Speaker 1Boa noite, STSN Brasil. Este é o W da Vida. Poste de líder vivo não vira líder. E se o líder está impedido, como é o caso de Jair Bolsonaro, o lugar do poste, por razões políticas práticas, é na rua e no país. De longe, ninguém comanda um espectro político tão grande como o de centro-direita no Brasil. Talvez seja factível comandar apenas um grupo que vai se encolhendo na franja da política. O único, aliás, capaz de aceitar os termos de uma carta golpista assinada pelo poste candidato a líder, da qual recuou uma hora depois, devido ao repúdio generalizado, sobretudo a partir de setores conservadores. E falavam da falta de densidade política de Flávio já no início da recente campanha eleitoral. Mesmo assim, surpreende a rapidez. Com a qual as ações de um político que levou 60 milhões de votos vão corroendo o capital eleitoral que juntou. Está se abrindo na mesma velocidade o espaço para outros nomes candidatos a falar por uma ampla maioria de centro-direita. A que venceu as eleições por alguns dos principais estados e principalmente por Congresso. Pois além da espuma toda do noticiário político, o que vem por aí com grande rapidez, para cima da vida de todas as pessoas, é seríssimo. Ficamos sabendo hoje que o peso dos impostos com a nova reforma tributária vai ser muito maior do que as piores estimativas. E já pega de cara mais de 30 milhões de CNPJs. Que o governo continua mantendo a preço alto uma enorme defasagem do diesel. Que Lula ainda não tem nem nome para a fazenda, nem plano para tratar de uma séria questão fiscal. Que já olhamos temerosos para o que o Banco Central vai fazer. E com juros semana que vem. A vida como ela é aqui, é bem distante da Disney. Nessa edição vamos tratar dos impostos que vêm por aí, já mencionei. E da importantíssima eleição em Israel. Antes aos participantes da nossa roda nesse momento, nós estamos remoto com Cristiano Noronha, vice-presidente da consultoria Arco Advice, que é também nossa parceira de conteúdo no site do WWW. Cristiano, obrigado por estar conosco.
Speaker 2Boa noite. Boa noite, William. Prazer estar aqui com vocês.
Speaker 1E assinalamos aqui na nossa nominata a presença do nosso diretor de Brasília, aqui em Rio de São Paulo. Claro, aqui. Bem-vindo, senhor diretor. Daniel Hickman, nos trazendo aqui a graça da presença dele. E muito mais. Thaís Herédia, boa noite. Caio Junqueira também. Flávio Bolsonaro chegou nessa quarta-feira aos Estados Unidos. Já no país de Donald Trump, publicou uma carta golpista, em que contestava sem provas a vitória de Lula no segundo turno, se chamava presidente eleito do Brasil, depois, menos de uma hora depois, devido às reações, recuou e disse que ele é líder do Brasil. A reportagem é de Luciana Amaral.
Speaker 3O mistério sobre o paradeiro de Flávio Bolsonaro foi respondido às 10h31 da manhã desta quarta-feira, pelo horário de Brasília. Foi quando ele desembarcou em Miami, na Flórida, com a esposa Fernanda, e as duas filhas. O jato privativo de luxo que levou Flávio e a família aos Estados Unidos estava no aeroporto de Puerto Iguazú, na Argentina, desde o fim da noite de segunda-feira. Por volta das oito da noite de segunda, a CNN Brasil registrou um comboio saindo do condomínio onde o senador morava em Brasília. No banco de trás, era possível ver a esposa de Flávio com as mãos no rosto. Um novo comboio deixou o condomínio na terça, por volta das 10h da manhã. Segundo o Departamento de Migrações argentino, Flávio e a família entraram no país às 10h50 da noite de terça, pela ponte que liga Foz do Iguaçu a Puerto Iguazú. O jato decolou pouco depois da meia-noite de quarta, rumo a Guayaquil, no Equador, onde fez uma escala de meia hora antes de seguir para Miami. Em nenhum momento, a nave passou pelo Espaço Aéreo brasileiro. O registro de passageiros indica que Flávio embarcou com passaporte italiano. Já os registros migratórios americanos apontam que ele entrou nos Estados Unidos com um passaporte diplomático brasileiro, concedido a ele por ser senador. Em nota, a Polícia Federal disse que os passaportes brasileiros comum e diplomático de Flávio foram cancelados após a ordem de Alexandre de Moraes, presidente do Supremo. A corporação também disse que incluiu o nome do senador em seu sistema interno de alertas e restrições e que intimou Flávio, na manhã de segunda, para entregarem, até 24 horas, os passaportes de outras nacionalidades que tivesse, o que não aconteceu. De acordo com a PF, não existe qualquer registro oficial da saída de Flávio por postos de controle migratório brasileiros. Já nos Estados Unidos, Flávio publicou uma carta de teor golpista em que se autoproclamava o "verdadeiro presidente do Brasil". Cerca de 20 minutos depois, recuou. Na nova versão, passou a se definir como líder do Brasil. A carta de cunho golpista pegou de surpresa parte dos aliados de Flávio. Parlamentares do PL ainda tentam sustentar o discurso de perseguição política, mas, outros aliados de direita já dão sinais de distanciamento e de que não estão dispostos a endossar qualquer discurso golpista.
Speaker 1Cristiano, a pergunta que se faz é o papel e o destino político de Flávio e Bolsonaro neste momento. Qual é a sua avaliação?
