O episódio do podcast centra-se na figura do "malandro", personificada pelo conto popular de Nasreddin Hodja, cujas histórias ilustram um raciocínio que subverte a lógica habitual para enfrentar situações com astúcia e humor. Esse pensamento, descrito como uma "filosofia do avesso", não é irracional, mas opera através de uma mudança de perspectiva, transformando problemas em oportunidades, como na fábula da sopa de pedra. Na segunda parte, o convidado Antônio Prata, cronista e humorista, aprofunda a discussão, relacionando a malandragem à cultura brasileira. Ele argumenta que, muitas vezes, essa postura nasce de uma necessidade, como uma forma de navegar em contextos de exclusão ou falta de opções institucionais. A conversa traça paralelos entre a malandragem, a crônica literária (um gênero híbrido que exige criatividade em espaço limitado) e o futebol brasileiro, onde o drible é visto como a expressão máxima dessa arte de enganar e criar soluções inesperadas, celebrando uma inteligência prática e lúdica.
[Música] Olá, eu sou Ricardo Rússpreira e este é o podcast de coisa que não edifica, nem destrói. Hoje sobre. esse malendres. [Música] Olá, outra vez! Já tinham saudades minhas, digam lá? Não! Por quê? Então eu até sou uma menina bem comportada ao contrário daqueles que fazem parte do tema do podcast desta semana. Mãe Lendros. Mas malendros de que tipo? É que eu ainda conheço alguns. Aliás, tenho muitos lá em casa. Mas não é desses que façam a ser uma pensada. É mais aquele tipo de malendro que decida variar mesmo quando estou tomado anjo. Ou aquele que começa a fazer barulhos estranhos e a pescar mais do que uma discoteca dos anos 90. Mas cá para nós, o pior ainda é aquele malendro que decide fazer que é da livre na casa de banho e nem com a roja rochita. Percebendo, né? Nem outra seria. E agora fui um mecado malendro. Desculpe-me. Preste tipo de malendros. Existe a vorta. Sim, a vorta resolve tudo o que é malendro. Semar de fones, máquinas de lavar, que nos tudo e mais no seu que. Mas vai, agora vou ter que abandonar que eu tenho uma roja malendro em alumna. Até pra semana. [Música] O homem está a procurar da alguma coisa no chão. Chegam um amigo que se dispõe a ajudar e perguntar. O que é que para deste? As minho chaves. Tem a ideia daquias para deste dentro de casa. Então, por que que estás a procurar elas na rua? É porque há mais luz. É uma história conhecida. A minha pergunta é, este homem é muito burro ou muito inteligente. É uma pergunta mais difícil do que parece. Por um lado, é capaz de ser mais sensado para procurar uma coisa no si tem que apredermos. Mas também parece incontestável que é melhor procurar uma coisa onde dá boa iluminação do que há escuras. O homem que protagoniza esta história chama-se Nazaradine Rodger. Segundo o professor Chukru Kurgann, desculpa, em meu turco está enforjado, o professor Chukru Kurgann diz que Nazaradine Rodger nasceu em 1208, em morreu em 1284. Mas há boas razões para acreditarmos que muitas das histórias que se contam sobre ele são apócrifas, assim como parece evidente que as anotas do bocazs não foram todas protagonizadas pelo poeta, sotubalense. Mas Nazaradine é uma figura importantíssima do folklore do medioreante. Há estatua em sua homenagem desde bruxelas na Belgica até a estena no casaquistão. A Turquia tem estatua de Nazaradine Rodger em innumas localidades. A estatua é quase sempre a mesma e representa Nazaradine sentado ao contrário num burro, ou seja, virado na direção da calda do animal. É uma referência mais uma das suas histórias. Alguém encontra o Nazaradine e pergunta por que está sentado ao contrário? E ele responde. Eu estou sentado na direção certa. O burro é qual é o