No episódio do podcast "Paradar no Mesmo Coisas", Natália explora o tema do apego através de uma metáfora baseada em uma experiência de infância. Ela relembra como, durante um passeio em pedras à beira-mar, segurar conchas bonitas que coletou a impediu de avançar com segurança, forçando-a a escolher entre carregá-las ou prosseguir. Essa história serve como analogia para como nos apegamos a pessoas, situações, planos ou ideais, mesmo quando eles já não servem mais ao nosso crescimento.
Natália relaciona isso a um bloqueio criativo recente, onde o apego a um prazo irremediavelmente perdido para seu livro a levou a um sofrimento desnecessário. Ela percebeu que a raiz do problema não era o atraso em si, mas a relutância em aceitar a realidade e "soltar" o plano original. Ao parar de brigar com os fatos, ritualizar o fim daquela expectativa e reconhecer suas emoções, abriu-se um espaço interno que permitiu criar um novo cronograma. A reflexão conclui que, muitas vezes, é preciso abrir mão do que já não cabe mais para que novas possibilidades possam entrar, enfatizando que o processo de autoconhecimento inevitavelmente nos confronta com nossos apegos e a necessidade de escolher entre seguir em frente ou permanecer carregando um peso que nos paralisa.
Oi, meu nome é Natália e esse é o 310movidésimo primeiro episódio do paradar no mesmo coisas. Um paticante que nasceu pra ser uma mesa de bar na web daquelas que a gente sente e sente que não estamos só. Logarem que a gente pode ser de nosso próprio tamanho sem precisar esticar em nem se esprem. Como é que você tá? Como é que tem umas coisas pra você? Como é que tá o seu mundo dentro desse mundo? Como é que você tá? Hoje gente, vou falar de um assunto que eu gosto muito que é apego. Eu cheguei a esse assunto por caminhos desconhecidos do meu inconsciente. Como quase sempre, como quase todo o episódio aqui do paradano das coisas, mas no fim eu achei que fez muito sentido pra mim e eu espero que faça muito sentido pra você. Então, vamos pra episódio. Vou deção. Algum tempo atrás, eu contei pra vocês que eu entendi a diferença entre intencionar e controlar vendo meu pai cobrir a macatos com o jornal. Meu pai sempre adorou fazer vitaminas de abacate aos domingos e era sempre a mesma cena. O sol entrando pela janela, ele enchei nos nossos copos enquanto dizia "toma rápido pra não perder o efeito". Mas nem sempre quando ele ia ao mercado, o abacate tava maduro. Então ele comprava verde, embrulhava no jornal e colocava dentro do forno. E um dia, vendo ele fazer isso, eu perguntei "por que pai?" E ele disse "por que ajuda a amadurecer". E isso me pareceu uma metafra muito linda pra vida. Porque a gente não controla quando algumas coisas dentro e fora da gente vão amadurecer, vão ficar bolas. Mas a gente pode facilitar pra que elas fiquem. E eu acho que isso vale pra tudo. Quando eu cuido da minha saúde física e emocional, por exemplo, eu tô intencionando pra que a minha vida seja boa. Quando eu cuido, por exemplo, da saúde do Chucho, o Apet Love, o maior plano de saúde pete do Brasil, a nossa parceira hoje, eu também tô fazendo a mesma coisa. Eu tô fazendo algo pra que ele fique bem, pra que ele tenha uma boa saúde. Porque é isso, no fim das contas, eu quero dar condições pra que ele tenha uma vida longa, próspera feliz, saudável e boa. Mas se você tá nessa também, de fazer tudo que você puder pra cuidar bem do seu pete, eu indico muito eles. Assim, eu indico muito a Pet Love. Eles têm um planos de saúde super acessíveis que cabem no bolso e ao mesmo preço pra todos os petes. Porque eles não fazem distinção nem de raça, nem de idade. Fora