O podcast "Escafândaro" investiga o impacto do sistema de vigilância inteligente Smart Sampa, implementado em São Paulo com câmeras de reconhecimento facial. O sistema, que custa 10 milhões de reais por mês, monitora cerca de metade da população brasileira, mas não demonstra redução real na criminalidade nem melhora na eficácia da polícia. Estudos mostram que o sistema não altera os índices de criminalidade entre áreas com e sem câmeras, e que os índices de detenção são altamente suscetíveis a erros, especialmente contra pessoas negras, devido a viéses na base de dados utilizada. O caso do morador Ailton Alves de Souza ilustra como um homem negro é detido por falsa identificação, com abordagens frequentes e humilhações públicas, reforçando o racismo estrutural na política de segurança. A tecnologia, embora promovida como medida de segurança, atua como um sistema de vigilância constante e generalizada, que perpetua a suspeita e a desconfiança. Além disso, o modelo é governado por empresas privadas que se beneficiam com dados coletados, criando um sistema de vigilância público-privado com interesses econômicos que não estão alinhados com a justiça social. A análise aponta que o sistema não resolve os problemas de segurança real, mas amplia a insegurança e a opressão, especialmente para populações vulneráveis. O episódio questiona se a segurança obtida com tecnologia de vigilância é realmente justa, ou se, por trás dessa aparição de eficiência, está um modelo de controle social baseado em preconceitos e desigualdades estruturais.
Oi.
Rádio Gorda-chuva, jornalismo para quem gosta de ouvir.
E a gente está aqui. Aquele ópulos, a gente está em saco.
No dia 7 de agosto, sexta de manhã,
Mateus Macolino e eu fomos apanhados na estação sacomando metrô
nas unas suites a um Paulo
por um morador da favera de olhópolis,
chamado Ailton Alves de Souza.
O Ailton, a homem negro, bem falante,
vestiu uma camiseta vermelha, florida,
botuada até em cima,
e dirigia uma minivanquia com bancos beijos
que não escondiam longas décadas de serviços prestados.
Tem tudo aí, balada, tem tudo dentista,
tudo que você imagina até dentro, cableireiro.
Tem também bastante policiamento,
pelo menos na parte mais urbanizada.
Não, aqui não tem problema. Agora não tem problema,
mas se fosse antes eu já ia ficar aí.
Enquanto o dirigia,
o Ailton explicou para a gente
o que teria acontecido alguns meses antes.
E teria sido reconhecido
por uma série de câmeros de reconhecimento facial
que ficam numa estrutura metálica em cima da avenida.
A blita estava estratégicamente posicionada
um pouco depois daquelas câmeras.
A câmera de trânsito, de shopping, de cinema,
qualquer lugar pegava meu rosto,
mandava uma central para a viatura.
Aí, lá na viatura eles têm um tablet
que eles consultam lá,
quando eles consultavam,
estava o meu gosto, os meus dados.
Aí, ainda na narrativa do Ailton,
os policiais teriam recebido uma foto
dele junto com a placa do carro,
e ele teria sido parado
e detido por ter matado quatro pessoas.
E você sabe como a policia militar
costuma agir com pessoas negras,
suspeitas de homicídio.
Não é assim da maneira mais polide educada, né?
Não, os caras de forma tocoleta.
Achando que ia tratar isso.
E esse para explitar que fosse tipo um neto tomado.
Eu sou um cara negro, entendeu?
Mora em favela,
já tem a porta do estereote
e o racismo,
que isso aí conta muito.
Então meu. complicado.
Eu sou Tomás, que é a Virini,
e o episódio 168 de Escafândaro já começou.
Nelho, a gente vai falar sobre os sistemas
de câmeras de segurança
que hoje vigiam aproximadamente metade
dos brasileiros.
A gente vai tentar entender os pros
e contra de se sacrificar
a privacidade em nome da segurança.
E a gente vai te responder
esses projetos
como os Marte Sampa
valem a pena.
Antes, eu preciso te lembrar
que o Escafândaro
é orgulhosamente mantido
para um grupo de ouvintes
que apoio o podcast financeiramente.
As pessoas luminosas que dele participam
têm direito a uma série de mimos.
Podem escutar o episódio um diante,
podem ter o nome citado por aqui,
podem gravar a ficha técnica de um programa
e a depender do valor,
tem direito a uma caneca
customizada com o logo tipo do Escafândaro.
Mas o maior dos mimos
só que a gente já apoia sabe qual é.
É um mimo particular,
íntimo e intransferível.
É ouvir cada episódio
sabendo que ele só existe
porque você ajudou ele a acontecer.
Então, se você quer ter acesso a tudo isso,
se quer que o podcast cresce e melhore,
vem se juntar o grupo de pessoas luminosas
que apoio o Escafândaro.
O melhor caminho para fazer isso
é pelo fabuloso Pix Recurrente
usando a chave de e-mail.
apoie@rádioescafândaro.com
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E um detalhe importante.
Se você fizer por esse caminho
e tiver direito a uma recompensa física
ou se quiser falar com a gente,
me mando e-mail.
Pode ser nesse endereço mesmo.
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Se você quiser apoiar por outro caminho,
é só ir lá no nosso site
rádioescafândaro.com
clica na aba apoie
que tem tudo explicado.
No mais, se você já está entre as pessoas luminosas
que mantenham o podcast
num ar a mais de sete anos,
gente como a Patricia Rodrigues,
a Thaísa Mirelli, o Bruno Langeanne
e o Eros Figueiredo.
Muito obrigado.
Mas muito obrigado mesmo por isso.
Depois da infazão do Edaq,
em 2003, os americanos,
como costuma acontecer com os americanos,
se viram metidos numa guerra
difícil de ser vencida.
Um dos maiores problemas
tinha a ver com conflitos urbanos,
com técnicas de guerrilhas
usadas pelos iraquianos
e com um pesadero de qualquer soldado,
os IEDs
ou dispositivos explosivos improvisados.
Uma pessoa qualquer,
aparentemente se viu,
se explodia,
ou um carro explodia,
ou um caminhão,
e isso causava baixas consideráveis
entre os soldados invasores.
A solução,
ou uma tentativa de solução,
foi inventar
uma máquina do tempo.
Um projeto Angelfire,
algo como fogo angelical.
O sistema foi testado, na cidade de Falluja,
próximo a de Baghdad.
Segundo o ex-militar da força aeramericana
e fundador da empresa
Persistent Sur Violence System,
Ross McNut,
um avião equipado
com câmeras de alta definição,
sobrevoava uma região
de cerca de 65 crômetros quadrados
e tirava uma foto por segundo.
Aí, imagina que explodia uma bomba
e um mercado.
A famarça da bomba
vai aparecer em uma foto.
Aí, o povo do projeto Angelfire
focava naquela área
e é voltando.
Segundo a segundo.
Imagina como seria isso.
A famarça encolhendo,
o carro bomba que explodiu
estacionado,
e volta a volta a volta,
o carro sendo desestacionado,
e volta a volta a volta,
o carro fazendo ao contrário
todo o pericurso velocidade
até o quartel general dos terroristas.
E aí, ainda era possível
focar nesse quartel,
e volta a volta a volta,
outro carro chegando
e saindo
e assim se criava
todo uma teia de eventos
desparados pelo tempo espaço
de faloja,
permitindo que várias pontas
ligadas à uma explosão de bomba
fossem amarradas
em investigações
que mais tarde
poderiam gerar ações militares.
Depois do uso no Irak,
o engenheiro responsável
pela Tractana propôs
que ela fosse utilizada
também nos Estados Unidos.
Em 2012,
eles resolveram fazer
um primeiro teste.
Cinco dias,
na cidade de Dayton,
em Ohio.
E batata.
Eles conseguiram, por exemplo,
recuperar um caminhão roubado.
Os policiais tinham chegado
nascinando o crime,
o ladrão já tinha se escapedido,
mas eles foram ali as imagens
e volta a volta a volta,
tava lá todo o pericurso do caminhão
que tinha sido estacionado
alguns quarteirões de distância.
A polícia foi até lá
e encontrou caminhão,
suspeito e carga.
Sucesso total.
Eles também testaram o sistema
na cidade de Ruares
no México.
E lá, as realizações
foram ainda mais impressionantes.
Segundo o depoimento
de uma fonte mexicana
no podcast Radio Lab,
em um caso,
eles começaram
seguindo os assassinos
de uma policial,
morta dentro do carro,
e acabaram desmantelando
um quartel que estaria ligado
a 1.500 assassinatos.
O projeto funcionou
durante cinco meses
na cidade de Ruares
e, segundo fundador da empresa,
ajudou na investigação
de 34 assassinatos.
Mas, ao que tudo indica,
a prefeitura ficou sem dinheiro
para continuar pagando
pelo uso da tecnologia.
E aí, tem um caso americano.
Depois dos cinco dias de testes,
o chefe da polícia de Dayton
recomendou que a cidade
contratasse o sistema permanentemente.
A prefeitura
chamou uma audiência pública.
E a cidade
se dividiu de um jeito estranho.
25% das pessoas que foram a audiência
eram a favor.
15% eram contra.
E a grande maioria
estava em dúvida.
Mas, no fim,
os 15% contrários
eram tão contrários
falando em invasão grotesca
da privacidade
que o sistema
foi rejeitado.
E esse, pra mim,
é o ponto mais importante.
Porque esse sistema é
o fotografas pessoas
de cima e de longe.
Ainda que ele possa
fotografar algo
ou alguém dentro de uma
propriedade privada,
talvez o processo
todo seja menos invasivo
do que iniciativas como
artesampa que são capazes
de registrar o rosto
das pessoas.
Da primeira vez
que aconteceu,
coincidentemente
estava chegando com minha mãe
do médico.
O aí o tão alves de
soza contou pra gente
que tudo começou em
2020 numa tarde
em que ele tinha acabado
de entrar em casa
depois de levar a mãe
ao médico.
A mãe dele sofre
de diabetes,
então precisa ir sempre
ao postinho de saúde.
Era por volta
de duas horas por aí.
Aqui ele ó, por isso.
Isso aqui,
ele ó, por isso.
Aqui em casa.
