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25. Relativismo cultural

from Antropocast: navegando pela Antropologia

65m 49s

25. Relativismo cultural

O episódio do Antropoquesti explora a complexidade do relativismo cultural, utilizando a prática da mutilação genital feminina como exemplo crítico. Embora o relativismo tenha sido uma resposta ao etnocentrismo e ao determinismo biológico na antropologia, sua aplicação sem limites pode justificar práticas violentas e injustas. A narrativa da modelo somaliera Ores de Irinaceu, que enfrentou circuncisão forçada, violência e opressão, evidencia o sofrimento humano por trás dessa prática e mostra como uma voz ativa pode transformar a luta por direitos. O episódio destaca que, apesar da diversidade das culturas, existem valores universais — como a dignidade humana e a saúde — que devem ser considerados em debates sobre direitos e ética. A crítica ao relativismo cultural não é contra a diversidade, mas contra a ausência de um julgamento ético que respeite a condição humana comum. O debate sobre o que é universal e o que é particular na condição humana é central, especialmente no campo do direito internacional, onde o que é considerado "culturalmente aceito" não deve anular princípios universais de proteção. O episódio também alerta para a influência colonial e racional na forma como culturas africanas são vistas, destacando a necessidade de uma reflexão crítica e empática. Conclui-se que o relativismo, quando usado de forma consciente e crítica, pode ser uma ferramenta para compreensão, mas não para justificar abusos. A verdadeira missão da antropologia é promover o debate, a empatia e a defesa de direitos humanos em qualquer contexto.

