O episódio retoma o podcast "Fenomenologia em Saúde" após pausa para mestrado, iniciando a segunda temporada com o tema "tempo" em Husserl e Heidegger. O apresentador destaca a centralidade da noção de tempo na fenomenologia transcendental, especialmente em "Ser e Tempo" de Heidegger. Ele explica o princípio dos princípios de Husserl: toda intuição doadora originária (como percepção sensível direta) é fonte legítima de conhecimento, mas o acesso não originário (via fotografia, memória, expectativa ou fantasia) também é válido, desde que reconhecido como tal. Críticos, como Derrida, acusam a fenomenologia de ser uma "metafísica da presença", ignorando passado e futuro. Husserl responde com os conceitos de retenção (retenção de experiências passadas no presente) e proteção (antecipação de futuras), exemplificados pela melodia: cada nota só faz sentido em relação às anteriores (retenção) e às esperadas (proteção). A síntese da consciência permite reconhecer objetos como unidades de sentido ao longo do tempo, garantindo a duração temporal. Assim, a fenomenologia não se limita ao agora, mas integra temporalidade na constituição dos fenômenos.
Pessoa 1
Então vamos começar mais um episódio de fenomenologia em saúde, a após uma pausa, retoma agora as gravações dos episódios, né?
Os 9 primeiros episódios até então gravados.
Pessoa 2
Na, na.
Pessoa 1
E desconstitui a primeira temporada não foi algo planejado, né?
A princípio não tinha pensado em planejar, em organizar em temporadas, mas calhou de que, após os 9 primeiros episódios, é achei justo fazer uma pausa.
Pessoa 2
Né?
É.
Pessoa 1
O projeto do podcast é uma coisa que demanda tempo.
E paralelamente eu estava fazendo mestrado, né?
Então eu achei importante dar uma pausa.
E bem agora, início de setembro, retomou as gravações.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
E bem, para abrir essa nova temporada, eu pensei em falar sobre a noção de tempo, na fenomenologia, a noção de tempo, tal como pensado por Russel e por.
Pessoa 2
Heidegger na a.
Pessoa 1
Pois veja, trata-se de uma noção bastante central para a fenomenologia, né?
Se não consegue pensar um projeto de uma fenomenologia transcendental sem levar em consideração a Constituição temporal dos fenômenos.
Não é do mesmo modo ser tempo, né?
Na obra do Heidegger, como o próprio título da obra diz, ser e tempo, né?
A noção de tempo tem um papel central no desenvolvimento do pensamento do autor.
Por essa razão, pensei.
Pessoa 2
Em?
Pessoa 1
É abrir essa nova temporada com o tema tempo em Russel e ryder.
Bem, então eu começo esse episódio lendo o parágrafo 24 do idea zum, né?
Do Edmundo Russel.
O ideias para uma fenomenologia pura e para uma filosofia fenomenológica.
O primeiro volume desse texto, né, desse livro?
Hã, e o parágrafo 24, intitulado o princípio de todos os princípios, né?
Ele afirma que o chamado princípio dos princípios.
Se refere a abre aspas toda a intuição doadora originária é uma fonte de legitimação do conhecimento.
Não é tudo o que nos é oferecido originariamente na intuição, por assim dizer, em sua efetividade de carne.
Osso deve ser simplesmente tomado.
Tomado tal como ele se dá, mas também apenas nos limites, dentro dos quais ele se dá.
Não é?
Então veja na.
O russo é, faz menção a.
Intuição, doadora originária.
Ele afirma que a intuição doadora originária é uma fonte de legitimação do conhecimento, né?
Então, o que que, o que é exatamente essa intuição doadora originária?
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
É, então veja.
Hã, eu estou simulando, segurando nesse momento o livro Ideas na nas minhas mãos, né?
Eu tô tendo uma percepção sensível do livro Ideas.
Não é nesse caso.
Eu estou tendo 11 intuição doadora originária do livre da easy, né?
Ele se manifesta intuitivamente a mim de maneira.
Não é originária.
É, e a doadora, no sentido que o livro ele não é.
Há uma doação a uma da ação do livro a minha percepção sensível.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
Mas agora, se a gente pensa, eu.
Pessoa 2
Vou.
Pessoa 1
Procurar o livro em um site de anúncios, né?
E nesse site de anúncios, há uma série de fotografias do livro para saber o estado dele, né?
Nesse caso, não tenho uma intuição.
Originária do livre Dayse, né?
Eu tenho, de fato, tenho uma intuição do livro Ideas.
Eu tenho acesso intuitivo ao livro Ideas, mas não se trata de um acesso intuitivo originário, né?
Uma vez a uma vez que há uma mediação.
Né?
A fotografia media o meu acesso ao livro, não é?
Então, enquanto nesse primeiro caso, eu tenho acesso originário.
O intuitivo originário, um acesso imediato ao livre 12º caso é uma mediação tornada possível pela fotografia que está no anúncio.
Né?
E portanto, nesse caso, não se trata de um acesso originário, é um acesso.
Na verdade, não originário.
Do?
Do livro 10.
Eu posso pensar também, né?
Ham, quando eu.
Estou na rua.
Eu sempre carrego livros, né?
Em transporte público para não ficar tão entediado.
Pessoa 2
Né?
A aí eu.
Pessoa 1
Todo o transporte público está no ônibus, vou mexer na bolsa.
Não acho o livro.
Aí eu lembro que o livro, né?
Que esse livro eu deixei ele na mesa, né?
Eu lembro, né?
Eu rememorou que.
É, eu estava saindo de casa.
Né?
Deixa eu.
Eu IA colocar o livro na bolsa, mas acabei deixando ele na mesa.
Né?
Então, essa rememoração que eu tenho do livro Ideas também trata-se de um acesso.
Intuitivo não originário, né?
Ao livro Ideas.