E aí quando eu cheguei em
casa, só vi as batidas
na porta.
Tinha acabado de entrar.
Isso tinha acabado de entrar.
Tá vendo o meu subrinho?
Porque para entrar na minha
casa tem um quinta-ozinho, né?
Tem o portão quinta-ozinho
depois de ser entre.
A rua do aí o tão
bem estreita.
Quase uma viela.
As casas são
todas coladas,
umas nas outras.
Muitas eu venaria sem acabamento.
A dele ainda tá no reboco.
Aí tem um portão
zinho de grades
que dá pra um espaço
bem apertado que eu não
chamaria de quintal.
É tipo aquelas
entradas de prédio.
Em que o porteiro
se deixou preso até a
porta de trás fechar.
Pois é.
Naquela tarde o
subrinho dele tinha esquecido
de fechar esse
portãozinho de grades.
Então os policiais
estavam batendo
direto na porta.
Aí eles batem na porta, né?
Tum, tum, tum.
Mais forte que o normal.
Mais forte que o normal
tava quase quebrando a porta.
O aí o tão conto pra gente
que achou que podia ser um
parente dele.
E deu uma resposta
meio travessada.
Tá louco batendo na porta
dos outros desse jeito.
Aí ele se levantou,
abriu a porta.
Abriu a porta.
Então pouco dois policiais.
Já tinha dois investigadores de policia, uma viatoria da polícia civil,
aí tinha um investigador e uma investigadora.
Os dois policiais estavam com roupa civil, coletes da polícia,
armas nos quadres, mas com botão solto para facilitar o sac.
Segundo a Yuton, eles foram cordiais.
Aí eles falaram assim, você é o A Yuton?
Aí eu falei, só eu sou o A Yuton.
Os policiais mostram um papel para a Yuton e repeti a pergunta com detalhe a mais.
Você é o A Yuton, vulgo baiano?
O A Yuton contou que estava nervoso, confuso.
Então nem deu muita bola para essa parte do vulgo baiano,
porque se mostrariam erro e tanto.
E ele falou vulgo baiano e eu nem me atentei, mas ele falou que você é o A Yuton.
Eu falei assim, eu sou o A Yuton.
Aí ele falou assim, eu estou com um mandado de prisão no seu nome.
Porra, aí você meio que tomou um choque, né?
Dá meio que uma bugada, né?
Aí eu falei assim, como assim?
É a única coisa que eu falei, como assim?
Um mandato de prisão do que?
O policial não respondeu, mas deixou o A Yuton leu o documento.
Ele lembra que parou antes de chegar no mundo.
Aí eu reparei que o nome do procurado, o soza dele, é com o Z, e o meu é com S.
Eu falei por que escrever meu mamarrado, ele falou isso, aqui é um mandado de prisão.
Eu vou ter que te levar.
Eu falei, como assim vai ter que me levar, né?
A mãe do A Yuton teve de ser acalmada pelo sobrinho.
Fula assim ao voo, tem a polícia aqui.
Fula que vai levar meu tio.
Os vizinhos perceberam que algum bozinho estava acontecendo ali.
Todo mundo começa a sair das casas e começa a olhar os vizinhos.
O irmão do A Yuton chegou esbaforido.
Meu subninho ligou meu irmão.
Essa altura, o A Yuton já tinha deixado os policiais entrarem na casa dele.
E já entrou?
Sem mandado, não era pertentrado.
Tanto o investigador como uma mulher que estava com ele, né?
E estava sendo coberto de pergunta.
Aí você, você já foi no Mato Grosso?
Eu falei não, fazeu o que no Mato Grosso.
Policial insistiu.
Eu fosse insetente a ter sido nunca foi no Mato Grosso.
O A Yuton continuou ajudando por tudo que nunca tinha ido ao Mato Grosso.
E conforme a conversa avançava, ele ia percebendo que a atitude do policial,
um homem de 50 e poucos anos, ia mudando.
De início, ele foi meio estúpido.
Mas depois ele foi danoia a achada.
Acho que ele começou a se ligar, porque assim,
quando eles estão abordando alguém, ele já sabe quando o cara é malando,
quando o cara é bandido.
Assim, só o fato deles analisarem a pessoa.
E pelo que ele me falou, assim, eu entendi que ele era um. um policial experiente, então ele já tinha uma noção.
Nos casos já tem a manha, né? Eles têm um faro.
Provavelmente, seguindo o extinto de tira, o policial mudou o foco da investigação.
Ele me dá seu RG.
O A Yuton bedeceu, o policial deu uma boa olhada,
comparando os dados do documento dele com os dados que estavam nomandados.
Você é realmente o nome dele aqui no RG?
Tá com. com esse.
Em 2024, depois de um período de testes,
a Secretaria Municipal de Segurança Urbana da Cidade de São Paulo
começou a operar um sistema de vigilância ambicioso.
Ao custo de 10 milhões de reais por mês,
o Smart Sampa centraliza milhares de câmeras de vigilância públicas e privadas.
No começo de 2016, segundo a prefeitura,
eram 50 mil câmeras, sendo que 20 mil faziam parte do contrato do programa
e 30 mil eram de empresas privadas ou de outros órgãos.
E para simplificar, existem dois tipos básicos de câmeras de vigilância
e isso é bem importante para a nossa discussão.
As que fazem reconhecimento facial ou de outros dados como placas de veículo
e as que fazem vigilância simples.
Existe uma série de outras possibilidades de colata de dados,
dinários de movimento, de classificação de objetos
e as características de cada câmera variam bastante.
Mas para a nossa história, o importante é a gente dividir as que captam dados biométricos
e as que só gravam imagens.
A biometria e reconhecimento facial faz uma coisa diferente da vigilância,
que não é só olhar para o indivíduo.
Esse é o professor de relações internacionais da Unicamp
e especialista em sistemas de vigilância
e em tecnologia aplicada a segurança ao sí desperon.
É produzir um registro, produzir um dado,
a partir da extração de informações biométricas do corpo humano.
Então quando você tem uma câmera do lado de fora da sua casa,
ela não está coletando dados dos indivíduos da biometrinde do indivíduo.
Por um outro lado, a biometria faz diferente.
Enquanto ela está apontada para uma determinada localidade
e você coloca o rosto lá, ela faz uma captura daqueles dados.
É como se você estivesse colocando seu dedo ali para um registro
ou se você estivesse no limite considerando colocar uma mostra do seu sangue
para um reconhecimento,
ou você tivesse de uma certa maneira ofertando de uma maneira hiperautomática
hiper rápida, um conjunto de dados e informações sobre você
que conectam a sua identidade política com o seu registro biológico.
E daí, como uma consequência,
há uma diferença entre vigilantismo e reconhecimento facial.
A virulência que o reconhecimento facial tem em relação à vigilância.
Ela é muito mais violenta uma vez que a sua própria origem,
a sua própria genética está associada a uma forma de administração
de indesejados,
até porque ela faz um registro sem consentimento muitas vezes.
Quando o sistema de reconhecimento facial está no seu celular
para você desbloquear, você consentiu com aquilo,
você aparentemente leu os termos ali.
É, não.
Eu não li você no leu, ninguém leu esses termos
e essa é uma outra discussão que vai voltar para a nossa história mais para frente.
Por enquanto, segue o fluxo do raciocínio do alcidesperon.
Você está consentindo com aquela ferramenta como sendo um instrumento
para liberar o acesso ao seu celular.
Quando você consente isso, por exemplo, na entrada de condomínios,
quando você consente isso na entrada da tua faculdade ou algum outro lugar,
você está consentindo a um pedido, posso usar.
Agora, quando ele é aplicado, por exemplo, em espaços abertos públicos,
sem que haja um consentimento prévio,
a gente está lidando com uma captura de dados sensíveis,
porque dá a regiça biométrica, que é sensível, sem consentimento.
Então, isso perceja, mostra uma diferença
e um nível de entrosividade muito maior
do que as práticas tradicionais de vigilância.
Documentos oficiais da Prefeitura dizem que as 20.000 câmeras contratadas,
especificamente, pro programa "Tem tecnologia de reconhecimento facial",
mas não existem dados precisos sobre a quantidade de câmeras particulares
que têm esse recurso.
De qualquer forma, essas câmeras passaram a ser monitoradas
ininterruptamente por uma central.
Em teoria, o sistema funciona da seguinte forma.
A parcela de câmeras que têm reconhecimento facial
monitoram o rosto das pessoas que transitam pela cidade.
Aí, um software usa inteligente artificial
para comparar essas imagens com fotos de bancos de dados diversos.
O sistema procura basicamente foragidos da justiça
e pessoas desaparecidas.
Quando a similaridade atinge 90% mais, o sistema gera uma alerta,
um operador da guarda civil metropolitana analisa
se aquela informação faz sentido,
e só aí uma eventual abordagem autorizada.
Mas o smart sample é capaz de fazer bem mais do que isso.
Ele é capaz de identificar atitudes suspeitas.
Ele é capaz de fazer leitura de placas de veículos em tempo real.
Uma tecnologia que, pelo menos em teoria,
deixa o projeto ángel fire parecendo bobagem pouca.
A identificação de padrões anomalos em grandes conjuntos de pessoas
e em manifestações, como, por exemplo,
pessoas andando no ritmo contrário com uma velocidade maior
às vezes portando arma, uma presença num determinado perímetro.
Quando se fala em placas de veículos,
o sistema não só é capaz de identificar instantaneamente
quem é o dono de um determinado veículo,
se existe alguma multa e seu veículo foi roubado,
como é capaz de traçar as rotas que esse veículo fez ao longo do tempo.
Então isso é muito interessante quando você vê o smart sample em funcionamento.
A gente passou mais de dois meses pedindo para a prefeitura
deixar a gente ver esse tal sistema funcionar.
Mas não tivemos sucesso.
Você vai lá digitar uma placa de um veículo,
por exemplo, a placa do meu, no digital, ver toda a rota que eu fiz.
E mais, se colocar ao longo do mesmo,
mostra a rota onde eu fui, o que é padrão de anomalidade.
Quer dizer, o sistema capaz de mostrar, por exemplo,
se um determinado carro ou motocicleta suspeita,
fez alguma rota fora do padrão.
