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T05_EP.08_ Escapismo e Utopia

53m 46s

T05_EP.08_ Escapismo e Utopia

O episódio do podcast "High Low" aborda o escapismo na moda e na cultura, especialmente em contextos de crise. As apresentadoras Oliveira Merkioa e Isabel Junqueira discutem como a moda historicamente oscila entre o sonho e a realidade, citando exemplos como a moda japonesa dos anos 80 e as roupas pretas e desfeitas que refletiam a crise social. Elas destacam filmes como "O Rosa Púrpura do Cairo", que mostra uma mulher fugindo da vida difícil através do cinema, e "Stalker", que explora a tensão entre arte, ciência e fé em um mundo distópico. A conversa critica desfiles recentes, como o "Campo dos Sonhos" da Jacquemus e a coleção da Valentino, por serem visualmente impressionantes, mas sem inovação real, mantendo o sistema tradicional da moda. A crítica se intensifica ao apontar que marcas como a Louis Vuitton, sob o mesmo guarda-chuva da LVMH, promovem discursos de humildade enquanto aceleram a produção. Por fim, o episódio reflete sobre o conceito de utopia, contrastando-o com a heterotopia de Foucault, que sugere criar paraísos no presente, em vez de idealizar lugares inalcançáveis. A discussão enfatiza a necessidade de a moda se reinventar verdadeiramente, em vez de apenas repetir padrões passados.

