Oi, branca-viana aqui.
E você acredita que já faz um ano que a gente lançou o clube da novela?
Teve muita coisa legal nesse tempo.
Episódios bonos do rádio novela-presenta,
Episódios antecipados do apresenta e de avestruis máste,
Lives com os nossos repórteres, descontos bem bacanas com as nossas marcas parceras,
além, claro, da bolsa Chiquérma, da rádio novelo que os assinantes ganham.
Bom, e eu tô passando aqui pra agradecer você que foi a assinante de primeira hora
e fez parte desse primeiro ano com a gente.
E também pra dizer pra você que ainda não assinou que vai ter tudo isso e muito mais
no ano 2 do clube.
Pra começar, a gente tá preparando uma temporada especial do fim da meada
com alguns episódios em vídeo e, como sempre, os assinantes recebem os episódios antes.
Tem também uma máster class que o pessoal do MASP escola tá preparando só pra quem é do clube da novela.
E lógico brindes porque a gente adora brindes.
Quer renovar o plano anual, ganha um caderninho lindo feito só pra gente pelas 15 books,
um lápis e uns adesivos bacanérrimos pra você sair por aí mostrando que curte boas histórias.
E pra quem tá chegando agora, o presente é uma bolsa linda da novela.
É isso, vem ou continua no clube da novela com a gente.
- No rádio? - No rádio, no velo.
Tá começando o rádio no velo apresenta.
Eu sou a branca viana.
Isso é uma coisa rara no jornalismo, mas às vezes a gente tem a oportunidade de acompanhar
uma história por muito tempo.
Eu fiquei trabalhando por 8 anos.
É raro, porque o jornalismo custa caro, porque alguns casos são denúncias que exigem
rapidez na publicação.
Mas tem alguns formatos que permitem um pouco mais de mergulho.
Os latinhos desejam fazer o documentário desse, porque a gente começou a comer essa história.
Às vezes, nesses mergulhos, a gente pova histórias que não têm nada a ver com a história que a gente tá apurando.
Mas essas histórias nada a ver, que às vezes nem entram no edição final.
Muitas vezes, elas ajudam a gente a entender melhor quem é essa pessoa que a gente tá retratando.
Lá em Brasília, meu colega filmou que eu não aparado a gay, né?
No YouTube, é só você acessar que você vê.
Eu bombado dar um lá, pesava uns uns 85 que, olha a pinta do Fernando.
Seu pessoal sempre não é assim, não é Fernando.
Ele trabalhava numa embaixada, ele morava na embaixada.
Então, assim, ele contava sobre a vida boa que ele levava em Brasília, né?
Ele se vestia bem de fazer academia, ele tinha uma vida confortável.
E ele optou por ir para essa ocupação de tal dargo.
Porque ele queria o pedaço de terra.
Paulo Darko.
Talvez, dependendo da sua idade, ou de como você consome no tice,
só de ouvir o nome dessa cidade no interior do pará,
já te venha na cabeça, a chacina de Paulo Darko,
quando dez trabalhadores sem terra foram assassinados por policiais.
Ou talvez, se você é do tipo que acompanha os lançamentos do cinema documental,
talvez você tenha visto o filme Paulo Darko da Anaranha,
essa que a gente tá ouvindo aqui, ou, pelo menos, convido falar do filme.
Mas mesmo que você já tenha assistido o filme, vale a pena continuar ouvindo aqui.
Para começar, porque ela compartilhou com a gente material inédito da apuração que não tá no filme.
Mas principalmente, porque o que ela contou para o Victor Hugo Brandalize,
faz a gente repensar muito o papel do jornalismo,
do documentário, da relação com o entrevistado,
e também do que a gente espera quando sai a campo atrás do mistória,
e da importância de estar aberto para o que vai encontrar.
Daqui a pouco, depois desse intervalo curtinho, o Victor conduz essa história.
Eu não sei vocês, mas eu estava com saudade de ouvir essa trilha do FI da Meada toda a segunda-feira.
Tanto que eu resolvi fazer um programa super especial nessas vezes para as deleição.
E o assunto é tão sério que esse é o primeiro FI da Meada em vídeo produzido aqui pela novela.
Na minha frente, tá a jornalista Cecilha Oliveira, uma das pessoas que mais estuda e conhece segurança pública no Brasil.
Mas a Cecilha veio aqui para falar de um vocábulo, digamos assim,
que pouco político que é usar.
Milícia.
Milícia, como a gente conhece hoje, é uma fase militiana dos grupos de exterminio.
E grupo de exterminio tem no país inteiro.
Porque a gente tem que lembrar que milícia é um modelo econômico.
Mas a gente tem pessoas que têm práticas milicianas,
sejam no modo de lidar, por exemplo, como opositor político,
sejam no modo como ele vai gerir entre aspas os seus negócios legais.
A Cecilha lançou um livro chamado "Como Nasse um Miliciano".
É sobre essa investigação dela que leva a gente para os primórdios da Milícia no Rio
e conta como chegamos até aqui que a gente vai falar.
E isso tem tudo a ver com eleição.
Essa episódio especial do FIDA MEADA está disponível em vídeo no YouTube
e também em áudio em todos os tocadores.
Em 2017, a Anaranha estava querendo fazer um documentário sobre a violência no campo.
Já conversava muito com esse câmera sobre uma ideia de fazer um documentário
sobre esse armamento.
A gente queria filmar os fazendeiros, a gente queria filmar a polícia,
a gente queria mostrar como eles estavam se armando.
Então, eu estava em São Paulo, nessa época eu era coordenadora de analisem da repórter Brasil.
Um veículo que cobre com fritos agrares desde o começo dos anos 2000.
E aí estava com um reporter, barra produtor, barra fotógrafo,
uma das pessoas que faz tudo, muito competente, muito ligado a essa questão.
E ele estava investigando a violência rural, justamente nessa região no sudeste do Pará.
Que é a região onde mais acontecem conflitos por terra no país?
Era um várias chacinas nas sequências, assim chacinas menores,
envolvendo menos gente.
O conflito estava escalando.
E a Ana achou que era hora de tirar do papel aquela ideia do documentário.
E a gente tinha suspeitas de que os fazendeiros mais violentos,
eles estavam se armando.
E o Centéria também estava muito ativos nas ocupações e resistindo as atendativas de despejo.
Então, a gente estava vendo que tinha alguma coisa ali que acontecesse.
A gente estava se armando, como é que eu posso falar?
Tava um barril de póvora, tá isso?
A gente estava claramente barril de póvora que estouraria o momento.
E um dia, estourou.
Esse produtor estava acompanhando um despejo de uma fazenda,
enfim, com o curso de polícia, com o curso de força e tal.
E ele me ligou e falou, aconteceu uma chacina de esse trabalhador de Centéria,
foram mortos pela polícia lá em Paldarco.
Isso foi 24 de mais 2017.
Esses trabalhadores estavam ocupando uma fazenda chamada Santa Lucia.
E como a Ana e a equipe dela tava acompanhando essa escalada de violência,
era evidente pra eles, que não eram casos isolados.
Sabe, isso aqui está dentro desse contexto.
Isso aqui é um recado pra todo o Centéria da região.
E tanto que foi, virou um caso simbólico, virou um marco.
Um novo marco, depois de adorado os carajás, agora a Paldarco.
A chacina aconteceu a sete da manhã.
E a gente chegou lá logo que escureceu, assim, 8 da noite por aí.
No mesmo dia.
Então, a nossa equipe, né, foi a primeira equipe de imprensa de fora da cidade, a chegar.
10 mortos e já de cara, a gente teve informação de que eles estavam empilhados numa sala de um hospital.
E que a polícia tinha colocado as armas deles na frente do hospital e tava chamando a imprensa
pra falar que eram todos bandidos, que atacaram a polícia.
Então, no começo, essa versão era muito forte, né?
Todo mundo na cidade tava falando que eram bandidos e as famílias das vítimas estavam desesperados ao redor do hospital.
E aí foi nesse momento que o câmero começou a filmar frenéticamente.
