Corina Machado foram os primeiros políticos da região a comentarem o desempenho de Flávio no primeiro turno. Sobrou aspas aqui. A liberdade avança no Brasil. Felicidade ao amigo Flávio Bolsonaro por essa histórica eleição diante do comunista Lula, escreveu Millet no ex-antigo Twitter. O presidente argentino foi ainda mais longe e já deu como certa a chegada do candidato ao Palácio do Planalto e afirmou que mantém a vontade de fortalecer as relações entre os dois países. O continente americano é, de cidadãos que querem viver em liberdade. Espero que rapidamente possamos começar a trabalhar juntos para que Argentina e Brasil continuem sendo grandes sócios comerciais, culturais e políticos. Foi o que Millet disse. A venezuelana Corina Machado também se pronunciou rapidamente após o resultado e disse, abro aspas, meu respeito e carinho ao povo do Brasil por uma jornada democrática exemplar na qual se pôde exercer com orgulho a sua vida. Soberania popular por meio do voto. Meu reconhecimento a Flávio Bolsonaro, ganhador desse primeiro turno. A Corina Machado foi um pouco mais longe também e vinculou o resultado ao cenário político regional, dizendo, nós, latino-americanos, queremos viver com liberdade, democracia, prosperidade e justiça. O Brasil tem um peso decisivo no futuro de nossa região. Muito em breve, a Venezuela também avançará no caminho da liberdade e deixaremos para trás para sempre o comunismo, a violência e o crime. Uma reflexão importante que eu trago aqui, esses dois personagens têm pesos diferentes ao darem essas declarações, porque o Millet é um presidente de um país que não é composto apenas por eleitores da extrema-direita, ele está ali representando o Brasil, que é seu principal parceiro comercializado, e cria uma situação muito complicada, principalmente em caso de não se concretizar uma vitória do Flávio Bolsonaro no segundo turno, no fim de outubro. Por outro lado, a Corina Machado está em uma posição de opositora importante na Venezuela, mas uma liderança política, ela não está ali representando a Venezuela em si. Então eu trago isso porque são declarações muito semelhantes que trazem aqui a palavra liberdade, criticam a questão do comunismo no governo, mesmo a gente sabendo que, enfim, principalmente aqui no Brasil, a gente não tem um governo comunista, mas com pesos diferentes. A gente tem que lembrar desse detalhe. O Millet, ele representa um país cujo Brasil é o seu principal parceiro comercial. E para entrar um pouco nas declarações do De La Esprieia, o presidente colombiano, eu lembro que a gente vem abordando aqui nos últimos programas, justamente a questão de como os pontos ideológicos vêm se sobrepondo até a questões políticas práticas entre os vizinhos. Isso apareceu muito justamente na resposta colombiana aos terremotos que afetaram o país dias depois da posse do novo presidente logo de imediato ele recusou a ajuda de determinados países por não serem países ideologicamente alinhados com o seu governo depois de algumas críticas ele voltou atrás mas enfim fica aqui de novo essa ressalva de como a questão ideológica está se sobrepondo a questões práticas de política entre vizinhos logo após a divulgação dos resultados do primeiro turno aqui no Brasil, o De La Esprieia falou em mudança no país dizendo, abre aspas hoje meu coração está com o Brasil que Deus tenha piedade do país irmão como teve da Colômbia a verdadeira mudança é derrotar a esquerda o De La Esprieia chamou o Flávio Bolsonaro de amigo e foi ainda mais longe eles tiveram uma conversa dias depois por meio de uma chamada de vídeo feita por intermédio do Eduardo Bolsonaro que está nos Estados Unidos apresentando aí o Flávio e diversas perguntas eram feitas ao De La Esprieia, principalmente dos temas de segurança que é um assunto que movimenta muito essa questão dos países latino-americanos diante das novas determinações da Casa Branca e também falando até das designações religiosas aí do governo e aqui chama a atenção que o De La Esprieia em determinado momento dessa conversa, ele fala estamos completamente de acordo e temos a mesma visão ninguém Flávio se equivoca quando faz o correto nós estamos do lado certo da história, os equivocados são eles, né então claramente opondo aí a questão do governo Lula com o candidato Flávio Bolsonaro e se posicionando já muito claramente alinhado com Flávio Bolsonaro, isso não é uma novidade mas da mesma forma que eu falei do Milenio, eu falo aqui do De La Esprieia ele é presidente da Colômbia ele representa o povo colombiano e quando ele faz declarações assim, ou quando ele participa de uma conversa com um candidato à presidência do Brasil, ele está ali representando o seu país ele fala como presidente a gente não pode dissociar essa imagem não é o De La Esprieia político que tem uma visão mais alinhada ao Flávio Bolsonaro ou um político da extrema direita que está ali falando simplesmente como a gente pode até colocar a questão da Maria Corina Machado hoje, ele é o presidente da Colômbia, ao falar justamente da questão de segurança por exemplo, durante a conversa o De La Esprieia traz à tona a figura do Jair Bolsonaro dizendo que o pai do Flávio seria aí o grande exemplo a ser seguido e traz depois na sequência a questão de que eles são candidatos políticos que devem o seu capital político à fé então ele encerra falando esta não é apenas uma guerra política, é uma guerra espiritual e ele se convence, ele fala estar convencido de que Deus vai mexer a sua mão pelo Brasil e o último ponto que eu queria trazer aqui para vocês hoje é justamente a ingerência externa no processo eleitoral brasileiro a gente vem abordando isso ao longo dos últimos programas falando principalmente da questão da interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral a gente teve questionamento de urnas lá em 2022 a gente teve isso sendo ventilado novamente ao longo dessa campanha mas essa cartilha ela não se realiza ela não se restringe ao ocupante da Casa Branca e nem ao governo Donald Trump a gente precisa lembrar que o próprio Milley subiu no palanque do Flávio Bolsonaro ao longo da campanha ele fez aquele show como a gente lembra falou da motosserra o Flávio falou também então a gente teve aí a atuação de um presidente da Argentina numa campanha política brasileira isso é algo que precisa ser levado em consideração quando a gente avalia esse tipo de atitude diplomática política entre os líderes aqui da América Latina e como isso tem ficado a serviço de uma cartilha dos Estados Unidos e de uma série de ações coordenadas internacionalmente e para finalizar como era esperado também nos Estados Unidos tanto o secretário de Estado Marco Rubio quanto o próprio presidente Donald Trump comentaram o fato de que Bolsonaro largou na frente na corrida pelo Palácio do Planalto Rubio afirmou vamos para o segundo turno acho que todos já esperavam por isso o Donald Trump foi mais enfático dias antes inclusive da votação dizendo que estava acompanhando muito de perto porque a eleição brasileira era muito importante e após a votação e ao contrário do que ele já havia ventilado diversas vezes sobre a questão brasileira o Trump elogiou a rapidez da apuração eleitoral aqui no Brasil dizendo 125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial do Brasil os resultados saíram logo após o encerramento da votação no mesmo dia foi o que ele escreveu aí na Truth Social ele inclusive fez uma confusão entre Brasil e Índia e depois corrigiu no post mas fato é, ele usou essa informação justamente para se referir a essa agilidade, dizendo que nos Estados Unidos o sistema eleitoral não é bom e que tem muita demora para apuração de votos e que isso pode levar a fraudes a gente sabe que segundo as pesquisas o governo Trump pode enfrentar um revés aí nas eleições de meio de mandato em novembro mas fica aqui essa fala dele contradizendo um pouco toda essa linha de fraude nas urnas brasileiras que também já havia sido ventilada outros países latino-americanos não se pronunciaram de forma oficial tendo aí o presidente como porta-voz, digamos assim a gente teve por exemplo no Uruguai diversos pronunciamentos de políticos, senadores da oposição e do governo e a própria Lucia Topolansky, que é mulher do Pepe Mujica e ex-vice-presidente aí ela sim dando apoio ao Lula no sentido de dizer como ele era importante para as mudanças sociais no Brasil a gente vai continuar acompanhando as possíveis reações ainda a esse resultado de primeiro lugar no primeiro turno aqui no Brasil dificilmente alguma declaração oficial sai a partir de agora e muito provavelmente só depois do segundo turno no dia 25 de outubro de qualquer forma, algo que a gente tem que ficar de olho a partir disso tudo que eu trouxe para vocês hoje é quais vão ser as futuras relações diplomáticas com o próximo presidente do Brasil, seja ele o Lula e aí com algumas dificuldades diante desse cenário que já foi apresentado ou seja ele Flávio Bolsonaro Notícia da segunda feira passada, dia 5 de outubro Suprema Corte da Índia exige respostas sobre alterações na lista de eleitores, agora é da Índia Isso, agora é da Índia mas por quê? Os nossos ouvintes, eles devem se lembrar que a gente mencionou algumas vezes aqui em alguns programas, no Giro de Notícias de que a Índia está fazendo o que as autoridades indianas estão chamando, lembrando que as autoridades nacionais indianas e que hoje governa boa parte dos estados é do BJP que é o partido do nacionalismo hindu, um partido que tem dentro dos seus braços uma conexão com o movimento RSS que é um movimento, basicamente é um fascismo hindu e eu digo que é um fascismo porque o movimento foi criado literalmente espelhado no fascismo italiano tá? Pois bem, a Índia segundo as suas autoridades está realizando um processo de recadastramento dos seus eleitores por quê? Porque a Índia alega que muitos registros eleitorais são antigos, que muitos registros eleitorais incluem pessoas mortas, pessoas que já faleceram, que isso favorece fraudes, esse tipo de coisa mas, ao mesmo tempo, muitos grupos de oposição dizem que isso na verdade é uma maneira de criar dificuldades para o registro eleitoral para tirar do registro eleitoral pessoas que estão vivas, mas que terão questionados o seu direito ao voto ou a sua cidadania por, por exemplo, serem muçulmanos ou por não conseguirem comprovar exatamente as circunstâncias do seu nascimento pensando no processo de partição da Índia então, uma pessoa que nasceu na década de 1980 mas cujos avós nasceram onde hoje é Bangladesh pode ter pode ter não, na verdade está tendo a sua cidadania questionada é um processo que é focado especialmente contra os muçulmanos, mas contra a oposição em geral e nessas últimas semanas, últimos meses assim como nós tivemos esses purgos, essas tentativas, melhor dizendo, de expurgos eleitorais, também tivemos muitos protestos da oposição, incluindo tanto o Congresso Nacional Indiano, o principal partido de oposição, partido de centro-esquerda e esquerda, quanto também do movimento dos estudantes das baratas. E, como consequência das ações judiciais movidas por alguns desses grupos de oposição, e que inclusive levou a renúncia do chefe da Comissão Eleitoral Indiana, a Suprema Corte, provocada por essa ação, emitiu uma demanda ao governo Modi para esclarecer, de forma transparente, sobre esse projeto de recadastramento dos eleitores, que teria levado à exclusão de dezenas de milhões de eleitores dos registros, e que já influenciou eleições estaduais, como, por exemplo, na Bengala Ocidental, e a gente falou disso em abril, aqui no programa, Bengala Ocidental, que fica na fronteira com Bangladesh. Então tem essa conexão com a questão muçulmana e também com o uso jurídico, uso cínico, juridicamente, dessa questão de nacionalidade, pensando no processo de partição da Índia. E estamos falando de, potencialmente, dezenas de milhões de pessoas que têm o direito ao voto e que foram excluídas da lista, e o número final de pessoas excluídas da lista de eleitores é de 130 milhões de pessoas. Isso é mais do que a população do México, isso é mais do que a população inteira da Argentina. Esses nomes foram excluídos e muitos deles, provavelmente, foram excluídos de maneira irregular ou ilegal. E, como apenas uma citação, apenas um complemento, meu caro Matias, dessa notícia indiana, nessa semana, o Ministro de Relações Exteriores da Índia, o Jain Shankar, lembrando que estamos falando de um governo à direita, ele participou de um evento com autoridades europeias em Delhi, e ele disse, para quem quiser ler o discurso dele na íntegra, tem na internet, ou vocês podem ler a matéria do Dehindo sobre o discurso, mas ele falou uma coisa que é o seguinte, o cenário internacional atual é marcado, primariamente, por um reposicionamento radical dos Estados Unidos. Um reposicionamento que é uma postura de escolha e que, de uma maneira, está deliberadamente se isolando do resto do mundo. A lonely power, ou seja, uma potência solitária, uma potência isolada. Enfim, achei uma declaração interessante e fica a recomendação. E, claro, um abraço para a nossa queridíssima Mariana Albuquerque, talvez a principal especialista sobre, talvez não, certamente a principal especialista sobre política externa indiana hoje no Brasil. Bem, passemos agora para a primeira das três colunas abertas, na qual o Felipe entrevistará o professor Feliciano Guimarães, do Instituto de Relações Internacionais da USP, sobre o impacto eleitoral da política externa. Coluna aberta. Professor Feliciano, o senhor, nos últimos anos, se dedicou também a pesquisar a relação entre a política externa brasileira e opinião pública e, também, o impacto da política externa nas instituições, em linhas gerais, como tem sido essa pesquisa e o que essa pesquisa, o que os dados mostram hoje do interesse do brasileiro pela política externa do seu país e pelo restante do mundo. Obrigado, Felipe, pela oportunidade de falar com vocês aqui no Xadrez Verbal. Adoro o canal de vocês, vocês são fantásticos no trabalho que vocês fazem para manter os temas das relações internacionais aí no debate público brasileiro e os meus alunos aqui na universidade são muito engajados em todo o trabalho que vocês fazem. Bem, essa pesquisa, a gente, como eu sou professor aqui da USP desde 2013, desde essa época, eu trabalho exatamente com esse tema e já são 13 anos e essa pesquisa já era anterior à própria entrada minha aqui, que ela vinha liderada pela professora Maria Hermínia, e o que a gente faz, né, com recursos da FAPESP, a partir de várias ondas de surveys, né, a gente faz como pesquisa de opinião comum, assim, que você faz aí para eleições, só que em vez de fazer perguntas sobre quem você vai votar e tudo mais, a gente faz perguntas sobre temas internacionais para os brasileiros. E a gente já fez isso em seis ondas, né, nós temos provavelmente a base de dados mais ampla do Brasil sobre o que os brasileiros pensam de política externa e da posição do Brasil no mundo e dos temas internacionais, e nós já descobrimos algumas grandes tendências ao longo desse tempo. A primeira delas é que nós conseguimos determinar que a ideia de que política externa não era importante para os eleitores brasileiros, ela era equivocada, né, isso durante muito tempo na Nova República havia essa percepção genérica de que os brasileiros não se importavam com política internacional e que seja para as opiniões, formação das suas opiniões, ou seja, para votar, a política internacional não tinha nenhum peso, né. O que a gente mostra nessas pesquisas é que, na realidade, os brasileiros, na sua imensa maioria, têm opiniões sobre temas internacionais e, mais do que isso, essas opiniões são estruturadas e estáveis ao longo do tempo. Um indicador de que os brasileiros e brasileiras não pensam, não teriam nenhum interesse em política internacional seria a instabilidade das opiniões, na medida que você faz surveys, e aí você tem grandes mudanças da opinião em política internacional ao longo do tempo. A gente mostra certos modelos estatísticos para fazer isso e que isso não é o caso, e que os brasileiros têm opinião que ela é relativamente estável ao longo do tempo. Essa é a primeira questão. A segunda questão é que a gente descobriu que a taxa de "não sei", que você faz uma pergunta sobre um tema internacional e a pessoa diz "não sei", ela é declinante ao longo do tempo, ou seja, os primeiros surveys que foram feitos lá no início de 2010, 2008, 2009, a taxa de "não sei" era um pouco mais alta em alguns temas. Na medida que o tempo passou, essas taxas de "não sei" foram diminuídas. É claro que algumas perguntas têm taxas de "não sei" mais altas do que outras. E como é um survey de opinião pública, você faz 50 perguntas no máximo. A gente tenta limitar isso porque ninguém responde muitas perguntas, fica muito custoso para o respondente. A gente faz uma amostra nacional com uma certa margem de erro, e essa amostra nacional tem que corresponder a mais ou menos o resultado nacional. E a gente faz perguntas, essas 50 perguntas, por telefone. A gente fez todas essas surveys por telefone ao longo do tempo. Agora, no nosso novo survey, que entrará para as ruas aí na virada do ano, a gente provavelmente fará pela internet, utilizando outras formas de fazer o survey, de captar essas perguntas, que é mais rápido e tão eficiente quanto. E também é importante fazer. Então, a gente descobriu que essa taxa de "não sei" vem diminuindo. Também é um indicativo de que os brasileiros, de alguma forma, acompanham os temas internacionais. Isso não quer dizer que a maioria dos brasileiros sabe exatamente o que é a COP30 ou os BRICS. Não se trata disso. Se trata de dizer que, quando em estados e perguntados sobre os sistemas internacionais, mesmo em temas que eles não conhecem bem e não acompanham, eles conseguem responder os surveys. Isso, a literatura percebe que esses tipos de respostas, perguntas complexas de surveys, seja para política internacional ou seja, política doméstica, quando o eleitor não sabe responder e ele acaba respondendo, ele usa atalhos cognitivos que têm a ver com esquerda, direita, classe social, gênero e preferências políticas. Então, ainda que uma pessoa, digamos, uma pessoa muito conservadora de direita, que não acompanha temas internacionais, ela é perguntada pelos BRICS. Ela não sabe muito bem o que é os BRICS, mas ela sabe que, como ela é de direita, ela vai ter uma opinião mais negativa sobre os BRICS, ou o inverso. Entendeu? Então, se ela fosse uma pessoa altamente escolarizada de esquerda ou não escolarizada de esquerda. Então, ainda que não acompanhasse temas internacionais. Então, esses são indicativos de que, de alguma maneira, os brasileiros têm noções de temas internacionais. Outro aspecto que nós descobrimos é que, no que diz respeito a voto e motivação de voto, e essa é a agenda com a qual nós estamos trabalhando hoje em dia, e ela é uma agenda muito difícil de ser feita, mas a gente está trabalhando, é que nós identificamos que há temas e temas na cabeça dos brasileiros. Alguns temas internacionais são mais importantes do que outros. O que nós descobrimos é que, nessa eleição, nessa virada desse ciclo eleitoral, quatro temas tomaram conta dos temas internacionais na cabeça dos brasileiros, que é, número um, o conflito entre Israel e Palestina, número dois, Venezuela, número três, a guerra da Ucrânia, embora a guerra da Ucrânia tenha diminuído de importância entre os brasileiros nos últimos anos, e número três, que aumentou muito a importância, obviamente, a relação Brasil-Estados Unidos, mais especificamente, como o Trump trata o Brasil, né? Então, esses temas, se eu pudesse dizer, responder a pergunta, quais são os temas internacionais que têm algum impacto eleitoral, que motivam os brasileiros em voto, seriam esses quatro temas. Isso não quer dizer que os brasileiros vão às urnas e votam baseado. Esses são os temas que definem o voto. Não se trata disso. O que se trata de dizer é que esses são temas de alta saliência, ou seja, de importância. É menor, por exemplo, a importância de um acordo Mercosul-União Europeia. É menor a importância da. A organização da COP30, é a menor organização da Conferência dos BRICS. Eu sempre digo isso, o presidente Lula, ele pode organizar 50. reuniões dos BRICS, fazer 50 COP30 no Brasil, mas se ele toma uma posição errada na questão Israel-Palestina do ponto de vista eleitoral e do ponto de vista da popularidade do presidente vai tudo por água abaixo então são temas que a presidência da república, qualquer que ela seja se essa tendência continuar, terá que tomar muito cuidado no seu posicionamento não porque isso efetivamente dá voto mas porque isso efetivamente afeta a imagem presidencial, e a imagem presidencial é o principal preditor de voto nas eleições presidenciais. Outro aspecto que tem crescido, a gente não tem dados quantitativos, mas a gente tem dados qualitativos, é que existem vários candidatos como essa eleição agora muito provavelmente mostrará, a gente está começando a levantar esses dados que candidatos a deputados e senadores, principalmente na direita, que fazem campanhas eleitorais usando vários temas, e muitos desses temas são temas internacionais se você notar os deputados e senadores que faziam parte da CAE, que é a Comissão de Assuntos Exteriores do Senado, e foram para a reeleição e da CREDEM, que é a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, e foram para a reeleição tiveram sucesso e eles participaram, fizeram um debate público de temas internacionais durante toda essa legislatura isso significa dizer que alguns deputados e alguns senadores, e não são todos obviamente, já intuíram e já observaram na urna que as suas pautas internacionais têm efeito eleitoral isso para resumir o que então? de que política externa é determinante no voto e na vitória e na derrota de uma eleição presidencial? não, não se trata disso, se trata apenas de dizer que política externa e política internacional fazem parte hoje do número de políticas públicas que têm efeito eleitoral na popularidade presidencial e na eleição de alguns deputados e senadores e não todos, então no final a gente acabou vencendo um pouco esse debate público de que política externa efetivamente não dá voto e que o Itamaraty tinha liberdade de formular e implementar política externa a despeito dos resultados eleitorais de plantão, isso não é mais verdade também não significa dizer como eu falei, que política externa é o fator determinante eu acho em particular que o presidente Lula nessa campanha presidencial agora na medida que ele colocou soberania como um dos temas fundamentais da sua campanha ele intuiu um pouco essa questão dos efeitos internacionais na eleição talvez ele tenha errado na dosagem porque ele fez uma campanha muito forte em temas internacionais e aí talvez tenha deixado um pouco de lado outros temas que estavam aí na cabeça dos brasileiros e motivaram o voto nesse primeiro turno e por isso está uma situação um pouco mais difícil Feliciano nessa sua primeira resposta você já antecipou várias das perguntas que eu pretendo lhe fazer e uma delas foi você falou que temas de política externa muitas vezes acabam sem uma forma de a pessoa se ela não tem muito conhecimento sobre aquele tema ela usa o que você chamou de gatilhos cognitivos a partir da autoidentidade ideológica dela para definir a posição dela, então você deu o exemplo lá dos BRICS, se uma pessoa for à direita e não souber muito bem o que é os BRICS ela muito provavelmente vai ter uma opinião negativa sobre isso. A minha pergunta para você é considerando que política externa e política internacional não costuma receber um grande espaço no noticiário, costuma ser uma discussão às vezes um pouco mais difícil um pouco mais inacessível para muitas pessoas ou até mesmo de não tão grande interesse cotidiano a gente vai entrar nisso também mas considerando esses fatores de inacessibilidade de dificuldade e que você tem o que você chamou de gatilhos cognitivos a visão de política externa ela também não acaba sendo na verdade uma visão muitas vezes pouco informada e que serve na verdade de viés de confirmação então se eu sou de esquerda eu terei uma posição, se eu sou de direita eu terei essa outra posição e não o contrário, por ter essa posição eu acho que eu vou voltar mais à esquerda ou vou voltar mais à direita não acaba sendo um viés de confirmação? Olha, uma da como é que a gente faz o survey, né a gente, a primeira pergunta do survey desde o início das ondas a gente pergunta assim para os respondentes você se interessa por política internacional e relações internacionais, política externa e relações internacionais aí a pessoa responde sim ou não aí a segunda pergunta assim, você me diga o que significa essa sigla aí a sigla é ou ONU ou OEA, quando você faz isso você acaba segregando a amostra em dois grandes grupos entre o público informado e interessado e o público desinformado e desinteressado então é 80% em média desinteressado e desinformado e 20% em média informado e interessado e acontece, a gente sempre compara em todos os relatórios a opinião em certos temas de um grupo versus outro grupo, o que a gente acabou descobrindo é que não há grandes diferenças entre os grupos informados e interessados e os grupos desinformados e desinteressados em termos de política externa, ou pelo menos não era assim até o nosso survey de 2019, que é quando começa a captar a ascensão do bolsonarismo no Brasil posso falar um pouco sobre isso porque eles têm uma visão bastante diferente de política externa do que era a visão média dos brasileiros até então, então o que a gente acabou notando é que o nível de informação ou pelo menos aquilo que a pessoa indica como o nível de informação, ela não altera muito as percepções que os brasileiros têm, na média é isso, claro de temas internacionais então, é a mesma lógica aplicada à política de saúde à política de educação, por exemplo eu particularmente, eu, Feliciano, não acompanho muito a política de saúde, eu tenho algumas noções gerais de política de saúde, aí talvez eu sendo um cara de esquerda ou de direita, isso vai ter uma certa, quando eu for instado sobre isso, eu vou fazer esses atalhos e vou tentar responder o que é o que significa dizer que esse viés de confirmação possível mantém uma certa estabilidade das respostas ao longo do tempo, número um e número dois, as lideranças políticas têm um papel muito importante de construir o que é ser de esquerda e direita em política internacional, porque não é tão simples isso nós nunca vamos saber se as pessoas que não acompanham política internacional não se interessam, que são diferentes de você ou de mim se essas pessoas elas são elas são influenciadas e de que maneira elas são influenciadas pela elite política que são os diplomatas e os presidentes e governadores e deputados e senadores que tratam de temas internacionais e tem nas suas plataformas, essa elite também é composta pelos jornalistas, inclusive você faz parte da elite eu também faço parte da elite na medida que eu sou professor e estou toda hora falando na mídia então, essa elite política daquilo que a gente chama de comunidade da política externa, que é um grupo pequeno de pessoas em torno de 10 mil pessoas no Brasil que tem interesse e falam sobre temas internacionais sistematicamente, essa tal de elite da política externa qual o papel dela na formação do pensamento do resto dos brasileiros é muito difícil de entender e é uma incógnita nós não sabemos se é a elite e as suas várias formatos que definem a opinião das pessoas ou a opinião das pessoas que define as elites porque as elites fazem parte do resto da população isso para dizer o seguinte, que ainda que exista um certo viés de confirmação, são as elites políticas que acabam definindo o que é um pouco ser a direita ou esquerda, então eu vou te dar o exemplo hipotético agora que me vem à cabeça então digamos que amanhã o presidente seja Flávio Bolsonaro eleito no segundo turno e você tem a percepção, se você é uma pessoa de direita que apoia o Bolsonaro você vai ter uma boa relação você vai ter uma visão positiva dos Estados Unidos mas, se por alguma razão, embora seja improvável o governo Trump ou o próximo governo democrata entrar em conflito com o governo Flávio Bolsonaro e o Flávio Bolsonaro começar a dar sinais de que a relação Brasil-Estados Unidos é um problema para o governo dele ele pode ter um efeito na opinião das demais pessoas, as pessoas podem deslocar aquela percepção em relação aos Estados Unidos que era de admiração para conflito, por exemplo então ainda que exista um certo viés pela sua de ser direita ou ser esquerda ser rico ou ser pobre, essas opiniões elas podem ser alteradas pela liderança política eu vou te dar um exemplo de coisa rara um outro exemplo que é raro de acontecer em opinião pública e política internacional que são mudanças repentinas de opinião da população quando começou a guerra de Gaza a gente tinha feito um survey perguntando, antes de antes de outubro de 23, a gente tinha feito um survey recente em que a gente perguntava aos brasileiros e brasileiras o que eles achavam do conflito Israel-Palestina e a gente tinha identificado que a causa palestina no Brasil não tinha nenhum apoio da população, era zerado apenas 1% da população e essas pessoas eram altamente escolarizadas e de esquerda apoiavam a causa palestina sozinha sem a solução de dois estados era só isso e a gente também tinha identificado que na realidade a maior defesa dos brasileiros, que era em torno de 30% era a solução dos dois estados depois um pouco mais só o lado israelense e depois uma opção que a gente tinha colocado que era o Brasil não se envolver com esse tema, não ter opinião sobre esse tema então não havia grande apoio da causa palestina no Brasil tem o ataque do Hamas, eu participei de outras pesquisas de opinião por outras empresas. empresas, ajudando e a gente acabou descobrindo que a opinião pró-Israel acabou aumentando nos meses seguintes ao ataque do Hamas. Mas daí a guerra continua. A guerra continua, a guerra continua, a guerra continua, as imagens do que aconteceu em Gaza chegam para todos os brasileiros e aí começa a mudar a opinião dos brasileiros. O paper que nós vamos publicar agora, aqui eu e mais dois coautores, é que o nome é da, não lembro, o título é algo como do apoio ao Israel ao empate. Houve um empate, ou seja, a causa palestina no Brasil cresceu em apoio e cresceu bastante apoio ao ponto de equilibrar com a causa só de Israel, que caiu em apoio. E a causa, e a solução dos dois estados, a qual eu particularmente defendo, pessoalmente, ela ficou estável ao longo do tempo, um pouco entre 20 e 30%. Isso é algo raro de acontecer. Isso significa dizer que ou as elites políticas brasileiras, que eram mais que faziam defesa da causa palestina, ou a mídia brasileira, ela teve um efeito. Sobre a população em geral, e inclusive sobre aqueles que não acompanham e não se interessam por política internacional. O meu último ponto, que é algo com uma agenda de pesquisa que a gente abriu agora, a minha orientana, a Ana Mello, ela ganhou o prêmio nacional CAPS, agora de tese de doutorado em relações internacionais e ciência política, em que nós analisamos, ela faz uma grande análise de como a liderança política da extrema direita, mas também da esquerda, mas com foco na extrema direita, opera temas internacionais. Nas mídias sociais, com ênfase no Twitter, ainda quando o Twitter era mais aberto. O que a gente mostrou é que, com a profusão dos meios, veículos e mídias sociais, e eu acho que o Xadrez Verbal, inclusive, participa desse processo, à medida em que espalha as opiniões sobre temas internacionais para além da grande mídia brasileira, as fontes de informação sobre temas internacionais se diversificou demais. E aí essas enormes bolhas de opinião sobre temas internacionais, as fontes de opinião sobre temas internacionais, se diversificou demais. E aí essas enormes bolhas de opinião sobre temas internacionais, se diversificou demais. E a tese de doutorado dela mostra como isso aconteceu dentro da extrema direita e como é importante os temas internacionais para a consolidação de identidades, convencimento dos eleitores e construção da comunidade extrema direita nas mídias sociais. Então esse é um outro fator, quer dizer, ainda que exista o viagem de confirmação, eu sou direita, eu vou gostar mais dos Estados Unidos, eu sou esquerda, eu vou gostar mais da China, essas opiniões podem ser alteradas a depender do posicionamento das lideranças políticas, porque as lideranças políticas, as elites, em geral, têm efeito, embora a gente não saiba exatamente como opera esse mecanismo, na opinião das pessoas. Então para dizer, é possível alterar essas opiniões de política internacional? Claro que é possível. É possível você fazer com uma pessoa que aparentemente tem opiniões exclusivamente de direita em temas internacionais e em um ou outro tema tem uma opinião que não seja de tão assim de direita? É possível. Agora, é claro que vai existir esses dois grandes polos de direita e esquerda e isso tem efeito nas suas preferências de política externa. Também, não apenas em política de saúde, política educacional e tudo mais. Feliciano, uma outra questão, juntando alguns pontos das suas respostas, você nessa resposta agora, você falou que pelo posicionamento de lideranças políticas, é possível que a opinião das pessoas que seguem ou que apreciam, que votaram naquela liderança política, é possível que a opinião, a posição dessas pessoas mude. Além disso, nós vimos que a maioria das pessoas melhor votadas para cargos legislativos nesse último pleito, são pessoas com uma forte presença nas redes sociais. E nas redes sociais, nós temos um favorecimento de um modelo, de um formato, até pela sua própria rede, pelos algoritmos, do formato de vídeos curtos, de conteúdos muitas vezes mais superficiais, sensacionalistas. E o terceiro elemento da minha pergunta, que foi na sua primeira resposta, você falou que aquele isolamento técnico do Itamaraty, esse cenário está diminuindo. Esse cenário vai ser afetado por essa mudança no comportamento brasileiro que a sua pesquisa tem detectado. A conclusão da minha pergunta, juntando esses três elementos, é, não há um risco, então, de se surgir uma política externa completamente populista e sequestrada pelos impulsos das redes, uma política externa que vai ser feita para gerar corte no Instagram, falando de uma forma bem exagerada, um pouco exagerada até, uma política externa movida por TikTok, e não uma política externa movida por pensamento de longo prazo, ou por elos considerados, por laços, pela construção de laços comerciais, mesmo que com países completamente diferentes? Com certeza será um problema para o Itamaraty e para todos os outros ministérios e o presidente da República de plantão que opera a política externa. Se a política externa se populariza dessa maneira, quer dizer, se ela faz parte, esses deputados e senadores fazem cortes curtos, dizendo que. que precisa apoiar Israel, que precisa apoiar a Palestina, que a Venezuela é uma ditadura e demora dois segundos, três segundos, e isso tem efeito eleitoral na eleição de deputados e senadores, e os deputados e senadores vão para o Congresso Nacional, participam da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, ou a CAE, a Comissão de Relações Exteriores do Senado, a CRE, eles vão responder a isso. Assim como ocorre na política de saúde, educação, política econômica, e isso é uma pressão maior sobre a burocracia de Estado e sobre o presidente de plantão. E acontecerá muitas vezes, como já está acontecendo, de você ter essas ações altamente populistas de certos deputados e senadores da esquerda e da direita, exigindo certas posições que o Itamaraty não pode tomar, seja por, como você falou, seja por compromissos prévios assumidos, seja por conta do segredo, política externa se faz com segredo, você faz compromissos com outros países, e muitos desses compromissos são secretos, você faz, se você tem tratados internacionais, você tem, às vezes, posições que são muito, podem ser muito extremadas na política, por exemplo, uma narrativa anti-China muito forte, depois interesses econômicos muito concretos, que são muito difíceis de reverter, e aí você tem uma pressão do Congresso sobre o Itamaraty, o Itamaraty se é colocado numa situação difícil, não consegue resistir, é obrigado a ceder, e isso tem efeito econômico de longo prazo. Então o presidente da República tem mais essa variável para lidar, ele tem que, ele vai ter que eternamente uma forma de atender as demandas desses senadores e deputados mais sensacionalistas em termos internacionais e as necessidades concretas da política externa de curto e longo prazo. Esse será um conflito enorme que pode levar a uma paralisia, uma pressão excessiva sobre o Itamaraty, e erros crassos de política externa com efeitos deletérios para a nação como um todo, com efeitos coletivos. Você pode ter aquele deputado ou senador, por ser muito influente, mudado a posição do Brasil em certo tema, por alguma razão, e essa mudança embora faça com que ele seja eleito e reeleito, e a base dele seja atendida, o Brasil sofre um grande prejuízo porque a decisão, enfim, tem um efeito negativo. Aí vai depender sempre da presidência da República. Esse é o risco que ocorre em todas as políticas públicas. Por que a política externa seria diferente disso? Se você entrevistar esses diplomatas hoje trabalhando em Brasília, você vai notar que uma das grandes pressões que eles sofrem hoje, que sofreram durante todo esse governo, foi exatamente da Comissão de Nações Exteriores e Defesa Nacional. E da Comissão de Nações Exteriores do Senado. Não porque eram simplesmente convocações do ministro para ele explicar uma. Simples convocações do ministro para explicar uma posição A ou B. Mas é a pressão política que é feita sobre o ministro nessas convocações. Essa é uma leitura. Agora você pode ter uma outra leitura. É absolutamente necessário que o ministro preste contas à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. Então, ele não pode se. E evitar esse tipo de ação, né? Então, o ponto é, a política externa sofre uma pressão de baixo para cima que historicamente não sofria. Isso dificultará, não há dúvida, a construção de política externa de longo prazo no Brasil. Mas isso não impossibilitará a construção de política externa de longo prazo no Brasil. Vai depender muito da capacidade e do interesse da Presidência da República de coordenar as ações dos ministérios. E esse vejo, esse nem é o maior efeito de isolamento ou enfraquecimento. O Itamaraty sofre pressão de todos os lados. Acho que a maior pressão sobre Itamaraty e o seu histórico isolamento de política externa não vem das camadas populares e dos seus representantes. Ela vem de outros ministérios. Temas de política externa, eles fazem parte de todos os ministérios da esplanada. O Ministério da Educação, o Ministério da Defesa, que é o mais