Você está vivendo os seus sonhos ou dos outros? | Miriam Garcia - Divã Podcast com Andrea Vermont #9
from Divã Podcast
85m 0s
No podcast "No Divã com a Doutora Andrea Vermont", a filósofa e psicanalista Miriam Garcia discute o conceito de vida plena. Ela argumenta que a vida plena não é uma soma de fatores como riqueza ou fama, mas um modo de vida particular, alinhado ao desejo mais profundo de cada indivíduo. A insatisfação e a angústia são apresentadas como uma bússola interna que aponta para esse desejo, e ignorá-las leva ao adoecimento. A filosofia e a psicanálise convergem para libertar a pessoa da alienação, ajudando-a a encontrar seu próprio caminho.
Miriam explora a teoria dos afetos de Espinosa, mostrando que os relacionamentos são estruturas que afetam nosso sistema nervoso, e que devemos detectar, evitar e nos unir a encontros que aumentam ou diminuem nossa energia vital. Ela enfatiza a importância de ouvir a criança interior, que guarda feridas e recursos, e de regular comportamentos nocivos. O perdão é possível quando nos elevamos, como na metáfora da águia e do corvo, e a metáfora da lagosta ilustra a necessidade de romper a casca antiga para crescer, enfrentando conflitos e inseguranças.
Por fim, Miriam oferece passos práticos: buscar terapia, encarar a angústia e ter esperança. Ela conclui que a vida plena é viver com entusiasmo, fazendo a diferença na vida das pessoas, e que, se a morte nos encontrar hoje, podemos estar em paz por vivermos nossa própria vida. A conversa termina com reflexões sobre a impermanência e a importância de se saciar com os "morangos" que a vida oferece.
0:00
Pessoa 1
Me arrependo de não ter vivido uma
0:25
Pessoa 2
Seja bem-vindo ao podcast no divã com a doutora Andrea vermont.
É um prazer estar aqui com você, gozar da sua audiência, do seu carinho conosco, lembrando sempre que conhecimento liberta.
Por isso, vamos trazer sempre conhecimento de qualidade, com as melhores pessoas e principalmente com as pessoas que Eu Acredito.
0:43
Eu acho esse um crivo muito importante é, eu não trago pessoas aqui pela relevância, não só pela relevância.
Mas principalmente pela crença, pela ética e por aquilo que meu coração direciona quando Eu Acredito, que é conhecimento, que vale a pena, que é gente que vale a pena.
0:59
Hoje nós temos uma oportunidade maravilhosa, mas antes de te falar quem vai estar aqui hoje, eu quero que você se inscreva no canal, curte, compartilha, comenta, aí manda risco de comentário.
Se você gostou do podcast os cortes que você vê, por favor, divulgue, ajude essa obra, faça com que mais pessoas ouçam, cheguem a esse tipo de conhecimento.
1:21
De qualidade, entretenimento de qualidade, porque hoje nós estamos com nada mais, nada menos que Miriam Garcia, pra mim uma das maiores pensadoras da atualidade.
A Miriam traz um frescor.
Eu acho que a Miriam é isso.
A Miriam é o é o vento do frescor.
1:37
Ele é a novidade de vida na filosofia, na psicanálise, na psicologia.
A Miriam traz um olhar novo e diferente e prático sobre tantas possibilidades.
Então é a segunda vez que ela tá aqui com a.
Gente, se depender de nós, da nossa audiência, ela vai vir mais um Monte de vezes.
1:54
Miriam querida, seja bem-vinda, mas muito.
1:56
Pessoa 1
Obrigada, Andreia.
É uma Alegria, se depender de mim também.
Uma Alegria estar aqui com.
2:01
Pessoa 2
Você, nós adotamos a Miriam, nós pegamos a Miriam para nós é uma benção, querida, muito obrigada por aceitar nosso convite.
Deus abençoe, prospere.
Hoje nós vamos falar com a Miriam sobre vida plena.
Tem base, gente, quer um tema melhor que esse vida plena?
2:20
Miriam, anda achando tão engraçado assim que você dá pra falar sobre isso?
Bem tranquilo mesmo, é, é bem 11 conversa com o mate, você fica bem à vontade aí eu ando achando tão engraçado assim é a confusão que existe sobre o é sobre essa questão de vida plena, né?
2:36
E eu quero que você assim, ó que você fale aí a vontade OOA audiência é sua, a câmera é sua, o microfone é seu, é definitivamente o que é vida plena, né?
De falar um pouco sobre a minha perspectiva.
A sensação é que a gente voltou para a idade média em algumas perspectivas.
2:54
Assim, as pessoas, para mim, confundiram todos os conceitos ou a grande maioria deles.
A psicanálise vai dizer para a gente nomear, né?
Quando a gente nomeia, de certa forma, a gente tá no caminho da cura.
Eu sempre gosto muito de trabalhar as palavras.
Então alguém diz assim, estou muito triste.
3:11
Eu falo, me defino um pouco tristeza, até para eu entender o seu conceito de tristeza, porque quando a gente nomeia a gente, de certa forma a gente está caminhando para um processo de resolução.
Eu tenho a sensação que as pessoas estão confundindo os conceitos.
Então, quando a gente fala de vida plena, é as pessoas estão confundindo conceito de Riqueza, as pessoas estão confundindo conceito de é fama, sucesso, paz.
3:36
Tranquilidade, prazer, eu, eu adoro assim as minhas conversas, elas passam sempre por essa perspectiva, AI, fulano é muito rico, eu falo o que que é rico?
Porque se for ter dinheiro na conta, está longe de ser Riqueza.
3:51
AI, fulano tem muita saúde, o que que é saúde?
Porque se for ser bonito esteticamente, está longe de ser saúde.
Então assim, eu eu gostaria muito que você falasse um pouco sobre isso assim, o que que é vida plena?
É o que que é uma vida que vale a pena ser vivida?
4:07
Pessoa 1
Eu penso, Andreia, que é algo muito particular.
A gente fica tentando encontrar um conjunto de elementos pra gente entrar nessa forma.
Então, vida plena é ter é tranquilidade, ter contato com a natureza e praticar atividade física também, mas não só porque tem muita gente que vive na natureza, que pratica atividade física.
4:31
Que é uma pessoa sem vida plena, uma pessoa insatisfeita é ter dinheiro também, mas não somente isso.
O que é vida plena é algo muito particular.
Aristóteles ele vai falar, ele vai trazer um termo para isso, um termo grego, que é eudaimonia, que é uma possível tradução de eudaimonia.
4:50
É vida plena, Felicidade.
E ele diz que a eudaimonia ou a vida plena não é um fator ou a soma de vários fatores, mas um modo de vida.
E aí que pega é um modo de vida muito particular.
5:05
Para a psicanálise, vida plena seria andar em conformidade com o meu desejo mais profundo.
E por isso que a psicanálise, ela é convergente com a filosofia.
Porque a filosofia, toda a história da filosofia, nós temos pensadores que nos ajudam a pensar de uma forma individual, não coletiva, não de acordo com as massas.
5:30
Mas de uma forma livre, de uma forma autônoma.
E a psicanálise?
Ela nos leva a descobrir qual é o meu desejo e não o desejo da sociedade sobre mim e não o desejo das pessoas sobre mim.
Então, na verdade, a filosofia e a psicanálise, elas elas nos levam a uma libertação da alienação da vida.
5:54
E eu preciso encontrar dentro de mim qual é esse mapa da vida plena.
Está dentro de mim e existe uma bússola.
6:03
Pessoa 2
Cada um tem o seu modelo de vida plena.
6:05
Pessoa 1
Exatamente.
E como encontrar esse mapa?
6:08
Pessoa 2
Boa que eu gosto dessa parte prática.
6:11
Pessoa 1
Vamos lá, existe uma bússola, a insatisfação.
6:16
Pessoa 2
A tarsília quer descobrir o que que é vida plena para ela, que é diferente do que que é vida plena para Andréa, do que é diferente do que é vida plena para Miriam.
Como que a tarsília vai encontrar a vida plena para Tarsila?
6:26
Pessoa 1
Ela vai pegar essa bússola, que é a insatisfação, e vai olhar para ela a maioria da sociedade.
Andreia vive uma alienação da insatisfação, da angústia.
Mas lacan diz que a angústia ela nunca mente.
6:42
Ela aponta para um ponto de insuportabilidade do meu ser e a maioria das.
6:48
Pessoa 2
Pessoas a angústia nunca mente, a gente tem que ouvir a nossa própria angústia.
E ela vai nos contar sobre o que é vida plena para mim exatamente?
6:57
Pessoa 1
Só que se a gente observar a sociedade que a gente vive hoje, nós vivemos uma sociedade muito barulhenta.
E por que de tanto barulho?
Porque é uma forma de eu deixar de ouvir a minha angústia.
Eu anestesio aquilo que é o mais importante para mim, que é a minha insatisfação.
7:13
Então, não fuja da sua insatisfação.
Olhe para ela, encare ela, porque ela vai te levar para o seu desejo.
7:20
Pessoa 2
Ela vai te contar exatamente.
7:24
Pessoa 1
E para a psicanálise, você andar na contramão do desejo é um problema.
Adoece.
Aliás, sintoma para psicanálise é isso.
É uma tradução simbólica de conflitos e desejos reprimidos no inconsciente.
7:38
Pessoa 2
Andar na contramão do desejo adoece.
7:43
Pessoa 1
Agora, o que eu desejo por isso, que é muito particular e muitas vezes a gente pensa assim, olha, o que eu desejo é o que todo mundo deseja.
Se está todo mundo desejando dinheiro, então é isso que vai me tornar feliz.
Não o dinheiro.
Ele é apenas uma moeda de troca para o meu desejo.
8:01
O dinheiro financia o meu desejo.
Eu quero dinheiro para quê?
Essas são as perguntas principais que a gente tem que fazer para encontrar o significado de vida plena.
8:12
Pessoa 2
Eu vou te dar um exemplo bem básico, assim, bem prático, que ajuda a ilustrar o que você está dizendo, né?
Você está falando que vida plena.
É a gente ouvir a própria bússola, a própria insatisfação e ir em busca do nosso desejo, porque a vida plena pra Andrea não é a vida plena pra Miriam.
8:28
Vou dar o exemplo do emagrecimento, lá em agosto eu procurei a média, falei, eu preciso emagrecer tal, não tá legal?
Aí eu falei, doutora, qual que é o peso que eu tenho que chegar que vocês sobe lá naquela máquina, né, faz um MCE tal.
Aí a média falou assim, olha, André, para máquina é tanto, mas isso aqui não quer dizer nada, isso aqui é uma referência que nem eu sei se você vai ficar boa com esse peso.
8:50
Qual que é o seu desejo de peso?
Eu falei, eu estou pensando em tanto.
Ela falou, então vamos pegar o seu desejo e quando você chegar lá, talvez quando você chegar lá, você vai entender que você quer mais, baixar mais, ou talvez você vai entender que que já chegou, que é isso mesmo.
9:09
Aí eu acho muito engraçado, porque aí o que é vida plena pra Miriam, não é pra André, que não é pro Vitor e que não é pra Tarcísio.
Aí eu acho bom, as pessoas na internet falam assim.
Você tá linda, você já emagreceu muito, mas agora chega, olha aí aí eu penso assim, meu Deus, chega pra quem?
9:26
Pra quem que chega?
Aí eu vou na médica e ela fala, você já bateu a meta do que você colocou, mas você está satisfeita, não é nem sobre espelho.
Aí eu falei, doutora, olhando agora.
O meu índice de massa muscular versus o meu índice de gordura.
9:42
E não sei o que, não sei o que eu entendo que eu preciso perder mais pelo menos +5 kg.
Sobre estética, não, realmente já está no lugar, mas realmente os meus exames ainda me contam que eu preciso perder +5 kg.
Você tá vendo que eu te disse que nós chegaremos num peso, mas que talvez você entenderia?
10:00
Então percebe que é muita olfaiataria, é muito pessoal e aí eu acho muito engraçado, eu acho muito, eu acho fantástico, me diverte as pessoas dizerem, mas agora chega, já emagreceu demais.
Posso te dar uma dica, não se ofenda, mas não perde mais peso não.
10:18
Gente, o que que é vida plena pra você?
Pra você talvez é ir pra uma roça e fica lá 7 dias, pra mim talvez é ir pra muvuca de São Paulo, pro outro é as 2 coisas.
O que é para você que não é para mim, que não é para ela?
10:34
O fato é que todos nós precisamos encontrar esse lugar de vida plena.