Transcription

10920 Words, 66177 Characters

Portuguese
Olá, viajantes! Bem-vindos ao Antropoquesti, um podcast que vai te levar a se ingrar os mares da antropologia. Eu sou Fred Lúcio e vou acompanhá-los por essa maravilhosa viagem pela ciência do ser humano. Em nosso percurso, vamos parar em pequenas ilhas do conhecimento, sempre encorados por uma pergunta que orientará a nossa inspiração. Prontos para embarcar comigo? Então vamos nessa, pessoal. Estamos aportando em mais uma parada relativismo cultural. Ausra, a gente hoje vai me expresso de um dia para o som da vida. Eu amo minha mãe. Eu amo minha família. Eu amo a África. A mais três mil anos, a família credita verdadeiramente, que a filha que não é ser considerada, não é limpa. Porque o que existe entre nossas pernas em pura, por isso deve ser retirado e selado, como prova de vigidade e virtude. Na noite de Nupsis, marido pelo malana ou uma fata e a corta, prontos de forçar a nuiva. Uma menina não ser considerada, não pode se casar. Consequentemente, ela esposa da sua odeia e relegada ao mesmo nível de uma prostituta. Essa prática continua embora não esteja escritando a ocura. É sabido que como resultado dessa mutilação, as mulheres fiquem doentes, metal e fisicamente para o resto das suas vidas, as mesmas mulheres que são a espinha dorsal da África. Eu sobrevivei nas minhas duas irmãs não. Sofia sangrou até a morte após ser mutilada. E a menina morreu no quarto com bebê em seu vento. Como a esforço seria o nosso continente, se esse ritual sem sentido fosse abolido? Existe um proverbero no meu país. O último caminho da fila manda tão rápido com a do primeiro. O que quer que aconteça, ao menor de nós? Tenho feito sobre todos nós. Quando eu era criança e eu dizia, não quero ser mulher, porque quando é tão doloroso e tão feliz? Mas agora que cresci, tenho um orgulho de ser quem sou. Nas para o bem de todos nós, nós todos tentamos dar o que significa ser mulher. Olá pessoal, bem-vindos a mais uma etapa da nossa grande aventura pela fascinante ciência que é a antropologia. Eu quero começar esse episódio de 2024 desejando um feliz ano a toda gente que nos escuta. Que seja um ano de muitas realizações, de muita felicidade, de muita paz, de muita tranquilidade. E também de muita força e sabedoria para enfrentar os desafios que certamente virão pela frente. E quero aproveitar também esse momento inicial, aqui no episódio, para reiterar meus agradecimentos, pelo carinho e pela receptividade que o antropoquest tem encontrado. Nós ficamos muito felizes por ter estado no Spotify durante várias semanas entre os podcasts de ciência mais escutados no segundo semestre de 2023. E isso, a despeito, do fato de nós ficarmos sem ter lançado o episódio durante mais de um ano, hein. E por isso também eu já aproveito para reforçar o pedido que eu sempre faço, para você seguir um outro podcast em suas plataformas de áudio. Mas que a gente lá, pessoal, das estrelinhas que você acha que outro podcast merece. Esse gesto aparentemente simples de marcar o programa que você gosta, ele pode representar pouco para vocês, mas é muito importante para estimular a continuação da nossa proposta. E também claro, siga lá o antropoquest no Instagram, a roba antropoquest, onde, vez ao outro, a gente vai colocar algumas novidades com relação aos temas dos episódios. Valeu, pessoal. Muito obrigado mesmo. Vamos começar, então, o nosso tema de hoje? Bom, como eu venho indicando nos últimos episódios, nós vamos explorar aqui, nessa parada, alguns aspectos do relativismo cultural. Eu acho que, sem dúvida, a gente poderia calcordar com o historiador David Hollinger, quando ele diz que, a talvez, o relativismo cultural, um dos conceitos mais populares da antropologia. E claro, isso fica ainda muito mais patente, pessoal. Quando a gente se debrusa sobre o intenso debate, a respeito dos direitos humanos. Particularmente, quando a gente tem que lidar com fatos, como a circuncisão feminina, e a narrativa que vocês ouviram nisso do episódio é exatamente sobre isso. A área de debate, a respeito dessa prática, não envolve apenas a questão de direitos humanos, mas envolve também a questão da saúde. E aí tem todo um debate sobre o relativismo, também, com relação a questão da saúde. Esse texto, que vocês ouviram aqui do blado, na voz da minha querida amiga, vi uma dos santos, é a cena final de um filme bastante impactante, chamado "A Floor do Deserto", de vez em quando eu exibo para os meus estudantes. Aliás, olha, pessoal, eu já quero aproveitar aqui para agradecer a gelinosidade da vi uma querida amiga dos tempos de faculdade de Belo Horizonte, que, generosamente, cede o seu tempo e sua voz para essa gravação. Valeu, viu uma, ficou muito lindo, muito emocionante. Aliás, pessoal, ficou tão emocionante que ela me mandou uns áudios sobre a sensação que ela teve a gravar esse depoimento, que eu acabei fazendo umas artes de divulgação, e eu coloquei na página do Antropoqueste no Instagram, dá uma olhada lá, ficou muito bacana. Valeu, viu uma, mais uma vez, muito obrigado mesmo. Esse áudio mostra o discurso feito por uma das maiores top modelos do mundo, na segunda metade dos anos 90, a Somali Oores Deery, eu não sei se vocês já ouviram falar sobre ela, isso aconteceu numa Assembleia da ONU, aproximadamente em 1998. Eu resolvi trazer essa narração, esse texto, como, de vez em quando eu faço em alguns episódios, como um elemento provocador da reflexão que a gente vai fazer. Então, pessoal, antes de falar sobre a própria circuncisa onde ele está o feminino, sobre a Oores Deery, e também sobre as razões que fizeram tomar esse episódio como exemplo para nossa conversa aqui, deixa eu pontuar alguns aspectos que acentuam a relevância de uma boa reflexão sobre o problema do relativismo cultural. O que a gente observa, pelo menos eu observo em algumas situações, sobretudo situações introduutórias, é que as pessoas quando falam do relativismo cultural, muitas vezes se limitam, apenas a dar uma definição do termo, como o Contraponto à Ointes no Centrismo, onde a gente já viu isso no episódio anterior, mas eu gostaria de problematizar porque, de fato, definir que o relativismo cultural, como a gente vai ver, nem é tão complicado assim, o problema que quando a gente cai na vida real, no cenário concreto, das relações internacionais, do direito, de uma série de avaliações que a gente precisa fazer, de ordem moral, de ordem jurídica, de ordem, enfim, do confronto, entre culturas locais, cultura global, todas essas discussões que a gente vê ultimamente, o relativismo cultural apresenta a uma série de problemas muito sérios, e que precisam ser, pelo menos aqui não é um espaço para o profundamento, mas pelo menos ser apultados para que vocês possam ter uma ideia da complexidade do assunto. Afinal, como a gente se dizia, já há vários episódios, o conceito é um elemento importante, mas a realidade, a qual isso refere, é muito mais complexa, tu que muitas vezes o conceito da conta, então essa crítica, essa reflexão crítica precisa ser feita, e aí você já deve estar percebendo onde eu quero chegar, né? Como é que a gente pode ser relativista, ou adotar uma postura de relativismo cultural diante do fato da mutilação de ele estar o feminino, por exemplo? Mas ainda, se eu não vou dar uma postura relativista, se eu tiver que julgar, que ficar de elaborar uma crítica, qual vai ser o parâmetro que eu vou utilizar para poder fazer essa reflexão e essa crítica? são questões importantes que o relativo cultural traz para a gente. E o debate contemporâneo é seca da questão da mutilação genital feminina, é um dos muitos exemplos que a gente tem para pautar essa reflexão. Para dar uma orientada na nossa reflexão, eu vou trazer agora uma definição preliminada de relativo cultural com algumas reflexões de produtores. E logo na sequência, eu vou falar do caso da Waris Deary para vocês poderem entender melhor por que que eu escolhi esse caso como o fio condutor da nossa reflexão. E aí, a gente finaliza o episódio com algumas reflexões críticas que vários atropólogos e filósofos fizeram ao longo dos últimos 40, 50, 60 anos. E aqui nesse momento, é muito importante a gente ter claro que o referencial que eu vou adotar vai ser o da antropologia. Isso porque o assunto do relativo é tão complexo e tão cheio de nuances que, dependendo do campo de conhecimento e que está inserido o texto que você vai pegar para ler ou o autor que você está considerando tomar como referência, vão ser ressaltados alguns aspectos em detrimento de outros. Como é possível constatar em vários manuais de introdução à antropologia e até mesmo em outros textos mais especializados, o relativismo cultural foi uma das grandes contribuições que a antropologia trouxe para o pensamento contemporâneo. Isso aconteceu ao pessoal lá em deduceu nascidouro no século XIX. Ele foi, na verdade, um dos principais resultados das reações tanto teóricas, contributadorológicas, as taises do evolucionismo cultural, particularmente duas dessas tais importantes. O etiocentrismo, na sua forma de euroocentrismo, colocar a Europa, os valores da Europa no centro, e também o determinismo biológico ou determinismo racial. E essa reação foi liderada especificamente para a escola teórica iniciada pelo grande antropólogo Frans Bolas nos Estados Unidos. Escola que ficou conhecida como culturalismo norte-americano. Sobre ela, eu já falei muito lá atrás nos episódios iniciales do antropoceste. A gente não viu ainda sobre as correntes teóricas da antropologia, e eu estou planejando uma série de episódios sobre elas quando nós entramos efetivamente no debate, nas reflexões sobre a cultura, o fenômeno da cultura. Então eu vou adiantar aqui um ponto que vai ser muito importante para nossa reflexão aqui. Um dos eixos centrais do culturalismo norte-americano foi justamente a quebra do determinismo biológico quando se fala sobre o comportamento humano e sobre a formação das culturas. Como a gente vai ver no episódio sobre evolucionismo, uma das ascentrais deles dessa corrente teórica na verdade, a ideia de que o tipo de cultura que é produzido por um povo depende do tipo de raça que é formado esse povo. São conceitos bastante polêmicos, problemáticos, fundamenta o racismo científico, fundamentas práticas racistas, que embora já tem um caducado há muitos anos, há muitas décadas da verdade, eles ainda continuam muito efetivamente em várias mentes, em vários protocólogos, inclusive, de definição de políticas públicas. Mundo a fora, né? Bom, eu falei bastante sobre essa questão do determinismo, no episódio anterior, quando eu falava sobre o tinocentrismo. Então eu recomendo quem não ouviu, valar ouvi, porque já dá uma boa introdução. E eu vou desenvolver como edicina nos episódios sobre cultura. Agora, pessoal, o fato do culturalismo ter representado esse avanço, frente às teseis do evolucionismo, não foi suficiente para impedir as muitas críticas que algumas de suas posturas tiveram. E aqui, eu estou falando especificamente da tese do relativismo