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UERJ 2027 - 1º Exame de Qualificação - "Ainda estou aqui" - #Ep1

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UERJ 2027 - 1º Exame de Qualificação - "Ainda estou aqui" - #Ep1

No podcast "Rê-pertório", a professora Renata introduz a análise de "Ainda Estou Aqui", de Marcelo Rubens Paiva, obra adotada pela UERJ para o vestibular de 2027. Ela destaca que o livro difere do filme, sendo um gênero memorialístico focado na memória como tema central. A narrativa não é linear; em vez disso, o autor aciona lembranças e reflete sobre elas, ressignificando o passado. A memória é abordada em múltiplas dimensões: fisiológica (como o cérebro armazena dados, mesmo não lembrados), subjetiva (as experiências pessoais de Marcelo, especialmente o desaparecimento do pai durante a ditadura militar) e política (o legado de Rubens Paiva e a luta por justiça). O livro também explora o Alzheimer de Eunice Paiva, que perdeu a memória, ironicamente, ela que era advogada e defensora de minorias. Marcelo, adulto, tenta preencher lacunas da infância, mostrando que a memória é falha e, às vezes, recriada. O título "Ainda Estou Aqui" reflete a angústia de Eunice ao perguntar "onde é aqui", simbolizando a luta para manter a identidade diante da perda de memória. A obra, portanto, é uma reflexão profunda sobre como a memória molda a história pessoal e coletiva.

