Pesquisa revela maior sobrecarga emocional em casais homoafetivos
20m 33s
A conversa aborda as dores e delícias da carga mental em relações LGBT, com base em dados inéditos de uma pesquisa sobre vida afetiva. Um dos principais achados é que, em casais homossexuais, 35% sentem que dão mais do que recebem, quase o dobro dos heterossexuais (16%). Isso ocorre porque, sem roteiros automáticos de gênero, a divisão de tarefas se baseia em habilidades, concentrando responsabilidades em quem é mais competente e gerando rivalidade e sobrecarga. Além disso, 41% dos casais LGBT relatam excesso de tarefas cotidianas, contra 27% dos heterossexuais. Outro ponto relevante é que a interferência familiar pesa mais para casais LGBT (22% vs. 12%), deslegitimando o vínculo e fazendo com que muitos se esforcem excessivamente para manter a relação. Apesar de estereótipos, a maioria (70%) busca monogamia e relações estáveis. A reflexão final destaca que, em qualquer relação, é essencial negociar tarefas e não se apoiar em habilidades ou papéis naturais, evitando que o desejo de agradar se torne uma prisão. A maturidade emocional e a comunicação são chave para evitar frustrações.
[Música] Carol Botarde. Botanha de Tat, Botadinando Botadion Vintes. Hoje a gente vai falar, vai falar não, a Carol vai falar e a gente vai aprender um pouco sobre as dores e as delícias da carga mental, invisível em relações LGBT que ia a PN mais. Espero que tenha falado todas as letras corretamente. Tem muita gente que pede para que você fale sobre relações homossexuais aqui, né Carol? Exatamente. E hoje eu quis trazer um recorte com dados inéditos. Eu já tinha trazido alguns dados dessa pesquisa, o raiortismo da vida afetiva, falei com mil brasileiros, pais todo, todas as idades, orientações sexuais. E hoje eu trouxe um recorte das principais diferenças dos casais homofetivos e heterofetivos para a gente poder mergulhar aqui nessas dores e delícias e quer ouvir vocês casais LGBT que ia a mais para saber se esses dados reçou com as relações vocês. Então primeiro eu acho super importante a gente já desmontar um cliché que é que nas relações homofetivas é mais difícil se buscar uma relação estável ou se buscar monogamias. Uma das perguntas que eu tinha na minha pesquisa é que modelo de relação você está buscando e 70% das pessoas homofetivas estão buscando uma relação monogâmica 100% fechada. O número das pessoas é ter os 78% então a diferença não é significativa. Além disso, o Brasil registrou 15.520 casamentos entre pessoas do mesmo sexo em 2025. Quase 43 casamentos por dia. Foi uma alta de quase 9% versos em 2024 e tem uma outra pesquisa que foi publicada agora em junho do rinde que é um aplicativo de relacionamentos que foi feita com 31 mil usuários e mostra aqui 86% das pessoas LGBT que ia a mais querem conexões emocionalmente seguras transparentes e 52% delas dizem que estão desacelerando o ritmo versus 44% dos heteros quer dizer já quero começar dizendo tem se você fala está difícil achar um namorado ou uma namorada porque os gay só querem transar esse é que isso casual não é isso que os gay estão falando então vá procurar o seu par porque muitas vezes a gente fica nesse lugar do ninguém quer nada com nada e na verdade só estamos todos com medo. O que eu acho muito interessante eu quero trazer aqui pra gente discutir o maior da diferença dessa pesquisa tem a ver com a sensação de dar mais do que recebe e a sobrecarga das tarefas do cotidiano. Então entre os casais homofetivos 35% das pessoas sentem que dão mais do que recebem versos 16% dos casais heterosexuais e quando a gente fala da sobrecarga cotidiana então o excesso de tarefas 41% dos casais homofetivos relatam esse como principal problema versus 27% dos casais heterosex e a falta de tempo é 10 pontos maior também 28% dos casais homofetivos reclamam da falta de tempo versus 19%. Então o que é esse dado traz aqui pra gente discutir? Que teoricamente uma relação entre iguais que poderia ser mais igualitária na divisão de tarefas traz outros problemas da falta de roteiros automáticos. A gente sabe que dentro de um casal heterosexivo essa divisão de tarefas por função, a função materna, a função paterna traz uma sobrecarga enorme e o trabalho invisível pra mulheres que muitas vezes são responsabilizadas pela gestão da casa, pela educação dos filhos porque isso é algo que a mulher faz com mais naturalidade. Só que ao mesmo tempo que isso sobrecarrega o indivíduo, ele também alivia porque não é algo que foi definido por aquele casal. Sempre foi assim, tem algo de uma alenação que a gente está aqui construindo, que é essa função, já foi dita, essas coisas são naturalizadas, mas há algo de um automático. No casal homofetivo, a gente não divide por função, divide por habilidade pela sensação de quem faz melhor. Isso, muitas vezes, e é o que eu dado da pesquisa