Quando a Ana viu as imagens, ela entendeu na hora que o eixo do filme que ela tava planejando mudou completamente.
Porque eles filmaram, não era mais o fazendeiro do seu irmão.
Quando estourou a chacina, vamos acompanhar essas pessoas que sofiram essa violência aqui.
Pois é, você viu do jeito que você jogou o corpo?
Isso é gente, nós vamos la famíliar da gente.
E essa foi sua primeira quebra de expectativa que a Ana teve que encarar nos anos seguintes.
Nos sete anos seguintes.
O tempo que levou para o filme dela fica pronto.
Paul Darko estriu no festival, é tudo verdade, em abril de 2025.
Como é que diz que teve um tiroteio, o seno que as caminhonete chegou em táquita?
Não é um policia, não é um policiaus ferido e dez molotros.
meu tio tirou só na cara, só na cara, onde a pessoa não se tem.
A pessoa não se tem, só vai pegar tiro na cara.
Que ele tava com a câmera embaixo do braço, ele tava com medo de ficar com a câmera
em cima do ombro, porque as pessoas tinham medo, né?
Nós nascemos na facada, tem cima da terra, nós temos que viver, tem que trabalhar
com medo, botar o que comer na sua mesa, na sua mesa, na sua mesa, na mesa, na mesa
de cada um sabe como é que é, Deus não deixe eu do céu, pra dar documento, pra fila
da puta nenhum ser fazendeiro, entendeu?
Isso tudo acaba se refletindo no clima do começo do filme, né, que é um clima muito
obscuro assim, a câmera muito tremida, as pessoas filmadas, o metade do rosto, e a gente
incorporou isso, né, não tinha como.
A ano não foi pra pautar o clogue de cara, ela ficou acompanhando o repórter a distância.
E quando o primeiro material chegou nos dias depois. Já estava lá, de bater a lona, ela saiu que ela já tinha o protagonista do filme.
Nossa equipe conheceu Fernando, e eu me lembro que quando ele me ligou e falou assim eu
consegui gravar o primeiro depoimento da testemunha sobre a chacina, ele fala isso, ele
fala aquilo, uma versão totalmente diferente da versão da polícia, e a primeira pessoa
que falou isso foi o Fernando.
É bastante, que era sete ou da manhã, né, da sete afeta o cafézinho, que foi o que
fiz com o café de manhã, só ouvir uma voz dizendo assim, é a polícia, não corre não,
onde bandages não morrem, eu ouvi isso, e tiro em cima, pá, pá de nós, tudo mundo
sentado no chão, e aí a polícia rende, começa a gritar, começa a bater, e eles pegaram
uns nossos amigos ainda vivo, muitos deles ainda, que a gente ouvia, aí eles, a gente
ou não faz isso, ou se ouviram as pancadas, pancadas e, que foi porrada, ou foi de pau,
foi de conhada, que é extremicia, que estavam vivos, que eles estavam falando, depois
das pancadas não vi, mano, e tortura alguns, e executa aqui em uma roupa, pá, pá, pá,
entendeu, e era a questão pesada, entendeu, é tipo, e a minha pequena mano, eu ia ser
rindo, a tirar a veria e gritar, e falar, tipo, como é morando, tá vendo aí, tá vendo
da alegra, mano, entendeu, esse jeito, ou seja, eu ouvi o polícia matando todos os outros,
eu ouvi o polícia rendendo, né, entendeu, eu não der chance pra ninguém levantar,
ou levantar a mão, ou dizer assim, porque ali, eu vou te dizer sinceramente ali, eles
foram e pegar todo mundo, noquele momento, e prender, se eles quisessem, tem contato
pra ver muito fortes, podia ser, o dia anóis, entendeu, e falar, gente, é polícia,
não corre que se são preso, ou então não corre que a gente fazia a distoria, um tipo
assim da norma de polícia, né, a câmera ela fica muito assim, claramente em dúvida,
se deve ou não mostrar o rosto dele, mas ele é autorizou, eu sei que tem que, né,
o questão de segurança ou tal, mas eu pra ser sincero pra vocês, e eu não tenho
preocupação de nata, ele falava, eu acho que tem que mostrar, tem que vergonha,
a gente tem que falar sobre isso, e quando eu ouvi essa gravação, me chamou muita
atenção que claramente era um homem gay, quer dizer, é evidente já uma pessoa
corajosa, né, porque é um homem claramente homosexual, no mês de, tem muito preconceito,
né, bastante conservador, é ocupando uma terra de uma fazenda, era evidente que seria
uma pessoa corajosa, mas ele foi ou mais corajoso, ele foi o primeiro decorário de falar,
e aí depois dele ele foi convencendo os outros a falarem também, então, vários testemunhas
deram o depoimento, mais de 10, a gente não sabe o numerizado que a justiça não divulga
assim, porque realmente eles estão correndo muito risco todos eles, né, e no dia seguinte
eu fui ouvir o áudio inteiro com calma, e cara, ele dava uma entrevista longa, assim,
não era só sobre a assina, era sobre o caso com um todo, né, de todas as vezes que a
polícia tinha ido lá fazer o despejo, de todas as vezes que eles voltaram pra fazenda
depois do despejo, mas a gente se sentia como fosse família, ele tem, que foi muito
tempo eu passei com ele, então assim ele já tinha uma relação bocala terra, né, ele já
tinha ali o barraco dele, que era casa dele, a criação, o que você tinha lá em termos de
caçado, de criação, de criação, ó, aí tem um, né, ladenta ainda, tem, o mesmo galinha
é que ele tá lá abandonado, é em plantação de feijão, entendeu, mandioca, cana, tem
o banana lá dentro, meu barraco lá, mas cozinha lá, a mesa serólica, quando tem que
molcar, e mesmo assim de curta tudo lá, tem arroz lá mesmo, já tá maduro, no ponto
de jair do quase de colher, e eu lembro que ele tava muito indignado com o modo
que a polícia despejava eles, e não deixavam eles levar-nos animais, então os animais ficavam
lá por dias passando fome, e ele ficava assim horrorizado com a crudade com os
fichos dele, né, é um antes de família que tava lá, lutando pra cá, dessa última
vez era 208 família, sempre renovava, nunca deixou de faltar 150 pessoas, a 200
anos, a Ana ainda ia conhecer muito bem o Fernando, Fernando dos Santos era hoje,
Fernando ele nasceu na zona rural, ali encontrou com ele várias vezes da
partida ali, ele foi criado, né, na roça assim, e ele depois foi por uma cidade
ali local pra família, família dele é de redenção, morava na cidade, a mãe
dele morava na periferia de redenção, redenção é um município vizinho, o
Paul Darko, redenção é uma cidade muito rica, mas a periferia de redenção é
muito pobre, são as pessoas que foram expulsos da rural e foram pra periferia, né,
Por que chama Paul Darko lugar? Paul Darko é o nome popular, dado ao IP, por conta do
uso que os povos indígenas fazem da madeira do IP, que é usado pra fazer o
Darko, o Dark Flecha, e a guerra era uma região de mundipês, aí quando eu
descobri a relação com a flecha, e nesse lugar em conflito, né, é um lugar assim
deflagrado, onde moravam populações indígenas, né, então eu achei que era um
jeito legal da gente fazer essa conexão com essa erança de guerra pela terra,
né, então ele vivia ali, e aí em certo momento eu não sei como ele foi pra
em Brasília, imagina que ele foi buscar uma vida melhor, ele caralhou de gente muito
ambicioso, muito abelidoso pra fazer as coisas, e foi trabalhar de tabraador
doméstico dentro de uma embaixada, a mori cinco anos lá go sul, na casa de um
embaixador, né, pra ver ver uma vida boa, eu olhevo a puxão o time cheirava no
piso da casa, eu pego de madeira, a empregada lá lá, ela passava aquele, você
sabe como é que é, a cera deirou na caque de bichão, vai ficar aí brilhava, ele
se vestia bem, de fazer a academia, ele tinha uma vida confortável.
