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Polilaminina: anatomia de uma promessa

68m 26s

Polilaminina: anatomia de uma promessa

**Key Points** 1. A poli-laminina, descoberta pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, é uma molécula em estudo para tratar lesões medulares, mas ainda não passou por estudos clínicos controlados. 2. O estudo piloto com humanos, que não teve grupo controle e foi realizado com apenas oito pacientes, gerou debates éticos e científicos por falta de evidências sólidas e consistência nos dados. 3. A apresentação da pesquisa em eventos públicos, com afirmações muito fortes e um tom de promessa milagrosa, levou à desinformação e ao aumento da pressão social, sem base científica suficiente para garantir segurança ou eficácia. **Pontos principais** A poli-laminina, desenvolvida pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio, é uma molécula promissora para tratar lesões medulares, mas ainda não passou por estudos clínicos rigorosos como as fases 1, 2 e 3. O estudo inicial com humanos, que contou apenas com oito pacientes e não incluiu grupo controle, gerou grande repercussão, especialmente por meio de apresentações públicas com afirmações excessivas. A ausência de um grupo controle, a falha na transparência dos dados — como a possível confusão entre pacientes com lesão aguda e incompleta, e a mudança de informações entre versões do artigo — levou à suspeita de manipulação e falta de rigor científico. Além disso, a farmacêutica Cristalha investiu 100 milhões de reais e lançou uma coletiva com forte tom otimista antes da liberação oficial dos dados, o que suscita dúvidas sobre a motivação por trás da divulgação. A comunidade científica rejeitou o estudo por não atender aos padrões éticos e metodológicos, como a necessidade de comparação com grupo controle, uso de dados históricos ou registro prévio do protocolo. A poli-laminina ainda não é provada como eficaz, e o risco de benefícios falsos e a pressão social geram preocupações sobre a desinformação e o potencial de prejudicar a confiança na ciência. A história ilustra como a promessa de cura comum, o desejo de transformar pesquisadores em "heróis" e a ausência de regulamentação podem distorcer o processo científico, colocando em risco a ética, a segurança e a credibilidade da pesquisa.

