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Vladimir Safatle: O que vemos hoje não é metáfora, é o fascismo mesmo

57m 37s

Vladimir Safatle: O que vemos hoje não é metáfora, é o fascismo mesmo

O filósofo Vladimir Safatle, em entrevista sobre seu livro "A Ameaça Interna", redefine o fascismo contemporâneo não como uma regressão ou metáfora, mas como um fenômeno real e estrutural. Ele argumenta que líderes como Trump, Bolsonaro e Orbán representam um fascismo que emerge das próprias sociedades neoliberais, marcadas por individualismo acirrado, competição e dessensibilização. Safatle propõe o conceito de "fascismo restrito" para descrever democracias liberais que historicamente aplicaram violência colonial e racial a grupos marginalizados, como nos EUA com negros ou na França com argelinos. Em situações de crises conexas (econômica, ecológica, política), esse fascismo restrito se generaliza, normalizando a ideia de que "não há sociedade para todos" e justificando a exclusão de certos grupos. O neoliberalismo, segundo ele, prepara o terreno ao despolitizar a sociedade, individualizar fracassos e quebrar laços de solidariedade, com origens em regimes autoritários como o Chile de Pinchochet. Safatle também critica a intelectualidade brasileira por ignorar a tradição fascista nacional, exemplificada pelo integralismo e sua ligação com a ditadura militar. A análise combina estruturas macroeconômicas com psicologia social, destacando como a violência fascista reconstrói afetos sociais, tornando a indiferença ao sofrimento alheio uma característica central. Para ele, o fascismo não é uma ameaça externa, mas uma resposta "racional" às crises internas das sociedades contemporâneas.