Transcription

7979 Words, 43182 Characters

Portuguese
[Música] Esse é o High Low. O podcast sobre os altos e baixos da Moga. O meu nome é Oliveira Merkioa e eu sou Isabel Junqueira. [Música] Oi, olhe! Oi, Bel! Hoje finalmente vamos falar de um tema que a gente já está falando entre nós, né? Algo um tempo que é escapismo e acho que não tinha como numa temporada sobre crise, não falado escapismo. A Isabel, inclusive, já escapou da capital e está escapada na ilha bela francês. Mas ele é, exatamente. Començogra. É um paraíso Isabel. Está escapada com a sogra. Quase, né? O lugar é maravilhoso, né? É, realmente. Tem esse pequeno detalhe. Suspeito. Suspeito. E eu, pelo menos, depois de se ela contar uns meses confinado, eu precisava muito de natureza. Sei lá, eu vejo mais como estar mesmo mental do que um escapismo de fantasia e sei lá, tentar fugir da realidade, não encarar a realidade. É, aí eu, quando a gente pensou em trabalhar falar sobre escapismo, pode lembrar e ver essa pergunta na minha cabeça se a moda é sempre esse lugar do escapismo, porque a moda é essa construção do sonho, dos lugares, o luxo fala muito sobre de ser escapada, realidade, só que aí eu lembrei que a gente, inclusive, já tem episódios que a gente fala da moda, quando ela abre o olho e ela traz a gente para a realidade, caso dos japoneses na década de 80, né? As roupas pretas de restar, desfeitas, e uma gela depois na periferia de Paris falando, não é sobre ostentação, é sobre botar o pé no chão e falar com as pessoas que estão a margem, pã que também numa época ali da década de 70 e 80, também trazendo a gente como moda, puxando para baixo, mas o escapismo tem muita relação com a moda, né? Em arte em geral, eu estava pensando, bom, acho que o cinema talvez seja o mais escapista de todos. Só de você entrar numa sala escura e se deixar levar ali para o mundo, que é o universo do filme, eu lembrei de um filme que eu amo do Jalen, eu sei que ele está cancelado, porém, não é esse filme que é. Eu só tá cancelado, né? Mas eu realmente amo esse filme dele, que é o Rosa Púrpura do Cairo, de 1985 com a Mia Ferrell, e o personagem da Mia Ferrell, ela é de uma classe, acho que se não me engano, tem um tamponco com o assisto, de uma classe mais pobre, e o filme se passa durante a depregra de depressão, né? E ela tem um marido que bate, né? Ela tem uma vida muito ruim, e ela mais ela foge todos os dias para o cinema, para se encantar, pelas grandes estrelas de rolo, e ela vai todo dia ver os mesmos filmes, e aí, de repente, os personagens começam a sair da tela, por escapismo esse filme. É, de filme que me lembrou muito quando eles começam a falar sobre o tema, e aí, o momento que a versão, o stalker do Tarkovski, que eu sei que é difícil, é lento, mas eu amo. Assim, solares, eu acho que eu durmi 1,5 vezes até terminar o filme, mas é um filme muito impressionante, e é para ser assim, é para ser mais lento, é para te conduzir, para escapar realmente para o lugar dele. E para quem não conhece o stalker, é um filme de 79, 80, tem três personagens, um é um escritor, que dá lugar ali ao arte, um é um físico, que fala ao lugar da ciência, e o outro que é um cara que vive bem a margem, é uma pessoa em situação ali muito pobre, e é o lugar da fé. Então, esses três personagens, a arte, a ciência e a fé, vivem o esse lugar completamente militarizado, destruído, onde as pessoas estão vivendo uma vida impreta e branca, um filme é todo sépia e preto. Então, o filme Amarelo, que já é estéticamente muito interessante de ver, esse homem da fé, que é o stalker, que seria o perseguidor, em português, a tradução seria, quando alguém está te está oqueando, é a pessoa que está te perseguindo, está te olhando, e aí esse perseguidor, esse homem da fé, ele atravessa o homem da ciência e da arte para essa zona, que é um lugar mistico, onde dizem que um dia caiu um meteorito, e esse meteorito fez com quem conseguisse atravessar esse campo, que é natureza muito rica, diferente desse lugar sépia que eles vivem. Eles vão atravessando essa natureza, e aí eles chegam numa sala, e essa sala pode realizar qualquer desejo que você tenha. Mas o filme faz grandes críticas, essa hiperracionalização, da incapacidade de sonhar da ciência, então o cara da ciência, por exemplo, que explodia a zona, o cara da arte, apesar de trabalhar com lúdico, ele também questiona o tempo inteiro que lugar é esse da zona, que arte é feita pelo homem, não é um lugar mistico e natural, e esse homem da fé que cria essa narrativa, que você nunca sabe se o que vai acontecer ali na zona é verdade, não fala sobre esse lugar da escapada, inclusive quando eles entram na zona, que eles têm que pegar um carro, fugir dos militares, que estão cercando, porque na hora que eles entram o filme fica colorido. Isso é muito bonito, então, assim, é a vida preto e branco, muito feia, muito ruim, e esse lugar, quando eles entram na zona colorido, onde a natureza é abundante, e só que é um lugar perigoso também, então, é fantástico, assim, é um filme muito bonito, lento, tá, se prepara, mas a maioria das séries de ficção que a gente vê hoje na Netflix, saíram desse filme, então, recomendo. Como você vai falar no filme que é preciso sonhar, mas você acha que no momento que a gente está ainda, em alguns lugares acham que estão voltando para uma normalidade, mas atenção, muita atenção, eles estão de muito no meio dessa lambança, que essa pandemia, você acha que agora é um momento de escapismo, de sonhar? Bé, eu vou te falar que tem uma conta, que é a One Granary, que é aquela revista dos novos talentos, que eu adoro, e a One Granary, ela fez um. um post no Instagram deles, que é. "Doing fashion as normal as usual is lazy, né?" Então, fazer moda agora, como era feita antes, é no mínimo preguesesoso, e aí, depois ela tem uma foto de uma raposa, fazendo o cocô, e aí uma câmera tirando foto do cocô, e aí, de botão raposa, mesões francesas, o cocôzinho, coleções de resorts, e a máquina de fotografar, fala "Vogue" "Ace, tipo. " Mas assim, eu acho que é isso, né? É a chá ficar esperando que as coisas vão voltar para um lugar onde não vai rolar, né? Nós vamos falar mais para frente das coleções, que acabaram de ser desfiladas, ela está custo de auto-costura, tem também algumas coleções cruz, né? Foi complicado, né? Eu achei que tiveram coisas boas, mas eu achei que muitas marcas fizeram business as usual, assim. Eu acho que. Vamos mudar, vamos falar de "Jake Mus" Porque assim, lindo, né? lindo, mas como o Sinati, é isso acontecido, inclusive quando a gente vai falar de escapism, é interessante trazer esse desfile, o nome do desfile foi campo dos sonhos, não foi isso? Foi. Agora o problema, eu estava pensando exatamente nisso, mas nem por ser lindo. Acho que não tem problema de ser lindo e ser belo, mas é um tipo de beleza, Instagramável, que eu acho que é a mesma coisa com a coleção da Dior, que foi desfilada em Lette, que eu acho que foi feita, inclusive, até com um artesanato ali da região da Pulha. Acho que ela faz muito isso nessas coleções, Cruz, ela fez uma roca, então o uso também artesanato lá, mas assim, aquelas luzes, que são lindíssimas, eu acho que são. da região lá, né? Tenho, acho que não sei se tem alguma festa nessa época do ano. É aquela coisa, é a mesma coisa, né? É a mesma. É muito cenário. E acaba. E acaba não sempre pela