atrás, sobrecarrega e gera uma sensação de frustração e muitas vezes de competição porque a habilidade é da ordem do eu, tem algo do narcísico aqui. Porque se a divisão se faz por aptidão, você eu acho que eu sou melhor nas finanças, então eu já puxo isso pra mim. E aí eu tinha infantilizo, que é o clássico do, quando a gente pensa no casal hétero, a mãe que reclama que o pai não troca a frauda, mas quando o pai troca a frauda fala, mas você não sabe fazer. Então, o que eu faço? Porque eu faço melhor. Exatamente. E a divisão dos casais homofetivos se faz por divisão de função. E aí se eu faço melhor, a habilidade vai concentrando. E quem é mais capaz, acumula e fala, "Não, deixa que eu faço melhor." Eu cozinho, porque eu cozinho melhor. Eu coorden as compras, porque eu coorden melhor. Eu organizo as nossas finanças, porque eu coorden melhor. E aí você vai se tornando responsável por tudo. E muitas vezes vai, menos presando o outro, vai diminuindo o outro. E o cuidado vai aos poucos se tornando rivalidade. Eu vejo isso muito na clínica, até que era o saber se casais homofetivos que estão nos ouvindo, vivem isso. O quanto essa rivalidade aparece também, muitas vezes, por exemplo, dois homens que estão no mesmo patamar de cargo e, de repente, um deles vira diretor, outra indagirente. Isso se reflete na dinâmica da casa. Exatamente. Ou esse lugar do. Eu sei cozinhar melhor. Eu arrumo a casa melhor, depois vira uma rivalidade de só eu que cuido mais desta relação. Mas você está sempre criticando aquele que faz as receitas básicas. Aqui estou te ouvindo e estou pensando. Eu do meu lugar de fala, que aprendemos com a de amila aqui, para não deixar se perder. Mulher, branca, classe média, é heterossexual. Se você faz alguma coisa melhor do que o outro, como por exemplo cozinhar, que é um negócio de que todos os integrantes da sua família vão depender, não só o seu conjo, enfim. Se isso for uma coisa bem assentada, bem resolvida, não deveria ter problema. Não deveria e não precisa ter. Mas quando a gente ouve que 35% das pessoas têm que dar o mais do que recebem, a provocação é, você está fazendo, cozinhando, equidando da gestão da casa. Qual é a sobreposição de tarefas que você faz melhor, que faz com que você se sinta sobrecarregado? Porque o ponto que estou trazendo para discutir é se a pessoa acente que o excesso das tarefas cotidianas e eu dou mais do que recebo. São os problemas dessa relação? O que que você gostaria de receber que você não está pedindo?
Ah, isso é importante. E o que é que você está fazendo, que você faz melhor, mas que talvez você não queira fazer? Ah, bom. Porque pode ser que a cozinha, você top, ou pode ser que ainda que você cozinha melhor, você não quer cozinhar todo dia. Agora, caramba, tem uma tendência da gente sempre a achar que dá mais o que recebe. Hmm, boa. Eu sempre acho que eu dou mais. Hmm. Mas o que eu acho que é o que eu quis trazer é que nos casais homofetivos, isso é quase 20% maior. Então nos casais éteros 16%, 1 a cada 5. Acheam que dão mais o que receben. Nos casais homofetivos, 35%, 1 a cada 3. E aí, o que eu estou trazendo para a gente discutir é que esse número tende a ser maior, porque não tem esse algo claro. É pré estabelecido, ainda que seja muito injusto, né? Do que o cara deveria fazer, a mulher deveria fazer. Então, a gente está definindo nesse enlace a partir das nossas habilidades. E aí eu faço para cuidar do outro, mas ao mesmo tempo, me sinto sobrecarregado. E aqui acho que tem esse ponto da rivalidade, né? Que traz também um pouco narcisismo das pequenas diferenças, que é um conceito do Freud, que traz que exatamente em pessoas que são muito, muito parecidas com a gente. Aqui eu estou trazendo para o casal homofetivo, mas isso muitas vezes acontece entre amigos, que pensam muito igual ou entre irmãos, que são como a semelhança, a meaça, a singularidade. Aí, o que eu sou um pouquinho diferente de você, eu vou jogar na sua cara. Porque isso faz com que eu seja diferente. Porque isso faz com que você precise de mim. E isso está trazendo dor nas relações homofetivas. E aí tem uma outra camada que eu acho importante trazer, que é o quanto desejo de agradar, vai se tornando uma prisão. A gente fala muito isso em todas as relações, mas tem um outro número da pesquisa que traz um dado para a gente complexizar essa discussão, que é até trouxe para discutir aqui com o feio, que uma das o principal problema, um dos principais problemas nas relações heterossexuais, é o excesso de telas, a presença ausente. E aqui o que a gente vê é que o que incomoda os casais homofetivos, não é a distração, é o outro e esse outro sendo a família. O que pesa negativamente nos casais homofetivos é a interferência da família. 