A discussão aborda a dinâmica acelerada das tendências nas redes sociais, onde estéticas como "White UK" ou "Old Money" viralizam e desaparecem rapidamente. A produtora Carol relata sua experiência com feeds dominados por essas tendências, que definem não apenas moda, mas comportamentos e estilos de vida. O antropólogo Michel Alcoforado diferencia tendências de modinhas: as primeiras respondem a tensões culturais profundas e perduram, enquanto as segundas são superficiais e efêmeras. Ele destaca que a tecnologia acelerou o consumo, criando uma sociedade ansiosa, onde jovens e até crianças buscam antecipar novidades, como visto em casos de produtos esgotados após virarem virais no TikTok. Essa aceleração gera impactos na saúde mental, com a geração Z apresentando altos índices de ansiedade, refletindo a pressão por se adaptar a mudanças constantes e a valorização da "adultização" precoce.
Pessoa 1
Gabi, achei que valia chamar uma companhia pra gente começar o episódio hoje.
Pessoa 2
Com
certeza, totalmente de acordo, a gente vai falar de um tema que tem a ver com redes sociais, tendências de comportamento e consumo e que tem sido puxadas pelos mais jovens.
Pessoa 1
E
a Carol, Carolina Moraes, produtora do café, é um pouquinho mais jovem que a gente, né, mais jovem e talvez faça mergulhos mais profundos nesse universo das redes, né, Carol?
Pessoa 3
É,
eu passo um tempo, não muito, mas eu passo um tempo do meu dia no celular, às vezes no Instagram,
Pessoa 3
às vezes no TikTok e já há algum tempo começou a aparecer muito no meu feed, umas postagens que definiam o que estava na moda, o que era o momento de um jeito meio diferente do que eu,
Pessoa 3
o Milênio, eu estava acostumada até então. Eram
sempre tendências estéticas assim, muito bem definidas. Elas
não mostravam só as roupas, os acessórios, a maquiagem de um estilo, assim.
Pessoa 1
Mostrava
o quê?
Pessoa 3
Ah,
mostrava todo um comportamento, às vezes de uma geração ligado a livros, ligado à música, um estilo de vida mesmo.
Pessoa 1
Comida,
bebida, né?
Pessoa 3
Exato.
Eu lembro que a primeira que me impactou, foi bem na época da pandemia, foi aqui, as pessoas chamam de White UK, que é uma referência aos anos 2000, né? Uhum.
Eu já fiquei meio apavorada, como uma pessoa dos anos 90, a gente tem que voltar a
Pessoa 3
usar calça baixa, de cintura baixa. Pelo
amor. Exato.
Mas é uma estética ligada aos anos 2000 e que tem várias referências a coisas de plástico, a coisas futuristas, a missangas, então resgatava a vibe dos anos 2000. E
a tendência era tudo
Pessoa 2
isso. Um
conjunto de coisas.
Pessoa 3
Um
conjunto de coisas que estava em todo lugar. Eu
lembro que eu abriu meu feed e só aparecia em campanha de publicidade, só aparecia nas postagens das minhas amigas. Ela
tomou meu feed, é uma estética que tomou meu feed. Mas
na mesma velocidade que ela tomou tudo que eu estava vendo, ela também desapareceu. E
isso se repetiu com várias outras tendências num ritmo que eu não era capaz de acompanhar. O
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estilo mais bombado do momento é o Old Money. E
traduzindo para o nosso português, ao pé da letra quer dizer um estilo de herdeira. E
o segredo desse estilo é justamente se vestir de uma maneira despertenciosa. Tem
isso no Brasil?
Pessoa 6
Há
outra tendência? Sim,
isso mesmo. Outra
tendência. E
que depois da estética minimalista, cream girl, luxo silencioso, tem uma estética totalmente maximalista. Essa
nova tendência se chama Moby Wife. E
na tradução significa mulher de mafioso. Depois
Pessoa 7
de muito se eu me falar sobre a estética Moby Wife, troca agora algo um pouco ao contrário dessa estética, que é o coquete. Que
nada mais é do que aquele estilo ultra feminino.
Pessoa 1
Bom,
e aí Gabi,
Pessoa 1
a gente precisa contar para o ouvinte que a Carol comentou isso com a gente aqui na redação, né?
Pessoa 2
Faz
uns meses que a gente está debatendo esse tema aqui, encontrando uma forma de trazer essa conversa.
Pessoa 1
Exato.
E ela trouxe um artigo que saiu no New York Times recentemente de uma mãe falando sobre a filha dela, que é da geração Z. E
no texto ela chamava essas tendências de atmosferas culturais. É
algo que acontece no ambiente online, tem um nome definido, tem looks, tem hashtags.
Pessoa 2
É,
tem até uma enciclopédia online definindo esses estilos. E
eles aparecem, desaparecem, como nuvens no céu. Que
nem a Carol descreveu, né, tudo muito rápido, às vezes num espaço de poucas semanas.
Pessoa 3
E
é uma lógica de viralização. Que
acaba aparecendo em coisas específicas também. Quando
a gente começou até essa conversa, quando eu trouxe essa conversa pela primeira vez, eu me lembro que tinha um blush que ele esgotou das prateleiras em 24 horas, justamente porque virou um viral no TikTok. Isso
também tem sido alvo de debates porque causa problemas, né? No
começo do ano, viralizaram vídeos de meninas de 10, 12 anos indo na Seforra, né? Aquela
loja grande de cosméticos, de beleza. E
esgotando produtos, porque viam hidratantes e cremes para pessoas adultas e estavam lá em busca disso.
Pessoa 2
Tipo
criança usando o creme anti -ruga.
