S2E1: BESTIALIZADOS E BILONTRAS: UMA RES PÚBLICA PARA QUEM?
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O episódio do podcast "Rádio História" desmistifica a narrativa oficial da Proclamação da República no Brasil, revelando que o evento de 15 de novembro de 1889 foi um golpe de estado liderado por elites militares e cafeicultoras, sem participação popular. Através da análise de pinturas históricas, como as de Oscar Pereira da Silva e Benedito Calixto, os alunos mostram como essas obras foram encomendadas para criar uma falsa imagem de festa cívica, colocando o povo como espectador passivo e distante. O historiador José Murilo de Carvalho é citado para explicar que o povo não era "bestializado" (ignorante), mas "bilontra" (malandro), pois rapidamente percebeu que a mudança de regime não alteraria as estruturas de desigualdade, racismo e exclusão social. A Constituição de 1891, apesar do discurso liberal, restringiu o voto a homens alfabetizados, mantendo o poder nas mãos das oligarquias. Machado de Assis, em "Esaú e Jacó", resume essa indiferença com a metáfora da "Confeitaria do Governo", mostrando que o povo preferia se adaptar a qualquer regime para sobreviver. O episódio conclui que as barreiras sociais e a exclusão cidadã de 1889 ainda ecoam no Brasil contemporâneo, convidando os ouvintes a serem críticos e questionadores, como os "bilontras" de 1889.
Pessoa 1
Soltaram o papo por aí durante mais de um século de que amanhã de 15/11/1889 foi um evento heroico, uma revolução nacional gloriosa, em que as forças armadas e o povo caminharam de mãos dadas para libertar o Brasil do Império.
Eita, mas segura essa.
Pessoa 2
Curiosidade aí?
Quando a gente olha com mais atenção para o documentos?
Pessoa 1
Da Apple?
Pessoa 3
Percebe.
Pessoa 4
Que essa?
Pessoa 2
História não é bem do jeito que contaram para a gente.
Pessoa 1
Seja.
Pessoa 2
Bem-vindo à segunda temporada do podcast rádio história, o passado contado por quem constrói o futuro.
Pessoa 3
Uma produção com selo de jornalismo investigativo feita por nós, alunos da EE João Batista de Carvalho.
Eu sou a Giovanna.
Pessoa 5
Eu.
Pessoa 3
Sou a?
Pessoa 5
Yasmin e para abrir uma temporadas sem rodeios, o episódio um traz o nome exato do material de estudos que a nossa turma analizou, bestializados ou bilontros uma República para que?
Pessoa 3
Eu sou a Ana.
Pessoa 4
E eu sou a Luana?
Hoje, nós 6 vamos mostrar como os novos donos do poder criaram o que podemos chamar de primeira grande campanha de marketing político do Brasil.
Usando o pincel e tinta para esconder um golpe de estado restrito.
Pessoa 3
Feche os olhos, ouvinte.
Hoje em dia, os governos gastam milhões com marcadeiras digitais e manipulação de imagem nas redes sociais para criar narrativas.
Em 1889, as elites agregárias e militares fizeram a mesma coisa, só que os anos.
Pessoa 6
Futores.
Pessoa 1
Imaginem que estamos diante da tela Proclamação da República, pintada por Oscar Pereira da Silva exatamente em 1889.
Ela tenta capturar.
Os momentos iniciais ainda indefinidos do novo regime.
A cena se passa no campo de Santana, no Rio de Janeiro.
Mas, notem a ironia, no centro não temos um herói destacado.
O marecha Deodoro da Fonseca não ocupa uma posição de destaque.
Quem assiste à ação são homens brancos da elite, encartolados, de terno preto e cartola na cabeça.
Pessoa 3
E o povo flora?
Pessoa 1
O povo está mesticulamente, pintado como uma testemunha passiva e distante do núcleo.
Pessoa 3
Do poder.
Pessoa 1
Mas há um detalhe que o pintor usou para tentar vender uma farsa, Esperança.