22% dos casais homofetivos se incomodam com a interferência da família, versos 12% dos casais heterofetivos. E por que isso é importante de trazer nesse contexto dessa sobrecarga? Porque muitas vezes essa família deslegitima quem você é, deslegitima o seu vínculo, seu direito de ter um parceiro, um namorado, um marido, uma mulher, uma namorada. E aí essa sensação que eu comecei à coluna, que ninguém quer nada com nada, de que é difícil ter um namoro, uma relação estável, faz com que eu me esforço e ainda mais para manter essa relação. Então, dar cada vez mais é um modo de garantir que o outro fique, de garantir a mim mesmo que eu sou uma pessoa, a LGTK e a mais, que tem direito a estar numa relação estável. E com isso esse desejo de agradar vai virando uma prisão. Eu acho que eu comecei falando das diferenças, mas trazendo para você que é hétero que está ouvindo a gente, eu acho que essa pauta também diz sobre nós. Eu acho que essa diferença e essa sensação de eu domais do que recebo, e eu estou sobrecarregado, é torna visível, uma verdade que o casal hétero passou a vida engubrindo, que a divisão de tarefas nunca é natural. Então, voltando para a sua questão, Tat, não é porque você cozinha melhor que naturalmente, você tem que puxar essa função para você. Você tem que conversar e reconversar, porque pode ser que durante os cinco primeiros anos seu casamento. - Você já belezou a hora. - Eu estou aí depois, eu cansei, eu não quero mais, vou machar outro jeito. Exatamente, a gente vai pedir comida, a gente vai cozinhar juntos e congelar, a gente vai economizar em outra coisa, e chamar alguém que cozinha para a gente, é a gente poder. não se apoiar nem na própria habilidade para ser necessário para o outro, e depois se sentir sobrecarregado, e nem nos papéis naturais, porque somos homens ou somos mulheres. Então, que a gente possa entender as desigualdades como. não como justificativas, e sim como pontos a serem conversados, e até desenvolvidos. Talvez você não saiba fazer isso, vamos fazer um curso de finanças juntos. Tem participação de ouvintes aqui, tem ouvintes muito contentes da sua escolha para abordar esse tema, vou começar pela jana que está dizendo, você pode fazer tudo melhor, e para você não ser um problema, mas você atinge outro no ego, precisa ser emocionalmente maduro para levar isso de boa, e maturidade é algo em escassez, de isso aqui, a jana carvalho. O ESPER, que é nosso ouvinti profissional, ele é viúvo, e ele está dizendo, "Ata que meu marido falecer, esse modelo de habilidades era o que nós adotávamos, e era perfeito. Nunca nos sobrecarregamos, nem nunca caímos em rivalidades. As engrenagens rolavam muito bem, e por conta disso, sobrava muito tempo para a gente se curtir, mesmo não fazendo nada, não sofá, vendo uma série, e tal. Sabíamos lidar muito bem com a falta de habilidade do outro. Ele é quem cozinhava, cozinhava super bem. Quando estava muito cansado e tal, eu cozinhava, sem qualquer problema, ficava horrível a comida, mas a gente enriqueia muito junto, acabamos pedindo pizza. Então, assim, até o que podia ser um motivo de discordância ali, virava algo. Descontraído, tratado com um pouco peso, para não falar, tratado com leveza, porque eu também sou da sua opinião que relacionamentos não são leveza. E o Lucas, por fim, está aqui nos dizendo que eu voltaria uns passos para perguntar se os solteiros LGBT estão sozinhos por escolher em demais, já que o dado da pesquisa diz que as pessoas querem essas relações monogânicas e tudo mais. Ele diz pergunta de uma pessoa solteira a 37 anos. Bom, começando pela agenda, eu queria fazer uma provocação e trazendo até o relato do aspecto, que é, quando ela fala, atinge o ego do outro e maturidade está em falta, atinge o ego do outro, o outro ter um ego não é necessariamente ruim. Então, por mais que você faça melhor, às vezes a pessoa não cozinha tão bem, mas ela quer poder cozinha, que é o exemplo da frauda, nos casais heterossexuais. Esse pai não troca frauda tão bem, mas ele quer poder trocar e errar e aprender. Então, muitas vezes a pessoa que não tem tanta habilidade é poupada como uma forma de amor, mas ela se sente infantilizada. Então, acho que vale perguntar quando a gente tem esse segundo relato, até meu companheiro morrer, a gente dividia e tratava isso super bem, conversa em sobre isso. É o olhar que bom que você faz isso, porque eu realmente não tenho saco ou ainda que você faça melhor, eu quero poder fazer. É sobre a gente conversar e reconversar. E aí, respondendo à última pergunta, acho que isso vale uma próxima pauta. Eu acho que tanto solteiros, LGBTQ, mas como solteiros é hétero, estão escolhendo demais e estão confundindo exigência com intransigência. Tem algo que sempre pode ter alguém melhor, altura de um novo swipe. E não sou obrigado a me contentar com menos. Quero apaixonamentos mágicos, são alguns dos pontos que tem feito a gente esperar sempre o próximo e não ficar um pouquinho mais para ver se vale a pena.
