T04E08: Selvagem? - Os Paralamas do Sucesso (1986)
from Discoteca Básica
77m 53s
O álbum *Selvagem* dos Paralamas do Sucesso, lançado em 1986, ocupa a 24ª posição na lista dos 500 maiores álbuns brasileiros de todos os tempos, segundo a votação do Disco Teka Básica. Ele representa uma virada fundamental no rock brasileiro ao misturar elementos como reggae, juju, samba de roda e lambada, criando uma música autêntica e profundamente conectada ao contexto social e cultural do Brasil. A faixa "Alagados", com seu clipe provocativo e sua estética realista, foi um ponto de virada que despertou a consciência dos artistas sobre a importância de integrar a música às realidades populares, especialmente no Nordeste. A parceria com Gilberto Gil, especialmente na música "A Novidade", simbolizou uma nova forma de colaboração, baseada em respeito mútuo e diálogo, ao invés de confronto. A capa do disco, com a foto de Pedro Ribeiro, reforça a ideia de ousadia e autenticidade, representando uma postura de banda independente. O álbum desafiou os modelos anglo-saxônicos do rock, promovendo uma música mais atitudinal, com raízes africanas e populares, e influenciou profundamente a evolução do pop brasileiro, servindo como referência para gerações subsequentes. Seu impacto foi notado tanto na crítica quanto no público, sendo um marco na história da música nacional e um dos exemplos mais significativos de conexão entre arte, cultura e realidade brasileira.
A Lua ou o Vintes do podcast Disco Teka Básica, o seu
espaço semanal o nosso espaço semanal para a gente conversar sobre música na
podosfera brasileira, o meu nome é Ricardo Alexandre e o programa de hoje é
mais um capítulo do nosso passeio pelo top 30 da super votação que elegeu os
500 maiores álbums brasileiros todos os tempos. A nossa equipe organizou a
votação 162 especialistas votaram e o resultado final a gente vai revelando a
contagotas, claro, mas o ranking definitivo são a será descoberto no livro que
está nos últimos dias da sua campanha de financiamento coletivo. Daqui a pouquinho
você vai saber a posição que o álbum de hoje alcançou na eleição, mas para saber
dos 500 distos aí você vai precisar garantir o seu exemplar e escolher as suas
recompensas em podcast Disco Teka Básica.com/livro.
A história que você vai ouvindo é o episódio de hoje, unhos melhores estudos do Rio
de Janeiro, os tambores das ruas da Bahia, as senanas cotidianas, nas favelas
cariocas, a África mais brutal e também mais repleta de amor. Tudo isso costurado
pela música, porque música é a linguagem universal e é por isso que você precisa
aprender a tocar um instrumento. A música Dot é uma escola de música online com
professores de verdade, ali uma mesma assinatura te dá acesso a todos os cursos,
e tá abaixo bateria, teclados, percussão, canto, cursos de áudio e teoria musical.
E a música Dot apoia tanto o podcast Disco Teka Básica quanto o nosso livro, os
500 maiores áudios brasileiros de todos os tempos, porque acredita que é entre os
alunos de hoje, que estão os mestres de amanhã, aqueles que vão fazer os próximos maiores
áudios brasileiros de todos os tempos. Quem estuda a música Dot pode estudar em casa
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Como eu disse, o álbum, retratado no episódio de hoje, está entre os 30 mais bem posicionados
na maior eleição já feita no Brasil, promovida aqui pelo Disco Teka Básica, a ser publicada
no livro "Os 500 maiores áudios brasileiros de todos os tempos". Mas já faz tempo que
ele é considerado um clássico do pop nacional. Quando o Abyss hanqueou os 20 maiores áudios
do pop rock brasileiro em 1997, ele ficou em sexto lugar. Em 2003, na eleição da revista
em MTV, ele ficou na décima primeira posição. Na votação da revista Rolling Stone, ele
ficou entre gésimo no ano lugar. Parece que agora, em 2022, está sendo o mais valorizado
do que nunca, né? Na enquete do jornal "O Globo" sobre os melhores discos brasileiros
dos últimos 40 anos, ele ficou no número cinco. E entre os 500 maiores áudios brasileiros
de todos os tempos, né? A votação organizada pelo Disco Teka Básica, com discos de todos
os gêneros de todas as épocas. Atenção para a revelação, ele está em vigésimo quarto
lugar. Er, sem dar spoiler, né? Mas se a gente fizer o mesmo quarto do Globo, ou seja,
só usar alguns lançados desde 1982, ele ficaria na quarta posição.
De fato, esse é um disco cuja importância tem crescido com o tempo. Quando ele foi lançado
em 1986, ele foi mais debatido do que louvado como deveria. A ver, na verdade, como a gente
escreveu na descrição do episódio, ele foi o álbum que rachou o rock brasileiro da década
de 1980, você vai conhecer essa história toda hoje. Quem me ajuda nesse trabalho é o músico
Pupilo, ex-baterista da Nação Zumbi, e de um monte de gente boa, e produtor de gente
da pesada como Erasmucalus, Nando Reis, Gal Costa e Paulo Miklos, além da patroa céu.
A Alias, se você ainda não ouviu ouça, sem falta uma produção recente do Pupilo, o álbum
o que meus calos dizem sobre mim, de alaí de Costa. Mas hoje, aqui no programa, a gente
vai conversar sobre um espaço ali entre o rock e a música brasileira, entre o pop global
e a cruesa, a grest, um espaço que Pupilo conhece muito bem dos dois lados do aquário
do estúdio, tanto como artista, quanto como produtor. A gente vai conversar sobre a história
e as histórias em torno do terceiro LP dos paralelmos do sucesso, um álbum lançado
pela IEMI Odeon em abril de 1986. O nome do disco não é uma afirmação, em uma pergunta.
Um festival, um acidente de carro e um RPM. Bom, poderia ser o título de algum filme de
ação em inglês, mas são os ingredientes básicos do guisado preparado pelos paralelmos
do sucesso em seu álbum selvagem. O festival, claro, é o rock in Rio, primeiro, de
janeiro de 1985. Os paralelmos subiram ao palco com o repertório do seu álbum mais pop,
com o passo do lúio, o disco que tinha óculos, scar, meu erro e mensagem de amor. Mas não
foi só isso. Os shows do grupo no festival vieram com uma carga geracional, ali muito forte.
Ebert Viana, Birbeiro e João Barone enfrentaram a cidade do rock a luz do dia, sem adereços
da cruesa, New Wave e na força de suas canções. Incluíram inútil do traje rigor no repertório
como se estivessem recebendo a bola vinda da blitz, do circulador e da rádio fluminense,
estivessem lançando a bola para uma outra dentissão do rock brasileiro. A dentissão dos
paulistas, a da revista Biz, a da 89 FM das danceterias. E, com a arma oderoza do microfone,
Herbert assumiu o certo papel de liderança pessoal ali, ao denunciar o desespeito contra os
artistas brasileiros, tanto por parte da organização, mas principalmente por parte de parcela do público.
Lembrem-se que estamos falando do festival, onde o Eduardo do Sack foi vaiado e onde o
Erasmuk Carlos foi hostilizado pela plateia. Aí, da noite para o dia, com o poder de reverberação
da rediglobo que transmitiu e hiperbolizou o festival, né, a banda que já vinha numa crescente de
sucesso foi transformada numa superbando. Todo o contratante queria os tais paralâmbas.
