Neste episódio, Natália conecta a experiência de lavar louça com a gestão de conversas difíceis em relacionamentos. Ela começa compartilhando uma história pessoal sobre perfeccionismo, onde chegou atrasada ao primeiro dia de trabalho e quase desistiu, ilustrando como a criança interior pode sabotar situações. A partir daí, ela desenvolve a metáfora central: tanto a louça suja quanto as questões não resolvidas em relações são adiadas por serem chatas e estragarem o clima. No entanto, o acúmulo transforma pequenos problemas em um "tsunami", onde a causa original se perde. Natália defende a abordagem "sujo lavou", ou seja, resolver os incômodos assim que surgem, para evitar que se acumulem. Ela também compara certas conversas a uma frigideira com ovo grudado, que exigem tempo, paciência e várias etapas (como colocar água e detergente) para serem resolvidas, lembrando que algumas conversas são apenas "começos de conversa". Por fim, ela alerta para a idealização dos relacionamentos, comparando a "taça no armário" (perfeita e intocada) com a "taça na pia" (real, que precisa ser cuidada). Natália critica a sociedade por desejar apenas a parte boa das relações (a louça limpa) sem se comprometer com o trabalho de mantê-las (lavar a louça), concluindo que aproveitar e cuidar fazem parte do mesmo ritual.
Oi, meu nome é Natália e esse é o 119.13 e o 13º episódio do Brado Anoméz Coisas. Um bote que é que na seu, precei uma mesa de bar na oeb, daquelas que a gente sente e sente que não estamos sós. O lugar em que a gente pode ser do nosso próprio tamanho sem precisar esticar e nem se espremer. Como é que você está? Como é que tem umas coisas para você? Como é que está o seu mundo dentro desse mundo? Eu estou bastante resfriada e aí, minha voz está bem anasalada, mas sobreviveríamos a essa também. Achei muito engraçado porque no episódio da semana passada, muitas pessoas me perguntaram o que aconteceu depois que eu peguei o transtuindo para o B.F. Se você não escutou esse episódio, escute. Tinha uma onde está a sua criança interna ou por Andianda. Oi, eu esqueci o nome do episódio. É onde está a sua criança interior, na verdade. E eu conto uma história nesse episódio, deslendo quando eu tinha uns 17 anos, eu fui trabalhar num B.F. E aí eu estava ali louca para conseguir um emprego de monitor no B.F. E aí, uma batina lá no porta do B.F. E a moça me recebeu e disse que eu podia voltar lá em duas semanas que eu seria a nova monitora de festas lá do B.F. deles e tal. E aí, nesse dia, eu tinha combinado com meu país de milivagem, a gente pegou um puta do transtu. E estava muito, muito calor e eu tinha vestido uma camisa, né? E aí, a primeira dia naquele B.F. E aí, além de estar suando os mais, isso já era tipo uma coisa que estava me incomodando, porque eu não queria chegar assuada no meu primeiro dia de trabalho. É muito louco, né? Se a gente for pensar a fundo, como o perfeccionismo ele também opera nesse lugar, né? Porque ele quer excluir tudo que tem a ver com a humanidade. Então, o suá é o quê? Diu gente, né? Se pessoas suam, enfim. E, mas é isso, né? Operando muito nessa lógica da perfeição, assim, na atingível. Isso aqui é muito louco, né? Porque o perfeccionista ele não acha que é inatingível. Ele acha que é atingível e continua buscando. Mas, enfim, estava indo para esse B.F. E aí, meu pai errou ali um caminho e logo em seguida um puta transtu. E aí, eu não conto no episódio anterior o que aconteceu e o que aconteceu foi que eu cheguei, né? Fiquei muito desesperada porque a Dona tinha falado para eu chegar a uma da tarde, cheguei muito atrasada. E quando meu pai errou ali o caminho, acidente, acerté, né? O guarda de transtu falando para ter paciência. Eu cheguei muito atrasada ali. E a Dona estava no fundo, assim, do B.F. cuidando das coisas da festa e ela flua a sua uniforme talha atrás e ela nem percebeu que eu tinha chegado atrasada. Mas ela levei um tempão para conseguir acalmar a minha criança interna, né? Minha criança interior que morre de medo de não ser perfeita, assim. E o que eu falo no episódio anterior é que não importa quantos anos você tenha, se você tenha em 25, 48, 63 ou 37. Às vezes a gente reage como a nossa criança interior, né? Não é a tuidade, né? Aliás, o que eu digo no episódio anterior é que a idade só é fixa não arriger, né? Às vezes acontece alguma coisa na vida e você reage como alguém de 87 anos, como se já tivesse vivido 87 anos, como a sabedoria, né? De alguém que viveu e entendeu a vida ao longo de 87 anos e às vezes você vai reagir como alguém de dois, né? Então, é isso, eu acho que eu fiquei devendo o final dessa história aqui. Muito a gente me perguntou lá na página do Instagram, a gente arruba para dar uma minha coisas no Instagram, arruba para dar um nome no Twitter. E foi esse o fim da história, assim. Cheguei lá atrasada por insistencia do meu pai porque para mim, perfeccionante, está já teria desistido. Porque é perfeccionismo também de haloga muito caldo, sabotagem, né? Então, se não é para ser perfeita, se não é para tirar 10, se não é para fazer o melhor de todas as expectativas, então eu nem vou. Então eu nem vou entregar, se não é para fazer exatamente alinhado, para responder todas as expectativas, para acertar de prime cara, nem vou, nem vou me arriscar. Então, enfim, a saga de uma perfeccionista desde sempre, mas é isso, né? Vamos se colocando no caminho. E hoje, gente, eu vou falar, esse episódio foi uma brisa