Pessoa 3
Exatamente,
exatamente. E
o que eu comecei a pensar sobre essas tendências, esse jeito de consumir moda, de consumir beleza, cultura.
Pessoa 1
E
é por isso que a gente veio parar aqui, né?
Pessoa 3
E
é por isso que
Pessoa 3
a gente veio parar aqui, é o seguinte. Esse
jeito de se relacionar com a cultura tá mudando o nosso senso de identidade, principalmente para essas gerações mais novas, das quais a gente tá falando que crescem com esse ambiente, que crescem vendo TikTok. E
eu me perguntei o que tá mais profundamente ligado a isso, né? O
que tá por trás desse jeito de consumir as coisas. Bom,
Pessoa 2
e aí, a Carol fez essa pergunta pra mim, eu fiz pro Gustavo. Gustavo
devolveu pra Carol,
Pessoa 8
a gente
Pessoa 2
incluiu todas as pessoas da equipe do café e a gente ficou fazendo essas perguntas repetidamente.
Pessoa 4
Até
que...
Pessoa 1
Até
que a gente chamou pro episódio de hoje o antropólogo Michel Alcoforado que pesquisa esse tema.
Pessoa 2
A
gente já volta com a entrevista.
Pessoa 1
Michel,
queria começar com você explicando pra gente de onde surgem as tendências hoje. Elas
vêm de usuários como os das redes sociais, vêm das marcas, e aí coloco aqui também na conta os influenciadores. É
uma mistura disso tudo.
Pessoa 8
Isso
eu acho que é um ponto mais marcante da nossa transformação recente no mundo de uma forma geral. Porque
eu acho que hoje o que a gente tá vivendo é que todo lugar vira um polo de tendência. Quando
a gente pega
Pessoa 8
o polo de tendência, quando a gente pensava, por exemplo, no passado, sobretudo antes das redes sociais, das plataformas digitais dominando a nossa vida, a gente sabia facilmente quando é que um novo movimento acontecia. Ou
ele acontecia de baixo pra cima e de cima pra baixo. Como
é que eu posso explicar isso do melhor jeito possível? Ou
as redes elites estavam buscando uma forma de se diferenciar e propou pro resto da sociedade um novo comportamento pra poder através desse movimento marcar pra preditinção, ou as camadas populares, né, o pessoal que tava a margem, era visto como o produtor de uma novidade, e as elites iam lá e capturavam aquele movimento e expandiam aquilo com uma nova forma de pensar. Agora,
o ponto central aqui é que com as plataformas digitais e com as redes sociais, todo mundo de certo modo virou quase um esterionatário de produção de tendências. A
gente tá sempre buscando tentar ter os olhos dos outros e os ouvidos dos outros também, e através desse movimento inaugura algo que vai te garantir a possibilidade de ser o inventor de um novo comportamento. Mas
pra resolver aqui de uma forma ou de outra, no passado ou agora, o que tem muito claro é que uma tendência surge quando ela consegue resolver algo que é centrar na nossa vida em sociedade, que é o que eu chamo de tensões culturais. A
cultura tem um papel decisivo, que ao mesmo tempo em que ela te dá um lugar no mundo, ela te dá também alguns limites claros. Ao
mesmo tempo em que ela te possibilita inventar quem você é, ela também é um aparelho repressor de qualquer outra forma de comportamento. Ela
te restringe, ela coloca limites pra você. E
com esses limites, a gente sofre. Então,
toda vez que surge uma tendência de comportamento, ela é quase como uma resposta pra essa tensão que a cultura tá criando pra gente. É
quase como se, na medida em que a gente faz parte de uma sociedade,
Pessoa 8
a gente ganha essas asas pra poder voar, mas só pode voar dentro do mesmo quadrado. E
uma tendência abre uma chance de você encontrar um vanzinho entre essas grades. Um
vanzinho que te dê uma possibilidade voar um pouco mais.
Pessoa 2
Vou
te pedir alguns exemplos então pra você nos ajudar a entender o que a gente tá definindo como tendência ou como trend, como às vezes usam nas redes, né? Tendência
Pessoa 8
é quando um comportamento se coloca como um comportamento que é capaz de responder a uma necessidade que tá no cerne da sociedade naquele momento. Então,
quando eu entendo que algo que era visto como uma solução individual minha se mostra como um comportamento que é capaz de fazer sentido pra outra tantas pessoas e aquilo ganha uma ideia de um movimento, aquilo aponta um caminho, certamente a gente tá diante de um movimento que é uma tendência. E
Pessoa 2
aí pode ser no jeito de se vestir, no que se come, no que se bebe, em várias frentes.
Pessoa 8
Pode
ser no jeito de se vestir, pode ser no que se come, pode ser na forma como a gente encara o mundo e pode ser na forma como a gente pensa inclusive o futuro, a nossa própria vida. O
Pessoa 8
que é o ponto importante aqui? É
que a gente precisa fazer uma distinção entre tendência e modinha. As
modinhas, em geral, são pequenos comportamentos que aparecem todos os dias nas redes sociais e elas dão conta só dessa primeira camada da vida cotidiana, da superfecialidade da vida cotidiana. Ela
tá só preocupada em atender uma dinâmica do dia. Então,
eu fui na rua, achei que pra poder chamar a atenção dos meus seguidores nas redes sociais eu ia usar uma frase específica e aquela frase se transforma num meme ali que amanhã já morreu e ninguém sabe mais sobre o que que trata aquilo, sobre o que aquilo dizia a respeito. Isso
é uma modinha. E
por que que uma modinha é diferente de uma tendência? A
tendência, ela tá diretamente conectada a esse nervo central da cultura, que é a maneira como nós enquanto sociedade estamos organizados. E
a tendência, ela viraliza ou ela atravessa estratos sociais diferentes, gerações diferentes, disparidade de gênero, classe, rácia e outras tantas, porque ela diz respeito a esse centro nervoso da sociedade. Então,
se a gente começa a prestar atenção nesse movimento do ballet de Kenner, que é esse passinho que é típico das pressão artísticas das camadas populares, nas periferias urbanas brasileiras, que agora fazem um ballet onde o Kenner do passado voltou e ele voltou pra fazer o barulho muito similar ao sapateado que a gente via no que tem mais sofisticado em termos de dança.