Quando a gente não encontra, a gente adoece e a bússola é a nossa insatisfação.
Achei fantástico.
10:45
Pessoa 1
A doutora Ana Cláudia Quintana, não sei se você conhece, maravilhosa.
10:48
Pessoa 2
Né, a morte um dia que vale a pena ser.
10:50
Pessoa 1
Vivida nesse livro, ela escreve 11 dado.
Estatístico que ela obteve com conhecimento de causa, porque ela faz um trabalho com pacientes na fase terminal, no processo paliativo.
E lá ela escreve, o maior arrependimento que as pessoas têm no leito de morte.
11:08
Me arrependo de não ter vivido uma vida que era minha, mas a vida que minha mãe queria que eu vivesse, que a sociedade queria que eu vivesse, que a igreja queria que eu vivesse.
E agora acabou.
Tá acabando.
E eu não vivia a minha vida.
Eu vivi as exigências das pessoas.
11:26
Só existem 2 pessoas no mundo que a gente precisa impressionar.
E não são nossos pais.
Não é seu marido e seus filhos.
É a sua versão de 9 anos e a sua versão de 90.
Se essas 2 pessoas estiverem satisfeitas com você, deu tudo certo para você.
11:42
Pessoa 2
Agora, agora eu dei vontade de chorar, é?
11:45
Pessoa 1
Se elas estiverem contentes, satisfeitos, pronto.
É isso.
Só que a gente não olha.
Para essas 2 pessoas que estão torcendo na plateia para gente fazer aquilo que faz sentido para gente, que de repente não faz sentido para as pessoas, para a sociedade.
12:02
E a maior angústia dessas versões é ver a gente seguindo um padrão e sendo infeliz e não sendo pleno de acordo com aquilo que é vida plena para nós.
Tragédia não é começar tarde, porque muitas pessoas, talvez assistindo, estão pensando assim, tá legal?
12:19
Vida plena.
Eu estou completamente insatisfeita.
Eu não estou feliz com a minha vida, mas não dá mais tempo porque olha a minha idade, já tenho tantos anos.
Eu recebo muito desses comentários.
Será que dá tempo para mim?
Eu já sou 50 + 60 mais, será que dá tempo?
12:36
Eu tenho certeza que eu posso falar com quem tá em casa.
12:39
Pessoa 2
Com certeza.
12:40
Pessoa 1
Você que está assistindo a gente agora que passou isso pela sua cabeça, eu garanto a você que dá tempo para você começar uma vida plena agora.
E eu não sei quantos anos você tem e mesmo sem saber a sua idade, eu tenho certeza que dá tempo para você, sabe porque tem uma música do Titãs que se chama epitáfio maravilhosa e triste, porque é uma série de lamentos.
13:04
Eu devia ter amado mais, devia ter chorado mais, ter visto o Sol nascer, devia ter trabalhado menos, ter visto o Sol se por e por que que é triste?
O que que significa epitáfio?
Epitáfio é a inscrição nas labs de estúmulos.
13:21
São lamentos póstumos de uma pessoa que já não tem mais tempo, porque que eu garanto a você que está em casa, que ainda dá tempo para você, porque você não tem um epitáfio ainda dá tempo enquanto a porta fechada não for a do seu caixão, dá tempo de recomeçar quantas vezes forem preciso.
13:42
E como é que a gente alcança essa vida plena, seguindo essa angústia?
Essa insatisfação vá atrás.
E uma coisa muito é curiosa, Andreia, não sei se você como quando atendia, passou por isso, mas eu ouço muito nos consultórios, mulheres principalmente, né?
14:02
De 40 mais que chegam no consultório e dizem assim, olha, eu quero uma vida diferente, eu quero uma vida melhor, mas eu não sei o que eu quero.
Eu não sei o que é vida plena para mim.
Talvez porque essa pessoa passou a vida toda olhando para as pessoas, cuidando das pessoas, ouvindo as demandas das pessoas, e essa pessoa desaprendeu a se ouvir.
14:28
Ela não se conecta mais com ela porque ela não praticou isso.
E aí, como que a gente faz para pessoa em casa definir vida plena?
O que é vida plena para você?
Eu tenho aqui uma ferramenta maravilhosa da filosofia que vem.
14:46
Unir a psicanálise, Nietzsche, lei do eterno retorno é uma ferramenta muito prática e muito rápida para você descobrir qual é o seu desejo e que é vida plena para você.
Então, Nietzsche, ele propõe um seguinte cenário, imagina que diante de você aparece uma criatura mágica que diz que a sua vida vai ser repetida infinitas vezes, com toda a Riqueza de detalhes?
15:13
Então você vai morrer aí?
15:14
Pessoa 2
Você tudo que aconteceu nessa vai acontecer igualzinho.
15:17
Pessoa 1
A pergunta é, essa criatura mágica diante de você é uma criatura divina que te traz uma dádiva, ou uma criatura maligna que te traz um castigo?
Aí você já sabe se a sua vida está sendo uma dádiva ou um castigo.
15:34
Agora eu vou trazer um ousadamente, um adendo a essa teoria de Nietzsche.
Imagine que essa criatura diz o seguinte, sua vida vai ser repetida em infinitas vezes, com infinitas versões, só que de formas diferentes.
15:50
Mas você pode escolher um dia que você já viveu para ser repetido em todas essas infinitas versões.
Que dia você escolheria?
Quem que estava nesse dia?
Aonde você estava?
Fazendo o quê?
Com quem tá aí?
16:05
Seu desejo?
Tá aí a definição de vida plena para você.
É isso que você tem que investir, concentrar sua energia e alargar esse dia e repetir esse dia por toda sua vida o máximo possível.
16:22
Aí você vai ser pleno, completo, feliz.
16:27
Pessoa 2
É a Miriam.
Eu tenho um amigo que é médico e ele é muito doido.
Engraçado demais.
E ele fala uns negócios, mas ele não sabe a profundidade que ele fala, ele fala assim, André é, a gente vai ficando velho, a gente vai perdendo as vontade de fazer as coisas e a gente tem que investir no que a gente tem vontade e a gente não vai ter vontade quase mais nada.
16:46
Eu gostava de beber quando eu gosto de beber, gostava de ficar na farra quando eu gosto de ficar na farra.
O que eu tô gostando é é mexer com meu carro, não sei o quê, pode perceber que a gente vai perdendo o gosto.
Aí eu pensei assim, depois vem aprofundando essa farra, como é que a gente vai perdendo o desejo?
A gente vai apurando o desejo.
17:03
A gente desejava o que os outros desejavam.
Ah, ganhei muito dinheiro, tinha comprar um vinho mais caro, ir na festa mais cara, na viagem mais cara.
Mas aí você vai apurando o desejo e você começa a desejar o que é realmente importante.
Aí ele falou assim, atualmente eu tô investida no meu carro, na minha caminhonete, já levando essa caminhonete, já gastei uns 40000, não sei o que, não sei o que, porque o que eu gosto é pegar essa caminhonete pra Serra, que se dane, ganha um muito dinheiro nessa cirurgia plástica.
17:29
Tô gastando tudo com essa caminhonete.
Aí eu falei assim.
O Dani, eu preciso descobrir então o que que é que eu gosto para eu investir é nisso, então porque realmente eu tô numa fase de muita coisa que eu gostava, eu não gosto mais.
Aí ele falou uma coisa muito sábia, ele falou assim, você sabe como é que você vai descobrir isso pensando o que que você tinha muita vontade de fazer quando você tinha 18 anos, você não tinha dinheiro ali está o que você um grande desejo.
17:53
Aí eu pensei, falei assim, gente, aonde foi que eu me perdi?
Porque com 18 anos, aqui do lado de Uberlândia tem uma cidade desse tamanhozinho.
E Titica.
E eu falava assim, se algum dia eu tiver muito dinheiro, ó, o meu sonho é simplicidade.
Eu quero comprar uma casa lá em Tupaciguara.
18:10
Aí o povo ria.
Falava assim, gemer, todo mundo sonha com casa em São Paulo, casa em Nova Iorque.
Você tem vontade de comprar uma casa em Tupaciguara?
Eu falava, Ah, lá tem gente simples, o povo com versos simples, tem benzedeira, tem fofocaiada, tem comida boa, sabe essas coisas de eu falava, esse é a minha vontade.
18:29
Aí uma vez eu falei isso até numa palestra eu falei, meu sonho é comprar uma casa do placeguarda e o povo sempre ria de mim.
Quando ele falou isso, eu falei assim, gente, com 18 anos eu tinha vontade de comprar uma casa do placeguarda e eu comecei a olhar a roça pra comprar.
E o dia que eu fui na roça eu falei, gente, aonde eu me perdi de mim?
18:46
Pessoa 1
Olha aí.
18:47
Pessoa 2
Gente, quando eu cheguei nessa roça que eu ouvi vaca, mojinho, aí eu fui conversar com caseiro, caseiro, engraçadíssimo, falou, nossa, as leia.
Atualmente está tudo desmantelado.
Eu achei maravilhoso ele falar desmantelado e eu passei o dia naquela mexida e pé no chão.
19:04
Eu falei, gente, aonde eu esqueci que era isso que eu queria para minha vida?
É isso aqui que eu quero para mim não quero mais nada não.
É isso aqui que eu quero para mim.
E aí eu me lembrei muito de uma música da Marisa Monte, né?
O vilarejo que ela fala de cidades, né?
19:22
Toda a gente cabe lá.
Palestina changri la você sabe a história de changri la não changri la é uma cidade fictícia de um livro Oo, um livro de 1935.
Ele fala de uma Montanha no Himalaia.
E do lado de uma Montanha existe uma cidade que se chama shangri lar.
19:41
E nessa cidade o envelhecimento para.
Olha aí e as doenças não acontecem, as pessoas param de envelhecer e elas não adoecem mais.
E aí eu pensei isso, falei, gente, aqui é a minha shangri lar, capaz que se eu passar nessa roça que eu paro até de envelhecer, eu paro até de adoecer.
19:59
É ali que o meu desejo grita.
Então eu acho que é tanto sobre isso, sabe?
Eu acho que é tanto sobre parar vida plena, é tanto sobre parar de desejar o que os outros desejavam para você.
Porque você vai acumulando títulos, você vai acumulando diploma, você vai acumulando moeda, e aí você olha para aquilo e vê que nada daquilo faz sentido.
20:20
Pessoa 1
E ouvir o seu desejo.
Falando em música, tem uma música do Raul Seixas que eu gosto muito, que ele diz assim, coragem e coragem, se o que você quer.
É aquilo que pensa e faz o que você quer, é o que você pensa e faz o que eu tô fazendo hoje tá construindo aquilo que eu quero.
20:40
Então coragem vai fundo.
E isso, Andréa, é uma luta, é um esforço diário.
Eu tenho que saber aonde eu quero chegar e quais os passos que eu preciso dar até essa direção.
Freud, ele trabalha com a noção de pulsão de vida e pulsão de morte.
20:59
Então, são 2 pulsões que estão em movimento dentro de nós o tempo todo.
Ora há a predominância de uma, ora há a predominância de outra.
E aí Freud fala, né?
Qual das 2 vai vencer no final a pulsão de morte, porque a gente vai morrer, mas até lá a gente tem que lutar, mas lutar não por uma vida pequena.
21:20
A vida é curta demais para gente deixar para lá o que a gente mais quer.
Lutar por essa vida plena.
E aliás, a gente luta pela vida desde o nosso nascimento.
A Vera iaconelli, uma psicanalista maravilhosa, eu vi um vídeo dela retomando um texto de Freud, que ele fala sobre o nascimento.
21:40
Então a psicanálise diz que a natureza não nos equipou para o nascimento, porque a gente nasce, o bebê nasce e vai a óbito.
Isso é empiricamente observável.
Um bebê nasce, nasceu, coloca em cima da maca, ele vai morrer, nasce e vai a óbito.
21:57
A menos que alguém o queira e o salve, aí ele sobrevive.
Hoje eu sou essa pessoa adulta, eu preciso querer essa vida e salvar essa vida e me salvar dessa vida que eu tô pra alcançar essa vida.
22:15
É um esforço, é uma luta e a Liberdade é um túnel que se cava com as mãos.
A gente tem que cavar, a gente tem que se esforçar.
A gente não pode abrir mão do nosso desejo.
É um esforço muito.
22:28
Pessoa 2
Nossa, é tão profundo isso que você falou, né?
É, o bebê nasce e ele só não morra, não morre a menos que alguém o queira e o salve.
