Oi, branca-viana aqui.
E você acredita que já faz um ano que a gente lançou o clube da novela?
Teve muita coisa legal nesse tempo.
Episódios bonos do rádio novela-presenta.
Episódios antecipados do apresenta e de avestruis másteis.
Lives com nossos repórteres, descontos bem bacanas com as nossas marcas parceiras.
Além, claro, da bolsa Chiquérma, da rádio novelo que os assinantes ganham.
Bom, e eu tô passando aqui pra agradecer você que foi assinante de primeira hora
e fez parte desse primeiro ano com a gente.
E também pra dizer pra você que ainda não assinou que vai ter tudo isso
e muito mais no ano 2 do clube.
Pra começar, a gente tá preparando uma temporada especial do fim da meada
com alguns episódios em vídeo e, como sempre, os assinantes recebem os episódios antes.
Tem também uma másteir class que o pessoal do máste escola
tá preparando só pra quem é do clube da novelo.
E lógico, brindes, porque a gente adora brindes.
Quer renovar o plano anual, ganha um caderninho lindo feito só pra gente
pelas 15 books, um lápis e uns adesivos bacanérrimos
pra você sair por aí mostrando que curte boas histórias.
E pra quem tá chegando agora, o presente é uma bolsa linda da novelo.
É isso, vem ou continua no clube da novelo com a gente.
[Música]
Fall never arrives all at once.
Verse o dia, then the light,
and slowly the things you love begin to find each other.
A jacket meets a dress, a hoodie slips beneath a blazer.
An old cap finds a new scarf.
Because you don't simply step into the season.
You create it layer by layer, until it finally feels like fall.
Find fall your way at Ross.
[Música]
Novelo.
[Música]
Bem-vindo ao rádio novela presenta.
Eu sou a branca viana.
Temos história que eu ouvi recentemente sobre um jantar
interrompido por uma notícia.
A história é de um documentário chamado "Day Shall Not Grow Old"
sobre a primeira guerra mundial.
É um filme bem perturbador, aliás.
Porque a primeira guerra é um tanto mais distante da memória da gente do que a segunda.
Não só pela distância temporal, mas também porque é evolução tecnológica entre os anos,
1910 e 1940, fez muita diferença nos registros de cada conflito.
O que esse filme faz é usar um arsenal de tecnologias para atualizar, colorizar, sonorizar
as imagens que a gente tem da primeira guerra, para te jogar dentro daquelas cenas,
sem o distanciamento natural que vem quando a gente assista a uma cena meio desfocada em preto e branco.
De repente, aquelas pessoas diantigamente surgem como gente.
E o efeito é um pouco aterrorizante.
Mas enfim, eu ia contar a história do Jantar.
Parece que ali em agosto de 1914 teve um jogo de rugby entre oficiais ingleses e alemães.
Eu não consegui descobrir quem ganhou.
Acho que tudo isso ficou desimportante perto do que aconteceu em seguida.
Porque naquela noite, os jogadores dos dois lados estavam jantando, bebendo, conversando
quando alguém chegou com um recado.
A gran Bretanha tinha acabado de declarar a guerra a Alemanha.
Então, de repente, os jogadores que estavam de lados opostos do campo naquele dia,
estavam de lados opostos na guerra.
Um dos ingleses diz que ele lembra de pensar.
O que que é para eu fazer, levantar na mesa e atacar o cara na minha frente?
O grupo acabou tomando uma decisão naquela noite.
Eles iam ignorar o recado e considerar que a guerra só ia começar na manhã seguinte.
Essa manedota, como tantas, que fala do não-cense, do absurdo que é uma declaração de guerra
entre países e povos.
Mas é também uma história que tem a ver com como a gente recebe uma mensagem e o que a gente escolhe fazer com ela.
No episódio de hoje, a gente tem 56 recados congelados no tempo
e um caçador de recados alheios.
Quem vai contar a primeira história depois de um rápido intervalo é o Talis Braga.
, Tammy regalhou as coisas de pessoas na coletiva.
É por isso que ela desculpa com BJ's wholesale club, saindo de 25% de grossos estouros.
B.J.C., microwave-meel, laundry pods, e eles podem se escurar.
Houve conhecido minha pessoa?
E com BJ's gas, ela tem isso para lhe saber.
Eles chamam eu, o Rode Warrior.
Essa é sua sua mão, Rode Warrior, mamãe?
Home of the Save.
Coisa para 20 dólares em bj's.com/masquite e save 10 cents para galete para 6 meses.
Open soon.
Lá é o time off de novo.
B.J.C., Home of the Save.
Fais 7 anos que a minha mãe morreu.
Logo depois, ainda nas primeiras semanas, teve um dia que eu fiquei muito desesperado com a possibilidade de esquecer a voz dela.
Eu fiquei pensando que não ia ter jeito, que o tempo ia fazer isso, roubar a voz dela de mim.
Olhando agora, eu vejo que eu tinha razão de ter medo, porque quando uma pessoa interrada, a gente continua perdendo ela com passados anos.
A gente perde a noção da textura da pele, esquece o jeito que ela caminhava, o cheiro do cabelo, o som da risada.
Até para guardar uma referência, tipo, a risada era alta, era baixa, é distridente, ou era tão engraçada que fazia a gente querer ir junto.
Mas a memória não consegue guardar a risada, sabe?
Quando esse pânico bateu, eu fui baixar uns áudios que ela tinha me enviado pelo WhatsApp, fui baixando aqui ali e joguei numa pasta.
Um tempo depois, num lembro quando, eu fui mexer nos arquivos, e eles não tocavo.
Apareceu uma mensagem na tela que eu não consegui entender, eu só deduzi que os arquivos também tinham morrido.
O que me consolou naquela hora foi pensar que, durante a maior parte da história da humanidade, não tinha áudio de WhatsApp para ajudar as pessoas a viver em luto.
Então, eu notava sozinho, eu ia ter que lidar com a sador, essa perda, como todo mundo lhe dava antigamente, e isso me deu algum conforto.
Eu acabei revisitando a história da minha mãe algumas vezes nesse tempo, eu contei quem ela foi, quem ela foi comigo, como a gente se transformou junto, e como eu continuei me transformando depois dela.
Primeiro, eu escrevi um ensaio para revista Piauí, depois acabei decidindo escrever um livro, e depois que eu decidi escrever um livro, eu passei bastante tempo olhando para o teto e pensando.
Eu li, relí, um monte de autores de literatura autobiográfica, anir novo, eduar, luí, adiwantidian, anathalia, gingsbuck, e woch and vong, para saber como eles investigaram e recontaram as memórias familiares deles.
Mas nada parecia estar encaixando, provavelmente porque não dava para falar com a pessoa mais importante da minha vida.
Eu tinha muita pergunta para fazer para ela, e eu precisava ouvir ela, e eu lembrei daquela pasta dos arquivos mortos.
Eu fiquei me achando um pouco relaxado de ter desistido tão fácil, porque devia ter algum modo de salvar os autores, algum técnico de TI faria isso de olhos fechados.
No dia 5 de junho de 2025, uma quarta-feira, eu cheguei do trabalho à noite, liguei o computador e abri a pasta que eu tinha nomeado de mãe.
As primeiras coisas que eu vi foram as imagens que ela me mandava, tinha fotos do nosso gato, o botas, e fotos também dos doces que ela fazia para vender.