A pergunta é porque é um carro que eu casei, conheci um professor lá, né,
um professor de história e filosofia, se apaixonou e foi morar com esse carro,
eu morei com ele três anos, fui a onde eu fui morar numa casa com ele, aí eu
daí eu saí de morar em patrão, trabalhava nos lugares mais ou não morava mais,
a foi a onde me libertei, entendeu, eu morava só em casa de patrão,
outra coisa, eu acho que foi o período da vida assim que ele foi muito feliz, né,
que morava com esse carro, a gente separou, continuou ele morando em partamento sozinho,
e é o longo do tempo, a gente foi ganhando confiança dele, cada vez mais ele deixou
na gente entrar, ele abriu a vida dele inteira pra gente, até as piadas mais íntimas,
tal, tem uma hora que ele fala assim, "Ah, que iria que tivesse um bofzinho aqui na cama,
bateu a mão na cama", né, então era muito interessante também ter a visão de
uma pessoa aqui, teve acesso aos confortos de uma cidade grande, de uma cidade rica,
e ele optou por voltar para a redenção, que é a cidade da família dele,
ele deu vontade de vim embora aqui muitos anos de casa, aí eu vim por que ele queria
uma das de terra, câncer de cidade grande, entendeu, aí eu comprei um barraque
na época, campamento, era de um pastô na época, aí fiquei lá, quando eu moro em
Brasília, eu vi aquela vida boa, mas eu não tinha um pedaço de terra dessa aqui, né,
é bom você ter um som complemento na vida aqui na terra, tipo assim,
alguma coisa pra viver bem, quer saber porque aí na terra eu sou româneo, se você não tem nada, você é ninguém,
mas esse pessoal tinha olha assim, foi coitado, mas só que saber no ele, que aquilo ali não é nada,
às vezes a gente sentiu muito mais feliz assim como tá, porque é natural de que você tá lá,
naquela vida que só veja a gente se achando, mas ele é podre por dentro que você não imagina,
trabalhei com gente rica, que tem mais perturbação do que nós que é pobre.
Meu amor, meu Deus do céu, meu filho, aí foi indo, foi então onde eu estou hoje?
Ah, eu nem nunca imaginava que a viver, o que eu estou vivendo aqui agora, entendeu?
Ah, é onde é onde? Ah, é. O Fernando voltou pra paudar com o 2013, quando tava começando esse conflito que é a Reporteiro Brasil
de Tectonze anos depois. Ele passou um tempo na casa da mãe dele e logo decidiu entrar pro grupo que
ocupou fazendo a Santa Lucia. É a região sudeste do Pará, que mais tem ocupações do Brasil.
De trabalhador sem terra. Não é a MST, todo mundo acha que todo mundo que é sem terra MST,
não é a MST, são os chamados independentes. Esse era um grupo totalmente independente.
E eles tinham armas, né, vitor, isso é importante falar também assim, eles tinham armas,
mas eram armas muito antigas assim, sabe, armas de caça, armas muito velhas, né.
Eles não teriam nenhuma chance num confronto contra a polícia que usa, enfim, fusilho,
segurança armado, né, é outro nível, né, de armamento.
E o que a gente entendeu é que é ver um conflito.
muito forte, os fazendeiros estavam tentando tirar aqueles sinterras lá de dentro, e a polícia
ia constantemente, às vezes com ordens de spejo, às vezes sem isso, e tinha uma empresa
de segurança contratada oficialmente pela fazenda, e tinha um que a gente chamam de pistoleiro,
que eram outras pessoas que não eram da empresa de segurança, não tinha essas três
expostas, e tentando tirar os saboreadores dentro da ocupação. Era o barril de povro que a
equipe da ano tinha farejado. Eles, quando ocuparam lá atrás, 2013, argumentavam que a facina
estava em produtiva, e o Fernando fala sobre isso, né? Fla, a gente se tutura nenhuma, o
poço de água estava caindo as pedaços, barancando, um segura lá dentro do que o poço lá,
como se fosse nada lá, bebia água lá, entendeu? Eu acho que lá não tem condições de uma pessoa
que eu tenho uma fazenda, entendeu? No Brasil, terras produtivas podem ser destinadas a reforma
agrária, desde que compram requisitos que mostram que elas não têm função social, como
quando estão em um estado de abandono. Nesses casos, o governo federal pode desapropriar
essas terras, indenizar o proprietário, e fazer um acentamento para as famílias de agricultores.
Isso é o que estava em jogo na Santa Lucia. Já tinha morrido pessoas dos dois lados desse
feito, ou seja, tanto sem terra, quanto um segurança em um pistoleiro, mas nada disso assim,
foi investigado pela polícia. A única morte que é citada é uma morte de um segurança
da empresa, oficialmente contratada pela fazenda, que foi morto lá dentro teoricamente
em confronto com os ocupades. Então esse foi o gatilho, a justificativa para a chacina.
Tem alguns policiauferidos nessa? Não, no dia da chacina, não teve nenhum policiauferido,
não teve nenhuma bala e viatura, nada, nada, nada, foram só os dez mortos e os que conseguiram
fugir. No dia da chacina, o Fernando foi o primeiro do grupo de Santa erra acordar.
Tinha chovido a noite toda, e o namorado dele, o Bruno, também integrante da ocupação,
tava reclamando do frio. Eu farou você para mim, me chamou, vem cá, tipo assim, me arraia,
né? Pra ser muito fresa a noite, vestir com hoje você me dá sua coberta, brincar com
mesmo, você sabe? Não vou dormir o frio, mas não, ele me abraçou assim, o que é que ela brincadeira
eu dá no carfazinho pra ela assim. O Fernando foi passar o café, levou pro namorado
e voltou pra rede. Foi quando ele resolver uma polícia chegar. E correram pro meio do
chamado, pra se esconder, com a certeza que a polícia não do dia atrás, porque eles andaram
uma distância longa, se tava chovendo muito, sabe? Botaram a Lona por cima, ficaram lá. E
aí ele ouviu um corre-não, bandido, tal. Tinha vinte e cinco centérias de baixo da Lona,
eles foram cercados por policiais, militares e civis. Eu ouvi o primeiro de papai, o namorado
dele, que é o Bruno, ele levou uma bala, levou um tiro e caiu em cima dele. Aí ele
fiquei preso entre ele e o Bernal da Lona aqui na minha semana, como tinha esse balado aqui
assim, entendeu? No corre-não. Na minha esternas com ele por cima. E aí ele olhou
pros olhos do Bruno e viu o Bruno morrer. Ele olhou pra mim, sim, olha que tá assim. Com
o Bruno. Eu. Desculpa, é. Porque eu tive mais. Eu tive mais tempo com eles. A gente
brincava até no dia que ele morreu sete horas manhã, de mim abraçado. Quando foi um
dos dez mil depois. Tu ganhas com ele. Não só com ele, não, mas quando a gatinha
insava mais ele, que eu tinha mais carne brilha. O que andeu.
Aí depois que a policia se afastou um pouco do corpo do Bruno, ele foi se arrastando.
Um baixo do mato, no meio da lama, assim, na chuva fosse arrastando. E conseguiu se esconder
em um lugar próximo, mas muito próximo assim. Cê lá, acho que era tipo dez, vinte
metros. E o dragado está lando. O remó é para matar bem. Ou seja, ele ouviu a policia
matando todos os outros, ouviu a policia rendendo, né? Eu fiquei quieta ali em um momento, achando
que ele estava vivendo, né? O medo de correr. E ele me matar. Então ele ficou na
pet, ele ouviu tudo, entendeu? E ele não conseguiu sair. Os outros saíram correndo. Quem sobrefiferou
correu. Ele foi um que não correu. Então ele ficou. Então ela era no esporto este amanhã.