Speaker 2Bom, ele é, em primeiro lugar, que ele vai perder esse posto. Não é porque ele se intitula líder que ele vai, efetivamente, liderar a oposição dos Estados Unidos. A gente já está vendo lideranças importantes também aqui no Brasil se manifestando, dizendo que o verdadeiro presidente já foi anunciado pelo TSE, dizendo que o presidente do Brasil é aquele que o TSE declarou eleito. Nesse sentido, a gente viu até o posicionamento, por exemplo, do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, e esse, sim, na minha avaliação, a depender da gestão que faz e dos acordos políticos que ele pode construir daqui pra frente, esse, sim, pode se tornar a verdadeira liderança da direita. O destino do Flávio pode ser também a inelegibilidade, assim como estão Jair Bolsonaro, também Eduardo Bolsonaro. Então, muito provavelmente, isso deve acabar acontecendo pelos inquéritos que estão acontecendo, as investigações, e por esse movimento também que ele fez de deixar o país. Então, é muito provável, e isso acaba também, William, reduzindo o Jair Bolsonaro. É óbvio que ele ainda continua como uma liderança de oposição relevante, mas está se reduzindo também as opções dele dentro do próprio clã familiar. Os aliados mais próximos de Jair Bolsonaro, confiam, por exemplo, em Carlos Bolsonaro, que não é considerado uma opção viável de alternativa à presidência da República. Resta Michele Bolsonaro, que foi eleita senadora e que chegou a ser cogitada também pra concorrer à presidência da República nesse ano. Mas, então, acaba se restringindo bastante. Dado o posto que ocupa, a cautela que está adotando, na minha avaliação, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, surge como a grande opção do campo da direita para as próximas eleições.
Speaker 1Eu vou pegar isso já logo mais, Daniel. Começando por você, agora, aqui na mesa, na bancada aqui em São Paulo. Flávio parece ter mantido uma tradição de pegar de surpresa quando, por exemplo, vieram os áudios do Vorcaro, ninguém sabia. Depois, perguntou-se a ele: "Tem mais coisa?" "Não, não tem." Tinha. Agora. Aparentemente, ele não coordenou com ninguém o que ele fez. Eu não estou falando de ter deixado o país. Estou falando de ter feito essa carta, nos termos que ela foi feita. Que ela contradiz o PL, contradiz as principais alianças do Centrão, contradiz o mundo político brasileiro. Contradiz, inclusive, juristas muito respeitados na, digamos, corrente política da qual vem o Flávio, como Ives Guilherme da Martins. O que deu na cabeça?
Speaker 4E você tem toda a razão. Credibilidade, confiança, reputação na vida partidária é tudo. E não é a primeira vez que Flávio Bolsonaro age traindo as pessoas mais próximas ali do PL. A gente precisa entender o que é o PL. O PL tem um ramo ideológico, forte, pesado, às vezes radical. E tem um PL pragmático, que muita gente chama do PL valdemarista. Esse PL dá todos os sinais de que não quer seguir com o Flávio mais. E outros partidos que endossaram a candidatura do Flávio no segundo turno, União Brasil e António Rueda, Soltou uma nota hoje para condenar a carta Parece demais, mas a gente precisa repetir o óbvio Não existe nenhuma fraude comprovada Flávio participou de uma eleição em que o Senado ganhou a maioria do PL A Câmara tem a maioria do PL Esses senadores e deputados foram eleitos pedindo impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal Ele teve quase 60 milhões de votos Então não dá para contestar a democracia nessa situação A única coisa, o único produto de toda a atitude dele Foi ter perdido a credibilidade dentro do próprio PL
Speaker 1Então, o momento é particularmente grave Porque no meio da crise que está se armando Flávio declarou que ele seria o líder da oposição no Brasil O que ele parece ter conseguido hoje Não é arregimentar, juntar a gente em torno dessa posição de liderança Mas de desarticular o espectro
Speaker 5Exatamente William, bastaram, para ficar no lema bolsonarista ali Depois da eleição de 22 Bastaram 72 horas para o Flávio acordar Presidente virtualmente eleito em domingo E em 72 horas, em três dias Expor essa pequenez política dele e ficar pequeno Ele ficou uma pessoa pequena, um personagem político pequeno Com tudo o que aconteceu de domingo à noite Até hoje, até o horário dessa eleição Essa carta, hoje à tarde E a reação intensa, em termos de opinião pública E principalmente em termos de aliados Colocou, foi ela que deu esse tamanho Para o que aconteceu nas últimas, desde domingo à noite Os termos da carta O brasão de Estados Unidos do Brasil Porque está com o Z Se auto-intitular presidente eleito E as declarações, principalmente do Rogério Marinho Que é, assim, a grande liderança política, né Eleitoral do partido O Ademar é um presidente sem voto Mas o Rogério Marinho não endossou Coordenador da campanha E o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas Que também abraçou a candidatura na reta final Não endossou E soltou uma nota ainda, dizendo Vamos olhar para frente Então foram os próprios movimentos Naturalmente cuidaram de dar ao Flávio O tamanho que ele tinha E o tamanho que ele tem Acabou tendo na noite dessa quarta-feira É isso William,
Speaker 6a história dessa carta Parece quase que uma carta de despedida Do Flávio De qualquer possibilidade de liderança política Primeiro porque ele já foi imposto Pelo próprio Flávio Ele não foi uma escolha Da direita brasileira
Speaker 1Pelo próprio pai, você quis dizer