doida, mas é uma brisa que vai fazer muito sentido. Eu acho que você vai me der razão no final. Eu vou compartilhar aqui na mesa cinco coisas que eu me dei conta sobre as relações e sobre as conversas difíceis, enquanto eu lavava o quê? A bolosa pode parecer completamente distante, mas faz muito sentido. E eu espero que, mesmo que não faça sentido para você, o que eu acho que vai fazer, mas mesmo que não faça, espero que te seja uma boa companhia. Vou deção. Esse episódio nasceu num momento em que todo mundo já viveu, assim, que todos nós já vivemos. Eu estava deitar na cama, vendo mais um vídeo aleatório, de uma galera desconhecida, fazendo um negócio engraçado no Instagram. Quando eu de repente fui invadida pela imagem da minha pia de casa lotada. Sabe como é? Você está ali, deitado na cama, domingão, passando o Luciano Rook na TV, e você está ali aleatório, está tipo curtindo muito sua folga, achando que a vida é feita de domingos e aí de repente, você lembra que você não lavo a louça no dia anterior. Que a pia tá lá lotada e que você vai precisar levantar. O dia anterior, a esse dia, eu tinha chamado uma galera para a minha casa, e a gente tinha feito um risoto, se eu coge risoto, eu amo risoto, eu amo risoto, principalmente de chiméjeio. E a gente tinha feito esse risoto. E aí, logo depois que a gente comeu, uma das meninas tinha trazido um mousse de maracogia, e claro, vamos experimentar o mousse de maracogia. E aí, uma outra trouxe um pacote de doritos, e alguém sugeriu da gente colocar molho, num pratinho, num pires, e molhando doritos ali para comer. E claro, vamos comer doritos enquanto a gente joga baralho. A gente vai falar que ela é uma coisa de "se tá cheio de gente querida na nossa casa, você tá com muitas pessoas que se ama muito". E aí, lá pelas tantas, alguém disse "cara, vamos beber um vinho, vamos beber um vinho, me to com o sede, pego a toco, pego a trataça". E na hora que todo mundo foi dormir, alguém perguntou "cara, mas ia louça, a pia assim, bater no teto". E aí, eu disse "que? A louça a gente deixa para depois". Que eu não sei se seja parou para pensar, mas eu me dei conta esses dias, que o problema da louça e da DR, o problema da louça e das conversas difíceis, é que elas cortam muito a vibe, né? É que elas são chatas, é que elas se ensinam num momento que você não quer encarar. É por isso que a gente vai empurrando a DR e a louça para frente, porque é chato, porque é estrago clima, porque é pés o rolê, porque tá melhor vendo o vídeo, olha a torre no Instagram, tá no na cama, porque tá melhor assim, não lembrar que vai ter a louça, porque tá melhor a LIbe, bei, comer e experimentar o muço, tomar o vinho sem lembrar que aquilo tudo ali vai virar uma louça no dia seguinte. Acontece que o problema da DR e da louça é que elas não somem, só porque a gente tá com preguiça, com medo, ou porque a gente não quer estragar o clima. A louça vai ficando com cheiro ruim, a comida vai grudando ali no prato, vai ficando dura. E o negócio vai ficando cada vez mais difícil de limpar e a gente vai sentindo que a coisa tá ficando cada vez pior, né? E aí começa aquela sensação, que eu acho que é muito digno de louça suja, e de pia muito cheia, que é cara por onde eu começo, porque a louça já tá batendo no topo da torneira, né? Então a gente não tem nem mais lugar assim para mobilizar, para se movimentar, e a gente fala cara, passei tanto tempo, só colocando a louça suja, só não dizendo as coisas que eu precisava dizer, só não organizando as coisas que eu precisava organizar, e agora tá um tsunami aqui de louça, e eu não sei nem pronta começar. E aí que eu acho que as conversas difíceis por experiência própria, e a louça por experiência própria também, elas se encontram. Porque no começo, a louça e as conversas difíceis, elas têm a ver só com um ponto, né? É só um garfo que precisa lavar, é só um garfo que você precisa resolver, mas aí você não fala daquele garfo, e aí depois já não é mais só o garfo, é o garfo e o prato. Aí não é só mais o garfo e o prato, até o prato é o garfo, o copo é o talhé, é a banela, e aí tudo vira uma grande questão assim, né? Por isso que há algum tempo, já na minha vida, com a exceção em grandes momentos em que, ela recebo algumas pessoas em casa, enfim, isso mais quando morava com meu pai, porque agora morando sozinha também, enfim, pandemia, etc., grandes movimentações ainda não estou me permitindo. Mas eu sou muito mais do time sujola voo, sabe? Quando eu me proponha a cozinha, quando eu me proponho aí pra cozinha, eu sou mais do time sujola voo. E isso muito pra vida também, mais na vida, mais na vida,
nas conversas difíceis, mais nas DRs, mais nas relações do que talvez na vida prática, na cozinha. Mas eu acho que tanto na cozinha quanto nas relações sujo la voo é mais fácil. Porque aí deu uma quemmada, e vamos conversar sobre isso. Cara, esse garfo aqui, vamos falar sobre ele. Esse prato que a gente acabou de usar e que ainda tá fresco e ainda tá com o resto de comida. Vamos colocar no lixo e vamos limpar isso daqui. É mais fácil quando a gente vai sujando as coisas e vai lavar as coisas, sabe? Porque assim não acumula, porque assim não vira esse tissunami de coisas mal resolvidas, sabe? Na pia e na vida. E que quando a gente olha pra ele, a gente fala "Cara, eu não sei nem o pronto começar". E pior do que isso, eu acho. O pior do que eu não sei nem o pronto começar é "Eu não sei nem o que é o que dentro