Eu tenho um acesso não originário ao livro Ideas na rememoração nessa reconstrução.
Pessoa 2
Né?
É?
Pessoa 1
Nesse rememorar, não é que acabo de fazer ou quando eu compro o livro?
Ideas não é no.
No site, né eu?
Começo AAA pensar que, pô, esse livro vai ficar legal na minha estante, né?
Ele vai combinar.
Né?
Eu expecto, né?
Tem uma expectativa a respeito de como vai ser ter o livro, né?
Na minha estante, nesse caso, né?
Nesse ato de expectação eu também não tenho acesso originário ao livre Ideas.
Trata-se de um acesso não originário.
AO livro Ideas?
E mesmo se eu começa a imaginar, né?
Fantasiar.
Né?
Como seria esse livro?
Ideia?
Sou eu começo a imaginar esse livro.
Ideia, o livro Ideas, em uma determinada situação, né?
E se imaginar também, trata-se de um acesso não originário ao livro.
Ideas, né?
Então, em todos esses exemplos na.
Pessoa 2
O.
Pessoa 1
Oo correlato não é intencional do qual.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
O qual estou me referindo é o livro Ideas.
Né?
E eu falei.
Do livro ideia se manifestando.
Pessoa 2
AO?
Pessoa 1
A rememoração a expectação ao imaginar e a percepção sensível.
Apenas no caso da percepção sensível que eu tenho acesso originário ao livro Ideas.
Pessoa 2
Tá?
Pessoa 1
A uma pergunta que se poderia fazer, então é uma intuição doadora originária?
É, é muito e são daquilo que se dá a percepção sensível necessariamente, né?
Essa é uma pergunta possível e a resposta é não.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Aquilo que é dado de maneira originária, a intuição não necessariamente é dado a percepção sensível, né?
E esse é um cuidado que devemos tomar.
Então agora eu vou fazer.
De novo menção ao exemplo da fotografia, né?
Eu vejo o anúncio do livro Ideas.
E a fotografias desse livro?
É nesse caso, eu não tenho um acesso intuitivo originário ao livro Ideas na eu tenho acesso, intuitivo livre 10 mas um acesso não originário, uma vez que há uma mediação tornada possível por essa fotografia.
No entanto, se eu começo a reparar na fotografia, né?
Eu quero saber o estado do livro, mas eu eu começo a reparar com essa fotografia.
É meio Pix elada uma fotografia.
Né?
Não foi uma foto bem tirada, né?
E?
Não sei se também tem algo a ver com o meu computador, mas eu começo a reparar nessa imagem enquanto imagem.
Eu começo a reparar nos aspectos, digamos, estéticos do.
Da da fotografia, né?
Nesse caso.
Eu estou tendo um acesso originário intuitivo, a fotografia.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
Ainda que eu não tenho acesso.
É uma intuição doador originária do livro Ideas.
Eu tenho acesso intuitivo originário, a fotografia do livre delas, da fotografia enquanto fotografia.
O mesmo vale para para os outros exemplos.
Pessoa 2
Na a, na.
Pessoa 1
Rememoração.
Eu não tenho um acesso originário ao livro Ideas.
Mas eu tenho acesso, originário intuitivo originário.
Ao livro idéias rememorado, né?
Eu tenho acesso intuitivo.
A lembrança enquanto lembrança.
Pessoa 2
Né?
É?
Pessoa 1
Do mesmo modo que eu tenho acesso intuitivo originário à fantasia enquanto fantasia.
E a expectação, enquanto a expectação.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
Então a gente poderia pensar, não é?
É agora fazendo menção a outros exemplos, né?
Em todos eles fez menção ao livro Ideas, que é um livro, né?
O objeto físico.
Mas a gente pode pensar também em objetos que.
Por sua natureza, não são físicos, como por exemplo, o número.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
O número não é um objeto físico, tal como o livro, mas é quando eu penso no número.
Ao fazer um cálculo mental, eu tenho acesso originário ao número, né?
Enquanto o número.
Ao cálculo enquanto cálculo.
A etc.
Então, a.
São todos exemplos, né referentes?
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Que eu uso pra deixar claro para vocês a diferença entre originário e não originário, né?
Outro exemplo pra gente pensar aquilo que se dá de maneira originária.
Pessoa 2
Ou não?
Pessoa 1
É quando a gente pensa, né?
Quando, aliás, quando estamos diante de outro, do outro, e essa pessoa fala uma série de coisas, né?
Por exemplo, vamos de novo para o livro Ideas, essa pessoa começa a descrever pô, eu comprei o livro Ideas esse livro.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Tem uma capa vermelha, meio gasto, et cetera, né?
Nesse caso, eu também não tenho acesso originário ao livro Ideas e a experiência da pessoa por livre Ideas.
Eu não.
Eu não tenho acesso originário a experiência da pessoa com o livro Ideas.
Não é?
Afinal, eu não estou vivendo o que a pessoa vive, eu não consigo viver aquilo que a pessoa vive no lugar dela.
Mas eu tenho um acesso originário.
AA sua verbalização.
AA sua expressão, né corpórea?
Expressão facial, né?
Os seus modos de expressão.
Nesse caso, eu tenho um acesso originário aos seus modos de expressão ou na p pensando outro exemplo na tristeza.
Pessoa 2
De alguém, é?
Pessoa 1
Eu não tenho acesso originário a tristeza, tal como vivida por essa pessoa, porque eu não vivo a tristeza do lugar dela.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
Por outro lado, eu tenho acesso originário a sua expressão de tristeza, né?
A ao seu tom de voz etc.
Né?
Então a gente tá e?
Pessoa 2
Fala que na a.
Pessoa 1
Empatia, né?
O ato de empatia, né?
Que é o ato.
É de consciência que tal é possível conhecimento do outro, né?
Trata-se de?
Pessoa 2
A?