Transcription

9049 Words, 53067 Characters

Portuguese
[Música] Se você me pediu, se a mídia dá uma definição rápida do que é o fascismo, eu diria, o fascismo é a mobilização de uma violência que visa modificar os afetos sociais através da desensibilização da indiferença. É um corpo social marcado pela desensibilização. Ou seja, eu não sinto mais se você desaparece, se você é exterminado, certo? Porque afinal de contas, nossa relação não é mais uma relação de todos fazerem parte de um corpo social só. Históções como a nossa, onde você tem crise econômica e estrutural, crise política de longa duração, crise ecológica, crise demográfica, crise social, dentro de uma estrutura de crises conexas que não vão passar a tendência, é que o estruturitária das nossas sociedades se alastre. [Música] O filósofo e professor da Universidade de São Paulo, Vladimir Safatli, está lançando um novo livro intitulado à ameaça interna, se canálise dos novos fascismos globais, o livro lançado pela editora Ubu, e como seu título e subtítulo indicam Safatli Argumenta, que o que estamos assistindo na cena política contemporânea, com a emergência desse populismo autoritário de líderes como Trump, como foi Bolsonaro no Brasil, como Vitor Orbán, na Hungria, que a emergência dessa movimentação autoritária ela é o próprio fascismo, ela não é uma metáfora do fascismo, ela não é uma regressão ao fascismo, é o fascismo que se constitui a partir da sociedade em que vivemos, e ele traça, ou estabelece, uma relação muito próxima, entra a emergência desse fascismo global, e as ideologias das sociedades ditas neoliberais, o individualismo acirrado, a competição, a ideia de que alguém vai perder, de que não tem mundo para todos, o fascismo, portanto, é visto, por Safatli, não como uma macharré, mesmo explicações correntes, como "ah, isso é fruto de um recentimento, de setores da sociedade que perderam o bonde da globalização, que foram prejudicadas pelo processo de modernização", não, o próprio processo de modernização na visão do autor, tem como uma de suas possibilidades de desdobramento, o próprio fascismo. Além de conversarmos sobre esses assuntos, conversamos também sobre uma outra polêmica que, para a diversa fatale, causou de certa forma ao publicar um artigo na revista Piauí sobre as questões decoloniais, na qual ele usa a expressão, o grande FMI universitário. O texto, como você sabe, gerou respostas de discussões, e ele, pela primeira vez, conversa sobre esse assunto. [Música] Eu sou marcos ao gosto Gonçalves, e este é o ilustríssimo conversa. [Música] Professor, você diz no livro que parecia difícil imaginar tempos atrás que o fascismo, uma modalidade de fascismo internacional, fosse se transformar numa grande preocupação como se transformou hoje em dia. Eu queria saber o que te fez perceber que isso, de fato, estava acontecendo, quer dizer, essa passagem de uma certa incredulidade para, opar isso, realmente está entrando em cena. Obrigado, que essa pergunta é boa pelo seguinte, porque na verdade, eu quis escrever esse livro por uma única razão, que é para dizer, em claro, e bom som, que o fascismo voltou mesmo. Isso não é uma metáfora, isso não é uma maneira de dizer, eu que tentei mostrar como não. É uma realidade que pode ser analiticamente estudado e comprova. E eu diria que a gente está numa situação muito parecida, sabe aquela história dos sujeitos dos três segos que estão diante do elefante? Aí, um pega no rabo, e falar "Ah, isso é um sepó, o outro pega na tromba, falar, isso aqui é um carro, o outro pega no pé, fala isso é um caulho, e não consegue enxergar o animal, acho que a gente está numa situação meio parecida. Você vai vendo "Ah, mas tem um aumento em exponencial do nível de violência de estado, tem discursos fascistas que vão sendo cada vez mais circulando, maneira cada vez mais livre, você vê coisas que há dez anos atrás, você nunca imaginaria que você estaria vendo, você vê graus de degradação do corpo social, de violência contra emigrante, isso, eu diria "Só falta uma coisa, falta somar todas essas visões, se você somar, você tem o animal na sua frente, se você juntar tudo, você tem o fascismo diante de você". E eu acho que inclusive, isso é um processo global, quer dizer, a gente do Brasil teve uma condição de ver isso, de maneira muito evidente, porque a nossa experiência, como o Venup Bolsonaro, foi a experiência de recobrar toda uma dinâmica do fascismo nacional, que é constituinte da nossa história, e agora a gente vê não só isso aconteceu em vários outros lugares do mundo, como uma dinâmica quase irrefriável. Você vai criando uma estrutura gemônica, e esse fascismo vem por causa do acirramento das crises que nós quais nós nos encontramos. Ele dá uma resposta a essas crises, e acho que é isso tão importante, para mim era entender qual é a resposta. Eu queria entender qual é o cálculo racional, que está levando vários setores das populações mundiais, a terem a solução. E no caso brasileiro, a gente tem a experiência do integralismo, que muitas vezes é considerada quase que foclórica, "Ah, teve o integralismo, mas não se faz muito a ligação entre o integralismo, e o desenvolvimento da história de lá para cá." Então, eu acho que vale inclusive o maltocritica muito profunda da intelectualidade brasileira. A nossa leitura do que era o país, era uma leitura completamente equivocada, porque ela tirava do sern, a existência de um fascismo nacional. Eu acho que a gente precisa, primeiro, partir daí, o Brasil é o país, que teve uma partida fascista fora da Europa. A sua integralista nacional nos anos 30. Era um partido que tinha um milhão e 200 mil membros. Esses um milhão e 200 mil membros nos apareceram no ar. Se você procurar na sobra de ginalóis, se você procurar na minha, se o texto nos escutando também procurar, eles vão encontrar integralistas. Mas, quando venha de Itadura Militar, quando tem um golpe dentro do golpe, que é quando o Pedro Aleixo não pode assomir, como viso presidente com as do Costa de Silva, e entra a uma junta militar, você vai ter três militares que governam o Brasil, dois eram integralistas. E o Augusto Rodemarca é veroviso presidente do Brasil, no governo médice. Então, seja, a relação entre integralismo à ditadura militar é orgânico. Então, quando você viu Bolsonaro, certo, fazendo ameaças no dia 7 de setembro, acho que 2021, depois tendo que fazer uma carta na ação e assinar a carta na ação com o lema integralista, Deus, Patre e família, pela primeira vez, um presidente da República do Brasil fazia isso, isso não foi um desvio de rota. Isso, na verdade, era só a explicação de um processo histórico que nos constituiu. E eu tenho até uma hipótese, é respeito de por que a gente não conseguiu enxergar o fascismo entre nós? Porque uma das bases orgânicas do fascismo é o colonialismo. O fascismo, na verdade, a gente pode começar dizendo que ele é basicamente a aplicação de toda a tecnologia de poderes termine violência, que se desenvolve nas colonias nos países centrais. Não tem tecnologia que foi utilizada pelo fascismo histórico, que não tenha sido inicialmente utilizada nas colonias. Campo de concentração, campo de exterminio nas guerra dos borses, na África do Sul, mas a sacrisa administrativa era um normal dentro do colonialismo inglês, certo guerra de raças, exterminio de raças, basta ver o que os alemães fizeram na Namíbia, com o Zereiro e com os Namãos. Ou seja, se você tem todo esse desenvolvimento de uma lógica, de uma sociedade que não vê a violência relacionada a certos grupos. E o que acontece em situações de crise? Isso se generaliza. Por isso que eu até insisti no livro em falar, "Olha, não é certo a gente imaginar que não estava numa situação de democracia, estamos de regredir, estão perdendo nossa democracia". -Cri de perguntar sobre isso. Você vê o fascismo não como alguma coisa que venha de fora e toma a sociedade, "Ah, estamos sendo tomados pelo fascismo, como se fosse uma espécie de um corpo estranho, a dinâmica social vigente". Isso. Você viu o fascismo como parte disso. Você até usa, não insiste muito mais usa, a passão com o conceito do fascismo estrutural, brincando um pouco com a ideia do racismo estrutural, ou e tal. Queria que você fala-se um pouco sobre essa ideia de que o fascismo está instalado, embora não integralmente instalado. -É, inclusive, a razão do nome do livro, no título do livro, "Amear-se interna". Não se trata de uma "mear-se externa", algo que vem contra a nossa normalidade democrática, uma regressão de um passado não abandonado nos choques de civilizações, estruturas que estão de. e assim arcaicas, no que os arcaicos dentro da nossa sociedade, que nunca foram integrados o processo de modernização, e eu já estou querendo falar, não, não é nada disso. A nosso processo de modernização, ele tem uma dinâmica que autoriza o fascismo em