O programa aborda o anúncio da Petrobras sobre a descoberta de petróleo no poço Morfo, na Foz do Amazonas, no Amapá, feito com pompa e presença do presidente Lula em momento de campanha eleitoral. A especialista Suely Araújo, ex-presidente do Ibama, critica o timing do anúncio, pois ainda não há dados claros sobre a viabilidade comercial, e a produção, se ocorrer, levaria cerca de uma década. Ela aponta que a movimentação gera expectativas irreais para populações locais e serve a interesses políticos e da Petrobras, que pressiona por novas licenças de perfuração no bloco 59.
Suely destaca graves riscos ambientais na região, como correntes fortes, possíveis vazamentos que poderiam atingir a costa brasileira e impactos sobre manguezais, povos indígenas e comunidades tradicionais. Ela critica a contradição do governo Lula, que reduz o desmatamento, mas expande a exploração de combustíveis fósseis, considerando isso incompatível com o enfrentamento da crise climática. A especialista defende que o Brasil possui reservas suficientes para demanda interna e deveria investir em transição energética, com cronograma claro de descarbonização, em vez de abrir novas fronteiras. Por fim, o programa lamenta a morte das atrizes Laura Cardoso e Glória Menezes, celebrando suas contribuições à televisão e ao cinema brasileiro.
Descoberta de Petróleo na Foz do Amazonas e Contexto Político
Lula foi ao Amapá nessa semana, foi como presidente para participar de um anúncio da Petrobras, a Petrobras.
Pessoa 2
Confirmou nessa segunda-feira a descoberta de petróleo no poço morfo, na bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá.
Pessoa 1
A prospeção de petróleo na região, a 175 km da Costa, divide alas do governo, mas foi tratada como prioridade por Lula.
Pessoa 3
O anúncio da descoberta da Petrobras e a visita do presidente aconteceram no segundo dia de campanha oficial, há pouco menos de 2 meses do primeiro turno.
Pessoa 1
No evento em Oiapoque, estavam também políticos locais, como o presidente do Senado, Davi alcolumbre, que tem ensaiado uma reaproximação com o Lula, e o governador Clécio Luiz.
Ele e alcolumbre são do união Brasil.
A folha mostrou que o tema acirrou a disputa eleitoral no Amapá, com candidatos debatendo sobre os investimentos.
Para instalar bases da Petrobras?
Pessoa 3
A presidente da estatal, Magda chambriar, disse que o achado ainda não é comercial e que não se sabe quando e se a produção vai ser possível.
Pessoa 2
Tem petróleo?
Tem descoberta.
A gente ainda não sabe quanto nós vamos continuar investindo, vamos continuar explorando.
E o futuro vai dizer quanto o Amapá pode nos oferecer, mas nós aqui estamos extremamente otimistas com o que a gente está encontrando por aqui.
Pessoa 1
O poço morfo onde o petróleo foi encontrado fica a quase 3000 m de profundidade e os trabalhos por lá vão continuar enquanto o Ibama não autoriza a perfuração de novos poços.
O plano é explorar mais 3 poços vizinhos ao FZAM 59.
E outros 5 em áreas ali perto, também na Costa do Amapá.
Pessoa 3
A Petrobras considera a margem Equatorial, faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, uma nova Fronteira energética do Brasil e aposta na exploração dessa área para ajudar a repor as reservas do pré sal.
Pessoa 2
Hoje, quase 80% da produção de petróleo do Brasil é extraída dessa região do pré sal, mas o volume deve começar a diminuir a partir de 2030, já.
Pessoa 1
Na Foz do Amazonas, o interesse cresceu porque a Guiana descobriu e explora poços ali.
O processo foi marcado por vaivens.
O primeiro pedido de autorização que a Petrobras fez ao Ibama foi negado, mas depois o órgão voltou atrás e deu aval para a perfuração às vésperas da cop 30, em Belém, no final do ano passado.
Pessoa 3
O Ibama argumentou que a decisão veio depois de uma análise rigorosa com audiências públicas, mais de 60 reuniões técnicas e um estudo de impacto ambiental.