Também tinha uma selfie da minha mãe com por porina na bucheixa, do último carnaval dela. Eu cliquei no primeiro arquivo de áudio, para ver qual era exatamente a mensagem de erro, mas aí o arquivo abriu.
Eu não sei explicar o que aconteceu, acho que já deu para entender que eu não sei nada de tecnologia.
Eu só sei que um dia eu tentei ouvir os áudios, eles não funcionaram, e que do nada eles voltaram a funcionar.
Eu fui botar um fone de ouvido e escutei a voz de minha mãe.
Fira, cheguei em Campo Grande agora, eu se preocupa comigo não, que eu vou pegar o Uber, tá? Tá cheguei em casa. Beijo.
Eu sou de chorar, e eu não estou dizendo isso com um selo de masculinidade.
Eu sou triste, mas dificilmente o choro.
Eu só expresso a tristeza de outros jeitos.
Mas quando eu ouvi a voz da minha mãe depois de seis anos, eu senti os meus olhos la cremejarem.
[risos]
Viu a quê?
Talies, ainda nem vi jota cara, como é que tu me avisa agora em cima da hora?
Vou vou lá acercar as coisas pra fazer a banqueta.
O choro era de emoção, mas também tinha um pouco de culpa.
Porque nos anos que eu passei longe dos arquivos, a minha memória já tinha transformado a voz da minha mãe.
Eu jurava aquela falava baixo, que tinha voz mais grave, e que ela não comitia e o de português.
Foi um choque.
A garesta está muito doida, até cair no chão ela já cairu.
Eu não quero deixar o embolho, também tá chovendo pra caraca.
Eu tenho 56 audos da minha mãe.
Ele dá um conta de um pouco mais de um mês da vida dela, quase o último, entre fevereiro e março de 2019.
A mulher desse 56 audos fala principalmente da falta de dinheiro, dos preços do mercado e de namorados que não amavam ela.
E ela fala de tudo isso com jeito bem suburbano, que nem as minhas primas, que ainda moram lá no bairro pobre onde eu cresci.
Foi meu filho cheguei em casa agora, derrotada. Nossa. Fui no mercado, fiz uma escopra, tudo muito caro, muito caro, muito caro, muito caro, muito caro.
Eu era muito, muito próximo da minha mãe.
Quando eu nasci, ela estava com 21 anos e tinha acabado de se formar na escola normal.
Ela chegou a ser professora de jovens e adultos durante um tempo, mas depois ela foi trabalhar como babar, empregada do México.
O meu pai ficou com a gente só no meu primeiro ano de vida, depois ele foi embora.
Até a morte dele, quando eu tinha 10 anos, a gente teve pouquíssimo contato.
Eu fui criado pela minha mãe com a ajuda dos pais dela.
Quando eu estava crescendo, a minha mãe me dizia que eu era o melhor amigo dela.
Ela era muito namoradeira e vinha me contar sempre que conhecia um homem no site de namoro.
Quando ela ia sair com deles e não queria que os meus avós soubessem, ela me dizia num tom meio autoritário.
Talis, se tu avou a perguntar, diz que eu fui no shopping cabianco.
Eu tinha 10 anos, mas ela conversava comigo como se fosse um adulto.
A gente frequentava uma igreja de vantigalha cabatista, e no primeiro domingo de cada mês,
os membros de batizados faziam a seia, com copinhos de suco de uva.
Às vezes, a minha mãe era proibida de seia. Ela ficava no canto da igreja, orando de olhos fechados e chorando.
Eu lembro de uma vez que a gente chegou em casa e eu perguntei por que ela não tinha participado da seia.
Ela falou "A mamãe está no erro, filho."
E eu sabia que o erro dela tinha ver com algum homem.
Quando eu era adolescente, toda vez que eu saia do meu quarto e passava por ela na sala, ou na cozinha de casa, ela perguntava.
A mamãe já disse que te ama hoje. Eu dizia "Sim, mãe."
E mesmo assim, ela mandava um beijo estalado, tipo "Pfff" e repetia. A mamãe te ama, filho.
Eu tenho um carinho especial por um áudio que ela me mandou na madrugada do meu aniversário de 20 anos.
Ela estava deitada no quarto do lado e botou o despertador pra tocar a meia noite, só pra acordar e me dar os parabéns.
Vai dormir, fica tão tempo acordado não. Olha a torre de trabalho amanhã, tá? Beijo, tio, meu filho, parabéns.
A minha mãe queria que fosse um homem direito, porque significava um homem hétero e sobro.
Sobre porque o meu pai era viciar em drogas e morreu por causa do vício.
Ela sempre me dizia num tom meio ameaçador que o maior desgoço da vida dela seria ter um filho drogado.
Ela queria que fosse hétero porque é isso que os pais esperam pra vida dos meninos, que eles cresçam, casem com a mulher e tenham filhos.
A gente sempre via TV junto em casa e eu reparava no jeito que a minha mãe, meus avós e meus tios reagiam aos personagens e celebridades queis e travestis.
Eu entendi bem-se do que esse tipo de gente não era bem-vinda numa família como a nossa.
A minha mãe nunca cobrou que eu passasse na faculdade que eu fosse advogado ao médico.
Essas possibilidades não estavam nem no horizonte da minha família, ninguém tinha estudado pra subir na vida.
Lá em Oaiba, sucesso era casar, ter filho, um emprego com um salário mínimo, um carro sem inovo e passear no shopping de vez em quando.
Eu consegui cumprir uma das expectativas da minha mãe, nunca fui drogado, mas eu sou e sempre fui bicha.
A minha mãe sobedeço quando eu tinha 14 anos, lendo as mensagens que eu trocava com os meus amigos.
Ela tá cofoco em todos os meus cedeis da Lady Gaga. Eu até contei essa história aqui no rádio na pela presente.
Ela me proibiu de sair de casa pra encontrar meus amigos, me mudou de escola, cortou em internet e batia na minha cara.
Várias e várias vezes me perguntando por que que eu tinha feito aquilo, por que que eu tinha dado aquele desgosto pra ela.
Um dia ela me segurou pelo queixo, me fez olhar nos olhos dela e disse que preferia um filho drogado que um filho viado.
Eu não podia nem ir no quarto dela pra escutar ela a falar dos namorados.
Eu me sentia triste por ter decepcionado a minha mãe, por ela não me entender, mas também porque eu tinha deixado de ser o melhor amigo dela.
De ouvir os segredos, de ouvir ela reclamando da sobrecarga do trabalho de doméstica e de dizer do alto da minha ignorância de ovenil, que ia ficar tudo bem.
Mas o tempo passou, quando eu tinha 16 anos a minha mãe conhecer o meu primeiro namorado e de pouquinho, ela foi me tratando de novo como o melhor amigo.
Agora como o melhor amigo gay, com quem ela sentia ainda mais a vontade pra falar da vida romântica.
E não era só comigo, viu? Quando os meus amigos gayes vinham pra minha casa, a minha mãe sentava com eles pra falar dos caras com quem ela tava ficando.
E pra mim era tudo muito surreal. De repente a minha mãe tava ali na roda, falando com os meus amigos gay sobre bofis, e era essa palavra mesmo que ela usava bofis.
Quando os editores leram essa parte no manuscrito do meu livro, eles perguntaram, mas só a mãe mudou assim do nada. Eles não estavam achando muito verossímyo e queriam que eu desenvolvesse melhor essa virada.
