O podcast reúne uma análise profunda do filme *Taxi Driver* de Martin Scorsese, com o convidado Patrick Pessoa, professor de filosofia e curador de teatro. A discussão aborda o filme como um reflexo do fascismo contemporâneo, especialmente em relação ao sucesso de *Tropa de Elite* no Brasil, que foi interpretado como um filme fascista. Patrick destaca a diferença entre o ponto de vista do protagonista, Travis Bickle — um homem solitário, alienado e traumatizado pela guerra do Vietnã — e o ponto de vista do autor, que revela a distorção da realidade e a manipulação da narrativa pela sociedade. O filme é visto como crítica à violência institucionalizada, à glorificação do poder e à alienação social, com o final que transforma o maluco em herói como uma ironia do sistema político. A análise também destaca a ambiguidade do espectador, que pode se identificar com o protagonista, mas que não percebe a crítica que o filme contém. A discussão é atual e relevante, com paralelos diretos ao contexto político brasileiro, onde figuras como o Bolsonaro são associadas à glorificação da violência. A cena final, com a morte e reabilitação de Travis, é interpretada como um sinal de como a sociedade transforma o caos em heroísmo, refletindo um fenômeno social mais amplo. O filme, embora apresente uma visão distorcida, é considerado uma obra poderosa e crítica, que desafia o espectador a refletir sobre a realidade, o desejo e os limites da identidade.
[SOM DE GONCIDA]
Oi Gustavo.
Oi Madina, 1H.
Bem-vindos a nosso podcast de cinema, um podcast em que toda semana gostava.
Eu falamos sobre um filme, uma série que passou por as nossas vidas.
No caso do filme de hoje, este filme já passou por as nossas vidas,
mas a gente vai falar novamente sobre ele por algumas razões.
Uma delas é porque a gente tem um convidado que é professora de filosofia da UF.
Ele é crítico e é curador de teatro e ele tem um livro que é a história da filosofia em 40 filmes.
E o nosso filme em questão é um dos filmes que ele fala deste livro.
O nosso convidado é o Patrick Pessoa.
Olá boa noite.
Prazer estar aqui.
Novamente, só lembrando, gente, Patrick é o mesmo que você que esteve aqui conosco no laranja mecânica.
Na época não tinha vídeo, então vocês não viram a cara dele, só ouviram a voz.
Mas a voz do Patrick também é uma voz inconfundível.
A gente falou de laranja mecânica lá atrás em 2020 ou 21, já não lembro.
E agora voltamos pra falar de taxi driver porque inclusive, né, Patrick,
a gente chegou a conversar recentemente sobre como esse filme vira e mexe, fica atual.
É o seguinte, esse filme teve uma exibição aqui em São Paulo.
E a gente falou sobre ele na nossa primeira temporada nessa época que a gente não tinha vídeo ainda, né, Gustavo.
E a gente falou dele em 2020, ele foi o nosso episódio número 7.
E eu acho que, pra além de você, a gente pode recomendar, né, que a pessoa é ouça, tá lá na orelha.
Se a pessoa quiser reescutar esse episódio, acho que ele é muito bom eu reovir pra gente gravar hoje.
Eu achei ele muito legal, mas eu acho que a nossa conversa pode avançar um pouco mais.
Por causa, enfim, do pensamento do Patrick que a gente vai agregar aqui.
A tudo que a gente já comentou naquele primeiro episódio, né, Gustavo?
Sim, a gente pode publicar de novo. Vamos fazer esse compromisso.
A gente reposta o episódio que a gente fez, porque daí a gente não precisa ficar fazendo muitas contas histórias.
Trevia, vamos direto pra tese do Patrick sobre o filme, que é pra isso que a gente tá aqui agora.
Muito bem, então, esse filme, da que esse driver é um filme de 1976,
é o segundo filme que Robert De Niro fez com o Martin Scorsese, e esse filme ganhou a Palma de Oron no Fechal do Cinema de Canes,
foi dedicado a quatro Oscars, e é um filme que fala sobre esse personagem, o Travis Bickel, feito pelo Robert De Niro,
que magraceu 16 quilos pra fazer esse papel, e que é um cara muito solitário em Sony,
que procura esse trabalho com motorista de taxa, justamente pra, enfim, fazer da Samsung, é algo um pouco mais produtivo, né,
já que ele anda perambula pelas ruas à noite, pelo menos que ele ganha algum dinheiro com isso,
falar abras dele, quando ele vai fazer a entrevista de emprego, pra dirigir esse taxa à noite,
e ele, além de muito solitário, ele é um cara que tem, digamos assim, é um cara estranho, né,
é um cara estranho, e a gente vai descobrir ao longo do filme, que ele vai ficando cada vez mais,
essa esquisitista dele vai ficando cada vez mais evidente.
Ele é um baterão de guerra também, eu acho que isso é um ponto importante do filme, né,
porque como o filme feito em 1975, ele trata também desse assunto, né, dos baterões de guerra que tinham esses traumas,
que tinham questões ali, né, que não foram talvez bem aconidas, né, muitos deles,
e é um filme que tem a George Foster, né, como essa personagem dessa menina prostituída aos 12 anos de idade,
e o filme também tem uma campanha política do Valentine, e nessa campanha, quem trabalha nessa campanha política,
é a Silvio Shepard, que é o, digamos assim, o interesse amoroso do Travis Bickel.
Isso é um resumo, assim, bem, tosco, porque não é assinado para o oficial, né, eu fui falando meio que lembrando.
Mas vamos fazer o seguinte, não precisa, não precisa, eu acho que é um filme de uma famosa oficiente,
eu acho que a gente pode direto para conversa, queria começar perguntando para você patre que por quê,
que você escolheu esse filme para estar entre os seus quarenta filmes sobre o que é do seu livro,
porque você escolheu falar, pensar, ou refletir sobre esse filme.
Bom, o Taxi Driver estava dentro de um capítulo que tratava do fascismo hoje, tá, o livro saiu em 2013,
mas o texto foi escrito em 2009, né, então essa questão do fascismo hoje já é no nosso país,
bastante antiga, e ele foi motivado pelo sucesso estrondoso de um filme chamado "Tropa de Elite",
eu acho que vocês devem conhecer, e que, para mim, é uma espécie de ouvo da serpente,
né, muitas das coisas que a gente vê hoje, e que tem a ver com essa transformação do Brasil,
num país de pedido, que você tem praticamente metade do país de extrema direita,
aparecem pela primeira vez de forma contundente, no filme "Tropa de Elite" e no sucesso que esse filme obter,
então a Tese, é que "Tropa de Elite" era um filme fascista, lá atrás em 2008, 2009, né,
houve um grande debate público sobre isso, havia pessoas que desmintiam essa Tese, mas elas estavam erradas,
eu acho que "Tropa de Elite" é um filme fascista, e tudo que veio depois comprova essa teoria e comprova esse pótese,
e o nome do texto que eu escrevi à época se chama "Taxista de Elite",
notas sobre a posição do narrador no cinema contemporâneo, então me interessava a mostrar
por que elementos fíumicos de "Tropa de Elite" permitiam sustentar que o filme era fascista,
usando "Taxi Driver" como "Contra Ponto", ou seja, em "Taxi Driver" você tem um personagem fascista,
mas o filme não é fascista, há uma diferença entre o ponto de vista do filme e o ponto de vista
de ser o narrador e protagonista, "Trabes Pickle", ao passo que em "Tropa de Elite" havia uma coincidência,
entre o ponto de vista do filme e o ponto de vista do semistro capitão na semena, né?
É estranho, eu nunca tinha pensado que o Bolsonaro era a cação também, totalmente.
E nesse sentido você falou 2009, Patrick, já faz um tempo, mas nesse sentido essa conversa segue
valendo, porque de lá pra cá, essa face do Brasil tá cada vez mais evidente, né?
