Desvendando as Caixas Pretas da Ditadura Militar
Caixas
pretas?
Elas servem para explicar porque que as coisas desandaram a tal ponto que o que Era Para Ser um voo virou desastre.
Quando abertas, elas mostram o que foi feito ou não foi feito, o que deixou de funcionar, se o erro foi do piloto ou foi uma falha mecânica de avião.
E olha, elas revelam um passado à toa.
Abrir uma caixa preta tem um objetivo bem prático.
Evitar outros caixa.
Pessoa 2
Preta do jatos.
César.
Pessoa 1
E os dados da caixa preta?
Pessoa 3
Todos os dados captados pela caixa preta da?
Pessoa 2
Uma das caixas pretas da aeroporto.
Pessoa 4
É justamente pelo que revelam depois de abertas que as caixas pretas também são usadas para falar do que ainda está em segredo, do que é sigiloso, do que não é transparente.
Pessoa 1
Por isso, caixa preta é uma expressão que traduz bem a relação entre as empresas e a ditadura militar.
Pessoa 4
Algumas dessas histórias até já começaram a ser reveladas.
É o caso da Volkswagen, que monitorou e ajudou a prender seus funcionários.
Ao menos um deles foi torturado dentro da fábrica.
Oi?
Eu sou sou Maia Vilela.
Pessoa 1
E eu sou Eliane Gonçalves.
E esse é o perdas e danos, o podcast que nessa segunda temporada investiga quem lucrou com a ditadura militar no Brasil.
Pessoa 4
Bom, no primeiro episódio, a gente foi atrás da engrenagem que ajudou a Suíça a turbinar o PIB dela, fazendo parcerias com o regime autoritário.
Agora a gente avança para as pessoas jurídicas para tentar abrir as caixas pretas, que ajudam a explicar como algumas multinacionais lucraram com a opressão.
Uma.
Pessoa 5
Galinha.
Pessoa 1
Dos ovos de ouro.
Pessoa 2
Por aí é o verbo.
Pessoa 1
Fundamental do modelo econômico da ditadura.
Pessoa 4
Uma exploração sem limites.
Pessoa 3
Pagamentos propinas com eles?
Pessoa 1
Invadem a fábrica bomba de gás lacrimogêneo.
Pessoa 3
Grandes obras das estações.
Pessoa 2
Lucrou, censurou, reprimiu, torturou, faturou, negociou, financiou, espionou, achatou, corrompeu.
Pessoa 3
Destruiu.
Pessoa 1
Golpe de 64, perdas e danos.
Pessoa 4
Segunda temporada passado leiloado.
As Controvérsias da Nestlé e o Mercado Brasileiro
Novo nescau é vitaminado e é leve.
Pode ser tomada.
Você faz Maravilhas com leite moça gostosa?
Sobre fique em paz com a sua consciência.
Para os seus, exija o melhor leite ninho, garantia Nestlé.
Pessoa 4
Ela nem precisa é de Apresentações, porque a gente tem certeza que você sabe do que estamos falando, né?
A Nestlé tinha, quer dizer, tem muito interesse no mercado brasileiro.
A maior indústria de alimentos do mundo é Suíça.
Aqui no Brasil, ela vende de papinhas de bebê a bombons, passando por ração de cachorro.
Pessoa 1
Dá para dizer que todos os brasileiros são potenciais consumidores da marca?
Bom, talvez bem mais do que potenciais na verdade, né?
No site, a própria empresa diz que está em 99% das casas brasileiras e tem pesquisa mostrando que a marca é a segunda mais lembrada do Brasil.
Pessoa 4
Parece doce, mas, com o perdão do chavão, é amargo.
A Nestlé acumula histórias bem controversas, como marketing agressivo para vender leite em pó no lugar da amamentação.
Pessoa 5
A Nestlé utilizou principalmente promoções comerciais bastante efetivas no começo da vida.
Pessoa 1
Essa é a Marina rea.
Ela é médica, pesquisadora, já foi conselheira da OMSA Organização Mundial da Saúde e é uma das fundadoras da rede ibfan.
A rede Internacional pelo direito de amamentar, a promoção comercial dentro da maternidade foi uma coisa vergonhosa que a Nestlé fez, então é como que a Nestlé convence as mães?
Pessoa 5
Que esse era o melhor produto.
Primeiro, botando como disponível.
Se você não disponibiliza, é claro que a pessoa nem vai conhecer.
A outra questão é essa forma de entrar nas maternidades onde os bebês nascem.
Pessoa 1
E buscar nos médicos um parceiro, né?
Pessoa 5
Entrando nas nas universidades era ótimo porque os estudantes são jovens e peças de né?
Para fazer a cabeça deles.
Pessoa 4
Representantes comerciais dentro das universidades.
Médicos prescrevendo leite em pó, distribuição gratuita nos primeiros dias de vida atrapalhando a amamentação.
A fórmula foi fatal.
Em 1974, uma organização social da Inglaterra chamada Warren wante publicou um relatório batizado como the baby killer.
Em tradução livre, algo como assassino de bebês.
E acusou as indústrias, começando pela Nestlé, de provocar a morte de crianças em países pobres.
Pessoa 1
Hoje em dia, a empresa segue emitida em controvérsia.
Em 2024, uma ONG Suíça, a public hae, mostrou que produtos que a Marco oferece para as crianças de países pobres são mais açucarados que os que vão para as crianças ricas.
Marina participou da pesquisa.
Pessoa 5
Aqui nós fizemos com mucilon.
É ficou claro que o nosso produto tinha mais a nossa.
Só não, né?
A Índia também do México também mais açúcar comparado com o mucilon, vendido Na Na Suíça, vendido na Inglaterra.
Nos países desenvolvidos, eles não põem essa quantidade de açúcar.
A Nestlé, isso é uma denúncia de hoje.
Isso quer dizer que AA empresa continua desse jeito?
Pessoa 4
Com escândalo e tudo, a Nestlé entrou no Brasil para ficar e consolidou a marca por volta de 1970.
E quem estava no comando do bom de Brasil nessa época?
Justamente os militares.
A multinacional Suíça não perdeu a carona.
Pessoa 1
A sumaya está falando do ditado don't mist the Buzz, que virou o nome de livro para falar dos interesses da Suíça no Brasil.
Falamos disso no primeiro episódio.
Se você não ouviu, vale a pena voltar lá.
Mas depois de ouvir isso aqui, até o final, tá?
Pessoa 4
Definitivamente, a Nestlé não perdeu o bonde.
De 1971 a 75, a rentabilidade da empresa no Brasil praticamente dobrou.
Em pleno milagre econômico, o crescimento médio do PIB estava na casa dos 9% ao ano.
É bem alto para os padrões atuais, mas o faturamento da Nestlé conseguia ser ainda maior na casa dos 12%.
Pessoa 1
E se tem um segredo que segue bem guardado é a interferência da gigante do setor de alimentos na política interna dos países onde ela tem.
