Por que precisamos falar sobre dor menstrual e pélvica
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O episódio aborda a negligência sistêmica com a dor menstrual e pélvica feminina, evidenciada por um estudo em Recife que analisou prontuários de 469.000 meninas e mulheres. A pesquisa revelou que, embora as pacientes relatem dor em 9% dos casos (segundo análise semântica dos textos livres), apenas 0,5% têm registro oficial pelos códigos CID-10. Isso mostra que a dor é ouvida, mas não tratada adequadamente: menos de 5% dos registros mencionam duração ou intensidade, e medicamentos para gases são mais prescritos que os específicos para dor pélvica. A normalização da dor feminina, ensinada desde a infância, agrava o problema, levando à cronicidade e à desistência do tratamento. Mulheres com dor visitam o serviço primário cinco vezes mais que as sem dor, mas raramente recebem encaminhamento ou manejo clínico. Recortes sociais e raciais são críticos: meninas na menarca (cada vez mais cedo) e mulheres negras (com maior limiar de dor, mas maior impacto escolar e laboral) são as mais prejudicadas. A pesquisa também aponta lacunas na formação médica, especialmente entre pediatras e ginecologistas, e defende um atendimento holístico e intersetorial, com políticas nacionais de cuidado que integrem psicologia e fisioterapia. A Prefeitura do Recife planeja capacitar 3.000 profissionais com base nos resultados. O episódio destaca a urgência de legitimar a dor feminina e transformar o sistema de saúde para que as queixas se traduzam em condutas efetivas.
Por que precisamos falar sobre dor menstrual e pélvica.
Se você não menstrua e, portanto, não sentir dores menstruais, pode achar que não vale ouvir esse episódio, mas ele é importante para você saber que existe um padrão que eu arrisco dizer, mundial de negligência com dores que as mulheres sentem.
Pessoa 2
Desde cedo a gente aprendeu a lidar.
Ouviu uma amiga nossa lidando com a dor num certo período do mês, seja com uma bolsa de água quente na sala de aula, um comprimido na enfermaria da escola.
Isso não foi uma fase e certamente deixou marcas na nossa relação com o nosso corpo e com a dor.
Pessoa 1
A gente está fazendo esse episódio porque uma pesquisa trouxe um novo recorte de um problema já conhecido, as falhas no atendimento médico de meninas e mulheres.
Pessoa 2
O estudo analisou prontuários de 469000 meninas e mulheres de 10 a 49 anos atendidas na rede municipal de saúde do Recife entre 2016 e 2025.
E usou inteligência artificial para fazer.
Pessoa 1
Isso quando os pesquisadores analisaram os códigos da Cide 10, aquela classificação Internacional de doenças, acharam registros de dor menstrual ou pélvica em meio por cento dos casos, o equivalente a 1906 meninas e mulheres.
Pessoa 2
Mas quando a ferramenta de e a fez uma análise semântica, interpretando os textos livres escritos pelos profissionais de saúde nos prontuários?
O número saltou para cerca de 9% da amostra, mais de 41000 meninas e mulheres.
Pessoa 1
A pesquisa, conduzida pela vital Strategies Brasil em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora, foi financiada pelo Alana, uma organização da sociedade civil que olha para os direitos das crianças.
Pessoa 2
A atenção dedicada à saúde menstrual de meninas tem crescido no Brasil diante do.
Entendimento de que os impactos da falta de cuidados são amplos.
Dores menstruais ou pélvicas podem, por exemplo, reduzir a frequência escolar e diminuir o tempo de lazer.
Pessoa 1
Entre mulheres adultas, essas dores também tem consequências nas atividades do dia a dia na vida.
E o que o estudo indicou é que há um descompasso entre o que as pacientes relatam e o que acontece com elas depois do atendimento primário.
Ou seja, as dores até são reconhecidas na consulta e anotadas no prontuário.
Mas geralmente não se traduzem em uma conduta que cuide do problema, mesmo quando ele é recorrente.
Pessoa 2
A Secretaria de saúde do Recife disse que pretende usar os resultados da pesquisa para capacitar mais de 3000 profissionais da atenção básica da cidade e que o treinamento vai ser associado a um novo protocolo municipal de planejamento sexual e reprodutivo.
