Período Pombalino: Política indigenista no Nordeste brasileiro
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A transcrição aborda a violência da colonização portuguesa no Brasil a partir de 1500, destacando que os povos indígenas do Sertão nordestino não desapareceram, mas resistem e lutam até hoje. O foco principal é a política indigenista do período pombalino (século XVIII), analisada pelo arqueólogo Ricardo Pinto de Medeiros. Ele explica que essa política, inserida no contexto do Iluminismo e do declínio da mineração, buscava racionalizar a administração colonial para ampliar o controle e a exploração da metrópole sobre a colônia. As reformas substituíram a atuação de missionários (como os jesuítas) por diretores leigos, transformando aldeias em vilas com nomes portugueses e impondo a "civilização" por meio de educação, treinamento militar e casamentos interétnicos. Na prática, isso significou escravização e exploração, apesar do discurso de integração. O professor também discute o papel da arqueologia na reconstrução da história indígena, propondo uma abordagem colaborativa com os povos originários, que valoriza vestígios materiais e tradições orais para entender sua longa duração e resistência. Ele critica a visão eurocêntrica e defende uma perspectiva decolonial, reconhecendo outras epistemologias e temporalidades. A conversa enfatiza que a política indigenista pombalina foi mais uma etapa do controle estatal sobre os indígenas, cujos efeitos persistem até hoje.
Pessoa 2
Em 1500, com a invasão do território que hoje chamamos de Brasil, começava um dos processos mais violentos na nossa história, a colonização dos povos originários.
Durante muito tempo acreditou se que os povos indígenas do Sertão do Brasil tinham simplesmente desaparecido diante do avanço colonial.
Mas a verdade é outra e vem sendo revelada por estudos sérios feitos por pesquisadores comprometidos com a memória e a resistência desses povos.
Pesquisadores como o professor Edson reis Silva e o nosso convidado de hoje, o arqueólogo Ricardo pinto de Medeiros, do departamento de arqueologia da UFPE, mostram que os povos indígenas do Sertão nordestino não apenas resistiram.
Eles seguem presentes que seguem lutando.
Hoje vamos conversar sobre a política indigenista no período pombaleno, no século 18.
Um tempo em que a coroa portuguesa tentou controlar aldeias, retirar os Jesuítas e transformar profundamente a vida dos povos indígenas.
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É então professor Ricardo, se apresentem para os nossos ouvintes.
Falo um pouco assim da da sua.
Pessoa 3
Carreira da sua docência, né?
Porque que o senhor se interessou ali pela área da arqueologia, né?
Pessoa 1
Alô a todos.
Meu nome é Ricardo pinto Medeiros.
Eu sou professor do departamento de arqueologia da Universidade Federal de Pernambuco.
Eu fiz o curso de história, comecei em 1984, fiz a licenciatura, o bacharelado, o mestrado e o doutorado aqui na UFPE.
Depois fui contratado como professor visitante.
Passei 4 anos na Paraíba, na UFPBE.
Voltei em 2006 como professor, que estou aqui até hoje.
Então, assim, eu comecei a trabalhar com a questão indígena.
Em 1996, eu fui convidado pela professora Anne Marie, que trabalhava trabalha com arqueologia, para fazer um trabalho sobre os povos indígenas do Sertão, de maneira a subsidiar as investigações arqueológicas.
A gente queria, na verdade, criar um contexto que permitisse interpretar melhor.
Os vestígios arqueológicos que são, na verdade, vestígios atribuídos aos povos originários.
Então eu defendi minha tese em 2002, perdão, em 2000, no ano 2000, exatamente nos 500 anos do descobrimento, que era 11 Marco importante entre a história indígena.
Como foi a Conquista da América?
De fato, houve um boom a partir desse momento aqui nos estudos, né?
Sobre história indígena.
É, foi um Marco, vamos dizer, Na Na, no nosso campo, né?
De de conhecimento.
E aí a tese se chamava o descobrimento dos outros povos indígenas do Sertão nordestino no período colonial.
Então, na minha tese, eu fiz um trabalho que era para tentar localizar a temporal, espacialmente os povos indígenas no Sertão, que é um território, enfim, bastante específico, que vai mudando o conceito.
Mas sim, era o que a gente considerava.
Na verdade, a gente vinha do Maranhão.
Ao à Bahia, todo aquele interior ali a gente trabalhava, né?
E posteriormente, eu senti a necessidade de dar continuidade às pesquisas e me concentrei no período bombalino.
E foi aí que surgiu este texto que a gente tá tomando aqui como base para nossa conversa de hoje, que é sobre a política indigenista do período bombalino no Sertão de Pernambuco, das capitanias do norte.
Então é.
Esta vamos dizer um pouco a minha trajetória geral, mas também específica com relação a esse tema.
É claro que a gente é que trabalha com a questão indígena, já já trabalhou com outros temas, mas todos de uma certa maneira tem como objeto povos indígenas e principalmente no período colonial.
Embora no agora, no trabalho recente, a gente sentiu necessidade também de ir adentrar um pouco no século 19, mas à medida que a gente for aqui conversando.
É, pode ser que estes assuntos, eles se relacionem naturalmente na nossa, no nosso diálogo, então acho que é isso.
Pessoa 3
Como o senhor, então vamos dizer assim, de certo modo, dedicou parte, né, da sua vida a compreender, né?
Esse período histórico então explica um pouquinho pra gente, né?
O que que foi esse período, né?
Onde o Pombal, ele era ali uma das pessoas mais influentes politicamente no Brasil, né?
E quais eram os principais objetivos da reforma administrativa que vai acontecer no Império português durante o século 18, professor?
Pessoa 1
Veja bem, eu acho que, assim, uma questão que a gente tem que pensar pra entender o período pombalino é que é um período.
Vamos dizer que na Europa a gente tá vivendo a ilustração.
É um período que aqui no Brasil a gente tá tendo, de uma certa maneira, um declínio dos rendimentos da mineração.
E há uma necessidade, vamos dizer, de racionalização.
Da administração no sentido de explorar melhor.
É muito importante ver que, na verdade, essa política pombalina e essa reforma é uma estratégia de melhorar a exploração, tornar, vamos dizer, ampliar o poder da metrópole sobre a colônia e ampliar os mecanismos de controle de cobrança de impostos.
Então, assim, para além da política indígena que eu vou falar.
Né?
Mais profundamente, esse é o foco aqui, mas aí também é.
Por exemplo, começa a haver mapa de estatística mais detalhada, quer dizer, começa a haver toda uma tentativa.
Eu vou dizer uma palavra importante que tá também dentro da política pombalina, que é a ideia da civilização é de ampliar o número de súditos e o controle sobre eles.
Então, assim vamos dizer, a gente tem que entender, e eu acho, na perspectiva de história que eu trabalho, é que no fundo, é uma política que Visa um maior.
Controle e uma maior exploração em benefício da metrópole.
Então, acho que talvez essa seja uma chave importante para a gente ter uma visão muito crítica do que foi essa política do período.
Pombal e a política é indigenista, né?
Eu acho que até vou abrir aqui um parêntese, que é importante do ponto de vista conceitual, é porque existe uma política indigenista, que é aquela política que é a política do estado em relação aos povos indígenas, que existe até hoje.
Que existe a política indígena, que é a política feita pelos próprios índios, de reação a esta intervenção, que eventualmente é mais difícil de atingir.
Mas que eu tento, tá?
Vou tentar aqui um pouco, né?
Também pensar que esta implantação, essa tentativa de implantação, houve reação, houve reação, como existe reação até hoje, né?
E aí eu acho que a medida que a gente também for aqui conversando, eu acho que eu posso retomar um pouco essa discussão.
Que tem a ver exatamente com a tentativa do estado, seja do estado português e seja do estado ou seja do estado brasileiro, hoje de controle sobre as populações indígenas, né?
Então eu acho que é entender essa política indigenista, entender esse período, na verdade, como mais uma etapa, né?
De de, de 11 ação do estado visando o benefício, enfim, de determinados grupos.
É mais ou menos isso.
O que eu posso dizer agora?
Sim, tentando contextualizar no sentido bem geral, né?
Porque mais importante do que a história do Brasil e de Portugal, acho que é é a gente pensar aqui essa minha perspectiva, pensando na história indígena.
É pensar a história a partir dos povos indígenas.
É a gente, na medida do possível, a gente tentar começar a pensar eu, eu.
É um conceito que a gente agora está trabalhando mais e que eu acho que é um conceito muito interessante pra gente, que é a história da longa duração.
Quer dizer, é não tomar como Marco para a história dos povos indígenas.
O os Marcos da história, não vou dizer nem aceitar, mas da história cronológica, como a gente trabalha, por exemplo.
Então a gente pensa que a história dos povos indígenas começa antes da Conquista.
E vem até hoje, claro, com transformações, a gente pensar numa temporalidade que não seja essa temporalidade de fora.
Quer dizer, então, essa também é uma perspectiva interessante de pensar, né?
Que a história desses grupos muitas vezes tem suas temporalidades próprias e que há pelo menos uma permanência desses grupos durante um período de tempo muito extenso.
E que é isso que a gente também tenta nas pesquisas, é acompanhar um pouco essa trajetória.
Na longa duração a longa duração é um termo que vem de um historiador francês chamado fernand blodel e ele trabalhou, na verdade, com 3 temporalidades, né?
AA história curta, né?
A história da conjuntura e a longa duração que as pessoas hoje em dia que trabalham, seja com com arqueologia, seja com história indígena, tem se apropriado desse conceito para pensar de uma outra maneira essa história, um Marco diferente, vamos dizer decolonial.
A gente pode falar assim.
Pessoa 3
E como que a arqueologia ela pode ajudar?
Professor, né?
AA gente AA procurar esses vestígios que não são produzidos pelos colonizadores, vamos dizer assim, né?
Porque eu lendo alguns dos seus textos, o senhor justamente abordar ali e falar que um dos problemas, né, justamente é encontrar esses vestígios materiais para tentar reconstruir essa história, né?
Dos povos indígenas, que foi e ainda é sistematicamente apagada, silenciada e também reescrita, né?
Por quem, vamos dizer assim, os conquistou.