contrário. Várias das histórias de Nazaradine incluem um burro curiosamente. Um vzinho vai a casa de Nazaradine e pede o seu burro em prestado. Nazaradine responde, lamento, mas já o em prestei a outra pessoa. Nesse preciso momento, o burro azulra-a dentro do estábolo de Nazaradine. E o vzinho Zangas. Então, eu estou a ouvir o burro ali e Nazaradine fecha-lhe a porta na cara, dizendo, "Um homem que acredita mais na palavra do burro do que na minha não merece que ele em presto nada". Só mais uma história antes de contar várias outras histórias. Um dia, um ladrão assalta a casa de Nazaradine e leva todos os seus pretensos. O ladrão volta para sua casa, só que o Nazaradine segue-o. Surpreendido por ver Nazaradine em sua casa, o ladrão pergunta o que faz aqui? E o Nazaradine responde. Algo parece, eu estou em processo de mudança para esta casa. Por isso vinha pagar o primeiro mês da renda. Nazaradine, hodja, é aquilo aqui em inglês que se costuma chamar um "trexter". Nem imaginação das pessoas que falam português. Talvez essa figura se chama "malandro". O que a parte será melhor palavra. O que me interessa é o tipo de raciocínio específico aqui o "malandro recorre". Porque implica um olhar sobre as coisas que obedece a homologica muito diferente da habitual. Notes que é, apesar disso, uma lógica. Uma antilógica, se quisermos, mas uma lógica. Nas histórias de Nazaradine, ele é muitas coisas. Uma vez é um sábio, outra vez é um juiz, um médico, um campunês ou um professor. Mas é sempre uma espécie de filósofo. O que eu pratica não é o contrário da filosofia. É uma filosofia do avesso. É diferente. Uma camisola do avesso não é o contrário de uma camisola. Continua a ser uma camisola. Estáia do avesso. Às vezes, o raciocínio do "malandro" é apenas a astucia pela astucia. Mas, qual sempre, tem um objetivo e guista? Destinas a facilitar a vida ao "malandro". E essa é a parte milagrosa. Não dá muito trabalho. Porque quase sempre uma operação do olhar. Trata-se apenas de ver de outra maneira. Onde o municineteiro vê um assalto. O "malandro" vê uma mudança de casa. E é melhor, enfim, é menos mal, mudar de casa do que servir-te em uma assalto. No fundo, o raciocínio do "malandro" é um modo de fazer batota na vida. É isso que o raciocínio é. A história da sopa da pedra é um bom exemplo. Um frado pobre batata a porta de uma casa a pedir esmola. Os donos da casa recusam. O frado, em colhidos ombros e diz para si bom, vou ver se faço uma sopa com esta pedra. E os donos da casa reencedem-lo. Esta parte é importante. O mundo, habituado ao modo de raciocinar convencional, "risso do "malandro" fazer uma sopa com uma pedra. Sempre queremos ver isso. O frado peda uma panela com água, posita a pedra lá dentro e põe um lume. E os donos da casa perguntam. E basta isto para fazer a sopa? Basta isto. Diz o frado. Claro. Ficava ainda melhor se tivesse um fiozinho dazoite que não pudessem te pensar. Entresado em ver como se faz a sopa com uma pedra, os donos da casa acedem. E o frado vai pedindo mais um querido de sal. E agora é uma cove, um praço de chorizo, para dar graça, etc. Tudo ingrediente que não são essenciais para a sopa da pedra. Claro. Mas se destinam, adar não o saborzinho, só. Depois o frado com a sopa até o fim e os donos da casa perguntam, "Eta aí a pedra?" E o frado muito sério diz "lávoa e leve comigo para quando precisar de fazer a sopa novamente". As histórias dos filósofos sindicos são parecidas. Num jantar, os convívers estavam a escarnescer de diógenes, atirando osos, como se ele fosse um campo. Quem pensa da maneira habitual, talvez só fendece, provavelmente ficaria o milhado, gostaria de ser comparado com um campo. Mas diógenes reciclinava da maneira