Transcription

10277 Words, 60255 Characters

Portuguese
O ciência surge até o selo da rádio guarda chuva, jornalismo para quem gosta de ouvir. Desde o dia que a gente sabia que funcionava em rato, até hoje passaram mais de 10 anos. Sabe, em 15 anos, dizendo "Não, eu preciso esperar mais um pouquinho, não preciso mais esperar mais um pouquinho". A voz que você tá ouvindo é da Tatiana Coelho de Sampaio, num evento sobre mulheres na ciência em março de 26 na Úspid São Carlos. A Tatiana é bióloga, professora e pesquisadora à décadas da Universidade Federal do Rio de Janeiro. E nos últimos meses, para alguns, ela virou a mulher mais importante do Brasil, a merecedora do próximo premio Nobel. Ela é a criadora da poli-laminina, uma molécula que vem sendo testada para tratar leisões medulares que causam para a plejia e tetra-plejia. Sabe, eu fui pensando no dia que eu chegar lá no pagatório, a lista que São Pedro vai me apresentar, todas as pessoas que não foram ajudadas porque eu estava com medo de ser acusada, de ser presada. Aí eu fui começando caraca, não sei. É tipo, se correu, os pegas ficavam respondendo, não sei o que ele vai fazer. Mas eu acho que é uma preocupação, sim. A partir eu tenho um clique, tem uma hora que você acha, eu acho que vai funcionar. Eu acho que vai mesmo funcionar. Aí, quando você acha que vai mesmo funcionar, aí você não consegue mais segurar. Porque aí esse peso de não fazer começa a ficar maior do que o peso do que o medo de fazer. A gente teve acesso a esses áudios, mas a qualidade não estava legal. Então ficaram alguns ruídos, mesmo depois que o Felipe Barbosa fez a mágica dele. Mas deu para entender o que a Tatiana falou e o sentido disso, né? Ela quase concede que os estudos ainda não estão avançados o suficiente, com essa história de ser acusada, de apressada. Mas mata no peito a afirmação de que vai funcionar. Porque deu um clique nela, uma virada de chave pessoal. Essa foi só uma das declarações polêmicas da Tatiana nesse evento de São Carlos. Ali era para meio que seu encontro de cientistas mulheres onde elas iam contar sobre suas carreiras e dificuldades. Mas acabou virando uma torta de climão. Segunda nossa apuração, a Tatiana foi convidada no ano passado por um grupo de estudantes de física que organizou o evento antes do hype em cima da poli-laminina. Mas quando isso estourou e a data estava se aproximando, os organizadores pediram para a Tatiana focar a fala na carreira dela. Não tanto na poli-laminina e já se prepararam para um possível tumulto. Primeiro, eles separaram a Tatiana das outras pesquisadoras. Enquanto as outras duas fizeram suas apresentações de manhã, no auditório, a Tatiana teve uma parte toda do evento dedicada para ela, de tarde, num ginásio adaptado para receber 600 pessoas. Os ingressos esgotaram em 3 minutos. Taí uma coisa inesperada para um evento sobre mulheres na ciência no interior paulista. Nas redes sociais, muita gente reclamou por não ter conseguido uma vaga. No dia do evento, era que arcoo de pre entrar, segurança, ambulância, imprensa e missoura de TV locais. Na plateia, você vê autoridades da cidade da USP e muitas pessoas com lesão medular. Várias chegaram um cedo e ficaram tentando tirar uma foto com a Tatiana. Tava naipe show de rockstar mesmo. Quando a palestra da Tatiana começou, o título da apresentação de slides já deixava claro que a fala não seria sobre a carreira dela. Abre aspas, a história da poli-laminina da descoberta científica a um novo medicamento, fechar aspas. Eu até entendo que não dá para dissociar completamente a pesquisadora do objeto de estudo dela de décadas. Mas rolou um sequestro de pauta, vai? Ou uma mudança de pauta. Aí depois teve uma mesa redonda com uma cientista de exatas e outra da biomedicina e uma terceira mediadora, também professora da USP. Elas questionaram a Tatiana sobre necessidades de dados mais robustos e de conduzir estudos clínicos controlados antes de fazer barulho com a poli-laminina. Sim, eu entendo muitas atualizantes, porque a gente, todos nós somos humanos, né. Humanos e aí a gente tem essa vontade realmente, né. A gente acredita no que faz, vê o restado na laboratória, que é chegar lá na frente, também também na barnária biomedicina, chegar lá em paciente. A gente como cientista, a gente tem que tirar esse lado emocional para trazer realmente o cuidado. Por que que você acha que a gente é obrigada a servir a ciência? Por que que você tenha uma convicção de que a ciência é mais importante do que tudo? A outra pesquisadora entrou na conversa e explicou que não é que a ciência é a coisa mais importante de todas, mas que ela é uma ótima ferramenta para provar que um tratamento é melhor que outro. E bom, é uma ferramenta que a própria Tatiana tem usado, né. Eu não tenho essa necessidade de ser uma boa cientista. A conversa continuou e as outras convidadas seguiram nessa linha. É um acaso, porque deu certo para vários, não deu certo para outros. Então a gente mostra isso científicamente. Acho que foi nesse sentido que a crise disse que a gente se embasa na ciência para poder ter voz. E é esse exatamente o meu ponto. A gente não precisa da ciência para fazer ter voz. A gente é mais do que a ciência. Eu não preciso de validação da ciência para me validar. Talvez você precise, né. Eu preciso, eu preciso, eu preciso, eu vou dizer mais isso aí de servicência e isso é o álgebra do machismo. Fara de contexto, até daria para entender essa fala dela no sentido de usar ciência como uma ferramenta para melhorar a sociedade. E não como uma coisa mais dogmática. Mas ali, naquele contexto, ela foi questionada sobre os dados científicos que ela produziu para fazer elegações sobre potencial da poli-laminina. E me saiu com essa de que não precisa da ciência para ter voz e que pensar diferente disso seria machismo. Mas pelas palmas, dá para perceber que estava rolando meio que uma torcida mesmo. A Tatiana tinha dito nos bastidores que não ia tender o público, mas a recepção foi tão calorosa que ela saiu do script e foi pra galera, na frente do palco. Aí começou uma confusão de gente querendo encostar nela, tirar foto, um bolô danado. Depois nos bastidores, ela recebeu uma homenagem da prefeitura de São Carlos e da entrevistas rodeada de microfones e câmeras. Enfim, a repercussão interna na USP foi tão negativa que o vídeo da transmissão foi tirado do ar logo depois de terminar o evento. E ninguém tá querendo falar sobre isso abertamente. Até porque também foi na USP de São Carlos que outra molécula fez um ao E. A força etanolamina, a falsa pila do câncer, que protagonizou nosso primeríssimo episódio do câncer sujo. A Fosfo, só para relembrar rapidinho, foi desenvolvida por um químico que logo saiu falando que aquilo ali era a cura do câncer. A história se espalhou, gerou comoção nacional, muito paciente ficava fazendo fila no Instituto de química da USP, alguns inclusive com liminares judiciais na mão. Teve até lei proposta pelo então deputado Jair Bolsonaro para liberar na canetada a produção e uso da Fosfo, sem aprovação da Anvisa. E ela foi sancionada pela então presidente de Omar Josef, que estava na Berlinda com um processo de impeachment, que em barro essa lei foi o STF. Só que aí, quando estudaram de verdade os comprimidos inserios humanos, descobriram que eles não tinham efeito nenhum contra o câncer. Isso atavam fastanas pessoas de tratamentos adequados. A poli-laminina não vai ser tratada aqui no Cência Suja como uma nova Fosfo. Ela é uma molécula mais pesquisada, que foi avaliada preliminarmente pela Anvisa, e que recebeu cerca de 100 milhões de reais de investimento da cristalha, uma farmacêutica nacional que adquiriu os direitos comerciais. Já na Fosfo, tinha profissional entre aspas, fumando o cigarro na bancada enquanto fazer comprimido para cáncer. Mas essa comoção é esse status mecânico de uma pesquisadora, e a pressa com certas etapas da ciência trazem umas lembranças nada agradáveis aqui pro time. Então eu não tenho preocupação se é seguro ou não, se ele é eficaz ou não. O que eu preciso fazer é um rito regulatório para entregar documentações para anvisa. Tá aí o Roger Almeida, diretor de pesquise desenvolvimento do laboratório cristalha. Esse rito regulatório que ele mencionou na verdade são os estudos clínicos de fase 1, 2 e 3. O modelo padrão para comprovar em humanos a segurança e depois a eficácia de um remédio. A poli-laminina nem começou a passar por esse teste de fogo, que, em geral, traz mais resultados negativos do que positivos. Mas como deu provir, a impressão é de que essas etapas fundamentais estão sendo vistas como cumprimento de tabela, como se já existisse uma baixa comprovação. Nos últimos meses, a poli-laminina virou um flaflu, mas, afinal de contas, as críticas são justas, a Tatiana realmente tá com achado extraordinário nas mãos, e o que nós realmente sabemos sobre a poli-laminina. O ciência surge a mergulhão nessa história, e no meio de tanto ruído informações contraditórias, traz uma história não fragmentada sobre o caso, inclusive como as partes não contadas por aí. A gente também vai aproveitar para trazer umas reflexões. O que acontece quando uma linha de pesquisa que nem passou pelo primeiro ensaio clínico, é bombardeada com tanta pressão externa. Vale gerar essa comoção para a ciência ganhar os holofotes da imprensa, a ciência ganha quando a gente transforma em pesquisadores em heróis e remédios em milagres, ou será que ela perde. Eu sou o Terro Preste. Eu sou a Meg Rodríguez, e esse é o ciência suja, o podcast que mostra que em crimes contra ciência, as vítimas somos todos nós. [Música] 12 de junho de 2014. A abertura da Copa do Mundo de futebol masculino no Brasil. Como a gente era feliz, hein? Além de não existir o 7 a 1, ainda tinha esperança por um "X" em casa que nunca veio. A gente quase deixou essa Copa com a Argentina. Mas mesmo no meio disso aí, eu lembro de verdade da expectativa em cima de um acontecimento diferente que estava pra rolar. Escuto esse trecho de uma matéria do G1. Ponta Pé inicial da Copa terá a