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Também na guerra econômica Trump fica sem munição

49m 22s

Também na guerra econômica Trump fica sem munição

O programa aborda tensões políticas e econômicas no Brasil e nos EUA. Nos EUA, Trump promete sanções radicais contra o Irã e tarifas contra o Canadá, mas enfrenta limites fiscais e políticos, com alta impopularidade e impacto negativo nas eleições de meio de mandato. A economia doméstica, marcada por juros altos e custo de vida elevado, é um fator crítico. No Brasil, o STF, por meio de Flávio Dino, restringe emendas parlamentares, enquanto o Executivo, com Lula, tenta aprovar pautas como o fim da escala 6x1, em aliança com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Há uma cisão no STF sobre investigações que afetam a eleição, com decisões politizadas. Lula tem avaliação positiva de 33%, mas análises indicam que ainda é favorito, apesar do descontentamento econômico e do endividamento das famílias. A campanha eleitoral será decidida nos últimos dias, com foco em narrativas econômicas e na capacidade de conectar com eleitores estagnados. A oposição aposta no custo de vida, enquanto o governo tenta vender medidas pontuais para melhorar a percepção. A eleição é vista como imprevisível, com impacto potencial de 1 a 2 pontos percentuais na decisão final.

Transcription

7589 Words, 43871 Characters

Portuguese
Speaker 1O governo americano anunciou que vai tentar contra o Irã, que é um tradicional inimigo, a mais radical guerra econômica que o mundo já viu. E vai tentar contra o Canadá, que é tradicional amigo, um dos mais duros regimes de tarifas que o mundo já viu. O mundo já viu também Trump anunciar as maiores barbaridades e nem começá-las, sobretudo no âmbito militar, graças a Deus. No econômico, a dúvida em levar Trump a sério vem de outra constatação. Mesmo que ele, o presidente americano, queira partir para a guerra total comercial com um amigo e a guerra total econômica contra um inimigo, ele tem condições de fazer isso? O que se espalha dentro e fora dos Estados Unidos é a percepção de que o Sinai, vindos da economia real, são desfavoráveis. Os números que mexem com o eleitorado americano são preço do combustível e preço do financiamento da casa própria. Ambos estão no alto e a ameaça de guerra econômica total com o Irã e a guerra econômica total com o Canadá promete que vai mantê-los ali. Essa guerra comercial, particularmente com o Canadá, afeta vários Estados americanos justamente antes das eleições de meio termo em novembro. E mais. O secretário do Tesouro americano está tentando influenciar o mercado de longo prazo dos Treasury Bonds, os títulos de dívida emitidos pelo governo dos Estados Unidos. Eles demonstram grande preocupação dos investidores com juros altos a longo prazo, resultado direto de enorme gastança do governo e dívida monstruosa. Em palavras bem simples, o problema para Trump nas ameaças militares e nas ameaças econômicas é o mesmo. No lado bélico, está faltando munição. No lado econômico, está faltando munição fiscal. Somados os dois, está faltando credibilidade. No WW de hoje, vamos falar também das ofensivas de executivo e judiciário sobre o legislativo e como isso evidentemente mexe ou não com as eleições. Antes aos participantes da roda, conosco aqui na bancada, Christopher Garman, diretor executivo para as Américas do Grupo Eurásia. Nossos parceiros de conteúdo no site do WW, Chris, obrigado por estar conosco, boa noite. Boa noite. Prazer estar aqui. Jussara Soares, boa noite em Brasília, Thaís Herédia e Caio Junqueira aqui em São Paulo também, boa noite. Há poucas semanas das eleições, o Governo Supremo e o Tribunal Federal miram as armas contra o Congresso. O STF, na figura de Flávio Dino, fecha ainda mais o cerco contra emendas parlamentares, enquanto o Planalto tenta forçar o avanço de pautas que sugerem forte apelo eleitoral. E o STF, na figura de Flávio Dino, fecha ainda mais o cerco contra emendas parlamentares, enquanto o Planalto tenta forçar o avanço de pautas que sugerem forte apelo eleitoral. Confira.
Speaker 2O ministro determinou a nulidade de emendas indicadas por presidentes de partidos e ex-parlamentares sem mandato. Qualquer descumprimento da decisão será responsabilizado, determinou Dino. Ainda na decisão, o magistrado afirmou que a indicação de recursos por parte desse grupo não deve servir de fundamento para a prática de atos administrativos destinados à execução da despesa pública. Dino tinha cobrado ainda a manifestação dos partidos Solidariedade e Podemos sobre o tema. Nesta segunda-feira, ambos negaram a participação de dirigentes na definição sobre os pagamentos. O ministro já vinha fechando o cerco contra presidentes de partidos políticos desde julho, quando determinou o bloqueio de bens de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, e do ex-deputado Eduardo Cunha, pela indicação de emendas parlamentares, desde julho, quando determinou o bloqueio de bens de Valdemar da Costa Neto, presidente do PL, e do ex-deputado Eduardo Cunha, pela indicação de emendas parlamentares, desde julho, quando determinou o bloqueio de bens parlamentares, mesmo sem ocuparem cargos no Congresso. O PL também negou interferências e afirmou que apontamentos de Valdemar seriam somente sugestões. O Republicanos, de Eduardo Cunha, disse que a destinação do orçamento cabe somente aos membros do poder legislativo. O Congresso também lida com pressões vindas dos principais candidatos à presidência sobre pautas importantes, como o fim da escala 6x1. O presidente Lula voltou a defender a aprovação. "Tem gente que joga contra os interesses dos trabalhadores e trabalhadoras do Brasil, mas o governo está mobilizado para a aprovação do fim da escala 6x1", disse o petista. O governo tem aproveitado certa vantagem nessa pauta, já que conseguiu liberar o andamento da proposta no Senado após semanas de negociação. O relator da proposta no Senado, Omar Aziz, disse que o texto será aprovado com margem ampla na Comissão. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, quer pressa nas votações sobre o assunto. Por outro lado, Flávio Bolsonaro e aliados se movimentam para frear o avanço da medida em período eleitoral. A ideia seria apresentar emendas ou pedidos de vista na CCJ para retardar o andamento do projeto.
Speaker 1"O que o contexto político brasileiro hoje nos traz é uma interminável guerra contra os poderes, até aí, estamos até, todo mundo sabe, ninguém nega essa realidade. Porém, o pano de fundo das eleições parece ter dado ao Supremo e ao Executivo um sentido de aliança mais forte contra o Congresso?"