Daí eu tive que explicar que a minha mãe era assim. Ela sabia ter raiva, mas também sabia a mãe.
Quando ela decidiu odiar o filho gay, ela me tratou da pior maneira possível, mas quando ela escolheu a minha mãe, ela morreu a minha mãe exatamente do jeito que eu era.
Eu mesmo me espantei com a virada da minha mãe nas eleições de 2018. Ela era a mais velha de três irmãos, e os meus dois tios tinham virado bolsionaristas radicais.
A minha mãe nunca tinha ligado pra política, mas começou a postar no Facebook sobre a defesa dos direitos humanos. E brigou com os irmãos, chegou a cortar contato com eles por causa de postagens homofóbicos.
Teve um domingo de manhã que ela foi pra mim se vestindo vermelho, nessa época ela tinha voltado a frequentar a igreja católica.
O Lula estava preso, e alguém teve a ideia de colocar o nome dele na lista de orações.
Daí na saída da igreja, uma mulher abordou a minha mãe, e disse que estava na cara, que era ela que tinha colocado o nome do Lula na oração.
A minha mãe chegou em casa puta da vida, disse que não tinha vestido vermelho por causa do Lula, mas que ficou tão revoltada com a mulher que mandou ela tomar no cu na frente do padre.
Eu tenho certeza absoluta que a minha mãe só não virou bolsionarista por minha causa, porque ela tinha um filho bicha.
Na época eu tinha alguma noção disso, mas não tanto quanto eu tenho hoje, o que é uma pena, porque eu queria ter falado isso pra ela, do quanto eu fiquei agradecido e admirado.
Naquele ano, depois de uma década morando com os meus avóis, eu e a minha mãe voltamos a morar só nos dois. Ela não tinha mais condições de trabalhar a limpa na casa dos outros.
Mal tinha feito 40 anos, mas estava muito debilitada fisicamente. Ela estava bisa, e ficava exausta de ter que abaixar, limpar o chão, desenfetar privada, e pegar o transporte público no fim do dia.
Ela passou 2018 em casa, vendendo o que tuts pelo Facebook. Boulos, docinhos, profeja aniversário, sacolé.
O Adeu de Goyaba, porque a Rafael veio contar o último de maraco já que tinha, tá?
Num dos áudios, ela tá revoltada, porque eu pedi pra comprar um produto fiado dela.
Não é que só tô fazendo pra ganhar dinheiro, se você começar a comer um, comer outro pra provar, eu não ganho nada. Desaforado, não é uma filha. Porque nos outros você pode comprar e como não tem que ser fiado.
Nessa época eu não tava trabalhando, porque ela disse que eu podia tirar o ano pra estudar pro vestibular de jornalismo.
Só que ela não tava conseguindo segurar as pontas, a nossa luz foi desligada algumas vezes, cortaram nossa água por uma dívida que a gente não tinha condição de pagar.
E pelo resto do ano, a gente teve quem chebalde na associação de moradores pra tomar banho, lavais louças e as roupas.
Esperamos só para comprar água, porque esse filtro não está filtrando, os garrafas não
tudo vaziam e bataram o cenoura para fazer uma saladinha de maior nésio, entendeu?
Aí contei se eu estou pegando água, estava aqui fazendo as contas a gente sobrevive com
sente trinta e dor litro de água por dia.
A gente tinha um bau de duas bacias e uma panela grande.
Por sorte, a associação de moradores ficava em frente a nossa casa, literalmente do outro
lado da rua.
Mas a sorte meio que acabava ali, porque imagina quanto que a gente atravessava essa rua
para chegar em mais de 100 litros da água por dia.
No matarrer de eu estava estudando no quarto e a minha mãe abriu a porta passando mal.
A garganta dela fazia um barulho assustador enquanto ela tentava puxar o ar.
Eu lembro que ela encostou na parede e ficou surrando, socorro, socorro.
Eu segurei a mão dela e pedi para ela acompanhar o ritmo da minha respiração, inspirar,
inspirar.
Ela levou alguns minutos para retomar o fólico e quando ela voltou a falar, ela brilhou
comigo, reclamou que eu passava todo o meu tempo estudando e não ajudava a carregar
os baux.
Ela chorou disse que estava muito sobre a carregada.
Eu não lembro como a conversa terminou, só sei que eu voltei a estudar a minha sinto
muito culpado.
Quando a sua padre vira aqui tem que ter a linguaça, eu não tenho mais linguaça aqui e nem
comprei no mercado porque não tem mais dinheiro, entendeu?
Só tinha 50 reais por fazer pro agre.
Eu escrevi no meu livro que pra quem é pobre não existe segurança, rapidinho a gente perde
a água, a luz, a comida, até o ar.
A minha mãe voltou a comprar fiado no mercado, a coisa que ela não fazia desde que
era pequeno, e a gente começou a comer pior.
Brotaram umas manteis vermelhas no corpo dela e ela andava com dificuldade de respirar.
No postinho, diziam que os médicos estavam sem agenda.
"Pelo que um sobozinho nem pra comprar carne, vou ver o que que eu faço aqui na festa
do chique e puxa."
Esse foi o ano em que eu comecei a perder ela, enquanto eu estudava, eu só pensava
em sair de lá o mais rápido possível.
Às vezes, no fim de semana, eu visitava aos museus do centro da cidade e meus amigos
e chegava em casa animado pra contar com a minha mãe.
Ela até me ouvia, mas assim que eu terminava de falar, ela voltava reclamado do preço
do mercado.
Uma noite eu cheguei em casa contando de uma exposição do Básquia, e ela respondeu.
Legal, filho.
O que você vai querer pujantar?
"Ah, tá bom, meu filho, eu deixei até aqui separado porque eu achei comendo aí
vem pra cá, eu estou esperando aí igual a babaca."
A gente só conseguia conversar daquilo que a gente ainda tinha em comum.
A casa, as defecções, os boletos, as lembrâncias e as fofocas familiares.
E assim como ela não se interessava pelo Básquia, eu não me interessava pela vida dela.
Os homens, as receitas de bolo que ela queria fazer pra vender, as amigas com problema em casa.
Ela estava com 41 anos, sem nenhuma perspectiva profissional, e eu estava com o índice.
Olhando pra ela e pensando que a minha vida tinha que ser diferente.
No começo de 2019, eu passei pra faculdade de jornalismo, e em no primeiro mês de aula,
a minha mãe morreu de infarto.
Eu fiquei sem norte, e ainda tão pouco sem norte até hoje, 7 anos depois.
Essa nossa relação tinha conflitos, mas eu sabia que podia contar com ela.
Mesmo sabendo que ela não tinha dinheiro nenhum, eu também sabia que em qualquer situação
urgente, se qualquer problema parecer-se na minha vida, a minha mãe estaria lá pra
dar conta.
Ela ia dar um jeito, porque as pessoas pobres dão um jeito.
Ela ia dar um jeito de me ajudar, se não tivesse dinheiro pra comendo a faculdade, se
eu sofreço em um acidente ou se eu voltasse pra casa de coração partido por causa de um
cara.
Meu filho, você já saiu?
Porque está chovendo muito, muito, muito, muito com relâmpago, com raio.
Com o morte dela, eu fiquei muito apavorado.
A minha família agora se resumiu aos meus avós, que também podia morrer de uma hora pra
outra.