Fernando continuou escondido no mato por alguns minutos. Cê casava de cidades do clústice
para olhar, talvez eles me viu, mas ali no momento não me viu. Que estava em testidera,
mas aquela menino mais, entendeu? Aí eu me escapo por ele e fui embora. E aí já estava
a gente caída em uma volta, aquela represola, aquela fala grande tinha ali, quase que não
conseguisse ela de dentro. E ele quase se afogou nessa hora. Que a revancheira era muito alta,
ali. Então estava subindo, conseguia. E eu já estava arrangando ali, tentando subindo
da raconta. Então eu até que eu consegui pegar na raiz, na matina que ele me puxei, para
assim me conseguisse sair e ver lá. Aí foi azeria. Mas mesmo sendo conseguisse sair do local,
não. Por causa que eles fecharam bem deatamente com o carro, que eu já ouvi, já movimentou
já de uns deles, já lá do do lado. De cercar os fizesseiros. Foi uma tragédia assim,
a chacina, o que aconteceu depois da chacina. Fernando não foi o único sobrevivente. As pessoas
andaram assim por horas, quilômetros no meio do mato, porque tinham medo de na estrada.
E a polícia pegaram. O Fernando só conseguiu abrigo 12 horas depois da chacina.
O pastor obitrou-se, né, no sete da manhã, me apoiou lá, a casa dele, que ele me conhecia,
domilar. Quando eu chego aqui, meu mãe foi lá por minha roupa. A ficha de tudo que aconteceu
foi caindo aos poucos. Se tinha como fos família, ele entendeu ali, daquele tempo. A gente
não tinha nenhum bandido ali, não, menino. Não tinha nada, entendeu? Eles faziam isso.
O Fernando voltou para a redenção, para a casa da família dele. E um tempo depois, ele e
outros sobreviventes entraram por um programa de proteção a testemunhas. A chacina de
Paul Daco chamou a atenção da imprensa do Brasil todo e de fora, em investigação andou.
Tem muita evidência no inquérito, mostrando que os senterras foram executados pela polícia.
A polícia foi comprindo ordens de prisão, este tinha um mandato de prisão contra o
trabalhador sem terra. E o que a gente entendeu também, ouvindo depois os procuradores,
a polícia federal investigou o caso, é que esses mandados de prisão eles eram completamente
irregulares, assim. Muitas pessoas não estavam nem identificadas. E ninguém foi preso naquele
dia. Perícia mostrou que as balas foram aqui na roupa, mostrou que os corpos tinham marcas
de violência física. E os próprios policiais se visam, dois policiais se visam, contam que
eles viram os outros atirando, que eles atiraram também, que eles se sentiram obrigados a tirar,
ou a gente atirava, ou a gente saia de lá morto.
Tive até a delação dos dois policiais civis admitindo que atiraram para matar. E que não
teve com froto.
Os policiais foram indiciados e viraram reos, policiais civis e militares, foram indiciados.
Essa foi a conclusão do inquérito.
Parecia até que o desfeixessei rápido. Mas não foi o que aconteceu.
Ficaram presos por apenas alguns meses, então foram soltos. O Ministério Público Estadual
de redenção entrou com o recurso e pediu para esterem presos de novo, não deu certo
e aí acabou. Nada mais foi feito.
Pouco tempo depois de achacina, os policiais envolvidos voltaram às ruas. A maioria na região
de tudo aconteceu.
Estão trabalhando na ativa, aportando a arma, circulando, atuando nessa mesma região,
onde moram essas pesteimunhas.
Em paralelo à investigação criminal, o Centro Terra está intentando se manter na fazenda
Santa Lucia. A chacina não conseguiu desmobilizar o grupo, mais e mais famílias para o chegando
pro sentamento. O processo estava se desenrolando na justiça. Às vezes, parecia que ia fazendo
essa desapropriada. Às vezes, parecia que o Centro Terra ia ser despejado de vez.
Até que formar cada um ou dia é importante em 2018. E o prognóstico não era bom pro
Centro Terra.
Tem uma audiência mesmo para discutir o termo do despejo, que era assim como que vai acontecer.
Você vai ter tantos caminhões, vai ser um diatal, já estava nesse esteto.
A equipe da Reporte Brasil estava lá nesse dia e eles encontraram o Fernando bem na frente
do Foro de Redenção.
E aí, menos de um ano depois, ele sai da proteção e volta para a mesma terra, para o mesmo
lugar.
Ele sai da posição para o que ele quis?
Ele saiu para o que ele quis.
Ele falou, "não, o Terra voltava para a terra, que ela lutava para a terra, isso aqui não
faz sentido."
Ele estava vivendo em cidades, alternando de cidades em cidades, que diz que é horrível também
porque a única posição da Cité-Munha é que a pessoa vira uma detenta, quase, né?
Pois é, tu é assim ou as esperanças, né?
E elas estamos tentando ver se nós convençamos o juiz que não considera a entregação,
né?
É novo.
Existe mais um negócio de resistir, quem vai resistir com batalhari e polícia?
Acho que não tem mais como resistir não.
É prova na justiça que realmente não tem que ficar, então imbora.
Ela tem o tomastaco de novo.
[Música]
Então, gostaria de pedir que os férios nos pendejam, editamente, se isso madá.
Fizesse com a expressão.
Esse é o José Vargas Junior, o advogado da ocupação e de sobreviventes
da Chacina.
Ele é outro personagem importante do filme da Ana.
Por que não é possível, a gente admetir que se encontra uma redegração de posse,
numa área, um statínio, e ter condicionmente desde 2015, a área.
Agora, sua achada, o que é justo, botar nós na rua, depois de tudo isso.
E eu estou lá até hoje ao vivo lá, trabalho, só sozinho.
Quando ele foi dar o depoimento também na audiência.
Uma roguelha abra a boca pra falar, todo mundo sabe que ele.
Tadeu, eu vivo preconceito porque eu sou dessa forma, mas não me importa com isso.
Trabalho na terra, bota minha mão na terra, e eu entrego o que há, bota na pão dar.
O que eu quero é trabalhar em cima da terra, aí meu sonho é lá naquele lugar.
Eu não morri lá dentro, mas eu quase morri.
Perdi sangue lá dentro.
Não entendeu?
Não estou a cruzar ninguém não, viu?
Quem foi que fez isso no foi estado?
Então eu quero, eu quero justiça contra isso, porque eu sou uma das vítimas.
Eu acho que ele sabia que me tinha como esconder, por isso também que ele, ele se mostrava,
assim, não, de fato, nos escondia, muito corajoso, assim, era uma coisa que todo mundo
também respeitava aí de lá, por causa disso.
A audiência acabou com um desfecho favorável pro grupo.
Os juiz decidiu que eles não seriam despejados naquele momento.
O juiz, acatou pedindo, está a suspensa a reintegração, com marcada a vestoria judicial,
a inspeção judicial na área da Fazenda Santa Lúcia.
Essa nossa vitória de hoje não é agora, ganhamos, não, está a suspendo.
Eu várias conseguiu postergar.
E eles continuaram fazendo o documentário.
A Ana queria acompanhar o caso até o julgamento dos autores da Chacina.
A gente vai fazer um intervalinho agora, e daqui a pouco, Victor continua contando a história
da poração da Anaranha sobre Chacinos de Paul Darko.
As histórias que a novela conta passam meses sendo garimpadas, só que pra se achar nesse
garimpo, tem que ter um olhar treinado e atento, coisa de especialista, sabe?
E é isso que afirma a casa o Where How's Fast, só que no mundo do design.
Se você ainda não conhece, a firma casa é uma das referências mais icônicas e respeitadas
do Brasil, quando o assunto é mobiliário e design autoral.
É um espaço que reúne as mentes mais brilhantes da criação nacional e internacional.
A um ano, eles decidiram ampliar esse universo e criar uma firma casa Where How's?
É um galpão incrível em São Paulo que reúne peças únicas, raridades e produtos de
coleções anteriores, tudo com aquele mesmo rigor e olhar criterioso que consagrou a firma
casa.
É um espaço pensado para aproximar você do design de altíssima qualidade com uma variedade
imensa de ítems e condições muito especiais.
Se você gosta de ter peças com história e relevância dentro de casa, você precisa conhecer.
A firma casa Where How's?
Fica na avenida Mofa Hedge, número 825 no Galpão, e 5 lá na Vila Leopoldina em São Paulo.
A Anna e a equipe da repórter Brasil foram várias vezes para pautar com nos anos seguintes
a Chacina.
É engraçado, realmente, como se fosse um novo começo?