participação de um jovem para plégico. Graças a um "X" ou esqueleto controlado diretamente pelo cérebro, ele poderá levantar de uma cadeira de rodas, caminhar alguns passos e dar um simbólico, abrir aspas chute e inaugural do campeonato. Fecha aspas. Pessoal, o para plégico é um termo que deixou de ser usado, mas a gente reproduziu aqui, porque a matéria era de 2000 e 14. Mas enfim, o mundo conheceria o famoso "X" esqueleto do neurocientista brasileiro Miguel Nicoleles. Era uma espécie de armadura que permitiria que pessoas com um paraplegia andassem de novo, só que ninguém chegou a levantar de uma cadeira. E ao invés de metros de caminhada, foi um chute de vagarzinho. Tudo isso em sete segundos na TV. O próprio Nicoleles ficou incomodado com essa exibição ajato, como dá pra ver nessa entrevista pra Globo. Pelo visto, a FIFA não estava preparada pra filmar um experimento que vai ser histórico. No ano seguinte, uma lista publicada na revista MIT Technology Review do Massachusetts Institute of Technology, colocou o "X" esqueleto entre os principais fracasso tecnológicos de 2014. O projeto até era promissor, mas a história foi contada de um jeito otimista demais e gerou frustração. Quando a empolgação diminuiu, vieram também as críticas, como o alto custo e a pouca aplicabilidade na vida real. Era um trampolhão, né? Depois de todo o barulho, o ex-esqueleto do Nicoleles sumiu do debate público, embora outros ex-esqueletos sejam usados na reabilitação de pessoas com problemas de locomoção. Essa história é um exemplo de como promessas de cura pra paraplegia e tetraplegia geram muita repercussão. Isso por vários motivos. O impacto da deficiência na vida das pessoas, o capacitismo, o fundo religioso de fazer pessoas voltarem a andar, imagina seu cientista que pode dizer, levanta tianda, que nem Jesus Cristo na Bíblia, mesmo que, na prática, isso possa acontecer sem milagre, viu? É praticamente um mito de que todos os indivíduos com o lesão medular não se recuperam. Todos os indivíduos com o lesão medular vão ficar, utilizando cadeira de rodas. Todos os indivíduos com o lesão medular vão ser acamados, vão ser descientes, enfim. Existe um estereótipo por trás da condição clínica e que ele não é absoluto. É apenas um senso comum social. Essa é a fisioterapeuta franciária Romanini, especialista em na exão medular. Ela faz parte do Spinalcord Injury Rehabilitation Research Group com duas pesquisas clínicas sobre assunto e está concluindo doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina. Aí quando aparece uma cena de um indivíduo que ele pode, sim, ter sido um grande sordudo, digamos, assim, ter uma lesão com recuperação espontânea, a gente não pode descartar essa possibilidade. E aí vem a cena dele fazendo a academia para trabalho, vivendo? Isso é uma coisa estonteante para a comunidade. Nos últimos meses, a Franciel revirou os estudos da poli-laminina de cabeça para baixo e tem dado até aula sobre assunto. Uma coisa que ela explica é que recuperar os movimentos depois de uma lesão medular é possível, embora muitas vezes não aconteça. Isso depende do tipo de lesão de fatores individuais. Por exemplo, muitas vezes a lesão é diagnosticada como completa, aqui realmente paralisa, mas ela é incompleta, ou seja, na verdade ainda restam algumas conexões nervosas que só estão ali atrapalhadas por causa do choque mediato e aí o diagnóstico foi errado. E tem também a rehabilitação com fisioterapia cirurgias que ajudam a devolver a mobilidade. Em alguns casos pode voltar só a sensibilidade, por exemplo, e isso já vale como recuperação. Alguns estudos dizem que entre 9 e 30% das pessoas se recuperam pelo menos parcialmente, considerando a recuperação espontânea e os cuidados disponíveis hoje. Mas aí das duas uma, ou a conexão ainda estava lá, ainda que capenga, ou a rehabilitação ensinou para o cérebro novos caminhos para fazer o corpo se mexer. Curar mesmo uma lesão medular com remédio ou uma tecnologia é outra história. Muita gente já tentou antes e até hoje ninguém conseguiu. É, a medula é uma parte complexa do sistema nervoso. Para simplificar, pensa num fio elétrico que liga o cérebro ao resto do corpo. Por ali circulou informações sobre movimento e sensibilidade. Agora imagina esse cabo sendo esmagado ou cortado em algum trecho. É mais ou menos isso que acontece em uma lesão medular. Quando esse fio elétrico se rompe, um dos principais desafios é recuperar os axônios, que são as ramificações, as perninhas, que ligam o neurônio a outro e a outro e a outro. E guarda esse nome a axônio, porque é justamente aí que a polha na menina e outros tratamentos já estudados prometem atuar. Bom, em uma lesão medular, a informação inibre o crescimento desses axônios e não basta os axônios voltarem a crescer como contou para a gente o professor Alexandre Leite, coordenador do laboratório de regeneração nervosa do Instituto de Biologia da Unicup. E um pouco bem importante é que essas fibras elas têm alvos muito precisos. Então não basta crescer os axônios, mas eles têm que ir para lugares muito específicos para poder ver e colar a informação correta. Vamos supor que um nervo ligado à sensibilidade se conectou num neurônio que deveria trocar informações sobre movimento. Aí a pessoa sentidor, quando tem que andar, por exemplo. O que se teoriza é que é mais ou menos um isolamento ali, né, porque é tão complexos, tão nervoso. E como eu falei, é tão preciso, as conexões são tão precisas que parece que o script, e assim, mais ou menos, é impedir a regeneração para evitar que tenha conexões erradas, né? Daí, a polha da menina, entra na história. Você sabe que aquela menina tem forma de cruís, né? Não, mas é a proteína de delos. Isso é a irmã. Isso aí, a la menina. Agora, a polha e la menina são várias de mãozinha dada. Então é muito simbora. A Tatiana descobriu a polha e la menina por acaso. Ela estava mexendo com uma la menina que há uma proteína encontrada naturalmente no corpo humano. E aí ela colocou essa molécula numa solução de acidez diferente, que fez ela se agrupar e formar várias la meninas juntas. Ou de mãos dadas, como ela disse. Trabalhava com outras proteínas, mas muito rapidamente assim, nas primeiras, mesmo primeiro dia que eu estava trabalhando com ela, eu vi que ela formava esses complexos muito grandes. E que, mais tarde, a gente se chamou de polha da menina. É, a Tatiana falou com ciência suja e não foi por pouco o tempo não, viu? A entrevista durou umas duas horas. O tratamento está me tomando muito tempo, mas eu nunca tive a entrevista. Então eu estou achando falar. Bom, ela achou esse comportamento da menina curioso. Foi pesquisar as funções dessa proteína e aí viu que ela já tinha sido pesquisada para a regeneração neural no passado. Mas vai que essa versão turbinada de la meninas de mãos dadas tivesse uma ação mais potente? Então, ela e uma equipe testaram esses potes e pra lesão medular no laboratório em células isoladas, em ratos. Nesta situação, a Tatiana conseguiu demonstrar que a polha e la menina fazia uma espécie de ponte para que os axônios crescessem e ligassem os neurones novamente. Seria como consertar aquele fio partido, lembra? Com esses resultados positivos, a equipe decidiu dar um passo usado. Testar a polha e la menina em pessoas. Em 2016, mais ou menos 10 anos antes do assunto tomar conta dos jornais, a Tatiana foi aprender sobre como fazer o ensaio clínico. Porque ela vinha da pesquisa básica, que é um dos pilares da ciência, né? É o estudo em laboratório motivado pela curiosidade de entender como o mundo funciona. Não há uma pesquisa direcionada, com uma aplicação no mundo real específica. Embora ela possa levar isso e já levou muitas vezes. Então, a Tatiana teve que fazer essa migração, e junto com neurologistas e outros pesquisadores, criou protocolo de um estudo piloto acadêmico. Esse tipo de pesquisa já é feita com humanos, mas tem intenção de produzir conhecimento e fortalecer hipóteses, não quantificar a segurança e a eficácia de um candidato a remédio. Isso só acontece naqueles estudos clínicos de fase 1, 2 e 3. Mesmo assim, para conduzir um estudo com humanos, a Tatiana teve de receber a aprovação de uma comissão de ética em pesquisa, a conépe. O estudo foi aprovado com dois grupos, um de controle que não receberia a polha da menina e um que receberia. Foi a própria Tatiana, que propôs o grupo controle. Mas as coisas mudaram, logo depois de aplicar a molécula, nos primeiros dois voluntários. Primeiro era tratado, foi a hora. O primeiro caso foi um dos outros. Aí veio o segundo, tratado de novo. Aí foi tratado, voltou a andar. O que que eu faço agora? Então eu não posso privar os pacientes controles de não ter. Eu não consigo mais não domizar. O ponto de vista ético, eu falei, eu tenho direito de robomizar agora, que eu sei que funciona. Aí eu falei, bom, vou consultar a Konep. Pense nessa conclusão da Tatiana. Um morreu, o outro voltou a andar, e com esse único caso, ela achou que funcionava. Mas calma que a gente chega nisso. Bom, a Konep sugeriu pra Tatiana criar um comitém dependente pra votar sobre a remoção do grupo controle. E esse comité, que a gente não sabe quem participou, deu a val. O Jorge Venâncio, que coordenou a Konep, de 2013 a 2022, e assim no parecer liberando o estudo da poli-laminina, confirmou a história. Então, entre 2016 e 2021, oito pessoas com lesão em teoria completa e aguda, que é quando a conexão é interrompida totalmente e aconteceu recentemente, receberam uma injeção da substância na medulis pinhal. Dois morreram nos primeiros dias por complicações da própria condição e um terceiro durante o acompanhamento. Nem uma dessas mortes teve ligação clara com a poli-laminina, segundo um comitém dependente de monitoramento de dados e a própria Konep. Então, a pesquisa seguiu. Dozoito, seis voluntários contando aquele terceiro que morreu, mostraram melhor. E um voltou a andar. É o Bruno Freitas, que virou uma espécie de garoto propaganda da substância. Mas então, se de oito, seis melhoraram, a taxa de melhora seria de 75%. E