Pessoa 5
Interesse econômico?
O Apoio Financeiro da Nestlé à Operação Bandeirantes
O que você está ouvindo?
É um trechinho do discurso que o ativista Jacques de palin fez em 1971 para denunciar as violações de direitos humanos no Brasil dos militares.
A polícia da Suíça estava de olho em quem criticava a proximidade do país com a ditadura.
Então o discurso dele foi transcrito, foi parar num relatório policial no episódio um desse podcast, e agora estamos trazendo de novo para cá, porque adivinha o nome da empresa que Jack depalem aproveitou para denunciar?
Pessoa 2
O.
Pessoa 1
Brasil permite lucros gigantescos muitas fábricas, especialmente a Nestlé, mas outras também quitam os investimentos em um ou 2 anos, e isso implica em lucros de.
Pessoa 2
50% a 100% ao.
Pessoa 1
Ano, a gente foi atrás dessa história e encontramos pistas da simpatia da Nestlé com a ditadura brasileira, como as contribuições para o ipes, o instituto de pesquisas e estudos sociais.
Uma espécie de Brasil paralelo da época, que ajudou a preparar o terreno para o golpe de 64 e continuou atuando em colaboração com a ditadura depois.
Pessoa 4
O arquivo nacional tem os recibos que comprovam o apoio financeiro da empresa ao golpismo.
E uma anotação a lápis no documento ainda indica que a contribuição da Nestlé aumentou na década de 70.
Pessoa 1
A empresa mesmo deixou poucas pistas dessa relação, tá?
Mas o que encontramos levam para um capítulo bem Sombrio dos livros de história a oban, operação Bandeirantes.
Pessoa 4
A operação criada em 1969 para centralizar as ações contra os movimentos de oposição à ditadura, o maior aparato de tortura e morte da história recente do Brasil.
Pessoa 2
A operação Bandeirante, de uma estrutura precária.
Pessoa 1
Esse é o Dirceu Antônio, ex agente da oban.
Pessoa 2
Mas tinha, tanto é que tinha o chefe e 2 subordinados, que Era Eu e o outro sargento que coordenava as equipes, coordenava tudo.
Pessoa 4
O ex agente foi entrevistado para o filme cidadão bolsin, um documentário que, se você não viu, vale a pena ir atrás.
Bom, a oban começou como se fosse uma espécie de organização para militar.
Antes era apenas uma delegacia cedida pelo governo do estado, que ficava num bairro residencial da classe média alta Paulista.
E a 4 minutos da sede do segundo exército, mas ganhou musculatura com a ajuda extraoficial dos empresários.
Pessoa 1
Quem detalhou isso pra gente foi o jornalista e ex preso político Ivan Seixas.
Ele trabalhou na comissão nacional da verdade de São Paulo exatamente com o tema da colaboração de empresas com a ditadura.
Pessoa 2
A oban Ela Foi criada como uma operação e não era uma.
Uma entidade do estado foi articulada com empresários, exército e o e o governo estadual.
Apesar de ser uma ação ilegal, ela não existia e legalmente não existia.
Era público.
O governador de São Paulo, Abreu Sodré, participava das reuniões.
Saía dizendo que estava sendo criada a operação Bandeirante.
Né?
O comandante do segundo exército, canavarro Pereira, ele fala em nome da operação Bandeirante, então a oban.
Ela, ela é uma experiência ilegal, mas pública, que depois é transformada numa estrutura militar, né?
E aí já abrangendo as outras 2 forças armadas, né?
Pessoa 4
A oban virou depois o doi codi, principal braço de repressão da ditadura.
Sabe o Carlos Alberto brilhante ustra?
A gente pode dizer que é o mais famoso torturador do regime militar.
Pois é, ele comandou o doi codi em São Paulo.
A gente ainda vai se aprofundar nessa estrutura ao longo da temporada.
Então guarda esses nomes.
Pessoa 1
Vamos ouvir outro trechinho de cidadão boislin, agora você ouve o coronel Erasmo dias.
Pessoa 2
Operações precisamos disso, disso, disso e disso nós temos, disso nós não temos ou quem pode arrumar pra gente?
É para lá pra gente.
O Vidigal pode tomar pra gente.
Ele tem relação aí fora.
Então 2 ou 3 serviços de peso desse de respeito, servia de ponte com os outros.
Então muita gente cooperava, não é?
Pessoa 4
Muita gente cooperava gente com bala na agulha.
Empresários de empresas nacionais e multinacionais.
Pessoa 2
E o apoio para nós era importante.
Quer dizer, não só como informação, como estrutura.
EE era para nós 11, participação que interessava porque era o meio civil que estava se mobilizando, porque foi sozinho.
Você não ganha guerra nenhuma.
Pessoa 1
E foi assim que a fábrica Suíça de chocolates e a máquina de moer gente aqui no Brasil se encontraram.
O registro está na página 330 do volume 2 do relatório da comissão nacional da verdade abre aspas.
Ficou conhecido o banquete organizado pelo ministro Delfim Netto no clube São Paulo, antiga residência da senhora veridiana Prado, durante o qual cada banqueiro, como amadora, Aguiar, do Bradesco, ligação, Eduardo de Bueno Vidigal, do banco mercantil de São Paulo.
Entre outros, doou o montante de 110000 USD para reforçar o caixa da oban.
Também colaboraram multinacionais como a Nestlé, general Electric, Mercedes Benz, Siemens e light.
Fecha aspas.
Pessoa 4
Bom, esses e outros encontros foram negados por Delfim Netto em 2013, quando ele depôs na comissão da verdade de São Paulo.
Nessa ocasião, Delfim ainda jurou que não sabia que a oban era um aparato de tortura.
Pessoa 1
Mais de 60 anos depois do golpe, empresas e empresários ainda mantêm essa história em arquivos muito bem fechados, a Nestlé entre elas.
Pessoa 4
Foi para tentar abrir essa caixa preta que a gente foi atrás da Gabriela Lima, a pesquisadora da universidade de Lausanne, na Suíça, que você já conheceu no primeiro episódio.
Pessoa 1
Só que ela deu com a cara na porta.
Oswaldo Ballarin: Conexões Suíças e o Regime Militar
A Nestlé, ela me recusou o acesso 3 vezes aos arquivos da Nestlé.
Na verdade, quando eu estava escrevendo, foi no momento do COVID as primeiras negações deles.
O pretexto era pandemia, não estava fechado o arquivo, então ninguém vai poder vim aí depois de 6 meses, depois que abriu tudo, então assim eu relancei, tipo, pronto, agora está tudo aberto.
E aí vamos marcar uma visita.
Nada, nada, nada, nada.
Pessoa 1
Bom, transparência nunca foi exatamente o forte da gigante de alimentos ultraprocessados.
Pessoa 4
Nessa tentativa de abrir a caixa preta da Nestlé, uma voz chamou nossa atenção.