Pessoa 1
Veja bem, tem 2 questões aí que eu vou falar um pouco da perspectiva dos arqueólogos e como eu comecei a minha busca de tentar, através dos vestígios da cultura material, pensar uma presença indígena.
E aí o que acontece é que vamos dizer na perspectiva com a qual a gente trabalha, vamos dizer na academia, tudo mais é que às vezes a gente tem uma distância temporal muito grande entre os vestígios arqueológicos.
Pré histórico, no caso, que é um foco muito importante da arqueologia, a arqueologia tem, vamos dizer, grande parte dos trabalhos é a arqueologia pré histórica, ou seja, é material lítico, é material de Pedra, é cerâmica, é.
São sepultamentos, que às vezes tem 11 profundidade temporal, que é diferente do tempo que a gente tem as referências sobre os povos indígenas, que é do século.
No caso do século, é praticamente do século 17 para cá, entendeu?
Então, às vezes é difícil você atribuir.
Na perspectiva mais tradicional de interpretação, determinado vestígio, há um povo originário, quando a gente tem um hiato de tempo muito grande entre 1 e outro.
Por outro lado, e eu acho que essa é a perspectiva mais interessante de trabalho, é a gente trabalhar junto com os povos indígenas a partir dos vestígios materiais que tem dentro das terras indígenas.
Nós temos, por exemplo, porque a gente pensa sempre em vestígio arqueológico.
A gente pensa é, mas tem os vestígios arqueológicos.
É inclusive do período colonial, antigas aldeias antigos, cemitérios que é e para os quais os povos indígenas têm a sua própria interpretação e a sua própria história, que muitas vezes está mantida.
Na tradição oral, as antigas aldeias.
Então, a gente pode, por exemplo, a partir de um trabalho colaborativo.
Isso já é feito em várias regiões do Brasil.
A gente está agora o meu grande parceiro, Demétrio mousenberg, com o qual eu escrevi muitos artigos.
Exatamente.
A gente está criando aqui um laboratório de arqueologia indígena e há, na verdade, a perspectiva do trabalho.
Ele já está trabalhando com alguns povos aqui da região nessa perspectiva de.
Identificar não só sítios pré históricos, mas também sítios históricos tendo os povos indígenas como parceiros, porque aí você incorpora esse saber, esse conhecimento ou essa perspectiva de história que não está nos documentos, que é muito importante.
Então eu acho que a gente tem que fazer esse casamento, entendeu?
Tem que reconhecer novas epistemologias, tem que reconhecer, na verdade, outras formas de de fazer e de contar história que também são importantes, também são significativas.
E nesse sentido, eu acho que a gente pode, quer dizer.
Muito mais do que é, é é a interpretação que se dá porque, veja bem pensar, resistência.
Quer dizer, como é que eu, através de um vestígio arqueológico, penso, resistência.
E às vezes os movimentos de resistência, por exemplo, uma guerra.
O que é que fica de material numa guerra que eu posso encontrar numa escavação?
Mas eu posso encontrar, por exemplo, uma persistência durante séculos de determinados traços culturais associados a povos originais numa determinada região.
Isso pode me dizer que esse povo resistiu nessa região durante tanto tempo porque há vestígios lá, entende?
Então eu acho que a arqueologia, ela tem contribuído de uma maneira geral com os povos indígenas exatamente nesses processos de reconhecimento de uma ocupação tradicional.
Através dos vestígios da cultura, material que auxilia no reconhecimento, inclusive de territórios.
Eu acho que essa, vamos dizer, é a parceria interessante.
Mas, por outro lado, essa atribuição, vamos dizer de determinados vestígios a determinadas etnias.
Ela é talvez um caminho mais difícil e talvez não seja o mais interessante.
Pensando nessa perspectiva que eu tô lhe falando agora de uma arqueologia indígena nesse sentido, entendeu?
Que é o.
E eu acho que é uma coisa que também que a gente tá construindo, é muito novo e é o desafio.
Mas eu acho que é um desafio que pode fazer muita diferença nessa perspectiva de tentar, né?
Através de outras Fontes, no fundo da oralidade e também desses novos indivíduos, né?
Quer dizer, dessas, de trazer 11 visão mais completa, eu diria dos processos, né, dos processos históricos.
E no caso aí.
Dessa perspectiva dos povos indígenas, né?
Na região, no caso que a gente aqui, eu tô pensando sempre No No objeto que eu que eu conheço um pouquinho melhor, que é o Sertão de Pernambuco e o Sertão do nordeste, vamos dizer.
Mas assim, cada vez a gente vai, né?
Acabar se especializando numa região mais restrita, né?
Pessoa 3
Falando um pouco mais sobre o seu texto, né?
Sobre a política indigenista no período pombalino e seus reflexos nas capitanias do norte da América portuguesa.
O senhor cita um trecho, né, do Cambridge Maxwell, que diz o seguinte, aí eu vou abrir aspas aqui.
A política imperial de Pombal visava aproveitar as riquezas coloniais e racionalizar e padronizar a administração, a organização militar e o treinamento educacional sobre a alçada do estado onde fosse necessário para defesa do bom governo, né?
E aí a minha pergunta é a seguinte, como que se caracterizava, professor, esse bom governo, né?
Pessoa 1
Veja bem, o bom governo é o governo que permite a melhor exploração.
Então você veja aí, por exemplo, quando a gente fala de treinamento educacional sobre a alçada do estado, você está vendo ali a possibilidade, na verdade, de você civilizar.
Quer dizer uma das coisas que acontecem nas nos diretórios.
São aulas para as mulheres, é aula aqui Na Na no nordeste, né?
Aula de bordado, aula de culinária, aula de de atividade e para os homens, marcenaria, etc.
Então, a tentativa, na verdade, de você tornar essa mão de obra, porque era uma educação, claro, e tinha as cartilhas, ensinava a ler, ensinava a ler, ensinava.
Então, EE, essa questão militar também a organização militar é porque há também um aproveitamento da mão de obra militar.
Dos povos indígenas nesse momento também.
Quer dizer, há uma incorporação disso enquanto na estrutura do estado.
Então, o bom governo, na verdade, é no sentido de um governo que atenda aos interesses da metrópole.
E, claro, aí tem uma coisa, por exemplo, quando no caso específico do das populações indígenas, das antigas aldeias que são transformadas em vilas ou em lugares, eu tinha uma população indígena.
E estava, na verdade, sobre o controle dos missionários Jesuítas, franciscanos, Beneditinos, carmelitas, etcétera, Jesuítas.
É porque eram mais ricos, foram por foco inicial, mas todos os outros.
Então é esta mão de obra estava controlada pela igreja, mão de obra militar e tudo mais.
E aí quando eu imponho um diretor branco, né?
Eu estou tendo na verdade uma ingerência maior e estou trazendo essa população, transformando a ela em.
Cidadãos incivilizados, ou seja, é aí aquela aquelas leis lá do maranha, ó, pode casar com Índia que não vai ter infâmia, pode fazer, vai ser valorizado.
Agora, os casamentos interéticos, porque a ideia, inclusive a ideia até muito recentemente é na Funai, era civilizada, já que os índios vão desaparecer e vamos trazê Los da maneira mais possível pra civilização.
Então o bom governo é o governo da civilização, é trazer a luz a ideia, enfim.
Pelo menos na, na, no discurso é essa, vamos civilizar esses bárbaros.
Mas a gente vê que, na prática, essa civilização é a exploração, é a escravização, porque a escravização de fato, eu, eu defendo isso que houve, embora a escravidão tivesse, é proibida lá em 1755.
Aqui no texto, está claro, os índios eram acorrentados enquanto estavam trabalhando na Fortaleza lá de cabedeiro.
Então, se isso não é escravidão.
E tava acorrentado para não fugir enquanto tava trabalhando e a os termos colher, colher os índios, né?
Enfim, que iam se distribuindo nas casas, eu fiquei pensando, sabe que até muito recentemente as pessoas pegavam as pessoas no interior para trabalhar em casa, né?
Não pagava.
Então a gente tem muitas formas de escravidão, né?
Então acredito aí que AA exploração é isso, então o bom governo voltando.
É é nessa perspectiva mesmo de integrar ao governo português, integrar como súditos e melhorar a exploração.
E aí tem todos esses elementos aí que você tá, que já tinha até falado, né?
A questão de racionalizar a administração também, melhorar a organização militar e a educação, mas sempre pensando, né?
Em algo que vá, em última instância, beneficiar a metrópole e o rei ter lá mais súditos.
É que não sejam barbas, que sejam civilizadas.
No fundo é um pouco isso.
Não sei se eu respondi, mas eu pensei, aqui, alto.
Pessoa 3
Você respondeu, sim, professor.
E aí o senhor deixa até até claro No No texto mesmo, né?
Que fala que que uma das formas de civilizar esses povos eram fazendo com que eles adotassem nomes portugueses, né?
E aí o senhor vai falar ali também de transformar as as aldeias dos aldeamentos também em vilas com nomes de cidades, de locais também ligados a Portugal, né?
E aí eu queria fazer até uma outra pergunta relacionada à política indigenista, como que a política indigenista pombalina?
Ela rompe com o modelo anterior, baseado na ação missionária que o senhor vai falar, né?
Que primeiramente vieram os missionários, né?
É especialmente os Jesuítas.
E quais foram as principais mudanças no tratamento para com esses povos, né?
Qual que era as principais, vamos dizer assim, as principais diferença entre Oo trato religioso, porque a gente sabe que os religiosos ali, em última instância, queria angariar pelo menos um discurso, mais Almas para serem salvas, para Deus e tudo mais.
Qual que é a diferença que a gente vai ter, então, de política nesse sentido?
Pessoa 1
Veja bem, é o próprio nome, já fala, quer dizer, AAA, criação de um diretor, quer dizer, eu acho que a gente fala do diretório, depois a direção.
Então uma figura que é um leigo, que não é um religioso.
Então, assim, no período anterior, os religiosos tinham o poder regular e o poder secular tinha o poder religioso e tinha o poder civil, que era o poder de administração.
Então esta administração.
Passa para a mão do diretor, que é alguém que está, que é um civil e que está, de uma certa maneira, melhor articulado a estrutura de dominação do governo português, né?