Isso
é muito mais que uma modinha. Isso
revela disposições de classe, isso revela a perspectiva de gosto, isso revela uma conexão com o áudio visual, isso revela a maneira como um grupo específico se posiciona diante do mundo e se relaciona com outros tantos grupos. Então,
isso é muito mais que uma modinha, porque isso certamente já tá influenciando. A
relação das camadas médias com esse calçado, isso já tá influenciando. A
maneira como as elites olham pra essa dança, isso tá influenciando a sociedade como um todo. Quando
algo perdura no tempo, porque eleita como a temporalidade, que não é a temporalidade, do dia a dia, mas é uma temporalidade da cultura, é uma temporalidade da sociedade, a gente pode dizer que tá diante de um movimento que se afirma enquanto uma tendência. E
não só como algo que quando o vento mudava, ia desaparecer.
Pessoa 1
Agora,
a impressão que a gente tem é que se a modinha dura um dia, dois dias, a tendência ainda que ela perdure um pouco mais, ela acaba virando mais rápido do que ela virava antigamente. E
aí a gente tá sempre atrasado, ficando pra trás, correndo atrás da nova modinha ou da nova tendência, ou das duas coisas, né? O
ritmo de consumo tá mesmo mais acelerado, ou ele só mudou de cara, de perfil?
Pessoa 8
Não
tem menor dúvida de que o ritmo de consumo tá mais acelerado, porque nós vivemos tempos de aceleração. E
a tecnologia tem um papel importantíssimo nisso. Isso
é fácil explicar. Uma
vez eu tava fazendo um trabalho de campo em Bangalore, que é conhecido como Vale do Silício Indiano. E
aí, fazendo entrevista com um rei de startups lá de Bangalore,
Pessoa 8
desses que a gente só vê em filme, ele virou pra mim e me disse, você sabe o que é tecnologia? E
eu falei pra ele, não, o que é tecnologia? Ele
disse, tecnologia é tudo aquilo que me permite fazer, algo que eu demorava muito mais tempo pra fazer e muito menos tempo. Então,
o WhatsApp, o meio de comunicação novo, a plataforma digital, o robô da sua casa, a inteligência artificial, chat de CPT, são arranjos tecnológicos que permitem que a gente faça mais coisa ao mesmo tempo. O
fato de eu ter mais possibilidade de fazer mais ações sociais dentro da mesma unidade de tempo faz com que a gente tenha a possibilidade de viver mais vidas dentro do mesmo dia. Essa
coisa de ter muita vida no mesmo tempo acelera o processo de transformação social. Porque
se antes, no passado, eu precisava de 5, 6, 7, 10 anos pra viver um mesmo ciclo, agora eu consigo resolver isso rapidamente? Então,
essa confusão mental que eu e vocês aqui vivemos, toda vez que estamos falando para um grande público, escrevendo para um grande público, será que eu posso dar determinada palavra? Será
que isso ainda pode ser dito? Será
que eu ainda posso vestir determinada roupa? Será
que eu ainda posso dizer que estou namorando, casando, ou sendo pai ou mãe desse jeito? E
essa completa talta de referência mesmo vem por conta desse processo de aceleração da vida cotidiana que foi impulsionado pela tecnologia. Então,
os tempos, na medida em que eles estão mais acelerados, as modinhas também estão mais aceleradas e as tendências também mudam com uma velocidade infinitamente maior. Isso
gera sofrimento.
Pessoa 1
Ah,
ansiedade. É,
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só tem um problema nessa história toda, né, que o nosso corpo continua funcionando na mesma velocidade. O
Pessoa 8
nosso corpo continua funcionando na mesma velocidade, mas o corpo da gente funciona pelaquilo que a biologia coloca, mas por aquilo, sobretudo, que a cultura quer que a biologia faça. Então,
quais são os movimentos mais claros desse processo de transformação da gestão do próprio corpo? O
primeiro ponto é essa loucura aí que a gente vê na faria Lima, de que você precisa acordar às 5 da manhã para resolver todos os seus dilemas do presente, do passado e do futuro. Que
é um, alguém dizendo, olha, é a gestão do tempo, acorde mais cedo porque você vai fazer mais coisas. Outra
coisa são esses gerenciadores de tarefa todo momento falando, olha, foco, foco, foco, foco. E
um outro elemento aqui, que é central, é um tipo de sociedade que coloca como elemento decisivo no nosso dia a dia a produção de gente ansiosa. O
capitalismo que a gente está vivendo hoje da aceleração do tempo é um capitalismo que gosta de ansiosos. Gosta
por quê? Porque
gente ansiosa é gente que se antecipa à tendência,
Pessoa 8
que se antecipa à inovação, que está preocupado que vai ser o mundo na manhã e já está investindo, já está comprando, já está vivendo como se esse amanhã tivesse sido realizado já. E
ele não foi. E
qual é o ponto decisivo dentro desse movimento todo? É
que quando a gente está ansioso, a gente compra aquilo que o
Pessoa 8
mercado está oferecendo hoje, a gente compra aquilo que a gente sociedade está mostrando para a gente hoje, mas a gente já sabe que aquele não é o melhor, o melhor vai vir amanhã. Então
eu compro o iPhone 10 sabendo que ele é bom, mas não é bom totalmente, o bom é o 11. Eu
compro 11 imaginando que, olha, ainda não é o melhor, tenho 12, 13, 14, 15. Eu
uso o chat de Ept pensando, meu Deus, como a minha vida vai ser melhor amanhã? E
a gente é tomado mesmo por essa ansiedade como se isso fosse normal. E
aí os reflexos são claros, né? Segundo
dados do AMS,
Pessoa 8
a juventude brasileira é uma das mais ansiosas no mundo. Pela
primeira vez na história, a gente está vivendo com surto de ansiedade, com crise de ansiedade, com maior frequência entre os mais jovens do que entre os mais velhos, coisa que nunca tinha acontecido.