cultural. Então, antes da gente avançar a nossa reflexão, eu quero começar com uma definição clássica, e esse definição eu vou tirar de uma obra que é de referência. A definição que eu vou iniciar a minha reflexão foi tomada, talvez de um dos mais clássicos textos publicados por um dos alunos do Fras Boas. Vamos lembrar que o Boas é considerado o grande pai, o grande herói fundador da antropologia propriamente científica, não somente nos Estados Unidos, mas a ciência de antropologia como um todo. E esse aluno dele que escreveu esse texto que eu estou usando é o Melville Hercovitz. Ele publicou um volume bastante denso sobre a questão do relativismo para sustentar a postura relativista. Livro Aliás, que recebeu uma crítica altamente elogiosa de ninguém menos do que Macaricme, outro nome gigante da teoria antropológica e também a luna de cipula do Fras Boas. Então vamos lá, num determinado momento do texto, o Hercovitz afirma o seguinte, eu vou ler para vocês, abre aspas. O princípio do relativismo cultural resumidamente declarado é o seguinte. Jogamentos são baseados na experiência e a experiência é interpretada por cada indivíduo em termos da sua formação cultural. Aqueles que sustentam a existência de valores fixos, valores universais, encontrarão farto material em outras sociedades que indicam a necessidade de que seus pressupostos sejam revistas. Existiriam padrões morais absolutos, universais? Ou padrões morais são eficazes apenas à medida em que estão em adequação com as orientações de determinado povo e um determinado momento da sua história. Mas até podemos abordar o problema da natureza última da própria realidade, a realidade em si. Mas não seria a realidade, ela mesma, definida e redefinida pelo simbolismo sempre variados da sinúmeras línguas humanas fechar aspas. Ora, a gente, esse é um livro que vai solicitar muitos e muitos debates dentro e fora da antropologia. O que as pesquisas conduzidas por bolas e os seus descendentes intelectuais, vamos chamar assim, o que essas pesquisas demonstraram é que em lhe gerais, em lhe as minhas gerais de forma bem resumida, é a cultura, os valores, os preceitos morais e éticos, os valores religiosos, valores relacionados ao código de conduta do direito, por exemplo. E não a biologia que explica a grande variação do comportamento humano. Se por um lado, nós temos sim o aparato biológico que nos impõe certas regras, que nos impõem regras naturais, as seres seguidas, o nosso corpo está sujeito a essas regras, por outro lado, a nossa capacidade de elaboração simbólica, ela vai ser superior a essas regras e ela vai reorientá-las, vai redirecioná-las e vai nos indicar como a G. Na verdade é só, é óbvio que eu posso até optar por seguir essa terminação estraturisa, isso é óbvio, mas o que eu estou dizendo e que essas teorias como relativizas cultural e culturales norte-americanos vão demonstrar cabalmente, é que nós temos sim com a capacidade racional, com a capacidade de elaboração simbólica, esse poder de decisão consciente de seguiram nossas aegras, ou melhor dizemos, seguiram nossas imposições naturais. Basta falar sobre as construções de gênero, que é o grande debate e a grande questão que é discutida hoje no mundo, por exemplo, uma delas. Então, o nosso comportamento, embora eles estejam evidentemente influenciados sobre essas aegras biológicas, mas, no limite, o que vai orientar é justamente o nosso código de conduto que nós aprendemos na sociedade. São as nossas decisões conscientes, se nós vamos seguir o código de conduto da nossa cultura, da nossa sociedade, ou as regras naturais, das regras da biologia. Nós vamos discutir isso lá na frente sobre cultura, tá gente? Isso não é um ponto aqui. A partir dessa ideia, vem o outro ponto muito importante que foi desenvolvido por essa linha que é a reação em evolucionismo, culturalismo norte-americano. Segundo essa perspectiva, até mesmo para combater os efeitos etnocentricos do evolucionismo cultural, essa diversidade de comportamento, essa variedade de comportamento humano e consequentemente de culturas, tal como a gente se observa em todo mundo, deveria esperar um respeito à tolerância ao invés de julgamento, os precipitados, geralmente baseados em critérios do modo Eurocentrado de percepção em divisão do mundo, ou seja, a centrada nuclear europeu. O problema, segundo vários críticos desta postura, que é um legado fortíssimo do culturalismo, é que esses antropólogos que tentaram fixar, eles tentaram elaborar um conceito de relativismo, sem um devido ao profundamento nas implicações, sobre questões de cara temoral, questões ligadas às atividades humanos, sobre multiculturalismo, e até mesmo questões postas trazidas sobre a posmodilidade, ou apenas a própria posmodilidade, nasciências humanas de uma maneira geral. E, como eu já falei algumas vezes, e a gente vai ver, inclusive em outros episódios, como mencionando posta colonialismo e vai vir no decolonialidade também, isso é um problema muito sério no mundo contemporâneo. Na verdade, isso foi feito sem aprofundar muito em um aspecto, e que, a partir da segunda metade do século 20, estabeleceu um grande debate que segue até hoje, que é o seguinte, o dilema sobre aquilo que é universal e o que é particular no ser humano. Isso é um debate como a gente vai ver tanto em epistemológico no campo da filosofia, mas, sobretudo, no campo concreto, da antropologia e das áreas que se baseiam nas pesquisas atropológicas para suas, não só reflexões, mas também para suas ações, e eu estou pensando aqui do direito, por exemplo. E, mais ainda, a gente, essa defesa desifriada do relativismo, essa defesa sem limites do relativismo, que, aparentemente, como eu disse lá, no começo do episódio, pode parecer uma coisa bacana, uma coisa legal, vamos ser todos relativistas, essa defesa desinfriada passou a ser usada e, segundo muitos críticos e muitos autores, passou a ser abusada na defesa de culturas locais, que, por exemplo, sanciona o prática com uma mutilação de unital feminina, ou o abuso e sujeição das mulheres, o infanticídio, a escravidão e, no limite, a rejeição de um ideal de uma humanidade comum, de uma universalidade da condição humana. Se está percebendo aí nessa minha colocação, esse debate sobre o que é particular, o que é específico, o que é global, o que é universal na condição humana. Esse debate na filosofia, gente, ele é bastante antigo, mas na antropologia, embora ele tinha começado lá pelos anos 40, 50, ele teve o seu auge, a partir das décadas de 1980 e 1990. E vocês podem imaginar por quê? É óbvio que vocês podem imaginar que tudo isso tem a ver com o acirramento dos processos de globalização e com a intensificação do choque cultural, entre aquilo que é considerado global, que deveria potente ser pautado por valores universais, e aquilo que é local. Embora isso tenha afetado muitas áreas de conhecimento e da prática, como no caso da saúde, o caso da medicina. A gente teve aí, recentemente, as polêmicas com relação à vacina, as aceitações locais ou não da vacinação, com as várias construções de narrativas imaginárias sobre os efeitos da vacina, as relações de trabalho, incluindo aí a questão de escravidão, como diz a Rora Pouco, mas foi no campo do direito, que esse debate encontrou uma arena muito fervorosa. E tudo isso não é um cenário, é apenas de um debate teórico, de um debate epistemológico, de um debate filosófico. São decisões que precisam ser tomadas, por exemplo, com relação à direitos, direitos que têm princípios universais, como direitos humanos, mas também direitos das pessoas, como lidar com isso na prática. E claro, isso tudo tem a ver com a narração que vocês ouviram na introdução esse episódio, a narração da ores de ouro e com relação à mutiração de irritar o feminino. Então, pessoal, antes de a gente avançar nessa reflexão, eu gostaria de trazer um pouco sobre a história dela, porque como vocês vão ver, ela tem elementos importantes para nossa reflexão aqui, e ao mesmo tempo, eu vou apresentar uma justificativa bem pontual, bem concreta, preote escolhido esse fato da mutilação de irritar o feminino para trazer, entre os vários tantos que eu poderia ter escolhido. Então, eu acho que aqui vale um resuminho, bem superficial da história dela, para vocês entender melhor o foco da argumentação. Depois que quiser mais aprofundamento sobre a história da ores de ouro, eu recomendo consultar o site da Fundação da AZ flower, flor do deserto, recomendo assistir ao filme flor do deserto, de onde eu teria que administrar o inicial do episódio, e também ler a autobiografia dela. Eu acho que é importante falar um pouco da história dela, até para vocês tenham dimensão da importância dela nessa luta contra a mutiração de irritar o feminino. Vamos lá e então falar um pouquinho sobre ela. O Ores de Irinaceu na Somália, lá em 1965, em 1965, de uma família bem tradicional, de Nôma, de Numaldeia, no centro do país, de uma região da Zéptica. Como ela conta num discurso por ocasiante de um prêmio que ela ganhou na Coreia em 2019, pelo seu ativismo da paz, a sua vida de criança foi marcada pela violência. Ela foi estuprada por um prêmio aos quatro anos de idade, aos oito, ela foi subitida a circuncisão forçada, que a gente falou agora há pouco, né? Segundo ela mesma conta em um depoimento, essa prática está orientada por uma certa concepção do universo cultural do seu povo, seguindo ideais de pureza e de vergonha. Ela também comenta um pouco sobre isso no discurso que vocês ouviram no início. E pássaro em vocês, pessoal, tudo isso é feito, sei que a garota receba a estesia. Na autobiografia, ela discreve que teve os olhos vendados, mas teve permissão para vivenciar o procedimento com os outros sentidos, ou seja, ela não foi a estesiada, né? E ela conta, e aí eu vou abrir aspas por um texto dela, para uma narrativa dela sobre isso. Abre aspas. É como se alguém estivesse cortando a carne da sua coxa ou cortando o seu braço. É certo que este é a parte mais sensível do seu corpo, fecha aspas, bastante pesado, né? E ela também conta que chegou um determinado aumento que era desmaiou durante o ritual. Bom, seguindo aí, essa trajetória de sofrimento e de violência, aos 13 anos ela recebe a nutícia que teria que se casar com homem de 60 anos, e ela seria a quarta esposa desse cara. Ela então decide fugir pelo deserto, pela atravessou o deserto durante vários dias até chegar a mogadíssimo, capital da Somália. Era na verdade, estava indo em busca de uma parente, eu não me lembro agora, será a madrinha ou será a voz dela. Chegando lá ela encontra a briga na casa dessa parente, e aí, pessoal, a sorte dela começa a mudar, felizmente. Um dos seus tios, ele era embaixador da Somália no Reino Unido, morava em Londres, e ele tava justamente procurando uma empregada doméstica para levar pra lá. E aí essa parente indica o Oris de Irwin, e ela então se muda com esse tio pra Londres, onde sua história, né, a sua vida, começa a ter uma outra que vira a volta. Bom, num determinado momento, o seu tio tem que regressar