Speaker 6Feita pelo pai, exato Então, se ele não teve a compreensão disso E teve a compreensão Está na cara de que ele não teve Ele escolheu o pior modelo Para se impor Primeiro para vir direto pelo pai E ele entendeu ao longo Desde que ele foi escolhido pelo pai Em dezembro do ano passado Até a campanha começar Mesmo com as pesquisas mostrando Que ele tinha conquistado Mais intenções de voto e tal Ele não tinha conseguido Convencer a ala da direita A apoiá-lo E daí ele consegue Esse apoio tímido Porque o apoio do primeiro para o segundo turno Foi tímido Ninguém, tirando o Tarcísio Gomes de Freitas Que passou a fazer campanha com ele Ninguém representativo da direita Aderiu Então é um diagnóstico equivocado Um diagnóstico sobre si mesmo Equivocado Sobre o que é a direita brasileira Como é que a direita evoluiu Depois de Jair Bolsonaro Portanto, se o diagnóstico está todo errado A gente nem deve se surpreender Com essa carta Que aparece como uma carta amadora Divulgada de forma amadora O brasão tinha lá Brasil com G Com G e não com S Se comparando com Charles de Gaulle E Rui Barbosa Botou na mesma frase Rui Barbosa, Charles de Gaulle O Guaidó E a Maria Corina Machado Então assim Uma mistura de histórias Uma pessoa que primeiro tem ideias elevadas De si E não tem ideia nenhuma De quem são os personagens da história Ao fazer essa comparação Então ele ficou pequeno Ou ele já era pequeno E essa carta apenas Se revelou o RG Olha o tamanho do meu RG É pequeno A carta revelou isso Confirmou na verdade
Speaker 1Eu acho que na política O humor acaba sendo uma arma De enorme poder De destruição em massa E o ridículo que essa carta provocou Em vastos espectros políticos É quase uma unanimidade Dizer Isso daí merecia na verdade O texto de algum humorista Para tentar definir Agora Cristiano A velocidade da crise sugere que Quem quer que queira De alguma forma Assumir essa condição Não de um porta-voz Mas de uma liderança política Do espectro centro-direito Que tem essa maioria tão sólida No congresso Tem que agir rápido Quem, hein? Você estava indicando o Tarcísio
Speaker 2Pois é, William Veja, a direita Ela já poderia Eventualmente até Fazer alguns movimentos De organização A partir, inclusive, da eleição Primeiro perder O Flávio perdeu essa oportunidade Porque ele poderia ser esse líder agora Talvez uma próxima oportunidade Seria na próxima eleição Aí que a gente vai ter também Que é para as presidências do congresso A oposição, ela saiu Especialmente o PL Saiu tão forte Das urnas lá no Senado Que estava com expectativa De eleger, inclusive, o próximo presidente do Senado Na minha opinião Vai perder essa oportunidade também E isso torna essa missão da oposição De liderar isso no próximo governo Ainda mais difícil É óbvio que isso não necessariamente Facilita a governabilidade Do Lula Mas, por exemplo, o presidente da Câmara Hugo Mota Tem uma grande chance de ser reeleito Deve ser, inclusive, candidato único E Davi Alcolumbre Ainda que tenha uma eleição apertada Com todos esses tropeços Esses erros de movimentações No campo da direita Deve ser eleito também presidente do Senado E aí a oposição vai Se restringir Ao número lá de 28, 32 Senadores que podem Eventualmente criar algum tipo de problema Para o governo ou liderar Algum tipo via criação de CPI E tudo mais Então, efetivamente, o fato é que No âmbito federal A oposição perdeu Essa capacidade O Tarcísio vai ter que se concentrar No governo de São Paulo Fazer uma gestão Eficiente em São Paulo E construir daqui pra frente esse movimento Então não é uma Um movimento absolutamente imediato Esse caminho alternativo Da direita Ele vai ter que ser construído Ao longo dos próximos Anos e vai depender também De como o governo Lula se sai
Speaker 1Deixa eu pegar aqui, Cristiano Os pontos que você está levantando A figura de Alcolumbre virou uma figura central Por conta da fusão das crises Particularmente do STF No qual Alcolumbre é peça-chave Em relação a Alexandre Moraes A oposição tem dois Nomes fortes dentro do Senado O senador Tereza Cristina e o próprio Rogério Marinho Que chances eles têm agora?
Speaker 4Tem bem menos do que se Flávio tivesse sido eleito Aí você vai dizer, mas o que tem a ver? Flávio é executivo e Rogério Marinho e Tereza Estão pleiteando a associação de Alcolumbre Só que por mais que o PL Novo, aquela direita ali Do PP, Republicanos, União Tem até a maioria Uma coisa é você ter o governo O governo já copta ali Cinco, dez senadores que inviabiliza Muito o Marinho e Tereza
Speaker 5A sacada A tentativa do Davi Alcolumbre Para tentar pavimentar uma reeleição Tranquila, presidente do Senado É fazer acenos ao bolsonarismo Com anistia Ao 8 de janeiro E indulto ao Jair Bolsonaro Mas não envolve impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal Davi Alcolumbre é muito próximo do Alexandre de Moraes Então Hoje surgiu muito forte A gente apurou, publicamos inclusive No site da CNN, essa informação da ideia De pacificação que o Davi, pelo menos no discurso, vai tentar Encampar e liderar para atrair Principalmente o PL E a oposição a favor de sua candidatura
Speaker 4E só dar uma informação, William Vai, vai, Davi Alcolumbre vai entregar A relatoria do orçamento de 2027 Que é um cargo importantíssimo para um senador Do PL para tentar rachar o Partido Liberal