que nos interessa. Por isso, aproximou-se das pessoas que estavam a tirar osos, levantou a pata e mijou-lhes em cima. Outra vez, alguém viu diógenes a pedir-os uma estátua e perguntou "Por que você fazê isso?" Diógenes respondeu, "estou a treinar ser rejeitado". No outro ocasião, perguntaram, "Diógenes, que tipo de vinho gostas mais de beber?" E ele disse "Odi outras pessoas". Era este tipo de sirene, outro filósofo, de símbolo de Sócrates. Foi uma vez repreendido por alguém por ter mandado o filho embora. Como é possível desparsar os seus filhos que tu geraste? Era este tipo de uma boa resposta, disse-lo. Eu gero igualmente a espectoração e também as pols para longe. E, de facto, é um argumento difícil de rebatear. O raciocínio do malandro é uma espécie de burla. Quando um ladrão rouba opera uma mudança no regime de propriedade. Isto era teu? Agora é meu. O malandro faz o mesmo coarrasão. A lógica habitual, oponho a minha. E coarrasio sino convencional, é difícil ou até impossível de roubar essa lógica nova. Só mais uma história de nasredin Ródia. Um dia, numa altura de seca tremenda, foram ter com nasredin Ródia porque tinham ouvido dizer que ele sabia fazer chover. É verdade, disse-lo. Prisa de uma vacia da água. Ora, como o problema era, precisamente a falta da água tiveram de fazer um chorço enorme para ele fazer afontar. Quando ele entrega uma vacia para espanto de todos, nasredin despes e começa a lavar as suas roupas lá dentro. E diz, "Calma, eu sei que estou a fazer. Agora preciso do atrabacia da água. As pessoas desesperadas que tinham ido ter com ele protestaram furiosas, mas reuniram a pouca água que eles restavam na atrabacia e entregaram-lhe." Quando nasredin retirou as roupas da primeira vacia e começou em chagualas na vacia nova, algumas pessoas quiserem bater-lhe, mas ele permaneceu muito calma e repetiu. Calma? Confia em mim. E depois começou a estender a roupa. Quando acabou, novo em esnegras surgiram no céu e começou a chover. Nasredin disse, "Pirão, nunca falha, sempre que eu estende roupa, chove." Na segunda parte, vou falar com o convidado ideal para discutir a figura de uma lânder, porque eles juntam três características fundamentais. É um humorista, cronista e brasileiro. Os humoristas parecem evidentes raciocinam como os malendros. Os cronistas, sobretudo os que se dedicam a escrever acerca de temas como zinhos, como se fosse importantes, recorrem aos mesmos estratégia. E os brasileiros têm uma inclinação especial para este tipo de malandragem. Isso nota se bem no futebol. As vítimas dos dribos de garringscha.
Os brasileiros chamavam João. Eu disse vítimas porque é isso que um João é vítima de um engano, de uma burla. O Joãoismo, que é a Volúpia de fazer dos adversários João, passou a ser um atributo do Futebol brasileiro e por isso, do Futebol, em geral. O verdadeiro Futebol é o que devido o mundo entre malandros e João. Em 1970, segundo os entes do Gol de Carlos Alberto, na final, Clúdoal fez quatro João's italianos, quatro Giovanni, portanto. O Gol podia esperar, não é? Antes havia um, dois, três, quatro João's para fazer. Aqui, enfim, no podcast não se pode ver a jogada, mas fica o relato. Brasil e tal, inesquecível esse lance total. O Odoal do recebe a bola da Pé-Le, Pé-Le, a Gerson, a Clôdoaldo, em Ganahum, em Ganah 2, em Ganah 3, em Ganah 4, e vai com uma jogada de jogo coletivo brilhante. Em Ganah, diz o comentador. Isso é um valor em si. Marcar gols é importante e ganhar é fundamental, mas ganhar sansjuinismo, sans o prazer de enganar o adversário, como costuma fazer a Alemanha, por exemplo. Não é exatamente o Futebol. É uma medalhada muito parecida, mas menos chitante, menos viva, menos alegre. O nosso