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Ventos da exclusão

59m 9s

Ventos da exclusão

O episódio do Ciência Suja explora a expansão de parques eólicos no Nordeste brasileiro, especialmente em regiões como Caetés e Buique, destacando os impactos negativos sobre comunidades históricamente excluídas. A presença constante de turbinas gera barulho intenso, com níveis de ruído acima da recomendação da OMS, provocando estresse, ansiedade, insônia e sintomas como bruxismo e efeitos estroboscópicos. Pesquisas da Fiocruz mostram que 75% dos moradores relatam problemas de sono e 63% sofrem de ansiedade, indicando um impacto sério na saúde mental. O processo é criticado como uma "zona de sacrifício", onde comunidades indígenas, quilombolas e negras são deslocadas e seus territórios explorados sem retorno equitativo. A expansão é facilitada por um sistema de licenciamento fraco e fragmentado, com empreendimentos divididos para evitar análises completas. A energia gerada não é eficazmente distribuída, gerando sobrecarga nas linhas de transmissão e beneficiando empresas de data centers, que consomem grandes quantidades de eletricidade. O episódio também relata a resistência de povos como os capinais e quilombolas, que enfrentam ameaças de perda de terras e violação de direitos. Ainda, o guia do Observatório da Branquitude aponta que uma transição energética justa exige reparação, consulta prévia livre e o respeito aos modos de vida locais. A narrativa refuta a ideia de "energia limpa", mostrando que a exploração colonial dos recursos naturais reproduz desigualdades raciais e ambientais, e que o progresso é feito ao custo de vidas e territórios. A crítica final enfatiza que o desenvolvimento energético não deve ser feito ao preço de desapropriação de comunidades e de sua cultura, e que a verdadeira sustentabilidade exige justiça social e respeito aos direitos ambientais e de todos os povos.