isso, eles têm microchepagem de graça, têm a maior rede credenciada de clínicas e hospitais do Brasil e ainda têm desconto progressivo pra famílias com mais de um animauzinho. A gente aqui em casa usa e ama há muito tempo. E eu acho que você vai amar também. E ó, com meu cupom para dar no mesmo coisa 50, você ganha 50% de desconto na primeiramente salidade. Eu vou deixar o link na descrição pra você contratar e ficar livre de preocupações porque tem coisa que a gente não pode fazer pelo pete. Mais a Pet Love Pode. Obrigada pra eu ia rodar, Pet Love, eu adoro vocês. Eu tava completamente arrependida de ter dito aquele sim. As pedras eram gigantescas e ponti-agudas, o que exigia quase o tempo todo que a gente andasse muito de vagar, contraerendo completamente o desejo de chegar logo em terra firme. Na embaixo é um das batilham forte, o que seria lindo, magnífico se a gente vésse a assistir do calacena da faixa de areia e não de ládicima. ládicima, sensação, era o tempo todo de ameaça e perigo. A minha mãe tava logo atrás de mim. Eu não ajudava em nada o fato de que ela tinha me convencido a subir. E agora ela tava paralisada, pavorada enquanto o amigo do meu pai dizia que era bom a gente de ser mais rápido antes da amareca começar a subir. Minutos depois ela ia bater canela numa pedra ponti-aguda e o machucado ia deixar uma cicatriz daquele momento por anos. Mas por hora, esse mesmo amigo do meu pai ia levar mão no rosto como se fosse uma viseira e depois olhando para trás na nossa direção e a dizer "teu duas boas notícias, a boa e a ruim. Qual vocês querem primeiro? Eu não sei quem respondeu porque eu só tava me controlando para me manter viva e respirando, mas ele disse "a boa é que só faltam três pedras grandes para a gente atravessar. A ruim é que a partir de agora a gente vai ter que descer de bunda. Meu pai caminhou até ele e eles foram ajudando todo mundo a passar para a próxima pedra. Mas quando chegou a minha vez eu sentei apoiando as mãos e os pés, como eles tinham orientado, mas eu não consegui colocar a mão direita aberta na superfície da pedra porque na palma da minha mão tinham três conchas. Era umas conchas mais bonitas que eu já tinha visto até aquele momento, meu amigo de barra. Eu tinha pegado essas conchas no trajeto de híder quando a gente encontrou um água entre duas pedras enormes. Ela estava um ali no canto e eu tive certeza de que aquilo mais do que qualquer coisa eram as melhores lembranças que eu poderia levar. Mas aquele momento eu precisava espalmar as duas mãos na superfície da pedra e as conchas estavam me draparlhando. Eu não queria abrir mão delas, as conchas estavam na margem direita do lago e quando o amigo do meu pai disse que era para a gente se organizar para voltar, eu lembro de abrir muitos olhos para ver aquela cena pela última vez com medo de perder algum detalhe. Era um dos lugares mais bonitos que eu já tinha visto. Era uma mistura de montanhas e lagos margeado por pequenos poços naturais, água era gelada na medida certa e ali tudo era silêncio. Eu queria encontrar um jeito de colocar aquele lugar embaixo do braço e levar ele comigo para onde quero que fosse, mas não dava, então eu peguei aquelas conchas com esse desejo. Eu ia precisar de alguns anos a mais para entender que muitas vezes a gente se apaixona por coisas, por pessoas, por lugares, por situações, por histórias, pela forma com que elas nos fazem em sinta e que isso não se perde nem quando essa situação passa, nem quando esse lugar fica, nem quando essa pessoa vai embora, porque o que a gente sente é nosso. Mas naquele momento eu achava que se eu levasse aquele pedacinho, aquele