a Somália. Era então decidir ficar em Londres, ela não quer voltar. E ela passa a viver uma vida própria, muito simples, muito modesta, típica de qualquer imigrante, sobretudo imigrante africando na capital inglesa, né, morando em quartos de pensão, que era dividir contra as imigrantes, enfim. Aí, às 18 anos, aconteceu algo que, mais uma vez, aí sim, vai dar uma baita a revir a volta na sua vida. Ela tava trabalhando, como o fatineira numa lancheonete, quando ela foi descoberta por um desses olheiros do mundo da mod. E aí, resumindo, pessoal, ela começa uma trajetória nesse mundo. E aí, alguns anos depois, por volta de 1887, ela já tava aproximadamente vídeo dois anos, ela vai ser fotografada por um dos maiores nomes da fotografia de moda, da comunicação, da publicidade de Londres. E nessa campanha, ela vai ser fotografada junto com uma jovem em modelo, que também tava iniciando a sua carreira, chamada Naomi Campo. Eu acho que esse nome dispensa a apresentação de vocês, né. E ela passa a fazer parte de sete de marcas, como a Chanel, como a Leves, Loreal, a Revlon, enfim. Ela começa a se tornar uma celebridade. A partir daí, claro, a carreira de Boris Dírui de Cola, ela se torna uma das maiores top modelos do mundo, uma modelo de sucesso, fotografando para anúncios de todas esses marcas importantes. E aí, dá isso aí dos depois, em 1997, ela já tava morando em Nova Iorque, como a carreira super consolidada. E ela tava dando uma entrevista, para uma revista famosa de modo da Marie Claire, eu acho que muita gente conhece também. E nessa conversa com a reporter, ela acabou revelando o seu drama vivido na infância de adolescência. E todas as dificuldades, tanto físicas, né, quanto psicológicas, que ali enfrentou por conta da mutilação e de todo o sofrimento dela. Nem inclusive, as simulações de orgasmos, imaginei vocês, de uma modelo de projeção bonita, linda, com seus relacionamentos pessoais e a dificuldade que ela deveria ter, nesses relacionamentos por conta exatamente da mutilação que ela sofreu. Isso tudo aparece nessa entrevista, isso tudo ela conta nessa entrevista. Bom, a partir dessa entrevista e desse momento, a história dela é tornada pública. E aí, resumindo, né, a vida dela dá mais uma reviravolta gigante. E aí, então, ela se torna embaixadora da ONU, para causa da erradicação da mutilação genital feminina, como uma mulher que viveu esse processo, como alguém que pertence essas culturas que praticam esses situais, ela então abraça essa causa e é uma luta que ela segue firme em até os dias de hoje. Além de top model, ou como vocês se chamam nesse supermodel, ela também atuou como atriz, fazendo algumas pontas do cinema, por exemplo, em filmes do James Bond. E a Oresiro também se projetou internacionalmente, não apenas como uma carreira consolidada no mundo da moda, mas ela também se projetou com a escritora e uma importante ativista pelos direitos humanos. E ela ganhou muitos prêmios importantes, inclusive. E aí, só para contextualizar o filme, faz parte, então, desse processo de divulgação, de chamar atenção da sociedade para essa causa. Se vocêserem uma rápida pesquisa em sites de busques, especialmente em vídeos, vocês vão encontrar vários vídeos com entrevistas e depoimentos dela falando sobre isso. Eu já adianto para vocês que são todos os depoimentos muito fortes e impactantes. E olha que repercussão bacana que esse trabalho da Oresiro já teve. E acho que essa informação que eu vou passar agora para vocês tem muito a ver com a discussão que eu vou propor sobre relativismo cultural. Ah, não muito tempo, foi lá em 2019, um grupo de cinco estudantes meninas do Kenya, era o chamado de "Their Restorers", que traduzindo livremente as restauradoras. Essas meninas desenvolveram um aplicativo que está ajudando muitas moças e adolescentes a lidar com a mutilação de eleitar o feminino em seus países e comunidades. E esta ação, o desenvolvimento desse aplicativo, colocou esse grupo de meninas na lista de finalistas do Prêmio Sacarove para a liberdade de pensamento. Esse prêmio, pessoal, é uma iniciativa do Parlamento europeu que tem como objetivo homenagear pessoas ou organizações que dedicaram suas vidas e seus propósitos ações em defesa dos direitos humanos e a liberdade de pensamento. E olha que é interessante, lá em 2019, quando elas eram candidatas ao Prêmio, elas eram candidatas junto com personalidades brasileiras, como ninguém menos, que é amarelo e franco, e também o chefe indígena, a reunimento tire. Acho que todos vocês já ouviram falar da reunidade. A amarelo é inquestionável, mas do reuni, acho que é boa parte de vocês já ouviram falar dele. Até porque nos últimos três, quatro anos, ele entrou bastante evidência, não apenas com as questões ambientais, as questões indígenas, mas acho que todo mundo se lembra aqui do discurso de impactante dele na Assembleia da ONU em 2020, justamente o primeiro ano de pandemia e o segundo ano do governo Bolsonaro. Então, e elas foram essas meninas com esse projeto, com esse aplicativo, foram as grandes vencedoras da edição de 2019 do Prêmio Sacarove. Isso foi um passo super importante, na luta contra a mutiração genital feminina, na medida que esse aplicativo concedia poder, a jovens dessas comunidades e a defesa dos direitos das mulheres. Bom, pessoal, isso é o que falar sobre o relativismo cultural, a partir da história da Warren's Deary e da mutiração genital feminina, por algumas ações específicas. Uma delas tem muito a ver com a minha atividade de professor. Sempre que eu trabalho os temas do etnocentrismo e do relativismo cultural, muitos dos meus estudantes trazem o questionamento sobre esta prática. Sim, muitos deles, alguns poucos já ouviram falar dessa prática e sempre perguntam sobre ela. E essas perguntas em sempre o contexto de pensar quais seriam os limites para o relativismo cultural. E mais, gente, aquela velha pergunta para o professor, mas como é que a gente pode avaliar uma prática dessas sem cair no etnocentrismo? Acho que essa é a grande pergunta pergunta que vale o ouro aqui nesse episódio. Há outra razão que me fez escolher esse tema, tem a ver com esse momento. Eu pretendo lançar esse episódio antes do final de janeiro. E no dia 6 de fevereiro, foi escolhido para as dações unidas, como o dia de tolerância zero a esta prática. É um dia dedicado a lembrar as pessoas da importância do combate a esta prática. Então, como esse episódio vai ser lançado até lá, fica aqui o convício. para que as pessoas presten atenção sobre o que será feito no mundo, em termos de comunicação, em termos de ações, com respeito ao propósito dessa data. A outra motivação para a escolher dessa prática cultural, para discutir o relativismo, é que ainda hoje, gente, quase 30 anos após a inclusão da história da Walls Deary, segundo dados do Unicef, o sofrimento da mutinação de lintal feminina e esse o sofrimento é tanto físico, quanto psicológico e os dois têm um peso muito equivalentes, ainda é uma realidade para ser catipasmo em vocês, 200 milhões de meninas e mulheres que vivem hoje, e infelizmente a sua prática precisa em muitos países. Também segundo o das unicef, embora essa prática seja concentrada principalmente em cerca de 30 países da África e do Oriente Médio, ela ocorre também em alguns lugares da Ásia e da América Latina, e também em populações imigrantes que vivem na Europa ocidental, na América do Norte, na Austrália, na Nova Zelândia. Ou seja, é um problema mundial, não é circunscreta alguns países específicos. E o Unicef traz outro dado bastante interessante, a sua malha, que é o país de origem da Walls Deary, tem a maior prevalência de mutilação de lintal feminina do mundo. Noventa e oito por cento das mulheres passaram pelo procedimento cirúrgico, olha o que coisa impressionante, gente. E a Inseguida vem a Guiné, o DiBoot, Mali e Serra Leua. Em números absolutos, também o Unicef é o Egito, que tem a maior incidência de mulheres que foram mutiladas. E, apesar do grande esforço para erradicar essa prática, ela permanece tão predominante nesses países quanto era a 30 anos, também segundo o Unicef. Apesar disso, é importante afatizar como reconhecem muitas mulheres ativistas pelos direitos humanos, como é o caso da Walls Deary, mas existem outras tantas. Elas consideram realmente um avanço que um país, como a Nigéria, por exemplo, onde a tradição persistia de forma muito enraizada, a prática tem afinalmente sido criminalizada em 2018. E, finalmente, como última motivação para a escura desse tema, mas não menos importante por ser a última, é que, segundo a própria Walls Deary e todas as pessoas que atuam nessa frente de combate, esse é uma prática bastante minimizada, necrigenciada e até mesmo ignorada no grande debate acerca dos direitos humanos, sobretudo quando a gente fala do debate conduzido pelo chamado "ocidente". De fato, o que a gente vê é que esse assunto é encarado com uma certa curiosidade, com espântulo, ainda que seja, em certos meiselitizados, ou mesmo como uma pauta do exótico. E, fora isso, a gente não vê um debate figuroso, um debate forte a respeito desse tema. E foi justamente por causa das entrevistas, dos depoimentos e, sobretudo, das ações da Walls Deary para combate a mutilação de letral feminina, que o mundo, finalmente, teve a sua atenção atraída para esse fato, melhor dizendo para a necessidade de combater essa prática. Acho que, certamente, isso que eu estou falando combida bem com um episódio sobre post-colonialismo, e também com que vocês vão ouvir sobre decolonialidade, Alias, eu já acabei de gravar com o professor Marcos, e eu vou lançar o episódio depois desse sobre relativismo cultural. E vocês vão perceber que casa muito o que o Marcos fala com isso que eu estou comentando aqui agora. Porque isso tem tudo a ver com a questão também racial, não tem como não pensar de isso com uma questão racial. Afinal, como a gente testemunha, parece que tudo que envolve a África tem muito menos importância na mídia, na pauta política, no cenário internacional. E eu não quero dar spoiler, mas já estou adiantando aqui, quando a gente fala África, nós estamos falando apenas de um continente. Mas estamos falando de também de um recorte racial, e só faz parte do debate contemporâneo sobre o decolonialidade. Veja pessoal, eu só quero deixar claro que embora eu tenha começado o episódio, eu tenho usado este fato, este fenômeno, esta prática, como um exemplo para a discussão sobre relativismo cultural, e eu não vou fazer aqui um debate, uma discussão sobre esta prática, ok? Até porque esse não é o foco do episódio? Ela foi apenas usada como exemplo, entre tantos outros que eu poderia escolher. Olha, a gente viu no programa Sobritino Centrismo, e também no começo desse episódio, o que definir relativismo cultural não ia tão complicado, a questão é muito mais do que isso. O que eu vou propor aqui é uma reflexão crítica sobre os limites do relativismo, e apontar para algumas ideias do debate contemporâneo à respeito disso, que está acontecendo na antropologia. A gente