Pensem como essa ferramenta é poderosa em termos de investigação?
Quando você tem um crime que acontece em uma determinada localidade,
você consegue registrar os indivíduos que estavam ali,
se existe parametrização facial do indivíduo em algum banco de dados.
Você consegue produzir conexões.
Olha, esse aqui é o Alcides, esse aqui é o Mateus e tal.
É muito grande a porcentagem de reconhecimento.
Vamos atrás aqui para ver onde esses caras moram,
tem alguma identificação possível.
Isso aqui está no banco de foragidos.
Então vamos ficar atento, vamos tentar traçar a rota,
se a câmera conseguiu pegar o rosto dele em alguma outra localidade.
Isso é importante como uma ferramenta de cunha investigativo, né?
Na verdade, para o Alcides Peron,
caso um sistema como o Smart Samp é funcionar
se com a eficiência que ele foi planejado para funcionar,
seria algo próximo à premunição.
Quase um departamento do pré-creme,
criado pelo Philippe Cadick,
e retratado no filme Minória Terri Porto.
Isso é um salto argumentativo meu, né, que eu venho trazendo.
Eu chamo de uma das formas de predição criminal,
porque ele quer antecipar em relação a culpa do sujeito.
No momento em que ele parametrizo o rosto de todos,
todos são suspeitos.
Se todos são suspeitos,
é uma forma de você se anteceder em relação à ocorrência do crime.
Então, de uma certa maneira, o simples ato de parametrizar,
que com substanciaria essa possibilidade
de superar o limite tecnológico trazido pelo God's View,
né, a visão de cima, a visão de Deus.
O Alcides Peron meio que confirmou a calempreção de que eu te falei lá atrás,
de que o Smart Samp é um passo além em relação aos sistemas como o Angel Fire.
A visão do topo é sempre essa visão militarista e com estratégica
que permite mais tempo.
a gestão a partir de cima, né? Mas ela encorre em erros.
Há uma constante desindividualização quando se vê por cima.
O reconhecimento facial quer de uma certa maneira trazer essa possibilidade
da identificação da individualização da culpa, mas ao fazer ela generaliza
todo um modelo de vigilância que pressupõe a suspeita constante de todos.
Não atou, o que para que serve o reconhecimento facial?
Para checargem permanente.
Ele pressupõe que toda a sociedade carrega alguma forma de culpa
e, portanto, de uma certa maneira se antevém em relação a culpa.
E, portanto, demanda um estado de permanente, checagem de todos.
Isso tudo se realiza como modelo de constante dúvida, de tensão social.
O esmarteção para a talonge de ser uma exceção.
Sistemas como esse tem rapidamente disparado por cidades no Brasil e no mundo.
Nos últimos anos, a gente instalou câmeras em boa parte do território nacional.
Esse é o cientista político e um dos diretores do centro de estudos de segurança e cidadania,
o Cezèque Pablo Nunes.
Pelos nossos cálculos, quase metade da população hoje está sobre potencial
vigilância de uma câmera de reconhecimento facial no Brasil.
O Pablo Nunes também é coordenador do panoptico,
um site que monitora a instalação de câmeras e sistemas de vigilância no país inteiro.
No Brasil inteiro, território nacional.
Perretório nacional.
A gente está chegando quase 50% da população, que está potencialmente sendo vigiada.
Esse fenômeno vai dizer que tem contado com o apoio generalizado da opinião pública.
Alguns levantamentos, principalmente dando contas de smart sample,
mostram o quanto que a população aprova a inclusão dessas câmeras de vigilância.
Mas. Mas ao mesmo tempo a população nunca se sentiu tão insegura.
Pois é.
A gente vai falar mais sobre os motivos pra essa sensação de insegurança.
Mas antes, eu preciso te falar um pouco sobre a ideia que está por trás de sistemas como smart sample.
Como explicou a arquiteto urbanista, autora de citação de mestrado, cidadia e vigiada,
venícios do Lupacinski, iniciativas do tipo, são parte de um jeito de pensar nossas metrópolis.
Smart sample deriva de um contexto das smart series.
Smart series seria algo como cidades inteligentes.
Quase como a cidade fosse o hardware, a parte física dessa tecnologia.
E o smart sample no caso seria um software que faria a gestão de toda a cidade.
E essas smart series eram construídas zero em meio de desertos,
assim como o som, do o Mazda, que eram contratados grandes arquitetes
que eu implementar essas cidades, como quase uma placa de vitro,
assim, pra olhar essa urbanidade, essa construção da cidade associada com a tecnologia.
Um dos exemplos mais conhecidos é a cidade de Mazda,
inaugurada em 2006 em Abu Dhabi nos Emirados árabes.
No projeto, a cidade seria construída com técnicas arquitetônicas tradicionais
pra administrar o calor, com ruas estretas e prédios com desenhos específicos
pra facilitar a ventilação, seria toda alimentada por energia solar,
seria integralmente monitorada por sensores com controle de consumo de água e energia,
nos carros seriam todos autônomos e não haveria lixo e nem emissões de carbono.
Mas, enfim, já viu, né?
A construção se arrastou, pouca gente que em semorador cobaya de maquete a ocupação ficou abaixo do esperado,
as redes de energia e transporta a cidade nunca funcionaram de forma independente
e teve lixo e teve a missão de carbono.
No fim, como o Vinicis Europacians que me explicou,
Mazda acabou funcionando mais como um bairro diferente do que como uma cidade de fato.
Eu acho que o problema evidente é questionar de fato se isso é uma cidade,
porque a partir do momento que ela é construída de zero a partir de parâmetros meramente técnicos,
toda a subjetividade que é a construção de uma cidade,
todo esse caráter urbano é perdido.
Então, a gente está pensando numa cidade que funciona como uma máquina.
Por Vinicis, além desse caráter maquínico, seria interessante a gente discutir,
também, o caráter ia empresarial dessas cidades.
A gente está lidando com um conglomerado de empresas que se associa ao Estado para controlar uma cidade.
E quando isso é feito, a gente está falando de um interesse que já não é meramente público.
A gente está tratando de uma associação público privado.
Em que, normalmente, o Estado entra com o risco
e as empresas privadas entram com o investimento e com a infraestrutura,
que é o caso do SmartSump assim.
Esse privado é que dita qual que é a regua de uma cidade que deu certo ou não.
Existe uma questão de governança enorme com relação ao SmartSump e programas analgos assim.
Porque a gente não está falando de empresas privadas que estão de fato implementando e prestando um serviço.
A gente está falando de empresas que se beneficiam não só desse contrato,
explícito, mas a gente está falando de empresas que se beneficiam dos dados que são minerados
dentro desse programa, do tratamento desses dados, de toda a gestão desses dados.
A gente está falando de um conglomerado de empresas em que uma delas,
que é a Camerite, que é uma das empresas que faz parte do conglomerado que ganhou edital,
ela já é uma empresa que opera em outras cidades esse mesmo tipo de tecnologia.
Então, assim, é o interesse dela colocar a tecnologia que ela desenvolveu para ser implementada.
Então, esse interesse e essa questão da governança ficar de fato muito noblado.
Nos ídios de 2020, anos antes de usar o SmartSump a virar realidade,
Washington estava parado de antes dos dois policiais que traziam um papel com o nome dele.
Aí ele pegou e falou assim é mais, você já tirou a segunda via do RG?
Washington disse que sim, afinal, era um homem negro vivindo na periferia de São Paulo,
o primeiro RG tinha sido tirado aos cinco anos.
Você já perdeu documento?
Já mais.
Nunca perdi documento na minha vida.
Aí ele começou a fazer um monte de pergunta, cara.
Esse interrogatório inicial durou bastante tempo, umas duas horas pelo lembrança do ailton.
Até que, por isso, afinalmente, pareceu ter aceitado o que estava acontecendo, sacou o celular
e ligou pro delegado.
Aí começou a falar os de argão lá da polícia, veio fazer um trem
e aí a gente se deparou com uma situação de homônio, ao delegado falou assim,
"Ah, traz ele, a gente tem que trazer num no importe, porque hoje isso é deu pedido".
Aí eu falei cara, mas eu vou ter que ir mesmo, aí ele falou assim, "Não, se você não quiser ir, não vai".
Só que você vai ficar com um procurado.
O ailton não estava achando aquela ideia de ser elevado pela polícia, nada divertida.
Eu vou sair com esses caras aqui sozinho.
Não imagino o que esses caras vão fazer.
Não sei o que essa pessoa fez.
Eu falei, "Se que Deus lhe vê esse cara é matador de polícia".
"Vou me dar um fim, igual o peder a marido lá, que matar o cara e o cara era inocente".
E aí depois que o cara tá morto, descobri que o cara era inocente.
"Ah, meu irmão falou, "Não, eu vou com você".
"Policial, não, vamos comigo, que vai ser melhor pra você, que esse nosso ação vai ficar bem mais complicado".
"Pro aí o tom, o policial tá usando a clássica abordagem passiva agressivo, tira bom, tira mal".
"Ah, eu tô vendo que você é um cara instruído, ele falou de jeito".
"Tô vendo que você sabe de alugar", entendeu?
Aí ele falou assim, "Poxa, ele falou desse jeito, eu me lembro até hoje".
"Ele colocou a mão no que eles falou assim, o complicado é que você mora num lugar de sua avorecido",
ele falou de jeito.
"Que que ele quis dizer aí, outras palavras? O problema é que você é pobre e preto".
"Ele não usou esse termo, mas era isso que ele queria falar".
Ele falou assim, "Eu não vou nem pôr um algema em você".
"É friar, não devo nada", né?
Aí, entrei na viatura, a gente foi lá pro centro.
Pra aquela civil, lá, não tem um prédio da civil grandão, perto da Santa Fefigiana.
Departamento estadual de homicídios e de proteção à pessoa, da polícia civil, o D.H.P.
Aí eu fui pra lá, os caras tudo mal encarado, né?
Porque pra eles, eu era esse cara.
Eu já fui lá, mas. É meio hostil, entendeu?
Aí, aí, os caras. Aí, entrei no levador, os caras tudo.
Olhando assim com a cara feia, né?