Mas, mesmo com a liberação, técnicos do órgão destacaram riscos a peixes boi, espécie ameaçada de extinção, e disseram que os impactos aos povos indígenas e ribeirinhos foram ignorados.
Pessoa 1
A exploração da área numa região de recifes e mangues é muito criticada por ambientalistas, pesquisadores e organizações da sociedade civil.
Pessoa 2
Lideranças tradicionais, cientistas e ativistas, consideram a exploração inviável nos aspectos social, ambiental, econômico e climático.
A exploração de petróleo por si só destrói os ecossistemas, porque esses danos já começam na construção da infraestrutura e operações da indústria, além da perfuração para encontrar a matéria prima.
Pessoa 3
O presidente Lula disse considerar a exploração de petróleo ali uma questão de Independência do Brasil, chamou o anúncio de passaporte para o futuro e em resposta a críticas de países europeus sobre a exploração de combustíveis fósseis na região.
Afirmou que não vai aceitar a interferência estrangeira no setor.
Pessoa 2
Isso aqui significa soberania nacional.
Um país que tem um petróleo dessa qualidade aqui não vai permitir que ninguém meta o dedo nele.
Pessoa 1
O café de hoje trata da exploração de petróleo na Foz do Amazonas e analisa como a pauta ambiental aparece na eleição.
A coordenadora de políticas públicas do Observatório do clima, Suely Araújo.
Explica os riscos ambientais e os interesses políticos em jogo no Amapá e faz um Balanço da gestão Lula e dos planos de governo apresentados.
Suely é também ex presidente do Ibama.
Pessoa 3
A gente já volta com A Entrevista.
Suely Araújo Analisa Anúncio da Petrobras e Timing Político
Sueli, a Petrobras anunciou na segunda-feira a existência de petróleo numa bacia na Foz do Amazonas.
Ainda não se sabe exatamente é quanto petróleo existe ali, né?
Nem se a exploração comercial é possível, nem a partir de quando ela seria possível.
Mas esse anúncio foi feito com certa pompa, inclusive com a presença do presidente Lula, que falou ali em passaporte para o futuro.
Como você viu esse anúncio e a prioridade que o presidente?
Lula deu a esse tema a esse evento no começo da campanha eleitoral oficialmente, né?
Pessoa 2
Bom, a Petrobras anunciou que ainda vai perfurar por alguns dias e deixou bem claro que não sabe ainda se Oo petróleo encontrado vai ter viabilidade de produção.
É bem pouco para o barulho que foi feito e certamente essa repercussão toda tem a ver com o momento político, com a campanha eleitoral.
É rapidamente, políticos do estado comemoraram do estado do Amapá, que é o seria o principal beneficiário de recursos nesse caso.
E isso tudo gera uma movimentação.
É importante do ponto de vista político, mas que também tem estrangeiros no na.
Na minha opinião, é provavelmente seria melhor ter esperado esses 15 ou 20 dias a mais de perfuração.
É ter esperado é informações mais claras sobre quantidade de óleo no, no, no poço morfo, além da questão política.
Há também uma pressão da Petrobras para que o Ibama autorize perfuração em mais 3 poços, no chamado bloco 59.
Então, isso também pode ser lido como uma estratégia da Petrobras de viabilizar essa autorização adicional do Ibama num prazo mais rápido.
Eu tenho impressão que é uma soma de interesses, os interesses da Petrobras.
E o momento?
Campanha política e.
Pessoa 1
E aí essa parte, né, que o Gustavo trouxe que o presidente Lula falou em passaporte para o futuro.
Como é que essa menção da pistas sobre o quanto o Brasil se FIA economicamente no petróleo?
Petróleo como 'Passaporte para o Futuro' em Meio à Crise Climática
Bom, apostar no petróleo como solução para o futuro em plena crise climática é tudo o que não pode acontecer, né?
Nós estamos vivendo um momento.
Cheio de eventos extremos, cada vez mais chuvas torrenciais, deslizamentos, secas, furacões, isso é é no mundo, né?
Estamos em plena crise climática, é, estamos com o super el Niño, aí é chegando.
É pra nos amedrontar em relação aos seus efeitos.
E nesse momento colocar AA solução pros problemas do país no petróleo é, é um erro assim.
Histórico.