Speaker 1Eu estou encerrando esse Segmento, pessoal, gostaria de agradecer A Cristiano Noronha, que é vice-presidente Da consultoria Arco Advice É também nossa parceira de conteúdo no site Do WW, pela participação, obrigado, boa noite Cristiano Boa noite, William, boa noite a todos Nós, colegas, continuamos juntos Vamos para o intervalo, na volta TCU propõe uma alíquota acima Do esperado para a nova contribuição Da reforma tributária, vem imposto aí Até já WWW.COM.BR Pessoal, nós estamos voltando do intervalo conosco agora, grande prazer tê-lo de volta a bordo. Luiz Gustavo Michara, advogado tributarista, se bem que toda vez que você vem a gente fica com medo é que você só vem para falar
Speaker 6porque está dando algum problema nos impostos
Speaker 1calma, a gente já vem então, vamos lá vamos introduzir o assunto primeiro, o Tribunal de Contas da União projetou uma alíquota de 11,3% está vendo? porque eu estou falando que a gente fica com medo para contribuição sobre bens e serviços a tal de CBS a proposta agora vai para o Senado o Senado precisa fixar o valor final desse tributo até o final do ano, confira na reportagem de Elis Barreto
Speaker 7a CBS vai substituir o PIS e a COFINS a partir do ano que vem em decorrência da reforma tributária o novo tributo unifica os antigos e será cobrado sobre o consumo bens e serviços a alíquota de 11,3% é de certo modo uma surpresa estimativas mais recentes apontavam em um percentual por volta de 9% o TCU chegou ao valor encontrando a equivalência do imposto e levando em conta a média de arrecadação de 2024 e 2025 a conta também precisou considerar o valor do imposto seletivo ainda não definido pelo governo com isso a corte usou a previsão de arrecadação do tributo no projeto de lei orçamentária anual no congresso, a frente parlamentar do empreendedorismo disse rejeitar o patamar do imposto, segundo a entidade não há condição de avançar com um percentual significativamente superior ao esperado para a alíquota o relator do processo, o ministro Vital do Rego disse que o percentual é apenas um parâmetro não
Speaker 8se buscou a maior arrecadação possível nem a menor alíquota imaginável mas o percentual que assegura a equivalência exigida pela constituição esse compromisso traduz a diretriz cidadão como foco do nosso plano de gestão
Speaker 7Vital também buscou se esquivar das críticas sobre o patamar do tributo segundo ele o cálculo foi feito levando em conta também a lista de exceções impostas pelo congresso durante a tramitação da reforma tributária nesse caso estão por exemplo a zona franca de Manaus o simples nacional produtos alimentícios da cesta básica e cobranças reduzidas para a saúde e educação agora o senado tem até o dia 15 de dezembro para fixar o valor da taxa podendo alterá-la se considerar necessário antes da proposta da alíquota o governo já previa uma arrecadação de 636 bilhões de reais com a CBS o governo ainda tem muitos aspectos para definir sobre os rumos da reforma tributária o principal deles é justamente o imposto seletivo que segue sem uma definição de alíquota fator que atrasou o início da cobrança do tributo o governo preferiu jogar a decisão para definir a taxa de alíquota depois das eleições o chamado imposto do pecado vai incidir especialmente sobre itens considerados prejudiciais à saúde e ao meio ambiente mas diante do cenário não vai poder ser cobrado já a partir do dia 1º de janeiro resultando em uma perda estimada entre 3 e 4 bilhões de reais
Speaker 1bichara antes que eu me esconda debaixo da mesa nós vamos pagar quanto mais de imposto calma, essa é uma explicação longa não, mas enfim não, como é que é? como a gente fala na gíria jornalística dá o lead para nós
Speaker 9vamos pagar entre 30 e 34 30 e 34? entre 30 e 34 bom, em primeiro lugar, boa noite obrigado, uma alegria estar aqui com vocês novamente o resumo da ópera é o seguinte, William a gente tinha um desenho, uma modelagem informada pelo governo dos dois tributos a CBS e o IBS somados, dando aproximadamente 27, 28% ninguém conseguia dizer com certeza ninguém conseguia, mas era o discurso oficial sempre foi o discurso oficial foi esse, alguma coisa em torno de 26, 27% vocês vão lembrar no ano passado o congresso editou a norma dizendo o teto vai ser 26,5% não vai passar disso, muito que bem nós ficamos o ano inteiro esperando o projeto de lei hoje era o último dia para o TCU informar o cálculo não precisava ter deixado para o último dia então, em primeiro lugar, acho importante a gente destacar isso falando com muita franqueza isso é falta de respeito com o contribuinte e o que eu acho que é muito importante as empresas precisam fazer seus orçamentos precisam projetar suas finanças para o ano que vem e até hoje, ninguém sabe quando vai pagar se o cliente me lê e pergunta qual é a carga tributada do ano que vem eu não sei, nem eu, nem ninguém nós não sabemos então, eu acho importante a gente destacar isso a gente não deve menosprezar essa circunstância que denota um absoluto menoscabo com o contribuinte ninguém tem que preocupar com quem paga a conta agora, para além disso, a gente tem um problema que se observou bem, que é do aumento dessa previsão a CBS que é o tributo que vai valer já no ano que vem estava estimado em 9,2 hoje o TCU informou que vai ser 11,3 faço uma observação a estimativa está errada e por que está errada? porque o TCU mesmo informa que ele se baseia no PILOA no orçamento mas o PILOA conta com a arrecadação de BET que como todo mundo sabe, não existe mais então, só de BET não existe mais tem mais ou menos uns 12 bilhões faltando então, o que eu te digo? o seguinte, não é 11,3, é mais porque o TCU fez uma conta contabilizando uma premissa errada, contabilizando um dinheiro que não existe então vai ser mais de 11,3 só na CBS