roupa, né? Não é pela roupa. Eu não sei, com já que eu acho que a roupa descantei, e assim, não foi isso nem que me incomodou tanto. Eu acho que ele botou ali, né? Fez uma tentativa dos vários corpos, né? Várias cores. Mas eu acho que. no momento que você tem o dinheiro para fazer aquilo, né? Para fazer aquele mega evento. Você, no momento de ruptura, tão grande com esse sistema, você realmente não faz algo novo, né? Você não se propõe a pensar algo que seja realmente inovador, né? Se você tem aqui, você tem aqui, né? ele dinheiro para fazer aquela apresentação e eu vou te falar assim, todo mundo, por mais que tenha sido presencial tão rapidamente, muita gente ficou falando, questionando o fato de "a, tá vendo ali, a foto, mas ninguém tá vendo a equipe, como que ela tá sendo tratando nos bastidores, que a equipe realmente tá interagindo, ele fez uma foto com a equipe toda junta, né, de mágica, mas a galera toda junta e tal. E eu acho que é o momento de celebração a uma volta que assim como a One Grenero, eu acho meio preguiçoso, porque você tem esse dinheiro para fazer. Então sim, porque não tem estar, se a moda é sobre inovação, é sobre pensar o novo, é sobre propor, nove saídas, porque eu não investi isso em algo que não poderia ter sido feito, ou que não foi feito antes. Então, sinceramente, isso parece que nada aconteceu, é vontade de esquecer um momento e tentar voltar para um estágio de vida, de mercado, que dificilmente vai estar merecendo novamente, é. Eu acho que é mesma coisa assim com a coisa dos desfiles virtuais, né, o tão aclamado, muita gente gostou, também da apresentação do Fechon Film, da Dior, falando dos mitos. Muita gente adora ou? Sim, adora ou. Mas assim, é voltar para um lugar meio complicado, não só com o Castin, né, que foi bastante criticado nesse momento de tantas aberturas, são as modelos escuave, das superbrancas, né, naquele lugar de feminino quase antigo, quase antigo, não, né, um feminino anterior, a todos os ativismos que a gente vem experimentando, mas eu acho que o químico a moda ali é que aquele tipo de apresentação, aquele tipo de filme, é o que poderia ter sido feito há 20 anos atrás, né, e distribuído há 20 anos atrás pelos mesmos canais, então, porque não pegar esse dinheiro e realmente tentar fazer algo novo, né, escapar para um lugar do futuro, não escapar para o passado, eu acho que principalmente é isso. Eu acho que nesse formato de apresentação, a ex-alvivo e tal, o que eu mais achei mais interessante foi o da Valentina. Ai, homem. Eu, homem. Eu, homem. Eu, a meita, também. Porque era muito, né, o Pierre Paulo para Valentina, mas eu achei que tinha algo de novo ali, as proporções eram tão absurdas, né, aí, aí dava um para aquelas modelos, um ar mitológico de verdades, desquisito, era lindíssimo, sublime, mas era estranho, também, né. Um dos modelos, assim, uma das modelos, ela usava uma roupa com franja, né, lembrando para quem não viu, veja, mas todas as roupas têm, sei lá, contos metros de calda, né, e elas estão todas as suspensas. Então tem uma delas que estão usando um modelo todo de franja, ela aparece em um fém. Parece lento, é lento. Filmado, pelo Nick Knight, né, que a gente sempre fala o quanto e falar que ele é, só obcecado, ele fez também margem ela, mas é uma pessoa que já está trabalhando com estéticas vanguardas e tentando estabelecer novos lugares para o áudio visual de uma maneira geral na moda. Foi escapista, mas foi tão interessante. Que surpresa. É, porque eu acho que esse lugar, na hora que você fala, tudo bem, não tem a apresentação de autocostura numa passarela tradicional. Como que eu vou subverter isso? Ao mesmo tempo, não entrando numa seara super de nova geração, que não é o lugar da autocostura, né, dessa coisa 3D, avatar, game, porque realmente, para autocostura entrar em, é um embate cruel de cultura, né. Então, eu acho que ele conseguiu trazer um lugar novo quando ele falou, tá, não tem uma passarela, então o estilo não precisa ter o tamanho de uma modelo, não precisa ter a proporção da altura de uma modelo. Então, eu vou botar ela lá em cima e fazer um vestido que é uma tela. Então, ele tá, né, e aí, a gente é a projeção, porque no fim ou menos, eles projetavam, mas. E além disso, ao vivo. Então, tem todo, tem a relação do hoje, da comunicação ao vivo, que as pessoas estão experimentando no dia a mesmo tempo, tem a recreação de sair de uma passarela. Então, você poder trabalhar de uma forma mais livre em termos de proporções, em termos de ações ali, que você já não tem aquela plateia, né, sentadinha, esperando. E tem ainda a ideia de como você vai fazer as projeções de tornar aquilo onírico, né, tendo esse lugar da autocostura, que eu acho que é o auge dos capismos, né, na moda é autocostura, você, né, você pensar princesas, você pensar deusa, você pensar no lugar realmente fora da realidade. E também sem cair no problema de se colocar numa geração que não é da autocostura, né, e cair pra gameitização e tal. Então, só o fato de ser live, e ser na qual é a qualidade, de pensar de um impacto tão grande para uma tela, eu achei fenomenal, assim, né? Para mim foi Valentino e o outro foi o J.W. Anderson, que a gente já falou no último episódio, mas desde que a gente gravou, né, o último episódio dele também lançou a coleção, a pré-coleção primavera verão 2021 da LoeV, que eu acho que não tinha saído quando a gente tinha gravado, só tinha da marca dele, né? E ele fez algo parecido, porque para a marca dele ele fez aquele em brulho, né, aquele um brulho com tecidos e enfim, com tudo que inspirou ele. E para a coleção mais fluida e feminina da LoeV, ele fez a mesma coisa, ele botou numa caixa, retários de tecidos, é pelesa ou nora que inspirou e tudo, mas as imagens são bem simples, são uns boneca, como é que chamar esses bonecos de madeira? É o Marionette. É, é, é, é, tipo isso, é um pino assim, e só que, e só coleção, e a coleção feitando feminina quando com a espulhina, assim, o trabalho de volume que ele fez, é tão bonito, ele se inspirou nas, é, luminárias do nogúche, né? - Estou a perdiastro japonês, que eles arredoldados, a geometria, é, é, é, é, é, é, é lindo, lindo. E eu tava, é, lendo uma matéria da Robin Giver, né, ela fazendo justamente um recapitulativo, é dessa primeira semana de moda durante a pandemia, e ele fala para ela algo que eu gostei, para o momento, agora, não necessariamente eu, eu concorde com isso, um tempo normais, mas ele fala muito que a moda deve ser muito grande, né? - É, ela deveria ser mais humilde e um pouco mais quieta, eu acho que pra agora, pelo menos pra mim é, é o que eu acho que, eu acho que é justo. - Eu vi essa matéria, eu acho que é justo, mas eu também tenho a minha crítica no sentido que, sabe aquela coisa, lugar que você tá, e anda debaixo do lugar da chuva que você tá? - Ah, sim, de privilégios, é. - É, é, é, é, exatamente. - Mas eu acho que, mas eu acho que no caso dele de grandes mesons assim, eu acho que faz sentido, não? - Eu acho que, eu acho que faz sentido, ainda mais que eles estão no braço da LVMH, né? - Ah, sim, sim, sim. LVMH. - LVMH. - Então, eu também acho que esse lugar de não, não vamos criar essa esteria, o mundo digital, tá? Levo a gente pra um lugar bem ruim, né? Que ele fala isso, eu falei concordo, concordo. Mas ao mesmo tempo, eu acho que ele tá num lugar ali, dele conseguir fazer as