Os combustíveis fósseis, eles são o principal vilão do aquecimento global no Brasil?
Oo desmatamento pesa mais e o governo tem, sim, bons resultados em desmatamento, o governo tem demonstrado que consegue controlar, mas, na prática, os combustíveis fósseis são o que realmente importam para o mundo.
O Brasil hoje está querendo competir com Arábia Saudita e outros países desse tipo.
E tem exportado mais da metade do petróleo que produz.
Isso economicamente gera dinheiro, mas gera também muita preocupação, porque onde quer que esse petróleo vai ser usado, vai ser queimado.
Ele vai contribuir para a crise climática?
Petróleo não é solução para nenhum país do mundo na situação que nós vivemos hoje.
E o Brasil tem petróleo suficiente para sua demanda interna.
Essas aberturas de novas Fronteiras de exploração que a Petrobras tanto defende, na verdade elas são desnecessárias.
As áreas lá abertas com a exploração, como o pré sal e outras no país, são suficientes?
Para nossa demanda interna, nós temos que gerenciar estrategicamente as áreas de exploração já abertas.
Essa seria 11, opção muito mais cautelosa e comprometida com AO enfrentamento da crise climática.
Pessoa 3
EEA luz disso que você coloca.
Pressão Política e Falsas Expectativas para Populações Locais
EE também do fato de que a produção na Foz do Amazonas.
Se for possível, né?
É calculada pra é chegar AA um a um ponto de aproveitamento lá por 2040 2042, né?
Segundo as as previsões.
Então a gente não tá falando de nada.
Muito pra já.
É, mas a lusa disso eu queria explorar um pouco melhor a questão da pressão política que cerca esse projeto, que, como você colocou, também é agravada com o acirramento da disputa eleitoral, né?
E aí eu destaco 2 frases que foram feitas, é lá no anúncio do presidente do Senado, Davi alcolumbre, que é do Amapá, que agradeceu o Lula por enfrentar tudo para defender esse projeto.
E do ministro de Minas e energia, Alexandre Silveira, que falou em soberania energética.
É faz sentido esse tipo de argumento, Sueli?
É para encorpar essa pressão política.
Como é que você vê essas declarações?
Pessoa 2
Essa movimentação toda e que não é de agora, vem de todo o processo de licenciamento no Ibama, da perfuração no do bloco 59, um dos impactos mais negativos, na minha opinião.
É a geração de uma expectativa pra população do Amapá, pra população do Pará, de que o dinheiro vem logo, de que esse dinheiro vai resolver.
A vida é dos habitantes do estado, dos estados, que são estados bastante pobres, né?
A partir do momento que localizaram, olha que se constata que a Futura produção é viável.
A média histórica de tempo entre esse momento e a efetiva produção.
É de cerca de uma década.
A presidente da Petrobras está falando em até 7 anos.
Eu tenho muitas dúvidas pelas condições da região.
A região tem Correntes fortíssimas com as quais a Petrobras não está acostumada a lidar com toda a experiência.
É da empresa, que tem que ser reconhecida.
Então esses recursos, se é que eles encontraram óleo suficiente pra produção.
Esses recursos pra é de retorno pra população local.
Eles vem daqui cerca de uma década e se gera uma expectativa como se os recursos viessem agora, né?
Então esse é o primeiro ponto.
Tudo isso pra mim é, é um impacto social negativo que deveria ser evitado.
Nós deveríamos ter mais cautela com esse tipo de divulgação.
Riscos Ambientais e Impactos Sociais da Exploração na Foz
Sim, EEE.
Acho que você explicou bem, né, que a licença é pra Petrobras explorar aquela área, e explorar significa prospectar se há petróleo ou não, ou não.
Tirar petróleo do fundo do mar é ainda não, não é uma exploração comercial, mas esse parece ser o caminho que tá se desenhando aqui, né?
Então queria a sua ajuda pra tentar sistematizar.
Qual passa a ser a preocupação ambiental a partir de agora?
Porque há uma oposição tão grande de cientistas, de ambientalistas?
Pessoa 2
Bom, nós temos um problemas locais.
Relativos ao bloco 59 em si e problemas mais amplos relativos à opção pela expansão dos combustíveis fósseis, né?