Transcription

5317 Words, 29737 Characters

Portuguese
Boas-vindas ao Rê-pertório e Introdução à Obra 'Ainda Estou Aqui' E aí, queridíssima e queridíssimos? Sejam todos muito bem vindos ao repertório. Meu podcast pra você que já me acompanha há algum tempo. Tava com saudade? Voltamos, né gente? Temporada nova, 2026 pra você que tá chegando aqui agora. Eu sou professora Renata, professora de português, literatura e de redação. E nesse meu espaço. Nesse meu podcast, o repertório, eu faço análises das obras que são cobradas no vestibular da uerj. Então, a gente tem temporadas muito legais. A primeira temporada foi com a obra o meu amigo pintor, uma obra linda da Lygia bojunga, e finalizamos ano passado com hamlet, que foi a obra escolhida pela uerj, né? Escolhida pelos pelos alunos, na verdade, para o vestibular. De 2026. E a gente tá aqui hoje, começando a temporada 2026 para o vestibular 2027. Pra agora a gente fazer o quê? Analisar a obra. Ainda estou aqui no Marcelo Rubens Paiva, obra essa que será cobrada no primeiro exame de qualificação, né? Possivelmente aí que vai se vai se realizar em junho. Então vamos começar, né, gente? Então, primeiramente, um beijo grande, você que tá chegando aqui pra você que já acompanha algum tempo. E eu sempre escuto do dos alunos, né? Escuto por áudio, leio, né? Nas mensagens, aquele aluno que fala assim, Ah, professora, eu escuto a senhora lavando louça no trem, no metrô ou no ônibus, na academia, no cursinho, no meu colégio, na hora do Recreio. Deitada, tomando banho, então esse beija pra você que de alguma forma me escuta, então vamos parar de conversa fiada, ainda vamos começar a trabalhar, né? Vamos lá, gente, então ainda estou aqui. Obra adotada pela uerj, pelo exame de classificação, o Marcelo Rubens Paiva, um escritor vivo, tá, gente, pelo amor de Deus, ele tá aí na internet, aí podem vir à vontade, porque às vezes o aluno não sabe, né? Então acha que é uma figura. Né, assim, distante. Então ele mora em São Paulo, é, a obra ficou muito conhecida porque Ela Foi adaptada para o cinema, né? Adaptada, né, para o cinema, o filme ainda estou aqui, que ganhou oscars de melhor filme Internacional, é, deu o Globo de ouro para Fernanda Torres e a gente vai aqui analisar essa obra para com foco no vestibular. Quem assistiu ao filme? E acha que não precisa ler o livro? Eu sinto em dizer que você vai ter que ler o livro, sim, porque são 2 linguagens, são 2 abordagens, né? Que não, não, não. Assim, é óbvio, né, que o filme foi inspirado no livro. Ok, mas tem pegadas diferentes, até porque a gente tem uma linguagem cinematográfica com foco específico. Na personagem. Desvendando o Gênero Memorialístico e a Temática da Memória E a gente tem no livro um gênero memória, um gênero memorialístico podcast é isso, né? Gente da da tosse, onde a gente tem que tossir. Então a gente vai ter aí uma obra, um livro é no gênero memória, que tem como temática a memória. Então olha que interessante. É o Rubem Marcelo. Ele usa o livro para poder falar das suas memórias e faz isso por meio do gênero memorialístico, o gênero textual. Então, levar isso em consideração para prova é muito importante. É por como é que eu sei lendo esse livro que ele pertence ao gênero memória? Porque tá muito nítido na leitura. Que mais do que contar uma história de forma linear, com início, meio e fim definidos, que tenham desfecho ou que ele esteja contando a biografia da mãe dele ou a sua autobiografia, mais do que essa lineariedade em apenas contar a história, o que ele faz aqui é acionar as suas próprias memórias. Escrevendo as é e refletindo sobre elas. Então, o gênero memorialístico, gênero, memória. Quando você escreve uma memória, é basicamente acionar essas memórias, lembranças, enfim, mas tentando de alguma forma refletir, ressignificar, atribuir sentido, como se a gente no momento, né? Do do dos fatos aconteceram. Talvez a gente não tivesse maturidade ou até mesmo a percepção do que aquilo tenha significado ou que tenha vindo a significar posteriormente. Então a gente tem uma narrativa sem essa lineariedade que uma narrativa tradicional tem. A gente tem fatos que são colocados e ele vai lembrando. Ele vai por meio da do, do, da, da, da própria escrita. Né? A ideia de palavras, de lembrança, que puxa a lembrança e ele vai refletindo sobre isso. E o que é mais interessante na obra é que ele usa o gênero memória, né? Esse gênero memória, ele poderia ser associado, por exemplo, a um diário, um relato pessoal. Só que as memórias, como eu falei, elas não estão ali de forma linear. A prova disso é que no primeiro segundo capítulo do livro ali chamado. A água que não era mais do mar. Ele fala da da mãe, fala do pai quando a mãe foi presa, e isso colocado de forma muito solta, sem antes necessariamente ter de explicar como Ela Foi presa, o que aconteceu. Então a gente tem esses esses esses fatos colocados. Muito mais como uma reflexão dele sobre essa mãe, sobre a história do pai, sobre a reflexão que ele faz sobre a própria memória. Então, no primeiro ponto, a gente tem que pensar nisso, gênero, memória, show