Eu não acho que ela surgiu, é, é um pouco, eu sei lá, o Brasil sempre teve muito disso,
mas acho que ela veio pra luz, assim, ela pareceu, ela se perdeu realmente a vergonha e veio
pra frente a partir dessa época, agora, estamos aqui na beira de uma eleição em que isso tá de novo colocado, né?
E então a gente acha, essa é uma boa conversa pra se ter, eu acho, agora, pra pensar como até hoje,
essas coisas são um pouco mal interpretadas, assim, né?
Porque eu acho que filmes como, dependentemente do que a gente achar de filmes como "Trapa de Elite"
e até mesmo como "Taxi Driver", eles sempre vão levar pessoas pra interpretar eles de maneiras muito diferentes, né?
Porque eu mesmo "Taxi Driver" que eu concordo com você, que é um filme que não acompanha, não é. o filme é uma coisa, o protagonista é outro, ele teve uma história, não sei se você commenta no seu texto,
mas ele teve essa história do cara que cometou um atentado e disse que viu "Taxi Driver" ser lá 15 vezes,
você fala disso no seu texto?
Não, não falo, eu sei da títora.
Mas o atentado que aconteceu foi que um cara, o John Hinclay de Unions, ele tentou matar Ronald Reagan
e disse que foi inspirado pelo filme e também movido pelo "Judy Foster", por uma paixão pela "Judy Foster", né?
Era um maluco projetando os seus próprios impulsos no filme.
É diferente de um filme que te entrega uma série de. sentimentos que fazem com que digamos assim, a interpretação mais correta seja aquela
que te convida da um tiro na cara de um bandido no final e que isso é o gran final de trope
de elite, né? É diferente. Então é só que para pensar nessa questão, eu acho que
tem que pensar que todo filme, todo óbvio de ar, todo conto, romance, sempre tem um
interessamento, né? Então você tem o que o Humberto é, o autor da interpretação chama
de autor modelo e o autor modelo, ele constrói a obra que é interessada a um certo entre aspas
de leitor modelo, que é aquele que é convidado a ler a obra nos próprios termos da obra evitando
quanto possível as suas próprias projeções, esse caso do rinplay, ele não trabalha como um leitor
modelo de taxidriver, ele trabalha como um leitor empírico, ou seja, ele usa o filme, ele abusa
do filme, projeta no filme, elementos que não necessariamente são endossados pela construção do
filme como um todo, mas claro, são endossados pelo protagonista, então ele foca no protagonista
se identifica com o protagonista, mas talvez não perceba no filme, ele de alguma maneira
apresenta aquele protagonista de forma crítica ou de forma distanciada, exatamente, a gente
comentou, quando a gente gravou esse episódio em 2020, tem uma parte que a gente fala também
sobre isso, que eu falei, existe a distância que a gente tem hoje, esse lugar muito seguro
que é o futuro, quando a gente olha para algo que foi feito no passado, a gente está falando
já com a perspectiva de quem, de uma sociedade que já foi trabalhada em vários aspectos, mas
mesmo assim, concordando com você e concordando com o que eu gostava, fala no nosso episódio
superior, é isso, é um filme que ele retrata um machismo, ele retrata, ele tem esse personagem
que é um proto em céu, porque o Travis Bickle é um celibatário involuntário, ele fala
quando ele se apaixona pela personagem da Cibius Shepherd, ele consegue levá-la para
o cinema, ele convide ela para ir ao cinema, ele é tão inadequado, ele é tão fora de qualquer,
enfim, realidade possível do relacionamento com uma outra pessoa que leva ela para ver
um filme por nó, ele não entende porque ela não gosta, ele tenta de qualquer maneira retomar
um bom caminho ali para que aquele relacionamento aconteça, e é isso, e ele fala você é igual
a todas as outras, então você entende que aquilo não é a primeira vez que ele é rejeitado
por uma mulher, então ele é um celo, quando não tinha esse nome ainda, mas ele também é um
filme que retrato o racismo, mas ele não é um filme que indossa esse racismo, e tem
personagens muito, por exemplo, o próprio macho escorcesse faz uma ponta no filme de um
cara ensilmado, muito arrogante que trata mal Travis Bickle, que fica dando umas ordens
em bem escrotão, e o cara está falando que ele vai matar a mulher dele, porque ela está
descobrindo que a mulher dele está traindo ele com um negro, e ele inclusive usa aquela
palavra, que é totalmente proibida hoje em dia, não se fala mais essa palavra, mas é
isso, assim, ele retrata esses personagens como você falou com um de um ponto de vista
crítico.
O que o Patrick, mais voltando aí, você estava falando essa coisa da diferença entre
narrador e protagonista, em que momento ou por que razão é, por que razão é formal,
estética, enfim, por que razão você acha que o martes escorcesse faz isso, consegue
esse, consegue essa separação, quais são os elementos do filme que permitem essa leitura
que você está dizendo.
Na verdade, é só para tentar deixar claro que eu acho que eu me expressei bem, a diferença
não é entre narrador e protagonista, porque no caso de Tropa de Elite, o protagonista
é um narrador, é um narrador protagonista ou um protagonista narrador, mas existe uma
diferença, uma discrepancia entre o ponto de vista desse narrador protagonista que
fala em primeira pessoa, e o ponto de vista dof e um me como um todo, que eu chamo de
ponto de vista do autor modelo, para facilitar você pode dizer, o ponto de vista escorcesse
é diferente do ponto de vista Travis Bickel, é porque não é o escorcesse como sujeito
empírico, como autor empírico, escorcesse é um nome desse conjunto de estratégias narrativas
que diferenciam o ponto de vista da obra do ponto de vista do seu narrador protagonista.
A Marina falou, esse narrador tem duas características sem muito pronunciadas, ele é um taxista
e ele tem uma filosofia política, que é bastante problemática para dizer o mínimo, quando
ele apresenta essa filosofia política naquela cena do filme, em que ele pega por acaso,
o precandidato à presidência Charles Valentine lembram dessa cena, e o cara entra, e ele
fica feliz, como ele não fica quase em nenhum outro momento do filme, porque ele tá interessado
pela Betsy que trabalha, uma campanha do Valentine, então a coisa se articula, e o Valentine,
como o bom político pergunta para ele assim, eu estou com o texto na minha frente, eu vou
ler, ele pergunta assim, posso de fazer uma pergunta Travis, claro, o que mais um incomoda
neste país, eu não sei, eu não acompanho as questões políticas muito de pé, mas deve
haver alguma coisa, bem, diz o Travis, em todo o caso eu acho que é preciso limpar essa
cidade, parece uma força céu aberta, é cheia de estujeira da piores cores, às vezes
é difícil de aguentar, quem for eleito o presidente deveria realmente limpar essa
cidade, entendeu? Às vezes esse fedor me dá dores de cabeça terríveis, e o fedor não
vai embora nunca, acho que o presidente deveria limpar toda essa sujeira, deveria simplesmente
dar de escarda e mandar tudo embora pela porra do buraco da privada, bem, diz o Valentine,
acho que estreindo que você está falando, mas não será fácil, precisaremos fazer mudanças
radicais, é isso aí, o taxe chega, é fantástico, é que quando você vê a nossa discussão
de hoje em dia, é segurança pública, essa sociedade é uma sujeira e a gente precisa
de alguém para limpar, isso aí, Mussolini, ouviu muito, Hitler ouviu muito, e a gente
ouvi muito isso, agora beleza o cara dizer isso, só que desde os créditos do filme,
eu não sei se vocês lembram, mas tem lá um tolo de saxofone e umas imagens bastante
distorcidas que intercalam senas da cidade com os olhos do Travis, assim, é bem idático,
né, e uma fumaça e muitos tons de neon vermelho, então a gente está ouvindo o tolo, uma
música, e de repente a música fita de sonante quando sobrepõe com os olhos do narrador
protagonista, claramente ali, já deixa essa montagem inicial, a experiência de Nova
York é de uma cidade infernal, mas o filme deixa muito claro, é uma visão distorcida,
uma visão peculiar, uma visão desse personagem, não é um registro objetivo da realidade,
esse é o primeiro é a primeira evidência, cara uma montagem que deixa isso muito
nítico, deixa os créditos iniciados, mas aí o que acontece, que quando o personagem
vai ser apresentado, e aí vão entrar outros elementos, você tem uma espécie de gênesis
do personagem, o Travis vico, um elemento muito importante é que ele é um veterano da
guerra do Vietnã, né, e como um veterano da guerra do Vietnã, digamos que ele estava
lutando em nome da lei e da ordem da democracia mundial, né, aquele discurso ideológico
estadounidense, e que esperava voltar para uma casa organizada, então enquanto ele estava
na guerra, a reafacenato, é a mortandade, é a sujeira, tudo bem, mas em casa é diferente,
e aí ele volta para casa e não tem casa, não tem o ar, não tem mundo organizado,
quando ele volta para casa ele faz a experiência do que eu chamo de uma estrangeira
radical, ele é um extenjeiro no próprio país, ele não tem família, ele não tem amigos, ele
se sente de remédio para dormir o tempo inteiro, ele é imagem do homem perdido na multidão do
indivíduo isolado numa metrópole moderna, ele convive diariamente com centenas de pessoas,
com os outros taxistas, mas ele não pertence a ponto de ele se quer entender os códigos
sociais das pessoas, então ele tem uma filosofia política e muita gente compartilha, inclusive
o cara que tentou matar o Reagan, só que há o mesmo tempo ele é totalmente estranho e
estrangeiro na sua própria cidade, no seu próprio país, essa estrangeiridade é outra maneira
de um filme subrinha, olha, espectador, acho que não dá para se identificar muito com esse
cara não, esse cara é bem um maluco, ele não é um herói, ele é um maluco, perçada de
oferecer o capitão na cima é apresentado como um herói, né?