Toda a rádio tocava os paralâmbos. Os paralâmbos eram símbolos do novíssimo rock brasileiro que
chegaria agora à cidade do interior do Brasil, com o mesmo nível de ansiedade de quando sei lá a
luz elétrica ou asfalto haviam chegado. O passo do Lui ainda tinha vários hits pra quem
mar, miliga, romance ideal, assaltaram a gramática e a munição, claro, foi usada ao longo do ano de 1985.
Os shows da banda se tornaram praticamente diários e os récordes de público iam sendo batidos e batidos.
Em Porto Alegre, caso clássico, né, o grupo super lotor gigantinho quebrando o recorde anterior do
Roberto Carlos. Os organizadores insistiram por um show extra, o que era impossível por causa da
agenda serrada de shows diários. Então, um segundo show acabou sendo marcado no mesmo dia e os
ingressos também se esgotaram. Ou seja, 34 mil pessoas ali divididas em duas sessões pra
ver uma banda de rock brasileiro com dois discos lançados. Em nove meses seriam 120 shows por todo o
país. Quando 1985 foi dobrando para o segundo semestre, o recomendável que um artista nesse nível
de sucesso.
é que ele renovasse o interesse do público com um álbum novo, só que Albert Eviana
simplesmente não conseguia compor, aos 24 anos arrancado de suas fontes de inspiração
e preso em quartos de hotéis e aeroportos, num ponto de exposição e sucesso sem muitos
precedentes no Brasil, Albert meteu na cabeça que nunca mais conseguiria escrever uma
música, muito menos uma música boa, muito menos uma música boa que superasse, ou ao menos
surpreender-se quem acompanava o grupo. Não conseguiria mais escrever como um adolescente,
não sabia ainda como escrever como um adulto, não queria ser espontâneo e desapontar o
seu público e não queria ser oportunista e repetia a fórmula new wave. É nesse ponto
que entra o Pequebrado. No início de outubro de 1985, João Barone, o materialista do grupo
sofreu um acidente de carro em Santa Catarina e fraturou as pernas e os pés. Apesar de
o acidente não ter deixado sequelas, ele foi grave o suficiente para que ele precisasse
ser operado e teve cinco pinos de aço implantados. João ficou uma semana internado no sul, mas
várias outras semanas de molho em casa, no Rio de Janeiro, e a turnê, de o passo do
Lui, terminou sem ter acabado. E agora, agora entre o terceiro elemento, o RPM. O tempo
entre o roque em Rio e o acidente de João foi justamente o tempo em que o RPM, uma banda
paulista de tecnopóvel, meio gótica, meio progressiva, assinou contrato com o super empresário
Manuel Poladian, e montou um show para Teatro dirigido por Nemato Grosso, com direito ali
a troca de figurino, roupas das zoompe, gelosseco, raio laser, monitores de computador com fracitais
virados para a plateia. Era justamente a troca de guarda do roque brasileiro, a chegada das
bandas de São Paulo, a supremacia dos críticos da ilustrada e aquela avontade constante
de parecer europeu e parecer misterioso. A revista Hoh, a principal revista de música do Brasil
até 1985, deu uma capa para o RPM, e a manchete era assim, enfim, uma superbanda.
Ha-ha-ha. O show "Radio Pirata ao Vivo" ficou um pouco mais de dois meses no Teatro banderantes
em São Paulo, e estreou uma temporada carioca no hotel nacional. Quando chegou ao Rio, o álbum
revoluções por minuto gera disco de ouro, e a nova referência era o RPM, seus sintetizadores,
suas camisas de mangas longas, de ceda, seus sobretudos de labreta e suas fotos com ar de
entediada. E os paralelmas estavam no estaleiro. Ebert e B foram assisti ao show dos paulistas
e abri aspas, a gente detestava aquilo, achava o fim da picada. Isso aqui é uma entrevista
do Herbert pra mim, pro meu livro "Dias de Luda". Abri aspas de novo, fomos ao show
e o Paulo Ricardo entrou no palco com uma capa de setinha, todas aquelas letras derivadas
de rock progressivo e a gente "f*ck" que o palio "f*ck" fecha aspas. Movido pelo disgosto,
Herbert se trancou no estúdio casero que havia acabado de montar e começou a escrever
as suas primeiras composições depois de mais de um ano de bloqueio criativo.
Quando deixou poupar um pouco a banda do Paulo Ricardo aqui, banda de saldoza e memória
aliás. O som sintetizados e o clima Londrino foram só o gatilho que disparou a organização
conceitual da reenvenção dos paralelmas do sucesso. Os elementos já haviam sendo coletados,
fazia alguns meses durante os shows da banda em ginásios de cidades que o Brasil profundo,
Brasil pra muito longe do eixo Rio São Paulo. No norte, em especial, eles descobriram
as guitarradas e a lambada. Em Salvador, subiram no triu elétrico e sentiram a potência sonora
do olodum. E começaram a estirar o fio condutor que ligava aquela música, ainda naquela época
completamente a margem do mercado fonográfico, ao Rage Jamai Cano, a Soca Caribeia, a juju
music africana. E de repente, eles perceberam que a equação, a velha equação entre local e global
poderia ser formulada com elementos totalmente novos.
A minha primeira pergunta para o cúpilo tem a ver com a posição dele de ante desse dilema
eterno do pop brasileiro, de dilema entre as influências e a originalidade. Eu quis saber
dele como é que estava a cabeça dele, que era a pré-adolescente naquela época diante
de um rock brasileiro ainda muito derivativo do post-punk e da New Wave extranjeia. E do outro
lado, diante de uma música brasileira, que pelo menos ali no mainstream, ainda estava muito
ali a nada do asfalto e do concreto das grandes cidades. Ouvi só a resposta do cúpilo.
Pois é, esse dilema, sobretudo no nordeste, era uma questão muito delicada porque a cultura
popular nessa época, pra gente era quase um tabulho mexer com elas. Então, a gente tinha o seu
valência, a gente tinha um lula-cortes e tal. Mas, basicamente, a juventude estava sobre forte
influência do que estava tocando nas rádios, a questão do rock inglês, o post-punk estava dominando
na época. Eu era um pré-adolescente, tinha 12 anos, mas andava já com amigos mais velhos.
Essa memória é muito forte pra mim, né? O post-punk tem entrado na minha vida, o design
de marriage, equity, banemin, equity, tal. Então, era muito uma resposta contrária o que pra gente
era um tabulho. A questão da nossa cultura, como se fosse um lugar que estava fadado a não dar certo.
E aí, aparece o clipe de alagados, por exemplo. Eu já conhecia os dois primeiros discos do Paralamas,
mas o selvagem, cara, quando chega alagados, o clipe, e aí a gente vai atrás disso e pega aquela
capa icônica. Então, foi um momento emblemático, que foi se jogado ali para a gente, aquela corda
de salvamento, sabe? Aquela boia de salvamento, é onde a gente ia se agarrar de novo às raízes
brasileiras. Então, a partir da liga, a gente começa a olhar de novo pra dentro da nossa própria
cultura. Daí, por diante, cara, a audição desse disco, né? Você coloca pra ouvir, ter contato.
Meu primeiro contato com o dubbe veio daí desse disco também. Então, uma série de coisas, assim,
no meu caso, que sou o reitimista, ver esse trabalho de pesquisa, de João, né? Que a gente vê claramente
uma influência do depolice na banda, e aí ele mergulhar nos ritmos brasileiros e fazer essa
mistura com a música jamais cana, foi realmente um episódio de águas. Calma-calma-calma, vamos voltar
um pouquinho no assunto antes de chegar no que o pupilo falou. Aqui talvez seja importante mencionar
a influência de dois agregados a família Paralâmica. Primeiro, Hermano Viana, antropólogo, irmão mais
velho de Herbert e um entusiasta da música negra. Hermano havia sido o primeiro a escrever sobre a
cena de Brasília num veículo do Sudeste, a revista pipoca moderno, mas estava tão em outra que em
fevereiro de 1986, puxou a briga em um artigo pro Jornal do Brasil, que se tornaria lindário.