Speaker 3"Em parte, evidentemente isso está sendo representado mais pela figura do ministro Flávio Dino. Ele está fazendo uma investigação contra emendas parlamentares, como a reportagem acabou de colocar. Já faz muito tempo que ele está cercando o circo ao redor dessas emendas, criando uma base jurídica e a expectativa, que se comenta muito em Brasília e vocês têm reportado aqui, é que se o presidente Lula vier a prevalecer nessa disputa, talvez poderemos ter uma ação mais incisiva do Supremo em regulamentar e restringir o uso dessas emendas parlamentares." "E dentro do Congresso, até pela indicação do Flávio Dino e a proximidade do presidente Lula, enxergam como uma tentativa de enfraquecer o Congresso e também a dificuldade de governar com o poderio do Congresso sobre o orçamento. Então acho que essa é uma briga que está por vir e vai ser muito importante para 2027. Ao mesmo tempo, nós temos todas as investigações contra a fake news que foram colocadas, que acabou prejudicando mais as candidaturas da direita, o ex-presidente Jair Bolsonaro, mas isso tem menos a ver com a investigação de emendas e de governabilidade, mas com o fato que o Supremo estava reagindo ao que eles enxergaram com o ataque à instituição deles. Então acho que tem duas coisas um pouco distintas, mas fica um pouco juntas essas duas e cria de fato essa percepção, e eu acho que isso vai, esse acerto de contas, virá no pós eleição. E muito vai depender, é claro, quem ganhar a presidência da República desse contexto mais amplo com o Judiciário.
Speaker 1Como é que vai indo o empenho do Executivo em conseguir o que interessa para a reeleição do Lula junto ao Columbre, Jussara?
Speaker 4Olha, pelo que a gente observou nas últimas semanas, e a gente acompanha aqui, o empenho é máximo, né, William, até porque o presidente Lula conseguiu essa reaproximação com Davi Alcolumbre, e o que a gente apura nos bastidores é que as tratativas vão diminuir. Elas vão de vento e popa, contento para os dois, ou seja, é um jogo de ganha-ganha. O presidente Lula apresentou as suas pautas, as suas demandas, e Davi Alcolumbre chegou junto, como dizem também nos bastidores, na hora de fazer as entregas e cumprir as promessas. A principal delas é fazer andar esses projetos que são importantes para o governo, como principalmente o fim da escala seis por um, e o que me dizem é o seguinte: por mais que não se sabe se vai avançar, vai ter alguma aprovação no meio da eleição, só o fato de ser pautado, ter relator, o relator escolhido aliado do presidente, aliado de Davi Alcolumbre, tudo isso mostra como, qual é a intenção e até onde isso pode gerar frutos positivos para os dois lados. Então, a grande questão aqui não é se de fato vai aprovar, claro que para o governo seria ótimo se aprovasse o fim da escala seis por um, mas só de colocar na pauta e colocar na agenda do dia, no debate da população. Isso para o governo já é um ganho e tanto, e é isso que eles vão explorar. Então, neste momento, só na próxima semana do esforço concentrado, que começa dia 31 de agosto, ter esse debate, a CCJ, a Comissão de Constituição e Justiça discutindo isso, claro, para o governo eles vão tirar proveito dessa situação. Então, alinhamento total neste momento e claro, com uma previsão inclusive de uma nova reunião entre o presidente Lula, Davi Alcolumbre e agora com a participação de Hugo Motta e também sobre as prioridades do governo.
Speaker 1Bom, querer uma coisa e consegui-la são coisas bem diferentes. A oposição diz que vai tentar travar pelo menos a tramitação até mesmo na CCJ. Que possibilidades, o que vai acontecer nesse cronograma?
Speaker 5Bom, William, primeiro que o simples fato de pautar, você já traz o assunto de volta. E o assunto tem um potencial eleitoral alto, ainda que não seja aprovado antes do primeiro turno. Hoje eu conversei com o senador Omar Aziz, ele quer entregar o relatório até o final da semana e apresentar na CCJ. Na semana que vem para já votar. O Alto Alencar também, que é o presidente da CCJ, está nessa toada. Então, para o governo, o assunto voltar à tona... é tão importante quanto aprová-lo. Você não precisa necessariamente aprová-lo antes do primeiro turno, você precisa pautar. E as pessoas saberem que o Lula defende essa pauta e a oposição não defende essa pauta. É isso que interessa. Esse é o jogo e isso que o Davi Alcolumbre entregou para o presidente Lula. Agora, a tentativa da oposição vai ser tentar postergar ao máximo, conseguir convencer o Davi Alcolumbre a, pelo menos, deixar o assunto, que seja o segundo turno da PEC, para depois das eleições, porque se a oposição ganha, de fato, eles conseguem parar essa pauta. Agora, se o Lula ganhar, já é dado como certo que vai ter algum tipo de aprovação.
Speaker 1Thaís, o mundo da economia reage com certa preocupação com essa terminação.
Speaker 6Reage, William. O tempo do debate deu. Ao setor privado, o tempo também de se organizar de alguma forma. O impacto vai ser inevitável. No varejo, por exemplo, há tantas outras opções. Tem grandes redes de varejo que já passaram a adotar a escala de 5 por 2, por exemplo, se antecipando a isso. O choque de custos vai ser inevitável. Agora, entenderam também que não adianta eles terem esse papel de fazer o alarde, de suar, tocar o sinal e dizer, "olha, vai dar errado, pode aumentar o desemprego, vai aumentar a inflação, o custo vai aumentar e tal", porque a materialidade disso é muito abstrata contra o discurso político envolvendo essa proposta. Então, acho que a gente vai perceber, mesmo com esse tema voltando na semana que vem, nós não vamos ter a mesma rodada de reações que a gente teve quando estava na Câmara, quando aprovou pela primeira vez na Câmara. A minha impressão é de que já... alguma resiliência ali de entender que a gente não tem como ir contra isso e ficar avisando que de ruim vai acontecer também não nos ajuda. Sensibilizar o Congresso falando isso, já viram que não vão conseguir.
Speaker 1Que peso, no fundo, na campanha eleitoral se atribui, na perspectiva de vocês, Cris, a essa pauta específica?
Speaker 3Eu acho que uma proposta, no conjunto de medidas que o governo tem adotado, para tentar mirar uma classe média que o governo e o PT estão com dificuldade de poder seduzir. O PT e o presidente Lula estão indo muito bem com o segundo eleitorado que recebe transferência do governo, que é uns 25 a 28% da população, mas os que ganham entre 3 a 6 salários mínimos, aí é que essa classe média que está lidando com o endividamento das famílias, que está lidando com o custo de vida mais elevado, então veja que todos os programas do governo, estão tentando mirar esse segmento: isenção de imposto de renda, renegociação da dívida, pé de meia e a promessa de redução da jornada também entra nesse bolo. Assim, eu não acho que vai ser decisivo, mas eu diria que o que vai fazer na campanha, pelo menos conversando com a campanha do PT, eles vão tentar fazer um argumento que, mesmo que o eleitorado está se sentindo estagnado e com dificuldades, estamos adotando medidas pontuais para tentar atacar as suas dificuldades e isso faz parte de um conjunto de medidas que vão tentar vender o peixe ao longo da campanha e se essa narrativa consegue reduzir um pouquinho o pessimismo e ganhar um, dois pontos percentuais, é isso que faz a diferença na campanha.