Sim, total, eu diria até complementando o que você fala, Patrick, até comento isso também,
eu acho que no final ele ainda dá um passo além, na hora que ele mostra que a sociedade
enaltece e transforma aquele cara em herói, ele está mostrando que inclusive aquela sociedade
americana é duente o suficiente para pegar aquele cara que você viu o filme inteiro e que
você sabe que é totalmente um sociopata, um cara com todos os tipos de problema, uma
pessoa que não tem nada de herói e heroíza é o cara, né?
Mas você está falando do final?
É, sim, o que eu estou querendo dizer é que eu concordando com Patrick, eu estou dizendo
esse mesmo cara que o filme mostra claramente que não é um herói que vê a realidade de
maneira distorcida, que fica insone, que mistura, quase que a cidade é um delírio, é
um negócio que ele fica ali de noite, esse cara no final ao matar o monte de gente é
transformado em herói pela sociedade americana, de um jeito que é a ponta para mim, para como
justamente essas sociedades adoecidas são capazes de levar uma pessoa que claramente não
é um herói, a ser um herói, que é um pouco movimento que o próprio trumpet ele faz
inconscientemente, eu acho.
E agora tem uma pergunta para vocês, vocês acham que aquele final dele herói da Betsy
entrando no taxi, falando Travis, eu vi o que você fez.
É maravilhoso.
Vocês acham que aquilo é parte, é realidade, é assim, é um final, se acha realista,
totalmente realista, ou é um final aberto, a ponta da gente poder pensar que aquilo é só
a imaginação do Travis, ou para a imaginação barra desejo do Travis.
Não, eu acho que o final é totalmente realista, ou seja, dentro do universo do filme, aquilo
realmente aconteceu, porém pode ser só na cabeça dele então.
Não, não, porém essa é mais uma que aconteceu no filme, não é só na cabeça dele, mas
é mais um elemento absolutamente ironico colocado pelo autor modelo que eu vou chamar de Martin
Escorsese, colocado pelo Martin Escorsese para dizer, olha que eu apresentei esse cara com
maluco o filme inteiro.
Eu posso falar um pouquinho de hoje, séria, já que vocês estão num clima hoje, séria,
né?
Claro.
É uma espalhinha, né?
É onde séria de um proto ou facista.
O cara que foi pro Vietnam, a tom monte de gente voltou para casa esperando encontrar
o ar, o Nova York deveria ser a sua itaca, mas quando ele chega em casa, ele vê a fedentina
desorda em o crime, a insegurança pública, e ele é um alienado, ou seja, ele é um estrangeiro,
ele não entende muito bem os códigos, ele não vê a realidade de maneira realista,
ele tem uma percepção alocinatória da cidade, e aí, mas só para assim qual é o de séria,
ele precisa responder de alguma forma a esse desejo de ordem, de limpezas social, que
ele traz com ele, tem lá, talvez das selvas do Vietnam ou talvez desde antes, porque ninguém
se torna um mariner por acaso, né?
O cara já podia ser doido não antes, mas enfim, aí qual é a primeira tentativa de
evasão dele? A primeira tentativa de evasão é limita, que é um amor, gente, e quando
que ele se apaixona pela Batsi, é uma cena daquelas de multidão de cidade em câmera
lenta, e ela vem andando toda de branco, em meio a fedentina da cidade, ela é uma garça,
ela é a cláudia cardinária em 8 e meio, ela é aquela imagem de perfeição de harmonia,
que é um ideal clássico de beleza, ele se apaixona por aquilo, aquilo que ele deseja,
e aí quando ele dá, é uma das melhores cantadas da história do cinema, aquela cena quando
ele entra, para falar com ela que ela precisa de um amigo, que ela está cercada de muita
gente, são muitos telefóis, mas eu tenho observado você no fundo, você está sozinha, eu acho
que você precisa de um amigo, ela fala, mas você vai ser o meu amigo se você quiser,
e aí ela toca sair com ele, claro que é a descrição que ele faz dela, é a descrição
que ele faz dele, é ele que está cercado de gente, de telefone, de barulho e que está
sozinho que precisa de um amigo, então ele escolhe ela como amiga, só que ele é tão
dor doido, e ele leva como a mariana, com essa cena, esse filme é fobre, a gente começa
a falar do filme, ele é maravilhoso, ele chama a menina para ir no cinema, na morio
de portão, e leva para ver um filme pornográfico, vai no cinema, pornô, com uma moça de
família, porque ele não entende os códigos sociais, ele é um estrangeiro, ele é um alienado,
e aí ela vai embora puta, você me trazer aqui, nesse você me descer, select, but, ela entende
que ele é maluco, e o espectador entende esse cara, é muito perturbado, eu não tenho
como identificar com ele, eu jamais levaria uma menina no cinema pornô, né, era um
povo assim que funciona, como é que funciona, aí ele pensa assim bom, se não deu certo,
você igual a todo mundo, coé a segunda tentativa dele de escapar essa situação, ele diz,
eu preciso fazer alguma coisa, a gente está ali, eu começo dos anos 70, gente, é muito
presente nesse filme, tanto Clint Eastwood, Dirty Harry, quanto Charles Brownson desejo
de matar, que é citado, inclusive, nos créditos filmagens, né, então ele fala, você, você
é um cliente, você é o Charles Brownson, e vou botar para quebrar, e na cabeça dele,
o botar para quebrar, é matar os responsáveis por essa situação, quem são os responsáveis
pela corrupção da realidade, os corruptos profissionais, os políticos, é claro, a culpa dos políticos,
então eu vou matar o político que eu conheço, que é o Charles Valentine, mas o que eu quero
é mirar na política, como um todo, os políticos são sujos, olha que legal esse negócio,
a mesma coisa, de as pessoas se elegeando aqui, um discurso antipolitico, o cara está
mais de tritando no congregado, mas eu sou contra a política, né, então o ponto é que
ele vai tentar matar a política, que é a causa da corrupção da sociedade, a política
que é linda, como corrupta, só que ele, apesar de treinar, de comprar um monte de revolver,
de se despassar com aquele moicano belíssimo, ele é um incompetente, porque ele é maluco,
ele planeja, o negócio não funciona, olha o filme dizendo, porra você vai se identificar
com esse cara, que leva a menina, de família, para ver se o filme fornou, e depois quer
fazer um negócio, faz tudo errado, faz de mal, no negócio que é totalmente comativo,
o moicano, e vai matar o candidato, e o segurança do candidato, pega o cara, ele não é
efici. a gente se identifica com heróis eficiente, o tipo "fadão", né, esse cara não
é o tipo "fadão". E aí o que ele vai fazer, bom, já que não deu para matar a cabeça
do problema, que é um político, eu vou matar a pior escória do mundo, que é como ele
chama "Harva Itaithel" ou "Cafetão" da Jody Foster, que ele já tinha tentado
salvar, porque ele tem uma relação ambigo com ela, né, é uma criança, mas ele tem
intensão, você tem intensão em criança, espectador, ele tem, então se liga, o filme inteiro
é contra ele, o filme inteiro é para romper a identificação, então esse cara que
toma o Reagan, tá tendo uma percepção alucinatória do próprio filme, do mesmo jeito que ele tem
uma percepção alucinatória da realidade, né, então é um pouco. Por isso que os efeitos de uma obra podem até não ter muito a ver com a obra.