de bola. Múltiplos Significados da Memória: Lembrança, Reminiscência e Fisiologia Aí a temática dessas memórias que ele tá escrevendo é sobre a própria, a própria memória. Só que a sua memória numa dimensão polissêmica. Né, de muitos significados, porque a gente pode ao dicionário e procurar o significado de memória. A gente vai ter memória equivalente a lembrança, né? Aquilo que a gente lembra, a gente tem memória, como aquilo que ficou registrado sobre alguém, né? Memória de um político, memória de Getúlio Vargas. A gente tem memória como aquele aspecto fisiológico mesmo, aquela área do cérebro responsável pela memória. E aí, conforme? O declínio cognitivo, a idade, já perdendo essa memória, no caso do Alzheimer, né? Que afeta drasticamente essa a área do cérebro responsável pela memória. A gente tem a memória individual, a memória que eu, Renata, tenho de de, de, de fatos da minha vida, da minha infância, mas tem aquela memória que é compartilhada, aquela memória que eu vivi com outras pessoas, né? Então a memória que eu tive com meu irmão, então, quando eu tô com meu irmão. A gente se lembra junto de coisas que minha mãe fazia, que meu pai fazia, de coisas que a gente tinha feito na escola. Então, o que o Marcelo Rubens Paiva faz é, por meio do gênero memória, falar da memória, mas não de uma memória específica. Mas como ele aborda o próprio tema memória, então ele começa o livro falando. Né? De uma numa, sob uma dimensão mais humana. Realmente, né? AA primeira frase da do livro é essa. Não nos lembramos das primeiras imagens e feitos da vida, né? Do leite do peito, das das grades, do berço, do mobile que se mexe sozinho magicamente, de nos virar, não conseguir desvirar e chorar até alguém a fugir. E aí? Eu nem vou ler, nem vou continuar lendo, porque é uma frase enorme. Não sei se perceberam, né? É uma frase que ele vai, ele vai no meio que num fluxo de consciência interessante, jogando é fatos que são comuns. A vida de um bebê, né? Da do, do seu crescimento, de tudo aquilo que ele vai vivendo. Ele faz um fluxo de consciência e a gente percebe isso mesmo, uma frase grande, com uma pontuação ali muito em aberto. Pra falar de que a gente de alguma forma, né? AAA memória já acompanha a gente desde o início da nossa vida, desde a questão do próprio útero, né? Assim eu sabia das pesquisas mostram que um bebê ainda no útero, no útero, No No útero da da sua mãe, que é redundância falar isso não é o útero da mãe. É claro que é o útero da mãe, né gente? Mas enfim, é só pra reforçar aqui que esse bebê No No. O ventre da sua mãe, ele a memoriazinha da música que ele escutou. Então tem essa pesquisa, né, que bebês que escutam música clássica, né? Quando nascem, reconhecem essas músicas, né? Determinadas músicas, né. Então o que Oo Marcelo faz aqui, nessa nessa primeira parte do livro, é abordar essa memória. Né? No seu aspecto humano fisiológico, né? De que já existe alguma coisa no cérebro que vai armazenando, que vai guardando. É essas informações, né? No setor ali da memória, embora a gente não se lembre disso depois. E é muito interessante, porque ele é um jogo que se faz. Porque normalmente a gente usa a memória, lembrança, reminiscência como sinônimos e em muitos casos, são realmente sinônimas essas palavras. Só que aqui, nessa primeira parte do livro, ele separa esses sentidos, ele bota que memória é uma coisa, lembrança é outra coisa e reminiscência é outra coisa. Isso na página 17, aqui na minha edição, lá no finalzinho da página, ele diz. O renascimento de um fato psicológico passado, seu reconhecimento e localização são condições necessárias das lembranças ou da memória? Elimine um deles, não será lembrança mais reminiscência, reminiscência, como aquele. Aquela memória vaga, né? Aquela coisa, né? Meio vaga assim. Ah, tem vagamente aqui o negócio. Que eu, que eu vivia quando era criança, eu acho que aconteceu isso, eminência a lembrança, aquilo que a gente lembra, aquilo que a gente é capaz de falar, olha na eu tinha 10 anos de idade. Aí eu lembro que na festa da escola eu vesti, eu botei uma fantasia e tal, tal, tal, e memória, aquilo que de alguma forma tá ali dentro, armazenado, guardado, mas aquilo não é ativado. Né? Então o que ele coloca nesse nessa primeira parte do livro, assim, que é bastante complexo, tá, parece simples, mas é muito complexo o que ele coloca e é uma grande introdução AAA temática do livro e a como ele vai trabalhar isso, porque o tema do livro é memória, mas é a memória, como eu falei no início do do nosso episódio aqui, no sentido muito amplo, polissêmico, que é a memória. Nesse aspecto fisiológico, né? De ter uma área do cérebro, né? Mesmo no bebê, ainda no útero da sua mãe. Essa essa área do cérebro responsável por armazenar, guardar esses dados e informações, mesmo que não sejam lembrados racionalmente. Verbalizados acionados, né? Mas que estão ali guardadinhos de alguma forma, em algum. Com algum gatilho, algum instala, aquilo vem sem a gente necessariamente. É desenvolver esse conceito de memória, inclusive, né? É, é desenvolvido na psicanálise, né? Por pela ideia do