Aqui na colônia, então, assim, tudo que anteriormente era, vamos dizer, do do ponto de vista da administração secular, que era o controle sobre a mão de obra indígena, sobre, por exemplo, o que era plantado, o que era acolhido, o que era, como esses indígenas eram.
Alugados para determinadas obras e o pagamento da mão do do trabalho deles vinha para mão do meu dicionário, que redirecionava um pouco para aldeia, mas também um pouco para igreja, imagino.
Então tinha lá, na verdade, uma estrutura controlada por missionários de várias ordens e que o estado vai colocar 11 presença maior, né?
Civil nisso agora é importante quando a gente olha internamente.
Quer dizer o seguinte, por exemplo, que OOO missionário sai, mas no lugar se coloca o padre.
Quer dizer, continua havendo um religioso secular que vai cuidar da administração religiosa.
Ela tá lá muito forte, está de igreja, enfim, juntos.
É nesse momento e que que uma coisa que é muito interessante, que se fala pouco, é que se mantém.
Dentro das aldeias, um Capitão mor, que é uma liderança, que é muitas vezes uma liderança militar.
Então você de uma certa maneira, todas essas aldeias tem uma tropa, entendeu?
E que tem um Capitão mor e que mantém, e que ele mantém de uma certa maneira, um poder relativo.
Porque uma vez que ele está um Capitão mor dentro da estrutura de de poder português, ele de uma certa maneira, ele está cooptado.
Ele até entrou ali no sistema, por mais que ele muda e por mais, mas ele.
Às vezes você entra no sistema até pra sobreviver e também pra pra ter estratégia de manobra, mas tá lá.
Então você tem o Capitão mor, você tem o diretor e você tem o religioso e você tem muitas vezes a mulher do diretor, que é aquela justamente que vai também ajudar na educação das Índias.
Então é uma, é um complexo ali que acontece, mas a do ponto de vista assim, se a gente for pensar por outro lado, do ponto de vista dos indígenas, não melhorou muito.
Enfim, claro que você eventualmente, algumas dessas lideranças tiveram algumas benesses dos dos dos governadores de Capitania, no sentido de de cooptação mesmo.
Mas no geral, eu não vejo uma melhora da qualidade de vida dos povos indígenas a partir disso.
Muito pelo contrário.
Eu acho que é é danoso em função daquilo que você acabou de falar aqui, quando você começa a interferir de uma maneira muito forte.
Na cultura, né?
Porque você falou lá, na verdade, não podia andar nu, não podia falar as línguas, só podia falar o português, tinha que morar em casa separada.
Imagine Oo impacto de você morar várias famílias junto e você agora tem que morar cada um numa família.
Então o controle sobre os corpos e sobre o pensamento é muito forte também.
Isso que você falou, os nomes e sobrenomes portugueses das pessoas e das das vilas, então?
Tem muita, vamos dizer, tem uma interferência aí.
O impacto disso, vamos dizer negativo, é muito profundo, porque de fato você é, tá?
É.
É um apagamento cultural.
Vamos dizer muito profundo, porque uma vez que você não consegue, é as línguas, na minha perspectiva, elas têm palavras que são intraduzíveis, porque são conceitos, são coisas que são.
Característicos daquela cultura que são intraduzíveis, inclusive.
Então, uma vez que você deixa e a questão da identidade, né, a partir da língua, então você de fato, essa ideia de civilização era uma ideia também muito violenta, porque proibia muitas manifestações culturais, né?
Então eu acho que isso é, vamos dizer, é bem importante para a gente ressaltar, porque o impacto disso foi muito negativo, claro.
Do ponto de vista cultural, é claro, tem outros aí.
É do ponto de vista de de território também, enfim, que acho que à medida que a gente for conversando aqui, vai aparecer na no diálogo.
Pessoa 3
Sim, sim.
Aí o senhor vai falar do impacto cultural, né?
E justamente.
Lendo os textos que o senhor produziu a respeito desse período, você vai falar ali em uma certa parte, né?
Que ao longo do do século 18, ali vão ser implementadas algumas leis, né?
Principalmente ali, durante o regime do do Pombal.
Esse vai falar assim, né?
Que após a lei de 6/06/1755, que vai proibir a escravização dos povos indígenas no Maranhão.
Os povos nativos da região, eles conseguiram, pra além da Liberdade, reaver parte das suas terras, o que é algo que na pra época já devia ser muito importante, né, professor?
E aí, de acordo com com o seu artigo, né?
Sobre a política indigenista no período pombalino, 2 anos depois, baseado no argumento de que os índios eram incapazes de se autogovernar, é estabelecido no Pará, em 1757, o diretório pra administrar os índios enquanto estes não tivessem essa capacidade.
É a pergunta que eu faço é a seguinte, que argumento, né, que a coroa, que o estado eles vão usar na época para justificar essa ideia de que os indígenas não teriam capacidade ali de se auto governar e como que essa lei vai afetar os povos da região que reaverão suas terras ali, né?
Pessoa 1
É, veja bem, eu vou usar uma palavra aqui que eu acho que tem a ver se a gente pensa na política indigenista de longo prazo, né?
A ideia de tutela.
No fundo, os indígenas são considerados infantis, imaturos, ignorantes.
Então este é o argumento para justificar que eles não tinham condições de se autogovernar.
No caso específico do estado do Grão-Pará e Maranhão, que é uma outra realidade nesse momento.
Aqui a gente tem o estado do Brasil e o estado do Grão-Pará e Maranhão.
Então a lei começa lá, a direção, o perdão do diretório, e depois é que ela é trazida para o Brasil.
E quando ela é trazida para o Brasil?
Essa questão então, pra falar das terras lá, como eles reaveram, eu confesso que eu não tenho assim grande conhecimento.
O que eu percebo é que aqui não houve, vamos dizer, esta distribuição das terras entre os povos indígenas etc.
Um momento que as terras permaneceram concentradas nas aldeias.
A gente vai ter, na verdade, uma, talvez uma distribuição maior de terras entre os povos indígenas.
Qual a extinção das aldeias lá no século 19?
Mas aqui, por enquanto, pelo menos assim é, eu não, não consegui, pela documentação que eu trabalhei, perceber muito claramente se houve de fato cada povo, cada casal indígena, receber uma Terra.
Não é bem assim, pelo menos aqui a gente não consegue ver isso.
Então o que eu posso dizer é que, de fato, essa ideia de que eles não eram é, vamos dizer, capazes.
Ela permaneceu durante muito tempo, né?
Né?
Enfim, acho que só em 88 na Constituição é que muda um pouco a perspectiva, inclusive de né, de de você que os índios iam desaparecer, etcetera, e que precisa fazer com que a transição.
Acho que isso é essa ideia de tutela.
É muito forte, muito forte, porque uma maneira de dominar é você considerar que o outro é inferior, né?
Então você, você encucar aquela ideia que você precisa de proteção, você não é capaz, você não tem escrita, você é ignorante e tudo mais.
Então isso é o argumento, né, do de justificar a exploração, a dominação, é você não considerar o outro.
Então acho que essa ideia de que que era incapaz é o discurso de quem quer, né, controlar.
Então a ideia de tutela para mim é isso, entendeu?
E essa ideia de você dizer que você não pode, você não é, você não é.
É uma estratégia, enfim, de de desqualificar o outro, né?
Então é é por aí que eu vejo essa é esse momento aí da criação do diretório e até aproveitando o que é que acontece quando ele chega no, porque há há muitos estudos, né?
Há muita gente que trabalha o diretório.
Esse é um tema que o pessoal que trabalha com história indígena adora, porque é um tema que impactou muito.
Como é um momento de de organização administrativa, tem mais documento, né?
Né?
E aí a gente também já fez alguns eventos comparando, como é que foi, por exemplo, aqui em Pernambuco, como foi em Porto Seguro, como foi no Rio de Janeiro, como foi, e cada lugar tem adaptações em função da qualidade.
O princípio é o mesmo, né?
Mas há adaptações locais.
Aqui em Pernambuco, por exemplo, uma das coisas mais interessantes é a proibição da Jurema.
A Jurema é uma bebida.
Mas é também uma religiosidade, uma religião que hoje existe aqui no nordeste de uma maneira muito forte e que é a gente, na verdade, encontra essa referência à proibição da Jurema como bebida, mas também como religiosidade aí, como também é.
Incentiva a extração do Gravatá, que é uma fibra daqui, incentiva a pecuária.
É não utilizar o nome tapuia.
Então cada lugar foi meio que adaptando aquelas leis gerais para a sua realidade, que eu acho que isso é interessante também.
Então a gente meio que ficou vendo, né?
A questão da Terra também muda de cada lugar.
Eu não foquei muito na nesta parte aí, porque a documentação com a qual eu trabalhei não era muito específica, então fui meio que vendo.
O que era possível é ver a partir das Fontes que eu estava consultando, mas é isso então.
Pessoa 3
Eu queria saber, não sei se o senhor tem essa informação, professor, mas porque que que vão, se vai se proibir, né?
A utilização do do nome tapuia no período ali, principalmente quando essas leis vão ser implementadas no Pernambuco.
Pessoa 1
Porque é a ideia, na verdade, de era considerado um termo pejorativo.
Então você quer, no fundo é tirar esta negatividade sobre.
O ser índio ou entende?
É, é uma ideia também de você diminuir o preconceito.
Então você é proibir o termo tapuia caboclo?
É, eu penso que é nessa perspectiva de de valorizar de uma certa maneira.
Por outro lado, também essa contribuição indígena é não não utilizando esses nomes que eram considerados desqualificantes, vamos dizer assim, por um lado, né, porque tapuia.
Aqui no caso, aqui, para quem talvez não esteja muito familiarizado, é que num primeiro momento houve uma grande divisão entre Tupis, que eram os povos que estavam no litoral no momento da chegada dos portugueses, da Conquista, e todos os outros povos foram chamados genericamente de tapuia.
Então, tapuia é uma denominação, vamos dizer, genérica, como é caboco, que de uma certa maneira é.
Não era vista, era vista como um xingamento.
Tapuia tudo mais.