Em plena crise climática, vamos aos problemas locais.
Abastecedimentar do bloco 59 é uma área bastante frágil, com Correntes fortíssimas que potencializam acidentes, seja na perfuração, seja na Futura produção.
O Ibama multou a Petrobras em mais de 2000000 e meio de reais por esse vazamento de um fluido utilizado justamente na perfuração de petróleo e também de gás natural.
É esse vazamento ocupou ali mais de 18 m³, ali na bacia da Foz do Amazonas, qualquer acidente naquela região.
É, geraria o deslocamento de de óleo, né, para águas internacionais, para águas de outros países em menos de meio-dia.
É o que as modelagens, que são cautelosas, mostram.
Pessoa 3
Segundo a Petrobras, não chegaria a Costa.
É é AA Foz do Amazonas em si, né?
Iria todo o vazamento, eventuais vazamentos para as águas do Caribe, né?
Pessoa 2
A Petrobras afirmou que a atuação na região é feita de forma segura e com respeito ao meio ambiente e as pessoas.
A nota disse também que a atuação faz parte da estratégia para recompor as reservas da companhia e garantir o atendimento da demanda nacional durante a transição energética justa.
A corrente principal leva na direção da Costa da Goiana, francesa e Caribe.
Mas nós temos Correntes mais profundas que podem, sim, trazer petróleo para Costa brasileira, a Costa do nosso país.
Nessa região, ela é cheia de manguezais e tem populações indígenas, tem comunidades, outras comunidades tradicionais.
Não está descartado o retorno do petróleo em caso de acidentes.
Em parte é pra Costa brasileira.
Inclusive, esse é um dos problemas levantados na ação judicial que questiona a licença concedida pelo Ibama pra essa perfuração.
A análise hidrodinâmica da região, ela não estava plenamente atualizada e ela não mostrou os detalhamentos necessários para garantir que não vem óleo para para a Costa brasileira.
Isso está judicializado.
É um dos um dos argumentos, na verdade, que que questiona a licença de perfuração concedida a alguns meses pelo Ibama.
Pessoa 3
E acho importante colocar que aquela região já vem sendo transformada nos últimos.
Meses, né, Sueli?
Só com essa fase da prospecção já há transformações, mais do que ambientais, sociais também acontecendo ali, né, para as comunidades quilombolas, comunidades indígenas.
Pessoa 2
EAA cidade de euiapoque também vem sofrendo impactos relevantes com a expectativa de ganho de geração de emprego.
Há uma migração para uma cidade que é pequena, que não tem infraestrutura e já estão surgindo.
Bairros irregulares, na verdade, né?
É assentamentos que não tem regularidade, imobiliária, EE.
Tudo isso impacta pra prefeitura, impacta a vida de quem mora em oiapó EE, de toda a comunidade, inclusive as populações tradicionais.
O Dilema Ético entre Ganhos Econômicos e Preservação Ambiental
Eu fico pensando numa coisa, eu acho que é os riscos ambientais estão muito claros, baseados em evidências publicizados.
Mas eu queria trazer um pouco um argumento que é colocado é nos debates, que é o fato de o Brasil ser um país muito desigual.
É que não pode abrir mão da grana que vem do petróleo, que esse dinheiro poderia fazer diferença agora na vida de pessoas, uma coisa meio assim, de um lado, a gente precisa proteger o planeta, porque a gente precisa do planeta para poder viver.
De outro, já tem vidas nesse planeta.
E há uma obrigação ética, inclusive moral, em preservar essas vidas, em entregar dignidade a essas vidas.
Você vê esse antagonismo como um dilema real.
Pessoa 2
Bom, nós temos que garantir qualidade de vida EE, qualidade de vida que inclui as gerações futuras.
A opção pela expansão do petróleo é uma opção que é incompatível com a realidade de crise climática.
Não adianta gerar dinheiro e não gerar.
É enfrentamento da situação que o mundo inteiro está passando aí.
E isso, assim, não há como raciocinar de outra forma, é é importante também dizer esse tipo de produção.
Ele gera assim recursos, mas historicamente não tem gerado distribuição de renda.