E talvez isso seja, talvez não, né?
Isso é a vida em ter a vida.
22:42
Pessoa 1
E hoje eu tenho que me salvar porque eu sou adulta que protege essa criança que está dentro de mim.
Eu tenho que me esforçar por me proteger da morte o tempo todo, indo de novo pra pra filosofia, saindo da psicanálise, indo pra filosofia.
22:57
Tem um filósofo que fala sobre isso, baruk spinoza.
Ele traz o conceito de conatus.
Conatus é esse esforço que todo ser vivo tem, de manter a própria vida.
Então, todo ser que tem vida, ele luta pela sua sobrevivência, pela preservação da sua vida.
23:18
Seres inanimados não tem conatos, segundo Espinosa.
Então você pode pegar um martelo e bater numa Pedra até ela virar pó, mas você não faz isso com ser vivo, porque o ser vivo vai se proteger.
O próprio processo de cicatrização é conatus.
É um esforço em manter a minha vida, essa luta pela.
23:36
Pessoa 2
Vida não conheci esse conceito de Espinosa.
23:39
Pessoa 1
A Espinosa, ele tem 111 teoria, a teoria dos afetos.
Maravilhosa pra gente conversar aqui, a teoria dos afetos.
Espinosa analisa como que os corpos nos afetam a partir dessa ideia de conatus.
Então, o conatus é um esforço para eu manter essa vida que está dentro de mim, que Espinosa chama de potência ativa, bem parecido com a pulsão de vida de Freud.
24:04
E bem parecido com aquilo que nessa versão Moderna a gente fala energia vital.
Então todo mundo tem dentro de si uma energia vital, que Espinosa chama de potência ativa, que é uma quantidade de energia para gente viver.
Conatus é essa proteção dessa energia vital, dessa potência ativa.
24:23
Só que essa potência ativa ela é oscilante, ora ela sobe, ora ela desce.
E para Espinosa tudo é corpo.
Tudo que está ao nosso redor é corpo e me afeta.
Daí vem a teoria dos afetos.
24:39
Então, se tudo é corpo, por exemplo, o cafezinho que o moço vai passar aqui, o aroma do café é um corpo que vai afetar o meu corpo.
Eu vou sentir cheiro de café e ficar com vontade.
Eu saio lá na rua, o Sol, a luz solar, é um corpo que ao tocar a minha pele vai alterar minha temperatura corporal.
24:59
Então tudo é corpo e tudo me afeta.
Inclusive pessoas, então existem pessoas que aumentam a minha energia vital e outras que diminuem.
25:11
Pessoa 2
Que é o elan vital.
25:12
Pessoa 1
Né?
É, e a teoria dos afetos é justamente essa análise, quais pessoas aumentam a minha energia vital e quais sugam?
Porque às vezes, só de você estar perto de uma pessoa, ela nem abre a boca, você já sente.
25:29
Que a sua energia está indo embora.
Ela está drenando a sua energia, outras te recarregam.
E apesar dele ser determinista, Espinosa trabalha com a ideia de Liberdade.
Liberdade para Espinosa, é detectar, evitar e unir, se detectar.
25:47
Quais encontros me são favoráveis e desfavoráveis?
Evitar os encontros que drenam a minha energia e me unir aqueles que aumentam a minha energia vital.
Isso é Liberdade para Espinosa.
26:05
Nossa, que fantástico.
Então, a teoria dos afetos de Espinosa.
Você já gravou um vídeo falando sobre isso?
Ainda não.
26:13
Pessoa 2
Você grava, senão vamos gravar junto, então isso aí é fantástico.
26:20
Pessoa 1
Então, às vezes a gente acha que isso é coisa de de esoterismo, de misticismo.
Não, isso é filosofia, isso é psicanálise.
Nós nos afetamos, os corpos nos afetam e a gente precisa saber detectar.
26:37
Se eu estiver muito perto dessa pessoa por muito tempo, eu vou sair destruída.
Acabar com a energia vital, sabe?
26:44
Pessoa 2
Fala isso, proteja sua energia.
26:46
Pessoa 1
Exatamente.
Tem uma frase bíblica, né?
Proteja o seu coração.
E olha como que Deus é sábio, né?
Deus colocou o nosso coração protegido.
Meu coração está dentro de uma caixa torácica, vértebras, veias, cartilagem.
27:02
Está protegido.
Tanto que o bebezinho, o bebezinho que nasce com o coração para fora, ele não, não, não sobrevive.
Então nós precisamos proteger o nosso coração.
Isso das pessoas, dos encontros, mas também daquilo que eu assisto, daquilo que eu ouço, tudo corpo.
27:22
Então o vídeo é um corpo que vai me afetar, que nem o aroma do café.
A música que eu ouço é um corpo, assim como a luz rolar.
27:30
Pessoa 2
Gente, eu falei isso ontem.
Meus filhos queriam me mostrar os vídeos de lá, daquele tanto de ataque de tubarão que teve ontem.
Eu falei, eu não vou assistir, é, sou dessas, também não vou assistir.
Discussões se chegar num certo ponto do assunto casamento, por exemplo, vira e mexe eu falo, não vou falar mais a partir daqui.
27:47
AI, mas você é muito egoísta.
Você fala, só não sei o que.
Não vou mais falar a partir daqui.
27:52
Pessoa 1
Isso proteger essa partir.
27:53
Pessoa 2
Daqui eu não falo, não falo exatamente, não vou.
Vai me fazer mal.
Eu vou falar, não vou fazer.
28:03
Pessoa 1
Por que que Deus colocou o nariz em cima da nossa boca?
Outro dia eu estava pensando nisso, aquela coisa que eu penso.
28:10
Pessoa 2
Filósofo é isso, fazer nada?
Vou pensar em posição do mundo.
É, ué?
28:16
Pessoa 1
Porque quando eu vou comer alguma coisa, vamos viajar.
28:21
Pessoa 2
Aqui, AI, que engraçado.
28:22
Pessoa 1
Quando eu vou comer alguma coisa, antes de eu comer, mastigar, eu sinto cheiro.
28:27
Pessoa 2
Se estiver estragado, eu não como.
28:29
Pessoa 1
O nariz é o setor de qualidade do meu corpo e ninguém em sã consciência come uma comida estragada.
Mas a gente consome vídeo estragado, música estragada, ambiente estragado e.
28:43
Pessoa 2
A.
28:45
Pessoa 1
Gente tem que detectar, evitar e se unir.
Eu sou dessas também.
Eu começo assistir um filme.
Nos primeiros minutos eu já sei se aquele filme vai me fazer bem ou vai me fazer mal.
Se eu sinto Ah, não quero assistir, começo a ouvir uma música.
29:00
Hum, essa música não vai me fazer bem.
Hoje eu não tô boa pra ouvir uma música triste.
Não vou ouvir, vou ouvir outra.
Essa é a teoria dos afetos de Baruch Espinoza, saber interpretar como que está o meu interior, detectar, evitar aquilo que diminui a minha potência ativa e me unir aquilo que aumenta a música, principalmente a música.
29:22
Ela muda o ambiente, ela muda aquilo que a gente traz dentro da gente.
Aumenta a nossa energia ou diminui?
29:30
Pessoa 2
E é tão engraçado, né?
Porque aí a gente vai entendendo a vida plena para cada um e criando mecanismos, inclusive de alto respeito, né?
Eu tenho percebido muito isso.
Eu faço coisas que eu jamais faria na vida, do tipo assim, Ah, nem vou dormir amanhã.
29:47
Isso vai estar bem, menor coisa que eu nunca faria, porque eu sou extremamente racional.
Então eu eu acho que você tem que ir na coisa até o tal pra resolver.
Atualmente eu me percebo nessas situações assim, 8 e meia da noite falo, eu vou dormir.
Mecanismo de fuga mesmo.
30:02
Fuga é proteção, vou dormir.
Não quero mais pensar sobre isso, não quero mais entender isso.
Eu vou dormir, vou tomar um banho, tomar um cheiro de camomila e dormir.
Amanhã talvez isso esteja menor e realmente no outro dia eu acordo e a coisa realmente está numa outra perspectiva.
30:19
Então é, é, é até isso.
Eu vi a como é que chama?
Que é a cantora que namora o Juliano floss, Marina Sena, Marina Sena.
Eu vi um podcast dela maravilhoso, achei tão interessante.
Eu me reconheci porque ela tava falando assim que quando ela era pequena, ela tinha um movimento que só agora na vida adulta que Ela Foi entender.
30:39
Ela falou assim que ela demorava uma semana para entender certas coisas.
Aí ela pensou assim, gente, eu devo ter algum problema cognitivo, porque alguém falava um negócio e aí ela disse que ficava sem entender.
E aí a medida que ela percebia e uma semana depois, ela tinha entendido aquilo.
30:55
Mas lá na infância e na adolescência, aquilo para ela era um problema.
E que agora, na vida adulta, ela entendeu.
Ela tem um time.
Então eu hoje eu respeito tanto esse meu time, acontece alguma coisa no meu relacionamento, na minha vida profissional, eu não atropelo, eu entendo que esse é o meu mecanismo de proteção para é o meu setor de qualidade, então eu não me atropelo, eu entendo, eu preciso de uma semana para isso.
31:22
Ela falou, e eu hoje eu percebi que isso não é defeito, isso é 1 MB de uma qualidade e é o meu jeito, sei de existir.
Passa muito por essa perspetiva, né?
É algo.
31:31
Pessoa 1
Particular.
Uma coisa importante também, Andréia, é nós observarmos como meu interior eu observar como meu interior reage, como que eu sinto e por isso que é sempre essa máxima socrática conhece a ti mesmo e conhecer internamente.
31:49
Quando eu estou na presença da Andréia, como que está o meu interior?
Isso tem um nome, presença de comando e presença de submissão.
Tem pessoas que isso.
32:00
Pessoa 2
Esse presente de comando, presente de submissão, Aristóteles.
32:03
Pessoa 1
Não é presença de comando, é algo da psicologia.
32:07
Pessoa 2
A tá?
32:08
Pessoa 1
A presença de comando é a autoridade da pessoa.
Tem gente que tem presença de comando.
A pessoa chega, você sente a autoridade dela.
Tá na pisada, tá no jeito que ela fala, o jeito que ela sente que ela se comporta.
Tem autoridade e tem gente que tem presença de submissão.
32:27
Agora, isso é está relacionado ao jeito de se vestir, ao tom de voz?
Está.
Mas não somente.
É algo muito subjetivo.
O cachorro sente.
O cachorro sente quando você tem medo, quando você tem presença de submissão, como?
32:42
Pessoa 2
Cavalo sente uma coisa louca.
32:45
Pessoa 1
Agora, mais interessante ainda, Andreia, é a gente perceber que certas pessoas ativam a minha presença de submissão.
Por que?
Recentemente eu ouvi uma pessoa que disse assim, ele, que no caso, infelizmente era o namorado.
33:01
Ele faz com que eu mude.
Quando eu tô perto dele, eu não sou eu, eu sou outra pessoa.
Eu me comporto de uma forma diferente, meu tom de voz é outro, meu jeito de falar é outro.
Quando eu tô com os meus amigos, eu sou eu.
33:14
Pessoa 2
Mas quando eu tô perto dele, eu sou outra pessoa.
33:18
Pessoa 1
Porque há algo dentro de mim que se intimida na presença dessa pessoa que representa alguém lá do passado que me feriu.
Então a minha criança interior me protege.
Eu fico encurralada e eu não sou eu.
Eu passo a interpretar um papel que winnicott chama de falso selfie.
33:37
Pessoa 2
Você tem alguém que te faz estar nesse lugar de presença, de submissão?
33:41
Pessoa 1
Já, já tive mais intensamente hoje.
É, às vezes, Andreia, a gente tem que é que nem a coragem.
A coragem elit Stein, que é uma filósofa, ela fala que coragem é ir com medo.
34:00
Às vezes a coragem é, você está morrendo e medo, mas você convence a você mesmo que você não está com medo.
Então se entra alguém aqui no estúdio, está só nós mulheres, aqui está o Jorge.
34:17
E aí é um assaltante, o Jorge, ele vai tá morrendo de medo, mas ele vai fingir coragem e vai lá e vai enfrentar isso, não é coragem.
Então é como o sono antes de dormir, a gente finge que tá dormindo, tá dormindo.
34:35
E aí esse é o caminho pra a gente vencer essa presença intimidadora.
E a gente precisa vencer, mas muitas vezes a gente precisa mudar de ambiente também.
