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T6 #EP1 - A construção social do feminino

49m 39s

T6 #EP1 - A construção social do feminino

O episódio do podcast Herkash aborda a construção social do que é ser mulher, partindo da famosa frase de Simone de Beauvoir. A conversa, mediada pelas apresentadoras e com a participação da professora de filosofia Eloisa Benvenut, explora como as mulheres são moldadas desde o nascimento por comentários e expectativas que as reduzem a papéis de fragilidade, submissão e responsabilidade. A professora destaca que, historicamente, a voz masculina dominou os conceitos e discursos sobre a mulher, tornando-a "o outro" em relação ao homem, que é visto como o sujeito racional e humano. Isso se reflete em violências cotidianas e estruturais, como os altos índices de feminicídio no Brasil e a desvalorização de tudo que é feminino. No mercado de trabalho, especialmente na comunicação, as mulheres enfrentam preconceitos, como a necessidade de modificar a voz para transmitir credibilidade, além de diferenças salariais e baixa representação em cargos de liderança. A discussão também critica a sexualização do corpo feminino na mídia e a forma como até mulheres antifeministas precisam performar padrões para serem ouvidas. A conclusão é que a luta feminista não deve buscar apenas igualdade, mas sim liberdade e espaços autênticos de expressão, onde as mulheres possam existir como sujeitos plenos, sem atender a demandas masculinas.