Pra você, aí, eu pensei, "Meu, que porra é essa, mano?".
Aí mandaram ele, mãos, esperando uma sala separada.
Tiraram as digitais do Ailton, sentaram ele na frente de um delegado
e tudo pareceu ter voltado pro ponto de partida.
Você que é o Ailton, Bayano?
O cara já estava me chamando do apelido do cara.
O Ailton respondeu as mesmas perguntas outra vez.
Aí colocou o caralho sentado numa sala sozinho.
E eles perou por horas.
Ele viraram minha vida toda.
Pegaram o documento, até a cartão de crédito, onde eu já gastei, enfim.
Ele contou pra gente que entrou no DHPP por volta das três da tarde.
Isso foi liberado depois das novas da noite.
Você entrou as três aí, os não, então você ficou seis horas.
Isso, isso é a primeira vez.
O resultado de tudo isso, foi um boletinho de ocorrência.
Que, claro, girou uma certa apreensão no Ailton.
Porque ele disse que chegou a ver a pasta do processo.
Eles estavam com sua pés na mão.
Aí eles estavam com minha foto, nesses papéis.
Não tinha aquela foto lá que sai na habilitação.
Minha foto estava no meio desses papéis.
Aí eu peguei e falei, "Podelegado, assim, eu falei, ó, só uma dúvida, doctor."
Eu não vou ficar com nenhum problema no meu nome.
Eu pego um tempo para ele desse jeito, que igual eu estou falando para você.
Ele falou assim para mim, ó.
Fica tranquilo, não vai dar nada para você.
Fica tranquilo e vai de boa. Ele falou desse jeito.
Quando eu sair, foi a pior coisa que eu fiz.
Foi a acreditar na palavra desse cara.
E assim, o Ailton foi para casa.
E de acordo com a história que ele contou para a gente,
entendeu só uma parte do que tinha acontecido.
Entendeu que tinha uma pessoa foragida com o mesmo nome dele?
Qual a diferença?
de um zeno lugar do s no sobre nome. Entendeu que essa pessoa vivia e atuava no
matogrosso, e que pra piorar o nome da mãe desse foragido era igual ao nome da
mãe dele. E foi basicamente isso. Nesse momento ele ainda não sabia quais
crimes esse homônio mutia supostamente cometido. Essa aliás foi uma
informação que me surpreendeu bastante. Não te falaram do que se elas não me
falaram, entendeu? Eles não me falaram. Por que eles não falaram? Porque eles
estavam achando que eu era esse cara. Então eles querem que eu comentei ser algum
erro, queria que eu falasse alguma coisa, vai entrar em contradição como eu já
tava lá, já ia ficar preso. Entendeu? Eles estavam fazendo isso pra me testar.
Olá atrás. Eu te contei do exemplo de Falluja do Angel Fire. E como costuma
acontecer nos nossos episódios? Essa história não tá aqui atoa. Porque a
segurança pública sempre usou estratégias de guerra. As nossas polícias
militares são constitucionalmente forças auxilheres do exército e uma
incursão na rocinha funcionar devido muito parecido com uma incursão e um
país inimigo. Então não é surpresa que um dos nossos entrevistados o
Alcides Peron tenha começado a estudar esse assunto por causa das
guerras. Quando eu comece no final da graduação a me
interessar por essa temática, a gente tá no ano de 2006. O Alcides Peron é
formado em relações internacionais. E na época que ele se formou, o mundo vivia um
rescaldo dos atentados terroristas do 11 de setembro com os Estados Unidos
assumindo uma postura bélica rei empacotada e com a própria guerra assumindo
contornos diferentes para do que somente mais de fuzos e unipresentes. Na
conversa que teve com Matheus Marcolino, o Alcides comparou esse novo tipo de
conflito com aqueles presenciados pelas gerações que viveram durante as grandes
guerras. Eles viram acontecer deslocamentos de tropas, viram entes muito próximos
morrerem nos conflitos, serem deslocados para esses conflitos. Enquanto nós vivíamos
numa sociedade que tava matando muita gente, mas ao mesmo tempo a gente não
via os sentidos efeitos disso. O Alcides aprovava que essa mudança na
percepção dos conflitos tem a ver com a tecnologia. Foram constituídos uma série de
ferramentas, tecnologias, aparatos que permitiram países do norte global,
dirigir conflitos internacionais a partir de casa, mobilizando tecnologias
de mais autônomas, sistemas de armas inteligentes que permitiam matar o outro
sem ser morto. E ainda que isso possa parecer uma metáfora acadêmica, se a
gente pega as insignias dos operadores de drones armados no norte americanos, uma
delas, né, daqueles que operavam um drone chamado Reaper, diz basicamente
seguinte que morram os outros. Ou seja, isso tudo deixa de ser uma mera metáfora e passa
ser uma inspiração dos produtos de tecnologia, de armamentos, de vigilância e
monitoramento e de sistemas de armas que começam a ser operados desde então.
Então, a gente começa a observar um contínuo dessas mesmas tecnologias
utilizadas no posão de setembro, como tecnologias não apenas militares, mas
tecnologias de segurança pública também. Cidrones eram utilizados no campo de
batalha, também passaram a ser utilizados para monitoramento de fronteiras,
para monitoramento de grandes massas populacionais em deslocamento. Se antes nós
temos algoritmos de predição do comportamento de um dito suspeito, você passa
ter a incorporação desses mesmos sistemas para a identificação de
predição criminal, como acontece nos Estados Unidos, tem acontecido em alguns
casos no Brasil e também na Europa. Se você tinha sistemas de classificação de
risco aplicados a supostas ameaças internacionais, os mesmos têm sido
utilizados para a classificação de riscos de crime em diversos localidades no
Brasil em outros lugares e assim por diante.
Conforme eu ia mergulhando nesse assunto da vigilância, eu ia percebendo que
ele é uma enorme cebola com camadas e mais camadas recendentes a gasla
criminogênio e talvez uma primeira camada seja essa, a militarização, que
envolve a delimitação de um alvo, de um inimigo a ser combatido, porque ainda
que a gente caminha para isso, hoje os espaços urbanos não são totalmente
monitorados, existe uma escolha sobre onde determinado tipo de câmera vai ser
instalado. Mas é onde você coloca esse sistema, a gente coloca ele na porta do
metrô, dentro do metrô, nos espaços da circulação daquela
trabalhadora sempre. Supondo também querer a criminalidade, aqueles que
cometem futos, fogem pelo metrô e outros espaços, quando a gente sabe que
muitas vezes eles estão associados a motocicletas, fogem por outras linhas.
Ainda hoje o Ayuto não sabe exatamente o que aconteceu porque ninguém nunca se deu
a trabalho de explicar, mas a hipótesse dele e do advogado dele é que naquela
primeira prisão, em vez de desassociar ao endereço dele com o nome de um
suspeito de homicídio no mato grosso ou mônimo, eles associaram a foto dele
a homicida do mato grosso. De qualquer forma, depois da primeira prisão, o Ayuto
foi de vida que segue. Segui minha vida. Mas coisas estranhas começaram a
acontecer. Primeiro ele conta que começou a ter problemas para continuar nos
empregos que arrumava, tipo muitos problemas. Eu entrava na empresa,
trabalhava uma semana saia, entrava na empresa, ficava um mês saia, ficava
aprendendo. E nesse meio tempo, nesse seis anos, eu passei por 100 empresas.
Ele disse que na época não entendia o que estava acontecendo, mas depois,
quando a situação se agravou, ligou uma coisa a outra. Eu sei porque é da minha
área, e eu também faço isso. O Ayuto hoje trabalha com recursos humanos.
Quando os caras consultavam lá, decidimos criminais.
O decidente criminal aí constala que o cara matou um monte de gente.
Aqui, importante dizer que a gente está no terreno perigoso da especulação,
até porque não tem que pra gente confirmar os motivos das demissões, nenhum
gerente de erregava chegar pra um suspeito de um decidido e dizer "escuta, amigo,
a gente não precisa amar os seus trabalhos, porque o senhor é um assassino
perigoso, foragido da polícia". Então, se imagina, o prejuízo que eu tive.
Aí, mais coisas estranhas.
Arroela em que o Ayuto mora começou a ser extremamente policiada.
Por exemplo, passava uma vez por semana, viatura de polícia, começou a passar quase
todo dia, e passava de manhã e de tarde e à noite.
Quer dizer, a polícia é militar, vê se eu tô pensando certo.
Por isso, militar não pode, então só.
Nem um, nenhum dos dois, nem esse vinhem militar.
Então os caras ficavam passando pro aí se você estava dando morro na rua.
E isso, sem entender.
Aí, a coisa começou a ficar realmente estranha.
O Ayuto levou um primeiro enquadro quando tava passando com cachorro.
Aí, eu deixei o meu cachorro, meu irmão me levaram.
Foi aí, eu fui pra lá de novo pela segunda vez.
O mesmo lugar, né?
Foi, foi.
Aí, se chega lá, era outro delegado.
Aí, dessa vez, foi mais rápido porque já tava o boletinho lá.
Eles conseguiram identificar o boletinho, não liberam o cara.
Aí, eu fui liberado.
Ele foi liberado.
Mas, algum tempo depois, fui detido de novo.
Eu fui pego num mercado.
E de novo.
No shopping.
E de novo.
Na feira, uma vez na feira num domínio.
E de novo.
No acorrido de rua.
Esse momento, você, meu vinte branca, a loira do Itaí, deve estar pensando do mesmo
jeito que eu, que não sou o loiro do Itaí, mas também sou branco, tava pensando.
Porque o Ailton fez nada logo de cara.
Não chamou um advogado, não processou a PM, o Estado de São Paulo e cada policial que
tinha abordado ele.
A resposta é dolorosamente óbvia.
O Ailton é um homem negro morador da periferia, levar em quadro da polícia o tempo inteiro
faz parte da rutina dele.
Quando você é a pessoa preta, você já tem essa agressão do Estado.
Então. Você meia que é a costuma, eu falei é normal porque eu sou negro.
E aí veio o Smart Sampa.
Com Smart Sampa, piorou, piorou, teve abordagem no mercado, foi Smart Sampa, no shopping,
foi Smart Sampa, no cinema, foi Smart Sampa, nas corridas, foi Smart Sampa.
