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Paixão: cura ou doença?

65m 16s

Paixão: cura ou doença?

O episódio explora a natureza complexa e contraditória da paixão, posicionando-a como um estado tanto de cura quanto de doença, que envolve vulnerabilidade, fusão e um retorno à infância. A paixão é descrita como um brincar onipotente, onde o outro atua como espelho do eu, permitindo que o indivíduo se reconheça e se sinta vivo. A análise destaca que, na paixão madura, o indivíduo aceita a autonomia do outro, mantendo o medo da perda como elemento essencial para a manutenção do desejo. O texto debate a ideia de que a paixão, ao invés de ser uma busca por segurança, é um ato de liberdade e criatividade, ligado ao desejo de se perder, se surpreender e se reinventar. A paixão é apresentada como um espaço de resistência à rigidez da vida social, onde o amor não segue um cronograma linear, mas se expressa em momentos espontâneos e não definidos. A influência da psicologia de Freud e Winnicott é destacada, especialmente na ideia de ilusão de unipotência e no brincar como forma de existência. O episódio também reflete sobre a importância de se permitir a dor, a ausência e o medo, pois são esses elementos que alimentam a conexão. A paixão, por fim, é vista como uma forma de leveza, de vida, de movimento e de desobediência ao controle, sendo essencial para o crescimento e a autenticidade do ser humano.