O título do artigo era o papo furado dos ingleses. Vou ler uns trechos pra vocês cabriáspos.
De repente, o FM Brasileiro foi invadido por grupos ingleses e similares nacionais. Impossível
ligar o rádio sem escutar Smith's, The Gear, ou o Melodramático YouTube, bandas que até alguns meses
atrás eram conhecidas apenas pela pseudo-vanguarda juvenil de nossas grandes cidades. Finalmente, os tão
esperados biscoitos finos pra massas? Nem tanto. Não bastassem as pozes entediadas, as roupas
elegantes, os esquisitos cortes de cabelo ou o desesperado esforço de jornais ingleses,
e Brasileiros pra nos empurrar grupinhos como Jesus and Mary Chain, The Coutes e Comparças.
O roque britânico se contenta com repetições inaturáveis de clichés post-punk que nos são vendidos
como se fossem o máximo da novidade. E muita gente boa cai no papo furado. É certo.
há anos a vitalidade abita.
outras praias. A música negra internacional vive um dos seus períodos mais e fervescentes.
Do comercial, Arita Franklin, Tim Maia, ao exotérico, Cassave, Trouble Funk, esta é a trilha sonora
deste fim de século. Contra os reverendos do tédio da tristeza, da ingenuidade e mapoesia,
o pop negro contemporâneo deflagra a alegria e o bem-viver. Fecha asvas.
Outro personagem é Maurício Valadares, fotógrafo e radialista, o homem que primeiro
tocou paralelamos do sucesso na lindária Fluminense FM. Em 1986, a programação
roqueira da Fluminense havia sido cheirocada por rádios maiores como a cidade do Rio de Janeiro
e artistas como U2 ou Daíris Trates já não eram mais, digamos, propriedade da emissora
Maldita. Valadares defendem então um enegrecimento da programação.
Madica aliás, dos Tolkien heads já vi um dado desde o Remain Light ou Vilar, o episódio
discoteca básico pra você conferir. Maurício era a sua letária diante dos roqueiros
brancos que não admitiam nem o funk de James Brown quanto menos o rap que começava
a dominar as paradas americanas. Que dirá, juju music!
Maurício passou a organizar a festa Funkin Ragger e a salpicar sons negros no seu próprio
programa, o Hongka Hongka, que existe até hoje em forma de podcast conferir lá.
Ou seja, os sinais já estavam no ar. Quando os paralelmas ficaram cara a cara com a
música do Nordeste, quando ouviram Luís Caldas tocar o fricote pela primeira vez,
quando conversaram com carlinhos Brown no candial, os paralelmas deglutiram o impacto.
E diante de bandas brasileiras de sobretudo e maquiagem como, digamos, o Tokio ou Heróis
da Resistência, eles só vomitaram tudo de volta pra usar aqui uma metafra do linguajar
antropofágica.
Com João Barone ainda com o pé quebrado, Herbert começou a trabalhar nas composições
em seu estúdio casero, combi como confidente e João aparecendo na hora de registrar
as demos com uma bateria eletrônica primitiva, simulando percussão.
Alagados foi a primeira da leva que Herbert apresentou os colegas, não sem certo receio
por ser uma mistura de sambão com a forobite e lambada.
Na verdade, mas a forobite e lambada com uma programação levemente sambística.
Quer ouvir um trechinho da demo de Alagados que deu origem a todo o conceito
do álbum selvagem?
Olha esse tesouro nunca lançado aí.
Que lembraços abertos do cartão postal, como os fios fechados da vida real
de negar oportunidades, mas tá vacidura do mal.
Alagados frente ao favela da Maire, esperança no bem,
do mar nem nas antenas de TV.
Alagados, a música, desembaraçava, não é?
Não é?
Alagados, a música, desembaraçava, não apenas o norte musical, mas resolvia
outra questão importante para Herbert, as letras.
Herbert não queria mais escrever canções de amor relacional, como miliga, por exemplo.
E ele também achava que com o sucesso gigantesco do trajo rigor,
o rock adolescente já tinha um representante legítimo no Brasil.
O ano de 1986 foi o ano do congelamento de preços decretado pelo plano cruzado.
Eu foria consumista que provocou o sumiço de carne e leite em todo o Brasil.
Provoco a cobrança de álgeo nos supermercados e, ao mesmo tempo,
uma indústria do disco de números inflados.
Alagados fazia a conexão entre tristão na Jamaica e a favela da Maire,
no Rio de Janeiro, a confusão muito brasileira entre esperança e desesperança.
Era a música brasileira, mas não era zabeles um de bisouro,
vez para fabricando mel, sabe?
Era áspero, era desafiador, era atitudinal.
Era rock, se você quiser chamar assim.
Com algumas músicas esboçadas no gravador de Herbert,
os paralamas entraram no estúdio nas nuvens em fevereiro de 1986.
O produtor do novo álbum seria liminha.
Para alagados, liminha sugeriu Armando Marsal,
filho do diretor da bateria da portela, Mestre Marsal,
e a banda decidiu colocar um breque no refrão.
Aí meu amigo, Sambão, baixou de vez, liminha também convidou
o sócio dele no estúdio Gilberto Gil, para ajudar no corpo.
E alagados ficou assim.
[Música]
Cara, o clipe de alagados nos deu a possibilidade,
ele foi um impacto gigantesco, porque ele apontou para uma situação
de que era a hora da gente de fato olhar para dentro,
da nossa própria história, da nossa própria cultura
e identificar ali dentro dessa história toda,
uma possibilidade incrível usando esses elementos,
a gente passava a ter um diálogo efetivo com a música
que era feita no resto do mundo.
Essa ideia de juntar a juju music com a lambada brasileira,
tudo isso desperta na gente esse olhar para dentro de novo.
Muito do, por exemplo, do discurso que Chico foi elaborando
ao longo dos anos 90, que era fazer um movimento de dentro para fora.
E, nesse período, a gente vivia o contrário.
Era sempre algo de fora para dentro e a gente recebendo todas as influências de fora
como uma forma de amenizar aquela baixa altestima.
Então, a chegada de alagados, toda estética visual,
aquela realidade ali que a gente tem no país inteiro,
fez com que a gente despertar para essa necessidade de realmente sair
daquela fase, sobretudo, sintetizador,
e voltar a buscar os elementos que a gente sempre teve,
com tanta riqueza, ainda mais pernambuco, um estado tão rico,
do literal interior, a gente tem uma universidade absurda.
E a partir desse olhar aqui, a gente começa a ter ali do meio final dos anos 80,
fez com que muita coisa mudasse.
E, cara, essa música e o discurso todo de uma maneira geral,
foi fundamental para isso, para essa revir à volta aí.
O single promocional de alagados seria enviado as rádios
na segunda semana de abril de 1986, junto com o clipe que Pupilo mencionou,
sendo enviado para os programas de TV.
Três semanas antes do álbum ser lançado,
mas o grupo estava tão empolgado com a música que antes mesmo de entrar em isto,
já tinham mostrado a demo para algumas pessoas como Casusa
e o jornalista José Emilio Rondô.
E também incluíram nos seus primeiros shows de 1986.
Em janeiro, Rondô escreveu no jornal "O Globo",
que a música era "Abre aspas, um misto de samba em redo e afro a focheca",
provavelmente a letra mais politizada à saída caneta de Albert Viana.