Transcription

7942 Words, 43929 Characters

Portuguese
Olá, está começando mais uma temporada do Herkash, o podcast da Herkampos da Casa Perlívero. Seja muito bem-vindo. Eu sou a Sofia Montero, e eu sou a Mariana de Oliveira. E eu sou a Sofia Paiva. No episódio de hoje nós vamos refletir sobre uma frase do livro "O segundo sexo" da Simone de Bevoar. E também foi ela que inspirou o nome do episódio de hoje que é "Não se nasce, mulher, se torna mulher". Juntos com essa frase, vem o questionamento que é central na conversa de hoje. Como feminismo e até o ato de ser mulheres são construídos entre nós. E ao longo do episódio, nos aproximaremos da pergunta mais importante. Quando a gente começa a acreditar no que a sociedade diz sobre o que é ser mulher. Herkash! Herkash! Herkash! O Pod de Kash! Per mulher nunca foi fácil. A gente nasce e antes mesmo de entender quem a gente é, já aprendemos como a gente deveria ser dentro de uma sociedade que empolhe padrões o tempo inteiro. E o mais triste de tudo isso é que muitas pessoas não questionam. E às vezes nem enxergo. A forma como as meninas são modadas desde o momento em que nascem. Comentários como "Centa direito, você já é mocinha, você tem que ser delicada, menina é mais calminha, essa aiva é da trabalho, já pode casar". Ou com essa roupa ela estava pedindo para ser acediada, atravessam as nossas vidas. Ela se aflete um pouco de como a sociedade nos enxerga. Frages, subimícias e responsáveis inclusive pelas ações dos outros. Hoje o Bravisio vive um momento crítico para as mulheres. Em 2025 foram registradas mais de 1.500 casos de feminicídio, um aumento de quase 5% em relação ao ano anterior. E o mais assustador é que a maioria das pessoas que cometeram esses atos, que mataram essas mulheres, eram homens, que faziam parte do meio delas. Então eram pessoas que elas conheciam e que muitas vezes elas confiavam. Para isso trouxemos uma convidada muito especial para conversar com a gente. A professora Eloisa, seja muito bem vindo a professora, tudo bem com você? Olá, muito obrigado pelo convício, eu me prazer estar aqui. Você pode contar um pouquinho da sua trajetória com feminismo através da sua vida. Meu nome é Eloisa Benvenut, sou professora de filosofia, aqui da casper, sou formada em filosofia, tem um graduação, mestrado, doutorado, postoctudo na filosofia. E eu recebi o feminismo pela perspectiva filosófica. Feminismo, enquanto uma corrente científica que pensa formalmente a condição da mulher e as estratégias para que essa mulher tenha a autenticidade, enquanto ser humano no mundo. Mas durante a adolescência eu tive contato com a perspectiva feminista, já por meio do punk rock, por meio das feministas anarquistas, que eram muito discutidas ali, como Maria La Certa de Mora, a Lucipar, soms mais de forma sistematizada, foi a semana de Bovua, por meio da filosofia, que me ensinou, de fato, a importância profundidade do feminismo. É muito interessante essa história professora dá pra perceber como a gente entra em contato, com coisas feministas, desde muito cedo, principalmente quando a gente já está envolvido nessa área. E eu acho que pra começar a formalmente a nossa conversa, a gente pensar sobre o dia das mulheres que aconteceu nesse mês de março, e é muito curioso como esse dia é visto por muita gente apenas como uma data de celebração. Se a gente precisa comemorar o fato dos copos femininos estar em vivos, algo definitivamente não está certo. E isso sem considerar que essa data ela também veio de muita luta e de muita reenvi educação na maior parte das vezes por direitos básicos. E o fato das pessoas não olharem ainda pra essas questões com seriedade, é que essa luta ainda está muito longe de acabar. É isso que acaba também aparecendo nas questões mais cotidianas. Porque por exemplo, um homem pode ter as questões dele, ele pode gostar de futebol, ele pode ser um fanático, ele pode gostar de carros, enfim, e a mulher ela é sempre diminuída pelas coisas que ela gosta. Tipo, a amante que a gente é boba, coisa de menina. Ah, você não pode gostar de se vestir, você não pode gostar de fazer as suas coisas que são vista como coisas de mulher, e a gente é diminuída por causa disso. E a gente é insignificada. E isso também reflete muito no nosso dia a dia, sabe? Exatamente, eu acho que isso que a sua falou é muito importante, porque é assim, é porque você é fã de alguma cantora, é escolher comprar uma maquiagem, uma espara, ou enfim, algo desse tipo de cosmédicos, tudo, que você deixa de ser responsável e competente por quem você é. Então. Eu acho que. E por isso a gente queria te ouvir, professor, o que é que tudo que é associado ao feminino é desvalorizado e muitas vezes vira motivo de chacota? De fato, existe essa questão desde muito cedo a gente percebe isso, que tudo que é relacionado a mulher e ao feminino, de certa forma, não tem tanto valor, né? Mas o que eu aprendi com a simulada Bovoa, vou usar ela como eleixo, já que o tema do programa é não se nasce, mulher torna-se, mulher que é a frase, que ela chega, né? É uma conclusão que ela chega no segundo sexo, da obra dela publicada em 1949. A primeira obra sistematizada sobre isso que se chama mulher, escrita por uma mulher, né? Isso é sempre muito importante de lembrar, né? Porque isso entra na esteradro que a gente vai falar agora, porque as coisas de mulher, referente à feminilidade, a mulher não é importante, né? Porque essa voz masculina foi a voz que sempre prevaleceu, é a voz que conta a nossa história, é a voz que dá os elementos conceituais para que a gente faça um discurso sobre nós mesmas e sobre o mundo, e é a voz associada à racionalidade, associada à própria humanidade, né? Aparecendo, então, a voz feminina, o longo da história, como algo que constitui esse absoluto do homem, né? É o que a Simã de Bovua mostra para a gente. Então, assim, as mulheres são chacotas, são motivos de depreciação, porque elas não têm o mesmo valor intrínseco que os homens, enquanto sujeito. Então, o valor das mulheres é sempre tributar uma demanda ou desejo do olhar masculino. Então, assim, a olhar masculino, ele quer a mulher maquiada, ou ele não quer a mulher maquiada. E daí, vocês vão perceber que ao longo da nossa história, a gente vai encontrar, né? O que é muito comum, né? Os homens falando muitas vezes, "Ah, aquela mulher maquiada demais, eu prefiro mulher sem maquiagem". E daí, ou se a mulher está sem maquiagem, "Ah, que horror, aquela mulher não se arruma". Não tem um consenso. Não tem um respeito. E essa falta de ouvir a mulher, afinal, o que é a mulher, o que é que ela gosta? Esse desinteresse por ouvir a própria mulher, acho que é um sintoma de como a mulher não é tratada como sujeito, não é tratada como ser humano. E que vira essa marionete, que tem que cumprir uma função pro olhar masculino, a demanda do olhar masculino. Uma assunto aliás, que estava sendo muito discutida ultimamente, é que tem muitos filmes que são sobre mulheres que são feito por homens. É tipo uma coisa meio contraditória. Sabi como um homem realmente vai conseguir enxergar e saber como ele vai retratar uma mulher na sociedade, sendo que ele não sabe o que é ser uma mulher na sociedade. E tudo bem que tem como você interpretar as coisas e como você adaptar as coisas, mas às vezes isso é feito de uma forma muito caricata. Por