Pessoa 1
Esse é o Oswaldo ballarin, presidente da Nestlé Brasil, numa audiência pública que aconteceu em 1978 no Senado dos Estados Unidos.
Pessoa 2
E quem está?
Pessoa 4
Interrogando, ele é o senador Edward Kennedy.
Pessoa 2
Você acha que o seu produto deve ser usado em áreas onde há analfabetismo?
Um analfabetismo generalizado.
O quê?
Onde há analfabetismo?
Pessoa 3
Bom é que as pessoas não sabem ler.
Pessoa 2
Mas isso é muito difícil de controlar, senador, porque você vai a uma região e nem todos são analfabetos.
Alguns são.
Como você pode controlar que o produto vá para uns e não para outros?
Pessoa 3
Bom, pelo que eu entendi, o que o senhor disse é que.
Pessoa 4
Água.
Pessoa 3
Não.
Pessoa 2
Potável não deve ser usada, sim.
Pessoa 1
Yes, o Senado dos Estados Unidos investigava a responsabilidade da indústria alimentícia pelos altos índices de mortalidade infantil, justamente pelo uso do leite em pó.
Pessoa 2
Minha pergunta final é, o que você faz ou qual você acha que é a responsabilidade corporativa para descobrir a extensão do uso do seu produto nessa?
Pessoa 3
Circunstâncias nos países em desenvolvimento, você acha que tem alguma responsabilidade?
Não podemos assumir essa responsabilidade.
É.
Vocês não podem assumir essa responsabilidade, não.
Pessoa 1
Não.
Pessoa 4
A investigação abriu caminho para o código Internacional de comercialização de substitutos do leite materno, que proibiu a publicidade de produtos para substituir a amamentação.
Mas voltemos ao representante da Nestlé, Oswaldo ballarin.
Pessoa 1
Enquanto o senador pressionava o executivo da Nestlé nos Estados Unidos, aqui no Brasil Oswaldo ballarin dava aulas na faculdade de medicina para então estudante Marina rea, o ballarin, deu aula na minha faculdade.
Pessoa 5
Sobre fórmulas infantis.
Convidado pela USP.
Pessoa 1
Ele não era médico.
Pessoa 5
Não, ele era um cara que financiava reuniões, né?
De, de.
Pessoa 4
E aí, em?
Pessoa 5
Troca, convidava ele para vir lá lançar os novos produtos, novas fórmulas que vamos lançar.
Aí aparecia ele lá.
Terrível.
Pessoa 4
Bom, Marina rea se formou e, a despeito do lobby, virou referência na luta pelo direito à amamentação, jabalarin, além das entre aspas, aulas para estudantes de medicina.
Também participava de convescotes com os ditadores que buscavam apoio financeiro para repressão.
Uma reportagem de 2013 dos jornalistas José casado e Chico Otávio conta das homenagens organizadas por militares e empresários para celebrar a parceria na oban.
Pessoa 2
O Globo 10/03/2013, em São Paulo.
Generais e empresários esmeravam se na lapidação de seu relacionamento, com reuniões e solenidades cada vez mais frequentes, na terça-feira 9/12/1970, por exemplo, o chefe do estado maior do segundo exército, general Ernani airosa, abriu o quartel para homenagear alguns dos seus mais destacados colaboradores.
Pessoa 1
General airosa, o general que comandava OQG do exército que ficava 4 minutos da sede da oban.
E aí, na lista dos tais colaboradores convidados para a homenagem, lá está Oswaldo bailarim, da Nestlé.
De novo a Gabriela.
Pessoa 5
Bailarim, ele fez tipo de tudo.
Pessoa 4
Bailarim era mesmo famoso pela facilidade de trânsito nas altas esferas do governo brasileiro.
E isso fez dele um tipo de embaixador de empresas suíças no Brasil.
Pessoa 5
Depois de 40 anos de carreira, né?
O Nestlé, ele vai ocupar a presidência da Brown bovering, que é IEBBAO acrônimo da Brown boas indústrias elétricas, Brown bovering, que é a filial do Brasil e nesse mesmo ano ele vai entrar no conselho de administração das indústrias eternite.
Pessoa 2
Existe um mundo de alegrias numa casa com telhas eternite.
Pessoa 5
Que é dos a indústria dos Cimentos suíço, que também.
É uma das maiores que está ali implementada no Brasil.
Ele também é representante da Omega e da tisu, que são 2 marcas de relógio no Brasil.
Pessoa 3
Isso.
Pessoa 5
Em 77, ele pega a direção da sondu, que é a farmacêutica, né sondoses?
Vocês conhecem de certeza?
Pessoa 2
Cipalena.
O super analgésico contra dor de cabeça.
Pessoa 1
Ainda entram na lista das empresas que contaram com os serviços de Oswaldo ballarin a alemã Volkswagen e o banco francês e brasileiro associété, the banco suis Sharp, alcatex cofap, construtora beter e o consórcio Itaipu eletromecânico.
O cien guarda essa sigla, por favor.
Pessoa 5
Ele é brasileiro, na verdade, ele era chave entre o mundo político e o mundo empresarial.
Pessoa 4
E é pegando carona nesse currículo de peso que a gente sai da Nestlé e segue os passos de bailarim, começando pela ABBO.
Pessoa 5
Acrômio das indústrias elétricas, Brown boverik.
Pessoa 4
AZ Braun boveri o boveri, como é conhecido aqui no Brasil, mas AZ chegou bem depois, lá nos anos 60 era só Braun boveri mesmo.
Itaipu: Construção, Custos e Dívida Externa
Bom.
Se a Nestlé não precisava ser apresentada, a gente tem certeza que a cebra, o bover é exatamente o oposto a menos que você trabalhe no setor de energia.
No site, ela se apresenta assim, líder global em tecnologias de eletrificação e automação.
Pessoa 4
Aqui no Brasil, a multinacional conta com 2 fábricas, uma em Contagem, em Minas Gerais, e a outra em Sorocaba, no interior de São Paulo.
A Eliane foi até lá, mas nem os vizinhos souberam dizer.
O que era essa tal de brahm boveri.
Ou para o boveri que?
Pessoa 1
Eu estou procurando uma informação se você não ficar ABBAB.
Pessoa 5
B.
Pessoa 1
Mas fica aqui em Sorocaba.
Pessoa 5
Você já ouviu?
Pessoa 4
Alguma empresa chamada ABB por aqui?
Pessoa 5
ABB.
Pessoa 1
Uma empresa que chama ABBA?
Pessoa 4
B.
Pessoa 1
B.
Pessoa 5
Você conhece a bebê?
É, Ah, isso mesmo.
Quando a gente é quando a gente.
Pessoa 3
Passa.
Pessoa 5
A bebê, isso é uma.
Pessoa 3
Fábrica.
Pessoa 1
Uma fábrica de quê?
Pessoa 3
É uma fábrica.
Pessoa 2
Não sei o que que é realmente.