Há regiões do nosso país que recebem royalties de.
Em relação ao petróleo, há bastante tempo e que tem inúmeros problemas sociais.
Tudo isso tem que ser computado realmente.
Quem vai lucrar com esse recurso todo são os acionistas da das empresas.
Quanto que vem para o governo?
Mas no que o governo está realmente investindo?
Eu não estou falando do governo federal, estou falando dos governos.
Tudo isso é a solução pros nossos problemas sociais?
Na minha opinião, não pode ser inviável que a solução esteja e expandir o problema da principal tragédia com a qual nós convivemos, que é a crise climática.
A Contradição do Governo Lula entre Meio Ambiente e Petróleo
O presidente Lula, enfim, exaltou essa descoberta da Petrobras, esse anúncio da Petrobras é, mas disse também que é não nega a luta dele para que um dia o Brasil não precise usar combustível.
São as palavras dele, é, você vê uma é, é contradição.
É nisso, Sueli, Oo governo Lula tem demonstrado de forma objetiva, é essa luta.
Pessoa 2
O governo Lula tem resultados impressionantes em relação ao controle, ao controle do desmatamento na Amazônia e em outros biomas.
O governo Lula reconstruiu a governança ambiental no país.
Mas desde o início, o governo Lula mostra a contradição na área de energia, porque nós não podemos ao mesmo tempo falar em transição energética, falar em que vamos substituir as Fontes fósseis.
E isso está inclusive no programa no plano de governo do presidente registrado há poucos dias e, simultaneamente, optarmos por uma grande expansão da produção de petróleo, pela extensão desnecessária de benefícios, por exemplo, para as térmicas a carvão, pela expansão do gás natural, que na verdade é um gás fóssil.
É melhor que um carvão, mas é um gás fóssil.
Então, para mim, a principal contradição do governo Lula em política ambiental e eu reconheço os grandes avanços que eles conseguiram, mas a contradição está no setor de energia.
Eles não estão optando, na verdade, por uma transição.
Eles estão fazendo simultaneamente, sim, alguns avanços em biocombustíveis.
O presidente falou em biocombustíveis e biocombustíveis.
Nós temos tradição e eles tão importantes para o país, mas eles.
Jogam para o lado da transição e, ao mesmo tempo, expandem os fósseis.
Nessa luta, quem vai ganhar são os fósseis.
Pessoa 3
E os fósseis ganham por uma opção do governo, porque eles rendem mais dinheiro, porque é o jogo do capitalismo, enfim, do que que explica essa Vitória?
Pessoa 2
Eles rendem, é muito dinheiro se você tem grandes corporações envolvidas.
É um problema que não é um problema só brasileiro.
Esse problema ele tem ficado bem claro nas conferências, nas cópias do clima ano a ano, o grande poder das petroleiras.
E isso são.
É uma questão que o mundo tem que enfrentar.
Mas é uma questão que, no caso do nosso país, na minha opinião, nós temos todas as condições.
De lidar com isso de uma forma é consequente com as futuras gerações, de uma forma que gere mais distribuição de renda, mais emprego.
E a própria Petrobras poderia ser líder nessa transformação.
A Petrobras fala em transição, mas quando você olha o quanto eles investem em renováveis, é um percentual muito pequeno.
Do seu planejamento, dos seus gastos.
Na prática, a Petrobras adota o discurso da transição, mas ela investe no ela é petroleira raiz, né?
Ela não faz mudanças efetivas nessa perspectiva e poderia fazer.
A Petrobras é uma grande empresa, com muita tecnologia, com muita experiência.
E ela não necessariamente precisa diminuir seu valor de mercado ao diversificar as suas atuações, os seus investimentos.
Agora precisa virar a chave.
Não pode querer explorar petróleo até o fim dos tempos.
Sucesso no Desmatamento Não Compensa Expansão de Fósseis
Tem uma coisa que você trouxe há pouco, que é uma espécie de legado ou de Conquista do governo Lula, que são números positivos na área ambiental, inclusive a redução do desmatamento, né?
A área sob alerta de desmatamento na Amazônia caiu entre 2025 e 2026 para o menor patamar já registrado no cerrado.
Essa queda foi um pouco menor.