Speaker 5Como é uma eleição muito disputada, 1%, 2%, 3%, qualquer medida pode ser decisiva, qualquer medida é um ponto favorável para tentar conseguir o governo prevalecer. Essa é uma delas. Se a gente conseguir 500 mil votos, 100 mil votos, qualquer somatório ajuda. E essa pauta entra nesse sentido, porque ela estava morta, ela não entrou na campanha ainda, ela parou lá atrás. Aí, conforme foi tendo ali a articulação do Davi Alcolumbre se reaproximar com a ajuda do Alexandre de Moraes e do presidente Lula, isso foi voltando e voltou com força total e a semana que vem vai ser apresentada. Retomando, algo que estava dado como carta fora do baralho.
Speaker 3É interessante também, Caio, que você tem acompanhado muito bem, mas voltar a pauta também é uma posição, é um equilíbrio tênue do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Ele sabe que vai ter um Senado possivelmente mais conservador, então ele tem que, em algumas instâncias, dar uma pauta mais para a direita e a oposição ao governo, mas ele também sabe que a única chance de ele ser presidente do Senado é a ajuda do presidente Lula e em um Senado onde ele prevaleça. Então, ele está tentando atender as duas bases. De um lado, se aproximar do Lula, mas alguns meses atrás estava endurecendo contra o Passo Panalto, porque ele tem uma base conservadora de senadores de um lado e ele precisa da ajuda do presidente do outro. Então, colocar na pauta mesmo, não votar no plenário, que acho que é mais provável que ocorra antes das eleições, talvez saia do CCJ, é maneira de você ter esse equilíbrio tênue.
Speaker 5Ele precisa atender a oposição também, porque a oposição pode ganhar. A pesquisa de hoje está empatada de novo, o Datafolha é empatado de novo. Se ele aprova a ajuda do Lula, mas o Flávio ganha, aí ele está lascado, ele não consegue se eleger. Acho que esse vai ser o caminho, né? Toca na CCJ e deixa o resto para depois da eleição.
Speaker 1Há um outro ponto, que são as investigações, Jussara. A gente vê uma cisânia, eu acho, inédita dentro do STF em relação à condução das investigações e, mais ainda, em relação a quem consegue controlar a Polícia Federal. Essa cisânia produziu um racha que parece insanável e, em função das investigações, em que pé está agora?
Speaker 4Como você disse, William, insanáveis. Hoje eu fui tentar colher a temperatura no Supremo Tribunal Federal. De qual a possibilidade, pelo menos de alguma conversa, esse ambiente desintencionar ainda durante a eleição? E ninguém me diz que isso é possível diante de tudo que a gente tem visto. Hoje, o novo episódio foi justamente uma decisão do ministro Flávio Dino, que autorizou o compartilhamento de provas da Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora do filme "Dark Horse" com a Polícia Federal. E isso é mais um ponto de cisão, de cisânia, dentro do Supremo Tribunal Federal. Porque a gente tem dois ministros que estão com casos, inquéritos importantes. O ministro André Mendonça, só para a gente lembrar, ele está com dois inquéritos sobre o "Lulinha" e o inquérito do "Dark Horse", que mira ali também aquele áudio que Flávio Bolsonaro pedia dinheiro a Daniel Vorcaro. Já Flávio Dino tem um inquérito que investiga a destinação de emendas parlamentares para o filme "Dark Horse". E é nesse inquérito que ele deu essa decisão de compartilhamento de provas e também tem um inquérito sobre o "Lulinha". O que a gente tem é que a gente vai ver esses dois ministros, até o fim das eleições, com as suas decisões sendo politizadas e a todo momento uma suspeita de um lado ou de outro. Essa decisão do Dino é para beneficiar Lula, essa decisão de Mendonça pode ser para beneficiar Flávio. Esse é o clima neste momento, total, uma eleição dentro do Supremo Tribunal Federal e o Supremo Tribunal Federal totalmente dentro da eleição.
Speaker 1Jussara, eu vou só parar um pouquinho aqui a nossa... do segmento, a gente retorna depois do intervalo com esse mesmo assunto. Até já, pessoal. Voltando do intervalo, retomando a nossa conversa que parou ali na última intervenção da Jussara sobre os golpes e contragolpes de ministros contra ministros em função de investigação. Nós vimos uma série de elementos publicados a respeito da investigação contra o "Lulinha", extraordinariamente destrutivos do ponto de vista da campanha de Lula. Agora nós temos Dino permitindo que a Polícia Federal compartilhe dados de uma investigação já feita aqui pela Polícia Civil de São Paulo sobre a destinação de emendas que foram parar no "Dark Horse". Qual é o peso disso?
Speaker 5Bom, primeiro tem dois inquéritos sobre o "Dark Horse". Um com o Flávio Dino para apurar a destinação de emendas e outro com o André Mendonça para apurar o financiamento do filme em si. A percepção dos petistas, e essa foi a manobra política, era de que o André Mendonça não estava tocando esse processo. E aí que entra o Flávio Dino puxando ali, autorizando o compartilhamento de provas da investigação que está na vara aqui em São Paulo com a Polícia Federal. Então, sim, tem uma expectativa de que... de que esse processo do "Dark Horse" passe a andar com maior velocidade. Lembrando que é um inquérito que tem um mês, assim. O inquérito do Lulinha é mais antigo, né? Ele é desde o ano passado. O inquérito do "Dark Horse" foi instaurado, acho que 20 de julho, 22 de julho. E o que a gente tem de informação é que ele travou não no Supremo. Ele travou na Polícia Federal. Agora o Dino entra para tentar empurrar um pouco esse processo e equilibrar. Agora me chamou a atenção muito o Datafolha de Sexto, William, porque a pesquisa, ela não mostrou uma queda... vamos dizer assim, do Lula. Ela ficou estável, o cenário. Quatro pontos de diferença dentro da margem de erro, empate técnico. A pesquisa foi colhida durante a semana e não mostrou um prejuízo. Se a gente olha a pesquisa de hoje do BTG, sim, porque ali já tem um empate maior. Então, os números, eles não mostraram, pelo menos a campanha do PT, eu acho que é um estrago muito grande que eles imaginaram que teria feito.