pensar um pouco aqui, quais as implicações que uma postura relativista, quando se fala de cultura, pode trazer. E são muitas e o pessoal bem complexas, não são poucas e simples não, e não são nada fácil de serem que souvidas. E mais, né, pessoal, a partir da reflexão de vários antropólogos de referência na antropologia contemporânea, a gente está lidando aqui com a espinha do sal, quando, digamos, o eixo central da antropologia, que é justamente pensar a autoridade e pensar a relação com o outro, primeiro não tomando os nossos valores como o eixo de referência, e sem julgar o comportamento e os valores dos outros, mas, ao mesmo tempo, lidando com práticas culturais, com fatos culturais, que nos colocam em situações bastante complicadas. E mais, gente, esse vai ser o eixo teórico, e torno do qual a nossa reflexão vai gerar. Até que ponto nós podemos falar de universais dos seres humanos. Até que ponto valores, como, por exemplo, a declaração universal dos direitos do homem, eu falei sobre isso em episódios anteriores, né? Até que ponto esses valores podem ser, de fato, considerados universais. E mais, se nós pensarmos em termos relativos, quais são as implicações, como é que nós podemos resolver certos julgamentos, certos juízos, certas questões, inclusive, no campo diplomático, no campo das ações internacionais? E como a gente vai ver no final do episódio, isso é muito complicado quando você entra, por exemplo, no direito internacional. Mas, claro, não diz respeito apenas a questão do direito internacional, mas direito concebido no seu sentido mais amplo. Vamos pensar aqui, por exemplo, ou questões que nós tivemos que lidar no Brasil há alguns anos e ainda continuamos lidando, com relação a criminalizar ou não determinadas atitudes de indivíduos que pertence a povos indígenas, porque pertence a culturas diferentes. Eu me lembro agora, só de cabeça, o caso lá nos anos 90, o famoso caso do Paulina Paiacan, que era uma importante liderança indígena da sociedade Caipó, que foi acusado de violência sexual. Tive toda uma un debate na época bastante intenso se ele seria ou não criminalizar, se ele poderia ou não ser criminalizado, a nossa própria legislação aqui no Brasil, existe uma questão sobre como deveríamos, ou deveríamos tratar os crimes cometidos por indivíduos perteceitos a povos indígenas, enfim. A partir desses dois exemplos, eu diria que, sem sobre de dúvida, o direito, o campo do direito, a área do direito é a grande área pragmática, a grande área prática onde essas questões do relativo cultural precisam e são muito debatidas, há uma farta bibliografia e pesquisa sendo feitas nesse campo. Sem dúvida a área do direito, é uma área em que esse jogo, esse confronto entre o etnocentrismo e o relativo cultural esteja colocado em cheque de maneira cabal, talvez um cheque mate. Claro, a gente para até pensar em um episódio para debate essas questões com um especialista indireto indígena, por exemplo, mas a grande questão aqui é usar esses casos, esses exemplos, para estimular a gente a pensar a respeito dessas questões e dos limites do relativo cultural. E é mais ou menos por esse caminho da reflexão crítica, que optei por seguir aqui nesse episódio. Então, eu insisto, não é discutir esses dois exemplos que eu dei, né, da motivação genital feminina, da questão ligada ao direito indígena, isso não é nosso propósito aqui. Mas, a partir desses casos, desses exemplos, como é que nós podemos fazer esse debate. E eu vou focar bem mais aqui, claro, o mencionar a questão indígena passada, né, de passagem, mas eu vou focar bem mais aqui na questão da motivação genital feminina, para as aflexões que vem pela frente. Bom, como vocês podem constatar, com o base no que eu falei até aqui, um dos aspectos mais importantes da crítica ao relativismo cultural, residem exatamente sobre esse ponto, o que é universal e o que é particular nos fenômenos produzidos pelos seres humanos. Aliás, o que é universal e o que é particular na própria condição humana? E, portanto, quando a gente fala do particular, nós estamos falando de uma certa avaliação de certas práticas culturais, aquilo que acontece especificamente em cada sociedade e em cada cultura. Aí, a gente cara quer dizer, lembra, se há valores universais, que tem autoridade pra dizer então, isso tá certo, isso tá errado. E quem é que estabelece as referências para esses supostos valores universais? E aí, pessoal, é óbvio que vocês estão percebendo que na nada fácil a gente resolver essas questões, a gente responder essas questões. Muito embora, concretamente, existem instituições com essa pretensão, né, ao ono, os tribunais internacionais e tantas outras instâncias. Mas, a gente percebe que não é nada fácil de ser resolvido. É, por exemplo, quando eu jogue esse questionamento para os meus estudantes, eu gosto muito de trazer um exemplo do texto dos Calibais, do "Philosofo Michel de Monten". Escrita-me no século XVI, em pleno debate sobre o novo mundo. Eu comentei sobre esse texto no episódio anterior, inclusive coloquei como dica de leitura no Instagram. O Montenho procura fazer uma reflexão sobre a prática do Calibalismo, que tanto horrorizava os cristãos europeus do Tiacomo, né, gente, olha os diferenciais que a gente tá falando. De forma bem resumida e grosseira, o Montenho chamava a atenção pro fato de que o Calibalismo embora deva ser inserido considerado uma prática violenta, ninguém nega isso, né? Tem um caráter violenta na prática, e, dependendo de praticamente de qualquer juízo de valor. Acho que dá até pra gente ser aqui um questionamento, não vou discutir, claro, mas a diferença entre ele ser violento e ser agressivo. Cabe essa articução, mas não vamos fazer aqui. Mas ele tá inserido no universo de sentido religioso, de sentido belly com a final a guerra para o Stupirambai para o Stupirniquim. Tinha um sentido completamente diferente da guerra para os europeus. E até mesmo um sentido de construção identitária dos povos topi da Costa Brasileira, não é toa, que esse mesmo exemplo do Calibalismo da Antropofagia. foi utilizada pelos modernistas séculos depois, justamente nesse sentido de construção identitária. Sobre isso existe um texto belíssimo do professor Florentas Fernandes, dos marcos do pensamento social brasileiro, chamado a função social da guerra entre o Stupilambar. Vale a pena ler pra vocês se entender e direitir um meu argumento aqui. Eu quero agora chamar atenção pra um ponto que o Montanheiro vai trazer no seu argumento e que também vai fazer parte de um dos focos do meu argumento aqui. Uma coisa, pessoal, era nós avaliar a prática, o ritual, ação não se pensar sobre ela, refitir sobre os seus possíveis sentidos e significados. Estimularam o debate sobre a sua possível reelaboração, sua recicrificação e até no limite a sua erradicação. Você está no nível do debate, não está no nível do julgamento da avaliação, e no nível do debate sobre a prática, sobre o ritual e não sobre o povo que a prática. Esse é o ponto que eu quero chamar bastante a atenção de vocês. Claro que pra esse debate, você vai partir dos seus próprios referenciais, mas você estabelece um diálogo com ideias diferentes daquelas que você tem, com valores diferentes daqueles que você tem. A gente pode fazer isso com relação ao antropofadia dos indígenas da costa do Brasil no século 16. A gente pode fazer isso com relação a mutilação de detalhe feminina, como a gente fez agora há pouco. A gente pode fazer isso com relação ao infanticídio em sociedades indígenas, que esse é outro debate que existe no campo do direito também. E, enfim, uma série de práticas culturais bunda fora, que a gente pode pensar a partir desse prisma. Outra coisa totalmente diferente é assumir o lugar de um juiz, de um lugar que se arroga no direito de julgar, de avaliar, de classificar, não somente as práticas, mas o povo que a prática. E aí colocar nos no lugar de bárbaros, de selvagens, de insibilizados, ou como se fazia na Europa do século 17, coisa do diálogo, do demônio. Enfim, toda sorte de classificação depressiva sobre o povo relacionado a essa prática. Entre outros grandes equívocos sobre os quais a gente pode falar daqui a pouco, é que ao fazer isso, nós deixamos de enxergar vários elementos da nossa própria cultura e das nossas próprias práticas que também podem ser deleterios, que também podem ser ruins, que também podem ser avaliados como algo no cibo, como algo negativo. Afinal de contas, como nos faz lembrar o próprio Montene, o que há de nobre e civilizado em queimar pessoas vivas em nome de um Deus, de uma fé. Nesse ponto, nesse aspecto, não seria a sociedade europeia do século 17 tão bárbaro e tão selvagem quanto a que eles aqui era classificava como tal? Esse é um ponto importantíssimo para a gente adotar como guia de reflexão aqui. Eu vou tentar obter seu domontênio. A gente pode dizer que o Montenho é um dos primeiros apostular, de forma mais organizada, mais orgânica, inclusive, sistemática, que usou a menção entre nos centros por natureza, que nós todos julgamos os costumes e a moral de outros comunidades, de outros pontos, pelo menos temos a tendência de fazer isso, né? Com base nos nossos próprios costumes da nossa moral nos nossos valores, que nós consideramos inicialmente aplicáveis. A gente falou bastante sobre isso no episódio anterior, então eu recomendo que quem não ouvi o episódio sobre a tinnocentrismo, vale a pena escutá-los para entender melhor o argumento aqui. Nesse texto, ele postura que os homens são metinocênticos por natureza, e que julga os costumes e a moral de outras comunidades, de outros povos, de outras culturas, com base dos seus próprios costumes e morais, que eles consideram lentemente universamente aplicáveis, a gente viu isso bastante no episódio anterior. Esse ensaio do Montenho, como eu disse, é muito usado nos custos de essência sociais e também sempre que se falam sobre relativismo, né? Porque ele de uma seta forma foi um prenúncio do surgimento na antropologia americana do início do século XX, desse princípio do relativismo cultural, do antietinocentrismo, né? De uma forma mais repusta e mais pragmática. Representando numa abordagem em mais, digamos, descritiva, metodológica e epistemológica, e até mesmo prescritiva, a diversidade humana. Como a gente viu agora pouca essa perspectiva tá dentro do culturalismo norte-americano, e essa teoria se tornou uma espécie de vanguarda do desenvolvimento da antropologia moderna. Retomando um argumento que eu coloquei lá no início do episódio, contra o determinismo biológico e racial, que era típico da época, como eu disse, típico do evolucionismo, né? Cultural, eles sustentavam que as culturas se desenvolvem de acordo com circunstessas particulares da história, com escolas específicas, e o curso específico das suas próprias histórias. E não numa progressão linear, universal, e que todos deveriam passar pelos estágios estipulados pelo pela teoria evolucionista do primitivo, pro selvagem, depois percebilizado. Isso foi estabelecido por um grande