lugar, se eu levasse aquelas conchas, eu ia ter aquele lugar comigo para sempre. Acontece que é isso, naquele momento, da volta para casa, eu estava percebendo que era justamente aquilo que eu queria para sempre, que estava me impedindo de seguir, ou eu soltava as conchas e ficava ali, ou eu continuava o meu caminho. Contrariada, eu sentei na pedra como tinha um me orientado e eu segurei fortes conchas colocando sol dentro do indicador e o dedão abertos. Eu achei que daria para me apoiar com uma mão inteira e só com alguns dedos da outra. Mas assim que eu tento ir fazer o impulso com um corpo para dar o passo, o meu pai deslizou e eu me dizer que librei e acabei ralando todos os meus dedos fechados de cima abaixo. A essa altura, o meu pai começou a dizer "Vem, Nath, vem, laga isso, vem!" E eu abri as mãos instantivamente, um pouco por dor, um pouco por obidência. E quando eu me posicionei para descer de novo, eu vi que uma das conchas estava ali ainda, perto de mim. Eu considerei pegar só mais uma e deixar as outras para trás, mas foi quando uma voz da minha intuição disse "Você vai precisar decidir entre seguir ou carregar, as duas coisas não dar na talha". [Música] 20 minutos depois, estávamos todos suados, sentados na areia, olhando o mar e comentando que a gente tinha visto. Meu pai como sempre fazia um apiado sobre o subidio novo no dia seguinte, só para ver minha mãe dizendo que ele podia ir sozinho. Quando a gente levantou para ir embora, as minhas não estavam livres sem conchas, e eu fiquei pensando no paradoxo que é viver às vezes. Às vezes a gente tem tanto medo de soltar porque a gente não quer perder, mas no fim a gente perde mesmo quando não solta o que não cabe mais. [Música] Eu acho, meus amigos de barco, que nenhum processo de autoconhecimento é igual, porque cada pessoa é um mundo e cada mundo é singular. Mas eu acho que tem uma coisa que se propõe a se conhecer, que é em algum momento a gente vai ser confrontado com os nossos apegos. Em algum momento a gente vai precisar olhar para as conchas que a gente tem na mão e ver se elas estão nos impedindo de seguir, ou se elas ainda cabem.
aquele caminho, sabe? E eu acho que isso vale pra absolutamente tudo. Inclusive esses dias eu estava ouvindo o episódio da Luanda Vieira, que é uma jornalista que eu gosto muito. Ela deu uma entrevista pra Marcelo Seribelio, no Bonde É Obvios. E ela falava sobre o processo de adoecimento que ela viveu, quando ela realizou um sonho, que era a sede torã de moda numa revista. E aí ela fez todo um percurso, toda uma construção de vida, pra conseguir chegar nesse cargo e quando ela chega nesse cargo, ela começa a doercer. E aí é isso, ela dizia que tinha sonhado com essa vida, ela tinha construído cada segundo desse sonho, mas em algum momento ela começou a perceber que. ou ela soltava aquilo. Ou ela ia ficar parada num lugar que. que abandonava muito ela, que ela não queria mais estar. Foi como se a vida tivesse dizendo pra ela, que a vida me disse muitos anos atrás naquela praia, né? Você vai precisar decidir entre seguir ou carregar as duas coisas num dar. E aí ela pediu demissão e construiu uma outra carreira pra ela. Quando eu ouvi essa história e quando eu passei por uma situação que eu vou contar já já pra vocês, eu fiquei pensando muito nisso, assim, né? Fiquei pensando em como essa situação de bifurcação mesmo, acontece na vida de todos nós, cada um vai ver isso de uma forma, de uma maneira diferente, mas como isso acontece na vida de todos nós? Porque a gente pensa, a gente deseja, a gente idealiza coisas pra nossa vida, e às vezes acontece de, depois de um tempo, a gente