situações de crise. Então, seja, é uma ameaça interna no sentido de que nossa sociedade nunca foram democráticas, no sentido mais pleno do termo. Vamos pegar aqueles exemplos normais que nós utilizamos dessas democracias nos países centrais do capitalismo. Não é tudo. Todas elas, se ela francesa em latér, eram estruturas coloniais até o final dos anos 60. E dentro desse estruturo colonial, você tinha uma divisão muito clara onde a regga lei vale como uma lei de garantia de integridade das pessoas e onde além não vale mais, onde é possível. Eu autorizo o Estado, a exterminal, autorizo o Estado, a mata sem dolo, eu autorizo o Estado a se defender entre muitas aspas. Então, seja, essa lógica quando a dinâmica colonial se quebra, basta ver bem. Vamos pegar a frase. Uma democracia que faz o que fez a França fez na Argeia, nos anos 60, é a chama a democracia por quê? É uma democracia como em latér que fez o que fez nas colonias, na Índia, na África, nos anos 40 e 50, porque a gente está chamando de uma democracia. E o oddiria ao contrário são fascismos restritos. Ou seja, se você tem uma dinâmica fascista em que é aplicada a certos setores das populações, os Estados Unidos fazia isso com a sua população negra. Não é a toca os marxistas negros, os mach americanos, George Pedmore, Fred Hampton, Angela Davis, todos eles vão utilizar fascismo para descrever a realidade na qual se encontram. Isso não é uma metáfora, porque, de fato, da perspectiva dessas populações, o Estado, ele é um Estado de desensibilização, indiferência e violência estrutural. Interessante, porque você usa o conceito de fascismo restrito, quase como um substituto ao conceito de democracia usual, digamos assim, para descrever o regime dessas sociedades. É isso, não é? Isso. Eu proporia, ao invés de falar de democracia liberal, falar de fascismo restrito. Exatamente. Eu acho que não se perde uma democracia. Você não passa de uma democracia ou autoritarismo. O gérma-autoritar está dentro da forma social, senão você não tem essa deagradação. O que acontece é que esse fascismo restrito ele funciona em situações, digamos, entre aspas normal dessas sociedades. Mais situações como a nossa, onde você tem crise econômica e estrutural, crise política de longa edoração, crise ecológica, crise demográfica, crise social, dentro de uma estrutura de crises conexas que não vão passar, que a gente sabe que elas não vão passar. É a toda gente está em crise econômica desde 2008, técnicamente. Vamos pegar crise ecológica, por exemplo. Você sabe tão bem quanto eu que não vai ter um dia que você vai olhar para trás, falar "olha só quem graçado, a crise ecológica passou". Não tem mais que ser ecológica. A gente sabe disso, porque a gente vê toda uma lógica de contragestão para essas crises estruturales. Se não tem uma política que modifica estruturalmente as causas dessas crises, tem uma política que tenta nos adaptar a realidade dessas crises. Eu direi numa situação como essa, a tendência é que o trotoritária das nossas sociedades se alastre. Essa ideia da guerra civil, essa ideia da autorização a matar determinados setores, naturalizável, lencia e morte mesmo. Ela se generalizaria isso. Eu diria que a gente vê hoje é uma passagem de um fascismo restrito a um fascismo generalizado. Uma das causas disso, exatamente o que você levantou. A gente vive numa situação de uma espécie de um conceito caos-mítima, mas acho que faz todo sentido. Invertido, de uma guerra civil mundial. Que significa basicamente o que? Veja que a gente não só naturaliza a ideia de que nosso futuro é uma guerra continua, como a gente entende muito claramente, se a gente falar de maneira realista, que não tem mais sociedade para todo mundo. Nunca teve, mas assim, não tem nem o horizonte de que, politicamente, nós estamos lutando para uma sociedade mais ampla e mais general. Porque você não tem nenhuma força que esteja defendendo, ou com unhas identes, ampliação de estruturas de macoprotestão social, o que é coisa parecida. Você tem uma realidade que é basicamente o seguinte, não tem mais sociedade para todos. Dentro dessa lógica, eles não têm mais sociedade para todos, então, a gente vai ter que fazer uma escolha. Alguns vão ser preservados. Alguns grupos e setores da sociedade vão ser preservados. Outros não. Outros vão ser submetidos à máxima espolhação. Outros vão ser submetidos a uma violência e a indiferença a desensibilização. Porque afinal de contas, essa partida vai ter que passar para algum lugar. Ela passa pela preferência nacional, então você expusa todos os imigrantes, fazendo uma transferência de mão de obra para o mão de obra automatizada, e você também precariza, faz uma super exploração do trabalho, com certas populações, ou você faz uma divisão com a comunidade da fé, ou com aqueles que se adaptam o melhor homologo que empreendedor ou não. Mas é sempre essa questão. Quando você tem isso, a sociedade começa a se organizar como espécie de guerra civil. Ou seja, a gente não tem relações de solidaridade, porque a gente tem um de nós para ter que sair desse espaço. E o fascismo cresce dentro dessa dinâmica. E cresce como um projeto. - Com uma resposta realista. - Com uma resposta. Não como algo que vem, como você disse de fora. - Eu diria. - Quase como a própria mentalidade dos indivíduos reais dentro desse fascismo restrito, elaborasse um projeto de ampliação dessa situação. Então, você colocou uma questão boa, porque é assim. Essa é uma das razões pelas coisas que eu tentei articular, diria assim, analis macros estruturais, analis micros estruturais. Tentei articular analisos globais, a situação atual, sócio econômica. E também analisos, digamos, da estrutura libidinal do sujeito. Eu acho que, se a gente quiser analisar o fascismo, a gente vai ter que saber jogar esses dois tabuleiros. Por isso que uma boa parte do trabalho que eu fiz foi um pouco em cima da reflexão sobre essas teorias de psicologia social que fizeram uma análise libidinal do fascismo. Deus dos anos 30, e os anos 30, e os anos 80, e desde raixo, até dolor, e igual a tarri. - Com quem você aprendeu mais sobre a realidade de contrapor desse universo? - Decesse autores. - É. Então, todos esses autores são muito impressionantes em várias das suas intuições. Eu diria assim, é muito engraçado, porque eles convergem, mesmo se eles têm tradições, vendes tradições de pensamento muito distintas. Por exemplo, a escola de Frankfurt, ela tem uma leitura libidinal do fascismo que muitos momentos parece ser recuperada mesmo sem que se saiba por essa tradição, tipo, raix, dolor, esguatarri, batai, talá, sabe toda a compreensão de que o eixo fundamental da reflexão sobre o fascismo é a estrutura da sua violência. Antes de qualquer coisa, a gente tem que entender como a violência no fascismo reconstrói sujeitos. Como é um projeto de sociedade? Ou seja, são níveis de violência que vão se naturalizando e a estrutura dos afetos sociais vai se modificando. Eu diria, se você me pediu se amiga uma definição rápida do que é o fascismo, eu diria, o fascismo é a mobilização de uma violência que visa modificar os afetos sociais através da desensibilização da indiferença. Ou seja, não sinto mais se você desaparece, se você é exterminado, certo? E qual a relação entre isso que você descreveu agora e as chamadas sociedades neoliberais ou, enfim, o capitalismo da saera neoliberal? Então, eu diria o seguinte, o neoliberalismo criou as condições para em uma situação de crise estrutural, a opção fascista foi uma opção racional entre aspas. Ele criou as condições. Porque, veja, não é ator, a gente esquece um dado que aparece fundamental, é que o projeto neoliberal é um projeto que nasce em sociedades autoritárias. Ele não nasce na Inglaterra da Tátia, nem nos Estados Unidos do Reagan, ele nasce no chiro do Pinochet. E é lá que esse projeto aparece para a primeira vez e há uma razão para isso. Porque afinal de contas, esse é um projeto que consiste, basicamente, em dizer, a sociedade se organiza a partir de uma ideia de liberdade, que é a imiliadade individual, que liberdade da liveniciativa, que liberdade de empreender, que é o fortalecimento dos foros individuais de decisão e de deliberação. Só que esse fortalecimento, só que essa liberdade não é fruto de uma realização emancipada ao torno do sujeito. É a fruto do fato de que não existe mais estruturas de proteção e de solidariedade à disposição no interior da sociedade. Você decompõe. Então, se em tudo aquilo que vai contra essa liberdade, pensada como livre iniciativa, que questiona, que diz, "Não, mas espera aí, não é possível livre iniciativa no sociedade completamente desigual. Não tem como você afirmar alguma coisa dessa natureza, uma sociedade que hoje é a estrutura de produção de capital é completamente concentraçãoista, onde, ou seja, o processo de produção de riqueza é um