Eu Acredito muito nisso, porque quando eu me relaciono com alguém, eu estou me relacionando com alguém que vai mudar meu sistema nervoso central, vai alterar a forma como eu durmo, como meu estômago digere os alimentos.
35:00
Relacionamento não é detalhe, é estrutura.
E às vezes a gente precisa mudar de ambiente.
Porque a mesma pipoca que na praça custa 5 BRL, no cinema custa 25.
É a mesma pipoca agora no ambiente errado.
35:17
Mesmo que você faça o masse é o máximo.
Isso nunca vai ser valorizado e muitas vezes se valorizar é você parar de se oferecer para quem não te dá valor.
Fizeram um experimento científico.
Muito interessante.
Experimento social com o violinista da Europa chamado joshuabel não sei se você já viu esse experimento.
35:37
Ele é um violinista muito famoso, um dos melhores do mundo.
Lota os concertos da Europa.
E aí eles pegaram esse rapaz.
O violino dele custa 3,5 milhões de dólares.
35:49
Pessoa 2
Nossa.
35:50
Pessoa 1
Aí colocaram ele para tocar no metrô, só que ele estava vestido de moletom, de bonezinho com violino.
Metrô no horário de pico?
Centenas de de pessoas passaram por ele.
Sabe quantas pararam para ouvi lo e tocar 7?
Naquele dia ele arrecadou 32 USD tocando num violino de 3,5 milhões de dólares.
36:12
No dia anterior ele lotou um concerto.
O ingresso mais barato custava 500 USD.
Então, permanecer no lugar que eu não sou valorizada é trair a pessoa que eu lutei muito para me tornar.
E por isso.
36:28
Pessoa 2
Permanecer no lugar onde eu não sou valorizada é trair a pessoa que eu lutei muito para me tornar.
36:36
Pessoa 1
E por isso eu preciso detectar quem eu sou nesse ambiente, com essas pessoas e muitas vezes evitar mudar o ambiente, porque o ambiente ele é muito importante na construção da nossa vida plena.
36:53
Para que a gente possa ser agente mesmo, você falou?
36:56
Pessoa 2
Que relacionamento não é detalhe, é estrutura.
Fala um pouco mais sobre isso.
37:01
Pessoa 1
Quando eu me relaciono com alguém, eu e essa pessoa, nós somos 2 sistemas nervosos tentando se equilibrar e 2 crianças interiores tentando se acolher.
Então isso impacta muito a minha saúde.
37:19
Isso impacta muito a forma como eu vou viver a minha vida.
E, muitas vezes, saúde mental também é deixar de conviver com quem me adoece e conviver com quem não me adoece.
Isso também é saúde mental, porque a teoria dos afetos de Espinosa nos diz que os corpos nos afetam, me afeta.
37:41
Não tem como.
E por mais que eu me proteja, alguma coisa vai afetar.
E isso tem relação com aquilo que nós estávamos falando sobre.
Por que que eu sou assim?
Por que que eu reajo assim?
37:56
Quando a gente fala da teoria dos afetos, nós estamos falando de detectar, de se ouvir, se conhecer.
E o verdadeiro autoconhecimento que Sócrates propôs lá nas ágoras, 5 séculos antes de Cristo é o autoconhecimento, sobretudo do meu inconsciente.
38:15
Eu falar que eu me conheço a partir daquilo que eu sei de mim, da minha razão, é muito fácil.
Eu falo, ó, eu sou isso, eu sou aquilo, eu me conheço.
E tem muita gente que fala assim, Ah, eu me conheço, até que algo acontece e eu tenho uma reação que surpreende a mim mesma, não, eu me conheço, mas o que eu quero fazer eu não faço.
38:33
O que eu não quero fazer, eu faço, não, eu me conheço, mas de repente tem uma crise de choro Do Nada ou uma crise de raiva Do Nada, Do Nada, nunca é Do Nada, sempre vem de algum lugar dentro da nossa mente.
Nós temos pontos cegos que nem o carro.
38:50
Então, aquela lataria fundo do carro é um ponto cego.
De repente eu vou dar uma ré, tem uma moto atrás e eu caso um acidente.
Dentro da minha mente existem pontos cegos que eu não enxergo racionalmente e que podem causar muitos acidentes se eu não conhecer.
39:08
E como conhecer novamente a temática da criança interior?
Às vezes a pessoa diz assim, por que que eu sou tão ansiosa?
Por que que eu tenho transtorno de ansiedade?
Da onde vem esse transtorno de ansiedade?
A pergunta é muito boa, mas talvez você não tenha encontrado a resposta ainda, porque a resposta ela está lá na sua criança.
39:29
Então pergunte para a única pessoa que tem a resposta, sua criança interior.
Pergunte para sua criança interior por que que você tem transtorno de ansiedade?
E talvez ela te lembre daquilo que aconteceu lá na infância, que desencadeou esse sistema de luta e fuga.
Que fez você ter ansiedade precocemente, te gerando essa sequela?
39:47
Pergunte para sua criança interior por que que você não consegue descansar?
Tem gente que não consegue descansar.
Ela deita no sofá.
Ela se sente culpada de descansar.
Já atendeu gente assim?
Novamente, foi um das mulheres.
Não só mulheres, mas principalmente das mulheres, né?
40:03
Eu sento no sofá, eu me sinto culpada.
Parece que eu tô devendo.
40:06
Pessoa 2
Com um amigo meu pra praia.
Eu contei isso aqui ontem, lá pela quarta-feira, era 7 dias de pacote.
Lá pela quarta-feira ele falou assim, André, será que tá certo mesmo esse aqui?
Eu falei, como assim, gente?
Ele falou, será que tá certo?
Será que não deveria era tá trabalhando, deveria tá lá na empresa, eu aqui numa praia 7 dias, será que tá errado?
40:24
Pessoa 1
Ó lá da onde vem isso?
Pergunte pra sua criança interior.
Talvez ela te lembre que na sua infância, para você ser amado, você tinha que ser útil.
40:32
Pessoa 2
Pai dele, depois ele para trabalhar com 10 anos.
40:34
Pessoa 1
Vem daí, é de lá que vem.
Agora, quando nós falamos de relacionamento, Andreia, nós também estamos falando de ouvir a minha criança interior, porque essa intimidação vem dela.
Eu, recentemente, uma pessoa que eu amo muito, me disse assim, olha.
40:53
Eu comecei a descobrir nesse processo de autoconhecimento da criança interior.
Eu comecei a descobrir muitas feridas na minha criança interior e eu fui compartilhar isso com meu irmão mais velho.
E eu falei, olha, eu descobri na infância muitas dores e esse meu irmão mais velho jogou um balde de Água Fria, falou, AI que frescura, AI, que mimimi.
41:14
Eu sofri muito mais que você.
E aí ela falou que ela sentiu uma dor muito grande.
A dor vem da criança.
De ter sido tratada novamente com o mesmo desprezo de lá de trás.
Então é necessário também eu proteger a minha criança interior, mudando o ambiente, deixando de falar certas coisas com certas pessoas que não vão tratar esse assunto com o respeito que ele merece.
41:40
Porque a infância é uma Terra que a gente pisa a vida toda e eu não posso permitir que o outro pisoteie uma Terra que é sagrada.
41:47
Pessoa 2
Boa, eu?
41:48
Pessoa 1
Preciso proteger?
41:50
Pessoa 2
Você acredita que a nossa criança tem algumas soluções também?
Vou te dar um exemplo, ontem eu me lembrei disso quando eu era criança, quando eu tava triste eu dormia, olha aí ontem eu me lembrei disso, principalmente quando eu tava muito triste, que eu não entendia como resolver, eu dormia, é você acredita que é É Ela assim, é uma é uma pergunta muito, muito aqui mesmo, de de amigas assim.
42:19
Que não, talvez não esteja em teoria nenhuma, que seja talvez um jeito de elaboração, porque parece que no outro dia eu acordava, não é que eu fugia da situação, mas ela tava menor.
Por exemplo, meu pai e minha mãe brigava muito na minha cabeça de criança, aquilo não fazia muito sentido.
42:34
Era umas brigas que talvez hoje, se eu fosse avaliar, talvez nem eram tão grandes assim, mas para minha mentalidade de criança era gigante.
Aí eu dormia quando acontecia uma briga e tava muito, eu tava muito triste com aquela situação, eu dormia, aí no outro dia eu acordava.
Eles já estavam melhores.
42:50
Parece que eu dimensionava o tamanho do negócio e eu consegui entender melhor.
Você acredita que a criança tem um pouco dessas, que é o que a Marina falou?
Minha criança, ela demorava para entender e agora eu trouxe isso para vida adulta.
EE eu entendi que é meu jeito de entender.
43:06
Pessoa 1
Com certeza, quando isso é algo positivo, como por exemplo, dormir, que é bom, ótimo, mas tem muitos comportamentos que são nocivos.
Aí a gente precisa educar crianças regular.
43:20
Pessoa 2
Exemplo.
43:21
Pessoa 1
Exemplo, compulsão alimentar podem ter muitas causas.
43:24
Pessoa 2
Boa.
43:25
Pessoa 1
Muitas causas boa, dentre elas uma criança que lá na infância ouviu muito a seguinte frase, engole o choro, e aí o adulto, ele tem esse registro, porque o jeito que os meus pais, os cuidadores falaram comigo é a forma como eu me trato.
43:44
Eu me repercute até hoje na minha vida.
E aí hoje, essa pessoa adulta, todas as vezes que se depara com uma emoção difícil, o que que ela faz?
Engole, só que com comida, engole o choro.
Vem uma emoção difícil, eu engulo e eu vou pra geladeira.
44:01
Eu vou pro doce porque é um registro.
Aí não é bom.
Continuar a fazer aquilo que eu fazia.
Aí eu preciso regular?
Ótimo.
Então existem comportamentos que são ok, como dormir, como esperar uma semana e outros que eu preciso regular.
44:19
Eu preciso sentar com a minha criança interior, ouvir essa angústia novamente.
Ouvir é.
44:23
Pessoa 2
Entender então que na sua criança é recurso.
E o que é patológico.
Exatamente.
Tem coisa lá da criança que é um recurso.
Tem coisa que é patológico.
44:34
Pessoa 1
E muitas vezes são coisas que não tem conexões, mas eu preciso ouvir, ouvir a minha criança interior, por que que eu me comporto dessa forma?
Você falou de relacionamentos, né?
Hoje nós temos 111 compreensão daquilo que nós entendemos como dependência emocional.
44:54
Winnicott.
Ele vai trabalhar com o conceito de constância, objetal.
Então o winnicott, ele analisou as crianças.
Ele era pediatra, né?
Então o foco dele estava na criança e ele percebeu que a criança, no início da vida, ela se vê como uma unidade inseparável com a mãe, uma coisa só.
45:18
E aí começa se o processo de desligamento natural da vida e é muito doloroso para criança, no início, para ela perceber que ela é um indivíduo e que mamãe é outro indivíduo.
Pra amortecer o peso dessa dor do primeiro desligamento, ela elege um brinquedinho, um cheirinho, um paninho, que ele vai chamar de objeto transicional, que é um objeto que vai ser.
45:44
É como se fosse uma relíquia da mãe.
45:46
Pessoa 2
É a fraldinha que a criança arrasta pra cheirar pra.
45:49
Pessoa 1
Dormir um pedacinho da mãe aqui comigo?
Só que o seguinte passo desse processo é a constância objetal.
É quando a criança consegue manter a imagem da mãe internamente.
46:04
Pessoa 2
Sem precisar do objeto de transição.
Está dentro de mim.
46:07
Pessoa 1
Então, constância, objetal, é eu me sentir amada mesmo quando eu estou sozinha.
Tem muito adulto que não tem constância, objetal, que não se sente amado, que não se sente completo quando está sozinho.
46:23
Se a sua paz depende do outro, isso não é paz, isso é dependência emocional.
E dependência emocional é o contrário do amor.
Às vezes a gente acha que depender do outro faz parte do amor, não.
46:37
Pessoa 2
É o contrário, você se sente amado quando você está sozinho.
46:42
Pessoa 1
Completo que a gente não é metade laranja de ninguém, né?
46:49
Pessoa 2
Eu falo assim que existe um conceito óbvio, né?
Ah, pra ser casado você tem que ser solteiro.
Óbvio, não, não é óbvio, né?
Solteiro só e inteiro.
Isso eu só posso me juntar com outro quando eu sou só e inteiro enquanto eu sou só e fragmentado eu não vou virar casal.