Speaker 1Ótima deixa, Caio. Não tinha sido combinado. A gente tem um quadro preparado por, está aqui o Chris Garman, que é nosso parceiro de conteúdo. Tem um quadro preparado pela Arco, que também é nossa parceira de conteúdo aqui no WW, que permite que a gente veja essa questão da reeleição do Lula da seguinte maneira. Vou mostrar o quadro para a audiência e para vocês e pedir que vocês avaliem. O presidente tem a segunda pior avaliação positiva entre os presidentes que já disputaram a reeleição depois da redemocratização. Esse levantamento, é o que eu me referia, que a Arco traz, é baseado em pesquisas publicadas, particularmente o Datafolha do mês de agosto, desde 1998, quando foi permitido ao presidente em exercício buscar o segundo mandato. Confira.
Speaker 2Em 1998, Fernando Henrique Cardoso buscava a reeleição com 39% de ótimo bom, 40% regular e 18% avaliavam sua administração como ruim e péssima. Em 2006, em agosto, a gestão Lula era considerada ótima, boa, por 52% dos eleitores, 31% de avaliação regular e 16% consideravam o governo petista ruim e péssimo. Buscando o segundo mandato, Dilma tinha avaliação ótima, boa, de 38% em agosto de 2014, regular também 38%, 23% dos eleitores a consideravam ruim e péssima. Em 2022, o governo Bolsonaro... Bolsonaro marcava 24% de ótimo bom, a mesma porcentagem dos eleitores o consideravam regular. 51% avaliavam Bolsonaro como ruim, péssimo. Foi o único presidente que não se reelegeu. De volta ao Planalto, Lula busca o quarto mandato com avaliação ótima, boa, de 33% agora em agosto, regular 26% e ruim, péssima, de 41%.
Speaker 1Por isso, vocês têm uma enorme expertise. Em se debruçar sobre mastigar, vocês são number crunchers, como se diz em americano. O que esses números estão te dizendo?
Speaker 3Olha, é interessante, William, se você me permitir, tem um pouco de debate entre a comunidade de analistas políticos que olham a relação entre aprovação e chances de reeleição. E aí tem duas filosofias. O que nós, na Eurásia, fazemos é a gente pega a aprovação, a medida de aprovação, de aprova e desaprova, que é uma pergunta binária, e usamos um banco de dados de mais de 500 eleições no mundo inteiro, porque a maioria dos países não mensuram a aprovação usando ótimo, bom, regular, ruim, péssimo. Então, o que a gente gosta de fazer é pegar um banco de dados maior, de 500 eleições, com métricas comparáveis. Então, a gente prefere usar essa métrica porque o ótimo, bom, regular, ruim, péssimo mensura as pessoas que não têm aprovação. As preferências duras, os que realmente rejeitam o governo, que realmente gostam do governo, mas é cega sobre quem responde regular. Quando você faz o aprova-desaprova, você força o regular a revelar as suas preferências. Então, eu diria, meteorologicamente, tem um debate. O que é melhor? Comparar ótimo, bom, regular, ruim, péssimo em eleições brasileiras com um número de eleições menor? Ou é melhor você fazer o aprova-desaprova? Então, eu diria que quando a gente pega a métrica de aprova-desaprova, um índice de aprovação de 45, o presidente Lula está com 46, o governante ganha 75% das vezes. Mas, aí você diz, ok, mas será que isso é aplicável ao Brasil? Aí a gente também fez esse exercício no Brasil. E a gente pegou ótimo, regular, ruim, péssimo nas 140 eleições, incluindo eleições estaduais, e a gente vê o índice de reeleição com um ótimo, bom, de 33%, que é o que o Lula tem hoje no datafolha. Nesse banco de dados, o governante ganha 55% das vezes. Mas, a média das pesquisas está dando hoje um ótimo, bom, de 35%. E um 35% dá um índice de reeleição de 65%. Então, a conclusão que eu chego é: mesmo se você usa uma métrica de aprova-desaprova, consistente com eleição, e mesmo se você olha ótimo, bom, regular, ruim, péssimo nas eleições no Brasil desde 2006, também aponta para a vitória do incumbente. É uma trave, né? É assim, é só para dizer que, se você usa o indicador aprovação, você deveria concluir que o Lula é favorito. A dificuldade dessa eleição é que outra metodologia, você olha quais são as preocupações do eleitor, e, geralmente, o candidato crivo na grande preocupação ganha. E nessa métrica, nesse modelo, o Lula vai mal. E aí aponta a vitória à oposição. Então, só, tem um, só para, eu dei muitos detalhes aqui, mas,
Speaker 1esse debate... A análise política é feita quando se mexe com números. Agora, o que você sugeriu agora, e a Thaís imediatamente queria entrar aqui, a câmera estava fechada em você, a Thaís estava dizendo: é isso, é isso, é isso, o que é isso que ela está falando? Passo a palavra para você, Thaís. É o seguinte: ok, estatísticas de um lado, de outro, a subjetividade e o emocional das eleições, Thaís.
Speaker 6Não, e uma subjetividade muito focada na questão econômica, que a gente tem dito aqui, que hoje a gente pode até estar debatendo mais casos de corrupção. Mas, sabemos que a economia vai ter um papel importante, e as pesquisas estão revelando também um grande paradoxo de um olhar, uma análise, uma avaliação do eleitor, de que o país está indo muito mal, mas de que ele, pessoalmente, está indo bem. E aí, a subjetividade está entre qual o equilíbrio que o eleitor vai levar para a urna eletrônica, entre o que ele espera para o país e o que ele espera para si mesmo. Né? Então, é um pouco de antropologia, psiquiatria, tudo junto, sociologia, tudo junto. Mas, ainda assim, eu acho que hoje esse paradoxo, ele já existiu em outros momentos, especialmente em momentos... 2014, por exemplo, tinha uma preocupação muito grande, porque o eleitor via a imprensa falar o tempo inteiro que a crise ia estourar, mas ela não chegava, e o desemprego era o menor possível, a taxa de juros estava sendo reduzida à força no governo Dilma, os preços estavam todos controlados, né, existia uma transparência muito, aliás, não existia transparência nenhuma sobre a condução da política econômica. Hoje, os dados estão todos aí e a gente continua fazendo o alarde de que uma crise vai acontecer, mas a materialidade dela é muito difícil. Então, a minha grande dúvida, em cima dessas referências e metodologias de cálculo sobre o ótimo e o bom, o regular vai dar mais peso para a situação dele ou para a situação do país? O que ele espera para ele ou o que ele espera para o país? Essa é a minha dúvida.
Speaker 1Você quer falar, senão eu vou passar a palavra para o Jussara.
Speaker 3Eu só diria que nem precisa chegar no ponto de a expectativa de uma crise futura. De acordo com a General Quest, 69% dos eleitores disseram que eles perderam o poder de compra nesse último ano. Então, as famílias da classe C estão sendo estagnadas, seja por causa de endividamento ou custo de vida.
Speaker 1E eles são decisivos, em boa medida, Jussara?