processo de condição que preserva lógicas de concentração. Eu costumo falar algo dos meus alunos que eu gosto muito, é um exemplo que eu acho que mostra muito bem o que é o capitalismo nesse sentido." Com dois economistas, italianos, Guilhermo Barone, Salvo Morsecht, fizeram uma pesquisa através do Banco da Itália, sobre o pagamento de impostos, influência de 1460 sobre o enganeta 2010. Descubiram uma coisa fantástica, que as famílias ricas em Flores são as mesmas em 500 anos. De duas ou menos, os caras têm um mérito inacreditável. Então a capacidade de invenção que você nunca viu, ou de fato, a gente está numa estrutura completamente feudal. É uma lógica feudal, de preservação de interesses, estrutura familiar. O capital é um sistema de interesses. Ele não é uma sessoma dinâmica de produtos, ele é uma sessoma de interesses ligadas a certas classes muito claras. Então se isso é sensual verdade, a ideia de uma liberdade com iniciativa é só só ir para produzir decepção social, porque ela não se realiza dessa forma. Então para você conseguir impor isso a sociedade, você vai ter que despolitizar a sociedade. É uma ideia de que a economia tem uma autonomia em relação à política. Ela é comanda, digamos, sim. É, é lógica, pensei enquanto isso não reequ. Por exemplo, é lógica clássica do neoliberalismo. Se você cair, se você perdeu tudo, não tem nada quando é você, porque a economia é autônoma, então não é um jogo de interesses de classe ou nada parecido. Não, é um lógica normal do sistema de produção de riqueza. Se eu não conseguiu ter iniciativa necessária, se eu não conseguiu ter um empreendedorismo necessário, se reinventar quando foi necessário, você percebe tudo isso cair nas costas de uma falta individual. Então você individualiza as causas do colapso social. Então você já tem um dado importante e outro você precisa quebrar todas as forças sociais que vão contra essa dinâmica. Então você vai precisar despolitizar a sociedade. Despolitizar, você vai fazer como? De uma maneira violenta. Então não tem história da implantação do neoliberalismo, que não tenha sido feita de forma violenta. O neoliberalismo, por exemplo, vão pegar na englaterra da Tátia. A certidão do neoliberalismo é a luta contra a greve dos mineiros. Você vai ter 49 mortos, a 17.000 pessoas presas, você pela primeira vez o estado inglês vai aplicar na sua própria população escuta telefônica, bomba de gasa que ele morve gênio. Seja uma série de tecnologias que não aplicadas nas colônias. No Estados Unidos a mesma coisa, é uma luta contra mais uma vez um setor organizado da classe trabalhadora, que é a luta contra os controladores aéreos, que há uma greve que acontece no governo Reagan e as companhias aéreas, elas sustentam a greve porque Reagan demite 12.000 controladores aéreos porque eles falam isso no alma greve, isso é um atentado contra o Estado. E aí as empresas seguram as suas perdas e você começa o processo aí. No Brasil foi parecido, foi a greve dos petroleiros, foi aí que começa o neoliberal, a implantação do neoliberalismo, onde você pediu pela primeira vez depois do final da ditadura que o exército entrasse em refinarias para que a fiscinavelismo continuasse em funcionando, como se fosse de fato você percebe. É uma lógica de guerra, você chama exército literalmente, né? Então eu diria essa ideia de que existe uma espécie de luta, o conflito social se torna uma espécie de guerra, se viu, e só uma erança do neoliberalismo, então ele for nessa as bases para que depois de uma situação de profunda instabilidade social e econômica, você deu uma guinada ainda mais forte indireção autoritarismo, que é o que está acontecendo agora. E não por acaso, você percebe os defensores do neoliberalismo, eles não vão ter problema nenhum em fazer defesas dessas figuras, as mais abstrusas, as mais terríveis. O próprio Bolsonaro. O Bolsonaro. Existe uma coisa que eu chamaria de complexo de Vargas-Liossa, que é o próprio da, se daí, lite liberal, latina americana, uma elitica ultivada, lite que sabe escrever, ganho o prêmio Nobel, mas em casa se tiver que impô o ferrão, eles vão impô, se tiver que fazer a escolha autoritária, vão fazer, se já que sustentar a ditadura, vão sustentar o fascismo, não vai ter problema nenhum. Voltando ao fascismo histórico, você faz uma comparação entre o nazi fascismo, digamos assim, e o Stalinismo, que é uma comparação que não é feita por você, na verdade, ela é já uma tradição, né, na interpretação histórica. E você faz uma diferença, né? A diferença é olhar como fenômeno de uma mesma natureza, digamos assim, e você traça uma diferença e você supõe ali a rana-arente ao pensamento dela a respeito do autoritarismo. Eu gostaria que você falasse um pouco dessa distinção. De fato, é achar uma discussão importante. Eu tenho muitas críticas ao conceito totalitarismo da rana-arity, e uma delas é essa mesmo. É qualizar estruturas de sociedades autoritárias sobre o mesmo tacão. Eu prefiro uma ideia que foi desenvolvida pelo Pofil, que ele dizia mais um segundo. Tem uma diferença importante, tem uma especificidade do fascismo e do Estado fascista. É a sua forma de violência. O Estado Stalinista é o Estado autoritário violento, claro, mas ele não tem essa violência, tem uma violência que pode chegar a ser uma violência contra o próprio Estado, contra a própria sociedade. Uma violência que se volta contra esse mesmo, o vilriolho lembra, por exemplo, quando no final da guerra o Richter ele manda um telegrama para todos os seus generais, dizendo basicamente o sentido, olha a guerra está perdida, mas a guerra está perdida então que a Alemanha é pereça. Então não é para preservar nenhuma infraestrutura, é para destruir tudo. Isso é um estrada que possa ser usado pelo inimigo, exatamente. Estrada, a indústria, tudo tem que ser destruído. Isso jogaria a Alemanha ainda de média. E aí o vilriolho tenta recuperar dizer não, isso não é um ato desesperado de final de guerra. Você tem toda uma lógica que estava presente nos discursos fascistas de que, bem, como se você tivesse uma autorização de catástrofe, um desejo de catástrofe, uma violência que se volta de uma violência de autodestruição. E isso, de fato, não é só um dado subjetivo que vem da lógica sacrificial, deu me sacrificar por alguma coisa que a final de contas estaria como o dado fundamental da nossa sociedade. Mas é uma lógica da sociedade porque a sociedade ela precisa de uma guerra infinita para funcionar, porque aí vem uma coisa interessante. Tem um companheiro de rota dos Frank Fortichand, Charles Franz Neumann, que ele escreve um livro chamado Berre Muth, que talvez são dos melhores livros sob estados nasi-sta alemão, que eu já fiz aqui até hoje. E ele lembra assim, o estado nasi-sta alemão não era um estado orgânico, unificado, certo, uma espécie de estado leia e ordem. Não, ele era um carnavo organizado. Ele era um estado completamente quebrado em vários núcleos, tinha pelo menos quatro núcleos completamente diferentes. O partido, a burocracia estatal, a grande indústria e a aristocracia, o Prussiana do Exército. Cada algum desses grupos tem seus interesses e eles têm que no limite se organizar, o que que unifica os quatro grupos? A guerra. Então a guerra, ela viram dado estrutural de funcionamento da sociedade, porque sem a guerra eles começam a se degradar entre si. É o único elemento que faz um que o processo funciona, só que é claro, essa posta ela te cobra alto. Ela vai cobrar que você organiza a sociedade com uma guerra contínua. Isso significa você naturaliza a nível de autosacrifício, o discurso sobre autodestruição, autodestruição, tipo de coisa. A heterovolência se torna uma espécie de violência prop interna. Então o que acontece? Essa dinâmica não existe no Stalinismo. Não existe nenhum outro estrutura de regime autoritário. Eu insistiria nisso, claro, tem sempre uma outra questão, porque é uma maneira de falar, não, mas o fascismo também tem uma articulação à esquerda. De ao vivo falar isso várias vezes. Eu diria, não, de fato, historicamente, existiu nasismos de esquerda. Sim, é verdade. Basta a gente lembrar dos irmãos Strasser, que eles vêm do organização sindical e eles trazem essa organização sindical, todas as demandas da organização sindical, só que eles articulam dentro do discurso da preferência nacional. Mas usar a lemão é esse primeiro. Agora, esse grupo vai ser literalmente desimado quanto o Hitler entra a poder. Ou o nazismo usa esse discurso para conseguir ganhar, porque isso não vai ganhar com discurso, que não seja um discurso, de integração social. Então quando ele ganha, ele se afasta, literalmente ele elimina, porque ele vai fazer uma articulação com a grande indústria agora. Então tem, de fato, essa passagem, mas essa passagem diz respeito ao funcionamento retórico do jogo de poder. É outra coisa. O cliente é entrar no outro