Speaker 6William, vai ser muito difícil chegar em uma conta menor do que essa e aqui temos duas consequências, primeiro o imposto sobre o consumo no Brasil que é um imposto sobre o consumo no Brasil que é a característica que nos dá um sistema regressivo do nosso sistema tributário porque a gente tributa mais consumo do que renda e patrimônio somos um país pobre então, isso vai manter o imposto sobre o consumo, mesmo a gente adotando entre aspas o sistema mais moderno 30 anos depois que é o IVA, o imposto sobre o valor agregado corrigindo várias cumulatividades e tal o imposto sobre o consumo não vai deixar de ser regressivo vai manter essa como uma característica importante e o segundo ponto é que havia sempre uma preocupação da manutenção da neutralidade fiscal então, qualquer mudança não poderia alterar a quantidade de impostos previstos para a cobertura da arrecadação daquilo que se tributa sobre o consumo e essa conta não vai fechar porque não tem as bets, não tem mais o imposto de renda para quem ganha até 5 mil reais, tem uma série de outras de outras promessas e propostas do governo fora uma logo no primeiro ano de saída uma atividade econômica que vai ser menor então, não tem como a gente imaginar uma carga tributária menor para um estado
Speaker 4que cresceu William, olha a quantidade de choque de custos e pressões inflacionárias que a gente tem nas próximas semanas e meses tem um IVA muito maior do que o imaginado como o Bichara apontou
Speaker 1explica porque você chegou no IVA 34 deixa o Daniel ver
Speaker 4o IVA maior, aplicação do imposto seletivo ou seja, vai aumentar o preço de bebida açucarada bebida alcoólica minério, petróleo todo o resto você tem 500 milhões de reais de subsídios a gasolina e ao diesel por dia 15 bilhões por mês que a gente não sabe até quando a economia aguenta a partir do dia 16 de dezembro começa a escala 5 por 2 redução da jornada de trabalho e ainda tem um superauninho provocando aumento na gôndola do supermercado é tudo isso, como diz o nosso editor aqui do WW Salute Oss olha a quantidade de problemas que o novo presidente vai herdar de seu antecessor
Speaker 1como é que você chegou a um IVA de 30 a 34? o quanto é o seguinte, William
Speaker 9a previsão da CBS era 9.2, quando ela vem com 11.3, ela vem com 22% a mais na conta então chegamos a 11.3, a previsão do IBS, estou arredondando era 18 18.3 então é o seguinte, se a previsão do IBS permanecer intacta, ela somada com a CBS, vai dar 30 mas, se o IBS progredir na mesma proporção da CBS 20% e nós não temos elementos para acreditar que será diferente 22%, vamos a 34 então hoje tudo indica que a tributação na melhor das hipóteses é 30, na pior 34
Speaker 5não, eu queria tirar uma dúvida como você acha que esse debate vai se dar no Senado? quais forças que devem atuar ali e qual a previsão de talvez alguma alteração no Senado
Speaker 9desse prognóstico? tem uma outra circunstância que o Daniel mencionou que é a seguinte a CBS só pode ser realmente editada a lei só pode ser promulgada quando a gente tiver o imposto seletivo ajustado é o que ninguém sabe e o pior, não tem nem projeto de lei, a PEC foi aprovada há 3 anos até hoje não tem projeto de lei, não tem projeto de lei até hoje não tem projeto de lei do seletivo mas é tão irresponsável que agora o governo avisa que vai mandar uma medida provisória para o Congresso requisito de relevância e urgência qual é a urgência? se há 3 anos a PEC está editada não foi possível o governo teve a capacidade de em 3 anos gerar um projeto de lei e agora nós vamos ter uma medida provisória para discutir a arrecadação do seletivo quando isso estiver ajustado aí sim nós vamos poder fechar o número da CBS isso me permite mas uma observação só eu acho que é muito importante aspecto inflacionário, e acho que ele não deve desprezar isso, porque nessa mudança agora, há um rol de contribuintes que será extremamente prejudicado, que são aqueles que estão submetidos ao lucro presumido hoje, porque esses contribuintes pagam 3,65% de PIS e COFINS, e eles vão para o 1º de janeiro para 11,3%, e aí você inclui todo o setor de prestação de serviço, que é mais ou menos 53% do PIB. Então, esse predador de serviço, com mais de 14 milhões de empresas que estão no presumido, elas, no dia 1º de janeiro, vão parar de pagar 3,65% e vão pagar 11,63%. Você vai dizer, não, mas tem crédito. Sim, mas é ciclo curto, o predador de serviço tem muito pouco crédito, e aí o impacto inflacionário vai ser na veia.
Speaker 6Está isso? Então, William, aí nós vamos para o impacto inflacionário, que é resultado de um choque de custos. O Daniel lembrou aqui, choque de custos que já estão. Os estados estão fazendo conta, porque vão precisar aumentar a alíquota do ICMS sobre os combustíveis. Essa subvenção que o governo está tentando manter, ela é insustentável. A diferença do preço do diesel lá fora com o preço da Petrobras passa de 125%. Isso nunca aconteceu no Brasil. E temos um impacto inflacionário de choque de custos da mudança da jornada de trabalho, da mudança da escala de trabalho. As empresas vão ter que ou contratar mais, ou vão vender menos, vão atender menos. Então, como é que os setores vão se acomodar diante disso? Então, está contratado para o próximo presidente, para usar aqui o trocadilho do nosso Saulo Tiosi, que o Daniel lembrou, está contratado uma série de choques de custos, e o governo tem uma recusa estrutural de entender como funciona. O processo inflacionário no Brasil. Hoje, o governo bota a culpa só nos juros, não consegue aceitar a correlação das decisões que ele tomou, da forma como ele interveio na economia e provocou esse efeito inflacionário.