Pessoa 1
Esse não é um problema pontual, ainda que essa pesquisa que analisou a situação do Recife tenha trazido um novo recorte de dores negligenciadas de meninas e mulheres, outras já mostraram que é um problema de boa parte do sistema de saúde público e privado, que profissionais de saúde ignorem queixas de pacientes mulheres.
Pessoa 2
O café de hoje trata das dores que as mulheres sentem e de porque nós nos sentimos pouco ouvidas.
No consultório médico, a gente conversa com a líder da iniciativa de saúde menstrual, dorpélvica e endometriose do Allana, Sofia rainesh.
Pessoa 1
A gente já volta com A Entrevista.
A percepção de que a medicina não foi feita para mulheres.
Sofia talvez a gente possa dizer que é comum entre as mulheres a sensação de que a medicina não foi feita para nós, né?
De que falta estudo, atenção e até cuidado quando se trata de atendimento a mulheres.
A negligencia com a dor feminina já virou tema até de podcast, né?
Nos Estados Unidos tem aquele podcast chamado the retrievels, né?
O que o estudo que vocês conduziram mostrou sobre isso?
Pessoa 3
Esse estudo ele foi encomendado pensando muito nessa perspectiva de que as dores elas não estão sendo ouvidas, de que as meninas e as mulheres estão sentindo dores, ninguém aguenta mais sentir dor.
E ter a sensação de que a medicina, as ciências políticas, os cuidados não são adequados.
Ao mesmo tempo, a gente conhece muito pouco sobre esse atendimento, sobre o que que está acontecendo de fato.
Nas consultas médicas, e aí esse estudo, ele tem essa oportunidade, uma oportunidade de trabalhar com dados de prontuário eletrônico feito pela vida stracted frame net Brasil, em parceria com a prefeitura do Recife, em que se aplica uma metodologia para ler o que está escrito nos prontuários eletrônicos, que trazem 1 o volume gigantesco de texto, mas que com essa metodologia.
Fica possível entender um pouco do que está acontecendo nessas consultas.
E aí, o que é esse estudo mostra é que, de fato, a dor que as meninas e mulheres sentem que a gente sente, elas aparecem nos prontuários muito mais no que as mulheres dizem do que no que está registrado de fato pelos profissionais de saúde.
Então é um estudo que busca ver se essa dor que a gente fala, que sente, tá chegando nos serviços e se ela está sendo escutada.
Pessoa 1
A falta de estudos e de pesquisas, né?
Sobre as dores femininas, essa impressão que a gente tem é real.
Pessoa 3
Ela é real no NIAD, né?
Que é a instituição de financiamento e a pesquisa Americana só 8,8% do orçamento.
Foi pra saúde da mulher nos últimos 10 anos.
E esse valor vem caindo ao longo do tempo nesses últimos 10 anos.
Então o que a gente vê?
E existem diferentes estatísticas que mostram quanto se investe pouco.
Em saúde da mulher na ciência hoje.
A normalização da dor feminina e seus recortes sociais e raciais.
É, você acha que dá para dizer que há uma normalização das dores das mulheres?
E aí eu estou pensando dentro e fora do consultório.
Pessoa 3
Sem dúvida, essa é uma das nossas grandes preocupações no Alana, né?
A gente tem uma preocupação muito grande porque as meninas desde muito cedo ouvem.
Que dor é normal, que dor faz parte.
E quando elas menstruam, isso é ainda pior.
Uma fala de que as meninas devem conviver com essa dor, que isso faz parte de ser mulher.
Falta na escola por dor é porque não quer estudar.
Então, sem dúvida, essa é uma dor normalizada e é a normalização da dor.
Que nos leva a um quadro de agravamento da dor de torná la crônica.
Então, sem dúvida, essa é uma dor normalizada.
A gente não tem dimensão.
Do impacto dessa dor na vida das meninas e mulheres.
Mas o que nenhuma mulher negaria, eu imagino, é de que a gente é ensinada.
De que a gente precisa aguentar a dor e fazer as coisas, né?
Seguir as nossas atividades, independentemente dessa dor.
Pessoa 2
Você acha que dá para falar em recortes dentro desse quadro de normalização?
É, penso em recortes sociais, raciais.
EE faço essa pergunta pensando um pouco em estudos que mostram mesmo a questão da normalização dentro de ambientes médicos.
É no caso de mulheres negras, inclusive com doses de anestesia menores para mulheres negras do que para mulheres brancas.
É, enfim, procedimentos práticos, né?