segundo os pesquisadores da poli-laminina, no máximo 15% alcançariam esse resultado com os tratamentos de hoje. Esses são os números que a Tatiana mais fala nas entrevistas, e eles têm limitações. A gente vai chegar nisso, mas pegando o argumento pelo valor de face, a diferença seria enorme mesmo. Então, vamos continuar. Aí aconteceu um negócio estranho, mesmo com os dados desse estudo ainda sendo coletados, pacientes com lesões medulares crônicas começaram a receber a poli-laminina fora desse estudo. Parentes, isso aqui. Em humanos, a poli-laminina, segunda própria Tatiana e a cristalha, é indicada para lesões agudas, aquelas que acabaram de acontecer, porque a cicatriz que se forma depois impediria ação da molécula. Foi nesse contexto que os testes em humanos foram liberados. Ainda assim, ela foi dada a 8 pacientes crônicos em 2020. Tem até uma atleta parolímpica do rugby, a Hannah Ribeiro, que diz ter feito parte do experimento entre aspas. Mas não tem nenhum registro disso nas plataformas de ética em pesquisa, nem, claro, de como esses pacientes estão. Entendi, só que esse outro estudo não está documentado ainda em yoga. Esse é os compassivos que ela fez para crônicos? Isso. Isso foi antes da aprovação dão visa de tudo. Não, não está e ela não vai documentar, porque isso foi feito um espécie de uso compassivo sem acompanhamento dos pacientes com assim como nós não estamos acompanhando os pacientes com o rigor de o estudo clean. Esse é o Rogério Almeida da cristalha de novo. Uso compassivo é uma autorização especial que é envisa dar para pacientes conduências graves e sem opções de tratamento, receberem do ação de remédios ainda não aprovados. Quem doa é a farmacêutica. Mas a envisa não autorizou uso compassivo nesses casos, até porque isso só acontece quando existem pesquisas com humanos em andamento, o que não tinha para lesão medular crônica e não tem até agora. A gente pediu explicações para Tatiana no fim da apuração, mas não tivemos retorno. A situação indica que se usa acontecer fora do protocolo, o que pode gerar riscos, e calma que vai ter pila do senso e assuja sobre isso. Então fica de olho no nosso fete. Tudo isso aconteceu sem despertar a atenção da imprensa, ainda entre os muros da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas em 2018, dois anos depois do primeiro paciente ter recebido a poli-laminina, Tatiana apresentou o trabalho dela para o laboratório cristalha. A cristalha é uma das principais farmacêuticas brasileiras. Ela foi fundada em 1972 e fez uma "baita-grana" na pandemia. Em 2021, a empresa até divulgou uma nota dizendo que a própria receita saltó 25% com kit covid, no caso, anestésicos e kits de intubação que foram muito usados. A cristalha também vendeu bastante cloroquina na época e foi uma das que não se posicionaram firmemente contra o uso desse remédio no contexto do coronavírus. Naquele mesmo comunicado a imprensa de 2021 sobre a covid, o laboratório colocou uma notinha de roda-pe, sobre um medicamento para lesões agudas da medula espinhal. O texto diz que os estudos clínicos já estavam concluídos e o composto seria apresentado ainda naquele ano, 2021, era a poli-laminina, que acabou demorando um pouco mais para aparecer. Para em 2021, a gente firmou oficialmente o contrato de parceria com o IRJ dando ao cristalha os direitos de exploração da poli-laminina e, efetivamente, continuar o processo regulatório para obtenção do registro do produto. Então, a farmacêutica investiu aproximadamente 100 milhões de reais no projeto. Aí vem um silêncio pro público até setembro de 2025, quando a cristalha convocou uma coletiva de imprensa anunciando os resultados do estudo piloto, que estava parado ali desde 2021. Foi nessa época que a cloepeneiro, a nossa produtora e roteirista aqui, começou a achar história estranha. Porque eles estavam chamando jornalistas para falar de um estudo em humanos que nem tinha sido publicado em revista científicas. Então, segue da íclo. Oi, pessoal! É, então, eu até fui resgatar o convite que eu recebi para coletiva, e ele dizia assim. Este medicamento, desenvolvido e produzido no Brasil, tem a capacidade de restaurar as conexões neurais em pessoas que sofreram lesões na medula espinhal e ficaram para plégicas ou tetraplégicas. Quando aplicada, preferencialmente nas primeiras horas após o acidente, a poli-laminina permite que os pacientes recuperem total ou parcialmente os movimentos. Durante a coletiva, serão apresentados pacientes que sofreram lesão grave e recuperaram os movimentos. Eu não participei, mas estranhei um pouco aquilo e fiquei acompanhando a cobertura dos colegas. Depois eu só fiquei mais inculcada. Primeiro, porque eram afirmações muito fortes para as evidências apresentadas, é como disse Calcega. Afirmações extraordinárias exigen evidências extraordinárias, e a evidência nesse caso era um estudo com 8 participantes disponível no formato pré-printe. Preprinte, para quem não sabe, é como uma publicação preliminar que o cientista pode fazer do seu artigo e em repositórios online. Eles não passam por uma aprovação preve de outros pesquisadores, que é a tal da avaliação por pares que os periódicos científicos fazem. O mecanismo dos pré-printes existe faz tempo, mas ele ganhou força na pandemia, porque permite uma troca de informações mais rápidas, entre os cientistas, mas os resultados descritos nesses artigos não passaram por uma revisão formal, então basicamente a pessoa pode escrever o que ela quer. Tanto que na pandemia isso gerou muita desinformação. Tinha pré-printe falando mal da vacina, de máscara, falando bem de vermicina, enfim. O próprio pré-printe da poli-laminina traz a ressalva de que ele não pode ser usado para orientar a prática clínica, e mesmo sendo só um pré-printe demorou para sair. Ele só foi disponibilizado em 2024, três anos depois do fim da análise. Então, chamar uma coletiva assim, já me parece um pouco estranho. O segundo ponto é que na coletiva não tinha só profissional de saúde, executiva e pesquisador. Ela tinha dois pacientes, um deles era o Bruno que eu até comento antes. O Bruno entrou no estudo 24 horas após sofrer um assinente de carro, graças a um tio que conhecia pesquisa. Um ano e meio e muita fisioterapia depois, ele voltando a quase 100 restrições, e ele foi o único participante desse estudo que conseguiu isso. E assim, gente, relatos isolados não querem dizer muita coisa. Chamar paciente para uma coletiva de lançamento de medicamentos, sem nem começar a pesquisa clínica de fase 1, é muito incomum. Por que não dá para saber se foi o remédio que fez aquilo no paciente? Só para contextualizar rapidinho. Na fase 1 de uma pesquisa clínica, o objetivo é avaliar a segurança de um suposto tratamento, e entender um pouco mais sobre dosagens certa e no número pequeno de participantes. Na fase 2, você testa segurança e a eficácia em mais gente. E na 3, você confirma isso em larga escala, com muitos voluntários. Então nem a segurança do composto estava comprovada ainda aqui. O terceiro ponto que me chamou a atenção é que a assessoria de comunicação da cristalha lançou uma nota logo depois da coletiva, afirmando ao pé da letra, que tinha uma inovação inédita no mundo, abre aspas, já pronta para a produção escala comercial, fecha aspas. Era muita confiança. Enfim, na época as reportagens reproduziram exatamente o que foi dito pela cristalha. E eu fiquei só acompanhando o assunto no meio de outras pautas, até que, no dia 5 de anoiro de 2016, a Anvisa liberou a realização da fase 1 de pesquisa com a poli-laminina. E aí, meu amigo? Bom, poli-laminina é uma das palavras mais faladas nesses últimos tempos e que tem movimentado o mundo científico. Um tratamento desenvolvedo no Brasil tem trazido de volta o que parecia impossível. Uma substância experimental que vem gerando debate e como ação. Em pouco tempo, 30 pessoas receberam a poli-laminina via aquele mecanismo de uso compassivo, de doação da cristalha para casos sem outros tratamentos disponíveis. Até março tinham chegado mais ou menos 70 pedidos na mesa da Anvisa. Aí, esse pessoal começou a gravar vídeo, o fundo estava melhorando e esses vídeos viralizaram. Aí, essa repercussão toda me pegou de jeito e eu comecei a pentelear os outros ciências sugestes para a gente entrar nessa história. Só que o assunto está em pleno desenvolvimento e cheio de ciladas, então eu não fiz sozinha, eu chamei dois reforços para esse episódio. A primeira é a Laila Chasta, que trabalha comigo na Veja Saúde, ela é uma repórter de mão cheia, que ajudou na produção toda e no roteiro. O segundo é o Flávio-Emer e forma-seutico, o professor da USP de Ribeirão Preto, e autor comigo do livro "Cloro Aquinesion", que investiga o uso de medicamentos e neficais contra Covid, #Publi. Ele virou tipo um consultor técnico do episódio, obrigado, viu Flávio? E escuta só o que ele falou para a gente sobre essa coisa de judicializar. As pessoas podem ser questionasse e essa é uma decisão pessoal, ela vai aplicar e judicializar que se responsabilizar por isso, a pergunta que me tem é quem está regulando e controlando isso, né? Então, ninguém, as pessoas que fazem o uso compassivo não estão dentro de um estudo, e por isso não recebem acompanhamento próximo, o que a cristalha é obrigada a fazer é monitorar reações a diversas imorts para comunicar anvisas, e isso inclusive já aconteceu. Então, nesse caustodo, a gente queria começar entendendo por que que a cristalha fez essa coletiva todo otimista, em 2025, antes da liberação dos testes crínicos. Em uma primeira entrevista com a gente, o Rogério disse que "A gente tomou a decisão em setembro de divulgar os achados da polha da menina, porque a gente estava recebendo várias demandas de pessoas para saber do estudo, como estavam em que Peck estava, a gente tinha questões políticas também, tinha alguns políticos que estavam nos procurando para entender o que poderia ser feito para poder disponibilizar o acesso a essa medicação ou quanto antes". Então, seria uma forma de trazer informações correctas diante do interesse