O luto virou um motor pra mudar de vida, na época eu trabalhava numa operadora de telemarketing
durante o dia, e ia pra faculdade a noite.
Eu tinha medo de acabar morando na rua, quando eu escrevi isso no livro, parecia um absurdo,
um exagero, mas eu realmente sentia isso aos 20 anos.
Eu acordava às 6 da manhã, movido por essa ansiedade, e saia pra trabalhar.
Durante a pandemia, eu perdi o sono com medo dos meus avós morrerem, porque eu ainda
não tinha conseguido um bom emprego, e sem eles eu estaria literalmente sozinho no mundo.
A vida começou a melhorar, em dezembro de 2021, quando eu passei num estágio pra revista
Piauí.
Eu deixei a casa dos meus avós, e fui morar em interói, perda a faculdade, e a quase todos
os dias pra zoar na sul do rio, e panema, leblon, com a pacabana.
Toda vez que o li é um livro novo, eu me sentia um pouco mais longe da minha mãe.
Eu mesma coisa quando eu andava de avião, e ficava no hotel, pra apurar uma reportagem
em outro estado, ou até em outro país.
Eu comecei a acordar de uma drogada, assustado, sempre por causa do mesmo sonho.
A minha mãe batia na porta da minha casa pra dizer que nunca tinha morrido.
Eu dizia pra lentrar, ficar vontade, mas eu não tinha a menor ideia do que conversar
com ela, e a gente era dois estranhos.
Mas que eu comecei a escrever o livro, o sonho mudou um pouco, e ele começava do mesmo
jeito.
Ela batia na porta, eu dizia pra lentrar, ficar vontade, e aí não sabia mais o que dizer.
Mas daí eu ficava desesperado, pensando, eu assinei um contrato pra escrever sobre a
morte da minha mãe, e agora ela tá viva, aqui na sala de casa.
O que eu vou fazer?
Eu acordava no susto, ia pra cozinha beber uma água, sentia meu coração batendo muito
forte.
O susto ia passando, e eu começava a me sentir aliviado, porque a minha mãe continuava
morta, e eu ainda poderia escrever um livro sobre a desgraça dela.
"Ares, pra ele você tá caindo um temporal, meu filho."
Conforme eu fui estudando, me intelectualizando, a morte da minha mãe me deu ódio.
Eu tenho convicção de que ela morreu nova, porque era pobre.
Se a minha mãe tivesse tido um plano de saúde, por exemplo, ela poderia ter cuidado
do coração.
"Então, eu acabei de honestar, aí tava que sentada no sofá."
Esse é um áudio de sete de março de 2019.
"É pensei assim, povo, lá, botou o prato lá na pia, e vou voltar a lavar roupa.
Aí eu peguei, tô bem uma água gelada, na hora que eu saí da cozinha.
Eu comecei a sentir o coração acelerado, e o mar lento acelerado, o mundo acelerado mesmo."
Nessa hora, ela bota o dedo em cima do microfone, e o som ficar bafado.
Não dá pra ouvir direito o resto do áudio, mas ela diz assim, "Eu senti meu corpo todo
e nem bora.
Não tava sentindo mais nada."
Minha mãe morreu 32 dias depois.
Se a gente não fosse pobre, ela teria se alimentado melhor.
Se ela tivesse crescido numa família de classe alta, ela provavelmente teria estudado
pra faculdade e não ia trabalhar limpa na privada dos outros.
Como teria sido a vida da minha mãe, se ela não tivesse engravidado aos 21 anos?
Eu tenho muitas perguntas sobre a morte dela, e é mais difícil e provavelmente a mais
cruel é que mais me persegue.
Será que a minha vida seria boa como é hoje, se minha mãe não tivesse morrido?
Será que eu teria estudado tanto, trabalhado tanto pra me tornar um bom jornalista, se
não fosse o luto, esse vazio, o medo que a ausência dela me deixou?
Tenho um momento estranho naquele primeiro dia que eu fui ouvir os áudios.
Eu tava ouvindo ela falar sobre um homem porque ela tava apaixonando.
Ela usava o pouco dinheiro que tinha pra pagar o Uber e colocar crédito no celular desse
cara.
"Se eu lá sei que tava arrumando emprego, me arrumar um safão com outra mulher, porque
ele quase não gastava o crédito comigo?"
Entendeu?
"Quase não ligava pra mim?"
Toda vez tava online e não falava comigo.
E eu otário achando que eu era a última bolacha do pacote.
Eu tava ali ouvi nesse áudio e me dei conta de que eu tava perdendo a paciência.
Era como se eu tivesse esquecido que tava ouvindo o desabafo de uma mulher morta.
De certo modo eu voltei pra 2019 e me vi ali na rua ouviu uma mensagem da minha mãe no WhatsApp.
E agora eu ia ter que gravar uma mensagem de volta, dizendo as mesmas coisas de sempre.
Sabe em frente, mãe, esse cara não ganha da contigo?
Eu fui com graça de uma coisa, vou botar minha fila pra andar, já que você não quer mais nada,
vou botar para andar.
Ele é filando, felizmente, o que você achou que?
Você não desmanchou comigo?
Você acha que eu vou ficar no muro da alimentação, lamentando, chorando, isso é que
o outro caso.
Mas você não vão num caso, não vão não, vou batalhar minha fila pra andar.
Ó, tá um bombeiro lindo, me querendo aí de ser opérsico, eu vou pegar o cara.
Agora, eu não vejo umas graças nas piadas que minha família fazia sobre os tentativas frustradas
dela de arrumar um namorado.
A minha manhã era uma mulher gorda, pobre, sem estudos, que queria ser amada, e poucos
homens querem amar uma mulher assim. Daí vem outra pergunta, se a minha mãe não
tivesse morrido, se eu não tivesse lido os livros que eu li, será que eu olharia pra ela
desse jeito compreensivo?
Eu ouvi uma entrevista com Oshan Vong, um desses escritores autobiográficos que eu andei
lendo pra me inspirar pro meu livro. Oshan Vong é um escritovia te namita americano,
e perdeu a mãe dele no mesmo ano que eu perdi a minha. A mãe dele morreu de cansa de
mama aos 51 anos, no áudio do sucesso literário do filho. Da entrevista, ele diz assim, "Um
dia você volta pra casa querendo dizer, "Mãe, Vó, Tia, eu entendi, eu li ranarent,
Liton Morrisson, Lee James Baldwin, não foi culpa de vocês, esse sistema foi feito
pra que vocês não conseguissem sair dele. Eu levei 15, 20 anos, todas aquelas horas de
leitura pra saber que não ocupa de vocês. Mas então, vocês cheguem em casa e não tem
mais ninguém lá. A casa estava a Zia. É tarde demais."
Eu senti uma coisa parecida enquanto eu escreviu meu livro, e eu queria poder dizer pra
minha mãe que ela não precisava ter se culpado por ter sido gorda, que é obesidade e uma
doença que afeta principalmente os pobres. Não dava pra você cuidar da sua saúde e
só com desforço pessoal, mãe. Se não tinha dinheiro pra fazer uma dieta adequada,
você não tinha acesso a bons médicos. Você não pode se dar o luxo de ir pra academia.
E não, mãe, você não virou empregada doméstica porque foi responsável na juventude. Se
você tivesse sido uma jovem com dinheiro, você teria tido o tempo de sobra pra jogar fora.