Pessoa 10
A
geração Z, que em globos nascidos entre 98 e 2010, é a que mais sofre com transtornos de saúde mental, quando comparada com as demais gerações. Entre
os entrevistados essa faixa etária, que vai dos 13 aos 25 anos de idade, 27 % afirmaram ter ansiedade, 36 % tem estresse e 27 % depressão. Já
entre os baby boomers, nascidos nas décadas de 40 a 60, a depressão não passa de 10%.
Pessoa 8
Isso
é fruto do quê? Fruto
de gente que foi criada, entreinada, dentro de um modelo de sociedade e muito mais adaptada a esse modelo de sociedade, onde ansiedade é o ponto central da organização da vida cotidiana.
Pessoa 8
A
gente treina a filhos para entrar numa sociedade ansiosa e a gente premia pessoas que conseguiram se antecipar o tempo. E
por conta disso, a ansiedade se transformou quase num cachal, num broche, a ser ostentado como uma glória e não como um problema. E
é por conta dessa vida, onde não só eu preciso saber qual é a novidade a todo momento, mas eu preciso estar conectado a ela, sem saber se sou capaz de. Eu
vivo esse drama e vocês aí certamente também. Todo
mundo tiver que dançar no TikTok para poder vender o próprio trabalho e conseguir um emprego para pagar os boletos, esse é um drama que teremos de enfrentar. E
aí eu fico pensando, eu não sei dançar, eu não sei mexer no TikTok, e se eu vou precisar disso para poder pagar o boleto, como será? Ansiedade.
Então esse dia nem chegou e eu já estou preocupado com como
Pessoa 8
é que vai ser para eu entrar nesse momento. Isso
é nesse ponto, mas é com tudo.
Pessoa 2
Isso
está acontecendo cada vez mais cedo, Michel. A
gente lembrou aqui de vídeos que viralizaram no TikTok e no Instagram de meninas de 10, 12 anos lotando lojas de cosméticos tipo a ceforrar atrás de produtos que bombaram nas plataformas. Ou
seja, são crianças, mal chegaram na adolescência e também estão impactadas por tudo isso que você está descrevendo. Está
começando cada vez mais cedo? Está
Pessoa 8
começando cada vez mais cedo e as explicações desse caso, elas são facilmente entendíveis. Porque
se você presta atenção, as pessoas da nossa geração, o pessoal ali que nasceu entre os anos 80, anos 90, que já passou dos 30, 40 e poucos, o nosso processo de compra no passado, ele se dava de forma estreitamente mais lenta. Eu
tinha que sentar na frente de uma televisão, enfrentar o meu programa preferido e suportar o comercial, e ali depois ser bombardeado tantas vezes com a mesma publicidade, eu conformava uma visão de mundo, decidia se ia comprar ou não, dava limites para o meu desejo e saí da minha casa e a loja e a lá e comprava. Quando
eu tenho as marcas e os influenciadores dominando as plataformas digitais e esse negócio está na minha mão e eu estou 24 horas dentro dele, a conformação dos limites dos meus desejos são extremamente mais rápidas. Então
eu olho, eu quero, eu compro. Isso
afeta a gente que tem sabedoria para perceber se vale ou pena não comprar alguma coisa, mas isso afeta crianças em informação. Agora,
nesse caso das meninas da C4R, há um outro elemento importante que também é fruto desse modelo de sociedade marcado por uma aceleração, que o principal valor numa sociedade onde autonomia e independência são os principais atributos a serem valorizados, o indivíduo perfeito ou o indivíduo apto a viver em sociedade é aquele que tem contornos de adultes. Os
jovens de hoje batalham pesadamente não para ser jovens para sempre, mas para virarem adultos o quanto antes. E
virar adulto o quanto antes é até a própria casa, é decidir sobre a própria vida, é pagar as próprias contas, mas é decidir também o que que eu vou colocar no meu corpo ou o
Pessoa 8
que eu vou ingerir. Essas
crianças da C4R, elas estão orientadas não só pela propaganda, que está nos seus celulares ali, mas sobretudo por uma ideia de sucesso. Elas
param da C4R querendo comprar esse monte de puxinganga, únicos, exclusivamente orientadas, por uma ideia de sucesso. E
isso está atrelado não só à procura por maquiagem, mas por outros elementos decisivos também nesse processo de adultes ou nesse processo de adultização. Então
essas mesmas meninas que estão indo para o TikTok, faz deixar a revelação de menstruação. A
menstruação era um tema proibido no passado,
Pessoa 8
a gente não podia falar sobre isso, porque hoje é infinitamente melhor se tem alguma normatização em torno desse assunto, mas ainda é um tema da intimidade, ainda era um tema da gestão do próprio corpo, ainda é um tema marcado como alguma individualidade. Então
os meninas da C4R, que estão causando um verdadeiro terror dentro das lojas nos Estados Unidos e na Europa, elas estão orientadas pelo aquilo que se impõe, como verdade, ou como necessidade nas redes sociais, mas sobretudo por aquilo que se impõe, como verdade, como necessidade, dentro do campo do sucesso, da adultez, da autonomia e da independência.