E um impacto prático direto ali nessa normalização.
Pessoa 3
Sem dúvida, eu gostaria de trazer aqui 2 recortes que eu acho muito importantes, o primeiro é etário.
A gente tende anão olhar para a dor das meninas na fase da menarca, essa é uma preocupação nossa muito grande, porque quanto mais cedo uma menina menstrua, mais dores ela tende a sentir.
E a menarca está acontecendo cada vez mais cedo.
Então, essas dores, elas vêm também num momento de um acúmulo de vulnerabilidades que essa faixa etária dos 10 aos 14 aos 17 anos trás.
E o segundo recorte é o racial.
Porque a dor.
Ela tem um elemento que é o limiar de dor.
Como você nomeia a dor?
Então uma pessoa pode dizer que uma dor é muito forte ou não tão forte para ela, a depender do limiar de dor dela.
O que os dados têm mostrado?
É que mulheres negras têm um alto linear de dor, e isso deve se confirmar também com meninas.
Então elas, quando você pergunta, você sente dor forte ou você sente dor moderada?
A resposta em geral é não, ou menos dor forte, mais dor moderada.
Mas isso não significa que o impacto na vida seja menor, porque na prática, ela perde mais dias de trabalho ou ela perde mais dias de escola por conta da dor.
Então é possível afirmar que existe uma complexidade muito causada pela normalização da dor que afeta mais mulheres negras, por exemplo, que são ensinadas a ter um limiar de dor maior, né?
E, portanto, não nomear essa dor da mesma forma que outras pessoas.
Mas isso não significa que essa dor não acontece e não impacta a sua vida, muito pelo contrário.
O descompasso entre o relato da paciente e a conduta médica.
Bom, Alana financiou um estudo para identificar os casos e as queixas de dor pélvica e analisar os diagnósticos e condutas médicas ligadas a isso, né?
É sobre isso que a gente tá falando aqui.
O que vocês chamam de dor pélvica é cólica menstrual?
É o que exatamente?
Pessoa 3
A dor pélvica, ela é mais comumente traduzida como cólica menstrual.
Ela pode ter casos de dores que são pélvicas, mas que causam dor nas costas, que fazem irradiações.
Tem as dores menstruais, que são as dores que podem estar espalhadas pelo corpo.
Mas, sem dúvida, a mais prevalente.
A mais conhecida é a.
Cólica menstrual, como a gente chama popularmente?
Pessoa 2
Tem uma coisa que o estudo mostra, né?
Que eu acho que você já pincelou um pouco.
É quando você falou da quantidade de informações que tem no prontuário.
EEO estudo mostra que as anotações clínicas dos atendimentos das mulheres raramente tem informações ou tinham informações nesses casos, analisados sobre a duração, a frequência, a intensidade dos sintomas.
Que quadro esses e outros dados pintaram pra vocês?
Como sobre como é o atendimento das meninas e das mulheres na rede pública, que foi o que vocês analisaram, né?
Pessoa 3
As mulheres com histórico de dor visitaram o serviço de atenção primária 24 vezes no período estudado, em média, o que significa 5 vezes mais do que as mulheres do grupo sem dor.
Então o que a gente está dizendo é, elas estão tendo atendimento e elas estão procurando atendimento com frequência.
Por outro lado, quando você analisa só os códigos de Internacional de doenças do cid 10, né, que é quando os médicos classificam o que tá se passando com aquela mulher.
Só foram encontrados 1906 casos com CIDs relacionados a dores menstruais, dores pélvicas.
É guidor crônica ou.
Doenças relacionadas a isso, como endometriose, adenomiose por outro lado, quando aplicada a metodologia de análise da semântica dos prontuários, né?
Do que está escrito neles?
Nos Campos abertos, esse número de 1906 cresce para 41000 meninas e mulheres, né?
É um crescimento gigantesco.
Que chama atenção e que mostra o quanto a gente não está vendo nos registros e o que a gente utiliza para cálculo de prevalência, por exemplo.
Isso está invisibilizado também nos registros.
Menos de 5% desses registros têm menções.
A duração, frequência e intensidade dos sintomas são coisas fundamentais para você entender a cronicidade, para você entender a as características e para encaminhar para um.
Tratamento ou manejo da dor?
Quando você tem dores crônicas e Fortes, é importante que a atenção primária faça esse encaminhamento.