Quem disse que não se mexe em time vencedor?
O nome disso tudo é "Osadia".
A presença de Gilberto Gil cantando em alagados
e escrevendo a letra de uma outra música "A Novidade",
foi outro osadia, outro paradigma superado no novo trabalho dos paralamas.
Em parte, porque isso aponta para a história do pop brasileiro.
Gil era uma referência mundial em música negra,
uma referência nacional quando se falava em "Raggy"
e era a cabeça do movimento tropicalista,
que em 1968 já sonhava em produzir uma música elétrica e universal
com as ferramentas primitivas brasileiras.
Mas Gil era o mainstream, era a realesa da MPB
e o rock brasileiro, como o próprio Gil disse,
havia surgido para dar uma blitz na MPB.
Mas em selvagem Gil não aparece.
mais como um avalizador ou como um padrinho. Ele aparece como um par, um parceiro e essa nova
relação de reconhecimento, muto e de parceria, em vez de ruptura e confronto, seria fundamental
para todo o pop brasileiro da década seguinte. Os paralamas tinham um número instrumental
chamado a novidade e estavam propensos a lançar como um termo instrumental mesmo, mas durante
essas gravações tiveram a ideia de enviar as bases para que Gil, quem sabe, tentasse uma letra
para a música. Herbert gravou o mademo, com o ritmo e a melodia vocal e enviou para o baiano
que estava hospedado em Curitiba para um show. As dez horas da manhã, Gil telefonou para
dizer que a fita havia acabado de chegar. A umimeira da tarde, ele ligou de novo, dizendo
a nota I e cantou toda a letra, inclusive respeitando a assentuação da demo de Herbert. E a novidade
virou um dos grandes hits do novo repertório.
Seja seus beijos de Deus, a outros adesseja seu rabo pra seia.
A relação com Gilberto Gil, na verdade, havia surgido durante a turnê de o passo do
Lui, quando o grupo incluiu uma cover de "vamos fugir" no repertório. Essa era uma parceria
de Gil e Liminha, gravada em 1984 com os Whalers, como banda de acompanhamento. Em um show
no Rio Gil chegou a subir no palco para tocar com o trio. Dois anos de poesos, paralelo
estavam muito mais imersos no reggae original da década de 1970, sem mais passar pelo filtro
da New Wave. Eles estavam ouvindo muito os remixes ultra psicodélicos do dub "Jamaicano",
com todas as versões mais lentas e repletas de efeitos de estúdio e prestando muita atenção
nas produções de King Tube e Li Perry. Quando abriram um show brasileiro de Jimmy Cliff,
um dos pioneiros do reggae e do escá mundial, nas palavras de birbeiro tentaram fazer igual.
O melodo marieiro era uma galhofa entre amigos composta por João Barone, Birbeiro e gravada
exatamente como faria, uma banda de reggae da década de 1970, com várias brincadeiras,
com as suas imagens e reverbes. Erei de gaiato no navio, eu trei, eu trei pelo cano, eu trei de gaiato no navio, eu trei, eu trei por�ano. Quando eu dei por mim, eu já estava em alto mar, sem a mesma chance nem maneira de voltar.
Melodo marieiro ganhou uma versão dub, que você está ouvindo aqui de fundo agora. Na verdade, embora tenha o nome de Marujo dub,
essa faixa não é um dub, verdadeiro, porque não é um remix. Na verdade é uma regravação com outro andamento e outra instrumentação,
mas tem um mérito de ter trazido dub para o vocabulário do rock brasileiro pela primeira vez.
Conta a manhã cede por experimentação em mudanças, é curioso pensar que a primeira música gravada pro álbum foi a única música romântica do rebertório, a Dama e o Vagabundo.
Aliás, até o final das sessões, a Iamaya acreditava nela como faixa de trabalho, justamente por ser a única que guardava relações com os paralelmas de o passo do Louis e do Rock India.
Eu vi no regramar meu bem, há coisas mais importantes lá fora, que os nossos pares purt pegar, mas a gente combina o que for necessário.
Apesar da sugestão da gravadora por apresentar em um álbum as rádios com uma música mais palatável, como se sabe, a banda brigou por alagados e venceu, e esse não seria o único confronto do grupo com a Iamaya.
Antes mesmo de entrar no estúdio, os paralelmas do sucesso já haviam decidido qual seria a foto da capa do novo disco.
Eles estavam tão obcecados com a estética bagaceira que unia a favela da mareia contra a instal, que enquanto a maior parte do rock brasileiro buscava referências.
E então, mandando no meio de uma rua suja de uma grande cidade, provavelmente Kingston, sem se importar com poucos e velhos carros na rua, sem evistido,
que um mendigo com sapatos destruídos, mais ou menos enfiados no pé, sem camisa uma bermuda aberta na Braquilha, coéca vermelha vista, prestes a pegar da mão de um outro humano, também ali no meio da rua, alguma coisa enrolada num jornal velho, talvez um frango ou coisa do tipo.
Com uma arrogância atípica de quem tem 24 anos de um disco de ouro recente dependurado na parede, os paralelmas quiserem escolher uma foto tão bagaceira quanto e tão engraçada quanto, que encontraram no meio de fotos antigas de família do bassista Birbeer.
Era uma foto do Pedro, irmão do Bir, num camping em Brasília, adolescente magro e selas de perú calor, descalço sem camisa no meio do mato e na frente de uma tenda, cobrindo ali as vergonhas, com uma camiseta branca e munda.
É claro que a foto dosca foi emoldurada num design super elegante de jota semelo, que andava fazendo capas para o D1 de bandas como Clab Hood e Zero.
Mas a estética, pensada pelo grupo, foi reforçada nas fotos do trio, feitas pelo Maurício Paladares, num bar peçojo do Leblon chamado Bar Memória, que já não existe mais.
Nas fotos Herbert B e Barônia parecem brindando com caixaça, ovos cor de rosa e cerveja em copo de requeijão.
O famoso clipe de alagados, aquele que o Pulum mencionou, dirigido por Roberto Berliner, foi feito numa lage no modo de São Carlos.
Ou seja, tudo girava em torno de uma estética claríssima, assumida e abertamente provocadora.
Seu vagem foi todo gravado entre fevereiro e março de 1986 com liminha, como produtor e vitor farias como engenheiro.
A mesma dupla que pilotou outros clássicos do rock brasileiro da década de 80, como nós vamos invadir sua praia, cabeça dinossauro e seu espião.
É claro que há diversos elementos do rock bangle saxônico espalhados pelo disco. A guitarra de seu vagem, por exemplo, com aquele timbre estranhíssimo, foi decalcada de Natural's Not In It do Gang of War.
A liberdade cai por terra aos pés de um filme de Godar, é uma referência a Jevú Salú Marri, o filme de Jean-Luc Godar, que foi sendo
é censurado no Brasil, mesmo depois do fim da censura oficial.
É o mesmo evento que gerou igreja dos titãs, orguilar no episódio do discoteca básica
a respeito do álbum "Cabeça de Noçao".
Terã também envolver um caso de similaridades musicais, só que dessa vez involuntário.
Uma coincidência, na verdade.
Os paralelmas tinham uma melodia pronta e uma letra construída a partir do noticiário
internacional sobre conflitos no Oriente Médio.
Prestes a entrar em estúdio começa a tocar no rádio uma música de um novo nome do rock
brasileiro que cuja ambianque, a música é "primeiros erros" com um rife idêntico
ao de Teira.
Primeiros erros foi um dos grandes sucessos daquele período e os paralelmas começaram
a buscar alguma a solução para não descartar a composição por inteiro.
