Speaker 1Olá, boa noite, esta é a CNN Brasil e este é o WW. Presidente do TSE, Castro Nunes Marques, tomou uma decisão que pode ser lida como uma aposta na vitória de Flávio Bolsonaro e na própria sobrevivência política dele. A avaliação em Brasília é de que é isso que está por trás da decisão de Castro de suspender o canal Exército de Lula, organizado por André Janones, que a campanha de Flávio aponta como disseminador de fake news. Não que não haja disseminação de fake news por parte dos apoiadores de Flávio ou de Lula. Fake news é algo tão antigo em campanhas eleitorais como juízes suspeitos de ter lado político. A diferença é que agora a UNA vai ditar quem vai matar e quem vai morrer, do ponto de vista político, claro, nas cortes superiores do Brasil. Já é sabido, por exemplo, que Alexandre de Moraes, acossado por suas relações com Daniel Vercaro, deve cair se Flávio vencer. E a lógica é a mesma para Cássio Nunes Marques, que, também acossado pela proximidade com Daniel Vercaro, deve cair se Lula vencer. Nessa história toda, o debate sobre fake news, seu alcance e quem as produz é lateral. O que está em curso é a guerra interna do Supremo Tribunal Federal sendo importada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Na WW de hoje, a gente vai falar também dos mais recentes movimentos das campanhas de Lula e de Flávio, e da Rússia, ignorando o cessar-fogo energético anunciado por Donald Trump. Antes, meu boa noite aos participantes do programa aqui na Avenida Paulista conosco, Alberto Carlos Almeida, perdão, Alberto Carlos Almeida está remoto. Alberto, bem-vindo, sociólogo e cientista político, Alberto Carlos Almeida, bem-vindo, meu caro.
Speaker 2Obrigado, boa noite.
Speaker 1E agora sim, aqui na Avenida Paulista, Alberto Rolo, advogado especialista em direito eleitoral, bem-vindo, doutor, obrigado.
Speaker 3Muito obrigado, presidente Caio, sempre um prazer estar aqui com vocês nos estúdios.
Speaker 1Prazer é todo nosso, e a Thaís Herédia comigo, e lá de Brasília, o nosso diretor, Daniel Hitchner. A atuação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cássio Nunes Marques, especialmente nesse segundo turno, tem provocado insatisfação até mesmo entre integrantes do TSE. No foco está o canal Exército do Lula no WhatsApp. Quem nos traz mais detalhes é a repórter Thaís Amedeiros, de Brasília.
Speaker 4A crise começou quando, na semana passada, a campanha de Flávio acionou o TSE para pedir a suspensão do canal de WhatsApp Exército do Lula. A plataforma é administrada pelo deputado federal André Janones. Até setembro, o canal era voltado à atuação política de Janones, mas após o primeiro turno, o deputado transformou o grupo em uma plataforma de mobilização para conseguir votos para Lula, com cerca de 4 milhões de seguidores. Por uma quinta-feira, o processo foi distribuído ao corregedor-geral eleitoral, Ricardo Villas-Boas Cueva. A campanha de Flávio listou conteúdos que considerava desinformativos contra o candidato e que teriam sido divulgados por Janones em setembro e pediu que o canal fosse suspenso até o fim do segundo turno. Na tarde do último sábado, Cueva pediu mais informações a Flávio e notificou Janones e também a campanha de Lula a se manifestarem sobre o canal. A campanha de Flávio não ordenou a suspensão provisória da plataforma, tal como queria Flávio. Menos de uma hora após essa primeira decisão, a campanha do PL ingressou com um novo pedido, desta vez direto ao presidente do TSE, Cássio Nunes Marques, que determinou a suspensão do canal. Mas Cueva restabeleceu provisoriamente o grupo e encaminhou o caso para a deliberação urgente do plenário do TSE. Nunes Marques tem gerado desconfiança entre membros do TSE também por outras razões. Na semana passada, o ministro já havia paralisado julgamentos no plenário virtual, nos quais já havia maioria formada para derrubar publicações apontadas pela campanha de Lula como desinformação. Nesta segunda-feira, a pedido do presidente do TSE, a área técnica da Corte Eleitoral produziu um relatório sobre o canal administrado por Janones. Os técnicos avaliaram conteúdos compartilhados de 2 a 11 de outubro no canal e não localizaram no período. E no material examinado, conteúdos apontados pela campanha de Flávio ao denunciar o grupo à Corte.