desse bolo". Porque aí quando as coisas vão se acumulando demais, a gente não sabe nem aonde a questão começou. E a gente não sabe nem exatamente o que é o problema. Com certeza, se já aconteceu na nossa casa, eu talvez se aconteceu na minha, mas eu vou falar aqui. Sabe aquela coisa assim, "Cara, fim de semana, só usem". Se você está feira, você coloca a mochila nas costas, cominão um bate volta com a galera, vai passar um fim de semana fora. E quando você chega no domingo, e aí a cozinha tá com cheiro estranho. Aí você não sabe exatamente o que que é o cheiro. E aí você começa a investigar e fala "Cara, eu não sei se é da pia, eu não sei se é do lixo, eu não sei se é do chão, que cheiro esquisito é esse". E aí você leva um tempo pra entender o que é. Eu acho que isso que é o problema da gente não levar essa ideia da loça para as relações assim, Saka. Porque aí é isso assim. Aí depois você já não sabe nem mais o que é o seu incómodo assim. Ficar difícil identificar o que é causa e o que é assim toma. Às vezes a gente começa a falar "mas o problema é que é isso aqui". Quando na verdade isso é que é só o sintoma da causa, Saka. Então eu confesso que eu peco mais, eu vacilo mais na vida prática na tozinha assim. No que é na vida, mas na vida nas relações e sua depita do sujo lavô assim. Até porque ao passo que eu fui também, trainando de dizer o que eu sinto e trainando verbalizar as minhas necessidades, eu entrei num mood que é quase. Que é mais desgastante pra mim, não dizer do que dizer, mas isso foi treino também. Porque a gente se eu lidava assim facilmente com desconforto de não falar. E esse desconforto eu não preciso nem dizer que ele era somatizado. Então eu tinha várias questões no corpo por conta disso. Mas eu sou muito mais adaptado hoje do sujo lavô. Cara, deu uma questão aqui e fiquei incomodada aqui. Vamos falar sobre isso. Cara, vamos sujando e levando. E aí fica muito mais fácil. No, no, no, no. Eu quero que você se torna a vida, eu quero que você me torna a vida. Ainda que você não for fallando. All of me is yours, every part of me. 'Cause we're in this together now. You and me together now. Mais ouai isso que a louça suja me pareceu parecido, faz relações. A segunda coisa que eu percebi é que tem conversa que não dá pra ir no sujo lavô. Tem conversa que é tipo aquela frigideira que você foi fazer ovo frito, saca. Aquela frigideira que tá saindo a anteaderencia ali. E aí você foi fritar o ovo e ovo ficou grudado na panela. E dá muita raiva porque às vezes você só tem um ovo na geladeira e você vai fritar. A imetagem do ovo fica na frigideira. Só como é. Além de ficar com um pouco do ovo ali que parece que era um ovo inteiro de galinha. Aí parece um ovo de codorna do que você conseguiu tirar. Mas pra além disso, quando você vai lavar a frigideira, você ainda fica tentando tirar aquilo. Tipo, eu fico tentando tirar aquela coisa que grudou na panela. Mas a gente percebe que fazer aqueles forços pra tentar tirar o ovo da panela, a ranha a panela. Quanto mais esforço, mais a ranha. E aí tem conversa que é exatamente essa frigideira. Você sabe que você precisa falar. Você sabe que ali tem uma questão. Você sabe que ali é uma coisa que precisa ser conversada, esclarecida. Mas essa conversa precisa de tempo pra acontecer. Porque essa conversa é a frigideira. E aí é bem nesse processo mesmo. Assim de primeiro você pega a frigideira e troca ela de boca do fogão. Coloca aquela boca naquela boca que você não usou. E aí depois você pega a frigideira. Quando ela já tá fria, aí você coloca um pouco de água com detergente. Aí você dá um tempo e aí você volta lá e dá uma cutucada no fundo da frigideira pra ver se amoleceu. E aí você deixa mais um tempo e coloca mais água. Aí deixa mais um tempo e coloca mais um pouco de detergente. Aí você vai lá no dia seguinte e vê se desgrudou. Como que desgrudou. Você desgrudou muitos dos desgrudou pouco. E aí você vê que não desgrudou tanto. E aí você espera mais um pouco. E aí passa mais um tempo. E aí você passa um dia e meio e aí você consegue começar a tirar o que ficou grudado no fundo da frigideira. E pra mim tem conversas que são como essa frigideira. Não só as conversas são como essa frigideira, mas essa frigideira muitas vezes somos nós. Sou eu, muitas vezes é você e muitas vezes é o outro. Às vezes a gente vai precisar de um tempo para ter coragem de falar. Para se sentir pronto para dizer, às vezes é o outro que vai precisar de tempo para se permitir entrar naquela conversa. Às vezes é o outro que vai precisar de um tempo para se disarmar para entrar naquela conversa. E às vezes a conversa vai levar mais do que um dia. E isso me lembra muito uma fala do André, que apresenta o podcast "Polgeóven", uma vez a gente estava conversando sobre isso. E ele falou uma coisa que eu achei tão genial assim que gostei tanto. Que ele disse "Tem conversas que são só comestos de conversa". Eu achei isso tão bonito porque eu não sei você, mas eu. Às vezes ligo modo resolvedor, a Amanda vim cá comigo falando que ligo modo resolvedor. Às vezes ligo modo resolvedor e eu quero sair resolvendo tudo na vida, sabe? Tipo, resolvendo passando a rega em tudo, assim, deixando tudo organizado. E na real, tem conversas que é isso. São só comestos de conversa. Tem conversas que não são conversas para resolver. Tem conversas que são conversas para colocar água na frigideira. E aí depois um pouco mais de água. E depois um pouco