inconsciente, é aquilo que tá lá guardadinho no inconsciente, mas que a gente às vezes não consegue acessar. A Memória Fisiológica e o Impacto do Alzheimer em Eunice Paiva Então ele nem fala sobre isso. Eu tô aqui abrindo um parênteses rapidinho, se você ainda tá com dificuldade de entender. Pra gente saber que tem coisas que a gente que que estão na nossa memória, mas que de alguma forma a gente não consegue acionar. Então é meio que o que o Marcelo Rubens coloca aqui, a ideia da lembrança, aquilo que a gente se lembra e reminiscência que aquilo que é meio vago. E aí o Marcelo Rubens Paiva faz essa análise primeira. Do que que seria essa memória fisiológica e tal de como essa memória pode não ser lembrada, né? Em função, né? Já biológica, fisiológica, enfim, ele até diz isso na página 17 ainda. Meu filho não vai se lembrar de quando tinha um aninho e fazia questão de mostrar o umbigo a todos que viessem falar com ele. Ele não vai se lembrar dos umbigos gordos peludos. Lisos, engraçados, femininos enormes, branquelos, tortos, achatados, moles, tímidos, exuberantes, belíssimos. Que viu? Então aqui tá falando de lembrança. Mas existe a memória guardadinha. É isso? Então o Marcelo Rubens Paiva fala dessa memória fisiológica que vai culminar no que acontece com a mãe dele, que coloca a ideia do Alzheimer, de que aquela mulher com toda a vivência. Que ela teve na sua, na sua vida por uma questão de um né, de uma proteína, né, que é a questão que acaba fazendo a pessoa desenvolver Alzheimer, né? Essa proteína acaba afetando o funcionamento do cérebro e essa pessoa acaba começa a esquecer, não lembrar mais, né? Daquelas memórias que estão ali, vividas, que estão armazenadas ali. Além disso, dessa, dessa memória fisiológica, vamos colocar assim, que eu nem sei se estou usando o termo biologicamente correto, mas vamos aqui para fins de leitura, tá? A gente vai trabalhar dessa forma. As Memórias Pessoais de Marcelo e o Legado da Ditadura Militar A gente também tem a própria memória, é AA memória subjetiva, a memória particular do próprio Marcelo. Ele fala da memória. Como 11 aspecto humano, né? Ligado ali ao cérebro. E aí a mãe dele me perde essa memória por causa do Alzheimer. Mas ele faz ao longo do livro e faz, né? Nessas primeiras partes aqui do livro, a lembrança do que ele viveu de situações muito é significativas, como, por exemplo, a morte, o desaparecimento do pai e como a família lidou com isso. E como ele vivencia isso com a sua família? Num contexto, né? Bem delicado. E quem assistiu ao filme deve ter pegado isso, né? Que a postura da família foi de enfrentamento disso é e a própria. As próprias irmãs dele disseram numa entrevista que isso era um assunto que não se falava em casa, que a família preferiu seguir em frente, viver, executar o que tinha de ser executado. E não houve talvez, um tempo de processamento de conversa sobre o momento, né? Vivido pela família durante a ditadura militar, com o sequestro do pai posteriormente, né? AAA mãe e a irmã, que também ficaram presas alguns dias e de certa forma ali, né? Foram torturadas psicologicamente, fisicamente. Porque você ser sequestrado, ficar preso é uma forma de tortura, sem dúvida. É o hiato que se ficou sobre não falar sobre aquilo, porque você não teve um ritual para é que que pudesse simbolizar a morte do pai. Não houve velório, não houve enterro, é um desaparecimento. E isso pra, pra cabeça, pra memória é. É um caos, né? Você ter de viver Do Nada com o desaparecimento de uma pessoa. Então você tem a memória do Marcelo, que neste momento, como um homem adulto, pais de família, ele se volta, ele volta a sua lembrança, sua memória, e aqui eu tô usando como sinônimo para quando ele era criança pra tentar. Analisar, refletir, ressignificar, tentar entender o que naquela época não foi possível fazer porque AAA própria condução da família por uma questão de sobrevivência psíquica, né? Financeira, social foi enfrentar, não, embora AA Eunice Eunice Paiva tenha tentado juridicamente correr atrás. Ela percebeu que era uma luta muito inglória contra um sistema que matava pessoas, que assassinava pessoas e que mostrou, né? Inclusive sequestro é prendendo, né? A própria Nice e a filha dela que era era. Era impossível naquele momento medir forças contra o sistema perverso que era. Então o que o Marcelo faz é adulto, ele tenta resgatar. Lembranças reminiscências, né? Aquilo que ele conseguia lembrar faltam, né? É, faltam lembranças concretas. AA nuvem, né? Passagens em que ele fala isso que quando ele tenta lembrar de algumas coisas, há umas passagens que não são preenchidas, lacunas que não são preenchidas. Então, ele tenta ali formular uma teoria, uma tese, um fato, para tentar preencher aquela lacuna, mostrando que. A gente não lembra de tudo. Tem coisas que a gente não vai conseguir recuperar nunca. E aí a gente fantasia, cria uma história. Então, muitas vezes, a gente numa questão de sobrevivência psíquica, a gente cria memória que nunca existiu, né? Bem interessante isso. Rubens Paiva: A Memória Política e a Luta por Reconhecimento A gente tem também