Speaker 3Nunes Marques tem gerado desconfiança entre membros do TSE e encaminhando o caso para a deliberação urgente do plenário do TSE, nos quais já havia maioria formada para derrubar publicações apontadas pela campanha de Lula ao denunciar o grupo à Corte. Nunes Marques tem gerado desconfiança entre membros do TSE e encaminhando o caso para a deliberação urgente do plenário do TSE, nos quais já havia maioria formada para derrubar publicações apontadas pela campanha de Flávio ao denunciar o caso para a deliberação urgente do plenário do TSE, nos quais já havia maioria formada para derrubar publicações apontadas pela campanha de Lula ao denunciar o caso. Nunes Marques tem gerado desconfiança entre membros do TSE
Speaker 5e encaminhando o caso para a deliberação urgente do plenário do TSE, nos quais já havia maioria formada para derrubar publicações apontadas pela campanha de Flávio ao denunciar o caso.
Speaker 3Nunes Marques tem gerado desconfiança entre membros do TSE e encaminhando o caso para a deliberação urgente do plenário do TSE, nos quais já havia maioria formada para derrubar publicações apontadas pela campanha de Lula ao denunciar o caso. Nunes Marques tem gerado desconfiança entre membros do TSE e encaminhando o caso.
Speaker 2ela tem que ser muito em cima do No dia do pleito, no dia da eleição, tinha aquela coisa lá no passado, quando o PT disputava com o então PSDB, que existia lá, que era o partido que foi. O PSDB, na verdade, foi transplantado, a votação que era do PSDB foi transplantada para Bolsonaro, mas o PT espalhava nas campanhas contra o PSDB que o PSDB, se eleito, iria acabar com Bolsa Família. Isso daí, isso em geral, isso reforça um voto já existente, dificilmente muda. As pessoas, elas não são fáceis de serem persuadidas. Muita gente analisa o eleitor, aquela figura que está lá distante, como se fosse alguém manipulável, facilmente manipulável. Essa figura não é, o eleitor não é. O eleitor tem suas crenças, seus valores, tem a maneira de filtrar tudo que ele recebe. Então, é difícil. A fake news tem um impacto duradouro, por isso ela precisa ser muito na véspera da eleição e ter, digamos assim, ela mandar um recado real sobre o adversário, ter um lado de credibilidade. Eu gostaria de aproveitar aí a sua pergunta e comentar uma quebra de tradição no Brasil. Quer dizer, a justiça eleitoral, ela nunca se meteu em micro fatos da campanha. Nós vimos ali no debate. O debate que ia acontecer na TV Globo, que a justiça eleitoral proibiu o púlpito vazio, uma coisa desse tipo. Quer dizer, aquilo foi um acordo entre as partes. Aquilo nunca aconteceu. É uma tradição que se quebra e eu acho assim, a Thais, toda a ideia de ser institucional, se quebra de uma maneira perigosa. Os candidatos aceitando de um lado e de outro porque estão recorrendo a isso. Olha, as campanhas sempre transcorreram. E só coisas muito exageradas é que foram coibidas pela justiça eleitoral. O que nós estamos vendo são micro intervenções absolutamente exageradas. É uma quebra de tradição nossa e que eu acho ruim para o processo democrático.
Speaker 6Daniel. Ô Caio, a gente vem falando aqui há meses de como uma ala da força no Supremo, ala da força é a expressão que o nosso William Wack gosta de usar, tem adotado uma série de posturas e arbitrado em favor do candidato de sua preferência, às vezes de uma forma desavergonhada. Vamos tentar fazer um pouco do exercício também reverso e olhar como esse grupo de André Mendonça e Cássio Nunes Marques, agora que a gente está falando dele, como esse grupo pode sofrer no caso de uma vitória, hoje mais improvável, de Lula. É um grupo que vai ser trucidado no caso de um governo Lula 4. Por outro lado, Cássio Nunes Marques e o próprio André Mendonça vão ter um papel de influência até no governo e principalmente no Supremo bastante grande em caso de vitória de Flávio. A gente está falando não só de dominar politicamente o Supremo ao longo do tempo e nos próximos anos, mas de participar mais ativamente, ou influenciar. Escolha as indicações dos próximos ministros no próprio Supremo. O STJ vai ter três vagas abertas até o final do ano. Tem os tribunais regionais federais, que é de onde vem o TRF1. Cássio Nunes Marques, e ele exerce um poder de influência que, óbvio, vai ser maior em caso de vitória de Flávio. Então, tudo isso só para dizer que Brasília já respira 2027. E pode ser ilusório. A eleição não terminou, o segundo turno é dia 25. Mas o cheiro de poder é de Flávio Bolsonaro. E daí que muita gente enxerga legitimamente as decisões de Cássio Nunes Marques, não só como um empurrãozinho nessa candidatura, na reta final da candidatura a Flávio, mas já também um olhar ali, uma precificação de como ele pode ser mais ou menos influente num futuro governo Flávio.