Então, quando chega no campo do encaminhamento, eles estão fazendo o encaminhamento para a especialidade.
Isso isso está acontecendo.
O que não está acontecendo é o tratamento.
E o manejo clínico dessa dor que poderia ter sido feita ali, na atenção primária, para que essas meninas e mulheres saiam desse consultório com um plano de melhoria desse quadro.
E aí, finalmente, como?
Os prontuários mostram muito mais menções nesses planos sobre medicamentos, por exemplo, para gases e constipação intestinal.
Do que medicamentos específicos para dores pélvicas ou o que as recomendações clínicas para esse tipo de quadro?
A desistência do tratamento e a dúvida sobre a própria dor.
Essa falha no atendimento, né?
Nesse primeiro atendimento, até que elas sejam encaminhadas a especialistas.
A falha nos registros, né?
Dos prontuários.
Talvez até na escuta, né?
Desses médicos.
É um problema generalizado que o estudo identificou.
O que eu quero dizer é, é uma falha que aparece no atendimento de meninas e mulheres ou de todo mundo.
Pessoa 3
Essa é uma falha que aparece tanto com meninas quanto com mulheres e é generalizado.
É claro que esse é um recorte de um município, então a gente tem que levar isso em consideração.
Mas a gente sabe que retrata uma realidade muito frequentemente relatada pelas pacientes que têm uma trajetória longa de dor crônica.
Pessoa 2
É e aí o que acontece na prática é que você se distancia.
É do sistema de saúde, né?
Falando de um lugar bem pessoal, como alguém que tem dores muito Fortes de 2 a 3 dias por mês, desde os 10 anos de idade. 1 hora você só desiste de ir no médico e fica em casa e, se for o caso, apaga de dor, como era meu caso na adolescência, então?
Assim, muitas dessas meninas e mulheres a gente nem sabe que estão sofrendo com dores todos os meses, né?
Pessoa 3
Exatamente.
E qual o impacto disso na vida dessas meninas e mulheres, né?
Que acabam também.
É isso que você falou?
Desiste do tratamento médico?
Porque a sensação que dá é que a medicina e a ciência não têm respostas efetivas.
Então, se não tem, ou a gente duvida da nossa própria dor, ou a gente aceita que sente dor e que não tem o que fazer, que são 2 quadros muito problemáticos.
Pessoa 2
Eu IA até te perguntar sobre isso, sobre a gente duvidar da própria dor, né?
Como é que essa análise ou o que essa análise dá de pista sobre como as meninas e as mulheres percebem e descrevem as dores que sentem?
Que tipo de paciente a gente é, né?
Quanto a percepção de dor que as próprias mulheres têm afeta esses diagnósticos e esses tratamentos?
Mais cedo você falava do limiar de dor.
Isso está então um pouco também na nossa própria percepção.
Pessoa 3
Sem dúvida é o que nos surpreendeu nesse estudo, é que por meio da análise do campo de subjetivo, a completude desse campo e o nível de detalhes que a gente encontrou nesses campo, ele aponta para.
Meninas e mulheres falando sobre a sua dor.
Então não é o caso de que elas não estão chegando e falando sobre a dor.
A dor está sendo dita e está a gravidade da dor está sendo relatada pelas pacientes.
Então o estudo não dá indícios de que esse limiar de dor.
É claro, né?
Aqui é uma limitação do estudo que se essa paciente não fala sobre dor e a dor não é tratada e ela desaparece desses registros, então o estudo acaba que pega os casos que tem informação.
Mas a informação que a gente encontra é uma informação que aponta para mais detalhes no relato da menina e da mulher.
Pessoa 1
Foi possível ver pelo estudo uma diferença no atendimento de mulheres feito por mulheres, faz diferença quando a gente fala de dorpélvica ser atendida por uma médica e não um médico.
A influência da formação médica e especialização no atendimento à dor.
Globalmente, existem estudos que mostram algumas diferenças de desfecho em saúde.
Quando as pessoas são tratadas por médicos, homens, médicas, mulheres, existem alguns dados sobre tempo de consulta que é diferente, mas não existe um estudo específico sobre isso no manejo de dor, né?
Eu acho que sem dúvida, existe uma sensação de identificação com a médica mulher, né?
E de que pode haver uma maior empatia.
Eu acho que isso é algo muito relatado pelas meninas e pelas mulheres, mas não existem.
Dados sobre isso.