próximo em política externa do Itamaraty, vai no Ministério da Saúde, no Ministério da Infraestrutura, todos, historicamente, sempre operaram. Mas durante a transição da ditadura para a democracia, nos primeiros anos da democracia, o Itamaraty conseguia reter algum tipo de capacidade de coordenação das ações políticas exteriores. Isso está cada vez mais diluído. E o Itamaraty tem cada vez mais dificuldade de manter isso. Agora, cabe ao Itamaraty se reformar. O Itamaraty não se reforma. Me diga aí uma mudança na carreira, no sistema carreiras no Itamaraty, na forma como os diplomatas sobem na carreira, Escolhidos como embaixadores nesses últimos 20 anos Que tenha sido relevante Me mostre uma reforma Que o Itamaraty tenha feito no que diz respeito A abertura da sua política externa Para os conselhos populares Todos os ministérios da república Têm conselhos Saúde, educação, todos Agora houve um enorme esforço para abrir o conselho da política externa Com o PEB Itamaraty no final Aos 45 do segundo tempo Muita gente achava que ia dar certo O Itamaraty recuou e não deixa Sob o argumento de que se deixar Criar um conselho Que é uma representação da sociedade civil Não mandatória Não tem efeito sobre a decisão concreta da política externa Mas teria efeito sobre o debate Da política externa dentro do Itamaraty Esse conselho Que era o com o PEB foi derrubado pelo Itamaraty Sob o argumento de que isso seria contrário A os interesses de longo prazo da política externa Isso só contribui, na minha interpretação Para o isolamento do Itamaraty Então você nota O momento muito difícil da casa Porque de um lado Eles vão sofrer uma pressão popular Porque a política externa em alguns temas Chegou às casas das pessoas E de outro Eles vão sentir essa pressão Dos outros ministérios Que são muito mais ativos na relação com a sociedade civil E conseguem construir pautas internacionais Mais legítimas e poderosas Do que o próprio Itamaraty que fica isolado Na sua burocracia As burocracias isoladas Que ainda mais na política externa Que é a história da construção da política externa Dos países Que é uma A ideia da coesão da diplomacia Da burocracia Talvez não seja o melhor formato Para o Itamaraty hoje Ele precisa se abrir Sem perder a centralidade Na formulação da política externa Esse é o grande desafio da casa E eu não sei se a casa está preparada Para fazer isso É muito difícil Os diplomatas são muito corporativistas Eles se defendem muito Eu sou professor de universidade pública Eu também sou corporativista Eu também me defendo Mas eu acho que algumas reformas São importantes para a sobrevivência O tema da política externa e das eleições É um ingrediente a mais nesse sentido Sobre a questão das redes sociais Apenas para dar um exemplo Talvez numérico O xadrez herbal mais ouvido De 2025 Foi sobre A questão do Nepal Aquele programa Ele já chegou quase a 100 mil downloads integrais Ou seja, o número de streamings O número de audiência concreta Nepal, veja só Então, mas é exatamente isso que eu quero te explicar, Feliciano E naquele programa a gente ficou Mais ou menos uma hora, uma hora e pouco Falando sobre o Nepal Por conta daquelas imagens que viralizaram E a gente fez todo um retrospecto Eu assisti o programa Sentei a bunda na cadeira e estudei Só que Você tinha imagens Você tinha vídeos curtos Feitos por, muitas vezes, deputados Atores políticos Que alcançavam milhões de visualizações Com vídeos de 40 segundos, um minuto Que eram apenas as imagens chocantes Dizendo, ah, precisamos fazer a mesma coisa no Brasil Ou seja, sem absolutamente Nenhuma contextualização Por isso que eu fiz a pergunta Também dos cortes do Instagram Ou das redes sociais em geral Mas Tentando trazer A sua pesquisa Para uma questão, digamos Propositiva O que a sua pesquisa, Feliciano Tem detectado De quais são os temas Mais perenes e importantes Para o brasileiro Porque alguns temas ali Como pacifismo Protagonismo Quais são os temas Mais importantes para os brasileiros Veja, quando você faz Ótima pergunta Quando você faz várias ondas de opinião Pública Aí você tem umas grandes bases de dados Várias perguntas O que a gente tentava A gente fez um paper sobre isso Tentar identificar algo Que você foi identificado em muitos outros países Quais são os princípios organizadores Da visão de mundo dos brasileiros Que são a base a partir de qual Todas as opiniões são construídas Isso foi feito nos Estados Unidos Feito na França, feito na Argentina E não tinha sido feito no Brasil E a gente fez um enorme esforço E tentou fazer isso O que a gente fez foi fazer isso O que a gente identificou É que para os princípios O que os brasileiros mais desejam Das relações internacionais Isso é a média dos brasileiros Não é todos os brasileiros As fringes mais radicais não pensam assim Mas essa é a média dos brasileiros São dois princípios gerais que organizam O desejo dos brasileiros no mundo Número um, que é pacifismo Os brasileiros são altamente pacifistas São contra a guerra Contra a violência É difícil explicar porquê Os possam especular por conta do crime no Brasil Enfim, é uma coisa que a gente tem que entender Enfim, isso parece ser banal Mas só que muitos outros países Por exemplo, os Estados Unidos, não é assim Pacifismo não é um princípio organizador Da visão de mundo dos americanos Pelo contrário, é guerra Os chineses não são assim Os russos não são assim E os brasileiros são assim O outro tema, que é típico do Brasil E até intuitivo, que é o protagonismo Ou seja, os brasileiros acham, na média De que o mundo vai ganhar muito Se nós formos protagonistas Nós queremos ser mais do que aquilo que nós aparentamos Ser ou daquilo que nós somos É um desejo de grandeza dos brasileiros Talvez seja por conta do nosso tamanho Por conta das enormes frustrações Que nós tivemos ao longo da história Parece que o Brasil ia chegar e o Brasil nunca chegava Então é esse enorme desejo de protagonismo O que a gente argumenta É que, isso é um pouco complexo de explicar Mas o que a gente argumenta É que isso são os princípios organizadores De todas as visões dos brasileiros Em todos os temas internacionais Ou seja, se você gosta dos BRICS Se você gosta dos Estados Unidos, da China Se você acha que o Brasil deve se aproximar da China Dos Estados Unidos Independentemente se você é esquerda ou direita O que significa dizer que qualquer presidente da república Que trabalha contra esses dois princípios Vai ter uma rejeição nacional Em termos de política internacional Um governo que trabalha a favor da guerra O que parece ser impensável no Brasil Vai ser, obviamente, muito questionado E um governo que trabalha contra o protagonismo Quer dizer, a ideia do Brasil pequeno Também vai ser altamente questionado Isso já é um pouco mais possível De acontecer na formulação de política externa Bom, esse é o tema da questão A questão dos temas gerais Da forma pela qual os brasileiros organizam a sua visão Outra coisa que eu falei pra você Em uma outra resposta É que existem temas que estão na cabeça do cotidiano do brasileiro Quando ele tem opiniões formadas sobre isso Em temas internacionais E são aqueles quatro que eu te falei Que é o que a gente identificou nesse último ciclo aí Que é Israel-Palestina Que é o mais perene de todos E não é só no Brasil isso Pelo menos no ocidente inteiro Não é no mundo todo Porque os chineses Os vietnamitas E os japoneses Não se importam muito com essa questão Agora no ocidente E no mundo islâmico Obviamente esse é um tema muito importante Esse é perene O outro que se tornou importante no Brasil É Venezuela E principalmente nos últimos Pelo menos desde a ascensão do Maduro no poder O Maduro foi o político mais rejeitado pelos brasileiros da história Mais de 90% dos brasileiros rejeitavam o Maduro Numa incrível. Isso é raríssimo Não tem nenhum outro líder brasileiro ou estrangeiro Que tinha uma taxa de rejeição tão alta Quanto o Maduro no Brasil Na minha opinião pessoal Por justas razões Ser tão rejeitado E aí no caso o presidente Lula O governo dele tinha uma política externa Muito longe do eleitor mediano brasileiro Que causou não só problemas da política externa Porque ele foi amplamente atacado pela oposição Mas a própria operação da política externa Na formulação Que estava muito longe da média De como os brasileiros pensam sobre o tema A guerra da Ucrânia Que é algo que entrou Nos primeiros dois anos da guerra Foi mais importante para os brasileiros Nos últimos anos vem diminuindo a importância A guerra da Ucrânia ficou um pouco assim como O tema constante de política internacional Porque a guerra nunca acaba Então ela perde essa aliança Mas a gente identificou que 65% dos brasileiros São a favor da Ucrânia na guerra E que a Rússia não tem apoio entre os brasileiros Na realidade os brasileiros só vêem dois países De forma negativa Que é a Venezuela E a gente não tem dados muito recentes Da Venezuela Portanto talvez tenha mudado a sua opinião Com a mudança de governo na Venezuela Aqui com a entrada da Dulce Rodrigues Mas eu acho que não Acho que ainda a Venezuela Viu-se de forma muito negativa É uma mistura de Venezuela com Maduro Na percepção dos brasileiros Antes do Maduro Na época do Chávez A visão da Venezuela não era tão negativa Não era negativa Era positiva E a outra é a Rússia E é o que é estranho Porque a Rússia não tinha uma visão negativa Antes da guerra da Ucrânia É muito provavelmente que ter sido a guerra da Ucrânia O que a Rússia faz na Ucrânia E as imagens que chegam no Brasil Que são na sua imensa maioria Do lado brasileiro Ucraniano Do que acontece dentro do território ucraniano Que fizeram com que a Rússia Tenha sido colocada Tenha sido Nos nossos serviços Colocada pelos brasileiros Como a maior ameaça A paz mundial É maior que os Estados Unidos O governo Trump É maior que a China É a Rússia do Putin Então Esse também é interessante E por fim Que é o tema que tomou conta agora Nesses últimos meses Anos Nesse último ano e meio Que é o Trump E a agressividade da política do Trump Em relação ao Brasil Isso foi bastante debatido Na mídia aí Sobre aquele efeito Rally around the flag Que era As primeiras tarifas do Trump E a lei Magnitsky Deram um boom de popularidade Para o presidente Lula Porque ele saiu para defender O nacionalismo Brasileiro E aí parte do eleitorado Que não era tão pró-Lula Acabou apoiando o presidente Nesse momento Porque era como um alto de resistência Mas os americanos aprenderam Os americanos viram Que aquelas ações muito agressivas Com o Brasil Eram contraproducentes E ajudavam o candidato Que eles queriam queriam que perdessem nessa eleição com o presidente Lula. Eles foram ajustando. suas posições e na hora que eles designaram o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas, a pesquisa da Atlas Intel identificou um apoio de quase 60% dos brasileiros a essa designação. E nós, as relações internacionais, pensamos a que ponto chega o desespero de uma parcela importante da população brasileira, não só o radicalismo da direita, do bolsonarismo, mas uma parcela importante da população brasileira, que acha que um governo estrangeiro, ao designar essas duas organizações como terroristas, vai ajudar no combate a essas organizações e, portanto, vai melhorar a vida desses brasileiros, sabendo que, muito provavelmente, isso não será o caso, nós aqui sabendo, mas uma parcela importante dos brasileiros identificou isso nesse sentido. Então, o presidente Lula foi colocado numa situação difícil, porque, por um lado, ele conseguia ter um apoio nessa questão da soberania, da lei Magnitsky, das tarifas, e, por outro lado, ele foi colocado na parede porque a maioria dos eleitores brasileiros achavam que, de fato, o PCC e o Comando Vermelho são organizações terroristas e, tudo bem, os americanos designar como tal. E aí ficou um pouco mais difícil para o presidente Lula. Adiciona, Saís, o fato de que a crise é longa, já está um ano e meio em relação aos Estados Unidos, e não necessariamente melhorou, na realidade, até piorou. Essa semana vai sair uma reportagem na Folha de São Paulo sobre as regiões que foram afetadas pelos tarifas dos Estados Unidos, como elas votaram maciçamente no Flávio Bolsonaro no primeiro turno. É claro que tem muita variável omitida aí, porque já eram regiões que votavam no bolsonarismo anteriormente, mas isso aumentou, então é um pouco difícil você se separar de dizer que é por causa das tarifas, mas mostra aí que uma parcela da população culpa o presidente Lula pelas tarifas, aqueles que são atingidos diretamente pelo efeito das tarifas, não toda a população toda. Então aí o presidente Lula talvez tenha cometido um erro tático, que é um excessivo peso em política internacional na sua propaganda de governo e talvez tenha esquecido esses outros temas que são mais importantes do cotidiano dos brasileiros. Voltando àquele ponto que eu falei anteriormente, política externa é importante, ela se torna um tema de debate, não necessariamente decisiva em política externa, então a campanha eleitoral precisa sopesar isso e encontrar um equilíbrio interessante. Então aí esse jogo está em aberto, nós vamos ter aí no segundo turno, vamos ver como vai acontecer. Feliciano, eu sei que a gente está encerrando o tempo, eu não quero tomar mais muito do seu tempo, então eu vou fazer duas perguntas em uma e aí você dosa a resposta de acordo com a sua própria prioridade, porque eu ia fazer uma pergunta, mas essa sua resposta de agora me abriu outra. A pergunta baseada na sua última resposta é, você mencionou que hoje os países com mais imagem negativa, em média, na opinião pública brasileira, seriam Venezuela e Rússia. Eu queria perguntar para você o quanto disso pode ser ainda uma herança ou talvez uma renovação do pensamento conservador tradicional brasileiro, herdado ali do período, por exemplo, da ditadura, que no caso da Venezuela, ela substitui Cuba como o país comunista negativo do continente americano nessa perspectiva e a Rússia, ela é muitas vezes associada à União Soviética, tanto por pessoas que são russófilas, quanto por pessoas que não gostam da Rússia. Então, o quanto desse antigo temor soviético da opinião pública brasileira da época da ditadura pode estar sendo agora projetado nisso, ou se não teria relação. E a outra pergunta final, você mencionou que as pesquisas de desenvolvimento ouvidas por vocês com sua participação, elas diagnosticaram essa mudança no comportamento brasileiro. Em um artigo você até resgata a expressão do Ulisses Guimarães de que o Itamaraty só ganhava voto no Burundi e que isso não é mais verdade. Explica um pouquinho nessa conclusão o diagnóstico sobre o que causa essa mudança no geral, além das lideranças políticas usando isso, mas se são redes sociais, se é uma maior integração econômica do Brasil com o mundo, se é uma expansão do turismo, da viagem internacional, enfim, essas são as conclusões e aí novamente desculpa apertar o pouco tempo. Não, imagina, ótimas perguntas. Sobre a tua primeira pergunta, eu poderia dizer que existia ou existe esse efeito de herança das percepções anticomunistas, controcomunistas, mas só que a imagem de Cuba entre os brasileiros é positiva, não é negativa. Então, não é tão positiva como a imagem, por exemplo, da França ou da Alemanha, ou Coreia do Sul, que são imagens bastante altas, bem positiva, mas ela é positiva, mas negativa. O que eu acho que aconteceu na Venezuela, veja, eu estou falando isso de forma impressionista porque eu não fiz um estudo específico sobre a Venezuela para te dar as evidências, é que os brasileiros se compadeceram da tragédia humana que foi, o governo Maduro, eles perderam 5 milhões de pessoas que migraram, quase 1 milhão vieram para o Brasil, e muitos brasileiros, principalmente dos grandes centros urbanos, entraram em contato com esses venezuelanos que vieram fazer a vida no Brasil. Adiciona-se a isso um fato de que Maduro dava golpe atrás de golpe, perdeu a eleição, deu um golpe e ficou no poder. E, portanto, isso gerou uma grande rejeição dos brasileiros. Isso do lado da Venezuela, do lado da Rússia, estranho explicar a Rússia, porque a Rússia não tinha uma imagem negativa antes da guerra da Ucrânia. É muito provável que tenha sido a guerra da Ucrânia que tenha derrubado isso, tanto que não é só no Brasil, isso acontece em muitos países do mundo, a imagem da Rússia declina, inclusive nos países do sul global. Uma coisa é a estratégia dos países do sul global que são mais ligados à Rússia, outra coisa são as populações do sul global em relação à Rússia. Por exemplo, a Rússia mantém uma imagem positiva na Índia, não são todos os países do sul global que fazem isso. No caso do Brasil, essa imagem mudou. Eu até conversei com alguns russos sobre isso, e alguns ucranianos sobre isso, para tentar problematizar essas questões. E isso dificulta um pouco a posição da Rússia no Brasil, facilita um pouco mais para a Ucrânia, mas não faz com que o Brasil oficialmente mude de posição em relação à guerra. Vamos ver o que vai acontecer se o governo Flávio Bolsonaro for eleito. Então isso, a Rússia ainda. Em ambos os casos, vale a pena uma dissertação de mestrado e uma tese de doutorado aqui na USP, em outros lugares, que pegue esses dados, que avalie esses dados mais detidamente, e que depois faça um estudo qualitativo, entrevistando pessoas, entrevistando imigrantes, para tentar encontrar outros tipos de evidência para responder essa pergunta. A tua segunda pergunta, que são as causas da mudança da posição dos brasileiros no político internacional, você um pouco já respondeu. Eu não consigo responder com firmeza, porque eu não pergunto sobre quando você faz survey de opinião, você não entende o mecanismo na cabeça das pessoas. Então você só pergunta para as pessoas assim. Ah, aliás, desculpe eu te falar, o terceiro país, existe um terceiro país que tem imagem negativa no Brasil hoje, é os Estados Unidos. O governo Trump fez questão de derrubar essa imagem. Até o governo Trump, se eu pudesse resumir a posição dos brasileiros em relação aos Estados Unidos a uma palavra, essa palavra significava admiração. Agora é entre conflito e medo. Então o governo Trump conseguiu fazer isso. Não só no Brasil, você vê que a imagem dos Estados Unidos no mundo todo é declinada. Acontece em geral, com partidos republicanos, mas com o Trump no poder é absurda a queda, por conta da agressividade da posição americana, enfim. Então esse é outro país que ficou negativo, o que é estranhíssimo, porque o Brasil, nas nossas pesquisas comparadas com a América Latina, os brasileiros eram os latino-americanos que mais admiram os Estados Unidos, e todos os latino-americanos, mais que os mexicanos, mais que os argentinos, mais que os peruanos e bolivianos. Enfim, esse é o terceiro país. Sobre as causas, eu acho que a primeira causa é a maior integração da economia brasileira com o mundo. O processo de globalização trouxe o mundo para dentro do Brasil e o mundo para fora do Brasil. Aí você tem um potencializador, que é um mecanismo que potencializa isso, que é a difusão das redes sociais para todos os brasileiros e a capacidade que milhares de pessoas têm de gerar informação, não apenas a grande mídia, que em geral não acompanhava, por óbvias razões, política internacional, como acompanhava a política doméstica. Então, o grau de informação recebida do exterior e as bolhas criadas a partir daí geram o maior nível informacional dos brasileiros. É claro que esse nível informacional volta aquilo que a gente falou. Pode ser muito superficial, não há dúvida que é muito superficial, mas ele acaba construindo certas visões de mundo. Então, talvez seja a combinação desses dois fatores. Uma economia que se abre, o mundo chegando no Brasil e uma informação que se dissipa, que ela se espalha no mundo todo. Você faz um programa sobre o Nepal. Se você perguntar ao brasileiro médio onde ficaria o Nepal, essa é uma daquelas perguntas que teria uma taxa de não ser alta. Vai ser difícil você identificar onde fica. No entanto, você faz um programa que gera milhares de engajamentos. É claro que você deve ter atingido algumas bolhas que são bastante engajadas em temas internacionais. E como elas já são grandes, o Brasil é muito grande, então você tem muito download. Muita view, muita visão, muita gente assistindo. Então, esses são os fatores que, de modo geral, fazem com que isso ocorra. E, por fim, o terceiro fator que eu falei a vocês é que, como isso aconteceu, como os dois fatores, economia aberta e mídias sociais, colocou os brasileiros mais em contato em termos internacionais, as ideias. essas políticas acompanharam isso então elas aceleram seja da esquerda ou seja da direita elas identificam que certas pautas internacionais elas são importantes e elas aceleram esse processo. Por fim, agora que eu estou falando lembrei de uma quarta causa que acho que é importante, que é o seguinte o direito a lei aqui no Brasil, ela é cada vez mais uma lei internacional, ou seja, o Brasil assina cada vez mais tratados em muitas áreas esses tratados são internalizados mudam a lei e a constituição brasileira então o que acontece? o que a gente chama em relações internacionais uma harmonização internacional de políticas públicas em que as organizações internacionais tem um efeito muito grande na forma como o direito nacional é construído nos mais diversos países, sobretudo em democracias então você notou no governo Jair Bolsonaro uma enorme defesa do Brasil na Conselho de Direitos Humanos da ONU lá em Genebra algo que não era tão importante no debate público brasileiro em política externa, mas por que ficou importante? porque lá eram discutidos pautas de valores da família então para o bolsonarismo isso era muito importante então eles transformaram a missão do Brasil em Genebra no Conselho de Direitos Humanos da ONU que fica em Genebra a uma missão muito importante então ali no caso é de combater a harmonização de políticas públicas porque no que diz respeito ao direito das mulheres ao direito ao aborto era predominantemente progressista então você tem uma pauta conservadora contrária a ser construída lá, e tanto que foi criada a famosa Aliança de Genebra que era Brasil, Arábia Saudita e Estados Unidos contra o direito das mulheres ao aborto então isso mostra que a arena internacional na medida que ela participa da arena doméstica ela se torna politizada e o bolsonarismo, a gente acabou não falando sobre como o bolsonarismo pensa a política internacional, o quão diferente é da média dos brasileiros em política internacional o bolsonarismo identifica nessas organizações internacionais um inimigo por isso que eles são contrários à ONU são críticos à União Europeia são críticos ao Mercosul porque eles acham que essas organizações internacionais impõem de fora pra dentro valores que são estranhos àquilo que eles chamam da família tradicional brasileira então essa é outra causa dessa enorme mudança da posição dos brasileiros, da atenção dos brasileiros a temas internacionais é que o nível internacional o direito internacional entra cada vez mais na vida das famílias e dos brasileiros Feliciano, já que você abriu essa brecha nessa sua resposta e você disse em off que ainda tem um tempinho então explica um pouco mais sobre essa relação do bolsonarismo com a política externa e envolvendo também aquele fator que a gente mencionou de um possível um sequestro entre aspas de pautas de política externa pra gerar cortes pra gerar mobilização visando as eleições, às vezes numa perspectiva sensacionalista desse conteúdo Olha nós fizemos um survey em 2019 que foi uma mudança de paradigma e foi muito difícil, e tem sido muito difícil entender até hoje, até 2026 até 2018 a gente identificava aquilo que aliás nós deveríamos ter escrito um artigo sobre isso, a gente fez várias apresentações acabou não escrevendo e eu chamava nas minhas apresentações chamado Consenso da Política Externa, o que era isso? Quando você olhava os resultados do survey de 2010 a 2018, você identificava que havia um enorme consenso indireto entre os grandes princípios da política externa brasileira consagrados na Constituição no artigo da Constituição e aquilo que os brasileiros pensavam na política externa, então um grande apoio à autonomia, um grande apoio à integração latino-americana um grande apoio ao multilateralismo à solução pacífica de controvérsia esses grandes princípios da política externa brasileira tinham um apoio de todas as classes sociais, de todos os lados do Brasil e era difícil dizer se era o povo que tinha feito os diplomatas ou se eram os diplomatas que tinham feito o povo aquela coisa entre elite e povo, quem influencia quem, quem vem antes é aquela que eu falei anteriormente os diplomatas são filhos vem do povo, então eles representam um pouco a média do pensamento dos brasileiros ao mesmo tempo eles são uma elite, então eles estão também, influenciam a forma como os brasileiros pensam a política externa o princípio fundamental era a ideia da defesa da autonomia política econômica do Brasil, que tinha grande apoio entre os brasileiros até o bolsonarismo na mostra de 2019 a gente identificou que 30% dos brasileiros, quase 30, um pouquinho menos entre 30 e 20% pensavam completamente diferente e aí foi um pouco até assustador porque essa ideia do consenso, e aí a gente chama isso da quebra do consenso veja, quando você quais são os, em linhas gerais quais são os quatro grandes parâmetros de política externa do Brasil ao longo do tempo, que forma a cabeça dos diplomatas e por alguma razão forma a cabeça do povo eram dois eixos, o primeiro eixo era autonomia e alinhamento ou você ficava mais autônomo ou você ficava mais alinhado aos Estados Unidos e o outro eixo era abertura e fechamento da economia você tem uma economia mais aberta e uma economia mais fechada então os diplomatas e os diferentes governos do Brasil se posicionavam dentro desses dois espectros ao longo do tempo, um governo era mais protecionista outro era mais liberal, outro era mais autônomo outro era mais alinhado, e aí tinha maior ou menor apoio da população, mas ficava dentro desses eixos, o bolsonarismo pensa completamente diferente a política externa, não são esses eixos, na realidade a palavra autonomia ela nem aparece no linguajar dos bolsonaristas, da liderança bolsonarista e política externa só tem um eixo que é fundamental para eles dois eixos, que é o primeiro eixo que é fundamental, que é conservadorismo versus globalismo então eles, um pouco aquilo que eu falei na resposta anterior eles acham que existe um grande complô uma teoria da conspiração internacional entre as esquerdas do mundo as elites políticas desraizadas, antinacionalistas que formam um grande consenso liderado por trás, pelo partido comunista chinês cujo objetivo é impor sobre as famílias brasileiras uma certa forma de viver e uma certa forma de ser que é inaceitável aos valores tradicionais do Brasil e que os conservadores estão numa luta civilizacional para barrar essa ascensão e que portanto a política externa deve ser orientada dessa maneira, esse é o primeiro eixo e esse é um eixo que é contrário aos princípios gerais da política externa a ideia de autonomia e alinhamento não se encaixa porque o alinhamento ali para os bolsonaristas não é um alinhamento do ponto de vista estratégico, hoje é melhor ficar perto dos Estados Unidos porque os Estados Unidos podem dar mais benefício político e econômico para o Brasil hoje é melhor estar mais perto da China porque a China pode dar mais benefício econômico para o Brasil, o alinhamento é o alinhamento de valores, então assim tudo bem você se submeter aos Estados Unidos desde que os Estados Unidos tenham uma liderança conservadora que defenda esses valores, isso não sabe, na realidade isso não é submissão na visão deles, isso é luta civilizacional que precisa ser e deve ser feita, então é uma mudança muito importante que não havia, a gente não tinha isso detectado nos servers anteriores e que agora detecta a partir de 2019, no server de 2023 a gente detectou e agora no de 2026, muito provavelmente, a gente vai detectar ainda mais. O segundo eixo é um eixo mais tático do bolsonarismo, porque assim, se você pegar a extrema direita no mundo todo e você deve ter feito eventos, vários programas aqui no xadrez no mundo todo principalmente no ocidente ela tem duas características importantes que é essa questão do globalismo versus conservadorismo e a segunda é a protecionismo econômico, o Trump é super protecionista, a extrema direita europeia é super protecionista, é anti-União Europeia, os acordos comerciais da União Europeia e tudo mais, e o bolsonarismo não é protecionista em matéria comercial não foi pelo menos no governo Júlio Bolsonaro, você tinha uma ala liberal aliança liberal conservadora, a minha interpretação é que isso é um movimento tático do bolsonarismo para ganhar a eleição, não é um movimento que eles realmente acreditam, no fundo eles vão ser mais protecionistas na economia esse é o modelo pelo menos que eles deveriam seguir, se eles seguem o modelo americano ou não, então vamos ver como vai ser o governo Jair Bolsonaro se o Flávio Bolsonaro ganhar essa eleição mas isso é essa outra questão, que eles são teoricamente, eles deveriam ser mais protecionistas mas no entanto aparece no serviço como eles são um pouco mais liberais na pauta econômica isso é outra e esse é o eixo mais tradicional de liberal e protecionista no Brasil, então essa é uma mudança pela qual passam os eleitores bolsonaristas, pela qual passam a liderança política bolsonarista, que ao chegar ao poder seja no Jair Bolsonaro ou seja no Flávio Bolsonaro, caso o Flávio Bolsonaro vença, não encontra dentro do Itamaraty diplomatas em número suficiente que defendam essa pauta, porque essas pautas não fazem parte da formação dos diplomatas, não é à toa que durante o governo do Jair Bolsonaro quando o ministro era Ernesto Araújo, houve essa intervenção no Instituto Rio Branco e na FUNAG para que mudasse o currículo da formação dos diplomatas, porque a currícula da formação dos diplomatas é uma antítese, é a visão tradicional da política externa, um pouco mais da direita um pouco mais da esquerda, que não é condizente com a visão de mundo dos bolsonaristas então, caso o Flávio Bolsonaro vença essa eleição e esse lado conservador da política externa do Bolsonaro tem algum efeito no Itamaraty, nós veremos outra crise dentro do Itamaraty nesse aspecto, porque eles vão tentar impor de fora para dentro um currículo que não é a tradição do Itamaraty, porque eles representam uma parcela da população que pensa diferente, volta o problema da nossa polarização que também chega na política externa. Luciano, a gente agradece muito o seu tempo, a gente até passou um pouquinho do combinado e para encerrar fique à vontade para as suas considerações sinais como as pessoas podem melhor acompanhar o seu trabalho, se você quiser falar das redes sociais, se você quiser divulgar alguma produção recente e a gente sempre pede uma dica cultural para os nossos convidados então um livro um filme, um documentário algo que você ame e queira partilhar com os nossos ouvintes, não necessariamente precisa ter relação com a nossa conversa então, sei lá, se você assistiu, esqueceram de mim essa semana e gostou e lembrou, sei lá, quer recomendar, pode ser e novamente, muito obrigado pelo seu tempo Obrigado Felipe, eu sou um admirador do trabalho de vocês aí no Xadrez Verbal em tudo que vocês têm feito nesses últimos anos E eu peço desculpas por todos os alunos que nesses anos todos em algum momento devem ter levantado a mão querendo te confrontar com alguma coisa, dizendo, não, mas eu ouvi no Xadrez Verbal que, enfim a gente sabe que isso às vezes acontece Não tem nada, não tem nenhuma desculpa a ser pedida aí, pelo contrário e aliás, isso ocorre com frequência lá no Xadrez Verbal, professor, tarari, tarara falei, ah, eu conheço o Felipe, eu sei, não, tá ótimo é uma honra, o que mostra que nós precisamos de fontes diversas, ainda mais qualificadas, como é o seu caso com o caso do Xadrez, por debaixo da política internacional do Brasil Bom, no ponto de vista das dicas bom, eu tenho a minha rede social Feliciano de Sagmarães no Instagram, eu não sou muito ativo em redes sociais, aliás, eu preciso me atualizar melhor, tem o site do grupo de pesquisa, o nome do grupo de pesquisa é Brasil, Américas e o Mundo BAM, B-A-M, né, nosso site precisa ser melhorado, aliás, nós temos alguns relatórios, meu e-mail é felicianosa tudo junto, sem acento, arroba usp.br, se alguém quiser algum material, os relatórios sobre opinião pública e política externa, a gente tem vários pra mandar, a gente pode mandar, vocês podem ver mais o detalhe das opiniões dos brasileiros sobre os mais diversos temas de política internacional A dica cultural, por exemplo, é que se você sabe que eu sou um cara velho, Felipe, então eu hoje finalmente, depois de 30 anos, terminei a minha coleção completa do Asterix, né, eu cresci lendo Asterix né, então, hoje eu terminei o último livro que eu não tinha comprado que era Rosa e o Gládio eu acabei comprando, né, e eu tenho a coleção desde o número 1, eu tenho todos da época que eu era menino, né, lá em Curitiba eu sou de nome em Curitiba, eu ficava lendo na biblioteca da escola, depois comprei alguns, até o último, então aí tenho quase 40 volumes então a minha dica é ler Asterix leia os antigos, que do Gotini e do Dezo, que são melhores mas pode ler os novos aí, com a nova geração de cartunistas e se você lê e cresce com Asterix e como a ideia geral do Asterix é ser um irredutível gaulês você sempre lutará contra as hegemonias do mundo e isso vale a pena na vida então essa é a minha dica, obrigado Vocês ficam agora com a segunda coluna aberta, na qual Felipe entrevistará o amigo da casa Guilherme Casarões, que também é internacionalista e professor da Florida International University, sobre a política externa no segundo turno das eleições presidenciais brasileiras Coluna aberta Bem pessoal, com muito prazer a gente recebe novamente o nosso querido professor Guilherme Casarões que nos brinda todo ano com uma análise do discurso brasileiro na ONU e dessa vez a gente vai conversar sobre as duas plataformas de política externa que estão no segundo turno das eleições brasileiras Casa, eu queria primeiro começar com as suas impressões gerais sobre as diferentes plataformas e a partir disso destacar que o fato de que as duas candidaturas publicaram os seus documentos no STE sobre os seus projetos de governo, o projeto do Lula tem 78 páginas, o projeto do Flávio Bolsonaro tem 66 páginas e uma grande diferença é que o projeto do Lula fala em Mercosul, BRICS União Europeia e o projeto do Flávio fala muito de Estados Unidos Estados Unidos aparece seis vezes no projeto de governo dele duas vezes China uma vez União Europeia e uma vez Israel, ou seja, nós temos dois projetos registrados em que um fala de organizações multilaterais, de organizações internacionais e o outro fala de países, especialmente um deles, Estados Unidos, e também fala nominalmente em Israel como você compara como você avalia esses dois projetos? Bom, Felipe mais uma vez eu que agradeço o convite é um prazer conversar contigo sobre esse, sobre outros assuntos talvez a gente nem gostasse de estar fazendo essa conversa pensando no momento que a gente está vivendo no Brasil mas eu acho que é fundamental a gente ter uma perspectiva já que temos aí três semanas ou duas semanas para o segundo turno, é importante que a gente possa contrastar de maneira sóbria. Os programas de governo que em meio ao ciclo de notícias que antecedeu o primeiro turno não dava nem para falar disso, a gente teve muito pouco tempo efetivamente para sentar e analisar o que estava acontecendo. Eu diria que a grande diferença, Felipe, há diferenças substantivas, há diferenças de ênfase, isso tudo é verdade, mas eu diria que a grande diferença que a gente tem entre o programa de governo do Flávio Bolsonaro e do Lula para a política externa e aqui frisando um ponto que você já tocou, que é o fato de que há um espaço diminuto ao tema da política externa em ambos os programas, o caso do Lula é maior sem dúvida do que o do Flávio do Flávio são uma página e meia mais ou menos de reflexões do Lula são, sei lá, quatro cinco, talvez um pouco mais deixa eu ver, vai da página da 77 até 80 até 82 então são aí cinco páginas inteiras. A grande diferença é o enquadramento e eu acho fundamental colocar isso porque mais do que diferenças estratégicas se devemos dar mais ênfase a um parceiro A ou B ou C eu acho que Lula e Flávio Bolsonaro partem de duas visões fundamentalmente distintas e até opostas sobre o lugar do Brasil no mundo o programa do Lula como foi aliás o tom da liberdade do governo Lula a questão da política externa ao longo dos últimos anos e meio fala muito de soberania o tema da soberania é o tema que embala e que amarra os pontos que o programa traz, fala-se bastante de áreas estratégicas ou prioritárias da política externa mas também fala de defesa fala de infraestrutura, de compra de arma, de inteligência de Estado de Amazônia, de fronteira então ali você vê muito claramente uma ênfase no pensamento da soberania como o eixo organizador da política externa do Lula e se a gente compara esse programa de 2026 com os anteriores a gente vê uma mudança de ênfase o enquadramento da soberania ele é muito central nesse programa e nos outros ele talvez não tenha sido claro, soberania é sempre um tema que corre ali no fundo do debate mas se a gente pega os programas anteriores a gente vê muito a coisa de uma certa altivez diplomática aquela história do Celso Mourinho de política externa ativa e altiva a diversificação de parcerias, pensar o Brasil a partir das conexões e dos laços construídos com o mundo inteiro mas o tema da soberania era um tema que estava ali percorrendo o argumento mas não central como forma de organização do argumento o programa do Flávio Bolsonaro, por sua vez é um programa é muito mais genérico eu acho que obviamente isso tem a ver com o fato de que o Flávio não tem experiência nenhuma em política externa e nem se cerca de pessoas com grande experiência de política externa eu chamaria atenção aqui para talvez duas figuras que tenham protagonismo na campanha do Flávio Bolsonaro nesse campo que são Eduardo Bolsonaro, irmão do Flávio que está morando aqui nos Estados Unidos desde o ano passado e o Marcos Degô que foi secretário não sei se era de comércio de armas ou de alguma coisa nessa linha do Ministério da Defesa, do governo Bolsonaro pai que foi vice-secretário de assuntos estratégicos no governo Temer na época do Hussein Kalout como secretário e o Marcos Degô é a figura que tem inclusive escrito, publicado a respeito da política externa, tem um texto dele com o Eduardo Bolsonaro que foi veiculado umas semanas atrás mas são poucas pessoas que efetivamente têm experiência, trânsito, traquejo com temas de política externa o que se reflete muito nas míseras duas páginas que aparecem