Tempo pra ficar toa, tentando descobrir o que fazer da vida, e ainda assim você não
teria virada empregada. Eu sei disso porque agora é um ano com gente que teve esse tempo.
Fim da nem conhecia direito, tá meu filho? Só tô te alertando porque é o meu papel
de mãe, tá bom? Eu confio em você, mas tem que. a gente não confia em o outro. Tá,
sem ter que confiar, desconfiar.
Eu também me pergunto como eu falaria, se minha mãe não tivesse morrido. Se eu não
tivesse mudado opcidade de classe social, se eu ainda teria os táques do subúrpio.
Eles cadê o homem talizar no meio do caminho aqui, no meio da rua, e o homem até agora
nos chegou aqui? Oh, acho que eu vou descer a pé mesmo.
Eu ainda sinto a minha mãe na minha voz, tipo quando eu derrubo alguma coisa no chão
e enchabou-ca pra soltar um caralho, como ela fazia. Quando alguém me estressa e eu penso
que mandar a pessoa pra puta que pariu, que nem ela mandou a mulher na missa. Eu também
digo o tempo todo que eu amo os meus amigos, os meus avóis, os meus tíos. Eu não tenho
vergonha e nunca tive de demonstrar amor pelos outros. E essa também é o meirança da minha
mãe.
Beijo meu filho, também te amo, dá-me com Deus, tá? Beijo, beijo. Já era confiar
dormindo há muito tempo, mas o teu pai você sabe, né? Tchau, dá-me com Deus.
Esse foi o Tales Braga. E esse ensaio foi um desdobramento do primeiro livro dele que acabou
de sair pela companhia das letras e se chama Filho. Os ouvintes do apresenta até 10% de
desconto na compra do livro no site da editora e na Amazon. O cupom está lá no nosso site
no post do episódio e ele é válido até o dia 13 de outubro. A gente volta já já.
Você já ouviu falar do Cão Farijador? É aquele que está nas séries policiais. Entre
os cachorros, ele é o que tem um dos melhores faros. Parece que o Cão de Santo Umberto arrasta
dele, caso você tem interesse, só está seguindo uma pista. Mas na verdade ele está reconstruindo
toda a história, quem fez o quê, onde, quando e como. Se o Cão de Santo Umberto já não fosse
o Cão Farijador poderia ser um ótimo reporter da revista Piauí. Revista Piauí, 20 anos
de farofiado. Esse podcast é um oferecimento da WISE, o jeito certo de pagar no mundo todo.
Quando você viaja pro exterior, ou está se preparando por uma viagem inesquecível, sempre
chega aquele momento. A hora de converter os gastos pra moeda local. E sabe qual é o erro
mais comum? Viajar pagando com cartão de crédito. Na hora pode não parecer nada, mas
o custo da conversão pode assustar quando a fatura chegar. A solução viajar com cartão
da WISE. Com ele você pode pagar em mais de 40 moedas com a taxa de câmbio comercial,
a mesma que você vê no Google. Você pode converter e manter o dinheiro na conta já na moeda
que vai usar no destino. Depois é só pagar, sem se preocupar com cotação ou tarifas. Ah,
você também pode sacar dinheiro em mais de 3 milhões de caixas eletrônicos no mundo todo.
Faça parte das mais de 15 milhões de pessoas que pagam globalmente do jeito certo. Quem sabe,
vai de WISE. Pacho o app da WISE e hoje termos e condições se aplicam.
Um old cap finds a new scarf,
because you don't simply step into the season. You create it, layer by layer, until it finally
feels like fall. Quer dizer, se eu só ouviu falar, se você já escutou essa história, que foi a árbola
primeira vez em setembro de 2023. Mas assim como os recados nessa história, vale a pena
ver. Esse som que você está ouvindo em inglês é de um disco. Eu sei que é meio difícil
de entender, mas tudo bem, porque não era para você estar ouvindo esse disco.
Esse disco é uma carta. O homem conta do dia dele e pergunta como estão as coisas em casa.
E no fim do disco, era da boa noite. Esse disco foi gravado por um soldado americano no dia 14 de
julho de 1944. Mas foi gravado pelo Walter para ser ouvido pela julho. Não era para você.
O Walter sobreviveu a guerra e morreu em 2005. A julho pra quem ele gravou aquela carta
morreu alguns anos depois dele. Mas a voz do Walter, perguntando para a julho como estava
tudo em casa, ela ainda está aqui. É uma voz orfa, uma voz aderiva, foram-se os dois e ela ficou.
No episódio de hoje, a gente vai falar sobre vozes do além. Sobre jeitos das pessoas falarem
quando elas não estão mais aqui. E o primeiro jeito que a gente vai investigar hoje são
discos como esse do Walter para a julho. Quem me apresentou essa gravação foi o Tom.
Eu chamo ele de Tom, porque eu conheço ele há muitos anos. Ele é americano, mas fala português,
porque ele é casado com uma brasileira amiga minha, assina a esta Sandra Cogut.
Professor lá nos Estados Unidos, no Universidade Princeton. Lá em Princeton, o Tom dá aula sobre
teoria das mídias e ele trabalha com vários gêneros. São cinema, mais outros mídias também,
mas eu sou também um curador. Ele organiza as posições e também é colecionador.
E isso pode até parecer tipo um hobby dele, mas tem a ver com todo o resto.
Eu gosto muito de pensar com objetos. Quando eu sentei com ele para gravar as nossas vozes,
o Tom começou a me contar sobre um momento muito específico na história da tecnologia
da gravação de áudio. As gravações mais antigas da voz humana são dos anos 1850.
E no começo de tudo, as gravações eram uma tecnologia super-esmerimental e pouco
acessível. Mas há um século mais ou menos o jogo mudou. O que entrou em cena foi o disco.
Esse disco era uma novidade, porque o que tinha antes era uns rolinhos, uns cilindros de cera.
O princípio era o mesmo, mas em vez da agulha girar em cima do disco, ela girava em torno do rolo.
Os discos eram muito mais resistentes, muito mais baratos, mais fáceis de transportar e de guardar também.
E foi aí que nasceu a indústria fonográfica.
Mas o que ficou meio esquecido foi o fato de que, por um tempo, essa tecnologia de gravação em disco também ficou disponível para o público em geral.
Pela primeira vez, as pessoas começaram até acesso a equipamentos de gravação,
a possibilidade de elas mesmas gravarem um disco.
Era um poder inédito e isso foi nos anos 20 do século passado.
Então, no meio dos anos 20, você pode ir num estúdio. Dava pra ir num estúdio de gravação, mas também tinha até em lojas de departamento.
Você tá ali escolhendo um belo chapéu e aí você pode dar um pulinho numa cabine de gravação.
É gravar um mensagem pra mandar.
Gravar a sua voz num disco e botar no correio pra ser ouvido por alguém.
Uma carta falada.
Eles eram chamados de fono postais, como se fosse um cartão postal em áudio.
Curiosamente, é uma coisa que ninguém conhece.
Quando Tom descobriu as cartas faladas aos 15 anos, ele começou a colecionar feito um doido.
Uma carta falada não precisa ser gravada num disco.
Tom coleciona tudo quanto é carta falada, feito em gravador de rolo, em fita cassete.
Mas são todas vozes gravadas pra serem mandadas pra alguém.
Tipo o recado de voz do WhatsApp na idade da pedra.
A prática se popularizou mesmo nos anos 30.