Speaker 1Doutor Rolô, eu queria que o senhor fizesse uma comparação. Tem muita gente hoje, ao longo do dia, comparando a atuação do Cássio em 26 com a do Alexandre em 22. Apontando que o Alexandre de Moraes, na presidência do TSE, teria atuado favorecendo o então candidato de oposição, Lula, e que hoje o Cássio Nunes Marques atuaria em favor do candidato de oposição, que é o Flávio Bolsonaro, e que os precedentes que o Cássio usa foram dados por causa dos precedentes criados pelo Alexandre de Moraes em 22. Isso faz sentido? Você consegue fazer essa comparação?
Speaker 3É possível? Caio, dá para fazer essa comparação, por exemplo, e eu ouvi críticas esse ano em relação à nomeação do juiz auxiliar de propaganda pelo presidente Cássio Nunes Marques, então dá para fazer comparação na medida em que o então presidente Alexandre de Moraes fez a mesma coisa. Então, ele se escolheu, ele e Alexandre de Moraes, e o ministro Cássio fez a mesma coisa, se escolheu. E apontou outros dois ministros, porque os juízes auxiliares de propaganda normalmente são três, apontou outros dois ministros, dentre eles o próprio vice-presidente, André Mendonça, mais a ministra Estela Aranha, apontou talvez pessoas um pouco mais chegadas a ele, ou pelo menos duas, ele e mais o André Mendonça. A ministra Estela Aranha tem essa acusação de que, de alguma maneira, favoreceria esse grupo político do Lula. E o ministro Alexandre de Moraes, na época, fez a mesma coisa. Então, quando eu fui perguntado, eu disse isso. Se tem um paralelo, tem este tipo de paralelo, nas indicações. Agora, nas decisões, eu me lembro que o ministro Alexandre de Moraes foi muito firme, foi muito duro, inclusive diminuiu o prazo da retirada das postagens e das fake news, era prazo de 24 horas, ele reduziu para 12, e na véspera da eleição, inclusive, para prazos de 3, 4 horas. Então, ele fez isso, mas me parece com a ideia de proteger todo mundo, ter equilíbrio para todas as campanhas. Então, na atuação em si, eu não me lembro de ter chamado tanto atenção. É lógico, já tem quatro anos, eu não vou lembrar dos detalhes, mas na atuação em si, fora esses dois pontos que eu mencionei, que aí eu me lembro com perfeição, não me lembro de uma atuação muito politizada. Agora, desta vez, e aí não é só em relação ao candidato Flávio Bolsonaro, também nós tivemos, e o meu chará Alberto lembrou isso, em relação ao debate da outra emissora, também tivemos uma atuação forte, interferindo nas normas que tinham sido fixadas pelos candidatos, e aí em favor do candidato Lula. Então, eu acho que a politização nessa eleição de 26 está muito maior do que qualquer coisa que tenha havido em 2022.
Speaker 1Bom, doutor Alberto Rolo, advogado especialista em direito eleitoral, muito obrigado, doutor, por ter vindo aqui.
Speaker 3Eu que agradeço o convite mais uma vez, Caio, Thaís, é sempre um prazer estar aqui nos estúdios da CNN.
Speaker 1Prazer é todo nosso. Daqui a pouco a gente continua falando de política brasileira, claro, de eleições, mas vamos falar como as campanhas se preparam para essa semana. Até já. WW de volta e nesse dia 12 de outubro, Flávio Bolsonaro e Lula participaram de missas em homenagem à Nossa Senhora Aparecida. Na penúltima semana antes do segundo turno, os dois candidatos vão. concentrar agendas, especialmente pelo Sudeste.
Speaker 7Confira. e marca uma cena aos católicos. Pouco antes da missa, o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, autorizou que Flávio retome as visitas ao pai Jair Bolsonaro. O ex-presidente está em prisão domiciliar depois da condenação por tentativa de golpe de Estado. Flávio disse que fará uma visita nesta terça-feira. Por ser advogado do pai, pode encontrá-lo todos os dias, mas ainda respeitando o veto a encontros com finalidade político-eleitoral.