exemplo, que tem um filme que ele é pra ser tipo um rom-com, sabe, tipo pra fazer de piada mesmo. E tem uma cena que é muito. que você consegue perceber que é uma cena masculinizada, que é um filme sobre mulheres, que são mulheres, fazendo filmes, sabe, são mulheres que são as 13 principais. E é uma cena que você, ali, você fala, "Nossa, foi uma sexualização necessária, foi uma coisa que não cabe na nossa realidade, que a gente sabe que não é exatamente assim, e que foi feita de um jeito mal feito." E é quase. Entendido que a gente olha pra aquilo e fala, "Nossa, eu acho que foi um homem que fez isso, porque é uma coisa vezes muito óbvia. Então é uma discussão que estava esses dias, que aliás, eu presenciei, né, tipo, nas minhas redes." Não só nos filmes, né? Eu acho que outras partes também como a moda, ali, exatamente. Exatamente. Desfile, desfeitas por homem, é muito diferente de desfile, faz por mulheres, né? Então você vê na própria costura das roupas, então, felizmente, isso isso é que mental é muito, não é? E eu acho que ainda existem corpos femininos que conseguem se tornar ainda mais vulneráveis nesse processo. Você falou desse filme recentemente. Eu consumi esse ápice da cultura masculina que foi veloz e furioso. No primeiro filme, eu achei muito engraçado que estão acontecendo a sequência de cenas, né? Além de grandes corridas de carro que te deixam assim frenético, em um determinado momento, uma cena de repente assim apareceu duas mulheres se beijando, né? Entre elas, né? Só pra deixar bem esclarecido. E assim, dá pra perceber como aquilo não é porque é necessário representar atividade de mulheres, lésbicas, de mulheres sáficas, de mulheres que gostam de outras mulheres, mas é muitas vezes muito mais sobre a sexualização do corpo feminino ali. E a, como os homens acham incrível que duas mulheres fiquem juntas, não porque é muito bonito elas se entirem amor uma pela outra, mas é pela sexualização desse corpo. Então eu acho que essa questão ela vai tomando camadas cada vez mais profundas. Sim, com certeza. Eu concordo muito com tudo que vocês falaram principalmente com a questão toda filosófica que você trouxe o professor. Realmente é uma análise muito pura, sabe do que a gente passa. Eu acho que a contribuição da semana de Bovo A com o segundo sexo é fazer uma obra sistematizada, da científica, um discurso, a respeito disso que se chama mulher, mas sobretudo é um discurso que denuncia como em nenhum momento da história a mulher teve um espaço autêntico pra falar sobre si mesma. Então a senha tragédia é que até os conceitos pelos quais a gente vai fazer um discurso sobre nós mesmas são conceitos, oriundo da voz masculina, daquilo que foi discutido historicamente pelos homens. Então assim, o meu próprio conceito de corpo, o próprio conceito de corpo, o próprio conceito de estado, o conceito de política, o próprio conceito, a própria diferenciação biológica que constrói o sistema sexo gênero, todo foi feito pelos homens. Então se a mulher não tem um espaço autêntico pra pensar sobre si mesma, sobre a sua condição, em liberdade, ou seja, sem ter que atender a uma demanda masculina pra sobreviver, é como é que a gente vai falar alguma coisa sobre isso que se chama mulher? Essa é a tragédia que a gente enfrenta até hoje na sociedade. É uma contribuição importante ali do segundo sexo, que a gente tem que levar muito a sério. Sim, com certeza. Essas experiências que nós possuemos como mulheres dizem muito sobre como nós somos vistas em relação aos homens, como você mesmo disse. E como a simânia de vovar ela pontua em o segundo sexo, eu queria saber o que você acha assim, se acha que é perceptivo como as mulheres são tratadas como outro em relação aos homens? É perceptível, na sociedade, é perceptível tanto na obra dela, é extra isso, é extra essa premissa fazendo essa investigação arqueológica, a profunda sobre o que é mulher desde os primórdios da humanidade, ela cheguei essa conclusão, a mulher é o outro. E eu acredito que na sociedade isso ainda é visível, ela é o outro, ela é o outro. E a tragédia é que ela é o outro desse um, que é o inteiro, que é o sujeito, que é o essencial, que é humano e que é o homem. E se ela é outro, para esse um, a tragédia maior, ela não é um outro humano e nenhuma outra pessoa, é um outro que é objeto, e isso que nos leva a esses dados de violência, que nos saltam os olhos na contemporanidade, na atualidade, na verdade. A mulher é um outro, é um outro, mas que não é um outro humano como eu, é um outro que é coisa diferente de mim que sou humano, para os homens. Pois é, e eu acho que dá para notar como isso impacta na maneira como a gente se relaciona com os homens que nos rodeiam, de forma geral, e pensar uma coisa que, inclusive, se tinha comentado com a gente em sala de aula, nessa semana que passou, muitas vezes as mulheres, elas param de se enxergar pessoalmente como indivíduos e tem, então, se encaixar em alguma lugar, em alguma caixinha, né, a manho, a esposa amorosa, a mulher pura, em tocada, ou a solitária sobrecarregada. Então, nesse processo, muitos desejos, muitas vontades, e, às vezes, sua apropridente idade, a apropridente idade da mulher, são deixadas de lado. E é maluco perceber com uma responsabilidade, sobretudo, parece sempre cair no colo da mulher, independentemente da mulher não ser esse indivíduo, né, dela ser esse outro, e, desde a criação dos filhos, até a proteção do próprio corpo, são delegadas essa responsabilidade a essa mulher. E aí também vem essa questão da vida profissional também, né? Porque, por exemplo, a ONU tem uma organização, né, que é ONU, que é feita, realmente, para colocar em questões femininas. E ela pensa muito nessa igual, ela faz muitas pesquisas, tudo sobre essa igualdade de gênero e como sobre isso, ainda está muito em falta na nossa sociedade. Tem muita gente que acredita que mulheres já vivem numa igualdade, mas isso está muito distante, na verdade, da realidade. E tem um número que é, por exemplo, só 27% dos cargos de gerencia são ocupados por mulheres. O resto são todos homens. Também é agritante de diferença salarial onde um homem, normalmente, ganha 20% mais do que uma mulher, por fazer o mesmo cargo que ela, né, por ocupar o mesmo cargo que ela, fazer o mesmo trabalho. Então, a gente consegue ver essa diferenciação muito grande no mercado de trabalho. Então, a nossa pergunta para você é nesse caso da comunicação, no nosso mercado comunicaçãonal. Quais você acha que são os maiores impactos nesse preconceito que as pessoas têm sobre mulheres, sobre esse machismo? A questão é profissionalmente. Exato. No universo da comunicação. Sim. No universo, ou comunicaçãonal, que é o que você acaba dando aula para a gente, ou no universo de ser professora, no educacional, você acha que tem grandes impactos, quais são os grandes impactos que você vê nesses mercados? Bom, o impacto, assim, eu acho, vou reformular para montar um contexto, assim, para responder isso. Uma das contribuições que a Bovoa nos deixa, com a obra dela, é que talvez a igualdade não seja algo interessante para nós e nem para nós lutarmos. A gente deveria, na verdade, era lutar por liberdade e espaços autênticos. Porque a liberdade, num mundo conduzido pelo sistema capitalista, é uma liberdade que você vai ganhar de exploração. Deixei explorado, tal