Pessoa 1
Uma fábrica com 125000 m², que produz desde geradores de alta tensão até tomadas e interruptores Caseiros.
Aqui no Brasil, a Brown boveri forneceu equipamentos para a construção do bondinho do Pão de Açúcar.
Pessoa 4
Para criar o sistema de ondas curtas da rádio nacional hoje EBC, empresa Brasil de comunicação, que fez inclusive esse podcast.
Pessoa 1
Para centrais elétricas de Furnas e para os transmissores de Belo Monte.
Pessoa 4
Fechou contrato com a vale para ajudar a colocar em operação a maior mina de minério de ferro do Brasil, encanando os Carajás, no Pará.
Pessoa 1
E, em 2023, assinou um acordo com o governo do Ceará para desenvolver um hub de produção de hidrogênio verde.
Pessoa 2
No canteiro de obras em Foz do Iguaçu, reúnem se toda a diretoria e o conselho administrativo da empresa.
Encarregada da construção da maior hidrelétrica do mundo.
Pessoa 4
Mas a gente vai focar na Brown boveri na época em que ela fez parte do consórcio que forneceu equipamentos para Itaipu, o tal cien consórcio Itaipu eletromecânico.
Pessoa 2
A fim de aprovarem a formação de consórcios fornecedores de equipamentos.
Pessoa 1
Só pra gente ficar na mesma página antes da gente falar dos contratos da Brown boveri com Itaipu?
Vamos lembrar um pouco da história da maior obra de engenharia da ditadura militar.
Pessoa 4
A ideia de construir uma hidrelétrica aproveitando a energia das Sete Quedas, o complexo de cachoeiras, no Rio Paraná, vinha dos anos 1950.
Pelos primeiros estudos, a usina ficaria inteirinha no território nacional.
Só que aí rolou uma treta bem forte com o Paraguai.
Como o Rio Paraná está na divisa dos 2 países, o nosso vizinho alegou que a hidrelétrica traria grandes prejuízos para ele.
Pessoa 1
Foi no governo de João Goulart que Brasil e Paraguai entraram em acordo e decidiram construir uma usina binacional, só que 2 meses depois do consenso.
Veio o golpe, Goulart saiu de cena e entraram os militares.
E agora eu vou dar um Salto.
Resumindo a história toda, ir lá para 73, quando, enfim, foi assinado o tratado para a construção de Itaipu.
Pessoa 2
Em ambiente solene e histórico, é assinado o tratado de mútua cooperação, o contrato de financiamento da obra da Itaipu binacional, no valor de 2 bilhões de dólares.
É também assinado 70% do numerário necessário à construção.
É concedido pela Eletrobras A Entidade binacional.
Pessoa 4
Do lado de cá, o ditador que assinou o documento foi o general Ernesto Geisel.
Do lado de lá, o general stroessner.
Agora, só falta mais um detalhe pra gente fechar esse parêntese histórico.
Pessoa 2
O contrato de financiamento da obra da Itaipu binacional, no valor de 2 bilhões de dólares.
Pessoa 1
2 bilhões de dólares, mas esse foi o custo anunciado.
Em 1991, o relatório anual da empresa registrava um valor 12 vezes maior.
Estamos falando de quase 25 bilhões de dólares.
Oficialmente, a explicação para um orçamento mais de 1000% maior foram mudanças no projeto, tipo o aumento no número de turbinas.
E o pagamento de juros?
Pessoa 3
Isso é uma das grandes polêmicas da obra, né?
11 extrapolação tão significativa assim do orçamento original.
Pessoa 4
Pedro Campos é professor de história da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro e investigou as grandes obras da ditadura militar.
Pessoa 3
O que a gente verifica é isso.
Oo orçamento cresce de maneira bastante absurda.
Documento oficial divulgado pela empresa de Itaipu, ou eles vão alegar custos financeiros e, de fato, nessa época existe uma extrapolação dos juros gasto custos.
Seja muito elevado agora para multiplicar por 10 o orçamento original.
Realmente é algo a ser devidamente investigado, apurado, com mais detalhamento.
Pessoa 1
Se o Paraguai era peixe pequeno perto do Brasil, o sistema financeiro Internacional foi o tubarão.
Foi preciso pegar muito dinheiro emprestado e mais da metade dos custos de construção, coisa de 14 bilhões de dólares, foram só para pagar juros, taxas e multas bancárias.
Pessoa 4
Em 1974, o jornal do Brasil entrevistou banqueiros de vários países.
A reportagem ajuda a entender a euforia do capital estrangeiro com o Brasil.
Um dos entrevistados era o representante da união de bancos suíços, Norbert Muller.
Ouve só um trechinho da análise dele.
Pessoa 2
Jornal do Brasil, 6/01/1974.
Para o Brasil, existirão sempre as melhores condições, porque constitui uma das únicas alternativas mundiais para aplicação de capitais, tanto na forma de empréstimo como da de investimento.
Pessoa 1
Muito mais empréstimos que investimentos.
De cada 4 USD que entravam no Brasil, 3 eram empréstimos.
O Brasil virou um parque de diversões do sistema financeiro e Itaipu era a joia da coroa.
Pessoa 2
Jornal do Brasil 27/02/1978 Itaipu contrata 8 bilhões e 600000000 de cruzeiros em financiamentos para continuar suas obras.
Pessoa 4
Além dos juros, outro jeito do dinheiro voltar para o país que emprestou a grana eram os contratos com as empresas de lá.
Escuta essa notícia.
Pessoa 2
Diário da manhã, 20/06/1980.
O general José Costa Cavalcante, diretor geral da Itaipu binacional, acompanhado de diretores, seguirá hoje para a Suíça, onde assinará 3 contratos de financiamento e empréstimos para a central hidrelétrica de Itaipu.
Pessoa 1
Só nessa viagem o Brasil pegou coisa de 260000000 de dólares.
No total, 58000000 obrigatoriamente deveriam ser usados para.
Pessoa 2
Fornecimento de uma subestação destinada a elevar a tensão de energia produzida pelas 18 unidades geradoras de Itaipu da empresa fornecedora Brau boveri.
Pessoa 4
Entre 1979 e 82, os empréstimos para a construção de Itaipu alcançaram 450000000 de francos suíços.
O dinheiro saía dos bancos estrangeiros, passeava pelo Brasil e voltava turbinado, para onde saiu em forma de lucro com a venda de equipamentos e serviços ou de juros.
Pessoa 1
O Brasil ficava com contrato amarrado com a empresa Suíça, em compensação, a empresa prometia nacionalizar a produção.
Então, algumas turbinas e geradores foram mesmo fabricados no Brasil.
Pessoa 2
Grandes aparelhos, né?
Que o tamanho de uma casa assim é.
Eu sou José Pedro da Silva, né?
De origem metalúrgica aposentado hoje, né?
Pessoa 4
Zé Pedro, hoje com 84 anos, IA completar 30 quando começou a trabalhar na fábrica da brahbover, em Osasco, cidade da região metropolitana de São Paulo.