aspecto que, enfim, vocês podem morar no livro também, que é a dimensão cultural. Tem uma ligação que a gente poderia fazer entre uma citação do puzzle límico que você faz, na qual os textos que eles escreviam nos anos 60, tal, ele identificava na sociedade de consumo, a dînmica própria ali do fascismo. E ao mesmo tempo, a ideia de indústria cultural, na qual de alguma maneira, os pasomínios estavam metidos para o bem, para o mal dele, mas para o bem de muita gente, a indústria cultural como um conceito que ficou um pouco perdido, desprestigado, e que você retoma ele com muita força no livro. Não. A indústria cultural sim é um conceito que está aí. e mais do que efetivo. De que você falasse um pouco disso. Não, essa passagem interessante mesmo, porque eu também liam esses textos do Pazolini, estão nos escritos corsários. Há muito tempo atrás. E achava assim, é, bem, artista tem uma tendência exagero, né? Exato, é. É, é. É, é. Tá pegando tesar. Gente, a gente se autoriza, artista falasse as coisas. Mas não, na verdade, sou mostra uma coisa, artista tem a força da premunição, né? Hoje a gente vê o compromunitório era aqui. Quando ele falava, não. Se a gente quer entender a dinâmica do fascismo, não é só uma questão de entender como o Estado se relaciona a sociedade. Mas é necessário entender como a sociedade se reproduça. Essa, eu acho que era grande, essa cara que ele tinha que estava insistindo. A gente tem uma teoria que é do Estado fascista, mas não é. Isso não funciona assim. Você tem que entender uma teoria de como a sociedade se fascistiza, digamos assim, né? Tem uma pesquisadora argentina que, inclusive, trabalha muito bem com esse conceito que é verônica gago, que vai falando da fascistização da sociedade. O Pazolini entende isso, analisando mais vejo como a linguagem está se modificar. Porque o fascismo, ele é, ele é um, é um mando de organização social. Então, ele traz uma linguagem que ele é próprio também, né? E essa linguagem, ela tem a sua característica fundamental que é, não é só homogeneização, porque ele fala a sociedade de consumo, bem, ela tem, ela naturaliza, de damos que as facisas, não só porque ela homogeneiza, que, de fato, já é um elemento importante. Mas ela desensibiliza. Ela é uma dinâmica, para a gente parece que a gente viu na sociedade alguns falavam, né, impericitada? Não, ela é uma sociedade da profunda desensibilização. E essa desensibilização importante, para que de uma certa maneira, dizer, todo qualquer conteúdo sequivalha, é necessário que esse conteúdo sequivalha, para que as dinâmicas de violência não sejam elementos que vão te indignar. Por exemplo, hoje, você está no seu Instagram, você recebe necessariamente postes da casa branca, né? White House, né? Está mostrando batidas de onde White vai lá prender em migrantes, mas com ritmo de reg. Com corte, parece corte de maim, vai. Ou seja, fazendo uma indiferenciação estrutural entre informação entre atendimento, você não consegue mais. O que eu disse que eu acho que o Walter Benjamin, que o fascismo é a estetização da política, né? Sim, você tem toda a razão. Foi um ser telembrado. De fato, acho que isso faz todo o sentido. Porque tem uma estética que faz com que não só a guerra se transforme em um fato que vai modificando a nossa sensibilidade, porque a questão do. Eu direi que a questão política é fundamental é essa. Quem controla as formas da sensibilidade controla tudo. Acho que a questão política é central, sempre foi essa. Sempre foi. O que eu sou capaz de sentir o que eu não sou capaz de sentir. O que eu sou capaz de ver o que eu não sou capaz de ver. O que eu sou capaz de perceber e no que eu sou capaz de perceber. Eu direi que o fascismo entende isso muito bem. Por isso a questão cultural é tão fundamental. Não é um desvio de rota. Não é, não. A gente não está falando sobre economia, a gente vai falar sobre cultura. Então a gente não vai resolver o problema dos trabalhadores, a gente vai ficar lá fazendo o pessoal saindo a catas de pessoas de identidade trans. Não é isso. O elemento é absolutamente central. Porque é necessário você reorganizar a sensibilidade social. Eu organizar a visibilidade. O quem é visível, quem não é visível, como se controla a visibilidade e coisa dessa natureza. Então quando o pazorena insiste, não, vamos ver como é que a sociedade está se reproduzindo culturalmente. Ele acerta um alvo. E eu como eu tinha dito, a questão da sensibilização elemento estrutural, porque de uma certa maneira você precisa fazer passar a violência como se fosse uma brincadeira. É mais ou menos isso. E claro, nada melhor do que alguém como Trump, como Bolsonaro. Você comenta isso no livro "A Spectro Fone" do líder populista, fascista e que o próprio adorno já havia observado isso, o carata de impostura. É, não. É um dos grandes momentos. É morro, né? Sim. Um morro. Um morro como uma arma do poder. Não uma arma contra o poder. O morro com uma arma do poder. Então veja coisas interessante. Vamos pegar todos esses líderes da dita extrema direita mundial. Todos eles saíram do universo do entretenimento e todos eles foram marcados por uma incrível capacidade de auto-derrição. Trump era um cara que você via, você ia ligar a Chegava na sua casa, ligava a sua TV e você via ele lá fazendo piada dele mesmo. Você vai ver? Ele fazia seu próprio papel. Millei era um sujeito que apareceu nesses programas de auditorium para falar sobre economia, mas todo mundo achou graça. Bom, Bolsonaro apareceu primeiro em um programa de humor no Brasil. Então, eu diria, isso não é um dado anódino, isso não é um traço arbitraro, isso é um elemento estrutural, porque eu diria o seguinte, uma sociedade autoritária, é uma sociedade onde eu decido quando estou falando a verdade que não estou falando. Eu te, como eu estou falando sério ou não estou falando. Eu decido onde a seriedade começa e onde começa a brincadeira. Então, seja, porque você nunca sabe quando a lei está sendo efetivamente aplicada. Onde todo mundo está mais ou menos fora da lei, mas eu defini o problema de quando fora da lei vale e quando não vale. Então, você percebe que tem uma dinâmica de humor contínuo, de ironia contínua, de não não, isso foi só uma brincadeira. Não, eu falei isso, mas não era exatamente assim. Ou seja, você tem um novo modelo de funcionamento, não só do discurso social, mas também um novo modelo de funcionamento da crença. Então, aquela coisa que a gente já achou que ele estava "não, eu sujeito que ele adere ao fascismo", é que ele tem uma crença arcaica, ele acredita na terra, ele acredita na identidade nacional, ele vai "não, pior de tudo é a gente descobrir que não, ele não acredita, ele finge acreditar". "O fascismo não é uma macharraia". "Não é uma macharraia da história". "Não, na verdade o fascismo é a realização final do progresso", eu diria, é quase o inverso. É uma das coisas mais interessantes da dialézica dos clarecimentos, exatamente isso. Você fala, "Não, não, nosso processo de modernização, ele podia realizar-se como fascismo". Era uma das suas tendências internas, essa violência, porque a gente nunca dissociou progresso e violência, progresso e catástrofe, progresso e destruição, crescimento e devastação, pelo Brasil. Eu não exemplo disso. Por exemplo, você citeu o exemplo, eu lembrei disso, porque eu já me entendi a porminha daquela época em que a Amazônia era chamada de inferno verde, a transamazônia que cortando aquilo, a coisa é como se a civilização desbrava o inferno verde algo assim. Eu fui atrás. Eu não gosto de assustar do outro. Exatamente, quem usava o termo na época sabe quem naturalizou o uso do termo de selino com o Bitchecker? O selino é o ícone da modernização. É, é. Que era mais ou menos a si. Não é interessante, eu estava relando as memórias do jucelino e é interessante, porque, bem, primeiro porque ele deve ter achado um mongo-sright, porque o texto não é mózio escritil. Tem isso. Quer saber quem era o mongo-sright? Mas o segundo, ele vai ver muito claramente que ele tinha um inimigo, um inimigo afloresta. Afloresta que ocupa metade, o território nacional, que impede o Brasil de ser si mesmo, certo? Porque ele se desenvolve, ele encontra-se com o sigo mesmo. O contrário do Osvaldo de Andrade? Não, exatamente. É outra coisa, completamente distinta. E, de fato, isso faz com que cada vez que você vê ele descreveu, o pessoal que fazia picada que derrubava a árvore, é contusiasmo. É uma negócio assim. Eu vou saber, um goso que você fala. Gente, agora eu entendi como esse país foi construído. Então, é interessante isso para mostrar se esse é o progresso, esse é o custo do progresso. Então, o que o fascismo apareceu ao final? Mas o fascismo apareceu como um projeto de modernização na Itália e na Alemanha. Também, exatamente. Pois eu vou, o fascismo alemão, muitas pessoas daquela época jovens que depois se