convidado chama António Prata, e eu vou apresentar o Lendo Macrónica sua, título da Cranica, o Engano. Esse um brúso, que em pleno século 21, 135 anos depois de Graham Bell, ter inventado o telefone, ainda haja pessoas incapazes de aceitar esta situação tão banal da vida quateriana, o Engano. Sem dúvida, o leitor sabe do que estou falando. No meio da tarde você atenda uma chamada e do outro lado da linha uma voz estranha pergunta. Alô, vole de mar? O seu nome não é vole de mar. Você não se casou com vole de mar, nem batizou assim qualquer um dos seus filhos, de modo que só uma explicação. Foi Engano. Você engolo pequeno mal humor que escorre dos segundos perdidos, aceita a frustração de ter se imaginado necessário acreditam em algum canto da cidade, no meio da tarde, quando na verdade era de um val de mar que precisavam, você diz "seco", mas não antipático. Amigo, aqui não tem nenhum val de mar, foi Engano. E já está tirando o telefone da orelha, pronto a voltar aos seus a fazer, quando a voz ressurgia indignada. Como assim, não tem nenhum val de mar? Como assim, como assim? O que passa pela cabeça do cidadão? Você ou vole de mar? Mas está mudando a voz e fingindo ser outros só para não atendê-lo? Ou que você é um assaltante e invadiu a casa do vole de mar, que agora tenta gritar a mordassada e amarrada a uma cadeira, enquanto você arromba o cofre. Você respira fundo. Sabe que se for arrancar os cabelos toda vez que lida com ser estranhos numa cidade como São Paulo, muito rápido estará igual ao Kojá. Diz apenas paciente idático. Olha amigo. Eu não me chamo vole de mar, não moro nenhum vole de mar nessa casa, foi Engano. Entendeu? Não, ele não entendeu. Estamos lidando com um maníaco, um homem cuja disfunção neurológica em pede de compreendeiros dos vios dos pulgados dos satélites das linhas telefónicas. Inconsolável, ele se debate. Mas não pode ser. Nodaram esse número? Diz ser um que era do vole de mar? Zé, você insiste. Amigo. Tederam o número errado. Ou você ter que louir errado, sei lá. É muito comum. Engano, seguem-se alguns promissores segundos de silêncio. Você acha que ele enfim se convenceu, que se ligará a telefone e dirá a mulher? Aurelia, você não sabe que coisa a sombrosa. Liga para o válvado de Maria, entendeu outro homem. Mas eu vou arrir para essa cozitória. Então qual é o seu número? Aí já é demais. Seu número você não dirá. Não sabe o sujeito que é a Constituição Brasileira Garanta, presunção da Innocência. Não sabe que de acordo com a velha máxima latina, em dubio pro réu, acaba a acusação para o var que você, osconde, o valdo mar, e não a você provar que não é, ou não osconde. Catando no fundo da alma, última amiga a desnurusidade você pergunta que número você ligou. Ele diz o número. Evidentemente não é o seu. Você mostra para ele o equívoco. Olha aqui, o meu é 5/8, não 3/8, tá vendo? Pásmo e contrariado, ele finalmente aceita a situação. Despede-se respidamente e desliga. Você pode então, Jesus seja lovado, voltar ao seu sofazinho. A saber dar mais um aperto na corda que amarre o voldo mar e continuar o arrombamento do cofre. Desculpa, posso. É que você vai falar de coisas interessantes. Então eu começo e um dai, que carros, innovadores, tecnológicos, comprometidos com sustentabilidade, posso continuar ou tu seja chata. Falar dos automóveis e um dai entusiasmante, conduzilos em ainda melhor e um dai e coisa que entusiasma. E já aqui está o Antônio Prata. Antônio, muito obrigado por ter usaceitado. Virei este podcast. Eu sei que os convite para podcasts são uma praga, endevicima intercontinentais e tu ainda assim reservar de tempo para que está. Na verdade, eu contrario, eu escrevi para a nossa editora Barbarobulhosa