Pessoa 2
O gerador de energia, né?
Os transformadores mais.
Para fabricá, Los é a técnica, é você, é toda aquela clássica fora, né?
Onde tem a parte elétrica, mas dentro vai uma repartição de centenas de pequenas chapas de aço ali dentro e essas chapinha que vai ali dentro e de aço eles buscava lá fora, na Europa, e era muito cara e.
Então, a lei, segundo o pessoal, os economistas, o pessoal que falava para gente, sabe porque que eles buscam lá fora?
Porque é uma maneira de mandar recursos daqui para lá.
E já estavam fabricando essas chapinhas aqui no Brasil, esse essas chapas, mas não comprava aqui, comprava lá de fora.
Entendeu que IA nesse transformador todo de de Itaipu e tudo, né?
Pessoa 1
Pegou mesmo aquilo que parecia ser produzido no Brasil tinha DNA europeu.
Pessoa 4
Essa engrenagem toda de pegar dinheiro emprestado para pagar quem está emprestando não foi exceção dos contratos de Itaipu, nem da Suíça e nem da brahboveri.
De novo, o Pedro não metalúrgico, o professor mesmo.
Pessoa 3
Geralmente esses grupos financeiros estão colados com essas empresas.
Na Europa é muito comum e era muito comum isso.
A gente empresta esse dinheiro, desde que parte dele seja para aquisição de equipamentos da empresa Suíça, tal.
Pessoa 1
Se essa mecânica toda te fez lembrar o vilão do filme, o agente secreto, aquele empresário sudestino com assento no conselho da Eletrobras e que não media esforços para minar as pesquisas do departamento de engenharia elétrica da univil?
Universidade Federal de Pernambuco.
Desculpem porque vocês têm esse sotaque.
Pessoa 2
Diferente é um jeito de fazer as coisas de outra maneira.
Pessoa 4
Sua lembrança não é por acaso, claro.
Para quem assistiu, desculpem o spoiler, não resistimos.
Pessoa 1
E é isso.
Além de frear o desenvolvimento tecnológico e a indústria nacional, o legado dessa política generalizada dos militares de se atolar em empréstimo para vitaminar o orçamento foi uma dívida externa gigantesca.
Em 1984, o Brasil já não tinha mais crédito na praça e mal pagava os juros dessa conta.
Em 1987, o primeiro presidente civil, José Sarney, pediu moratória.
Caiu na inadimplência.
Em bom português, deu calote.
Itaipu: Corrupção, Propinas e Arquivos Negados
Agora que a gente já falou dos empréstimos, vamos para outro terreno para tentar entender os mais de 1000% de superfaturamento de Itaipu agora.
Um terreno bem mais pantanoso.
Pessoa 2
Jornal do Brasil 6/05/1978 o ministro XIGAQ uec.
Pessoa 1
Das Minas e energia.
Pessoa 2
Recusou se a explicar os motivos da sua decisão de dar prioridade à instalação das linhas de Itaipu em corrente contínua.
A decisão provocou a necessidade de acelerar as negociações para importação dos equipamentos, o que dá a Furnas menos tempo para discutir preços.
Já os fornecedores a cea, bralboveri, GE e Siemens serão beneficiados.
Pessoa 4
Vai anotando, ministro desdenhando de prestação de contas, negociações aceleradas, fornecedores beneficiados.
Pouco mais de 1 mês depois, outra notinha no jornal anunciava o resultado da maior licitação do setor elétrico do mundo.
Pessoa 2
Jornal do Brasil 21/06/1978 a maior concorrência mundial no setor hidrelétrico, para a fabricação dos 18 turbos geradores de Itaipu, no valor de 707000000 de dólares, foi integralmente ganha pelo consórcio cien.
Pessoa 1
Bardella Brown, boveri Siemens, Alstom, um consórcio de empresas europeias, o cien.
Se essa sequência se viu para colocar umas pulgas atrás da orelha, escuta agora o trechinho dessa reportagem da revista time dos Estados Unidos e que foi publicada aqui no Brasil pelo jornal estado de São Paulo.
Pessoa 2
Estado de São Paulo, 17/03/1981.
Várias das maiores companhias europeias gastaram mais de 140000000 de dólares em presentes e gorjetas para ganhar uma fatia na construção da represa de Itaipu.
Pessoa 3
Houve uma grande disputa Internacional e essas disputas geram realmente muitos, muitos ataques, muitos, enfim, uma série de conflitos, uma série de elementos ali que estão dentro do campo da concorrência.
E o que acontece é isso a GE, né?
A empresa norte Americana de general electro, Ela Foi preterida e ela fez acusações ali diversas, né?
A Siemens, que acabou pilotando o consórcio, né, responsável, ela teria isso, pago propina e outra, né?
Existe também uma ligação de que existiam acertos ainda da obra da usina nuclear de Angra dos Reis, na qual a Siemens também era a principal fornecedora do reator e.
De todos os equipamentos elétricos da termonuclear, né?
A gente não tem como comprovar, mas são indícios muito significativos.
Pessoa 4
Além de professor, Pedro Campos também é um dos pesquisadores do projeto pioneiro, coordenado pelo caaf, o centro de antropologia forense da Universidade Federal de São Paulo, a unifesp, que investigou as ligações entre 12 grandes empresas e a ditadura militar.
E que a gente ainda vai falar muito nessa temporada.
Ele faz parte do grupo que ficou responsável por investigar Itaipu.
Pessoa 3
Inclusive a GE alega isso, que ela tinha 1° de nacionalização mais elevado que acima, que era uma diretriz do governo selecionar a que tivesse no grau de nacionalização maior e um custo menor, um valor menor.
E ela acabou mesmo assim sendo preferido, né?
Pessoa 1
Suspeitas de propinas, licitações fraudadas, contratos superfaturados, mas presta atenção, suspeitas.
Pessoa 3
As grandes obras da ditadura.
As denúncias apontam que elas tinham, corriqueiramente, o pagamento de propina no seu arranjo financeiro.
Acho que essa frase dá pra dizer.
Pessoa 4
Em Itaipu, as denúncias nunca foram esclarecidas.
Pessoa 3
A gente achou vários sentimentos no arquivo nacional, na imprensa, porém tentamos acessar o centro de documentação de Itaipu.
Tentamos diversas formas e não conseguimos.
Eles impediram que a gente tivesse acesso ao arquivo.
A gente, por exemplo, queria saber sobre os acidentes de trabalho, a gente queria saber sobre os dados contábeis.
E aí é, enfim, infelizmente a empresa não abriu arquivo pra equipe de pesquisa poder fazer a sua investigação.
Pessoa 1
Qual a justificativa?
Pessoa 3
Não houve uma justificativa formal e simplesmente foram, digamos assim, atrasando.
Fiz seguintes pedidos, eu fazia pedido.
A gente vai analisar o pedido e aí eles retardavam eles, né?
Foram meio que tivemos.