uma outra memória, que é AA memória política, o Rubens Paiva, o pai. Foi sequestrado. Ele era deputado, tinha sido deputado, né, antes dele ter sido sequestrado. E o seu sequestro, tortura e morte é representam para a história do Brasil um evento 11, momento delicado da história que representa AA tortura, a violência, perseguição, uma época, né, que a história representa como algo Sombrio. Então a memória que o Marcelo tem do pai é uma. A memória do fato em si, do que representou o Rubens Paiva. É uma ideia de uma memória política, porque tem a ver com o que se construiu de imagens sobre ele. E aí é um dos 11, outro conceito sobre memória que eu tinha colocado com vocês. Que é a memória sobre a biografia de alguém, sobre o que se fala, o que representou. E a memória do madu Rubens Paiva, o pai, o engenheiro, o marido da Eunice, é. Há uma memória que ainda tenta se construir, porque no filme, no próprio livro, isso é colocado que criaram narrativas fantasiosas sobre o possível desaparecimento dele. Então, a memória também entendeu o que aconteceu com ele. Ele morreu, ele morreu onde? Quando, como, onde está o seu corpo? Quem é o responsável por essa morte no nível jurídico, cadê o documento que prova que finaliza a história, né? Pelo menos a história dele como um ser vivo como um vivo, né? E tal como documento, um atestado de óbito. Então a gente tem nesse livro esse impacto significativo sobre o papel da memória por meio do gênero textual. Memória, né? Memórias analisando semanticamente, o que significa a memória, né? Ampliando isso, polissemicamente e sendo abordado no livro, nessa, nessa polissemia memória fisiológica, a memória. Né? Como lembrança, a memória, talvez como reminiscência, né? Mas misturando esses conceitos, a memória no sentido daquilo que representou é particularmente individualmente pro Marcelo, que era um garoto quando o pai desapareceu AA sua trajetória, né? Como um filho sem pai e como a mãe muito forte que com uma. Uma força muito grande. Estudou 11 papel político tão importante quanto do pai, em função do que ela representou para o Brasil defendendo indígenas, é defendendo minorias sociais importantes. Uma memória privilegiadíssima, né, já que ela trabalhava essencialmente com cérebro e que teve, né? Ironicamente, exatamente a sua memória afetada por uma doença, por uma proteína, mostrando que. Às vezes A Terra é azul e não há nada do que a gente possa fazer, que é uma referência que ele faz a uma canção do David Bowie no livro, né? Colocando que é isso, né? Que não tem que fazer, a gente tem que aceitar e não há explicação. O Significado Profundo de 'Ainda Estou Aqui' e a Resistência da Memória E como isso é doloroso, então nesses 2 primeiros capítulos do livro, né? O primeiro se chama onde é aqui, que é uma referência bem interessante. A própria angústia da Eunice quando o Marcelo conta ali, né? A partir do da quando ele abre Oo capítulo falando da conceituação da memória do que que seria a memória. A memória do filho e a memória dele de 1 dia muito marcante, quando ele diz que ele passou a ser a mãe da mãe dele, o responsável jurídico, né? 111 tutor da mãe que estava já. Consciente que haveria um declínio significativo da sua memória e das suas funções ali. Executivas, né? E ele lembra, e é interessante que nesse capítulo ele lembra de cada cada momento, do de se IA chover ou não, como tava o tempo, como era São Paulo, o que aquela rua naquele dia aciona de memória nele? Lembrando que a mãe era advogada da família toda. Que a mãe era advogada dos filhos é no sobre os mais variados aspectos. Quando o filho bateu de carro, quando separou, enfim, como ela muito uma mulher muito prática, fala, faz um acordo, é mais fácil, menos dor de cabeça. Então olha que interessante. Ele, por meio do gênero e memória, falando sobre memória, ele aciona uma memória do dia em que ele foi ao cartório ser. Ali, oficialmente nomeado pela mãe como tutor dela, né? Como alguém que IA passar a ter as responsabilidades físicas, jurídicas, financeiras em relação à mãe e nesse dia aciona uma outra memória ligada, né? Não não só a ao lugar ao tempo, mas o que representou a mãe para toda a família. E ele lembrando, já também pontualmente. Que quando ele saia com ela, que o quanto era angustiante, porque ela já No No, numa fase avançada do Alzheimer, que ela perguntava, eu quero ir embora daqui, mas Oo que que estou fazendo aqui? Mas onde é aqui e onde é aqui, gente? O que que é esse lugar? Porque eu sei que eu estou aqui agora, onde eu estou agora. Porque eu tenho consciência, porque eu já vinha a esse lugar antes. Então tenho uma memória, consigo nomear esse lugar. Eu tô aqui agora, numa sala, numa numa sala comercial, aqui num prédio. E eu posso dizer, olha, eu estou numa sala residencial, no prédio tal, no bairro tal, no dia tal. Porque eu já eu, eu tenho as memórias, as referências que me permitem. Designar, nomear, né? Esse lugar, caracterizar esse lugar. Mas uma pessoa que tem Alzheimer, quando essas referências não existem porque elas estão sendo apagadas, localizar se é algo também muito difícil. Aonde