Pessoa 1
Agora,
Michel, qual que é a percepção dos jovens desse fenômeno? Eles
têm consciência de como eles são influenciados pelas tendências que nascem nas redes, a gente sempre associa a geração Z como um grupo mais preocupado com questões ambientais, por exemplo, pra puxar uma das coisas presentes no comportamento deles, né? Isso
se traduz como na realidade.
Pessoa 8
Eu
queixou muito essa ideia de que a geração Z está muito preocupada com as questões ambientais e acho que isso é fruto dentro do mercado brasileiro latino -americano, dos relatórios gringos e dos relatórios europeus e dos relatórios americanos. Certamente
os jovens europeus estão muito ligados à causa da sustentabilidade e à preocupação com as questões ambientais, o que eu não vejo no cenário brasileiro, no cenário latino -americano que foi onde eu fiz pesquisa durante muito tempo. Por
quê? Porque
se eles estão tão preocupados com as coisas ambientais, com a causa ambiental, o K -PALT e a SG, não se justificaria a loucura deles com um bluzinha da Che 'in e da Chopi e nem a revolta que a gente está vendo agora com a taxação das bluzinhas como está gerando esse burburinho nas redes sociais. Esses
jovens é óbvio que eles estão preocupados com a causa ambiental, mas eles acham que o problema é grande demais para eles resolverem sozinhos. Há
uma sensação quase nilista em relação a esse problema. É
quase como se as antigas gerações, a geração dos baby boomers, os mesmos milênios e a geração X tivessem criado problemas tão grandes que individualmente eles não vão conseguir resolver. Tem
um fato que foi interessante que eu sempre repito de uma jovem que eu entrevistei na cidade do México. Um
dia eu entrei nessa favela no meio da cidade do México e aí chega numa casa muito pobre e pergunto para essa jovem. E
aí, né? Como
é que é a sua relação com as questões ambientais, com a sustentabilidade, com a PALT e a SG? E
ela, com muita seriedade, virou para mim e disse, ouvi dizer que um avião de Londres a Nova York consome 3 metros cúbicos de calota polar. Eu
nunca saí do meu quarto, o
Pessoa 8
que que eu tenho a ver com isso? Esse
é um problema de vocês. Então,
a relação desse público com consumo é uma relação das mais vicerais. Eu
acho que eu nunca vi uma geração tão preocupada, só a única exclusivamente com a satisfação dos seus desejos na hora de comprar do que as gerações Z, do que os mais jovens estão vendo. E
o processo é muito claro, é de pensar consumo, não como realização de desejo, mas de pensar consumo de maneira muito pragmática na construção de uma marca. E
de uma marca que vai ser exposta cotidianamente nas redes sociais e que vai garantir para eles algum lugar no mundo. Então,
eles são vítimas das tendências, sabem que são vítimas das tendências e não estão preocupados com isso. No
nosso tempo, é, do pessoal que já passou dos 30 aí, o fulano quando tinha 14, 15 anos, ele era da tribu dos pagodeiros, ele se vestia como pagodeiro, escutava música de pagode, tinha uma namorada que era pagodeira, comia comida de pagodeiro, tudo era pagodeiro. E
assim ficava até uma mudança de estilo. Isso
demorava. Hoje,
nesses jovens num mundo extremamente mais acelerado, amanhece pagodeiro, escuta amarela -mendonça depois, cai na NCPP aqui e termina em música clássica. E
vai mudando o seu visual, a própria identidade, a ser apresentada nas redes sociais, de acordo com o gosto. Isso
Pessoa 2
que você está falando tem a ver com um artigo que saiu no New York Times, que uma jornalista argumenta que essa abundância de estéticas nas redes tem a ver com a falta de senso de identidade da geração Z, né, ela argumenta que, já que essa é uma geração que pode consumir coisas de várias épocas, em ambientes diferentes, é como se faltasse um repertório incomum que marcasse a geração. Você
vê uma crise de identidade na geração Z, e
Pessoa 2
te pergunto também se essa diversidade de identidade pode ser uma coisa boa, uma possibilidade, por exemplo, de inclusão de gente que talvez se sentir se excluída.
Pessoa 8
O
primeiro ponto é que eu não sei nem se a palavra identidade faz sentido para a geração Z, porque identidade de certo modo era um contorno para uma subjetividade que precisava aperturar ao longo do tempo. Porque
a gente esperava no passado que gente confiável era a gente que conseguia ter uma mesma identidade sendo mantida e administrada ao longo do tempo. Se
você terminou um casamento, um namoro, foi no salão de beleza, cortou um cabelo, comprou um carro, mudou o relógio, mudou a forma de vestir, era facilmente entendível, assim, ninguém ficava satiado com isso. Mas
mudanças com essa velocidade que a gente vê hoje é o cenário dessa geração, que não se orienta por identidade, mas se orienta por uma outra palavrinha que bomba no TikTok, que é o Asterik. O
Pessoa 8
que é isso? O
Asterik é aquela identidade que você assume naquele dia. Então,
se eu quero me vincular naquele dia, ao movimento das novas dicas, eu entro dentro do aplicativo e compro um monte de coisa dourada e passo a me vestir desse modo. Se
eu, no outro dia, achei que quero seguir a tendência das senhoras dos genópolis, eu entro, sei lá, num brechor na Augusta, compro um monte de roupa de senhoras dos genópolis do ano 70 e passo a me vestir dessa forma. De
acordo com meu mood, de acordo com a minha posição, de acordo com a
Pessoa 8
minha ambição naquele momento. É
ótimo porque te dá infinitas possibilidades e plasticidade para se adequar no mundo da maneira como você acredita, mas causa, certamente, uma série de conflitos, que são conflitos de como é que administra essa imagem com essa velocidade que vai mudando de maneira tão acelerada. Há
um ponto importante aqui que é que eu é esse que está em discussão na hora em que eu vou mudando de identidade, na hora em
Pessoa 8
que eu vou mudando de imagem a cada momento. E
Pessoa 1
a perguntar justamente isso, como é que o conceito, um outro conceito que é o da autenticidade sobrevive num cenário assim.