Mas quando um filme, como tropa de Alice, faz tanto sucesso, ele tá de alguma forma mal
damando um sentimento social que já tava posto.
Não foi ele que criou, mas foi ele que tornou visível como é que tava posto esse fascismo
super repetiço e deu de certa forma um nome pra isso, sim bolizou, mas eu não cheguei no
final ainda, quero que eu chegue por final.
Sim, vamos falar do final, porque o final corrobora isso tudo, que eu quero dizer, acho
que o final joga o problema pra sociedade americana também, não, senão, mas fala aí.
Totalmente, porque é o que acontece no final, então não deu pra matar o Palantine, eu
vou matar o Cafetão, só que pra conseguir fegar matar o Cafetão, ele tem que matar
o porteiro do bordel que cronometrava, né, estrepadas da Isis, da Iris, né, da Jody
Foster, e ele tem que matar o cliente que tá com a Jody Foster e ele entra lá determinado
né, porque esses atiradores americanos clássicos, né, ele entra lá determinado e se matar
no final, e aí é cómico, porque o incompetente não consegue nem se matar, ele tá cheio
de arma, só que não tem uma bala pra ele se matar, contrariando o plano dele, porra,
bicho, nem se matar, tu consegue, cassete, e tomou o porteiro, e aí os corséis é muito
fino nisso, né, depois desse banho de sangue, esse banho de sangue tinha como objetivo,
o limpar sociedade, né, depois do banho de sangue ele faz um traveling voltando todo
caminho que o Travis percorreu, e aí é o que acontece quando você acha que a violência
vai resolver o problema da violência, o que acontece quando você acha que essa polícia
vai matar mais gente vai resolver, só vai agravar violência, e o cara diz isso com
imagem, tem dizer nada, que o filme acabar se aí já era muito legal, só que ele é
forte, ele vai além, que aí ele faz assim com uma espécie de pábola no final, que não
é só, vou chegar na Bats, né, mas ele sobrevive, e aí aparece aqueles que recortem
vídeo ornal falando do taxista herói, do homem que fez alguma coisa que enfrentou os
marginais, o homem comum que salvou uma criança da prostituição, ele erou esse exato de um
jeito grande, a gente achou que ele tinha morrido na cena final, né, ele estava em sangue,
ele sobrevive, erou esse exato, e aí tem a coisa que eu gosto mais fina, é a carta
dos pais da Jordi Foster, porque ela falava pra ele cara, eu não quero voltar pra aquela
merda daquela cidade do interior de jeito nenhum, a cena dela com um tapetão, é uma cena
de amor, é ironico pra caramba, entendeu, não é moralista, ela tá ali sendo explorada,
mas ao mesmo tempo ela tá ali amando de alguma forma, uma coisa que ela não fazia,
o papai é uma mãe dela que viveu, o seu lugar fina da puta, ela não fugiu a toa, então
ela é obigada, aí numa situação pior do que aquela em que ela se encontrava segundo
ela mesma, não sei o que eu estou dizendo, ela que diz, e aí os pais escreve uma cartinha
pra agradecer, e falou "Ah, tá um pouco difícil, a readaptação dela aqui, mas vai acabada
com um do ser", ironia, ironia, aí o cara sai do hospital, ou seja, ele acabou com a vida
da Jordi Foster, ele sai do hospital, herói, e quem entra no táxi dele, Batsy né,
cibi o stepper, e aí ele fica filmando no espelho retrovizor, e os olhardes, nipe,
tionosos de Batsy pra Travis, estão muito mais quente do que eu das meninas fazendo
pornografia no cinema, quando ele tinha levado ela naquele porra, né, é uma coisa assim,
é ali pito da sociedade norte-americana voltada pro cara, que agora correspondeu de alguma
forma expectativa dela quando ela trabalhava na campanha do político, ela queria isso
aí, né, só que ele não tinha parecido ainda fascista o suficiente pra ela, e no final
ele prova, mas aí ele já diz em calor, ela sabe o que a sua, e ele fala "não, perdou
a chance gatinha, né, enfim, mas eu interpreto esse final como uma, pensando no começo
do filme, né, mas eu acho que é esses bons finais, acho que grandes cineastas conseguem
fazer finais que a gente deixa um a gente já pensar, né, o que é o que é o que é
o que é realidade, o que é fantasia, o que é que está na cabeça do nosso protagonista
e tudo mais, porque se você pensar no começo, você citou, né, que e às vezes é tudo
que você citou do começo do filme, e do encontro dele com o Palantine mais pra frente,
acho que tem duas coisas que se juntam ali, e eu acho que isso é uma coisa super importante
do roteiro pra dizer, né, porque ele começa o filme só lembrando, né, o Travis, ele
é tão solitário que a maneira que ele tem de, enfim, a única pessoa com quem ele consegue
conversar é com ele mesmo, porque ele escreve um diário, né, então assim, tudo ele não consegue
elaborar os provos pensamentos com ninguém, mas eu não sei com ele mesmo aquele pedaço
de papel, né, aquele caderno, e essa coisa que você falou, né, da conversa com o Palantine,
que ele fala do esgoto, ou você falou fossa, mas acho que é uma coisa de traduz, depende da tradução,
que ele cita, aquele, aquelas ruas pelas quais ele passa durante a noite, que são as ruas
onde tem os cinemas por novo, a prostituição e tudo mais, que ele fala que são os goto
a céu aberto, né, e ele vai citar a mesma coisa, isso bem no começo do filme, ele vai
citar a mesma coisa lá pro Palantine, então é uma coisa que se fecha, e o começo do filme,
com música do Burned Herman, não lembrar, o grande Burned Herman, que é o cara que fazia atrilhas para o ritmo com um supergênio.
Então aquele jazz, aquela música em bala, as cenas iniciais, que são um pouco. Alucinadas, digamos assim, a gente. É como você falou, né? O ponto de vista do Travis, dentro de uma lógica um pouco em Sony.
Mas também, já querendo dizer, olha, a gente está mostrando aqui essa visão, dessa pessoa, é uma visão distorcida da realidade, né, como você bem apontou.
E o final para mim, quando. Porque a personagem do ácido Shepard, ela não é construída de maneira que ela vai depois, digamos assim. Se ela mudar, talvez, de posição tão radicalmente, a admira uma personagem como Travis Bickle, né, ela é construída como uma mulher. Vim, uma feminista, uma mulher super razoável, uma mulher inteligente, uma mulher articulada, então eu vejo aquilo lá como algo que está na cabeça do Travis.
Então, é isso, o começo, que é a visão distorcida, né, através da fotografia da música do Bernardo Herman, a gente entende aquilo lá, é. Não sabe se é o estado em Sony dele, que faz com que aquilo não seja. Não seja um imagem muito realistas com o final, mas é isso, é uma interpretação.