Pessoa 1
Algo de natureza co originária, né?
Co, originário.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
E bem, porque eu faço menção ao princípio dos princípios, né?
A intuição doadora originária enquanto princípio dos princípios, né?
Porque tudo aquilo que é dado de maneira originária é dado no presente.
É dado agora.
Pessoa 2
Na?
Pessoa 1
Os exemplos que eu fiz menção à expectação e a rememoração, né?
Tratam-se de acessos, né?
Intuitivos, não originários, uma vez que.
Tratam-se de coisas que.
Se na entre aspas se perderam no passado, ou né é, dizem respeito ao futuro.
Então, aquilo que é dado a intuição, né?
De maneira originária, a gente está fazendo referência a algo que se manifesta no agora, né?
É uma crítica que alguns autores fazem ao pensamento do Russel.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
A crítica que eles fazem justamente ao princípio dos princípios.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
É que a fenomenologia, portanto, ignoraria aquilo que é dado no passado e aquilo que será dado no.
Pessoa 2
Futuro, né?
Pessoa 1
A fenomenologia não conseguiria dar conta, por exemplo, da duração temporal dos objetos.
Por quê?
Quando eu vejo esse livro, o livro Ideas, quando tem uma percepção do sensível do livro Ideas.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
Eu tenho uma percepção sensível do agora, né?
Mas o os agora anteriores vão, né?
Eles saem desse campo.
É intuitivo originário, né?
Então, a crítica que alguns autores fazem é que o russo eu não conseguiria dar conta da duração temporal dos objetos.
Pessoa 2
Né?
É.
Pessoa 1
O derrida, né?
Ele fala.
Ele afirma que o Russel, né?
Com base nesse princípio, ele realiza a chamada metafísica da presença.
Não é a fenomenologia husserliana, seria uma metafísica da presença.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
É, bem.
Tal como eu defendo aqui, né?
E também o dança rave no russos, fenomenologia é essa acusação não procede e.
Pessoa 2
Né?
É.
Pessoa 1
Uma vez que ela não procede, a gente tem que pensar porque, né?
Qual a resposta que a fenomenologia daria a esse problema?
Como é que a fenomenologia husserliana consegue dar conta da duração temporal dos objetos, né?
E bem, a resposta a isso é a noção de retenção e proteção.
Hã?
Então vamos lá, né?
Fazendo mais uma vez menção.
Pessoa 2
À?
Pessoa 1
Ao livro nesse momento, eu estou segurando o livro Ideas.
Na minhas mãos, eu tenho uma percepção sensível do livre.
Daí eu e eu estou folheando o livro ideias, estou vendo a face de trás do livro Ideas.
Estou girando o livro Ideas na minha frente e enfim, né?
E conforme eu faço isso, eu tenho uma percepção sensível de das mais diversas faces do livro Ideas, manifesta-se.
Pessoa 2
A mim, é.
Pessoa 1
Aparições um tanto quanto distintas do livro ideias.
Pessoa 2
Não é?
É.
Pessoa 1
Ainda assim, essas aparições distintas, eu as reconheço enquanto referentes ao mesmo a um único e mesmo livro, no caso, o livro Ideas.
Pessoa 2
Não é, e?
Pessoa 1
Mas eu posso pensar também, né?
Agora estou com 3 livros em mãos e tratam se de 3 objetos distintos entre si.
É, no entanto, reconheço esses 3 objetos distintos enquanto livros.
Reconheço os todos enquanto livros e sei diferenciar todos esses 3 objetos, por exemplo, de um relógio de pulso.
Pessoa 2
De uma carteira, não é?
Pessoa 1
Veja todos esses objetos são distintos entre si, mas 3 deles eu consigo reconhecer enquanto livros, né?
E os outros 2 enquanto carteira e enquanto relógio de pulso.
Pessoa 2
AA.
Pessoa 1
Então, AA gente pode pensar mesmo, não é?
É em diversas outras coisas que se manifestam.
Pessoa 2
A?
AA.
Pessoa 1
Vida da consciência.
Não é quando eu eu estou conversando com alguém, eu consigo identificar, né?
Os sons que saem da da da boca da pessoa enquanto correspondente a determinadas palavras, né?
Eu consigo identificar a expressão facial de alguém, quanto mais expressão facial de tristeza.
É et cetera.
Pessoa 2
Não é?
É.
Pessoa 1
Então, essa, digamos, entre aspas, capacidade de identificação, não é?
É trata-se da noção de síntese.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
Trata-se de, digamos, um momento estrutural da consciência intencional, né?
Do eu transcendental?
Pessoa 2
Na?
Pessoa 1
O que o russo está dizendo é que, quando o agente afirma que consciência é necessariamente consciência da.
É o correlato intencional, né, esse d.
Consciência da parede, consciência do livro etc.
Não se trata de consciência de aparências disformes, né?
Mas trata-se de consciência de unidades de sentido.
Né?
Eu identifico parede enquanto parede.
O livro enquanto o livro é a expressão de tristeza, enquanto tristeza, et cetera, não, não tenho consciência de aparências disformes.
Né?
Quando eu vejo um filme, eu não tenho consciência de frames desconexos entre si, né?
Mas tenho consciência de uma cena.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
Uma cena determinada.
Né?
Então, a noção de síntese é um tanto quanto decisiva para se pensar a fenomenologia, né?
E o russo faz na de virgem 3 sínteses, passivas e sínteses ativas.
Né?
De qualquer modo, é quando a gente pensa a noção de síntese, né?
O que a gente está falando é que a consciência, né?
Ela vai usar outra expressão, ela tem o acesso intuitivo.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
A significados, né?
Aquilo que se manifesta, né?
No mundo?
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
Se manifesta na não como aparência disforme, mas entendemos as coisas enquanto coisas, né?
Em outras palavras, as coisas, né?
Pessoa 2
O mundo.