Mas, de qualquer forma, há alguma celebração nisso, né?
Mas eu queria entender se uma coisa.
Pode compensar a outra?
Eu quero dizer, de alguma maneira, o governo pode usar uma Conquista para justificar.
É um prejuízo ambiental.
Pessoa 3
Lembrando que o Lula participou do evento de divulgação dos dados do desmatamento também, né?
Sim.
Pessoa 2
Os números de desmatamento eles estão excelentes e eles vêm caindo desde o início do desse governo Lula, do terceiro governo Lula.
A equipe que assumiu o Ministério com a ministra Marina Silva, é uma equipe que fez um avanço parecido.
No primeiro governo Lula, tem muita gente que está de volta, né, No No comando de tudo isso.
E o Ibama tem tido uma atuação muito impressionante em termos de controle nos territórios e com muita tecnologia e uso de embargos remotos, que tem gerado bastante reação dos produtores rurais.
Tudo isso tem que ser comemorado.
E o desmatamento?
Ele é um fator importante Na Na nossa matriz de emissões de gases de efeito estufa, no caso brasileiro, mas isso não significa que nós possamos carbonizar a nossa matriz energética.
Nós temos uma matriz elétrica bastante baseada em em energia sustentáveis renováveis, né?
Mas eu eu estou falando na nossa matriz energética de uma forma mais ampla e nós usamos sim muito diesel nas nossas estradas.
A nossa opção rodoviarista tem efeitos concretos aí em em problemas ambientais.
Mas temos caminhos, como os biocombustíveis é.
Temos caminhos que nos levam a afirmar que o país poderia ser entre as grandes economias do mundo.
E o Brasil é uma das grandes economias do mundo.
Nós poderíamos ser uma liderança assim, destacada em conseguir uma transição mais do que energética, uma transição.
Ecológica, justa, conjetiva, social.
Nós temos todas as condições para trilhar por esse caminho.
Agora, não, não.
Eu nunca falo em nós não vamos parar de usar petróleo ou parar de produzir amanhã.
Não é nessa.
Ninguém nunca falou nisso.
Mas nós temos que ter um cronograma claro de descarbonização, um cronograma claro de redução ou mesmo paralisação dos leilões para novas explorações.
Pelo menos nas áreas, são novas Fronteiras.
Não se justifica, no Brasil de 2026 ficar apostando.
Na abertura de novas Fronteiras, como a bacia sedimentar da Foz do Amazonas, como a margem Equatorial, de uma forma mais ampla, tem uma pressão pela bacia de Pelotas.
Lá no sul.
Não há necessidade de fazer isso.
Nós não precisamos desse petróleo.
Nós temos outros caminhos muito mais sustentáveis para serem trilhado.
Futuro da Transição Energética e Posições da Oposição
Entendo que você coloque uma centralidade nessa questão da transição energética e queria encaminhar ao final da nossa conversa, tratando justamente da campanha de promessas para um novo governo, seja ele de Lula ou de alguém da oposição.
É no caso do presidente Lula.
Você vê isso como uma promessa que fica para um eventual quarto mandato dele?
É é um caminho viável que tem chance de acontecer?
Pessoa 2
É o plano de governo que foi registrado, contém alegações, afirmações, numa perspectiva de continuar.
É com atenção para política ambiental e para política climática, mas também mostra a decisão de continuidade da exploração do petróleo.
Então, existe uma contradição que vem acontecendo desde o início do governo que a tendência é continuar, sim, nos próximos 4 anos.
É, é a luta.
É é diária, né?
O presidente apostou internacionalmente na cop 30 no final do ano passado, na figura do mapa do caminho para afastamento dos combustíveis fósseis.
O Brasil, a diplomacia brasileira, tem feito divulgação da importância de mundo fazer isso.
O embaixador André Corrêa do Lago, durante esse ano, trabalhou bastante no sentido desse convencimento.
Dos outros países, da importância desses mapas do caminho acontecerem.
Mas nós temos que cobrar o presidente Lula que esse mapa do caminho exista, bem claramente para o caso brasileiro.
E é um mapa do caminho para afastamento dos combustíveis fósseis.
Não é para o aumento da exploração.