Speaker 1Então, tem outro aspecto que eu queria abordar com você, Bichara, que é o seguinte. Até aqui, o governo tratou de equilibrar as contas na medida que pôde via receita. Pelo que você sugere, vai arrecadar um montão. Logo, Bichara, o que daí se pode deduzir que o ajuste será menor, porque vai ganhar
Speaker 9muito dinheiro? Acho que sim, William. E, sinceramente, eu acho que o governo sempre soube disso. É que o governo foi muito eficaz na estratégia de comunicação, passando a tese de que a reforma era neutra, que não haveria aumento de carga. Mas isso não está escrito em lugar nenhum. Está escrito que a alíquota de transição é neutra, mas ato contínuo, cada um fixa a alíquota que quiser. Então, o meu palpite. É que o governo já sabia disso. Já sabia que ia arrecadar muito mais, porque para quem acompanha o debate, é uma consequência óbvia. Se tem uma alíquota de 3,65, no ano seguinte vai para 11,3. Com gente que tem muito pouco crédito, é claro que vai aumentar brutalmente. Aí você me permite invadir o campo da economia, dar um palpite? O problema é o seguinte, com esse juro do jeito que está, não tem uma ferramenta para enfrentar a inflação, né? Vai fazer o quê? Não tem como enfrentar a inflação. Vai aumentar mais os juros, né?
Speaker 6Não, não vai aumentar mais os juros. O governo vai continuar imaginando que o melhor ajuste virá ainda por meio da receita, William. Então. É isso que o Michel está confirmando. Exato, exato. É a mesma fórmula do Lula 3. O ajuste fiscal do Lula 3 foi via receita, não foi via.
Speaker 5É, agora, do ponto de vista, pelo cenário que a gente está tratando aqui, ele abre um caminho, infelizmente, né? Do ponto de vista econômico, porque é muito ruim. Mas ele abre, ele dá substância para a oposição, né? E lembrando que o candidato que perdeu e fugiu. Era justamente com esse argumento como eixo da campanha eleitoral. E angariou 60 milhões de votos, tendo exatamente o que a gente está falando aqui, de ampliação de custo de vida, juros altos e impacto inflacionário. E aí, acho que aumenta também a responsabilidade de quem fica, né? A chamada aí, direita tradicional, de tentar pavimentar, de alguma maneira, algum instrumento para evitar um impacto forte no bolso.
Speaker 4Teve um ponto extraordinariamente importante que o Bichara mencionou, que é a imprevisibilidade. Pior do que você pagar uma conta alta, não saber a conta que vai pagar. Então, vida real, vida concreta. Hoje, William, conversando com donos de concessionárias de veículos, revendedores, a ordem é, nesse segmento, não durma com carros seminovos no dia 31 de dezembro na loja. Porque dia 1º de janeiro de 2027, ninguém sabe direito como vai ser a tributação. Olha que loucura que você vai ter na última semana do ano, as pessoas tendo que vender a qualquer preço, para não ficar com a bomba na mão.
Speaker 1Bichara, o que você está dizendo para os clientes?
Speaker 9Acho que a gente tem que acompanhar esse finalzinho, agora, da normatização da reforma, com muita atenção. Porque eu não tenho nenhuma dúvida que, se o governo puder, ele vai garfar o maior fundo possível no bolso dos contribuintes. Agora, uma outra circunstância que nós estamos vivendo agora, é o ajuste das relações contratuais, que também foi uma coisa meio menosprezada no desenho da reforma. Porque, ou com esse tributo não cumulativo, se imagina, por exemplo, a gente tem uma lavanderia. A vida toda, pagou PIS, COFINS e INSS, nunca soube o que era não cumulatividade. Agora, ele tem que apurar a não cumulatividade, entender toda a cadeia de crédito. Quem são os seus fornecedores? Exatamente. Quando eles pagam de tributo, e ele tem que renegociar com o cliente dele o preço. Só que aí é o seguinte, ele vai cobrar a alíquota de 11,3, ou ele vai cobrar 11,3 menos o 3,65 que ele pagava? Essa resposta não está na norma. Isso não é uma questão de: não é uma questão jurídica. É uma questão comercial. E cada um vai se ajustar de um jeito. Ou seja, vai judicializar. É, eu acho que em alguma medida vai ter litígio sobre isso. É que é sempre chato brigar com o cliente, mas algum litígio você vai ter nisso, porque a norma é totalmente silente
Speaker 4a esse respeito. Só um reparo, eu conheço muito dono de lavanderia que não paga nenhum desses impostos.
Speaker 9Sim, mas ela lava outra coisa também.
Speaker 6Sabe o que o Bichara está falando para os clientes dele? O Bichara está falando assim para os clientes dele: "Amigo, você vai ficar comigo muito tempo." Aí ele fica vindo aqui para contar para nós.
Speaker 1Eu sabia que você ia estragar a minha noite. Mas de qualquer maneira, muito obrigado, Luiz Gustavo Bichara, por estar aqui na bancada conosco, ajudar também a nossa audiência a entender o que vem aí pela frente. Advogado tributarista. Muito obrigado,
Speaker 9obrigado a todos.
Speaker 1Me despeço também dos meus colegas. A gente vai para o intervalo. Na volta é o nosso bloquinho internacional. Segue o impasse sobre o futuro de Netanyahu em Israel. Até já. Estamos voltando ao intervalo. Conosco agora no programa Dani Zahedin, professor de Relações Internacionais, diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC, de Minas. Dani, obrigado por estar conosco.
Speaker 10Boa noite. Boa noite, William. Prazer, é tudo meu. E o nosso Lourival Santana.
Speaker 1Boa noite, Lourival. Boa noite. 90% das urnas apuradas na eleição crucial em Israel e a apuração até aqui indica o bloco do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu com mais cadeiras do que a oposição. Inverteu o que a gente tinha ontem. Mas nenhuma, nenhum desses dois grandes blocos tem a maioria absoluta neste momento. Para formar o governo. Portanto, se supõe que a solução passará eventualmente por negociações com partidos árabes que conseguiram uma votação expressiva, qualificada como histórica.