Pessoa 1
Né?
Se manifesta semanticamente.
E bem, eu dou toda essa volta pra falar justamente de retenção e proteção e a partir dessas 2 noções que o russo consegue conseguiria, né?
Responder a essa acusação de que a fenomenologia não consegue dar conta da Constituição temporal dos objetos.
E veja, nesse exemplo, que eu dei.
Pessoa 2
Não é do.
Pessoa 1
Livro nas mais diversas fases do livro, não é que eu vejo?
É essas diversas faces.
Elas se manifestam a mim uma após a outra.
Né?
É importante da da gente ter isso em vista.
Né?
Elas não se manifestam simultaneamente, mas uma após a outra, há uma continuidade temporal entre cada uma dessas manifestações.
Entre aparição de cada uma dessas faces do livro.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
É, e além disso não é.
Não é que eu tenho consciência do livro enquanto o livro eu tenho consciência do livro e quanto um livro que se movimenta na minha frente, um livro que eu.
Eu realizo o movimento de ver suas diversas faces, então eu tô girando.
Pessoa 2
O livro, né, pra ver.
Pessoa 1
As suas mais diversas faces, então não é assim, simplesmente consciência de livro mais a consciência de um livro em movimento, né?
No qual eu vejo as suas mais diversas faces.
Né?
É?
Então veja se a.
A cada face distinta do livro, né, que se manifesta?
As fases anteriores deixam de se manifestar.
Pessoa 2
No agora, né?
Pessoa 1
É que é que tá, né?
Como que isso é possível?
É, e bem para não é responder essa pergunta.
Como isso é possível?
Eu faço uma instalação de retenção.
Aí o exemplo que o Russel dá, né?
Acho que esse exemplo é ótimo, é a melodia, né?
Então, quando a gente pensa a melodia Tam, Tam Tam Tam Tam Tam, quando eu ouço AA última nota, o Tam.
Na, eu só consigo entender essa nota enquanto nota da melodia, na medida que eu retive os momentos anteriores, né?
As notas anteriores então, quando eu ouço o Tam na, eu ouço esse Tam, em referência às notas anteriores, né?
Eu retive as notas anteriores na tornando compreensiva a nota que se manifestar no agora enquanto.
Momento da melodia, depois, veja a gente No No, ouve as notas enquanto é momentos extrínsecos um ao outro, como se fossem momentos independentes entre si.
Se não, a gente não ouve um Tam Tam Tam Tam Tam Tam Tam.
Pessoa 2
Tam, na.
Pessoa 1
É, a gente não ouve notas isoladas, mas a gente as ouve em conjunto, né?
E, na medida que, ainda que a gente AA nota que se manifeste, não agora, a gente apenas ou se ela.
Ou se ou ouça ela, né é, a gente ouve essa nota em referência às notas anteriores.
Essas notas anteriores a uma retenção dessas notas anteriores, elas estão retidas.
Né?
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Na consciência e do mesmo modo, quando eu eu enxergo na ter uma percepção sensível desse livro, eu retive as outras aparições que esse livro teve, que eu tive desse livro em momentos passados.
Pessoa 2
Né?
Hã, hã.
Pessoa 1
Então, sem a noção de retenção.
Pessoa 2
Né?
É.
Pessoa 1
De fato, não seria possível dar conta da Constituição temporal dos objetos.
A gente estaria, né?
Sempre circunscrito no agora, no agora, no agora e assim por diante.
De modo que cada um desses agora, se tivesse uma relação extrínseca, não tivesse nenhuma relação entre si.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
E veja, o Russel afirma que não, né?
O que acontece é que quando a gente, né, tem.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Um acesso originário ao agora, né?
Esse acesso originário inclui a séries passadas, né?
A séries, nesse caso, séries perceptivas, passadas em outras palavras, né?
Nesses momentos passados, eles estão retidos no agora.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
Então, no momento que a gente tenha um acesso intuitivo.
Aquilo que é dado, digamos, no agora, né?
Está contido nele.
As séries passadas, de modo que o agora seja compreensível enquanto tal, né?
Em sua dimensão temporal, né?
Enquanto algo que possui uma duração temporal.
Pessoa 2
Né?
É?
Pessoa 1
Enfim.
Han.
E no que se refere ao futuro?
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
É mais uma vez fazendo menção ao exemplo da melodia, o tan tan tan tan.
Pessoa 2
Né?
É.
Pessoa 1
Vocês provavelmente já anteciparam.
A as futuras notas possíveis, né?
Tantã na a já quando a gente ouve se tanta gente já antecipa o tantã, né?
Então é a gente se abre para é?
Futura séries perceptivas dessa nota, não é que seria o tantã.
É, mas pode também muito bem não acontecer isso não é?
Eu poderia falar Tam Tam, Tam Tam e ficar em silêncio.
Pessoa 2
Né?
É.
Pessoa 1
De qualquer modo, o que está em jogo aqui é que é na compreensão da melodia enquanto melodia, né?
O que é decisivo também é essa antecipação.
Né?
Do mesmo modo, com o livro, né?
Eu vejo essas mais diversas faces.
E nesse momento eu não vejo a face de trás do livro, mas eu sei que se eu virar, virar esse livro, vou ver a face de trás.
Eu consigo antecipar que caso.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
No futuro eu livre, eu eu vire esse livro, eu conseguirei ver a face de trás, né?
Então, né?
Em outras palavras, a aquilo que o russo chama de proteção, né?
Então o livro, enquanto o livro, né?
Ele é reconhecido enquanto o livro na medida conseguiu em que eu consigo antecipar as séries perceptivas futuras desse mesmo livro, né?
Pois, veja, eu estou vendo só uma face do livro.
Né?
Mas eu sei que esse livro ele possui uma face de trás que esse livro ele é tridimensional, eu sei disso ainda que eu não veja ao mesmo, né?