Speaker 4Eu estava escutando a Thais falar e a campanha, principalmente de Flávio Bolsonaro, aposta muito nessa questão da economia, endividamento das famílias, o poder de compra para atacar a campanha de reeleição do presidente Lula. E tem um motivo específico. Primeiro que eles estão tentando traduzir tudo isso no bolso do consumidor, com o Flávio indo para frente das Casas Bahia, com o Flávio indo para supermercado, essa é a ideia deles, mas até por outro momento. Então, o Flávio é uma das pessoas que está no campo da economia, e o Flávio é o primeiro a estar no campo da economia, porque sabe que quando vai para o campo dos inquéritos, o Flávio também tem questões a explicar não explicadas ainda. Não tem os dados ainda sobre o financiamento do filme "Dark Horse" pelo Banco Master. Tudo isso faz o Flávio também não entrar com tanto o pé na porta nessa questão. Então, a ideia da campanha é justamente trazer para o campo da economia. Claro, a campanha do presidente Lula sabe que isso é difícil e aí, voltando à questão da escala, o fim da escala seis por um, o que me diz integrantes do PT é que eles estão desesperados por uma boa notícia e é nesse sentido que essas tratativas, essa reaproximação com Davi Alcolumbre dá essa possibilidade de girar um pouco essa pauta que está muito concentrada em Lulinha, no ex-chefe de gabinete do Lula, do Marcola, então a ideia é tentar trazer uma pauta positiva. Achar algo que dê um respiro para o presidente Lula.
Speaker 6Ouvindo a Jussara e o ponto que o Christopher traz, a questão do endividamento, o desenrolador já foi, já era, já não vai fazer mais efeito nenhum, o governo também não vai poder lançar mão de um novo desenrola até as eleições e esse é um ponto que vai pegar muito. A gente já tratou aqui da expectativa de piora da questão do crédito e do endividamento das famílias. Então, a percepção de que o patamar de presos não caiu, pelo contrário, ele só aumentou. As dívidas, consumindo mais o orçamento, em dois meses faz uma diferença enorme. É 15% de juros ao mês para a dívida mais cara do país hoje.
Speaker 1Caio, nós vamos começar a ver a campanha na televisão e no rádio agora, imediatamente agora, em poucas horas. Você tem observado alguma diretriz especial quanto ao que tipo de artilharia que cada um vai usar?
Speaker 5William, a gente ouve muito que a campanha do PT, o Palácio Planalto, o presidente Lula tem arsenal contra o Flávio, mas para ser solto no segundo turno, porque prefere que vá um candidato como ele do que um Ronaldo Caiado da vida, alguém com esse perfil. Dizem que tem vídeo, né? Esses vídeos dele, enfim. Agora, a diretriz do presidente Lula é vender futuro. A campanha do Lula, ele não quer fazer a campanha ufanista, Brasil Grande. Por exemplo, como foi a de 2006, porque ela lê os números e os números mostram isso aí. A vida está pior, está mais cara, está todo mundo endividado. Eles reconhecem essa realidade e querem vender futuro, né? Entre aspas. E a do Flávio, como a Jussara falou, apostar também justamente no custo de vida. Eu acredito que é uma campanha que vai ser definida na última semana. Quem estiver chutando, falando quem vai ganhar, está chutando ou está mentindo. É a última semana. Os últimos dez dias que vão definir essa eleição.
Speaker 3Para a gente encerrar, você também vê assim? Eu até diria que a campanha que mais eficazmente lida com essa sensação de estagnação é que vai se sobressair. Eu acho que no lado de corrupção, os dois vão ser vistos como corruptos, vai ser um mar de lama, nenhum se diferente do outro. Mas eu acho que é como que você conecta com o eleitor que está se sentindo estagnado. Para mim, é isso que eu estou mais de olho nas duas campanhas.
Speaker 5Tem um sentimento? A gente tem captado isso nas conversas, Thais, William, você certamente desse mau humor, mal-estar econômico, que ele parece que...
Speaker 1Eu acho que está distribuído nos vários níveis.
Speaker 5E ele não estava tão presente há dois meses, há três meses, mas de orelha a gente tem ouvido de 15 dias para cá, aqui em São Paulo principalmente, esse incômodo muito arraigado, principalmente dos agentes econômicos. Mas eu não estou falando muito sobre isso. Mas eu não estou falando muito sobre isso. Mas eu não estou falando muito sobre isso. Mas eu não estou falando muito sobre isso. Mas eu não estou falando muito sobre isso. Mas eu não estou falando muito sobre isso. Mas eu não estou falando muito sobre isso. Mas eu não estou falando muito sobre isso. Mas eu não estou falando muito sobre isso. Mas eu não estou falando de mercado, eu estou falando das pessoas. E a minha dúvida...
Speaker 1Essa é a tua observação e eu queria endossar, Caio. Nós não estamos falando de operadores de mesa, investidores no mercado de capitais. Nós estamos falando de segmentos de economia relevantes. Nós estamos falando da agroindústria, estamos falando da indústria de máquinas, nós estamos falando do setor financeiro, mas não o setor financeiro dedicado a ganhar dinheiro nos mercados, mas o setor financeiro que realmente opera varejo.
Speaker 5Agora, eu tenho algumas dúvidas. Primeiro. Se é, de fato, uma crise econômica crescente. Segundo. Se essa crise econômica tem potencial de crescer daqui para outubro a ponto de impactar no humor do eleitor e fazer ele votar na oposição. E terceiro. Se não se trata de terrorismo eleitoral, porque a gente sabe que os agentes econômicos, o setor produtivo, historicamente, são contrários ao petismo e estão vendo a pesquisa com o Lula com favoritismo moderado.
Speaker 1Pessoal, eu estou encerrando esse segmento. Queria me despedir.
Speaker 6Faltou umas 30 coisas. Tem umas 30 coisas para a gente falar, mas amanhã a gente fala.
Speaker 1Então, anota direitinho na tua agenda para a gente tratar disso tudo amanhã. Jussara, muito obrigado. Boa noite para você em Brasília. Igualmente, Chris Garman, muito obrigado. Nosso parceiro de conteúdo aqui na bancada conosco. Caio, você também está no próximo bloco. Nós vamos falar de Trump. Aí você evita falar de Trump, eu sei. Está bem.
Speaker 5Está bem. Tchau, viu? A gente tem um programa aí. Vai estrear agora. Eu e o Jussara, todo dia, agora, das 11h às 11h45. Sobre o Trump? Não, sobre o Brasil, né? Mas está bom.
Speaker 1Pessoal, nós vamos para o intervalo. Quando a gente voltar, Trump. Como é que eles estão querendo ir para a guerra econômica agora total. Até já. Tchau, tchau, tchau. Tchau, tchau, tchau. O WW está voltando do intervalo. Conosco agora, remoto, lá dos Estados Unidos, o professor Carlos Gustavo Pódio. Ele leciona Ciência Política no Berea College, em Kentucky. Pódio, obrigado por estar conosco. Boa noite aí nos Estados Unidos.
Speaker 7Boa noite, William. Prazer estar com você e com quem nos assiste.
Speaker 1E o nosso Lourival Santana. Boa noite, Lourival. Boa noite. Aqui conosco na bancada em São Paulo. Donald Trump e o secretário do Tesouro dele, Scott Bassett, tinham prometido para essa segunda-feira o que seria, na designação deles, o dia D econômico contra o Irã. Uma hora ofensiva econômica contra um país jamais visto. Mas o secretário do Tesouro americano, ao comparecer frente à imprensa, ele se limitou a repetir várias ameaças sem dar detalhes do que se pretende. Agora, com o Canadá... O tarifácio contra o vizinho virou uma guerra comercial aberta. Trump não está diferenciando, como a gente vem acompanhando, inimigos de amigos históricos. A reportagem é da correspondente em Washington, Mariana Gian Giacomo.