mais de tempo. E aí sim as coisas começam a se resolver. E aí as coisas começam a se desgrudar. Então tem conversas que são o início de muitas outras conversas. E são como essa frigideira. [música] A terceira coisa é que se relacionar, ela lembrar que Lossa Limpa é Lossa no armário. Por mais que você ame profundamente alguém, seu pai, seu tio, a sua voz, a melhor amigo, a sua namorada, sua parceria. Por mais que você ame profundamente alguém, sempre tem aquele dia que a gente não aguenta ver a cara da outra pessoa. Você tá com um bode da outra pessoa. Isso tem a ver com a convivência, com a vida próxima, com estar junto. Tá próximo de alguém, é também tá próximo da sombras dessa pessoa e da sua própria sombras. Acontece que muitas vezes eu acho que é muito humano quando a gente chega nessa fase. E essa fase ela é tipo estação de tren, saca, tipo separa na estação. Mas aí você continua no vagão. Você pode descer do vagão, se você quiser. Mas se você continuar no vagão, você vai ter um trajeto ali, que vai ser massa, que vai andar rápido, que você vai ficar olhando a paisagem. Mas logo depois vai parar uma autoestação e aí você vai ter que esperar e aí vai ser chato e vai ser meio tedioso. E aí você pode descer do tren, mas se você continuar no tren, você vai curtir um pouco mais da paisagem, vai ser ótima. Até a próxima estação. E acho que quando a gente parar na estação do tren, é muito comum que a gente que é Johnny, tanto as nossas decisões, se de ter entrado nesse tren. Então, por isso será que a gente vai ter entrado nesse tren? Será que você não tivesse pegado o caio de aplicativo não seria mais rápido? Será que se eu tivesse vindo de bicicleta, não teria sido mais feliz? Ou será que se eu tivesse não deixado meu carro em casa, não teria chegado mais rápido? Eu acho que é muito comum que a gente se questione nessa fase, é muito humano. Eu acho muito comum também que nesse questionamento a gente se compare a nossa estação ali com outra estação. E aí é que a taça anormário é sempre linda demais. Como que a gente compare a nossa taça, por exemplo, a nossa taça que tá ali na piassuga junto com prato, junto com o talhé, junto com copo, compare essa taça com uma outra taça que tá anormário, que você nunca tirou de lá. E a taça anormário ela sempre vai ser linda demais, ela sempre vai ser zero defeitos, ela sempre vai ser perfeita. Ela sempre vai ser aquela taça que irretocável, né? Aquela taça idealizada. Enfim, a taça na piha, a taça no domingo, a taça seis da tarde com fantástico pra começar com você acordando cinco da mano de a seguinte. Pô, é um porre. No momento que você encara a taça ali na piha, pô, dá um taque.
vai jogar fora, não dá, não? Você tava muito cansado, você não quer lavar tassa, você quer jogar fora. E na hora de lavar tassa, você sabe que você tem que que lavar com cuidado, a tassa, porque a tassa é frágil, porque a tassa é delicado, mas não dá vontade de lavar com delicada. Você tá cansado, porque é um porre, porque é domingo, porque é chato. E na hora que você vai lavar tassa, você nem lembra mais do quanto você foi feliz, quando você tomou vinho naquela tassa, saca? Que foi legal demais, que você tava feliz no sábado à noite. Na hora da crise, não dá vontade de lavar com cuidado, não dá vontade de cuidar daquilo. E aí, nesse momento, que eu acho que vai lembrar que louça limpa e louça no armário. Em outras palavras, faz parte do se relacionar, se envolver com a relação. E às vezes, ela vai ser tipo, cara, "bora tirar tudo do armário, porque a gente só se vive uma vez, e às vezes vai ser a louça suja na pia do mingo atarde, e vai ser chato, e tudo isso é parte da relação." E eu acho que esse é um dos pontos que eu vejo assim, que a gente encara, enquanto sociedade como um desafio assim. Porque eu acho que é muito do nosso tempo esse desejo de querer tirar as louças do armário, ou seja, de querer viver como se não houvesse amanhã, de querer desfrutar, de querer "cara, é bebê vinho, e comer muss, e fazer brigadeiro, e colocar tudo pra fora, e só se vive uma vez." Mas existe pouca disposição, enquanto sociedade, da gente se comprometer como lavar a louça. E não seria nenhum problema se a gente fizer isso, caso, a gente não quiser esse é louça limpa no dia seguinte. E esse é o ponto, né? Porque além da gente querer tudo pra agora, a gente quer não se comprometer com a louça limpa, mas ainda quer a louça limpa no dia seguinte. É aquela história do cara, quero demais uma relação, mas só quero a parte boa da relação, e não quero ter que conversar sobre essa relação, e não quero ter que construir essa relação, quer relação pronto, então cara, então fica a sóço de analosa, mas não queira a louça limpa no dia seguinte, né? Porque não tem como usar a louça, e lavar a louça, pra poder usar a louça, faz parte do mesmo ritual de aproveitar essa louça, pra aproveitar a louça, ver que ela é a louça. Ter conversas difíceis, se comprometer com a construção dessa relação, faz parte do disfrutar dessa relação, faz parte do viver dessa relação. De novo, né? Tipo, acho fantástico, tipo, cara, não tô nem aí, não quero nada, né? Beleza, o problema acho que é isso, assim, né? Problema é quando a gente quer a louça limpa, mas não quer se comprometer com a limpeza da louça. Problema quando a gente quer uma relação, mas não quer se comprometer com a construção dessa relação. A gente só quer a louça limpa no armário, mas ia a disposição pra fazer