da sociedade. Mas depois dessa conversa, eu e a Laila checamos, e a gente viu que não tinha interesse sobre pôr e lamina na internet antes da coletiva da liberação dão visa, o bum veio depois. Então, a gente perguntou para ele de novo. Então, queria entender o que, qual foi a motivação principal de vocês para fazer essa coletiva em setembro? Não era uma coisa falada do ponto de vista da população em si, mas era uma coisa que nós discutimos já em formos de inovação na indústria. Então, a ideia aqui é mostrar para a comunidade científica, e obviamente não científica, que nós temos inovação radical sendo feita no país e que enquanto a gente não tivesse um olhar diferenciado para a inovação radical no país, a gente não queria conseguir ter inovação radical no país sendo feita. Então, isso mostrou que a gente precisava puxar essa discussão. E, como a gente consegue mostrar tudo isso, mostrando os resultados que a gente tem e fomentando essa discussão que acabou combinando na própria RDC da Anvisa que criou o cometeria avaliação de projetos de inovação radical. Então, tá aí o diretor de pesquisa e desenvolvimento da cristalha, falando que eles resolveram divulgar os dados para fomentar uma discussão que influenciou os trabalhos da Anvisa. E, de fato, em 19 de dezembro, a Anvisa anunciou a criação de um inédito cometer de inovação, para avaliar com mais velocidade, produtos inovadores que atenderiam a demandas de saúde pública. A poli-laminina foi uma das prioridades, e, menos de um mês depois, o ensaio de fazer um foi liberado. O detalhe é que a cristalha já tinha feito esse pedido para começar as pesquisas três anos antes dessa liberação da Anvisa. Verdade que, nesse tempo, ela precisou juntar dados, refazer testes, melhorar a descrição de método, mas, né, três anos de vai e vem, e aí, três meses depois de jogar o assunto pra galera, o avalveio. Conheciência? Então, tá. A gente agora sabe, pelo próprio diretor da cristalha, que a coletiva de imprensa, de alguma forma, tentou contribuir pra liberar a pesquisa de fase 1. A pergunta que fica, então, é, será que as evidências científicas são suficientes pra avançar nesse sentido? Essa é uma questão muito maior que eu vou deixar pra depois do intervalo. O ciência surge apoiado pelo Instituto Serra-Pileira, que promove a ciência e a divulgação científica. Além desse apoio, nós temos um programa de financiamento coletivo justamente pra viabilizar por ações complexas como essa, inclusive, remunerando de maneira justa, produtoras como a laelochaasta e advogados como Rafael Fagundis, que leu roteiro todo pra certificar de que a gente não tá a perder na razão. Se você tá gostando, considere fazer parte dos nossos apoiadores, dá pra assinar diferentes planos pela poia, se, Patreon ou Pelorelo. Tenha os letters, acessam tercipadas episódios, brindes e dá pra fazer pix.al também. E ficam agradecimentos especial aos apoiadores da categoria Paladinos da Ciência, como Henrique Vogan, Raquel Barbosa Sintra, Marco Souza, Josie de Almeida, João Nardo e outros tantos. E agora, um recado do podcast, a Última Bolacha, um especial da Agência Pública que acabou de ser lançado sobre o mercado do emagrecimento. Eu tinha 36 anos quando sofri um ataque do coração, e eu vou te contar como eu saindo de um show de Poma Cartenay, sucumbi a maldição dos 36 e morri. Na tentativa de sobreviver e comecei uma investigação sobre mim mesmo e sobre as indústrias relacionadas ao obesidade, e nessa conta entrava muita coisa, ultraprocessados, açúcar, canetas e magrecadoras, comida as fites, saúde mental, em um ano foram 58 quilos e um turbilhão de histórias pra contar sobre quem vem lucrando com obesidade à leia. Eu sou Ed Vanderlei e esse é a Última Bolacha, o novo podcast narrativo da Agência Pública. Toda segunda dia é internacional de começar dieta, você tem um compromisso em todos os tocadores de podcast. No dia 23 de fevereiro, o Roda Viva, o programa clássico de entrevista da TV Cultura, estava estreando um novo apresentador, o Ernesto Pália. A convidada era Tatiana Sampaio. Na semana anterior, tinha rolar do bom de interesse nas redes sociais que a cloco aumentou. Então a poli-laminina tava na crista da onda, mas ali a Tatiana tava literalmente rodeada por algumas das principais jornalistas de saúde do país. E foi a primeira vez que ela foi apertada em público sobre as limitações da única pesquisa com humanos divulgada até agora. Mas desculpa ignorância, existe algum caso na ciência de uma nova droga pra doenças sérias, por exemplo, tão sérias quanto uma lesão medular, um câncer, em que você testa uma nova droga sem grupo controle? Sim, estudos pelotos, sim, mas a sua pergunta é. Não, não, é do registro. Não sei, não tem conhecimento. Eu. Não tenho conhecimento, mas também nunca vi falar de um medicamento que fizesse pessoas com lesão completa, voltarem até movimentos, e também nunca vi falar de uma professora doida que conseguiu fazer um estudo clínico sem dinheiro e demonstrar isso, então eu acho que assim, a gente tem que fazer coisas novidadeiras, eu não tenho nenhum problema com isso. Mas a mim, eu vou fazer aquilo que eu achar éticamente correto, que em primeiro lugar. Nesse trecho, a Tatiana estava respondendo a jornalista Lucelena de Oliveira, do Olu, que foi chef Minha e da Kloé na revista Veja Saúde Aliás. Foi o momento final e o mais quente, tendo visto o programa todo, pareceu que a Tatiana se soltou ali. No geral, ela estava mais contida, até evitando gravar que a polina menina era comprovadamente eficaz pela ciência. Mas a impressão aqui nesse trecho, a Tatiana entregou que pra ela, essa molécula, é mesmo revolucionária e que justificaria dobrar certas regras da pesquisa clínica de acordo com a ética dela. E gente, esse papo do grupo controle que levantou a fevura no roda-viva é importante. E um grupo controle é premissa básica da maioria dos estudos pra provar um medicamento. Ele precisa ter voluntários parecidos com os que vão receber a molécula de verdade, com mesmo perfil de doença, idade, condição de saúde. o dia, etc. Mas o grupo controle ganha um placebo ou o melhor tratamento disponível para aquela condição. Os participantes são divididos aleatoriamente e, de preferência, nem eles e nem os pesquisadores sabem quem está em qual grupo. É o chamado modelo duplo-sego, que evita vieses na análise. Nem sempre isso é possível, aí são necessários alguns ajustes de metodologia, mas o padrão é esse aí. E o fato é que, sem um grupo controle, fica bem difícil saber se os resultados observados em quem tomou uma droga qualquer tem a v4 droga ou com qualquer outro fador de confusão, como uma resposta natural da doença, o efeito placebo, outras intervenções adotadas. Como a gente falou, o primeiro estudo da Tatianin Humanos, aquele piloto que está em preprinte, não teve um grupo controle. Até aí tudo bem, um estudo piloto nem sempre precisa de um grupo controle mesmo, embora seja positivo ter. Ele é feito não para comprovar alguma coisa, mas, mais para ver, sem potes, e está parando de pé. A acontece que a Tatianinha Cristalha começaram a defender que não haveria necessidade de um grupo controle nos ensaios clínicos que tão por vi. E isso levantou um questionamento no Roda Viva. Eu queria saber o seguinte, esses médicos têm dito que são necessários e estudos que incluam um grupo controle. O que você diria para eles? Eles não estudar. Acho que seria muito bom que eles estudassem um pouquinho antes de dar as declarações. Não se usa fazer um grupo controle nem estudo piloto. Eu acho que dizer que é necessário ter um grupo controle mais à frente em lugar para mostrar causa e efeito. Sensaramente, eu acho que não é isso que a literatura na área tem mostrado. O argumento da Tatianinha da Cristalha é que mesmo nas pesquisas clínicas de fazer um, dois e três, daria para fazer uma comparação com o chamado grupo controle universal, que seriam bancos de dados sobre lesão medular. Então você pega uma porcentagem de melhor a normalmente observada nesses bancos de dados e bate com os resultados entre quem recebeu a polilla menina. Foi isso que eles fizeram no estudo piloto. Ao comparar uma melhora de 75% em lesões medulares completas contra os supostos 15% nas estatísticas desses outros estudos. Só que tem um monte de senões nesses dados e nesses estratégias em si. Primeiro que tem estudo falando até 30% de recuperação espontânea, ou por reabilitação ou por erro no diagnóstico. Então, seria 15% seria 30%. E depois do rodaviva, mais buracos começaram a aparecer. Bora escutar a Francielle Romanini, cientista que faz parte daquele grupo de pesquisas internacional em reabilitação de lesão motora de novo. Com a população geral, os outros estudos de pacientes com lesão medular, que eles falam que fazem, que não precisaria de grupo controle, tendo a população de outros estudos já analisados. Não, não. Isso não é preconizado. Inclusive na lesão medular, porque existe uma fala sendo divulgada de que isso é específico da lesão medular, não é? O que a gente tem, que talvez seja, tenha sido confundido, é que quando é escrito guideline de saís clínicos, ele traz uma análise histórica para poder construir o poder da estatística. Então, talvez venha daí essa confusão. Traduzindo, o principal guideline, ou diretriz sobre pesquisa com lesão medular, não defende essa ideia de grupo controle universal. A lógica só foi usada como base para calcular o número ideal de voluntários em cada estudo que for feito. Esse cálculo de quantidade e do perfil de voluntários também tem que considerar o local da coluna onde aconteceu a lesão. E aí tá outro ponto crítico do estudo piloto da Tatiana. Ele não explica se os tipos de lesão do grupo de voluntários são comparáveis com as do tal grupo universal. A Franciel foi nas tabelas da pesquisa da Tatiana para checar o perfil dos voluntários. Então, dos oito, um, dois, três, quatro, com lesão cervical, dois com lesão torasca alta e dois com lesão torasca baixa. E aí a gente já sabe, né? Eles não são cervicals, eles têm o dobro de chance de melhorar, de