Pessoa 1
Uma caixa preta?
E Lygia Jobim tenta abrir, desde 1979, a documentação que ele tinha sobre Itaipu.
Era uma coisa que ele ele guardava as as 7 chaves, tá?
Pessoa 4
Lygia Jobim é jornalista, advogada e filha de José Jobim, diplomata do Itamaraty assassinado no Rio de Janeiro em 1979.
Pessoa 1
E ele ficava furioso comigo e com meu irmão.
Quando algum amigo nosso queria usar o telefone e nós dizíamos, a é ali.
O ali era o escritório dele, aonde ele guardava a documentação de Itaipu.
E nós não íamos juntos, né?
Ele ficava furioso.
Ele disse, eu já disse 1000 vezes que ninguém pode entrar no escritório se vocês não estiverem, porque a documentação de Itaipu está guardada aí.
Mas meu pai, fulano não tem nada a ver com esse assunto.
Não pode entrar ninguém desacompanhado.
Jobim trabalhou por anos na embaixada brasileira no Paraguai.
Conhecia de perto o projeto de Itaipu.
Mas, na cerimônia de Posse do último ditador militar, João Batista Figueiredo, deixou escapar que tinha um dossiê com denúncias de corrupção em Itaipu.
Uma semana depois, foi sequestrado, torturado e morto.
E o dossiê?
Que ele guardava 7 chaves, desapareceu.
Pessoa 4
Lígia não sabe dizer quem, mas não tem dúvidas que a casa da mãe foi invadida.
Pessoa 1
Tinha gente que nós não sabíamos se era do SNI ou se não era do SNI que frequentava a casa, né?
Eu Acredito que uma dessas pessoas tenha feito isso, mas eu não.
Não posso te dizer.
Eu acho que foi fulano, acho que foi beltrano, não sei.
Realmente não sei te dizer, não sei indicar ninguém, um embaixador assassinado depois de ter sido torturado e uma caixa preta que segue lacrada.
Pessoa 4
Mas se no Brasil Itaipu ainda é um mistério, na Suíça algumas caixas começam a ser abertas.
Pessoa 5
Eu usei 22 caixas que eu encontrei No No arquivo federal, porque o governo estava sabendo dessa coisa toda aí desde o começo, o governo suíço.
Onde tinha 11 troca de documentação entre a empresa e o governo suíço.
De como a gente vai tirar a gente desse, dessa confusão aí que estava com o processo, né?
Porque eles foram processados?
Abraham bovere.
Pessoa 1
Ao revirar os arquivos suíços, Gabriela encontrou muita informação da atuação da Abraham bovere em Itaipu.
Pessoa 5
Eu fui no arquivo da Abraham bovere aqui na Suíça também, então eu peguei as caixas sobre as filiais do Brasil.
E eu encontrei 2 caixas que eram explicitamente sobre esse caso, então tinha toda a estratégia de elaboração da defesa deles.
Pessoa 4
O caso em questão era uma denúncia empresarial.
Gabriela encontrou os documentos que mostravam a estratégia de defesa da Brown boveri contra a denúncia feita pelo empresário do setor elétrico curt Mill, brasileiro de origem alemã.
Na denúncia, ele acusava as multinacionais de montarem um cartel que canibalizou as empresas brasileiras.
Pessoa 1
Kurt Mirror denunciou o cartel das multinacionais no CAD, o conselho de defesa econômica, mas a Brown bover foi inocentada por falta de provas.
Isso depois de atrasos na perícia, relatórios com erros, o afastamento de um perito e a denúncia de suborno por outro.
Só que os arquivos da multinacional Suíça não falavam só de crimes financeiros.
Pessoa 5
No começo, um processo.
Sobre dumping, e que terminou sendo envolvendo a questão da espionagem e da corrupção e do financiamento da ditadura, porque quando eles começaram AA investigar as atividades da Brown mover e aí saiu, saiu todo os cadáveres do armário assim.
De uma vez?
Pessoa 3
Lausanne, Lausanne, 20/11/1979 ao conselho federal suíço, em anexo apresentamos um dossiê com 16 documentos que demonstram que setores da empresa Brown boveri no Brasil utilizam comprovadamente os serviços de organizações de tortura disfarçadas.
Pelos documentos incriminatórios, o senhor pode constatar que o presidente da Brown bovere Brasil admitiu, perante um tribunal de cartel brasileiro, que sua empresa apoia uma companhia financeira que mantém esquadrões da morte.
Pessoa 1
E.
Pessoa 3
Especialistas em tortura?
Pessoa 2
Especialista no final do cieto.
Pessoa 5
E eles tinham uma porcentagem das encomendas que eles tinham que pagar para o cartel ali dentro para financiar a.
A luta contra a oposição.
E foi daí que surgiu a questão da repressão e do financiamento da tortura, porque aí foi quando o processo abriu, eles viram dentro da das atividades do cartel que existia esse.
Eles chamavam fundo de luta contra a oposição.
E aí foi que surgiu a questão da das cias, né?
Brown Boveri, CIASC e o Financiamento da Repressão
Um fundo de luta contra a oposição?
E uma empresa, a cia, com a mesma sigla do serviço de inteligência dos Estados Unidos.
Pessoa 5
Eles contrataram uma pessoa que se chamava Robert placing, que trabalhava para eles e que era proprietário de uma sociedade que chamava CIASC.
Ias, né?
E consultores é consultores industriais associados.
Eles se apresentavam como um gabinete de relações públicas, uma empresa fictiva, no caso, onde a.
As empresas suíças dava o dinheiro para eles para financiar as operações do doe code e em troca disso eles é tinham informações sobre os trabalhadores.
Pessoa 1
Robert Lens plassin um expoente da Extrema direita, que coletava dinheiro de empresários para financiar o aparato repressivo que operava na clandestinidade.
As denúncias de curth Mirror viraram o livro a ditadura dos cartéis.
Pessoa 4
Nele, o empresário conta que foi pressionado a participar da vaquinha do terror.
Como se recusou e ainda expôs a chantagem, Mirror passou a ser ameaçado, teve o apartamento invadido, documentos extraviados, passaporte roubado em plena viagem à Alemanha e a vida monitorada.
E quem aparece entre os autores das ameaças?
Pessoa 2
Jornal movimento, 17/04/1978.
Quando a ditadura dos cartéis já se encontrava no prelo, em junho de 1976, a primeira pressão veio por intermédio exatamente de Robert placin.
Na época, Mirror havia pedido à editora civilização brasileira que tirasse alguns capítulos separadamente, e foi exatamente com estes capítulos avulsos assinalados que placin sugeriu a Mirror.
A modificação do livro Mirror não concordou.
Diante da resistência do industrial, Robert placin passou a ameaças, dizendo que coisas desagradáveis poderiam acontecer, como a explosão de bombas no seu apartamento ou no seu escritório.
Acrescentou ele que as companhias multinacionais já estavam acostumadas com estes métodos e que não teriam escrúpulos para agir com violência.