Transcription

8524 Words, 49681 Characters

Portuguese
O Ciência Suja tem o selo da Rádio Guarda-Chuva, jornalismo para quem gosta de ouvir. Este episódio só foi produzido graças ao Observatório da Branquitude, uma organização que produz conhecimento e pressiona autoridades para que enfrentem as desigualdades raciais. E o Ciência Suja tem o apoio de sempre do Instituto Serapileira, que financia a Ciência e a comunicação científica no Brasil. Talvez tem sido difícil de escutar, mas esse aí é o Pedro, o nosso produtor Pedro Belo. Ele tava junto com o Caio Santos, parceiro aqui do Ciência Suja, lá da Gríopo de Cash, e os dois estavam caminhando pelo terreno, onde ficava a casa que a Roselma morou com o marido Clayton e os dois filhos do casal. Os pais do Clayton também ficavam ali do lado, um tio dele ainda tá por lá. A casa da Roselma já não existe mais, mas ela viveu ali por muitos anos. Pelo menos 10 deles entre dois aerogeradores, duas torres imensas de 80 metros de altura, que ficam de costas para o terreno. Venta bastante por ali, mas não é o barulho do vento que você tá escutando. Parece mais perto, até do que senti, falou 160, né? A gente já tava para que ela morou sendo para a gente virar mais por aí. Essa aqui é mais, né? O maior partida da aeroporto em Recife, a Marrambaro. - Marrambaro é que excelência mais, né? - Ah, é conselto, né? Se você vive numa grande cidade, talvez já tenha se acostumado com um barulho intermitente dos aviões. Mesmo, numurando perto de um aeroporto. Mas é diferente na comunidade rural do Sítio Sobradinho em Caithess, no interior de Pernambuco. Era um barulho dia inteiro, era um até 24 horas no vírus, barulho. Eu sei, deitava, se sentia que não me estremessei. Era a gente acostumando dizer que é um avil que nunca posa. Porque 24 horas sem intervalo nenhum, sem parar. E quando vai chegar na noite, vai piorar, um barulho vai aumentando mais ainda. E não é que a Roselma e o Clayton resolveram construir a casa deles ao lado de um parque ólico que já existia. Eles e as famílias que ainda moram ali chegaram muito antes. Mas depois de 2014, com a instalação de uma série de empreendimentos eólicos na região, a Roselma e outras pessoas tiveram que conviver com o barulho constante das torres. Um ruído tão alto e tão incómodo que ficou registrado numa pesquisa multidisciplinar da Fiocruz de Pernambuco. Aí, 77 pessoas entrevistadas disseram que tem a questão do estresse. Perda da qualidade do sono também, 75% das pessoas estavam relatando perda da qualidade do sono. E aí vem vários, uma sequência de sintomas. E aí eu vou destacar também a questão da ansiedade, que é em saúde mental, que é 63%. A gente fala também de irritação dos olhos. Na última década, os ventos da transição energética chegaram com tudo no Nordeste Brasileiro. A expansão de parques eólicos na catinga segue uma curva crescente, da Bahia ou Piauí, passando por Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão. Foram 16 mil hectares de vegetação nativa ou 16 mil estádios do Maracanã que abrirão espaço para parques eólicos entre 2016 e 2025. Isso, segundo dados recentes do Map Biomas. Mas o desmatamento está longe de ser o único impacto, como você já deve ter se ligado pela história da Roselma. A gente verifica que é utilizado o região nordeste como uma zona de sacrifício. Quando a gente fala isso, a gente inclui pessoas, agriculturas, capesinos, indígenas, quilombolas. Neste episódio produziria em parceria com o Observatório da Brancitude, o Cínsia Suja foi até o interior de Pernambuco para conversar com pesquisadores e pessoas que resistem a ofensiva dos parques eólicos na região. A gente também buscou entender como está acontecendo essa transição energética supostamente limpa no Brasil, que se apropria dos recursos naturais enquanto causa prejuízos para as comunidades históricamente excluídas. A gente tem que desmistificar a ideia de quem essa uma decisão apenas técnica, essa uma decisão política, certamente venta muito em determinados espaços que são espaços tiros da elite e espaços brancos. Mas há uma decisão política de instalação, de usinas eólicas ainda em determinados espaços que são espaços racelidados, espaços de comunidades racelidados. Eu sou a Meg Rodrigues. Eu sou o Telro Preste e esse é o Cínsia Suja, o podcast que mostra que em crimes contra a ciência as vítimas somos todos nós. O rangido que você escutou, seguido de um barulho que parece sair do de um bicho muito grande, um cavalo, sei lá, é de um catavento gigante em agonia. Uma das três elis se esquebrou e ficou pendurada por um tempo, até que se soltou causando esse último estrondo. O vídeo foi gravado em 2021 pela Rosel Mil Clayton, no quintal de casa, a 160 metros de distância da cena. O vídeo está numa matéria do marco zero-conteuudo, que a gente vai deixar no nosso material complementar. Agora ele, no ar de Vitor, coloca a torta caixa em cima da casa. Aí eu pulei e da cama, a criançada dormindo ainda, começou aquele desespero, não sabia se curria para fora, se curria para debastar a cama, debastar a mesa. Mas foi matéria, ali, para estudar. Você que a genteição é o correndo para ficar o máximo de distância delas, porque quando a gente abre o aporta que a gente viu ainda, ela está vacinha ainda, no canto e no outro, que nem ia cair ainda. O Pedro Bello e o Caio Santos, que mora em Recife, já editou muitos episódios nossos, estiveram lá no território com a Roselma, justamente para captar impactos desses empreendimentos que são difíceis de quantificar a distância. Oi gente, é o Pedro aqui. É como se não bastasse conviver há sete anos com o barulho constante da Torre. Em 2021, o maior medo da Roselma se tornou uma ameaça bastante real. O de que uma é daquelas torres, uma a 160 e a outra a 180 metros da casa dela, despencace sobre a cabeça deles. Meu menino mesmo queria ir dormir mais sols ainda na cama dele. Qualquer barulho quer ouvir, ele dizia que era a torre que cai em cima da casa. Ele começou quando ele dormia, que eu coloco a ver na cama dele, mas não tinha nunca dormir sols ainda aqui, não? A situação chegou absurdo do filho da Roselma, um menino de nove anos na época, precisar de remédio para dormir. E vou te falar aqui, dá para entender. A gente chegou a Cahetés vindo de Buique, no Vale do Catimbal. Não é um percurso óbvio e mais para frente você vai entender porque a gente fez esse caminho. Mas a nossa ida de um vale para uma região de Serra contou com uma subida e direção a uma filera de Toys no alto de uma montanha. E essas torres só cresciam no horizonte conforme a gente se aproximava. Até que numa curva da subida, a gente viu aquele monte de cataventos gigantes e filerado com o nosso carrinho passando ali no meio. Desaí, Cahetés. Oi gente, é uma sensação bem estranha. Uma vista meio bonita, meio assombrosa. Pelo que a gente apurou, as torres do parque é óleo, qualidade da região, tem por volta de 80 metros de altura. Se for considerar que um prédio tem em média, três metros por andar, cada torre seria um prédio de 26 ou 27 andares. Nem Recife e nem São Paulo. Terra de arranha a céu é como um ter tanto prédio nessa altura. É uma parada que intimida de verdade. A gente parou na beira da estrada para tentar registrar o barulho com nossos microfones, mas as condições ali não estavam ideais. Um gido isso. O tráfego de carros e caminhões também faziam um barulhão. Não dava direito para avaliar o impacto das torres em si. Esse barulho é de carro, tá? Tá turbina, porque se você tá turbina, isso seria louco. Mas o que dava para falar logo de cara é que realmente dá um certo medo ficar de baixo daquela estoura. O vindo e arranjidos do metal, vendo as elas se espaçando sobre a sua cabeça, vendo as sombras que elas fazem rodando na paisagem. Eu pelo menos eu fiquei muito incomodado quando a gente parou bem embaixo de uma das torres. Aí já foi na região do sítio sobradinho, longe da rodovia, na zona rural de Caetés mesmo. Ali não tinha nenhum barulho que não fosse da torre. Não tinha nenhuma cerca, nem uma proteção. A gente parou o carro embaixo mesmo ali da torre, a menos de 10 metros da escada de acesso para uma delas. Dá uma vertigem mesmo ver aquele negócio girando sobre a nossa cabeça. E isso fora o barulho. Eu levei um medidor de descibeis simples ali para essa viagem. Eu até por causa dele, que na abertura do episódio você me escutou perguntando para Roselma onde ficava o quarto dela. É que eu queria me posicionar exatamente onde ela dormia para medir o ruído das turbinas. E ele ficou entre 