Eles acompanharam as transformações na vida dos protagonistas do filme.
Com a vitória na audiência, o Fernando se animou a construir uma casa nova.
A casa é ser de madeira, um chão de terra batida e teto de pália.
E aqui vai ficar em uma área para quem quiser uma rede, sentar, aí vai ficar esse barraque
a ficar para isso.
Um barraque de um bonca e pira, onde coziar as galhas que é e pira, né?
Aqui vai ser onde o lavoloça, aqui a área de serviço, ali vou fechar para ser meu barraque.
Aqui vai ser o matador, você sabe o que é o matador?
E toda hora ele fazia sempre uma colocação, uma piada para constringer, né?
O que é o matador?
O que é que eu explico?
É uma brincadeira, uma parte está a levar a visita, mas ele tinha esse jeito muito provocador.
Aí ele tem uma repreza nova que eu fiz, que é pra me gregar a peixe, ele tem uma repreza
na bacana que eu fiz.
Aí você vê um brilho assim, um pouco cuscado na cama, vocês vão reparar não, tá que é
eu mesmo.
É o brilho de albada para o mundo, Fernando, pra sua luz, né?
E quando ele humilha, vão fazer pra mim, dá um rosto pra mim, pra não poder na orta,
só tá melastia, é amigo, na época de plantar a bobra, porque essa afutura mede não
ganhou um acentamento pra lá, a gente tem uma casa mais descente, mas a gente fala a
casa boa, é por causa de segurança, vai te dar a adrenalina muito, né?
A essa altura, as outras 150, 200 famílias da ocupação, estavam produzindo de tudo
na Santa Lucia.
E a alegria das pessoas, né, mostrando orgulho das pessoas mostrando aquilo.
Nos meses depois, Ana foi pra pautar, e a casa do Fernando já estava pronta.
Quando eu falei que eu queria sair da proteção, recebi propósito de outro acentamento,
o eu não aceitei, dia 1, aí falo então, você quer ir pro lugar lá mesmo pra ele querer.
Entendeu?
Eu vou, cada minha mãe passou a final de semana às vezes, chegando a crescer naquela
vizinha, essa povo.
Tem uma bobra, uma, tem uma xeixe, entendeu?
Tudo que você quer se tem que ir no mercado comprar, aí você vai pensando um pouco
melhor, tipo, não, que é uma terra em que eu posso plantar.
E há pítulos,inha?
Pois é, com a chance aqui, se apota no par, a cozadinha, era boa chefeza, né, era algo.
Algum bofizinho aqui, né, era.
Você vai achar, né Fernando?
Você vai achar, não?
Não, não.
Fala pra assim, ele já passou, né, Mephia?
Toma assim, já passou.
Ah, pra conceite mais no lugar desse aqui.
Aqui tem mais preconceitos, Fernando.
Ah, tem, as pessoas aqui, a gente não, tipo assim, é um povo que não deixou, não tem
costumas, essas coisas, não.
Só as pessoas comentaram, já fica assim.
Só de saber, já fica com receita, entendeu?
Então, já corta, entendeu?
Com a casa pronta, o Fernando estava fazendo planos.
Eu ia montar um mercadinho em Minasquina, ali, onde eu agradei ali, montar um gaca aqui,
as pessoas se procuram muito gasolina, daqui, borrachar ele não tem gasolina, as pessoas
vão lá, na paldar, quando estão na guarantana, até a vez que nem acham.
Aqui, se vésseis alguém na rua que se interessasse, botar um comércio aqui, uma ouça,
garverdeiro aqui, ó.
Eu estava pensando de fazer lá, homem.
Aqui você bota o adubo, aqui dentro, e o milho aqui dentro.
E aí, feche os dois aqui, até plantar.
Daí, quando a próxima vez você vem aqui, vai ter muito milha de abóbula ali, ó.
Aí você vai levar.
Nesses dezenas de horas de entrevista, que a equipe Diana fez com Fernando, o bom humor
está sempre no primeiro plano.
Mas é claro que ele não tinha esquecido a tragédia que ele tinha vivido.
Nessa gravação, por exemplo, a chacina tinha acontecido só um ano antes.
E a gravação, graça de Deus, é meu, não tô infeliz, assim, question disso, né.
Mas se fosse um bem pensar assim, já pensei, já devendeu embora, por quê?
Que essa ano de viver sozinho aqui, entendeu também, a noite, se eu olha assim, você
fazer uma comida só pra você, a hora que você fica gostado, aí vem aquela coisa.
Não, eu tenho que ficar.
Tem que ficar, porque os meninos que é um do sobrevente não tá moro mais nenhum aqui.
Só tem eu, só existia eu aqui, até hoje.
Mas já tava começando a pesar o fato de ele ser a principal testemunha de chacina, e
ainda morar dentro da Santa Lucia.
Que é a perseguição onde falha a grande, mas é muita gente que é perguntando a questão
desse massacre, entendeu.
Ah, você que eu Fernando?
Ai, chega, quer saber da história.
Ah, me conta um pouco com sua história, eu mostro a amor de Deus, entendeu?
Não tem como esquecer, né, porque o povo não deixa.
Ainda igualmente eu falo, né, Fernando, se você quiser esquecer, você vai ter que
embora daqui, você tá no lugar, onde aconteceu, entendeu?
Ah, o que me segurou mais é a mesma escração, porque você vai te escachorrer.
Eu vou jogar onde se meu cachorro?
Então, tudo isso se apega a gente, entendeu?
Mas pra você se sentir seguro aqui dentro, que precisa, quando sai.
Ah, pra me sentir seguro aqui?
Era só isso mesmo, ele pra pagar, fazer endereira e vir e legalizar todo mundo aqui.
O menino aqui dentro era pra ter tanta gente.
Eu não tenho luz nenhuma, né, Fernando?
Aqui.
Tem de la parina.
De la parina, né?
Mm-hmm.
O seu é o que é bonito.
Não, o que é esse que é verbo aqui na Lua.
Clarinha, minha.
Tem que há pouca a saia, ela está saindo a essa chora, né, por aí.
Mas vou gelar, vai sair grandona.
Um tempo depois, a Ana recebeu uma notícia que ela achou que era boa, que o Fernando
tinha conseguido abrir um mercadinho que ele queria, uma pequena mesearia que vendia
produtos básicos e funcionar.
estava também como um bar, na beira de uma estrada interna da Santa Lucia.
A integração de pósse da fazenda tinha parado nessa época.
Tava no meio da pandemia e os processos de integração foram suspenso no país todo.
Mas o Centrera da Santa Lucia continuaram pedindo a punição dos autores e Xacina.
Eles organizaram protestos para não deixar esquecer.
Eu queria dizer para aqueles que fizeram esse massacre e quando você chegar em casa,
depois de um dia, ao estivo de trabalho e não lápis, pensarem, a vida não pode ser
só isso, não se mudam.
A vida de vocês é só isso, sim.
Você é um oco do oco, do oco do sem fim do mundo.
A equipe do documentário continuou acompanhando tudo ao longo do ano de 2020.
Ariana vejo algumas vezes para parar nesse período.
Até que chegou o dia primeiro de janeiro de 2021.
A mulher do advogado de Zé Vargas entrou em contato com a Ana, dizendo que ele tinha
sido preso, acusado de homicídio.
Eu vou resumir bem, porque o caso é bizarro.
Vargas mandou um áudio de malgosto para um colega, fazendo piada sobre assassinato de
um homem em redenção.
A polícia civil interceptou a mensagem, e mesmo sentendo em um elemento no inquérito
que apontasse qualquer envolvimento dele, pediu a prisão do Vargas.
Depois o processo foi anulado, mas antes disso, ele passou 25 dias da cadeia e um ano em
prisão domiciliar.
Quando Vargas foi preso, eu entrei em contato com Fernando para saber como criava, contava
as coisas lá, e aí eu não entendeu que tinha mesmo alguma coisa diferente, rolando em
Paul Darko, para notar a diferença no tom de voz dele.
E aí nesse momento, pelo WhatsApp, ele já me contou, Ana, está ruim, estou recebendo
a minha aça.