Pessoa 1
Mirror também foi denunciado ao superior tribunal militar por violação da lei de segurança nacional.
O ministro da justiça da época, Armando Falcão, determinou a apreensão do livro e o denunciou à justiça.
Pessoa 4
As relações entre as multinacionais suíças, especialmente a Brown boveri e a agência de relações públicas de Roberto placin, foram denunciadas por Jean ziggler, ex presidente do comitê consultivo do conselho de direitos humanos da ONU.
Na época das denúncias, Hitler ocupava uma vaga no conselho nacional suíço, algo como nossa Câmara dos deputados.
Pessoa 3
Questão ordinária Genebra, 19/09/1979.
A empresa também financiou a compra de sofisticados equipamentos de tortura nos Estados Unidos.
Essa empresa financiou notadamente a operação Bandeirantes, que conta com dezenas de especialistas em tortura.
Osvaldo ballarin, executivo da Nestlé e atual presidente da Brown boveri, em São Paulo, admitiu ter transferido regularmente e substancialmente fundos da empresa entre 1963 e 1978 para a empresa consultores industriais associados.
Osvaldo balarim.
Ao boveri são, portanto, culpados de cumplicidade em homicídio premeditado.
Pessoa 4
Robert Lens classin aparece como uma das 377 pessoas responsáveis por torturas e assassinatos no relatório final da comissão nacional da verdade.
Classen integrou o doi codi do Rio de Janeiro, onde era conhecido como Samuca.
Em outro aparelho de tortura, o Dops, ele se apresentava como Robert placin mesmo, ou melhor, doutor Robert placin.
Pessoa 5
Então, abrabouver o que ela fazia, ela pagava esse cara, quer dizer, essa empresa para financiar essas operações e em troca, eles fichavam todos os trabalhadores da empresa para saber quem era sindicalista, quem era afiliado a partidos de esquerda ou que tinha a sensibilidade de esquerda.
Quem que era?
Tipo um elemento perturbador dentro da empresa.
Pessoa 1
Elemento perturbador como o Zé Pedro, o metalúrgico do abramboveri, ex dirigente sindical e um dos líderes da greve de 1978.
Pessoa 2
Aí, no dia 21 de junho, esse grupo nosso parou a brambovele.
Pessoa 4
78 foi o ano marcado pelo nascimento de um novo sindicalismo no Brasil.
E as greves começavam a pipocar nas fábricas do ABC Paulista.
Pessoa 2
Zerou 3000 trabalhador.
Zerou assim, até que chega o momento com 5 dias de greve.
Alcançou se um montante de mais de 80% nas nossas reivindicações.
Pessoa 1
Essa foi a última greve de Zé Pedro na fábrica, depois, ele foi demitido e preso, justamente quando os trabalhadores organizavam uma nova paralisação contra a represália.
Pessoa 2
Nessa hora?
Veio 11 rádio patrulha da polícia militar e assim que me viram lá, o cara chegou e perguntou meu nome, né, o cabo, né?
Eu falei, sou José Pedro, sim, aí o teu senhor está preso.
Aí chegando lá fui conversar com com o coronel Salgado, cara muito falante, prosiante e tal, e falou assim, eh, Zé Pedro, você está famoso aqui, você está criando um pavoroço aqui na cidade e na região.
Por isso, nós mandamos buscar você aqui, eu recebi ordem para pegar você lá.
Pessoa 4
Quando Zé Pedro foi preso, a ditadura já tinha perdido o apoio, a inflação crescia, a carestia aumentava, a dívida externa já estava nas alturas e torturas e assassinatos já tinham queimado o filme do regime no exterior.
Pessoa 2
Então, a ditadura?
Já estava escapando pelos ombros dos dedos que ele não conseguia mais segurar.
Só na porrada, né?
Se fosse em outros tempos, eu não estaria aqui falando mais com você.
Pessoa 1
Osvaldo ballarin morreu em 1999, mas a gente encontrou uma carta enviada por ele ao jornal francês le Monde promatic em resposta às denúncias.
Nessa carta, ballarin diz que.
Pessoa 3
Nossas relações com a cia sempre se mantiveram dentro dos limites estritos e adequados, habituais em uma agência de publicidade ou de relações públicas, não tendo sido solicitada nenhuma tarefa além do que se espera de especialistas desse tipo.
Nem eu nem a Brown boveri tivemos a menor interferência em outras atividades dos gerentes ou colaboradores da cia.
Pessoa 2
Constituem, portanto, verdadeiras calúnias as insinuações sobre uma ação política direta ou indireta da minha parte ou da Brown, boveri por intermédio.
Pessoa 3
Da cia a.
Pessoa 4
Atual direção da Itaipu nos mandou uma nota lembrando que, como a construção da usina coincide com o período de repressão, Ela Foi marcada por esse momento histórico.
Pessoa 2
A execução do projeto teve início em 1975, em um contexto marcado pela ditadura militar brasileira.
Quando práticas autoritárias resultaram na sonegação de informações e em violações à dignidade humana e aos direitos fundamentais.
Pessoa 1
Itaipu listou as ações que mantém hoje para defender os direitos humanos.
Pessoa 2
Atualmente, a Itaipu desenvolve iniciativas voltadas à promoção dos direitos humanos, com foco na igualdade de gênero, no fortalecimento de capacidades locais e na inserção dessas perspectivas da educação, além de incentivar a participação de mulheres.
Em espaços de liderança e no desenvolvimento comunitário.
Pessoa 4
Nós pedimos acesso aos arquivos de Itaipu, mas para isso não houve resposta.
Pessoa 1
Nós entramos em contato com a Bibi, a Sea Brown moveri.
E perguntamos sobre O Mecanismo de internacionalização dos serviços, sobre as denúncias de corrupção, o financiamento da repressão, o monitoramento de funcionários e se a empresa reconhecia que lucrou com a ditadura.
Pessoa 4
Eles responderam com uma nota e a informação de que essa seria a única manifestação da ABB sobre o caso.
Pessoa 2
A política de direitos humanos da ABB formaliza o compromisso da empresa e descreve a abordagem da ABB.
Em relação à devida diligência em direitos humanos, esperamos que nossos fornecedores respeitem os mesmos princípios e padrões internacionais de direitos humanos.
ABB adota uma política de tolerância zero em relação a comportamentos antiéticos, incluindo qualquer forma de suborno ou corrupção.
Pessoa 1
A gente também procurou a Nestlé para saber se ela toparia falar sobre o apoio que deu à ditadura no Brasil.
A resposta também veio em forma de nota.
Pessoa 2
A Nestlé reconhece a importância de que esse período continue sendo debatido, dada a sua relevância e impacto na sociedade.
A empresa não compactua com práticas de repressão, discriminação ou violações de direitos humanos.
Pessoa 4
A gente também perguntou se passado todo esse tempo, já é possível ter acesso aos arquivos da empresa que podem ajudar a completar os pedaços que faltam desse capítulo da história brasileira.