Speaker 8Eu sou muito ansioso para dar um abraço forte nele, primeiro de tudo, ver como é que está o rosto dele, como é que está o ânimo dele com tudo o que aconteceu, que eu só estou sabendo por terceiras pessoas. Então, espero olhar no olho dele, dar um abraço e espero que ele esteja feliz.
Speaker 7Depois, o senador vai a São Paulo para afirmar o apoio de lideranças do MDB. Já Lula participou de uma cerimônia religiosa na capela do Palácio da Alvorada. Ele esteve acompanhado da primeira-dama Janja da Silva e de ministros. O candidato à reeleição chegou à Brasília depois de uma manifestação na Avenida Paulista no último domingo. Apoiadores do petista fecharam diversos quarteirões da via. Nesta segunda, foi a vez do Rio de Janeiro, onde manifestantes saíram em apoio à reeleição do atual presidente nos arcos da Lapa e em Copacabana. Lula também mira no avanço da PEC que acaba com a jornada seis por um. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, marcou a votação em primeiro turno da proposta de emenda à Constituição. O governo tenta acelerar o rito, jogando o segundo turno da votação para a mesa. mesma data. A oposição teme que a medida beneficie Lula, mas também não deseja votar contra, vendo a chance de um impacto negativo na campanha de Flávio. Eu não sou senador, mas
Speaker 9eu acho que a maioria dos senadores vão votar o fim da escada 6x1. Não tem trauma, é apenas coragem e determinação. Eu acho que o Senado vai aprovar.
Speaker 1Alberto, quanto a essa mobilização de rua, principalmente do Lula, hoje e ontem, pode levar a uma virada como eles estão acreditando que levará?
Speaker 2Olha, eu creio que a mobilização precisa, para que ela tenha algum tipo de impacto, ela precisa ser meio semelhante ao que aconteceu em 2013. Em 2013 foram manifestações, a coisa motivada. Pela Copa das Confederações, e elas começaram a ocorrer de maneira espontânea e ficaram muito grandes por todo o Brasil e assumiram ali um aspecto de divulgação de mídia bastante intenso. Eu não sei se isso vai acontecer, nós não sabemos se isso vai acontecer. Seria preciso que isso crescesse de uma forma espontânea e fosse aumentando, quer dizer, digamos assim, um efeito, como se diz, um efeito cascata. Eu acho que isso é um efeito crescente. E vamos ver, olha, tem uma novidade aí, tá, Caio? Fazia muito tempo, eu não me recordo, a última vez que o PT conseguiu colocar tanta gente nas ruas como foi o caso de São Paulo ontem e do Rio de Janeiro hoje. E isso é uma novidade. É uma novidade que fortalece o processo democrático, legitima o resultado da eleição, qualquer que seja ele.
Speaker 1Daniel, e a campanha do Flávio vai ficar em breve? Eu acho que a campanha do Flávio vai ficar em breve, eu acho que a campanha do Flávio vai ficar em breve, eu acho que a campanha do Flávio vai ficar em breve, eu acho que a campanha do Flávio vai ficar em breve, eu acho que a campanha do Flávio vai ficar como? Agora, em termos de mobilização de rua, vai ficar olhando ou vai agir? Caio, sabe que uma das
Speaker 6coisas curiosas aí em resposta a essa mobilização popular e digital também que a gente precisa falar, tem tudo a ver com o que nós tratamos no primeiro bloco, mas o governo Lula, que sempre teve uma imensa dificuldade na área de redes sociais, na frente digital, conseguiu mais mobilização e mais avanço, né?