E aí eu falei, Fernando, estou indo para aí, tipo, amanhã, assim, eu preciso gravar
com você, tá?
Não, vem, porque está ruim, tá ruim, vamos conversar.
E aí como foi?
Você fez uma entrevista com ele nesse momento, quando foi isso?
Sim, na viagem que a gente foi para falar da prisão do Vargas, eu marquei com
Fernando, fui lá, e ele estava supertenso, e aí estava em dúvida se queria gravar o
não.
Vamos, acho que é importante a gente ter isso, cara, porque está muito merdo assim, e aí
eu combinei com ele que a gente ia gravar, mas que eu não ia fazer matéria sobre aquilo,
que eu não ia fazer nada, eu ia só fazer o registro.
Tá, assim, começo da conversa, foi o primeiro colega-meu, que. Fernando relatou três recados que ele recebeu.
Desde três anos para trás, um ano atrás, aí, a gente não ouvi esse comentário,
deles quer dizer, da recado, então fico mental com pessoas que conhecem, e a notícia
chegar no ouvido da gente aqui.
Os recados chegaram por meio de conhecidos, que eram procurados para policiais.
Um daqueles policial, que é afastado da P2, que chama, que ele falou que, se o julgamento
fosse naquela data, que era passei, eles estavam pensando de vir dar um jeito de, de
não haver testemunha, entendeu, que é dar um jeito de vir que dá um jeito nesses testemunha
antes do julgamento, que não há testemunha, não há julgamento.
Esse recado diziam basicamente a mesma coisa, para as testemunhas mudarem o depoimento
sobre Chacina.
Ele é meio do policial lá, o que ele disse que estava querendo vir aqui, que nós precisava
muito falar com isso, devem se exeminizar nosso depoimento lá no Foro lá, vezes quebrar
essa barra nossa lá, porque eles dois lá achavam da nossa cadeia lá, e nós estamos querendo
ir lá.
Mas nós estamos preocupados de nós, e eles querer filmar nós e querer denunciar a gente.
Eu só falei gente, quando eles perguntarem assim, e falam que não conhece, que não sabe,
que não viu, e até brinquei com o rapar lá.
E depois, a terceira conversa foi ele em casa, o que foi na chega aqui, foi cheguei
que foi, está sabendo a conversa aí, que disse que o cara quer vir aqui falar com você,
falei os cara.
Mas quem é esse cara?
O escolhe se é lá.
Entendeu?
Aí eu rafi que para o pado, né?
Três ou cinco seguida.
Aí o minha fome chegou para o financeiro, e fica "Vé, com essa conversa não é mentira".
Foi uma conversa super tensa, ele estava muito premonitório, assim, ele estava totalmente
diferente.
Então, eu acho que, se não acordar, vai acontecer, e vai ser pior do que as outras.
O Fernando estava na dúvida sobre o que fazer.
Se nós falar, nós pode atissar a mar e banco para a curta, né?
Ah, o cara, ainda está dernunciando a gente, a gente só comentou.
Então, é assim, entendeu?
Então, esse tem isso tudo que a gente fica propado.
E aí, tem uma hora que ele falou assim, vocês vão ver, vocês ainda vão voltar aqui
por causa de problema.
Eu espero que não seja um outro massacre, mas vocês vão ver, vocês vão filmar ainda
muita coisa ruim aqui.
E eu não queria estar na pele de quem vai estar, né, não se se acontecer.
Entendeu?
Eu não quero que isso aconteça com ninguém que vai ficar aqui.
Isso foi no dia 8 de janeiro de 2021.
A Ana voltou para São Paulo, e menos de 20 dias depois, ela recebeu uma mensagem de
audio.
Do Fernando.
Ele tinha tomado uma decisão.
E o que você está aqui na fazenda, e eu vendi aqui, viu, eu estou indo embora amanhã,
para a Redenção.
Não tenho mais nada para fazer isso, não.
Não sei que precisa de mim para alguma coisa, viu?
O Fernando, que aconteceu, cara, você estava falando, né, sobre a possibilidade de
embora da imas, eu não achei que fosse tão cedo, aconteceu alguma coisa?
Espero que teja tudo bem com o tio.
O Fernando foi por causa das ameaças que você está saindo, daquela coisa daqueles
recados que chegaram para vocês aí, que você decidiu sair.
É, por isso mesmo, você sabe que andou, eu vivo aqui rancioso, para pado, então melhor
eu ia sair daqui.
Eu vou ver de maior, vou para a Redenção, meu contato é o mesmo.
Se tiver de vir para cá fazer filmagem que eu venho, me liga, se tiver de vir me liga
que eu venho.
Eu me sinto super mal, assim, porque eu não respondi rápido, sabe?
Era a tarde, aí eu estava na rua, já eu não vou estar para casa, respondo.
Aí a noite, em casa, já depois o jantar, assim, eu amandei o áudio para ele.
Mas você vendeu tudo, Fernando, vendeu seus bichos também.
Enfim, espero que não tenha nenhuma outra pressão, né, nenhum outro risco aí que você
está correndo, e você pode ajudar, eu estou por aqui, tá bom?
Ele não respondeu, aí eu fiquei meio preocupada, mas eu pensei, bom, ele está fazendo
uma mudança, né?
Ele falou, estou indo embora hoje, ele está fazendo uma mudança, ele não vai ouvir.
Depois a gente sobe, né, que a polícia pegou o celular, investigou, tal, e foi
o último áudio que ele recebeu, ficou não ouvido assim.
Foi no dia 26 de janeiro de 2021, e aí no dia seguinte de manhã, tocou o celular
erofargas.
Aí ele falou, anam, mataram, Fernando, fiquei assim, eu acho que eu não queria acreditar,
né?
Às marco de chão e boia.
Aí, cara, aí me apena tremê, eu sentei no chão, enfim, não é possível, não é possível,
tenho certeza, tenho certeza, mataram.
Esse aqui é o boneque, ele estava com ele, eu acho que o fume entrou por trás, assim,
como ele estava assim, entrou por trás, e que isso aí ouquia.
Não realmente não achei isso, se fosse acontecer, sabe?
E eu acho que ninguém achou, né?
A ano ainda estava absorvendo o choque da notícia quando os vídeos começaram a chegar.
Era uma das pessoas que moravam na Santa Lucia, elas ouviram o tiro e saíram correndo
pra casa do Fernando, elas chegaram ainda antes da polícia.
Eu acho que ele veio daí assim, aí ele que, eu acho que nós. O que o cardanho é dele aqui, né?
Eu acho que ele tava vingando, ficou aqui que tava amassado, parece que ele pesou aqui,
ou, no jeito que alguém é dele aqui, aí ele passou aqui, aí eu acho que ele veio
pro equipe de trás, esse pau aqui, antes o põe que ele veio daqui.
Naquela noite, o que aconteceu com o Fernando?
O Fernando tava arrumando as coisas dele pra embora, então ele gravou o áudio quando
ele tava já na função de arrumar a casa, de empacotar as coisas.
O irmão dele passou lá, falou, "O Fernando, você quer alguma ajuda, tá?
Ele falou, "Não, eu tô só, já arrumei tudo, tá tudo pronto, eu vou só guardar as galinhas
e vou fechar a porta e vou dormir."
Aí o irmão dele, "Ah, então tá, a irmão dele foi pra casa dele, que era lá perto, né?"
E aí me isso, ele estava nesse momento pegando as galinhas, tirando as galinhas e colocando
os velos num sexto, ele levou um tiro na nuca, então assim ele nem viu a pessoa, ele
enlitou naada, sabe, o jeito que ele foi encontrado foi exatamente assim, tava na posição
de pegar as galinhas, quero que ele tinha acabado de falar pra irmão dele que ele ia fazer, entendeu?
Ele tava pegaram essas galinhas aqui e colocando aqui dentro.
E as pessoas que estavam sentadas lá na frente da casa dele, uma distância de 10, 15
metros, ouviram um tiro e foram batrás e não enconçaram ninguém, ou seja, a pessoa chegou,
deu um tiro na nuca, dele foi embora, automaticamente.