no programa a respeito disso ele fala muito você tem razão de Estados Unidos de Israel é o que indica muito claramente que a ênfase do programa de governo tem a ver com uma reconstrução uma legada reconstrução, porque essas relações elas nunca foram abdicadas do nosso lado, mas a ideia de reconstruir a política externa e sobretudo a partir da relação com os Estados Unidos ela está muito presente nessa discussão a relação com Israel, claro é tributária de uma dimensão do que eu venho chamando de nacionalismo cristão como plataforma de governo do Bolsonaro uma coisa ampla, que tem ali em Israel um símbolo poderoso e isso aparece também no programa muito voltada para comércio, a plataforma do Flávio e como não poderia deixar de ser ainda que a gente não saiba exatamente para onde ele vai levar essa dimensão comercial fala-se inclusive de OCDE de retomar a entrada do Brasil na OCDE, agora uma coisa que me chamou atenção é que os temas de política externa que o Lula reúne lá no finalzinho do seu programa lá para as páginas setenta e tantos no caso do Flávio, aparece um pouco espalhado também se tem a sessão Brasil no Mundo que é justamente essa sessão focada nos temas econômicos a partir dos Estados Unidos, falando muito genericamente de segurança e defesa e de Israel mas a gente percebe que lá no começo do programa de governo, quando se fala por exemplo de combate ao crime organizado você tem uma referência a terrorismo você tem de alguma maneira uma tentativa de colocar o problema da segurança pública como um tema também internacional então as entradas que o Flávio possibilita no programa de governo dele a temas internacionais elas vão para além dessa sessão curtinha elas aparecem em vários cantos do programa de governo nesse por exemplo de crime organizado e terrorismo tem até um nome curioso que é aqui na sessão ele fala terrorista vai ser tratado como terrorista na página 13, o que não deixa de ser uma coincidência meio mórbida mas o fato é que aqui a gente vê muito claramente que pela perspectiva do programa de governo que a gente está lendo pelo valor de face há o interesse de terceirizar determinadas políticas públicas ou determinados campos de políticas públicas por uma relação mais próxima com os Estados Unidos também então acho que esse não deixa de ser um sinal interessante é uma política externa se a gente for comparar muito menos ideológica no sentido olavista da palavra do que a do Jair Bolsonaro lá em 2018 mas é uma política externa que de novo usa essa relação sobretudo com os Estados Unidos como muleta, como gancho para uma série de áreas de políticas públicas em que esses temas aparecem lateralmente Casa, você mencionou o Eduardo Bolsonaro e o Marcos Degô e nós temos especulações especulações não, nós temos uma demanda pública do Eduardo Bolsonaro para ele ser o ministro de relações exteriores do eventual governo do irmão dele e a brincadeira que a gente fez aqui no Xadrez Herbal é que ele e o Jared Kushner compartilham a principal competência que é de ser parente do presidente e você também mencionou o Marcos Degô que também tem sido especulado como até mesmo um possível ministro da defesa ou enfim, algum cargo ele pode acabar tendo e ambos publicaram esse artigo que você mencionou algumas semanas atrás no jornal Gazeta do Povo e eu queria que você comentasse duas coisas primeiro, a possibilidade e como você interpreta essa possibilidade, se é real se não é, se é burburinho se apenas se ele seria um chanceler de eminência parda na verdade você teria um diplomata de fato à frente do ministério, algo assim do Eduardo Bolsonaro chanceler e que você também comentasse as impressões desse artigo, porque esse artigo publicado pelos dois talvez seja até mais revelador do que o próprio plano de governo do candidato Olha, eu começo falando do Eduardo Bolsonaro e depois a gente pode passar para o artigo específico. O Eduardo Bolsonaro, justiça seja feita, ele acumulou alguma experiência em política externa ao longo dos últimos oito anos a gente não pode se esquecer de que Eduardo Bolsonaro foi presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados desde que o pai dele tomou posse lá em 2019 eu lembro de ter naquele momento conversado com algumas figuras da Câmara um pessoal do PT inclusive dizendo a comissão ela tem que ser um espaço de batalha também ela tem que ser um espaço de disputa, porque ao contrário de outras políticas públicas que demandam novos projetos de lei, demandam coordenação federativa demandam que o Bolsonaro de alguma maneira module as suas propostas, aquilo que as forças políticas são capazes de absorver no caso da política externa você não tem isso no caso da política externa a única força política capaz de absorver alguma pancada é o próprio Itamaraty e o Itamaraty tem como característica histórica ser uma burocracia que ela modula por tradição modula por visões de mundo e convicções quaisquer exageros que possam partir do planalto em matéria de política externa, mas por não ser uma burocracia particularmente politizada ela também em algum momento vai se dobrando às mudanças de curso e às exigências do próprio governo então a ideia do diplomata como um servidor de estado é muito poderosa e isso me parece relevante para a gente poder pensar que no caso do Eduardo Bolsonaro desde que ele assumiu a presidência da Comissão de Relações Exteriores ele vem tentando criar no mais das vezes uma diplomacia paralela, eu poderia afirmar e acho que você concorda comigo que Eduardo Bolsonaro foi uma espécie de chanceler paralelo durante o governo Bolsonaro porque na ausência de uma política externa que partisse do Itamaraty e sobretudo da cabeça absolutamente confusa do então chanceler Ernesto Araújo o Eduardo é quem fazia efetivamente muitas dessas conexões muitas dessas negociações viagens internacionais delegações comitivas então o Eduardo ele tinha esse papel na qualidade de deputado federal e aí você tem toda a razão deputado federal e ao mesmo tempo filho do presidente o que lhe dava ali uma latitude até maior de ação e uma das críticas que a gente fazia muito durante o governo Bolsonaro era justamente a confusão permanente uma espécie até de conflito de interesse entre um parlamentar e que ao mesmo tempo falava em nome do governo eventualmente ainda que não tivesse mandato para isso exatamente então o Eduardo ele foi seguindo essa trajetória como chanceler paralelo eu acho que ele fez também e eu e o Davidson Lopes da UFMG que você conhece bem a gente tem até um artigo sobre isso que saiu ano passado para além do trabalho de chanceler do B ele teve uma grande função ali durante os anos Bolsonaro que foi a construção de uma articulação transnacional de extrema direita que se estendeu para Madrid, para Lisboa claro as conexões com Trumpismo sempre tiveram ali muito presentes e isso é importante a extrema direita latino-americana gravitou em torno do Eduardo Bolsonaro durante esse período e os resultados disso foram institucionalizados ao longo do tempo, o foro de Madrid que foi oficialmente inaugurado em 2020 o capítulo brasileiro da CEPAC que é a conferência da ação política conservadora que o Eduardo importou para o Brasil havia até um congresso conservador que de alguma maneira foi substituído pela CEPAC a partir de 2021 então eu acho que ele tem mais experiência que o Kuchner nesse sentido porque ele tem um trabalho como parlamentar como liderança partidária e como símbolo da extrema direita latino-americana, brasileira lembrando que o Eduardo Bolsonaro foi escolhido pelo Steve Bannon ele próprio como a face latino-americana do movimento da Redundância que foi criado pelo Bannon lá em 2019 então acho que tudo isso eu não vou dizer que qualificaria o Eduardo Bolsonaro para ser chanceler eu acho que a experiência dele vai para um caminho que é muito diferente do caminho da diplomacia tradicional e da política externa como a gente a conhece mas respaldo internacional e uma certa legitimidade dentro do próprio bolsonarismo é algo que ele tem eu não tenho dúvida e essa reivindicação pública que ele faz para assumir o Itamaraty tem a ver com duas coisas primeiro é voltar para o Brasil com um cargo o que seria importante para ele o que talvez o blindasse pelo menos num primeiro momento de qualquer possibilidade de julgamento, condenação e eventual prisão no Brasil mediante o retorno dele ele, a gente não pode esquecer de que se Flávio for eleito uma das primeiras coisas que ele fará é se articular com a bancada amplíssima no Senado bolsonarista, para colocar o impeachment do Alexandre de Moraes sobre a mesa, e isso claro vai ser uma espécie de muro de contenção para qualquer coisa que o Alexandre de Moraes quiser fazer com relação a outros membros da família Bolsonaro então Eduardo voltaria para o Brasil com a posição de chanceler e faria, desde essa posição, algo que eu acho que aí sim poderia fazer extravasar aquilo que o Eduardo tem de experiência acumulada e que ele está doido para implementar no Brasil que seria uma espécie de programa Marco Rubio e aí o artigo da Gazeta do Povo que ele escreve com Marcos Degô vai muito nesse sentido, porque é um artigo que faz uma grande crítica à política externa brasileira de hoje é uma crítica tanto no campo substantivo quanto no campo forçado formal, da maneira como política externa vem sendo construída a maneira como as decisões são tomadas, e por plano Marco Rubio é aí que eu acho que é o gancho a esse artigo que foi publicado pelo Degô e pelo Eduardo Bolsonaro é que a primeira coisa que o Marco Rubio fez assim que virou secretário de Estado do novo governo Trump, foi promover uma grande reestruturação do Departamento de Estado e do ponto de vista burocrático é muito menos pesado, é muito menos inercial do que o Itamaraty o Departamento de Estado tem várias vias de entrada tem um número muito maior de funcionários funcionários são contratados em regimes que não são exatamente do servidor público federal americano, ao passo que o Itamaraty é muito mais duro, mas basicamente o que me parece que vai acontecer nos primeiros meses de um eventual governo Flávio Bolsonaro é uma tentativa até de alteração legislativa para assegurar um novo Itamaraty um Itamaraty que tenha por um lado uma grande ênfase na dimensão de comércio exterior de cooperação estratégica com pouquíssimos países que são os mesmos países de quem o pai gostava Israel, Estados Unidos agora que a América Latina virou à direita, talvez alguns parceiros aqui na nossa região também, mas sobretudo um Itamaraty com características burocráticas muito diferentes, então pode ser o fim inclusive dessa lógica de concurso de admissão à carreira de diplomata, pode ser ou pelo menos isso pode ser diluído com outras formas de ingresso pode haver uma mudança no perfil de recrutamento dos novos diplomatas eu não sei exatamente o que esperar até porque esses planos não estão exatamente colocados mas a sensação que eu tenho é que a partir desses sinais que a gente está lendo, a partir de um elogio recorrente que Eduardo Bolsonaro vem fazendo ao Marco Rubio a maneira como a política externa é feita a partir dos Estados Unidos no artigo da Gazeta do Povo eles falam muito do National Security Strategy, ou seja até da possibilidade de uma securitização da nossa política exterior a partir de critérios muito semelhantes a dos Estados Unidos eu acho que o resumo que a gente pode tirar dessa volta toda que eu dei é que mudanças importantes vêm por aí caso Flávio Bolsonaro consiga se eleger presidente no segundo plano Casa, essas mudanças importantes, você acabou de dizer que a gente ainda está no campo especulativo porém, mesmo no campo especulativo a gente já tem tido alguns sinais o Eduardo Bolsonaro ele num vídeo na quarta-feira, dia 30 de setembro ele disse que então, meu caro servidor do Itamaraty se você ajudou a sabotar o governo Bolsonaro, preocupe-se de verdade porque eu vou estar na sua cola e alguns dias depois ele postou nas suas redes sociais ataques a diplomata Vanessa Dout de Faria, que nós já entrevistamos aqui no Xadrez Herbal ela que é autorrepresentante para temas de gênero no Itamaraty e foi atacada pelo Eduardo Bolsonaro que, entre aspas ameaçou até com envio ali para cargos pouco prestigiados, etc e quando a gente olha porque o Marco Rubio fez um departamento de estado hoje nós temos quase metade das embaixadas dos Estados Unidos vagas, muitas delas estão nas mãos de pessoas que, aliados políticos Donald Trump, ou de pessoas que o principal credencial é ter financiado, ter doado para a campanha do Donald Trump, embora esse seja até um costume histórico nos Estados Unidos, mais ou menos mas, então quando a gente olha para esses dois cenários é possível que nesse cenário especulativo nós possamos pensar numa eventual caça às bruxas, num eventual expurgo dentro dos quadros do Itamaraty além desse processo de mudança de ingresso que você mencionou? Felipe, eu diria que sim deixa eu começar essa minha resposta prestando aqui minha solidariedade à Vanessa que , que eu conheço bem e que tem feito um trabalho muito importante que não começou no governo Lula na verdade, é um trabalho de de muitas mãos, inclusive de muitas mulheres diplomatas que há pelo menos uma década vem fazendo um esforço muito grande de chamar atenção para a importância da representatividade de gênero e claro, também, de raça dentro do Itamaraty e que e como complemento, Caso, ela é diplomata desde 1999, desculpa te interromper, mas antes que algum ouvinte nosso pense que a Vanessa Doutri de Faria ela chegou ontem ou não, algo do tipo não, ela tem uma experiência enorme, ela tem um trabalho intelectual, inclusive, nessa direção como diplomata e um trabalho prático também na construção dessas novas plataformas de representação e de projeção de gênero sobretudo dentro do Itamaraty então, minha solidariedade a ela porque obviamente essas dinâmicas de rede social elas são particularmente perniciosas quando a gente está falando de pessoas normais que viram alvo uma coisa é bater para cima, uma coisa é criticar o político, uma coisa é criticar o governo gente com cargo eletivo Eduardo Bolsonaro foi deputado por dois mandatos, um mandato e pouco aliás, dois mandatos e pouco depois foi expurgado da Câmara, mas usar a capilaridade que ele tem em rede social e usar o lugar que ele ocupou e sobretudo esse lugar meio dúbio, de filho do presidente ou do ex-presidente, deputado um político importante do bolsonarismo, talvez um dos mais importantes contra uma pessoa que é servidora pública, que é uma pessoa que está fazendo o seu trabalho acho que isso é de uma baixeza moral muito grande e justamente porque a gente está falando de pessoas que têm uma pequenez moral e que se orientam por essa pequenez moral de uma maneira geral eu não duvido que haja uma caça às bruxas ampla dentro do Itamaraty e de outras burocracias esse é o espírito se a gente quiser colocar em perspectiva comparada do que foi o projeto 2025 que embasou as grandes decisões tomadas pelo governo Trump desde o primeiro dia do seu retorno à Casa Branca em janeiro de 2025 o projeto foi nomeado inclusive em função disso ele já estava circulando desde 2023 o New York Times fez as primeiras matérias denunciando a existência e os perigos desse projeto em 2024 e o governo Trump passou muito tempo durante a campanha se esquivando da autoria ou de qualquer conexão com esse projeto até o dia em que o Trump tomou posse e começou a botar em marcha esse projeto basicamente pela letra dele então foi uma coisa realmente muito rápida muito impressionante muito direcionada houve um estudo de muitos anos para exatamente conseguir romper ponto de resistência do Estado norte-americano de maneira veloz por meio de decretos executivos ou por meio de outras formas de legislação vindas da presidência e o Departamento de Estado foi basicamente desmontado tanto na perseguição a determinados servidores públicos quanto na extinção de determinados cargos e até mesmo de determinadas agências como foi o caso da Agência Norte-Americana de Desenvolvimento Internacional USAID que talvez no papel ainda exista mas foi completamente despida das suas funções e do seu orçamento principalmente Eduardo Bolsonaro quer fazer uma coisa muito parecida no Brasil ele já deixou isso sugerido em várias referências que ele faz ao Marco Rubio nesse artigo da Gazeta do Povo volta-se a esse ponto também e se a gente vivesse em tempos normais eu até diria para você que o bolsonarismo e o Eduardo Bolsonaro, caso seja chanceler de um governo irmão que ele faria uma caça às bruxas dentro do que a lei e dentro do que as estruturas institucionais permitem, a substituição de determinados cargos de primeiro escalão a mudança da lei, a mudança da lei a mudança na dinâmica dos cargos de confiança. Mas como a gente não está vivendo num período de normalidade, eu temo, e temo de verdade para quem está nos ouvindo, que comece a haver uma caça às bruxas, inclusive por vias ilegais. Ou por vias que exigirão mudanças de lei que vão colocar muitos servidores super expostos daqui para frente. E isso me parece muito problemático. Eu fico me lembrando, por exemplo, de uma figura importante nessa conversa política externa que a gente conhece bem, que é o embaixador Paulo Roberto de Almeida, quando ele falava, por exemplo, da caça às bruxas que havia feito pelo PT, feita pelo PT durante aqueles anos do início do governo Lula, contra embaixadores diplomatas que eram tucanos ou que se ligavam mais às gestões do PSDB. E assim, mesmo ele, ele tem reconhecido, eu julgo de uma honestidade intelectual muito grande, ele mesmo tem reconhecido que o que a gente está vendo diante dos nossos olhos hoje, com todas essas sinalizações, com as promessas, com essa vassalagem que a gente vê se desenhando muito claramente entre um eventual governo Flávio e o governo Trump nos Estados Unidos, é muito distinto em termos de qualidade, em termos de conteúdo, em termos de forma e em termos de moralidade. E isso, de fato, me preocupa, porque, o Eduardo Bolsonaro, além disso tudo que a gente comentou, é uma pessoa que, por estar auto-exilada, entre muitas aspas, nos Estados Unidos, provavelmente voltará para o Brasil com uma sede de vingança política muito grande. Não só contra o Alexandre de Moraes e o STF, mas também contra aquilo que, dentro dos meios de extrema-direita e no bolsonarismo não é diferente, se convencionou chamar de Estado Profundo, né? Que são os burocratas, que são os servidores públicos, muitos dos quais culpados ou responsabilizados, alegadamente, por terem impedido o papai de governá-la em 2019 e que poderiam colocar algum obstáculo para um eventual governo Flávio Bolsonaro. E, Casa, você usou agora o termo vassalagem, né? Então, eu vou partir para a nossa próxima pergunta, que é como você imagina as relações Brasil-Estados Unidos, nos próximos dois anos, especificamente. E por que eu especifico esses dois anos? Em caso de vitória do Flávio Bolsonaro, nós teremos um alinhamento entre Flávio Bolsonaro, Trump e Marco Rubio, que tem uma visão completamente ideológica sobre a América Latina, marcada ali pela doutrina Monroe, ele se vê ali como a personificação da doutrina Monroe, como a gente já explicou aqui no programa. e também, eventualmente, como seria uma relação entre Lula e Trump. O Trump e o Marco Rubio defenderiam a ideia de que a eleição do Lula não teria sido completamente legítima, o Lula enfrentaria um congresso hostil, e em torno dessas relações nós temos questões que você já abordou, como escudo das Américas, o crime organizado como, classificado como grupos terroristas, a questão de minerais estratégicos, enfim, como você enxerga esses próximos dois anos, não apenas o cenário do Flávio Bolsonaro, que você classificou de possível assalagem, mas também uma eventual especulação sobre o governo Lula e Trump. Bom, vamos começar pelo mais fácil, que é justamente o menos provável, que é uma vitória do Lula no segundo turno. E eu não digo isso como torcida, muito antes o contrário, eu digo isso porque eu diria que em poucas semanas a reversão de um quadro que se desenhou no primeiro turno de vantagem avassaladora do bolsonarismo, e com vitórias concretas e muito maiúsculas no Senado, na Câmara, nos Estados, eu acho que é muito pouco provável que o Lula consiga virar esse quadro, mas eventualmente ele ganhando, eu diria que ele vai enfrentar uma batalha por dia, em matéria de política externa e na relação com os Estados Unidos. Não vai ser um governo fácil, e eu temo que seja um governo basicamente inviável de saída, porque com potenciais maiorias no Senado e na Câmara, o bolsonarismo vai praticamente impedir a possibilidade da continuidade de políticas públicas e vai haver uma sabotagem permanente a qualquer iniciativa que o Lula queira fazer, que tenha um mínimo de. de caráter transformador, né? Então, eu acho que é pouco provável e seria muito difícil caso acontecesse. De todo modo, eu temo por algumas coisas caso o Lula ganhe. Primeiro, até mesmo em função do cenário que se desenhou no primeiro turno, vai ficar muito difícil para os Estados Unidos reconhecerem a vitória do Lula caso ele se eleja para um quarto mandato. Em algum momento, a tendência é que isso normalize. Sim. Deslumbra para o Brasil um cenário à la Venezuela, em que os Estados Unidos efetivamente reconheceram o outro, né? No caso, não foi exatamente um perdedor, ali houve uma disputa na Assembleia Nacional, mas a gente se lembra que nos anos de pandemia, até um pouquinho antes, a gente tinha Juan Guaidó como presidente reconhecido da Venezuela por parte da grande maioria dos países do Ocidente e de muitos países latino-americanos. O Brasil foi um dos poucos, naquele momento, que não reconheceu Guaidó e depois tentou reconhecê-lo. E o Brasil foi um dos poucos que não reconheceu Guaidó e depois tentou reconhecer Guaidó. No meio da pandemia, deu uma confusão lá na Embaixada, que os ouvintes talvez se lembrem. Então, eu não acho que isso vai acontecer com o Brasil, mas pode ser que os Estados Unidos retardem a possibilidade de reconhecimento do novo governo brasileiro, caso Lula se eleja. A narrativa de fraude eleitoral não cessou no Brasil. Hoje mesmo eu recebi um vídeo de um grupo bolsonarista de fraude eleitoral de novo. Ou seja, nem quando ganham eles sossegam, né? Porque fraude eleitoral quando perde é uma coisa, fraude eleitoral quando ganha é no mínimo surpreendente. Aí tentando fazer uma matemática muito maluca com o número de votos para senadores bolsonaristas e como é que o Flávio teve menos votos para presidente, que ele deveria ter ganhado no primeiro turno. Talvez na cabeça de alguns com 80% dos votos, vai saber. Então, acho que o Trump vai tentar segurar o máximo que puder o reconhecimento de uma vitória do Lula. Mas eu tenho o pouco de otimismo que me resta, eu tenho a esperança de que em algum momento, até mesmo antes da própria posse, se o Lula ganhar, o Trump vai querer normalizar as relações com o Brasil. Porque aqui eu acho importante abrir a caixa preta do processo decisório da política externa dos Estados Unidos. O Trump, ele não é, quer dizer, o governo Trump não é um monolito quando a gente fala de Brasil. Aliás, muito daquilo que a gente fala de Brasil, a gente viu das idas e vindas, desde julho do ano passado, Tarifasso, Magnitsky, investigação comercial, aí o Lula encontra o Trump, aí tem química, aí volta, negocia em algumas coisas, bate em cabeça em outras. Isso tudo revela que o Trump, pessoa física, ele tem um certo respeito pelo Lula, ele talvez até tenha uma certa admiração pelo Lula, e ele em si não veria problema em manter relações cordiais e funcionais. Com Lula, num eventual quarto mandato. O problema está justamente em escalões mais baixos do governo americano. E aqui eu penso, claro, no Marco Rubio, que é secretário de Estado, assessor de segurança nacional, mas penso também nessas figuras que apareceram muito no noticiário ao longo dos últimos meses. Darren Beatty, Jason Miller, Sebastian Gorka, pessoas que têm uma visão muito mais ideológica sobre Lula, ou Brasil, ou sobre o Bolsonaro, ou que tem até uma certa proximidade do Eduardo Bolsonaro e da família, eu acho que aí é que vai haver uma pressão, vai haver uma espécie de cabo de guerra ali dentro da Casa Branca para ver se a estratégia mais interessante para os Estados Unidos vai ser isolar o Brasil, ou normalizar um eventual quarto mandato do governo Lula. De toda forma, vai exigir do Brasil uma grande capacidade de negociação, eventualmente algumas concessões dolorosas em áreas que o Brasil, não está preparado para fazer concessões, tipo minerais críticos, alguma cooperação na área de inteligência artificial, data centers, enfim, a gente não sabe exatamente o que vai aparecer, mas a gente sabe que os Estados Unidos, número um, tem uma antipatia já demonstrada, comprovada, com relação ao Lula, ao Brasil e a esse governo que está aí. E a gente sabe também, além disso tudo, que os Estados Unidos não têm nenhum constrangimento, em pressionar, às vezes de maneira brutal, às vezes de maneira até chantageista, países para que eles façam concessões a partir dos interesses até mesmo financeiros norte-americanos, econômicos e financeiros. Então, vai ser difícil, mas eu acho que o Lula poderia em algum momento, ele tem um governo, ele é muito capaz desse campo diplomático, ele tem um governo que está preparado para isso, já tem feito isso há um ano e meio, então é possível que a gente atinja, de uma certa normalização, talvez a um custo relativamente alto. No caso do Flávio Bolsonaro, aí minhas preocupações vão para o outro lado, que é o quanto. que o Flávio Bolsonaro presidente será capaz de entregar já de mão beijada e rapidamente para os Estados Unidos assim que ele assumir. A gente viu há alguns meses atrás uma carta em que ele fala para o Marco Rubio sobre a possibilidade de destacar uma delegação de transição de governo no Brasil para ficar sediada nos Estados Unidos. Acho que a palavra que de alguma maneira caracteriza bem a relação do Flávio Bolsonaro com os Estados Unidos é terceirização, é vassalagem, claro, como a gente comentou mais cedo, mas tem um elemento de terceirização que é basicamente o seguinte, e o programa de governo do Flávio aponta para isso, é terceirização de alguns temas de segurança pública, é terceirização da exploração de minérios estratégicos brasileiros, é terceirização de algumas políticas econômicas, é terceirização de algumas decisões de política externa, inclusive. Então, é essa vassalagem. E se traduz num conjunto muito amplo de concessões ou de terceirizações para que os Estados Unidos possam, de alguma maneira, direta ou indireta, tomar decisões em nome do Brasil. Decisões que a gente sabe que dificilmente favorecerão o interesse nacional como tal, e que vão ser muito prejudiciais para o Brasil no longo prazo, construindo novas estruturas de dependência. É curioso porque o plano de governo do Flávio fala que a gente tem que se livrar de certas dependências estruturais. Eu acho que o que a gente vai construir com os Estados Unidos é uma dependência ainda mais profunda, com contornos neocoloniais, e que não farão bem para o Brasil. Eu não consigo imaginar nenhum cenário de subserviência aos Estados Unidos que possa ser bom para o Brasil, nem no curto, nem no médio, muito menos no longo prazo. E há uma questão adicional em cima disso que eu acho importante destacar, e que muito pouca gente tem olhado por esse ângulo, que é o seguinte. Como a gente tem uma onda, que eu não sei exatamente se é uma onda concatenada, se existe ali uma relação exatamente coordenada, mas a gente tem um conjunto grande de governos de direita, vamos dizer, mais securitária, ou em alguns casos de extrema direita, na América do Sul e em pedaços da América Central, hoje. Então, de Bukele até Milley, a gente tem aí uma gradação muito ampla de lideranças de extrema direita na América Latina. E o Brasil seria mais um, entre tantos outros, que hoje ali se reúnem naquele programa que você mencionou, o Escudo das Américas, liderado pelo Trump e pelo Rubio. O que eu acho que pode acontecer? Muita gente fala assim, pode ser um cenário bom, porque aí o Flávio vai se dar bem com os coleguinhas, o Pellas Prié, o Milley, o Castro. Eu não consigo ver dessa forma. Eu acho que a gente está diante de uma situação. que é muito diferente da onda neoliberal dos anos 80 para 90, ou da onda rosa do começo dos anos 2000, em que a convergência ideológica levou à construção de um projeto de integração. Porque, veja, Menem e Collor, nos anos 90, colocaram em pé o Mercosul. Lula, Chaves, Evo Morales, Néstor Kirchner colocaram em pé o Unasul, o que veio depois e que, claro, a gente pode criticá-la, mas ali a gente está falando de um acumulado de mecanismos de integração regional que funcionaram por um tempo e que tem uma importância política, estratégia, geopolítica, se a gente quiser, para a América do Sul, principalmente. O que a gente está vendo hoje se configurando na América do Sul não tem nada disso. Nenhum desses líderes tem perspectiva de integração regional. Nenhum desses líderes trata cooperativas. Não trata cooperação como algo positivo e necessário para suas políticas externas, a não ser a cooperação subservente aos Estados Unidos. E, portanto, eu acho que a conclusão a que isso pode nos levar, ou a situação a que isso pode nos levar, é o que na ciência política, às vezes, a gente chama de race to the bottom, que seria uma corrida para o fundo do poço. Em vez de a gente estar discutindo possibilidades de autonomia frente aos assédios norte-americanos, em vez de a gente estar discutindo possibilidades de autonomia frente aos assédios norte-americanos, a gente vai estar debatendo daqui a um ano, se Flávio Bolsonaro ganhar, qual é o país da América do Sul que vai fazer mais concessões e mais rapidamente para poder garantir a amizade inquebrantável com o governo Trump. E isso, além de patético, do ponto de vista das relações internacionais, eu acho que é extremamente perigoso, porque a gente vai estar diante de presidentes que, disputando a lealdade do presidente máximo, que seria o Donald Trump, sinta coisa importante para os seus países como demonstração de uma certa lealdade que, a gente sabe muito bem, inclusive, nunca é recompensada da maneira que se espera. Ou nunca é recompensada em absoluto, muitas vezes. Então, esse cenário de uma corrida para o fundo do poço, eu acho que é muito plausível, em vez de cooperarem esses líderes, vão começar a disputar uns com os outros, e isso vai dilapidar os patrimônios estratégicos, desses países, de maneira muito veloz, exatamente de acordo com o script daquilo que o Trump quer. E aí, o foco dos dois anos é importante, porque o que vai acontecer de 2029 para frente, a gente não sabe, a gente não sabe quem vai ser candidato, quem tem possibilidade real de ganhar, e talvez um termômetro para nossos ouvintes se atentarem, ficarem antenados daqui para frente, vai ser justamente as eleições de meio de mandato, que dificilmente vão mudar o panorama de vida, do sistema de política externa dos Estados Unidos, porque o Congresso tem algumas competências importantes, mas tem muito pouca capacidade de barrar ações de política externa, não sei que seja uma guerra escancarada, mas, de resto, tem pouco alcance, mas a gente já pode ver uma virada de clima, uma virada no pêndulo político dos Estados Unidos, que pode indicar o que será de um eventual governo democrata a partir de 2029, ou mesmo de um governo republicano. Um governo republicano, que não seja exatamente o Trump, ou ninguém ali muito próximo do Trump, e os limites disso para a política externa daí para frente. Mas a gente viu no caso do, quer dizer, se a história imediata não serve de lição, a gente viu que no caso do Bolsonaro pai, a relação dele com o Biden, assim que o Biden se elegeu em 2020 para 2021, ficou muito difícil por um tempo, até porque o Bolsonaro cometeu um equívoco diplomático maiúsculo, eu diria que foi não reconhecer a vitória do Biden. A vitória do Biden foi reconhecida imediatamente, demorou muito para fazê-lo, e isso acabou contaminando as relações, pelo menos por um ano. Ali, o ano de 2021 foi um ano de muita distância, e depois a coisa foi normalizando aos poucos, mas não me parece ser um bom sinal em nenhum dos casos. Parte da sua resposta, Casa, me lembrou o clássico do Gerson Moura, o alinhamento sem recompensa, sobre a política externa do governo Dutra. E como você já falou das midterms na sua resposta, a gente fecha Estados Unidos, eu tenho mais duas perguntinhas para parar de tomar seu tempo. Uma delas é, como você contempla, especula essa política externa bolsonarista em relação aos dois blocos mais importantes hoje que o Brasil faz parte, Mercosul e BRICS? Mercosul tem hoje um grande crítico dentro dele, que é o Javier Millet. Ao mesmo tempo, no governo do Jair Bolsonaro, as negociações por um acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia foram retomadas, ganharam fôlego, e nós chegamos a ter o anúncio de um acordo, que depois teve que ser renegociado. Então, como você contempla essa relação com Mercosul, e como você contempla a questão dos BRICS? Já que, ideologicamente, boa parte da direita bolsonarista associa o BRICS ao comunismo, ao comunismo chinês, algo do tipo, o BRICS não é algo que agrada ao Marco Rubio, mas, ao mesmo tempo, no governo Jair Bolsonaro, nós tivemos uma manutenção de relações, porque o BRICS fornece, dentre outras coisas, a garantia de você ter um encontro de alto nível com a China, no mínimo, uma vez por ano, coisa que muitos países não fazem em anos. O Brasil, todo ano, tem um encontro de alto nível com a China. Então, Mercosul e BRICS numa eventual presidência de Flávio Bolsonaro, como você vê esses temas? Felipe, eu vou começar pelos BRICS. Eu acho que o Bolsonaro, o pai, só não foi mais aberto, mais ostensivo com relação a esvaziar, ou mesmo abandonar os BRICS, fazer uma espécie de Brexit dos BRICS, porque o Brasil sediaria, e isso já estava precificado quando o Bolsonaro ganhou a eleição, o Brasil sediaria uma reunião dos BRICS. Então, eu acho que ficaria muito ruim para o Bolsonaro ficar torpedeando o bloco, sendo o Brasil sede de uma das reuniões que aconteceriam naquele período de quatro anos. Isso não aconteceria com o Flávio, a não ser que haja uma. lógica de rotação que não contempla os novos membros, mas eu eu diria que ainda vai levar um tempo para que a próxima conferência dos BRICS seja no Brasil, o que daria um pouco mais de liberdade para o Flávio Bolsonaro, não vou dizer negar os BRICS, mas de alguma maneira esvaziar a participação brasileira, tratá-la como uma questão acessória na política externa, em vez de o presidente ir para essas reuniões, pode ser que vá ao chanceler, o que no caso dos Bolsonaro são todos irmãos, são todos do mesmo sangue, então não sei se faz tanta diferença, mas enfim, eu acho que haveria uma sinalização no governo Flávio Bolsonaro de desinteresse brasileiro nos BRICS. Quem, aliás, propôs isso textualmente um tempo atrás foi Romeu Zema, um bolsonarista importante, ainda que tenha sido candidato à presidência da República, a gente viu pelo resultado dele, parece que ele basicamente estava fazendo campanha para o próprio Flávio, e ele escreveu na Folha de São Paulo, talvez um ano atrás, sobre a necessidade de o Brasil sair dos BRICS, e eu acho que essa seria a posição, pelo menos, da ala mais economicista de um eventual governo Flávio Bolsonaro. Agora, o que a gente tem que considerar, olhando para o copo meio cheio, é que, muito provavelmente, o Flávio vai manter uma postura um pouco mais serena com relação aos BRICS. Porque a China ainda é um elemento, um campo magnético importante para os produtos, sobretudo do agronegócio brasileiro. Então, tudo isso teria que ser operado com muito cuidado. E o que a gente não pode também desconsiderar é que, dentro do próprio bloco, ainda mais com as expansões que a gente observou ao longo dos últimos anos, existem aliados importantes dos Estados Unidos, inclusive. Então, isso minimiza um pouco o impacto das críticas que a Casa Branca faz aos BRICS. Você falou que o Marco Rubio não gosta dos BRICS, de fato não gosta, já deixou isso claro algumas vezes, mas é fundamental ressaltar que o próprio Trump já fez críticas aos BRICS nas redes sociais, inclusive as primeiras ameaças de tarifas que vieram ainda em novembro de 2024, quer dizer, ele tinha. Não lembro nem se ele tinha ganhado a eleição ou se ele estava para vencer a eleição, mas ele já tinha feito ali uma ameaça explícita de colocar tarifas de 100% aos países dos BRICS. Então, eu acho que isso tudo nos dá um contexto de que os Estados Unidos não gostam do que está acontecendo e que o Brasil, de alguma maneira, vai ter que rebolar, digamos assim, para manter um certo equilíbrio entre BRICS e a relação com Washington a partir desse momento. E aí, falando em Gerson Moura, essa diplomacia pendular que ele também estudou e é o grande ponto que eu acho que é muito importante, o patrono dessa tese do pêndulo da equidistância pragmática, eu acho que ela teria dificuldade de se aplicar na realidade do Flávio Bolsonaro pelo fato de que, ao contrário do que a gente vem observando no Brasil ao longo dos últimos anos ou décadas, de uma capacidade ali de interagir com o Ocidente, com o mundo pós-ocidental, se a gente quiser, eu acho que a situação hoje é difícil, não só porque o mundo está mais polarizado, está mais conflagrado, mas também porque o Trump pode ser que ele, observando a situação, a situação hoje da América Latina e revivendo todo esse interesse de reimplementar a doutrina Monroe, ele começa a fazer exigências meio monogâmicas por parte dos Estados Unidos aos países da América Latina. Então, do tipo, olha, você não pode mais ter relação com a China, ou a relação com a China tem que ser diminuída a um nível mínimo ali de trocas, mas sem encontros de alto nível, coisas do tipo. Não acho que o Trump ainda chegou a esse ponto, mas pode ser que ele, a depender de como ele interprete a relação dos Estados Unidos, com a China daqui para frente, isso acabe transbordando para a relação que os Estados Unidos tentam manter com os vizinhos hemisféricos. Com relação ao Mercosul, eu acho que basta uma canetada daqui para frente para ele simplesmente desaparecer. O Bolsonaro tentou ali criar uma alternativa, o pai, junto com Pinheira e outros líderes naquele momento ali em 2019, que era o ProSul, que seria uma substituição ao Unasul. Mas que de alguma forma também ajudaria a esvaziar o Mercosul, ou pelo menos incorporá-lo a uma nova estrutura mais liberal e tal. Nada foi para frente naquele momento. Hoje você tem potencialmente muito mais consenso regional de que as coisas têm que mudar. Mas, de novo, não me parecem ser lideranças na região que tenham qualquer interesse pela integração regional. E o Milley já sabotou o Mercosul várias vezes desde que virou presidente, inclusive naquele infame episódio de ele faltar a uma reunião de alto nível do Mercosul no Brasil, mas ao mesmo tempo estar no Brasil numa conferência da CEPAC promovida pelo Eduardo Bolsonaro. Então dali já ficou muito claro que o desinteresse é explícito e é, vamos dizer, é intencional. Flávio Bolsonaro entrando na presidência, a gente está falando dos dois maiores países do Mercosul e as duas maiores economias da América do Sul, Argentina e Brasil. De novo, basta um empurrãozinho para que o Mercosul simplesmente desapareça. Eu não sei se. Haverá uma avaliação no governo Flávio Bolsonaro de que o custo reputacional, simbólico, de acabar com o Mercosul é alto demais para valer a pena, até porque eu acho que todo mundo agora está esperando os resultados mais tangíveis de uma eventual implementação do acordo Mercosul-União Europeia. Então acho que o Mercosul não vai desaparecer completamente, mas ele vai ser esvaziado no sentido, político, do que esse mecanismo sempre representou. O Mercosul tem uma importância econômica muito grande, mas a sua finalidade, desde a origem, ela é política também e sobretudo. Então pode ser que o Mercosul vire um mero acordo de livre comércio entre os países membros, até para poder manter essa relação com a União Europeia de que se espera bastante, mas a ideia de usar o Mercosul como um escudo, contra a interferência indevida de outros países na economia regional, ou de usar o Mercosul como uma plataforma de projeção internacional desses países, eu acho que esse momento, que já estava acabando há muito tempo, respirando por aparelhos, acho que ele vai acabar definitivamente a partir do momento em que o Flávio Bolsonaro vire presidente. E Casa, uma última pergunta, já estou tomando seu tempo, já tem uma hora, mas é uma pergunta que acho que você é a pessoa mais capacitada possível para responder. Que é o seguinte, você até citou Collor em uma das suas respostas, e para os nossos ouvintes que não sabem, você estudou bastante, dentre vários temas, a política externa brasileira nos anos 1990. E naquele momento, o então presidente, ainda candidato, acho, o Collor, ele dizia que ele, não, eu não vou expulsar a Organização de Libertação da Palestina do Brasil, não tem esse negócio de Palestina, não vou fazer isso. E ele sofreu muita pressão interna no Brasil, tanto devido ao fato do Brasil ter uma comunidade árabe, descendente de árabes muito forte, quanto pelos laços comerciais entre Brasil e países árabes e países muçulmanos. Cortamos para 30 anos depois, quase 40. Nós temos o Brasil como o maior exportador, como o maior exportador, como o maior exportador, como o maior exportador de carne halal para países muçulmanos do mundo. Nós temos o Brasil com a maior comunidade de origem árabe, a maioria cristã, cristã maronita, enfim, fora dos países árabes. E nós temos o Flávio Bolsonaro se encontrando com o Benjamin Netanyahu, mais de uma vez, e o Flávio Bolsonaro dizendo, para agradar um público neopentecostal, que faz uma confusão teológica entre o reino de Israel da Bíblia e o Estado de Israel. Ele promete que o Brasil vai transferir a sua embaixada para Jerusalém, vai reconhecer Jerusalém como parte de Israel. Como você enxerga essas relações? Como você enxerga essa possibilidade? E caso ela seja concretizada, como você enxerga as consequências disso? Você deixou a pergunta mais difícil e mais espinhosa para o final, né, Felipe? Esse tema é um tema super complicado, também conflagrado, quer dizer, qualquer coisa que eu disser aqui, eu tenho que dizer com muito cuidado para tentar manter o equilíbrio analítico do que está acontecendo, do que pode acontecer daqui para frente. Deixa eu pegar a âncora lá no governo Collor, né? Quando o Collor fez uma promessa, e foi uma promessa, assim, eu estava acompanhando isso para fazer a tese, isso foi divulgado na imprensa, mas até foi tímido. Foi numa reunião na Hebraica, no Clube Hebraica em São Paulo, recebido pelas autoridades da comunidade judaica, e eu acho que ali, a gente está falando de 89, né? Ele estava fazendo uma promessa meio que da cartola, ele não sabia exatamente os detalhes sobre o que estava acontecendo, sobre a maneira como o conflito estava se desenrolando. 