Speaker 2Não, ela é relevante porque, inclusive, ô Caio, isso daí, de novo, é uma coisa estatística, né? Não significa que sempre aconteça desse jeito, eu tenho análise aí de mais de 70 reeleições para governos estaduais, mais de centenas de eleições para governos municipais, mas você tem uma faixa abaixo da qual praticamente todo mundo perde e acima da qual praticamente todo mundo ganha, e ali no meio, né, você pode ganhar. É, Bolsonaro, eu coloquei aí, isso daí é Bolsonaro perdeu, estava antes do primeiro turno, Bolsonaro chegou a crescer muito entre o primeiro e o segundo turno, creio eu, né, a gente nunca vai saber ao certo, mas creio eu, como uma espécie de carregamento, de efeito retardado das medidas que ele tomou anteriormente, e aí ele chegou ali no segundo turno com 39% de avaliação positiva, mas parece que já era tarde, né? Ele perdeu demais, e ele perdeu por uma margem muito pequena. A avaliação positiva, né, soma de ótimo e bom, a gente pode utilizar qualquer régua. Eu utilizo essa porque eu comecei lá antes dos anos 2000 e só tinha essa medição. É normal, quando você avalia bem um governo, você vota para continuar o governo. Quando você avalia mal, você vota para a mudança, para o candidato que representa a mudança, representa a mudança no sentido de que não é mais aquele governo, será um outro, né? Nesse sentido. E a situação de Lula é uma situação muito delicada. Desde março eu vinha dizendo isso. Ele melhorou agora recentemente. Ele ficou de março até praticamente setembro com 32% de ótimo e bom, e andou tendo uma pequena melhora para 35%. Eu sempre utilizo a pesquisa do Datafolha porque ela teve presente em todas as eleições anteriores. É a mesma metodologia, tudo igual. E aí ele teve uma pequena melhora nessa reta final. Continuar nesses próximos 14 dias, ninguém sabe. Se ele melhorar muito a situação. dele pode ficar mais favorável. Agora, se ficar estabilizado do jeito que está, ele caminha para uma derrota, e isso daí não tem a menor dúvida.
Speaker 1Agora, Daniel, tem uma votação importante essa semana, que é a da PEC 6 para 1, Davi Alcolumbre já se comprometeu, o presidente Lula chamando o Flávio para a briga, justamente para expor. Já tem algum sinal de como a oposição, principalmente Flávio Bolsonaro, que é senador, vai votar nessa semana sobre a 6 para 1?
Speaker 6Vamos lá. A ideia de Davi Alcolumbre era colocar em plenário a votação do fim da 6 por 1 na quarta-feira. No cálculo de governistas, Palácio do Planalto e até da oposição, é mais provável que a votação aconteça, na verdade, só na quinta-feira. Até semana passada, retrasada, antes mesmo do primeiro turno, a ideia da direita e da oposição era obstruir o máximo possível, ganhar tempo, jogar a votação para só depois do segundo turno, ou seja, deixar a coisa esfriar. Obstruir, obstruir, obstruir. E, se não conseguisse obstruir e fosse finalmente a votação, tentar aprovar alguma emenda que modificasse o texto para que ele voltasse para a análise da Câmara e, portanto, não pudesse ser promulgado antes do dia 25, agora deste mês. Agora, informação nova. O que foi costurado hoje ao longo do dia e mais agora nas últimas horas, fins e nozinho da tarde e início da noite? A direita, a oposição e até mesmo Flávio Bolsonaro devem votar a favor do fim da 6x1. Por quê? Existe um temor muito grande de que, mesmo explicando as divergências em relação à proposta, mesmo fazendo uma defesa da jornada de trabalho flexível, pagamento por hora, como propõe a PEC alternativa de Rogério Marinho, vai ser muito difícil, comunicar isso para o eleitor. E os cortes nas redes sociais vão, inevitavelmente, emparedar a campanha de Flávio Bolsonaro e colocá-lo contra o povo, contra o trabalhador. Então, o que a direita, não só o PL, mas outros partidos, PP, republicanos, chegaram à conclusão é de que o melhor, neste momento, é fazer o menos possível, aquela linha de menos é mais, votar a favor da 6x1, não permitindo a exploração política de que o governo vai celebrar, vai celebrar. É o último tiro do Davi Alcolumbre para se manter presidente do Senado no ano que vem? Também, muito provavelmente. Mas se blindar, criar uma vacina contra cortes nas redes sociais dizendo que votaram contra o trabalhador.
Speaker 1Alberto, para finalizar, o que você traça de perspectiva para esses 10 dias de variáveis relevantes para determinar o segundo turno?
Speaker 2Olha, também o que está na mesa, a gente não dá para prever a surpresa total, não é isso? Não dá para prever aquilo que a gente simplesmente não sabe que vai acontecer, né? Nós estamos vendo a disputa em torno da agenda do Congresso, o Hitler aí chamou atenção de algo importante, a tendência da aprovação disso e a tentativa do PT, tem mais um fim de semana pela frente, de continuar aumentando, escalando as manifestações e as duas campanhas trabalhando muito, de novo, essa coisa invisível é importante, tá, Caio? Existe uma campanha que não tem esse charme todo de manifestação em Copacabana, na Avenida Paulista, mas é uma campanha de outurna, nos municípios feitas, campanha essa feita por prefeitos e vereadores, enfim, cabos eleitorais municipais, na tentativa de influenciar o resultado presidencial. Isso continua no Brasil. E a mobilização que a gente fala aí, quer dizer, toda a campanha de redes sociais, a importância das redes sociais, então é isso que a gente vai ver. E fake news, e lamentavelmente o TSE interferindo em microfatos de comunicação das campanhas.