Para esse pedido, não houve resposta.
Pessoa 1
Já sobre a estratégia que adotou para promover as fórmulas infantis no lugar do aleitamento materno, a Nestlé disse que?
Pessoa 2
Acredita firmemente que o aleitamento materno oferece o melhor começo de vida para os bebês e que foi a primeira empresa do mundo a reconhecer formalmente o código da OMS em sua política de marketing de fórmulas infantis.
Em 1982.
Pessoa 4
Sobre a composição do mucilon que é vendido nos dias de hoje no Brasil, a empresa disse.
Pessoa 2
Os níveis de açúcares adicionados estão bem abaixo dos limites estabelecidos pelo córdex alimentarius e em total conformidade com as regulamentações locais, como as definidas pela Anvisa no Brasil.
Pessoa 1
Todas as notas na íntegra estão no nosso site rádio agência nacional.ebc.com.br.
Pessoa 4
Bom, quanto a Itaipu, Gabriela calcula que, de tudo o que o Brasil pegou emprestado no banco nacional da Suíça para construir a usina, 1/3 seguiu para pagar os contratos da Abraham booveri.
Mas esse não é nem de longe, o custo mais alto dessa história.
Pessoa 1
Para construir o reservatório de 1350 km² de Itaipu, foi preciso alargar uma área 3 vezes maior que a da Bahia de Guanabara.
Só do lado brasileiro, umas 40000 pessoas foram deslocadas.
Quem dá a pista do tamanho das violações é o professor Pedro Campos.
Pessoa 3
Nacional admite a morte de 106 trabalhadores durante a obra, né?
Na qual foram empregados mais de 40000 pessoas, né?
Então é uma obra realmente assim.
Uns números muito, digamos, grandiloquentes maior que qualquer outra feita durante a ditadura, né?
Mas com características semelhantes às outras, né?
Assim como em Angra, assim como na ponte Niterói, assim como na França amazônica.
Assim como muito incluir Balbina pela em Brasília, em outros grandes projetos do regime, além de uma super exploração da força de trabalho ali também da forma opaca como as contas da obra e da usina, como elas foram transmitidas, divulgadas e tudo mais.
A gente também tem 11, impacto muito grande.
Então a gente tem o zavá guaranis, que é um pouco diz, né, que foi removido da região que foi alugada pelo pelo reservatório da usina.
A gente tem porceiros, tem camponeses, tem pequenos proprietários tanto no Brasil quanto no Paraguai.
Então a gente tem, digamos assim, uma obra que a gente chama que é 11 espécie de mosaico de violações.
Pessoa 4
Um mosaico de violações, mas com os responsáveis ainda protegidos por segredos guardados.
Violações, Impunidade e o Legado das Caixas Pretas
Em caixas pretas que viabilizaram grandes negócios, muito lucro para alguns, denúncias de corrupção empurradas para debaixo do tapete e crimes contra a vida nunca investigados.
Pessoa 1
No próximo episódio, as empresas nacionais entram em cena ou continuam no foco, já que a Itaipu fez as honras por aqui?
Pessoa 5
Toda essa, esse financiamento, essa estrutura que.
Pessoa 4
Faltava absolutamente nada.
Pessoa 2
E a inadimplência?
Não existia nenhuma pista de algum tipo de licitação, então realmente foi uma escolha.
É política?
Por isso tudo a gente consegue entender como realmente foi. 11 galinha dos ovos de ouro, né?
Pessoa 4
Vamos continuar nossa jornada ainda ligada a Itaipu e descobrir como o mercado se abriu para grandes oportunidades em uma área que é determinante para qualquer projeto de país, a educação.
É hora de saber como o ouro da casa financiou e se beneficiou da ditadura.
Pessoa 1
Essa é a segunda temporada do podcast perdas e danos, uma produção original da rádio agência nacional, veículo da empresa Brasil de comunicação AEBC.
Pessoa 4
Os episódios são liberados todas as quartas-feiras no site da rádio agência nacional e no seu tocador de podcast, de preferência a.
E em libras no YouTube.
Pessoa 1
Então, já salva nosso perfil e não esquece de usar a ferramenta de avaliação da plataforma.
Se você gostou do que ouviu até aqui, isso nos ajuda a chegar em mais gente.
Pessoa 4
Esse podcast é idealizado e narrado por Eliane Gonçalves e por mim, sumaya Villela.
A conceção de pauta dessa segunda temporada é minha.
A Eliane desenhou a primeira temporada.
Pessoa 1
A nossa dobradinha segue em todas as etapas do projeto, né?
Sumaier pesquisa histórica, produção, entrevistas, roteiro, montagem e pós produção no geral.
Pessoa 4
Isso aí a edição e divulgação nas plataformas é da Beatriz Arcoverde.
Pessoa 1
A identidade sonora do podcast e a sonopastia do episódio foram feitas por Jailton Sodré a partir das composições gentilmente sucedidas pelo nosso colega o Nelson Lin, e a voz da vinheta do perdas e danos é da Marli arboleia.
Pessoa 4
Já a identidade visual e a arte são assinadas pela Caroline ramos.
Pessoa 1
Roberto Camargo fez as leituras dos jornais em português, Leonardo matumona, rafaelle giangrig e Felipe PIU leram os textos em francês e guerra dilger o texto em alemão.
Vítor Ribeiro fez a voz de Oswaldo ballarin e goodrian loyfer a voz de Edward Kennedy.
Daniel Ito leu as traduções dos documentos oficiais, Edilson Santa Fé, as respostas da Itaipu binacional, Brown boveri e Nestlé.
Pessoa 4
A versão do episódio em libras divulgada no YouTube é feita pela equipe da EBC.
Pessoa 1
Usamos material histórico do acervo da EBC, do arquivo nacional, do centro de pesquisa Dodge, o instituto da academia Suíça de Humanidades e ciências sociais e da ibefa, a rede Internacional em defesa do direito de amamentar.
Também usamos trechos dos documentários cidadão bowisen, de schahind thevisk, e ABC da greve, de Leon richtmann, do filme o agente secreto, de Kleber Mendonça Filho.
Da música guaray, pate, polio e brate, de Ênio moricone e de caixa preta do korumi, tudo com fins jornalísticos.
Pessoa 4
Agradecemos a Murilo leal Pereira neto, Renata Levi, Luiza monson, Sérgio ambrotti Bezerra, Nelson Lin e Ivan Seixas pela ajuda com contatos, informações e apoio em geral.
Pessoa 1
E principalmente, obrigada, você que nos ouviu até aqui.
Se puder tirar um tempinho para contar o que achou do podcast, putz, a gente agradece muito.
Pessoa 4
Por favor, deixe uma mensagem em
[email protected] ou no site ebc.com.br barra ouvidoria.
Também dá para fazer uma manifestação em libras pro número 6199 862 1971 até o próximo episódio.
Pessoa 2
Tchau.