entenda que aquilo não faz sentido mais. Às vezes acontece da gente entender que aquilo que a gente imagine hoje, que cabia tão perfeitamente no papel, na prática é outra coisa. Às vezes acontece de. a gente perceber que aquilo que a gente fantasiou e idealizou, fez sentido até um ponto do caminho, mas a partir daquele caminho não faz mais. Ou que a coisa mudou e nessa mudança a gente não consegue mais se encaixar, né? Eu acho que em algum momento é isso, assim, em algum momento a vida fala. o que você vai fazer com essas conchas que você está segurando, sabe? Só que ao mesmo tempo que a vida traz essa imposição, eu acho que tem uma outra coisa que acontece que é "doi abrimão". "Doi abrimão" porque em cima de cada concha, em cima de cada coisa que a gente segura, tem um expectativa, tem esforço, tem tensão, tem sonho, tem desejo, tem uma construção, tem uma posta, em cima de cada concha tem muita coisa. Tem um desejo de fazer aquilo funcionar em última análise. E aí, muitas vezes o que a gente faz é a gente senta na pedra e tenta atravessar enquanto segura a concha. E a gente tenta dar um jeito e esse jeito que a gente tenta dar, às vezes funciona e às vezes a gente realmente consegue improvisar ele um jeito e consegue seguir com a concha até a faixa de areia funciona. Mas às vezes não, às vezes a gente percebe que aquilo que a gente está tentando segurar, está machucando mais que soltava e machucar menos do que tentar segurar. Porque é isso, às vezes a gente se vê diante de algumas bifurcações em que a gente precisa escolher entre uma coisa e outra. E eu acho que joga contra a gente, o fato de que não geral nós somos seres apegados. Independentemente do lugar que a gente nasceu, da cultura que a gente nasceu, da forma com que a gente foi criado. Eu acho que isso na verdade é cultura, forma religião. Isso vai pesar mais ou menos no sentido do apego, porque tem pessoas, tem algumas religiões, algumas filosofias de vida que pregam e que ensinam, não apego. Eu acho que não geral a nossa tendência é querer segurar, porque a gente tem muita versão à perda, a gente tem muito medo de perder. Perdeu o que importa para a gente, perdeu aquilo que significa para a gente. E aí a gente vai para a vida muitas vezes, vivendo alguns paradoxos que são, no tipo, às vezes a gente quer viver novas coisas, sem precisar abrir mão das antigas. Então a gente quer a adrenalina e a novidade da nova casa, mas sem deixar o conforto da vizinhança antiga. Às vezes a gente quer o desafio do trabalho novo, sem deixar os amigos de almoço que a gente tem na empresa atual. Às vezes a gente quer a sensação indescritível de sermos filhos e de estarmos naquele lugar em que a gente é profundamente cuidado, protegido, que a gente é profundamente olhado. Mas a gente também não quer perder a autonomia de sermos completamente adultos. A gente quer uma relação, mas não quer negociar nada com ninguém. A gente quer fazer escolhas diferentes, mas tem a brimão da segurança das escolhas já testadas. A gente quer, no fim das contas, segurar as conchas e andar. E aí vem a vida dizendo, "Cê vai precisar decidir, meu amigo, minha amiga, se você vai querer seguir, ou se você vai querer carregar?" Porque às vezes vai dar para fazer esse jeito. Às vezes não vai dar. Às vezes a vida vai virar uma bifurcação mesmo. E você vai se ver em cima da pedra e a vida vai te dizer, "Cê quer seguir, ou você quer carregar?" "Você quer integrar isso que você viveu no seu corpo?" "Você quer integrar essa memória, essa sensação, esse encantamento de ter visto esse lugar bonito?" "Você quer integrar isso no seu corpo?" "E seguir sem essas conchas, e