antropólogo evolucionista da época, chamado Lewis Morgan. Aliás, essa é uma ideia que, infelizmente, mais de 150 anos depois que ela foi totalmente deconstruída, ela continua muito presente na cabeça de muita gente, no mundo contemporâneo, na atualidade. E também, além disso, é a cultura, como a gente fala agora pouco, que mais afeta a vida social e o comportamento humano, e não a raça, ou as características naturais, que são tratadas pela ciência chamada Biologia. A cultura molda a maneira como os membros de uma determinada sociedade, de um determinado grupo cultural, pensa, age, vai perceber as coisas, e avalia as coisas, julgas coisas. E como a gente viu também lá no começo do episódio, para essa teoria culturalista, as culturas são resultados de processo de histórico específicos, portanto, esse é o ponto central, que fundamenta a existência da diversidade cultural humana. Essa nova teorização do conceito de cultura, vamos lembrar a século 19, isso era uma bata de manovidade, levou a esta modagem multifacetada para a estudar diversidade humana, que foi chamada de relativismo cultural. Então, o fenômeno da cultura, a realização, a concretização da cultura, passa a ser pensada não mais em termos da quilo que seria universal no ser humano, mas a batida daquilo que, especificamente, cada sociedade constrói, ela bora, realiza. Então, em suma, a gente poderia dizer que esta contribuição do culturalismo norte-americano, que é a definição básica de relativismo cultural. No entanto, o pessoal relativismo cultural é um termo abrangente, que se refere a diferentes atitudes. Embora, ele vá se basear numa noção fundante de coerência interna. O que eu queria dizer com isso? Como a gente viu lá no episódio de senocentrismo, cada cultura funciona a sua maneira. Então, desse modo, a gente, as crianças e as práticas que parece estranhas, vistas de fora, fazem total sentido, quando contextualizadas no seu quadro cultural específico. Então, fazendo uma abordagem à partir da literatura da antropologia, a gente vai encontrar algumas maneiras diferentes de considerar o relativismo. Tem o chamado o relativismo descritivo, que sustenta que as culturas diferem, substancialmente, de um lugar para o outro. Cabe nesse chamado o relativismo descritivo, exatamente isso. Você vai defender que os traços culturais de uma cultura se desenvolve especificamente naquele contexto, que são diferentes de outros traços de outra sociedade, que tem um desenvolvimento histórico totalmente diferente. Mas,icamente, a forma de relativismo sobre a qual nós temos falado até agora. Uma outra forma de pensar o relativismo, isso tá muito dentro da epistemologia e da filosofia da ciência, é o chamado relativismo metodológico, que vai sustentar no caso da antropologia, que o etnógrafo, aquele antropólogo que vai para campo, deve por de lado as suas próprias normas culturais para compreender outras culturas e explicar a sua visão de mundo a partir do referencial daquelas culturas, e não a partir do seu próprio referencial. Vem sendo com isso o etnocentrismo. Aliás, eu consumo de desençá-la aqui um dos grandes desafios de nós antropólogos, quando nós estamos em campo, é justamente o vencero nosso etnocentrismo. Uma outra forma de pensar o relativismo, que é o chamado o relativismo epistemológico, esse é bem mais radical, é bem mais complexo. Ele vai sustentar o seguinte, uma vez que a nossa cultura vai interbendiar tantas nossas percepções, quanto as nossas análises e as nossas avaliações, os nossos juízos, no limite fica muitas vezes impossível compreender plenamente uma outra cultura de forma não mediada, ou seja, fica impossível abrir mal totalmente do meu, da minha perspectiva cultural dos meus referenciais culturais. Uma outra maneira de considerar o relativismo, que é o chamado o relativismo prescriptivo, ou moral, veja que não vai confundir com o discritivo que eu falei agora pouco, né? Esse é um relativismo que está muito dentro da teoria do direito, das análises feitas, sobretudo quando você está lidando com contextos multiculturais, quando você está trabalhando no campo do direito. Ele vai sustentar aqui, porque todos nós somos formados numa determinada cultura, não existe aquele ponto que alguns chamam de pontuar que mediano, de arque medes, aquela ideia de que me dá um ponto de apoio que eu vou mover o globo. Assim como na história de arque medes, que o ponto que ele quer mover o globo fica fora do mundo, esse chamado ponto arque mediano também, seriam essas referências de valor que ficariam fora, ficariam super a sociedade, super a mundo. Como você existe um ponto a partir do qual, nós pudessemos avaliar objetivamente, fazer uma avaliação objetiva de determinados fenômenos culturais, e portanto nós não devemos julgar outras culturas utilizando nossas próprias normas culturais, ou seja, o que se entende por uma avaliação objetiva é uma avaliação do fato, sem consideração do contexto em que ele está acontecendo, como se tivesse uma possibilidade de fazer essa avaliação a partir de critérios universais. Esse é o problema no campo do direito, sobretudo quando nós falamos de direito internacional, as cortes, internacionais e justiça, e por aí vai. E mais recentemente, aquilo que nós falamos sobre relativismo cultural, virão terão bastante complicado e que tem uma reação muito grande no campo, não só intelectual, mas no campo também acadêmico, científico e no campo prático, porque de uma certa maneira ele vem sendo definido, de forma pejorativa, de como maneira mais forte do relativismo moral, ou seja, nós no limite não podemos fazer qualquer tipo de julgamento moral, que seja relativa à prática as culturais que não sejam as nossas. Ou seja, essa ideia joga por terra toda a possibilidade de nós elaborarmos uma avaliação sobre a mutilação genital feminina, por exemplo. E é interessante, pessoal, porque lá no começo, o século 20, na virada 19 para o século 20, o relativismo cultural, por ser até uma reação ao evolucionismo, era uma teoria antropológica bastante progressista, bastante avançada e também uma prática metodológica que buscava valorizar as comunidades que eram machinalizadas, que estava a magia do sistema no mundo colonial, no mundo imperialista completamente desigual. Agora, por outro lado, o relativismo cultural acaba caindo nesse campo da crítica muito violenta, muito forte, fazer muitas vezes precisamente o posto, permitir que sociedades que sejam repressivas, sociedades que sejam autoritárias e que contivem a desigualdade, se escondam atrás desse manto da diferença cultural, da autoridade, da cultura, da legitimidade, da cultura. Se não faz exatamente isso, vamos concordar que abre de maneira muito forte e caminho para essa possibilidade. Como eu disse no começo do episódio, este é um problema que alguns antropólogos vão debatei agora nessa virada do século XXXI. É claro que é um debate intelectual, sim, é um debate científico, sim, é um debate conceitual, sim, porém, o pânio de fundo e as questões que esse debate tenta resolver é justamente essa, como tomar decisões e envolvendo valores culturais, valores e muitas vezes religiosos, específicos de cada cultura. Então, vocês estão vendo por esses exemplos que eu estou dando, que falar sobre o relativismo cultural, vai muito além daquela postura aparentemente simplória e tranquila, de que é preciso aceitar as práticas culturais, porque elas estão inseridas os seus próprios contextos, todas as culturas são equivalentes nesses termos. A coisa não é tão simples assim. Na verdade, como eu fiz questão de enfatizar o episódio inteiro, esse é um tema que isso cita muito mais questionamentos, debates, discussões do quê, conclusões, cabais ou verdades, incontestáveis. A gente percebe que muitas vezes pessoas buscam respostas relativamente simples para perguntas que são altamente complexas, mas nem tudo tem essa resposta simples. De qualquer maneira, apesar de tudo isso que eu falei agora, até para começar a finalizar o episódio, eu vou tentar apresentar para vocês aqui alguns caminhos para algumas reflexões. Claro que são reflexões pessoal inicialmente colocadas justamente para serem pensadas, mas sobretudo, orientadas por alguns expuentes do debate contemporâneo na antropologia. Quer deixar claro mais uma vez, eu só vou apontável, não vou desenvolver porque a gente esse assunto dá um curso de um semestre inteiro, imagina que ele queria falar sobre ele em 40-50 minutos. Então, vamos ver se eu consigo fazer essa conclusão apontando isso em aproximadamente cinco minutos. E eu quero enfatizar também que a minha pretenção aqui não é apresentar nenhuma conclusão, muito pior ao contrário, isso é um debate que existe na história da antropologia, é um debate contemporâneo que envolve direito, que envolve medicina, que envolve direito internacional, que envolve uma série de áreas importantes aí da concretização das sociedades humanas contemporâneas, e que não tem menor pretenção aqui de dar uma resposta definitiva, pelo contrário. E eu não quero assumir esse lugar de ser o portavás de nenhuma verdade, grande conclusões, e eu não vou apresentar nenhuma conclusão aqui nesse episódio, muito pelo contrário, que ensoiou para isso, não tem essa pretensão não. A minha pretensão estava aqui, e como eu sempre faço questão de afirmar em vários episódios, foi a diferencia subisídios para incentivar a reflexão sobre os temas trazidos. Estimulando o pensamento crítico e que as pessoas possam ir atrás desses questionamentos das expostas, esses questionamentos, de uma forma mais estruturada. Procurar mais fundamentação nas reflexões, nas análises, e portanto nas respostas, do que trazer aquelas respostas já prontas, que podem, no primeiro momento, satisfazer a sua inquietação. Então, um dos objetivos aqui é, sobretudo, enriquecer a compreensão de quem está ouvindo a gente, de quem está saindo estimulado a isso, sobre os vários debates que são postos na vida cotidiana, em vários contentos, a respeito desse tema. Bom pessoal, eu vou mandar um caminhar pro final dessa reflexão. O relativismo cultural é a gente poderia dizer que a face cultural, a face socialmente empírica, a face das ciências sociais, de um problema posto pelo relativismo no seu sentido mais amplo, que vem da história da filosofia e que é colocado a séculos, praticamente desde o seu surgimento, desde o surgimento da filosofia. E até mesmo por isso, eu queria, para finalizar, lembrar um debate super interessante que aconteceu numa segunda metade dos anos 90, eu só vou lembrar aquilo, vou resgatar, porque isso não vai virar mais 3 a 4 episódios, porque ele é um debate que realmente está em isso, entre e alguns dos expoentes do pensamento antropológico. Entre eles, pessoal, nomes de muito peso, como o do antropólogo e filósofo Ernest Gelner, que tem textos bastante bacana sobre isso, do antropólogo Clifford Goertz, que tem um texto que é referência, que é o chamado antente relativismo, esse texto foi muito discutido dos anos 90, me lembra bem, do sociólogo Ayon Jarve e do filósofo Richard