como um homem, ou tal como um outro trabalhador, como você. Então, a igualdade não é algo que se busca entre homens e mulheres e também porque, para Bovoa, o mundo do próprio mundo do trabalho foi desenhado, foi pensado por homem. Então, a mulher adentra no mundo do trabalho, não seria lá adentrar num espaço autêntico. Então, ainda a gente estaria numa hierarquia coercitiva nesse mundo tal como ele é formado, de qualquer forma, em que a igualdade seria só uma forma de exploração e de perder da autenticidade, de alienação de si mesmo. Agora, não temos outro mundo, temos esse mundo. -Ditiu-se que é de tudo isso. -Ditiu-se que temos. Precisamos trabalhar exatamente. E precisamos de mais espaço. Daí de fato, começa a trajeta e a desigualdade em todos os setores, não só na comunicação, mas em todos os meios, aonde esse olhar sobre a mulher como a mulher não dotada de racionalidade, assim, não dotada de humanidade, de capaz de construção, autêntica, por si mesma, tal, nos prejudica. Parece que, como se Mande Bovoa fala, a mulher é outro. Parece que ela está sempre devendo alguma coisa. Então, por exemplo, vou dar um exemplo muito claro na comunicação, que eu sempre falo, inclusive, na sala de aula, porque já escutei dessas profissionais. As mulheres entram no universo da comunicação e não é raro solicitarem a elas que façam fono. Para que a voz seja adequada aos ouvidos, porque a voz, a quanto mais feminina, a voz menos credibilidade. Isso é um sintoma de como a mulher não transmite racionalidade. Ela não funda racionalidade. Ela não é o agente da racionalidade, porque a feminilidade não traria credibilidade. Então, ela tem que ser feminina. Ela tem que ser feminina. Ela tem que ser bonita. Mas a voz precisa ser um pouco mais grave, precisa ter um tom pouco, mais similar aí, alto um dos homens, mas não há forma dos homens. É o que é visto como a autoridade. É o que é visto como a autoridade, o masculino que é visto como racional. Fonte de credibilidade, de quem pensa. Enquanto o feminino não, o irracional do racional, que é o homem, por isso é o outro. E não tem tanta credibilidade. Então, os nossos espaços de trabalho a gente sempre está imprejuízo. Acho que todas as mulheres sentem esse prejuízo, que é um prejuízo natural, parece por ser simplesmente mulher. Então, a minha voz não tem tanta credibilidade, de um homem que pode falar a besteira, que for a besteira, que for, que ainda assim a primeira opção não vai ser descredenciar aquele homem do que ele está falando. Vai ser pensa nossa, será que ele falou isso mesmo? É o contrário. Gostar mulher fala alguma coisa interessante. Todo mundo se assusta nossa, ela pensa. Ela pensa isso mesmo, será que não foi escrito por um volume, ela falou. É, eu acho que uma coisa assim relacionada a isso, é esse movimento do Rapil, né gente? Porque assim, você vê que muito são homens falando com confiança, autoridade, mas daí você vai ver exatamente o que ele está falando não está falando nada com nada. É só que a forma como ele fala que traz credibilidade. de habilidade, né, para muitas pessoas. -Exato, que a gente pensa, como é que isso tem espaço? -Como que eu disse? -Eu fiquei mais de uma coisa de uma mulher. -Falando a mesma frase, mesmo as palavras, será que realmente teria toda essa requerção? -E é ser rizíssimo. -Uma mulher falando isso, não teria credibilidade nenhuma. Ou ela está de apresa, né, de medirá-la. -Eloca, porque também para mulher ser louca não é, não é? -É dois palitos. -Não precisa de muito, né? -Esse é o mesmo. -Eu, inclusive, recentemente vi um conteúdo em que. Bom, esses conteúdos de redpil geralmente são muitas mulheres se posicionam contrárias a ele e, recentemente, vi uma mulher ao lado de um homem reproduzindo o mesmo discurso que ele é um discurso semelhante, inclusive ela acabou ficando até conhecido em outros meios. Acho que o nome dela é Pietra, se não me falha memória. -E essa é uma loira. -E isso? -E aí eu. -Cara, na hora. Eu percebi que, gente, é uma mulher branca, loira de olhos claros. E o primeiro dos primeiros vídeos que ela aparece, ela aparece do lado de um homem. Quase que, como se precisando, ser guiada pelas coisas que ela diz, pelas coisas que ela pensa. É óbvio que depois ela passou a reproduzir sozinha, é. Fala sante feministas e de como ela achava que. Aquela é isso, eu acho que pode ser, para que o feminismo é para mulheres feias, ou que o feminismo não é para todo mundo contraerendo, tipo, "Belhox", que é uma grande autora. Mas, enfim, fico pensando em como até para se posicionar contrária ao feminismo, ou até para divergir de alguns pontos, essa mulher, ela precisou performar uma feminilidade muito grande e precisou ser acompanhada por um homem. Eu acho que mesmo que seja um discurso deplorável, é também a lógica da sociedade, como a gente conhece, dessa sociedade que inferioriza o pensamento feminino, e que media a forma que a mulher deve ser vista, a forma que a mulher deve se portar. Até para ela ser antifeminista, a obsessão do homem do nada, para dar créditos padrões, né, estéticos? A reivindicação dela não queria ser humana, né? Porque o feminismo nada mais é do que alocar a mulher no lugar de um ano. A mulher é um sujeito, um ser humano. Se ela antifeminista, ela não quero esse lugar de um ano, quero servir como objeto, quer me perpetuar enquanto objeto. E até como objeto, a mulher daí tem que ter dono nessa hora. Mas é curioso. Como ela está falando isso, é porque o feminismo permitiu que essa mulher ela tivesse um lugar como sujeito e está buscando cada vez mais que essa mulher tem um lugar como sujeito, mas quando ela toma essa posição de sujeito, ela se alinha a ideologias machistas e que, na verdade, são contrárias, a essa mulher como porta voz da sua própria opinião. Sim. Com certeza. E olhando para essa questão de internet, num geral nesse quesito de dessa em lei, da internet, tudo, a nossa pergunta para você, então, dentro de fora das redes sociais, como você acha que esse discurso impacta a nossa vida, impacta a sociedade num geral? Discursor Red Pill? Sim, discursor Red Pill, discursor, que fala que mulher tem que ser subimista, que mulher só vale ser realmente esbanja a sua familiaridade, então tem que ser rumata, que está sem representável, sabe? Uma coisa bem realmente te encaixando em caixinhas e padrões, é uma mente minúsquilos. E por aí vai. Não, claro. Então, como é que impacta? Eu acho que o sintoma desse impacto é a ultraviolência na qual a mulher está em massa e submetida, uma ultraviolência, né? Esse discurso gera violência para todos os lados, tanto para homens, quanto para mulheres, para a própria sociedade, e todo mundo perde. Mas a mulher, por meio desse discurso, está sujeito a uma ultraviolência. E o resultado são os dados alarmantes de feminicídio que nós demos. Por que se tem tanto feminicídio? E por que que eu sei que é um feminicídio? Isso que é importante de falar, por que que eu sei que é um feminicídio? Porque a mulher, quando ela perde os status de humano dela, por meio desses discursos, patrar cais, machistas, ela vira coisa, vira objeto. E com um objeto eu faço qualquer coisa. Com um objeto eu faço o que eu quiser. Então eu posso pegar o meu objeto que eu tenho aqui na mesa e jogar ele no lixo agora, ou quebrar, que vai estar tudo certo, tudo bem. Mas eu não posso