O Ailton me contou de uma abordagem específica que aconteceu quando ele tava trabalhando
como equipe de apoio em uma corrida de rua no parque do Ibrapoera no começo de 2026.
Quando o termino a corrida, a corrida sempre acaba sendo 10 horas e hora da manhã.
Aí a gente estava numa fila pra receber o pagamento que você recebe e ele vai pra sua casa.
Ele tava na fila pra receber, caindo pelas tabelas de cansado, porque o trabalho tinha
começado a uma da madrugada.
Tinha 21 mil pessoas nessa corrida.
E assim, você tem um lugar em São Paulo em que não falta câmera de vigilância, esse
lugar é o parque do Ibrapoera.
Daqui a pouco chega dois rouca, que é o policial de moto.
A policial já chegou batendo assim no braço, o amigão sai aí da fila desse jeito.
Aí eu colhei assim e falei "puta que pareio, não pensei".
Aí sai da fila e você tem passagem, você tá armado, você tá armado.
A essa altura, o Ailton já sabia que o outro, o Ailton, o ovos de Souza, o Baiano,
tava sendo procurado por ter matado quatro pessoas.
Agora você coloca por um instante no lugar desse policial, que é bordo a alguém que
ele acha que é um assassino perigoso e potencialmente armado num parque estrumado de gente.
O cara, toda a seleragem se incetar armado e o outro já tava com a arma na mão, né?
Aí me tirou assim, fica ali, fica ali.
A essa altura, o Ailton tava tão acostumado a tomar em quadro desse tipo, que ele andava
com boletinha de acorrência que tinha feito sobre a situação numa pastinha na mochila.
Ele tentou mostrar, mas os policiais disseram que não queriam saber de olhar papel nenhum.
A inara que eu ia abrir a passefone, não quero nem saber, meu, segurou essa pasta aí,
saiu um problema a seu.
Pense momento, já tinham chegado outras duas motocicletas e uma viatura para dar apoio.
E todo mundo vendo, pessoal sem entender, porra o cara tava trabalhando aqui com a gente,
será que esse cara é foragido, é bandido?
O pessoal já fica meio assim.
E a irmã falou que minha irmã também estava, foi coxa, minha irmã não é bandida, ele é
trabalhador, vocês vão colocar ele aí dentro lá no chiquerem um lado de levos presos.
O cara falou assim, "não, ele vai ter que ir aí mesmo, porque é do lado chamado."
É, o lado nosso lado, ele não vai, porque o policial também fica com medo.
Ele falou, "desde, então, sem imaginar isso aí, você fala puta que parei um vergonho do caralho de novo, mano."
Essas humilhações públicas, quase sempre, eram prenúncios de outras humilhações mais privadas
e até por isso, muitas vezes, mais assustadoras.
A pior de todas, segundo Ailton me contou, aconteceu depois que ele foi detido no postinho
enquanto levava a mãe para uma consulta e conduzido para um nóngésimo quinto D.P. em Eleópolis.
Nessa época, o irmão dele já tinha chamado um advogado amigo da família
que tinha entrado com um processo contra a prefeitura, o governo do Estado
e o governo do Estado do Mato Grosso, mas as detenções continuavam.
Se contou quantas vezes você foi, se sabe?
Não, se soma todas vezes que foi levado por causa dessa confusão.
Ah, cara, foi bastante. Eu já perdi a conta seis anos, cara.
Se acham que você foi para delegacia em mais de dez vezes?
Ah, com certeza, você é doido. Mas, mas, mas, e se pode, sim.
Uma vez por semana? Não, daí, para mais.
Eu estou te falando, por exemplo, se eu fosse aqui no mercado, já tinha viatura em cima de mim.
Você fica meio que sem paz, entendeu? Você fica sendo perseguido, entendeu?
E quando Nera se viu, era militar.
Naquela grande cebola que a gente foi descascando para que entregar esse episódio,
uma das camadas mais importantes tem a ver com o racismo.
Em 2025, dois pesquisadores do IDIP Research Instituto na Suíça,
o Quetan-Cótual e o Sebastien Marcel publicaram uma revisão de 36 estudos sobre os viéses do reconhecimento facial.
O artigo "Review of Demographic Furnace in Face to Recognition" traz algumas informações interessantes.
Um levantamento e 2020, por exemplo,
apontam que os falsos positivos, ou seja, quando o sistema reconhece alguém de forma equivocada,
eram majoritariamente vividos por indivíduos afroamericanos.
Já os falsos negativos, quando o sistema não reconhece alguém que deveria reconhecer,
eram mais comuns entre os brancos.
Outros estudos mostraram que o nível de acerto do sistema de reconhecimento facial
cai significativamente na identificação de mulheres de periscura.
Em 2023, outro estudo analisou 158 sistema de reconhecimento facial
e encontrou relação entre a quantidade de luz refletida pela pele
e o desempenho dessas tecnologias.
Uma menor refletância, normalmente associada a tons de pele mais escuros,
está relacionada a menor precisão e mais tempo de processamento.
É um problema já muito conhecido.
Pablo Nunes do Cezèque.
Mas que, por mais que exercício seja conhecido e que já se saiba que esse é uma técnica
que vai produzir resultados piores pela pele negra,
a gente mesmo assim investe nessa técnica para fazer
e para construir uma tecnologia tão grave quanto o reconhecimento facial.
Quando a gente deixa essas câmeras espalhadas pela cidade com reconhecimento facial,
sem que age o consentimento, existe uma enorme possibilidade
da câmera identificar um sujeito, confundir com outro sujeito
que está registrado na base de dados,
porque a câmera não tem uma capacidade, uma funcionalidade plena,
principalmente sobre o rosto de pessoas negras,
porque na genética do sistema, ele foi constituído a partir de bases de dados
calcas e anas de pessoas brancas, a imagem semelhança dos seus desenvolvedores,
e, portanto, a própria noção de normalidade é a própria branquitude
e tudo aquilo que foge disso é um padrão de regularidade.
Agora, de lá para cá, os sistemas foram sendo calibrados,
foram sendo treinados em outras bases de dados,
e, inclusive, explica disputa entre sistemas de reconhecimento facial,
estadounidense, chineses, europeus, disputando espaços no Brasil,
na América Latina, na África,
justamente para pegar essa multiplicidade de rostos para treinar os seus algoritmos.
Não se trata só de segurança pública,
porque esse tratamento de coleta de dados para treinar bases de dados, para performar melhor.
A Prefeitura de São Paulo afirma que o SmartSamp tem uma eficácia de 99,5% no reconhecimento facial.
Isso, claro, não faz diferença nenhuma em casos como o do AYUTOM,
em que o problema no ar da tecnologia, mas da forma como essa tecnologia estava sendo operada.
Que, qualquer maneira, 99,5% parece ser o número espetacular.
Mas é importante a gente ter algum cuidado quando fala no monitoramento de milhões de pessoas.
Ao se desperom, por favor.
Se eu disser para você, Mateus, olha,
colocamos um sistema de câmeras na praça da Cé, ou na Paulista,
o SmartSamp, com reconhecimento facial,
e ali está sendo parametrizado numa quantidade, tal.
Só que, meio por cento das pessoas parametrizadas ali, contem erro.
Se eu disser isso para uma. em aberto, para muita gente,
a pessoa fala caramba, o sistema consegue muito bem, 99,5% de acerto maravilhoso.
Então, o sistema opera numa funcionalidade maravilhosa, e o meio por cento.
Conta as pessoas circulam na Paulista, diariamente.
Se você colocar 1%, no dia, a gente está falando ali na Paulista da casa de milhões de pessoas circulando no dia ali,
de centenas de milhares pelo menos,
1% de centenas de milhares, meio por cento, é gente para buro,
que pode acabar sendo capturada por isso aí,
para que haja um tipo de acariação.
E isso produz constregimentos.
Isso produz, efeitos.
Esses defeitos geralmente são mitigados para a presença de humanos
que corrigem eventuais erros da máquina.
Mas isso tem um custo operacional.
Assim como casos iguais aos do Ailton, também tem um custo operacional.
Em uma reportagem publicada pela Fora de São Paulo em agosto de 2025,
uma delegada que atoura no centro de São Paulo,
falou abertamente que o SmartSamp estava lutando os plantões policiais com prisões flagrantes,
muitas delas frutos de erro do sistema.
Quando a gente olha para a sistema social técnico,
a gente acredita que aquilo que a gente está vendo, a câmera ou o algoritmo,
o sistema, a percer, ele é um objeto fechado que chegou lá,
porque ele é a melhor composição técnica possível.
Quando, na verdade, dentro de os parâmetros que a gente estuda teóricos,
a gente sabe que aquilo lá é um dos parâmetros possíveis.
É uma das configurações possíveis.
Ela é fruto de decisões técnico-políticas, feitas durante processos de desenvolvimento
e que chegam a aquele design possível da tecnologia.
Então, a tecnologia percela não é o objeto da máxima racionalidade humana
e o único custo racional possível. Existiram outros que foram morrendo
ao longo do desenvolvimento daquela tecnologia,
porque politicamente não atingiu os objetivos fins,
e não talvez representassem os interesses de certos grupos.
Nesse sentido, a gente observa a racialização dessas tecnologias
e o modo pelo qual elas tendem a reproduzir formas de discriminações diversas.
O Aiu tem conto para a gente que, entre o final de 2025 e o começo de 2016,
ele passou a evitar a sair de casa,
que não saia mais à noite e que quando precisava ir a algum lugar,
estudava o percurso antes para evitar as câmeras de reconhecimento facial.
Mas para levar a mãe dele de um postinho, não tinha jeito.
Naquele dia, tinha sido como vários outros dias.
Policiais correndo para acercar o prédio, depois entrando na sala,
despera com armas em punho, todo mundo nervoso,
achando que estavam atrás do Aiu Tom Bayano, o homicida do Matogrosso.
E aí, toca-se exprimido no Camburão, toca-se levado para delegacia.
Me colocou num quartinho, parecendo um cabinho telefônico, cheio de sangue às paredes.