Speaker 8Scott Bassett anunciou que os Estados Unidos poderão impor sanções a países e empresas que mantiverem relações com o Teherã em setores como aviação e transporte marítimo. Também ficam na mira aqueles que ajudarem o Irã. Contornar o dólar americano por meio de ativos digitais e ouro. O secretário do Tesouro afirmou que Donald Trump tem telefonado para líderes de outros países para pedir que eles isolem economicamente o Irã. Bassett não disse quem já foi contatado pelo presidente, mas ponderou que os Estados Unidos já têm visto alguns resultados. O ministro de Assuntos Econômicos e Finanças do Irã, Seyed Ali Madanizadeh, minimizou o anúncio de Bassett. Em entrevista a uma TV estatal... Em entrevista a uma TV estatal, ele classificou as medidas como terrorismo econômico e disse que as ações devem representar mais um fracasso de Washington contra Teherã. Quem também não demonstra disposição para ceder as pressões de Donald Trump é o vizinho, o Canadá. Os dois países, historicamente aliados, entraram em uma guerra comercial depois de a Casa Branca anunciar tarifas adicionais de 50% sobre uma série de bens. O Canadá e Estados Unidos vinham negociando um acordo para que as tarifas não entrassem em vigor, mas os canadenses deixaram as conversas na sexta-feira, acusando Washington de fazer exigências de última hora consideradas inaceitáveis. O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, disse que haverá a retaliação dólar por dólar contra as tarifas americanas a partir de 8 de setembro. Carney acusou os Estados Unidos de tentarem restringir a capacidade de investimento de o Canadá de fechar acordos comerciais com outros países e blocos.
Speaker 9O nosso governo entendeu antes de muitos que a América iria transformar todas as suas relações comerciais, que iria colocar uma série de tarifas em seus mais próximos aliados e usar a integração econômica como arma.
Speaker 1O que pode, a gente tem visto, é o uso dessa arma. Quanta munição ela tem?
Speaker 7Pois é, William, você sabe que a gente tem visto que a gente tem visto que a gente tem como analista político de relações internacionais, tentamos olhar qual é a racionalidade por trás das ações de determinados países. No caso dessas ações dos Estados Unidos contra o Canadá, eu acho que a gente não consegue encontrar, claro, não há nenhuma racionalidade geopolítica, não há nenhuma racionalidade econômica, economicamente é um desastre, e não há nenhuma racionalidade eleitoral. A gente poderia achar que é algum tipo de ação para tentar... conseguir algum tipo de benefício eleitoral doméstico para o Donald Trump, e não é, porque o público americano vê isso de uma forma muito ruim. Não há ninguém nos Estados Unidos que está buscando briga com o Canadá. O estrago que foi feito à imagem dos Estados Unidos no Canadá é algo absolutamente devastador. Quer dizer, a China hoje é mais bem vista do que os Estados Unidos, e isso foi uma mudança que a gente viu em um período de três anos, isso foi uma pesquisa do Pew Research Center. Então, isso são... Isso tem impactos que vão além da mera questão de tarifa. Veja o que aconteceu com a indústria de bebida alcoólica, de vinho e de bebidas alcoólicas como o Bourbon, por exemplo, aqui no Kentucky, o Bourbon é muito importante simbolicamente. Você tem 11 províncias canadenses, das 13, de 11 províncias que estão fazendo um boicote contra produtos norte-americanos apenas por conta desse tipo de ação que o Donald Trump vem tomando. Então, veja que não tem nenhum tipo de tarifa. Mas há um boicote por parte dos próprios consumidores. Então, me parece que isso é um estrago muito grande, e o Donald Trump não tem capital político para isso. O Mark Carlin tem 60% de aprovação. A aprovação do Donald Trump está na casa dos 30%. Então, acho que isso responde um pouco a sua questão sobre a questão da munição, quanta munição os Estados Unidos têm para isso. A questão não é apenas econômica, ela é política também.
Speaker 1O Podio descreveu o que seria, na verdade, o que seria a falta de munição política do Trump para seguir adiante. Se a gente olha para a situação fiscal americana, da dívida americana, e ao mesmo tempo o para o que os americanos dominam em todo o sistema financeiro internacional, os chamados choke points, os pontos de estrangulamento, que vêm sido usados como armas econômicas há bastante tempo, e agora ele promete empregar tudo isso contra o Irã, por exemplo, de maneira nunca antes vista. Aí também, ele tem munição?
Speaker 10Ah, menos ainda, porque o problema não é com o Irã, o problema é com a China. E a gente já está vendo como que tem sido essa rivalidade comercial entre China e Estados Unidos desde que o Trump assumiu o poder de novo no início do ano passado. E foram os Estados Unidos que tiveram de recuar quando a China lançou mão da suspensão das licenças de minerais críticos para os Estados Unidos, que dependem totalmente desses minerais vindos da China, como aliás o mundo inteiro depende. Mas então... Então, até mesmo a indústria armamentista americana depende desses minerais e ela está sabidamente com estoques baixos das suas munições mais estratégicas. Então, tanto que hoje o Scott Bassett não falou a palavra China, né? E a China importou no ano passado 80% do petróleo iraniano. E aí o Scott Bassett veio com a frase, não, nós não queremos explodir os mercados globais, vamos primeiro dar uma chance para os atores corrigirem seu mau comportamento. Quer dizer...
Speaker 1Sem dizer quais são.
Speaker 10É, primeiro você abre mão da questão militar, né? Da ofensiva militar de uma campanha que vinha desde 28 de fevereiro. Depois você anuncia um cataclisma econômico que vai se abater sobre o Irã. Aí quando vem o anúncio são sanções contra 60 pessoas, entidades e bancos. O Irã enfrenta sanções sistematicamente por causa do seu programa nuclear desde 2006. Isso é absolutamente mais do mesmo. Isso não vai fazer cosquinha no regime iraniano. Então, é mais uma estratégia destinada ao fracasso do governo Trump no que diz respeito ao Irã.
Speaker 1Há uma questão importantíssima aí, Thais, que tem a ver com a questão econômica, com a questão geopolítica, que é a credibilidade. A gente vê o secretário do Tesouro, esse mesmo, que hoje veio a público dizer o que seria o DAD contra o Irã, empenhado, neste momento, em, de alguma forma, ter influência no mercado de títulos da dívida americana a longo prazo. Eles estão sinalizando uma certa vulnerabilidade. Que êxito o Scott Besson está tendo nesta campanha?