recuperar. Então, a maior parte da amostra são lesões cervicals. Então, só por isso, a comparação genérica com um grupo universal já não é justa, um grupo controle com a mesma porcentagem de pessoas com lesões cervicals, por exemplo, seria necessário para equiparar o potencial efeito da poli-laminina com uma taxa de recuperação esperada. O próprio Bruno Freitas aliás teve uma lesão cervical. E mais, será que o grupo universal, que a Tatiana estava usando de comparador, estava adotando os melhores cuidados possíveis? O Bruno, o único paciente que eu voltou a andar no estudo, fez muito mais visoterapia do que os outros voluntários, por exemplo. Mas, com apenas oito indivíduos, sendo que desses oito, três morrem, já tenho só cinco, é muito difícil, eu consegui fechar um número adequado e comparar isso com o resultado da literatura. Tem que ter muito mais voluntários recebendo a poli-laminina e uma base sólida de comparação para garantir que os desfechos como do Bruno e de outros pacientes realmente tão fora da curva esperada. O Claudio Osvão Martins, gerente da ambisa envolvido na liberação da fase 1, também comentou sobre isso. É esses números aí, é como é um N, muito pequeno. Você falava, foram cinco pacientes e 10%, 10% e 5% vai ser meio para ser onde vir essa regulatório não atende. Não dá para, não é uma evidência que nos permite tirar essas conclusões, esses calcos, assim, são mais empíricos. E olha, a grupo control, contratamento para a lesão medular completa, não é inédito, não, tá? Nos anos 2000, os tais macrofagos autólogos trouxeram bons resultados em humanos e inclusive em um estudo de fase 1, para a lesão medular aguda completa, o mesmo alvo da poli-laminina. Era basicamente um transplante dessas células de defesa que regeneraria os neurônios danificados. Mas aí na fase 2, um grupo control foi incluído e ficou demonstrado que os macrofagos transplantados estavam piorando prognóstico, em comparação com um grupo control que tava recebendo o melhor tratamento disponível. Resultado, a terapia não foi continuada porque, se fosse, faria mais mal do que bem. Isso adeu para ver isso na fase 2. Quem encantou essa bola foi o divulgador científico e gorequete. Importante dizer que existem iniciativas com grupos controles sintéticos, que usam grandes bases de dados para me metisar os perfis dos voluntários, que realmente receberam uma droga em testes. E aí fazer uma comparação mais confiável. Mas elas são mais focadas em doenças raras, em que é difícil traçar um grupo controle com bastante gente e exigem bases de dados altamente confiáveis, atualizadas e equiparadas com os voluntários da pesquisa, não em de se padrão. A cristalha também usa o argumento de que, como a poli-laminina tem que ser aplicada logo após a lesão, você estaria privando os pacientes do grupo placebo da oportunidade de receber o medicamento eficaz. Por que, depois do estudo concluído, a janela de tempo do tratamento já teria sido perdida. Só que isso, parte da premissa de que é eficaz e a segurança dessa molécula tão estabelecida, o que não é o caso. O Claudio Osvand disse que o desenho do grupo controle será definido a partir dos resultados do estudo de fase 1. Mas que deve haver algum tipo de comparador, sim. E isso não quer dizer deixar o grupo controle desamparado sem assistência. Uma das alternativas é que os voluntários do grupo controle recebam o melhor tratamento disponível hoje, que não é assim tão acessível aqui no Brasil. O Rogério Almeida da cristalha afirmou que a decisão cabe anvisa, mas que vai defender o grupo universal. Um outro negócio que chama atenção é o fato do estudo piloto não descrever se os pacientes estavam em choque medular. O choque medular pode acontecer logo depois da lesão e duradias, mas depois isso melhora. Quem falou disso é o Alexandre Leite da Unicamp, que você ouviu no começo do episódio. E só que num primeiro momento é de choque medular, né, que a gente chama de choque raky medular. Existe uma paralisia, uma perda de responsabilidade completa. E com o tempo, a medida que esse processo evolui alguns elementos preservados voltam a ter funcionalidade, mesmo que parcial, não? Então, se o paciente, na verdade, se tivesse um choque medular e não com uma lesão aguda completa, a chance de recuperação já seria maior, com ou sem poli-laminina. A cloaia da Laila viram inclusive que o artigo imprepreinte afirma que não dá pra descartar que dois pacientes poderiam ter uma lesão incompleta, às vezes maquiada por um choque medular. Conta da íclo. É então, e se fosse o caso, eles nem deveriam receber poli-laminina, porque é um risco da ingessão dentro da medula gerar uma lesão completa. E a chance de recuperação espontane de malizão. incompleta. Também é maior, então isso comprometeria o resultado. Naquela entrevista enorme, eu perguntei pra Tatiana sobre os dois casos que foram classificados como incertos. Eu acho que não sei o que você está falando não, que dois casos que eram incertos. Eu e a Laila até ficamos assustadas nessa hora. Será que a gente tinha errado alguma coisa na apuração? Mas depois a Tatiana entendeu. É não tão impressionada que vocês leraam no detalhe mesmo, tava vendo? Será que eles pegaram nesse detalhe e se me dá nada. Não é comum, não é comum, não é comum, não é geralmente. Quem faz entrevista não lê o antigo. Aí ela falou isso aqui. Eu paciente, não está em jocme do lado e tem 72 horas de trauma. O que o diagnóstico se desbela, aquele momento é o confiado. O que você tem antes disso é meio não dá pra ter certeza, entendeu? E isso é o que a literatura diz. Mas o que acontece? Se a gente esperasse três dias para fazer o diagnóstico certo, a gente ia atrasar o tratamento com o paciente. Então pra gente, a Tatiana falou que eles decidiram aplicar o mais rápido possível dependendo da estrutura do hospital e das condições do paciente. Não vai atrasar o tratamento para esperar o diagnóstico preciso, tá? E paga pra ver. Só que depois, essa história mudou. Em uma entrevista pra Fabiana Cambrico e do Estadão, ela afirmou que o teste físico foi feito assim e que nenhum voluntário estava em choque medular. Ela também viu, pro Estadão, uma versão revisada do artigo que tenha essa informação e que seria submetida a aprovação de revistas científicas. Essa versão só a Fabia mesmo viu, não está nos repositórios de prepinte. Já no artigo que a gente e os outros cientistas conseguem ler, também faltam dados sobre evolução dos pacientes. Os dados brutos não foram disponibilizados em números, só em gráficos. E olha só, um dos gráficos mostra a evolução dos participantes e retrata ao paciente um com uma melhora absurda ao longo de um ano. Mas em outro trecho, o próprio artigo diz que ele morreu no quinto dia de estudo. Então ele morreu, mas continuou melhorando um ano depois, a Tatiana afirmou que foi um erro de digitação e que os dados do paciente 1 eram do paciente 2, que era o Bruno. E tudo isso parece que a gente está pegando o peda, Tatiana, até porque não seria exatamente sutil, maquiar um dado, dizendo que o voluntário teria voltado andado depois de morto. Mas pô, vamos combinar que olhando para o todo, esse tanto de inconsistência dificulta a análise da comunidade científica e reduz a confiabilidade da informação. O Flávio Emere, nosso consultor informal, fez uma ótima ponderação sobre isso. Quando a crítica respondida com a resposta crítica é fundamentada com erros no processo da escrita do artigo, você limita o debate, na verdade acaba com debate, porque no fim não é resultado, então, se o resultado divulgado não é aquilo que aconteceu, então você não tem resultado. Então é isso, não dá para toda hora que vem uma crítica, ficar dizendo que o que tá escrito no artigo, na verdade não é bem isso aí, que tudo vai ser esclarecido, que já já o resultado real vai aparecer. Lá garantia soidou, né? O artigo que a Claude Strinchow foi rejeitado por pelo menos três revistas científicas, ou seja, os revisores desses três periódicos acharam que ele não estava maduro o suficiente para ser publicado, e isso gente é relativamente normal, embora menos para um estudo que traria uma revolução. Pro cíncias suja, a Tatiana disse que as negativas vieram basicamente por três motivos. 1. O tratamento funcionava entre aspas vários tipos de lesão, então isso sugeriria a ausência de um mecanismo de ação específico. 2. Os revisores queriam ver onde exatamente a poli-laminina se ligava nas células, e isso não está descrito. 3. As divergências sobre a taxa de recuperação espontânea, mas depois, pro G1, ela revelou que o protocolo do estudo não foi registrado numa plataforma oficial de estudos clínicos antes de começar, e tá aí outra coisa que parece uma besteirinha, mas que é um problema considerável, todo desenho de estudo clínico precisa estar nessas plataformas, para que os revisores vejam se o protocolo foi alterado no meio do caminho. 4. O S mudou, mudou por quê? Até a caso, em que isso é justificável, mas a mudança tem que ser registrada, para garantir que os pesquisadores não mudem a regra do jogo para favorecer os resultados que eles gostariam de encontrar. 4. A regra tá prevista na declaração de Alcínque, que surgiu em 1964 e dita ética das pesquisas em humanos. Ela foi criada como respostas as atrocidades dos cientistas nazistas. A Tatiana falou para o G1 que não sabia que precisava de registro prévio em plataformas de pesquisa clínica, mas que não ia desistir de publicar, aí ela soltou essa declaração na entrevista. A Tatiana pode mesmo não saber de tudo isso, porque ela veio da pesquisa básica. E esse é um mundo muito diferente da pesquisa clínica mesmo, é bem cheio de regulações, mas ela tá atropelando uns conceitos básicos também. 