Acabaram transformando Teira num Reggae Roots, quase um pastiche da fase inicial de Bob Marle
com os Wailers.
É a música de selvagem de que eles menos gostam, mas é só comparar com esse Reggae de
Rissorte que impera hoje no Brasil pra Teira virar um clássico absoluto.
Outra música no álbum com forte influência New Wave é "Their's a Party", totalmente
inspirada no escada da gravadora Tutón, que bandas como Madness e "Specials".
É quase uma forma de puxar uma referência entre as influências originais dos paralelmas
para essa nova fase do grupo.
Além de alagados que se tornaria a grande música de assinatura dos paralelmas, Herbert
reconhece uma outra faixa do disco como um marco importante para ele como compositor.
É o homem, uma música que não fez grande sucesso, mas que mostra uma evolução existencial
da qual ele sempre se orgulhou.
No livro "Letra, música e outras conversas", escrito pelo Leone com entrevistas com vários
compositores, Herbert diz assim "Quando você afirma que uma pessoa é boa ou mar é um desconhecimento
brutal da natureza humana, que todo mundo tem essas coisas dentro de si, é uma questão
de escolher o que mostrar ou que vai deixar as pessoas perceber".
Herbert diz no livro "Ah, que aliás acabou de ser relançado pela Editura Corsário
de Satan, recomendamos que Arnaldo Antunes elogiu a letra, e que deixou Herbert definitivamente
orgulhosa".
Selvagem chegou às lojas na última semana de abril de 1986, mas já vinha causando
polêmica, desde que alagados havia chegado às rádios na primeira semana daquele mês.
O segundo caderno do jornal "O Globo" publicou uma capa escrita por Ana Maria Bayana,
com uma reportagem cujo título era "O rock brasileiro nos embalos da mãe África".
Ana Maria dizia que "Alagados era abri aspas uma síntese infernal de Samba de Roda Bayano,
Reggae, juju, music e fricote", e adiantava que, no álbum cheio do grupo, abri aspas,
os tamborinhos continuam a guitarra Somi, João e B fazem um toast, não há um único
rock sequer e até a solitária balada romântica é no fundo um reggae lento.
O texto dizia ainda que a estética do álbum era do malandro do terceiro mundo, e ela
ouvia outros artistas e saia com ótimas reflexões como a do Leujaime, que questionava, não
é um absurdo que nenhum grupo do rock brasileiro tem um percussionista? Leuja não se
hava um novo álbum cheio de percussão e influências de Jorge Benjóra.
Lobão havia acabado de lançar um LP chamado "O Rock Errou", olha só o título do
disco, né? Que trazia um dueto dele com Elsa Soares.
A gravadora BMG anunciava a contratação do grupo "Brazilianse" ou "Bina Shock", formado
por filhos de diplomatas africanos no Brasil.
Então aqui, se você me permite uma observação, é importante perceber que essa nova rota
do rock brasileiro surgiu de dentro do rock brasileiro da década de 80 e não em um momento
de retração de mercado. No contrário, surgiu durante a explosão de vendas do plano cruzado.
Esse é um baita mérito dessa geração que raramente é reconhecido. Seja como for quando
o selvagem finalmente foi lançado, o rock brasileiro já estava oficialmente rachado entre conservadores
presos aos modelos anglo-saxônicos e os novos inquietos. Os paralamas trocam rock por
Haggai e Samba, dizia a Folha. Os paralamas trocam o rock rangente pelo mantra
jamaicano e saem por cima, dizia o estado. Os paralamas alteram a direção das suas lentes,
escreveu o jornal "O Globo", um trocatilha e com o hit Oculus. Ah, pegou?
Seu vagem entrou na pauta de toda a cobertura de música, bandas calcadas em guitarras, como
parão vermelho ou titãs, eram desafiadas pelos jornalistas a comentar se o futuro era
a mesma música negra brasileira de jamaicana. E claro, em plícito nessa provocação,
explicar também por que eles estavam presos a modelos ultrapassados. Agora é curioso
de notar que, apesar de todo esse fúrduncio, 1986 foi mesmo, foi o ano do RPM, de London-London,
o ano da legião com o tempo perdido com aquela guitarra encostando nos esmites. Na retrospectiva
do ano publicada pela revista bis, não havia nenhuma palavra sobre os paralamas. A banda do
ano era o RPM, claro. Na votação da crítica, seu vagem ficou em quarto lugar, perdendo
para a cabeça de no saldo dos titãs 2 da legião urbana e vivendo e não aprendendo
do ira. Agora, fora da imprensa, entre o público, a carreira do álbum, foi muito menos
violenta e muito mais natural e efetiva. Eu perguntei para o Pilo, como é que ele recebeu
o disco lá em 1986, como é que o álbum bateu na cabeça daquele jovem e receifense
na última participação dele no programa de hoje. Ouvi só as memórias de Pupilo.
Em relação ao todo assim, o primeiro impacto que me venha a cabeça assim que eu tive
foi em relação à capa. Talvez nunca nenhum disco, assim até então, da minha pouca
experiência com a música, nenhum disco que tinha me causado tanto impacto já a partir
da capa. Eu com aquela capa na mão parecia que eu já sabia que tipo de som que eu ia
escutar, que tipo de som tinha ali dentro. Aquela foto com Pedro Ribeiro, então, uma
coisa super realista, sim, e sintetiza muito a parado. Então, assim, as histórias que
eu já ouvi falar, que a gravadora tinha até estado, que queria, que tivesse uma foto
da banda, daquela coisa convencional, que as gravadores sempre tentam fazer para facilitar
o trabalho. E os caras bateram um pé. Outro exemplo, né, de uma banda manter a dignidade
do seu trabalho é através dessa relação com as gravadoras, que, para mim, é muito
um exemplo de ser uma banda independente. Para mim, a banda independente é aquela banda
que esteja onde estivessem, já qual for a gravadora ou a multinacional, eles vão ser fiéis
a o que eles acreditam, o que eles pensam em relação ao trabalho deles. O Paralamas
foi uma banda que mostrou muito, esse comportamento de impor entre aspas do ano de uma maneira
saudável, aquilo que eles acreditavam e acreditam, e até hoje é assim. Isso se deu também
em relação ao trabalho musical deles, né? Essa liberdade de poder experimentar, de fazer
um trabalho de pesquisa, tão elaborado, né? Aquele pau-ertre, onde todos eles ali entenderam
a necessidade e a importância de cada um desenvolver o seu próprio estilo e muito voltado
para a questão de uma música feita por países
o terceiro mundo, porque a gente perceba um influência muito forte da música jamais cana, da música
africana, e os elementos que a gente tem na música brasileira são todos. Tudo isso é um matéria
muito relacionado ao terceiro mundo, e levantar essa possibilidade de você abração, trabalho,
trilhar um caminho em relação a música que você faz, dentro de um comportamento como esse,
é exemplar. Então, também nesse espectro, isso foi muito importante, influenciou muito a minha
geração, a capacidade de dialogar, entender o que de fato a gente quer defender no discurso da banda,
como sonoridade, como a estética, o trabalho estético está ligado ao visual e a música que é feita
também, essa preocupação que eles sempre tiveram, com a imagem e o som. Então, tudo isso é esse disco
traz um grande referência da música brasileira. É um dos discos que mais influenciaram nesse
espectro, você pegar uma obra como selvagem e ter nele ali, quase que uma obra completamente fechada
dentro do conceito estético, de som, de imagem. Então, não atoa, é um clássico, né?