Pessoa 8
E
esse é o conceito mais ambicionado por eles desde sempre, né? Inclusive
o Lipovetsk lançou esse livro super interessante, que é a importância que a autenticidade vai ter como determinante desse eu no mundo. Há
um ponto importante aqui ligado à sua pergunta que estão atrelados a dois grandes movimentos. O
primeiro é um movimento que só se intensifica dos anos de 1980 para cá, quando o neoliberalismo se impôs como um modo, não só de produzir riqueza, mas também como um modo de produzir vida. É
a partir dos anos de 1980 que a gente vai se preocupar com uma palavrinha fundamental no mundo hoje, que é o fit, de fitness, né? E
o que o fit quer dizer? Quer
dizer que você tem que ir para a academia, ficar lá, magrinho, articulado, com os músculos no lugar, mas o fit fala de um corpo e uma identidade que se encaixa em todo e qualquer contexto. Então
um corpo que se encaixa em todo e
Pessoa 8
qualquer contexto é um corpo fit. E
esses jovens, quando estão pulando de identidade e identidade, eles estão construindo um eu que se encaixa em todo e qualquer contexto. Porque
o
Pessoa 8
que o autêntico está dizendo para a gente? O
autêntico é a última beiradinha de uma sociedade que acha que o indivíduo é o valor fundamental da nossa vida. O
autêntico é a busca de construção de um lugar para quem acha e foi treinado desde pequeno, que entre 8 ,5 bilhões de pessoas espalhados no planeta tem alguém que não tem nenhuma característica em similar com os outros, em comum com os outros. O
autêntico fala de alguém que acha e acredita de verdade que próximo a um lugar do mundo vai ter que mostrar um olhar único sobre o mundo. E
é por isso que a trend que mais bomba no TikTok é a POV, que é a Point of View, que é o ponto de vista.
Pessoa 2
Ai,
me explica o que é isso, porque você me desculpe e eu nunca entendi.
Pessoa 8
Então,
ao contrário da geração anterior, e aí eu com 38 e vocês aí próximo de mim, a gente queria ir no lugar que os outros não foram, ou a gente queria ir no lugar que os outros foram para dizer, olha, eu estava lá também e os outros que não foram não estavam. Todos
esses posts que a gente fez no Instagram, querendo marcar, tive aqui em
Pessoa 8
tal restaurante, fiz o mochilão pelo cidexto asiático, fui lá no Paris, desvi a Torreiffel, era de um modelo de sociedade onde o interessante era eu dizer que estava conectado a um determinado grupo, em contraposição a quem não estava. A
geração Z, eles não estão preocupados em ir no lugar novo, eles não estão preocupados em usar aquilo que ninguém usou, porque eles sabem que numa economia massificada isso é impossível. Então,
o que que restou para eles garantir algum território de autenticidade e de construção de um eu? No
mundo onde está todo mundo em todo lugar, todo mundo podendo comprar tudo, é o olhar. Então,
eu vou no mesmo show que você, eu vou na mesma festa que você, eu vou na mesma chocada da universidade, mas o que vai me diferenciar de você é que eu tive um olhar sobre aquela festa de um jeito que você não teve. E
é o meu olhar sobre o mundo, é que vai me dar um lugar único no mundo, porque é a única coisa que me restou. E
é o meu olhar sobre o mundo, que vai me fazer ganhar dinheiro, que vai me fazer arrumar um emprego, que vai me fazer conquistar um dente no Tinder, que vai me fazer ser visto. Então,
a disputa de poves, a disputa de pontos de vista, é uma disputa de olhares únicos, dado que todo o resto foi massificado. O
Instagram está aí para todo mundo, o TikTok também, a viagem queridinha aí também, o sapato do momento também, que eu tenho de um único. É
o meu olhar sobre sapato, é o meu olhar sobre a viagem, é o meu olhar sobre a festa. E
é assim que eu invento algo único e é assim que eu invento autenticidade.
Pessoa 4
—
Pessoa 2
— Agora, a gente está falando muito da geração Z. As
outras gerações estão absorvendo isso.
Pessoa 2
A
gente também está reproduzindo todo esse jeito de estar no mundo, já que a gente também está nas redes, está rolando o feed ali, né? Talvez
as bolhas sejam diferentes, mas de alguma maneira, a gente também não está fazendo igual? A
Pessoa 8
gente está fazendo igual e aí, quando a gente pensando, sobre tudo para os milênios e para a geração X, que ainda estão ativamente dentro do mercado de trabalho, os baby boomers já estão vivendo um ciclo forte de retirada do mercado de trabalho, mas a gente não está vivendo isso com ansiedade,
Pessoa 8
a gente está vivendo como medo. E
é isso que nos atravessa. É
o medo de não conseguir se adequar às novas formas de trabalho, de não conseguir se reinventar para conseguir estar ainda com o emprego, pagando as próprias contas, é o medo de não entender mais como é que as relações de pagamento vão se dar, é o medo de não se inserir. Às
gerações anteriores, o processo de amadurecimento biológico, ou o processo de enverecimento biológico, ele era acompanhado por um processo de amadurecimento e enverecimento social. Eu
saía do jogo, do mesmo modo que meu corpo pedia para eu sair do jogo. E
qual é o drama que nos acomete agora, numa sociedade onde todo dia tem uma novidade? É
que eu não sei se eu vou dar conta de me inserir na próxima novidade.