4. É minha visão noicrua, a dificuldade de transpor, né, da ciência translacional, né, você transpor um resultado de animal para o humano, tem nada de ver com ciência nem com a natureza, porque esse funciona enrave, com a mudouga, para funcionar em gente sim. 4. Isso tá longe, bem longe, de ser realidade. A grande maioria dos potenciais remédios, que vão bem nos estagens preliminares, em células ou animais, não demonstram efeitos relevantes em humanos. O Flávio trouxe para gente um estudo publicado no British Journal of Pharmacology, que indica que entre centenas de milhares de moléculas em potencial, só uma pequena fração, avança para ensaios em animais e depois para fazer um. Em média, menos de 10% dos que chegam a fase clínica sobrevivem a ela. Nesses fracassos entre aspas, não só por falta de interesse, até porque a indústria gasta muita grana nisso. Acontece que o corpo humano é complexo e bem diferente de um rato, e para quem acha que a escrítica sobre a poli-laminina vem da Big Pharma, só é bom lembrar que são regras como a declaração de Helsinki, que exige um maior padrão de qualidade e transparencia dessas megacorporações. Para provar isso, o Flávio lembrou de três casos que esses protocolos falharam com grandes farmacêuticas, e o extrago que isso causou, tão bora de restinha. Número 1, a clássica talidomida, criada pela farmacêutica alemã Grunantel, e aprovada quando ainda não era obrigatório fazer ensaios clínicos randomizados. Ela foi muito usada para engenjar os nagravidez, e só depois se descobriu que causava uma formação espetais e abortos espontâneos. Número 2, o Viox da Merck. Ele era um anti-inflamatório potente que ficou popular nos Estados Unidos, mas ele aumentava o risco de morte e a farmacêutica viu isso nos estudos, mas não contou inmediatamente para as autoridades. Ele só foi retirado do mercado seis anos depois de lançamento. Número 3, o Aducanumab. Um remédio da farmacêutica biogém contra o Alzheimer, que foi aprovado as pressas nos Estados Unidos. Além de não trazer benefício clínico, o medicamento aumentava o risco de sangramentos e demas no cérebro, ele foi descontinuado. Bom, mas aí? As evidências atuais justificam a liberação de um estudo clínico de fase 1? A gente perguntou isso pro Claudio Osvanda Anvisa, e ele falou que, sim, há dados eficientes para iniciar esse etapa, embora o estudo piloto realmente tenha fragilidades, e ressaltando que existem evidências em vitro, em animais, e a cristalha fez alguns testes depois, preparou dados complementares, criou uma linha de produção seguindo boas práticas farmacêuticas, enfim, entregou um doce reparrudo para anvisa. O Flav e outras fontes concordam que há base para ao menos testar a segurança da polilaminina. Mas o Claudio Osvanda está preocupado com a remoção social. A ciência e a séria tem tempo, então a gente, a preocupação aqui, toda essa superisposição, a mídia em redes sociais, que isso não respinge no desenvolvimento de um produto que dá sinais sugestivos que podem beneficiar esses pacientes, não é? O Flavio também colocou a colher nesse ponto. Atrapalha com certeza esses testes clínicos, porque eles são abertos, e como são abertos, há uma influência daquilo que chega a quem está envolvido no processo, isso certamente tem impacto, seja na agência reguladora, seja na pessoas envolvidas, as pessoas técnicas, a corpo técnico envolvido nos estudos clínicos, ou mesmo os pacientes envolvidos nos ensaios. Por isso que agora seria um bom momento para os principais atores dessa história, Eu juio. funcionarem uma dose a mais de cautela no discurso, o que na boa segue não acontecendo muitas vezes. "A gente está contribuindo sim pra melhora ou pra cura, eu não sei, dessa doença que deixa o paciente amarrado, com uma cama ou uma cadeira de rodas, ou até um respirador, e isso a gente tem certeza, a gente está melhorando a condição dessas pessoas." Aí você ouviu Bruno Cortes, não confundir com Bruno Freitas o paciente, o Cortes é um dos neurocirurgiões da pesquisa e está envolvido também com o uso compassivo. Enfim, é uma peça chave da história. "A gente conhece o sufero ataque, engraçado isso, quando a gente falou e veio à público que a lamina tinha uma forma de cruis, e ela começou a se chamada "Potina de Deus". "Vem engraçado isso, porque quando a gente fala de Deus, a gente ganha de Deus, e pra mim foi um dicentro mágico. A ciência não anda fazia não, e em criou a ciência foi Deus." O Bruno Cortes chega a fazer vídeos em colabe com pacientes que receberam ou que esperam receber um dia a poli-lamina. "O dia do Toro Tatiana, quero agradecer a vocês ou ter um deixar participar e demonstrar aqui a minha satisfação imensa, já estou conseguindo até sentar." Como a gente falou, em fevereiro, antes do Roda Viva, rolou um movimento atípico nas redes sociais sobre o assunto, que entrou naquela espiral de viralização. Tinha página de fofoca, postando vídeos de melhora, perfis nada relacionados com a área de saúde se aproveitando, enfim, estava um pouco estranho. Então a Clua e a Laila perguntaram pro Rogério se a cristalha fez algum tipo de campanha pra promoção da poli-lamina. Então o que a gente usou a rede social foi ao contrário pra tentar a paz igual pouco essa euforia toda que foi gerada com relação a isso. Mas pelo menos dois perfis grandes das áreas de saúde ciência foram procurados por uma agência de marketing que atende a cristalha pra abre aspas um projeto estratégico relacionado a poli-lamina, com foco no fortalecimento de credibilidade, ampliação de alvernas institucional e geração de conversas qualificadas sobre o tema, fechar aspas. Nós tivemos acesso a essas mensagens e abordamos isso com Rogério, ele negou e até parecer surpreso. Não, nós não procuramos ninguém pra fazer. pra fazer divulgação nenhuma de poli-lamina nada. - Se é a informação de passar, esse informação é até correto. - Bom, tem também um monte de oportunistas não ligados à cristalha, que investiram grana pra turbinar postagens no Instagram ou no Facebook sobre a poli-lamina, como a gente pode ver pesquisando na biblioteca de anúncios da meta. Tinha post-patrocinado de políticos tentando capitalizar em cima dela, com elogios e promessas. A gente vendendo cult religioso e até material pedagógico sobre essa molécula. E no fim, o dinheiro colocado em postagens, mesmo se não vier da cristalha, seja de quem for, né, tá impulsionando artificialmente esse assunto e de um jeito torto aí na por cima. Todo mundo que a gente ouviu e nós aqui também torcemos pra poli-lamina da certo, porque seria mesmo ótimo ter uma nova opção contra a lesão medular. Mas essa torcida não pode se confundir com uma fé cega. - É, então, a associação do milagre que é muito além da esperança, medicamento, medicamento, a esperança pra todo mundo. A esperança pra um alívio e mediados, esperança longo prazo. Mas, eu acho que, em muitos casos, isso extrapola essa relação. A gente viu isso na força foi tanolamina voltando, a gente viu isso na covid. E eu acho que a gente tá vendo isso agora, que na minha percepção, mais atrapalha do que ajuda o desenvolvimento de algo que pode ser no futuro benéfico pra sociedade de alguma forma, a gente ser muito perigoso, por diversas azoias, é muito ruim, porque qualquer informação contrária a essa visão geral do milagre tida como usando a metáfora da religião como pecado, pecado capital. - Tem que em defenda que esse caso da poli-lamina é uma oportunidade pra aproximar a ciência da população. Mas a ideia de um milagre, de uma solução simples pra um problema complexo, embora a sedutora, pode enviabilizar justamente um debate franco, que coloque a ciência da poli-lamina na mesa de bar, não uma treta sobre a molécula em formato de cruz. É só lembrar de novo da foce tanolamina sintética e da cloroquina contra a covid pra saber que não é nem a primeira, nem a segunda vez, que assuntos ligados à ciência gera uma repercussão muito acima das evidências. E você acha que a gente tá respeitando mais ou menos as instituições científicas desde então? - A gente pediu pra Tatiana uma segunda entrevista pra rematar críticas feitas ao trabalho dela, mas ela mandou um áudio dizendo que não aceitava. - Não, eu não quero falar de novo não, tá? Eu acho que eu. Estás falando demais na hora de me calar, tá bom? Nós insistimos por escrito, mas ela não respondeu. A gente também procurou a FRJ, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio, que deu a volta pro seu do piloto e a Konep pra saber mais detalhes sobre problemas no estudo piloto e sobre o uso em pacientes crônicos, mas não tivemos retorno. - Pra fechar, eu queria indicar um parceiro nosso da Rádio Guarda Chúva, que tá de volta com novos episódios a cada duas semanas, sempre a segunda. É o afluente do Bruno Tadeu, o podcast traz reportagem sobre a Amazônia ou vindas dela. Teve um episódio do começo de março sobre favelas de Belém Manaus, que tá um espetáculo. - O ciência surge apresentado por mim, Meg Rodríguez, e pelo Tello Press. - O roteiro e a produção são da Claué Pinheiro e da Laila Chasta. Laila, obrigado por topar em ter essa aventura com a gente, viu? Eu fiz a edição de texto do roteiro com apoio de toda a equipe. - Nós e o Pedro Belo, que fez as vozes complementares e ajudou na apuração no evento de São Carlos, gravamos no estúdio Tirano Sô. - A edição de Sô, a mixagem, as trilhas originais e a amastelização são do Felipe Barbosa. - A Milo Tamfer e o Guilherme Henrique fizeram a arte de capa e o nosso projeto gráfico. - Nesse episódio, nós usamos áudios do programa Conversas com o Iidegaard Angel da TV247, Jornal da Bande e Melhor da Noite da Bandeirantes, fantástico e jornal nacional da TV Globo, Roda Viva da TV Cultura, da abertura dos Jogos da Copa de 2014, da FIFA, documentário a nossa Copa, abertura da Copa do Mundo Brasil 2014, de Julho Canceler, e de vídeos encontrados no Instagram e Facebook. - O advogado Rafael Fagúndez fez uma análise jurídica do roteiro. - O nosso site foi desenvolvido pelo Instituto de Barbatana. Lá, você tem mais informações sobre como consegue ajudar a gente a seguir com a consciência surja e os bonos que recebem ao participar do financiamento coletivo. É www.censassurja.com.br. - Você encontra mais informações nas nossas redes sociais, que são tocadas pelo Pedro Bello. O Cência Surja está no Instagram, Facebook, TikTok, Twitter e Blue Sky. (música) (música) - Malfe reportagens.