E aí é nesse sentido, talvez que a legislação tenha tenha pensado em acabar com esse tipo de desvalorização disso, porque você veja AA ideia era miscigenar, né?
De uma certa maneira, a ideia, a ideia de promover casamentos e tudo mais e de trazer, na verdade, os brancos para dentro das aldeias.
Quando eu trago um diretor branco, eu estou de uma certa maneira.
É estimulando que haja, na verdade, 11 integração entre é aquilo que estava fechado no momento, dos missionários que tinham controle.
Ninguém entrava, ninguém saía da aldeia.
Agora, ao contrário, eu estou na verdade querendo trazer as aldeias para dentro do da estrutura de dominação do estado português.
De uma maneira mais direta, é, eu penso que é por isso.
Pessoa 3
Certo, é.
E aí, professor, Oo sistema de diretores civis, né, que o senhor vai falar que é quando eles vão levar esse homem branco para dentro das aldeias e, de certa forma, levar o estilo de vida, né?
Do do homem branco para dentro dessas aldeias também.
Ele vai substituir os missionários, né?
No controle, na tutela dessas aldeias.
E isso vai afetar, de certa forma, a organização social dos povos indígenas na região ou não.
Assim, eu.
Vamos dizer assim, bom, se com os missionários já era ruim, chegaram os os diretórios e não mudou muita coisa em relação ao modo de vida dos povos nativos.
Pessoa 1
É, quer dizer, mudar mudou porque, veja bem, tem.
Tem situações que são.
Por exemplo, uma coisa é você ter 11 situação, vamos dizer, falar de organização social, né?
Porque aí a organização, claro, a gente tem situações que, às vezes trabalhar com povos indígenas não é uma coisa simples, porque a gente tem.
Situações ainda hoje de povos não contactados, né?
Então a gente tem uma diversidade.
Em qualquer momento que a gente esteja vivendo, a gente tem povos indígenas em diferentes momentos de organização, certo?
Então, para um povo que já estava aldeado, que já estava de uma certa maneira, se adaptando de alguma maneira ao modelo ocidental.
Seja até como uma estratégia de sobrevivência, porque também se não tivesse dentro da aldeia, poderia estar estar exterminado.
Mas há, por exemplo, grupos indígenas que viviam.
A gente vai utilizar o termo aí da época de Corso, mas que viviam de uma maneira não aldeada, muitas vezes com movimentos nômades ou que a gente tem referência Na Na documentação, que eles viviam de Corso, que é uma expressão da época que viviam se deslocando de um lado para o outro e que num determinado momento são obrigados a se aldear.
Ou se sentem pressionados a se aldear.
Então, do ponto de vista da organização, nessas novas vilas criadas, do ponto de vista da organização social desses grupos, é complicado.
Muitas vezes também você traz grupos culturalmente diferentes para aldear no mesmo lugar, para colocar numa mesma Vila, grupos que muitas vezes tinham rivalidades.
Então há a transformação para esses grupos que são transferidos para as vilas criadas.
Muitas vezes de maneira compulsória, obrigada, embaixo de espingarda mesmo.
Isso.
Obviamente que tem 111 transformação grande na organização social, porque você aí, por exemplo, se eu tenho, vamos pensar aqui, né?
É uma pergunta que eu nunca fiz, mas é ótimo quando a gente é provocado.
Se eu vivo numa aldeia que tem 30 casais, eu tenho uma organização lá com meu missionário, se eu tenho que ter.
Para ter uma aldeia para ela funcionar, ela tem que ter, pelo −150, casais e eu junto, 5 aldeias diferentes e boto tudo numa mesma aldeia que vai transformado em Vila com o diretor.
Toda organização que existia antes, tá?
Tá totalmente.
Você imagina você sair de uma estrutura, ir para outra, forçado, obrigado, né?
Então organização social nesse sentido, enfim, é totalmente impactada as relações familiares, enfim.
É o impacto é muito profundo.
Eu penso, né, porque você aí, né?
E grupos que são, que estavam na verdade não aldeiados e que se aldeiam nesse momento, né?
Porque há momentos.
Por exemplo, tem grupos que viviam no Mato, que vão ser levados para as aldeias, ou vão ser estimulados, ou vão ser obrigados a ir para as vilas criadas ou pros lugares.
Então, pra esses o impacto é muito profundo, muito profundo.
E aí aproveitando também pensar que você também libera território.
Que você também.
O impacto cultural não é só você deixar de falar a língua, é você sair do lugar no seu território, que você tem os povos indígenas, que tem uma relação vital com os territórios.
Então uma vez que você sai de um território para outro, você tá até territorializado.
Então o impacto disso talvez seja a maior violência de todas, porque então você tá perdendo a referência com a sua identidade maior que até o lugar, enfim, então isso é.
É, vamos dizer, do ponto de vista da organização social, eu acho bastante, bastante forte.
A gente às vezes fica pensando, né?
E quando você se coloca no lugar do outro e quando você vê de fato ou até relendo e repensando, é significativo.
É muito impactante, né?
Essa é uma página da nossa história que é pouco trabalhada.
Eu diria que na educação básica e mesmo.
No ensino superior a gente fala pouco de reforma, pombalina e quando fala fala muito dessa coisa das línguas, tudo mais, mais aqui no nordeste e mais especificamente é no nordeste, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande, que foram as áreas que eu tive mais acesso a documentação.
O processo foi extremamente violento, violento mesmo, de enfim, como eu lhe disse, de escravidão, de venda de presa, de de joia, de percentual sobre as presas que eram colhidas de.
Enfim, então de transferência forçada, né?
Então é, é é bem violento o processo e pouco conhecido porque enfim, né, também, como se fala os apagamentos, não é uma história que interessa, então é uma história que tá indo aí um pouco embaixo do pano e é por isso também que a gente tá aqui, né?
Pra tá conhecer.
E também é uma maneira de de de problematizar e mostrar que.
A nossa história tem muitos capítulos aí que precisam ser também levados em consideração quando a gente quer entender O Presente e as violências do presente, ver que elas tem aí. 11, continuidade, uma profundidade histórica bem longa.
Pessoa 3
A grilagem de terras é um exemplo, né, professor?
Quando eu sei que é um pouco perigoso, a gente tá sempre fazendo essas comparações com com o nosso presente, né?
Principalmente para não cometer.
Anacronismo, mas eu acho muito semelhante justamente quando você fala assim, poxa, é, a gente percebe que quando fala que eles não tem capacidade, também é uma forma de se apoderar do território.
Ali, vamos dizer assim, que era destinado aqueles povos também, sabe?
Aqueles povos se sentiam pertencentes, se sentiam, se não donos do lugar, mas parte do lugar, né, professor?
E aí, né?
No nos seus estudos, o senhor vai destacar também a relação da metrópole com a colônia, nesse sentido, e aí eu queria saber se a metrópole.
Ela enxergava de alguma certa, de algum certo modo assim, alguma espécie de vantagem financeira ao tentar incorporar esses povos, né?
A civilização, né?
A civilização portuguesa, a civilização da colônia, ali também.
Pessoa 1
É uma coisa, por exemplo, que que assim a gente quase não pensa.
Porque primeiro a gente tem pensa que tem índio no século 18, né?
Porque quando a gente vai lá pra educação básica, os índios desaparecem.
No século 16, no momento da Conquista e no e aparece agora na Constituição de 88, parece que não existindo, né?
Então essa é uma primeira questão.
Mas quando a gente pensa no século desde o século 17, quer dizer, desde o início, tem uma, tem a utilização da mão de obra indígena no primeiro momento, na aqui, no caso, né, eu estou falando aqui mais do nordeste.
Nos engenhos de açúcar, antes de chegar a mão de obra é africana de maneira mais contínua.
A gente tem uma exploração da mão de obra indígena pra produtos, na verdade de subsistência muito forte.
E a gente tem AA exploração militar.
Então, se a gente pensa aqui no período holandês, as tropas de indígenas do lado, seja de é holandeses, seja do lado de portugueses, foram fundamentais.
As guerras, na verdade.
Então a gente tem, por exemplo, nesse período combalino, nós temos, na verdade, muitas tropas indígenas que saem das das aldeias e vão ajudar no processo de implantação do diretório em algumas regiões de maior conflito.
Como a gente vai ter tropas indígenas que vão combater os Palmares?
Como a gente vai ter tropas indígenas no século 19 que vão combater lá na guerra do Paraguai?
Então, trazer essas tropas indígenas para dentro da coroa portuguesa não é que seria uma questão econômica.
É claro que quando eu tenho uma possibilidade de que um percentual x do que é produzido Na Na aldeia seja recolhido como imposto, seja recolhido para para distribuição ou ou melhore o fornecimento de alimentos para o consumo interno, então eu também estou tendo aí, na verdade, uma vantagem.
Eu estou tendo um controle que antes.
Do que é produzido nas aldeias e também desta porque é, é é trabalho, né?
EEO que esse trabalho representa aí mais também AA Conquista dos territórios, porque, veja bem, no caso, mesmo quando essas aldeias são desocupadas, algumas para formar vilas maiores, os fazendeiros ficam lutando por essas terras dessas aldeias.
Então se apropria também desse território, né, que antes era, ou povos que viviam.
De maneira, vamos dizer, nôma de eu ser milhôme ou ou que estavam ali naqueles territórios.
No momento que eles são aldeados ou avilados, eles também liberam o território.
Então, assim eu penso que e claro, a civilização, no sentido mais geral da da política mesmo, da ideia pombalina dessa ideia, na verdade, da ilustração do bom governo e tudo mais, é você é trazer se você traz um súdito para dentro da coroa.
O surto significa um fiel, alguém que vai estar trabalhando ou vai estar ali, afinado para o engrandecimento do monarco ou do soberano.
Então a gente também tem que fazer um pouco esse exercício de imaginar um momento diferente.
Mas eu penso que talvez a Riqueza não é simplesmente o quanto de dinheiro que você vai obter, do ponto de vista assim vamos dizer.
Mas é no sentido mais amplo do que esta Conquista vamos dizer destas pessoas ao entrarem.
Como surtos na no governo é mais significativo, sabe?
Mas é claro que há ganhos.
Há ganhos, sem dúvida, há ganhos.