47:10
Exato, não vira casal, 2 fragmentos só vira casal quando tem alguém só e inteiro exatamente quando eu consigo ser feliz com a minha presença.
Aí eu estou pronto para me juntar a outra pessoa, enquanto eu preciso de alguém para me fazer feliz.
47:25
Eu não estou.
Não estou pronto para virar casal.
47:28
Pessoa 1
Porque se eu estou do seu lado, porque eu dependo de você, isso não é sobre você, é sobre necessidade minha.
47:34
Pessoa 2
Você gosta de ficar sozinha?
47:36
Pessoa 1
Adoro, amo AA preciso e se chama solitude.
47:41
Pessoa 2
E o que que você faz quando você está sozinha?
47:43
Pessoa 1
Ah, é muita coisa.
47:45
Pessoa 2
Acontece dentro de mim os pensamentos, adoro.
47:49
Pessoa 1
Uma coisa que eu gosto muito, Andreia, eu tava conversando com você no café, né?
Adoro.
Pra mim Oo meu hobby predileto é sentar embaixo de uma árvore em um lugar de natureza e ficar em silêncio, só contemplando, só ouvindo, lendo, às vezes escrevendo.
E aí certa vez eu tava embaixo de uma árvore e eu tava pensando sobre a minha vida, pensando nossa, minha vida.
48:10
Ela precisa mudar, não precisa melhorar de vida.
E eu sou apaixonada na pessoa de Jesus.
Tudo que ele falou eu levo muito a Sério.
E eu me lembrei de uma coisa que ele falou sobre vida nova, nascer de novo.
E nessa parte do evangélico que Jesus fala que é necessário nascer de novo, ele fala de vento.
48:31
Eu fiquei pensando, o que que tem a ver vento com nascer de novo?
E bem nessa hora ventou e uma folha solta passou assim na minha frente e caiu.
E aí me veio o seguinte, inside, para essa folha mudar de lugar, movida pelo vento, ela precisou estar solta, desprendida da árvore e ser leve.
48:56
Então, para que a minha vida mude, eu preciso me desprender dos meus apegos, das minhas dependências e ser leve.
49:03
Pessoa 2
E.
49:04
Pessoa 1
Aí a partir desse dia, tudo que eu compro, ele tem folha, Emanuel tem folha, o colar tem folha.
E não é para os outros, é para mim.
É para que toda hora eu bata o olho e lembre, para que a minha vida mude, melhore.
Eu preciso ser solta e leve.
49:21
Pessoa 2
Eu falo assim, o Jorge fala assim, gente, tudo certo porque você não dirige, as pessoas criticam, dirijo, eu dirijo.
Fiz até o processo de tirar carteira.
Eu só opto por não dirigir.
Ok, André, por que que você não dirige?
Porque tudo me diz muito, então dirigir me demanda, porque passa um passarinho.
49:41
Eu escreva um livro sobre aquele passarinho, então a mulher brigando com o fim na rua, dá 10 vídeo, então pão de queijo.
Eu já chorei ali, então o tempo que eu dirigi isso me cansava tanto.
Eu falava, gente, eu tô perdendo tanto tempo tendo que focar nisso daqui.
49:59
Então eu falo que a nossa cabeça, eu, quando eu era pequena, eu perdia demais.
Toda hora eu perdi a da minha mãe, eu IA no mercado, eu perdi, eu IA no parque de posições, eu perdi, eu IA nos shows, eu perdia.
Eu era criança que eles viviam anunciando dona Maria Helena, sua filha que tá aqui no palco.
50:16
Por que que eu perdi?
Porque passava um balão, eu IA com o balão ali, eu pensava em como seria Marte, Vênus untada naquele balão, e eu IA com o balão.
Então eu eu acho muito interessante por isso.
50:32
Eu te perguntei, né, você, você, você quer, tem quanto você quer?
Eu achei muito engraçado, você gosta de ficar sozinha, gosto, você gosta de fazer nada, gosto.
E o que que você faz quando você faz nada?
Não, eu faço tanta coisa, é uma folha que cai, gera um insight gigantesco, é uma vida muito intensa interna.
50:51
Pessoa 1
Exatamente muita atividade, né?
50:53
Pessoa 2
E aí você senta lá debaixo de uma árvore, você fica horas.
50:56
Pessoa 1
Horas deixar eu fico horas inclusive amanhã eu vou pro Parque do Sabiá.
Pretendo ser um Sabiá ali.
A nota é, mas não pode ir para produzir, né?
Senão não vem a inspiração.
Tem que ir para Star, você não vai para produzir, não pode ir.
51:15
Se eu vou para produzir, eu não produzo.
Tem que estar No No ócio para ele ser produtivo.
51:21
Pessoa 2
Você vai para você sentar debaixo com uma árvore?
51:23
Pessoa 1
Para estar a sós comigo mesmo, com Deus, Eu Acredito, Andreia, que Deus está dentro de mim.
E aí vem?
51:32
Pessoa 2
A.
51:33
Pessoa 1
E aí por isso que a gente tem que buscar essa Liberdade interior.
Porque tudo que eu preciso está dentro de mim.
Eu preciso acessar, eu preciso mergulhar em mim mesma para descobrir isso.
E é nessa que a gente encontra a nossa completude e se relaciona bem com o outro, nessa leveza, nesse desprendimento, nessa Liberdade.
51:57
Somente quando eu não dependo de você é que eu consigo me relacionar com você de uma forma saudável.
Porque se eu dependo de você, isso não é sobre você, é sobre mim.
Eu estou te usando para uma necessidade minha.
52:11
Pessoa 2
E por isso, relações de utilidade são tão cansativas exatamente porque não é sobre você.
52:17
Pessoa 1
Exato, exatamente.
E uma coisa quando a gente fala de leveza, de vida leve, que eu vejo que é muito importante para a vida plena.
É nós desenvolvermos o perdão.
Se tem uma coisa que pesa a nossa vida, que nos impede de de sermos levado pelo vento da mudança, é a mágoa.
52:40
A mágoa.
Ela é uma má água, corrosiva.
52:44
Pessoa 2
Que é uma água ruim, uma água cor.
52:46
Pessoa 1
Dói por dentro e às vezes a pessoa está assistindo, ela está pensando na pessoa que.
Machucou, que prejudicou e está pensando assim?
Mas essa pessoa não merece o meu perdão.
Ela não merece, mas você merece.
E perdoar.
53:01
E é muito importante a gente falar que perdoar não significa conviver exatamente.
Muitas vezes é justamente.
53:08
Pessoa 2
Contato assim, perdão dado, acesso negado.
53:12
Pessoa 1
Perdoar é você, internamente, se soltar.
E só existe uma forma da gente perdoar, Andreia.
É quando a gente se eleva.
Quando a gente eleva a nossa vida, a gente perdoa, tem uma história.
53:27
Pessoa 2
O que é isso?
53:28
Pessoa 1
Eu vou.
Eu vou explicar isso através de uma fábula, de uma história que eu gosto muito, que é a história da águia e do corvo.
Então, Era Uma Vez numa floresta, uma água e um corvo que moravam juntos na mesma floresta.
E todos os dias o corpo ficava observando a águia a voar.
53:46
E essa observação se transformou em inveja.
Que se transformou em ódio, ódio mortal.
E ele bolou um plano de matar aquela águia numa Bela manhã.
A águia ela pulou, saltou para o seu voo e o corvo pulou em cima e se atarracou nas costas da águia e começou a bicar o seu pescoço num lugar que a águia não alcançava nem o seu bico nem as suas asas.
54:13
Só que ele começou a bicar de morte.
E ela.
Sentiu que ela tava morrendo, mas ela não tinha como se defender.
Ela começou a girar no ar, se sacudir no ar, mas ela não se livrava daquele corvo.
Então ela fez o que melhor sabia fazer.
54:30
Ela voou.
Só que naquele dia ela não simplesmente voou.
Ela focou toda a energia dela no voo e ela subiu, subiu, subiu, subiu, subiu a uma altura que o oxigênio ficou rarefeito.
54:46
E a pressão atmosférica fez com que o corvo se sentisse mal.
E aí ele soltou e caiu, e a águia continuou a voar.
Porque aquele ataque ela não venceu lutando, ela venceu se elevando.
55:02
Quando é que a gente perdoa?
Quando a gente se eleva.
E às vezes é justamente essa pessoa que bicou o meu pescoço, que fez com que eu voasse mais alto.
Porque se não fosse essa pessoa, essa ferida, eu não teria lutado tanto para ter uma vida plena.
55:21
Se não fosse essa pessoa me machucando, me incomodando, eu não teria me esforçado tanto e não teria alcançado esse voo tão alto.
55:30
Pessoa 2
Como é que eu me elevo na prática?
55:33
Pessoa 1
Focando em você, nos seus projetos, na sua potencialidade, naquilo que você tem de melhor.
Se buscando se conhecer, tem algo que curativo.
55:49
Pessoa 2
Isso é tudo que você tá falando?
55:51
Pessoa 1
Você sabe que eu assisti 11 pedaço do podcast que você gravou recentemente com os 3 irmãos?
Maravilhoso.
55:58
Pessoa 2
Você falou uma coisa ali, são?
56:01
Pessoa 1
São muito?
56:02
Pessoa 2
Bons mesmo.
56:03
Pessoa 1
É, você falou uma coisa ali que eu achei fantástica.
Eles perguntaram assim para você, você se lembra dessa pergunta?
André, agora que você tem milhões de seguidores, como que é a relação com pessoas narcisistas?
Tem muitas pessoas narcisistas.
Aí você falou não, você lembra dessa resposta, não, você falou não.
56:21
Agora que eu tenho milhões de seguidores, eu não tenho tanta gente narcisista na minha vida.
Aí você disse assim, porque AAA presa de pessoas narcisistas a vítima de pessoas narcisistas, são pessoas fracas.
56:34
Pessoa 2
Isso eu lembro.
56:36
Pessoa 1
E aí você falou assim, agora eu tô forte?
Agora eu, eu, eu tenho um poder, né?
De comunicação, enfim, tenho uma vida empoderada e não sou alvo de narcisista.
Olha lá, então, como que é o caminho contrário?
Como que você se livra de pessoas narcisistas, se elevanta subindo nu, e aí você começa a subir e você percebe que você só subiu tão alto por causa desse corpo.
57:03
Você passa até agradecer a pessoa que te feriu, aí você perdoa.
57:07
Pessoa 2
É porque o verme ele sobrevive da sua vulnerabilidade, né?
57:10
Pessoa 1
Exato.
57:11
Pessoa 2
O verme ele, quanto mais rasteiro apodrecido caído você está, mais o verme me vem muito aquela imagem.
Não sei se você lembra essa foto ganhou o mundo ano 2000 de um menininho na África, na Etiópia quase morrendo e o Urubu do lado esperando ele cair.
57:29
Ele prostradinho e o Urubu esperando ele cair.
A ave de rapina, ela sobrevive da sua queda mesmo.
Exatamente.
Você precisa estar no chão para essa rapina te pegar.
Então vá.
Suba maravilhoso.
57:44
Pessoa 1
E às vezes, Andréa, a gente passa a agradecer as pessoas pelo que elas nos fizeram, porque se não fosse aquela dor, eu não teria lutado tanto para sobreviver.
Eu falo isso, isso aconteceu comigo recentemente, aconteceu comigo recentemente.
58:00
Eu passei por 11, momento com os amigos, que me feriram muito numa reunião.
E eu senti que naquela reunião, uma parte minha morreu, sabe?
E aí eu fiquei sem me falar com essas pessoas por um longo tempo e recentemente elas me procuraram e eu falei, olha, isso não é deboche, isso não é provocação, isso é sincero.
58:19
Eu agradeço a vocês pela ferida que vocês causaram em mim naquele dia, porque eu senti naquela reunião que uma parte minha morreu.
Mas eu senti que logo em seguida nasceu uma nova versão minha.
58:34
Para novas versões, nascerem as antigas, tem que morrer e muitas vezes se morre de morte matada, não de morte morrida e a gente passa agradecer essas pessoas.
Eu preciso ter uma nova versão, preciso Renascer como a Fênix, só que para isso preciso morrer.
58:51
É como aquela frase de Nietzsche, né?
O que não te mata, te fortalece, é a ostra feliz de Rubem Alves.
Rubem Alves dizia, né, ostra feliz na produção.
59:02
Pessoa 2
Você falando isso, é?
As pessoas perguntam, né?
Nesse ano, sua vida mudou, mudou muito.
Muitas versões minhas morreram, muitas, mas todas as que morreram eram as que precisavam morrer.