A gente fala disso no nosso episódio lá de 2020, né, Marina, você teve essa interpretação, eu interpretei mais como Patrick, eu acho que é um comentário super importante, que ele faz no final, porque é justamente ele poderia ter parado a história só nesse personagem no maluco,
mas quando ele mostra que a sociedade coloca esse maluco glorifica esse cara, é o que faz o derritte, hoje você candidato ao Senado, lembrando derritte, Guilherme derritte, era um policial que foi espulso da rota por ser excessivamente violento e incompetente.
É o que Patrick acabou de falar, era um policial da rota, que matava demais, matava errado, fazia merda, foi espulso da rota, foi pra redes sociais destilar ódio.
E aí se associou o Bolsonaro e tal e hoje em dia é um candidato ao Senado, porque as pessoas acham que é isso aí, esse cara é o cara, é o herói e tal.
Então quer dizer, tudo num exemplo que tem vários, na verdade, infelizmente a gente pode lembrar vários assim, mas é esse tipo de coisa, né.
A sociedade não é um caso tão isolado assim, tem uma parcela, inclusive essa personagem, que os americanos chamam de vigilante, esse personagem que faz justiça com as próprias mãos e tal, vira e mexe aparece um aí pra, enfim, ou pra que fica glorificado, tal, eu acho um movimento bem importante do filme, eu diria, esse final.
É, assim, o concordo que. Talvez não faça tanto sentido uma mulher como a Sibel Chepa foi apresentada voltar atrás como construção de personagens.
Mas eu tenho certeza que tem várias mulheres belas, recatadas e articuladas em inteligentes que gostam do Derrit.
Que gostam do Bolsonaro, que gostam do Trump.
Eu conheço uma pessoa que tem o Trump como grande símbolo sexual da vida dela.
Nossa, que é prédio, meu Deus.
Então é. Meu Deus, de todos os absurdos.
Não, mas é porque tem uma coisa que essa extrema violência
ela é sedutora pra muita gente.
E ela cura uma série de barreiras civilizações.
E o Gase lembrou uma coisa em que o filme é de 76.
E ele está conversando diretamente ali.
Não só com um lugar do Vietnam, com a barbade da guerra do Vietnam.
Mas ele está conversando também com esses rimos que heroicizam os assassinos em série.
O cliente isso é um hero aí, um assassino em série.
Um hero aí, um assassino em série.
Eu estou falando da série "Dirty Hero" e da série "Desertes de matar".
Então, o escorsez, ele faz uma crítica social muito profunda.
Nesse sentido, eu acho que a leitura de que aquilo realmente aconteceu no mundo do filme,
de que a gatinha voltou atrás e se apaixonou por ele.
Portalece a posição do filme, o filme é melhor.
Se aquilo tiver realmente acontecido dentro do mundo do filme.
Será?
Será?
Eu acho ele melhor.
Porque é irreal que isso aconteça, mas isso acontece.
É irreal que esses caras ganham a eleição não dá pra entender.
Não dá pra entender esse apelo primitivo do fascismo.
Agora, a gente está afundado na efetividade desse apelo.
Tiveu o chefe antes, foi pega.
Muita gente é pega.
O Bolsonaro ganha nas classes altas desse país.
Daí se deu o chefe antes.
E é legal esse ponto de vista, porque vende quem você menos espera.
Você parou não a essa pessoa, jamais, acontece.
Mas eu acho que ela está ali representando.
Talvez não é essa mulher que você disse.
Para mim, ela está representando a americana mente.
Que eu desejo que ela seja.
Que você deseja que ela não é.
Ela está ali naquele combate, trabalhando para um cara do partido.
Para um cara do partido democrata, a gente não pode esquecer que um cara do partido democrata não é muito melhor.
Ele talvez seja um pouco melhor.
Mas os Estados Unidos é sempre esse país que glorifica essa violência.
O que eu acho é que a gente não está vendo ali que tem mulheres, sobretudo nos anos 70,
tinha, obviamente, mulheres americanas que, de fato, estariam comprometidas com feminismo
ou com uma luta anti-violência e tal.
Não me parece o caso dela.
Não me parece só uma mulher de família, uma boa moça, louire,
que está trabalhando num comitê de um candidato democrata.
Que não é especialmente progressista.
É só um candidato democrata que está ali como tanto. Mas dentro do espectro possível é bem mais razoável do que. Sala, fosse repubrível na Seriana.
Mas a crítica é mais incomoda, justamente.
Porque ela não é a americana média que glorifica esse cara, entendeu?
E mais do que isso, na Seriana, que o Caranda de Taxi com Travis,
a posição dele, a gente vai precisar de mudanças radicais.
É quase irrelevante que ele seja no partido democrata.
Ele é um proto rompista.
O que é mudanças radicais?
Não, mas espera, mas tenho uma manuância aí, porque eu acho que. Quando o Palantin pergunta pra ele e ele dá uma assistida,
mas me fala, "O que é que você é alguma coisa?"
Porque ele fala, "Não, eu não entendo de política."
Mas que ele insiste, e o Travis fala com essas absurdas,
"Você vê o ícomo do dele com o assessor dele."
E se eles falam "Meu, estamos com o maluco aqui."
"Vamos falar, eu interpreto. "
Será que eu estou sendo muito engenho de interpretar desse jeito?
Mas eu acho que, na verdade, eu acho que sim.
Eu acho que o nosso repertório, o nosso desejo,
influencia a maneira como a gente vê, interpreta.
Porém, eu acho que grande parte da generidade do filme
é de oferecer essas ferramentas.
Eu não criei essas imagens.
É assim, eu estou só interpretando algo que o macho escorcésio me ofereceu.
Então, eu acho que tenha ali algo, um olhar do Palantin com o assessor dele,
porque eu li como os caras tão viram que esse é maluco,
e vamos lá para fora daqui, entendeu?
Eu acho que a Silvio Shepherd dá uma fantasminha no final,
"Bete, você é um fantasminha do desejo do Travis Bico,
mas vocês estão interpretando de uma outra forma."
Então, que legal, que bom filme esse, eu acho, né?
Eu acho que aquela Silvio Shepherd certamente poderia ser um fantasminha
do meu próprio desejo, porque ela é apresentada como mulher.
Sim, mano, o filme constrói uma imagem dela
que também não é realista.
O filme em Belez, aquilo é muito.
Agora, eu não sei.
Eu sou o Travis Bico, puxa, e é o meu desejo.
Eu acho que eu ficava com ela no final.
Não, é melhor ainda desprezá-la, né?
Ela dá em cima ele desprezá, eu adoro isso.
Ele é tão tóxico, ele é tão. Ou então é isso, a imaginação dele, ele é tão encel,
é nem capaz de imaginar, ele junta com a Bette.
Não consigo imaginar isso, então vou simplesmente desprezá-la.
Você vê lá, olha, já eu viajando aqui na história.
Mas tem um aspecto que eu queria que vocês falassem,
que eu comento no nosso primeiro episódio,
gostava, mas que assistindo hoje, de novo,
me veio a cabeça, que é a questão primeiro das armas,
dessa coisa dele. Enfim, dele oferecer essas imagens das armas,
como algo muito glamorizado e tal.
E também da violência, né?
A gente só, para quem não houve o episódio,
acho que é interessante a gente contar aqui.
Aquela cena final, essa cena do Massacre,
os costés filmou e, de fato, uma cena muito violenta,
super incômoda de assistir e tal.
E os Executivos da Columbia Pictures,
falaram que, de jeito nenhum, eles vão deixar aqui.
Porque era um negócio primeiro,
que deixaria o filme com uma classificação etária muito alto,
que faz com que o potencial público diminua muito, né?
Então, ninguém quede filme de 18 anos.
Todos eles querem que o filme seja classificado como 14,
que é para você poder ter possibilidade de ter uma bilheteria alta.