seguir sem esse peso?" "Você quer segurar essas conchas, mas se vê paralizado no lugar que não te cabe mais?" [Música] Eu comecei a pensar nisso, porque como eu disse para vocês, é recentemente inclusive. Eu tive alguns bloqueios criativos que me impediram de entregar o meu novo livro. No prazo combinado. Só que em determinado momento, depois de muito sofrer com esse assunto, eu me dei conta de que uma parte desse sofrimento, uma parte dessa angústia que eu estava sentindo não tinha mais a ver com o atraso em si. Tinha a ver com o apego a esse prazo. Sabe? Tinha a ver com uma arrominação desse prazo. Tinha a ver com o fato de ficar arrominando o fato de que eu tinha atrasado. Eu ficava marinando esse assunto na minha cabeça. "Ora pensando, cara, como é que eu faço para compensar esse atraso em dois dias?" "O que claramente era uma missão impossível." E "Ora pensando, por que eu atrasei tanto?" O que era inútil, porque eu já tinha me perguntado isso muitas vezes. E aí teve um momento que eu me dei conta de que a raiz dessa questão, que a raiz desse sofrimento, no fim das contas, é que eu estava pegada a uma coisa que não ia mais se concretizar. O prazo já passou, entendeu. Não tem como eu voltar, não tem como pegar uma máquina do tempo e voltar. Não tem como eu fazer coisas diferentes, não tem, passou. E eu percebi que parte desse sofrimento tinha a ver com isso, tinha a ver com o apego a uma coisa que não tinha mais condições de acontecer daquele jeito. E aí foi muito interessante, porque eu estava nesse momento, que eu me dei conta disso, eu estava sentada vendo minha sogra, cortar um pão caseiro que ela tinha acabado de assar. E aí eu me dei conta disso e ver uma frase assim na minuituição, meu inconsciente trouxe, que foi cara para de brigar com a realidade. Sabe, para de brigar com uma coisa que não tem como mudar o prazo já foi. E eu estou falando do prazo, porque a minha história, mas poderia ser qualquer outra coisa nesse lugar. Tipo, para de brigar com esse acontecimento, para de brigar com isso, foi o que aconteceu, o que aconteceu foi o que aconteceu. A gente pode fazer diferente daqui para frente, mas o que foi não tem como mudar. E eu percebi isso assim, eu percebi que eu estava apegada o prazo antigo, hora me culpando por ter atrasado, hora ele encando tudo que eu poderia fazer diferente. E eu acho esse processo todo de olhar para trás muito importante, acho que ele faz parte do autoconcimento, mas eu acho também gente que há uma linha tênu que separa a autoanálise, que eu acho que é um processo muito importante, da auto punição, sabe? Porque essas nem é mais autoanálise, é só a auto punição, é só um lugar infertivo em que você fica se culpando. E eu falei isso em algum episódio recentemente, mas que eu acho que foi um episódio, foi numa palestra, já nem sei mais. Mas assim, eu acho que tem um lugar da autocobrança, que ela te motiva, porque ela faz você olhar para as coisas e falar "Não, vou abular". Mas ultrapassando essa linha tênu é uma causura, a gente vai se fechando cada vez mais uma caixa e num lugar completamente infertivo, né? E aí eu percebi isso, eu falei, "Cara, não adianta brigar com a realidade". Na verdade, eu acho que está me causando sofrimento, não é mais o prazo em si que passou. É o fato de eu estar apegada a um prazo, que eu não tenho mais como cumprir, eu não tenho mais como voltar no tempo. E aí, nesse momento, gente, eu me dei conta de que a única coisa que eu poderia fazer para me tirar daquele lugar mental, de apego, de autocobrança, era assumir que eu tinha atrasado. Em outras palavras, era assumir que. que foi isso que aconteceu?