coisas, ele ter o recurso de fazer as coisas, onde ele tem que brigar menos. Então, na verdade, é mais fácil falar, "Avou ficar quieto, gente, vamos voltar pro tátil, porque tem um outro, né? Tem muita gente querendo entrar nessa rodinha, né? Onde ele se estabelece hoje?" Então, não acho que ele vai ficar errado. - Não, eu, mas eu acho que ao mesmo tempo, LVMH expressões pra produzir, sei lá, contas mil produtos de ís. - Exatamente, ís de bag, sei lá, sei que. Então, óbvio, ele está num lugar ali, mas resguardado ali. - Mas ele está dentro de um sistema que eu premi muito essa questão da velocidade, né? Então, assim, é aquela coisa que eu sempre penso quando eu vejo um grande discurso, é, em que estrutura ele faz parte, né? Porque aquilo que a gente fala, falar sobre o mundo melhor, tanto de baixo de um guarda-chuva, que não quere esse mundo melhor nesse sentido, né? - Não tem um tempo da velocidade. Ao mesmo tempo que tem ele, ali de bata aquele guarda-chuva, falando tanto sobre essa materialidade, vamos voltar a isso. De baixo do mesmo guarda-chuva tem a Louis Vuitton já fazendo roupa do avatar, já, né? Bota-se no bota pra todo mundo, e isso aí, e vamos nessa, né? Então, assim, é que ele discurso e estrutura, eu acho que a gente tem que pensar que fazemos parte de algo maior. - Então, ele dizer isso, né, pra o lugar que ele está maravilhoso, mas ele também tem que entender que. Isso nunca vai mudar se se mantiver dentro da se estrutura que apoiam outro tipo de mundo. É. Então, assim, você é figo dessa. Nessa loucua. Mas a Vanessa. Eu estava assistindo os filhos porque eu não assisti quando eles aconteceram, foi assistindo uns poucos. E aí depois eu comecei a ler o que é crítica que eu fui falando. E aí, numa matéria da Vanessa Friedman, ela começa assim. Você sabe que tem algo de podre no reino, que tem algo de podre no reino na Dinamar? Não é? Não é? É. Quando um estilista diz que quer fazer algo radical para um desfile e decide focar nas roupas. Que é o que o Pierre Paulo Pitiolio diz. Ele fala assim, só quero focar nos vestidos, mas roupas, na criatividade e nas pessoas. Pois é. Pois é, mas está dentro de uma estrutura que não está pensando isso. É isso, eu acho que é esse o problema. A gente sempre fala que, por exemplo, a gente não adianta falar mal da rede social se a gente continua usando rede social. Então sim, fala em mal, mas estamos aqui. Então adianta muita gente e isso não falando de quem está certo, quem está errado, porque de certa maneira, em diversos episódios eu, principalmente, sempre fico criticando as redes sociais. Mas continuamos aqui divulgando o highlighted, estamos usando. É isso, mas eu acho melhor criticar as redes com total consciência de que eu ainda faço parte dela e por mais que eu esteja falando isso, existe um problema maior do que achar realmente aquele meu movimento solitário, sem sair do lugar que me abraça, que é um lugar de moda rápida, de negócio rápido, alta lucratividade. Acho que se ele realmente está pensando em roupas pessoas, eu acho que é um outro lugar. E é isso, me lembro muito sobre a ideia da utopia. Eu falei pra você que esses capismos trajam muita essa ideia da utopia. O que eu achei bacana é trazer a ideia da onde vem o nome utopia, já que a gente está falando tanto sobre campo dos sons, sobre escapismos, sobre utopias, de diversas marcas do mercado já estabeleceram esse nome, como tema das suas coleções de 2021, ou seja, esses paraízos que vão ser criados pela essas marcas tanto grandes quanto pequenas. Mas o interessante é isso, porque o que é utopia? Então eu achei interessante trazer da onde vem esse nome, o que ele quer dizer, apesar eu vou dar um spoiler aqui, eu prefiro conceito do fucô de heterotopia do que de utopias. Entendendo sempre que utopia é um não lugar por definição, o de não, top de lugar, então não lugar, é um lugar que não existe que a gente cria idealiza, mas ele não sei se acertar beléssimo como realidade. A heterotopia do fucô é utopia no presente, ou seja, sonhe e atui. E você crie seu paraíso no seu dia a dia. Mas mesmo assim, eu acho que com algumas críticas que eu tenho ao livro utopia do Thomas Morke, foi a primeira vez que essa palavra foi cunhada, foi trazida para a literatura no século 16, e aí ele diz, "Logo no iníciozinho, antes de começar, remota em tempos distantes, eu era não lugar, mas agora rivalizo com o estado de platão. Talvez até o supere, com palavras, ele retratou o que demonstra o natural com homens, recursos e as mais excelentes das leis. Assim, o certo seria chamar-me feliz lugar." Então é como se utopia tivesse dizendo por mais que platão e os gregos idealizar uma república perfeita, eu consegui estabelecer na realidade o que seria a utopia, o que é mentira, porque esse lugar, apesar do Thomas Morke, ela está como fosse uma carta de um viajante, e aí é muito importante a gente lembrar um e das entrevistas que não foram a lá, dessa temporada, que a gente fez com o Jamacel de Carvalho e França, ela ainda vai a lá, mas que fala muito da carta dos viajantes e como, principalmente, o Brasil foi retratado no Amércord Vespúcio, no novo mundo, numa carta que saiu ali, 1.500 e 2.500 e 3, onde, em um século XVI, durante as grandes navegações, a literatura de viagem, principalmente o novo mundo do Amércord Vespúcio, que falava muito sobre esses povos que foram encontrados e como eles se organizavam, e explicando para a Europa o que bebe, o que vivem, como se organizam, inclusive ele fala sobre o Brasil, é uma terra sem rei, sem leis, sem Deus, e ele fala na verdade sobre a liberdade desses povos, quando essas cartas começam a chegar na Europa, começam a ser um processo com os humanistas da época de criticar o governo que estava sendo imposto, não só o Thomas Morke, mas também outros humanistas da época, eles questionam se o governo, o que seria civilização deveria ser um governo que detém tanta riqueza em propriedades privadas, onde grande parte a população ainda se mantém miserável. E a utopia do Thomas Morke, ele vai criando como se fosse realmente alguém que viajou, inclusive que viajou com Amércord Vespúcio, que viu o mundo, e depois se assentou numa ilha e nessa ilha conseguiu fazer uma sociedade perfeita. E o que eu acho interessante da gente pensar da sociedade perfeita do Thomas Morke, é o que ele fala muito sobre roupa. Então, o utopia é o escapismo por si, esse não lugar onde a gente quer estar, apesar dele não existir, e qual é a relação da roupa com esse lugar? Primeiro, ele começa a observar o que está acontecendo na Europa, todas as guerras que estão acontecendo, toda a apropriação da terra, deixando muita gente miserável, os agricultores, os artesãos, ficando realmente sem lugar para trabalhar e tendo que provê sempre dinheiro e o seu trabalho para sustentar a ostentação da realeza da sua época. A extortura do livro é o seguinte, então, dois livros, a primeira é o Thomas Morne encontrando um cara chamado Rafael. E quando ele olha para o Rafael, ele diz o seguinte, quando surge o Rafael em seus trajes de explicentes, abre-se uma nova dimensão. Por exemplo, sua aparência um tanto deslechada com o disco, o cínico de Luciano, meu cabelo comprido e meu manto exerce em tanto efeito que me concedem uma vida tranquila, fazendo o que quero e tendo a companhia que escolhe. Ele fala que essa pessoa que está falando sobre