66 e 68 descibeis na maior parte do tempo. Chegou a bater 84 numa hora que o vento aumentou. E 84 descibeis é tipo uma moto barulhenta passando do seu lado, um aspirado. de pó ligado. Para você ter uma ideia, a recomendação da OMS é que as pessoas não convivam com o rido acima de 45 dB por muito tempo. A exposição frequente a volume superior é associada a um risco maior de doenças cardiovasculares, por exemplo. E aí a gente volta para a história da Roselma. É impossível nos colocar no lugar dela do marido ou dos filhos. Mesmo antes da quele acidente coelhos, a convivência com aqueles gigantes de metal, girandos, unindo 24 horas por dia, já não estava nada boa. O barulho é um barulho de terrila, que lá ali na sua cabeça você fica estressada. O mesmo estava em queitinho ao pc, com estresse. Estressado, bíticado, para você falar, você começava a gritar, está competindo com o barulho do do aerolá, está fazendo o barulho, você não confinou falar mais baixinho, olha só gritando. A Roselma e o Clayton pararam de plantar na terra com medo de possíveis descargas elétricas das torres. E as criações de ouvelhas, cabras, galinhas também sentiram os impactos. E a questão das águas nas galhas que a gente tinha. Estamos estetava para tirar os pincinhos, não estava saindo mais, não estava chocando. As empresas de energia é ólica, chegaram na região do cítio sobradinho, onde a Roselma morou a vida toda, prometendo abre aspas a energia do futuro. Ela viria de um simples catavento que teria impactos zero, não faria barulho nenhum, e ainda geraria empregos e redução nas contas de luzes. Algo que não aconteceu. O Clayton até chegou mesmo a ser contratado por algumas empresas para trabalhar nas montagens de torres, mas sempre em projetos distantes do território dele, na Bahia ou no Maranhão, por ali mesmo ele não pegou nada. Ali, pelo cítio sobradinho, os problemas começaram já na instalação das torres. Tras que intenso de caminhões já estradas, além do barulho da poeira constante. Ao ver que uma torre estava sendo erguida, tão perto da sua casa, Roselma se preocupou e tentou entender o que estava acontecendo com os funcionários da obra. Eles disseram que ela devia procurar os responsáveis pela subestação. A gente procurou, não quisermos receber depois que a gente for de novo, não recepeiro, chegue lá se ela assista em 10 minutos para falar com você esquerdo. A gente falou mais e ficou naquilo. Falamos, falamos e nada foi feito. Depois de mais de algumas tentativas sem sucesso, Roselma e alguns vizinhos resolveram parte para a briga. Nós passou aqui em ter uma barriguda que tinha uma casa ali, né? É. A barriguda é uma das árvores símbolo da resiliência da catinga. E tem esse nome justamente porque o tronco é dilatado, parece uma barriga, para funcionar como um reservatório. Foi ali, na sombra dela e no caminho da subestação mais próxima que Roselma e os vizinhos começaram o protesto, que aos poucos ia fazer do sítio sobradinho em Caetás, um símbolo de resistência. Aí a gente fez, eu pegou uma panela grande, fizemos um carro de uma corta numa idade de trada, ficando na capa anela, numa idade de trada para ninguém passar. Ficamos lá, colocamos um mato, mandaram essas coisas e colamam para ninguém passar. Os poucos essa resistência fosse espalhando. Aí a Vanessa Gomes, você ouviu ela no começo do episódio falando de uma pesquisa que mostrava os efeitos das elálicas na saúde. Então sou Vanessa Gomes, sou professora há quase 14 anos da universidade Pernambuco, né? Sou enfermeira sanitarista, então tem um doutorado em saúde pública, também sou professora colaboradora do programa de pós-graduação aqui da Fiocruis. Na entrevista, ela narrou a primeira vez que foi na comunidade de sobradinho. E quando a gente chega lá em torno mais 15 famílias para não receber para essa reunião, para eu poder entender o que estava acontecendo, quais eram os problemas de saúde, que o pessoal da CPT estava relatando, e todas as pessoas que estavam lá estavam com a sacólinha para mostrar as medicações que tomam. Então todo mundo estava tomando uma educação, uma educação controlada, está de apreita, que é para dormir, para ansiedade, para depressão, enfim. Beis odeias épínicos em sua grande maioria, e. e bem chorosas, né? Muitos desmarradores tinham queixas que se alinhavam com a chamada síntrome da turbineólica, uma condição identificada pela pesquisadora estadunidense Nina Pierpoint, que inclui doris de cabeça, tonturas, zumbidos nos ouvidos, destobos nos sonos e muito mais. Os dentistas do nosso grupo, ele fez esses exames, ele também constatou que 90% das pessoas estavam com o bruxismo. O bruxismo é aquele aperto rangir constante dos dentes, que pode acontecer durante o sono ou mesmo quando você está acordado, os trezes está associado a esse problema, e ainda daria para falar de perradutiva causada pela exposição constante aos huíris de várias frequências. A Roséama também relatou sobre o feito estroboscópico, que é quando uma fonte de luz fica pescando enquanto ilumina algo em movimento, e é isso dói o olho só de imaginar. A gente via, a gente via a soma até a mão, a gente via a soma dentro de casa. Com suas fases numa boate, só por isso já está claro que essa história de impacto zero não passa de balela, no fim, nem a conta de luz baixou. Como talvez você tenha pescado, a Roséama e a família dela não moram mais ali ao lado dos aerogiradores. Depois de muitos anos de negociações, ela aceitou um acordo que veio com uma indenização de 100 mil reais, é um valor insuficiente para cobrir o custo de um terreno e de uma casa nova, que ela sente até hoje que não é dela. Mas adiante, a gente volta para Roséama, mas por enquanto, vamos entender contra quem ela está lutando. Quando está falando de colônia-lismo energético, mas está falando que ele é terminado as empresas, grupos, países que estão ligados a um arte global, eles exploram, desapropriam, desapropriam pessoas, exploram territórios, impõem um sofrimento para terminar nos comunidades, para levar essa riqueza embora desses territórios. Então, os territórios não colham os benefícios, mas a riqueza é levada embora, nesse caso, a riqueza é energia. Esse que se ouviu agora é o Talis Vieira, um antropólogo Carioca, que é diretor de estratégias e programas e um dos fundadores observatório da Brinquitude. Meu trabalho, o trabalho do observador da Brinquitude não se diferencia muito nos trabalhos de outras organizações negras que estão pensando a nossa operação do racismo. A nossa diferença é que a gente está olhando para como a malutenção do racismo e dessa engrenagem racial privilegia alguns, não só como ela victimiza, muitos, mas como ela privilegia alguns e como é a partir desse privilegio e se mantém uma estrutura racista no Brasil. O Talis foi um dos responsáveis por supervisionar o guia para uma transição energética justa, raça, gênero e território, como bústolas para imaginar o futuro. Esse é um relatório que faz uma análise crítica e muito séria sobre a expansão da energia olhaca no Brasil. O guia foi lançado em maio de 2026 e te está como a questão importante, a invisibilidade estatística. E que a gente está falando sobre isso? Os órgãos fundamentais de controle e de regulação desse tipo de instalação de empreendimentos energéticos e de empreendimentos de grande impacto ambiental, e aqui estou falando da Anel, na API, que a empresa de pesquisa energética, azul e bama, então os principais órgãos que regulam pensam e produzem dados sobre esses empreendimentos e eles pouco produzem dados populacionais. Então eles não produzem, por exemplo, dados de racigênio, eles não estão pensando dados de racigênio. A equipe do observatório cruzodado, sem citarios da pinade, a pesquisa nacional por a mostra de domicílios, com os dessas três instituições que o Talis citou. A agência nacional de energia elétrica, a Anel, a API e o Ibama. Isso, para entender como a expansão da infraestrutura elétrica no Brasil está se desenhando pelo território, e como as populações locais podem ser impactadas. O levantamento segue a metodologia internacional Just Space Design, que surgiu para antecipar perjuízo social ambientais. Você basicamente mapeia a situação, inclusive do ponto de vista social e com recortes de raça, para não menos presar certos efeitos na população local. E isso, realmente, antes de eventualmente subiu um monte de ventilador gigante num determinado local. Um outro eixo do levantamento do observatório da Branquitude, analisou estudos de casos sobre territórios do