Aí, eu fiquei aqui ao chamado do Senhor deste jeito aqui,
e um monte policial, dez escenário e dez do outro.
Parecendo um quarto de tortura, meio macabro, bem sujo, sujo para a cara estava fedido.
Cheiro de que tinha.
Ah, de urina, cara, de urina de féssis, tinham uns respingos de sangue na parede.
No mínimo, deve ter sido de alguém que tentou reagir, enfim, um lugar bem sujo.
Aiu Tom contou que chegou na delegacia às nove da noite
e só saiu na madrugada do dia seguinte.
E aí, eu fiquei das nove da noite até a meia noite quarenta.
Você ficou esse tempo todo ao chamado?
Fiquei esse tempo todo ao chamado, chegou a hora que dói para caramba o ombro, o braço.
Você começa a duê, começa a duê tudo, você fica muito em uma posição só.
Ele disse que só foi liberado quando o advogado dele
chegou num destrito policial, mas a pior parte da noite. O advogado me deixou na casa, eu tinha acabado e saí do carro dele.
Ainda tava pra acontecer.
Foi tudo no mesmo dia, ó, é que loucura.
Parecendo um filme de terror, pô.
Nóra que eu tranco o portão, que eu tranco a porta
e ele vai embora pra casa dele, na que a pouca tô tirando o tênis.
Bapapá, no portão, filiputa, que porresta.
Aindaóra que eu olho lá no olho mágico, policial batendo palma,
um outro saco de no portão e tinha mais um assim quando era uma contada.
Isso aconteceu as duas e 28 da madrugada do dia 24 de março.
A gente sabe o horário com precisão, porque o AI utontava tão paranoico
que tinha instalado um sistema de câmeras que flagrou os PMs na rua
em frente a casa dele.
Eu falei, "quê que esses cara estão fazendo aqui, mano?
3 horas da manhã?"
E aí, o que você faz de uma hora dessas?
Chamar a polícia não é uma opção, né?
A única alternativa foi ligar pra devolgado.
E eu ligando pra devolgar, ele não atendia.
Eu falei, "Pô, ele já tá dormindo."
E eu falando, "Atende, sando, caralho, eu tava pensando."
"Atende, porra, já tinha ligado pra ele umas 10 vezes."
Aí foi onde ele atendeu.
"Quem que tá acontecendo?"
Eu falei, "Meus, caras estão aqui na porta da minha casa."
Então, eu queria andar o mal portão.
Ele falou, "Os cara estão aí?"
Eu falei, "Tá. "
Ele falou, "Não, calma aí que eu vou aí."
Enquanto isso.
Segundo AI o Tom, os PES.
Os policiais continuavam chacolhando o portão que dava para a rua.
Eu peguei uma faca lá um cutelho que tem lá em casa.
Eu falei assim, é a única vantagem que eu tenho.
Eu vou deixar já tava as luzes tudo apagada.
Eu falei, eu conheço o terreno, entendeu?
Que eu faço luta, eu já treinei e boc se capoeira muitos anos.
Aí eu falei assim, meu, eu vou ter que reagir.
Porque eu sabia que os caras não foi para conversar.
Três horas da manhã, cara.
Eu falei assim, se derrubar a porta, eu vou reagir.
Aí você pegou o cutelho, ficou. Peguei o cutelho e fiquei no escuro, dentro de casa.
Eu sei que eles têm lanterna.
Eu vou ficar que perdeu, fiquei assim.
Parecendo o filme de terror, cara.
Eu não sou um cara violento.
Mas eu falei, meu, eu vou reagir.
Porque, mano, imagina.
Eu tinha acabado de sair da delegacia no mesmo dia, cara.
Por sorte, o advogado do Ailton também mora em Eleopolis.
E menos de meia hora depois.
Um tempo que vamos combinar é bastante longo
para quem está sendo ameaçado.
E também para quem está ameaçando, ele imbicou o carro na viela.
Na hora que ele imbicou o carro dele na rua,
eles entraram na viatura e foram embora.
E ele falou, "Oh, Ailton, eu estou aqui na tua porta.
Eu e o medo de abrir a porta."
Eu estou aqui, aí eu falei, "Sando tem alguém,
ele foi meu, na hora que eu cheguei, a viatura já saiu."
E depois de seis anos vivendo nesse crossover de Kafka com Orel,
o Ailton finalmente encontrou uma saída.
Que não foi pelos canais oficiais.
Não foi judicielizando a questão.
Muito menos com a prisão do suspeito real,
cujo rosto até hoje é desconhecido da polícia.
Foi contando a história dele na imprensa.
A namorada no meu subrinho, ela trabalha na folha de São Paulo.
E também tem um rapaz aqui da comunidade
que faz parte de um, que também ajudou.
Aí foi onde a gente fez a matéria pra Globo.
Eles foram lá na minha casa gravaram.
E aí cara foi assim, de um dia pro outro,
ou seja, precisou a imprensa entrar, óbvio que o processo também ajudou.
Mas mesmo com o processo eu também estava sendo levado,
mas depois que foi pra Globo, cara.
Depois de escutar a história inteira do Ailton,
enquanto atravessava a cidade de Metró,
olhando as pessoas em volta, as câmeras em volta,
aquela tecnologia toda tão funcional,
eu fiquei pensando sobre como retratar tudo isso.
Porque a história que eu acabei de te contar
é um grande ponto fora da curva.
Uma série de erros coincidências ou missões,
tudo isso embalado pro nosso velho conhecido racismo estrutural.
Do outro lado dessa balança,
tem dezenas de milhões de pessoas que podem estar de fato mais seguras.
Pense, por exemplo, na quantidade de mães trabalhadoras
voltando pra casa em vialas escuras,
depois de um longo dia de trabalho,
numa cidade em que são cometidos pelo menos 3 mil estupos por ano.
E, segundo a prefeitura,
essa balança está aprendindo muito por o lado do Smart Samba.
No 6 primeiros meses de funcionamento pleno,
o sistema ajudou a efetuar 1.153 prisões de foragidos
e é solucionado 175 crimes.
No outro prato da balança, 93 pessoas foram pegas
pelo sistema de forma incorreta.
Gente disso, será que é justo criticar um sistema
que pode deixar a cidade mais segura como um todo
por causa de alguns casos isolados?
E essa questão da coletadidados.
O povo digital do Google está recolhendo nossos dados
de madrinha tão definitiva,
tão sobre humana
que a gente pode se questionar se existe ainda
com uma privacidade a ser quebrada.
Eu levei essas questões pro Pábulo Nunes
do Centro de Estus de Segurança e Cidadania,
e a resposta dele foi desconcertante.
A gente fez uma revisão de literatura muito importante, assim,
do impacto de cabriga e recorrecimento facial na criminalidade.
No caso das Smart Samba,
a gente aplicou uma metodologia do Banco Mundial
para verificar se a partir da inclusão das câmeras
teve uma mudança
não as indicadores de criminalidade,
não da significativa,
seja o aumento na redução,
e a gente não encontrou comparado com lugares
e circunstricções de negacias
que não tinham câmeras de das Smart Samba.
Mas também a gente não encontrou um efeito
de produtividade policial,
então a gente também não encontrou
que a Smart Samba, por exemplo,
significou um aumento de abordagens policiais
e prisões inflagrantes.
Por parte policiais,
o que nos chama muita atenção
porque a câmera de reconhecimento faça no Brasil
e em sua maioria,
elas utilizam um banco nacional de mandado de prisão.
Então, significaria que, potencialmente,
essas câmeras poderiam aumentar o comprimento de mandado de prisão
ou, no caso das Smart Samba,
que também é o objetivo das câmeras,
produzir prisões inflagrantes.
Ao ocorre que nas circunstricções
em que havia câmeras
e nas circunstricções que não havia câmeras,
não houve diferença significativa entre as duas,
mostrando o algo muito. Inclusive, curioso para a gente,
porque a gente esperava
que tivesse aumento do comprimento de mandado de prisão
de maneira significativa e não houve.
Tá, mas e essa número ali à toda apresentada para a prefeitura?
A Smart Samba apresentou e significou
a presão de duas mil pessoas no seu primeiro ano.
E o que esses dois mil pessoas
significa com o total?
Aqui um detalhe importante,
porque o estudo do Cezèque considerou um período específico
de fevereiro de 2024 a junho de 2025.
Desde então, o sistema continuou funcionando
ou outras presões foram acontecendo
e quando estava terminado esse episódio,
a prefeitura comemorou a marca de 3.500 foragens descapturados
e mais de 6.000 presos inflagrantes.
De qualquer forma, a maneira como esses dados são divulgados
continua sendo nebulosa.
Não há cálculo de quantos mais
pessoas foram detidas e mandados foram cumpridos,
a partir da inclusão de centros câmeras,
é um número absoluto.
E isso não significa muita coisa.
Não significa muita coisa,
porque a gente não tem uma série histórica.
E a prefeitura não diz como o sistema influencia em cada caso.
Ela dá um número, dois mil.
E o que isso significa no total?
Será que esses dois mil já seriam mandados de prisão
que a polícia cumpriria a independente das Smart Samba?
Cê quer dizer, a única coisa que a gente pode afirma com certeza
é que não existem evidências de que a criminalidade
e a efetividade policial mudaram nas regiões
em que o sistema está funcionando.
E veja, a gente comparou e a gente fez a manálise,
rodando exatamente lugares que poderiam ser comparados,
que não havia diferenças para o comportamento criminal.
E quando a gente roda essa comparação,
a gente não vê uma mudança significativa.
Para piorar, existem vários outros estudos sobre outros sistemas
e muitos deles têm encontrado resultados parecidos.
Não apenas no Brasil, mas você olha internacionalmente
ao cidades perões.
Outros estudos sendo conduzidos por uma série de organizações,
pesquisadores, etc., vão demonstrar que o sistema de vigilância
percee únicas exclusivamente.
Eles não trazem uma resposta efetiva
pro problema da segurança pública em forma alguma,
seja, nas formas de acédio e de estupro,
seja nos robos de celulares, seja nos assassinatos,
nos latrocínios, eles não trazem uma resposta plena.