89, a gente estava ali no ápice, eu diria, da primeira intifada, Palestina, uma situação muito tensa em Israel. nos territórios ocupados e essa ideia que ele falou de expulsar a OLP ou de não reconhecer a OLP, 88 tinha sido um ano em que o Arafat declarou a independência da Palestina formalmente na ONU. Eu acho que aquilo ali pegou muito mal porque o Collor queria fazer uma fala que agradasse a comunidade judaica e ele acabou gerando a insatisfação de grande parte das embaixadas em Brasília, de países árabes, num momento, e aqui acho que é importante colocar coisa no seu contexto, num momento em que havia já em construção a expectativa de um acordo de paz entre Israel e os palestinos. Pouco tempo depois, inclusive o Brasil participou lateralmente disso, a gente teve a conferência de Madri em 91, a gente teve os acordos geológicos, o que vieram logo na sequência. Então a gente está falando de um cenário ali nos anos 80, 90, que era muito diferente desse que a gente tem hoje. E o Collor ali tentando fazer uma fala para agradar, uma fala claramente desinformada, ele acaba gerando uma resposta, uma reação por parte das embaixadas árabes muito forte. Um ponto que eu acho importante destacar, e aí já é o gancho para a gente pensar, o atual, o contemporâneo. As comunidades árabes, de uma maneira geral, a comunidade síria, libanesa, mesmo egípcia e palestina, que a gente tem no Brasil, sobretudo síria e libanesa, nunca deu um apoio vocal ou um apoio explícito à causa palestina. Até pelo fato de serem predominantemente cristãs maronitas, alguns converteram-se para o catolicismo em algum momento, você tem uma aderência, uma aderência muito pequena desses temas ligados à causa palestina junto à comunidade, salvo raríssimas exceções e salvo algumas pessoas que talvez tenham ali uma voz, uma posição mais preeminente, que falam mais abertamente em defesa da causa palestina, ou que fazem parte de grupos que têm, principalmente de esquerda, que têm ali como eixo central a defesa da criação de um Estado palestino. Então, eu não acho que. o ator mais consequente nessa discussão sobre a relação do Brasil com o Oriente Médio, as posições diplomáticas que o Brasil assume, eu não acho que esse ator é a comunidade árabe, síria ou libanesa no Brasil. A comunidade judaica tem tido um papel cada vez mais preeminente na defesa de Israel e no apoio ao bolsonarismo, inclusive, mas por razões que foram sendo construídas desde 2017, 2018 e que se intensificaram muito. Com o 7 de outubro de 2023, né? Então, a gente está falando de um cenário hoje que está absolutamente conflagrado a uma divisão muito grande ideológica, uma polarização ideológica, se a gente quiser colocar assim, entre defensores de Israel e defensores da Palestina, que está ali, ela sobrepõe muito claramente ao espectro esquerda e direita, no Brasil e no mundo, né? Uma comunidade judaica que está muito alinhada à direita e ao bolsonarismo, em parte por afinidades eletivas, em parte por concordâncias programáticas, em parte por uma rejeição ao Lula, e eu diria que esse alinhamento da comunidade judaica no Brasil, ele já estava sendo desenhado ali desde o Bolsonaro, o Bolsonaro pai que, inclusive, prometeu a mesma coisa, de transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém e não cumpriu, por pressão árabe, não da comunidade árabe brasileira, mas dos árabes que compram carne ralau brasileira, mas que também se intensificou com o início do governo Lula, quando Lula começa a colocar a posição do Brasil em termos muito claros, né? Chamando de genocídio o que está acontecendo em Gaza, chamou de novo, inclusive, nessa última fala dele na Assembleia Geral, faz críticas duras ao Estado de Israel e ao governo Netanyahu, a zona não grata pelo governo atual de Israel, e, obviamente, o Flávio Bolsonaro ter trazido o Benjamin Netanyahu como figura de apoio para a sua própria campanha, mostra como é que Israel está embrenhado nessa polarização política brasileira de hoje também. Então, é um cenário em que as coisas estão muito cristalizadas, né? Para um lado e para o outro no Brasil, e eu diria que isso se reproduz em outros lugares do mundo também. O Flávio Bolsonaro, presidente, eu acho que ele vai ter uma dificuldade muito grande de transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, por mais que isso agrade a um pedaço importante dos seus apoiadores, inclusive no legislativo, principalmente evangélicos, porque essa é uma questão que tem a ver com a segunda vinda de Cristo, tem a ver com a Bíblia, uma profecia escatológica na Bíblia. Então, isso é importante do ponto de vista teológico e ideológico, mas isso não tem muito entrada do ponto de vista prático, porque o Brasil ainda depende muito, né? Os produtores pecuaristas ainda dependem muito de um mercado amplíssimo que vai para além do mundo árabe, que eu estou pensando aqui no mundo muçulmano, sobretudo, que também inclui Paquistão, Indonésia, Bangladesh, Índia, que tem uma população muçulmana enorme, e para quem o Brasil exporta muita carne, né? O Brasil tem aí. O Brasil tem aí uma entrada, quase um domínio no mercado halal, e isso foi construído ao longo de muitas décadas, né? Então, abrir mão disso vai ser muito difícil, o Flávio Bolsonaro vai ter que pesar custos e benefícios de fazer qualquer sinalização para Israel nesse momento, não por medo de qualquer tipo de crítica ideológica, mas por medo de uma crítica econômica daquilo que pode acontecer, e era mais ou menos o alerta que a gente já fazia lá em 2018, quando o Bolsonaro, o pai, ganhou as eleições com a diferença de que agora está tudo muito mais tensionado e conflagrado. Acho improvável que o Flávio consiga fazer grandes sinalizações em defesa de Israel para além daquilo que ele já fala e para além da retórica, e a gente tem que levar em conta também, dentro dessa equação, que haverá eleições muito em breve em Israel, que eu não acho que vão mudar o fundamento do que está colocado hoje, mas a chegada. a chegada de um governo menos identificado ou não identificado com a extrema-direita israelense talvez seduz até um pouco a pressão do lado do Brasil de ter que tomar uma decisão muito rápida para agradar Israel, porque assim como o interesse do Flávio e do bolsonarismo como movimento é agradar o Trump, me parece que com relação ao Oriente Médio ali o interesse é agradar o Netanyahu, e não necessariamente qualquer força política que esteja no poder em Israel, a gente pode lembrar, por exemplo, que naquele pequeno interregno que o Netanyahu saiu do poder ali entre 21 e 22, muitas coisas que o Brasil tinha prometido, que queria fazer, acabaram não sendo feitas, porque perde-se um pouco desse incentivo e desse interesse. Então a gente vai ter que ver também o que vai acontecer nas eleições em Israel para ver não só as possíveis consequências e desdobramentos, mas também a necessidade de o Flávio ter que dar demonstrações de amor a Netanyahu num momento em que a sua carreira política parece, e eu espero pessoalmente, que acabe logo, parece estar acabando, e pode ser que isso também exima o Brasil de ter que fazer alguma coisa mais consequente a respeito desse tempo. Bem, Casa, a gente agradece muito o seu tempo, e eu abro para as suas considerações finais, para você divulgar o que você achar apropriado, enfim, o que você quiser divulgar nas suas redes sociais, enfim, o que você quiser, e você, embora você participe do programa todo ano, você sempre manda a sua análise, você manda a sua coluna, mas dessa vez, como a gente tem essa entrevista, essa conversa, você vai ter também a tarefinha de dar uma dica cultural para os nossos ouvintes, pode ser um livro, um filme, um documentário, o que você quiser, não precisa ser algo relacionado ao tema da nossa conversa, pode ser, se você assistiu, enfim, um filme ontem e quiser recomendar o filme, fique completamente à vontade. E eu só tenho a agradecer pelo seu tempo, pela sua gentileza, e a nível de pessoa, como diria o Faustão, pela sua amizade nesses anos todos. Filipe, você sabe que a admiração é mútua, a amizade se construiu aí de uma interação muito rica que a gente sempre teve, intelectual, de poder dar aula junto, de poder pensar o mundo juntos, eu acho que cada um aqui, num quadradinho um pouco diferente, mas são quadrados que se cruzam muitas vezes, né? E essa, acho que essa tarefa que você assumiu herculeamente, né, de divulgação de conhecimento, e aqui a gente não está falando de divulgação em pílulas, né, mas divulgação em prato feito, né, episódios grandes do xadrez, que animam aí uma geração inteira, eu diria, de estudantes e de profissionais de relações internacionais, eu acho que tudo isso é fascinante. Uma anedota, só antes de eu falar da dica cultural, eu estava em San Diego dando uma palestra sobre, sobre eleições brasileiras na semana logo antes do primeiro turno, e uma menina, uma estudante, estudante lá, me parou, assim, no final da entrevista, no final da palestra, e disse Guilherme, que bom te conhecer ao vivo, porque faz dez anos que eu te escuto no xadrez verbal. E não foi a primeira, mas San Diego é uma coisa improvável, né, mas assim, não foi a primeira vez que pessoas vieram falar comigo porque seguem o xadrez, porque tem essa, o xadrez, ele tem um culto, basicamente, né, as pessoas seguem e seguem com muita lealdade e há dez anos, imagina, escutando toda semana, todo episódio, eu acho que tem uma questão que é muito legal mesmo, que você conseguiu construir e que eu tenho muito orgulho, sou super feliz de poder fazer parte. A audiência que está nos ouvindo, eu não sei exatamente quando vão nos ouvir, mas acho que o que a gente pode dizer, o que eu posso dizer, assim, de maneira muito pessoal e aproveitando esse lugar privilegiado e informal ao mesmo tempo. É que, assim, a luta continua, né, eu não quero suar clichê, eu não quero dizer de alguma maneira, votem por A ou B, que eu acho que essa não é exatamente a nossa função, mas quem não está feliz com o que aconteceu no primeiro turno tem que colocar a cabeça e colocar o coração ali para que o segundo turno seja diferente, eventualmente, e se não der no segundo turno, para que a gente continue lutando por aquilo que a gente acredita e combatendo aquilo que a gente acredita. Então, a luta não pode parar, as pessoas, em geral, tendem a transformar a frustração em ação, e eu acho que a nossa situação é exatamente o contrário, a gente tem que, olhando para o mundo que a gente está diante dele, pensando nos filhos, nas gerações futuras, eu acho que cabe a gente também seguir batalhando, e como eu sei que você tem muitos ouvintes que são bem mais jovens do que a gente, essa altura do campeonato, é importante. Eu acho que eles entendam também a importância dessa participação permanente na política, que não pode se reduzir a cada quatro anos. Como dica cultural, eu andei vendo os filmes, eu tenho visto muitas séries interessantes, assisti Breaking Bad e Better Call Saul de novo, com meu filho agora que é adolescente, ele queria ver e eu assisti com ele, mas eu quero falar de um livro que eu estou lendo e que eu estou adorando, que chama Harvest of Empire, de um jornalista. Um jornalista americano, Juan Gonzalez, que conta a história dos latinos nos Estados Unidos. Esse livro, eu estou aqui olhando o ano de publicação dele, acho que ele foi publicado pela primeira vez em 2001, então é um livro mais antigo, mas que provavelmente vai achar em sebo, enfim, e que fala da história, porque não é a situação atual, não é a ICE, não chegou nesse momento. Também está muito conflagrado aqui nos Estados Unidos, mas é a história da constituição de diversas comunidades latinas nos Estados Unidos. Por que eu acho isso muito rico e por que eu estou me referindo a esse livro que, por coincidência, está aqui na minha cabeceira? Porque eu estou morando nos Estados Unidos há um ano, um pouquinho mais de um ano agora, estou dando aula aqui em Miami, e Miami é uma capital latina, em larga medida. Ela tem um simbolismo. A demografia que é muito distinta de outros lugares dos Estados Unidos, tanto pela diversidade das comunidades latinas que vivem aqui, cubanos, venezuelanos, haitianos, brasileiros, colombianos, argentinos, alguns mexicanos, mas não muitos, dominicanos, mas também porque, pela primeira vez, e eu não sei se eu cheguei a comentar isso contigo, Filipe, em algum momento do passado, das últimas conversas que a gente teve, mas eu estou me sentindo muito latino pela primeira vez na minha vida. Eu me sinto pertencendo a um grupo que hoje não é mais exatamente minoritário nos Estados Unidos, mas que tem uma série de características culturais, comportamentais, ideológicas. Então eu estou me sentindo muito parte desse grupo, falando espanhol na rua, claro, a gente acaba se identificando também com várias pessoas. Então é esse livro do Juan Gonzalez, Harvest of Empire. Latinos in America. É um livro que vale a pena para quem tem interesse em entender a constituição dessas comunidades e eu acho que para todos nós que, de alguma maneira, agora estamos sendo alvo de uma renovada investida norte-americana sobre a América Latina, eu acho que entender os latinos que estão desse lado de cá é fundamental para a gente poder, inclusive, pensar no que o futuro nos reserva também. Bem, com essas palavras muito gentis do Casa sobre o nosso trabalho. E a dica do Casarões, a gente fecha esse bloco e seguimos o programa. Passemos agora para as efemérides da semana que vem. A Semana na História. 14 de outubro de 1926. 100 anos atrás era publicado o primeiro livro. O livro do personagem Ursinho Puff. Primeiro, é Ursinho Puff, não é Poo. Esse negócio de pá é o Poo. Não, é Ursinho Puff. Poo é o nome original, mas ele foi traduzido como Puff e tem que ser assim. Tem que ser em tupi-guarani. Brincadeiras à parte, o personagem do Ursinho surge em 1924 como Edward Bear, Urso Eduardo, depois nós vamos ter as tirinhas com o nome Winnie the Pooh nos jornais na época do Natal de 1925, mas por conta do sucesso das tirinhas que em 1926 nós vamos ter aí sim o primeiro livro do personagem. E na década de 1960 a Disney vai comprar os direitos do personagem a partir da família, né? A partir do. Dos descendentes do escritor Alan Alexander Mewni, que é um dos criadores do Ursinho, junto com o ilustrador Ernest Howard Shepard, que assinava como E.H. Shepard. E então temos aí 100 anos do primeiro livro do Ursinho Puff. E lembrando que recentemente nós tivemos inclusive um filme live action, digamos assim, com o Ian McGregor e o Ursinho. Sim, o Puff é animado, claro. Em 2018 chamado Christopher Robin, além dos desenhos clássicos da Disney. 16 de outubro de 1951, há 75 anos, era assassinado o primeiro-ministro Liaquat Alicant no Paquistão. Ele que foi o primeiro-ministro do Paquistão, e ele tem ali uma posição de um dos fundadores, do país, embora o patriarca do Paquistão é o Muhammad Ali Jinnah, que foi o primeiro governador-geral do Paquistão, mas principalmente era o líder da liga muçulmana da Índia, desde o início do século XX, no processo de construção de independência, não apenas do continente indiano, mas a ideia de que os muçulmanos deveriam ter o próprio país. Lembrando que essa não era a posição do Gandhi. Eu sempre faço questão de frisar isso. O Gandhi, ele era contra a partição da Índia, ele acha que deveria ser tudo a mesma coisa, e que hindus e muçulmanos, as outras religiões, deveriam conviver em paz. E esse era o simbolismo inicial da bandeira indiana, que une o açafrão do hinduísmo, o verde do islã, com o branco da paz no meio, e era uma roda de fiar no centro, não era uma roda do Dharma ainda. Mas enfim, o fato é que o primeiro-primeiro-ministro do Paquistão, o Liaquat Alicant, governou de forma muito diferente do que o primeiro-ministro do Paquistão, que era o presidente do país, e que, em 1867, até 16 de outubro de 1961, quando ele estava dando um discurso em Hawapindi, que fica na província do Punjab, bem no norte do país, perto da fronteira com o Afeganistão, e aí ele foi assassinado por um afegão chamado Saeed Akbar. E o detalhe é que esse afegão, que fez parte da luta armada contra os muçulmanos, os britânicos, em anos anteriores, inclusive, a gente não sabe por que ele matou o primeiro-ministro do Paquistão. Porque ele não deixou uma carta, não deixou uma declaração, e assim que ele atira no primeiro-ministro, os seguranças do primeiro-ministro atiram nele, e ele é morto. Então ele não foi interrogado, enfim, algo assim. Então assim, tem várias especulações que falam da questão da Guerra Fria, então ele seria um agente, ele poderia ser um agente, ele poderia ser um agente soviético, enfim. Tem gente que fala de questões ligadas aos Pashtuns, porque os Pashtuns ficam divididos entre Afeganistão e Paquistão. O fato é que a gente nunca vai saber por que o primeiro-ministro do Paquistão foi assassinado, mas 75 anos atrás foi isso que ocorreu. E na terça-feira da semana que vem, completam-se 50 anos da primeira imagem do vírus ebola, em 13 de outubro de 1976. que acaba sendo uma coincidência muito triste, né, considerando que estamos no meio de uma epidemia de ebola inclusive a gente vai ter uma notícia sobre isso no segundo giro de notícias desse programa quem registrou essa imagem foi o virologista dos Estados Unidos, Frederick Murphy que na época trabalhava no CDC, o Center for Disease Control and Prevention e ele registrou a imagem no microscópio e a primeira imagem do ebola ele que era parte da equipe que descobriu o ebola descobriu que o ebola era um vírus separado, ainda não sabia direito o que era o ebola então infelizmente tem essa coincidência de que 50 anos atrás tivemos a primeira imagem do ebola e no momento de que ele está tirando vidas novamente. Bem, vocês ficam agora com a terceira coluna aberta na qual o Felipe fará o balanço dos discursos dos países do Oriente Médio na Assembleia Geral das Nações Unidas Coluna aberta Bem pessoal, esse conteúdo era para ter sido publicado duas semanas atrás, só que enfim, ocorreram os problemas das últimas semanas que eu comentei aqui por cima no programa que foram adiando a diando, então esse conteúdo está sendo publicado um pouco atrasado, eu peço desculpas por isso e conto com a compreensão de todos vocês, mas também por essa distância cronológica eu acabei tomando, decidindo fazer uma coisa um pouco diferente do que eu originalmente ia fazer. Originalmente eu ia passar por todos os discursos de países do chamado Oriente Médio na ONU porém, acho que isso hoje já não faria mais tanto sentido, então eu vou falar, eu vou pegar aqui algumas coisas que eu fiz o levantamento que estariam nesse conteúdo de qualquer maneira e aí eu vou dar uma pincelada nos discursos tá bom? Mas que levantamento é esse que eu estou falando? A gente vai começar pelo fato, pelo levantamento dos países que falaram abertamente explicitamente que está ocorrendo um genocídio ou que existe uma política genocida em relação aos palestinos e a Gaza, certo? Foram Maldivas, Belize, Comores, Irã, Paquistão Catar, África do Sul, Angola Brasil, Cuba, Espanha, Tunísia, Turquia e mais a própria Palestina esses foram os países que falaram explicitamente acusando frontalmente de uma política genocida em relação aos palestinos e a Gaza. Além desses países, nós tivemos Islândia, Eslovênia, Liechtenstein, Líbano e Barbados que falaram da necessidade de prevenção de genocídio necessidade de impedir genocídios, enfim de um termo mais abrangente tá? Tá um pouco ali indireto O Oman também falou em genocídio O Oman ficou ali um pouquinho foi indireto, mas um passo adiante na acusação frontal O Timor-Leste, que foi apresentado pelo grande José Ramos Horta, que já entrevistamos aqui no programa ele mencionou genocídios ele falou da Nakba Palestina ele foi o único líder, pelo que eu vi além do próprio Mahmoud Abbas que falou da Nakba que a Nakba é literalmente catástrofe, que é o deslocamento forçado, a expulsão, a limpeza étnica de cerca de 700 mil palestinos no final da década de 1940 com a fundação do Estado de Israel e a consequente guerra primeira guerra árabe-israelense ou guerra de dependência de Israel, vai variar a nomenclatura então o Timor-Leste falou de uma série de genocídios falou da importância de também prevenir conter genocídios e mencionou a Nakba então esses foram os países que falaram diretamente em genocídio 58 das intervenções totais falaram de uma solução de dois estados porque eu digo intervenções totais? porque aqui eu estou incluindo o secretário-geral da ONU a União Europeia a Santa Sé e a própria Palestina Santa Sé e Palestina no caso não são estados Santa Sé é um estado observador e o secretário-geral da ONU e a União Europeia também tem ali uma caracterização própria nesse ambiente, mas o fato é que 58 intervenções totais falaram de solução de dois estados dentre eles muitos países europeus até porque, como eu disse, isso estava no próprio discurso da União Europeia e também estava no discurso de países que não tem relações com Israel como a Arábia Saudita e Oman que eu já expliquei aqui quando a Arábia Saudita defende uma solução de dois estados é uma referência implícita ao próprio plano saudita de paz que é falar, olha só se tiver um estado palestino nós vamos reconhecer Israel ou seja, já é um reconhecimento implícito digamos assim e eu quero deixar uma coisa aqui clara que você vai ter países que não falaram explicitamente em solução de dois estados e não falaram explicitamente de uma questão de genocídio mas abordaram Israel, Palestina de alguma maneira no seu discurso o que eu estou fazendo aqui é impor um filtro, digamos assim de contexto e conteúdo isso não quer dizer que os outros países simplesmente não falaram do assunto mas o que eu quero dizer é que nesse levantamento que eu fiz alguns países abordaram a questão mas não necessariamente de uma forma tão explícita ou uma defesa explícita de algum aspecto e finalmente treze países condenaram o Hamas ou pediram pelo desarmamento do Hamas ou pediram pelo desarmamento do Hamas ou chamaram o Hamas de grupo terrorista além, é claro, de Israel Israel está incluso nessa lista mas além de Israel Bulgária, Romênia, Itália, Austrália, Brasil, Gana Reino Unido, França, Chipre, Grécia, Canadá Montenegro e San Marino e sim, Brasil o discurso do Lula, pra quem não viu na íntegra, fala em atos terroristas do Hamas e aí quando a gente olha para os discursos do Oriente Médio em geral, Palestina foi o principal tema embora em diferentes graus de presença digamos assim e o segundo grande tema foi obviamente a guerra contra o Irã e o fechamento do estreito e aí nesse caso nós podemos dizer que você tem quatro posições distintas nesse assunto você tem a posição israelense que classifica o Irã como uma ameaça existencial que o Irã não pode ter armas nucleares que os ataques israelenses foram na verdade preventivos para impedir uma ameaça maior você tem a posição iraniana que o país foi atacado e está apenas se defendendo e critica uma aplicação desigual do direito internacional e que o Irã foi alvo de terrorismo inclusive o presidente iraniano ele estava todo de preto falando inclusive das crianças que foram mortas no ataque dos Estados Unidos a uma escola logo nos primeiros dias aí você tem um terceiro terceiro grupo argumentativo que é o das monarquias do Golfo Bahrein, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos que se colocam como alvos de uma agressão indevida iraniana aos Estados soberanos do Golfo e uma quarta posição que é de Catar, Oman, Paquistão e Turquia que enfatizam a necessidade de uma solução negociada para a segurança regional duradoura e afirmam alguns mais categoricamente do que outros que não terá solução militar para a situação atual que é o que a gente vem dizendo aqui há meses no programa e agora eu vou passar um pouco rapidamente pelos discursos do Oriente Médio e aí eu vou na ordem cronológica dos discursos porque foi a ordem que eu fiz as minhas anotações então elas não estarão numa ordem temática a gente vai começar com o rei Abdullah II da Jordânia que falou mais ou menos ali por 20 minutos e o discurso dele foi bastante frontal em relação a Israel ele colocou que Israel é uma ameaça de segurança regional colocando o fato de que hoje Israel ocupa territórios na Síria ele voltou a repetir que em 2002 a proposta de paz arábia saudita envolvia a normalização com 50% 57 estados em troca de um estado palestino e que não foi aceita pelo governo israelense, ele disse que a comunidade internacional tem passado as últimas décadas administrando, no lugar de solucionar a situação, e que o governo israelense teria se aproveitado nesse tempo para expandir as suas ações, expandir as suas ações militares inclusive, e que hoje é um problema de credibilidade para todo o sistema internacional. Depois veio o Erdogan, com um discurso bastante longo, foi quase 40 minutos, e ele buscou vincular, ele foi bastante frontal também sobre a questão palestina, lembrando que o Erdogan busca com isso, colher, na verdade, frutos internos, especialmente. A questão palestina, para ele, é uma questão que tem um impacto interno muito grande, e ele defendeu a reconstrução de Gaza, defendeu o estado palestino, acusou Israel de ter uma mentalidade genocida, genocidal mindset, mas o principal, ele coloca a questão de Gaza palestina como. como o grande símbolo da necessidade de uma nova arquitetura do sistema internacional, especialmente uma reforma do sistema da ONU, uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, tanto com ampliação, quanto também defendendo o fim do chamado poder de veto. Ele defendeu lá a aliança com a Arábia Saudita, com Paquistão, etc. Mencionou a questão da Síria, no, basicamente, satélite da Turquia hoje. Depois tivemos o discurso do Catar, do Tamim Altani, que durou ali por volta de 15 minutos, defendeu negociações, acusou Israel de uma política genocida, defendeu a Resolução 1701 em relação ao Líbano, e aí temos o discurso da Síria, que eu achei ele bastante curioso. Por quê? O discurso do Al-Sharah durou. Durou mais ou menos 11 minutos. Ele falou, basicamente, de política doméstica de reconstrução da Síria, a necessidade de reconstrução, agradeceu o fim das sanções dos Estados Unidos contra a Síria por terrorismo. A única questão internacional que ele mencionou foi, basicamente, a questão das colinas de Golã, dizendo que as colinas de Golã são território sírio, que as forças israelenses devem se retirar, e uma solução negociada. A solução negociada final precisa ser alcançada. Ele não falou de Palestina, não falou de Líbano, não falou de Gaza, de genocídio, de nada disso. Foi um discurso curto, centrado apenas em questões sírias, especialmente internas, e das relações da Síria com Turquia e Estados Unidos, e a questão de Golã com Israel. Então foi um discurso bastante comedido, de certo modo. Aí tivemos o discurso do Irã, que durou mais ou menos 19 minutos. Eu já falei um pouco do que ele falou. Então, assim, que o sistema internacional fracassou, porque ele não tem os mesmos. não é um sistema coerente, que o Irã foi alvo de ataques terroristas, que o Irã não aceitará restrições ao uso pacífico de tecnologia nuclear. Gaza simboliza o grande fracasso desse sistema. Esse sistema internacional. Enfim, foi um discurso bastante forte, e, repito, ele foi todo vestido de preto, ele levou imagens das crianças mortas pelos ataques dos Estados Unidos, e que o Irã apenas se defendeu de forma legítima. Depois tivemos o discurso do Mahmoud Abbas, presidente da Palestina, que durou mais ou menos 24 minutos. O Mahmoud Abbas, ele não falou na ONU. Ele teve que falar à distância, porque os Estados Unidos, novamente, não permitiram que ele recebesse um visto para ir a Nova Iorque participar da Assembleia Geral da ONU. Ele falou que corre-se o risco de uma nova náquiba, uma nova catástrofe. Ele disse que 160 estados já reconhecem a Palestina, então é hora da plena admissão palestina na ONU também. Reforçou que a Palestina aceita a solução de dois estados, a questão da legitimidade internacional, e defendeu que a Palestina tem o direito de recorrer à Corte Internacional de Justiça, ao Tribunal Penal Internacional, etc. E também criticou muito as políticas de colonização da Cisjordânia por Israel, que apoia, seja de forma direta ou seja de forma indireta, os colonos ortodoxos na Cisjordânia. Depois tivemos o discurso do Benjamin Netanyahu, que durou quase 40 minutos, e eu já mencionei aqui alguns anos anteriores. O discurso do Netanyahu na ONU é sempre muito voltado para as pessoas dos Estados Unidos. Então, judeus que moram nos Estados Unidos, a comunidade nos Estados Unidos, tanto que ele falou, por exemplo, do prefeito de Nova Iorque no discurso dele. Os presidentes que vão falar apenas de questões globais, não vão falar, às vezes, nem de questões domésticas. O Netanyahu falou do prefeito de Nova Iorque, porque o Netanyahu e os seus partidários acusam o prefeito de Nova Iorque de ser antissemita, ou de ter colaborado com atos antissemitas, enfim, de ter tolerado atos antissemitas, melhor dizendo. Ele disse que Israel não está, que é uma grande mentira que Israel estaria cometendo genocídio, que, na verdade, Israel está impedindo um genocídio, colocou que o Irã é uma ameaça existencial, e, principalmente, acho que o que é mais interessante da gente mencionar aqui, ele respondeu ao Shara, dizendo que os judeus vivem nas colinas de Golã desde os tempos da Bíblia, que é um discurso que busca legitimar o expansionismo, legitimar uma anexação territorial, e, ao mesmo tempo, usa um argumento que é para ser consumido internamente nos Estados Unidos, que é um argumento bíblico, especialmente pelas comunidades cristãs, algumas denominações cristãs, que apoiam de forma acrítica o Estado de Israel, porque confundem ele com o reino de Israel da Bíblia. E, além desse comentário sobre a Síria, o Netanyahu também usou muitos minutos para atacar frontalmente o Catar e a Turquia, dizendo que eles fomentam o antissemitismo, de que eles hospedam lideranças terroristas e financiam campanhas na tentativa de isolar Israel. Depois tivemos o discurso iemenita, que durou mais ou menos 20 minutos, lembrando que é o discurso do governo internacional, reconhecido e o governo aliado da Arábia Saudita, não o Zutis, é o governo aliado da Arábia Saudita, inclusive fez vários elogios à Arábia Saudita, agradeceu a Arábia Saudita e disse que a segurança marítima global precisa da estabilização do território iemenita contra a milícia terrorista do Zutis. Tivemos o discurso iraquiano, que durou mais ou menos 20 minutos, que falou muito de questões econômicas, questões de infraestrutura, buscando projetar o Iraque como esse grande hub de infraestrutura, pela posição geográfica do Iraque, pela posição ali entre Irã Síria, Turquia e Arábia Saudita, ou seja, conectando a Península Arábica com o Planalto iraniano, com o Planalto Armênio, que depois chega na Anatólia, com as terras baixas da Síria que vão chegar no Mediterrâneo, então o Iraque como esse grande ponto de conexão. Então ele falou das estradas, falou de hubs de infraestrutura, esse tipo de argumentação. O discurso libanês durou mais ou menos 20 minutos, falando da reconstrução do Estado, falando da reconstrução da economia, da participação do FMI, defendeu a retirada israelense do território, o cessar fogo e a desmilitarização dos grupos armados internos e que o Estado tem que ter o monopólio do uso legítimo das armas. Ou seja, basicamente falando do resbolar. O discurso paquistanês durou mais ou menos 24 minutos, com o primeiro-ministro Shabat Sharif, no que concerne aqui o Oriente Médio, falou especialmente da aliança de Meca, o acordo de Meca, com Paquistão, Turquia e Arábia Saudita, falou da necessidade disso, uma solução negociada, e que o Estreito de Hormuz e o Estreito de Bab-el-Mandeb, no Golfo de Adem, são as artérias da economia mundial. E porque eu digo no que concerne esse bloco? Porque ele também falou muito da questão da Cachemira, falou da Índia também, obviamente, falou da questão do Tratado das Águas do Rio Índio, enfim. O discurso do ministro Shabat Sharif, Exteriores do Egito durou mais ou menos 20 minutos e também foi muito forte na direção de reforma da governança global, de reforma do sistema ONU e especialmente da expansão da participação africana na ONU especialmente no Conselho de Segurança da ONU, falando por exemplo que a África embora ela seja um quarto dos membros da ONU, ela tem apenas 3 dos 15 assentos do Conselho de Segurança ou seja, um quinto, então ela está subrepresentada e não tem nenhum país com poder de veto e também falou da questão da Palestina e como a falta de um Estado palestino é o grande exemplo de como o sistema internacional está quebrado também falou da segurança hídrica no Nilo, o que se relaciona à Etiópia e que daqui a pouco eu estou começando a projetar, botar a guerra na Etiópia o chifre da África como um todo no bloco de Oriente Médio porque são coisas que estão claramente correlacionadas atualmente, embora não correlacionadas geograficamente tivemos o discurso Barenita, que durou mais ou menos 22 minutos, que foi um discurso muito ligado às questões do comércio marítimo, da segurança marítima, segurança de navegação então falou de Golfo de Adem, falou de Mar Vermelho, de Hormuz, de Bab el-Mandeb além dos pontos que eu citei anteriormente com críticas ao Ira o discurso saudita foi bastante curto, bastante direto ao ponto, durou ali 12 minutos mais ou menos, pelo Ministro de Relações Exteriores e basicamente tudo que a Arábia Saudita falou eu já mencionei, eu só quero frisar que a Arábia Saudita, ela manteve indiretamente o Plano de Paz de 2002 na mesa, a ideia de olha só Israel, se você reconhecer a Palestina e o Estado Palestino na sua notícia 67 for criado, nós garantimos um amplo reconhecimento e mais investimentos em Israel, claro que hoje esse acordo essa oferta, ela é muito mais fraca do que era em 2002 porque de lá pra cá nós tivemos os acordos de Abraão, do governo Trump e nesse período dois pesos pesados digamos assim, econômicos, estabeleceram relações com Israel Marrocos e Emirados Árabes Unidos o discurso do Oman durou mais ou menos 12 minutos também, sempre defendendo a solução diplomática sempre defendendo ali o papel do próprio Oman como um negociador, o discurso dos Emirados Árabes Unidos também foi relativamente curto, durou mais ou menos 12 minutos eu já abordei alguns dos principais pontos, mas eu quero frisar que no discurso emiradense o país disse que as ilhas de Abumussa e as ilhas de Tumbi são dos Emirados que estão ocupadas pelo Irã e que seria necessário ou uma negociação uma mediação ou até mesmo uma decisão da Corte Internacional de Justiça então esses foram os principais discursos dos países do Oriente Médio repito, eu peço desculpas pelo atraso em publicar esse conteúdo, esse conteúdo originalmente ele seria mais extenso eu