tornarem até as socialistas e tal. Sinto-se as maras com o Partido Facista, porque viram, viam naquilo um projeto de modernização do país, não? É, eu diria assim, ainda tem coisas ainda pior, porque assim é um setor do modernismo estético, inclusive, né? Eu sou todo o modernismo, né? É um salgado, no Itália também. O futuro, né? Exatamente. Então, o idade que é a modernização, e daria alguma coisa do bem, e que o fascismo foi um desvio para atrapalhar, não é bem isso, mas já estava um negócio. É, eram dos finais possíveis, né? Você diria o seguinte, o fascismo é a modernização sensual e crítica. Essa espécie de versão epifânica da modernização, né? Qualquer questão fundamental, por exemplo, do integralismo do Plino Salgado. Já fala, não. Os massacres que eu correram aqui no país, que marcaram a história do país, não foram massacres nenhum. O exterminação dos amelinhos, não, os amelinhos estão entre nós agora. Eles são nós, agora, nesse momento. Então, fazem parte do nosso sangue. Eles foram mortos aqui para viver, ou seja, você faz uma justificação do processo histórico com toda a violência que ele representava. Você não tem o retorno autocrítico em relação à sua própria história, né? Que é a única coisa que poderia salvar algo da experiência moderna, seria essa? Seria falar, não. Então, o valor não estava frases, muito boa, eu vou falar, o progresso só começa a lá onde ele termina. É, você não precisa. Só. E a única coisa que poderia salvar é falar, não, tudo que foi feito até agora foi feito contra algo que, no início, a gente gostaria que tivesse sido de outra maneira. Então, como isso não existe, que o fascismo é simplesmente ela afirmação láudatoria. no caso brasileiro é muito claro. É a afirmação da da história da nossa história. Por isso aquela coisa, não tem cota para realizar, não tem dívida a serem pagos, ou por menos a serem reconhecidos, não tem nada em relação a isso. O processo era isso, o crescimento necessitava disso. E daí vem toda essa produção cultural que é a lova, esse crescimento, que é o louvor de todo esse crescimento, até hoje, porque ele continua até hoje. O louvor do moderno. Lá de bem, você termina o livro com um texto dedicado à Gaza, no qual você diz que ali é um laboratório, o que estamos assistindo, é um laboratório de um tipo de violência que poderá ser futuramente aplicável em outros lugares, em outras situações. Eu queria que você falasse um pouco sobre essa tua visão, dessa relação entre esse espetáculo terrível de Gaza e esse desenvolvimento do fascismo contemporâneo. Não, obrigado pela pergunta, porque acharam-se central mesmo. Eu diria assim, eu sou desses que acham que Gaza é um movimento que coloca as exigências do pensamento crítico em outro patamar, porque eu fiquei completamente estar recido, primeiro pelo silêncio. Eu acho assim um pensamento, uma teoria crítica, ela tem que estar sempre um passo antes da catástrofe. Isso significa que se espera dela, que ela seja capaz de nomear a catástrofe antes dela ocorrer. Ou, ou, ou, não seja que ela não te chama a nomear, depois que todo mundo que as ruas, é um imprimido, todo mundo já falou, você fala, "é talvez quem sabe pode ser." Então, isso me coloca até uma questão com pergunta para que esse servitor, é crítico, esse não serve para, pelo menos, dizer, quando você tem um genocídio na sua frente, falar muito claramente, isso é um genocídio. Eu lembro, porque teve um momento lá no começo desse processo, onde alguns intelectuais alemães foram a imprensa para falar, para levantar o dedo contra todos aqueles que falavam, tem um genocídio de tal correndo, entre eles, o rabo, a minha companhia, isso me deixou profundamente indignado, porque acho que é uma traição moral absoluta em relação ao que é o papel de intelectual. Então, acho que já começa a isso, coloca uma tarefa para a nossa época, né? Eu acho que isso também mostra também uma insensibilidade atroz, a respeito de como o que acontece na periferia do capitalismo define o seu centro. Você não consegue enxergar que é isso, claro, você pode falar, essa violência de se genocídio se termina em gas, isso ocorreu em outros lugares. É verdade, por isso que isso é tão insuportável, que a gente já viu essa história em outro lugar, só que ainda tem um elemento a mais, que agora é novo, que é assim, teve um experimento social, eu diria, caso foi um experimento social que marcou a nossa época, porque ele foi basicamente o seguinte, eu vou colocar no seu celular todo dia, imagens de um genocídio, isso não vai fazer nada, não vai ter nenhuma reação, isso vai ser naturalizar tal, de tal maneira, que depois disso, qualquer outra coisa que aparecer, entendeu? Já vai acontecer da mesma forma. Eu diria, claro, as populações, elas são conscientes, então não teve isso de ninguém reagir, não, a gente viu 1 milhão de pessoas nas ruas, em várias cidades do mundo, você viu indignação por todos os lados, você viu um brutal silenciamento social, uma brutal criminalização, é a universidade, os universidades foram espaço privilegiado, de desprocesso, né? A gente viu, é a criminalização de estudantes que, bem, foram eles que salvaram a universidade nesse momento, porque assim, a parte alguns, algumas exceções onrosas, né, de professores, entrelicuais, acadêmicos, a grande maioria foi no silêncio atrozo, inclusive o pessoal, ligado, pensava ter colonial, foram um pouquinho, os que entenderem não mais isso, uma situação colonial clássica, típica, com todos os discurso, inclusive, o discurso da auto-defeza, é claro, não teve violência colonial, que não foi feito em nome da auto-defeza, do colonizador, né? Não teve violência colonial, que não falava do direito de defesa, mesmo quando você está dentro de um território onde você ocupou ele legalmente, então se não tem direito algum de estar lá, você autorizou todo qualquer reação, desde o momento que você ignorou completamente asistenças de leis internacionais, que dizem saia daqui, né? Então, seja, a ideia do escudo humano, mas é um clara, eu poderia fazer uma genealogia da história do escudo humano, isso assim, o Brasil está cheio de pessoas, não, mas afinal a gente já sabe, veja, mesmo se existisse isso, de alguém estar utilizando um outro grupo como escudo humano, isso nunca deu direito de massacre pra ninguém, não existe isso, direito de massacre, nenhuma, nenhuma lógica de jurídica, então, seja, uma estrutura classe, que mostra uma coisa muito interessante, em situações de degradação profunda da ordem socioeconômica, a dinâmica colonial volta com força, ela volta com força inaudita, em volta nas suas características as mais primárias possíveis, a gente viu isso, a gente está vendo isso agora, a explicitação imperial dos Estados Unidos, o que aconteceu na Venezuela, o tipo, o que deve acontecer em breve, em cu, o que vai acontecer em vários outros lugares, e que toca o Brasil de maneira profunda, porque o Brasil é um dos poucos países, na América, está muito claro que o que aconteceu foi dentro dessa lógica, você tem uma coisa estimitiana de redivisão de espaço de influência, e a América é espaço de influência norte-americana, o único país que tem autonomia é o Brasil, porque a gente já tem uma estrutura multilateral, já é mais avançada, então isso coloca uma série de brancas para nós, para nós, brasileiros, tudo isso para dizer, terminal livro com Gaza, era uma maneira de insistir esses laboratórios, eles sempre funcionaram dessa forma, em situações de aprofundamento, de acirramento de conflitos, eles se generalizam, a gente viu, a gente está vendo isso acontecer, por exemplo, você tem forças policiais no próprio Estados Unidos, e começa a tirar contra a população, a vinte anos atrás seria impensável, o governo cair, é uma coisa sustentadora, no dia seguinte o governo cair, isso a luz da grande mídia, da pequena, de todas as mídias, imagina o Nixon fazendo isso, e o Fony lá que está no poder mentido, é uma coisa assolina, que é tão distante, depois de Gaza tudo é possível, essa aqui é o animal, tudo é possível. Quer aproveitar, já que você mencionou a questão decolonial, colonialista, etc., você fez recentemente um texto, publicou o artigo na revista Piauí, no qual você apontava uma espécie centralização no território acadêmico e físico norte-americano, de uma leitura do fenômeno colonial, e de como eu reagei toda essa teoria da decolonial, da decolonização, vendo de certa forma, isso, algo colonial também intelectualmente, não. E depois eu vou ver reações, etc., eu queria que você fizesse um balanço dessa questão que você levantou, e que foi muito momentosa, né, digamos assim. Então, eu acho assim, por um lado, de fato, tiveram muitas reações, algumas interessantes, outras nem tanto, outras que até fizeram coisas que eu achei na crise de tal, que inventaram citações que eu tiver que tinha feito, que fizeram artigos, colocaram