pegar o braço de vocês e quebrar que agora está certo, tudo bem. Porque vocês são humanas. E o humano, seu humano é até valor intrínseco. Valor intrínseco. Agora a mulher, quando é o objeto, ela perde isso. E daí o resultado é isso. É pure violência. É pure violência. Por que? É 25 tiradas, desoradas no rostro. É 4 tiros na cara. É 61 socos. É isso. Eu faço o que eu quiser. É com aquilo. Tem o caso agora. Não foi confirmado, mas o caso da PM diz ele. Exato. E você vê as mensagens que eles trocavam. Ele literalmente, ele falando que ele era uma chalfa e que ela era a firme aberta. Então ela tinta subir e saiu. Você olha as mensagens e fica. Não é possível que alguém realmente pensa fora da internet. E é importante a gente analisar isso. Quando ele fala, "Olha, eu quero que você seja submissa a mim". Eu não quero que você expresse a sua vontade. Eu não quero que você tenha desejo. Eu não quero que você pensa. Você é o objeto. O objeto não pensa. O objeto não tem vontade. O objeto é para ser instrumentalizado e o papel da mulher é esse. Isso é instrumentalizado. O que eu quero? Quero você para isso. Quero você. E eu acho que é muito interessante também, ponto a que a violência, muitas vezes, não começa da forma física. Sim. Como é o caso da PM? Exato. Começou de uma forma abusiva mesmo. Sim. Escológica. Sim. Então ele vai. Exato. E é aquilo que ele fala. Exato. Ninguém nunca vai chegar batendo. Ninguém nunca vai chegar. Quer dizer, pode até chegar. Nunca sabemos. Nunca. Tem uns o que esperar, às vezes. Mas, muitas das vezes, são comentários pequenos que você vai relevando, que você vai deixando de lado. Aí é um comportamento outro, aí é uma fala ou outra. Até que vai escalonando para uma coisa que você não consegue mais controlar. Então, se isso ser vídeo conselho para qualquer pessoa ouvindo isso, se você sente um relacionamento também abusivo, saiu quanto antes, porque, pelo estatística, você sim vai ser uma vítima independente de seja de uma morte, de uma agressão ou de uma um abus psicológico ou físico independente. Então é realmente você parar, pensar e falar assim, não vai dar. De uma coisa pequena, pode não ser mais pequena manhã, entende? Então é um choque muito grande, às vezes, mas é o que a gente tem que fazer pela gente, pela nossa luta, pela nossa sobrevivência, muitas vezes. Hmm. Tudo bem. É, lacro, lacro, lacro, lacro, é de uma forma muito triste, né? Exatamente, é muito triste ter que falar isso como se fosse uma coisa banal, entende não banal, mas de uma coisa assim, que todo mundo tem que saber, porque não é algo que a gente deveria simplesmente conviver com. Mas eu acho que é importante saber isso, até na esfera macro. Por exemplo, quando a sociedade paga menos para uma mulher, pela venda da força de trabalho dela, a sociedade está dando um recado. Olha, esse sujeito aí é menos alguma coisa do que aquilo que é o homem. Então isso tudo passa recado, isso tudo gera depois ali, permissão e violência contra mulher. Sim. Mas é isso mesmo, porque é uma situação que não é apenas a percepção das pessoas, né? Eu refleti também nas oportunidades de trabalho e outras diversas situações que infelizmente a mulher ela fica sujeita, né? Sim, está nas estruturas, né? As estruturas sociais são misóginas, sim, são machistas. E daí a gente expressa na nossa sociabilidade essa estrutura. E o resultado disso é pura violência, feminista, estatística, desigualdade, né? E foi exatamente o que você falou, que você trouxe até a Simone de vovar que traz muito esse tema, que a sociedade ela tem um modelo criada por homens e feita para homens. Então é muito difícil a gente querer se encaixar, porque não é para a gente, sabe? Exato, é. Exatamente. Por isso que a gente vive na luta, é isso mesmo assim. E essa sensação de não pertencimento, né? Que ela é expressada por nós como esse medo constante. Que mulher não sente medo constante. Pensar duas, três vezes antes de fazer coisas muito simples. Como pegar um ônibus, pegar um metrô, sair ou não sair, depende do horário, escolher a roupa, estar muito calor, mas qual que eu pô, em qualquer mais segura, essa coisa do todo. Eu tenho certeza, gente. É, eu não perteno sem ser um país, um país em que você está no transporte público, alguém já te olha, um homem já te olha, de um jeito meio estranho, e você já fica alerta, você já fica pensando se acontecer alguma coisa, meu Deus, o que que eu faço? Se eu tenho que chamar alguém, dependente, enfim, é realmente uma agonia, assim, se viver, sendo uma mulher. É uma flor querendo nascer no meio das faltas. É, é. -E a sua vida, exatamente. -E eu acho muito curioso que aquela coisa assim, de quando um homem sai de casa ou o maior medo dele, é de que ele seja saltado de perder o celular ou perder as vezes um tênis, algum itende de valor. E quando uma mulher sai de casa ou maior medo dela, é de não voltar para casa. -Pas caso. -Não voltar porque perdeu a vida, não voltar porque perdeu alguma coisa que é ir rico-perável. -Sim. -Porque não consegue mais voltar. Então eu acho que isso é muito cruel com as mulheres e acho que é necessário mesmo a gente dar um alcançado, e perceber como melhorar nossa vida aos pouquinhos, mas também conscientizar as pessoas de que as mulheres sim são vítimas de um sistema muito amplo e que esse sistema muito amplo vulnerabiliza elas cada vez mais e que a gente precisa assim ir à luta e buscar esses direitos que são básicos, que é o direito à vida. -Sim, a tristeza nos casos de feminicídica, como a gente já mencionou aqui, é justamente essa também, normalmente a pessoa, ela é violentada, é morta por alguém muito próximo. E ela morreu de uma forma extremamente violenta num processo em que a busca dela era ser amada. Isso é muito triste. - Isso é muito rico. - Isso é muito triste. Ela estava buscando afeto, buscando amor e o que ela encontrou foi por violência. Então assim, encarar de frente que existe um sujeito nesse mundo que pode morrer de forma absolutamente violenta só porque ele é ser amado. É uma coisa que a gente precisa, é precisa conceber do tamanho da tristeza que é. - É esse fato para toda a sociedade. - Quando essa violência também não é confundido como amor, porque muitas mulheres acabam se. - Também. - Tanto abuso, psicológico, que ela começa a normalizar esse tipo de attitude. Então é uma busca também da própria mulher, ela rever o que é o amor. - Exato, só que é muito triste você pensar. Eu também acho que, por exemplo, a gente tem que ficar atenta e tem que ser ensinada a certas coisas. Como, por exemplo, acho que feminismo se ensina na escola, se ensina no ambiente universário. - Porque precisa aprender, todo mundo precisa aprender. A mulher tem questões ainda que fazem com que ela não seja humana. Isso precisa ser ensinado. Mas eu também acho que a responsabilidade das mulheres, essa responsabilidade que as mulheres têm que pegar para si, de que ela pode entrar num relacionamento. Em 50% de chance de ser amada e outro 50 de ser morta, é muito triste dela pegar sozinho. - É certeza. - Ela precisa ter essa responsabilidade. Mas é muito triste que ela tenha essa responsabilidade. - E quem realmente ocupa, nunca se responsabiliza. - Exato, acho que é de toda a sua cidade, essa responsabilidade. - Exato, com certeza. - Mas é muito isso. E o caso que a gente também estava falando de