E eu acho que aqui é importante trazer como existe um problema de formação médica mesmo, para o olhar naturalizado para dor, inclusive na formação médica.
E aí um outro ponto que a gente vem discutindo bastante é como as especialidades, elas acabam deixando vácuos nos serviços e nos atendimentos, né?
Porque as meninas na época da menarca.
A maior parte das meninas menstruou até uns 11 anos.
A gente não pode considerar que a menarca É o Fim da infância.
A menarca muitas vezes acontece na infância e quem cuida de crianças são os pediatras.
Os pediatras devem estar formados e preparados para lidar com essa fase da vida e eles, na prática, não estão.
Então ali fica 11.
Vácuo, né?
De olhar de um preparo para esse olhar específico para as meninas, que deveria serem, pela lógica, atendidas pelas ginecologistas.
Mas elas são crianças e as ginecologistas e os ginecologistas também estão mais preparados para lidar com a fase adulta.
E da mesma forma, muitas das dores crônicas elas acontecem de forma.
Difusa pelo corpo, então podem acontecer dores de cabeça, dores no corpo, por exemplo, síndromes metabólicas que misturam tanto questões neurológicas como endócrinas como ginecológicas.
Então acaba que esse olhar Holístico, ele muitas vezes se perde nas especialidades.
Então para mim assim, a questão dos médicos serem homem ou serem mulher depende, é um fator que afeta menos.
Apesar da sensação das pacientes ser diferente, mas tanto as especialidades como a priorização e a escuta.
Quando as meninas e mulheres estão falando sobre dor e falar isso aqui é algo importante, isso aqui é uma prioridade.
Que deve ser dado.
É um caso que deve ser olhado com cuidado.
Isso está mais no treinamento médico.
Independente se a gente está falando de um médico homem ou de uma médica mulher.
Propostas para um atendimento mais holístico e a importância de ser ouvida.
E aí?
Pessoa 2
Na visão de vocês, é, qual o que que precisaria ser feito no atendimento de mulheres, né?
A gente falou do diagnóstico desses atendimentos, qual deve ser o tratamento para o sistema de saúde.
Pessoa 3
Como é isso, né?
Como eu falei, acho que o primeiro passo é a gente ter pediatras, clínicos, médicos da família, preparados para lidar com esse tipo de caso na atenção primária, para que seja feito um monitoramento próximo e que sejam adotadas todas as recomendações da febrasgo sobre manejo de dor na atenção primária nesses primeiros atendimentos.
E aí, uma vez que essa dor se mostra como algo que foge dos padrões esperados, que esse caso seja devidamente encaminhado.
Encaminhado não significa apenas encaminhado para especialidade.
A gente espera que exista uma política nacional de cuidados, uma política que olhe de forma holística e intersetorial, porque a dor crônica, quando ela tira as meninas e mulheres das suas atividades.
Ela não se resume a dor física, né?
Existe um sofrimento com essa dor.
É importante que essas meninas e mulheres tenham também um acompanhamento, por exemplo, psicológico, fisioterapêutico.
Então, que esse olhar integral e Holístico seja garantido a essas meninas e mulheres.
Pessoa 2
Acho que só de você chegar num atendimento médico e alguém dizer que reconhece a sua dor, talvez já fosse um avanço grande, porque você, você de alguma maneira legitima aquilo, né?
Aquilo que você tá sentindo, né?
Pessoa 3
Exatamente, eu acho que talvez esse assunto, desde que eu trabalho com ele, me impressiona porque em todas as mesas e situações de conversa que eu tenho, as mulheres e as meninas se identificam muito rapidamente.
Com o tema e a gente vê como é uma realidade constante e aí algo que é comum a todas nós é como é bom chegar numa consulta e ser escutada e ouvir na resposta daquele profissional de saúde que ele considerou que você falou ao pensar uma conduta, ao definir um plano.
De tratamento?
Esse profissional está considerando tudo que eu falei aqui.
Isso é algo muito comum entre meninas e mulheres.
Pessoa 1
A procuradoria geral da República deve manter negociações com Daniel vocare para uma delação premiada mesmo depois de a polícia federal ter rejeitado um acordo com o dono do banco master.
PGR mantém negociações para delação premiada de Daniel Dantas.
Na noite de quarta-feira, veio a público a notícia de que, na avaliação da PFO, que foi apresentado pela defesa de vocare na proposta de colaboração, foi insuficiente.