aqui estou fazendo aqui? Então, o onde é aqui é interessante porque ele aborda tanto essa angústia dessa mulher na sua fase mais avançada de Alzheimer, já com dificuldade de. Lembrar onde estava, lembrar que lugar é aquele lugar que outrora já tinha visitado muito, que conhecia muito, que estava isso na sua memória. E esse aqui ele também faz referência ao livro, né? O nome do livro, né? Ainda estou aqui, aqui onde, gente, então esse ainda estou aqui. É um título muito significativo, porque a gente tem ali o ainda. Que é um termo, né? Um é um marcador de pressuposição ali, né? Quem faz aula de português deve saber o que que é o ainda o ainda é uma resistência eu tô aqui é uma coisa ainda estou aqui, uma outra coisa eu ainda eu resisto apesar de tudo eu tô aqui ainda esperando e o aqui e onde é esse aqui? O aqui pode ser na existência, pode ser na memória, a Eunice na memória do filho, Rubens Paiva na memória. Política histórica do Brasil o estar aqui é resistência, porque no final desse livro, vocês sabem, existem 2 documentos é que mostram a luta pela família Rubens Paiva pelo reconhecimento do estado como responsável pela morte de Rubens Paiva. Então a gente tem a ideia de resistência expressa no título. Eu ainda ainda estou aqui. Tanto pela questão da memória que apesar da Eunice, né, de ter morrido, de ter tido ali o problema da questão do Alzheimer, a memória dela está com os filhos, está com esse filho que escreve esse livro, eu ainda estou aqui. É a memória dessa mulher. Da história dessa mulher que tá ali, eternizada por meio desse livro e depois por um filme, inclusive, eu ainda estou aqui. É a resistência da família para que esse estado reconheça a injustiça cometida contra o seu, contra o seu pai. Os filhos estão aqui, vivos. Eu ainda estou aqui. É a memória que fica na cabeça de cada um dos filhos e que passou para os netos, né? O Marcelo Rubens Paiva fala do filho. Né? Então o os filhos que a gente tem também são uma forma de transmissão da memória. A gente conta as minhas, a gente, eu sou mãe, eu tenho 2 filhos. E eu passo para os meus filhos as memórias que eu tive como crianças, as minhas dores, as minhas alegrias, as Curiosidades da vida, as minhas experiências, as minhas vivências. E isso vão virando na cabeça dos meus filhos memórias que eles não viveram, mas que herdaram de mim. E esses filhos, o Marcelo Rubens Paiva. Ele herda da mãe, do pai, das irmãs, as memórias que vão ser transmitidas pros filhos deles também. Então ainda estou aqui um livro de resistência, né? AA minha resistência política, uma resistência da da memória, da família. É uma resistência de olha, A Terra é azul, não há o que fazer, mas a gente tá aqui ainda resistindo, apesar de tudo. O Impacto Emocional da Leitura e a Eternização da Memória Materna Então é isso. Esse é o primeiro episódio de ainda estou aqui, o livro que me tocou muito. Eu lembro que eu li esse livro no ano passado, já tinha comprado o livro e no início de 2025 eu lembro que eu é, eu comprei assim que assim que eu que teve o filme eu comprei o livro, li. Alguns capítulos iniciais, em maio do ano passado, eu lembro que tava indo viajar. Olha o falando de lembrança é interessante, né? Eu lembro que eu tava indo viajar e eu comecei a ler no avião ali uns capítulos e por alguma razão do destino eu acabei parando. E aí a vida, né? A vida vai empurrando a gente pra outras coisas. E aí quando acabou o vestibular da uerj, no ano passado, 2025, ainda, eu comprei o livro e. Devorei fui uma tacada só em janeiro. Lembro que eu li em 3 dias o livro assim, mas sempre lendo e digerindo. E eu lembro da percepção que eu tive, muito dolorosa, muito dolorosa, porque quando eu li, eu fiquei muito, muito tocada com a Eunice. Por ser aquela mulher tão potente, que lia, que estudava, tinha lido todos os clássicos. Uma mulher muito inteligente, que trabalhava, né? Muito com a sua memória e que de 1 hora para outra, né, acabou desenvolvendo Alzheimer e perde a sua memória. E a gente até questiona, né, se ter memória é ou não existir, né? Porque parece que uma pessoa que tem Alzheimer, eu não tenho ninguém na minha família que tem a doença, mas eu conheço muito, tem muitas amigas que tem. Parentes, pais que vivenciam isso, e eu tentei me colocar no lugar tanto de dos filhos que vivenciam isso como de alguém que passa a ter sua memória ali apagada. É muito doloroso. Eu vi um filme chamado, eu acho que eu não lembro se o nome do filme é meu pai ou pai é com Anthony Anthony Hopkins, é um filme maravilhoso. Que filme dolorido, gente, é o melhor filme que eu já vi sobre Alzheimer, e eu me eu sentia tanta angústia com aquele filme. Porque é como é como se a gente entrasse no cérebro de uma pessoa com Alzheimer e a angústia que é você não saber onde está, embora as pessoas digam que você já teve ali muitas vezes. Então, na primeira leitura que eu fiz do do desse livro, eu fiquei muito tocada, porque pode Do Nada acontecer e não há o que fazer. Então você tem que aceitar, né? Enquanto a ciência não. Não trabalha, né? No avanço nas pesquisas sobre como controlar ou impedir, mas