isso, né? Aí, que é o ponto. E aí, que eu acho que a gente tá num desafio enquanto sociedade, assim. A gente só quer tirar a louça do armário, mas não quer se comprometer com a lavar a louça, mas ainda assim, que é a louça limpa no dia seguinte. Aí, fica muito difícil, né? [música] [música] A quarta coisa é que, cara, lavar a louça e se relacionar fica mais fácil quando todo mundo colabora. Eu sempre falo que falei no meu livro, o Toavini, que o amor é uma casa grande onde a gente cabe por inteiro. E o que eu quero dizer com isso é que o amor é uma construção de todas as pessoas envolvidas nessa relação, assim, nesse lugar. Porque se eu construir essa casa sozinha, ela vai ser exatamente do meu jeito. E se você morar nessa casa que eu construir, você vai ter que se adaptar ao meu jeito. E se você construir essa casa sozinha, eu vou ter que me adaptar à sua construção, ao seu jeito. Vai ser a gente construir junto, a gente tem um equilíbrio. A gente consegue pensar junto nessa casa grande, de um jeito em que ela fique espassosa pra mim e fique espassosa pra você. Então assim, não vale se só uma pessoa lavar louça. Se só uma pessoa atenta entender a relação, se só uma pessoa atenta organizar as coisas que ficaram fora do lugar, não vale se todo mundo bebe, mas só uma pessoa que lava os copos. Não vale se todo mundo come mússi, mas só uma pessoa lavar as tigelas. Quando eu digo que o amor é uma casa grande onde a gente cabe por inteiro, eu estou dizendo antes de tudo que ele é uma construção. E construção a gente não faz sozinho. Pra morar nessa casa, todo mundo que está nessa relação precisa se envolver no processo. Seja lavar louça, seja secando a louça, ou seja, ficando do seu lado, batendo um papo. Sei lá, se você é a pessoa que gosta de lavar louça, eu sempre brinco com a D, que eu falo meu dedo do céu. Você é a única pessoa que eu conheço nessa história de mundo que gosta de lavar louça, de ama lavar louça. A D é minha uma G é minha fraternal. É. é. minha amiga irmã, assim. E eu falo pra ela meu dedo do céu, você é a única pessoa que gosta de lavar louça. Não cavi isso. É da D ama lavar louça, assim. Pra ela um prazer. Então talvez a ideia dela de construção, seja, ficar junto ali enquanto ela lavar louça, enfim, né? Mas o ponto é, construção. É todo mundo participando desse processo, inclusive eu não sei você. Estem uma coisa que me irrita profundamente, eu não sou a pessoa que gosta de lavar louça, né? Acho que eu faço parte do quê? Os 99,9% da população brasileira. Eu dei a lavar louça, mas tem uma coisa que me irrita, é, beleza. Eu vou lavar louça. Então, assim, não vem me trazer a chícara que fulando em o ditao, esqueceu no quarto. Não vem me dizer que ficou esse prato em cima da mesa, ou não faça isso de enquanto estou lavar louça, abri a torneira e falar, "Nossa, eu vou passar uma guinha, nossa." Me irrita muito. Eu lembro que, quando ela lavar louça, minha mãe fazia muita essa coisa de deixar só passar uma guinha. E aí, eu lembro de um dia que eu falei isso pra ela, "Mãe, por favor, não faça isso, porque você não tem noção de quanto eu fico irritado." E é, sempre, quando ela é a fazer a filha, por favor, posso fazer uma imbra de Deus, deixa o terminado de lavar louça. Mas acho que essa imagem da louça é muito isso, assim, né? Se tem uma pessoa lavar louça e tem uma outra só colocando mais louça, isso não é necessariamente uma construção, né? A menos que há de um acordo ali. O ideal é o quê? Que as pessoas se revésem enquanto lavar louça, né? Que laven a louça juntas. Ou que uma lave, outra seque, enfim, ou outra guarde, enfim. O ponto é, se tem uma pessoa tentando organizar as coisas, mas se essa pessoa está organizando sozinha, talvez essa construção também esteja sendo feita sozinha. ♪ ♪ E a quinta e última coisa é que a louça e as conversas difíceis fazem parte da vida. O mais que a gente fique tentando se desviar, né, delas, finge que não viu fazer a desentendida, elas estão ali esperando que a gente faça alguma coisa, a melhor coisa que a gente puder fazer naquele momento. E é tipo louça mesmo. Às vezes, se está com a disposição, assim, "Oh, batendo 10 de 10, se está com a disposição lá em cima". E aí, você vai lá e passa bom brilho, e joga aquele negócio cheiro bom na pia, e faz todo um caminho, se prepara, e às vezes, a gente vai na linha da pia de segunda-feira mesmo, ou seja, só para tirar a bagunça do meio, saca. Só falando essencial para dar uma organizada, só do jeito que você consegue ali um pouco antes de dormir para um dormir com aquele negócio na garganta, sabe? E eu estou dizendo isso, porque eu acho que uma das um dos mitos, né, que a gente vai perpetuando ao longo do tempo, é que conversa é difícil, tem que ter hora, tem que ter data, tem que marcar o raro no. no. no. em casa. E eu acho que isso é uma grande bobagem, assim, porque a vida, ela não acontece com o dia, a hora é marcado, né? As coisas, elas vão acontecendo, e às vezes, um momento que você vai conseguir falar, é um momento que, talvez, não seja. o mais. ideal, mas seja o mais adequado, seja o que dá para fazer naquele momento. Às vezes, é a pia de segunda-feira, né? Às vezes, é meio que isso, né? A gente está na semana do dia dos namorados. E aí, essa coisa, né, de que essas datas comemorativas, né, que parece que agora, dia dos namorados, todo mundo tem que tomar vinho, e ir para o motel, e caramba, né? Tipo, assim, é uma data num calendário, é isso, né? Bye!