De petróleo, então, assim, nós vamos ter ainda muitos anos de exploração de petróleo, mas nós temos que ter o que o mapa do caminho prega, que é um cronograma claro, com medidas claras, com meios de implementação, para que nós não precisemos mais depender do petróleo e outros combustíveis fósseis.
Pessoa 3
E no campo da oposição, enfim, é Flávio Bolsonaro é o principal adversário, mas há uma fila de outros candidatos da direita também, principalmente mais competitivos.
Você vê alguma sinalização para isso?
É é em planos de governo na campanha?
Pessoa 2
O plano de governo do candidato Flávio Bolsonaro é bastante ruim.
É no que se refere a meio ambiente.
E o parlamentar Flávio Bolsonaro, em determinadas fases, chegou ao nível de negacionismo dos problemas climáticos também quando ocorreu na enchente a grande enchente no Rio Grande do Sul, em 2024, houve colocações do parlamentar que são muito assustam, né?
Porque é uma pessoa que nega na prática os problemas ambientais e especificamente os problemas climáticos no plano de.
E o governo do candidato Flávio Bolsonaro tem inclusive questionamentos sobre Ibama, ICM bio, Funai, sobreposição de atribuições, fala em licenciamento tácido, poder, curso de prazo realmente preocupante para quem trabalha como eu, a vida inteira na área ambiental e lideranças políticas com esse tipo de posicionamento.
Venham a assumir o comando do país.
Brasil Perde Laura Cardoso e Glória Menezes: Legado na Dramaturgia
O Brasil perdeu 2 grandes atrizes em menos de 24 horas.
Laura Cardoso morreu aos 98 anos, na noite de segunda-feira, e Glória Menezes, aos 91 anos, na tarde de ontem.
As 2 se consagraram em novelas, na TV e viraram referências da dramaturgia brasileira.
Glória Menezes nasceu em 1934, em Pelotas, no Rio Grande do Sul, e se mudou ainda criança para São Paulo.
Começou no teleteatro, da TV Tupi.
E estreou em novelas em 1959, em um lugar ao sol, também estrelado por Laura Cardoso.
No cinema, a Glória viveu rosa em O Pagador de Promessas, de 1962.
O filme venceu a Palma de ouro em Cannes e foi indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro.
Em 63, ela protagonizou 25499 ocupado, primeira telenovela diária do país, na qual fez parte com Tarcísio Meira, com quem ficou casada por 59 anos.
Narcísio morreu em 2021.
Entre outros papéis marcantes, Glória Menezes interpretou laurinha Figueroa, a vilã de Rainha da Sucata, de 1990.
Um dos últimos trabalhos dela foi na novela totalmente demais, exibida entre 2015 e 16.
Laura Cardoso nasceu alguns anos antes de Glória, em 1927, na capital Paulista, e teve mais de 8 décadas de carreira.
A trajetória dela começou aos 16 anos na rádio cosmos, em programas de auditório, humorísticos e rádio novelas.
Em 46, ela estava na rádio Tupi quando conheceu o ator, diretor e roteirista Fernando baleroni, com quem se casaria e viveria até a morte dele, em 1980.
Na década de 50, a Laura entrou para o elenco pioneiro da TV Tupi.
Mais tarde, passou por Bandeirantes, Record e Globo, onde estreou em 1981, na novela brilhante.
Em mais de 100 trabalhos na televisão, ela interpretou personagens como Isaura, de Mulheres de Areia, e doroteia, de Gabriela.
A última novela foi A Dona do Pedaço, de 2019.
Laura também ganhou 2 vezes o prêmio Shell de melhor atriz no teatro e participou de mais de 30 filmes, entre eles Terra estrangeira, que Walter Salles e Daniela Thomas dirigiram em 1995.
No ano passado, Laura lançou o curta metragem dona Rosinha, seu último trabalho.
Pessoa 1
Esse foi o café da manhã, podcast mais importante do seu dia, parceria entre a folha e o Spotify.
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Eu sou o Gustavo Simon.
Pessoa 1
E eu, Gabriela Mayer, a.
Pessoa 3
Produção é de Giulia peruzo, Jéssica Cruz e Pamela Queiroz e a edição de som de Rafael concli.