Mas também por outro lado, queria dizer que se a política indigenista tivesse tido sucesso absoluto, não existiria povos indígenas hoje.
Então também pensar que, é claro, porque tinha civilizado, tudo tinha acabado, porque é muitas, é, é.
Às vezes é difícil, mas é.
É, não deu certo.
E ainda bem que não deu certo porque os povos indígenas que resistem muitas vezes, claro, você tem territórios indígenas que são de antigas aldeias, mas você tem, na verdade, territórios indígenas que são criados também em áreas onde esses povos nunca foram aldeiados ou foram aldeiados e não conseguiram ficar aldeiados.
Então a gente tem, na verdade, é nas brechas do sistema, onde há resistência.
Então a gente também pensar aqui.
É essa política, tentou, mas não teve sucesso absoluto nesse sentido, entendeu?
Então, às vezes parece uma ideia contraditória, mas é é mostrar que que não foi totalmente, porque também a gente tem língua indígena ainda sendo falada aqui mesmo no nordeste, a gente ainda tem o IA ter, né?
Que a que a língua indígena é falada pelos funil é uma única.
Alguns outros grupos, outros grupos ainda tem um ou outro vocabulário que eles tentam.
Vamos recuperar ou preservar?
Então assim, não houve, não houve esse, essa, esse apagamento total, vamos dizer assim.
Então é pra mim a gente ter essa, essa perspectiva que eu acho que é importante, né?
Pessoa 3
É como o senhor fala, né?
Uma das formas, inclusive de resistência, às vezes, era justamente se adequar as demandas dessas reformas, né?
Para também não não ser exterminado fisicamente, né?
Não só culturalmente, mas fisicamente, ali nesse sentido.
E aí eu queria saber, o senhor fala ali um pouquinho das diferenças, né, entre as capitanias do Maranhão e no Pernambuco.
O senhor poderia falar um pouquinho mais que que vai diferenciar a direção do Luiz Diogo lobo da Silva no Pernambuco, para além da Jurema, né?
Para além da é da da língua, da língua indígena, né?
Que eles não podem mais mais mais pronunciar ali.
Pessoa 1
É, na verdade, isso já está no diretório, o diretório que é o do Maranhão e a direção de Pernambuco.
Eles coincidem na maioria dos artigos.
Então é há mais semelhanças do que diferenças?
Agora, no caso aqui de Pernambuco, é que há, por exemplo, um percentual diferente da, vamos dizer, lá no Maranhão, vamos dizer, podia sair, sei lá, metade vou daqui.
Metade dos indígenas podiam sair para trabalhar fora e metade tinha que ficar na aldeia aqui na direção, não que podia ficar 1/3.
Então há uma diferença, por exemplo, com relação a.
Porque esta este aluguel da mão de obra indígena para trabalhar para terceiros era uma fonte importante dentro da organização das aldeias, né?
Então isso muda um pouco, mas no geral, há muitos artigos que são semelhantes, porque embora houvesse o estado do Grão-Pará e o estado do Brasil, que depois se fundem, né?
Mas todos eram ligados à coroa portuguesa e todos, vamos dizer, são.
É, tem, tem uma filosofia comum, apenas começou lá No No Grão-Pará e Maranhão tinha mais povos indígenas, mas assim, por exemplo, lá você tinha as drogas do Sertão, que era como uma atividade econômica importante.
Aqui no nordeste não tinha droga do Sertão, não tinha pecuária, então substitui a droga do Sertão por pecuária.
Então houve mais uma adaptação, mas no geral.
Os documentos são muito semelhantes na filosofia, inclusive na própria redação dos artigos, até onde eu me lembro.
Então as diferenças, claro.
E as diferenças são levando em consideração um pouco o contexto local, mas é no fundo é muito parecido.
Então eu poderia falar mais das semelhanças, porque é isso que a gente tava aqui colocando, é o falar o português, a proibição das línguas ou morar em casa separado.
Combate ao alcoolismo, né?
E a outra coisa que aparece também é isso, tá?
Tá nos 2.
O alcoolismo era uma preocupação, né?
Grande.
Pessoa 3
O alcoolismo, o alcoolismo é uma coisa interessante porque ainda hoje a gente escuta muito no senso comum em relacionado aos povos indígenas, justamente qual que é o problema, professor?
Do alcoolismo, da relação do alcoolismo com os povos nativos.
Porque assim é uma é um senso comum que fica até hoje, sabe?
Pessoa 1
É, veja bem, eu vou aqui talvez fazer uma.
É pensar um pouco.
Quer dizer o que é que é?
Na verdade, a gente tem que pensar primeiro o que é, na verdade, o consumo de bebidas alcoólicas, algo que antecede.
Mas a gente tinha, por exemplo, as cauínais.
Dentre os Tupis, você tem, na verdade, entre muitos grupos, existe o consumo ritual de álcool, de outras drogas, enfim, que é algo que está dentro de um determinado contexto cultural, que é consumido de maneira ritual e de maneira, vamos dizer, é específico daquela cultura.
E você tem de fato um elemento externo, no caso específico do álcool, que quando entra em determinados locais fora do contexto no qual aquele grupo está acostumado, ele provoca problemas sociais, como provoca na nossa sociedade também.
Então é e é claro, é, eu penso que pode ser.
Aí é uma ilação.
É algo que não está bem fundamentado, mas que.
Você trocar, vamos dizer, é você pagar com aguardente, é você viciar e de uma certa maneira, você criar uma dependência.
Então tem isso também.
Mas é porque é.
É muito danoso a inserção do álcool, do consumo do álcool dentro de uma população que não tem aquela prática.
E isso pode gerar como outras, como o açúcar também.
Estou pensando aí até na pré história.
Na verdade, quando você começa a ter na verdade o passa da caça e coleta para agricultura e você começa a ter consumo de de produtos de amido e tudo mais, a saúde da população diminui bastante do ponto de vista de dente.
Quando começa a ter açúcar, começa a ter cara e começa a ter outras doenças.
Então é, eu estou aqui dando mais exemplos para também não demonizar o alcoolismo, mas eu estou tentando ver aqui de fato.
Onde é que isso?
E, claro, 11 pessoa alcoolizada ou um dependente, ele não vai ser um bom trabalhador nem nenhum crente a Deus, imagine porque também tem que pensar, né?
Na religião é pecado, pecado, porque o lado deles também é pecado.
Então, em nome da também, em nome com a bênção da igreja também você justifica a dominação, então é.
É entender que por trás também dessa política pombalina tem uma influência religiosa também da própria perspectiva, né?
A civilização cristã, não esqueçamos disso, né.
Então, aqui a igreja e o estado ainda estão de mãos dadas.
Não é porque tirou o Jesus e o jesuíta, porque era um estado dentro do estado.
O problema de tirar o jesuíta, essas outras missões, é porque tava enriquecendo demais, principalmente o Jesuítas, e tava, de uma certa maneira, ameaçando.
É por isso que esse negócio lá do Jesuítas começa lá em Portugal, não é aqui.
O problema com Jesuítas é um problema mundial, vamos dizer, é um problema ocidental que chega aqui depois.
Mas é essa perspectiva.
Então, entender, na verdade, esse combate ao alcoolismo dentro desse contexto aí mais amplo que é.
É como eu penso, né?
Também aí tem um pouco de interpretação, né?
Pessoa 3
EE para além da da importância da gente fazer essas pesquisas, né?
Quando o senhor levanta o ponto, pô, o açúcar era uma outra questão.
E aí justamente você jogou a luz?
11 questão muito importante que é.
Imagina você, geração pós geração, pelo menos como a gente sabe, a gente não tem documento, é escrito pelo menos pré chegada dos portugueses.
Mas imagina você acostumado a geração pós geração com um estilo de vida e aí chega um povo estranho em determinado ano.
E aí 20 anos depois de você já tá trabalhando em um modo de produção?
Totalmente diferente daquilo que você estava acostumado.
E aí você fala, né, é problema, acarreta problemas físicos, né?
Acarreta problemas de saúde pra essas pessoas também, né?
Que não, que não vão, que não estão acostumadas, que não vivem desse modo de vida também, né, professor?
Pessoa 1
Sim, deixou de dizer um dado, quer dizer, na verdade, com com a toda vez que chega a Conquista em relação aos povos originários é que não tem anticorpos.
AA mortandade é enorme, uma gripe pode ser fatal.
Foi o que aconteceu aqui no século 16.
Os Jesuítas batizavam e o povo morria, batizava morria, batizava morria porque achava que eles traziam a doença, então assim eram todas as doenças que vieram.
Mas isso é mundial, viu?
Isso foi aqui.
No caso da América, foi lá quem, quem venceu, na verdade.
O os incas e os astecas não foram, né?
Nem cortês, nem Pizarro foi.
Foi AA peste, foi.
Quer dizer, eu estou exagerando, obviamente, mas o impacto da populacional causado pelas doenças a partir do contato é algo assim, que é uma redução drástica, drástica das populações.
Isso também provoca, obviamente, uma desorganização social e cultural tremenda.
Desacreditar os pajés, enfim.
Então tem.
É muito, é.
Enfim, é 11 coisa.
Pessoa 3
E é uma relação extremamente complexa também, né, professor?
Falar assim?
Olha, por um lado tem uma questão, por outro vai ter outro.
E se a gente for de fato ali fazer uma pesquisa científica em cima, você vai ver que são milhares e centenas de questões ali.
Pessoa 1
Agora só pra pra assim que eu gosto.
É professor, né?
Mas assim.
É uma coisa que eu gosto de dizer, né?
Eu trabalho, trabalho com pré história, dou aula de pré história de vez em quando.
Então, assim é dizer que o que aconteceu no século 16 aqui na Conquista, na chegada dos portugueses, está acontecendo no século 21 na Amazônia, entendeu?
Então essa, essa chegada, essa, esse impacto, essa desorganização, essa mortandade é.
Até as estratégias da Funai, um tempo atrás era troca de presentes, você botava lá, não sei se você já viu, botava o varal.
Ele tinha AAA política de aproximação, então os índios iam lá, pegava, OOOO presente e corria, e depois IA, e aí tinha postos de atração e depois IA.