era parar de brigar com a realidade. E era, enfim, olhar para a realidade como ela é. O que seria, no caso da praia, olhar para as conchas e dizer "Cara, quando estava lá no lago, eu imaginei que os caminhos se abririam". E que eu chegaria com a concha na faixa de areia. Mas não foi isso que aconteceu. E não adianta ficar aqui brigando com a realidade, porque brigar com a realidade vai me deixar presa num lugar que eu não quero estar mais. Sabe? [Música] Naquele momento, eu me dei conta de que eu precisava soltar o plano ideal, que era aquele prazo antigo, para conseguir pensar num plano possível, que era um outro plano. A primeira parte dessa reflexão aconteceu na casa da mãe da mana, da minha sogra. E aí, dias depois, eu fui tomar um café com o brigadeiro na mesa da padaria, e aí eu voltei a pensar nisso, e aí eu tirei um caderninho que eu sempre levo na pochete, recomendo muito, que a gente sempre tem um caderninho para escrever os pensamentos, para conversar com a gente mesmo, para se fazer perguntas, como a gente perguntaria para alguém, que conhece, mas como é que você está sentindo? Mas me conta mais, é culpa, é pressão, é medo, o que é isso, né? Eu tenho sempre esse caderninho, e aí eu comecei a escrever nesse caderno, tudo que eu estava sentindo, e tudo que eu estava sentindo ao constatar, que aquilo que eu queria muito não ia rolar. Ao constatar, que eu precisava abrir mão daquele apego, sabe? E aí eu comecei a escrever sobre como eu estava chateado comigo mesmo, para não ter conseguido cumprir o prazo, o quanto era difícil para mim, atrapalhar o cronograma das outras pessoas, o quanto eu percebi que aquela voz de autocobrança não estava fora, mas estava dentro, enfim, eu comecei a escrever, sobretudo isso. E quando eu senti que eu tinha esvaziado, meu corpo, assim que eu tinha escrito, sobretudo que eu estava sentindo no fluxo do pensamento, eu percebi meus amigos de bar, que um espaço interno se abriu. E quando esse espaço interno se abriu, instantivamente, eu comecei a desenhar um novo cronograma. E aí eu me dei conta da beleza do que tinha acontecido, que é a o assumir que tinha dado errado, ao parar de brigar com a realidade, né? Ao dizer "beleza, cara, isso era o que eu queria, mas não rolou, né?" Então ao parar de brigar com a realidade, eu consegui ritualizar o fim, né? E dizer "cara, então é isso, eu tinha planejado isso, não deu certo, não vai rolar esse prazo, esse prazo passou". E quando eu ritualizei o fim, reconhecendo as emoções que vieram disso, abriu um espaço para uma coisa nova acontecer. Eu acho que isso é uma coisa muito interessante do apego, uma vez eu vi uma amonga, é monja, certo? Uma amonga falando uma coisa que eu achei maravilhosa, aquela fala assim que acho que foi a amonga coin que falou isso. Ela falou que quando a gente abre as mãos, o mundo cabe inteiro. Porque é isso, né? Às vezes a gente quer segurar as coisas nas mãos e não percebe que dentro das nossas mãos cabem poucas coisas. E quando a gente abre as mãos, cabe o mundo inteiro, assim. E pra mim foi esse exercício, né? Quando eu consegui ritualizar a frustração, né? A gente não tem esse guido, um plano ideal que eu achava que eu deveria ter seguido. Naturalmente, um outro caminho apareceu assim. E eu consegui olhar para outro lugar, né? Eu olhar para a outra possibilidade, enfim. E esse jeito, né, de fazer uma nova coisa acontecer, né? De pensar numa nova saída. Me lembra muito uma coisa que eu vi do Vili Fomín, que é um psicanalista e pastor de uma igreja que eu gosto muito, que chama a Igreja Bethesda, que de São Paulo. E uma vez o Vili falou uma coisa que me marcou. Faz muito tempo que ele falou isso e eu nunca me esqueci. Ele dizia que às vezes ele acompanhava alguns casais, que chegavam no constório e chegavam no constório dizendo, "Cara, a gente está por um fio, o nosso casamento está muito ruim." E aí, o Vili ouvi, aí eles, e aí o que o Vili dizia, é realmente esse modelo de casamento, a forma com que vocês estão vivendo esse casamento precisa acabar. Mas a gente ainda vai descobrir se é o casamento que precisa acabar, ou se é a forma com que vocês estão casados que precisa acabar. E aí, ele falava sobre a importância de colocar tudo no chão, de desmontar aquela relação. Pra ver se com aquelas peças era possível montar uma outra coisa. Sabe assim? É preciso desmontar isso que foi montado desse jeito, que talvez foi montado pra acabar versões de vocês, que já não são mais que em vocês são agora. E aí, com essas peças, a gente tenta montar