Mas, para além disso, os caras falaram, né?
Só que, totalmente, você viajou de fazer o troço,
violando esse jeito, pode cortar essa cena,
pode melhorar, pode amenizar, pode qualquer coisa.
E o escorsez ficou assim, muito aviltado,
ficou, passou uma noite inteira, assim, acordado, bebendo.
E, segundo Reza Lenda, a gente gosta. A gente quer do cinema, né?
A gente gosta dessas lendas, então, a gente vai contar.
Teria ele ficado com uma arma dizendo que ele ia ir na criatura
do executivo da um tiro, na cara do cara,
porque eu caria multilar o filme dele e tal.
Enfim, acho que o escorsez já sabia que ele tinha uma obra prima.
Enfim, né?
Então, ele não queria de querer proteger a obra dele.
E aí, nessa noite, de uma bebedeira,
pensando tendo esses pensamentos de assassinar o cara e tal,
ele veio com essa ideia de mexer na cor do filme,
de saturar aquelas cores e de sangue ficar mais de novo,
mais palatável, mas também tem algo que conversa com essa alucinação
do Travis.
Mas é muito genial essa cena.
A solução que ele deu para o pra algo que, enfim,
era incontornável do ponto de vista, do ponto de vista comercial.
Eu, essa história, acho maravilhosa.
Eu acho uma bizarrice e prova a burrice do sistema de censura.
Como se mostrar um sangue meio marrom e não totalmente vermelho,
mudasse alguma coisa.
Ela não deixou não isso?
Você achou 17-14 anos?
Não é 14 anos, é que era um pouco diferente,
lá, é "R", ao invés de "X", porque ele recebeu a,
ele recebeu aquela ficação indicativa "X", que é tipo o filme por "Nox",
que é assim.
É pior.
Quando a gente vê "x", "x", "x".
O "R" é a segunda pior, que é acho que é. Ristricids, acho que é 16.
É, mas enfim, é a segunda pior.
Mas o que aconteceu é que ele, ele "D",
ele mudou a cena para deixar o sangue menos cor de sangue,
Eee, tira as. cores, deixou mais granulado, deixou a imagem mais do jeito que você vê hoje lá, de propósito,
e argumentou, ou isso como argumento pra dizer que tudo bem, que a violência não era tão gráfica.
O que eu acho uma maluquice, porque continua sendo tão gráfica quanto, mas fato é que funcionou.
Mas fica menos realista, isso é verdade, fica menos realista.
Mas assim, é pra falar um pouco sobre essa questão na violência no filme, eu tendo a ler sempre em chave crítica.
Quando vem o vencedor de armas e abre o arsenal na frente dele, eu cresci vendo "Dirty Harry", eu cresci vendo "Charles Bronson",
eu cresci vendo "Avo Chose Negra", eu cresci vendo "Stalone", e revendo esses filmes hoje em dia,
porque eu tentei rever com o meu filho, e o meu filho falou "Pai, não dá, é tudo propaganda de revolver",
é tudo propaganda de arma, dessa terra e desse estrum na seu ésta flor, eu fui criado aí,
você é criado, eu acho que a canagem em botar esse filme pra 16 anos, é fazer trabalho de base de proto fascinha,
mas o ponto é como falar de uma ultra violência, e ainda tentar de alguma forma trazer a classificação pra "R", não pra "X".
A cena mais violenta do filme pra mim, é a cena do mini mercado.
O Travis Viko, o Travis Viko, ele tá se, tá malhando para onde tomar remédio, tá ficando sem super preparado, aí ele fala pro espelho.
Eu tenho aqui o texto, "Voleto a Dora, escutem seus fudidos, seus filhos da puta".
Aqui tá um homem que não suportou essa merda toda, que enfrentou escória, as putas, os pastorros, o lixo à merda.
Aqui tá alguém que reagiu, aqui tá, e aí ele fala, "Você tá morto".
Ele fecha esse treinamento e sai pra ir no mini mercado, e ele testemunha uma salto e atira num ladrão no homem negro pelas costas.
E aí, o dono do mini mercado, o cara tá estrabuchando, o cara tá morto, esse ladrão.
O dono do mini mercado fala, usando a N-O-O-R, esse é o pinto que me assalta em um mês.
Ele pega uma barra de perro e fica batendo no cara que já está morto.
Tem um excesso de violência aí, que me lembra muito esse cidadão de bem, que apoie uma violência institucionalizada, que é sempre uma violência excessiva,
e que não tem nenhuma efetividade.
Que se esconde atrás de um pragmatismo de faixada, desse jeito, se obermos de uma viola para a polícia, mais autorização para a polícia matar,
vai melhorar a sociedade, não melhorar aí, aí tem uma coisa, outra cena mesmo, uma opção de uma opção de assassinato,
que tá embotida nesse discurso, isso ganha muito vótica, isso é assustador.
Então, pra mim, essa é a cena do filme de terror, o cara negro tomou um tiro pelas costas, já está morto e continua tomando barra de ferro na cabeça.
Me lembra um pouco aquela entrevista famosa da Clarice, né, Patrick, que ela fala das balas, você já viu isso?
- Tem, do Milherinho. - É, que são essas balas, o cara já está morto e continua tirando, que é pra quem é dirigida essa violência.
Então, se você lembra esse cara do mercado, o dono do mercado, ele tá com uma camiseta, não vou lembrar agora exatamente os dizeres,
mas eu lembro que eu reparei bem que ele tá com uma camiseta que tem uma palavra qualquer lá, escrita com a bandeira americana.
Ele é uma espécie de patriota, é um símbolo de um patriota americano atrás do mercadinho ali, que é esse cara, que é o branco.
- O dono do mercadinho? - É, o dono do mercadinho ele fala espanhol, o atendente, o que é só pra laçar.
- Eu me lembro que o dono do mercadinho tá com uma camiseta, até posso até ficar aqui, mas ele é de origem espânica, ele é latino.
- Mas isso, mas isso não gemelo em nada o que o Gustavo tá falando, a gente sabe que ele tem o Marco Rubio, por exemplo.
- Exatamente, mas o que eu acho aqui, eu acho que tem um posicionamento ali, eu vejo que, acho que na cena das armas, nessa cena que o Patrick tá falando,
eu acho que ele tá mostrando muito essa sociedade americana, que cultua essa violência de muitas formas, aquele cara que leva as armas pra ele numa mala e fica mostrando,
e fica falando, e tal, aquilo ali, ele não tá colocando no aspiracional, eu acho que esse é a chave que o Patrick falou, né, de. Não é o Travis, não é aspiracional, eu acho muito difícil alguém que veja esse filme e queira ser aquele cara sozinho dormindo naquele apartamento podre.
Comendo aquela comida que não conversa com ninguém, que não tem vida, que não consegue ter uma namorada e tal,
é esse maluco que vai comprar arma junto com o cara que tá vendendo droga ali, e que fica, é quase como uma transferência, a relação daquele cara, deixa de ser com pessoas e passa a ser com armas, né.
Ele fica, ele fica, eu acho que. Eu não vejo aquilo como uma coisa aspiracional de ter armas, pelo menos eu, eu não consigo ver como uma coisa propaganda de revolver.
Por causa disso, eu acho que. Eu acho que no. no. no. no taxi driver, tem um vejo bastante crítico também, mas eu preciso concordar com a marina e até uma coisa que eu falei que contrai a estudo que eu disse, né.
E esse filme, pra mim, é X, ele é X, por causa da. ele, a gente pra lembrar a nossa conversa sobre laranja mecânica, ele retrata, a boa e velha é outra violência, né, que é como Alex fala da violência extrema no laranja mecânica,
mas mesmo que seja em chave crítica, tem muita pulsão nos espectadores pra se identificar em com esse maluco.
E isso aqui é triste enquanto o fenômeno social, né, certamente o cara aqui fez o atentado com Reagan, não foi o único que se identificou com Travis Bicol.