Nordeste Brasileiro, entre eles o cítio sobradinho em Caetés. A outra região é uma faixa literânea no Rio Grande do Norte, que compreende os municípios de Macau, Caissara do Norte, Galinhos e São Miguel do Gostoso, que deve receber projetos eólicos offshore nos próximos anos. Projeto eólico offshore é instalar os aerogiradores em alto mar mesmo. Acontece que essa região hoje é habitada por comunidades que vivem da pesca artesanal e doutorismo. A escolha desses recortes territoriais não é a toa. Neles há uma presença boa. bem documentada de populações negras indígenas, históricamente mais prejudicadas e com dificuldade de acesso a bens e direitos. A estimativa é que 120 mil pessoas vivem áreas com aerogeladoras. Dessa 120 mil pessoas, 72% são pessoas negras indígenas. Isso só escancara que em mais está sofrendo com esses projetos limpos entre aspas, e mostra como empreendimentos energéticos no país não estão antecipando pra juízos e gerando inclusão, como guia do observatório Pede. Pelo contrário, eles parecem estar intensificando a desigualdade e reproduzindo dinâmicas tão antigas quanto o descobrimento entre aspas do Brasil. "Meiro recorte, a gente pode dizer isso, que as pessoas que são atingidas, ela tem cor, raça e gênero, porque gênero, porque quem suporta o maior impacto desse processo de transição em curso são as mulheres negras. Então, isso a gente pode ver pelo senso, que a gente vai perceber o senso rural." Esse é o professor Luís António Suárez, doutorando em sociologia pela Universidade Federal de Pernambuco e um dos responsáveis pela pesquisa e a elaboração do guia para uma transição energética justa. Durante minha pesquisa, eu me deparei com um conceito de colonialismo energético. Esse conceito abre pra um análise mais ampla, porque o que a gente observa no nordeste brasileiro é a continuidade do processo de colonização, como ouvindo pelos gães centros econômicos globais. Então, dentro de uma lógica colonial, que é um conceito, que é amplamente discutido, que saa no último século. A gente verifica que é utilizado o arrejão nordeste como uma zona de sacrifício. Se você escutou o nosso episódio "Zonas de Sacrifício" ou o picaretagem espradial "Fim do Mundo", os dois de 2025 talvez setejam um pouco mais familiarizado com essa discussão. Se ainda não, vale a pena, os dois vão ser ótimos complementos. Enfim, em resumo, as zonas de sacrifício são áreas em que as empresas despejam entre aspas suas externalidades negativas, as consequências negativas das suas atividades. Então, pode ser uma cidade onde várias indústrias soltam seus poluentes, como aconteceu com um cubatão no passado. Ou uma terra onde viviam povos originários, que é inundada para fazer uma represa de dreletrica, como rolouenta e pu, ou um local onde turbinas eólicas tiram a paz e o sustento de quem está por perto. O fato é que essa transição energética que a gente está vivendo segue reproduzindo lógicas estrativistas e coloniais. É chegar se apropelhada a terra dos recursos naturais que estão ali, nesse caso o vento e danes e quem mora por perto. A gente sabe que o Nordeste Brasileiro, especialmente semiário, é onde se concentra o maior número de quilombos do Brasil. Então, uma população indígena, historicamente, foi empurrada por semiário também no Nordeste Brasileiro. O estado de Pernambuco, que a gente nem imagina, mas concentra a quarta maior população indígena do Brasil. Então, as pessoas que são impactadas, elas têm a descendência, a flu indígena, e foram empobrecidas com passar dos anos desse processo de exploração colonial. Para ilustrar essa afirmação do Luís, a gente vai trazer mais dois exemplos aqui no episódio. O primeiro é a comunidade quilombola de Macambira, na região do Ceridó, no Rio Grande do Norte. A gente conversou com a Hannah e Souza, que mora nessa região e estudou o tema na sua pesquisa de mestrado. Essa comunidade, ela recebeu aerogirador, já pariu em 2013, 2016, e li em transmissão de 2022. A pesquisa da Hannah tenta compreender o que mudou na relação dos moradores com o território depois da chegada dos empreendimentos eólicos. Acontece que o território onde a comunidade fica situada já é alvo de disputas bem antes da chegada dos ventos da transição energética. A parte desse território era oficialmente de propriedade de um artifundiário lá da região, de dois, na verdade, lá de fundiários da região. Sendo que a comunidade quilombola de Macambira, ela passa por um processo de expropriação ao longo do tempo, que é muito comum, assim, entre os comunidades quilombolas, que eles ocupam aquele lugar, e no caso de Macambira, eles chamam a pósse do título mesmo da Terra, porque foi uma terra comprada, né, pelo nosso estral deles, que era inscrivizado. E com o tempo, esses lá de fundiários foram ocupando aquela Terra, né? Mesmo com o relatório técnico de identificação e delimitação, o RTD, que é um documento oficial do íncra que reconhece e delimita o território como quilombola, a comunidade foi perdendo aos poucos esses pedaços de terra, mesmo produzindo ali ainda com rossados de mandioca, por exemplo. Quando o parqueólico da multinacional espanhola Gestamp, que era o nome da época, e hoje se chamê-la o An, quando eles chegaram ali no local, eles logo se aliaram com os fazendeiros e deram início a uma batalha jurídica que durou anos. Teve expulsão, depois reintegração de pósse para os quilombolas, e, por fim, propuseram acordo. Mas pelo que a Hane conta, não foi um acordo bacana, não. Foi mais na linha daquela oferta que não dá para recusar, sabe? Eu vou fazer uma oferta irrecusável. E aí, eles tiveram que aceitar, então, assim, o dado deixou muito claro que eles foram coagidos, porque o lado fundaram e mandavam pistoleiro, e o pessoal da empresa dizia que, se fosse para uma outra estância, eles iam perder a terra toda. Então, o que ocorrem o Macambira é que toda a parte do território, as porções do território, onde foram instalados a aerogeladora do exposteriormente, permaneceram com a propriedade do lado fundiário, eles perderam. Foi desse jeito sujo que o quilombo do Macambira perdeu 750 hectares de terra, 750 campos de futebol, ou mais de um quarto do território original deles para a geração de energia limpa para a transição energética. E sabe quem está ajudando a financiar isso? Ainda mais. Porque todo esse processo de transição energética, ele é custeado pelo nosso dinheiro, pelo dinheiro do Estado, do BNDS, por exemplo, que tem linhas de crédito, gordíssimas. Então, a gente tem que refletir, porque a gente está pagando com a transição energética que não nos serve. Segundo o veículo Brasil Energia, o BNDS liberou 32,7 bilhões de reais em crédito para a criação de parques eólicos entre 2016 e 2023. O resultado foi uma expansão do setor, que hoje responde por 14% do fornecimento de energia elétrica no Brasil. As eólicas só estão atrás da energia térmica, da chamada Mini e Microgeração Distribuída, que são eminentemente aqueles painéis solares em cima de casas, prédios e outras construções, e claro, de energia hidráulica das hidrelétricas, que suprem quase metade da nossa electricidade, os dados são do relatório de 2025, do operador nacional do sistema elétrico. Mas não é só com números que os ventos da transição vem varrendo o semiário do nordestino. Para entender um pouco melhor o modo operante de algumas dessas empresas, a gente conversou com Fernando Joaquim Maia, professor de direito da Universidade Federal da Paraíba. Então, é uma situação complicada, nesse processo aí, há uma reconcentração fundiária. Nós estamos vivendo no nordeste hoje. Um espécie de reconcentração fundiária, muito comparável àquela que o programa da 70 com uma formação do abro negócio, onde os agricultores, pequenos agricultores, foram levados à falência. O Fernando faz parte do Don Quixote, um grupo de pesquisa e extensão que tem esse nome porque deixa ele mesmo explicar. Porque Don Quixote eu estava contra os moninhos de vento. E nós nascemos na preocupação de buscar enxergar a expansão das vezes renováveis a partir dos interesses, dos pequenos e médios, agricultores. Então, nós fizemos uma metáfora com o Don Quixote, não mais como os moismeiros, mas grandes, mais em relação aos grandes aerogeradores capitalistas. Mas, enfim, o Fernando contou que a apropriação da Terra está acontecendo via um arrendamento que pode até iludir, mas não tem beneficiados pequenos produtores. Então, essas empresas cheguem, adquirem grandes extensões de Terra. Muito desses agricultores resolvem abandonar a Terra