vai ter dias dos namorados que você vai estar tipo na vibe, vai ter dias dos namorados que você não vai estar na vibe, e vai ter dias dos namorados que é exatamente esse dia que vai escolher, vai discutir a sua relação. Talvez seja isso, né? Então é isso, eu acho que as conversas difíceis elas fazem parte da vida, e portanto precisam ser inseridas na vida, sabe? Que a gente não precisa escolher uma data especial fora do calendário ou fora da rotina, pra fazer essa conversa difícil acontecer, mas vezes vai ser no domingo durante e o café da manhã, às vezes vai ser a tarde de sábado durante, sei lá, o jogo de futebol, e isso é uma coisa que eu mergulho muito de ter construído com a mãe, que a gente construiu junto, assim. A gente construiu um espaço tão massa, assim, pra conversas difíceis, que nem eu, nem ela, a gente estranha, quando alguém vem e fala, "Cara, eu tô precisando de vídeo uma coisa que você possa, pode qualquer hora, é hora." Logico que, com cuidado, tudo pode ser dito, isso é uma coisa que minha mãe se ainda falava, eu gosto muito, ela falava, "Ada, olha, muitas vezes não é o que você fala, é como você fala." Tem coisas que são péssimas independentemente do jeito que você fala, mas tem muitas coisas que é o jeito que você fala, e isso é muito bonito também, porque foi uma coisa construída, não tem hora marcada, não tem dia marcada, é tipo o óssema-meu, às vezes é segunda-de-feira, às vezes é terça, às vezes é quarta, e é isso, né? E foi uma coisa construída, e é muito bonito, assim, é muito bom, porque também não é, porque a gente deixa de falar que a pia ficar limpa, né? Se fosse isso, tava bom, se a gente deixar-se de falar, e a louça, mágicamente, sumisse, tava ótima, mas não ela vai criando uma sujeira ali, e uma coisa que eu ia mandar a gente concordar muito também, é que isso, obviamente, a gente é, da nossa história, não precisa ser necessariamente fazer parte, ou fazer sentido pra você, mas se valeu como, se valeu aí pra substrada, que bom, é que a gente concorda, que toda vez que a gente lava a louça, que toda vez que a gente tem conversa difícil, a gente tá deixando a nossa relação mais saudável, sabe? A gente tá deixando a nossa relação mais respirável, a gente tá deixando a gente tá postando na nossa relação. Eu acho que louça suja e relações, em que não há conversa, elas não são sustentáveis. Tem uma hora que você vai ter que olhar pra essa louça, seja porque ela juntou bicho, seja porque ela tá tipo cheirando ruim, seja porque você precisa tomar água e você não tem um copo, do mesmo jeito, a relação, uma hora, você vai ter que olhar pra isso. E acho que quanto mais cedo a gente consegue olhar, claro que dentro do nosso limite, da conversa de difíceis não são fácil, não é fácil, mas quanto mais rápido a gente olha, quanto mais de gente se treina pra olhar, mais fica sustentável, né? Mas fica mais cap possível, né, de viver. Estou falando isso e estou lembrando de uma vez que eu. Cara, esqueci um pote com o feijão dentro da geladeira. Esqueci. Dois vezes, esqueci um pote de feijão dentro da geladeira e esqueci um pote de patei de atunha na geladeira. Passou, fui viajar a trabalho, beleza, quando eu vou ter em casa caro um fé, dou assim. O cheiro horrível, na cozinha, eu falei, meu Deus, onde está esse cheiro, onde está esse cheiro? Descubriu onde estava esse cheiro. Nas duas ocasiões eu tive que jogar o pote fora. Isso é uma metafra, né? Mas às vezes ela funciona e às vezes reflete na verdade que acontece na vida real. Às vezes a gente vai adiando com versas que a gente precisa ter, às vezes chegar num momento e que a única saída que a gente enxerga é jogar relação fora. É terminar a relação porque ficou insustentável, porque não dá mais. Cara, tem tanta louça, tanta coisa na pia que eu já não sei mais, onde que é, onde começou, o que eu tenho que fazer. ♪ E, por fim, gente, a última coisa e a sexta coisa, né? Que, na verdade, é uma conclusão, é que pia. A gente pode até terceirizar. A gente pode até contratar uma pessoa para a lavar louça para a gente. A gente pode até pedir para que uma outra pessoa limpia a nossa bagunça, né? Mas conversa difícil, a solução ou a tentativa de entender o que está acontecendo, as conversas difíceis a gente não vai conseguir terceirizar. Ninguém vai poder fazer isso por nós, né? E eu falo isso com muito cuidado, porque eu sei que, para muitas pessoas, as conversas difíceis, elas são um segundo desafio, porque o primeiro é dizer o que sente. Então, eu falo isso com muito respeito, porque eu também já tive muita dificuldade de falar, coisas que eram importantes, mas é desse lugar também que eu digo quanto é importante, assim, porque cara, é isso. A louça não some. A questão não some, problema não some. A dificuldade não some é. E é treino, né, galera? É treino. E como eu disse no episódio quando eu não digo o que eu quero? Eu enxergo esse caminho como um carro, quando você aprende a dirigir, saca. E aí você vai aprender na dirigir, trocando os pedais. Você vai aprender