Então isso é muito até manter a política de manter isolado é uma coisa muito recente, então é a gente pensar que essa frente de expansão e de Conquista.
Ela se estende ao longo dos séculos, é enfim, claro que a gente tem que entender que há diferenças, obviamente, mas que a Conquista está aí, né?
Moendo ainda.
Pessoa 3
É os se os nossos ouvintes quiserem só ter uma noção, é só a gente imaginar o impacto que a COVID teve na nossa época, né?
Diz assim, a questão, como, como os anticorpos, elas influenciam, porque, de fato, se a gente pensar a idade média europeia, é um período ali onde a população de modo geral, era doente, né?
Então você imagina um português chegando com todas as doenças que ele, desde criança, contrai em Portugal, é uma população que nunca nem sequer sentiu o que que era uma gripe.
Só para dar um exemplo da gripe, né?
E aí, claro, é é como é igual, né?
A gente vai dizer assim, poxa, mas a COVID depois que a gente tratou, passou a ser uma só gripe, exatamente assim, nesse sentido mesmo quando o seu corpo não tem os anticorpos.
Corpos, não importa se é uma doença fraca ou forte pra você, vai afetar de uma forma de que vai matar de forma sistemática mesmo, né?
Sistêmica quem vive ali na região.
E aí eu queria saber um pouquinho, professor, só pra gente já chegando No No final do nosso episódio, qual o legado que que a que a política indigenista, né, do período pombalino, ele vai deixar nessa região Nordestina ali principalmente, né, em Pernambuco, né?
É em Rio Grande, que é onde o senhor ali se debruçou mais em relação às pesquisas.
Pessoa 1
Veja bem, essa palavra legado, né?
Assim, o legado fica parecendo que é uma coisa positiva, né?
Eu eu penso que o legado foi Oo negativo no sentido que para algumas, porque a gente tem que ver o lado 11, lado de outros, por um lado é impactou culturalmente, né?
No sentido que transformou essas culturas ou obrigou essas culturas a se desfazerem de muitos elementos.
Mas por outro lado, também em em algumas dessas vilas que foram criadas, hoje existem territórios indígenas.
Eu posso dar, por exemplo, o exemplo da Vila de Assunção, né?
Que hoje que foi foi uma das vilas que nas nas ilhas do do submédio São Francisco, vilas criadas a partir de aldeias que foram transferidas para lá para criar o número x de casais.
Hoje tem o povo trocar, é o território indígena trocar, entendeu?
Então a gente pensar.
Que a gente vamos dizer, se por um lado houve uma violência na implantação dessa política, por outro lado, também graças a essa política.
Oo apesar dela, os povos indígenas permaneceram, né?
Em algumas das regiões e em algum EE principalmente.
Pensar também que eu acho que essa é uma ideia importante que para além do legado, é pensar aqui.
Como eu tinha dito aqui, eu acho que uma ideia importante que essa política não foi totalmente é, vamos dizer, eficiente no sentido que os povos indígenas estão aí hoje, cada vez mais forte, cada vez mais atuantes, cada vez lutando e ressurgindo conquistando e lutando para conquistar os seus direitos, que é não é só.
Quer dizer, não é só o direito ao território, é tudo.
Mas eu acho que é um direito no sentido de estarmos.
Trabalhando de maneira colaborativa, horizontal e sem tutela, considerando o outro na sua integridade, na sua complexidade.
E eu acho que isso é que é o bacana, sabe?
Eu acho que é aí que a academia tem que aprender, porque nisso a gente tem uma visão mais ampla e tem uma visão assim mais.
Mais interessante, né?
Da história.
E aí pensando exatamente na longa duração, que eu acho que é um conceito aí que a gente precisa.
Não é que precisa, mas que a gente tá gostando de usar.
Porque ele dá conta de ver a história indígena a partir de uma outra perspectiva que não seja só dessa história que a gente tá acostumado a partir de Marcos ocidentais ou de Marcos cronológico de idade antiga, média, Moderna, contemporânea.
Pensar, né?
Outra temporalidade, a partir de outros sujeitos e a partir de outras vivências também.
Pessoa 3
E aí nos nos seus trabalhos, né?
Arqueológicos, o senhor vai identificar marcas materiais que ajudam, né?
A compreender esse período e que tipo de evidência arqueológica professor pode revelar para gente a presença e a resistência indígena nas capitanias do norte, principalmente para nos ajudar a reconstruir.
Essa história para além dos Marcos ocidentais, né?
Pessoa 1
Veja bem, como eu te disse, às vezes é difícil.
Quer dizer o que é que um trabalho talvez que é arqueológico, entende?
Porque esse é um dos trabalhos que eu fiz com o professor demético, que é o grande parceiro que tá aí fazendo esse trabalho com os povos indígenas, de de levantamento de sítios e etc.
Mas a gente fez um trabalho que infelizmente a revista que a gente publicou saiu do ar e a gente tá com esse trabalho aí que é nas ilhas do São Francisco.
Ao longo do submédio São Francisco, havia muitas aldeias que estavam dentro das ilhas.
Então a gente pegou documentos manuscritos do século 18 e mapas do século 19 e identificou essas aldeias, identificou os locais onde estavam as sedes dessas aldeias, pelo menos a igreja, etc.
Então através desses desse trabalho de cartografia, que é o que a gente faz muito.
A gente consegue identificar possíveis locais onde estão essas aldeias.
Então com isso a gente quando a gente encontra, por exemplo, hoje a aldeia de sorobabé tá tá coberta, né?
Mas foi feito o trabalho lá e tinha AA antiga igreja da aldeia, então a gente com esses Marcos nu.
Físicos mesmo da existência dessas aldeias.
A gente consegue provar a presença desde muito tempo desses povos, desde, por exemplo, da criação da aldeia, seja lá, seja assim, mas mesmo antes, às vezes a gente tem vestígios também anteriores a implantação das aldeias nesses locais.
Então é é o que eu penso que é interessante que nos trabalhos.
De arqueologia eu faço mais cartografia, eu sou mais historiador do que arqueólogo.
Eu trabalho com arqueologia, dou aula, oriento, entendo, tem teoria arqueológica, mas assim eu sou historiador, o historiador que dialoga com os arqueólogos, que dá aula que tá, tá, tá.
Mas o que eu percebo é que é como a gente vai construir uma narrativa a partir dessas informações.
Mas é óbvio que a gente tem aí os vestígios, por exemplo, esses das ilhas, é.
Foi um trabalho que a gente adorou fazer, porque a gente juntou Fontes manuscritas com mapas e a gente conseguiu localizar as aldeias, porque muitos autores trabalhavam com as aldeias, mas não sabiam onde eram, porque as ilhas elas, as ilhas do São Francisco, elas mudam um pouco de lugar e também quando tem as barragens, essas aldeias ficam submersas.
Ou então a gente conseguiu aí com uma metodologia que tá nesse artigo lá de.
E recuperar isso.
E é claro que a gente também.
O que eu penso é que agora, com esse trabalho colaborativo com as lideranças indígenas dentro dos territórios indígenas, a gente além de identificar sítios arqueológicos de pintura, de cemitérios, é também pegar territórios de antigas aldeias.
E aí com territórios de antigas aldeias, a gente pode comprovar uma.
Presença e aí a resistência, como eu te disse, às vezes é difícil.
Qual como é que eu mostro através da cultura material a resistência?
Eu penso que eu mostro a partir da persistência no local.
A persistência no local é uma resistência.
Então, nesse sentido, talvez é, é, às vezes é difícil, é como às vezes nas Fontes você perguntar o negócio da Terra, como é que eu sei, às vezes a fonte não permite a gente chegar lá até que.eu posso ir com segurança.
Diante do que eu estou vendo, eu posso dizer que estava aqui até que.eu.
Posso dizer que estava aqui.
Era uma forma de resistência através de uma narrativa ou de uma interpretação.
Então, a fonte depende também de como a gente, na verdade, está interpretando ou construindo uma narrativa a partir da, da, da, da lógica, da nossa perspectiva teórica sobre aquele achado, aquela aquele sítio lá que se apresenta.
Se para nós, historiadores, o documento é muito fragmentário, para os arqueólogos, AI, meu Deus, é o vestígio, é o fragmento do fragmento.
Então é difícil, viu?
A arqueologia é dureza, porque a gente precisa construir uma narrativa, construir uma explicação a partir de coisas muito um papo de cerâmica, um Machado polido, um.
Um registro pestre, enfim, é difícil, mas enfim, juntando tudo, eu acho que a gente consegue pensar uma outra realidade para pensar os povos originários para além do senso comum.
Pessoa 3
E esse acho que esses esses desafios, professor, que eu não sei se bom por um lado, deve motivar muito, porque principalmente para quem gosta de história, julgo eu que sejam pessoas muito curiosas, porque eu sou muito curioso, mas assim.
É, é igual, igual o senhor comentou, né?
É diferente e é um pouco mais complicado se você quiser fazer uma análise política de uma Capitania do norte, porque você vai ter uma documentação ali um pouco maior, né?
Documentação escrita mesmo, do período, do que você tentar reconstruir igual o senhor falou resistências dos povos originários daquela região, porque é como o senhor disse, né?
Vestígios descritos tem poucos.
Aí vestígios arqueológicos.
É o que o senhor falou.
É o vestígio do vestígio do vestígio que já sofreu mudanças ao longo de muitos anos.
Então eu fico me perguntando como é que a gente lida com essas dificuldades pra poder chegar a um ponto de escrever um texto falando assim, não, esses povos existiram aqui.
E esses povos, eles viveram de determinadas formas, as suas maneiras, muito antes.
Da chegada de um europeu, tinha as suas línguas, tinha a sua forma de fazer, enfim, de criar, de fazer, de plantar, enfim, eu me pergunto muito isso porque eu sou formado em história, né?
Fiz graduação em história e o que a gente estuda de arqueologia é muito reduzido, né?
EE, eu fico de fato me perguntando como é que a gente consegue chegar nesses vestígios, né?
Como é que a gente consegue encontrar forma de vida ali, né, forma de de registro desses povos, né, de certa forma.
Pessoa 1
Então, veja bem, eu vou aproveitar.
Até que eu não tinha falado sobre isso, eu imaginei que IA ter alguma pergunta.