a iria de utopia, tem cabelos longos e tem um manto que é muito simples, é feito, é como realmente fosse uma pessoa que tivesse viajando pelos navios e fosse uma pessoa que não tivesse atrelada a ostentação da restocracia e da realeza da época. E ele fala isso, e é o primeiro livro, ele falando para o Rafael, que o Rafael é muito inteligente, e ele deveria ser um aconselhador das pessoas que estão governando, no caso, a Inglaterra da época. E o Rafael falou, "Não, mas se eu tiver que entrar e ficar perto dos reis, eu vou ter que me comprometer a ser uma pessoa que eu não quero ser, eu tô bem simples da maneira que eu tô." E aí ele vai olivrão todo falando, "Ah, Rafael, mas sábios como você realmente deveriam ensinar os nossos governantes, e o que o Rafael diz é esses governantes, eles não querem se ensinados, porque eles não querem governar para o bem do povo. Eles estão estabeleceram regras e costumes que são exatamente para ostentação e para benefício próprio." E aí depois ele convence o Thomas Mord que os governos da maneira que foram construís instaurados, não vão mudar. E aí ele começa a narrar no livro 2 o que seria essa sociedade perfeita que ele teria encontrado e construído nessa ira de topia. E aí ele vai falando, sobre ele a topia, que é um lugar onde todo mundo tem um trabalho comunitário, onde não existe propriedade privada, onde as pessoas se relacionam, onde uma maneira onde todos coletiva, todos se ajudam, as casas são compartilhadas, ninguém tem nada próprio, seu. Então você tem que cuidar porque você fica um tempo numa casa, depois você muda de casa. E você espera que a casa que você vai esteja bem cuidada, porque você vai entrar em outra casa, que se você cuidou da sua, você espera que elas deja bem cuidada, então como tudo é compartilhado, as coisas são melhores, porque elas são pensados pro coletivo e não pro individual. E aí quando ele fala da idumentária, que ele diz, a idumentária utopia é típica de todo modo de vida deles, usando o lan ou o linho de cor natural por cima das roupas de trabalho, feitas de couro e muito práticas. De forma que as necessidades naturais são atendidas com conforto, mas sem espaço para ostentação pessoal. Então ele critica o tempo inteiro. que ele não quer se juntar as pessoas de corpúrpura, que são, na verdade, os bispos e que usava corpúrpura para ostentar, para ela se cara, e ela ser muito valorizada por ser rara. E aí ele vai trazendo, que eu acho que é parte mais interessante, quando ele traz, se, na Europa daquela época, tudo que era super valorizado eram as coisas que não existiam em abundância. Então, o que era super valorizado? O ouro, a prata, as pedras preciosas, as pérulas, na verdade, ele extremamente cristão, e ele diz se Deus, eu ao mundo, em abundância, o ferro, a água, então essas são as coisas que deveriam ser valorizadas pro coletivo. E aquelas coisas que Deus colocou pouco, como o ouro, a prata, porque elas não servem de muita coisa a não ser uma ostentação de uma hierarquia. Quando a gente pensa isso, é genial, né? Você entender que, por que aquilo que é escasso não beente, vira algo tão precioso para te deixar em outro lugar? Que simbolismo são escrasados por esses recursos. E aí ele na, que, em utopia, o ouro e a prata, por serem desprezados, eles eram usados nas algembras dos escravizados, né? É porque é utopia mais escravo, né? É utopia mais escravo, mas os escravizados não querem fazer o bem e a que são aquelas pessoas que pensam em si. Aí elas são colocadas como escravizadas e são forçadas a trabalho comunitários. E aí essas pessoas, as algemas, tudo o que as identifica como escravizadas são os artefatos de ouro e prata. E quem brinca com as pedras preciosas e são crianças. Então as pedras preciosas são distribuídas entre as crianças que começam a entender que aquilo é relacionada à infância. E aí uma vez que elas crescem, elas menospresam e elas entendem que peda preciosa coisa de criança. E aí tem um momento muito emblemático dessa construção da indumentária, do que é escasso e do que é valorizado em lugares onde ele entende que a relação com as coisas está errada e ele diz o seguinte. Todos os embaixadores de terras vizinhas que já tinham estado antes em utopia conheciam os costumes locais, sabiam que lá roupas suntosas não eram motivo de honra. Desprezava-se a ceda e vi esse ouro como marca infame. Assim estavam acostumados a comparecer vestidos com toda a simplicidade possível, mas os anemolianos por virem de maior distância e terem menos contato com os utopianos ao saber que todos se vestiam da mesma maneira com a mesma simplicidade imaginaram que eles não possuem um mais do que aquilo. Sendo mais arrogante do que sábios, resolveram-se adornar com uma magnificiência digna dos deuses e deslumbrar os olhos dos míseros utopianos com o esplendor dos seus ativos. Assim três embaixadores fizeram a sua entrada, seguidos por um cortejo de 100 acompanhantes, todos de roupas com cores variejadas e muitos usando ceda. Quanto aos embaixadores que eram nobres em seu país usavam roupas de ouro, com grandes correntes de ouro, bem como anéis de ouro nos dedos e ainda por cima fieiras, sintilantes de perlas e pedras preciosas e seus barretes. Em suma estavam adornados com os mísmios itens que são usados em utopia para punir escravos, em vergonhar mal-feitores ou diverti crianças. Foi uma visão e tanto presenciar como se davam ares ao comparecer seus requintes com as roupas dos utopianos que se apinhavam nas ruas. Foi igualmente divertido ver qual equivocados estavam em sua esperança e expectativas e qual longe estavam de obter o respeito que imaginavam. Para os espectadores de utopianos, afóros poucos que por alguma razão tinham ido visitar terras estrangeiras, toda aquela esplendorosa exibição parecia vergonhosa. Prestaram seus respeitos aos integrantes mais baixos da comitiva como se fossem grandes senhores, mas tomaram os embaixadores propriamente ditos por causa das correntes de ouro, por escravos e não lhe renderam se quer uma saudação. Quantas crianças que já tinham passado da idade da espérolas e das pedras preciosas, ao ver as fileras sintilantes nos barretes dos embaixadores que o tucavam a mãe e diziam "Ve só aquele boba, mãe, ainda usando péroles e joias como se fosse um minininho". Ao que a mãe lhe respondia muito séria "Queto filho, creio que é um dos buffões dos embaixadores". Depois de passarem alguns dias entre os utopianos, os embaixadores viram grande quantidade de ouro desdenhadas, tão desprezadas de fato quanto eram valorizadas na terra deles. Viram também que havia mais ouro e mais prata na fabricação das correntes e dos gridões de um só escravo fugitivo do que em todos os seus ornamentos somados. Muito bom. É muito bom como ele troca, né? É. Os símbolos que a gente dá para comer. Esse escapismo ideológico é exatamente o oposto de um escapismo que também se manifequem, né, na moda que acho que a gente tem que falar que é a fundação da Christian de Orhan. Em 1947, depois da segunda guerra, porque ele estava ouvindo de tudo aquilo que a gente falou no episódio sobre as grandes guerras mundiais e a gente fala sobre o racionamento, a gente fala que a moda fica bem com cara de uniforme, é muito funcional, muito dura, a moda feminina tem ares da moda masculina e ele vai fazer exatamente o contrário, né, quando ele funda em 1947 a marca