Exatamente, exatamente, as que morreram foram as que precisavam morrer, talvez há há muito da ingenuidade do muitas as versões que morreram eram as que precisavam mesmo.
59:26
Exatamente é, é.
Parece aquela cobra que precisa deixar a casca, senão você não vai para o novo aversão da cobra.
Precisa arrancar essa casca velha, então.
59:37
Pessoa 1
O meu pai, ele é veio do sítio, morou muito tempo no sítio e plantava café.
Ele foi para cidade jovem, então ele tem muita sabedoria desse povo tão sábio que é o povo do sítio, né?
E uma vez ele contou para mim uma coisa eu achei assim muito cruel, mas muito interessante.
59:55
Ele plantava café.
E ele disse, é a forma como eles tratavam as plantinhas que não vingavam usando AA linguagem do sítio, não vingavam.
Tinha umas plantinha lá, uma Mudinha de café que não crescia.
Sabe o que eles faziam?
Não sei se fazem até hoje.
Eles pegavam um ferrinho e enfincava no tronco da árvorinha e deixava ela lá.
1:00:15
Ela crescia.
1:00:17
Pessoa 2
Gente.
1:00:18
Pessoa 1
Aí ele, a explicação deles empírica, nada científica, mas empírica é que eles feriam a árvorinha.
E aí a árvorinha, ela se sentia morrendo.
Aí ela tinha que buscar a seiva na raiz e concentrar toda a força dela para sobreviver.
1:00:34
E nessa ela rompia então bendita ferida, que fez eu buscar a seiva nas minhas raízes e crescer.
Bendito corvo, que me bico de morte, que fez eu me levar bendita ferida que matou essa antiga versão que precisava morrer.
1:00:49
O que não te mata te fortalece.
1:00:52
Pessoa 2
Eu brinco assim, desgraças são horríveis de serem vividas, maravilhosas de serem contadas.
Se você escapar, eu faço.
Você passar para uma desgraça.
Escapa porque se você IA escapar, o que vai sair disso daí, meu amor?
1:01:10
Vai sair um dragão, uma pessoa tão gigantesca.
1:01:15
Pessoa 1
Agora tem gente que é, sucumbe, não cresce.
Tem uma análise da lagosta que a psicologia fez, chamada complexo da lagosta a lagosta, ela tem um exoesqueleto.
1:01:30
Pessoa 2
Uma.
1:01:30
Pessoa 1
Casca e ela cresce, só que a casca não.
Então chega um ponto que ela precisa quebrar a casca, romper a casca para continuar se expandindo.
Tem gente que tá exatamente nesse.eu.
1:01:46
Cresci, mas o meu entorno não.
Mas os meus amigos não, mas a minha igreja não, o meu estilo de vida, minha cidade.
E aí eu tô exatamente neste ponto entre escolher qual das 2 dores que eu quero é sempre a escolha de uma dor, ou a dor de permanecer pequena, sufocada e espremida nessa vida.
1:02:09
E muita gente permanece, ou a dor de romper.
Só que para romper começam os conflitos.
O primeiro conflito é o conflito de consciência.
Porque não há nada de errado com os meus amigos.
Não há nada de errado com a minha igreja, com meu estilo de vida, com os meus hábitos, com a minha cidade, com a minha casa.
1:02:30
Não há nada de errado.
Parece ingrato, mas não me cabe mais o segundo conflito que nasce.
1:02:37
Pessoa 2
É nossa EE só.
Aí já dava um livro, né?
É, não há nada de errado.
Só me cabe mais exatamente, né?
Não é que o ambiente esteja errado.
A gente tem mania maniqueísta, ou certo ou errado.
Não é que é errado.
Só que não te cabe mais, né?
1:02:52
Segundo ponto você falou.
1:02:53
Pessoa 1
Segundo conflito que surge é um conflito de uma quebradeira.
Porque imagina do ponto de vista da lagosta, é uma quebradeira.
Tudo começa a quebrar e aí a pessoa, quando ela decide romper, as coisas começam a quebrar.
1:03:09
Primeira coisa que quebra são as minhas certezas.
Segunda coisa que quebra são as amizades, os vínculos.
Muita gente fica sozinho nesse período e aí começam a as minhas seguranças, a lagosta.
Para crescer, ela precisa deixar para trás a antiga segurança, que não lhe cabe mais.
1:03:28
E aí o terceiro grande conflito é a insegurança, porque a lagosta ela é molinha.
Quando ela sai da casca, ela está totalmente desprotegida.
Ela não tem mais aquela antiga proteção, mas é somente assim que a gente cresce.
Quando a gente tem a coragem de romper e é necessário essa força que só pode ser encontrada internamente.
1:03:50
Cênica fala.
Tem uma frase cênica que eu adoro.
Ele diz assim, ó, passe por cima de mim, lance, se contra mim eu vou vencer, suportando o teu ataque.
Tudo que bate contra o que é forte apenas se fere, pela força da própria violência.
1:04:07
Então, quando eu estou forte dentro de mim.
1:04:10
Pessoa 2
Repete a frase.
1:04:13
Pessoa 1
Passe por cima de mim.
Lance, se contra mim eu vou vencer, suportando o teu ataque.
Tudo o que bate contra o que é forte, apenas se fere, pela força da própria violência.
E a gente precisa buscar essa força, como nós estávamos falando no início da conversa.
1:04:32
É somente quando a gente encontra essa força que a gente tem coragem de ser a gente, de encontrar o nosso próprio caminho.
A gente precisa ser muito forte para vencer, para quebrar, porque é muito insegurança.
É muito.
Sócrates falava isso, é muito fácil você seguir a manada, fazer o que todo mundo tá fazendo, a forma como tá fazendo.
1:04:54
E aí a gente começa.
Quando a gente começa a mudar, a gente começa a receber as críticas.
Como?
1:04:59
Pessoa 2
Você é é inerente ao processo.
1:05:03
Pessoa 1
Só que as pessoas, elas sempre vão nos criticar, independente de qualquer coisa.
Tem 111 médico escritor que eu amo, gabon matte, não sei se.
1:05:14
Pessoa 2
Você já viu?
1:05:15
Pessoa 1
Maravilhoso.
Gabon matte.
Ele.
Eu vi um vídeo dele entrevistando uma mulher, era um recorte de uma palestra, e aí dava assim a entender que alguém tinha chamado aquela mulher de monstro.
E aí ele sentou ela e falou assim, como que você se sentiu quando te chamaram de monstro?
1:05:34
Ela falou, nossa, eu fiquei muito ofendida, me machucou muito.
Aí ele disse assim, como que você se sentiria se eu dissesse que é lindo seu cabelo verde?
Aí ela deu risada e falou assim, não sentiria nada.
Ele falou, por que?
Porque meu cabelo não é verde?
1:05:50
E como você se sentiria se eu dissesse que você é um monstro?
Por que que a crítica me abala?
Porque encontra em mim um ponto de vulnerabilidade da minha autopercepção, por isso conhece a ti mesmo.
1:06:08
Como de Sócrates conhece, te aceita, te superate.
Só é forte aquele que se conhece.
E para isso eu preciso saber quem eu sou.
Para isso eu preciso de muito tempo para dar árvore, para saber quem eu sou.
1:06:24
As minhas qualidades e os meus defeitos.
1:06:26
Pessoa 2
Vamos voltar pra debaixo da árvore que você criou aí AA metodologia de conviver a vida plena.
As pessoas devem ficar super curiosa.
Eu teria essa curiosidade, como é que será que É Ela?
Como é que é a vida dela?
O que que ela faz primeiro?
Você acha que você já encontrou o seu modelo de vida plena?
1:06:44
Pessoa 1
Eu acho que ninguém encontrou totalmente.
A gente vai evoluindo numa você tá mais.
1:06:51
Pessoa 2
Perto dele do que 10 anos atrás?
1:06:54
Pessoa 1
Totalmente.
E Andréia, há 10 anos atrás eu olho pra pra essa pessoa de 10 anos atrás.
Eu falo, nossa, não Era Eu não tinha nada a ver comigo, meu Deus, era outra pessoa.
E a gente também tem.
1:07:08
Pessoa 2
Quando a gente fala mais fiel AA sua essência, o seu desejo.
1:07:12
Pessoa 1
Totalmente e por isso hoje eu posso falar que eu tenho uma vida plena porque eu tô em passe.
1:07:17
Pessoa 2
Aí a Miriam tem uma vida plena, ela gosta de ir pra de padar, pro parque Sabiá.
Aí você vai com uma perspectiva de tempo.
Tipo, eu vou sentar de lado daquela árvore?
Perguntas bem básicas, mas eu acho que as pessoas adorariam fazer.
Você vai pra debaixo da árvore, você vai pra uma perspectiva de tempo, tipo, vou ficar lá 4 horas ou você vai de acordo com com a tocada.
1:07:35
Pessoa 1
Depende do dia, né?
Depende da agenda.
Por isso que.
1:07:40
Pessoa 2
Mas tipo assim, amanhã até manhã inteira você vai com isso programado ou é de acordo com a tocada?
1:07:45
Pessoa 1
Tem que ser programado.
Ah, tá, senão não rola, né?
1:07:49
Pessoa 2
Com horário?
1:07:50
Pessoa 1
É de tal hora a tal hora.
1:07:52
Pessoa 2
Ah, tá aí, você vai, você vai.
Ah, hoje eu vou sentar debaixo da árvore.
Pega um livro aí, um.
1:07:56
Pessoa 1
Caderninho Ah, você leva um livro, um caderninho e tchau.
1:08:00
Pessoa 2
Esse livro perspectiva, vou lê lo ou não é?
1:08:03
Pessoa 1
Talvez um fone para eu ouvir, para eu mergulhar.
1:08:08
Pessoa 2
Mas aí se não der vontade você ler o livro, você não vai ler?
É?
Exatamente.
E se não der vontade de anotar nada também, você não vai brifada.
1:08:15
Pessoa 1
Exatamente, não vou roteiriza da eu vou leve.
1:08:19
Pessoa 2
Você vai preparada?
1:08:20
Pessoa 1
Com uma folha?
O vento que soprar me conduz.
1:08:24
Pessoa 2
E gente que não é.
Como assim como uma agente, né?
Mas assim, pessoas que não tem essa perspectiva de sentar debaixo da árvore e não gosta de sentar debaixo da árvore.
Mas às vezes a pessoa, ela se sente muito bem e tem gente que se sente com essa correria da vida.
1:08:40
São Paulo não sei o que, não sei o que, não sei o que, que que seria essa perspectiva de vida plena para ela.
1:08:46
Pessoa 1
É eu.
Eu gosto muito, Andreia, da prática da meditação.
A meditação ela nos introduz para dentro da gente, então, de repente, a pessoa, como você disse lá em São Paulo, ela não tem esse lugar, essa árvore, essa.
1:09:00
Pessoa 2
Natureza e às vezes nem essa vontade tem gente que não é.
1:09:03
Pessoa 1
Mas ela tem como fazer uma meditação de 15 minutos e ter um momento com ela.
Só que a meditação ela é como 11 papiro enrolado que você estica na mesa.
Aí você solta, volta a nossa mente.
1:09:20
É assim.
Então, quem não pratica meditação nos primeiros dias vai ser assim, a mente volta a pensar involuntariamente em 1000 situações eu não consigo entrar, né?
Agora, de tanto insistir como dos Aristóteles, nós somos o que fazemos repetidamente.
1:09:41
De tanto insistir, depois de dias, semanas, meses, você alcança esse equilíbrio de se escutar, de se ouvir, de se olhar.
Essa versão que eu vivo é real, é aquilo que eu desejo, isso que eu tô vivendo, tá?
1:09:58
De acordo com o meu, se eu morresse hoje eu morreria feliz.
Eu me lembro, ano passado eu fui fazer eu fui pro Rio, pra pro podcast da doutora Ana Beatriz, e umas amigas minhas foram comigo, né?
E aí é aí elas falaram assim, nossa, e se a gente morrer no avião, né?
1:10:15
Aí eu falei assim, se eu morrer no avião, eu morro feliz porque eu tô sendo eu.
Se a morte me encontrar hoje, ela me encontra feliz, me encontra satisfeito.
Queria 11 pouco mais de tempo aqui, um bom tempo para continuar, mas eu consegui viver a minha vida.
1:10:34
Eu não vou entrar naquela estatística da doutora Ana Cláudia Quintana, de pessoas que não viveram a sua vida, não, eu tô vivendo, a minha vida é real agora, sabe porque que a gente foge de momentos como esse?