Speaker 1Quer colocar alguma coisa, Thaís? Não, não. Então vou me despedir do Alberto Carlos Almeida, sociólogo cientista político. Obrigado, Alberto. Boa semana, meu caro.
Speaker 2Obrigado. Obrigado pelo convite. Boa semana pra vocês também.
Speaker 1Ao meu diretor, meu amigo Daniel Hittner. Obrigado, Daniel. A Zered, minha amiga também. Vamos lá, vamos aqui, vamos mudar de time, mudar de assunto também. Vamos para a Internacional no próximo bloco, falando sobre Trump tentando defender o acordo pelo diesel russo, após críticas até dos republicanos. Até já. WW, de volta. Participa agora o coronel da reserva, Paulo Filho, mestre em ciências militares e professor emérito da Escola de Comando e Estado Maior do Exército, a SM. Bem-vindo, coronel.
Speaker 10Boa noite, Caio. Um prazer estar com vocês mais uma vez.
Speaker 1Prazer é todo nosso. Lourival Santana aqui comigo também. Bem-vindo, Lourival. Obrigado. O presidente americano, Donald Trump, se irritou hoje ao ser questionado sobre os novos ataques da Rússia à Ucrânia, depois que ele, Trump, anunciou um cessar-fogo energético entre os dois países. A reportagem, de Mariana Janchakou.
Speaker 11Um ataque russo atingiu um prédio residencial em Kharkiv, nesta segunda-feira, ferindo ao menos 22 pessoas. No domingo, seis pessoas morreram em bombardeios na Ucrânia. Segundo a ONU, 35 civis já foram mortos desde a última sexta-feira, quando Trump anunciou o acordo com Moscou, que levantou as sanções e permitiu a retomada das exportações do diesel russo para o mundo. No domingo, um comunicado repentino. O republicano anunciou no Truth Social uma trégua energética entre a Rússia e a Ucrânia, medida que, segundo ele, entrava em vigor imediatamente. O Kremlin não confirma. Pego de surpresa, Zelensky chegou a dizer que aceitaria organizar eleições em troca de uma trégua de 60 dias, como resposta à pressão de Trump por uma nova liderança no país. Nesta segunda, no Fórum de Segurança de Varsóvia, Zelensky disse que a Rússia atingiu seis alvos de energia em toda a Ucrânia desde o anúncio da trégua e que, se a Rússia não aceitar o cessar-fogo, vai responder. Mas, segundo autoridades europeias, a administração Trump ameaça suspender o compartilhamento de informações de inteligência e armamentos com a Ucrânia caso Kiev volte a atacar infraestruturas de energia russas. Aqui nos Estados Unidos, a suposta trégua energética foi vista como uma tentativa de Trump de associar a compra do diesel russo a um caminho que varia a uma pacificação na Europa. O plano não deu certo. Ao mesmo tempo, aumentaram as críticas ao presidente norte-americano. Sete parlamentares, sendo quatro republicanos, já emitiram comunicados contrários ao acordo da Casa Branca com os russos. Trump é acusado de financiar a guerra de Putin em troca de diesel mais barato, depois de o combustível subir 70% nos Estados Unidos desde o começo da guerra com o Irã e às vésperas das eleições de meio de mandato. Com a popularidade de Trump em queda histórica, as urnas ameaçam dar a maioria das duas casas legislativas aos democratas. Na contramão da Casa Branca, a União Europeia impôs sanções a 1.600 indivíduos e entidades ligadas ao complexo militar industrial russo, com o congelamento de ativos e a proibição de entrar em território europeu. A chefe da diplomacia europeia, Kaya Callas, disse que se trata da maior ampliação da lista de sanções desde o início da guerra. A União Europeia impôs sanções a 1.600 indivíduos e entidades ligadas ao complexo militar russo, com o congelamento
Speaker 1de ativos e entidades ligadas a 1.600 indivíduos e entidades ligadas a 1.600 indivíduos e entidades ligadas Coronel Paulo Filho, tem ali uma dupla tentativa do Trump, tanto de melhorar a situação interna dele para essas eleições de meio de mandato, como também melhorar a situação financeira da Rússia, do próprio Putin imerso ali à guerra da Ucrânia. Qual a tendência dele conseguir uma das duas questões, pelo menos?