Hort, só para citar alguns dos nomes mais importantes, mas esse debate foi absolutamente distenso e envolveu muita gente. E esses grandes pensadores ao discutir o problema do relativismo cultural, pessoal, eles vão mergulhar de uma forma bem concreta na raísta que ele debate filosófico sobre a condição humana, e um dos seus muitos antagonismos, sobre qual eu falei algumas vezes aqui, o que há de particular e o que há de universal no lado. Afinal de contas, a própria condição humana, no semente, é de um lado a ideia de uma razão universal, e do outro lado, há uma diversidade de formas de pensamento, de crenças, de valores, que são realizados às sociedades humanas, e que a racionalidade universal supostamente se manifestaria. Então, traduzindo de forma mais concreta o que eu disse, de um lado, a gente tem desde o renascimento a ideia de que a condição humana é marcada pela racionalidade, e essa racionalidade era ter universal, ou seja, todos nós, seres humanos, apostuímos, ela é uma condição humana, ela é uma condição do ser humano. Como seria possível, então, pensar essas concretizações particulares na forma de prática esculturar específicas de cada sociedade, ou mesmo, no limite, os comportamentos individuais, e aí a gente entra no campo da psicologia, por exemplo, e nós começamos a pensar nos comportamentos individuais. Então, como diz o galner íons dos seus textos que eu gosto bastante, é um texto que se chama relativismo e universais, por relativismo e universais, esse texto não está traduzido infelizmente por português, pelo menos eu não consegui achar, ele diz o seguinte, se a verdade tem muitas fases, como advoga a doutrina relativista, então nenhuma delas merece confiança ao respeito. Essa aparente anarquia cognitiva, como ele classifica, seria resolvida se nós pudéssemos encontrar esses universais humanos. Ele advoga que a condição humana da racionalidade pode ser encontrada para além das condições concretas em que se constrói e as culturas. É um pouco na linha do próprio pensamento do Clodo Livestrosse. A partir da variação pode se encontrar algo incomum, algo que seria universal, ou o clave seu chamaria de "invariante". Então, só posso cometer a heresia de resumir o pensamento do galner. Ele vai defender que buscar universais do ser humano não significa exatamente buscar um único ser humano, mas seria buscar uma racionalidade acima dos fatos e dos fenômenos sociais. Nesse sentido, o pessoal vai pensar o seguinte, as crianças aparentemente racionais no pensamento dessas sociedades selecionais, sejam elas quais forem, né? E, claro, a gente pode trazer a crença que, fundamenta prática do ritual da circuncidão feminina para manter o nosso exemplo, seria, em primeira instância, interpretáveis como uma tentativa de explicação teórica do mundo. E essas crenças, mesmo particulares, estariam sujeitas aos padrões transculturais de avaliação racional. Se você está percebendo que o galner vai defender um certo particularismo, mas, ao mesmo tempo, esse particularismo revelaria, poderia revelar características que transcederiam essas situações particulares revelando uma universalidade. Eu queria chamar atenção de vocês que o Durkheim já apontava para essa possibilidade, claro que não fomulado nessas termos, né, quando ele estipou alguns princípios na chamada a sociologia do conhecimento, isso está lá no livro, as formas elementárias de vida religiosa. E ainda segundo o galner, um grande problema se coloca, quando se pretende uma certa unificação conceita ao do mundo, através da ciência. Vejam que a ciência tem essa pretensão de dar uma multiplicação que seja universal, que na visão dele é um fenômeno bem moderno, típico da modernidade e culturalmente específico. Aí, já tem um viés também trazido pelo melhor declodinidade, né, pelo pós-colodinialismo. E ele vai continuar ainda dizendo o seguinte, que embora seja acessível a todos, implica claramente que não é apenas a nossa visão. A ciência tem essa pretensão, né, mas a explicação de como as coisas realmente são, a explicação do mundo, a visão correta, ou o estilo cognitivo correto, o estilo de pensamento correto. Nesse sentido, ele vai dizer o nosso mundo, não é um mundo, mas é o mundo. Evidentemente que muitos vão controlar que aumentar essa postura do galner e esse debate vai ser um debate com edicion bastante extenso, exatamente porque ela é meio que deslaçam o certo viaíze de no centro. Afinal, os protocolos da ciência são protocolos que partem do mundo aerocêntrico. Enfim, pessoal, só estou trazendo aqui um exemplo do grande debate trazido por esse momento que vai gerar, inclusive, a flexões como é disse, do pós-colodinialismo e pela própria declodinialidade. E pra finalizar, galera, eu gostaria de trazer uma reflexão que é muito minha, que geralmente eu conduzo com os meus alunos quando eu estou conversando sobre esses assuntos. E foi por causa dessa reflexão que eu quero apresentar agora que eu trouxe o caso da Waris Deary e também das estudantes Kenyana, as restauradoras que eu coloquei um pouco atrás. Independentemente dessa questão filosófica, mais abstrata, mas que é altamente relevante, afinal, uma coisa sobre a coisa que se de falagem tinha aqui na área do direito, que eu falei tanto aqui no episódio, né? Todas as posições defendidas quando há um julgamento, quando há uma decisão a ser tomada, especificamente falando aí numa corte de julgamento, né? Elas precisam estar embasadas em tezes fortes das ciências consagradas, das ciências estabelecidas. oindo aí, a filosofia, a antropologia, não apenas as ciências empíricas, e quanto mais embasadas, teoricamente forem essas tezes, mais forte fica a sua defesa ou a sua, o seu ataque. Daí a importância de toda essa teorização sobre esses problemas. Então, independentemente disso, é preciso compreender que as culturas tem uma dinâmica de mudança e de alteração que seguem, mais ou menos, dois movimentos, um que eu chamo de movimento endógeno, ou seja, são aqueles movimentos acionados pelas próprias diferenças internas das culturas diferenças entre indivíduos, diferenças entre gerações, entre gêneos, entre lugares sociais e políticos, enfim. Toda a sorte de diferença que marcam as culturas, as sociedades, por mais que muitas sociedades pretenda uma certa modilidade, mas a gente sabe que essas diferenças existem. E por outro lado, elas também são marcadas por uma movimentação exógeno. Isso é interessante a gente entender porque não existem culturas isoladas. Todas as culturas estão em contatos com outras culturas. Isso gera um movimento de intercâmbio, de valores de significados, de sigros, de símbolos, de práticas culturais, né? E para isso, o diálogo entre as culturas, entre saberes e entre práticas, é fundamental. Eu estou colocando isso porque, nomentendimento, de um ponto de vista muito prático, foras partes filosóficos que eu coloquei baticamente em todo o episódio, é possível, sim, a gente questionar práticas culturais, a parte desta perspectiva do diálogo. E quanto mais internas ao sistema cultural que está sendo considerado forem essas refrições, ou seja, quanto mais de dentro elas partirem, nomentendimento mais legítima se torna a crítica e eventualmente a mudança. E o que estou colocando aqui, pessoal, não diz respeito apenas as nossas próprias opiniões, como é que nós, como indivíduos, como pessoas, vamos avaliar essas questões todas que a gente apontou logo do episódio. Mas como decisões vão ser tomadas, por exemplo, em tribunais, em órgãos oficiais, seja no contexto nacional ou no contexto internacional, observa enquanto o tempo demorou para que a nigéria, por exemplo, pudesse decretar como crime a mutiração genital feminina, ao mesmo tempo, o quão legítima foi essa decisão? Uma vez que ela foi motivada a partir da própria reivindicação da população nigeriana das mulheres, especificamente falando. Ora, não foi exatamente isso que aconteceu com o caso da Waris Deary, não é isso que ele nos ensina, porque uma coisa, qualquer indivíduo que não pertença a essas culturas, chega a dizer, olha, essa prática é um horror, essa prática precisa mudar, essa prática está errada, isso é um erro. Outra coisa muito diferente é que, por esse processo do intercâmbio cultural, as mulheres, as pessoas que vivem, que são vítimas dessa prática, quando eu começo a aprender outros valores, quando a partir dessa intercâmbio cultural começam a similar, novas formas de pensamento, começem a questioná-la e começem a reenvidecar o lugar de mudança. E aí, pessoal, uma das características importantes do processo de globalização que tem acontecido dos últimos tempos é exatamente esse acirramento dos intercâmbios de síguidos, de símbolos de valores culturais, de conhecimento, de práticas, enfim, de modos de pensário, de modos de checar o mundo. E a gente tem percebido que esta característica da globalização, associada ao processo de decolonialidade, como a gente vai ver no próximo episódio, tem sido responsável para reclosão de uma série de lideranças, de uma série de pessoas, de uma série de vozes importantíssimas, em todas as sociedades, que de alguma forma, a reenvindir com mudanças em suas tradições, inclusive na nossa viu, pessoal, nós não estamos isentos desse processo não. É claro, pessoal, que nesse processo é preciso tomar muito cuidado com posturas autoritárias e a gente não assumir um lugar preteçamente correto, o superior olhando para esse outro como errado e como inferior. Afinal como a gente viu aqui ao longo do episódio, ou isso o relativismo nos ensina, né? O certo e errado frequentemente estão presente em todas as culturas, em todos os povos, em todos os momentos e situações da história. Bom, minha gente, eu acho que chadá para considerar o episódio finalizado. A reflexão não, claro, espero que as provocações aqui tenham algoçado a cabeça de vocês e que a reflexão continuou. Eu mesmo gostaria, inicialmente, a PC ser episódio de várias maneiras, escrevi bastante sobre ele, mas eu acabei e acabava ficando longo demais, eu quisésse colocar todos os detalhes, então que eu resolvi colocar um freio um pouco na minha impetuosidade. Como eu sempre faço, pessoal, eu vou deixar algumas referências que eu citei aqui indicadas da página oficial do Antropoquest. Você encontra o link dessa página no abeio do Instagram @Antropoquest. E aproveita agora para renovar o pedido, marque a gente lá nas plataformas de áudio. Isso é muito importante, gente, siga a gente também no Instagram. E lembre-se, pessoal, dia 6 de fevereiro é o dia internacional de tolerância zero à mutilação de letal feminina. Espero que vocês tenham gostado, um grande abraço e até o próximo episódio. Vamos nos preparar para o nosso próximo destino? Este foi o Antropoquest, um podcast que é uma viagem pela antropologia. Eu sou Fred Lucio, filósofo, antropólogo e professor universitário. Se você curtiu, siga no Facebook e Instagram @Antropoquest. E siga-nos também na sua plataforma de podcast e adiude nos antivogar em suas redes. Muito obrigado, pessoal, e até a próxima parada!