falando por que o Ricardo não me construiu. Eu me inscrevi para participar. Curiosamente, eu zeio um convite, porque a bar para é chefa do Ricardo. Exatamente. E a chefa também. E a verdade, eu estou aqui numa caterada. Eu fui intimado, não é verdade. Eu faço todo sentido sobretudo hoje, Antônio, porque hoje eu estava a falar sobre um tema, com o que eu acho que tu te relacionas demais do que uma maneira. Que potenciar a tuavo e isso, colocar na dupla posição de querer ter boas notas, ou seja, ser bem sucedido na escola da tuavo, mas também vou citar, participar na bagunça com os teus colegas, ser um aluno normal que faz bagunças. E tu concluías, eu tenho um pé em cada realidade. E essa talvez seja a origem no meu sentido do amor, diz isto. E eu acho isso, fiquei eu fórico quando ali isso, porque eu acho que é isso. Se eu ter o pé em duas realidades, estarem em todo lado e não pretens ser alado nenhum, conseguir olhar de fora para todos os cítios, eu acho que é, quer dizer, a característica central do humorista e do malandro também. Eu não tenho pergunta, é só o comento, o seguinte, é esse seguinte declarações. Eu concordo, e eu estava pensando aqui sobre o malandro, o que eu soube que eu cuore o tema, do lado, e tristemente, nota que essa é uma posição triste. -Trista. -Certo. -Ele não está com pé em cada canoa por opção, mas sim por necessidade. Então essa é a minha situação de estudar na escola da voo e ter que agradar gregos e troianos, a gente agradar professores e a atúrma do fundão, a gente fala aqui no Brasil, fazia com que eu tivesse que me desdobrar. E o malandro, pelo menos o malandro brasileiro, eu estava fomendo o historiador, cara que manja muito de samba aqui no Brasil, que é o Alexandre Simas, falando sobre o malandro. O malandro, ele é um cara que ele não tem a opção de trilhar o caminho da ordem. O pobre brasileiro, os negros alforriados, eles não encontram um caminho institucional. Então eles têm que comer pelas beradas, eles têm que fazer um negaceio com um mundo permanente, eles têm que dar o seu jeito, os seus pulos, porque não há outra opção. Então é uma posição, um pouco de indigência. Eu acho que essa é a posição do humorista, né? Você tem falado isso no seu podcast. No humorista não é alguém que está por cima da colcada preta e por isso faz piada. É alguém que está sentindo as dores na alma e faz a piada tentando aliviar, sair desse lugar. É certo. É alguém que está querendo botar cabeça no buraco para não enxergar. Coisa que dizem, uma vez trus não faz, embora tem a minha capa. É o medo, é. Ao outro ponto de contato, acho eu o ponto de contato entre ti e digamos essa figura do Falklor Mundial, que é o trickster, aquilo que a gente percebe o chamaríeu o Melandro, que é o facto. Que é crônica, é o facto de ser cronista. Mais uma vez, eu ouvi uma entrevista tua, em que tu comparava as acrônica e o futebol, ela va sobre a razão para o Brasil ser pro iminente, nem ambos os campos, que tanto na crônica como no futebol e o sasto termo malandragem, para referir os dois, porque realmente a malandragem está presente nos dois campos. Eu queria que tu desenvolvesse esse ponto. De que modo é que a crônica é, digamos, um exercício de malandragem. Olha, um grande que eu disse para o brasileiro que é umberto verneque diz que a crônica é um gênero de vásia. A vásia não sei se tem português também o seu palavra, né? A vazante do Rio lugar que o Rio quando o seca deixa descoberto e uma das teses para que sobre a qualidade do Brasil no futebol, que a gente tinha muitos desses terrenos nas cidades brasileiras e era ali que se jogava futebol, os malandros, exatamente desocupados, jogavam futebol nesse terreno. A crônica, ela tem um pé.