Quando eu comecei com Tom, ele tinha acabado de comprar um disco gravado em 1929.
Um cara em Nova Iorque tinha comprado um disco e tinha gravado um recado de parabéns pra uma cantora de opera em Londres.
Pra quem tem preguiça de ouvir recado de voz no WhatsApp, imagina que é seu aniversário e começa a chegar um disco atrás do outro.
E não era só uma coisa dos Estados Unidos e da Europa, isso começou a rolar no mundo todo.
Tudo bem, não era todo mundo que tinha dinheiro pra frequentar a loja de departamento, mas não era um serviço muito caro.
Inclusive, costumava ser mais barato do que fazer uma ligação de longa distância.
Nos anos 30, começa uma novo sistema, um tipo de cabines.
Quase igual a essa cabines, que todo mundo conhece agora, onde você vai pra fazer um foto de você. Então lá, você vai nessa cabine, você boto alguns pedaços de dinheiro.
Você entrava e fiava algumas moedas e aí a máquina começou a gravar.
E você gravou dois minutos de mensagens sobre um pequenininho disco de 10 cm e sai esse disco com um golpe e você pode mandar esse para o coreio.
E esses discos funcionavam que nem todos os outros, dava pra tocar na sua vitrola, no seu toca-discos, enfim.
E tinha essas cabines de gravação em tudo quanto era o lugar.
Tem alguns lugares turísticos, mas também nos estacionos de ônibus, de trein, em cima do Empire State Building.
Galadero, eu vou gastar do senhor a fizesiores e estamos num país de novo a melhor, admirando esta magnífica cidade.
Deve até países que incorporaram os fono-postais dentro do serviço de correios.
Nos anos 30 e na Alemania foi o primeiro tentativo de essa modelo, depois, interessantamente, na Argentina.
A Argentina inaugurou o serviço nacional de fono-postal em 1939.
E nesse caso, o sistema era um pouco diferente.
Você ia na agência dos correios e gravava um disco.
Vamos dizer que você gravou num disco uma mensagem pro seu tio Carlos, que mora numa zona rural.
O disco ia parar na agência postal mais perto do tio Carlos e ele podia e ouvi o discular, pro caso muito provável,
dele não ter nem gramofônio, nem vitrola e talvez nem luz em casa.
Ah, isso democratiza bastante, né?
Exatamente. E essa estrutura abre a comunicação postal de deletras, as pessoas que não sabem ler e que não sabem scriber.
Então, muito importante.
Depois da Argentina começou o serviço no Brasil, no final de 1941.
Abriram várias agências no Rio, que ainda era capital, onde as pessoas podiam gravar esses recados.
E nas mesmas agências tinha vitrolas onde os destinatários podiam ouvi.
No entrevista na época, o diretor geral dos correios fazia questão de dizer que a gravação era absolutamente sigilosa,
que as portas eram herméticamente fechadas.
Ele dizia que a maior parte dos fono-postais era mandada para o norte do país.
Mas que outra boa parte dos discos nem chegava a ser despachada.
Tem uma aspada dele que diz assim.
Grande parte dos discos tem sido gravados por gente do morro, que trazendo instrumentos, adquire o disco e nele fixa as suas canções.
Quer dizer, lá nos anos 40, você podia gravar um disco demo na magência de correios.
E não era pouca gente que fazia isso.
Quando apareciam essas bandas para gravar nos correios, juntava tanta gente só para espiar,
que até atrapalhava o fluxo dos carros.
Está um grande que foi um problema para o trânsito.
O Tom acha que esses discos, se ainda estiverem por aí, podiam ajudar a gente a reescrever a história da música popular brasileira.
Uma coisa engraçada no arquivo do Tom é que tem muita gente que canta mesmo, e, vez de só falar.
Tem gente cantando em alemão, em espanhol, em inglês.
Música de amor, músicas em graçadinhas.
Música que deviam significar alguma coisa para quem fosse receber.
Uma das hipóteses do Tom é que essa é uma vantagem da gravação da voz, da carta falada, sobre a carta escrito.
Porque você consegue passar a qualidade musical da voz.
Você consegue brincar com a intonação ou ouvir o timbre.
Então, dá ali a cantar, é um pulo.
Outra coisa que a gente tem que pensar é como essa experiência devia ser nova, devia ser diferente para quem estava gravando.
Tenta esquecer tudo que você já naturalizou e pensar nisso.
A ideia de você falar alguma coisa, fechado num estúdiozinho sem ninguém na sua frente, e que só vai chegar no ouvido de uma outra pessoa no futuro.
Não tem aquela expressão palavras ao vento, você falava e o vento, os correios levavam a sua voz, o seu timbre, para o nunca mais.
Agora, as suas palavras estavam sendo gravadas nos sucos de um disco para um ouvido futuro.
A pessoa pode receber aquilo depois de dois meses, três meses, eles não sabem quem vai estar na sala, por exemplo.
Isso é uma coisa que eu pensei num caso, porque eu achei, eu fiquei fascinada por um áudio de um argentino, que é um sujeito chamado Ricardo, que está apaixonado por uma mulher chama da Reineia.
Que os eu, por sempre, estão atulados, mas isso ainda é amor, não está amor eterno.
Lembra que o diretor dos correios tinha falado várias vezes naquela entrevista, que as cabines eram herméticamente fechadas?
Imagino que talvez fosse por causa de recados como esse.
É muito apaixonado, e ele não vê a Reineia muito tempo, e ele faz o que eu ouvindo a flagente, esse homem, inventou o fundo sexo.
Porque ele faz uma carta de amor, assim, na créditável.
Ele grava dos dois lados do disco, que nem todo mundo faz, né?
E ele suspira, então despeço, despeço, reenpeço.
Mas eu fiquei pensando, se a Reineia bota isso na sala da casa dela, e ela está ouvindo com os pais, por exemplo, entendeu?
Isso para dar uma confusão da nada, porque é meio complicado.
Então, não é nada explície, obviamente, acho que é dos anos 30, mas você sente na voz do cara uma coisa sensual.
Não é uma vontade de estar fisicamente com o arrenei, e eu fiquei imaginando isso.
Porque quando ele gravou, ele não sabe quem vai estar do lado dela, quando o ovi, né?
Essa é um problema grande que você ouve também sobre muitos discos.
Nesses anos, 30, 40, onde foi o gramofone?
Na sala, quando você botam um disco na sala, não ser quarto privado,
outros gente pode ficar lá também completamente. Então, sobre várias discos,
você tem essa, como dizia, anxiety.
A ansiedade.
A ansiedade, você pode ouvir essa ansiedade, várias formas, por exemplo.
Os pessoas falam, "Oh, meu amor, e o que você sabe que o que?"
Já estou atulado, convitarinho, né?
Eu vou saber, porque também é um detalhe muito interessante,
que não somente ele tem um forma de falar muito sensual.
Ele fala muito baixo, mas também ele usa o silêncio de forma retorico.
Ele não. Ele não. Ele não enche o silêncio, ele usa o silêncio.
Essa silêncio é também uma outra forma de, em inglês,
essa chama "medium specificity". O silêncio é uma forma de falar,
você pode falar coisas com a pausa entre dois palavras,
que você não pode fazer na carta escrita.
Então, o silêncio é uma forma expressivo nessa médium.
Às vezes, a ansiedade vem daí mesmo.
Da vontade de estar com a pessoa para quem você está mandando o recado.