Simultaneamente, todas as fases do livro.
Mas eu sei que eu consigo antecipar que caso eu viro esse livro, eu conseguirei enxergar a sua parte de trás, né?
A do mesmo modo que eu posso pensar aqui, no meu quarto.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
É, eu consigo antecipar que as paredes do meu quarto permaneceram de pé, né?
Caso antecipe que essa parede e vai cair, eu saio daqui.
Pessoa 2
Imediatamente, né?
É.
Pessoa 1
Enfim, então.
Pessoa 2
AO?
Pessoa 1
Aquilo que se manifesta de maneira originária, aquilo que se manifestando agora, não está incluído nele também.
As séries protetivas protetivas, né?
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Em outras palavras, né?
Aquilo que é dado de maneira originária, a intuição, né?
Nós é o que torna possível nosso entendimento daquilo, né?
Enquanto aquilo que propriamente à, né é essa antecipação, né?
Em outras palavras, a gente está todo momento antecipando.
Né?
E sem essa antecipação, a gente não conseguia entender.
Oo significado das coisas enquanto aqui luz aquilo que elas são.
E bem ao falar de proteção, a gente tem que tomar cuidado pra não pensar que se trata de uma espécie de capacidade mágica de prever o futuro.
Pessoa 2
Né?
O.
Pessoa 1
Antecipar, né?
Que torna possível entendimento de algo enquanto algo da parede, enquanto parede do.
Aliás, da parede do meu quarto, enquanto parede do meu quarto, enquanto do livro, enquanto o livro e et cetera não é, é, diz respeito a 111 antecipar um Horizonte de possibilidades.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
Aquilo que a gente antecipa é, se antes é, é, tem a natureza de possível, não enquanto necessário, né?
A gente antecipa algo que é possível, né, que possivelmente pode vir a acontecer, mas não algo que necessariamente virá a acontecer.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
É, e além disso, não se trata de uma única possibilidade, mas de um Horizonte de possibilidades, de um conjunto, digamos, de possibilidades, né?
Que se abre, né?
Na medida em que a temos acesso intuitivo a determinados objetos a determinados contextos, né?
Então eu estou vendo meu celular agora, né?
Eu sei que.
Pessoa 2
Na é, eu posso.
Pessoa 1
Pegar nele, mexer no WhatsApp ou mexer no Instagram ou simplesmente desligar ele ou simplesmente colocar ele para carregar.
Pessoa 2
O.
É?
Pessoa 1
Eu posso fazer uma série de coisas assim, né?
Então antecipasse a mim um Horizonte de possibilidades na referentes a esse celular, mas não uma única possibilidade.
Pessoa 2
Na?
Pessoa 1
Não um único possível, né?
E além disso, são possibilidades, não necessidades.
Não são coisas que necessariamente terão que ocorrer, não é?
Então, esse é é.
É um aspecto muito decisivo.
Não é do mesmo modo.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Se eu sair na rua amanhã?
Eu para pegar o ônibus, eu posso pensar, pô, talvez esteja trânsito, talvez não.
Talvez esteja sol, talvez não há um Horizonte de possibilidades que eu antecipo.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
É, e enfim, né?
Esse Horizonte de possibilidades possui uma, digamos, certa restrição.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
É quando eu vejo um celular, eu na.
Não faz parte do Horizonte de possibilidades que esse celular.
É, vai virar uma arma de fogo de repente, assim, uma coisa bem.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Bem fantasioso, sim, de repente o tipo mega zord assim, né?
O celular vira um.
Um virou mega zord, não é não.
Isso não faz parte do Horizonte de possibilidades do celular, não é não.
É isso.
Não se manifestem quanto uma possibilidade do celular.
Para mim, né?
Eu compreendo o celular enquanto celular, né?
A partir de um Horizonte de possibilidades, mas o Horizonte de possibilidades que possuem uma certa restrição.
Eu, em outras palavras, não é que eu antecipo qualquer coisa.
Não é a respeito do.
Pessoa 2
Celular.
Pessoa 1
Ainda que esse Horizonte de possibilidades seja o Horizonte de possibilidades infinito, sim, é infinito.
Mas também não é qualquer coisa, né?
Que eu antecipou.
Pessoa 2
Né, a.
Pessoa 1
Do mesmo modo que, né, saindo na rua amanhã, não antecipou que vai ter uma grande cratera, né?
Que vai.
Dá no centro da Terra.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
É isso.
Não se manifesta tanto, enquanto possível.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
É, de qualquer modo, tudo isso se trata de Horizonte, de possibilidades e, sei lá, pode acontecer de algo que na a seja muito periférico, digamos, muito remoto no meu Horizonte de possibilidades, de repente apareça.
Pessoa 2
Na?
Pessoa 1
E eu me surpreenda.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
Aliás, o efeito de surpresa, por exemplo, no filme de terror só é possível porque você não é, é?
É espera determinadas cenas do filme de repente, o filme surpreende, não é?
Ele rompe com.
É séries pro tensivas possíveis que se manifestam você em determinada cena.
Né?
Então é feito de surpresa, não é?
Ele só é possível de ser pensado em referência a esse aspecto pro tensivo da consciência intencional, né?
Algo que na a.
Nos surpreende.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
De algum modo?
Pessoa 2
Hã?
Pessoa 1
E veja no que se refere, não é AA tudo isso que aparece?
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
É todas essas, digamos, aparições, né?
Daquilo que é dado de maneira originária, não é não se manifesta de maneira anônima.
Mas se manifesta a consciência intencional.
Na tudo pressupõe uma origem do sentido.
Pessoa 2
Na, é.
Pessoa 1
E quando a gente pensa a noção de Horizonte, de possibilidades, né?
E se não anonimato, não é.
Implica mais do que uma mera constatação de Horizonte de possibilidades mais um, um.
Um Oo possível se manifestem quanto um eu posso.