na dirigir, você vai aprender na falar. Cara, deixando o carro morrer. Você vai aprender na dirigir. Como é o que quando aprende a dirigir e tirei a carta? Peguei um dia de chuva. E eu não sabia usar o desembarassador do carro. Desembarassador. Ou o desembarassador. O desembarassador do carro. Cara, eu estava perna a minha casa minha sombra. A gente começou a chover o carro, começou a imbarçar. Embasa na frente, imbarça atrás. E o meu dedo do céu. De dobreio o tronco do lado. Assim, eu estava conseguindo apertar o botão, sabe onde era. Calo para a minha tipo, coloca gasolina anda, né? Dobrei o tronco pro lado, para ver onde quero o botão de desembarçar. Nesse. Nesse dobre ao tronco pro lado, soltei o pé do freio. Que aconteceu o carro do céu, pegou. Na traseira do carro da frente, né? O cara do céu, quando ele era o carro, o avião ser humano atrás do volante. Nem viu, na verdade. Nem viu aquele carro todo imbarçado, com um com um paixão. Foi uma moça, está apesar de ajudar o frio e moça, e estou aprendendo. E é isso. No começo, a gente está aprendendo. E as desente faz de um jeito muito atrapalhado. E assim, como eu disse, na episódio anterior, e das de fixa, a gente tem no RG. Tem coisas que eu estou com 35 anos hoje. Mas tem coisas que estou aprendendo agora. E eu estou exatamente nessa fase, cara. Trocando os pedais, deixando o carro bater na no carro da frente, levando bozinada, percebendo que pude, poderia ter ido com um pouco mais de cuidado. Mas também não sabia como. E aí foi de um jeito completamente atrapalhado. E acho que assim, como quando a gente está lavando locia, né? Mesmo quando a gente tem experiência nisso e faz há muito tempo, caras vezes o copo escape quebra. E você fala "Puts, quebrei meu copo preferido, quebre o copo preferido daquela pessoa, pude estraguei isso sem querer, nem era a minha intenção, mas estraguei". Às vezes, também tem o ponto das conversas difíceis que a gente quebra expectativas do outro, que o outro tinha sobre a gente. E por isso que eu acho que as conversas difíceis são tão valiosas, porque também é o momento de você falar "Cara, mas se você esperar isso de mim, e eu não poder corresponder, cara, como é que a gente faz? Como é que a gente faz dessa relação sustentável? Essa relação sustentável, se eu sou uma coisa que a sua expectativa não pode corresponder". Enfim, eu acho que tem coisas que a gente faz pela primeira vez, como se fosse a primeira vez mesmo, algumas vezes. E às vezes, você vai precisar parar no acostumamento mesmo, porque às vezes, se já está acostumado a fazer conversas difíceis, mas aquela lá é difícil demais. Aquela é mais difícil do que todas as conversas difíceis. E aí, você vai precisar parar ali no acostumamento pouquinho, e vai precisar dar uma respirada. Às vezes, você vai precisar sentar lá na sua cozinha, e vai precisar sentar ali, ficar uns 10 minutos sentado, olhando para aquela luz e falando "Cara, tá, mas por onde eu começo?". Por onde eu começo? Porque essa conversa vai ser difícil. Por onde eu começo? Porque eu vou ter que respirar. Por onde eu começo? Porque eu não quero machucar essa outra pessoa. Por onde eu começo? Porque eu não quero frustrar essa outra pessoa. Por onde eu começo? Eu não quero frustrar essa outra pessoa. Mas eu também não quero ficar apertada, sozinha nesse lugar. Porque eu também não quero lavar essa nossa sozinha. Porque eu quero encontrar um jeito em que meu jeito não seja o único, mas que essa pessoa também possa colaborar com esse jeito. Como é que eu faço? Porque eu preciso lavar essa louça. Essa pessoa precisa ouvir o que eu preciso dizer aqui, e a gente precisa achar um jeito de lavar de um jeito que fique bom para os dois, sabe? Então é aquela discussão que as vezes rola quando as pessoas moram juntas. E aí, uma pessoa lavar uma louça de um jeito, e a outra pessoa lavar do outro, fica uma discussão de que você laver errado e o lado certo. Então como a gente encontra um jeito, para que nós dois conseguimos lavar a louça de um jeito, e que a gente não se incomode tanto. Enfim, gente, espero que esse episódio. Aqui doido, né? Eu nem tinha planejado para que ele fosse no dia dos namorados, mas também mesmo que não fosse, né? Quando a gente fala de conversas difíceis, a gente não está falando só sobre ter uma relação romântica. A gente está falando sobre amigo, pai, mãe e irmã. Eu acho que isso é muito um sintoma do nosso tempo, né? A gente quer muito tirar todas as louças do armário e curtir o apsi. É muito bom. Principalmente a pai e chão, a pai e chão é tirar as louças do armário, né? A pai e chão é exatamente isso. A gente vai tirando a louça, cara. Está muito massa. Não quero nem pensar quando tiver que lavar. E eu acho que quando a gente entra numa relação, tem que o amor se estabelece, é justamente essa, né? De lavalos. E a gente lava a louça e permanece nessa relação, com cuidado que essa louça merece, né? É justamente quando o amor se estabelece, justamente quando a relação se estabelece. E aí eu foria, pai.