quando homens saem de casa, eles não sentem os mesmos unidos que a gente é muito engraçado pensar que eles sentem medo de que de outros homens não. - Não é a mesma coisa. - Você vai ouvir alguém falando nossa que medo de uma mulher na rua. - É. - Que eu lamo a gente. Não é, eles têm medo de outros homens e nós mulheres têm medo de outros homens. - E também uma coisa que eu acho interessante. Meu mãe fala isso, quando um homem vai pedir alguma informação, normalmente ele não vai pedir para uma mulher. - Ele vai pedir para um homem. - Então você tem que também ficar alerta quando um homem pediu informação para você, gente. - É outro medo que surge com a gente para a gente ficar o "é". - Não é a primeira pessoa que eles procuram. - Não, é. - Ele está te procurando. - É, a solução dos problemas. - É uma mulher sabendo das pessoas. - Então, se você se ele te procura, toma cuidado. - É verdade. - Pode ter que você nem para saber que horas são esses homens. - Exatamente. - É verdade. - Nem para saber as horas. - Confiam em você que sabe para pedir qual que seja. - A outra informação, exatamente o que você está falando, professora. - Colocas mulheres num lugar de irracionalidade, de incapaz de pensar por si própria. - E é sobre essa luta constante de "sim, eu consigo pensar por mim, eu consigo conceber as minhas próprias ideias". - E isso aqui, assim, a gente tem que pensar. - Sim, onde bevou a fez isso há pouco tempo atrás considerando a história do mundo. - Então, ainda há muito a ser feita. - Um certeza. - Sim mesmo. - E trazendo toda essa questão de luta feminina e preci ambitou sociedade. Essa luta não é só das mulheres, a sociedade como todos. Então, das mulheres e dos homens e de qualquer pessoa que está na sociedade. Essa luta não é só de um gênero, não é só de uma posição, não é só de uma classe social, tem que ser da sociedade inteira como um todo. - Porque isso é uma questão básica e que não deveria nem ser um ponto a ser discutido, se alguém merece ou não ser tratado como ser humano, se você é uma pessoa. - Entende. - Então, eu acho que é um bom. - Um bom. - Um posicionamento, né, para você ficar refletindo, para você levar para a vida. - Que isso é um movimento social, não só feminino. - É uma luta coletiva. - Exatamente. - E a solução que a Bovoa traz no segundo sexo é essa mesmo. Ela vai dizer, "A gente vive num mundo de opressão e nesse mundo de opressão, homens e mulheres perdem, todo mundo perde, porque ninguém consegue se constituir de forma autêntica". Então, ela vai dizer, "Ah, a mulher da se constituir pelo olhar do homem". Então, ela é um ser inaltêntico, por isso que a mulher é uma invenção. - É um conceito, um imaginário. - Isso que se chama mulher, ninguém sabe onde o que é. - Porque ela nunca teve um espaço de liberdade para dizer sobre si mesmo. - Ela não consegue nem pegar um ônibus e um metrô direto, porque se não sofre violência, não consegue nem te dizer, "Se pode sair de casa às três da manhã ou às duas, a gente não consegue fazer um discurso autêntico, não tem um espaço, literalmente, o espaço de liberdade, um espaço, um desedrozeta. Mas ela falou que nessa in essencialidade, racionalidade das mulheres, você também acaba mudando uma forma de seu homem, onde os homens passam também até de certa forma lhenada, a sua ideia de si mesmo, em prol de uma masculinidade, ali, opressora. Então, ela disse que a libertação vai se dar entre homens e mulheres. Agora, há de se considerar o que ela está chamando de homens e mulheres, também, porque a questão não é biológica, não é o trácio biológico, é o pernis, ou a vagino, o que é isso? Então ela está falando, a gente precisa desse frar, essa cadeia de opressão, saber se situar nela e promover uma libertação conjunta. - Sim. Então, para ela, o homem é aquele que opre, se eu não quero sair desse lugar de opressão ou de desumanização de um outro sujeito, eu continuo sendo o homem. Se eu quero sair, daí eu posso me constituir enquanto uma pessoa no mundo com essa outra pessoa que se chama mulher. E que um dia vai poder falar sobre si mesmo. - É, é. - Porque inclusive, é para aprender a de gender. A ideia de sexo, a ideia de gender o caio nesse processo. - Sim, sim. O gênero é construído a luz do. Da ideia de sexo. Então, se é um imaginário, se é uma construção artificial, a questão é quem quer entrar nesse processo de libertação. Então é isso. - Então estamos juntos. - Exato. Aí, tudo farinha no mesmo saco. - Bom, gente, então eu acredito que tenha sido isso, foi um papo mais rápido, né, porque é um tema muito abrangente que dá para a gente falar sobre horas e horas e horas e horas e trazer várias questões e várias pautas sobre. Mas então, a gente encerra por aqui essa parte do batipapo. - Muito obrigada, viu? Eu luto o dia. - Muito obrigada, luto. - O feito parte do nosso episódio sobre feminismo. - Ah, eu que agradeço. Muito feliz. Seguimos na luta, precisamos falar sobre isso. - E é o que a gente disse. É uma luta coletiva. - Uma luta coletiva, exatamente. - Mulheres e também de homens que têm que também colocar sua voz. - De todas as pessoas que. - Exatamente. Eu acho que quanto mais a gente falando, gente, que nem um caso divulgado, né, quanto mais divulgação. Mas isso pode mudar, né. - Bom, gente, então eu vou chamar o falacás, porque são relatos das nossos casperianos sobre o assunto do episódio de hoje. - Oi, eu sou a Marifernando Equitério, estudante de jornalismo do terceiro semestre. - Foi muito difícil pensar em uma mulher só para falar aqui para vocês, mas recentemente abri meu Instagram e vi um post da EPP, e bio-u, que são marcas fundadas para uma mulher incrível, sensacional, que eu tenho a oportunidade de entrevistar e conversar um pouquinho com ela, que é a Karen. Ela é fundadora dessas duas marcas, e o que mais me chama atenção nela é o fato de ela ser uma mulher tão jovem e que construiu duas marcas com a identidade própria, assim, que eu acho linda, particularmente. Acho que conversa muito com o público dela, que é o universo feminino, o universo jovem. Ela faz isso com mais rir, a gente sabe como é difícil você empreender, principalmente você empreender, sendo uma mulher e jovem no Brasil. Mas posso dizer que o trabalho dela é sensacional, os produtos dela. são sensacionais, ela é uma pessoa sensacional e eu acho que vale todo mundo conhecer um pouquinho do trabalho dela dos produtos dela. É maravilhoso como ela é uma pessoa sensível, cuidadosa com os produtos delas, como ela é uma pessoa assim como se transmite nos produtos que ela faz. Acho que essa é medica, conheçam a Karen, vocês não vão se arrepender, vocês vão adorar os produtos, e vocês vão querer comprar assim como eu. Eu sou a Závela, estou no terceiro semestre de jornalismo e pensar para falar em uma mulher só que me inspira, é difícil, o que eu vejo com uma coisa boa. Acho que tem a possibilidade de escolher várias mulheres diversas áreas, conseguir pensar em várias referências é muito bom. Mas para isso, então, eu escolhi uma da área da comunicação que a Tatmantovani, a Tatmantovani pra que não conhece ela correspondente em Madrid, ela correspondente da TNT Sports. E eu acho que ela me inspira não só por ser uma mulher no jornalismo esportivo, o espaço que ela ganhou dentro de jornalismo esportivo, que cada vez a gente vê que ele é maior pra as