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Episódios, áudios de Rádio CBN, UOL, Band, Brasil de fato, AFP, times Brasil, CNBCETV Globo.
Pessoa 3
É isso até amanhã.
Pessoa 1
Até.
Podcast Summary
Key Points:
A Petrobras anunciou a descoberta de petróleo no poço Morfo, na Bacia da Foz do Amazonas, no litoral do Amapá, durante evento com a presença do presidente Lula, em plena campanha eleitoral.
A descoberta ainda não tem viabilidade comercial confirmada, e a produção, se ocorrer, levaria cerca de uma década para começar, gerando críticas sobre o timing político do anúncio.
A exploração na região enfrenta forte oposição de ambientalistas e cientistas devido a riscos a ecossistemas frágeis, correntes fortes, possíveis acidentes e impactos sobre comunidades indígenas e tradicionais.
O governo Lula é elogiado pela redução do desmatamento, mas criticado por contradições na política energética, ao expandir fósseis enquanto defende transição energética.
Especialistas defendem que o Brasil não precisa de novas fronteiras de exploração, pois já possui reservas suficientes, e alertam para os riscos climáticos de apostar no petróleo como "passaporte para o futuro".
O programa também homenageia as atrizes Laura Cardoso e Glória Menezes, que morreram recentemente, destacando seus legados na dramaturgia brasileira.
Summary:
O programa aborda o anúncio da Petrobras sobre a descoberta de petróleo no poço Morfo, na Foz do Amazonas, no Amapá, feito com pompa e presença do presidente Lula em momento de campanha eleitoral. A especialista Suely Araújo, ex-presidente do Ibama, critica o timing do anúncio, pois ainda não há dados claros sobre a viabilidade comercial, e a produção, se ocorrer, levaria cerca de uma década. Ela aponta que a movimentação gera expectativas irreais para populações locais e serve a interesses políticos e da Petrobras, que pressiona por novas licenças de perfuração no bloco 59.
Suely destaca graves riscos ambientais na região, como correntes fortes, possíveis vazamentos que poderiam atingir a costa brasileira e impactos sobre manguezais, povos indígenas e comunidades tradicionais. Ela critica a contradição do governo Lula, que reduz o desmatamento, mas expande a exploração de combustíveis fósseis, considerando isso incompatível com o enfrentamento da crise climática. A especialista defende que o Brasil possui reservas suficientes para demanda interna e deveria investir em transição energética, com cronograma claro de descarbonização, em vez de abrir novas fronteiras. Por fim, o programa lamenta a morte das atrizes Laura Cardoso e Glória Menezes, celebrando suas contribuições à televisão e ao cinema brasileiro.
FAQs
A margem Equatorial é uma faixa que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte, vista pela Petrobras como uma nova fronteira para repor as reservas do pré-sal, que devem diminuir a partir de 2030. O interesse cresceu após descobertas na Guiana.
A região tem correntes fortíssimas que potencializam acidentes e podem levar óleo a águas internacionais em menos de meio-dia. Há também correntes mais profundas que podem trazer petróleo à costa brasileira, afetando manguezais e comunidades tradicionais.
O anúncio ocorreu durante a campanha eleitoral, e a produção, se viável, levaria cerca de uma década para começar. Isso cria expectativas imediatas de recursos e empregos, mas os benefícios reais, se existirem, viriam só no longo prazo.
Já há impactos sociais, como migração para Oiapoque, que é uma cidade pequena sem infraestrutura, levando ao surgimento de bairros irregulares. Isso sobrecarrega a prefeitura e afeta a vida de moradores e populações tradicionais.
O governo tem avanços no controle do desmatamento e na governança ambiental, mas, ao mesmo tempo, expande a produção de combustíveis fósseis, como petróleo e gás natural. Isso contradiz o discurso de transição energética e prioriza ganhos econômicos em vez de enfrentar a crise climática.
O mapa do caminho é um plano com cronograma e medidas para reduzir a dependência de combustíveis fósseis, defendido na COP30. A diplomacia brasileira apoia isso globalmente, mas falta um plano claro para o Brasil, que continua expandindo a exploração de petróleo.
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