as palavras entre aspas que eu nunca falei, que eu acho assim, de todas as coisas que eu já havia, são uma das piores. Mas bem, isso pelo menos mostra uma coisa, um desejo muito grande de discussão, acho ótimo, né. Eu achei necessário fazer isso, porque, de fato, acho que tem algumas contradições dentro do pensamento de colonial, que precisam ser tematizadas, e, para mim, criticar e ler alguém que você vai criticar, é um sinal de respeito, e a desconsideração é a única coisa que é inaceitável, quer dizer. Critificar significa reconheço a importância, reconheço a riqueza, acho que tem autores que têm proposições extremamente interessantes, eu tive a importância de escrever um segundo artigo, tem indicando, e alguns casos, bem, esse grupo latino-americano, colonialidade-decoloneta, tem coisas muito interessantes em vários aspectos, mas tem também um problema muito grave, que eu diria, que é uma tendência de resubor de nação das experiências de tradições críticas dos países latino-americanos, a partir de um processo que se organiza, diante de uma lógica, de universidade norte-americana, com todos os seus limites, com todos os suas características, certo, e que vai sendo exportado, não foi uma articulação sursu, que organizou o pensamento de colonial, não foi porque o pessoal foi ler o sociólogo Perú, a Nibokirano, e fez ver do Perú pro Brasil, não, foi Perú, está os Unidos Brasil. E ignorar isso é ignorar um processo material de desenvolvimento das ideias, e as consequências que essa materialidade ela pode ter, eu diria, quando eu falei em FMI universitar, foi por duas razões, primeiro porque, digamos assim, eu aprendi em filosofia que você só vai conseguir fazer as pessoas falar nesse que você gritar, não sabia que você não fez alguma coisa mais cortante, não tinha de. e não foi só para como se diz hoje ganhar like, não, se você não amplia ninguém ver, poderia fazer um grande história de todas as vezes que a gente foi obrigada nos últimos 500 anos ampliar processos para que a discussão acontecesse. E segundo, porque eu acho que, de fato, tem uma dada de resubor de nação aqui, tem dois elementos, eu diria absolutamente evidentes, primeiro é dificuldade estrutural de se relacionar com as tradições já institucionalizadas nos países. Então, por isso que eu lembrei, olha, você pode ser crítico do colonialismo sem ser decolonial. Existe uma história enorme de crítica do colonialismo, certo? Ela atravessou 720 inteiro as lutas anticoloniais, não tinha nada de pensar em ser decolonial. Certo, e foram lutas enormes. Qual o pensador decolonial trabalha a roximina, por exemplo? Seu jeito foi o responsável para uma lutas anticolonial do século 20, né? Então, siga, no caso brasileiro, lembra, olha, você tem vários pensadores que não entraram dessa nova configuração de oso indorizonte crítico nacional. Porque eu diria o seguinte, foi se reconduzido a maneira com que nós devemos ser intelectuais críticos na América Latina. É por isso que eu acho que essa é uma questão tão sensível. E a gente tem uma tradição enorme, certo? A ideia é as ideias foram as lugares do Robert Schwartz, toda a ideia da dependência dos seus furtados, da dependência cultural, da dependência econômica, certo? Então, você é flexão sobre o cara ter revolucionado do campeonato brasileiro, caso do Mariguela, questão da Terra, dizer, tudo isso, o fato de que bem um Brasil e um país onde não teve só um estado criolho, como nos países latina-americanos. Tem um estado modernista que traz problemas próprios com dificuldades próprios, e também potencialidades que vocês são próprias. Então, seja, todos os elementos que não entram dentro do quadro desse programa mínimo decolonial, porque eu acho que é um problema. Esse é um problema. O outro problema, eu diria que você, eu tinha falado em a feminina nesse caso, porque, de fato, mais uma vez, é uma articulação sul, norte e sul, não há uma articulação sul, e ela traz consequência, inclusive, ela tem leituras de certos autores que estão vinculados à luta colônia, que são leituras que você pode questionar no sentido mais forte do termo, caso não, caso clássico nesse sentido. Mas eu diria, isso é um elemento importante para nós agora, porque nós sabemos como a questão colonial é a questão central da nossa época, com todas as suas desdobramentos, ela tende a ser uma questão cada vez mais importante. A gente viu Marco Rubio, agora, em Munique, fazendo um discurso, que se eu tirar seu Marco Rubio, eu sou uma filofilosofia, então, tenho palavras que eu não falaria sem ter pensado bastante. Se eu tirar seu Marco Rubio, colocar seu Hitler no lugar, daria mais ou menos a mesma coisa. É o mesmo tipo de discurso que a gente ouve nos anos 30, certo? É o necessário expansionismo, que fica muito amigo, se há um expansionismo comercial, um personismo militar, esse lugar, se há sentido da civilização ocidental, como aquela que traz pro mundo, a luz traz pro mundo, a liberdade traz pro mundo, a emancipação. E você é uma história dos nossos países onde não tem nada, não tem povos amérindos, não tem escravidão africana, não tem nada, tem só a vinda dos europeus, eu para cá, para constituirem uns maçigun de Europa. Quando um discurso como esse naturaliza, ele foi indigente de todos os grandes lidas europeus, que viram aquilo com uma naturalidade atroça. Isso mostra muito o que virar. E acho que numa situação como essa, é necessário que a gente tenha as melhores armas teóricas, as melhores armas conceituais. Isso tem um jeito de formar forjar a arma teórica, é através da nossa autocrítica implacável de nós mesmos. A autocrítica é uma força, ela não é uma captoração. Então acho, eu estranho muito alguma reação de pessoas que, diante de críticas, elas veem isso como se fosse quase um crime de lesa mais de estádio, quase que fosse uma reação desesperada de grupos que estão sentindo cada vez mais vulneráveis, de gente da nova configuração, certas das ascenções sociais, ou que psicologizam uma série de razões para a crítica, que eu digo não, mas é, na verdade, uma compreensão da necessidade. Nós temos conceitos melhores para uma situação que vai nos exigir muito mais do que exigiu até agora. Exato. Essa lógica desse reforço de grupos nas redes sociais, inclusive na esfera acadêmica, para uma dificuldade de receber a crítica. Quer dizer, o crítico é visto como alguém que vem ali, quase um inimigo. Então, eu achei corajoso da sua parte ter feito esse texto. Muito pertinente, porque é isso que você falou. A universidade também é alvo desse fascismo privilegiado, é um grande alvo. E você vai ter que responder a isso, também teoricamente, acadêmicamente, e isso se forja. Como dizia nos tempos de militante, é na luta. Então, meu Deus, eu disse que, de bem, eu passei 10 anos, tendo uma coluna aqui na folha. Então, sem sobras de cancelamento, eu já estou com a dessa. Eu já não faz muita diferença. A gente já. era quase toda semana. Toda semana. Você também está a meu lugar a sensar como funciona. Então, tudo bem, eu entendo essas razões. Não sou daqueles que vai começar a ficar chorando aqui, nosso, se eu quiser. Ficando sei lá, tal, não sei o que. A gente está dentro desse ao jogo, às vezes ele é duro mesmo. Isso não começou hoje. Imagina, nos anos 50, eu me chamo de pequeno burguesa, a maneira mais fácil do mundo. O que eu acho importante, na verdade, é uma outra coisa. Eu diria assim, olha, eu sou um funcionário público. Eu sou pago pelo contribuinte brasileiro, para poder da aula lesionar, fazer pesquisa, do sens. E também tentar ajudar a sociedade, a pensar-se mesmo. Essa é a nossa função. Ao visco, tentar refletir, fazer parte desse processo. A pior coisa do mundo seria um desrespeito. Acho que um papel de funcionário público, você calcular as suas entradas dentro do opinião pública, a partir de seus interesses, e a auto-preservação. Então, assim, isso não faz parte. Eu falei isso na época que estava comprando mais forte quando a questão de gása. Olha, estou vendo. A gente vê várias pessoas que fazem um calculante de efetivamente, se colocar sua voz entre esse processo. O intelectual não calcula. Porque a gente vive perdendo coisas, se não passar a lista do que se per. Mas, sendo normal, ninguém vai. É faz parte da nossa função. É essa. Alguém tem que não calcular. Queria agradecer ao professor Vlad Mesa Fatli, por ter comparecido aqui ao nosso estúdio na folha, para participar dessa conversa. Ele, que é autor de "A, A, A, Essa, Interna". Livro que está sendo lançado pela editora Ubu, sobre a questão do fascismo global. Eu sou Marcos Alguém Solve, sou de Tour da Ilhos Tríssima. Semana que vem o melhor daqui a duas semanas, nosso podcast volta com Eduardo Sombini, a edição de soma de Rafael Conchli, e o nosso podcast, ilustríssima conversa, está em todas as grandes plataformas. Sigam ouçam, comenteem e até a próxima. ♪