mulheres, eu acho que esse é uma conquista cada vez. Mas também a maneira em que ela leva as entrevistas de um tom leve, calmo, e sem. tendo uma relação com os jogadores, mas também sem querer passar a atravessar o privado do profissional deles. E eu acho que uma coisa que me marca muito nela é o fato dela fazer as entrevistas com um banquinho pelo fato dela se baixa, então para ficar esteticamente visualmente melhor, ela usa um banquinho para conversar com os jogadores e eu acho isso sensacional, mas também a maneira como ela usa ser de sociais dela dando opiniões, contando um pouco do seu dia a dia. Eu também acho que é uma maneira super legal e que não conhece, dá uma olhada, porque a Tatm é realmente uma pessoa diferenciada. Eu não é lais de d'água, eu estou no terceiro semestre de jornalismo e quando me perguntam sobre as mulheres que são inspirações pra mim, além de pessoas próximas como minha mãe e minha avó, eu peço em três nomes. A Bruno de Paula, que é a matuleta brasileira de Rendball, que hoje joga no europeu e representou Brasil no último mundial, enfim, ela é uma atleta sensacional, ela concorreu no passado a prêmio de melhor jogadora e, enfim, acho ela um exemplo tanto no esporte como fora do esporte. Pense também na Clois Dau, que foi a única diretor indicada no último Oscar, a única diretor feminina. E eu vi Hamlet, vi outras produções dela e ela tem um olhar muito sensível, mas muito técnico, ela presa pelos mínimos detalhes na direção dela e eu acho que isso torna as produções dela muito completas. Além disso, eu penso na Lei de Gaga, que eu acho que é um exemplo muito bom de como crescer na carreira e, enfim, não abandonar suas origens, ela sempre teve a poeda comunidade LGBT e mesmo com um tamanho que ela tenha, ela nunca deixou o suporte, essa comunidade de lado. Então, eu acho que ela é uma expressão tanto na música quanto na pessoa, na personalidade dela mesmo. Enfim, é isso. Papo tá ótimo, mas, infelizmente, estamos chegando ao fim do episódio. E com isso há mais um "Hur Comendações". Aqui a ideia é indicar uma série, um filme, um livro ou uma música que seja dirigido, protagonizado ou escrito por uma mulher. "Hur Comendações". Ah, eu vou deixar uma recomendação que eu sempre passo quando eu estou na asalas de feminismo, que é um filme que eu acho sensacional, que chama "Lua Andres Salomé", é conhecido como "Luconta História da primeira psiquiatra da história", que foi durante muito tempo conhecida como "Namorada do Niche". Mas assim, é muito pouco, porque quando você vê o filme, você vê como pode. Assim como a segunda é bovada, durante muito tempo foi conhecida como "A "Namorada da Companheira do Sartre", e não como "Filosofa". "A Lua" é a mesma coisa. Então, acho que a minha recomendação, que conhece uma história da Lua, porque é um filme muito bom, "Lua Andres Salomé", e também que leia um segundo sexo da segunda é "Bovo A", que não vai ser tempo perdido. Com certeza não. Eu vou indicar o que é assim, é recente, e é um mais que trata de um jeito, mas o lúdico entre muitas aspas, né? Mas que é o filme "Barbe", que é feito, dirigido por mulher, tudo. Maravilhoso. "Lua" é um filme que foi um filme que eu fui ver com a minha mãe aliás no cinema, e no final estava eu e ela chorando, porque é um filme realmente muito bonito, e que trata do assunto de um jeito muito interessante. E eu sou apaixonada também pela Margot Robbins, né, gente, pelo amor de Deus, adoro. É o grandidio. É incrível. Então, eu vou de "Barbe", gente, é meio óbvio, mas eu adoro, tá em um espaço quentinho no meu coração. Bom, gente, eu acabei dando uma repassada nessas obras que eu gosto, e eu acho que vou tentar compilar rapidamente três vertentes assim, cada um em uma área distinta, mas é só porque eu acho que eu não vou conseguir não mencioná-las todas aqui. Primeiro é um filme chamado "Muxi", quando as garotas vão lá luta. É um filme que fala sobre a história da Vivian de 16 anos que lança um fanzini, né, que é um caderninho, né. Vamos falar uma revistinha anônima contra o machismo em sua escola inspirado, inspirando uma revolta entre as garotas. É um filme muito gostosinho, tem comédio, tem diversão, tem personagens que cativam, fala muito sobre como uma participação masculina. É importante sim na luta feminista, e é estadounidense, mas é dirigido por uma mulher, e é protagonizado por mulheres, mulheres, diga-se de várias raças, de também, por uma mulher transexual que também está presente nesse filme que faz parte do núcleo protagonista. Então, acho que é muito válido, é divertido, acho que uma hora e meia uma hora e quarenta, você vai lá dar risada, se diverte, e ainda ver copos femininos adolescentes descobrindo e conhecendo feminismo. A segunda que eu vou dar aqui é um que eu gosto bastante foi o livro que me introduziu ao feminismo de maneira mais formal, que é o feminismo é para todo mundo, da Bell Hokes. Acho que a forma como ela trabalha o feminismo e vários tópicos em feminismo é muito importante, e também traz muita visão da mulher negra, que acaba sendo quase que o outro do outro nesse processo. Não só não se identifica com o homem, mas também não consegue muitas vezes se identificar com a mulher branca. Então, eu acho que é muito válida essa leitura, e por fim, eu vou citar que uma artista, que eu adoro de paixão que a B do arte, ela é brasileira, é cantora, compositor, é multistrumentista, e essa grande diva da música nacional tem um álbum que se chama "Mulheres que correm", é um EP, são cinco musiquinhas, muito bom, fala muito sobre esse posicionamento da mulher na sociedade, e também tem uma música recente dela que fala sobre a questão do feminicídio, do lugar onde o corpo da mulher é colocado, que se chama "Não vai levar", é recente. Então, vou acabar fazendo uma propaganda para essa artista que eu gosto bastante aqui, mas que merece muito seu vida, porque ela canta sobre assuntos que falam sobre mulheres. Gente, me lembrei uma diretora de filme maravilhosa, e essa foi a Copola. Essa foi a Copola, tem diversos filmes, é em que estão até mesmo cinematográficas de direção, eu acho assim ela é um exemplo como diretora, e, enfim, assistam. Qualquer filme dela, mas os meus preferidos, eu vou falar que encontros e desincontros, é um dos meus favoritos, também tem as virgens suicidas, que eu acho muito interessante, se liga bem também essa temática feminina, e é, assistam sua Copola. Vale a pena. Eu acho que a conclusão do episódio de hoje é que, às vezes não é sobre ter respostas para tudo, mas começar a refletir a questionar aquilo que durante muito tempo foi naturalizado, para desconsruir um pouco, aquelas coisas que a gente tem consolidado como verdade absoluta, e passar a verdade de uma forma mais questionadora, mais reflexiva. Então, acho que isso é um ponto bastante significativo no episódio, e que a gente pode levar agora para as nossas recomendações e para a vida também. É uma coisa, sim. Bom, sei que eu já tinha agradecido, mas de novo, muito obrigada por ter vindo, muito obrigada para sua análise mais técnica do assunto, foi realmente muito bom de ter aqui. E muito obrigada a você também ouvinte que eu vi o episódio, se você gostou, se você quiser recomendar para alguém, fique à vontade de fazer a sua recomendação. E é isso. Até o próximo episódio, muito obrigada. [MÚSICA DE FUNDO]