Speaker 11Acompanhe. Até agora, a contagem dos votos mostra os blocos de Netanyahu e da oposição abaixo dos 61 assentos necessários para um governo. A aliança liderada pelo Likud de Benjamin Netanyahu tem 53 cadeiras contra 48 da coalizão de oposição. Isso leva a uma difícil negociação entre partidos judeus e árabes. Os dois grandes blocos, Ra'an e Lista Conjunta, até o momento, passariam de 10 para 19 cadeiras numa votação histórica. Resultado do comparecimento recorde dos eleitores que buscam tirar Netanyahu e seus aliados ultranacionalistas do governo, motivados pelo aumento da violência nas cidades árabes israelenses e pela truculência policial. O líder da Lista Conjunta, Youssef Rahman, com 12 cadeiras conquistadas pela contagem até o momento, disse nesta quarta-feira que o partido está pronto para abrir o caminho para a derrubada do governo de Netanyahu, que acusou de ter uma política de supremacia, racismo e exclusão. Muitos de seus eleitores rejeitam o governo com os árabes, ressentimento que se agravou desde o 7 de outubro de 2023. O banimento destes partidos, inclusive das eleições, é defendido pela maioria dos israelenses, segundo uma pesquisa realizada em setembro. Ainda assim, uma aliança entre israelenses e árabes não seria algo inédito. Em 2021, Mansour Abbas, líder do Raam, aceitou integrar a coalizão que tirou Netanyahu do poder, oferecendo apoio parlamentar em troca de compromissos com a população árabe. Nesta quarta-feira, o presidente de Israel, Isaac Herzog, elogiou a participação nestas eleições, que disse ser excepcional, e pediu aos líderes políticos que evitem levar o país a uma nova rodada de votação.
Speaker 1Uma nova rodada de votação. de votação provavelmente traz resultados semelhantes, Dani. Parece que ninguém está muito interessado em convocar novas eleições. Agora, como é que sai desse nó?
Speaker 10Eu vejo que vai ser pior para a oposição mais uma rodada de votação. Por quê? Porque o esforço que a oposição, o Eisenkot, os democratas, toda a coalizão que tenta derrubar o Likud, trouxe muita gente de fora para votar. Em Israel, o israelense que está fora de Israel, para votar, ele tem que voltar para Israel. Tirando as autoridades diplomáticas, diferentemente de outros países, para se votar em Israel, tem que, para votar nas eleições de Israel, tem que voltar para Israel. Então, eu vejo que, para a oposição, uma nova eleição é muito ruim. Por várias razões. Porque o resultado pode ser pior. Porque vai ter de ter um governo de transição. Significa que o Netanyahu continua. E, em ele continuar no governo, uma nova ação contra o Irã ou contra os Houthis ou na Cisjordânia pode acontecer. Com o apelo da segurança. E por isso que o próprio Eisenkot colocou que o Netanyahu não deveria brincar com a questão da segurança nesse momento, ou usar a segurança como um instrumento político. Então, é um momento muito complicado. E, como bem a reportagem colocou, a bola está com a oposição. A oposição israelense, o Eisenkot, o Yashar, o Together, o Israel Minha Casa, eles devem ter coragem para poder dizer aqui nós vamos aceitar os árabes para derrubar, o Netanyahu. Então, eu acho que essa que é a decisão mais complexa
Speaker 1disso tudo. Boa parte dos comentaristas, a imprensa israelense é muito boa. Sempre foi. É uma tradição enorme de combatividade, independência, jornalismo investigativo. Eles dão inveja a gente, muitas vezes, em grandes publicações. É impossível acompanhar muito bem o que está acontecendo no mundo político em Israel pelos sites das principais publicações. São muito tradicionais também. Eles estão dito o seguinte, foi um golpe brutal nas esperanças da oposição. Pela primeira vez em muitos anos, foi as urnas razoavelmente organizadas e coordenadas com o objetivo central, tirar o Netanyahu dali. Parece que vão conseguir.
Speaker 12Sim, a figura central se tornou o Avigdor Lieberman. Ele, o partido dele, Israel Minha Casa, ficou com sete cadeiras no parlamento. É exatamente, quer dizer, o Netanyahu só precisaria de uma a mais além dessas sete para formar governo.
Speaker 1De 53 com 7, ele chega a 60. Ele precisa de 61, só para ajudar a entender.
Speaker 12O Lieberman foi ministro das relações exteriores e da defesa do Netanyahu. Mas rompeu com ele drasticamente. Disse que não participaria de um governo chefiado pelo Netanyahu. Ele é um nacionalista de direita. Mas ele também disse que não participaria de um governo, apoiado pelos árabes. E hoje, ele não estava atendendo o telefone nem do Eisenkot, nem do
Speaker 1Naftali Bennett. Que são seus parceiros de coligação.
Speaker 12Que foi primeiro-ministro, o Bennett. E que também é um nacionalista de direita. Também participou de governo com o Netanyahu. E também rompeu com o Netanyahu. Então, o Lieberman vai cobrar muito caro pela posição dele e quem ele apoiaria. Ele é uma espécie de kingmaker porque, embora as sete cadeiras do partido dele não sejam suficientes para a oposição formar governo, mas se ele aceitasse o apoio externo dos árabes, não é os árabes entrarem no gabinete, mas o apoio externo possibilitaria um governo de oposição. Na continha, daria.
Speaker 1Porque aí haveria mais de 61 cadeiras dentro de um Knesset de 120 para essa coligação libada diante pelo Eisenkot.
Speaker 12Sim, principalmente porque a lista unida, que é a que antes não aceitava apoiar um governo israelense, agora aceita dar esse apoio externo. Então, temos que o avido Lieberman precisa atender o telefone, Lieberman. Atenda o telefone para que a gente saiba para onde Israel vai.
Speaker 1Ou não. Ou não. Dani, nesse momento do que a gente percebe, é completamente excluída qualquer possibilidade de sequer apoio externo dos partidos árabes?