Seu vagem em placor diversas músicas nas rádios, ao longo de 1986 e 1987, começando claro com
"alagados" e seguindo com o Melodo Marinheiro selvagem e a novidade. A novidade Aliás, que ganhou
outro ótimo videoclip, também dirigido por Roberto Berliner, dessa vez na balça reuniterói,
na mesma estética de "alagados". E, finalmente, muito importante, tocou muito também uma versão
"Lovers Rock" de "Você e Tim Mayer". Aqui, mais uma vez, os paralelmas rompen com a contemporaneidade
obsessiva do pop de sua época e olham ali para o comecinho da década de 1970, a construção da
soul music brasileira, a música pop negra mundial, que era a negligenciada pela sua geração.
Por incrível que pareça, dizem que Tim Mayer não só não reclamou da gravação, como agradeceu a
banda. Valeu, paralelmas, teria dito! Nossa senhora dos direitos autorais, agradece!
Quem toca esse teclado aí em "Você é liminha". Aliás, ele toca teclados também inteirando
e a novidade. Agora, durante a turnê do selvagem, os paralelmas passaram a sentir falta de maior
sustentação harmonica no novo repertório e incluíram um tecladista na formação. João
Fera tocava em uma banda de Baile e dava aulas de violão na Universidade Rural, onde João
Barone estudou antes da fama. Com um show ainda mais poderoso e aceitado na estrada, com o
repertório repleto de novos hits tocando nas rádios, selvagem chegou a 600 mil cópias até o início
de 1987. A proposta do álbum, se parecia apetitosamente polêmica no início, foi se esclarecendo
com o tempo, a medida que realmente o modelo post-punk começou a cisglotar no Brasil, a medida que o
RPM incluiu e a medida que o gosto do público jovem, o bano brasileiro começou a se sprayar em várias
direções. Hermano Viana, por exemplo, escreveu seu livro o mundo funk-carioca em 1988, no ano
seguinte dirigiu a série African Pop para TV Manchete. Os paralelmas já estavam mais do que confortáveis
para aquele cenário, com álbums como Bora Bora e Big Bang, e Albert já estava compondo para
Daniela Mercro e trocando figurinhas com carlinhos brown. Acemente, lançada por selvagem, passou
a dar frutos até embandas como barão vermelho, que adicionou um percussionista, a formação,
ou nos titãs, que se retropicalizaram no álbum Oblesque Blom. E claro, em toda a geração do pop
sério da década de 1990, conforme Pupilo testemunhou muito bem.
O disco selvagem foi lançado em LP e Fita Cassette da IEMI O D1. A versão do álbum em Cassette
tinha com uma música Bonos Teirã Dub, a última do lado A. Essa faixa, essa sim era um remix dub de verdade,
ela foi acrescentada ao repertório do álbum na versão em compacte de disco, lançada em 1989,
e em todos os relançamentos do disco.
A selvagem foi o primeiro álbum dos paralamas, e talvez de toda aquela geração do rock brasileiro,
a conseguisse comunicar com o público latino. Além de uma preensagem portuguesa, o álbum ganhou
edições na Argentina no Chile, mercados em que o grupo passou a investir cada vez mais a partir da liga.
Em 1991, por sinal, o grupo lançou seu primeiro álbum em espanhol, incluindo uma nova gravação
de melodo marinheiro, que passou a se chamar "Canción da Marinera".
Em 1997, seu álbum ganhou a sua única remasterização, até agora, feita por Chris Blair e
Peter Mill, nos estudios Abbey Road em Londres. Esse trabalho foi lançado originalmente na caixa
pólvora, aliás, na lata pólvora, que reunia os 8 álbums de linha dos paralamas até aquele momento,
mas os cds também foram vendidos separadamente. Até hoje, selvagem aguarda uma redição caprichada em vinho.
Quando selvagem foi lançado no Brasil em 1986, a indústria do disco daqui já havia abolido o
formato dos singles, mas o álbum rendeu alguns discos mix, que os colecionadores costumam achar
nos sebros por preços que vão de 50 a 100 e poucos reais. Esses discos eram singles promocionais
em 12 polegadas enviados para os rádios, a DJs e formadores de opinião, com caprichadas seguindo a
identidade gráfica criada por J Cemelo, mas claro, com outras fotos, todas feitas ali no barmemore.
Primeiro, o disco mix foi alagado, que tem uma versão original no lado A e a versão instrumental
que a gente usou na abertura do episódio de hoje, no lado B. Os outros discos mix tem capinhas
bonitas, mas não tem nada de novo no conteúdo. Melodo marinheiro tem Marujo Dub, no lado B.
selvagem é um disco mais pobre ainda, porque tem a mesma versão dos dois lados do disco. E o último
disco mix é a novidade, que também traz a mesma versão dos dois lados, mas para piorar a
capinha ainda foge da identidade gráfica original do álbum.
Agora, quem quiser entender melhores desdobramentos imediatos do selvagem é importante conhecer o álbum
ao vivo de 1987, o disco D, gravado em Montrer, na Suíça, em julho, que tem um vídeo irmão, o V,
o V, o vídeo. Aqueles eram os paralelmos da turnê do selvagem já crescidos do tecladista João
Ferra, que continua com a banda até hoje, aliás, com uma nova dinâmica de pau e muita confiança no
repertório novo. Estão lá, alagados, o homem, a novidade, selvagem, selvagem com direito à citação
de polícia dos titãs. E tá lá também a versão de você de Tim Maia, e mais dois acenos à história
da música brasileira muito importantes. Tem de frente para o crime de João Bosco, que é enxertada.
em Alagados, e tem Charles Angelo 45 de Jorge Benjorko.
Apesar da opção pela música nacional, ou mais provavelmente, exatamente por isso, né?
Os paralamas se tornaram a única banda da sua geração que conseguiu esticar os braços
para fora do mercado brasileiro e uma das únicas de toda a história que trabalhou com
dedicação para estabelecer um trânsito no mercado de língua espanho roda.
Quando a turma de 1994 finalmente apareceu no Brasil, Herbert, B e Barone assumiram o seu papel
legítimo de precursores de toda uma nova sáfa de bandas que recompuseram as relações
do rock global com a música brasileira.
Não atoa os shows dos paralamas dessa época incluíam Mangetown de Chico Science e Nação
de Ombi, ou então eu quero ver o oco dos Raimundos, o que parece ter enchido o grupo de inspiração
para cometer um dos grandes álbamos do pop brasileiro da década de 1990, o 9 Luas de 1996,
um disco que, de alguma forma, une o lado latino, lado africano, lado roqueiro
e o lado romântico do trio de amigos.
Para celebrar os 25 anos de selvagem em 2011, os paralamas do sucesso montaram um show
especial dividido em dois atos, segundo o ato um condensado da sua apresentação
normal, mas no primeiro o repertório de selvagem na íntegra.
O show passou pelo Rio e por São Paulo e ganhou o reforço de liminha na guitarra.
Essa aqui, para a gente terminar, é uma versão de selvagem, captada da plateia em 2011,
com os paralamas do sucesso e liminha, comemorando os 25 anos de um dos maiores álbamos brasileiros
de todos os tempos.
Quando o terminei descreveu o roteiro deste episódio, percebi a enorme quantidade de referências
que fogem do universo tradicional aqui do discoteca básica.
Porque a mola propulsora do selvagem foi exatamente essa, né?
ampliar a prateleira de ingrediente do roque brasileiro.
Então tem lambada paraínse, tem fricote, samba regei, zuc e vai embora, né?
Então, pensando nisso, a gente criou um episódio fechado, chamado selvagem, notas de Roda Pé,
com dez álbamos e artistas citados aqui neste episódio, fundamentais para a teia de referências
que Ebert, B e Barone usaram no seu disco clássico e que muito provavelmente estão fora
do radar do nosso ouvinte.