E talvez essa leitura que a gente tá propondo aqui não tenha chegado nem na metade do público, porque é um público que é treinado pra se identificar com o narrador protagonista,
ou com o protagonista das obras, porque em geral o protagonista é o herói, é assim que funciona na gramática do cinema.
Antes de ver o filme, você já tá identificado com o cara, e a de vez não dá pra perceber muito bem que é um anti-herói, que é alguém contra quem o filme foi feito, né.
Então dá pra entender também que ele pode ter um potencial de falar o contrário do que os corsés queria falar, né.
E essa ambiguidade é uma riqueza.
É, inclusive ele foi cobrado a vida inteira, essa discussão perpaça obra dos corsésios.
Eu fui ver pra gente conversar hoje, eu review o filme, logo depois do filme, eu fui ver a série dos corsésios pedaços que fala do Taxi Driver e tal,
nessa série que tem dos corsés, na Apple TV, que é super legal. E ele fala, justamente que várias vezes ele já foi cobrado sobre isso,
assim, sobre se a violência devia ser mostrada assim no cinema ou não.
E ele acha que se for essa violência genuína nesse lugar de uma pulsão terrível, esse lado que é muito humano, mas que é muito terrível e tudo, ele acha que sim, tanto é que ele fez isso muitas vezes em outros filmes.
Mas é essa discussão, ele está mostrando uma coisa que está, que é uma paixão, pra usar um termo, é uma pulsão, é uma coisa muito forte que está ali nas pessoas,
que a arte acaba trazendo, não é só, os corsésios estão em presente em muitas manifestações.
Na própria odisseia, como a gente falou, na ilíada, muitas coisas, mas a maneira como ela vai ser interpretada é aberta, não tem como controlar isso.
Mas eu acho que tem uma coisa sobre a violência, que é algo que, para mim, é sempre um tema, né, que é para essa atenção. E me incomoda, sim, ou tanto que o cinema merece.
e na verdade aí por consequência também o nosso cinema é permissível em relação a
cenas de violência e cenas que podem fazer inclusive falar da violência de uma forma mais
apologética, assim, digamos assim, mas que depois de assistir esse documentário da Rebekah Miller,
que eu gostava, se mencionou, esse documentário para quem assistiu, na Apple TV são cinco
partes, são cinco episódios, que é incrível e é isso, sim, é uma série que consegue
realmente se aprofundar em questões que são muito íntimas até do escorceze, mas que
só para voltando a falar da questão da violência é o seguinte, vendo a série você entende
que aquela violência que ele retrata nos filmes, ela foi muito a realidade do escorceza
quando ela era criança, porque ele morava num bairro em que ele convivia com uma fiosos e ele
conta que tinha. os meninos só brigando na rua, depende de um cadáver ali que alguém
desovou na noite anterior, então quer dizer, aquele mundo que para a gente é tipo uma coisa
por que que fala tanto de violência, no caso do escorceza até eu pouco é isso, eu vejo
hoje de um outro jeito, né? Porque apesar de gostar muito dos filmes dele e gostar assim,
acho que é do meus diretores favoritos, a violência dos filmes dele ainda é meio com a moda,
sabe? O tanto de violência? É, mas tem uma coisa que eu acho que esse excesso de violência
me lembrou do George Stevens, falando do Shane que tem esse título maravilhoso em Português,
George Brutos também, amor, e ele falando dos brutos também, amor, que ele diz, só tem
um tiro no faroeste inteiro, porque um inteiro só tem um tiro, e eu gravei um tiro de canhão,
porque um tiro de uma bala é um excesso de violência, que não barateia a violência, como todos
esses filmes que eu mencionei dos Shadows Brown ou São do Clint, você vulgariza e barateia
a violência, né? E como é que você consegue mostrar a violência da violência? Como
você consegue mostrar a violência como violência? E a minha impressão é que o Escoceza é
um desses que consegue, que não é a Tarantino, não é uma diluição pode moderna da violência,
é mais na salinhagem do George Stevens, então eu acho que isso tem sempre um potencial crítico,
né? Essa frase é muito boa, né? Mostrar a violência como violência, porque é muito fácil
a violência deixar de ser violenta, né? E passar a ser prazerosa, quase, né? Enfim.
E você falou do Tarantino, né? Você sabe que eu tenho pensado muito sobre isso, assim,
como eu, eu sempre admirei o Tarantino, enfim, acho que ele é um cara que filma muito bem,
acho que ele tem diálogos maravilhosos, acho que ele consegue, ele é um cara que ele,
né? Eu acho que ele domina muito, né? Essa, o artesanato do cinema, coisa de fazer
esse cinema e tudo mais, mas, dito isso recentemente, eu comecei a mudar um pouco a minha, a maneira
como eu vejo os Sims dele, sobretudo, por exemplo, a gente reviu outro diocâne de aluguel,
né, eu gostava. Faz tempo, eu gostava muito tempo. É, a gente pode ter que rever de novo,
pensando mais ainda, sobretudo, que tá acontecendo. Mas é um filme que a gente reviu, e pronto
para gostar, assim, eu falei, não, é um filme que, é, esse filme que foi, tá? Pesar
da violência, apesar da violência, é um filme muito bom, tá? E a gente reace, tipo,
assim, gente, que são esses personagens, esse bando de ponsonaristas, esses caras que, tipo,
acho que é normal arrancar a orelha do outro e dão tiro e matam, e saí rindo, entendeu? Então
é isso que você falou, né? É a violência que não tá apresentada como violência, é uma violência
que tá, a favor de outra coisa, né? E sobretudo, aqueles personagens do canju aluguel, a gente
tem que até re-re-assistir para ver se isso procede, mas acho que eu tava num, era uma
época que Bolsonaro tinha sido eleito e tal, então acho que tava também com as emoções,
assim, muito, sei lá, tá muito sensível, pra esse tipo de pessoa, né? Mas eu acho que
isso é um par de gente re-assistir e olhar com os olhos de hoje, um rebertório que a gente
tem hoje. É, eu acho que é uma coisa da pra dizer, eu acho que o Tarantino já datou,
os corséis e não. Mas você acha que todos os filmes, você acha que
algum filme específico, o que que você é? Assim, certamente o canju aluguel datou, eu
tendo a achar que esse pós-modernismo dele já é um artigo de cinema, de cinema não
é? É um artigo de museu, de museu do cinema, ao passo que um filme como taxidriver, ele
podia ter sido feito ontem, é um filme que corrige tropa de elite que foi feito muito depois,
então, ao passo que o Tarantino, ele não tem esse poder de intervenção no presente, ele
não dialoga mais com o presente da mesma maneira que os corséis e dialogam, vários filmes
de arroz, né? Então nesse sentido, ele é velho. Ela é aquela coisinha dos homens
noventa, que a gente gostava dos anos noventa. É, eu acho que eu tenho toda a razão assim,
eu acho que vale a gente rever com olhos de hoje, né? Porque é isso, acho que você falou
isso também, né, Patria? Que eu acho que alguns filmes, algumas obras pode ser livros,
podem ser filmes, assim, eu acho que eles também ajudam a malgamao que o mundo se torna,
do que a sociedade se torna, do que passa a ser aceitável na sociedade, né? E aí pensando
que o tropa de elite teve esse feito na sociedade brasileira, talvez o Tarantino tenha
sido esse feito também no mundo, né? Não sei, é um cara muito popular, ele era assim,
até alguns anos atrás, ele só tinha ele o armodôver, eram os dois ceneças popstar, onde
eles passavam, em canes, inclusive a gente teve a chance de vê-los, acho que 2019, que
estavam os dois no Festival de Cinema de Canes, assim, como se fossem, sei lá, a grande estrela
de cinema, a atriz mais famoso, a torna mais famoso não, eram os dois, eram os ceneças,
mas é celebridade, né? E acho que até por outras razões, o Tarantino não é, mas
esse cara tão cultuado. Eu acho que o que é muito bom também no escorceza, nesse caso, é que
ontem revém do filme, assim, né? Eu assisti pra quem quiser ver, tá na Gabelta, né,
HBO? Tá linda a cópia digital, né? Mas assim, tá incrível, restaurada, tá? O filme faz uma,
o filme cria uma atmosfera cinematográfica pra chegar nessas cenas que a gente tá falando,
que tanto as duas cenas que a gente falou aqui de muita violência, né, do mercadinho
e a cena do massacre final, tão lá pro filme, né? O filme prepara você também de um jeito
pra chegar ali, que eu acho muito forte como linguagem cinematográfica, porque ele cria
uma atmosfera, ele cria uma, pela, pela imagem e pelo som, pelos tempos e pela reiteração,
e tal. Enfim, que eu acho que é incrível como obra de arte, pouco reforçando que você tá
dizendo, Patrick, porque pra além dessas questões, políticas, dessas questões, né, de como
lidar com a violência que são todos muito relevantes e continuam muito atuais, formalmente
é um filme muito forte também, né? Muito, muito bem feito assim.