Mas também a gente que ficava ansiosa só pelo fato de estar gravando.
Quando você comenta a gravação desses discos, essa gravação não para.
Não dava para voltar, não dava para regravar.
Então, se você não tem nada para dizer, essa nada também é gravou.
É, está registrado.
É a estrutura de uma secoanelítico onde o fato de não poder falar de uma coisa fala.
E também você tem outra coisa que eu gosto muito.
Ele fala do fato da gravação.
Oi, são aqui gravando um disco incrível.
Eu não tenho muito tempo, mas vou tentar falar tudo e quero fazer assim.
Tem um maravilhoso americano ótimo que está viajando pelo país e que diz.
Então, uma mãe para pai não se preocupem comigo porque eu vou sumir um tempo.
Então, se eu sumir vocês não se preocupem, pode deixar que o meu carro está funcionando muito bem.
Ele está ótimo porque eu acho que a preocupação deve ser essa né?
Isso é nos anos 30 né, o sujeito viajando pelo.
Ele diz eu estou conhecendo os Estados Unidos inteiro, eu estou adorando.
Super bem, mas vou dar uma sumida, vocês não se preocupem.
É uma coisa muito interessante sobre essa mensagem, nessa viagem que ele fez para todos os países do Estados Unidos, grande país.
Em várias cidades ele, eu não sei como ele conseguiu, mas ele achou um lugar para fazer um gravação e tem um série de discos.
Dele, você tem uma série de discos dele?
Você tem um percoço da viagem dele, um pedaço pelo menos, que maravilha.
Hoje eu sou no Texas, essa é o último pedaço de Louisiana, foi um pouquinho longe, mas estou vivendo.
Muito interessante, você tem?
Eu penso que foi 8 discos sobre essa viagem.
O Tom está nessa longa viagem com os fono postais, faz uns 15 anos.
Ele ama feiras de antigüidade, mercado de pulgas, que são o tipo do lugar onde você encontra coisas que você nem sabia que podia querer.
E foi numa dessas feiras que ele achou o primeiro fono postal dele.
Eu descobri um desses discos dentro um envelope.
Eu comprei porque esses tipos de coisas nunca viu essa, então eu queria saber mais.
Então, eu ia começar a fazer a pesquisa, sabe, onde tem outros.
Naquele dia, o Tom caiu dentro de um buraco, porque não existia uma coleção desses discos no mundo e não existiam estudos sobre eles.
Na verdade, até hoje não existiam arquivos especializados nisso, mas no mundo milhões desses discos foram gravados ao longo de décadas.
Onde eles foram parar? Como é possível que não tenha ninguém estudando isso?
Além do Tom, claro, o Tom tem uma suspeita, porque uma pergunta que muita gente faz quando sabe da coleção é, tem gravação de gente famosa?
E sim, tem algumas, mas a maior parte e quase toda a coleção do Tom é de gente comum falando sobre coisas comuns.
A comida, os caros, temperatura. O dentes do bebê?
O dentes do bebê, a vida cotidiana, não são espectaculares, mas são muito interessante.
Mas, para um tipo de pensamento acadêmico que quer os grandes momentos da história, esses não são grandes momentos.
Esses pequenos momentos têm muitas coisas para dizer a nosso tempo.
Os fono postais são museus dos pequenos acontecimentos, da vida comum.
E além disso, eles são pratos cheios para os linguistas.
Porque tem vocabulário accents, sotaque e também expressões que não existe mais.
Dá para sentir isso quando você está ouvindo. O Tom de voz é antigo.
É uma coisa muito difícil de captar, mas inconfundível quando você ouve.
Tem um deles, quem é alemão, que eu não consegui entender, mas como o teu arquivo é bem organizado, tem uma descrição do que está acontecendo.
E aí é um pai e uma mãe gravando para os filhos, e aí tem uma hora que a mãe diz.
Quando não estivermos mais aqui, esse disco fica de lembrança para vocês.
Essa também é uma forma dessa ansiedade sobre o vido futuro.
Porque quando eu fala e não sei se quando essa gravação vai ter ouvido, pode ser sem mala próxima, mas pode ser também 40 anos depois.
A gravação separa a voz do corpo. E, no fim, a voz é tudo que sobra.
O Tom me disse também que esse disco específico da mãe alemã é um exemplo da importância dos envelopes.
Porque quando você consegue achar um fono postal com o envelope, isso te diz muita coisa sobre esse fono postal.
De quem? Pra quem? De onde? Pra onde? Em quais circunstâncias?
Essa disco foi gravado em meio dos anos 30, uma feira tecnológica dos fascistas. Então, foi um tipo de competição, vem gravar seu voz, a gente quer a voz da alemânia.
E se você pode pegar essa disco com souvenir, mas você deve pensar, essas pessoas estão gravando esses discos, e no lado deles teve dois soldados Nazi.
Então, eles estão falando, mas também tem lá um forma de ouvir proximal no momento, mas em um forma de censura.
Tem um ouvinte que é o soldado que está ali em pé do lado ouvindo tudo que você está gravando.
Então, por isso que eles ficam falando, sejam bons alemães, pensem na alemãia.
É muito diferente essa carta das outras que você vê de paz e mais mandando para os filhos. Não tem a conversa do dente do bebê, ninguém vai falar das férias na praia.
Então, Tom também tem exemplos da versão americana dessa censura prévia aos recados, porque as cartas faladas que os soldados americanos mandavam para os pais, também a não ser.
O correu durante a guerra é sempre censurado.
Agora, pra mim, é bem fácil pegar um arquivo de som e cortar um pedacinho que eu não quero que saia.
Mas como dava pra fazer isso em 1940?
Bem, há 7 meses agora, antes que você tenha visto a minha voz, então aqui ela está.
Em muitas dessas gravações de soldados aliás, tem uma voz que entra antes, uma voz do patrocinador.
Essa é a voz de Pepsi Cola bringing you the voice of your son Roger.
Exatamente.
O que é essa voz? Essa é a voz do cara que está fazendo a gravação?
O Tom tem um site que está linkado lá na página do episódio no site da Rádio Novelo,
onde dá pra ouvir algumas das milhares de gravações que ele já coletou.
O site não é atualizado há alguns anos porque o Tom só conseguiu botar ele de pé
com uma bolsa de uma fundação alemã e a grana acabou a tempos.
Por enquanto, ele está só caçando cartas faladas.
Ele vive procurando mais insights do tipo mercado livre e bem, em leilão, em mercado de pulgas,
e às vezes, ele compra direto da família da pessoa que gravou.
Nesses casos, ele fica até meio perplexo.
Você não quer guardar o voz do seu avô?
Ele fala, "Não, não tem gramofóneis".
Só que muita gente não tem toca discos mais, então nem faz sentido guardar um disco que não dá pra ouvir, né?
Eu falo, "Bom, venda essa pra mim e eu vou fazer um MP3 ou transfera digital
e eu manda pra você, assim você pode dar a seus filhos, porque é muito mais importante pra você que pra mim".
Toda vez que saiu alguma cobertura sobre o projeto do Tom, mais gente entra em contato.
No site do Tom, tem gravações da Argentina, de Portugal, da Inglaterra, da Holanda, mas nenhuma do Brasil.
Mas na coleção dele tem.
Eu estou indo na praça 15 pra ver se eu pode achar outros e é muito difícil.
Um dos problemas é que esses discos eram bem mais finos do que um disco de música.