Bem no meio da tela há uma figura de um menino de camisa branca, de braço erguido e boca aberta, e a metáfora visual perfeita de uma frágil e ingênua aceitação à República que está sendo imposta e não combinada.
Pessoa 3
Agora, dê um passo para o lado e olhe para outra pintura encomendada pelas elites cafeiras em 1893, a famosa tela de Benedito calisto.
Aqui, o Photoshop analógico foi completo.
Calixto organiza a cena com uma iluminação de cinema para transformar a tomada de poder em uma festa cívica, solene e disciplinar.
Pessoa 5
Ela coloca.
Pessoa 3
Civis ricos de uma casaca preta, como Quintino bocaiúva e a.
Aristedes lobo colados ao cavalo de Deodoro, simulando uma Aliança perfeita entre as armas e o dinheiro do café.
Pessoa 4
Mas se você olhar para as margens do quadro, as pessoas comuns, os trabalhadores, a população negra recém liberta da escravidão, foram reduzidas a sombras borradas nos balcões dos sobrados.
Calixto não os pintou participando.
Pintou o povo como meros espectadores passivos, tentando justificar a exclusão popular do novo governo.
Pessoa 5
Essa tal bestialização não é invenção nossa.
O próprio jornalista e o futuro ministro da República, Aristides lobo, escreveu no diário popular de 18/11/1884 que o povo assistiu à proclamação completamente bestializado, atónito, surpreso, acreditando seriamente que se tratava apenas de um desfile ou parado militar.
Pessoa 2
A história oficial usou esse tempo para dizer que o povo era ignorante ou apático.
Mas o historiador José Murilo de Carvalho trouxe uma reviravolta genial para essa história.
Ele diz que o povo não foi bem estrializado.
O povo foi bilontra.
Pessoa 4
Traduzindo para O Presente, bilontra é o espertalhão, o malandro, aquele cidadão que hoje assiste aos debates eleitorais e sabe muito bem que não importa quem vença, a sua relação de área continua igual.
O povo de 1889 percebeu com rapidez que o rei tinha caído e o nome do regime mudado, mas que as hierarquias sociais, o racismo estrutural e a desigualdade continuariam rigorosamente intactos.
Para eles, a chibata só mudava de dono.
Se você.
Pessoa 3
Quer ver esse deboche desenhado?
Olha a charge que a revista Argentina el mosquito publicou apenas.
Pessoa 6
9 dias após o.
Pessoa 3
Golpe em 24/11/1889 é uma fofoca Internacional em bico de pena.
Pessoa 1
De um lado, a República avançada, com Deodoro de espada, em rist.
Cercado por Rui Barbosa e Quintino Bocaiuva.
Pessoa 3
Do outro?
Pessoa 1
A família imperial corre para o mar em retirada.
O Visconde de outro Ouro Preto tropeça e cai de cara no chão.
E o Conde deu carrega uma trouxa amarrada num pedaço de pau.
Dom Pedro II foge, envelhecido sobre o seu guarda chuva, e a Princesa Isabel chora, escondendo o rosto da legenda.
A frase cínica.
Pobre Pedro segundo depois de 50 e.
Pessoa 2
Tantos.
Pessoa 1
Anos do Reino tem uma machada com a música em parte, uma briga interna de elite, onde nenhum trabalhador comum aparece em fotos.
Pessoa 5
Damos um Salto para 1891.
O papel substituiu a espada e é promulgada a primeira Constituição da República.
No discurso da fachada, era linda presidencialismo, federalismo, dando autonomia aos estados e a separação oficial entre a igreja e o estado.
Além disso, estabelecer um sistema bicameral no poder legislativo, dividindo o Congresso entre a Câmara dos deputados e o Senado.
Pessoa 3
Mas na realidade?
Pessoa 2
No Brasil, sempre cobra pedágio.
Na prática, o voto foi reservado apenas para homens maiores de 21 anos e alfabetizados em uma sociedade com altíssimos indícios que alfabetismo e recém saída da escravidão, essa canetrada arriscou, as mulheres são analfabetos e os mais pobres da democracia.