construí. Muito bem. Carol, Tchukia, está com o nosso todo a segunda feira no nosso amor expulsíveis, a amor expulsíveis são aqueles que a gente faz, de que a gente dá conta. Carol, brilhante. Desinvolve a habilidade, né? Não vai ter a habilidade, desinvolve juntos. Vai praticando, vai praticando. Beijo, Carol, boa semana para a gente, até a semana que vem. Ainda tem a habilidade de feitas. Agora são 13, 24, vamos a Brasília, temos informações com João Rosa, João Botarde.
Podcast Summary
Key Points:
Em relações homossexuais, 35% sentem que dão mais do que recebem, contra 16% em relações heterossexuais.
41% dos casais homossexuais relatam sobrecarga com tarefas cotidianas, versus 27% dos heterossexuais.
A divisão de tarefas por habilidade, em vez de função, gera rivalidade e frustração, pois concentra responsabilidades em quem é mais competente.
Interferência familiar é um problema maior para casais LGBT (22%) do que para heterossexuais (12%), afetando a dinâmica do casal.
Dados mostram que 70% dos LGBT buscam relações monogâmicas e 86% desejam conexões emocionalmente seguras, contrariando estereótipos.
Summary:
A conversa aborda as dores e delícias da carga mental em relações LGBT, com base em dados inéditos de uma pesquisa sobre vida afetiva. Um dos principais achados é que, em casais homossexuais, 35% sentem que dão mais do que recebem, quase o dobro dos heterossexuais (16%). Isso ocorre porque, sem roteiros automáticos de gênero, a divisão de tarefas se baseia em habilidades, concentrando responsabilidades em quem é mais competente e gerando rivalidade e sobrecarga.
Além disso, 41% dos casais LGBT relatam excesso de tarefas cotidianas, contra 27% dos heterossexuais. Outro ponto relevante é que a interferência familiar pesa mais para casais LGBT (22% vs. 12%), deslegitimando o vínculo e fazendo com que muitos se esforcem excessivamente para manter a relação.
Apesar de estereótipos, a maioria (70%) busca monogamia e relações estáveis. A reflexão final destaca que, em qualquer relação, é essencial negociar tarefas e não se apoiar em habilidades ou papéis naturais, evitando que o desejo de agradar se torne uma prisão. A maturidade emocional e a comunicação são chave para evitar frustrações.
FAQs
É a sobrecarga emocional e de tarefas cotidianas que muitas vezes não é discutida, como a sensação de dar mais do que recebe e a divisão de responsabilidades baseada em habilidades, o que pode gerar frustração e rivalidade.
35% dos casais homoafetivos sentem que dão mais do que recebem, contra 16% dos heterossexuais, segundo a pesquisa mencionada.
Porque se baseia em aptidões individuais, concentrando responsabilidades em quem é mais habilidoso, gerando sobrecarga, frustração e até competição, já que não há papéis pré-definidos como em casais heterossexuais.
22% dos casais homoafetivos se incomodam com a interferência da família, contra 12% dos heterossexuais, pois muitas vezes ela deslegitima o vínculo ou a identidade do casal.
É quando a pessoa se esforça excessivamente para manter a relação, devido à insegurança sobre seu direito a um vínculo estável, o que pode levar a uma sobrecarga e sensação de dar mais do que recebe.
É importante conversar e reconversar sobre a divisão de tarefas, evitando basear-se apenas em habilidades. Pode-se cozinhar juntos, pedir comida ou fazer cursos para desenvolver competências em conjunto.
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