ia me debruçar um pouco mais nos discursos, mas acho que agora isso já não faz tanto sentido assim pra quem quiser mais detalhes quem quiser se aprofundar, vocês podem lembrando, vocês podem assistir todos os discursos, vocês podem assistir inclusive, ouvir com as dublagens oficiais em qualquer idioma da ONU vocês também podem ouvir no idioma original, então por exemplo se você estuda árabe, pode ser uma ocasião pra você ouvir um discurso em árabe, em que você vai ter a sua disposição, uma transcrição daquele discurso pra você ter uma conferência, enfim, pra você ter ali uma colinha uma coisa que está aqui nas minhas anotações, que eu não sei se eu mencionei em programas anteriores, mas quando o Netanyahu foi discursar assim como no ano passado dezenas de delegações se levantaram e se retiraram incluindo a delegação brasileira, eu não lembro se eu mencionei isso aqui no programa ou não, até porque repito as últimas semanas foram um pouco complicadas e a Turquia só pra fechar além da pauta do fim do poder de veto e tudo mais a Turquia, tanto no seu discurso mas como nas ações da delegação turca nos painéis que a Turquia participou também bateu muito na tecla da COP31 a COP31 vai ser na Turquia em Antalya, esse ano então a Turquia buscou mobilizar parte da comunidade internacional no sentido da COP31, certo? Vocês ficam agora com o match no qual o Felipe observará o movimento das peças no sempre complicado tabuleiro do Oriente Médio Match Bem pessoal, essa semana a principal notícia da região do Oriente Médio é o fato de que as forças do governo em Imenita nesse dia 5 de outubro com apoio da Arábia Saudita, da Turquia e do Paquistão, já vou falar disso iniciaram uma ofensiva contra os Houthis e retomaram a região do Estreito de Bab- El-Mandeb, o estreito que une o Mar Vermelho ao Golfo de Adem, o Mar Vermelho que tem dois gargalos, ao norte o gargalo de Suez, ao sul o gargalo é esse estreito os Houthis haviam tomado o estreito semanas atrás a gente repercutiu isso aqui comentou isso aqui e agora, nessa contra-ofensiva as forças Imenitas tomaram o território e a declaração do governo Imenita é basicamente retomar todos os territórios que estão nas mãos dos Houthis, incluindo a capital oficial do país, Sanaa se eles vão conseguir fazer isso ainda não sabemos porém, o que está muito claro nesse momento, é que é uma ofensiva bastante estruturada não foi uma coisa não é um movimento repentino, não é um movimento feito no desespero e como eu mencionei, nós teremos a participação de Turquia e Paquistão nessa lógica o Ministro de Relações Exteriores da Turquia o Hakan Fidan ele disse que o acordo de Meca está pronto para ser votado pelo parlamento e o parlamento turco precisa aprovar o deslocamento de tropas turcas embora isso seja uma mera formalidade e que às vezes nem isso será necessário o acordo de Meca vamos lembrar, foi tema principal do programa algumas semanas atrás é o acordo de defesa mútua entre Turquia, Arábia Saudita e Paquistão um dos dois eixos tripartites que está se estabelecendo na região é um acordo defensivo o New York Times afirmou que vetores da força aérea paquistanesa estariam participando de operações dentro do Iêmen bombardeando posições UTIs o governo paquistanês negou isso veementemente disse que você tem sim elementos da força aérea paquistanesa e outras tropas paquistanesas em território saudita mas que não estão participando de operações no Iêmen então, muito provavelmente o que se trata o que está ocorrendo usando aquela analogia do cobertor curto então, se você cobra a cabeça, você descobre os pés se você cobra o pé, você descobre a cabeça a Arábia Saudita pediu ajuda militar para os Estados Unidos não obteve a Arábia Saudita recebeu ajuda militar pontual francesa mas para uma grande ofensiva militar é possível que a Arábia Saudita não tenha se sentido seguro o suficiente para fazer uma operação dessas sozinha então as tropas, as forças turcas e paquistanesas, muito provavelmente vão agir na defesa do território saudita contra ataques com mísseis contra drones contra eventuais incursões de fronteira para permitir que as tropas sauditas possam participar de ações ofensivas, pelo menos do ponto de vista legal e ostensivo é claro que muito provavelmente nós também teremos aviões do Paquistão da Turquia possivelmente, melhor dizendo participando de operações dentro do território yemenita então se trata de um desdobramento bastante importante não apenas pela ativação da aliança mas também pelo fato de que essa ofensiva já já obteve, já conseguiu avanços territoriais. E do ponto de vista turco, você tem uma vitória simbólica muito grande aqui, que é, aparentemente, as forças turcas vão participar da defesa das cidades sagradas do Islã, o que dá um simbolismo muito grande para o Erdoğan. Então, também tem esse elemento. Nessa semana, também tivemos novos mísseis Houthis sendo disparados contra território saudita, e a Arábia Saudita, inclusive, afirmou que três pessoas morreram em um desses ataques Houthis. Agora a gente vai para o Irã, já que são conflitos interligados. Essa semana tivemos o anúncio de um novo ministro da defesa no Irã, e também o ministro do petróleo renunciou. Então temos essas trocas ministeriais no Irã. Além disso, um relatório apresentado ao Congresso dos Estados Unidos mostraria que o país perdeu ou teve danificados 81 aviões. Aí, somando aviões, tanto aviões que precisam de pilotos humanos, quanto também aeronaves, acho que foi melhor dizendo, quanto aeronaves autônomas. O Donald Trump disse novamente que não vai realizar ataques contra o Irã antes das eleições de mid-term, no dia 3 de novembro. Em um dos comícios, inclusive, ele estava em Nebraska, ele disse que a guerra contra o Irã é para manter os Estados Unidos seguros, e ele disse que, olha só, se a gente não fizer, eles poderiam destruir cidades dos Estados Unidos. E aí ele falou, deixem que destruam, deixem que destruam Los Angeles, deixem que destrua San Diego, ou seja, cidades da Califórnia, que atualmente é um estado democrata, e cidades em que o Donald Trump tem baixos índices de aprovação. E, finalmente, sobre a guerra no Irã, essa semana tivemos muitos voos sendo detectados pelas plataformas de rastreio de aviões entre Doha, capital do Catar, e Teherã. Capital iraniana. Pode ser uma negociação, pode ser algum tipo de movimento. Agora nós vamos para a Palestina. Mais de 100 colonos realizaram ataques contra palestinos na região de Nablus. Um homem palestino chamado Ali Hassam Yasser al-Bazari, de 44 anos, foi assassinado enquanto colhia azeitonas, enquanto colhia nas suas oliveiras. Foi assassinado pelos colonos israelenses e outras 16 pessoas palestinas ficaram feridas. Essa semana também tivemos o anúncio de que a missão diplomática britânica em Jerusalém Oriental vai continuar funcionando, porém ela será diminuída. Tanto no seu escopo, terá o seu nome trocado e também diminuirá a sua equipe. Ou seja, o governo britânico basicamente fez uma construção. Mas em nome de uma tradição, porque a presença diplomática britânica em Jerusalém oficialmente remonta ao início do século XIX. É claro que eles vão voltar aos tempos das cruzadas, no discurso e tal, mas em Jerusalém, especialmente em Jerusalém Oriental, você tem inclusive uma catedral anglicana, que é bastante antiga também. Agora, fazendo um breve, um pequeno adendo. Ao áudio gravado anteriormente, esse adendo sendo gravado na sexta-feira, dia 9, porque hoje tivemos o anúncio da jurista sul-africana Navenetem Pillay como Nobel da Paz. Ela tem 85 anos de idade, ela foi reconhecida por sua atuação em defesa do direito internacional e, abro aspas, escolhida por liderar com coragem e integridade esforços para ampliar uma ordem jurídica global. Ela foi uma ativista. Ela foi uma ativista no seu país contra o Apartheid, ela foi alta comissária da ONU para direitos humanos, ela foi juíza no Tribunal Penal Internacional para o genocídio de Ruanda e no Tribunal Penal Internacional de Haia. Ela também presidiu, recentemente, uma comissão de inquérito sobre os territórios palestinos ocupados e, atualmente, integra a Corte Internacional de Justiça no caso em que Mianmar é acusado de genocídio contra os. E ela é uma das principais juristas em relação ao crime de genocídio como um todo e ela é uma das principais juristas da denúncia sul-africana contra Israel na Corte Internacional de Justiça por genocídio em Gaza. Ela disse, né, algumas palavras que eu ouvi dela de aceitação, né, ela mencionou que é necessário uma expansão do direito internacional. Que são necessárias soluções pacíficas para os conflitos, ela ironizou, né, dizendo que poderia dividir o prêmio com o Donald Trump e o fato dela ter sido juíza, né, do Tribunal Penal Internacional também tem aí um elemento, né, de aviso do Comitê do Nobel, né, sobre as ações do governo dos Estados Unidos em relação ao TPI e ao Estatuto de Roma e o governo israelense. Disse que o Nobel premiou a maior mentira do século XXI e que ela teria um papel na demonização de Israel, porque é mais fácil você, né, criticar o mensageiro, o estudioso, do que rever as suas próprias políticas genocidas, ainda mais num contexto eleitoral. E como eu estou gravando esse adendo posteriormente à nossa gravação habitual na quinta, ela será o peão promovido na. Na semana que vem, tá? Falando de notícias israelenses, nós temos três notícias. A primeira delas é que saíram mais informações sobre as investigações do episódio de possível terrorismo no voo da Fly Dubai. E duas coisas. Primeiro, o piloto, né, o copiloto, desculpem, foi confirmado como um cidadão do Oman e, assim, eu repito o que eu falei no programa passado, né, teoricamente esse homem não poderia estar nesse voo. Então, houve uma brecha de segurança ou uma brecha intencional, enfim, aparentemente bem flagrante. E a segunda, né, no programa passado eu falei que ele tentou. Esfaquear o piloto indiano, que era o que estava surgindo naquele momento. Mas agora a investigação mostrou que ele não entrou no avião, ele não foi a bordo armado. Ele usou um machado do kit de emergência do avião, que é utilizado caso você precise derrubar uma porta, caso o avião sofra um acidente, enfim, esse tipo de coisa. Então, ele usou essa arma branca que estava a bordo do. Do próprio avião, tá? Então, são duas informações nessa semana. Ainda não está claro, né, pelo menos enquanto estamos gravando esse programa, quais seriam as motivações e qual era o plano final dele. Se era realmente jogar o avião, por exemplo, num prédio ou jogar o avião no aeroporto, algo do tipo. Isso ainda não está claro, né? Mas o que está claro agora é que ele usou uma arma. Ele usou uma arma que estava dentro do avião para atacar o piloto. O piloto conseguiu abrir a porta da cabine e, então, o copiloto foi subjugado pelas outras pessoas. E uma tripulação que estava a bordo em stand-by, eu comentei no programa passado que isso não é incomum, né? Porque tem algumas pessoas que duvidam do que aconteceu porque, ah, como assim já tinha uma tripulação extra a bordo? Isso não é incomum e, enfim, aí essa tripulação acabou. Pousando o avião. Outra notícia é que, segundo o jornal israelense Haaretz, o Benjamin Netanyahu, quando ele foi se encontrar com o MBZ em Dubai, ele se encontrou com representantes de dez outros países e conversaram sobre uma nova rota de petróleo que usaria a região israelense de Eilat, o porto israelense de Eilat, que fica no extremo sul do país, o que é um projeto que poderia. Interessar ao Egito, porque transformaria, incentivaria o uso do canal de Suez. Então, pode ter esse projeto como consequência do fechamento do Estreito de Hormuz. E a terceira notícia é que, essa semana, o governo israelense lançou uma peça de propaganda para responder ao documentário NASA, que se chama NASA, The Real Story. E isso, teoricamente, não surpreende. Talvez nem fosse uma notícia, mas o que eu quero destacar para vocês, para quem for procurar o documentário para assistir, alguma coisa assim, é que os produtores dessa peça de propaganda que responde ao documentário original registraram o site nasadocumentary.com. Então, tomem cuidado para não assistir a peça. essa de propaganda estatal e não o documentário original e pra gente fechar outras duas notícias, uma delas é do Egito já que seis jornalistas foram presos nessa semana sendo acusados de trabalharem de terem criado e trabalhado em um veículo de imprensa que na verdade seria uma fachada para a Irmandade Muçulmana lembrando que a Irmandade Muçulmana é banida é proibida no Egito e eu falei dela semana passada coincidentemente e o Tribunal Penal Internacional emitiu mandados de prisão para dois ministros talibãs por crimes contra a humanidade por discriminação de gênero e impedirem que meninas e adolescentes tenham acesso a educação então temos essa do TPI e a gente continua o nosso programa. Passemos agora para o cheque no qual eu e o Felipe daremos uma volta pelo Atlântico Norte Cheque Espanha convoca eleições antecipadas diante da crise habitacional. Então meu caro Matias, antes da gente continuar falando de Espanha, eu digo continuar porque foi o tema do cheque no programa passado, a gente tem que registrar que no meio dos decretos do Pedro Sanches no meio dessa convocação de novas eleições no dia 7 de outubro quarta-feira, a Maria del Carmen Abascal Martín conhecida como Mari Carmen a senhora de 87 anos que foi despejada do imóvel onde ela vivia há mais de seis décadas com uso de força policial a mando da justiça porque deu ganho de causa a uma administradora de imóveis chamada Urba Gestion ela faleceu no hospital, sem conseguir retornar para o imóvel não sei se já estava com a saúde debilitada enfim, o fato é que o aluguel dela era de 500 euros e depois das mudanças na lei espanhola o aluguel dela passou para 2.650 euros e a aposentadoria é de 1.400 então assim, esses números e o fato dessa senhora ter morrido no hospital depois de ter sido despejada com uso de força policial mostram o absurdo da situação na Espanha, que não se restringe a Espanha, que é um processo que também está ocorrendo, por exemplo, no Brasil esse processo de gentrificação tem se intensificado em algumas cidades e talvez o pior exemplo disso seja o Rio de Janeiro onde as pessoas que moravam em Copacabana estão se mudando para Niterói, as pessoas que moravam em Niterói estão se mudando para São Gonçalo e por aí vai então, e se essa notícia não te comove por favor, peça ajuda profissional sobre sua saúde mental mas, feito esse registro vamos lá, o que aconteceu meu caro Matias, o Pedro Sanches, ele apresentou perante o parlamento no final da semana passada, no dia 2 de outubro dois projetos em relação a moradia, um pacote ali para tentar conter essa crise habitacional e esses dois projetos foram depois transformados em uma votação, apenas na sexta-feira, dia 2 e dos 350 assentos 178 votaram contra, e alguns pode falar assim, mas pô Felipe, se é parlamentarismo, o governo deveria ter maioria, quem então não votou com o governo foi os Juntes da Catalunha que é o partido do separatismo catalão economicamente à direita, você tem a esquerda catalã com o perdão da obviedade e os Juntes, que é o partido do Carles Puigdemont, o Harry Potter da Catalunha, votou contra, dizendo que aquelas medidas prejudicariam o mercado imobiliário, prejudicariam as grandes empresas, etc. Agora ironia das ironias é que o Pedro Sanches só conseguiu formar o último governo dele, depois das eleições por ter oferecido ao Juntes a anistia das lideranças do partido envolvidos no movimento de independência e essa anistia é extremamente criticada pela direita espanhola especialmente pela direita neofranquista do Vox que, ao que tudo indica, em caso de novo pleito vai chegar ao poder e uma das coisas que eles vão tentar fazer é revogar esse processo de anistia então o Juntes da Catalunha tem que decidir o que eles querem da vida, em outras palavras mas enfim nós tivemos o projeto apresentado pelo governo sendo rejeitado, e aí na segunda feira, o Pedro Sanches anunciou então a convocação de novas eleições para 29 de novembro antecipando as eleições do ano que vem, lembrando que o Pedro Sanches, ele venceu as últimas eleições em 2023, quando ele formou governo, mas ele é o primeiro ministro da Espanha desde 2018, um período de oito anos, como se fosse dois mandatos presidenciais brasileiros e depois de convocar as novas eleições na terça-feira dia 6 ele assinou dois decretos sobre a questão habitacional porque como o parlamento está dissolvido o parlamento não tem o que votar então até o parlamento voltar as suas atividades o decreto estará valendo, embora eles serão analisados ali por um conselho especial até pra ver a sua validade jurídica então são 21 medidas que pretendem ampliar o acesso a moradia e aluguel, vai investir 10 bilhões de euros para financiar o programa Tu Casa, pra aquisição de residências principais vai ser o Minha Casa Minha Vida Espanhol digamos assim e a prorrogação automática de contratos de aluguel o que eu imagino que seja o cálculo do Pedro Sanches é que entre a convocação das novas eleições e a realização do pleito nós temos aí um período de mais ou menos 50 dias e aí nesses 50 dias a instituição desses decretos sobre a moradia favoreceria a imagem dele e do partido do PSOE que é o partido de centro-esquerda esquerda espanhol mas mais de centro-esquerda e possa levar a uma virada nas pesquisas eleitorais mas as pesquisas indicam que esse cálculo hoje não daria certo porque o PP o Partido Socialista do Brasil e o Partido Popular que é o Partido Conservador liderado pelo Alberto Nunes Feijó com dois Os no final está muito à frente nas pesquisas com mais de 31% das intenções de votos e conseguiria de 130 a 140 cadeiras das 350 então ficando em primeiro o PP teria a prerrogativa de formar o governo em segundo lugar nas pesquisas vem o PSOE com 25, 26% das intenções de voto mais ou menos entre 100 e 110 cadeiras e em terceiro lugar vem os neofranquistas do Vox com mais ou menos 18% das intenções de voto o que vai dar entre 60 e 70 cadeiras então PP mais Vox igual maioria e antes que algum ouvinte possa falar assim mas pô Felipe, será que o PP faria isso? o Vox é um partido neofranquista o Vox é um partido que tem posições xenófobas em três regiões espanholas nós já temos governo de coalizão entre PP e Vox Extremadura, Aragão e Castile e León León e Castela em português então a direita espanhola já normalizou a parceria com o Vox e o que o Vox vai querer vai botar a faca no pescoço do PP pra formar essa coalizão as duas principais plataformas do Santiago Abascal o líder do Vox são a prioridade nacional ou seja espanhóis em primeiro lugar espanhóis entre aspas de verdade e em segundo lugar a desregulação de questões econômicas só que parte da prioridade nacional meu caro Matias inclui a remigração que é um eufemismo para deportação em massa só que qual que é a realidade espanhola hoje? Quando você olha para o. propaganda do Vox, que é muito compartilhada por pessoas aqui no Brasil, pessoas simpáticas ao Vox no Brasil, pessoas simpáticas especialmente à direita bolsonarista brasileira, vão ver o esterótipo do Vox de que o quê? Todo imigrante na Espanha é um homem jovem, de baixa educação, vindo da África subsaariana, potencialmente criminoso, que comete crimes, que não agrega nada à economia, nada disso. Quando você vai olhar pra realidade, por exemplo, 20% dos profissionais de saúde da Espanha são estrangeiros. A maioria deles vindos da América Hispânica. Então, o espanhol vai votar no Vox mirando nesse imigrante de esterótipo racista e vai acertar no médico colombiano e no enfermeiro cubano. Porque, como a gente tá vendo nos Estados Unidos com o ICE, na hora que você abre essa porta da remigração dos espanhóis em primeiro lugar, amigo, esquece. Os caras não vão olhar. Ah, não, você é um cirurgião colombiano que está aqui legalmente e revalidou seu diploma. Nossa, você tem mestrado pela Universidade de Salamanca? Não, você vai lá falar. Ah, você não é espanhol? Tchau. Você vai ser preso e depois vão te fazer perguntas, que é o que tá acontecendo nos Estados Unidos. Prende primeiro e pergunta depois. Isso quando não aconteceu em Minnesota, quando atiraram primeiro e perguntaram depois. Inclusive matando um cidadão dos Estados Unidos que, por coincidência, era enfermeiro. Que trabalhava com veteranos de guerra. Então, tudo indica que a Espanha, daqui a mais ou menos 50 dias, terá um governo formado pela união entre o Partido Conservador e o Partido Neofranquista de extrema-direita do Vox, com plataformas de remigração e de espanhóis em primeiro lugar. E aí, meu caro Matias, tem uma outra coisa muito curiosa, assim, né? Que alguns contextos, algumas contextualizações boas de se fazer. Primeiro, o período franquista, gente, é um dos períodos mais sombrios da história espanhola. Pelo menos a história contemporânea espanhola. Porque além de ter custado centenas de milhares de vidas, eu não tô falando apenas da Guerra Civil. Tô falando também do chamado Terror Branco, tá? A Espanha ficou no isolamento e num atraso econômico, comparado ao resto da Europa, absolutamente abissal. A Espanha, não passou pela destruição da Segunda Guerra Mundial como o resto da Europa e ficou pra trás comparada com o resto da Europa. E eu não tô falando comparado, sei lá, com Alemanha, que sempre foi um sendo do céu. Tô falando, por exemplo, comparado com a Itália, que também é um país que tem parte do seu território rural, é um país mediterrâneo, que tem uma geografia similar com a Espanha em vários pontos, e que dois terços do seu território ficaram devastados com a guerra. E a Espanha ficou pra trás, graças ao senhor Franco. Mas o que importa é que os comunistas foram derrotados e a Opus Dei pôde ser elevada na Espanha. E segundo contexto interessante é quando você olha pros índices macroeconômicos espanhóis. A Espanha em 2025 cresceu muito mais do que a média da zona do euro. O desemprego espanhol tá nos melhores níveis desde a crise de 2008. O que acontece é especialmente a crise de habitação e a inflação. Só que a inflação na zona do euro tem muito a ver com o quê? Com a invasão da Alcântara na Ucrânia e a guerra no Irã. E ainda a consequência da pandemia. E tem um outro elemento que a gente não pode esquecer, né, meu caro Matias, que é o fato de que esse novo arranjo certamente vai agradar os senhores Donald Trump e Marco Rubio. Que tem muito criticado o Pedro Sanches, a Espanha. A Espanha não autorizou o uso do seu espaço aéreo por aviões pra atacar no Irã. Então, tudo indica que o cenário espanhol não é nem um pouco bonito nos próximos meses. E dando um contexto histórico de que um governo formado pelo PP e o Vox não seria de se escanhar, cabe lembrar que a Aliança Popular foi formada em 1976 após a redemocratização pelos chamados Siete Magníficos, dos quais seis foram ministros de Francisco Franco. E esta federação seria dissolvida 13 anos depois, dando origem ao atual Partido Popular. E que só puderam criar um partido depois que o Franco morreu. Porque se você podia ser ministro do Franco, mas ter o seu próprio partido aí já é demais. E, além da questão de inflação de habitação, vamos resumir alguns outros pontos aqui. Primeiro, a gente mencionou agora a questão da anistia pra Cataluña. E que, muito provavelmente, o Juntos vai acabar dando um tiro no pé. Segundo, nós tivemos o caso Zapateiro, envolvendo o ex primeiro-ministro do PSOE, o José Luiz Rodrigues Zapateiro, que tudo indica, recebeu alguma grana ali, uns presentinhos, inclusive joias. Joias são sempre ótimos presentes. De mais de um milhão de euros. E você tem uma discussão interna na Espanha, muito parecida com o que você tem em vários outros países, inclusive o Brasil, sobre a política em relação a Gaza e Israel. Lembrando que o governo Pedro Sanches é um dos mais incisivos no mundo sobre o fato de que o que está ocorrendo em Gaza é uma política genocida. E, do lado do PP, nós temos especialmente a questão da queda de qualidade de serviços públicos, como os acidentes de trem, blackouts, e o papel dos governos do PP em desastres ambientais, especialmente naquelas enchentes em Valência, em 2024, que deixaram centenas de pessoas mortas. E, nos últimos meses, o tema do nosso programa de retorno de recesso de meio de ano, que foi a crise em Ceuta, que também tem dominado parte do discurso público espanhol. Então, assim, claro que não é apenas a questão da habitação. Espanha é um país relativamente grande. Você tem aí mais ou menos. A população espanhola é mais ou menos uns 50 milhões, um pouquinho menos. Então, obviamente, você tem outros temas, outras pautas, mas claro que a questão da habitação, e a principal pauta do Vox, é a da remigração. Porque é o discurso fácil, é o discurso simples. Porque quando você olha para o que está ocorrendo na Espanha, você vai ter, de um lado, autoridades do PP, como a Isabel Dias Ayuso, falando que não, o problema da moradia vai ser suprido pela iniciativa privada e o excesso de regras que é o problema. Você vai ter o PSOE dizendo, olha só, não, o problema são os especuladores, o Estado tem que subsidiar a moradia e o aluguel tem que ser controlado para evitar a especulação. Que é o debate clássico entre social-democratas e conservadores liberais econômicos. Felipe, eu fui até conferir aqui a população espanhola e, de acordo com a estatística contínua de população do Instituto Nacional de Estatística, são quase 50 milhões de pessoas que vivem na Espanha, mas, é curioso que as ferramentas de busca já mostram a quantidade de pessoas nascidas no estrangeiro que vivem na Espanha, que são mais de 10 milhões. E a taxa de natalidade da população imigrante é crescente, enquanto que da população nativa da Espanha diminui. Tem um decréscimo de filhos de espanhóis nascendo atualmente. E essa distinção que você trouxe é interessante, porque isso, pessoal, afeta o número de eleitores. A Espanha, eu fui conferir, na última eleição, foram 37 milhões e meio de eleitores registrados. 25 milhões foram as urnas. Mas, só para concluir o raciocínio, você tem esse debate clássico entre social-democratas e conservadores, falando, olha só, subsídio para moradia, controle de aluguel, função social do imóvel, que é a Dan Smith, sempre lembro isso, e do outro lado os conservadores falando, não, iniciativa privada tem regra demais. E aí, chega o Vox com a solução fácil do populismo, a pílula mágica, dizendo, a culpa é do estrangeiro. Se você deportar um monte de gente, vai ter mais imóveis para os, entre aspas, espanhóis de verdade. E aí, nisso, você deporta o médico colombiano e dane-se se você ficar com um problema de oferta de profissionais de saúde, por exemplo. Enfim, então, essas foram as atualizações sobre o cenário espanhol. Lembrando que a gente falou das manifestações também no programa passado. Agora a gente cruza os Pirineus e vamos para a França, já que cerca de 250 mil estudantes franceses protestaram nessa semana em mais de uma dúzia de cidades, sendo cerca de 60 mil apenas em Paris. Especialmente os estudantes chamados de secundaristas, o que no Brasil a gente chama de ensino médio. Por quê? O Ministério da Educação constata que no último ano letivo quase 10% das horas de aula não foram ministradas no ensino secundário pela falta de professores. Além disso, os estudantes reclamam de problemas de infraestrutura, como até mesmo falta de cadeiras e turmas muito grandes e também a questão das mudanças climáticas, já que as escolas francesas não são preparadas para operarem sobre um calor de 35 graus. então você não tem ar condicionado Você não tem esse tipo de infraestrutura. E também há muitas críticas ao sistema online, o Parcoursup, que é o sistema online de candidatura universitária do país. É como se fosse o Sisu deles. E nós estamos tendo esses vários protestos. Já são milhares de estudantes que foram detidos, mas depois eles são liberados, a maioria, porque são menores de idade. As autoridades francesas anunciaram que apenas em Paris foram pelo menos 305 policiais feridos. Pelo lado dos estudantes, eles já comentam também centenas de pessoas, tanto alunos quanto funcionários, que ficaram feridos nas manifestações. Um estudante, inclusive meu caro Matias, perdeu a mão em uma das manifestações e, por conta da repercussão desse episódio, que ocorreu em Lens, no norte da França, a França suspendeu o uso de granadas de efeito moral pela polícia nessa última quarta-feira, dia 7. E outra imagem que circulou bastante foi a do prefeito de Saint-Denis, que participou de um cordão humanitário, protegendo os estudantes e acabou sendo atingido por gás de pimenta. Ele que assumiu o cargo. No começo desse ano, a gente repercutiu a notícia, o Bali Bacaíba. E o ministro da Educação, o Eduard Jeffray, ele se encontrou com lideranças estudantis. Além disso, o primeiro-ministro, o Sebastián Lecornu, Sebastián Oxifrudo, disse que o governo vai propor melhorias no orçamento de 2027 para melhorar a oferta de professores. Porém, os líderes da representação dos estudantes, que é. que foi estabelecido em 2023, em substituição à União dos Estudantes anterior, disseram que os compromissos oferecidos não eram o suficiente, que as manifestações continuariam. E também por conta da continuidade das manifestações, várias escolas, centenas de escolas, suspenderam as aulas essa semana. E enquanto tudo isso ocorria, enquanto as ruas de Paris, enquanto as ruas de Paris, enquanto as ruas de Paris, estavam pegando fogo e o pautorando por conta dos protestos, o Emmanuel Macron, no dia 6 de outubro, e a nossa querida Fran Becker disse que ele provou com isso que era o Michael Scott do Eliseu, e se deu crédito a gente, ele foi a bordo de uma fragata da Marinha Francesa assistir o primeiro teste do novo míssil balístico nuclear da França, com capacidade nuclear, lançado de submarinos. É a versão 3.0, digamos assim, do míssil M51. M51.3, para quem quiser procurar mais informações sobre o teste. Agora, esse teste é importante, apesar da piada, apesar da brincadeira, porque é também um claro recado da França, buscando projetar a sua influência no resto do continente, para lembrar aos países europeus qual é a retórica do Macron. Olha só, nos Estados Unidos, o governo Trump não é confiável, mas podem ficar tranquilos, porque a França também tem armas nucleares. É claro que o arsenal nuclear francês é muito menor do que o arsenal nuclear tanto dos Estados Unidos quanto da Rússia. Mas é um arsenal nuclear suficiente para destruir o mundo algumas vezes. Lembrando que as bombas nucleares vão destruir o mundo, elas vão deixar o mundo inabitável. O mundo vai continuar, só que sem a gente. A gente que vai ser o problema. E o Macron também disse, meu caro Matias, que os protestos dos estudantes estão sendo alimentados e incentivados pela extrema esquerda, pelo França em submissa, pensando nas eleições do ano que vem. Agora, o que é importante de destacar, meu caro Matias, é que os protestos na França acabaram inspirando, inspirando protestos similares na Bélgica. Começaram na região francófona da Bélgica, em Liège, mas depois os protestos também foram para Bruxelas e para a região da Valônia. Então, também temos protestos de estudantes na Bélgica, também com centenas de pessoas detidas e também imagens de repressão e tudo mais. Dos protestos estudantis, a gente começa a ver que o Brasil está em uma situação em que a gente continua na Bélgica, mas para citar duas notícias da União Europeia, já que as principais instituições da União Europeia são em Bruxelas. Nós vamos aproveitar para citar aqui primeiro. A União Europeia enviou o comissário para a Segurança Econômica e Comércio, o Maros Sefcovitch, para a China, se encontrar com o seu homólogo chinês, ele que é eslovaco, para conversarem sobre um eventual inclusive acordo comercial. E a principal preocupação europeia, melhor dizendo, é em relação aos carros elétricos chineses. E a Associated Press usou uma expressão dizendo que o que está ocorrendo é que a Comissão Europeia está pensando em usar uma bazuca comercial contra a China, que seria basicamente uma série de medidas à moda Trump, incluindo aí, possíveis tarifas sobre produtos chineses. E a outra notícia envolvendo a Europa é que a União Europeia vai organizar, junto com uma organização chamada Desinfolab, ou seja, o Laboratório da Desinformação, vai realizar um evento, uma conferência, sobre desinformação online e o papel das big techs e o papel dos estados. E o governo dos Estados Unidos está fazendo um lobby ativo para enfraquecer e minar essa conferência. Essa informação é da agência Reuters, numa matéria assinada por Rafael Sater, Sater com dois T's, e Rumeira Pamuk. Agora, da Bélgica, nós vamos para o Reino Unido. Começando pelo fato de que os Estados Unidos retiraram os seus bombardeios da base aérea de Fairford, aquela do incidente da semana passada que está sob investigação. Eles foram enviados para os Estados Unidos e, claro, pode ser parte também de um contexto do Donald Trump adiando novos ataques contra o Irã para depois das eleições de midterms. Outra notícia envolvendo uma base aérea britânica, mas agora a base aérea de Molesworth, dois cidadãos letões foram presos sob suspeita de terem violado o perímetro de segurança da base. A base que, além de aviões, além de aviões da Força Aérea Real Britânica, também cedia as operações de inteligência dos Estados Unidos na região e um quartel, uma sede da OTAN de inteligência no Reino Unido. Agora nós vamos para notícias britânicas, começando pelo fato de que o Banco da Inglaterra, que é o Banco Central do Reino Unido, anunciou que as notas de Libre Sterlina inglesas vão ganhar uma nova identidade. E agora teremos o quê? Animaisinhos nas notas, a partir do voto popular, inclusive. Então teremos porco-espinho, aluja e a famosa bufftail bumblebee, que é aquela abelha bunduda, tipicamente britânica, que vira cartoon, etc. E é curioso, né, Matias, porque a gente já falou aqui algumas vezes da discussão que sempre vira e mexe e ocorre em alguns países. Eu lembro muito do caso argentino de substituir caras de pessoas nas notas por animais para evitar, digamos assim, polêmicas políticas, para evitar a apropriação da história, esse tipo de coisa. Então você substitui por imagens da fauna do país, o que o Brasil fez com as notas de real, inclusive. Qualquer ouvinte nosso, por exemplo, que for ali no Museu do Itaú Cultural na Avenida Paulista, vai poder ver cédulas antigas brasileiras. E se você não sabe, as cédulas brasileiras já tiveram rostos de pessoas. E é muito curioso que, dependendo do período, tem um tipo de pessoa nela. Então, em alguns momentos, eram mais militares ou ex-presidentes, Eu gostava da nota do Gaúcho. Então, aí você tem essas mais. Entre essas abstratas. Que é a da baiana. Aí tiveram as notas, não lembro se de Cruzeiro, Cruzado Novo, com os poetas, escritores. Cientistas. Isso, né? Que foi depois da redemocratização. Então, para evitar isso, põe os bichinhos. Todo mundo gosta de bichinho. Quer dizer, quase todo mundo, né? Infelizmente, mais pessoas deveriam gostar, talvez. E o Reform, o líder do Reform, o Nigel Ferd, já está reclamando Por quê? Porque Winston Churchill vai deixar deixar de estar nas notas. Winston Churchill, uma pessoa muito amada na Índia, na Nova Zelândia, na Austrália. Se você não sabe do que eu estou falando, o Winston Churchill não ligava para indianos, ele matou indianos deliberadamente de fome e ele usou as tropas anzáquia, australianas e neozelandesas, como bucha de canhão na Primeira Guerra Mundial, porque a morte deles não causaria tanto impacto político na carreira dele. Outras notícias britânicas, meu caro Matias, é que a sentença de cinco ex-operadores do mercado financeiro que haviam sido condenados pelo escândalo Libor em 2012, que é um dos maiores escândalos financeiros da história, eles tiveram suas sentenças anuladas com a Suprema Corte Britânica, dizendo que o processo original tinha vícios processuais. Se você não sabe do que eu estou falando, especialmente se você trabalha com finanças, com economia, enfim, procure sobre o escândalo do Libor. Libor é uma sigla para London Interbank Offered Rate. Em 2012, nós tivemos um grande escândalo em que as taxas de juros e também as taxas de conversão foram manipuladas e muita gente ganhou muito dinheiro. Enfim, isso foi boa parte varrido para debaixo do tapete. Posteriormente, sobre a justificativa de você criar o sistema europeu que substitui o Libor. O Libor foi abolido. Mas, enfim, é um tipo de leitura interessante. E agora, meu caro Matias, uma outra notícia do Reino Unido, mas que mostra um assunto que a gente sempre aborda aqui. Nós temos um podcast que fala sobre isso, chamado Fronteiras Invisíveis do Futebol. Por quê? No Reino Unido, a Premier League terminou, depois de muitos anos, a sua investigação sobre o Manchester City. A cidade de Manchester, que é uma das principais britânicas, tem dois times tradicionais. O Manchester United, que ganhou muitos títulos, é muito tradicional. E o Manchester City, que é muito tradicional também na cidade, mas que, até o início do século XXI, não tinha tantos títulos assim. Ele era mais conhecido por ser o time dos irmãos Gallagher do Oasis. Não, é sério. As pessoas só sabiam desse Manchester City porque o irmão Gallagher falava um deles. E aí, o Manchester City foi adquirido basicamente pelos Emirados Árabes Unidos. Foi ali por um fundo, mas pelos Emirados Árabes Unidos. E virou uma máquina de contratação. Por quase uma década, teve o que é considerado o principal treinador do futebol das últimas décadas, que é o Pepe Guardiola. Gastou muito dinheiro e ganhou muitos títulos. Ganhou título inglês, ganhou Champions League, etc, etc, etc. E agora, a investigação da Premier League descobriu que o Manchester City não violou as regras financeiras da Premier League uma vez, duas vezes, cinco vezes, mas 115 vezes entre 2009 e 2018. Quem nunca? Pois é, quem nunca disfarçou 900 milhões de libras esterlinas nos orçamentos. E antes que o ouvinte pense isso, não necessariamente quer dizer crimes. Ou seja, não quer dizer necessariamente que foi uma lavagem de dinheiro, por exemplo. Mas violou as regras do campeonato, porque você tem ali as regras do fair play financeiro. Um clube não pode arrecadar 10 e pagar 30 de salários. Você tem que ter um equilíbrio para evitar que ocorra o que o Manchester City fez, mas especialmente o exemplo do fair play financeiro da UEFA, quando ele foi acordado, o grande exemplo era o Chelsea do Roman Abramovic. Que o Roman Abramovic chegou, comprou o Chelsea, botou um monte de dinheiro lá e começou a contratar todo mundo e tal. Enfim, por que nós estamos falando disso, meu caro ouvinte? Porque a Premier League vai determinar a sentença do Manchester City. Que pode ser multa, pode ser perda de ponto, pode ser rebaixamento, tem gente que especula até a cassação de títulos, como ocorreu com a Juventus na Itália, mas por aí crimes mesmo, aí envolvia manipulação de arbitragem. E segundo o jornal Telegraph