Pessoa 1
E
aí, qual é o espaço hoje para os grupos que questionam esse jeito acelerado de consumir,
Pessoa 1
de trocar de tendência, de modinha? Você
acha que existe algum indício de saturação disso tudo, dessas tendências?
Pessoa 8
Eu
diria sim, mas esse é um privilégio de poucos. E
aí, quando eu
Pessoa 8
estou falando de privilégio, eu estou sobretudo chamando a atenção para os privilégios econômicos. Quem
tem possibilidade de negar esse mundo é quem já não precisa se preocupar com dinheiro para pagar os próprios boletos. Pesquisei
por mais de 10 anos ricos no Brasil e na América Latina, é o tema do meu doutorado. Eu
adoro quando os ricos da minha pesquisa dizem que não estão no Instagram, ou dizem que não estão no TikTok, ou dizem que não tem perfil no LinkedIn, ou dizem que estão se afastando das redes sociais. Essa
é uma possibilidade para quem não precisa delas para se inventar. Acascamadas
médias e os pobres, infelizmente, vão ter que estar rodando nessa maquinaria. E
não vai ter muito jeito, porque se o mundo vira isso, a gente para estar no mundo vai ter que virar isso também. Nos
caminhos de resistência, de algum modo, eles viram com privilégios. Privilégios
de gênero, privilégios econômicos, privilégios regionais. Então,
os privilégios, como sempre, eles podem assumir um papel de contracultura e negar esse movimento. Aos
outros, cabe se encaixar ou sofrer para se encaixar.
Pessoa 2
O
Anoário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado ontem, aponta um novo recorde nos registros de mulheres estupradas. Foram
83 .988 casos no ano passado, ou seja, a cada seis minutos, uma mulher foi abusada sexualmente no país. Em
2022, um estupro foi registrado a cada oito minutos. O
número levem conta aos casos que foram denunciados às autoridades policiais e incluem tanto estupros quanto estupros de vulnerável, ou seja, quando a vítima tem menos de 14 anos ou não tem condição de consentir. O
dado representa um aumento de 6 ,5 % dos casos na comparação com o 2022. Desde
o começo da série histórica em 2011, houve um aumento de mais de 90 % nos registros. 88 % das vítimas são do sexo feminino, 52 % são negras e 62 % tem no máximo 13 anos. 62 % sofreram abuso dentro de casa e 85 % foram estupradas por familiares ou conhecidos. O
Anoário inclui outros dados, entre eles o de que o Brasil registrou pouco mais de 46 mil mortes violentas intencionais no ano passado. Isso
representa uma queda de 3 ,4 % em comparação com o 2022 e é o número mais baixo desde 2011.
Pessoa 1
O
ministro Fernando Adade confirmou ontem que 15 bilhões de reais do orçamento desse ano vão sofrer bloqueio ou contingenciamento. O
valor deve ser oficializado no relatório bimestral de receitas e despesas que vai ser publicado na próxima segunda -feira. Segundo
Adade, a contenção é necessária para cumprir as metas do arcabolso fiscal até o final do ano. O
governo já tinha anunciado um corte para o ano que vem de 25 ,9 bilhões de reais em benefícios sociais que vão passar por um pente fino e deixou aberto a possibilidade de antecipar parte disso para esse ano. Nas
últimas semanas, o presidente Lula adotou com mais ênfase o discurso de respeitar a responsabilidade fiscal, mas também falou que precisa ser convencido sobre cortes de gastos. O
novo arcabolso determina que o governo siga duas regras, um limite de gastos e uma meta de resultado primário, que leva em conta a diferença entre receita e despesa. Ao
longo do ano,
Pessoa 1
o governo pode ter que fazer ajustes para garantir o comprimento dessas regras. Se
o cenário é de aumento das despesas obrigatórias, é necessário fazer um bloqueio. Se
as estimativas apontam perda de arrecadação, o instrumento adequado é o contingenciamento. Nesse
caso, o bloqueio anunciado por adade vai ser de 11 ,2 bilhões de reais e o contingenciamento de 3 ,8 bilhões.
Pessoa 2
Esse
foi o Café da Manhã, podcast mais importante do seu dia, parceria entre a Folha e o Spotify.
Pessoa 1
Eu
sou Gustavo Simon e
Pessoa 2
eu, Gabriela Meier.
Pessoa 1
O
roteiro foi escrito com a Carolina Moraes, a produção é da Anne Meire Ribeiro, da Carol e do Lucas Monteiro, e a edição de som é do Rafael Concle e do Tomé Granemann.
Pessoa 2
Esse
episódio, os áudios de TV Brasil e TikTok.
Pessoa 1
Debate
do fim de semana, Gabi.
Pessoa 2
Debate
do fim de semana. Eu
que vou trazer, né? Sim.
É verdade. O
debate do fim de semana veio do seguinte. Na
semana passada, no fim do Jornal Nacional, William Bonner fez uma brincadeira com a Renata Vasconcelos discutindo qual era o nome correto do que eu chamo de Toto. E
eu chamo de Pebolim. E
outras pessoas a gente descobriu no Jornal Nacional chamam de Flaflu. Isso.