dele. Ele tem o Marcel Bussack como investidor, que é um dos grandes industriais testes da época, então ele tem ceda. Inclusive, acho que então ele tinha os melhores tecidos, é uma abundância de tecido que a gente sempre fala, né? Desde essa época fala que de Orhan é uma moda, de Orhan é uma moda, e tal, mas na época teve muita crítica por conta disso. Acho que até 1949 teve essa política de tíquete de racionamento de tecido, né, porque não tinha, simplesmente não tinha, não dava para ficar. Não tinha como você ficar gastando o tecido, você. Usava, transformava roupa. - Perce que o championo. - É, porque a gente falou. - Exatamente, o que ele falou. - Que foi isso, o que ele falou. E ele aposta também numa moda completamente. aquela coisa feminina, pesada de ser moderna, a silheta dele, tem. Também faz umas piscadelas para a moda do Sepul 19, do Sepul 18. Eu acho que esse Nil Luke que ele traz, inclusive estava falando isso numa aula essa semana, que quando a gente fala um estilista precisa se comunicar, ele precisa falar não verbalmente. Eu acho que isso é um dos grandes problemas que a gente tem, né? Hoje, inclusive, é muita falação sobre moda e cadê a comunicação pelos elementos do design em si, né? Então quando a gente fala do vestuário, cor, textura, volume. - Não, o dió. - O dió quando ele descrevia a mulher dele, que fala é mulher flor, e é exatamente isso que você vê, inclusive, a saia parecem pedlas de rosa. - E todas as formas são arredondadas. - E tem aquela coisa do quadril largo, tem uma coisa do quadril largo, e aí quando o quadril largo do hombro. - Que minuto. - O hombolo arredondados, mas super, né? - Porque, no década de 40, era quadrada, né? Era quadrada, então, na verdade tem esse torço pequeno, e o quadril gigante, né? A cintura fina, exatamente para deixar essa área do quadril, do ventre, com essa ideia de procrear, né? Então essa mulher feminina que é quase aquela. - Aquela veno. Aquela primeira venoizinho. - É, é. - Que é. - O estômio de prestroica. É, e a saia que estava encurtando com ele voltou a crescer. - O crescer, né? - E tem uma coisa de garçada. - É uma saia balarina. - Tem uma coisa de gastar, assim, acabou a guerra. - Então, a silueta do chão. - Bordar do esionamento. - É criar um desejo. e um escapismo, nesse caso, de assim. Obviamente, a guerra não acaba no dia seguinte, você pode gastar 10 metros de tecido, numa saia, mas ele já criou uma imagem, né, de uma roupa, de um vestuário, que já fala sobre uma utopia, né? - A ser criada. - E deu certo, pedeu, cê. - Poi sou um campeada, foi um famoso. - A cerca de 50 metros, isso, né? - Mas isso que é. a gente fala muito que o topia é essa, que você como estilista quer criar com a sua coleção, porque somos personagens, o que o personagem é esse, que o de Ortava criando no momento. Então, uma mulher feminina, uma mulher que não está mais indo trabalhar de causas, está em casa de saia, que está vivendo uma abundância, que está vivendo entre aspas, mas a função dela social de procreação e cuidar da família. Então, essa forma que ele cria fala sobre isso, né? E hoje em dia, impressionante como a gente tem cada dia, cada vez, visto as pessoas falarem mais sobre o que a moda deveria ser, mas com uma incapacidade, às vezes, de dizer claramente como estilista pelos elementos de design, o que é a história, qual é o personagem? O que você quer dizer? Você, o nível de trabalho não está marco. E você falou que ele já está o topia, vai sentar a mão, que a gente vai ver bastante. Mas você tem ideia de que cara vai ter essa bulvia, pode pandemia, qual é? Então, isso que é interessante, porque o topia é sempre uma coisa muito pessoal, e isso que é muito bacana de ver a moda, porque se a gente entende as coleções de moda e as marcas, como esses grandes escritores de novas narrativas, então, na verdade, o que eu estou vendo são vários livros sendo escritos e vários personagens sendo criados para a gente absorver. Então, tem alguns que estão, é uma topia pensando que o digital realmente é essa saída de um mundo que já está acabado. Boa, então, vamos criar outro, em outro lugar. Tem uma outra topia que fala sobre uma relação muito mais próxima com a natureza, com os afetos, com as pessoas, uma busca da humanidade, um ressassamento dos meis digitais. Mas eu acho que a grande maioria traz uma topia sempre pensando numa relação de sobrevivência. Isso é interessante. Então, tem marca falando sobre essas roupas que vão nos proteger. É uma topia de estopia, não é? Não é uma dystopia no sentido de que não vou acreditar em nada, e o futuro é horrível, mas é uma topia que também não é tão paradisia que eu como já que música é trazer. É uma topia mais arraigada nos valores também de estópicos que a gente tem vivido no presente. Então, é interessante, porque em termos de design, a gente está falando de materiais protetores de alguma forma. Tem muito do aspecto surrealista também, de você entender o absurdo da vida. Então, já que a absurda vou chutar o bau de o que eu adoro, que você entende que se você morrer amanhã, é melhor que você não fique tão atrelado às convenções e tem uma vida mais livre. E aí, isso me lembrou muito ou uma pergunta que eu vou responder aqui no ar, porque é difícil, a gente responder quando a gente recebe, né, é bel, as vezes perguntas longas. É, às vezes é. Então, assim, a gente é melhor escrevam para a gente, continuos escrevendo para a gente, mas esperem que vamos responder no ar, porque é a de vez mais difícil a gente escrever o texto, respondeu em meio em si. Mas aqui no ar, a gente pode responder a Carolina Aumeida, e ela fala o seguinte, "Bel, eu tenho uma marca chamada "Producio Escaju". Desde que começamos a marca, pensamos ela como uma marca de roupas mais performática, com foco no carnaval, mas tem dificuldade de transferir isso em design, para o resto do ano. Acho que é um nicho difícil de alcançar. Era produzir figurinos de carnaval que não são fantasias e poder levar isso pro ano todo, sabe? Eu acho isso muito usado e acabo ficando com pé atrás. Queria saber sua opinião sobre uma moda mais surrealista na pós pandemia. E aí, Bel, o que você acha? Olha, curiosa lá perguntar isso, porque eu que durante confinamento não liguei muito para a maneira de eu me vestir, preferir privilegiar confortos, acho que como. Boa parte dos pessoas, não ficar, não usar minhas roupas mais extravagantes em casa. Eu todo dia passo perto de uma loja, de fantasia que dá para você alugada, para você comprar peluca, assessório e tudo mais. E eu sempre vejo os óculos, de plástico e baratinho, super extravagantes que lembram muitos óculos do que o Altão de On usava nos anos 70. E toda vez eu parei assim que não, é isso que eu quero usar agora. Então, assim que a coisa fluir melhor. Eu acho que é a primeira coisa que eu vou comprar, porque eu não comprei nada de roupa nos últimos 5 meses. Você falou, mas de casa. Eu acho que a gente sempre coroa a casa. É, para casa eu comprei, assim, de pular um sol. E o seu step que nunca chegou, né? Você trocou pela psicologia. O step que nunca chegou a dar antes. Eu ia adorar de ver de steps, sabe? Mas a primeira coisa que eu quero comprar, de moda, de roupa, vai ver um 6 óculos de 10 euros de plástico lá da loja de fantasia. Então, vocês vão responder a pergunta. Eu acho que é um nisto que vale investir. Não vale