para viver de míseros alugueses. Eles viram um espécie de chepa ganhar 400 reais, 1.000 reais, 2.000 reais por mês. Então, basicamente, a empresa chega e paga uma mereca de aluguel por cada dia. turbina e ólica, que ela instala no seu quintal. Se você é o latifundiário com capacidade de arrendar seu terreno para 50, 100 torres, aí a renda começa a valer a pena. Mas essa não é a realidade dessas comunidades que estão sendo impactadas. É que as propriedades, Nordeste, a maioria são minifundiários, são propriedades 5 a 10 hectares. Uma era gerador desse quando é instalado, ele exige um raio de segurança, de ação de 300 a 500 metros. Imaginha o que é 550, 500 metros, 300 metros, em uma propriedade minifundiária de 5 a 10 hectares. Então isso, basicamente, inviabiliza a produção agrícola. E isso compromete quando isso atinge mais de 50%. Digamos em a própria condição de segurados especial de agricultor. O outro problema é que muitos dos contratos fazem os agricultores cederem a posse da terra por 20 ou até 50 anos em alguns casos. Profernando, isso altera drasticamente o uso da terra e o modo de vida daquelas comunidades. Nós estamos assistindo, uma deputação do composinato, a sua, eles são deixando-se companhias para virar e virar boias furias e virar penistas de pequena categoria. E um boa parte está meigrando, está saindo, está vendo o ex-lural das eljões, hein? Eles sigam com a terra, a terra está no nome deles e falam o cartório está lá. Mas apose que o contrato é abervado no cartório, está nas mãos já em presa, apose ao longo prazo. E isso, de novo, sob enorme pressão. Então, depois intervalo, você vai entender por que essa expansão frenética do setoreólico no Nordeste talvez nem faça tanto sentido assim. E ainda vai conhecer mais uma história de uma outra comunidade que está resistindo ao avanço das empresas. Gente, o ciência surge a estar para lançar um livro que tem tudo a ver com o debate desse episódio. Ele vai se chamar a ciência colonizadora. É uma adaptação da nossa temporada sobre colonialismo e racismo na ciência. Mas para esse livro virar a realidade, a gente precisa levantar uma grana via financiamento coletivo para viabilizar as primeiras impressões. Apoiando em qualquer categoria, você já garante o seu exemplar. E dependendo do quanto oferecer, ainda leva outros livros e brindes da editora dos aspas que está com a gente. Ou procura por a ciência colonizadora em Catás e no Google que você chega lá. E agora, um recado do podcast Pratocheio, que está com uma nova temporada no ar, escuta só. Elas tomam o Uain da Mamadeira, suplementos vitaminicos, desnecessários, consultam o chat de PT pedindo dietas para emagrecer. Informam nas redes sociais sua própria concepção de alimentação. Então eles duvem que você comendo muito proteína, menos dieta da célula do leão, que ele vai ter mais testosterona, vai ser mais forte, mais mágico, vai ser álfano, vai ser peta, vestida e coisa. E às vezes você acha mais hoje um massacre? Eu sou a Maíra Matias, estou passando aqui para te convidar a ouvir a série Pratinho Cheio. Da primeira colherada à impluência das redes sociais, eu te conto em três episódios o que está acontecendo com alimentação das crianças brasileiras. O primeiro episódio já está no ar e você pode conferir no perfil do podcast Pratocheio no seu tocador preferido ou no site o Joio E o Trigo. [MÚSICA DE FUNDO] [MÚSICA DE FUNDO] [MÚSICA DE FUNDO] Eles vinham aqui fazendo a visita e chegaram aqui, a maioria das pessoas fizeram o fogo. Vamos derrubar? Vamos botar fogo agora? [MÚSICA DE FUNDO] É mesmo. [MÚSICA DE FUNDO] [MÚSICA DE FUNDO] Nessa hora, a Rosélma estava contando para a gente da visita de um personagem que você ainda não escutou por aqui e que estava propondo destruir mesmo um aerogerador. É o Cassique Robério, do povo capinalar, que fica lá no Vale do Catimbal, na região de Buique, há umas 4 horas de viagem de carro de Recife. Antes de visitar a comunidade rural do Sítio Sobradinho da Rosélma, eu e o Caio demos um pulo lá no Vale do Catimbal para falar com o Cassique. A gente já pegamos a ser vitimado nesta questão de que, penso que não, já estava um parque de energia eólica, criado um parque de energia eólica de Buique e a gente pegou de surpresa através de um estudante de direitos que estava na Esa, e aí é uma capinal a tava lá e quando a pessoa que não na aula lá e começou uma discussão à sota aí apresentário. Nossa, que legal, é evolução, um parque de energia eólica ali em Buique e aí a previsão era de 70 turbina, não é pegava essa área aqui toda. Foi isso mesmo que você escutou, um belo dia chegou pelo vento da informação de que Buique receberia um parque óleo, o óleo que bacana, e a localização coincidia justamente com a terra habitada pelo povo capinalar desde sempre. O Robério recebeu a gente lá na aldeia, baixa da Palmeira, e me explicou que aquela área ali é evindicada por eles, mas não faz parte nem da porção de terra que é demarcada e nem do parque nacional do catimbau, que tá ali do lado. Foi uma pena nossa passagem pelo vale do catimbau, ter sido tão rápida. A região é muito linda, conformações rochosas, relevos de chapadas, aquela vegetação tão icônica da catinga e o parque nacional mesmo, que tá ali do lado, é o segundo maior parque eológico do Brasil. E Pedro, vale fazer uma pausa aqui para agradecer o cássio que Robério pela recepção. Quando ele sobe que a gente chegaria, ajudou a mobilizar as principais lideranças, e até as crianças das aldeias capinalar, para darem entrevista e mostrar em que eles estavam muito por dentro do que tava acontecendo. Essa é preocupação para todas as lideranças, né, ter cuidado, porque da forma que vim ero em outras comunidades, procurando aquelas pessoas semi-analfabetas e formadas, para que não assinasse, não recebei se ninguém, não tem um tipo de documento, sem ter certeza do que tá assinando, porque se não poderia cair num golpe, quando pessoas que não, já tava assinando a liberação para a implatação desse tempo de situação. Ficou claro ali que os capinalar e todas as idades estavam sabendo que a chegada de um parque é ólico, é apresentaria para o território e para o modo de vida deles. Enquanto a gente conversava com Robério, a dona Irene Monteiro da Penha, a Aninha, que morou a vida inteira ali, as crianças e jovens escutavam tudo e mostraram para a gente cartazes com palavras de ordem, Pedro não vai deixar todas as fotos no site e no Instagram. É porque assim a gente bateu o pé, desde aqui quando é sobre dessa situação, dessa amenhaça e quando vai acontecer o momento lá em Recife, deixamos bem claro, a gente vai fazer por onde não deixar que implanta a primeira élise. E deixar implanta a primeira pode ser mesmo um caminho sem volta, inclusive para os ecossistemas que povos como os capinalar ajudam a proteger, daqui a pouco a gente retoma a história do Robério. Mas é que durante um seminário do Map Biomas em São Paulo, a Meg acabou conhecendo dois especialistas que ajudaram a dar esse contexto. Pois é, se você não conhece, o Map Biomas é uma rede de várias instituições que produz dados gratuitos sobre o uso e a cobertura da Terra no Brasil e em outros países. Eu e o Pedrão entrevistamos um dos fundadores, o engenheiro florestal Taço Azevedo, no mês a caixem agosto de 26. Vale a pena escutar, tá gente, dica? Bom, nesse workshop que o Pedrão comentou, eu conheci o sol tanga-lano, especialista em gel processamento focado na Catinga, e ele me apresentou a Giovanna Freitas Paín, geógrafa da Universidade estadual Diferia de Santana, na Bahia. O Unitoramento, todos meus estudos, são exatamente na área dos parques, onde estão em plancados os aeroceradores. Aqui na Bahia, eles estão em áreas de cerra. A Giovanna disse que muitos dos locais na Bahia que estão recebendo parques eólicos ficam em regiões de cerra que concentram algumas das principais nascentes do estado. Tem gerador há pouco mais de 100 metros de nascente. A Terra planagem feita nesses morros para instalar as torres, pode causar o acúmulo de sedimentos que levam ao assoriamento ou estreitamento dos cursos da água. Na prática, é uma ameaça-segurança hídrica daquele local. As comunidades que estão em volta dessas cerras, elas convivem com escasseir hídrica maior parte do ano, portanto a cerra é um ambiente ouído delas. Que serve para pegar água, que serve para fazer desenditação animal, né? Onde eles soltam o gato durante o período de seca, onde o gato faixa um verde e um ali para correr. Esse impacto, só se ambiental em mais um estado