Para ouvir, você precisa ser sócio do clube discoteca básica, nossa comunidade de apoiadores
que têm acesso a conteúdos e a promoções exclusivas.
Falando em promoções, a promoção desta semana tem tudo a ver com o episódio de hoje.
Eu estou aqui em minhas mãos com um exemplar do livro Letra, Música e outras conversas na nova edição
da editora Corsário Satã.
O Leone, você sabe, foi o líder original do que de Abelha e os Abobras selvagens.
Também esteve no palco do Rockin Hill de 1985, foi parceiro de Abert Eviana, parceiro de casusa
e um personagem fundamental no Rock brasileiro da década de 1980.
Em 1986, ele estava do outro lado do alambrado do selvagem, vestindo sobretudo e fazendo
o posto de entediado com sua banda heróis da resistência.
Em 1995, ele publicou um livro com entrevistas, na verdade mais bate papos com outros compositores
e os papos eram simplesmente deliciosos e reveladores a respeito de inspiração, transpiração,
referências técnicas, enfim.
É um livro sem muito paralelo no Brasil.
Nele, Leone entrevistou.
Abert Eviana, aliás, foi fonte para esse episódio, como a gente já sumiu, Renato Russo, Marina Lima,
Lobão, Frejá, Samuel Rosa, Adriana, Calcanho Oto e Nando Reis, o Nando que na época ainda
era a membro dos titanos.
É um livro altamente recomendável para todos os ouvintes do discoteca básica, mas para quem é
assinante do clube, ah, ele só precisa deixar um comentário no post correspondente à promoção
na nossa comunidade do Hot Martes Parko até o dia 1º de julho de 2022, que é quando a gente
vai rodar o sorteio.
Para isso, precisa ser assinante do clube discoteca básica, mas aí é fácil, né?
Você entra ali em podcast discotecabasica.com/clube e segue os links ali.
Dá para aproveitar os 30 dias de degustação grátis, ter acesso a todo o acervo de conteúdos
já publicados, ouvi o episódio novo, selvagem, notas de rodapé, e ainda concorrer ao livro
letra música e outras conversas do leone, num oferecimento da editora Corsário Satan.
[Música]
Neste trecho do discoteca básica, você sabe bem a gente indica um artista ou banda do século 21
que se conecte com o disco da semana.
Queria honrar aqui as ligações dos paralamas com nuestras hermanas latínas e recomendar
um grupo peruano, chamado Bareto, formado em Lima em 2003.
O Bareto tem em comum com os paralamas as raízes no reggae e no escá, só que sem o filtro
New Wave, e também sem o DNA Classic Rock do grupo brasileiro, né?
A partir dessa base de a maicana, o Bareto vai beber na cumbia peruana, e é a xixia, né?
No merengue e na salsa.
Eles são grandes no seu país e aliás declaram a influência dos paralamas.
Eles participaram do tributo virtual Caleidoscópio, um tributo aos paralamas do sucesso,
produzido pelo amigo Leonardo Vinhas pro selo Scrimaniel com uma ótima versão de uma brasileira.
Se você curte o bareto agora, agradecer ao Lelvinho, porque foi a indicação dele.
O Bareto acabou de lançar um novo álbum chamado Elamor no Esparalos débiles, mas eu vou
mostrar uma música com mais cara de guitarrada que pra vocês, que eram amanecer um single
de 2016 do grupo peruano Bareto.
[MÚSICA]
[MÚSICA]
E agora vamos ao espaço do discoteca básica, no qual a gente traz aqui pro programa
algumas das mensagens que vocês escreveram pra gente nas nossas redes sociais.
O podcast discoteca básica, Instagram e o DB Underline Cast no Twitter.
Ou então, nas minhas redes pessoais, R Alexandre DB.
As mensagens seguintes são todas a respeito do episódio 6 dessa temporada,
o episódio sobre o disco transa do Caetano Veloso, o Itavo colocado na eleição
dos 500 maiores álbums brasileiros de todos os tempos.
[MÚSICA]
O Anderson Pires da Silva escreveu contando um pouquinho da história dele com o álbum.
Aliás, eu tenho gostado do que vocês têm feito isso cada vez mais, né? Fiquem super à vontade pra isso.
O Anderson diz assim, "Transa do Caetano estar na minha história de vida,
nunca me esqueço da primeira vez que eu ouvi It's a Long Way, na Rádio Tatiaia,
a tarde, no quarto de pensão, após me mudar pra juízo de fora solitário
em uma cidade estranha com um futuro incerto."
[MÚSICA]
O Renato Ferreira Machado escreveu o seguinte,
Acabo de escutar.
O episódio deve confessar que após ouvir a análise de triste Bahia interrompia a reprodução
do podcast e foi escutar a música na íntegra.
Este episódio de discoteca básica ficou divino e maravilhoso, como diria o próprio
Katero.
Diego Cage escreveu com uma pergunta.
Não há informação sobre sobras de estúdio desse disco, se ele foi gravado ao vivo
deveria ter alguns steques alternativos, né?
Bom Diego, o fato é que até hoje, pelo menos não apareceu nada, se ficou alguma coisa
ali encaixotada no ché pausa estúdio, só aí foi vendido quando o estúdio fechou.
A feima também fechou, e o que é universal music tem é a master já amixada do álbum,
que o Caetano trouxe por Brasil.
A gente fez um episódio fechado no curto de discoteca básica, respeito do tropicalismo
no exílio, e um dos tópicos foi justamente sobre arquivos que vieram a público, mas até
agora não tem nada sobre o trânsito.
A ouvinte Carolina Morais Sombine disse assim, como sempre impecável este episódio, a cada
segunda-feira ficou na expectativa desta companhia tão agradável no meu retorno para casa.
No dia seguinte, vou trabalhar ouvindo o álbum do episódio.
A vida fica melhor, é um bálsimo no meio de tanta coisa ruim acontecendo.
Gratidão e cardo, apoiei o livro e fico na torcida para que muitos apoem também.
Por checarolina muito obrigado, bom saber que a gente tem espalhado boas vibrações por
aí.
Obrigado também pelo apoio no financiamento do livro, de fato muita gente tem apoiado,
isso é um motivo de enorme alegria, valeu.
O Bruno Zé disse assim, este foi o episódio mais porrada no estômago até agora, que
história triste, mas que disco bonito.
O meu querido amigo, e também o vinte do discoteca básico, Josué Matos, ele também foi
pouco por esse caminho ali, ele escreveu o seguinte, esse episódio foi sensacional, fica
mais fácil imaginar, e entender o que era o Brasil da ditadura e o Brasil de hoje.
O Fernando Perim Munkies, escreveu um e-mail muito legal para o contato à roba, pode
que este discoteca básica, ponto com que eu queria responder por aqui no programa.
Eu vou ler um trecho, porque com ele mesmo disse, não é uma mensagem daquelas curtinhas
estilo rede social, mas no estilo das antigas cartas escritas, a mão.
O Fernando contou a sua história de amor pela música e acusou o discoteca básico de ter
escolhambado a vida dele.
Abre aspas, explico, até 2022, eu não conhecia o seu podcast, no YouTube sigo alguns canais,
quase todos os que você citou no episódio piloto, e a questão dos podcasts e books.
Já estava me rodeando, pois eu queria achar alguma fonte de conteúdo sobre música que eu
pudesse simplesmente ouvir, sem precisar ficar olhando para o matelo.
Os podcasts foram uma abaita, descoberta, uma revolução na forma de consumir conteúdo
sobre música.