Speaker 10Eu vejo que não. Eu vejo que é possível. Inclusive, na conta aqui, 48, para ter mais cadeiras do que o Likud, talvez o Uraam tenha que ingressar no governo. Pelo menos seis deputados entrarem no governo. E aí sim, eu vejo que a lista ela, a lista conjunta, ela tem posições mais duras. Mas ela já sinalizou que apoiaria seja na possibilidade de um governo minoritário, que eu acho que seria provavelmente o caso, a não ser que o Uraam possa. se o Uraam participar desse governo. Se o Uraam participa do governo, aí sim, o apoio externo da lista conjunta viabiliza. Então, eu acho que há possibilidade. A questão é o Lieberman. Só que a ideia é viver com o Netanyahu ou tirar o Netanyahu, não é? Então, eu acho que Israel, como você bem disse, William, o Haaretz traz ali colunas muito críticas. E é o momento de virada, porque os árabes mostraram que utilizaram dos canais democráticos para se mobilizarem e para tentar criar uma nova condição para Israel. Então, a bola agora está com Israel, porque a maior parte dos israelenses judeus, de certa forma, apoiaram ali o Netanyahu. E esse caminho da liberal democracia israelense, ela está sendo aberta pelos palestinos israelenses que dão oportunidade para a esquerda ou para a direita e a centro-direita serem corajosas. Tanto que só os democratas, o Partido Democrata, antigo trabalhista, que se coligou com outro partido, é que abertamente diz que deveriam se aliar a ele. Então, agora é ver como que o Israel Minha Vida e os demais partidos de oposição tomam essa decisão.
Speaker 1Eu cobri muito Israel ao longo da minha carreira como correspondente na Europa e enviado especial por o Oriente Médio. Faz tempo que eu não vou a Israel, portanto, para eu dar uma opinião informada, eu não estou em condições. Eu me informo em Israel pela imprensa local, pelos comentaristas, através de você, meu colega, Norival. A sensação que eu tenho é que é um país para mim irreconhecível. E quando eu estive lá nas últimas vezes, isso já está fazendo uns 15, 20 anos. E que a maneira como a sociedade israelense passou a tratar o seu dilema fundamental, que é como lidar com o cidadão árabe e o seu território, me faz pensar que isso realmente está excluído. Que a, digamos, a conquista de votação histórica por parte dessas agremiações políticas árabes não será contemplada numa coligação governista nem com o tal do apoio externo. Que é simplesmente o seguinte, eu te apoio, mas não faço parte do governo. E que nós vamos ver provavelmente algum tipo de composição mal arrumada num bloco, no que eu diria o governo mais extremista de direitos que eu conheço da história
Speaker 12de Israel. É, o Netanyahu hoje, ele disse que não abandonará o B'Tzalel Smotrich, ministro das Finanças, e o Itamar Bengvi, ministro da Segurança Nacional, que são essas figuras mais radicais. Ambos têm como reduto eleitoral os colonos judeus da Cisjordânia, que atacam sistematicamente, não são todos, evidentemente, mas pequenos grupos que conseguem atacar os palestinos, não permitem que os palestinos colham as suas azeitonas, tentam inviabilizar a vida dos palestinos na Cisjordânia, além de defender de forma mais ou menos explícita a expulsão dos palestinos da faixa de Gaza. E por que o Netanyahu fez essa promessa? Porque a especulação era exatamente essa. Se ele abandonasse essas duas figuras consideradas tóxicas pela direita convencional, abriria caminho para uma formação de uma coligação mais ampla, mais em direção à centro-direita do que à direita radical. De maneira que o impasse, na verdade, ele interessa ao Netanyahu, porque ele está no poder. Enquanto não se formar um novo governo, ele será o primeiro-ministro e terá a possibilidade, por exemplo, de atuar na questão do conflito com o Irã, que deu a ele uma sobrevivência. Você se lembra que no calor da crise na faixa de Gaza, a gente dizia que se houvesse eleições, Netanyahu iria para a oposição. Não tinha chance. O que mudou desde então? A guerra contra o Irã. Agora, Dani, para encerrar,
Speaker 1do ponto de vista dos vizinhos de Israel, tanto os imediatamente em volta, mas sobretudo na relação de forças ali na área neste momento, a eleição israelense não parece ter trazido nenhuma grande modificação.
Speaker 10Não, não parece. Existe ali um interesse maior, uma preocupação maior. A preocupação maior é o preço do óleo diesel, é não bombardear Dubai, é não bombardear os oleodutos sauditas. Então, eu vejo que a preocupação que paira na cabeça dos vizinhos é como encontrar uma paz mais definitiva com o Irã, aproveitar essa troca de cartas do vice-presidente americano, com as autoridades iranianas, para ver se alguma coisa é resolvida. Então, eu vejo que na prioridade da agenda, ali, a questão se chama Irã, estabilidade econômica, para que eles possam, de alguma forma, criar um sistema de segurança que seja mais viável daquele que está morrendo, que é o guarda-chuva americano, que deu guarida aos países do Golfo.
Speaker 1Dani, que era como assim? Eu vou começar por você, Dani Zarredini, que é professor de Relações Internacionais, diretor do Instituto de Ciências Sociais da PUC de Minas. Dani, obrigado pela participação aqui no WWW.
Speaker 10Boa noite. Eu que agradeço. Um abraço para você e para o Lorival.
Speaker 1Igualmente, Lorival. Muito obrigado. Sempre ótimo ter você a bordo do WWW. O programa está terminando aqui. Mais conteúdos, sempre o meu recado. Procure a página do WWW no site da CNN Brasil. Agora sim, essa edição termina. Obrigado e boa noite. Transcrição e Legendas Pedro Negri