na literatura e um pé no jornalismo. É um texto literário que se publica nos jornais. Então ela é uma. O gênero de vários é por esse sentido. Pensando no futebol, né? Talvez o que o Brasil tem a grande contribuição brasileira pra civilização, o acidental. Tal ter sido drible. O drible é exatamente a obra de o trickster. É o que passa por um espaço que não existe. É alguém que cria um espaço que não existe. E o que não deixa de ser uma coisa muito parecida com a piada. Você aponta para um lado e cai para o outro. Tem uma coisa interessante também que. que os voltando aos cimas que é esse historiador, ele diz. "Quando a capoeira proibida no Rio de Janeiro, logo depois da bolição, escrevatura, surgem no mesmo lugar que havia os terreros de capoeira, surgem times de futebol. E a dança da capoeira, a capoeira que já é uma luta e dança, também está de novo, a gente está falando dos pés em cada canoa. É interessante o pé aqui, porque o pé é uma das nossas duas das nossas quatro patas que não funcionam muito bem. Nós somos todos os cainhotos de pés. A capoeira e o futebol se jogam com os pés, esses membros pouco confiados. Mas enfim, a capoeira se faz futebol. Então tem toda uma tradição dessa jinga, dessa malandragem que passa pela capoeira pelo futebol, mas eu distanciei muito da crônica. A crônica é isso. A crônica é mais futebol de salão do que futebol de campo, porque você tem que ter pouco espaço, você tem que driblar, errando muito um curto. Então é, você tem que dar no empingo da água, você tem que pegar um tema que, aparentemente, não tem nada e tirar algum sabor daqui, logo, alguma graça daqui. Então acho que essa é a malandragem da crônica. Muitas vezes os temas são correspondendo a isso que é que é que a basta dizer, ou seja, já não sei que expressão idiomática brasileira aqui usasse, mas era sobre. "Tu gostas do que é um minúsculo?" Muitas vezes "tu gostas do que é minúsculo". Por exemplo, eu li antes de começarmos a conversar uma longa reflexão tua sobre o facto de tantos anos depois da invenção do telefone, as pessoas continuarem a não se conformar quando uma ligação é engano. Há várias outras, por exemplo, quando falas longamente sobre a existência do guarda-chuva, por exemplo, ou até da bicicleta. E faz uma descrição da bicicleta que, por exemplo, quando está parada, é desiligante como um albatroza em terra e diz que é impossível um ditador de bicicleta, porque aquele movimento de espernas que nos pedais é desconstrói qualquer ideia de poder absoluto. Essa atenção ao que é minúsculo, e produzir um raciocínio bastante longo sobre o que é minúsculo, é também uma forma de identificarmos de antifilosofia que eu volto relacionar com a atitude do malandro. - Dirias que isso é assim? - É, mas assim, eu não acredito que o minúsculo, ou seja, o minúsculo não é minúsculo, eu acho que você compartilhe dessa. Com certeza, mas é exatamente essa questão. O mundo toda acha que o minúsculo é minúsculo. Pessoas como nós acham que o minúsculo é importantíssimo. Isso acontece muitas vezes nas histórias do Trickster, ou seja, o mundo inteiro acha uma coisa, por exemplo, o mundo inteiro acha que é melhor procurar a chávez que a gente perdeu no sitio onde perdeu a chávez. O Trickster acha que é melhor procurar lasando, andar mais luz, e é uma lógica difícil de rebater. E, portanto, é isso, era aí que eu queria chegar. Essa ideia de olhar para o minúsculo e dizer espera, isto é importantíssimo. É uma espécie de. Partilha dessa mesma inclinação do Trickster. Nesse sentido, vem do Trickster alguém como não, não alguém que subverte a realidade, mas como alguém que revela o óbvio, gente, de pessoas que estão com o velho na frente do rosto. A gente convive com guarda chuvas e com bicicletas e com doritos e com coisas minúsculas, e o tecido da nossa vida é feito disso. E não entendo a gente acha que quando você vai sentar a prescriver um texto, você tem que falar sobre as guerras meapoleônicas, ou sobre o mostro do lago Ness, ou sobre um crime parcional, que são coisas sobre as coisas que a gente não entende, não é necessitada a gente nada. Então as pessoas me perguntam às vezes, em pouco, as sombradas, como é que é escrever sobre o pequeno? Eu falo "eu vivo no pequeno, não sei como é a sua vida". Mas não acordam invadar a polônia. Eu acordo em fortos