Mas para dizer assim também que uma das dificuldades para nós de trabalhar para o história indígena e para este período Sertão nordestino, período colonial, período pombalino, é que as Fontes, né?
Para a história indígena de uma maneira geral, são Fontes a partir da perspectiva do colonizador, do conquistador e mais.
Os os povos só aparecem quando tem algum BO desculpe aí o termo mais popular, mas pra também, né?
Tornar a conversa aqui mais leve, então só aparece no jornal quando tem problema.
Então às vezes, muitas vezes é 1111 existência invisível, então isso também dificulta.
E por outro lado, obviamente que é difícil.
Você quer dizer, é você chegar a partir de um veste junto, mas você vai juntando, quer dizer, você.
É claro que cada que há formas diferentes de de organização, de sobrevivência povos caçadores, coletores, povos articultores, povos com.
Mas de uma certa maneira, você tem ali o acúmulo das pesquisas, seja arqueológico, para tentar povos de modos de vida, de povos antes do contato ou mesmo povos que foram contactados e sobre os quais há registros.
Você consegue também ter um Panorama geral.
Etnográfico para pensar possibilidades desses povos de organização, de modo de vida.
E quando você encontra os vestígios, mais ou menos, você tem aí uma grade teórica que permite você imaginar é essas sociedades a partir dos fragmentos.
EE no caso de história, na verdade, João, eu penso o seguinte, quer dizer, nós que trabalhamos com história indígena, a gente na verdade, tá buscando, não dito.
A gente vê a resistência, por exemplo, no caso dos documentos, quando tem uma fuga, quando tem um assassinato de um diretor, quando tem na verdade uma guerra.
Então a gente sabe que há conflito, sabe que há resistência, né?
E é.
E há, por exemplo, no período holandês, a gente tem muitos, muitas lideranças indígenas.
Nesse período também a gente tem, né?
Na verdade, um ou outro nome que sai do.
Do anonimato e aparece como alguém que tá aí, na verdade, na luta.
Mas é pensar resistência e pensar protagonismo, né?
Que é um termo que a gente tem hoje em dia buscado muito Na Na Na história indígena, buscar na verdade o papel ativo dos índios e aí voltar a ideia da política indígena.
Quer dizer, o que é que os índios fizeram contra essa imposição da política?
Indígenista é a política indígena, é fugir.
É se associar, mas uma certa maneira está ali tentando defender seus próprios interesses.
É, é combater, é se aliar.
Então, assim é entender que havia uma estratégia pensada de alguém que não é ignorante, que não é, não precisa ser tutelado, mas que está ali com as suas armas, tentando é sobreviver e tentando.
E que aí nós, historiadores, muitas vezes só temos fragmentos, lampejos.
Dessas ações e que a gente tem que tratar de como uma agulha no palheiro para mostrar este outro lado da história desses indivíduos que não eram, enfim, aquilo que se dizia deles, ignorantes, selvagens, que não conhece a civilização, dos preparados, que é um discurso que não dá conta da combatividade e da visão estratégica que esses grupos tinham diante do avanço da Conquista sobre suas terras e sobre suas mentes.
Então eu acho que é isso que a gente tem que pensar aí como uma maneira de ver a história a partir do que não foi dito.
No fundo é isso.
Se a gente, como historiador, tem que ter esse essa visão crítica e buscar, né?
Ler os silêncios.
Pessoa 3
Eu nunca cheguei aí em um aldeiamento aqui No No Tocantins tem os os gerente, que eu acho que etnicamente deve ser Oo maior grupo aqui da região, né?
Né?
E eles têm um aldeamento aqui na região também.
Eu estudei com alguns Na Na faculdade, né?
Porque no pelo menos no campus que eu estudei, tinha muitos, muitos gerentes fazendo faculdade também.
E aí, professor, eu queria, se o senhor pudesse falar, se de certa forma, a oralidade dos povos indígenas, né, a forma deles contar e de transmitir os saberes, eu sei que.
É uma fonte histórica também, né?
Que que é possível a gente tentar reconstruir uma história a partir dessa oralidade?
Mas até que ponto é possível a gente dialogar, vamos dizer assim, com lideranças religiosas, por exemplo, desses povos EEA partir dos saberes deles e dessas Fontes, né?
Que o senhor vai falar da arqueologia e tudo mais.
A gente conseguir ter um Panorama um pouco não, se não melhor, mas mais completo, né, sobre esses povos.
Pessoa 1
Veja bem, quer dizer, eu penso.
Quer dizer, uma das questões que eu estou aqui pensando é do ponto de vista da memória, né?
Às vezes, por exemplo, eu pensando na colônia, eu estou pensando aqui a colônia do século 16 ao 19.
Então, para eventos muito distantes no tempo, é complicado, vamos dizer você, recorrer somente a memória que é passado na no processo mesmo, né?
A partir do dos ancestrais.
Mas tem, às vezes é de uma forma, eu vou usar a palavra talvez não seja mais adequado, mais mítica, mais uma, uma visão mais geral, que é possível você pensar que determinadas ideias que estão colocadas lá de uma forma, numa cronologia diferente da nossa, tem um rebatimento que pode ser interpretado historicamente, migrações, por exemplo.
Então eu penso que são formas diferentes de narrativa.
De contar o mundo, de entender o mundo, mas que elas podem dialogar de maneira respeitosa.
E também não sei se precisa coincidir tudo, entendeu?
Mas o que eu penso é que a gente precisa.
Por exemplo, vou dar o exemplo, talvez na arqueologia eu tenho um sítio arqueológico que foi chamado de Pernambuco 2 e os povos indígenas anteriormente conheciam aquele sítio arqueológico.
Como?
Um outro nome, um outro.
Por exemplo, a Pedra do cachorro e a Pedra do petintic.
Se não me falha a memória, então eu acho que, para os arqueólogos e para o pessoal da preservação, é importante ouvir os povos indígenas para entender que há outras populações que entendem aqueles sítios e que dão outros nomes, que são as populações que estão ali naquele lugar.
Então, se eu tenho uma interpretação que eu tirei da fonte escrita.
E na oralidade está me trazendo outra coisa.
Eu tenho que refletir, onde é que, de uma certa maneira, é possível pensar que é essas versões ou essas perspectivas podem dialogar, pensando que são formas diferentes?
E aí eu acho que é uma coisa que não gosta nem da moda, mas quando a gente fala de novas epistemologias, do que é que a gente está falando?
Quando a gente tem que, na verdade, pensar outras formas de pensar outras cosmologias outras, está aberto, então eu acho que está aberto.
É também escutar o outro e escutar o outro.
Não é só escutar, porque é é um termo que a gente dá voz, dá voz, a pessoa tem voz, então não é dá voz, entendeu?
Então eu acho que é, é, é de fato esse exercício da escuta, esse se abrir pro outro na sua.
É que eu acho que é um exercício nós, porque o que que acontece?
A gente é o dono da verdade.
A gente tá aí num momento de de, de pós verdade, de fake news, mas a gente também, né?
De uma certa maneira, enquanto historiador, pelo menos no início, a gente tinha uma pretensão.
Quando entra na graduação, principalmente, eu quero estudar história, porque eu quero saber a verdade depois.
A gente sabe que são muitas verdades, mas que tem, vamos dizer, a gente começa a trabalhar com a ideia do verossímil, do que de fato deve ter acontecido, de como provavelmente aconteceu.
E a partir daí tá em busca, né?
Desta verdade relativa, daquilo que a gente pode saber ou conhecer a partir de um diálogo.
Nesse momento, o que é que a gente é?
Tem mais ou menos de de uma certeza provisória sobre determinados assuntos a partir exatamente do diálogo, da argumentação.
A ciência é um pouco isso, né?
Mesmo na história, a gente, na verdade, através de argumentos.
O argumento que está mais sólido, mais embasado, aquela hipótese que não conseguiu ser contrastado, é que está aceito até que venha uma informação nova, uma interpretação nova que mude a nossa, a nossa narrativa, a nossa maneira de interpretar.
Então acho que é por aí.
É uma construção.
Agora, a escuta é importante porque ela enriquece, ela enriquece os 2 lados, inclusive, e eu pelo menos acredito nisso e estou muito aí e afim de de continuar nessa conversa que.
O meu colega está mais próximo, mas eu estou na retaguarda, assim dizendo, olha, tô aqui e conte comigo, porque a gente acho que pode fazer um trabalho muito bacana nesse laboratório lá de arqueologia indígena que tá sendo construído.
Mas é já tá tendo muitas, muitas interações e muitos trabalhos que estão acontecendo e que eu acho que esse é um bom caminho pra gente ter acesso, inclusive a.
Há esta, há esta voz no sentido que muitas vezes também as pessoas, os povos indígenas, as lideranças religiosas e etcetera não se sentem muito à vontade, porque a relação com o pesquisador é muitas vezes em arqueologia.
Eu posso falar porque é o que eles reclamam muito.
O pessoal vai lá, vai lá, recolhe as informações, não dá uma devolutiva não, não chama pra.
Para construir junto é OA pessoa, é o objeto, o indígena é o objeto.
E aí não é bacana, né?
Cansa, né, ser objeto o tempo todo, né?
A gente quer ser sujeito também, né?
A gente quer também falar, né, e quer também.
E nós temos hoje também povos indígenas ou indígenas, né?
Perdão que.
Lá, antropólogos, arqueólogos, historiadores e eu acho que é justamente com esses indígenas, historiadores, arqueólogos e antropólogos também que a gente pode escrever uma história diferente, né?
Que não seja eurocentrada.
Que não seja, né.
Na verdade, essa história que é dominante até o momento.
Pessoa 3
É um incômodo que até tem desde a época da da faculdade, né?
Mas enfim, inclusive Na Na hora da gente convidar é pessoas aqui para o podcast, né?
Historiadores, historiadoras, a gente percebe um problema justamente nesse nessa questão da diversidade, né?
Principalmente quando a gente vai pra uma pra uma alçada um pouco mais alta, vamos dizer assim, vamos dizer, trabalhar com doutores, com doutoras, né?
Querendo ou não, um campo um pouco mais restrito ali.
De pessoas.