Foi aquela comoção, tá nos Fernando, tá nos Fernando, é chamaram a polícia e a polícia
E isso chegou em uma hora.
Anna notou que os policiais ficaram menos de 15 minutos no lugar.
Foi muito rápido, sabe?
Se chegou, foi lá, viu ele, tirou fotos, já tirou ele do local, já colocou ele em um caixão.
Não teve, assim, uma perícia pra olhar, acontecer, eles não isolaram o lugar, nada, nada.
Tiraram um corpo, levaram embora, acabou.
O meu irmão, amabaram nós.
Cernando dos Santos, era um churante, presente, presente, presente.
Então, esse foi um período da história em que, assim, as minhas maiores referências
estavam toda sendo surpreendidas.
O pessoal da Comissão Pastoral da Terra, com quem conversava sempre, são as pessoas que acompanham
tudo isso muito de perto, né?
Por todo mundo surpreendido, de uma partir desse momento, o vídeo pra mim era assim,
qualquer coisa pode acontecer.
Anna conheci o Fernando, fazia quatro anos, e considerava ele extremamente precavido.
Ele e os vagas também.
Pra ela, exeram duas pessoas que estavam sempre no controle.
Eles desconfiaram de tudo, exeram experiências, cautelosos.
E agora, um deles tinha sido vítima de uma prisão arbitrária.
E o outro tinha sido morto com uma bala na nuca.
O que que é a vida depois?
Primeiro de tudo, eu fiquei com medo por muito tempo, tinha acontecido alguma coisa comigo,
fiquei com medo de ir pra lá, ficar sendo monitorado e as pessoas com quem conversava
depois também serem punidas, e aí, nesse momento, eu falei, "Cara, eu não vou pra lá agora,
porque eu estou com medo e fiz uma avaliação de risco e começou a não dar pra ir."
Sem poder voltar pra Paldaque por um tempo, a Anna foi tentar descobrir a distância
aos próximos passos da investigação.
E ela nem precisou fazer muitas ligações pra entender qual que é seu padrão.
Polícia não investigou, né?
De manhã, comecei a fazer ligações pra polícia, pra perguntar, vocês vão fazer perícia,
vocês vão fazer perícia no corpo, e a pessoa que me atendeu da polícia não deu nenhuma
resposta, nenhuma.
Mas me ouviu, né?
Vocês não vão investigar, vocês vão fazer perícia, nada, nada, já tá sendo velado.
Aí que aconteceu, no meio do velório, eles foram lá e tiraram o corpo do Fernando
do velório e mandaram pra perícia, que é em outra cidade, ele já tinha sido tratado
pro velório, entendeu?
De impado, a pele dele, tudo, e como é que vai fazer perícia assim?
E sobre o local do crime, a polícia se viu de redenção também deixou pra lá.
Eles não voltaram lá pra fazer reconstruição, os novos moradores chegaram no dia seguinte,
cavaram o chão, cantaram a casa e assim, acabou, entendeu, eu não tenho mais nem risquisto
do que aconteceu ali.
Então, realmente assim, foi um descaso, assim, total.
A partir daí, ela não tomou duas decisões.
Primeiro, ela não ia mais ficar esperando o julgamento sair pra poder terminar o filme.
As ameaças que chegaram pro Fernando falavam em dar um jeito nas testemunhas antes do
julgamento, e que, sem testemunha, não tem julgamento.
O plano parecia ser esse, que nem tivesse julgamento mesmo.
Então, eu entendi que era a hora de soltar o filme pra quem sabe até achar uma atenção
para a importância desse julgamento acontecer.
E ela não entendeu também, que ela é precisar sumir um papel que não é o de uma jornalista
tradicional.
Ela era bem próximo da principal testemunha do caso, e ela tinha um material valioso
para os investigadores, a entrevista premonitória do Fernando, em que ele apontava detalhes
das pessoas que estavam ameaçando ele.
Aí, eu entrei em contato com o delegado responsável, consegui falar. Então, o ano decidiu entregar esse material pra polícia.
- Oi, Ana! - Tudo bom?
- Tudo bem!
Ela gravou a chamada com o delegado do caso, o Antônio Mororó, da polícia civil de redenção.
Como eu disse, eu vou passar para o senhor, mas os pontos principais, que eu queria
já passar para o senhor agora, é que ele recebeu três recados, né?
- De pessoas que falaram diretamente com os policiais.
- Ela detalhou as ameaças, ponto por ponto.
- E aí, ele falou, "Não, então tudo bem, mas então não entrega o que você tem, você
não gravou, eu falei gravei, eu posso entregar."
- Eu ouvi a íntegra daquela última entrevista que o Fernando deu pra Ana, uma conversa
de mais de duas horas.
Em que ele falou em detalhes sobre as ameaças, deu nome de policiais, de testemunhas, deu
até a corducal de quem podia apontar os autores das ameaças.
- Um material importante para investigação policial.
- O senhor falou que uma das linhas que o senhor está investigando é essa, é o pressuponho
que seja a ligação da morte dele com a chacina, que eu correu lá?
- Sim, naturalmente não poderíamos deixar de considerar que essa é uma linha de investigação,
não seria até leviano de minha paz, que isso não fosse uma linha de investigação.
- Mas a Ana queria ajudar mais - E aí entreguei, falei mais a linha do que eu entreguei,
eu também posso responder todas as perguntas que o senhor tiver.
- Eu me ofereci como depoente, como testemunha, eu falei assim, eu tenho muito a dizer,
senhor, de regado, eu tenho muito a contribuir com a investigação, eu queria dar depoimento,
escuteu, tenho coisa pra falar.
- E de regado parecia interessado em ouvir a Ana, ele insistiu duas vezes pra ela mandar
por escrito como foi cada um dos recados, ele queria que ela facilitasse mesmo a vida deles.
- E pareceu assim que algum momento ele ia, que ele ia investigar em algum momento, né?
- E eles nunca me chamaram, nunca.
- E absolutamente nada do material que ele entregou foi parar no inquérito.
Dias antes de ser morto, o Fernando tinha dado o caminho das pedras pra chegar nos autores
das ameaças, mas a polícia de redenção não quis saber.
- O inquérito foi encerrado, e ele sequer citou isso que eu entreguei pra ele assim.
O que aparece no inquérito é que assim, muito se falou sobre supostas ameaças, Fernando,
como se fosse só uma fofoca, como se um tivesse um material entregue pra ele.
E além de treinar um material pra ele, a gente tregonha esse material pra uma série público.
- E ainda assim, nenhum dos policiais que são reos pela chacina de Paul Daco foram ouvidos
nessa investigação. - Mas sim, pensando óbvio, né?
Uma coisa que não tem lógica, se entregar uma evidência dessa da vítima contando dias
antes de ser assassinada, executada, contigo na nuca, que ela tava recebendo a ameaça
de tal e tal, pessoas não seriam vidas me inquérito.
- Alguns meses depois, o homem foi preso acusado pela morte do Fernando, mas esse é mais
um lance exquisito nessa história de investigações pela metade.
- A conclusão do inquérito da morte do Fernando, ela até hoje me preocupa e preocupa
muita gente, porque eles prenderam um homem, a acusação contra ele foi roubo, então
o literia matado e Fernando, pra roubar alguma coisa do Fernando, mas assim, num robô nada,
não levou nada. - Não levou o celular do Fernando e nem o caixa da Mercedes, não tinha nada
fora do lugar. - O que a gente sabe é isso, tem um homem, preto, pobre, com fija
criminal, que levou a culpa pela morte do Fernando e está preso e está condenado, com uma
acusação superfragida. - E não relacionada a. - Não relacionada a chacina, as ameaças que ele recebeu, lembrando, isso se quer, foi
investigado, isso quer, foi citado, enorme um processo.
- Ana procurou a defesa dos policiais reais no caso da chacina, pra falar das ameaças
ao Fernando. - O advogado negou o envolvimento e disse que a morte do Fernando é resultado
de brigas internas do semter. - Pessoas que abre aspas ficam se matando dentro da área
da Fazenda Santa Lucia, um lugar onde não tem trabalhador rural e simpestoleiros conto
mais. - Fecha aspas. - Eu procurei a secretaria de segurança pública do Pará e o Ministério
Público Estadual, pra falar das falhas que Ana aponta na investigação do caso.