do Reino Unido, que é um dos jornais mais tradicionais do Reino Unido, é um jornal muito ligado a partir do conservador, por isso ele tem um apelido depreciativo de Torigraph, inclusive. Segundo o Telegraph, os Emirados Árabes Unidos mandaram um recado para o governo britânico. Se vocês punirem o Manchester City, os Emirados Árabes Unidos vão tirar bilhões e bilhões de libras da economia britânica. Isso obviamente não foi feito publicamente, isso obviamente não é algo público notório, mas o fato é que tem essa reportagem, essa denúncia do Telegraph e o caso do Manchester City é bastante grave. Então, a conexão entre futebol e política internacional não é tão abstrata assim, né meu caro Matias? Pois é, Felipe, no começo da operação, muitas pessoas se perguntavam qual era o interesse dos emiradenses em adquirir um clube de futebol que não conquistava um título inglês desde o final dos anos 60. Mas essa não é uma operação com fins esportivos ou econômicos, mas sim de relações políticas e de posicionamento, algo que é sintetizado pelo termo Sportwashing. E agora, o Grupo City aparentemente chantageia o governo britânico em benefício próprio. É curioso, né? Porque eu tenho certeza que a gente vai ter algum ouvinte, provavelmente mais novo, que se identifica como torcedor do Manchester City. E não tem problema nenhum isso. Mas, pra eu e você que gostamos muito de futebol, talvez até demais, e a gente acompanha futebol há certo tempo, o ídolo do Manchester City pré-compra, o ídolo recente, era o Paulo Lanchope, que foi o centroavante da Costa Rica na Copa de 2006. Quando eu e o Felipe começamos a ver futebol estrangeiro, o Manchester City estava na terceira divisão inglesa. Isso, isso. Isso não é uma hipérbole. É que o Manchester City é de uma cidade tradicional e tem uma característica que você já destacou uma vez, né? Em Manchester, a torcida do City costumava ser maior do que a do United, né? Porque até, tipo, um grande. torcedor pré, os irmãos Gellinger, é o Ian Curtis, né? Do Joy Division. Por que você sabe o time do cara do Joy Division? Porque eu gosto de Joy Division. E eu sempre achei que todo o Joy Division era ligado ao United, mas o Ian Curtis torcia pro City. Então, né? Vamos ver como é que fica a paixão número um britânica. Quer dizer, a paixão número um britânica é apostar. A paixão número dois é o futebol. E assim, a brincadeira que a gente fazia com o Neymar, quando ele jogava no PSG, a gente falava que o Neymar era o funcionário público mais bem pago do mundo, porque ele era o funcionário público do Catar. O Pepe Guardiola, ele era funcionário público dos Emirados Árabes Unidos. O Haaland é funcionário público dos Emirados Árabes Unidos. Então. E o Felipe Melo já disse que tem que caçar o Mundial. Porque o Fluminense seria o campeão. É. O Felipe Melo já se pronunciou e. Enfim. E agora nossos ouvintes da Bahia devem perguntar, tá, e como isso afeta o esporte clube Bahia? É, o. É, aproveita e come. Por que isso? Porque tem o time do Grupo City no Uruguai também, que você deve acompanhar mais do que o Bahia. O Montevideo City Torque, né, que vai disputar a semifinal da Sul-Americana também, contra o Atlético Mineiro, e no momento ele tá brigando também pelo título uruguaio. É que assim, o campeonato uruguaio é um pouco abstrato de explicar, porque você tem o Apertura e o Clausura, o campeão de cada turno, disputa uma semifinal pra enfrentar o clube com mais pontos na tabela anual, porque ainda tem o torneio intermédio entre os dois turnos. Então, no momento o City Torque tá em terceiro na tabla anual e tá em segundo no Clausura, né? Mas, então, pode ser campeão uruguaio também e tá aí na disputa pela Sul-Americana contra o Clube Atlético Mineiro. Bem, meu caro Matias, agora a gente vai do Reino Unido pra Alemanha, mas pra fazer essa transição, a gente vai falar justamente do encontro essa semana entre o Andy Burham e o chanceler da Alemanha, o Friedrich Merz, que se encontraram em Berlim e ambos os países anunciaram uma parceria para conter sabotagem e cyber-ataques e o Reino Unido, na declaração, nomeou a Rússia como razão dessa nova iniciativa, dizendo que os adversários, especialmente a Rússia, estão representando uma ameaça híbrida a toda a Europa. E a outra notícia é que o Reino Unido teria convidado a Alemanha para entrar no Global Combat Air Program, que é o programa que busca desenvolver um caça de sexta geração, formado por Reino Unido, Itália e Japão. Lembrando que você tinha o projeto entre Alemanha e França, esse projeto aparentemente ruiu, e agora tem essa possibilidade da Alemanha entrar nesse projeto britânico. O que é aquela coisa, a história não se repete, mas ela rima muito, porque no final dos anos 80, os europeus falaram, vamos desenvolver um novo avião de caça, um avião de caça europeu. E aí a França falou, não, não, não, eu quero fazer o meu próprio, porque eu quero beneficiar a minha empresa, a Dassault. E aí a Dassault fez o projeto do Rafale, e Itália, Alemanha e Reino Unido fizeram o Eurofighter, que Teve esse nome, que depois foi rebatizado como Tufão, Taifun, mas era o Eurofighter. Agora, a única diferença é que adicionou o Japão nessa equação. Enfim, os europeus, mostrando que em 40 anos, não aprenderam a lição de todo anime, de todo desenho infantil, que é o poder da amizade. Porque se tivesse aprendido sobre o poder da amizade, faziam o programa unificado. Agora nós vamos para a Alemanha, meu caro Matias, com duas notícias, ambas bastante importantes, bastante significativas. Uma delas é que o August Hanning, de 80 anos de idade, foi preso essa semana. E alguém pode vir lá e falar assim, Felipe, quem é August Hanning? Ele chefiou o Serviço Federal de Inteligência da Alemanha, de 1998 a 2005, e ele foi preso pelo fortes suspeitas de espionagem traidora, e venda de segredos de Estado. O Serviço Federal de Inteligência da Alemanha, gente, é o equivalente alemão da CIA, do MI6, da antiga KGB, enfim, do serviço que vocês quiserem comparar, do Mossad. E o Serviço Federal de Inteligência da Alemanha é um serviço de inteligência, com perdão na redundância da palavra serviço, bastante capilar, bastante presente por toda a Europa, e bastante capaz. Então, esse senhor teve e continuou tendo acesso a muitas informações sensíveis. As reportagens sobre a prisão dele deixam muito claro que o país suspeito pra quem ele vendeu as informações não é a Rússia, mas não especifica qual país. Outras reportagens mais especulativas e comentários anônimos falam que o país é, é o Azerbaijão. Citando aqui a Der Spiegel. Então, ele vendia informações para o Azerbaijão. O Azerbaijão dificilmente seria o destino final dessas informações. O Azerbaijão, nesse caso, pode, claro, se beneficiar de informações também, né, sobre o Cáucaso, mas, a partir do Azerbaijão, nós temos outros três ramificações possíveis. Rússia, embora hoje em menor grau, e repito, as reportagens são claras em destacar, a Rússia como o destino final, como o agente estatal, né, que subornou, que, enfim, contratou ele. Israel, que é um grande aliado do Azerbaijão, e a Turquia, que é o outro grande aliado do Azerbaijão. Porque, assim, ele não vendia informações pro Azerbaijão pra essas informações depois irem parar na Armênia, que é o grande rival do Azerbaijão e é visto pela ditadura do Aliév como um inimigo existencial. Os aliados do Azerbaijão são Turquia, Israel, e a Rússia ainda tem uma influência residual na estrutura de poder azerbaijana. Por que eu digo ainda tem e residual? Porque, pros nossos ouvintes, que não sabem, ou que talvez não se lembrem, o Azerbaijão, depois da guerra de 2016 com a Armênia, entre 2016 e 2020, o Azerbaijão faz um verdadeiro expurgo nas suas forças armadas, aposentando, ou, colocando em cargos menores oficiais formados ainda no período soviético, e promove rapidamente novos oficiais formados na Turquia, posteriormente. Então, hoje, a influência russa nas forças armadas azerbaijanas é muito menor do que já foi, e as forças armadas azerbaijanas são, praticamente, uma divisão das forças armadas turcas. Por que isso ocorreu? Porque, em 2016, os azerbaijanos consideram que a influência, a influência russa, que impediu uma vitória maior do Azerbaijão depois de quatro dias de guerra, e que os russos só conseguiram mediar a situação porque os generais azerbaijanos tinham esse contato com a Rússia, tinham essas portas abertas, e serviram nesse canal diplomático clandestino. Então, para evitar, entre aspas, esse problema, a Turquia virou e falou assim, olha só, vocês têm esses oficiais aí, antiquados, soviéticos, e os seus mais novos estão sendo treinados na Turquia, a gente é o país da UTAM, a nossa academia militar é mó boa, a gente é tudo turco aqui, promove esses caras. Então, a influência militar russa hoje no Azerbaijão é muito pequena, mas ainda existe. Então, essa é a primeira notícia. Não é uma notícia desprezível. É como se um ex-diretor da CIA tivesse sido preso, acusado de vender segredos de Estado. E a outra notícia, meu caro Matias, é que eu vou reproduzir aqui um tweet que viralizou na Alemanha. Tobias Rausch se torna o primeiro presidente parlamentar de um Estado na Alemanha de extrema-direita desde Hermann Goering. Hermann Goering, pra quem não sabe, foi um braço direito de Adolf Hitler. Ele foi um asse da Primeira Guerra Mundial, foi um dos primeiros nazistas, foi condenado em Nuremberg e, no lugar de aceitar a sua pena, sua condenação, ele usando ali favores de um guarda, ele tirou a própria vida na prisão. E, recentemente, foi interpretado pelo Russell Crowe num filme sobre o julgamento de Nuremberg. Eu não assisti o filme, então não posso comentá-lo ainda. Mas por que o que aconteceu, meu caro Matias? Recentemente, tivemos eleições, né, no Estado da Alemanha de Saxônia-Anhalt e o Alternativa para a Alemanha, o AFD, o Partido de Extrema-Direita Alemão, ficou em primeiro naquelas eleições. E eles conseguiram eleger o presidente do parlamento regional, que será o Tobias Rausch. Ele é um parlamentar local desde 2016 e é o seguinte, pra ele se tornar presidente do parlamento, ele recebeu 48 votos. A AFD tem 39 parlamentares. Da onde vieram os outros 9 votos? O voto pra presidente do parlamento é secreto. Então a gente não tem como saber. Mas o que se especula na Alemanha é que a Aliança Saravagenek, que é o partido de extrema esquerda, mas que compartilha com a AFD posturas sobre questões de minorias e também a visão sobre a Rússia e a guerra na Ucrânia, teria votado a favor dele, o que dá 5 votos, e 4 integrantes da CDU, o Partido Conservador. O ministro da Defesa e o primeiro-ministro da Alemanha, o chanceler da Alemanha, já condenaram isso, falando que isso seria inaceitável. E agora a grande questão é, para você eleger o que seria o governador do Estado, o ministro, o presidente, o voto não é secreto. E esse voto será no dia 7 de dezembro. No dia 5 de dezembro, nós teremos a convenção estadual da CDU, o Partido Conservador, onde os deputados da CDU vão definir se vão votar ou não por um ministro-presidente da AFD. E, sinceramente, se a CDU votar por um ministro-presidente da AFD, o governo Frederic Merz, não existe em 2027. Então, temos essa outra notícia importante da Alemanha. E, como correlação, eu recomendo a reportagem publicada no dia 3 de outubro, na Folha de São Paulo, do José Henrique Mariante, sobre o fato de que, no Estado da Saxônia, mais especificamente na cidade de Heidenau, de 15 mil habitantes, a AFD votou contra as placas de memória do Holocausto. Aí você não quer que a gente chame os caras de neonazistas. Da Alemanha, meu caro Matias, vamos para a Noruega, já que amanhã teremos o anúncio do Nobel da Paz. Não sei se dará tempo de a gente colocar no programa, enfim, talvez dê ou não, não sei, acho que não. Mas, de qualquer maneira, a escritora canadense Annie Carson venceu o Nobel de Literatura, anunciado nessa quinta-feira, dia 8. Os outros nobeis já anunciados, são de Fisiologia e Medicina. Foram para Carl Deiseroth, Peter Hegemann e George Nagel, pelos trabalhos de Optogênica. Já em Física, o Francis Housen, um belga com também cidadania nos Estados Unidos, venceu o Nobel pelo seu trabalho com Astrofísica de Alta Energia. E, em Química, foram laureados Henri Cagan, da França, e Kenzo Soai, do Japão, pelos seus trabalhos em Síntese Orgânica Assimétrica. E, pela centésima primeira vez, todos os nobeis das áreas do conhecimento científico, ou seja, Física, Fisiologia e Medicina e Química, foram apenas para homens. Foram seis laureados, todos homens. E, dos seis laureados, apenas um não é um homem branco. Não foi exatamente o prêmio mais diverso do mundo. Inclusive, até por isso, eu não vou fazer a piadinha que a gente faz todo ano em que eu peço para o Matias explicar o Nobel de Química. Mas, da Noruega, meu caro Matias, a gente vai para a Letônia, já que tivemos eleições no último dia 3 de outubro. E o primeiro ministro, Andris Kuhlbergs, Andris Kuhlbergs, ministro desde maio, saiu vencedor das eleições, com 41 assentos e 36% dos votos. Ele que é o líder da Lista Unida, que junta conservadores e verdes. Uma espécie de centrão letão. Rima não intencional. Só que são 100 assentos, então o número mágico é 51. Ele precisa de mais 10, vai ter que fazer coligação com alguém. Em segundo lugar, ficou o partido de extrema-direita Letônia I. Em terceiro lugar, ficou a Aliança dos Jovens Letões, que é também um partido de direita conservador. Em quarto lugar, a Aliança Nacional, que é um partido também com elos com alguns movimentos de extrema-direita na Letônia. E depois os progressistas, que é o Partido Social Democrata. Com 10 assentos. E em último, em sexto, ficou o Nova Unidade, que é o partido regionalista letão, que pretende representar, inclusive, algumas minorias na Letônia. E, assim como o partido do governo, um partido pró-União Europeia. Lembrando que na Letônia, o cálculo de esquerda e direita tem um fator regional importante, que é a questão dos falantes de russo na Letônia. A Letônia, ela tem. Ela tem uma parcela razoável da sua população, que é falante de russo, mais ou menos de 20% a 25% da população. A maioria desses partidos tem posturas mais à direita, e você tem como reação partidos também de direita ou de extrema-direita nacionalistas contra essas minorias russas. E, inclusive, nos últimos anos, você teve um processo de que muitas pessoas dessa minoria falante de russo perderam o direito a voto. Porque não puderam comprovar a sua cidadania, enfim, devido ao processo de dissolução da União Soviética, especialmente os mais idosos. Então, quando eu falo que na Letônia você tem muitos partidos de direita, é porque você tem como se fosse o partido de direita letão e o partido de direita dos russos. Tem esse cálculo. Falando de forma bem resumida, claro. Mas o fato é que o primeiro-ministro vai continuar no cargo, resta ver com que aliança. Da Letônia, meu caro Matias, a gente vai passar rapidamente pela Polônia. Tá? Pelo fato de que. Pelo fato de que viralizou aqui no Brasil, e muitos compatriotas nossos até curtiram, gostaram, compartilharam, o fato de que um deputado polonês postou uma foto sobre duas brasileiras que residem na Polônia e foram votar nas eleições brasileiras usando pins do PT. E ele dizendo que aquilo era uma apologia do comunismo, o que seria proibido na Polônia, e que ele iria colaborar com as. Deportações delas. Esse deputado polonês, o Dominik Tarczynski, eu não lembro se a gente citou ele aqui, mas a gente já falou de uma questão muito importante pra ele, que é o seguinte, ele nega a participação polonesa no Holocausto, e ele nega que a Polônia tenha ou já tenha tido antissemitismo. Ele, inclusive, perseguiu juridicamente. Uma historiadora polonesa especialista em Holocausto, a Bárbara Elgelking. E nós falamos disso no programa 127, de 2 de fevereiro de 2018, com a presença da Tupá Guerra, porque naquela época, naquele momento, a Polônia havia promulgado a sua nova lei sobre o Holocausto, em que basicamente é proibido dizer que poloneses tiveram participação no Holocausto. E poloneses tiveram uma participação no Holocausto. Uma participação que não é desprezível. Os campos de extermínio nazistas eram na Polônia ocupada, isso é fato, mas muitos e muitos poloneses participaram do Holocausto, por diferentes motivos. Alguns por antissemitismo, porque concordavam com aquilo. Outros porque viam nessa colaboração uma maneira de sobrevivência. Eu preciso colaborar com as autoridades nazistas, senão vão. Se não me perseguir, se não vão perseguir minha família. Enfim, vários motivos. Mas o fato histórico é, poloneses participaram do Holocausto. Muitos de forma voluntária. E nós falamos disso naquele programa de 2018. A direita, tanto a direita conservadora, mas também a extrema direita polonesa, negam esses fatos históricos para sanitizar a própria história polonesa. E existe uma retórica muito maior antissoviética do que antinazista, na Polônia contemporânea. E essa questão dos símbolos do comunismo, inclusive, ela tem muito mais a ver com o passado polonês de ocupação russa e depois a invasão soviética em 1939. Mas durante uns 150 anos, mais ou menos, não existiu Polônia. A boa parte da Polônia era parte do Império Russo, uma outra parte era parte do Império Alemão, outra parte era parte do Império Habsburgo. Inclusive, Varsovia era a terceira maior cidade do Império Russo. E depois que os poloneses. Se revoltam contra o domínio russo, em 1830, você tem o grande levante polonês, que a repressão czarista vai ser absolutamente brutal, ao ponto do Papa condenar a repressão. A Rússia czarista, inclusive, vai converter muitas igrejas católicas na Polônia para igrejas ortodoxas, forçadamente. Vai converter as imagens, vai converter a arquitetura, enfim. Vai reconsagrar os prédios. Então, a Polônia tem uma série de particularidades históricas, mas esse deputado, que foi aparentemente abraçado como herói por algumas pessoas aqui no Brasil e que é aliado da família Bolsonaro, ele é um líder da extrema-direita polonesa que nega a história do próprio país por uma versão sanitizada e completamente mentirosa da história polonesa, que é uma história que tem aspectos fascinantes e também tem aspectos trágicos e criticáveis, como a história de qualquer população, a história de qualquer país. Da Polônia, meu caro Matias, nós vamos para outro país europeu de maioria católica. Estou usando aqui a religião como transição, já que na Itália nós tivemos a aprovação de uma reforma eleitoral que tem sido criticada pela oposição por beneficiar o próprio governo da Georgia Meloni, já que faltam apenas alguns meses para a próxima eleição italiana. E o governo alega que essa nova lei vai promover, promover a estabilidade política para facilitar a formação de maiorias. O que vai acontecer agora na Itália é que a Itália vai adotar o proporcional puro e não mais o sistema misto de distribuição de cadeiras. Em outras palavras, vai ser mais difícil para partidos menores conseguirem cadeiras. Além disso, o voto dos cidadãos italianos, no exterior, vai valer menos. Vão eleger menos cadeiras. Lembrando que você tem cerca de 5 a 6 milhões de eleitores italianos fora da Itália e mais da metade deles estão fora da União Europeia, especialmente na América Latina, porque Brasil e Argentina são os países campeões em nacionalidade italiana fora da Itália. Porque embora você tenha mais descendentes, nos Estados Unidos, nos Estados Unidos eles não se, entre aspas, se dão ao trabalho de tirar o passaporte italiano, a cidadania italiana, ao contrário do que acontece na América Latina. Então, eu estou falando de cabeça, eu peço desculpa se eu estiver falando bobagem, mas, salvo engano, Brasil e Argentina são os países com mais pessoas que adquirem a cidadania italiana que não é a cidadania de nascimento. Pelo menos proporcionalmente. Então, tivemos agora essa reforma e que a oposição alega, com uma certa razão, que é uma reforma que busca beneficiar o próprio governo no poder. Da Itália, meu caro Matias, vamos para a Bósnia, já que nesse dia 4 de outubro tivemos as eleições presidenciais na Bósnia. Lembrando que a Bósnia tem uma presidência tripartite. Você, cada comunidade, de Bósnia, elege o seu representante. Então, no caso, a presidência dos bósnios sérvios foi conquistada pela Zelika Sivanovic, que é uma aliada do Mirolad Dodic, que é o líder dos nacionalistas sérvios bósnios, um líder também de extrema direita, e que busca dissolver a Bósnia. O propósito declarado dele é dissolver a Bósnia. Já a presidência dos bósnios croatas foi conquistada pela Dariana Filipovic, que é do partido da União Democrática Croata, na Bósnia Herzegovina. Por que eu estou especificando isso? Porque é como se fosse uma filial, digamos assim, do principal partido conservador da própria Croácia. E, embora o partido croata não seja tão chauvinista quanto o Mirolad Dodic, eles também aceitariam o fim da Bósnia. Um pedaço da Bósnia vai para a Sérvia, outro pedaço vai para a Croácia, e Sarajevo, essa meiuca aqui, fica na mão dos bosníacos, e depois a gente trava uma outra guerra por ela. Resumindo de forma bem caricata o pensamento do Mirolad Dodic. E os bosníacos elegeram o Denis Betirovich, que é do Partido Social-Democrata Bosníaco, que é o antigo Partido Comunista da Bósnia, que é um partido aí pró-federação, e que dentre esses três é o único partido à esquerda. Então teremos esses três presidentes da Bósnia que dificilmente vão topar trabalhar juntos. E o Mirolad Dodic, ele agradeceu ao Donald Trump e ao Vladimir Putin pela vitória. Da Bósnia nós vamos para o Kosovo, já que o parlamento kosovar, no último dia 6 de outubro, elegeu a Justina Pula como presidente do país, presidente indiretamente, no que pode ser um momento de acabar ali com a crise política kosovar. Lembrando que o Kosovo está com a sua política completamente travada desde fevereiro de 2025. Porque você teve lideranças que foram presas, você teve lideranças que foram condenadas no Tribunal Penal Internacional, porque o principal partido não conseguiu, e não conseguiu formar uma coalizão posterior. Aí o mandato da presidente anterior venceu, aí ela ficou interinamente além do prazo, por isso ela vai ser indiciada na Justiça. E agora temos uma nova presidente, que é a Justina Pula, com uma curiosidade, meu caro Matias. Ela, que é uma economista que também foi diplomata, ela é católica. Lembrando que a imensa, a maioria da população do Kosovo é albanesa-muçulmana, mas ela terá uma presidente católica. E cabe lembrar que ela é de origem croata, e na Croácia os católicos romanos representam quase 90% da população. Ainda nos Balcãs, na Albânia, eu perdi as contas de quantos ouvintes mandaram essa notícia pra gente. O prefeito de Tirana, capital da Albânia, está governando, via um avatar de inteligência artificial, diretamente da prisão. Ele foi preso por corrupção, e aparentemente ele gravou vídeos, imagens dele, etc., pra serem utilizadas pra criar um deepfake pros assessores dele fazerem anúncios e governarem, a partir desse avatar de inteligência artificial. Enfim, é bizarro. Mas calma que tem mais Balcãs, meu caro Matias, porque agora a gente vai pra Grécia, porque a Grécia repatriou para a Bulgária os restos mortais e as relíquias do Kizar Samuel, que é um dos principais imperadores do reino medieval da Bulgária. O reino medieval da Bulgária é muito interessante, porque ele foi muito extenso. Os búlgaros foram ali uma potência regional, digamos assim, e ele desafiava Constantinopla diretamente. Ele, sob o reino, inclusive, do Samuel da Bulgária, ele governou boa parte dos Balcãs, ele estabeleceu sua capital em Ócrida, que hoje fica na Macedônia do Norte. Lembrando que a Macedônia do Norte, ela disputa ali sua herança, tanto com os gregos, mas também com os búlgaros. Tem uma estátua dele, é uma estátua bem especial, bem esquisita dele, inclusive, em Sófia. Eu digo esquisita porque os olhos são de, sei lá, madre pérola, eles brilham no escuro. É sério, eles brilham no escuro. Enfim, a Grécia repatriou os restos mortais e as relíquias do imperador Samuel para a Bulgária. Só que é interessante a gente destacar duas coisas nesse gesto. Porque, assim, além da curiosidade histórica, arqueológica, isso aqui é um gesto político, tá, gente? E o que eu quero destacar são duas coisas. Primeiro, ele foi sepultado dentro do território que atualmente é grego. Ele não foi sepultado em algum lugar e os gregos foram lá e levaram os restos mortais dele pra casa. Ele foi sepultado onde hoje é Grécia. E os restos mortais, ao chegarem no aeroporto, foi recebido com recepção de Estado. Aí no Nacional, salva de canhão, salva de 21 tiros. E segundo, a Grécia está fazendo esse repatriamento porque a Grécia quer apoio e quer fazer um gesto visando o repatriamento dos mármores do Partenon que estão no Reino Unido. Então a Grécia tá falando, olha só, a gente não quer o patrimônio histórico dos outros países. Se os búlgaros querem as relíquias do imperador Samuel, tá aqui. Agora devolve as nossas. E ao contrário do imperador Samuel, os mármores do Partenon foram roubados e levados pra Londres. Então, esse gesto é uma notícia histórica interessante. Pode servir pra algum de vocês que tá nos ouvindo abrir o Google aí, editar Rei Samuel da Bulgária, ler um pouco sobre a história medieval da Bulgária, pode se interessar por isso. Sei lá, pode ler um livro sobre Império Bizantino, não sei. Mas, acima de tudo, é um gesto político da Grécia na sua busca por repatriação do seu patrimônio histórico arqueológico, especialmente o que tá no Reino Unido. E ainda nos Balcãs, mas saindo dos Balcãs, a Romênia não gosta de dizer que é um país dos Balcãs. Eles preferem dizer que são dos Cárpatos. Mas, na Romênia, o presidente do país nomeou o diplomata Luca Niculescu com a tarefa de tentar formar um governo para ser o primeiro ministro. Lembrando que a Romênia tá há mais de um ano sem governo consolidado. Da Romênia, a gente cruza o Mar Negro, a gente vai dar uma roubadinha e vamos para o Cáucaso. Por quê? Na última sexta-feira, um soldado azerbaijano entrou na Armênia, violou o território armênio, roubou uma casa e atirou numa mulher. Uma conduta completamente criminosa. E ele foi preso pela Armênia. E o governo armênio disse que, até agora, o governo do Azerbaijão não solicitou a extradição do soldado. O que eu quero destacar é que o governo armênio deixou muito claro que ele cometeu muitos crimes em território armênio. Ele pode ser julgado por isso, mas ele possivelmente vai virar também uma espécie de moeda de troca em relação aos prisioneiros políticos armênios que estão detidos em Baku. Mas vou repetir, esse soldado azerbaijano ele fez tudo isso aparentemente da cabeça dele. E ele vai responder as acusações de entrada ilegal na fronteira, contrabando de armas e munições, invasão de propriedade e causar ferimentos graves numa pessoa com arma de fogo. Então, é uma notícia pra ficar de olho. Agora, meu caro Matias, da Armênia, dando essa roubadinha, a gente fala roubadinha porque a Armênia é parte da UEFA, disputa o Eurovision, mas geograficamente não está na UEFA. Está na Europa, porque passou do Cáucaso. Mas a gente agora segue pra Rússia, porque essa semana nós tivemos a morte de uma pesquisadora na Rússia por suspeita de peste pneumônica. Uma pesquisadora de um laboratório em Irkutsk, que fica na região da Sibéria russa. Ela tinha 28 anos de idade. As autoridades russas realizaram ali medidas de contenção sanitária. O governador da região, chamado Igor Kobzev, inclusive reuniu a sua comissão regional de combate a surtos sanitários. Os funcionários de uma fábrica de alumínio próxima tiveram que usar máscaras, etc. E quase 200 pessoas foram colocadas em observação. A peste pneumônica é uma aparente da peste da Idade Média, que era a peste bubônica. Não me peça pra explicar a diferença entre elas. E, assim, aos nossos ouvintes que são biólogos, que são médicos, que são sanitários, não precisa mandar muitos detalhes sobre as diferenças, porque o que importa é que é uma doença transmitida por uma bactéria e que pode matar a pessoa. Então, e o que acontece? Primeiro, a internet foi a loucura. É a nova pandemia, a gente vai morrer de peste, etc, etc. Mas, falando mais sério e mais importante, a OMS, a Organização Mundial de Saúde, afirmou ontem, dia 7 de outubro, que ainda não tem os dados completos do que aconteceu e solicitou mais informações da Rússia sobre a pandemia. o episódio sabemos que 60% das Cerca de 200 pessoas em quarentena já foram liberadas. E o governo russo disse que já compartilhou tudo o que sabia. O Marco Rubio, governo dos Estados Unidos, também pediu mais informações sobre a Rússia. Então, não é um momento de pouca transparência. Não é algo exatamente proveitoso, acho, nesse momento. Aí, meu caro Matias, saindo da Rússia, nós vamos para a guerra na Ucrânia. Passar por algumas notícias. Primeiro é que dois navios na costa da Bulgária foram atacados por drones. Dois navios cargueiros. Um deles foi a Pique. Um deles naufragou a cerca de 130 quilômetros da costa búlgara. Dentro, então, da zona econômica exclusiva da Bulgária. E cerca de 200. Doze tripulantes, todos eles sírios, ainda não foram resgatados. Estão desaparecidos. Agora, se for um acidente, ou se há uma conexão entre um navio de carga sírio ter sido atacado na costa da Bulgária, ainda não está claro quem atacou. Se foi Rússia ou se foi a Ucrânia. Então, enfim, são conexões curiosas de se fazer especulação. A Rússia, no último dia 4, atacou a capital. A capital ucraniana durante a visita do Friedrich Merz, chanceler da Alemanha. Já nessa semana, ataques russos deixaram pelo menos 20 pessoas mortas na Ucrânia, inclusive contra residências e micro-ônibus. Outra notícia dessa semana é que a Turquia anunciou que está fornecendo sistemas antiaéreos para a Ucrânia para serem utilizados na guerra antidrone. Os sistemas Korkut, para ser mais específico. E eu também li uma notícia sobre o coronel José David Chaparro. É um nome tipicamente ucraniano. É, que é mais conhecido como Katana. Ele que é um cidadão venezuelano, foi diplomata também, enfim. Estudou na Ucrânia ainda na época da União Soviética e voltou ao país como refugiado político, porque liderou protestos de oposição. E, em 2023, ele fundou o Batalhão Bolívar, que é uma unidade de dones junto ao exército ucraniano. E, finalmente, meu caro Matias, o Marco Rubio, durante a sua visita à Europa, a gente vai falar um pouquinho mais disso daqui a pouco, mas ele visitou Islândia, Portugal e Grécia. E ele disse que a guerra na Ucrânia está em um intervalo. Um passe perigoso. E que é necessário um acordo negociado para o fim dessa guerra que seja permanente, duradouro e justo. Lembrando que o Marco Rubio, embora ele publicamente siga as orientações do seu presidente de não expressar muitas declarações efusivas sobre a Ucrânia, nos bastidores, ele é um dos maiores defensores do apoio militar à Ucrânia. Pra quê? Pra desgastar a Rússia. O Marco Rubio sempre foi um falcão de política externa. A gente já falou isso aqui milhares de vezes. Milhares não, vai, dezenas. Ele sempre foi um falcão de política externa. Ele, a postura dele em relação à guerra na Ucrânia, lembra a postura do Donald Rumsfeld em relação à guerra Irã-Iraque. Que ele falava, o ideal era que os dois perdessem. Então, a postura do Marco Rubio é mais ou menos essa. E aí, meu caro Matias, a gente aproveita justamente pra falarmos de notícias dos. dos Estados Unidos, nesse giro do Atlântico Norte, e vamos começar pela visita do Marco Rubio à Islândia. Ele disse que a ilha é um baluarte estratégico para a segurança do Atlântico Norte e que é importante para monitorar atividades clandestinas e dissuadir nossos adversários. E também conversou com as autoridades islandesas, porque o Donald Trump já postou também imagens da Islândia sob a bandeira dos Estados Unidos. Só que ao contrário da Groenlândia, que é da Dinamarca, que é uma antiga potência, assim, a Islândia, que foi da Dinamarca, mas é independente da Segunda Guerra Mundial, a parceria militar entre Islândia e Estados Unidos ela é bastante consolidada, ela não é questionada. A Islândia, ela não tem forças armadas permanentes. Quem cuida da segurança externa da Islândia é a OTAN, especialmente os Estados Unidos. A Islândia, inclusive, o processo de dependência dela está ligado a isso. Porque quando a Dinamarca cai para as tropas nazistas, e a Dinamarca cai rapidamente, a Dinamarca tem um evento muito famoso, pode ser interessante para os nossos ouvintes saberem essa curiosidade, mas Hitler, supostamente, gostava de Copenhague, da cidade, não de uma franquia da chocolateria que só aceite dinheiro vivo. Então, a Alemanha nazista fala para a Dinamarca: "Ó, se rende." Dinamarca fala: "Não vamos nos render." Aí a Alemanha nazista invade a Dinamarca e ocupa boa parte do território dinamarquês ali na região da Jutilândia. E aí, em vez de você ter uma operação militar de, né, tomar conta, né, de tomar Copenhague, alguma coisa assim, Hitler mandou que os bombardeios a Luftwaffe sobrevoassem Copenhague. No sentido de: "Olha só, se eu quiser, eu terraplano essa cidade." Mas ele considerava os dinamarqueses, né, nórdicos, primos dos alemães, etc, etc, e aí a Dinamarca se rende. Inclusive, muitos dinamarqueses depois vão lutar pela Alemanha nazista. E aí, o que os britânicos fazem? Invadem a Islândia. Porque a Islândia era parte da Dinamarca e os britânicos temiam que a Islândia pudesse ser utilizada pela Alemanha nazista como uma base de submarinos. E depois chegam tropas dos Estados Unidos também. E aí, em 1943, a Islândia declara independência. Num contexto parecido com o de Líbano e Síria. Por quê? Porque Líbano e Síria eram posses. eram colônias francesas que são ocupadas pelos britânicos. Na mesma lógica de impedir que a Alemanha nazista usasse esses territórios. Só que os britânicos invadem e falam: "Olha só, a gente tá aqui pra impedir os alemães de chegarem. Vocês cuidem da sua própria vida aí. A gente não vai administrar esse território. A gente não tem gente pra isso. Então, cuida da sua própria vida." E aí, os caras olham e falam: "Hum, esse negócio de cuidar da nossa própria vida é legal. Vamos declarar a independência." E aí, o que acontece? Na Síria, no Líbano. A Síria declara a independência em 1943. Líbano em 1944. E Islândia também em 1943. 1943 e 1944, eu acho. Um dos dois. Então, assim, as tropas dos Estados Unidos estarem na Islândia é algo já pacificado desde a Guerra Fria. Agora, meu caro Matheus, o que eu quero destacar rapidamente é que o Marco Rubio foi a Atenas. E ele fez um discurso, basicamente, tentando vincular Atenas e a civilização grega aos Estados Unidos. É o poderio dos Estados Unidos, etc. Foi um discurso muito simbólico e tentando se apropriar da história. Só que é muito curioso, porque a decadência de Atenas vem a partir do quê? De uma expedição mal sucedida de projeção de força naval perto de um estreito estratégico. Então, assim, não é uma boa hora para você evocar uma história ateniense. Para o ouvinte que não pegar a referência, eu estou falando da expedição de Atenas a Siracusa. Siracusa que teve, depois, quando foi invadida pelos romanos, tinha como um dos seus defensores um cara chamado Arquimedes. E fica perto do Estreito de Messina. Continuando aqui, depois dos devaneios históricos. Os Estados Unidos prenderam uma mulher de origem chinesa acusada de ter espiado a família do presidente de Taiwan. O Donald Trump também criou um órgão chamado Força de Superinteligência, que vai ser uma agência para coordenar os esforços dos Estados Unidos no ramo de inteligência artificial. E ele achou de bom tom escrever: "A Casa Branca considera a qualquer um que use o termo 'inteligência artificial' em oposição ao altamente aceitado e mais preciso novo termo 'superinteligência' 'O Inimigo' em maiúsculas." Então, assim, se você fala inteligência artificial e não superinteligência, você é o inimigo para o Donald Trump. Eu vou falar mais de bravatas dele. Donald Trump, essa semana, também aprovou a primeira execução de um militar dos Estados Unidos, via pelotão de fuzilamento, em 65 anos, que foi aquele militar, que é aquele militar que, em 2009, matou 13 pessoas em Fort Hood, numa base militar. Ele que era militar e atirou nos seus colegas. O major Nikal Malik Hassan, no caso. Temos uma declaração de emergência no estado de Nova York, devido a um novo surto de sarampo, falando das eleições e de bizarrices nos Estados Unidos. O Donald Trump, durante a disputa pelo horário de verão nos Estados Unidos, ele divulgou o telefone celular de um senador do Partido Republicano, mandando as pessoas, basicamente, assediarem ele. E aí, no Salão Oval, ele disse que: "Eu poderia ter feito coisas muito ruins a Hillary Clinton, eu poderia ter feito coisas muito ruins a Joe Biden, eu poderia ter feito coisas muito ruins a Barack Hussein Obama. Eu posso fazer o que eu quiser, se eu quiser." É. limites. Limites de poderes. E. E outra dele foi, eu sei mais sobre inflação, eu sei mais sobre tudo do que qualquer um nessa sala, do que qualquer um no mundo. Vejam gente, isso é o que acontece na mente de uma pessoa que se torna centro de um culto de personalidade. Ele, num comício eleitoral, disse literalmente, eu sei mais sobre inflação, eu sei mais sobre qualquer coisa que qualquer um nessa sala. Mais do que qualquer pessoa no mundo. É absolutamente bizarro isso. E sobre as eleições, ele agora oficializou, por escrito, escreveu, se os republicanos vencerem a Câmara dos Deputados e o Senado nas eleições de Mediterrâneo em 2016, eu darei a todos os cidadãos adultos nos Estados Unidos da América um cheque de 5 mil dólares. Obrigado pela atenção a esse assunto. E eu estou ansioso para assinar esse. E assim, se fizerem a conta, dá mais de um quilhão de dólares. Obviamente ele não vai cumprir essa promessa. Não, sim, mas assim, se ele fosse cumprir, daria mais de um quilhão de dólares para cidadãos adultos estadunidenses. E ele também disse que o governo vai mandar cheques de 100 dólares para 20 milhões de cidadãos sêniores para ajudar eles a pagarem a parte B do premium do Medicare. Que já foi reduzido por. Por uma quantia significativa. Então, assim, ele novamente está dizendo que vai mandar dinheiro para as pessoas e para ajudar a pagar o plano de saúde, que é o plano de saúde federal, mas que você tem que contribuir de qualquer jeito. Enfim, é uma completa distopia isso daqui. E para a gente fechar, meu caro Matias, vamos para o Quebec, no Canadá, já que tivemos as eleições na província canadense no último dia 5 de outubro, para a Assembleia Nacional do Quebec. Lembrando que 5 de outubro foi uma segunda-feira, não faz sentido ter uma eleição numa segunda-feira. E o Parti Québécois, que é o partido separatista do Quebec, foi o imenso vencedor. Eles foram de 7 para 59 assentos. 