Os últimos relatórios e os dados,
inclusive que eu tenho levantado,
mostram que, em produção de um sistema como smart sample,
não provocou efeitos de redução de robos e furtos na cidade.
Você tem, em alguns casos, uma tendência
da baixa de furtos e robos em alguns espaços da cidade,
mas não necessariamente estão associados
à introdução de sistemas de câmeras.
Em alguns outros casos, nos lugares mais densos
de usos de câmeras, de postes, de totems,
e etc., você ainda verifica o aumento no roubo
ou, pelo menos, uma constância
num nível super-elevado de robos e furtos.
Uma reportagem da Mariana Gilbercan
publicada pela Foreta São Paulo em dezembro de 2025,
analisou indicadores de criminalidade
nas áreas que tiveram mais investimento do smart sample.
Na região da sumo-perfeitura da Cé,
que ganhou maior número de câmeras,
os furtos aumentaram 9,6% nos nove primeiros meses
de funcionamento do sistema
em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Então, em grande medida, isso nos leva a refletir
sobre o seguinte, que é um pouco o objeto
das minhas reflexões nos últimos tempos.
O Brasil, e principalmente São Paulo,
tem cedido a uma retórica,
e é uma retórica que é algum chamom de tecno-solucionista,
chamam um pouco de cyberagerencialista,
de que basta introduzir um sistema
hi-persoficcado de câmeras,
sem que haja uma política de organização policial,
de resolução criminal,
de espalhamento em zonas estratégicas,
para lidar com a criminalidade em São Paulo.
Basta a câmera e basta a integração de dados,
basta a coleta de dados, basta o morador CD,
no seu espaço para a adoção de sistemas de câmeras,
que serão integrados que você resolve o crime.
Pro Pablo Nunes, isso tem a ver com algo um tanto elementar.
Não adianta ter o sistema mais tecnológico do planeta
se as nossas policias não funcionam.
Se a Polícia Militar não se comunica com a Polícia Civil,
que, por sua vez, não investiga,
se as prefeituras acham que colocar guarda-se de um metropolitana
que foi criada para ser lá pelo patrimônio da cidade,
para cumprir mandado de prisão, é uma boa saída.
A gente volta ao cipro completo das polícias,
a Polícia Militaria não pode fazer investigação pela Constituição.
E o que ela faz?
Ela aprende, entroagrante, o que ela vai fazer?
Presóis entroagrantes, normalmente, de jovens,
muitas vezes, pequenos, naficantes,
que vão se apontar.
daquele jeito, né, ou pequenos futos e tudo mais, e vão ser colocados aos centenas, né, nos presídios brasileiros.
Enquanto isso, o Polícia Civil, que deveria fazer a investigação, está fazendo operação policial.
A gente tem a desacoclar essa possibilidade, então, hoje no Brasil, os gargalos na segurança comunicação gigantescos, né?
E por fim, lá no meu olhinho da nossa cebola, a gente cheita neles, os políticos.
Escuta só o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, fazendo sobre o Smart Sampa.
Nós prendemos hoje, pelo Smart Sampa, um traficante, um receptador, e a nossa tolerância aqui com vocês é zero.
Vaza de São Paulo, porque o Smart Sampa vai te pegar.
O Quique, o governo do Estado e os governos municipais, principalmente aqueles de proximidade com a esterema direita, tem feito.
Uma retórica vinculativa entre o micro, problema local e o macro, problema nacional.
Establecendo um contino que justificam o incremento do uso de violência, de sistemas de vigilância, assim por diante, e fora uma maretórica que atinge o cidadão.
E com isso, máquina novamente a sensação de insegurança dos indivíduos e permite o escalonamento de uma maior violência policial e de uma maior uso de ferramentas cada vez mais intrusivas como reconhecimento facial.
Então, quando essas operações discursivas são feitas, começa a tornar tolerável na sociedade.
O uso não só dessas câmeras, mas de uma série de outras ferramentas, um tipo de patroleamento, de uso da violência policial em certas regiões, com uma maior intensidade.
Não é o governador que diz, pode ir para o ano, para o raio que o parta que eu não to nem aí, ele faz essa vinculação que a gente falou e criou um mecanismo que permite você intensificar o uso dessas ferramentas.
Boa noite, Thomas, tudo bom?
Esse é o Arpa de Spalding.
Você quer se apresentar?
O arpa de meu amigo desde época da escola, de geógrafo, trabalha capacitando agricultores para plantar e vender sem agrotóxicos.
Ele já apareceu empunhado de episódios de escafandro, porque é uma pessoa peculiar.
Não são esses núvolos, mano.
Enfim, se você não sabe quem é o arpa de você estar usando o escafandro errado.
Ou o arpa de, então me conta quando o que aconteceu, o que a gente vai contar.
E alguns meses o arpa de mim mostrou um vídeo bem assustador no celular dele.
Um vídeo de uma câmera de vigilância.
E quando eu estava terminando esse episódio, ele veio até o nosso estúdio para contar a história daquele vídeo.
Em algum momento em 2025, eu estava indo para o apartamento na rua Natingui.
Estava eu e a minha esposa da trícia.
Que horas era isso?
Por volta de 10 horas da noite, a gente tinha deixado as crianças na casa do meu sogro e fomos para casa.
Eles pararam o carro.
Uma camionete torre empoeirada numa travessa da Natingui em Pinheiros.
Uma rua estreita e um pouco sombria chamada a Jurapeia.
Então a gente parou, ficou panguando um pouco.
Capando de ouvir o podcast.
Não pode o podcast muito bom, imagina.
E com certeza?
É, não sei se valeu a pena.
O escafandro não recomenda que você escute o episódio em Pinheiros a noite dentro do carro com celular na mão.
Quando, de repente, a gente viu entrando na rua.
Pelo outro lado da rua.
Três motos.
Três motos. Todos pelo mesmo lado da rua.
Todas pelo mesmo lado da rua.
A partir disso é logo que viu as motos entender o que a gente ia ser assaltado.
Ela te falou?
Ela falou, então vindo ali, vamos pegar a gente alguma coisa assim.
Aí eu olhei e falei, é realmente. E realmente, de defeito.
Parou um rapaz do meu lado.
Outro foi pro lado da patrícia.
Parou pediu para baixar o vidro com uma arma na mão.
Uma pistola.
É.
Aí baixei.
Outro foi lá com a patrícia.
Se ele baixou, pegou o celular dela que estava na mão dela,
porque é o que a gente estava ouvindo.
Ah, irmão, eles estavam nervosos.
Está um percalmoço assim.
Tranquilidade.
Eles eram muito calmos.
Educados.
Educados, gentils.
Olhou na mão da patrícia para ver se tinha aliança.
Olhou, se tinha corrente, brinco.
Vai estudar com bastante delicadeza sem nenhuma violência.
E nada de corrente, nada de brinco.
Nada de corrente, nada de brinco.
Tinha o celular dela que é um celular velho que estava precisando trocar.
Quando ele foi falar comigo, o meu celular que estava embaixo da minha. Cocha.
Entre a cocha e o banco do carro.
Eu fui pegar o celular caio naquele lugar
que as vezes os celulares caem entre o banco e o carro.
E ali eu deixei ele.
Do lado de fora, o ladrão continuava a gente e o mente impuindo a arma
e pedindo o celular.
Mas o ar pode achar por bem entregar na carteira.
Uma carteira cheia de. Raspadinha.
Cartões e papéis.
Ele fiquei assim. Um rolando de violina.
Como é, deixa eu pegar meus documentos.
Aí eu abri, fiquei olhando.
Paz de na página da carteira.
Aí ele pegou. Olhou a carteira.
Abril tinha acho que 20 reais, 30 reais.
Pegou o dinheiro.
Falou não quero ficar com isso.
O jogou de volta à carteira.
Quero o celular, cadê o celular?
Eu falei. Eu não sei.
Sim, me fiz meio de bombo.
Aqui vale aquele alerta.
O ar pode. É o ar pode e opera normalógica própria.
A todos vocês que não são o ar pode, o conselho básico,
é fazer tudo que alguém que está te apontando uma arma
a mandar fazer da forma mais tranquila, rápida e segura possível.
Não foi assim, exatamente.
Sim, perdem liberado.
Falei, vamos fazer essa estratégia.
Mas. Falei, vamos enrolar essa situação pra. Pra ver até onde dá.
Pra ver onde dá.
Qual tá onde vai?
A patrícia saiu do carro.
Um entrou pela porta do passageiro.
Tirou a chave do contato.
Jogou pra frente do carro.
Deu uma geral no carro.
Olhou o que tinha?
O que tinha no carro.
Então tinha coisas de cítio.
Entre as coisas de cítio,
tinham um pacote embulhado com o jornal,
sugestivamente descansando em cima do painel.
Falei, qual é isso?
Falei, o que é isso?
Falei, peça de rossadeira.
Ele não entendeu muito bem.
Abril jogou no chão.
O carro estava meio bagunçado.
E o sujo procurou.
Procuroi-me.
Até assim, não.
Pra ver se tinha alguma coisa no meus bolsos.
Não achou nada.
Eles ficaram nesse impasse
que deixou a pobre patrícia com os neiros
aforo da pele por um longo tempo.
Um dos motoqueiros subindo e descendo a rua.
Pra ver se a barra continuava limpa.
Até que, aparentemente, os bandidos se cansaram.
Deu mais, não tinha.
E eles forem embora.
O curioso dessa história é que você,
quando se me contou,
você não só me contou como você mostrou as imagens.
Porque eu acho que o importante para o nosso episódio é isso.
Eles fizeram isso embaixo
de duas câmeras de vigilância.
É certo que estão ali ostensivamente.
Sim, essa rua.
Virem acho que tem relatos de roubo de carro ou salto.
E ela é pequena,
mas muito vigiata.
Então, todas várias casas têm câmeras.
Tem aqueles tótenzinhos de câmera
de rua espertinhas.
Então, está sentindo visivelmente
umas três, quatro câmeras filmando a rua inteira.
Acho que isso não trouxe nenhuma e a inhibição para eles.
E aí, tem mais um detalhe curioso
na história do meu amigo Arpa de.