que a gente começa a lavar a aloça com cuidado. E a gente lave essa aloça com cuidado, porque a gente sabe que essa aloça significa pra gente, porque a gente sabe a história que a gente quer construir com essa aloça. Tem que saber, inclusive, a gente quando a maturidade entra na relação, a gente sabe inclusive que vão ter outros momentos em que a gente vai olhar pra essa aloça e vai falar "Só se vive uma vez", a gente sabe que isso não é a relação. Que o lavar a aloça, que o sujar a aloça, como só se vive uma vez, usar a aloça de novo, tudo isso faz parte da relação. Eu acho que quando a gente consegue integrar isso, o lavar, o sujar, e o experimentar a aloça é muito massa, porque aí está tudo organizado e tudo faz parte de uma coisa só. A gente não está escolhendo só uma coisa. E de novo, tudo bem escolher só sujar a aloça. Tudo bem, cara, tirar tudo do armário. Desde que a gente não queira a aloça limpa no dia seguinte, sem se envolver com a limpeza dessa aloça. Aí que eu acho que começa o problema, né? Tudo bem, se você só quiser, só sujar a aloça. E aí, quando você realmente quiser a aloça limpa no dia seguinte, quando você realmente quiser uma relação, não sei se só ele dá mais suco, quando você realmente quiser uma relação, uma relação, acho que isso é um bom nome. Quando você quiser realmente uma relação, aí você precisa se relacionar com tudo que é essa aloça. Daí, eu acho que é um bom caminho. [risos] [música] É isso, gente. Obrigada pela companhia até aqui. Se você gostou, se fez sentido pra você, se bateu o fundo aí no seu peito, se me ajuda a compartilhar mensagem para não mais as coisas em outras mesas. A ajuda é chamar mais gente pra nossa mesa. Eu sempre falo que eu fico muito feliz porque essa mesa cresceu de um jeito muito orgânico e cresceu muito no boca boca. Foi você falando pro seu amigo que falou pra sua prima, que falou pra professor, que falou pra terem a peuta, que falou pra os pacientes, que falou pra professora. Eu estou muito feliz por isso. Então, se você puder quiser conseguir compartilhar, a gente agradece muito a gente se encontra na próxima quarta-feira. Tenho episódio 9, todas as quarta-feiras. E é isso. Até essa semana que vem. Um beijo. [música] [música] [música] [música] [música] [música]
Podcast Summary
Key Points:
A apresentadora Natália inicia o episódio refletindo sobre perfeccionismo e a criança interior, usando uma história pessoal de atraso no primeiro dia de trabalho.
Ela estabelece uma metáfora central entre lavar louça e lidar com conversas difíceis (DRs) em relacionamentos: ambas são tarefas chatas que tendem a ser adiadas.
O acúmulo de louça e de questões não resolvidas gera um "tsunami" difícil de gerenciar, onde a causa original se perde entre os sintomas.
Natália defende a abordagem "sujo lavou" (resolver problemas assim que surgem) como mais fácil do que deixar acumular.
Ela compara certas conversas a uma frigideira com ovo grudado, que exigem tempo, paciência e várias etapas (água, detergente, espera) para serem resolvidas.
A apresentadora alerta para a idealização de relacionamentos, comparando-a a uma "taça no armário" (perfeita) versus a "taça na pia" (real, que precisa ser cuidada e lavada).
Ela critica a sociedade atual por desejar apenas a parte boa das relações (a louça limpa) sem se comprometer com o trabalho de mantê-las (lavar a louça).
Summary:
Neste episódio, Natália conecta a experiência de lavar louça com a gestão de conversas difíceis em relacionamentos. Ela começa compartilhando uma história pessoal sobre perfeccionismo, onde chegou atrasada ao primeiro dia de trabalho e quase desistiu, ilustrando como a criança interior pode sabotar situações. A partir daí, ela desenvolve a metáfora central: tanto a louça suja quanto as questões não resolvidas em relações são adiadas por serem chatas e estragarem o clima.
No entanto, o acúmulo transforma pequenos problemas em um "tsunami", onde a causa original se perde. Natália defende a abordagem "sujo lavou", ou seja, resolver os incômodos assim que surgem, para evitar que se acumulem. Ela também compara certas conversas a uma frigideira com ovo grudado, que exigem tempo, paciência e várias etapas (como colocar água e detergente) para serem resolvidas, lembrando que algumas conversas são apenas "começos de conversa".
Por fim, ela alerta para a idealização dos relacionamentos, comparando a "taça no armário" (perfeita e intocada) com a "taça na pia" (real, que precisa ser cuidada). Natália critica a sociedade por desejar apenas a parte boa das relações (a louça limpa) sem se comprometer com o trabalho de mantê-las (lavar a louça), concluindo que aproveitar e cuidar fazem parte do mesmo ritual.
FAQs
O perfeccionismo é descrito como uma busca por uma perfeição inatingível, que muitas vezes leva à sabotagem, como desistir de algo se não for perfeito, e à dificuldade de aceitar a própria humanidade, como suar.
A analogia compara deixar a louça acumular na pia com evitar conversas difíceis, pois ambas ficam mais complicadas e difíceis de resolver com o tempo, enquanto resolvê-las logo ('sujo lavô') é mais fácil.
'Sujo lavô' significa resolver problemas ou conversas assim que surgem, em vez de acumulá-los, o que evita que se tornem um 'tsunami' de questões mal resolvidas.
Essas conversas exigem paciência e tempo, como deixar a frigideira de molho com água e detergente, e podem ser apenas o começo de várias outras conversas, não uma solução imediata.
Significa que relações idealizadas, como uma taça no armário, parecem perfeitas, mas as reais, como louça suja na pia, exigem cuidado e esforço, e é preciso aceitar que momentos difíceis fazem parte do relacionamento.
Elas evitam porque essas conversas são chatas, estragam o clima e cortam a 'vibe', mas, assim como a louça suja, os problemas não desaparecem e só pioram com o tempo.
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