Speaker 10É uma tentativa, eu diria, para baixar o preço do combustível nos Estados Unidos, que está elevando a inflação e está levando, em parte, causadora dessa enorme impopularidade do presidente Trump. Esse acordo que ele fez com o presidente Putin, de 4.800.000 toneladas de óleo diesel, é um acordo irrisório do ponto de vista econômico. 300.000 toneladas de óleo diesel que seria entregue imediatamente, e o Trump se referiu ao mercado americano internacional, mas supondo que fosse 100% para os Estados Unidos, isso representa 0,6% do consumo de um dia. Isso para entregar agora. 500.000 toneladas para novembro é o consumo de um dia dos Estados Unidos. E tudo isso junto, 4.800.000 toneladas, não chega a 10 dias de consumo dos Estados Unidos. É evidente que a maior causa do aumento dos combustíveis não é a guerra entre Rússia e Ucrânia, embora possa, sim, colaborar de alguma forma. Mas a principal causa do aumento dos combustíveis nos Estados Unidos é a maior causa mundial. É a questão no Estreito de Hormuz, a guerra dos Estados Unidos contra o Irã, e agora o agravamento no Bab al-Mandeb, lá no Mar Vermelho, entre a milícia Houthi do Iêmen e a Arábia Saudita. E essa guerra que o presidente Trump tem responsabilidade direta, é essa sim, na verdade, que tem aumentado o preço dos combustíveis. Por outro lado, ele anunciou esse acordo. de que Ucrânia e Rússia não fariam mais ataques mútuos contra infraestrutura de energia. A piada é óbvia, mas é inescapável, lembrando Garrincha, mas ele esqueceu de combinar com os russos e com os ucranianos, no caso. Então, os dois lados, nenhum dos dois sabia dessa oferta, dessa trégua, e a Rússia imediatamente já bombardeou instalações energéticas da Ucrânia. Então, é muito ruim a situação do presidente Trump, perde credibilidade, a pouca credibilidade que já tem junto aos ucranianos, se desgasta com seus parceiros europeus e não consegue os ganhos econômicos que ele pretende.
Speaker 1E aí, Lourival, nenhuma dessas movimentações que ele fez nas últimas 48 horas, aparentemente, vai dar resultado.
Speaker 12É puramente simbólico, político, a tentativa de demonstrar que, se puder, a gente se preocupa com o custo da energia nos Estados Unidos. A partir de fevereiro, quando começou a guerra contra o Irã, o galão do diesel subiu de US$ 3,81 para US$ 6,53. E o galão da gasolina, de US$ 2,94 para US$ 4,36. Portanto, é a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã que produziu essa guerra. E a gente tem essa pressão sobre os preços. A guerra da Rússia contra a Ucrânia é uma pressão bem mais antiga. As sanções começaram imediatamente, em 2022, depois da invasão em grande escala, em fevereiro. E, como o Paulo bem colocou, isso não representa nada em termos econômicos, porque o mundo consome 29 milhões de toneladas de diesel por dia. E estamos falando de 300 mil por mês. Então, não é nada. Mas é simbólico, é político. Ele tinha dito que o preço do alto custo de vida, de energia, era pequeno diante desse objetivo de evitar que o Irã tivesse a bomba nuclear. Isso pegou muito mal eleitoralmente. Mas eleitoralmente e politicamente também pega muito mal esse movimento dele, porque tem. Tem republicanos, tanto na Câmara quanto no Senado, criticando essa decisão. E tem o fator geopolítico, o abandono da Ucrânia e a pressão dele para que a Ucrânia pare de bombardear as refinarias russas para permitir o escoamento desse diesel russo. Então, tem efeitos negativos geopolíticos, políticos e nenhum efeito econômico.
Speaker 1Agora, Coronel, o Trump chegou a sugerir nessas declarações, que a Ucrânia substitua o Zelensky, né? E tem um pedido até da Ucrânia, salvo engano, de que haja um cessar-fogo justamente para que haja novas eleições. Há alguma perspectiva disso acontecer na Ucrânia?