O documento não incluía nem informações encontradas no celular do banqueiro.
A visão da PGR, no entanto, é de que as negociações de delações dessa magnitude.
Não devem se esgotar depois da primeira proposta.
Ainda assim, termos que pesaram pra rejeição da PF também encontram resistência na PGR.
Um deles é a proposta de borkário devolver 40 bilhões de reais em 10 anos.
APFEAPGR esperam a devolução de 60 bilhões em um prazo mais curto.
Qualquer acordo que venha a ser fechado ainda teria que passar pelo crivo do ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal.
Nas últimas semanas, as dúvidas sobre a proposta de delação do banqueiro cresceram também com o avanço das investigações.
APF chegou a figuras como senador Ciro Nogueira.
Em outra frente, o site The Intercept Brasil revelou a proximidade entre borcaro e o senador Flávio Bolsonaro.
Ontem, o pré candidato do PL usou uma sessão conjunta do Congresso para cobrar a instalação de uma CPI do master.
Ele disse não ter nada Temer ou esconder nomes.
Governistas também cobraram o presidente do Senado, mas Davi alcolumbre ignorou as questões de ordem e disse que tem prerrogativa para escolher quando instalar a comissão.
A folha mostrou que parlamentares admitem, nos bastidores, que isso é um jogo de cena.
Na prática, ninguém tem interesse na CPI.
As histórias mais bizarras ouvidas em consultórios médicos.
Esse foi o café da manhã, o podcast mais importante do seu dia, parceria entre a folha e o Spotify.
Pessoa 1
Eu sou o maggê flores.
Pessoa 2
E eu, Gabriela Mayer, a.
Pessoa 1
Produção é de Jéssica Cruz, Laura Lever e Gustavo Luiz a edição de som é de Tomé graneman.
Pessoa 2
Debate do fim de semana.
Pessoa 1
Debate do fim de semana no consultório médico, qual foi a coisa mais bizarra que você já ouviu durante uma consulta?
Pessoa 2
Certo debate do fim de semana será mais longo que o episódio em si.
Pessoa 1
Não, a gente vai escolher 11 coisinha.
Pessoa 2
Tá, eu vou escolher uma que eu não sei se é a mais bizarra, mas assim é muito bizarra.
E pra mim foi muito marcante, porque foi quase uma, além de tudo, uma sina assim que o médico determinou.
Pessoa 1
11 uruca que ele te jogou?
Pessoa 2
Eu fui ao ortopedista.
É pra ver uma questão na minha coluna.
Eu tenho uma escoliose.
E a minha escoliose, enfim, minha coluna é bem torta.
Basicamente, esse é o resumo da história.
E aí eu cheguei lá com o exame e ele olhou o exame e falou assim, para mim, eu tinha uns 25 anos.
Você nem sonhe em engravidar com uma coluna dessas.
O seu corpo não consegue sustentar uma gravidez.
E eu fiquei absolutamente em choque assim, pensando, primeiro, quem disse que isso é um tema para mim?
Nunca tinha falado sobre isso com ele.
Pessoa 1
Não estou consultando um obstetra.
Pessoa 2
É.
E assim não está nos meus planos.
Não é um tema nesse momento na minha vida.
E além do que se for em um momento.
Momento da minha vida.
Eu vou ficar andando com essa coisa na cabeça que é?
Pois é, nem sonhe.
Pois é o horror.
E você?
Pessoa 1
Enquanto você fala essa, esse tipo de coisa é tão comum que enquanto você falava, eu já lembrei de uma outra história, de uma amiga minha mega parecida com essa, então assim, olha, vou te contar.
A minha história.
Fiquei até na dúvida se eu devia falar ela aqui, mas eu vou.
Eu era uma jovem adulta, estava na faculdade, devia estar, sei lá, no final da faculdade.
E eu fui numa ginecologista indicada por uma colega da faculdade e ela ela perguntou pra mim assim?
Pessoa 2
Até difícil reproduzir, né?
Pessoa 1
É muito inacreditável, a senhora sua mãe sabe que você não é virgem?
Que que a senhora?
Minha mãe, né?
Porque que ela de repente foi trazida para cá, né?
Para esse consultório médico aqui, não sei.
Ah, cara, olha, vou te falar.
É o tipo de coisa que você não sabe nem o que responder na hora que você fica tão.