Podcast Summary

Key Points:

  1. O episódio discute a frase de Simone de Beauvoir "Não se nasce mulher, torna-se mulher" e como o feminismo e a identidade feminina são construções sociais.
  2. A sociedade impõe padrões e expectativas às mulheres desde o nascimento, desvalorizando tudo que é associado ao feminino.
  3. Dados alarmantes de 2025 mostram mais de 1.500 casos de feminicídio no Brasil, muitos cometidos por homens próximos às vítimas.
  4. A convidada, professora Eloisa Benvenut, filósofa, explica que a mulher é tratada como "o outro" em relação ao homem, que é visto como o sujeito universal e racional.
  5. A voz masculina historicamente dominou conceitos e discursos, impedindo que mulheres falem sobre si mesmas de forma autêntica.
  6. No mercado de trabalho, incluindo a comunicação, mulheres enfrentam preconceitos, como a necessidade de alterar a voz para parecerem mais credíveis, além de desigualdade salarial e pouca representação em cargos de liderança.
  7. Até mulheres antifeministas precisam performar feminilidade e serem acompanhadas por homens para ganharem credibilidade, reforçando a lógica de submissão.

Summary:

O episódio do podcast Herkash aborda a construção social do que é ser mulher, partindo da famosa frase de Simone de Beauvoir. A conversa, mediada pelas apresentadoras e com a participação da professora de filosofia Eloisa Benvenut, explora como as mulheres são moldadas desde o nascimento por comentários e expectativas que as reduzem a papéis de fragilidade, submissão e responsabilidade. A professora destaca que, historicamente, a voz masculina dominou os conceitos e discursos sobre a mulher, tornando-a "o outro" em relação ao homem, que é visto como o sujeito racional e humano.

Isso se reflete em violências cotidianas e estruturais, como os altos índices de feminicídio no Brasil e a desvalorização de tudo que é feminino. No mercado de trabalho, especialmente na comunicação, as mulheres enfrentam preconceitos, como a necessidade de modificar a voz para transmitir credibilidade, além de diferenças salariais e baixa representação em cargos de liderança. A discussão também critica a sexualização do corpo feminino na mídia e a forma como até mulheres antifeministas precisam performar padrões para serem ouvidas.

A conclusão é que a luta feminista não deve buscar apenas igualdade, mas sim liberdade e espaços autênticos de expressão, onde as mulheres possam existir como sujeitos plenos, sem atender a demandas masculinas.

FAQs

A frase é "Não se nasce mulher, torna-se mulher", do livro "O Segundo Sexo", que inspirou o tema do episódio sobre a construção social do feminino.

A data remete a uma história de luta por direitos básicos e não apenas comemoração, já que ainda há desigualdade e violência contra as mulheres, como o aumento dos casos de feminicídio.

Desde cedo, coisas ligadas ao feminino são tratadas como sem valor ou motivo de chacota, enquanto a voz masculina é associada à racionalidade e autoridade, o que desqualifica as mulheres.

A mulher é vista como objeto em relação ao homem, que é o sujeito essencial. Isso a coloca em posição de submissão e leva a violências e desigualdades na sociedade.

Há desigualdade salarial, com homens ganhando cerca de 20% a mais, e pouca presença feminina em cargos de gerência, além de falta de credibilidade para a voz feminina.

Mulheres são pressionadas a alterar a voz para soar mais graves e ganhar autoridade, pois a feminilidade é vista como irracional, enquanto homens recebem crédito mesmo falando besteiras.

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