Mas o que incomoda muito a gente, principalmente nós do movimento negro, é essa questão que a gente vai ler história dos povos negros, mas sempre a partir da perspectiva de uma escritora, de um escritor que é branco, acredito eu que os povos indígenas são pronto desse mesmo problema, que é ler a história deles, mas não pelos olhos deles próprios, sabe?
Então eu acho que o trabalho que o senhor faz, que que o outro professor que o senhor citou, que agora eu não me lembro, o nome faz é essence Demétrio, né?
O professor Demétrio.
Professor Demétrio é fundamental também para a gente buscar esse diálogo, né?
E isso mostra, obviamente, também a importância da arqueologia para o campo do saber, porque eu tava vendo um debate recentemente com, inclusive, um ex aluno da UFP, que que foi o da UFPE, que foi que é o Jones Manuel, não sei se o senhor tem conhecimento.
Ele cursou história na UFPE.
EE ele foi fazer um debate com com o cara que justamente falava sobre essas questões.
EE, pedia para que e achava no caso, né?
Essa pessoa achava inútil um curso como da arqueologia, como da arquivologia, como da própria biblioteconomia, sabe?
E ele julgava inútil.
E é assim quando o senhor fala, quando o senhor traz essas falas, a gente percebe a importância da utilidade dessas pesquisas, porque são locais que, por exemplo, a historiografia tradicional não vai atrás.
Sabe, são, são são pesquisas que a historiografia tradicional não se debruça em fazer, sabe?
E então é, eu queria obviamente parabenizar o senhor pelas suas pesquisas e pra gente finalizar, pra não tomar muito seu tempo, que a gente está chegando aqui perto das 4:00, é o senhor podia indicar alguma referência?
Pra quem deseja entender um pouco assim do do período dessas reformas, né?
É pombalinas um pouco sobre a história indígenas também nesse sentido.
Pessoa 1
Veja bem, botei esse artigo aí, que que a gente tá?
Falando, né?
Ele tá lá.
Acho que tem 11 livro chamado a presença indígena no nordeste brasileiro, que foi que tem esse artigo que tá lá, foi organizado pelo João Pacheco e tem assim, vamos dizer, eu selecionei aqui rapidamente que é algumas obras, né?
Na verdade, às vezes era mais fácil falar dos autores do que das obras, mas assim tem, porque o repórter é assim.
Sobre povos indígenas aqui no nordeste, nós temos algumas pessoas que tem trabalhado mais diretamente.
Aí eu vou começar aí perto de você no Piauí atualmente, embora ele seja cearense, mas tem o João Paulo peixito Costa, que é um cara que tem produzido bastante, um jovem que tá aí, vamos dizer que produzindo muita coisa.
Sobre povos indígenas, produziu também no Sertão, mas principalmente no início do 19.
Não daria Independência para.
É o foco dele.
A gente tem o Edson Silva, que já participou aí do podcast, que é o nosso especialista, vamos dizer, de história indígena, talvez mais famoso aqui da região e também politicamente, muito engajado.
Então é uma referência muito importante para nós.
Ele trabalha mais com o século 19, né?
Em diante, mas tem também dado uma contribuição importante.
Quer dizer, tem um artigo aí pensando na verdade, no público mais geral, tem uma obra Hum, bem antiga.
Na verdade ela é de 98, mas chama história dos índios no Brasil.
Que tem um capítulo sobre povos indígenas no nordeste.
Eu acho que essa é uma obra que é, imagino que esse livro é de fácil acesso.
História dos índios no Brasil é um clássico.
Tem esse capítulo lá, tem um trabalho na verdade aí pensando aqui No No no Sertão nordestino, no período colonial, que é de uma professora daqui que chama guerra dos bárbaros, que chama Maria idalina da Cruz pires.
É uma obra que não está muito disponível porque tem um clássico.
O dela é anterior, que é do Pedro puntoni a guerra dos bárbaros.
Mas como a gente tá pensando aqui em valorizar também o pessoal que trabalha aqui?
Então tem, tem a Isabelle Brás Peixoto da Costa, Vila de índios no Ceará grande, que é também sobre o período pombalino, né?
Exatamente, então assim a muito eu tenho, né?
Aí é porque às vezes é difícil falar de si, mas assim lá do meu lado tem um bocado de artigo que tratam da questão, tem um sobre as guerras também dos bárbaros, tem.
Sobre o período pombalino, tem questões ligadas AA mito sobre fundação de Olinda com relação aos povos indígenas, então tem também, né?
E enfim, acho que é isso, tem, tem muita gente, tem a juciene também, que trabalha a juciene Ricardo, a polinário também, que trabalha aqui com a temática do nordeste.
Então acho que assim tem um livro aqui do do índios, da apoio do Rio Grande.
Eu tentei encontrar aqui, na verdade, se a Alexandra me deixei aqui do lado, podia ser que essa pergunta pudesse aparecer.
Então eu eu vi aqui, mas assim eu penso que é.
Qual é?
A dificuldade, talvez é que quando a gente fala de Sertão, né?
Os trabalhos são povos indígenas também.
Muitas vezes tem que ter um trabalho aqui que acabou de sair, um trabalho maravilhoso.
Professor Bruno Miranda é sobre lideranças indígenas no período holandês, uma assembleia indígena que aconteceu aqui em 1645, mas no período holandês.
Oo Sertão é muito, é muito.
Pouco ainda vamos dizer do em relação a esse Sertão que a gente pega, né?
Que vai lá é lá no alto Sertão, vamos dizer aqui, Oo Sertão é, é, é outra categoria, mas que tem também um trabalho.
O professor Bruno Miranda tem tem feito coisas muito interessantes sobre o período holandês, então a gente tem aí, enfim, muitas obras.
E também eu acho que aproveitar.
Não é exatamente indicação bibliográfica, mas nós temos aí no GT.
Da anpu de história indígena, GT povos indígenas.
A gente tem lá muitos vídeos, muitas Lives, né, que foram feitas, que também dão conta, né?
Dos povos indígenas do nordeste também é uma boa, é uma boa indicação, acredito.
Para além dos artigos e do livro.
Eu falei mais do livro do que dos artigos, mas que também tem aí trabalhos interessantes para aprofundar essa questão.
Pessoa 3
Tá certo então, professor, muito obrigado pela sua participação aqui com a gente.
Tá precisando de um espacinho aí pra falar de algum texto novo que o senhor lançou, de alguma pesquisa nova que o senhor tá participando, é só chamar que a gente conversa novamente.
Foi muito esclarecedora.
AA nossa conversa foi breve, né?
Mas enfim, o senhor tem compromisso, a gente falou que IA ficar ali mais ou menos até 1 hora e meia.
Então novamente, muito obrigado, tá?
Pessoa 1
Tá certo?
E eu é que agradeço o convite, a oportunidade.
E foi um prazer aqui conversar contigo, viu?
Agradeço mesmo.
Enfim, e estamos aqui também à disposição, viu?
É importante esse trabalho que é feito e vamos à luta.
Pessoa 2
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Então valeu demais pela escuta até o próximo episódio, falou, é nós e até a semana que vem.
Podcast Summary
Key Points:
A colonização portuguesa no Brasil, a partir de 1500, foi um processo violento contra os povos originários, que não desapareceram, mas resistem até hoje.
A política indigenista pombalina (século XVIII) visava racionalizar a exploração colonial, substituindo o controle missionário (jesuítas) por diretores leigos, integrando os indígenas como "súditos civilizados" para beneficiar a metrópole.
A arqueologia colaborativa com povos indígenas, aliada à oralidade e vestígios materiais, ajuda a reconstruir a história de resistência e ocupação tradicional, desafiando o apagamento histórico.
Summary:
A transcrição aborda a violência da colonização portuguesa no Brasil a partir de 1500, destacando que os povos indígenas do Sertão nordestino não desapareceram, mas resistem e lutam até hoje. O foco principal é a política indigenista do período pombalino (século XVIII), analisada pelo arqueólogo Ricardo Pinto de Medeiros. Ele explica que essa política, inserida no contexto do Iluminismo e do declínio da mineração, buscava racionalizar a administração colonial para ampliar o controle e a exploração da metrópole sobre a colônia.
As reformas substituíram a atuação de missionários (como os jesuítas) por diretores leigos, transformando aldeias em vilas com nomes portugueses e impondo a "civilização" por meio de educação, treinamento militar e casamentos interétnicos. Na prática, isso significou escravização e exploração, apesar do discurso de integração. O professor também discute o papel da arqueologia na reconstrução da história indígena, propondo uma abordagem colaborativa com os povos originários, que valoriza vestígios materiais e tradições orais para entender sua longa duração e resistência.
Ele critica a visão eurocêntrica e defende uma perspectiva decolonial, reconhecendo outras epistemologias e temporalidades. A conversa enfatiza que a política indigenista pombalina foi mais uma etapa do controle estatal sobre os indígenas, cujos efeitos persistem até hoje.
FAQs
A política indigenista é a política do Estado em relação aos povos indígenas, enquanto a política indígena é a reação e as estratégias criadas pelos próprios indígenas para lidar com essa intervenção estatal.
Ela permite identificar vestígios materiais como cerâmica, sepultamentos e antigas aldeias, e integrar a tradição oral dos povos indígenas, reconhecendo novas formas de contar a história a partir da perspectiva nativa.
Foi um período no século XVIII, influenciado pelo Iluminismo, em que Portugal buscou racionalizar a administração colonial, aumentar o controle e a exploração, especialmente após o declínio da mineração, visando ampliar a cobrança de impostos e o poder da metrópole.
Na prática, significava exploração e escravização disfarçada, como o uso de correntes em fortalezas e a distribuição de indígenas para trabalhar em casas, apesar do discurso de civilização e educação.
A substituição do controle missionário (jesuítas, franciscanos) por diretores leigos, que administravam as aldeias transformadas em vilas, impondo nomes portugueses e promovendo casamentos interétnicos para integrar os indígenas como súditos civilizados.
É um conceito do historiador Fernand Braudel que considera a história dos povos indígenas antes da conquista e até os dias atuais, com temporalidades próprias, desafiando os marcos cronológicos coloniais e propondo uma perspectiva decolonial.
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