na minha primeira leitura foi angústia, eu assistia muita angústia. Gente, é, eu tô tô chegando, né? Tô caminhando pra velhice, que bom, né? Sinal que eu tô viva, né? E eu pensei, como deve ser a cabeça de uma pessoa que sabe que tá indo pra esse caminho que vai começar a esquecer? Como é que fica a sua existência? Porque. É, é a angústia, né? Pela Eunice. Então eu fiquei muito tocada com isso, de que não há o que possa ser feito. É até a referência lá da da música do David Bowie que ele que o Marcelo faz no livro. Depois eu fiquei pensando nesse filho que escreve memória como uma forma de memorizar, de eternizar a história dessa mulher. Que até então não teve essa história contada, né? O Rubens Paiva mais conhecido. É ele que dá nome, inclusive, a uma estação de metrô na Pavuna, aqui no Rio de Janeiro. E então foi uma memória da uma forma da gente conhecer essa mulher também. Uma forma muito grandiosa, muito potente, muito bonita. E ele, como filho, resgata a memória da mãe para além daquele papel político que ela teve, mas como um filho, como uma mulher muito forte, uma mulher que. Que segurou muito a sua dor para conseguir seguir adiante. Mesmo viúva, mesmo financeiramente quebrada, né? Pela criação dos 5 filhos, voltou a estudar uma mulher muito prática, então, e a maneira como enxerga essa mulher? De uma maneira muito respeitosa. Então eu me coloquei também no lugar dele e mergulhei muito na memória política, pensando como a história ela pode apagar, destruir. Né? A memória de alguém, porque a memória política de muita que, né? Se, se não, se não tivesse sido recontada, é de um comunista, de um bandido e tal. E a história dele no livro foi contada, olha, meu pai fez isso, fez aquilo e tá num contexto muito complicado. O é. Nada justifica a morte, a tortura, a maneira covarde como o pai. Né? Foi foi desaparecido aqui entre aspas, né? Então a minha percepção da leitura foi isso, assim, de uma amplitude temática em relação a memória, muito densa. E me abriu muito esse esse caminho, né? Pra a gente entender que memória não é só o que a gente lembra, memória é o que tá dentro da gente, memória é o que fazem da nossa biografia, da nossa história. Memória é o que eu vivi. O que na época eu não entendi, mas eu agora lembrando, acionando essas memórias, sou capaz de ressignificá las nomeá las refletir sobre elas, dando um novo significado e com falha, porque o que a gente lembra não necessariamente aconteceu. A gente está acionando, né? Psicologicamente e memórias a gente está acionando psicologicamente. Né? É memórias, lembranças, reminiscências. Tentando com o olhar de hoje. Dá algum tipo de significado e que pode ser falho, pode não corresponder memória o fato, o que é bem interessante que a gente pode, você pode estar com uma pessoa que tenha vivido a mesma memória com você, o mesmo fato que você você lembrar sobre uma perspectiva e a outra pessoa lembrar de uma outra perspectiva. E o que é que o que a gente tem o acesso? A perspectiva do Marcelo, que é muito bonito ali como filho. Uma homenagem à mãe, ao pai, né? Mas uma forma também de eternizar, de memorizar, de de criar, né? Uma reflexão profunda sobre esse vivido. Conclusão, Dicas para a UERJ e Convite ao Projeto 'Ainda Estou Aqui' Então é isso. Espero que tenham que vocês tenham gostado, que tenham curtido, que tenham refletido sobre a memória. Vocês sabem que a prova da uerj ela exige, não a leitura. Linear das frases, né? Mas a compreensão, né, inclusive subjetiva do que está sendo colocado ali, né? Ali, nas inferências, nas entrelinhas, naquilo que não está dito, claramente, implicitamente, pra gente poder fazer a melhor leitura possível da obra. Então me aguarde, siga me acompanhando aqui, estou lá No No Instagram. Prof underline Renata Cris, aguarde o próximo episódio. E eu estou nesse momento com o projeto ORGQ projeto ainda estou aqui. Então, caso você queira uma preparação mais direcionada para sua prova. Tem um projeto muito redondinho, com simulados inéditos, né? Baseados no livro. Ainda estou aqui e montei um negócio especialíssimo esse ano, que nada mais é do que Mini aulas de. Cada um dos conteúdos do edital, do da da prova, do exame de qualificação da uerj. Então, se quiser, entra lá no meu Instagram lá e vamos que vamos. Beijo grande até o próximo episódio.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O podcast "Rê-pertório" analisa obras do vestibular da UERJ; a nova temporada (2026/2027) foca em "Ainda Estou Aqui", de Marcelo Rubens Paiva.
  2. A obra é do gênero memorialístico, com a memória como tema central, sem linearidade tradicional, refletindo e ressignificando lembranças.
  3. O livro aborda a memória em múltiplos sentidos
  4. A memória é explorada como conceito polissêmico, incluindo lembrança, reminiscência e o impacto do Alzheimer em Eunice Paiva.
  5. Marcelo, adulto, resgata memórias da infância durante a ditadura, lidando com lacunas e a necessidade de ressignificar o passado.
  6. O título "Ainda Estou Aqui" reflete a angústia de Eunice com a perda de memória e a resistência em preservar a identidade.