Não é como assim, né?
O antecipar que essa parede que a parede do meu quarto não vai cair implica que eu consiga estar seguro.
No ambiente do meu quarto?
AAO antecipar que?
Pessoa 2
AA.
Pessoa 1
A face de trás do livro é passível de ser enxergada, né?
É implica que está, se eu quiser enxergar fácil de trás do livro, eu tenho que movimentar meu corpo, né?
De modo a conseguir, é ter 11.
Conseguir perceber a face de trás do livro, né?
Exige uma movimentação corporal da minha parte.
É então tudo aquilo que se manifestem quanto possível, né?
Implica uma orientação?
Da é da nossa parte em relação àquilo que se manifestem quanto possível.
Não é ou antecipar, né?
Não diz respeito a 11 mera constatação do objeto enquanto objeto, mas diz respeito ao modo como nos orientamos em relação a ele.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
Em outras palavras, então é nesse sentido que.
A gente deve pensar o Horizonte de possibilidades, não enquanto algo anônimo, mas a, enquanto aquilo que nos orienta, né?
Na nossa.
É na nossa vida quotidiana, não é aquilo que diz respeito a também um.
Eu posso, não é o possível, enquanto um eu posso.
Hã, agora passando para ser e tempo.
É uma passagem muito importante da obra.
É quando o autor fala das agride skate, né?
Da noção de utensílio aridade.
E ele faz menção ao exemplo do martelo.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
E de acordo com o autor, não é só é possível entender o martelo enquanto o martelo no martelar.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
Nessa, nesse.
Nessa manú alidade não é que eu tenho com martelo, implica menos eu sei lá, saber todas as propriedades.
Na de maneira refletir sobre as propriedades do martelo, ser alguém que grava de cor.
A enciclopédia do martelo implica menos isso e mas numa lida refletida com o objeto martelo.
Pessoa 2
Não é?
É o.
Pessoa 1
OOA compreensão do martelo enquanto o martelo implica antes uma lida prática com martelo e menos uma lida teórica com martelo, não é?
Então eu entendo o martelo martelando.
Não é mais o martelar nunca um martelar.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Desconexo, não é o martelar isolado, não é o martelar sempre ocorre um determinado contexto com uma determinada finalidade, então.
Uma coisa o martelar numa marcenaria.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
É ao martelar numa marcenaria, por exemplo, o martelo com uma determinada finalidade, como, por exemplo, enfim, fazer alguma construção.
No campo da marcenaria.
E esse martelar é diferente de um martelar, por exemplo, de um.
Um neurologista que quer testar reflexos, não é?
É, em ambos.
Pessoa 2
Né?
É.
Pessoa 1
Ao manuseio diferente, né?
Senão vai, né?
Mas setar o joelho da pessoa, né?
Tal como você faria.
Com o Marcelo, com o Marcelo no contexto da marcenaria.
Pessoa 2
Hã?
Você.
Pessoa 1
Não é Oo neurologista, ele tem, né?
Ele sabe usar martelo nesse contexto, com a força adequada, et cetera, né?
E em ambos os casos, o martelo, ele, você martela com finalidades diferentes, né?
No primeiro caso, é pra fazer algo No No campo da marcenaria, né, sei lá, consertar uma carta, uma cadeira.
Aí no outro é.
É.
Uma finalidade de natureza clínica.
Não é, então, em ambos os casos, tratam se de finalidades diferentes e quando a gente fala de finalidades diferentes, a gente está falando de um martelar que implica em uma antecipação determinada.
Na a, então o compreender martelo enquanto o martelo em cada um desses contextos implica em entender a finalidade dele, entender a finalidade dele, clica em 111 espécie também de antecipação.
Não é uma outra expressão, né?
Que Jordan, Adriana, a noção de projeto.
Pessoa 2
Né?
É?
Pessoa 1
No martelado martelo, eu o projeto, suas possibilidades, né?
E essas possibilidades, né?
Tal como havia falado anteriormente, né?
No No caso do russo, eu disse, diz respeito à possibilidades minhas, né?
São minhas possibilidades, não se tratam de possibilidades anônimas, não é?
São essas possibilidades a partir delas, que eu me oriento, né, existencialmente.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Professor Robson fala que o da zen não é não, ele não é determinado por propriedades.
Mas determinado por possibilidades.
Pessoa 2
Na?
Pessoa 1
E ele é determinado por possibilidades, né, justamente?
Pessoa 2
Por é?
Pessoa 1
Aquilo que se manifestem quanto possível, no caso do martelo, não é do contexto referencial no qual ele está inserido, não são.
São possibilidades, minha assim são possibilidades minhas, na medida em que, né, eu o martelo, né?
Oo meu.
Martelar ocorre com determinada finalidade na é.
Diz respeito a 11 Horizonte de possibilidades que eu antecipei, mas são possibilidades minhas.
Não é.
São possibilidades minhas.
Ainda que sejam minhas, é não fui eu que inventei elas, não fui eu que inventei, que martelo é um instrumento útil para marcenaria.
Que martelo é um instrumento útil.
Pessoa 2
Para a?
Pessoa 1
No contexto da neurologia para aferir os reflexos, né?
Anão fui eu que inventei isso, né?
Ainda que sejam possibilidades minhas, né?
Na medida que as martelo não fui eu que inventei isso, né?
Então é o possível, né?
A essas possibilidades, elas já estão dadas diante mão no mundo que já é constituído.
Não é da maneira Como Ele É constituído de ante mão.
Da?
A noção de jogado, né?
Diz respeito ao fato de que somos jogados no mundo, né, que está previamente constituída e que possui possibilidades determinadas, né?
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
E que já estão previamente constituídas.
Então sou jogado num mundo em que o martelo é usado com tais e tais finalidades.
Na e sou jogado no mundo em que as as possibilidades e que não é.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Eu tenho que fazer algo em relação a essas possibilidades, né?