Cara, é muito bem filmado, é muito bem filmado, é incrível assim.
Esses pelos que você falou, né, Patrick, esse ponto de vista, o ponto de vista ali,
a imagem do olhar, né? O olhar que você vai acompanhar e tudo é muito legal.
Eu queria até falar o nome do fotógrafo que é o Michael Chapman, ele tinha estrabalhado
com o Copola, com o operador de câmera no poderoso chefão, e também no tubarão, e aí
ele virou o fotógrafo, e aí ele fez vários sims depois com os Corses e inclusive o Redding
Boo, que é autorendomável e preto e branco também que tem uma fotografia linda, então,
eu queria só, já que a gente falou tanto da fotografia, quer falar do Michael Chapman,
e o Bernard Herman, que foi o último filme do Bernard Herman, né, ele inclusive morreu quase
aqui trabalhando no filme, né, assim, e não viu o filme pronto, a gente não sabe se ele,
acho que tava já nos finalmente, e tal, mas é isso, tipo, ele foi, ele dormiu e não acordou.
Gente, vamos precisar terminar aqui, nessa conversa que a gente já prometido para o Patrick,
que. Ele tem horário e o papo tá bom, é tudo, mas a gente já conversou bastante.
Eu tenho mais de uma hora aqui de 15 gravadas.
Queria agradecer, Patrick, poxa, a gente podia ficar hora aqui falando.
-Patrick, estou obrigada.
-É, muito, muito legal, vocês conversas com vocês.
Depois, me chamem que a gente continuam.
Se você gosta de me chamar, só não tá falar de filme com personagens fascistas, né?
Mas tá tudo certo.
-Não, vou explorar.
-O próximo, você que escolhe, vamos combinar, Patrick, daqui a vocês, você escolhe o próximo.
-Você falou do Almodova, né?
Almodova, eu tenho revistas, filmos do Almodova.
E é um cara que ensina a gente a amar, né?
-Nossa, todo.
-E falar de amor aqui, eu acho fantástico.
Vamos falar de Almodova, da próxima vez.
-Promedio. -Está bom, combinado.
-Vigadíssima, Patrick. -Valeu, gente.
-Dalei, Papo, beijos.
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Nosso podcast de cinema é uma produção da Mirafilmes e Peri Produções,
a apresentação e direção de Marina Perção e Gustavo Rosa de Moura.
Edição do episódio João Pedro de Aragão.
Produção Sabrina Macedo, assistência de produção e parcerias Leo Tony Costa.
Podcast Summary
Key Points:
O filme *Taxi Driver* é analisado por Patrick Pessoa como um ponto de referência para discutir o fascismo contemporâneo, especialmente em relação ao sucesso do filme *Tropa de Elite*.
Patrick destaca a diferença entre o ponto de vista do protagonista (Travis Bickle) e o do narrador/autor, mostrando que o filme não é fascista, mas que a sociedade o transforma em heroí.
O personagem de Travis Bickle é apresentado como um ser alienado, marcado por solidão, trauma da guerra do Vietnã e uma visão distorcida da realidade, tornando-se um reflexo da alienação social.
A cena de violência no final do filme é crítica e simbólica, revelando como a violência institucionalizada e a glorificação da força violenta são reforçadas pela sociedade e pela cultura de consumo.
O final do filme, com a transformação de Travis em herói, é interpretado como uma ironia social, mostrando como elites e instituições valorizam comportamentos de violência como heroicos.
A obra reflete uma dialética entre realidade e fantasia, onde o espectador é convidado a questionar se o que vê é real ou uma projeção do desejo e da desesperança do protagonista.
A crítica ao filme vai além da narrativa, revelando como a violência é glamorizada, especialmente por meios de consumo e cultura do armamento.
A análise é profundamente atual, com paralelos diretos ao contexto político brasileiro, especialmente ao crescimento do fascismo e da violência institucionalizada no atual momento.
Summary:
O podcast reúne uma análise profunda do filme *Taxi Driver* de Martin Scorsese, com o convidado Patrick Pessoa, professor de filosofia e curador de teatro. A discussão aborda o filme como um reflexo do fascismo contemporâneo, especialmente em relação ao sucesso de *Tropa de Elite* no Brasil, que foi interpretado como um filme fascista. Patrick destaca a diferença entre o ponto de vista do protagonista, Travis Bickle — um homem solitário, alienado e traumatizado pela guerra do Vietnã — e o ponto de vista do autor, que revela a distorção da realidade e a manipulação da narrativa pela sociedade.
O filme é visto como crítica à violência institucionalizada, à glorificação do poder e à alienação social, com o final que transforma o maluco em herói como uma ironia do sistema político. A análise também destaca a ambiguidade do espectador, que pode se identificar com o protagonista, mas que não percebe a crítica que o filme contém. A discussão é atual e relevante, com paralelos diretos ao contexto político brasileiro, onde figuras como o Bolsonaro são associadas à glorificação da violência.
A cena final, com a morte e reabilitação de Travis, é interpretada como um sinal de como a sociedade transforma o caos em heroísmo, refletindo um fenômeno social mais amplo. O filme, embora apresente uma visão distorcida, é considerado uma obra poderosa e crítica, que desafia o espectador a refletir sobre a realidade, o desejo e os limites da identidade.
FAQs
Patrick escolheu o filme porque ele serve como um contraponto ao fascismo moderno, especialmente em relação ao filme "Tropa de Elite", que ele considera fascista. O filme exemplifica como a visão do protagonista difere da visão do autor, revelando como a sociedade pode glorificar um indivíduo distorcido.
O filme mostra como a sociedade pode transformar um personagem isolado e perturbado em um herói, como o que acontece com Travis Bickle. Isso revela como ideias fascistas podem ser amplificadas por um público que identifica com a figura do maluco, mesmo que ele seja um anti-herói.
Patrick acredita que o final é realista dentro do universo do filme, embora possa ser interpretado como um sonho. A cena em que Travis se vê com a Betsy é uma crítica à forma como a sociedade transforma um maluco em herói, refletindo o processo de idealização do fascismo.
A visão de Travis é distorcida e alucinatória, marcada por montagens visuais e músicas que criam uma atmosfera de desordem. Isso revela sua alienação social, mostrando que ele não entende os códigos sociais da cidade, o que o torna um estranho na própria sociedade.
O filme mostra como a violência é normalizada e justificada, como no mercado de remédios onde o dono do estabelecimento mata um ladrão com uma barra de ferro. Isso é uma crítica à violência institucionalizada e ao uso de violência como solução para problemas sociais.
Travis é descrito como um homem solitário, alienado e perturbado, que tenta se conectar com o mundo mas fracassa. Sua ausência de heróis sociais e sua experiência de isolamento o tornam uma figura de crítica, não de admiração, mostrando a alienação do indivíduo na sociedade moderna.
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