Speaker 10É, o fato do presidente Zelensky ter ultrapassado em muito já o seu mandato regular, né, em razão da guerra, tem sido explorado politicamente, tanto pela Rússia quanto pelos adversários do presidente Zelensky e dentro da própria Ucrânia também. Há um cansaço já com o tempo do presidente Zelensky no poder, um tempo de guerra. Em defesa da manutenção do presidente Zelensky, nós podemos lembrar que, por exemplo, o Reino Unido, na época da Segunda Guerra Mundial, não teve eleições, né? Winston Churchill também ultrapassou em muito tempo o tempo previsto para o seu mandato. E a dificuldade prática de se fazer uma eleição, né, como é que vai distribuir urna em meio à guerra, como é que vai, o milhão de soldados vão votar, como é que as pessoas que estão no exterior vão votar, o 20% do território ucraniano que está dominado pela Rússia, como é que vai fazer essa eleição, né? Então, há dificuldades de ordem prática perfeitamente compreensíveis, mas pesquisas recentes indicam já que o presidente Zelensky tem, a sua popularidade vem diminuindo, né, isso é natural, pelo cansaço, com a guerra. Quando o presidente Trump diz isso, né, que o presidente Zelensky já deveria estar passando a presidência para outra pessoa, né, ele alinha o seu discurso ao presidente Putin e passa a ser visto na Europa, né, também, então você vê várias coisas que vão acontecendo ao mesmo tempo. O presidente Trump alinha seu discurso com Putin em relação ao mandato do presidente Zelensky, alinha os interesses dos Estados Unidos com o da Rússia na questão de retirar sanções aí ao óleo diesel, então uma série de medidas que estão sendo vistas como favoráveis à Rússia, em detrimento da Ucrânia, que continua sendo apoiada pelos europeus. O presidente Zelensky disse que poderia fazer as eleições se houvesse uma trégua de 60 dias, para que ele pudesse organizar as eleições, e a Rússia já respondeu que não concorda em fornecer, em dar as condições para essa eleição. Então, eu acho que, do ponto de vista prático, é muito difícil que ocorram eleições na Ucrânia no curto prazo.
Speaker 1Lourival, a guerra em si, que cenário você traça?
Speaker 12Ah, o meu cenário base continua imóvel. A guerra não muda, né, a situação não muda, porque o Putin mantém as suas posições maximalistas de exigir os quatro blasts, né, ele ocupa de forma parcial, e, por outro lado, a Ucrânia não aceita ceder esses territórios sem garantias de segurança, para que a Rússia não tente depois expandir a sua ocupação, né. E os Estados Unidos, por sua vez, não estão prontos para dar essas garantias, que equivaleriam, de forma formal, ao que é a OTAN hoje, né, garantias de defender a Ucrânia de futuras agressões russas. Então, é um impasse insuperável. O Trump tem manobrado para elevar a pressão sobre o Zelensky, mas os ucranianos estão decididos a continuar lutando e têm o apoio dos europeus. Claro que o apoio americano é insubstituível. Mas a fratura desse compromisso americano não é suficiente para os ucranianos se renderem aos russos, porque eles sabem que o custo de perder a independência para os russos é muito alto.
Speaker 1Coronel Paulo Filho, um minuto, por favor. Seu cenário base para Estreito de Hormuz.
Speaker 10A situação vai continuar por um bom tempo indefinida. Assim como o Lorival pode dizer que a Rússia não abre mão das suas posições maximalistas em relação à guerra da Ucrânia, Irã e Estados Unidos também estão muito longe, até o momento, de um mínimo múltiplo comum para chegar a um acordo. Então, eu não vejo, no curto prazo, uma solução para crise no Estreito de Hormuz, agora agravada pela crise no Estreito de Bab-el-Mandeb com os ataques diários que os hutis têm feito à Arábia Saudita. Então, a guerra no Oriente Médio começa a ganhar contornos verdadeiramente regionais. Temos a participação de Turquia e Paquistão ao lado da Arábia Saudita contra os hutis. O Egito, hoje, também, já assumiu o compromisso de apoiar a chamada Aliança de Meca em apoio à Arábia Saudita. Então, nós vemos perigosamente a crise no Oriente Médio ganhar contornos ainda mais graves e contornos verdadeiramente regionais. Em poucas palavras, não acredito numa solução a curto prazo, infelizmente, Caio.
Speaker 1Bom, Coronel Paulo Filho, mestre em Ciências Militares, professor emérito da Escola de Comando do Estado Maior do Exército, a ICM. Muito obrigado. Boa semana, Coronel.
Speaker 10Foi um enorme prazer. Boa noite, Caio. Boa noite, Lorival. Boa noite a todos.
Speaker 1Obrigado, Lorival. Até amanhã, meu caro. Boa semana também para você, viu? Para todos nós. WW, termina aqui. Boa noite. Excelente semana. Agora, a gente continua aqui no Papo de Política Brasileira com a Juliana Lopes conduzindo o Grande Campeonato de Eleições. Até daqui a pouco.