7 para 59. Isso é uma coisa absolutamente surreal de um crescimento numa eleição. Quase conseguiram a maioria, porque são 127 assentos, então o número mágico é 64. Em segundo lugar ficou o Partido Popular. E a gente comentou no último programa que esses dois partidos eram os mais projetados para crescer. O Partido Liberal ficou com 40 assentos, foi de 18 para 22. E, meu caro Matias, nós tivemos um cenário muito raro, que é um partido foi de governo para erradicação. Porque a Coalition Averni Quebec, que era o partido conservador autonomista do Quebec, foi de 79 para zero cadeiras. É isso mesmo que vocês ouviram, gente. Foi de 79 para zero, em uma eleição. Os cientistas políticos canadenses vão ter material para os próximos 10 anos com essa eleição. Porque é algo absolutamente surreal. E agora você vai ter, provavelmente, um governo formado pelos separatistas. Porque você vai ter o Parti Québécois. Que hoje a gente mencionou. E, provavelmente, eles vão fazer coalizão com o Quebec Solidaire. Que é também separatista, mas é mais à esquerda. O Parti Québécois é meio que um grande centrão do separatismo do Quebec. Bem, vocês ficam agora com a coluna da professora Vivian Almeida. Gambito da Dama Olá, pessoal. Espero que estejam todos bem. Bom, não é surpresa para ninguém que estamos atravessando um dos momentos mais delicados para usar de muito eufemismo na nossa história. E as preocupações legítimas de qual será o futuro do país se conectam com preocupações igualmente legítimas sobre o que está acontecendo no mundo e como interconectam-se os avanços políticos e a implementação de políticas econômicas ao redor do globo. Queria também adicionar que uma das coisas importantes de a gente fazer não só de um ponto de vista técnico, intelectual, no sentido da organização do pensamento para ler os cenários, mas até para uma questão pessoal. Porque momentos. Os pensamentos políticos podem ser também adoecedores numa esfera individual. É projetar futuro e pensar alternativas. A gente está vendo ao redor do globo uma série de manifestações e uma série de transformações que colocam em xeque, que vêm colocando em xeque muito o mundo que a gente conhecia. Então, é só você abrir o jornal que vai ter reportagem dizendo que Trump é antítese. De tudo o que aconteceu pós-segunda guerra, a batalha no Irã trazendo resultados que a gente mal sabe avaliar e quais serão os desdobramentos desse conflito. E, ao mesmo tempo, os acenos políticos, tanto no Brasil quanto em outros países, colocam em dúvida sobre quais as interações, quais as interpretações que a gente dá e como a gente se prepara. Por exemplo, as manifestações na França contra. Contra não, né? A favor de uma melhora educacional que, curiosamente, é contra um governo mais progressista, ao mesmo tempo que se associa ao líder, ao líder da direita. Melochon. Ai, gente, desculpa. Eu não tenho ideia de como falo. Enfim, isso tudo coloca pra gente um cenário muito turvo, né? De como seguir e como pensar em perspectivas. Então, o propósito da coluna de hoje é repercutir uma longuíssima entrevista do Piketty que ele vai tratar de uma ordem financeira global global. Para o futuro que não contaria com os Estados Unidos o dólar, né? Como a moeda principal o que, obviamente, traz efeitos econômicos ao menos no curto prazo. Mas eu queria trazer a repercussão dessa entrevista com vocês porque de alguma forma coloca alguns pontos pra gente pensar e projetar o futuro. Porque, afinal de contas, é isso que a gente faz, né? E, justamente, ter perdido em muitas instâncias a capacidade de planejar e projetar o futuro é o que tem trazido uma paralisante apatia em muitos de nós. Então, acho que seria oportuno pensar e repercutir essa entrevista com vocês. Então, basicamente, ela começa vivendo, né, uma fala que o próprio Piketty falou há cinco anos comparando o mundo com o cenário pré-revolução francesa. E por que ele falou isso, né? Ele falou isso porque a gente estava vivendo uma era de uma desigualdade extrema e o que ele diz é que, na verdade, em muitos sentidos, a gente piorou meia década depois. De fato, a gente ainda vive numa panela de pressão, uma desigualdade aumentando com um sistema que não mais encontra parâmetros que nós pensávamos anteriormente e que, portanto, traz muitos riscos políticos, sociais e econômicos. Ele critica a ideia dos tecnobilionários e tecnonacionalistas por trazerem para a projeção de mundo uma própria uma projeção sua, né? Desse conjunto de pessoas do mundo com ideias que aí eu estou reproduzindo que ele fala malucas, né? Malucas? Não, mentira, ele não fala malucas, é o que eu estou falando. Distópicas, né? Datacenter em tudo que é lugar, inclusive em Marte, guerra por combustível fóssil e, ao fim e ao cabo, de uma forma bem sintética, uma visão trumpista do mundo que não resolve o mundo. Uma questão de desenvolvimento que traz uma ideia de combate a um problema paradoxalmente criado justamente por esses grupos econômicos e que não projetam um plano de desenvolvimento nem econômico, nem ambiental, nem social. Então, repercutindo esse diagnóstico que, obviamente, não é um dos mais alviçareiros, a gente não pode olhar para ele para isso e ficar confortável, mas foi construído um relatório de. Justiça Global, em junho desse ano, feito, capitaneado por ele, mas com mais mais de 50 pesquisadores em que ele traz a ideia da moeda internacional é basicamente assim, né a gente já falou bastante sobre isso mas seria quase que um um reviver da conferência de Bretton Woods só que dessa vez não tem uma dualidade entre o White e o Keynes, seria o Piketty apresentando esse relatório mas a ideia de uma reestrutura, né, de uma governança global pra pensar nesse mundo mas continuando a repercussão né, então seria uma moeda internacional gerida pela ONU baseada numa cesta de moedas que substituiria o dólar, tá obviamente essa cesta seria uma reprodução e uma replicação de moedas com relevância no cenário internacional e no sistema de trocas, seja moeda a própria moeda norte-americana né, compondo a cesta o euro, a moeda chinesa, enfim, seria uma, uma, não mais uma moeda, mas uma cesta de moedas, que aqui uma livre interpretação uma tentativa de retomar o multilateralismo agora pelo lado financeiro né, e qual a justificativa dele pra dizer que o dólar perde espaço de hegemonia e que é importante acender uma cesta de moedas primeiro porque a economia dos Estados Unidos vem reduzindo significativamente a sua fatia no PIB mundial né, então a gente tem uma redução da relevância da moeda norte-americana e além disso é , o próprio, o próprio sistema atual que sobrevaloriza o dólar na medida né, que tem esse referencial e muita gente busca piora o déficit, então a própria, a própria política norte-americana com o Trump reforçando e traduzindo muito desse esforço é a ideia de tentar mesmo tirar desse papel, né numa reação aí trumpista de força, né, assim de, é isso, né, buscar conflito por combustíveis fósseis, implementar data center em tudo que é lugar só que, enfim, na própria visão do Piketty eu acho que eu compartilho essa visão, isso não necessariamente é uma demonstração de força mas é aquela coisa assim vou usar uma metáfora, né numa discussão você começa debatendo ideias e daqui a pouco você tá gritando achando que falar mais alto é que vai fazer você vencer a discussão, mas na verdade a única coisa que tá mostrando é que você tá perdendo ali o controle e a argumentação então, enfim, né, essa metáfora aí só pra dizer que não necessariamente é uma sinalização de força talvez muito mais uma sinalização de fraqueza que demonstra uma mudança da ordem econômica global que a gente já vem observando há bastante tempo, né agora, em termos operacionais por mais que exista essa essa tendência esse movimento de que talvez as próprias atitudes dos Estados Unidos reforcem essa ideia de perda de hegemonia do dólar e mudança migração pra talvez um sistema de uma cesta de moedas tem uma dificuldade operacional que atualmente os Estados Unidos tem poder de veto perante ao FMI de decisões importantes, inclusive a implementação de moeda de uma outra moeda referencial porém como eu falei anteriormente o que a gente observa é uma redução da participação dos Estados Unidos na fatia da economia mundial que faz com que esse poder de veto também tenda a cair e portanto, essa ideia talvez comece a ser lapidada e remodelada para de modo a comportar mudanças importantes como por exemplo essa transição um outro aspecto que o Piketty defende é que a criação de direitos especiais de saque SDR, que seria uma espécie de embrião da moeda internacional é claro que hoje ela é reflexo do PIB, por isso que eu acabei de fazer essa digressão sobre ainda não ser possível essa transição mas à medida que os Estados Unidos vai perdendo o papel essa transição é possível só que o próprio Piketty defende que essa distribuição dos direitos especiais de saques elas sejam feitas a partir da ponderação por população ou por dano climático e não mais por PIB que é também a operacionalização de uma mudança econômica para sinalizar um novo tempo para resolver novos, entre a muito, entre aspas, problemas então olha, o PIB talvez, isso a gente já falou muitas vezes aqui, não seja a variável mais importante nem para refletir o que o país é, nem para onde ele quer ir na verdade agora o que a gente tem que pensar muito mais é como salvaguardar a população, não só dos danos sociais mas dos potenciais danos sociais mas dos potenciais danos climáticos então isso é um aspecto super importante que ele traz e que reflete essa o que eu estou aqui numa livre interpretação de tentar a partir de uma operacionalização, de uma sistematização, de uma institucionalização de medidas, refletir um novo arcabouço teórico, ideológico que é, de novo, a gente pensar as nossas decisões a partir dos problemas reais, sociais que nos acometem e que tem acometido cada vez mais. Um outro aspecto interessante é que se a gente pensar de novo no mundo anterior a gente talvez não consiga um direcionamento claro sobre como utilizar as instituições de um mundo antigo para criar um mundo novo, por assim dizer. Então, uma das coisas que ele propõe é o seguinte, olha o mundo tem que avançar tem que reformar a ONU, o FMI o Banco Mundial, mas por consenso não dá, isso é inviável então, que tal se a gente pensar em coalizões tanto que a própria cesta de moedas reflete um pouco isso mesmo sem os Estados Unidos então, por exemplo, se a gente pensar na convenção da ONU sobre a cooperação tributária, um dos exemplos usados que vai ser em Nairobi essa convenção vai usar a maioria qualificada ponderada pela população e não unanimidade. E talvez seja a transição que a gente de fato precisa observar para a gente tentar acomodar esse mundo aí extremado, mas em soluções que atendam os dois extremos independente, enfim, né de regime político-econômico porque, independente das nossas preferências, estamos todos à beira aí de vários colapsos ambientais, sociais e que precisam de medidas coletivas né avançando um pouco mais na análise como eu disse, né, eu queria trazer aqui, eu sei que é mais difícil a gente pensar nisso falando mas eu acho que é um momento importante da gente pensar em alternativas para que o desânimo não nos acometa então, por isso que eu quis trazer um pouco essa coluna num formato diferente, quase que num numa coletânea de medidas para que a gente tenha perspectiva, esperança e capacidade de ação, né bom, seguindo aqui, feito esse parênteses outro aspecto que ele traz é que o discurso ele já ele já, ele não é absolutamente transformador mas ele auxilia e destaca que no G20, aqui no Brasil, em 2024 o Brasil incluiu a taxação de super-ricos no comunicado final mesmo com a resistência da Argentina um exemplo daquilo, né, olha, não precisa ter consenso mas a gente precisa plantar essas ideias então, isso é um destaque, obviamente lamenta muito a possibilidade do Brasil seguir o nacionalismo trumpista mas destaca esse papel importante do Brasil de trazer a questão da taxação dos super-ricos para tentar reverter todos esses problemas diagnosticados em sua análise por fim faz uma crítica sobre o abandono que a esquerda teria cometido com relação a um discurso dominante de redistribuição em prol de políticas promercados e impostos menos progressivos o que, pelo entender dele, acabou abrindo espaço para um nacionalismo reduzindo o espaço para o debate político então pensar em reabrir a discussão sobre desigualdade pode mudar o próprio o próprio ai meu Deus do céu a própria atmosfera na medida que governos nacionalistas tendem a perder popularidade com o tempo então acho que essa semana muita gente conversou sobre o futuro do Brasil e uma das coisas que eu vejo muito presentes independente do resultado não dá para esmurecer nas lutas pelo que se acredita não dá para cobrar para pensar em política de distribuição para pensar em melhores condições de vida não dá para deixar isso de lado e só relembrar daqui a 4 anos então talvez esse seja um recado convergente com o relatório do Piketty e o que está acontecendo no Brasil. E para finalizar com relação um pouco ao que se vislumbra para o futuro é uma das ele começa retomando ele começa falando que a gente está em muitos sentidos pior do que há 5 anos quando ele disse que a gente estava muito perto do cenário pré-revolução francesa o que faz com que se a gente obviamente não vai repetir mas fazer uma comparação se a gente pensa que em determinado momento alguma crise vai ser um estopim para uma mudança para uma revolução uma das coisas que ele comenta é não tem como você prever qual vai ser a crise que vai gerar essa transição mas é preciso ter alternativa então é difícil a gente pensar num mundo tão pressionado tão dividido com tantas crises vindo que não haja uma ruptura talvez isso seja comungado por quaisquer que sejam as visões políticas de quem esteja me ouvindo a gente está realmente num ponto de abolição complexo então qual é o preparo que a gente precisa ter para redesenhar o mundo que a gente quer viver e por que é importante a gente pensar isso mesmo numa perspectiva otimista porque do jeito que eu estou falando parece que é pessimista mas não, porque sem mudança efetiva a gente sabe que a gente vai ficar mais desigual, mais quente mais instável e mais inviável então é extremamente importante começar a desenhar as formas de encarar as crises que virão e mais do que isso o mundo que a gente vai ser pós-crise pós-crise como se fosse um episódio isolado, mas ruptura por assim dizer e convergindo esse meu discurso que está meio entre pessimista e otimista ele tem a esperança de que na verdade exista um futuro multipolar com o predomínio de forças democráticas que tem como protagonistas como impulsionadores o sul global eu não sei se eu consigo ter esse nível de otimismo mas eu acho que a gente tem lições muito importantes desse relatório no sentido de que não desmerecer não deixar de lutar desenhar o mundo que se quer é uma atividade perene a gente sabe que a vida impõe a gente lutar o tempo inteiro não tem como a gente eu vou suspender um pouquinho a minha vontade de viver num mundo melhor infelizmente não podemos fazer isso não podemos nos dar ao luxo de fazer isso então ler os relatórios como o do Piketty pensar, conversar e desenhar um futuro talvez seja o que de mais importante e urgente a gente precisa fazer agora saber que ter consciência de que existe uma realidade para além das redes sociais existe um mundo em franca transformação existem indicadores que a gente já sabe que refletem uma piora dramática da vida em sociedade como aumento da desigualdade como mudanças climáticas, como redefinição do que a gente conhece como emprego esse diagnóstico se a gente já tem agora é a hora da ação e de pensar o que a gente pode fazer o que a gente pode transformar esse diagnóstico em medidas concretas para que o redesenho da sociedade seja mais possível do que o fim dela é isso pessoal, um beijo e até semana que vem passemos agora para o segundo bloco do giro de notícias giro de notícias notícia da terça-feira passada dia 7 de agosto de 2020 notícia da terça-feira passada notícia da terça-feira passada notícia da terça-feira passada 6 de outubro Quênia confirma caso de ebola após morte de homem que viajou ao Congo exatamente, um homem morreu em Nairobi, capital do Quênia depois de viajar vindo da República Democrática do Congo ele foi sepultado de acordo com os protocolos sanitários 8 membros da família e 21 trabalhadores de saúde foram colocados em quarentena 27 pessoas que estavam no mesmo voo que ele estão sendo buscadas pelas autoridades quenianas e ele também pegou um veículo na estrada a Kampala então possivelmente ele teve contato com mais pessoas que precisarão ser rastreadas então se torna o quarto país a declarar caso de ebola na atual epidemia República Democrática do Congo depois Uganda França com trabalhador de saúde e agora no Quênia infelizmente os números nesse momento são de 8.750 casos confirmados com 4.208 mortes ou seja, um índice de fatalidade de mais de 48% e falando em outro tema que não respeita fronteiras vírus não respeitam fronteiras e as mudanças climáticas não respeitam fronteiras e muitas vezes vitimam alguns seres muito inocentes a ilha de Zavodovsk que fica perto da Antártida perdeu o seu status de maior colônia de pinguins do mundo porque entre 2015 e 2025 mais de 680 mil aves ou seja, mais de dois terços da colônia da ilha morreu devido ao aumento da temperatura das águas que diminui a disponibilidade de alimentos então especialmente nesse caso da espécie chamada pinguim de barbicha que é chamada em inglês de chinstrap penguin então uma notícia bastante triste e que infelizmente tem pessoas que acham que as mudanças climáticas são uma mentira que tem que desmatar mais a Amazônia mesmo, que tem que passar boiada e enfim os alertas estão aqui sendo dados no Xadrez Herbal toda semana notícia da quarta-feira dia 7 de outubro tropas da Eritreia invadem a Etiópia então meu caro Matias no último dia 1º de outubro a Eritreia e a Etiópia romperam relações novamente posteriormente no dia 4 de outubro as forças do governo federal da Etiópia tomaram a cidade de Mekele a capital da região Tigrai no norte da Etiópia e como consequência no dia 6 tropas da Eritreia invadiram o território Etíope especula-se que pelo menos 6 mil militares da Etiópia entraram no território especialmente no dia 7 e detalhe não é uma operação de guerra é uma operação clandestina eles estão fazendo essa operação uniformizados e utilizando equipamento pesado inclusive então isso oficializa a participação da Eritreia no conflito interno da Etiópia que como a gente já explicou aqui de interno tem muito pouco porque envolve muitos atores regionais e nesse processo no último dia 5 de outubro o Abiy Ahmed foi reempoçado por um grupo de atores regionais primeiro o ministro da Etiópia depois da sua vitória nas eleições de meses atrás duas notícias de hoje quinta-feira dia 8 de outubro Estados Unidos adicionam tortura à lista de acusações contra Maduro o Nicolas Maduro que está sendo julgado nos Estados Unidos num julgamento cuja legitimidade não é perfeitamente questionável já que o acusado foi abduzido para ser colocado no banco dos réus, ele e sua esposa, Cília Flores, também foram acusados. normalmente de conspiração para torturar opositores políticos e cidadãos americanos. Então, isso agora foi adicionado às acusações contra eles. Além disso, a defesa da Cília Flores pediu a libertação dela ou que ela fosse enviada para um hospital porque ela estaria sofrendo problemas de saúde na prisão. Outras duas notícias da parte norte da América Latina, digamos assim. Se bem que a Venezuela a gente poderia ter colocado no primeiro bloco também, enfim. Mas a presidente do México, a Claudia Sheinbaum, assinou nessa quarta-feira uma nova lei que agora torna necessário que candidatos à presidência, ao governo de estados ou à prefeitura da capital da cidade do México não possam ter dupla nacionalidade. Tem que ter apenas a nacionalidade mexicana. Para ser candidato, a pessoa terá a opção de renunciar à sua outra nacionalidade. E isso não proíbe a dupla nacionalidade, apenas será um critério para a candidatura. E na Nicarágua, meu caro Matias, o governo do Daniel Ortega anunciou que está retirando o país do parlamento centro-americano depois que a organização apoiou uma resolução da OEA para que a Nicarágua, que é um regime autoritário sob uma ditadura familiar do Daniel Ortega, que libertasse prisioneiros políticos e restaurasse as liberdades civis no país. Grandes cervejarias japonesas são alvo de operações policiais. As autoridades japonesas realizaram operações policiais contra as cervejarias Asahi, Kirin, Suntory e Sapporo. Dessas quatro, acho que é mais conhecido. O mais conhecido aqui no Brasil é a Sapporo, né? A Kirin também. A Kirin também, né? Pelo menos aqui em São Paulo, dá pra achar na Liberdade. A Kirin comprou a Eskin, se eu não me engano. Aí eu já não sei. E tinha a Copa Kirin também. É, isso me lembra. E qual é a acusação? Formação de cartel. As quatro cervejarias, na verdade, estariam combinando os preços, já que juntas elas controlam mais de 90% do mercado doméstico, e estariam manipulando o preço pra cima. Então, por isso agora, essas operações policiais pra investigar essa formação de cartel. Ainda sobre o Japão, meu caro Matias, a Guarda Costeira do Japão anunciou nesse dia 6 de outubro que expulsou um navio de pesquisa chinês da sua zona econômica exclusiva que estaria conduzindo pesquisas não autorizadas nas águas da zona econômica exclusiva japonesa. Só que tem um detalhe. A gente já falou disso aqui. Zona econômica exclusiva não é a mesma coisa que água territorial. Então, essa história, eu não sei se ela tá exatamente mal contada. Pode ter alguma outra coisa aí. Se o navio estava realizando alguma atividade, de fato, econômica, tava, sei lá. A gente tá um navio de pesquisa, estamos pesquisando camarão. E aí, extraiu camarões da água, aí você pode tirar ele das suas águas, da sua zona econômica exclusiva. Mas, se o navio só estiver passando, por ali, teoricamente, você não pode fazer nada. Então, tem alguma coisa nessa história. Outra notícia sobre o Japão, meu caro Matias, é que um fuzileiro naval dos Estados Unidos, de 20 anos de idade, foi preso em Okinawa pela acusação de ter assassinado uma mulher japonesa de 39 anos de idade em um hotel em Naha, capital de Okinawa. Nós temos um programa no Fronteiras Invisíveis do Futebol, em que nós contamos a história de um fuzileiro de Okinawa e a história da diáspora okinawana aqui no Brasil. E, naquele programa, nós falamos, inclusive, do histórico de crimes cometidos por soldados dos Estados Unidos na ilha. E, pra gente encerrar tanto esse giro pelo Japão, quanto o giro de notícias como um todo, meu caro Matias, vamos passar aqui, rapidamente, pelos jogos asiáticos, que se encerraram essa semana, no dia 4 de outubro, e ainda tem polêmica diplomática. Por quê? Porque, por exemplo, nós temos a final do beisebol entre Coreia do Sul e Japão e o time da casa, o Japão, que tem o beisebol como seu esporte mais popular, tem uma tradição muito grande no beisebol, perdeu a final. Vergonha. Coreia do Sul levou a medalha pra casa. Pra ser justo, aparentemente, a Coreia do Sul foi a única delegação que levou um time profissional. Os outros países levaram ali atletas juvenis, enfim, não sei direito, de destacar que a Palestina disputou o beisebol nos jogos asiáticos, uma seleção de beisebol palestina. Aqui eu tô falando beisebol masculino, tá, gente? Até porque. Não existe beisebol feminino. Isso, é. No feminino, normalmente, é o softball. Que pode ser jogado misto, também. E a Coreia do Sul saiu vencedora. E os jogadores da Coreia do Sul, celebrando, felizes, fazendo stories, no Instagram e tal. Aí, que que um deles decidiu falar? Que ele tava muito feliz com a medalha, a medalha de ouro, porque agora, isso significava que eles estavam isentos do serviço militar. Só que assim, não foi qualquer jogador que falou isso. Foi o capitão da equipe. E aí, estamos tendo um escrutínio sobre isso na Coreia do Sul, porque jogadores do futebol da Coreia do Sul, também fizeram declarações semelhantes. É, teve aquela questão envolvendo o som, né? Quando ele tava no Tottenham, ainda, né? Que ele poderia perder um ano do contrato, justamente por conta do serviço militar obrigatório. E aí, eu peguei aqui a matéria do jornal coreano, The Chozoon, né? Um jornal coreano em língua inglesa, que a matéria se chama assim, Exclusive Asian Games Gold Medalists Face Scrutiny Over Military Exemptions. Porque em segunda matéria, 81% das isenções dos Jogos Asiáticos, têm sido questionadas por razões ali de justiça, enfim. Uma matéria bastante completa, que fala de atletas do futebol, atletas do baseball e também atletas do atletismo, tá? E, enfim. Então, Jogos Asiáticos terminaram ainda com polêmica. Pra passar pela tabela de medalhas, a China ficou disparada na frente sobre qualquer critério, porque foram 169 ouros e 341 medalhas totais. O Japão em segundo lugar, com 83 ouros, ou seja, menos da metade, e 269 medalhas totais. Coreia do Sul fecha o pódio da tabela de medalhas, com 39 ouros e 150 medalhas totais. Não vi nenhuma notícia de algum país que ganhou seu primeiro ouro, alguma coisa assim. E, infelizmente, seis equipes não ganharam medalhas. O time de refugiados, Butão, Maldivas, Iêmen, Palestina e Timor-Leste, infelizmente, saíram de mãos abanando. E, já que estamos no Japão, Felipe, o país apresentou, né, recentemente, a sua candidatura pra sediar a Copa do Mundo de Rugby de 2035. Lembrando que o Japão já foi o país sede em 2019. Porém, a América do Sul apresentou na segunda-feira passada, dia 5, uma candidatura com quatro países, né? A Argentina, sendo a principal sede, com oito estádios, dois em Buenos Aires, o Brasil com Maracanã, o Chile com o Estádio Nacional e o Uruguai com o Estádio Centenário. E, além dessas duas candidaturas, temos a Espanha também concorrendo aí pra sediar um dos eventos esportivos mais importantes do mundo. E, caso a candidatura sul-americana vença, seria a primeira vez que a América do Sul sediaria a Copa do Mundo de Rugby masculina. Lembrando que, ano que vem, temos a Copa do Mundo de Rugby na Austrália e, em 2031, quem você acha que vai sediar, Felipe? Não sei. Estados Unidos. Ah. Não, o que me lembrou de uma coisa, né? Porque a gente teve a cerimônia de encerramento de Jogos Asiáticos e, dia 18 de outubro, agora vamos ter os para Jogos Asiáticos, mas a delegação de Doha recebeu a bandeira pra sediar a próxima edição. Só que Doha realizou os Jogos de 2006. Entendeu? Tipo, em 24 anos não tinha outra cidade na Ásia, o maior continente que existe pra receber os Jogos Asiáticos. Enfim, é a magia do Catar. Bem, passemos agora para a premiação que não altera a cotação nem do dólar ou do iene, mas a gente gosta de tirar onda mesmo assim. Bem, Felipe, o peão isolado vai para outro país que vê a ascensão da extrema-direita. Pois é, o peão isolado vai pra Alemanha, pelo que aconteceu na Saxônia e também pela prisão do seu ex-diretor de inteligência algo também vergonhoso, mas principalmente pelo que aconteceu na Saxônia e vamos ver se a FD vai governar o Estado e como o sistema político alemão vai reagir a isso. E o peão promovido, seguindo a tradição do programa, vai para o Endres Kulbergs, o novo velho primeiro-ministro da Letônia, vencedor das eleições. Bem, passemos agora para as dicas culturais. Felipe, qual que é a sua sugestão para os nossos ouvintes neste feriadão? Então, meu caro Matias, o nosso querido ouvinte André Bidá nos enviou a notícia do falecimento. Da Margaret Hamilton, ela que foi uma matemática e engenheira de software, cientista, que foi uma das principais cientistas matemáticas do programa Apolo. Ela foi uma das responsáveis pelo sucesso do programa Apolo, da chegada do homem à Lua. A vida dela não está presente em nenhum filme. Não que eu tenha achado. Aí, por conta disso, eu vou dar duas sugestões. Uma delas é muito nichada, mas pensando que dia 12 de outubro é dia das crianças, não sei se dá tempo, mas enfim. Se você é nosso ouvinte e você é uma mulher que gosta de Lego, ou você tem uma namorada, uma esposa, uma mãe, alguém que você quer presentear que gosta de Lego, uma filha que gosta de Lego, tem um set da Lego que se chama Women of NASA. Tá? É uma série da NASA, que tem três minifiguras e três minicenários ali. Uma das minifiguras é da Margaret Hamilton. A questão é que esse set, oficialmente, ele nunca veio ao Brasil. Então, ele não é tão fácil, assim, de encontrar. E quando você encontra, ele não necessariamente estará num preço tão legal assim aqui no Brasil. Até porque ele tá fora de linha. Mas é uma sugestão. E uma outra sugestão é o filme. Estrelas Além do Tempo, que é um filme sobre as matemáticas negras da NASA, que é estrelado pela Tara J. Hanson, pela Janelle Monáe e a Octavia Spencer, pensando nas três atrizes talvez a mais conhecida, que interpretam três matemáticas que também foram do programa Apolo, Mulheres Negras, e é um filme que também vale a pena. Então, como. Como homenagem à Margaret Hamilton. Bem, e a minha dica cultural é o livro recém-lançado, Repórter da Cabeça aos Pés, do experiente jornalista Elvídeo Matos, e que foi organizado pelo meu amigo Dudu Monsanto, compilando diversas reportagens do Elvídeo em seus tempos de TV Cultura e ESPN Brasil. Uma verdadeira aula de jornalismo. O lançamento do livro foi realizado no sábado passado, na livraria Barrilete, e fica. Vou deixar aqui um abraço para o proprietário Cadu Nakaharada e toda a família presente, e também lá estavam o casal de ouvintes César Augusto Rodrigues e Grace Greco, e ela inclusive foi bastante carinhosa com o meu filho. Além da Barrilete, o livro também pode ser adquirido pelo site Elvídeo, hífen matos, com dois t's, ponto lojaintegrada.com.br, e todo o lucro será revertido para o tratamento de saúde, deste experiente repórter. Filipe, temos recados dos nossos ouvintes e considerações finais? Bem, Matias, primeiro, o Mário dos Santos Gonçalves fez uma pequena correção a você, porque você disse que a Ceguá, do Uruguai, faz divisa com Bagé. Mas isso mudou em 1996, porque a Ceguá, no Uruguai, faz divisa com a homônima Ceguá do Rio Grande do Sul, que se emancipou de Bagé. Então, tem essa correção, e é um dos seis pontos de fronteira terrestre alfandegada entre os dois países, retratado no filme O Beiro do Papa. Então, uma pequena correçãozinha. Um abraço também para o Capitão Eriziano, que mandou um vídeo sobre a queda, o fim da engesa. Um abraço para o Bruno Godóis, que mandou lá no site do Teatro Exerbal o link do vídeo. Que o nosso querido Lito fez a partir de um comentário nosso aqui no Xadrez Herbal. Também um abraço para o Luiz Eduardo Reis, lá no site do Teatro Exerbal, que sempre comenta. Já nos e-mails, um abraço para o Gabriel Orso, que manda um abraço para o amigo e compadre Lucas Faveiro, e também um beijo para o grande amor dele, a Ivana, eles que completaram um mês de casados. Um abraço para a nossa querida Silvana, que nos escreveu diretamente do Canadá, comentando. comentando um pouco das eleições no Quebec e também sobre o futuro na província de Alberta, que também está discutindo na sua relação com a federação, mas por motivos diferentes. Enquanto o Quebec tem um movimento nacionalista separatista antigo, por razões até óbvias, como a diferença linguística, Alberta tem ali uma questão mais político-partidária envolvida. Um abraço para o Pedro Souza, que disse que os ouvintes mandam a notícia do Fat Bear Week, porque a gente ensina. para os ouvintes que ursos são apenas grandes cachorrões. Ele que é formado em relações internacionais pela Unesp de Franca. Um grande abraço para o Felipe Vazquez, que acompanha nosso trabalho há muito tempo, filho do meu amigo Vicente Vazquez, que nos mandou uma notícia sobre um novo acordo comercial entre Belarus e Sudão, e pediu para a gente comentar um pouquinho mais sobre isso. É interessante mencionar que o Sudão tem uma relação relativamente próxima com a Rússia. A Rússia já negociou, por exemplo, uma base militar no Mar Vermelho, o Sudão é um dos poucos países no mundo que reconhece a anexação da Crimeia pela Rússia, e Belarus, embora seja um país independente, é um país que tem relações muito próximas com a Rússia, você tem toda a questão do tratado de união, enfim, uma eventual fusão, e Belarus segue essa esteira, digamos assim. Inclusive o Lukashenka já visitou o Sudão uma vez, e o acordo que o Felipe mandou é ligado a questões agrícolas. De exportação agrícola e tudo mais. Belarus é um grande centro produtor de tratores e maquinário pesado, porque uma das principais fábricas desse tipo de equipamento da União Soviética ficava em Minsk, e continua sendo em Minsk, herdada por Belarus independente. Então esse acordo possivelmente tem conexão com isso também. Um abraço também para a Letícia Silveira, que reside na Dinamarca, ela nos mandou ali algumas fotos, alguns detalhes, de um evento que ela compareceu na Câmara Americana de Comércio, e ela pediu um beijo para a esposa dela, Angélica, e um beijo para o irmão dela, o Luiz Felipe. Então um beijo para a Letícia, para a Angélica e para o Luiz Felipe, que apresentou o xadrez herbal para ela. O Felipe Garcia Fogal mandou um e-mail muito carinhoso sobre o nosso trabalho, e pediu um beijo para os filhos dele, Miguel e Maria Isabel, que escutam o podcast por osmose. Um abraço. Um abraço para o Roberto Santos, que me encontrou no Rio de Janeiro, no lançamento do meu livro, ele que nos ouve desde 2019, ele mandou um e-mail muito carinhoso, inclusive sobre esse encontro, que ele gostou muito de ver, que algumas pessoas que a gente fala no programa têm rosto, também conheceu a Vivian. Então um grande abraço para o Roberto Santos pelo e-mail carinhoso dele. Um abraço para o Paulo Berni, que mandou uma notícia curiosa sobre o príncipe, entre aspas, Andrew, que ele entrou na justiça contra as operações policiais que ele foi alvo, e a nota do Guardian comenta que o último membro da família real que fez isso, que desafiou a legalidade dos procedimentos criminais, foi executado. Um abraço para o Rodrigo, que nos ouve nas Indas e Vindas ao Trabalho em São José, em Santa Catarina, na grande Florianópolis, e ele escreveu que o Havaí é o mais gigante, um abraço para o Henrique, que é do Rio Grande do Sul, mas mora em Nova Iorque, trabalhou como mesário nessa última eleição, ele que conheceu o Xadrez Herbal a partir do Jovem Nerd e do Nerdologia. Um abraço também para o Marcial Alves, e aí eu peço desculpas para o Marcial, porque ele mandou um e-mail, porque ele havia deixado um comentário no site do Xadrez Herbal, e eu acabei não lendo o comentário, e aí eu peço desculpas para o Marcial, porque foi uma distração, acabei passando, ele que é de Belo Horizonte, e ele comentou que ele dificilmente vai poder participar da brincadeira dos ônibus, já que os ônibus que ele pega em Belo Horizonte são 4034, 4111, 8405, 9412. Ele disse que existem alguns bairros em Belo Horizonte que tem ônibus de três dígitos, mas que eles não pegam com frequência. Enfim, foi uma distração minha, porque talvez eu tenha buscado ali pelo número do episódio, e aí acabei pulando, peço desculpas para o Marcial, e um grande abraço, pra ele. Um abraço pra Júlia de Lázari, que mandou o 477 P10, Ipiranga e Rio Pequeno, mas ela mandou depois que a gente terminou a gravação então a gente acabou não falando mas então um abraço pra Júlia e pra irmã dela, a Mariana um abraço também pro Otávio de Castro Domingues que pediu pra gente mandar um abraço pra amiga dele, a Luciana que foi quem apresentou o xadrez oval pra ele em 2021, no episódio sobre a vitória da Xomara Castro eles que estudaram na PUC Rio, e finalmente um abraço pra Bia Matera, que escreveu um e-mail bastante extenso, só que uma grande coincidência por quê? No programa passado, a gente falou que muitas pessoas mandaram a brincadeira do ônibus e uma das pessoas que mandaram a brincadeira do ônibus foi o Paulo Lotufo professor na Medicina USP, e no e-mail dele, que nós lemos o programa passado ele falou do filho dele falou do neto dele e agora a Bia Matera nos escreveu que é a nora dele e aparentemente foi por coincidência, não foi combinado ela nos escreveu no dia 1º de outubro na quinta-feira, durante a nossa gravação e aí acabou não entrando nos comentários do último programa ela mesma diz, né, que ah, torcendo pra vocês ainda não terem gravado o programa porque eu devia ter escrito ontem, acabei me esquecendo e ela disse que a linha 477A Sacomã Terminal Pinheiros segundo o marido dela, foi o responsável pelo relacionamento deles ter dado certo já que quando eles começaram a namorar era o ônibus que ligava eles, e agora anos depois, eles estão esperando o primeiro filho deles o Fernando, que foi mencionado no e-mail do doutor Paulo Lotufo e ela menciona que o sogro dela também pegava essa linha quando era estudante ela pede um abraço pro Paulo Lotufo e também um abraço pros amigos Vinícius e Paola e pro marido dela, o Érico que é ouvinte culposo do Xadrez Herbal e amigo do Biratã Leal. Ela disse que começou nos ouvir em 2019 numa residência estudantil em Buenos Aires onde ela era a única brasileira e continuou nos ouvindo ela que passou parte da pandemia em Buenos Aires ela é muito carinhosa com o nosso trabalho porque disse que fez companhia pra ela nesse momento muito complicado, né, de passar a pandemia sozinha em outro país ela também nos parabeniza pela entrevista com a Miriam Bregman e no e-mail ela também menciona que eles quase batizaram o filho de Filipe com I por conta da música Dear Theodosia do musical Hamilton mas que eles concordavam que a grafia deveria ser Filipe com I porém eles decidiram homenagear o Fernando Brandt o maior parceiro musical do Milton Nascimento ela comentou ali também da escolha de música pelo Matias quando o Loborges faleceu e também que acha muito curioso quando a gente cita algumas questões de cultura argentina, já que ela, né novamente residiu na Argentina então um grande abraço pra Bia Mateira e pra toda a família dela aparentemente a família toda é ouvinte do Xadrez Herbal Bueno, e a sugestão musical vai em dose dupla, já que nos últimos dias o rock hispano-americano se despediu do guitarrista e vocalista argentino Ricardo Soulet, que faleceu aos 76 anos na sexta-feira da semana passada e também do cantautor italo-argentino-colombiano Piero, falecido aos 81 anos nesta quarta-feira Soulet foi membro fundador da icônica banda Vox Dei formada em Quilmes no final dos anos 60 e é um dos compositores da música Presente lançada pelo selo Mandioca em 1970 e que foi revivida ao ser incluída na trilha sonora do filme Tango Feroz La Legenda de Tanguito 23 anos depois Piero, por sua vez, compôs a canção Mi Vierro, gravada em 1969 no seu álbum de Estéia e que se popularizou no restante do continente sendo regravada por diversos artistas e gêneros musicais. Então me despeço com essas duas sugestões sonoras e nos encontramos na próxima sexta-feira com mais uma edição da sua revista semanal de política internacional em formato podcastal. Tchau, tchau!