Então, me orientou em função dessas possibilidades.
Pessoa 2
A?
Pessoa 1
E são, enfim, são todas.
É possibilidades que são historicamente constituídas, né?
Não são possibilidades que sempre existiram, mas ao longo da história, né?
É foi possível, né?
Elas serem possibilidades, né?
Em algum momento da história, né?
As pessoas passaram a usar martelo com determinadas finalidades, né?
E eu sou jogado no mundo em que a essas possibilidades, né?
É.
Enfim, eu não criei essas possibilidades, né?
Ainda que essas possibilidades sejam minhas, então, ao mesmo tempo que o da zen, né?
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Ele existe enquanto o projeto.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
Nós projetamos um Horizonte de possibilidades, não é?
Específicos?
Nessas possibilidades, elas já estão dadas diante mal no mundo, né?
Já estão dadas diante mão num.
Num mundo historicamente constituído.
Pessoa 2
Na?
Pessoa 1
Hã, e um momento bastante decisivo.
Da da noção de projeto?
Né?
Em série tempo.
É mais do que isso, né?
Acho que é importante falar antes que o Heidegger faz uma menção.
Ele distingue projeção de projeção primária.
A projeção, enquanto projeção diz respeito a entes determinados, como por exemplo, o martelo.
Projeção primária diz respeito ao ser.
Não é então, a, digamos, a entre aspas, essa habilidade básica de conseguir?
Antecipar um Horizonte de possibilidades, né, de projetar.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
De se projetar algo?
Da ordem do possível, né?
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Em outras palavras, a gente está falando de uma distinção entre algo de natureza ôntica, né?
Então, projetar possibilidades do martelo e de natureza ontológica, que é o projetar enquanto tal.
Pessoa 2
Na?
A?
Pessoa 1
AE bem, não é?
É na análise na nessa análise realizada por Heidegger, respeito da noção de.
Projeção.
Pessoa 2
De?
Pessoa 1
A temporalidade, né?
O que estamos falando aqui é temporalidade em rádio.
Da é ele chama atenção.
Para um momento bastante decisivo da análise.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
O da zen, em sua manifestação autêntica.
Pessoa 2
Na, é.
Pessoa 1
Você fazer uma análise apenas em referência ao da zen inautêntico, né?
De acordo com Heidegger, seria uma análise incompleta.
Não é?
E quando a gente pensa não é o.
O autenticidade do da mãe não é.
É, a gente leva às últimas consequências, digamos.
AA noção de projeção primária.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
E o que está em jogo?
As últimas consequências, não é?
No.
Nesse antecipar-se nessa habilidade básica, entre aspas, do antecipar do projetar.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
A morte.
Pessoa 2
Não é?
É.
Pessoa 1
As últimas consequências a gente.
É, abre-se a nossa possibilidade da impossibilidade.
Pessoa 2
Não é?
É.
Pessoa 1
As últimas consequências, o que está em jogo é que não é tudo aquilo que se manifesta, não é de maneira originária, não é isso.
As possibilidades correspondentes, né?
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
As últimas consequências a gente pode pensar, supressão disso.
Né?
O fim disso?
Veja, quando a gente pensa a noção de ser para a morte, né?
Porque o que estou falando é de ser para a morte.
O que ele está falando aqui a cada momento.
Está implícito com antecipação da morte.
Pessoa 2
Né?
Então?
Pessoa 1
Na medida que eu, eu.
Pessoa 2
AO?
Pessoa 1
Tem uma percepção sensível do livro, não é?
Eu consigo antecipar uma série de possibilidades desse mesmo livro, né?
Mas.
Digamos, uma possibilidade que.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Não fica tão explicitada a respeito do livro, fica sempre.
Pessoa 2
Não é?
É?
Pessoa 1
Em alguma medida ignorada, justamente.
Por conta dessa?
É dessa absorção da forma inautêntica, mas é justamente a possibilidade da possibilidade de que algum momento é impulso.
Será impossível a manifestação de qualquer livro, não é?
Que é justamente a morte.
E veja quando o rádio é pensando ação de morte, ele não está pensando numa morte morrida, né?
Então, por exemplo, na agenda aqui.
Pessoa 2
É eu.
Pessoa 1
Sofri um acidente de carro, eu morro e acordo no céu.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
Se eu acordo no céu, eu tenho uma experiência.
Pessoa 2
Do céu, a.
Pessoa 1
Então não foi morte, né?
Não, não é disso que o Heidegger pensa por morte?
Morte diz respeito à noção.
Pessoa 2
De fim, né?
Pessoa 1
Se a gente pensa a vida após a morte na a vida após a morte, ainda na vida, né?
Nesse sentido, a vida após a morte implica um Horizonte de possibilidades determinada.
Não é o que está em jogo, com a noção de ser para a morte, é a possibilidade da impossibilidade, a possibilidade de uma completa supressão.
Do campo experiencial, né?
E na então, a cada vivência, cada é manifestação, né?
Pessoa 2
Na?
Pessoa 1
Na cotidianidade do da zen, né?
Está implícito, não está explicitado?
A possibilidade de de repente não é em algum momento.
Nada mais se manifestar enquanto tal ao campo experiencial.
A possibilidade de não haver mais um campo experiencial.
Né?
Então, a noção de ser para morte diz respeito, que diz respeito ao fato de que a cada momento não é está implícito uma antecipação do fim.
Não é?
Está implícita a antecipação de uma completa supressão do campo experiencial.
E bem, tal como as outras possibilidades, né?
A possibilidade da impossibilidade também é uma possibilidade minha.
Né?
É não, não se trata de uma constatação indiferente, não é?
Mas se trata da possibilidade mais própria.
Do do existir?
Pessoa 2
Humano, né?