Andreia da gente tá sós com a gente mesmo.
1:10:49
Muitas vezes a gente falou de perdão, né?
Muitas vezes a gente tem dificuldade de perdoar as nossas antigas versões, então eu não quero parar, porque se eu parar, eu penso, eu pensar, eu choro, melhor não parar e aí é melhor eu ouvir, eu assistir, eu estar conversando com barulho, porque se eu paro, eu penso, se eu penso eu choro.
1:11:10
Então o que eu tenho a dizer a todas as pessoas que estão assistindo esse podcast para?
E pensa e chora.
É necessário olhar para a angústia.
Deixar a angústia te falar através dessa bússola do descontentamento, que não tá legal na sua vida e vá atrás de consertar, vá atrás de descobrir.
1:11:32
Ah tempo para isso.
Você tá vivo.
A porta fechada não é do caixão, então dá tempo ainda de encontrar as antigas versões.
Aí o que acontece quando a gente para debaixo da árvore, vem as culpas.
Puxa vida que nem epitáfio, devia ter amado mais, devia ter falado, não devia ter falado.
1:11:53
A gente tem que entender, nessa perspectiva de versões, que dentro de mim existem várias versões em mim mesmo era atrito de éfeso, filósofo, ele trabalhava isso no panta rei.
Então ele traz a alegoria do Rio.
Ele diz, é impossível um homem passar 2 vezes no mesmo Rio, porque a segunda vez não vai ser o mesmo Rio, as águas já terão passado e não vai ser o mesmo homem.
1:12:15
Porque só o fato dele ter passado pelo Rio uma vez, isso já torna ele uma nova versão dele mesmo.
Então, dentro de mim existem várias versões e eu preciso perdoar as minhas antigas versões de não saberem aquilo que só o tempo podia me ensinar.
1:12:31
Isso é alto.
Perdão.
Ah, mas eu devia ter feito, mas não fez.
Mas hoje você tá olhando pra essa sua antiga versão, da perspectiva dessa nova versão.
Com essa mentalidade, com essa força, com esse conhecimento.
Mas eu sabia, mas sabendo é o mesmo que ter condições para fazê lo e por isso é necessário também se perdoar.
1:12:54
Pessoa 2
E até porque o que eu sou hoje é resultado de todo esse acúmulo do que eu fui para trás, errado ou certo?
1:13:00
Pessoa 1
O erro abre portas que o medo jamais abriria.
A gente tem que se permitir errado, porque?
A impermanência, a imperfeição é a condição de tudo que é vivo.
1:13:13
Pessoa 2
Alguém está assistindo podcast e está ouvindo falar de vida plena e está Encantado, Encantado, a pessoa quer muito.
Ela ficou muito sedenta por tudo que a gente falou.
E aí ela tem 5 minutos com você assim, de uma forma bem prática, ela senta na sua frente, fala assim, Miri, muito legal isso.
1:13:29
Tudo que você falou é, quais os passos?
Eu tenho assim.
Bem práticos para que eu possa é descobrir.
Entender o que é vida plena.
É a minha bússola.
Como descobrir a minha práticos assim, ela tem 5 minutos com você, ela não consegue pagar 1 hora com você de sessão, ela tem 5 minutos.
1:13:49
EE você poderia ajudar ela nesses 5 minutos sobre vida plena?
1:13:53
Pessoa 1
Tá primeira coisa é, ela não tem como pagar 1 hora de sessão comigo, mas pague 1 hora de sessão com alguém.
Primeiro ponto, é terapia.
1:14:04
Pessoa 2
Que é a leitura do desejo.
1:14:06
Pessoa 1
O psicanalista, ele lê o seu inconsciente, ele ouve o que você não está dizendo.
Então esteja diante de um profissional que te ajuda a ler o seu inconsciente, porque lá no seu inconsciente você vai encontrar o seu desejo e a partir disso, você vai encontrar a sua vida plena.
1:14:26
Segundo, não tenha medo de encarar a sua angústia, olhe para o seu sofrimento.
Nós estamos vivendo.
1:14:32
Pessoa 2
Numa sociedade.
1:14:33
Pessoa 1
Hedonista.
De busca de silenciar a tristeza, o sofrimento, até via medicação.
Exatamente.
Só que eu preciso olhar para isso AAA raiva, a tristeza, ela é 11 sinalizador de algo que está acontecendo dentro de mim.
1:14:52
Olhe para sua raiva.
O que que te deixa com raiva?
Escute, a sua raiva, é importante.
E terceiro ponto.
1:15:01
Pessoa 3
Tem a coragem?
1:15:02
Pessoa 1
De olhar para si com Esperança tarde.
1:15:07
Pessoa 3
Foi ontem, hoje ainda dá tempo.
1:15:10
Pessoa 1
O melhor dia de se plantar uma árvore foi há 10 anos atrás.
O segundo e melhor dia é hoje, porque hoje é o mais jovem que você vai ser.
Então se encha de Esperança, porque a Esperança nunca engana.
Eu diria isso.
Que lindo, você falou uma coisa.
1:15:24
Pessoa 2
Que me deixou tão assim pensativa, né?
Se a morte te encontrasse hoje ela te encontraria feliz.
O Mário Quintana tem uma frase que eu acho maravilhosa, né?
11 repórter perguntou Pra Ele, o senhor tem medo da morte?
Que ele já estava bem doce.
Ele falou, eu não tenho medo, eu tenho dó.
1:15:41
Ele falou, eu acho uma dota medo.
1:15:43
Pessoa 1
Eu não tenho.
1:15:45
Pessoa 2
Porque é o que você falou, né?
Eu também.
Eu quero.
1:15:47
Pessoa 3
Viver, eu acho.
1:15:48
Pessoa 2
Uma dota que viver só uns 90 eu viveria uns 150.
Eu acho uma pena ter que morrer, mas se a morte me encontrasse hoje, ela me encontraria muito feliz, muito feliz.
Eu gosto muito da da etimologia, das palavras, né?
Cemitério, né?
1:16:04
Lugar da semente sementério é, a gente vem do semen até o sementério, o lugar onde a semente é depositada.
O Aristóteles vai dizer que a semente é a árvore em potência, né?
A semente é é o ato da potência da árvore.
1:16:23
Fico pensando quando eu depositei minha irmã no sementério, a semente que nós depositamos lá.
Não era a semente que ela queria, ela não.
1:16:35
Pessoa 1
Queria ter ido.
1:16:35
Pessoa 3
Embora naquela semente.
1:16:38
Pessoa 2
Então eu fico pensando sobre isso, sabe?
Assim é, qual a semente se hoje eu virasse uma?
1:16:45
Pessoa 1
Semente é.
1:16:46
Pessoa 2
Qual a semente que eu IA devolver para o sementério?
Então eu acho que no final, essa história sobre vida plena é sobre isso, é.
Se a morte me encontrasse hoje, ela me encontraria feliz.
Eu gosto muito de São Francisco de Assis.
Aliás, eu não gosto.
Sou apaixonada por São Francisco de Assis.
1:17:03
Não à toa fui freira franciscana e hoje eu entendo São Francisco.
Quando ele chamava a.
1:17:08
Pessoa 1
Morte de.
1:17:08
Pessoa 2
Irmã à morte a morte para Francisco nunca foi uma inimiga.
Foi uma irmã quem em algum momento ele teria que se encontrar.
Se a morte te encontrar hoje, ela te encontra feliz.
Isso não é sobre a morte.
Se é sobre a vida, nunca é sobre a morte.
1:17:27
Pessoa 3
Na Na, no.
1:17:27
Pessoa 2
Convento, a gente tinha isso, né?
Em retiros de silêncio, a única frase a ser dita era essa, lembra te, de que vais morrer?
Memento Mori, memento moris não é isso, não é isso não é sobre a morte, é sobre a vida quando eu lembro que eu vou morrer todos os dias, eu construo uma vida que vale a pena ser vivida, uma vida plena.
1:17:52
Outro dia alguém me falou, André?
Você está com várias coisas hoje.
Isso é uma personalidade importante.
Não sei que lá vamos fazer um projeto.
Eu ponho 80000000 na sua conta em 3 meses.
Falei, amigo, deixa eu te falar, eu não tenho nem vida para gastar 80000000.
1:18:09
Pessoa 3
É, eu não tenho vida para gastar.
1:18:11
Pessoa 2
80000000?
Gente, aonde que eu vou?
Não tenho vida para frente.
Nem se eu gastar 200000 todinho, eu não gasto 80000000.
O que que é uma vida que vale a pena ser vivida?
O que que é uma vida que um dia você para, senta e diz assim, morrer é uma pena, uma dor.
1:18:32
Mas se a morte me encontrar hoje, tudo certo.
Rubem Alves.
1:18:38
Pessoa 3
Ele dizia.
1:18:38
Pessoa 1
Uma frase assim, é necessário viver e viver intensamente, porque a morte está a nossa espreita em algum lugar e nós não sabemos que dia que ela virá nos buscar.
Por isso, vá viver e viver intensamente.
1:18:54
E aí?
Nesse texto, ele conta uma história japonesa de um homem que saiu a caminhar na floresta à noite e, conforme ele estava caminhando, ele.
1:19:03
Pessoa 3
Percebeu que ele estava sendo?
1:19:04
Pessoa 1
Seguido por 11 onça, ele começou a correr e essa onça correndo atrás dele.
Ele caiu num buraco, era um Penhasco no que ele estava caindo.
Ele se tarracou num pedaço de de raiz, num galho e ficou ali pendurado.
1:19:19
Quando ele olhou para baixo, ele viu que era um.
1:19:21
Pessoa 2
Abismo.
1:19:23
Pessoa 1
Se ele caísse, a morte era certa, mas não tinha como ele voltar e ele ficou ali, pendurado por muito tempo.
Passou.
Se o tempo ele olhou do lado e viu um arbusto com lindos morangos verdes, é vermelhos.
Ele esticou o braço, pegou um morango e se deliciou com esse morango.
1:19:42
Fim da história acabou a história.
Que que significa essa história aparentemente sem pé nem cabeça.
Essa pessoa pendurada no galho é você, sou eu?
Infelizmente, todos.
1:19:55
Pessoa 3
Nós iremos.
1:19:56
Pessoa 1
Cair um dia.
Essa queda é inevitável.
Nós não temos controle sobre isso, mas nós temos controle de como nós viveremos até esse dia dessa queda chegar.
Como é que nós iremos cair se iremos cair na escassez?
1:20:16
Passando fome e vontade ou saciados dos belos morangos que a vida nos der.
Por isso ele conclui a história dizendo, vamos tratar de comer todos os morangos possíveis.
Isso é vida plena.
É se saciar com os morangos da vida agora, isso é muito particular.
1:20:38
O que é delicioso para mim não é o.
1:20:40
Pessoa 2
Que é delicioso.
1:20:41
Pessoa 1
Para você.
Mas a gente precisa descobrir.
Isso é Miriam Garcia.
Isso é vida?
1:20:46
Pessoa 2
Plena.
Isso é Miriam Garcia e Andrea é vermont.
Todos os dias de noite eu rezo.
1:20:51
Pessoa 1
Aí eu acabo a.
1:20:52
Pessoa 2
Oração, eu falo, tchau, Jesus, até que o senhor venha ou até que eu vá, é sobre isso.
Até que ele venha ou até que eu vá, em algum momento isso vai acontecer.
É a vida, é o eu falo muito também disso, né?
1:21:07
É a vida, é isso, é.
Um dia eu descobri isso.
EE, foi com tudo isso que eu vivi aí no último ano, especialmente com a perda da minha irmã, que o dia que eu morresse não IA ser feriado.
O banco não vai fechar.
É as praias que eu amo vão continuar cheias, os pagodes que eu amo vão continuar tocando as músicas que eu amo, as pessoas vão continuar dançando, rebolando, tomando cerveja gelada.
1:21:33
O mundo vai acontecer e isso não é um problema, isso é do game.
1:21:39
Pessoa 3
Isso se chama vida.
1:21:41
Pessoa 2
Isso é do game.
Isso quem me ensinou, inclusive, foi Ana Beatriz.
Não adianta lutar contra isso.
É o que que eu faço para que isso não me angustie enquanto eu tiver aqui esse intervalo de tempo que me terá.
Esse intervalo de tempo precisa ser muito intenso e fazer muita diferença na minha e na das outras pessoas.
1:22:03
Se esse intervalo de tempo que eu tô aqui, porque se se você não olhar nessa perspectiva, viver e morrer é muito trágico amanhã.