nordestino, acaba reforçando a tese de que não tem problema criar mais uma zona de sacrifício por ali. Principalmente se a gente comparar como foi esse processo de entrada de parques eólicos no Rio Grande do Sul, que é uma das coisas que Giovanna já pesquisou. Então, o preço da Terra, a Terra as daratas, terras, teles possam se apropriar de maneira muito rápida, legou essa expansão no anovdeste. Enquanto que o preço da Terra é cinco vezes maior no sul do Brasil, eles não desbandiram tanto. Então, se a gente pega os dados e compara, a gente vai ver que o Rio Grande do Sul tem 81 parques oceólicos? Olha que o Rio Grande do Sul conlessou lanças da Bahia e a Bahia tem mais de 350 partes, de 81, 400 e 50. Então, assim, eu cresço da Terra, que é a grande questão. Não, eu vim. Interessante, né? Então seria o baixo valor econômico da Terra que vem atraindo as eólicas para o Nordeste. Não só o vento, até porque vento também existe em outros locais, talvez com menos impactos sociais. A Giovana, apontou também que os órgãos de licenciamento gaúxos foram mais rigorosos com as empresas, que, de certa forma, conseguiram adriblar o processo no Nordeste. O que eu percebo foi exatamente uma fronxamento no licenciamento, no aspecto importante do licenciamento, porque o licenciamento de partes é óleo, pois ele foi embutido como o licenciamento simplificado. A necessidade de um processo mais completo só ficou para empreendimentos enormes ou que encontrassem materiais arqueológicos. Então, o que as empresas fizeram? Fraguementaram os parques. É isso aí. Em vez de licenciar, em 30, a aerogeradores de uma vez, o que configuraria um grande empreendimento, elas foram licenciando parques menores de 10 em 10 mais ou menos. Isso, segundo a Giovana, fez as coisas andarem rápido no Nordeste. Então, por exemplo, lá no Rio Grande do Sul, o órgão ambiental deles, elegeu paisagens em próprias para instalação de energia. E por que isso? Porque o Rio Grande do Sul utiliza muitas costeras para a criação de biado e cultivos agrícolas para a escorcação. Então, eles não iriam competir com a questão, é óleo. Para eles, é muito mais vantajoso para reservar as suas terras para esses aspectos econômicos do que para a energia. No próprio Nordeste, também rolou algum freio por causa de outros interesses econômicos, mas o potencial das terras de uma região diz muita coisa. A Giovana deu exemplo de áreas literâneas em Sergipe ou na Bahia, que estão sendo muito mais visadas para o turismo, para a construção de hotéis e risotes. Mas quem liga para a catinga ou para comunidades tradicionais fazendo agricultura de subsistência, não? E assim, o correu, já que no Nordeste não, achou-se que era uma grande vantagem. Os municípios são muito pobres, a recadação com base aí nos dados que eu levantei, da receita para aprender aos municípios eólicos. Eles têm a recadação e a baixa de 2 milhões, muito pouco. Então, como tem um crendimento que chega a fazer, a preditariam que seria grande vantagem para a população? Nesse ponto, a Giovana reforçou óbvio. Os empregos que vieram com as eólicas são em boa parte temporários da construção mesmo, o retorno ao longo prazo para a região costuma ser baixo. O sultan Galano, aquele pesquisador do Map Biomas, mencionou uns números que fazem a gente ficar ainda mais preocupado com o futuro da catinga. Escuta só, a área ocupada por parques eólicos mais que se estuplicou nesse Bioma entre 2016 e 2025, de 3,6 mil pra 24,4 mil hectares. 37% dessa área toda é só no Rio Grande do Norte. Aliás, Piauí, Bahia e Rio Grande do Norte somados respondem por quase 80% da área ocupada por parques eólicos na catinga. E aqui vem a parte mais maluca do negócio. Essa expansão em ritmo frenético nem está trazendo tanta energia para a rede, porque tem um gargalo. Escuta só, Giovana. Antes, somente um governo comprava energia gerada pelos parques eólicos. Quando essas empresas vão para o mercado livre de energia, qualquer empresa poderia comprar o excedente dessa energia gerada. Então, empresa de indústria, de aço, indústria, de cimento, já comprava a energia diretamente no parque. Diretamente, ponte, era uma relação direta da indústria com o dono do parqueólico. Esse mercado livre aqueceu muito. Somas ter aí a geração distribuída pela salário, aí é um outro universo. E aí, desagou num grande problema que são as linhas de transmissão. Hoje, a gente tem muito mais empreendimento e óleo que é isolado que a linha vai receber a energia gerada. É o Lora, o Grande Gargado da Inlegia, um novo ano. Outradendo aqui, na série de reportagens "Aboiada da IA", a reporter laís Martins e os colegas do dê intercepto Brasil mostram a relação entre ólicas e data centers. É que esse casamento resolve um grande pipino. Como o Brasil tem mais capacidade de geração do que de distribuição de energia elétrica, as éólicas precisam parar de produzir de tempos em tempos para não sobrecarregar o sistema elétrico nacional. E essas pausas geram prejuízos bilionários. A solução, data centers que demandam uma eletricidade absurda e que impactam ainda mais o meio ambiente às populações locais, como a gente mostrou no episódio, vale tudo pelos data centers do ano passado. Um levantamento dos colegas do intercepto da Mungabei mostrou que até dezembro do ano passado, 65% de todos os pedidos de conexão de data centers ao sistema interligado nacional que chegaram ao Ministério de Minas Energia vieram de empresas de energia renovável e ólicas entre elas. Aliás, o intercepto de Mungabei viram que muitas empresas de ólicas não só pedem a ligação de data centers ao sistema elétrico nacional, como chegam a providenciar a instalação e até fazer o pedido de licenciamento ambiental. Quando está tudo certinho, as big techs entram em campo. É quase como se fosse tudo pensado pra isso desde início, né? O que faz quando eu vejo passar mais todo imaginando? Como é que a gente faz pra gente destruir um negócio daquele tão grande em pouco tempo? É muito grande, entre um pouco tempo. Aí a gente tem medo de noite, né? Porque diz que ele chega no silêncio. Ele chega no silêncio. Aí a que eu peça um menino, um assino e papel de ninguém se saber, de gente saber do conheço e vir. A gente está de volta ao deia da baixa da Palmeira, no território do povo capinal A em Buic. Você escutou agora a Irene Monteiro, a Donaninha, que estava descrever na ansiedade que ela sente quando pensa que tudo pode mudar de repente com a chegada das turbinas e ólicas. Portanto, de destacar que não são só esses mega empreendimentos que acabam fazendo pouco caso das comunidades indígenas. A Donaninha e o Roberto contaram que mesmo a criação do Parque Nacional do Catimbal e é um parque mesmo, não um parque ólico, tá? Envolver um processo todo atropelado e nada transparente. Ele foi demarcado em 2002, passando sobre a terra ancestral ocupada pelos capinal A, gerou confusão entre os moradores, dificultou acesso à terra para construir e para cultivar. Mas olha só que curioso. Depois que esse território começou a selva de um parque ólico, aí as placas do Parque Nacional ali perto começaram a sumir. Aí quando foi pra ver essa energia aqui, um homem além da Palmeira, ali da Palmeira, assinou. Outro da Serra do próprio Atato também nascer assinou. Aí eles tiraram as placas. Aí o Parque Nacional foi tiroso pra que tirou a dar ali da estrada da Serra, tirou essa outra que ficava aqui, e tirou outra que tinha lá perto do posto, do gasolina do catimbal. Aí, pronto aí, acho que aqui não sei nem se é Parque Nacional, do que eles tiraram as placas. Do mesmo jeito que o Parque não parece ter sido pensado por povo capinalar, eu só consigo achar, depois de tudo que a gente apurou, que é energia elétrica que querem produzir ali, também não vai ser pra eles. Assim como não foi pra Roselma, nem pros moradores do quilombo de Macambira. Seu indígena capinalar no Vale do Catimbal nunca foi fácil. Casi que Roberto me contou que era comum que eles se chamassem de cabocros da mina grande pra evitar a perseguição. É a indecidada, tu ainda. tu ainda? Não, eu não, eu não. Tem que se negar, porque se a pirmasca era indígena poderia ser nequilado, fuzilado, então. Você teve muita perseguição e. Assim, a gente não, até hoje a gente não se sente e diz assim, tão livre de perseguições, então. Perseguição de direitos, de tirar direitos, e assim, acervamente, então, teve essa. teve, tem, até hoje, essa resistência, tem que resistir pra poder existir, porque senão. se não tivermos ligado a tento, a gente acaba fraquejando e