Podcast Summary

Key Points:

  1. A poli-laminina, descoberta pela bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, é uma molécula em estudo para tratar lesões medulares, mas ainda não passou por estudos clínicos controlados.
  2. O estudo piloto com humanos, que não teve grupo controle e foi realizado com apenas oito pacientes, gerou debates éticos e científicos por falta de evidências sólidas e consistência nos dados.
  3. A apresentação da pesquisa em eventos públicos, com afirmações muito fortes e um tom de promessa milagrosa, levou à desinformação e ao aumento da pressão social, sem base científica suficiente para garantir segurança ou eficácia. Pontos principais A poli-laminina, desenvolvida pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio, é uma molécula promissora para tratar lesões medulares, mas ainda não passou por estudos clínicos rigorosos como as fases 1, 2 e 3. O estudo inicial com humanos, que contou apenas com oito pacientes e não incluiu grupo controle, gerou grande repercussão, especialmente por meio de apresentações públicas com afirmações excessivas. A ausência de um grupo controle, a falha na transparência dos dados — como a possível confusão entre pacientes com lesão aguda e incompleta, e a mudança de informações entre versões do artigo — levou à suspeita de manipulação e falta de rigor científico. Além disso, a farmacêutica Cristalha investiu 100 milhões de reais e lançou uma coletiva com forte tom otimista antes da liberação oficial dos dados, o que suscita dúvidas sobre a motivação por trás da divulgação. A comunidade científica rejeitou o estudo por não atender aos padrões éticos e metodológicos, como a necessidade de comparação com grupo controle, uso de dados históricos ou registro prévio do protocolo. A poli-laminina ainda não é provada como eficaz, e o risco de benefícios falsos e a pressão social geram preocupações sobre a desinformação e o potencial de prejudicar a confiança na ciência. A história ilustra como a promessa de cura comum, o desejo de transformar pesquisadores em "heróis" e a ausência de regulamentação podem distorcer o processo científico, colocando em risco a ética, a segurança e a credibilidade da pesquisa.

Summary:

FAQs

A poli-laminina é uma molécula descoberta por Tatiana Coelho de Sampaio, que trabalhou com uma proteína chamada 'la menina'. Ela percebeu que, ao mudar a condição química, a proteína formava complexos grandes, o que a levou a investigar seu potencial na regeneração neural.

O objetivo é restaurar conexões nervosas em pessoas com lesão medular aguda, permitindo a recuperação de movimentos, especialmente em casos de paraplegia ou tetraplegia.

Um grupo controle é essencial para determinar se os resultados observados são devidos ao tratamento ou a fatores naturais, como a recuperação espontânea ou o efeito placebo, garantindo a validade científica do estudo.

Os resultados do estudo piloto são controversos: embora haja relatos de melhora, a pesquisa tem falhas metodológicas, como ausência de grupo controle, dados incompletos e inconsistências nos relatos dos pacientes, o que compromete sua confiabilidade.

Sim, há evidências de que a substância foi administrada a pacientes com lesões crônicas fora do protocolo oficial, mas isso não foi documentado em plataformas de ética e não é regulamentado, gerando riscos e falta de acompanhamento.

A farmacêutica investiu para desenvolver e comercializar o tratamento, com o apoio da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e para avançar nos estudos clínicos e obter aprovação regulatória do Brasil.

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