superapena, inclusive fica dica, porque durante o carnaval, quando aquele surgem várias marcas fazendo fantasia e coleções incríveis, foi mais de uma vez que eu olhei a coleção de uma marca, fazendo especificamente fantasia, eu falei, gente, que coleção linda. Isso deveria estar no dia a dia das pessoas, né? Então também é muito triste, a gente pensar que só não é de carnaval, só que só a gente pode. Mas pessoas não porporina no carnaval. É, exatamente. Sim, né? Vamos botar uma roupa super incrível. E porque, né, se segmentar só no momento, eu acho que é interessante, momento de guerra, de crise, quando a gente tem essa aproximação com a morte, que a gente entende que tá. e daí eu vou sair de. de paetê, né? Pra ir ali na padaria e fazer minha vida mais interessante. Então, eu acho que tem que acreditar. E isso, pra moda, é muito importante. É a frivolidade. É o contrário do uniforme. E eu acho que essa coisa do óculos do Alton John é a gente entender que se vestir. isso é uma coisa que o Tomás de Mor fala também. devemos nos dividir com coisas ricas e não necessariamente caras. Exatamente. Então, é sobre isso, né? Tem também o vestuário fala muito sobre esse mundo que a gente quer habitar. E então, o que mundo é esse? É. Que ele seja mais colorido, mais vertido, mais livre. Então, vai com tudo, caral. Bem, antes da gente terminar esse mais um episódio, eu queria mencionar um desfili que eu também quer dizer, não foi desfili, foi um vídeo da Marjela, né, pelo Galiano Sessi-O. Assiste, claro, Nick Knight também, né? Mais uma, né? O Nick Knight, tá, né? É, é uma risando. Mas esse vídeo foi. mostra o processo criativo inteiro de um Galiano com toda a equipe, o vai-venda, as ideias, as inspirações. Eu amei. É maravilhoso. Eu amei. Você não gostou? Eu amei. Eu amei. Ah, é. E a gente entende que o Diolgaleano continuou igual, né? É. Ele continua igual, ele não é uma melhor pessoa. Não. Mas achei super interessante ver o processo criativo, um pouco mais aprofundado do que é, literalmente, mostrado. E eu gostei muito do filme, né? Depois, quando a roupa tá pronta, né, a performance com a roupa, que é super escultural, eles tentam. eles tentam fazer o efeito de uma roupa molhada, se sem ela tá molhada, lindo. E o filme tem um filtro meio high-x, né? É, exatamente, é. É uma investigação da roupa. Ele usa muito esse filtro, né? Já tinha usado, inclusive, na Margeva. Algumas pessoas, assim, rolou no Instagram até algumas pessoas dizendo que esse luco foi copiado, de uma. de uma. de uma estilista nova, menor, que o Galiano tinha roubado. Ah, é. É, teve esse báfo aí. Mas fora isso, assim, estamos ao herde esse báfo, mas o vídeo em cima é muito impressionante, principalmente porque é o Nick Knight, né? Que é. que tá aí nessa onda. Algum. a gente vai fazer um capítulo sobre Nick Knight, sabia? É. Da más que ele se investe, que nenhum mordomo. É. Se você olhar na rua, você nunca diria. Inclusive, ele aparece, ele aparece no vídeo da Margeva, conversando com Galiano. Ele sempre tá com a roupa. Então, isso é abel para fechar. A moda é escapismo, é utopia. O que que você quer para onde você quer escapar, leite, ou ilha, bela, francesa. É, assim, para a moda. O que eu mais penso para mim, o que mais representa escapismo, eu tava escutando de novo Robin Given. Ela deu uma entrevista para o podcast do. Reis No Bites. No Bites. - É, isso é isso. - Raios, não é, mesmo. E aí ela tava falando. Exatamente o que eu desejo, em geral, entendeu? Que as pessoas. Eu tava falando que ela começa muito com jovens designers e todos citam o modelo de negócios do Drizva Noatem. Que é assim. Que eu acho que é. É isso, sabe? Não precisa ficar querendo crescer sem o porcento a hora de saber quantos. que telogias em todos os cantos do mundo, ter todo mundo vestindo, pagar para. Assim, esquece tudo isso, esquece. Campeões de sei lá quantos milhões de euros. - Esquece, entendeu? - Foi uma loja aqui, outra ali tá bom. Alguns pontos de venda, então não tá bom. Faz uma boa, interessante, entendeu? - É isso. - É. - Tem uma entreia. - Isso pra mim, esmo. Pensar que as pessoas não precisem dominar o mundo, entendeu? - E é isso. - Essa forma é agressiva. Como você se compromete na hora que você é a sua metade de erão, né? Porque se você é a sua metade, fom de erão, uma casa que custa de erão, uma bolsa que custa de erão. - Você tem que ser a bolsa de valores, essas coisas assim, gente para. - É, só o que você quer ir hoje. Tipo de negócio, tipo de negócio, né? Mas eu acho que o principal é entender que não é o único caminho. E pra isso não tem um vídeo mais distral na internet, que é o darinho, o ator argentino. Que ele tá sendo entrevistado por um cara, pro jornalista, e ele fala, "Por que que você não foi pra Hollywood quando você foi chamado?" Porque é Hollywood. E aí eu dava e fala, "Cara, mas eu tô numa boa, eu. A minha casa tá numa boa, a minha família tá numa boa, não, mas se você for pra Hollywood, você ia ficar muito mais famosa, e aí chegou um hora que ele se irrita e fala, "Cara, se você queia pra Hollywood, eu não preciso. Eu tô bem fazendo meus filmes menores, né? Com me comunicando com as pessoas que eu quero, não preciso falar com todo mundo, não preciso ter esse casão e Hollywood de tô fora. E é muito bonito, assim. Então é isso, né? É a gente entender, né? Escapá também e construir um futuro mais leve pra gente, acho que é isso, né? E que não tem só um utopia. Exatamente. O utopia são várias. O que é o utopia? O que é escapismo pra vocês? Querendo saber. O que que você tá fazendo pra escapar, Hollywood? Da realidade. Inventando troço. Ou você não tá conseguindo. Não, é isso. É isso. Eu acho que inventar troço, assim. Eventar a sarda pra se coçar. É isso, gente. Botar. É como diria minha mãe. Diabonuenta na cabeça cheia. Será? Diabon não fazia alguma coisa, assim. Sim, né? Sim, inventar troço de abonuvei. Acho que é isso. Vai comer, sabe? Mas então, isso, você também, né? Você vai mostrar, eu vou jantar. Então vamos escapar. Exabérgios, vocês estão escapando pra o buffet dela, na ilha bela. Na ilha, o tópica. O buffet é minha só grafe. Tá vendo? E o tópica, depois de vídeo que a gente. Então, eu vou se metrasar. Bota no store. Mas gente, olha, todos os referências no www.highloaportcase.com Seguam a gente pra vocês querem atarde tudo das lives que já fazia. Novidades é no nosso Instagram @highloaportcase. Isso aí. Tá bem? Um beijo, eu não. Beijo. Beijo, olha, isso capa, velho. Tchau.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O episódio discute o escapismo na moda e na cultura, especialmente em tempos de crise, como a pandemia.
  2. A moda é vista como um espaço de sonho e fuga da realidade, mas também pode trazer críticas sociais, como nas décadas de 70 e 8
  3. Filmes como "O Rosa Púrpura do Cairo" e "Stalker" são usados como exemplos de escapismo artístico, explorando a tensão entre sonho e realidade.
  4. Desfiles recentes, como o "Campo dos Sonhos" da Jacquemus e a coleção da Valentino, são criticados por serem "business as usual" e não inovarem verdadeiramente.
  5. A crítica se estende ao uso de recursos financeiros para criar eventos grandiosos sem propor mudanças reais no sistema da moda.
  6. A ideia de "utopia" é contrastada com a "heterotopia" de Foucault, que defende a criação de paraísos no presente, em vez de lugares ideais inalcançáveis.