únsis, covos ventes. Então, e outra coisa, a vida é feita das coisas pequenas, e é através das coisas pequenas que as coisas grandes se revelam. Você não sabe que a relação amorosa acabou, porque o seu amante, o seu amante, dizem, "Ojo, eu te amo três por cento a menos do que o óbvio". Aqui é a Planila Excel. Você sabe porque vocês estão procurando um filme pra ver no Netflix, e no começo do namoro eram duas horas. "Não, vamos ver o seu, não vamos ver o seu, não vamos ver". E agora ela vai lá e fala "vamos ver isso daqui, pun, e aperta". "Você falou, opa, não era assim". Então o controle remoto nesse sentido, é a tabela Excel do amor. É o termômetro do amor, é o controle remoto. Então a gente não está falando o controle remoto. Está falando de um gesto que revela o fim de um amor. Então a realidade se dá a ver pelas bordas, pelos detalhes. Então eu acho que nesse sentido. Esse Trickster, que fala do pequeno, na verdade, é alguém que tem uma tarefa bem clara e careta nesse sentido. É de mostrar as coisas como elas são. Deixamos dar outro exemplo sobre obsações duas com coisas pequenas, que eu emprincipe toda a gente reparonelas, mas não se calhar passar para neles quanto falas. Por exemplo, há uma grânica que começa, dentre as inúmeras estranhas do mundo, mas esta. Havia coisas com vários nomes e nomes com várias coisas. Exemplos de coisas com vários nomes, carro, automóvel, brasilia. Só para ouvintes que falam português de Portugal, brasilia é uma forma de designar um carro. É uma madera, é um voco vaganã. Por exemplo, privada, vasotrôno. Este é o que, falando de português de Portugal, chamam "sanita", se for da minha classe social, ou chamam "retrete", se for em uma classe social, se priorar a minha. Por exemplo, rosto, cara, face. Tu continuas? Exemplos de nomes com várias coisas. Primeiro foi em exemplos de coisas com vários nomes agora. Manga, a fruta e o pedaço de roupa usado para o limpar o nariz quando não há adulto por perto. Como? A palavra que use para perguntar, como liga, como joga, como faz? Mas também o que faz quando almoço o janto toma o café da manhã. Barata, um bicho na praia voa na cidade não, e também o preço de uma coisa quando não está cara. Cara, o rosto preço de uma coisa quando não está barata e o jeito que meu pai chamava os amigos. E aí, cara. Desculpa o meu sotáculo brasileiro. Mais uma vez, é o tipo de obsessão por minúcias e a vontade de acertar elas. Essa vontade de acertar o que é pequeno. Também é, digamos, envolgar desconsidrada no mundo dos pessoas normais. Mas importantíssimas no nosso. E das pessoas adultas, né? Exata, isso, sim. É que é narrado por uma criança. É o estranhamento da criança. E isso. E de fato, a criança tem a cabeça do Tricksford e do Malandro. Involuntariamente, né? A criança é muito ruim de da golpe. Isso é muito burro. Mas eles têm, voluntariamente, pensamentos muito malucos. E os adultos vão ficando mais burros. Isso não é só uma opinião. Você bota uma criança de dois anos no PET-Scano, num aparelho de leitura de imagem. Você vai ver a quantidade de conexões neuronais que tem ali. E você pega um adulto e esses neurônios já pegaram uma avenida das principais rotundas. O mapa já está tudo emburrecido ali, né? Enriquecido. Aí você dá uma psilocidina ou um LSD, percepçou e bota no mesmo PET-Scano. Você vai ver que as conexões são refeitas como na criança. Então é um absurdo que manga, seja uma fruta e a parte da camisa. [MÚSICA DE FUNDO]
ninguém comente sobre, né, que os atutos. Quando eu fui fazer filosofia, eu fiz só um ano sair, mas eu lembro nas primeiras aulas que foram falar de um filósofo muito importante, o nome delerador, não. Adorno é um brinco colar. E eu achei que em algum momento a professora eu falei, olha que engraçado. O nome desse cara é colar. E o adorno é um cara que era completamente contra a cultura de massa, completamente contra coisas que ele considerasse, eu percebi Adorno. A contrário da grande arte, da música, tocada por orquestras. E ninguém falava disso, aquilo pra mim era um assunto. A professora deveria primeiro falar, olha a gente, tem uma coisa muito engraçada, cara, chama Adorno. Essa mesma professora poderia falar, agora nós vamos estudar uma grande filósofo chamada Retrete. E a Retrete pensava isso, estudou os pressurcráticos. Ela não ia comentar