Podcast Summary

Key Points:

  1. O fascismo é definido como a mobilização de violência para modificar afetos sociais através da dessensibilização e indiferença.
  2. Vladimir Safatle argumenta que o atual populismo autoritário (Trump, Bolsonaro, Orbán) é fascismo real, não metáfora, enraizado em sociedades neoliberais.
  3. O fascismo é uma "ameaça interna", resultado de crises estruturais (econômica, ecológica, política) e não uma regressão ou corpo estranho à democracia.
  4. Safatle propõe o conceito de "fascismo restrito" para descrever democracias liberais que aplicam violência colonial a grupos específicos, evoluindo para "fascismo generalizado" em crises.
  5. O neoliberalismo cria condições para o fascismo ao individualizar falhas, despolitizar a sociedade e quebrar solidariedades, com origens em regimes autoritários como o Chile de Pinochet.
  6. A análise combina estruturas macroeconômicas e psicologia social (Escola de Frankfurt, Reich, Deleuze) para entender a violência fascista como projeto de reconstrução de sujeitos.
  7. Safatle critica a intelectualidade brasileira por ignorar a tradição fascista nacional (integralismo) e sua ligação orgânica com a ditadura militar.

Summary:

O filósofo Vladimir Safatle, em entrevista sobre seu livro "A Ameaça Interna", redefine o fascismo contemporâneo não como uma regressão ou metáfora, mas como um fenômeno real e estrutural. Ele argumenta que líderes como Trump, Bolsonaro e Orbán representam um fascismo que emerge das próprias sociedades neoliberais, marcadas por individualismo acirrado, competição e dessensibilização. Safatle propõe o conceito de "fascismo restrito" para descrever democracias liberais que historicamente aplicaram violência colonial e racial a grupos marginalizados, como nos EUA com negros ou na França com argelinos.

Em situações de crises conexas (econômica, ecológica, política), esse fascismo restrito se generaliza, normalizando a ideia de que "não há sociedade para todos" e justificando a exclusão de certos grupos. O neoliberalismo, segundo ele, prepara o terreno ao despolitizar a sociedade, individualizar fracassos e quebrar laços de solidariedade, com origens em regimes autoritários como o Chile de Pinchochet. Safatle também critica a intelectualidade brasileira por ignorar a tradição fascista nacional, exemplificada pelo integralismo e sua ligação com a ditadura militar.

A análise combina estruturas macroeconômicas com psicologia social, destacando como a violência fascista reconstrói afetos sociais, tornando a indiferença ao sofrimento alheio uma característica central. Para ele, o fascismo não é uma ameaça externa, mas uma resposta "racional" às crises internas das sociedades contemporâneas.

FAQs

Fascismo é a mobilização de uma violência que visa modificar os afetos sociais através da desensibilização e da indiferença, onde as pessoas deixam de sentir se outros desaparecem ou são exterminados.

Ele argumenta que o fascismo é uma realidade analiticamente comprovada, visível no aumento da violência estatal, discursos fascistas e degradação social, como visto em líderes como Trump, Bolsonaro e Orbán.

O neoliberalismo criou condições para o fascismo em crises estruturais, ao despolitizar a sociedade, individualizar o colapso social e usar violência para impor a livre iniciativa, como exemplificado no Chile de Pinochet.

Fascismo restrito é uma forma de governo que aplica violência e indiferença a certos grupos, como em democracias coloniais, substituindo o conceito de democracia liberal.

Em situações de crises conexas (econômica, ecológica, social), a lógica de guerra civil e autorização para matar se generaliza, levando a um fascismo que se alastra por toda a sociedade.

O integralismo, com 1,2 milhão de membros nos anos 30, teve ligação orgânica com a ditadura militar, e Bolsonaro usou seu lema 'Deus, Pátria e Família', mostrando que o fascismo é constituinte da história brasileira.

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