Pessoa 1
E na medida em que veja na nossa vida cotidiana, a gente não pensa nisso ainda que esteja implícito em cada vivência, né?
A possibilidade da impossibilidade, mas AA explicitação disso.
Pessoa 2
Né?
É.
Pessoa 1
É, tem um caráter mobilizador, tem um caráter.
Não se trata de uma mera constatação.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Reflexiva, racional, mas uma constatação que não é constatar, né?
Explicitar que.
Pessoa 2
É?
Pessoa 1
Somos aqueles que estamos abertos à possibilidade da impossibilidade.
É isso, tem um caráter mobilizador, de natureza afetiva, não apenas reflexiva, né?
E o tema da angústia surge justamente aí, né?
Uma reflexão a respeito da morte, né?
É algo que nos aflige, certo?
Modo, né?
EE se afligir, né?
Diz respeito à noção de.
De de angústia?
Não é?
É, então é.
É esse momento de ser e tempo e que trata de temas, entre aspas, mais dramáticos.
Assim, mas é propriamente existenciais.
Pessoa 2
Não é a.
Pessoa 1
A noção de tempo é decisivo para entendermos.
Tudo isso.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 1
Ahn?
Então, bem, é o tema desse episódio, não é tempo em russo e rádio.
Eu faço uma rápida passagem pelo pelos 2 autores, né?
Enquanto o Russel faz menção a noção de retenção e proteção.
Né?
É Heidegger, não é que está em jogo no hud guerra.
A noção de projeto não é desse.
A natureza da antecipação do Heidegger, ele acentua muito mais esse caráter, né?
De ser uma possibilidade minha, né?
E de?
Jogado, né?
Do ser lançado, do ser jogado na.
Na medida que estamos jogados a um Horizonte histórico previamente constituído e que.
Pessoa 2
A?
Pessoa 1
A determinadas possibilidades, não é a partir do qual nos orientamos, não é?
E além disso, o Heidegger, ele acentua, né?
Na medida em que ele faz menção a ao da zen, né?
Em sua manifestação autêntica, não é?
É possível falar, né?
De um importante tema na da analítica do da em que é a noção de ser para a morte.
Não é?
Então espero que tenha ficado compreensível para vocês, não é?
Acho que esse foi um episódio mais longo se comparado com os outros.
É não conseguir falar de tudo o que eu gostaria de falar em sua exaustão, mas acho que já.
É já uma introduçãozinha para esse tema e, bem, vocês conseguem aprofundar nisso conforme vocês.
É entrar em contato com os texto dos autores.
Não é?
Enfim, espero que tenham gostado e ficamos por aqui.
Pessoa 2
Não é?
Pessoa 1
Ao longo desse mês, irei gravando novos episódios.
Irei fazer entrevista com novos convidados e enfim, né?
Espero que vocês gostem dessa nova temporada.
E até mais.
Podcast Summary
Key Points:
O podcast "Fenomenologia em Saúde" retoma gravações após pausa para mestrado do apresentador, iniciando segunda temporada.
A noção de tempo é central na fenomenologia, especialmente em Husserl e Heidegger, sendo foco do novo episódio.
O princípio dos princípios de Husserl (intuição doadora originária) é explicado com exemplos: percepção direta (originária) vs. mediação (fotografia, memória, expectativa, fantasia).
Críticas apontam que a fenomenologia ignora passado e futuro, mas Husserl responde com retenção (retenção de experiências passadas) e proteção (antecipação de futuras).
A síntese passiva e ativa permite reconhecer objetos como unidades de sentido, não como aparências disformes, garantindo continuidade temporal.
Summary:
O episódio retoma o podcast "Fenomenologia em Saúde" após pausa para mestrado, iniciando a segunda temporada com o tema "tempo" em Husserl e Heidegger. O apresentador destaca a centralidade da noção de tempo na fenomenologia transcendental, especialmente em "Ser e Tempo" de Heidegger. Ele explica o princípio dos princípios de Husserl: toda intuição doadora originária (como percepção sensível direta) é fonte legítima de conhecimento, mas o acesso não originário (via fotografia, memória, expectativa ou fantasia) também é válido, desde que reconhecido como tal.
Críticos, como Derrida, acusam a fenomenologia de ser uma "metafísica da presença", ignorando passado e futuro. Husserl responde com os conceitos de retenção (retenção de experiências passadas no presente) e proteção (antecipação de futuras), exemplificados pela melodia: cada nota só faz sentido em relação às anteriores (retenção) e às esperadas (proteção). A síntese da consciência permite reconhecer objetos como unidades de sentido ao longo do tempo, garantindo a duração temporal.
Assim, a fenomenologia não se limita ao agora, mas integra temporalidade na constituição dos fenômenos.
FAQs
É o acesso imediato a algo na percepção sensível, como segurar um livro, sem mediação. Contrasta com acessos mediados como fotografia, memória ou fantasia, que são intuitivos mas não originários.
Husserl responde com os conceitos de retenção e proteção: a retenção mantém momentos passados no presente (como notas anteriores de uma melodia), e a proteção antecipa o futuro (como esperar a próxima nota), garantindo a duração temporal dos objetos.
Retenção é a manutenção de percepções passadas no agora, como reter as faces anteriores de um livro ao girá-lo. Proteção é a antecipação de percepções futuras, como prever a face traseira do livro ao virá-lo.
Ela explica que a consciência não apreende aparências disformes, mas unidades de sentido, como reconhecer um objeto como livro ou uma expressão como tristeza. Isso integra passado, presente e futuro na experiência.
Não, aplica-se também a objetos não físicos, como números em um cálculo mental, ou a expressões de outros, como a tristeza alheia, acessada via empatia, que é co-originária.
Na empatia, não temos acesso originário à experiência interior do outro, mas temos acesso originário à sua expressão corpórea (tom de voz, expressão facial). A empatia é considerada um ato co-originário.
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