entregando o que é nosso pra outros. E quando a ameaça das eólicas chegou no território, eles precisaram resistir de novo. Tem um projeto que está visando a nossa comunidade. Pelo menos três aldeiras podem sumir do mapa aí. E o nosso direito é de reivindicação para que a nossa terra seja demarcada. E lá, o morosidade do Governo, se nossa terra tivesse jada, é completamente demarcada. Em fevereiro de 2025, o povo capinalá parou Recife. Depois de marcharem pela região central da cidade, eles ocuparam a sede da agência de desenvolvimento econômico de Pernambuco, a DEP. A Roselma também está valar. O protesto deu certo. No acordo com as secretarias estaduais da Casa Civil, de meio ambiente e de desenvolvimento social, o governo aceitou suspender a licença de operação do parqueólico de São Clemente, que fica na região de Caetés. Também foi reaberto um processo de criar normativas para determinar distâncias maiores entre os aerogeradores e as residências, e não instalar parques de energia eólica em território do povo capinalá. Mas não deu para comemorar por muito tempo. Menos de 10 dias depois do acordo, os moradores reclamaram que as turbinas foram relegadas. Só que o território do povo capinalá ainda resiste sem os cataventos. Em abril de 2025, eles foram até Brasília e conseguiram suspender o leilão dos 126 hectares de uma fazenda individada sobreposta ao território indígena. Foi só depois de todo esse barulho que eles foram procurados por um representante de uma das empresas de energia eólica. Só que o Cassique não quis saber de reunião na cidade, em escritório de perfeitura, nada disso. Ele chamou o cara pro território. E aí a galera já tinha esse levotamento todo, e aí fiz uma abertura e deixamos, ele veio afopada. Aí quando ele veio para lá e para cá, eles para o seu terminal, nós começamos a questionar, fazer, aí ele ficou tudo bio na explicação, e aí ficou minha perriada. Aí ele começou em gulisseira, da água a maê, botar o água para ele. Antes eu queria, aí ele começou, sem perder o rumo da caixa. Eu queria pegar umas overlinhas, de abrir o curral e tangir para um dia. E aí só que acabou sendo surpresa. Foi surpreendido que a gente estava tão desinformado e com vez a achava que encontrar. Quer dizer, foi preciso brigar muito, marchar até a capital do Estado, depois até a capital do país, para dar aí um representante de uma empresa interessada em explorar os ventos do território, conversar de verdade com a comunidade. E isso passa muito, mas muito longe, do que deveria ser padrão, que é uma consulta prévia, livre e informada. Essa é uma das principais recomendações do guia para uma transição energética ajusta, do observatório da Brinquedude. Porque nesse momento que você entende os modos de vida daquela comunidade e pensa a possibilidade de reparação. Então não se tem muito como pensar uma transição energética sem pensar essa reparação desses territórios racializados. E o Estado produzindo dados sobre isso e comprimam as convenções. Então tem uma dinâmica de encadramento de ação que eu considero bastante importante e que são objetivos do lançamento do guia. Quer fomentar esse tipo de encadramento de ação de pop artes do Estado do Rio de Janeiro. O Thales falou em convenções. Uma delas é a convenção 1/2/9 da Organização Internacional do Trabalho à OIT que estabelece regras obrigatórias para proteger os direitos, a cultura e as condições de trabalho de comunidades tradicionais. O Brasil é signatário dela, então isso é regra. O guia da transição energética do observatório da Brinquedude também traz uma série de recomendações para orientar comunidades, formar lideranças políticas e técnicas nos territórios e ainda exigir que o Estado brasileiro considera os dados demográficos e em frente a invisibilidade estatística que continue ignorando que está sendo sacrificado em nome de um suposto progresso. E aqui vale a pergunta que a gente sempre faz. Progresso para quem mesmo? Desrespeitar os modos de vida de comunidades e se apropriar dos recursos naturais para beneficiar empresas internacionais nada mais é do que reproduzir as dinâmicas coloniais do passado, só que agora em nome de uma energia limpa e que curiosamente não está substituindo as fontes não renováveis. Eu fico com essa grande terrrigação, como é que é limpa se causa danos a saúde, danos a o meu ambiente, a natureza, o bem está a vida, a espiritualidade, os nossos ancestrais, modifica o modo de vida de cada comunidade, que aquelas comunidades têm que se adequar a realidade do capitalismo e deixar sua essência para o segundo plano. Então assim, eu não vejo essa limpeza toda, porque para a gente respirar um alímpo, a gente precisa do máximo de árvore possível. Diante destas dinâmicas coloniais, o cacique robeiro garante que o povo capina o ar vai continuar lutando. Eu digo os guerreiros sempre, sempre deixar fiar das bordunas, flechas e principalmente a principal arma nossa que é o Maraca. Mas só bastou o Maraca para o pessoal se acuarem e ver a força que tem. [música] Antes de pros créditos, eu queria indicar uma série tão criativa muito trabalhosa de um parceiro nosso da Rádio Guarda-Chulva. O Rodrigo Alves, do podcast Vida de Jornalista, se proposa tocar uma temporada inteira de forma analógica. Isso mesmo que você escutou. Ele quer debater quanto a ia entrou nas nossas vidas e, particularmente, no jornalismo. É a série Vida Analógica, e ela está fazendo um barulho na poda-sfera, viu? Depois vai nas redes do Vida de Jornalista para ver como Rodrigo gravou os episódios sem recursos digitais e dá o plano seu tocado porque está fantástico. Esse episódio do "Cência Suja" foi apresentado por mim até o represte. E por mim, Meg Rodrigues, com Pedro Bello e o Caio Santos da Gríopodcastes. O Pedro Caio fizeram as captações externas e produziram esse episódio com apoio da Meg. O roteiro também é do Pedro e é a edição do texto à minha, junto que equipe toda. Eu, o Tel e o Pedro gravamos no estúdio Agência de Podcastes. Já o Caio gravou com a estrutura da Gríopodcastes. Ele também fez a edição de som e a mixagem. O Felipe Barbosa, coordenou a edição, fez as trilhas e a masterização. Nesse episódio, nós usamos trechos de uma reportagem da TV Globo de Pernambuco e do filme "O Poderoso Chefão". A Myla Tampher e o Guilherme Hick fizeram a arte de capa do nosso projeto gráfico. O nosso site foi desenvolvido pelo Estúdio Barbatana. Lá você tem informações complementares dos episódios e sobre como ajudar a gente a seguir com "Cinça Suja" e os bonos que recebem ao participar do financiamento coletivo. É www.CinçaSuja.com.br Você também nos encontra nas redes sociais que são tocadas pelo Pedro Bello. O "Cinça Suja" está no Instagram, Facebook, TikTok, Twitter e Blue Sky. [Música] [Música] [Música] [Música] Viva natureza sagrada, vivo para já encantado, vivo que assim quem vive. Quem pode mais que Deus, salve as marchas, salve a terra, salve as águas. Salve a natureza sagrada, salve nossas matas, salve o nosso meio-ambiento, salve a força capiná-la, salve a força de algum, salve a força de eochosa, salve sotando as matas. [Música] [Música] Na FB Portagens.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O episódio revela como a expansão de parques eólicos no Nordeste do Brasil afeta comunidades históricamente excluídas, causando danos ambientais, de saúde e psicológicos.
  2. A pesquisa da Fiocruz aponta que 75% das pessoas relatam perda de sono e 63% sofrem de ansiedade, evidenciando impactos sérios da exposição contínua ao barulho e às torres.
  3. A expansão energética é criticada como uma "zona de sacrifício", onde territórios de comunidades indígenas, quilombolas e negras são explorados sem benefício compartilhado.
  4. O modelo de licenciamento é fraco e fragmentado, com empreendimentos divididos em pequenas parcelas para fugir de análises rigorosas e de processos completos.
  5. A transição energética não é sustentável, pois gera sobrecarga no sistema elétrico, alimenta data centers e reproduz desigualdades raciais e econômicas.
  6. Comunidades como a do povo capinalar e a de Macambira enfrentam ameaças diretas, com perda de terras, deslocamento e violação de direitos coletivos.
  7. O guia do Observatório da Branquitude aponta que a transição energética precisa incluir reparação, consulta livre e respeito às identidades e modos de vida locais.
  8. A ideia de "energia limpa" é desmistificada, pois a exploração colonial dos recursos naturais continua a beneficiar empresas internacionais e não as comunidades afetadas.