E como o voto era aberto, sem segredo, não havia justiça eleitoral.
Os riscos controlavam as eleições através da coação física e da fraude na cia, o liberalismo olifarch.
Pessoa 3
Para entender esse jogo de cartas marcadas, olha a tela compromisso constitucional, pintada por Aurélio de Figueiredo em 1895, o quadro mostra o rito solene da Posse de Deodoro.
Mas preste atenção nos detalhes e nos símbolos ocultos que as avaliações adoram cobrar.
A disputa do poder quem ocupa a oposição de maior destaque e óleo de cima não é o militar Deodoro, mas o Prudente de Morais, o presidente civil da assembleia, mostrando a disputa silenciosa entre os projetos militar e civil para o país.
As camélias ocultas perto do Marechal Floriano Peixoto há arranjos de camélias.
Na época, a flor da famélia era o símbolo do apolicismo e do republicanismo histórico, a exclusão da foto.
Pessoa 1
Das dezenas.
Pessoa 3
De homens brancos engravatados, apenas um único homem negro aparece o deputado Francisco Glicério, e as mulheres, como a própria família do pintor, estão trancadas lá no alto do camarote, como meras espectadoras distantes o registro histórico.
Bem ali no canto, o taquigrafo da assembleia olha diretamente para fora da tela, quebrando a quarta parede, como se convidássemos os observadores do futuro a testemunhar a narrativa que eles estavam construindo.
Pessoa 6
Diante de toda essa encenação de generais e barões do café, o nosso maior escritor, Machado de Assis, usou a ironia mais fina da literatura para resumir o sentido das ruas.
No livro esaú e Jacó.
Pessoa 4
Ele conta a história do Custódio, dono de uma padaria no Rio que tinha acabado de pintar uma placa novinha confeitaria do Império.
Quando a República é proclamada, ele entra em desespero.
Se deixar o nome antigo, os republicanos quebram suas vidraças.
Se pintar a confeitaria da República e houver outra reviravolta na semana seguinte, ele pede o dinheiro da pintura nova.
É aí.
Pessoa 6
Que o diplomático conselheiro ares dá uma sugestão intermediária, maravilhosa, pinte confeitaria do governo.
E por que essa sugestão genial, Luana?
As Barreiras sociais e o racismo do estado e a exclusão da cidadania real que foram desenhadas lá atrás, em 1889, continuaram ecoando nossas periferias em nossas escolas.
E uma das urnas.
Pessoa 4
E o conselheiro Aires diz a frase que resume a nossa história tanto serve para um regime como para outro.
No fim, a placa vira confeitaria do Custódio, pois o nome próprio do dono não tem significação política ou figuração histórica.
Ódio nem amor, salvando seus pastéis de Santa clara da fúria dos novos governantes.
É o retrato do cidadão bilon que prefere esperar pra ver em que param as modas das elites.
Pessoa 2
Foi exatamente como na charge o Natal republicano, de Angelo Agostini, publicada em 1889 na revista ilustrada.
Ela mostra um pai de família chegando em casa e entregando a tal da República para criança dentro de uma caixa de presente.
A República não foi uma Conquista alcançada a ferro e jogo pelo povo das ruas.
Foi uma mercadoria simbólica, empurrada de cima para baixo.
Pessoa 5
A República brasileira nasceu deixando o povo de fora das decisões e as leis de Liberdade do liberalismo clássico servirão do.
Pessoa 4
Fundo.
Pessoa 5
Para proteger a propriedade dos mesmos latifundiários de sempre.
Pessoa 2
E por isso que nós da EE João Batista de Carvalho, abrimos essa temporada, provocando você, ouvinte, a ler as entrelinhas.
Pessoa 6
As Barreiras sociais e o racismo do estado e a exclusão da cidadania real que foram desenhadas laterais em 1889 continuaram ecoando nossas periferias em nossas escolas e uma das urnas.