que a mulher chamava Retrete. Depois do adorno, que estranho teria isso. Isso na minha absurdo. Isso é absurdo assim, não fala essas coisas queridos fazer graça. Eu falo essas coisas como que em grita diante de uma injustiça, uma falta de lógica, é o reita nú. A história do rei que está pelado, a gente se o reita pelado. Alguém tem que falar isso. Antônio, muito obrigado por ter as aceitadas estar aqui. É provável que o Inde voltaba o recerto, para conversar novamente, porque este ainda vai durar algum tempo. E, portanto, mantém o telefone ao pé de ti. Tudo bem, espero que o meu hume dá. [Risos] Obrigada, Antônio. Pera essa referência a um dos nossos orgulhos patrocinadores. Acho que eles estão encantados para patrocinarem esta nossa conversa. Obrigado, Ricardo, para fazer. Foi um único episódio de coisa que não edifica na entestrói. Um podcast original da Sique com só na plastia de João Martins, música de Rodrigo Lian e capa de Vera Tafas. Cordinação da João Nableza, direção de Daniela Oliveira. Eu sou o Ricardo Ruz Pereira, e no próximo episódio eu vou descorrer chatamente sobre. Rire de tudo e rire de nada. [Música] Quem tiver interesse na bibliografia deste tido, outros episódios podem encontrar lá no site da Sique ou Desprese. [Música]
Podcast Summary
Key Points:
O episódio explora a figura do "malandro" ou "trickster", usando a personagem folclórica Nasreddin Hodja como exemplo central.
Discute-se um raciocínio específico do malandro, que subverte a lógica convencional para resolver problemas ou lidar com situações de forma astuta e criativa.
A conversa com o convidado Antônio Prata expande o tema, conectando a malandragem ao humor, à crônica literária e ao futebol brasileiro, apresentando-a como uma resposta à necessidade ou à adversidade.
Summary:
O episódio do podcast centra-se na figura do "malandro", personificada pelo conto popular de Nasreddin Hodja, cujas histórias ilustram um raciocínio que subverte a lógica habitual para enfrentar situações com astúcia e humor. Esse pensamento, descrito como uma "filosofia do avesso", não é irracional, mas opera através de uma mudança de perspectiva, transformando problemas em oportunidades, como na fábula da sopa de pedra. Na segunda parte, o convidado Antônio Prata, cronista e humorista, aprofunda a discussão, relacionando a malandragem à cultura brasileira.
Ele argumenta que, muitas vezes, essa postura nasce de uma necessidade, como uma forma de navegar em contextos de exclusão ou falta de opções institucionais. A conversa traça paralelos entre a malandragem, a crônica literária (um gênero híbrido que exige criatividade em espaço limitado) e o futebol brasileiro, onde o drible é visto como a expressão máxima dessa arte de enganar e criar soluções inesperadas, celebrando uma inteligência prática e lúdica.
FAQs
Ricardo Rússpreira é o apresentador do podcast 'Coisa que Não Edifica, Nem Destrói'. O episódio discute a figura do 'malandro' e suas características, explorando histórias e exemplos de raciocínio não convencional.
No podcast, 'malandro' refere-se a uma figura que usa raciocínio astuto e não convencional para lidar com situações, muitas vezes invertendo a lógica habitual para facilitar sua vida ou alcançar objetivos de forma criativa.
Nasredin Hodja é uma figura folclórica do Oriente Médio, conhecida por suas histórias que envolvem humor e raciocínio 'malandro'. Ele representa um tipo de filósofo que pratica uma 'filosofia do avesso', desafiando a lógica convencional.
No futebol brasileiro, o raciocínio 'malandro' é associado ao drible e à 'malandragem', onde jogadores usam astúcia e criatividade para enganar adversários. Isso reflete uma tradição cultural que valoriza a habilidade de improvisar e ver as coisas de forma diferente.
A crônica literária é comparada à malandragem porque, como no futebol, exige criatividade e habilidade para 'driblar' em espaços limitados. O cronista transforma temas aparentemente simples em textos com graça e profundidade, usando astúcia narrativa.
Antônio Prata é um cronista e humorista brasileiro convidado do podcast. Ele vê o 'malandro' como uma figura que surge da necessidade, não da opção, especialmente em contextos de exclusão social, onde a astúcia é uma forma de sobrevivência e adaptação.
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