Summary:

O episódio do podcast "High Low" aborda o escapismo na moda e na cultura, especialmente em contextos de crise. As apresentadoras Oliveira Merkioa e Isabel Junqueira discutem como a moda historicamente oscila entre o sonho e a realidade, citando exemplos como a moda japonesa dos anos 80 e as roupas pretas e desfeitas que refletiam a crise social. Elas destacam filmes como "O Rosa Púrpura do Cairo", que mostra uma mulher fugindo da vida difícil através do cinema, e "Stalker", que explora a tensão entre arte, ciência e fé em um mundo distópico.

A conversa critica desfiles recentes, como o "Campo dos Sonhos" da Jacquemus e a coleção da Valentino, por serem visualmente impressionantes, mas sem inovação real, mantendo o sistema tradicional da moda. A crítica se intensifica ao apontar que marcas como a Louis Vuitton, sob o mesmo guarda-chuva da LVMH, promovem discursos de humildade enquanto aceleram a produção. Por fim, o episódio reflete sobre o conceito de utopia, contrastando-o com a heterotopia de Foucault, que sugere criar paraísos no presente, em vez de idealizar lugares inalcançáveis.

A discussão enfatiza a necessidade de a moda se reinventar verdadeiramente, em vez de apenas repetir padrões passados.

FAQs

Escapismo é a fuga da realidade, e a moda frequentemente o utiliza para criar sonhos e luxo. No entanto, também pode trazer de volta à realidade, como nas décadas de 70 e 80 com roupas que abordam questões sociais.

O filme 'Stalker' de Tarkovski é citado, onde personagens escapam de uma vida cinzenta para uma zona colorida e mística, representando a busca por um lugar de sonho.

A crítica é que muitas marcas continuam fazendo moda como antes, sem inovação, como desfiles luxuosos que ignoram a necessidade de mudança e o tratamento das equipes.

O desfile da Valentino foi visto como inovador, usando proporções absurdas e filmagem ao vivo para criar um escapismo onírico, sem cair em formatos tradicionais.

Utopia é um não lugar idealizado, enquanto heterotopia é uma utopia no presente, onde se cria um paraíso no dia a dia, segundo o conceito de Foucault.

A moda deve ser mais humilde e quieta, focando em roupas e pessoas, mas isso é desafiado por grandes estruturas como a LVMH, que promovem velocidade e consumo.

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