Summary:

No podcast "Rê-pertório", a professora Renata introduz a análise de "Ainda Estou Aqui", de Marcelo Rubens Paiva, obra adotada pela UERJ para o vestibular de 2027. Ela destaca que o livro difere do filme, sendo um gênero memorialístico focado na memória como tema central. A narrativa não é linear; em vez disso, o autor aciona lembranças e reflete sobre elas, ressignificando o passado.

A memória é abordada em múltiplas dimensões: fisiológica (como o cérebro armazena dados, mesmo não lembrados), subjetiva (as experiências pessoais de Marcelo, especialmente o desaparecimento do pai durante a ditadura militar) e política (o legado de Rubens Paiva e a luta por justiça). O livro também explora o Alzheimer de Eunice Paiva, que perdeu a memória, ironicamente, ela que era advogada e defensora de minorias. Marcelo, adulto, tenta preencher lacunas da infância, mostrando que a memória é falha e, às vezes, recriada.

O título "Ainda Estou Aqui" reflete a angústia de Eunice ao perguntar "onde é aqui", simbolizando a luta para manter a identidade diante da perda de memória. A obra, portanto, é uma reflexão profunda sobre como a memória molda a história pessoal e coletiva.

FAQs

A obra foi adotada pela UERJ para o primeiro exame de qualificação de 2027. Ela explora o gênero memorialístico e a temática da memória de forma polissêmica, o que exige uma análise aprofundada para a prova.

Não, o filme e o livro têm linguagens e abordagens diferentes. Enquanto o filme foca na personagem Eunice, o livro é um gênero memorialístico que reflete sobre a memória em múltiplos sentidos, sendo essencial ler a obra original.

No início da obra, Marcelo diferencia: lembrança é a recordação precisa e consciente; reminiscência é uma memória vaga e imprecisa; e memória é o armazenamento cerebral de informações, mesmo sem ativação consciente. Essa distinção é central para entender o tema do livro.

Marcelo discute a memória fisiológica e como uma proteína afeta o cérebro, levando à perda progressiva de memórias. Isso ironiza o fato de Eunice, que trabalhou com o cérebro como advogada, perder suas próprias lembranças, invertendo os papéis familiares.

O título reflete a angústia de Eunice com o Alzheimer, que não reconhece lugares. Marcelo usa esse capítulo para explorar a memória como tema, alternando entre reflexões filosóficas e o relato do dia em que se tornou tutor legal da mãe.

A narrativa não é linear; usa fluxo de consciência, frases longas e pontuação aberta para imitar o processo de lembrança. O autor aciona memórias de forma solta, refletindo sobre elas em vez de seguir uma cronologia rígida.

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