Summary:

O episódio do Ciência Suja explora a expansão de parques eólicos no Nordeste brasileiro, especialmente em regiões como Caetés e Buique, destacando os impactos negativos sobre comunidades históricamente excluídas. A presença constante de turbinas gera barulho intenso, com níveis de ruído acima da recomendação da OMS, provocando estresse, ansiedade, insônia e sintomas como bruxismo e efeitos estroboscópicos. Pesquisas da Fiocruz mostram que 75% dos moradores relatam problemas de sono e 63% sofrem de ansiedade, indicando um impacto sério na saúde mental.

O processo é criticado como uma "zona de sacrifício", onde comunidades indígenas, quilombolas e negras são deslocadas e seus territórios explorados sem retorno equitativo. A expansão é facilitada por um sistema de licenciamento fraco e fragmentado, com empreendimentos divididos para evitar análises completas. A energia gerada não é eficazmente distribuída, gerando sobrecarga nas linhas de transmissão e beneficiando empresas de data centers, que consomem grandes quantidades de eletricidade.

O episódio também relata a resistência de povos como os capinais e quilombolas, que enfrentam ameaças de perda de terras e violação de direitos. Ainda, o guia do Observatório da Branquitude aponta que uma transição energética justa exige reparação, consulta prévia livre e o respeito aos modos de vida locais. A narrativa refuta a ideia de "energia limpa", mostrando que a exploração colonial dos recursos naturais reproduz desigualdades raciais e ambientais, e que o progresso é feito ao custo de vidas e territórios.

A crítica final enfatiza que o desenvolvimento energético não deve ser feito ao preço de desapropriação de comunidades e de sua cultura, e que a verdadeira sustentabilidade exige justiça social e respeito aos direitos ambientais e de todos os povos.

FAQs

O Observatório da Branquitude é uma organização que produz conhecimento e pressiona autoridades para enfrentar desigualdades raciais. No episódio, colabora com o Ciência Suja para investigar os impactos sociais e ambientais dos parques eólicos na região do Nordeste.

O barulho constante das turbinas causa estresse, perda da qualidade do sono, ansiedade e irritação nos olhos. Pesquisas mostram que até 75% das pessoas relatam problemas de sono e 63% sofrem de ansiedade.

O Sítio Sobradinho é afetado por turbinas instaladas perto da residência da Roselma e do seu marido, gerando barulho 24 horas por dia, levando à instabilidade mental, problemas de sono e a necessidade de medicamentos para dormir.

A expansão dos parques eólicos desloca comunidades tradicionais, prejudica a produção agrícola, ameaça fontes hídricas e contribui para a desigualdade, com impactos mais fortes em populações negras e indígenas.

A transição energética é vista como colonial porque áreas de territórios históricamente excluídos, como o Nordeste, são exploradas para gerar energia, enquanto as comunidades locais sofrem com danos ambientais e sociais sem receber benefícios.

O guia propõe uma análise crítica da expansão da energia eólica, reforçando a necessidade de consultas prévias, liberdade e informação, e exigindo que o Estado considere dados demográficos e a invisibilidade de populações afetadas.

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