Speaker 6William, não dá para medir ainda se ele tem êxito ou fracasso. De alguma forma, o mercado de Treasuries deu uma... Ele deu uma recuada muito leve, mas ainda nada que demonstre um desmonte de operações pessimistas sobre a dívida pública americana, até porque o Tesouro americano é muito forte. Então, quem é que vai peitar o Tesouro americano? Quem é que vai peitar a moeda americana? É difícil, é uma posição difícil. O enfrentamento está sendo feito já com as taxas de 30 anos, que estão acima de 5%, que para a economia americana é insuficiente. Assim como a gente fala aqui para o Brasil, as taxas que estão atualmente são insustentáveis, no patamar deles, acima de 5% em 30 anos também é. Então, não há ainda uma taxa de êxito ou de sucesso, mas o que há é um crescimento de um sentimento de desconfiança sobre a condução do Tesouro, que é uma coisa que não aconteceu nos Estados Unidos nesses últimos anos.
Speaker 1Juntando com o novo presidente do Fed?
Speaker 6Não, você teve questionamento. Ah, a Yellen... Ah, o... O... Não.
Speaker 10O Jeremy Powell...
Speaker 6É, o Jeremy Powell... Não, não, o Jeremy Powell é Fed. Estou falando da condução do Tesouro americano. Já teve desconfiança e preocupação com a condução do Banco Central? Teve. Agora está tendo de novo, mas ainda com benefício da dúvida para o Kevin Walsh. Agora, desconfiança direta sobre a condução do Tesouro americano, esse é um limite de risco que os Estados Unidos estão... Agenciando hoje, que é até difícil de ter referência. Os grandes papas do mercado americano, que são as maiores referências de investimento, estão dizendo, no caso do Ray Dalio, que é um guru do investimento no mundo inteiro, compre ouro e bitcoin e saia do Tesouro americano. Então, eles estão flertando e o Scott Besson está usando a sua carreira, o seu nome, para acompanhar Trump nessa jogada de risco. Ele está flertando com colocar... O Tesouro americano numa situação de risco que os Estados Unidos não enfrentaram ainda.
Speaker 1Pode. A gente, quando olha para a economia real, particularmente aí a doméstica nos Estados Unidos, que tem, como você mesmo vem dizendo, uma importância tão decisiva nas formulações de política, tem dois números mágicos para o americano. Quanto custa a minha morte, Kate? Quanto é que eu tenho que pagar para a casa própria? E quanto custa o combustível? Como é que estão esses números?
Speaker 7São coisas que pioraram significativamente durante o governo do Trump. Não diria... A questão dos juros para a casa própria, se você olhar desde o início do governo do Trump, está mais ou menos estabilizado, mas estabilizado em patamares historicamente que não são muito altos, mas relativamente altos se comparado àquilo que tinha até pouco tempo atrás. Então, muita gente conseguiu comprar casa há cinco anos atrás, pagando até 2%, 3% ao ano no financiamento. O financiamento da casa própria, hoje esse número está em cerca de 6%, 6,5%, e não há nenhuma perspectiva de que vai baixar esses juros. A Thaís deu aí um panorama bastante completo sobre as dificuldades para baixar os juros nos Estados Unidos, por conta de problemas aí na política monetária, né? 40 trilhões de juros e não há nenhuma perspectiva de que isso baixe. Então, isso é uma perspectiva que não existe. A outra coisa, como você falou, é que é o preço do petróleo, né? E isso no contexto, né, William, de que... Atenção. O custo de vida tornou-se um tema muito importante nos Estados Unidos. Não era um tema relevante há uns 10 anos atrás, digamos assim, né? Nos últimos anos, desde a questão que a gente viu do processo após 2020, né, com a Covid, com algumas intervenções do governo Biden, aumento no custo de vida, isso tornou-se um tema muito sensível para o americano e foi, como sabemos, o que levou o Trump à presidência da República. Muita gente votou no Trump achando que o Trump iria cumprir a sua promessa, ele é um famoso, votou por essas promessas bombásticas, né, de que iria abaixar o preço, que no primeiro dia ia terminar com a guerra na Ucrânia, que não ia se envolver em outras guerras e que ia abaixar e que agora todos os americanos iam poder comprar casa, etc. Não temos nada disso, né? E o que temos é um presidente americano profundamente impopular e cada vez que sai um número de popularidade do Trump está cada vez mais baixo por conta desses problemas econômicos, principalmente.
Speaker 1Para encerrar e para amarrar, Lourival... Como é que estão as midterms?
Speaker 10Bem, o Trump andou levando alguns reveses, né, o que é inédito, né, desde 2016, os candidatos que ele apoiava tinham êxito nas primárias e vários deles perderam e os democratas hoje, apesar de estarem super desarticulados, né, o Partido Democrata está super perdido e... A boa parte dele entregue a uma esquerda que não tem chances eleitorais, né, e assim mesmo vê a possibilidade até mesmo de ganhar a maioria no Senado, né, o que era impensável semanas atrás. Tal a impopularidade do Trump que acaba contaminando os republicanos, né, então realmente é... O quadro é cada vez pior para o governo Trump.
Speaker 1Eu estou encerrando essa edição. Queria agradecer a você, Carlos Gustavo Pódio, especialista em política nos Estados Unidos, professor de ciência política no Berea College, no Kentucky, pela participação aqui remota. Obrigado, boa noite, Pódio. Obrigado, é um prazer, boa noite a todos. E aos meus colegas. Obrigado, Thaís. Boa noite, igualmente, Lourival. Muito obrigado. Como sempre... É... É... Antes, você tem mais materiais na nossa página do WWW, no site da CNN, e você fica agora com a estreia do grande debate especial eleições. Boa noite e obrigado.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O governo Trump anuncia guerra econômica total contra o Irã e tarifas duras contra o Canadá, mas enfrenta falta de credibilidade e munição fiscal.
  2. Nos EUA, a insatisfação popular cresce devido aos altos custos de combustível e financiamento imobiliário, afetando as eleições de meio de mandato.
  3. No Brasil, STF e Executivo intensificam pressão sobre o Congresso, com Flávio Dino restringindo emendas parlamentares e Lula buscando pautas eleitorais, como o fim da escala 6x
  4. Há uma cisão no STF entre ministros sobre investigações, como os casos "Lulinha" e "Dark Horse", com decisões politizadas às vésperas das eleições.
  5. Pesquisas mostram Lula com avaliação positiva de 33%, abaixo de presidentes reeleitos anteriores, mas modelos estatísticos indicam que ele ainda é favorito.
  6. A economia é o tema central da campanha, com eleitores endividados e sentimento de estagnação, enquanto oposição e governo disputam narrativas sobre custo de vida.