Podcast Summary

Key Points:

  1. O relativismo cultural, embora uma contribuição importante da antropologia, é criticado por permitir que práticas como a mutilação genital feminina sejam justificadas sem reflexão sobre direitos humanos e saúde.
  2. A história da modelo somaliera Ores de Irinaceu mostra como a violência e a opressão são reais em contextos culturais, e como sua luta transformou-a em ativista global.
  3. A prática da mutilação genital feminina afeta milhões de mulheres em África, Oriente Médio, Ásia e nas comunidades imigrantes, sendo um problema global, não local.
  4. O debate sobre o relativismo cultural envolve questões profundas sobre o que é universal e o que é particular na condição humana, especialmente no campo do direito e dos direitos humanos.
  5. O relativismo, quando usado sem limites, pode desnaturalizar práticas violentas ou injustas, desconsiderando a necessidade de normas universais para proteger a dignidade humana.
  6. Práticas culturais devem ser analisadas com diálogo, não com julgamento, respeitando seus significados locais, mas também questionando seu impacto ético e humano.
  7. O etnocentrismo e a visão colonial continuam influenciando debates sobre culturas, especialmente quando se trata de direitos e práticas que afetam mulheres e minorias.
  8. A antropologia deve promover uma crítica reflexiva, evitando o silêncio sobre práticas de opressão e garantindo espaço para a defesa de valores universais.

Summary:

O episódio do Antropoquesti explora a complexidade do relativismo cultural, utilizando a prática da mutilação genital feminina como exemplo crítico. Embora o relativismo tenha sido uma resposta ao etnocentrismo e ao determinismo biológico na antropologia, sua aplicação sem limites pode justificar práticas violentas e injustas. A narrativa da modelo somaliera Ores de Irinaceu, que enfrentou circuncisão forçada, violência e opressão, evidencia o sofrimento humano por trás dessa prática e mostra como uma voz ativa pode transformar a luta por direitos.

O episódio destaca que, apesar da diversidade das culturas, existem valores universais — como a dignidade humana e a saúde — que devem ser considerados em debates sobre direitos e ética. A crítica ao relativismo cultural não é contra a diversidade, mas contra a ausência de um julgamento ético que respeite a condição humana comum. O debate sobre o que é universal e o que é particular na condição humana é central, especialmente no campo do direito internacional, onde o que é considerado "culturalmente aceito" não deve anular princípios universais de proteção.

O episódio também alerta para a influência colonial e racional na forma como culturas africanas são vistas, destacando a necessidade de uma reflexão crítica e empática. Conclui-se que o relativismo, quando usado de forma consciente e crítica, pode ser uma ferramenta para compreensão, mas não para justificar abusos. A verdadeira missão da antropologia é promover o debate, a empatia e a defesa de direitos humanos em qualquer contexto.

FAQs

O relativismo cultural afirma que as culturas devem ser entendidas dentro de seu próprio contexto, sem julgamento a partir de valores externos. É importante porque promove a compreensão da diversidade cultural e combate o etnocentrismo.

Embora algumas culturas a justifiquem como parte de tradições, a prática é amplamente reconhecida como um ato de violência contra as mulheres, com consequências físicas e psicológicas graves, e é considerada um direito humano fundamental.

O relativismo cultural pode ser criticado por permitir que práticas como a mutilação genital feminina sejam justificadas apenas por sua tradição, sem considerar o sofrimento humano, o que desrespeita valores universais de dignidade e saúde.

A Ores Deery é uma modelo e ativista que sobreviveu à mutilação genital feminina na infância e se tornou uma voz poderosa contra essa prática, usando sua experiência para sensibilizar o mundo e promover a erradicação da prática.

O debate mostra que, embora todas as culturas tenham valores próprios, os direitos humanos, como a dignidade e a saúde, são universais e devem ser respeitados, independentemente da tradição cultural.

É importante porque, ao aceitar tudo como válido apenas por ser cultural, podemos ignorar práticas que causam sofrimento, o que exige um equilíbrio entre respeito à diversidade e a defesa de valores humanos universais.

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