1:22:13
Pessoa 1
O estúdio vai continuar rodando.
1:22:15
Pessoa 2
Os bancos vão continuar negociando.
É muito trágico viver e morrer é muito trágico.
Ele só deixa de ser trágico quando a vida começa a fazer sentido, sentido não só para mim, mas sentido para as pessoas também que estão ao meu redor.
Se eu não fizer diferença na vida das pessoas também, e também acho que vida plena passa muito por isso.
1:22:34
Assim, fazer a diferença na vida das pessoas, o que que eu o que que eu contribuo eu gosto muito.
Quando Jesus fala é, é comer da minha carne, beber do meu sangue.
Eu acho que essa missão ela é de todos nós.
Nós precisamos ser comida pros outros e eu me emociono muito com essas coisas e bebida pros outros.
1:22:54
Eu acho que se você não, se você não vive pra serviço, você não serve pra viver.
Se você não abençoa as pessoas, se a sua carne não alimenta as pessoas, se você não muda a vida das pessoas, se você não, você precisa ser varrido.
A natureza precisa te varrer, você está ocupando espaço neste planeta, você precisa ser varrido.
1:23:16
Então é é vida plena para mim também passa muito por essa perspectiva, fazer a diferença na vida das pessoas, mudar a vida das pessoas que eu acho que você faz isso com.
Uma sensibilidade, um brilhantismo que é emocionante assim.
E você também te ouvir.
1:23:32
É um deleite assim, ó, não é gente do céu.
Ela é o próprio Sócrates.
1:23:37
Pessoa 3
Assim, dá vontade de sentar na.
1:23:38
Pessoa 2
Ágora.
Fica ouvindo.
Ela fala, a gente foi sentar debaixo da árvore.
Sentar debaixo da árvore e te ouvindo assim, ó, porque faz diferença assim.
Outro dia você falou, é como foi para mim esse vídeo é.
1:23:55
Como se proteger, né, das pessoas, níveis de diálogo tem gente que você só vai falar do básico, tem gente que você vai falar do básico da sua opinião, tem gente que você vai falar do básico da sua opinião e do que você sente.
Esse terceiro nível é para poucos.
Pronto, você já você resolveu uma questão para mim, você resolveu uma questão para mim.
1:24:14
Proteja seu coração, é para mim é conhecimento.
1:24:17
Pessoa 1
Só vale para isso.
1:24:18
Pessoa 2
A gente só estudou.
A gente não estudou para falar mais difícil.
A gente estudou.
É para falar mais fácil?
É.
Exatamente, é pra aprofundar naquilo que.
1:24:26
Pessoa 1
O Aristóteles já falou de forma.
1:24:28
Pessoa 2
Tão difícil fazer isso, ficar fácil e fazer o peão lá da fazenda entender é, meu filho falou, nós estamos numa fazenda domingo.
Ele falou assim, mãe, sua bolha é muito engraçada.
Sua bolha é a bolha mais engraçada que eu já vi na vida.
O filósofo da academia entende a senhora e nós vem aqui na fazenda, o peão entende a senhora e fala que assiste os vídeos da senhora.
1:24:48
Isso é a bolha mais diversa que eu já vi na vida.
A gente estuda é para isso.
EE é o que Sócrates fazia nas ágoras.
1:24:55
Pessoa 1
Era para todo mundo.
Os intelectuais estão achando que eles estudam para dificultar?
1:24:59
Pessoa 2
Não.
Seu estudo é para facilitar.
Se o seu discurso não faz a diferença na vida daquela senhora que cozinha feijão, seu discurso não serve para nada.
Isso é um babaca com diploma.
Você não passa disso, gente.
1:25:16
Suas considerações finais, minha querida.
Fala onde as pessoas vão te encontrar.
Falo, finaliza sobre vida plena.
Faça suas considerações finais.
É as pessoas.
Vocês podem me encontrar?
1:25:31
Pessoa 1
E eu espero por você lá no meu Instagram.
Eu, Miriam Garcia, lá no Instagram, eu vou lá no Instagram, você.
1:25:41
Pessoa 2
Vai.
1:25:42
Pessoa 1
É estar comigo nessas reflexões e também.
Eu tenho alguns cursos que é oferecido.
Tá tudo concentrado ali, nessa grande ágora que é o Instagram, essa ágora dos nossos tempos, né?
E vai ser uma Alegria te receber ali nesse local que com muito afeto, com muito empenho.
1:26:01
E eu compartilho as minhas reflexões.
E eu gostaria de encerrar é essa nossa conversa de hoje.
1:26:09
Pessoa 2
Falando sobre.
1:26:10
Pessoa 1
Entusiasmo, então, vida plena.
É, talvez seja também viver com entusiasmo.
Entusiasmo vem do grego, que significa trazer Deus dentro de si, o passarinho.
1:26:28
Ele tá tranquilo, no galho.
Não porque ele confia no galho, mas porque ele confia na própria capacidade de voar, porque tudo que ele precisa tá dentro dele.
Tudo que a gente precisa tá dentro da gente.
E eu desejo do fundo do meu coração que você encontre dentro de você essa vida plena que está em você como uma semente, que é uma árvore em potencial.
1:26:53
Essa vida plena está dentro de você em potencial.
E eu desejo que esse essa potência se transforme em ato e através da sua vida você possa glorificar a Deus, seja lá a forma como você entende Deus.
Mas que a sua vida seja tão plena, que quando a morte chegar, ela te encontra, e satisfeito com os belos morangos que a vida lhe der nu eu não falo.
1:27:20
Pessoa 2
Mais nada?
Comente aí o que você quiser comentar.
Você fica à vontade se você se achar na ousadia aí de de querer agregar ou acrescentar alguma coisa.
Essa foi Miriam Garcia aqui no podcast no divã com a doutora Andrea vermont.
1:27:35
É sempre um deleite.
Miriam, te ouvir assim, de verdade.
Eu admiro pouco a gente.
Eu tenho esse defeito.
Não é porque eu sou metida, não é porque.
1:27:44
Pessoa 3
Anda tendo pouca gente por ser.
1:27:45
Pessoa 2
Admirada mesmo.
Eu acho que nós entramos num numa idade média da intelectualidade.
Tem muito pouca gente por ser admirada e pra mim, vida, conhecimento tem que andar junto assim, sua vida não pode depor.
A respeito do que você fala, então admiro poucas pessoas na atualidade assim, em profundidade.
1:28:05
Eu eu tenho alguns critérios assim, profundidade, capacidade de de levar conhecimento, estudos, enfim.
E você é uma pessoa que eu admiro assim muito.
O único curso que eu faço na atualidade é o seu, porque assim é um.
1:28:21
É de uma, é de parar 5 minutos e anotar e querer aprofundar, porque é muito profundo.
Então que Deus te abençoe, prospere sua missão, te fortaleça, que nada te pare, que você se eleve cada vez mais, virão os corvos.
Isso é inerente do processo, mas que você se eleve e que Deus possa te levar para onde ele tem para sua vida.
1:28:42
Muito obrigada, Deus te abençoe.
Este foi o podcast.
1:28:47
Pessoa 1
No divã com a doutora Andrea vermont.
1:28:50
Pessoa 2
Um prazer ter você aqui conosco e eu queria te pedir um favor e somatória a nossa missão.
São conteúdos tão maravilhosos e criados de forma tão carinhosa e gratuita.
Então eu queria te convidar a se inscrever no canal, ativar o sininho pra você receber notificação quando tiver vídeo novo, compartilha, comenta, divulga.
1:29:12
Para que a gente possa levar esse conhecimento para o maior número de pessoas possíveis e que o maior número de pessoas possam ser transformadas por conhecimento de qualidade.
Podcast Summary
Key Points:
A vida plena é um conceito particular e subjetivo, não se resumindo a riqueza, fama, saúde ou sucesso, mas a um modo de vida em conformidade com o desejo mais profundo de cada um.
A insatisfação e a angústia funcionam como uma bússola interna que aponta para o desejo autêntico, e ignorá-las leva ao adoecimento e à alienação.
A filosofia e a psicanálise, convergindo, nos levam à libertação da alienação, ajudando a encontrar o mapa interno da vida plena e a viver de forma autônoma.
Relacionamentos são estruturas que afetam nosso sistema nervoso, e a teoria dos afetos de Espinosa ensina a detectar, evitar e unir-se a encontros que aumentam ou diminuem nossa energia vital.
A criança interior guarda feridas e recursos; ouvi-la é essencial para o autoconhecimento, e comportamentos nocivos podem ser regulados enquanto outros são mantidos.
O perdão é possível quando nos elevamos, e a metáfora da águia e do corvo ilustra que a superação vem do crescimento interior, não da luta direta.
A metáfora da lagosta mostra que, para crescer, é preciso romper a casca antiga, enfrentando conflitos de consciência, quebradeira e insegurança.
A vida plena se alcança com terapia, coragem para encarar a angústia e esperança, vivendo intensamente e fazendo a diferença na vida das pessoas.
Summary:
No podcast "No Divã com a Doutora Andrea Vermont", a filósofa e psicanalista Miriam Garcia discute o conceito de vida plena. Ela argumenta que a vida plena não é uma soma de fatores como riqueza ou fama, mas um modo de vida particular, alinhado ao desejo mais profundo de cada indivíduo. A insatisfação e a angústia são apresentadas como uma bússola interna que aponta para esse desejo, e ignorá-las leva ao adoecimento. A filosofia e a psicanálise convergem para libertar a pessoa da alienação, ajudando-a a encontrar seu próprio caminho.
Miriam explora a teoria dos afetos de Espinosa, mostrando que os relacionamentos são estruturas que afetam nosso sistema nervoso, e que devemos detectar, evitar e nos unir a encontros que aumentam ou diminuem nossa energia vital. Ela enfatiza a importância de ouvir a criança interior, que guarda feridas e recursos, e de regular comportamentos nocivos. O perdão é possível quando nos elevamos, como na metáfora da águia e do corvo, e a metáfora da lagosta ilustra a necessidade de romper a casca antiga para crescer, enfrentando conflitos e inseguranças.
Por fim, Miriam oferece passos práticos: buscar terapia, encarar a angústia e ter esperança. Ela conclui que a vida plena é viver com entusiasmo, fazendo a diferença na vida das pessoas, e que, se a morte nos encontrar hoje, podemos estar em paz por vivermos nossa própria vida. A conversa termina com reflexões sobre a impermanência e a importância de se saciar com os "morangos" que a vida oferece.
FAQs
É um exercício proposto por Nietzsche: imagine que sua vida será repetida infinitas vezes. A pergunta é se isso seria uma dádiva ou um castigo. Se você pudesse escolher um dia para repetir eternamente, esse dia revela seu desejo mais profundo e o caminho para a vida plena.
Segundo Espinosa, tudo o que nos cerca (pessoas, ambientes, músicas, vídeos) afeta nossa energia vital, aumentando ou diminuindo nossa potência ativa. A liberdade consiste em detectar o que nos drena, evitar esses encontros e nos unir ao que nos fortalece. Na prática, observe como você se sente perto de certas pessoas ou consumindo certos conteúdos e faça escolhas conscientes.
Conatus é o esforço que todo ser vivo tem de manter e preservar a própria vida. É uma força interior que nos impulsiona a sobreviver e a buscar o que aumenta nossa potência ativa. Espinosa compara esse conceito à pulsão de vida de Freud.
É a capacidade de manter internamente a imagem da mãe (ou de quem cuida) mesmo quando ela não está presente. No adulto, significa sentir-se amado e completo mesmo sozinho. Sem essa constância, a pessoa depende do outro para se sentir bem, o que caracteriza dependência emocional, o oposto do amor.
Muitos comportamentos têm raízes em feridas e registros da infância. Por exemplo, a compulsão alimentar pode vir de uma criança que ouviu 'engole o choro' e, adulta, engole emoções com comida. A dificuldade de descansar pode vir de uma criança que aprendeu que só era amada se fosse útil. Ouvir a criança interior ajuda a identificar e regular esses padrões.
A fábula conta que um corvo ataca a águia, que não consegue se defender. Em vez de lutar, ela voa cada vez mais alto, até que o corvo não resiste à altitude e cai. Perdoar é como voar mais alto: não é lutar contra o ofensor, mas se elevar, focar em si e se libertar internamente. Perdoar não significa necessariamente conviver com quem feriu.
Chat with AI
Loading...
Pro features
Go deeper with this episode
Unlock creator-grade tools that turn any transcript into show notes and subtitle files.