Summary:

O programa aborda tensões políticas e econômicas no Brasil e nos EUA. Nos EUA, Trump promete sanções radicais contra o Irã e tarifas contra o Canadá, mas enfrenta limites fiscais e políticos, com alta impopularidade e impacto negativo nas eleições de meio de mandato. A economia doméstica, marcada por juros altos e custo de vida elevado, é um fator crítico.

No Brasil, o STF, por meio de Flávio Dino, restringe emendas parlamentares, enquanto o Executivo, com Lula, tenta aprovar pautas como o fim da escala 6x1, em aliança com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Há uma cisão no STF sobre investigações que afetam a eleição, com decisões politizadas. Lula tem avaliação positiva de 33%, mas análises indicam que ainda é favorito, apesar do descontentamento econômico e do endividamento das famílias.

A campanha eleitoral será decidida nos últimos dias, com foco em narrativas econômicas e na capacidade de conectar com eleitores estagnados. A oposição aposta no custo de vida, enquanto o governo tenta vender medidas pontuais para melhorar a percepção. A eleição é vista como imprevisível, com impacto potencial de 1 a 2 pontos percentuais na decisão final.

FAQs

O governo americano anunciou uma guerra econômica radical contra o Irã e tarifas duras contra o Canadá, um aliado tradicional, como parte de sua política comercial.

Os principais problemas são o preço do combustível e o financiamento da casa própria, ambos em níveis altos, o que preocupa o eleitorado.

Ele está tentando influenciar o mercado de Treasury Bonds para lidar com a preocupação dos investidores sobre juros altos a longo prazo, resultado da dívida e gastos do governo.

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