uma outra coisa, pra ver se é possível que caibas versões atuais de vocês. E eu acho que essa imagem é muito ilustrativa, porque é isso, acho que com os grandes pontos, acho que uma das grandes perdas que o apego faz a gente viver, é que ele faz a gente brigar com a realidade, quando a gente está brigando com a realidade, a gente está desconectado do único lugar, em que é possível fazer alguma coisa. Que é o que é agora. No passado, eu não consigo fazer nada, no futuro também não consigo. Mas o que é agora, eu consigo ainda fazer alguma coisa. O apego faz a gente querer voltar pra algo que ficou pra trás, que se perdeu, que não cabe mais, ou faz a gente querer encaixar a vida num plano, que na prática, no dia a dia, quando a gente foi viver, não se sustentou. E aí, a gente precisa se conectar com o que aconteceu, assim, de fato, pra entender o que pode acontecer ainda, o que a gente pode fazer ainda, assim. Enfim, assim, aí no fim, eu lembro que é isso, lembro dessa cena da gente sentado na faixa de areia, olhando pro mar, e é muito chateada pelas conchas que tinham ficado na pedra. E a vida muito simbólica, assim, e nesse sentido, eu me sinto muito privilegiada. Eu acho que essa é a palavra. Eu abençoado, gosto mais da palavra abençoada nesse caso. E a gente estava voltando pra casa, e a casa ficava num caminho meio de pedra, aqueles caminhos para a pedra e areia. E aí, no caminho de casa, eu encontrei conchas muito parecidas, com as que eu tinha deixado na pedra. Não eram iguais, e essa era a beleza, não eram iguais. Essa era a beleza. Elas eram diferentes, mas muito parecidas, assim. E eu lembro que na hora, eu me dei conta, de que a abrimão, daquilo que me impedia, eu encontrei outras coisas no caminho. Eu acho que talvez essa seja uma grande metáfora pro apego, o que é uma outra forma de dizer a mesma coisa que a Mônja Conhe falou, quando a gente abre as mãos, cabe o mundo inteiro, assim. [Música] E aí, meus amigos de baras? [risos] Eu espero que esse episódio tenha feito sentido para você. Espero que ele tente feito uma boa companhia. Espero que ele. te encoraje a olhar para as contas que você tem segurado. E te faça refletir mesmo, sem procurar uma resposta certo e errado, porque era uma crédito que se exista, né? Eu acho que a resposta certo e errado, ela depende a cada momento da vida, a cada pessoa, a cada contexto, a cada história. Mas que te encoraje a olhar para as suas contas e se perguntar isso que está me ajudando, ou em nome de segurar isso, eu tenho me machucado, espero muito que isso. Se isso fizer isso por você, se você fizer isso por você, eu vou ficar muito feliz. Vou te pedir para que se você chegou até o final do episódio, você quiser me contar que você chegou até o final desse episódio. Eu vou ficar muito feliz. E se você não quiser me contar, na verdade, se você quiser me contar de um outro jeito, é só deixar uma concha aqui do Mar. Ou Mar. que. eu vou saber que você chegou até o fim. Se quiser me contar também com esse episódio de tibate, como ele chega, é muito bom ler sempre vocês. Obrigada pela companhia nessa mesa de bar, obrigada pela companhia. Nesses assuntos profundos da vida, eu me sinto muito privilégia de ter eu para dar as minhas coisas para falar sobre isso assim, porque eu fico muito feliz. É isso gente, lembrando que o Temp's Out de Novos Todas as Quertas Feiras, que o link para a põe a nossa mesa de bar, tem aqui na descrição, e queria agradecer, aproveitar para agradecer, todas as editoras que têm participado da nossa caixinha surpresa, lá no nosso Instagram tem uns livros do mês, e é isso. Obrigada pela companhia nessa mesa de bar e até semana que vem. [Música] Falou through, Take your time, You'll walk like water and taste like wine. You're holy earth and I am. Holy earth and I am. Gentle hands, Gold in eyes, I am a man made of our own time. Holy earth and I am. ♪ I am the dance ♪
You are the rain You pull me close I push away I swear I love you I am afraid 'Cause you pull me in our push away I'm afraid I will let you down one day Golden flame silver of ours You hold me still I don't know how You're holier than I am You're holier than I am I am the dust You are the rain You pull me close I push away I swear I love you I am afraid I will let you down one day I swear I love you I swear I love you I swear I love you I swear I love you (soft music)
Podcast Summary
Key Points:
O episódio usa a metáfora das conchas para discutir o apego, ilustrando como segurar coisas do passado pode impedir o progresso.