Pessoa 2
Em choque, né?
Depois você fica pensando, nossa, eu deveria ter falado não sei o.
Pessoa 1
Quê deveria ter levantado e ido embora, né?
Pessoa 2
Exatamente.
Pessoa 1
Mas é isso, comentem aí as coisas mais bizarras que vocês já ouviram, porque olha.
Tem uma história que eu se tem um tópico que eu gosto é esse.
Pessoa 2
É por isso que quando eu acho um bom médico, uma boa médica, assim, olha, eu não deixo ir de jeito nenhum, eu fico pra sempre ali, porque é muito bom se sentir acolhido no consultório médico, né?
Pessoa 1
Pois é, menina, é isso.
Pessoa 2
Bom fim de semana.
Pessoa 1
Pra doutora Ju, minha médica.
Pessoa 2
Até segunda.
Pessoa 1
Até.
Podcast Summary
Key Points:
Estudo em Recife analisou 469.000 prontuários de meninas e mulheres (10-49 anos) entre 2016 e 2025, revelando que apenas 0,5% dos casos tinham registro de dor menstrual/pélvica pelos códigos CID-10, mas 9% mencionavam dor em textos livres.
A dor feminina é normalizada desde cedo, com meninas ouvindo que "dor faz parte de ser mulher", o que leva à cronicidade e à desistência do tratamento.
Há descompasso entre o relato das pacientes e a conduta médica
Mulheres com dor visitam o serviço primário 5 vezes mais que as sem dor, mas menos de 5% dos registros mencionam duração, frequência ou intensidade dos sintomas.
Recortes etário e racial agravam o problema
A pesquisa, conduzida pela Vital Strategies Brasil e UFJF, financiada pelo Alana, será usada para capacitar 3.000 profissionais da atenção básica do Recife.
Summary:
000 meninas e mulheres. A pesquisa revelou que, embora as pacientes relatem dor em 9% dos casos (segundo análise semântica dos textos livres), apenas 0,5% têm registro oficial pelos códigos CID-10. Isso mostra que a dor é ouvida, mas não tratada adequadamente: menos de 5% dos registros mencionam duração ou intensidade, e medicamentos para gases são mais prescritos que os específicos para dor pélvica.
A normalização da dor feminina, ensinada desde a infância, agrava o problema, levando à cronicidade e à desistência do tratamento. Mulheres com dor visitam o serviço primário cinco vezes mais que as sem dor, mas raramente recebem encaminhamento ou manejo clínico. Recortes sociais e raciais são críticos: meninas na menarca (cada vez mais cedo) e mulheres negras (com maior limiar de dor, mas maior impacto escolar e laboral) são as mais prejudicadas.
A pesquisa também aponta lacunas na formação médica, especialmente entre pediatras e ginecologistas, e defende um atendimento holístico e intersetorial, com políticas nacionais de cuidado que integrem psicologia e fisioterapia. 000 profissionais com base nos resultados. O episódio destaca a urgência de legitimar a dor feminina e transformar o sistema de saúde para que as queixas se traduzam em condutas efetivas.
FAQs
A dor pélvica é mais comumente traduzida como cólica menstrual, mas pode incluir dores irradiadas para as costas ou outras partes do corpo. Ela abrange dores menstruais e pélvicas crônicas, sendo a cólica a forma mais prevalente.
Os profissionais de saúde raramente registravam códigos específicos para dor menstrual ou pélvica, mas anotavam os relatos das pacientes em campos de texto livre. A análise semântica capturou essas menções, revelando uma subnotificação massiva nos registros oficiais.
Elas visitaram em média 24 vezes no período, cinco vezes mais que as sem dor. Isso mostra que elas buscam atendimento frequente, mas os registros não refletem a gravidade ou conduzem a tratamentos adequados.
A menarca está ocorrendo cada vez mais cedo, e os pediatras não são treinados para lidar com dores ginecológicas. Isso cria um vácuo de atendimento, pois as meninas não são adequadamente acolhidas nem pela pediatria nem pela ginecologia.
Não houve diferenças significativas no manejo da dor entre médicos homens e mulheres. O fator crucial é a empatia e a escuta ativa, independentemente do gênero do profissional.
A normalização leva as mulheres a duvidarem da própria dor ou a aceitarem que não há o que fazer, resultando em desistência do tratamento médico. Isso agrava condições crônicas como endometriose e adenomiose.
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