Era por isso, em parte, que eles eram tão baratos.
Mas se você tocace demais, uma hora agulha simplesmente furava o disco.
Por isso, que quando o Tom consegue um disco desses, ele normalmente toca só uma vez, na hora de digitalizar.
Agora, depois de todo esse suspense, vamos ouvir um genuino for no postal brasileiro.
Tinha todas as pessoas conhecidas que eu agente ser um ótimo estúpida, mentira e faz que disse meu dinheiro por aí.
Arra, pra você, mas não faça isso, de elegância, nós se lhes não percebemos uma pessoa que marrompa.
Pois olha, todo o que é a razão para se interessar, que agora vocês estão me ouvindo e conhecendo minha delismas qualidade.
É verdade que nós entram-nos atrás, não havia raio, mas ela possui a convicção
do que eu seria um bom um ótimo estúpida.
E eu posso esquecer meus amigos, meus parentes, respondo uma vez.
Só ou não sou o tal, deixe-se de vergonha, não falam?
Então, boas testas e bichas.
Agora, como me tenho terminado o que eu queria dizer, quero fazer uma saudação agarotada.
Essa agarotada, o marco, os doarei, os equi, o antonha, todos os garotos, o que eu quero fazer a minha saudação, saudação de engenho.
O garoto, o garoto, vamos dizer, o garoto para o garoto.
Muito bom, muito bom, ele.
O pressa, né?
A gente sabe muito pouco sobre esse disco, por enquanto.
Não tem nada escrito nele, e não envelope, diz que foi gravado em dezembro de 1943, do Alberto para Beatriz, no aniversário dela.
Mas como o homem na gravação não menciona nenhum desses nomes, nem dá parabéns para Beatriz.
É possível que a gente esteja diante de um caso de identidades ou de envelopes trocados.
De qualquer forma, o que eu achei mais interessante ouvindo esse foram postar o específico,
é que o cara está impostando a voz como se ele tivesse falando para multidões, para uma plateia, ou então no rádio.
Ele está fingindo um forma de telefonema, mas essa mostra que ele está imaginando ou ouvido que não existe nesse momento da gravação.
Essa é bem interessante.
Você não sabe agir diante do microfone, então você pega os modelos que tem.
Tem o rádio, tem os discos de música, e o outro tipo de voz sem corpo, que as pessoas conheciam na época, era o telefone.
Pelas contas do Tom, devem ter sido gravados algumas dezenas de milhares desse tipo de disco no Brasil nos anos 40, mas pouquíssimos deles sobreviveram.
O serviço ainda voltou a funcionar no final dos anos 70, agora em forma de fita cassete.
E o Tom até foi na sede dos correios tentar achar alguma, mas ele só ganhou uma fita virgem.
A foto está lá no nosso site.
As cartas faladas, os cilindros, os discos, as fitas, os recados gravados de uma voz para um ouvido, podem contar toda uma outra história da comunicação no século 20.
Da música, e da vida cotidiana também. O Tom tem até um fono postal português de parabéns, que parece muito um precursor das figurinhas do WhatsApp.
E uma das gravações que eu achei mais tocantes na pequena seleção que está no site do Tom, é justamente de Portugal.
Boa parte das gravações deles são de homens que estão viajando, ou indo para a guerra, mandando as vozes deles para as mulheres.
Mas essa é de uma mãe, ou de quem eu suponho que seja mãe, ou uma tia talvez, tentando fazer uma criança bem pequena falar para mandar um recado para o pai.
E ela tem poucos segundos para fazer isso.
Aquilo tudo deve ser muito estranho para a criança. O pai não está ali naquela salinha, e ele não está do outro lado de um telefone, mas em algum momento o ouvido dele vai estar lá.
Em algum momento, ainda depois disso nem a criança vai estar lá. O que fica é essa tentativa de uma voz procurando um ouvido.
Essa história foi produzida pela flora Thompson Devon. Obrigada por ouvir o rádio na pela presenta.
A gente solta um episódio novo toda quinta-feira, menos para quem é do Clube da Novelo, que já consegue ouvir na quarta, sem anúncio.
Aqui uma pré-vezinha do episódio da semana que vem.
E se tiver algum problema, e os outros casos que não são tão gritantes que nem três identios, pessoas podem se errar lá para frente.
E esse sistema aí que não vale de bosta nenhuma. E esse lado que tá tudo corrompido.
Eu aguantando a minha fila na mesa. Ninguém sabe nada nessa porra.
Nossa fecha se espelhulca.
Além disso, tem episódios bonos, brindes especiais e descontos com as nossas marcas parceiras.
E cada senatura ajuda a gente a trazer cada vez mais histórias que você nem sabia que precisava ouvir.
E para saber mais é só ir lá no nosso site. A gente volta daqui a pouco.
No posto desse episódio, no nosso site, a gente deixou links para o livro do Thales para a outra história que ele já publicou aqui no Rage Novella Presenta.
sobre a lei de Gaga e para o ensaio dele na revista Piauí.
Também dá para conferir o site onde o Tom andou juntando
fono postais de várias épocas e de vários lugares.
E se você tiver um fono postal dando sopa aí em casa e quiser que ele cuide e digitalize,
o e-mail dele também está lá no nosso site.
E vem cá, você sabia que a gente também posta os episódios completos do Rajnavela
no YouTube, lá também tem playlist com histórias avulsas curtinhas de até meia hora.
Vale a pena dar uma olhada e indicar para um amigo que ainda não conhece a gente.
Pra quem tá na gê de sociais, fico convite pra seguir a novela no @rajnavela no Instagram,
no Twitter, no Trédios, no Bluscai e no TikTok.
Pra quem prefere se comunicar por e-mail dá pra mandar críticas, elogios e sugestões de
pauta pro
[email protected].
Se você tem uma marca ou um cliente que tem tudo a ver com os nossos podcastes, você
pode contratar o estúdio novelo pra criar o seu próprio podcast ou pra anunciar nos intervalos
dos nossos episódios.
É só escrever pra gente em
[email protected].
O Rajnavela apresenta é um original da Rajnavela.
A direção criativa é da Paulo Escarpim e da Flora Thompson de Vô.
A direção executiva é da Marcelo Acasaca e a gerência de produto é da Bia Ribeiro.
Nossos repórteres e oteristas são a Bia Guimarães, a Maire Valejo, a Barbar Rubira,
a Carolin namorais, o Victor Hugo Brandalize, o Vinícius Luís, a Evelin Agenta e o Paulo
Vito Ribeiro.
A Ashley Calvo é nossa produtora.
A checagem desse episódio foi feita pelo juberto por cidônio.
Esse episódio teve desenho de som da Raquel Vieira e da Mariana Líon, que assina a
nossa missagem junto com a Bia Guimarães.
O design das nossas peças é do Gustavo Nascimento.
Nossos coordenadores de parceria são o Pedro Lopes e a Ellen Pimentel.
A nossa analista administrativa financeira é a Taina Nogueira e o nosso analista de produto
e a audiência é o Vinícius Magalhões.
Obrigada e até a semana que vem.
"Fall never arrives all at once, verse the air, then the light, and slowly the things you
love begin to find each other.
A jacket meets a dress, a hoodie slips beneath a blazer, an old cap finds a new scarf,
because you donít simply step into the season, you create it, layer by layer, until it finally
feels like fall.
Find fall your way at Ross."