Podcast Summary

Key Points:

  1. O programa aborda as reações de líderes latino-americanos, como Javier Milei e Abelardo de la Espriella, à eleição brasileira, destacando o apoio a Flávio Bolsonaro.
  2. A Argentina lançou um esquema de "passaporte dourado" para atrair investimentos estrangeiros e lidar com sua crise da dívida.
  3. A Suprema Corte da Índia exige explicações do governo sobre a exclusão de 130 milhões de eleitores dos cadastros, um processo que afeta minorias, especialmente muçulmanos.
  4. A pesquisa do professor Feliciano Guimarães (USP) indica que a política externa tem impacto eleitoral crescente no Brasil, com temas como o conflito Israel-Palestina e as relações com os EUA sendo centrais.
  5. A análise aponta que o eleitor brasileiro, mesmo o desinformado, usa atalhos ideológicos para formar opiniões sobre temas internacionais, que são estruturadas e estáveis.
  6. O bolsonarismo utiliza pautas internacionais para mobilização política, transformando arenas como o Conselho de Direitos Humanos da ONU em palco para suas agendas conservadoras.
  7. A guerra na Ucrânia e a crise na Venezuela mudaram a percepção dos brasileiros, tornando a Rússia e a Venezuela os países com as imagens mais negativas.
  8. O programa também noticia a interceptação de um navio com combustível para Cuba pelos EUA e o adiamento das eleições no Haiti.

Summary:

O episódio 478 do podcast Xadrez Verbal, gravado em 8 de outubro de 2026, inicia com anúncios e solidariedade a universidades afetadas por um incêndio. A "brincadeira do ônibus" celebra a linha 478P, com ouvintes compartilhando memórias. No "Giro de Notícias", a pauta latino-americana domina: a Argentina lança um controverso "passaporte dourado" para atrair capital estrangeiro, enquanto o judiciário argentino arquiva acusações contra Evo Morales.

No Paraguai, o Partido Colorado vence as eleições municipais. A atenção se volta para as eleições brasileiras, com reações internacionais. Javier Milei (Argentina) e Abelardo de la Espriella (Colômbia) parabenizam Flávio Bolsonaro, gerando preocupações sobre ingerência externa.

A análise da jornalista Fernanda Simas destaca o peso dessas declarações. O programa também aborda a Índia, onde a Suprema Corte investiga a exclusão de 130 milhões de eleitores, um processo que afeta minorias religiosas. A entrevista principal é com o professor Feliciano Guimarães (USP), que discute o impacto da política externa nas eleições.

Ele argumenta que temas internacionais, como o conflito Israel-Palestina e a relação com os EUA, têm saliência eleitoral e afetam a popularidade presidencial. Guimarães observa que os brasileiros são pacifistas e desejam protagonismo, e que o bolsonarismo explora pautas internacionais para mobilização política. A entrevista conclui que a política externa se tornou parte do debate eleitoral, exigindo equilíbrio dos candidatos.

FAQs

É um podcast semanal de política internacional apresentado por Matias Pinto e Felipe Nobre Figueiredo, com duração variável e foco em análises aprofundadas.

Os apresentadores são Matias Pinto e Felipe Nobre Figueiredo, que discutem temas de política internacional e relações exteriores.

O episódio é o número 478, gravado em 8 de outubro de 2026.

Haverá um painel na feira do livro de Caxias do Sul em 11 de outubro, às 14 horas, sobre 'Como viver em um país ocupado: A França sob o nazismo', com Cláudia Fim e Franciele Becker, incluindo sessão de autógrafos.

O programa se solidariza com a Universidade de Caxias do Sul e a Universidade Federal de Pernambuco devido a um incêndio que destruiu laboratórios e anos de pesquisas em 7 de outubro.

O ônibus 478P, que liga Sacomã a Pompeia (agora Vila Romana), é destacado como o melhor, com menções a suas variações e histórias de ouvintes.

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