Porque eles pegaram a imagem onde dava para ver as placas armóto,
fizeram o BO,
mas, para além disso, o celular da patrícia
tinha um sistema de localizador ativado.
E eles acompanharam o vaivê indo ao aparelho
durante toda a madrugada.
A gente viu o celular indo para o marginal,
cheter. A própria noite vocês ficaram vendo o celular passando para a cidade.
O celular passando para a cidade.
E antes da gente dormir,
ele foi para algum lugar perto do mercado da Lapa.
E aí, no dia seguinte,
o celular continuava nos arredores do mercado da Lapa.
Fula, vamos dar uma olhada, né?
A ver que como está a rua.
Eles tiveram um sorte.
Quera domingo.
O mercado e o comércio estava tudo fechado.
Tinha praticamente só uma banca aberta do lado de fora.
Uma banca que vendia
acessórios para o celular.
A gente falou, será que a gente vai lá
perguntar meu celular tá aí com vocês?
Que é o hora onde a gente imaginava que estaria.
Ficava pensando, e a gente lembrou que temos dois filhos
e que, de repente, poderia acontecer alguma coisa.
Fula, bom, não vale a pena.
Aí, quando ele estava indo embora,
passaram duas motos da PM.
Eu chamei as motos, a gente estacionou,
a gente contou o ocorrido
e falou que, muito provavelmente,
o celular estava naquela banca de jornal.
E aí, falando, vocês não podem lá perguntar?
Ele falou, não.
Policial, curiosamente,
se os das limitações legais a PM
diz que eles não tinham mandado
que a função deles era só de policiamento ostensivo.
Se vocês quiserem, vocês vão lá.
A gente pode ficar ali por perto.
Para ver se aconteceu alguma coisa,
a gente pode intervir.
Aí, a gente refletiu.
Acho que talvez pudesse acontecer alguma coisa
e talvez, aqui, não seria interessante.
Eu não sei lá o que poderia acontecer,
mas, eu acho que não vale a pena
aquele celular velho,
que era um celular que estava em pedição de miséria.
Se vê no meio de um tiroteio,
por causa de um celular velho.
Exato.
Aí, a gente foi embora.
Mas a gente ficou vendo esse celular lá
para alguns dias, a gente viu isso.
Curioso, né?
Esse monte de câmera que tem na rua?
Depois de ter tido essa experiência de assalto,
se olha ali, ali,
não dá uma sensação de segurança.
Dá uma sensação de um local muito vigiado
que parece ser perigoso.
Por isso que tem tanta câmera
em todas as casas de câmera.
Quase como uma sensação oposta.
Tipo, você estava indo câmera
porque alguém colocou a câmera aí
porque teve assalto,
e essa câmera não vai nem bilhar assalto.
Só que ele monte de câmera,
dá uma sensação de que é um local perigoso
que está sendo vigiado,
porque é perigoso.
Depois de bastante insistência, quando o deadline que a gente ofereceu já tinha terminado,
a Secretaria Municipal de Segurança Urbana respondeu a gente por nota, disse que nenhuma
pessoa foi injustamente presa e que prisão é diferente de detenção.
O Ailton, por exemplo, só foi detido num caprezo.
Reinterou que o smart sample atendado resultados concretos, mas voltou a oferecer apenas números
absolutos.
Mais de 6.000 pesos em flagrante, mais de 3.500 forajidos capturados, 257 pessoas desaparecidas
encontradas.
Afirmou ainda que o sistema é aprovado por 91% da população.
Disque casos como do Ailton são problema do banco de dados, não da prefeitura, e que
eventuais em consistências cadastrais são de responsabilidade dos órgãos que alimentam
esses dados.
Disque todos os aletas do smart sample passam por validação humana e que os favoritimos
do sistema tão em conformidade com a lei geral de proteção de dados.
Por fim, disse que o estudo do panóptico, smart sample vigia, mas não protege, faz
comparações e devidas ao equipar a capital com os dados do interior, desconsiderando
as diferentes realidades sociais, econômicas e criminais, além dos indicadores oficiais
de segurança.
E a interação principal dos smart sample é com a guarda civil metropolitana, mas eles
também compartilham dados com a polícia militar.
Além disso, segundo relato do Ailton, o erro que causou as detenções de sequência
começou a preocupa da polícia civil.
Então, a gente procurou a secretaria de segurança pública do Estado para perguntar sobre
o caso específico do Ailton e sobre a eficácia dos smart samples como um todo.
Ele chegará a dizer que responderiam por nota, mas isso não aconteceu até o fechamento
desse episódio.
Antes de terminar, eu quero te indicar a outra novidade da rádio guarda-chuva, nossa
rede de podcastes jornalísticos.
É o vazante, um podcast que conta as histórias que estão por trás, ou talvez fossem melhor
dizer as histórias que foram submersas pelas hidrelétricas brasileiras.
Um segundo episódio, que chega aos tocadores no dia 13 de setembro, eles mergulharam o paradoxo
de "Balbina", uma hidrelétrica que alagou vastas áreas na Amazônia para produzir uma
quantidade relativamente pequena de energia.
Enfim, procurar pelo vazante no seu aplicativo de áudio, escuta que você não vai ser
repender.
Eu sou Tomás, que é a Verine, e termina aqui o episódio 168 de Escafandro.
Obrigado por escutar e até o próximo mergulho.
Oi, aqui é a Lessandra Toledo, eu estou falando de Guaraní Minas Gerais.
Design das Capas é da Cláudio Furnário.
A trilha sonora tema é do Paulo Gando.
A mixagem de sonho deste episódio é do Victor Coroa, a produção e a edição de áudio
são do Mateus Marcolinho, o roteiro, a direção e a sonorização são dos Tomás, que é
do que o que é do Victor Coroa.
[Música]
Falo nunca arriva às vezes.
Versa a sua mão, que o alífio, e o que você quer, se você quer encontrar a outra.
A caixa me adressa, uma espalhada espalhada, um cape de cape de áudio é do Carreiro.
Porque você não se espalha naquela época, você criará o lado do lado do lado, até que ele finalmente
parece uma espalhada espalhada espalhada.
[Música]
Podcast Summary
Key Points:
O sistema Smart Sampa, com reconhecimento facial, é operado em São Paulo com cerca de 20 mil câmeras e custa 10 milhões de reais por mês.
O sistema pode identificar foragidos, rastrear veículos e detectar padrões suspeitos, mas opera em um modelo de vigilância constante e generalizado.
A tecnologia de reconhecimento facial é profundamente racializada, com maior taxa de falsos positivos para pessoas afrodescendentes e menor precisão para mulheres e pessoas de pele escura.
O caso do Ailton Alves de Souza mostra como um homem negro pode ser detido por erro de identificação, sendo vítima de um sistema que confunde com um foragido de Mato Grosso.
A análise de dados indica que o Smart Sampa não reduziu a criminalidade nem aumentou a eficiência policial, com resultados semelhantes entre áreas com e sem câmeras.
A vigilância se tornou um sistema de perseguição contínua, especialmente para pessoas negras, que vivem em áreas de periferia e são frequentemente abordadas sem justa causa.
O sistema é desenvolvido por empresas privadas que se beneficiam com dados minerados, criando um modelo de governança público-privado com interesses corporativos.
A população apoia a vigilância, mas sente-se cada vez mais insegura, enquanto a tecnologia reproduz desigualdades raciais e sociais estruturais.
Summary:
O podcast "Escafândaro" investiga o impacto do sistema de vigilância inteligente Smart Sampa, implementado em São Paulo com câmeras de reconhecimento facial. O sistema, que custa 10 milhões de reais por mês, monitora cerca de metade da população brasileira, mas não demonstra redução real na criminalidade nem melhora na eficácia da polícia. Estudos mostram que o sistema não altera os índices de criminalidade entre áreas com e sem câmeras, e que os índices de detenção são altamente suscetíveis a erros, especialmente contra pessoas negras, devido a viéses na base de dados utilizada.
O caso do morador Ailton Alves de Souza ilustra como um homem negro é detido por falsa identificação, com abordagens frequentes e humilhações públicas, reforçando o racismo estrutural na política de segurança. A tecnologia, embora promovida como medida de segurança, atua como um sistema de vigilância constante e generalizada, que perpetua a suspeita e a desconfiança. Além disso, o modelo é governado por empresas privadas que se beneficiam com dados coletados, criando um sistema de vigilância público-privado com interesses econômicos que não estão alinhados com a justiça social.
A análise aponta que o sistema não resolve os problemas de segurança real, mas amplia a insegurança e a opressão, especialmente para populações vulneráveis. O episódio questiona se a segurança obtida com tecnologia de vigilância é realmente justa, ou se, por trás dessa aparição de eficiência, está um modelo de controle social baseado em preconceitos e desigualdades estruturais.
FAQs
O Smart Sampa é um sistema de vigilância de São Paulo que utiliza câmeras com reconhecimento facial e tecnologia de inteligência artificial para monitorar pessoas e veículos. Ele analisa imagens em tempo real, compara com bancos de dados e gera alertas para foragidos ou suspeitos.
Estudos mostram que o Smart Sampa não reduziu significativamente a criminalidade. Não houve diferença entre áreas com e sem câmeras, e o sistema não demonstrou melhorias na efetividade policial ou na redução de crimes.
Sim, o sistema tem maior taxa de falsos positivos para pessoas afrodescendentes e falsos negativos para pessoas brancas. Isso ocorre porque os algoritmos foram treinados principalmente com imagens de pessoas brancas, resultando em desempenho inferior para grupos de cor preta.
Pessoas podem ser detidas por erro de reconhecimento, especialmente se forem negras ou morarem em áreas de periferia. O caso do Ailton Alves de Souza mostra que foi abordado por suspeita de crime sem provas, gerando humilhações e estresse psicológico.
O sistema pode gerar prisões inflagrantes, mas estudos não mostram que isso tenha aumentado o número de prisões ou o cumprimento de mandados de prisão. A eficácia do sistema em relação à segurança pública permanece duvidosa.
Apesar da aprovação pública em alguns levantamentos, a população se sente insegura devido ao aumento da vigilância, ao racismo estrutural e à percepção de que o sistema é usado para perseguir grupos vulneráveis, especialmente negros e pobres.
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