Nas redes estão até dizendo que eles se inspiraram no debate do fim de semana. Com
certeza. Do
Café da Manhã para fazer essa brincadeira no fim do Jornal, porque eles ouvem todo dia, né? E
aí eu queria trazer esse debate para você. Qual
é para você o debate diléxico regional?
Pessoa 1
Certo.
Pessoa 2
Que mais te interessa?
Pessoa 1
Eu
confesso que eu fiquei bastante surpreendido com o Flaflu, por o Pebolim.
Pessoa 2
Eu
também nunca te ouvi. Não
Pessoa 1
conhecia esse Jornalismo do Sul, né? Mas
eu acho divertidos os Jornalismos Culinarios.
Pessoa 2
Eu
também estou nessa categoria.
Pessoa 1
Boa.
A gente fala muito de comida aqui, né? Só
disso. Pra
mim. Eu
me lembro que pra mim foi uma revelação quando eu descobri que a batata baroa e a mandioquinha são a mesma coisa. Eu
achava que a batata baroa era uma qualidade mais chique de batata. Na
Pessoa 7
verdade, era a
Pessoa 1
mandioquinha que eu sempre comi desde criança. E
a briga disputa entre Tangirina, Mexirica e Bergamota, que outro dia, inclusive, eu tô me agrando, né, mano? Editor
de som aqui do Café, me revelou que na sua santa catarina natal, ele chama de Bergamota, com V, não com B. Ah,
Pessoa 2
tipo Espanol Blanche. Isso
me revelou
Pessoa 1
um outro lexico pra essa mesma fruta. Achei
incrível.
Pessoa 2
Muito
bem. Bom,
pra mim o grande debate é o que envolve iguarias de milho, que rondam a festa junina. Outro
clássico. Tipo,
canjica, mungunzá.
Pessoa 3
E
Pessoa 2
ainda tem uma variação, né? Porque
eu descobri outro dia nas redes que pode ser mungunzá, mungunzá.
Pessoa 1
Mungunzá,
isso.
Pessoa 2
Ou
tem lugares que ainda dizem mungunzá.
Pessoa 1
Meu
Deus. Então,
Pessoa 2
enfim, a minha dica só é procura em saber, porque
Pessoa 9
se você
Pessoa 2
pedir uma canjica em diferentes lugares do Brasil, você vai receber coisas muito diferentes.
Pessoa 1
Que
pode ser uma surpresa não tão agradável.
Pessoa 2
Exato,
depende do seu gosto. Então
é isso, procure saber.
Pessoa 1
Certifique
-se dos regionalismos.
Pessoa 2
Exatamente,
essa é
Pessoa 2
a minha dica. Mas
se puder, coma todos também,
Pessoa 4
né?
Pessoa 1
Esprimenta.
Pelo menos exprimenta, como dizia a minha mãe.
Pessoa 9
Então
é isso, bom fim de semana.
Pessoa 1
Tchau,
bom fim de semana, até a segunda. Até.
Podcast Summary
Key Points:
As redes sociais aceleram o surgimento e desaparecimento de tendências estéticas e comportamentais, como "White UK", "Old Money" e "Mob Wife".
O antropólogo Michel Alcoforado explica que tendências surgem como respostas a tensões culturais, diferindo de modinhas por afetarem estratos sociais mais profundos e durarem mais.
A aceleração tecnológica gera ansiedade, especialmente entre os jovens, pressionando por consumo imediato e antecipação constante do novo, impactando até crianças.
Summary:
A discussão aborda a dinâmica acelerada das tendências nas redes sociais, onde estéticas como "White UK" ou "Old Money" viralizam e desaparecem rapidamente. A produtora Carol relata sua experiência com feeds dominados por essas tendências, que definem não apenas moda, mas comportamentos e estilos de vida. O antropólogo Michel Alcoforado diferencia tendências de modinhas: as primeiras respondem a tensões culturais profundas e perduram, enquanto as segundas são superficiais e efêmeras.
Ele destaca que a tecnologia acelerou o consumo, criando uma sociedade ansiosa, onde jovens e até crianças buscam antecipar novidades, como visto em casos de produtos esgotados após virarem virais no TikTok. Essa aceleração gera impactos na saúde mental, com a geração Z apresentando altos índices de ansiedade, refletindo a pressão por se adaptar a mudanças constantes e a valorização da "adultização" precoce.
FAQs
São tendências que surgem no ambiente online, com nomes definidos, looks específicos e hashtags, que aparecem e desaparecem rapidamente, influenciando comportamento e consumo.
As tendências estão conectadas a tensões culturais profundas da sociedade, atravessam diferentes grupos e perduram no tempo, enquanto as modinhas são comportamentos superficiais e efêmeros do dia a dia.
A tecnologia permite fazer mais ações no mesmo tempo, acelerando a transformação social. Isso gera modinhas e tendências mais rápidas, contribuindo para ansiedade e sofrimento.
Em uma sociedade acelerada, a ansiedade é incentivada, pois leva as pessoas a se anteciparem a inovações e comprarem produtos sabendo que 'o melhor' virá amanhã, gerando um ciclo constante de insatisfação.
Com acesso constante a plataformas digitais, os desejos são conformados rapidamente. Além disso, há uma pressão para 'adultização', onde ser independente e tomar decisões adultas (como consumo) é valorizado desde cedo.
É um comportamento que responde a uma necessidade central da sociedade naquele momento, viralizando e fazendo sentido para diversas pessoas, indicando um movimento cultural mais profundo.
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