Mas o discoteca básica, meu amigo, é uma verdadeira sacanagem, uma armadilha com o ouvinte
que se aventura a dar um play em algum episódio.
Você criou uma verdadeira droga virtual extremamente viciante, quem já tomou uma dose
cavalar de cultura nas veias do ouvinte e bate forte, proporcionando uma onda de prazer
orgasmico.
Achava que não encontraria mais esse tipo de prazer em tempos de conteúdos cibernéticos,
efêmeros, líquidos e descartadas.
Comecei pelo episódio do Kind of Blue, um dos meus discos preferidos de todos os tempos
que descobri por acaso pelos anos 2000, o jazz abriu as portas da percepção pra mim,
algo que eu achava que o Jim Morrison e os Doars haviam feito antes.
O jazz permitiu que eu me reconnectasse com muita coisa que musicalmente eu não tinha
maturidade pra apreciar quando escutei pela primeira vez, e o discoteca básica agora é isso
pra mim.
Está me permitindo a reconexão com coisas que nunca havia aparado realmente pra ouvir
com atenção ou que tinha certo preconceito ou preguiça em minha profunda.
O seu podcast está gerando uma nova revolução cultural e musical em mim.
Entretanto, o discoteca básica também tem me gerado problemas, apesar da minha esposa
feliz, pois agora eu lavalo a se ajuda a arrumar a casa com ninguém enquanto escuto.
Com esses episódios, a minha necessidade de comprar discos aumentou, a minha necessidade
de ler livros, ver filmes e documentários sobre música foi para a estratosfera, a minha
urgência de escutar coisas novas só cresce, e a lista de podcasts similares ao seu
só virou uma compulsão e tenho cada vez mais coisa boa pra escutar.
Enfim, acho que ansiedade aumentou, desejo vida longa, infinita ao seu programa e muita
saúde pra toda a galera que está por trás da produção do mesmo.
Cuja Fernando, seu podcast é agradecer pelo carinho e pela disposição em escrever a sua
abela carta.
É muito legal mesmo saber que o programa tem entrada assim na vida das pessoas e gerado
coisas boas em torno da música.
E obrigado por dividir isso comigo e eu divido aqui com as pessoas, uma abração e
nome de toda nossa equipe pra você, valeu.
E assim termina o Itavo Episódio do programa Disco Attack Basque ou Antipenúltimo desta temporada,
toda dedicada ao Top 30 da nossa super eleição, os 500 maiores álbums brasileiros de todos
os tempos.
Eu termino agradecendo mais uma vez a todo mundo que tenha apoiado a nossa cancunha de
financiamento coletivo e lembrando que estamos nos últimos dias pra você garantir o seu
livro.
Vai lá, em podcast Disco Attack Basque, ponto com um barra livro, escolha sua recompensa
e faça o seu apoio.
Se você gostou deste episódio, eu te convido a compartilhar, mandar por amigos, parentes
e atribuir uma boa nota nas plataformas de stream.
O Disco Attack Basque é uma reprodução da tudo certo conteúdo editorial e da para só
o storytelling.
No nome de Ricardo Alexandre, eu faço a loucoção e a redação final, o ségio Jomore trabalha
comigo na pesquisa e no roteiro, a Jessica Correia faz a edição a partir deste episódio
e eu e o Bugamafra fazemos a produção.
Semana que vem, é o penúltimo disco da temporada, o décimo sexto colocado na nossa
votação, um dos discos mais pedidos pelos ouvintes do Disco Attack Basque, que é
saber qual é, então não vai perder, até segunda-feira que vem, valeu.
Podcast Summary
Key Points:
O álbum *Selvagem* dos Paralamas do Sucesso está em 24º lugar na lista dos 500 maiores álbuns brasileiros de todos os tempos, segundo a votação do Disco Teka Básica.
O disco marcou uma ruptura no rock brasileiro ao misturar influências do reggae, juju, samba de roda e lambada, criando uma nova identidade musical que dialoga com raízes africanas e populares.
A música "Alagados", com seu clipe e produção visual provocativa, foi um ponto de virada que despertou a consciência dos artistas sobre a necessidade de conectar a música com a realidade brasileira.
A parceria com Gilberto Gil, especialmente na faixa "A Novidade", simbolizou uma nova relação de colaboração e respeito entre artistas, ultrapassando o confronto de antigas posições.
O álbum foi fundamental na transformação do rock brasileiro, desafiando modelos anglo-saxônicos e abrindo espaço para uma música mais autêntica e conectada ao terceiro mundo.
A capa do álbum, com a foto de Pedro Ribeiro, foi um símbolo de ousadia e autenticidade, reforçando a identidade da banda como artista independente e crítico do mercado.
A constelação de influências — como o reggae jamaicano, o funk carioca e a música africana — demonstra como o disco foi um ponto de virada na evolução do pop brasileiro.
O sucesso de *Selvagem* influenciou gerações posteriores, sendo referência para bandas como Barão Vermelho, Titãs e o próprio movimento tropicalista.
Summary:
O álbum *Selvagem* dos Paralamas do Sucesso, lançado em 1986, ocupa a 24ª posição na lista dos 500 maiores álbuns brasileiros de todos os tempos, segundo a votação do Disco Teka Básica. Ele representa uma virada fundamental no rock brasileiro ao misturar elementos como reggae, juju, samba de roda e lambada, criando uma música autêntica e profundamente conectada ao contexto social e cultural do Brasil. A faixa "Alagados", com seu clipe provocativo e sua estética realista, foi um ponto de virada que despertou a consciência dos artistas sobre a importância de integrar a música às realidades populares, especialmente no Nordeste.
A parceria com Gilberto Gil, especialmente na música "A Novidade", simbolizou uma nova forma de colaboração, baseada em respeito mútuo e diálogo, ao invés de confronto. A capa do disco, com a foto de Pedro Ribeiro, reforça a ideia de ousadia e autenticidade, representando uma postura de banda independente. O álbum desafiou os modelos anglo-saxônicos do rock, promovendo uma música mais atitudinal, com raízes africanas e populares, e influenciou profundamente a evolução do pop brasileiro, servindo como referência para gerações subsequentes.
Seu impacto foi notado tanto na crítica quanto no público, sendo um marco na história da música nacional e um dos exemplos mais significativos de conexão entre arte, cultura e realidade brasileira.
FAQs
O álbum "Selvagem" está em 24º lugar na votação realizada pelo Disco Teka Básica, que reúne especialistas e públicos para formar o ranking dos 500 maiores álbuns brasileiros de todos os tempos.
O álbum é considerado um marco pelo seu uso ousado de influências africanas, como a juju, a lambada e o fricote, misturando com o rock brasileiro e criando um novo estilo que rompeu com os modelos anglo-saxônicos da época.
A capa foi escolhida entre fotos antigas de família do bassista Birbeiro, mostrando um momento realista e bagaceiro, retratando a favela da Maia e simbolizando a identidade do rock brasileiro nas comunidades periféricas.
O álbum foi inspirado em elementos como o reggae, a juju, a lambada, o samba de roda e a música africana, além de referências ao rock progressivo e ao dub, criando uma fusão única e inovadora.
Ele serviu de base para a evolução do rock brasileiro, influenciando bandas como o Barão Vermelho, os Titãs e o grupo Bareto, e ajudando a estabelecer um diálogo entre o rock internacional e a música brasileira tradicional.
O clipe de "Alagados" foi um impacto cultural, pois mostrou a realidade das favelas do Rio de Janeiro e gerou um debate sobre a necessidade de olhar para dentro da própria cultura brasileira e valorizar suas raízes.
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