Pessoa 4
Portanto, não aceite ser uma siluieta burrada no fundo do quadro.
Pessoa 2
Dos outros?
Pessoa 4
Seja questionador, seja analítico, seja bilontra.
Pessoa 3
E esse foi o rádio história.
Atitudes de hoje constroem o amanhã.
Podcast Summary
Key Points:
A Proclamação da República em 15/11/1889 foi um golpe de estado restrito, não uma revolução popular heroica como a história oficial conta.
Pinturas históricas, como as de Oscar Pereira da Silva e Benedito Calixto, foram usadas como ferramentas de marketing político para esconder a exclusão do povo.
O povo não era "bestializado" (ignorante), mas sim "bilontra" (esperto), percebendo que as hierarquias sociais e a desigualdade continuariam intactas.
A Constituição de 1891 restringiu o voto a homens alfabetizados e maiores de 21 anos, excluindo mulheres, analfabetos e pobres, com eleições controladas por elites.
Machado de Assis, em "Esaú e Jacó", ilustra a indiferença popular com a "Confeitaria do Governo", mostrando que o povo não se via representado.
A República brasileira nasceu com o povo à margem, e essa exclusão ainda ecoa hoje em periferias, escolas e urnas.
Summary:
O episódio do podcast "Rádio História" desmistifica a narrativa oficial da Proclamação da República no Brasil, revelando que o evento de 15 de novembro de 1889 foi um golpe de estado liderado por elites militares e cafeicultoras, sem participação popular. Através da análise de pinturas históricas, como as de Oscar Pereira da Silva e Benedito Calixto, os alunos mostram como essas obras foram encomendadas para criar uma falsa imagem de festa cívica, colocando o povo como espectador passivo e distante. O historiador José Murilo de Carvalho é citado para explicar que o povo não era "bestializado" (ignorante), mas "bilontra" (malandro), pois rapidamente percebeu que a mudança de regime não alteraria as estruturas de desigualdade, racismo e exclusão social.
A Constituição de 1891, apesar do discurso liberal, restringiu o voto a homens alfabetizados, mantendo o poder nas mãos das oligarquias. Machado de Assis, em "Esaú e Jacó", resume essa indiferença com a metáfora da "Confeitaria do Governo", mostrando que o povo preferia se adaptar a qualquer regime para sobreviver. O episódio conclui que as barreiras sociais e a exclusão cidadã de 1889 ainda ecoam no Brasil contemporâneo, convidando os ouvintes a serem críticos e questionadores, como os "bilontras" de 1889.
FAQs
Aristides Lobo foi um jornalista e futuro ministro da República que registrou no Diário Popular, em 18 de novembro de 1889, que o povo assistiu à proclamação 'bestializado'. Sua observação se tornou uma fonte histórica importante para entender a reação popular ao evento.
O voto aberto significava que não havia voto secreto, o que permitia que os coronéis locais controlassem as eleições por meio de coação física e fraude. Isso consolidou o chamado 'liberalismo oligárquico', onde a democracia era limitada na prática.
O termo 'bestializados' foi usado pela história oficial para descrever o povo como ignorante ou apático. O historiador José Murilo de Carvalho reinterpretou isso, dizendo que o povo era 'bilontra', ou seja, cético e esperto, percebendo que a mudança de regime não alteraria as hierarquias sociais.
A charge mostra a República sendo entregue como um presente em uma caixa, simbolizando que ela foi imposta de cima para baixo, sem participação popular. Isso reforça a ideia de que a República foi uma 'mercadoria simbólica' das elites.
A padaria do Custódio representa a neutralidade do cidadão comum diante das mudanças políticas. A sugestão de pintar 'Confeitaria do Governo' mostra como o povo prefere se adaptar para sobreviver, sem se envolver nas disputas das elites.
A Constituição de 1891 restringiu o voto a homens alfabetizados maiores de 21 anos, excluindo mulheres, analfabetos e pobres. Além disso, o voto era aberto, permitindo fraudes e coação pelos coronéis locais.
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