A narradora compartilha experiências pessoais, incluindo um atraso criativo em seu livro, para mostrar como o apego a planos ideais gera sofrimento.
A reflexão central é sobre a necessidade de "soltar" para seguir em frente, aceitando a realidade e abrindo espaço para novas possibilidades.
Summary:
No episódio do podcast "Paradar no Mesmo Coisas", Natália explora o tema do apego através de uma metáfora baseada em uma experiência de infância. Ela relembra como, durante um passeio em pedras à beira-mar, segurar conchas bonitas que coletou a impediu de avançar com segurança, forçando-a a escolher entre carregá-las ou prosseguir. Essa história serve como analogia para como nos apegamos a pessoas, situações, planos ou ideais, mesmo quando eles já não servem mais ao nosso crescimento.
Natália relaciona isso a um bloqueio criativo recente, onde o apego a um prazo irremediavelmente perdido para seu livro a levou a um sofrimento desnecessário. Ela percebeu que a raiz do problema não era o atraso em si, mas a relutância em aceitar a realidade e "soltar" o plano original. Ao parar de brigar com os fatos, ritualizar o fim daquela expectativa e reconhecer suas emoções, abriu-se um espaço interno que permitiu criar um novo cronograma. A reflexão conclui que, muitas vezes, é preciso abrir mão do que já não cabe mais para que novas possibilidades possam entrar, enfatizando que o processo de autoconhecimento inevitavelmente nos confronta com nossos apegos e a necessidade de escolher entre seguir em frente ou permanecer carregando um peso que nos paralisa.
FAQs
Intencionar é facilitar as condições para que algo amadureça, como o pai que embrulhava abacates no jornal. Não controlamos quando as coisas amadurecem, mas podemos criar um ambiente propício para que isso aconteça.
O apego, simbolizado pelas conchas na história, pode nos paralisar. Às vezes, segurar algo que já não cabe mais no nosso caminho nos impede de avançar, mesmo que tenhamos medo de perder.
É preciso parar de brigar com a realidade e aceitar o que aconteceu. Assumir a situação, como o atraso de um prazo, permite ritualizar o fim e abrir espaço para criar um novo plano possível.
A autoanálise é um processo importante de autoconhecimento, enquanto a autopunição é um lugar infértil de culpa. Ultrapassar essa linha tênue nos fecha em uma caixa e impede o progresso.
As conchas representam coisas, pessoas ou situações pelas quais nos apaixonamos. Muitas vezes, precisamos escolher entre segurá-las (carregar) ou abrir mão delas para seguir em frente, pois as duas coisas nem sempre são possíveis.
Quando abrimos as mãos, simbolicamente soltando nossos apegos, o mundo inteiro pode caber nelas. Segurar coisas demais limita nossa capacidade de receber novas experiências e seguir adiante.
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