- A Polícia Militar do Pará enviou uma nota, dizendo que os policiais reais no caso da chacina
ficaram afastados por decisão judicial por dois anos até 2019.
- Mas depois a medida foi revisada, e como a PM confirmou, já estão de volta, fardados
e exercendo as mesas funções. - Eu perguntei para o Ministério Público do Pará
se diziam pedir um novo afastamento desses policiais, mas eles não me responderam.
- A Polícia Civil do Pará também enviou uma nota e disse que em 2022, um outro inquérito
foi aberto pra investigar a morte do Fernando. - Eu perguntei em que a tapa tá esse inquérito,
e disseram que ainda tá em fase de investigações e deligências. - Eu também perguntei o que aconteceu
com homem preso no processo que apontou Latrocínio no caso da morte do Fernando, mas a Secretaria
de Administração Perintenciar do Pará também não respondeu. Até hoje, quatro anos depois
do crime, mesmo com as evidências que Ana passou sobre as ameaças, ninguém foi responsabilizado
com um mandante do assassinato do Fernando. - Em toda essa história, a gente teve pelo menos
um avanço, na questão fundiária. - Em março de 2025, governo Lula anunciou o início da
desapropriação da Fazenda Santa Lucia, em favor do Centéria. É um primeiro passo.
Ana procurou Paulo Teixeira, que é o ministro do Desenvolvimento Agrário, e ele comprometeu
a dão andamento por esse caso. Parece um bom sinal, mas nada é garantido. Enquanto a desapropriação
não tiver finalizada, a justiça local pode até dar a hora de despedir dessas pessoas.
Cara, tudo pode acontecer, tudo, nada é garantido. - Agora, no campo criminal, a questão é outra.
- O que tem que tal processo que a pura se responsável pela Chacina de Paulo Daga? - Bom, os policiais
são reos, é um sítio tortura,
e aguarda um julgamento liberdade.
O advogado de defesa dos policiais entrou com o recurso,
alegando alguma tecnicalidade e isso travou o processo.
E ele está mais de ano parado, sim, sem nenhuma movimentação.
Tem data para o julgamento acontecer?
Não, nada. Nada. Não tem nenhuma previsão.
Zero. Como é que pode o principal? O testemântese do morta.
E esse processo continua engavetado, esse policiais na ativa, quer dizer,
tem que haver um julgamento, não estou pedindo a senhar e prende os policiais, não é isso?
Jogue os policiais. Tem uma pilha de evidências para serem discutidas.
E essa falta de respostas provoca um efeito concreto para quem vive na região.
Aí os anos vão passando na conta assinada, impunidade, impunidade, impunidade.
Aí o Fernando é morto na conta assinada, a vários é preso na conta assinada.
As pessoas estão assim, apavoradas, não só as sisteminas, mas todo mundo vai até não dá para questionar.
Os fazendeiros que tem ligação com a polícia, entendeu?
Porque vai que eles fazem com a gente igual.
É um recado muito forte, né?
É um recado forte, mas a Ana quer rebater.
Então, eu acho que nesse momento para mim, esse filme é um recado de volta.
É um recado de gasim. A gente está olhando e tem gente que se importa.
O filme, ele não é um produto fina, ele é uma ferramenta de cobrança.
Então, a partir dele, o que vai ser feito?
Mas também tem um medo, porque o filme não é uma ação, né?
O filme é só assim, é uma comunicação, depende de muitos do que vem de volta.
E eu sempre tenho esse medo, sabe, Victor, de mostrar as coisas.
E é um mostrar as coisas.
As autoridades falarem, não, não é isso mesmo, viu? Vai ficar assim mesmo, não vai acontecer nada.
E você acaba aumentando a desistimidade da impunidade, entendeu?
Então, eu sinto agora que começou esse novo ciclo,
que era um ciclo de divulgação e de um trabalho para cobrar as respostas, né?
Cobrar andamentos, né, em relação ao que o filme traz.
Se esse filme foi pro mundo e não acontecer nada, vai ser terrível.
Porque vai ser assim, a gente está olhando e ninguém se importa, entendeu?
Esse foi o Victor Hugo Brandalize.
Fica aqui o nosso agradecimento a Ana Aranha, a equipe do documentário Paul Darko
e a toda a equipe da repórter Brasil pela parceria
e pelo material inédito que a gente usou aqui nesse episódio.
Daqui é pouco a gente volta.
Oi, aqui quem fala é Natasha Barsaggenem, diretora cultural da Japan House São Paulo.
E eu sou Guilherme Visnick, arquiteto e professor da Faúspi.
Eu tenho uma boa e uma manotícia para você.
Comece por qual, Guile?
Vamos com a mãe.
Bom, a manotícia é que a quinta temporada do podcast da Japan House São Paulo está chegando ao fim.
Mas a boa notícia é que os oito episódios dessa temporada
e também todos os episódios das temporadas anteriores
estão disponíveis para você maratonar,
pela primeira vez ou para repetir.
E para fechar essa temporada que tem como tema arquitetúrios espaços no Japão,
a gente vai falar de alguns mestres da arquitetura japonesa,
vai falar do Tadawando, do quenzo tango, do arato e sozake, do senar.
Vamos contar um pouco da trajetória das obras destes gênios
para tentar entender como Japão se tornou o verdadeiro exportador de grandes arquitetos.
A quinta temporada do podcast da Japan House São Paulo já está no ar.
Então, assim que terminado de ouvir esse episódio aqui,
procura a gente no seu tocador de podcast favorito.
Eu espero lá.
[Música]
Obrigada por ouvir mais esse episódio do rádio no Vela Presenta.
Na página desse episódio, no nosso site,
tem o trailer do documentário Paul Darko
e o vídeo de uma menagem que um grupo de artistas fez pro Fernando.
E a gente convida quem quiser saber mais do documentário
a visitar a página do filme.
Para quem tem Instagram, é o perfil @docpaldarko
e quem não tem pode entrar no indereço repórterbrasil.org.br/paldarko.
E quando você tiver no site da novela,
fica mais uma vez o convite para se inscrever na nossa newsletter,
que chega toda quinta-feira, sedinho, junto com o episódio da semana.
E também o convite para seguir a novela no Instagram,
no Twitter, no Trédios, no Bluscai, no TikTok e também no YouTube.
É só procurar por @radonovelo.
Nos pode falar, você pode deixar uma avaliação para o programa
e comentar lá para contar para a gente o que você achou desse episódio.
E sempre dá para mandar sugestões de história
diretamente para a gente no email
[email protected].
O rádio no Vela Presenta é um original da rádonovelo.
Tem a episódio novo toda quinta-feira.
A direção criativa da Paulo Escarping e da Flora Thompson Devour.
A produção executiva é da Marcelo Casaca,
a gerencia de produto, é da Juliana Yegger
e a gerencia de parcerias, é da Luisa Sade.
A natalhesiva é nossa editora executiva.
Nosso repórteres e roteiristas são a Sara Zobel,
o Victor Lugobrandalize, a Carolina Morais, a Bábara Rubira,
a Big Marães, a Evelyn Agenta e Vinicius Luís.
A Ashley Calvo é nossa produtora.
A checagem desse episódio foi feita pela Carolina Fará.
Esse episódio teve a poe de montagem da Laila Mau Allen e desenho de som da Sara Zobel.
A mixagem é da Mariana Leão.
Nesse episódio, a gente usou o músico original de Estela Nejini
e a mão medrado e também da Blue Dot.
O desenvolvimento de produto e audiência é feito pela Bia Ribeiro.
O design das nossas peças é do Gustavo Nascimento.
A nossa analista administrativa e financeira é a Taina Nogueira,
a nossa estagiária é a Isabel do Santana
e quem faz a revisão das transcrições dos episódios para a gente é a Flora Vieira.
Obrigada e até a semana que vem.