Transcription

9495 Words, 51024 Characters

Portuguese
[Música] "Sau dasções pessoal, é com imenso prazer que iniciamos a quarta temporada do psicanálise de Botéco." Isso mesmo, a immersão psicanalítica continua e a democratização da psicanálise também. A cada temporada aprofundamos as nossas investigações sobre vários temas da cultura e da vida cotidiana. Abordando novas questões, com convidados surpreendentes e debates que prometem gerar resonâncias, esta temporada está restiada de conteúdos que certamente vão cutucar as nossas neuroses. "E não se esqueçam, estamos presentes também nas redes sociais, a roba Felipe PV e a roba Alexandre Patrício, onde compartilhamos mais coisas sobre psicanálise e aquilo que não é psicanálise, mas que parece psicanálise." Bom, os novos episódios saem todos os sábados. Então, ajuste seus fones de ouvido, encontre seu lugar mais confortável e se deixe de levar pelas vias labirintes que as do inconsciente. [Música] Fala, pessoal, tudo bem? Sejam bem-vindos a mais um episódio aqui do psicanálise de Botéco e atendendo aos pedidos que nós recebemos o nosso Instagram. Sim, tem dose do pra Culeana Ferraz. Pra quem não ouvi o episódio anterior, corra lá pra ouvir. Gente, desejo e casamento, incompatíveis, episódio babado, polêmico, verdadeiro, necessário. E deu o que falar. E deu o que falar. Mas nós vamos continuar, seria uma espécie de parte 2 desse episódio? Eu acho que sim, né, Fim. Cisa, number 2. Cisa, number 2, acho que sim, né? Eu acho que vai na parte 2 porque o assunto rende muito pano pra manga. E a gente vai falar hoje de paixão. A gente já tem um episódio sobre a paixão, com a participação da querida na sua. Mas hoje a gente vai falar de paixão no outro sentido. Paixão seria cura ou doença. Eita, que pergunta, hein? Ai, que pergunta, lei. Olha, eu acho que é um pouco doença até se tornar cura, né? Bom, paixão vem de patos. Patos significa doente. - Mas. - A doente ser os patos. Alô, cara! Gente, pra começar esse episódio, eu vou ler um poema do nosso querido Poemas de Amor no Divan. E eu acho que é um dos poemas mais lindos. Quando a minha paciente acessilha pra quem não conhece, a gente falou um pouquinho dela também no episódio anterior, né? Desedia casamento, corram lá pra ouvir. Quando acessilha, ela tá saindo da relação, terminou casamento e ela se apaixou na chuto balde e fala, "Analista, meu querido, eu vou bancar isso." Então, assim, segura onde aquilo. "Lai vem, como desmiatia. Lai vem!" Então, vamos lá. Se se inscreve assim pra mim. Amanhã, Chico, vai ser outro dia. O esse é mais um verso que inventaram para me manter aqui. Comigo, ninguém pode. A gente é diferente. Eu, você, nós dois. Todas as músicas e os filmes e os quadros de beijo são meus e seus e não daquela multidão. De pessoas que voltando da trilha, avisam. São buracos e perigos e animais, peçõeintos, esse caminho. Eu recuso a verdade. Você finge comigo. Juremos de pé junto e de mãos dadas que nosso amor vai dar pé. Rejuveneço. Estou adolescente. Não sei mais nada. Não fiz análise. Nem lhe todos aqueles romances contemporâneos. Já comprei a nossa porta retrato. Já temos um cachorro. Tudo isso, só porque você me enviou de volta um coração desenhado numa tela. Eu me apaixonaria também. Gente, aqui a gente tem muitas nuanças. Calma, vamos parar nesse poema aliás. Começar por ele porque tem muita coisa aqui. Ele fala tudo. Primeiro que quando o paciente se apaixonou, o paciente se apaixonou. Paciente! Quando o paciente se apaixonou, a cabeça da analista vai a mil analista que lute, porque lá vem turbulência, a gente sabe. Mais phrase falava do enamoramento, não falava. Sim, é necessário se apaixonar, mas ele próprio vai dizer, necessário para a gente sair daquela bolha narcísica. Tudo gira ao nosso redor, lidar com a diferença, lidar com o outro, lidar com a diferença. Mas o Freud também diz que quando a gente se apaixona, a gente investe muito alibido no outro e não sobra nada para a gente. Sim. Então essa coisa meio calorosa, meio fusional, que mexe com analista, que mexe com paciente. A gente não sabe muito bem o que fazer e será que tem que saber o que fazer. E como a gente tem vergonha de se colocar nesse lugar? É um lugar muito vulnerável. É um lugar muito cachorrinho ou deitado cabarriguinha para cima. Se alguém pode fazer carinho ou pisar. Você está ali, cabarriguinha para cima. Você sabe que você falando, vou usar aqui o jargão dos canalistas, porque eu também faça análise. Eu estava ouvindo você falar, eu estava aqui pensando. Eu adoro muita expressão, é clássica. Eu fiquei aqui pensando enquanto você falava. Que assim, quando um paciente se apaixona, a função da analista é fazer com que ele pare de se apaixonar? Não, eu acho que a função da analista é uma função de escuta. E, por meio desse escuta, fazer com que o indivíduo possa se ouvir. Eu acho que quando a gente se apaixona, a gente se perde nessa fusão. E quando a gente narra a nossa história de apaixonamento, quando a gente se implica, falando um pouco da gente, a gente consegue se escutar. E nesse escuta nasce uma alteridade, nasce tipo "olha, tô fora dessa relação funcional, consigo me perceber. Por mais que eu não me perceba, mas eu consigo ter uma direção fora dessa bagunça". Tipo, eu, o outro e esse terceiro ser de luz que é a minha consciência. Perfeito. E que vive puxando o nosso apete. Porque a gente acha que a gente tem pleno domínio da gente, a gente não tem. Como Freud bem falou, não somos senhores da nossa própria casa. E não somos. Não é? E isso é bonito, porque eu acho que na paixão, e aí você trouxe o exemplo do cachorrinho de Baiga para cima. Super vulnerável, pedindo carinho, carentão. Mas também pode receber carinho, mas pode receber um pé na bunda. E como é complicado? Quando eu falo assim que a paixão é difícil para o analista, porque eu acho que chega no ápice do conflito. Um dos ápices do conflito, eu digo, né, no analise é o luto. A paixão, e as pequenas frustrações da vida cotidiana. Mas eu acho que o luto é a paixão, olha só que para a doxo. Se a gente parar para pensar aqui. Porque o luto envolve um trabalho de elaboração da perda do objeto perdido. A paixão envolve o trabalho de você se perceber, estando fusionado ao outro. Você é que você se percebe. A paixão estaria ligada a eros. O luto estaria ligado a tana, dos algo mais relacionado à função de morte, ao desligamento, a se despreender desse objeto e seguir a vida. Mas por que que a paixão mexe tanto? E por que a gente consegue, a gente vai pensando nela justamente nessa perspectiva de que, "Ah, é uma cura ou é uma doença?" Por que a paixão pode significar securar e curar do quê? Eu tenho algo a acrescentar aqui nesse caldo. O cachorrinho com a barriguinha para cima está comunicando alguma coisa. Ou seja, ele está se vulnerabilizando. Ele está se abrindo para mostrar algo que o analista pode observar. E a gente observa muito isso na clínica. Isso seria algo positivo. Eu não gosto muito de pensar nesse aspecto do positivo negativo, mas sem dúvida alguma, acho que para a gente se apaixonar e viver uma paixão, a gente tem que se vulnerabilizar. E aí que está, quando a gente fala de uma sociedade extremamente narcísica, a vaidosa, que não gosta de apresentar a vulnerabilidade, a gente vai, né, na contra mão disso. Se defendendo. A gente vai se defendendo exatamente. "Ah, não vou me convulando porque posso quebrar a cara?" "Não vou me apaixonar e não vou me mostrar apaixonado." "Apaixonado, porque eu posso estar mostrando muito interesse, de repente eu levar uma rasteira." Mas se apaixonar, e agora eu quero ouvir essa lena poeta escritora, maravilhosa, que consegue atingir núcleos do nosso psiquismo, que psicanalista não atinge, gente. Mas é verdade. Se apaixonar ali não é se perder de si, muito. Muito, e para mim é o único descanso possível, assim. você falando assim "Ah, porque a pessoa se perde, ela para de. ela vai para o outro". Eu entendo esse desespero, dessa obsessão pelo outro, ou desse. mas para mim, o apaixonamento é um lugar, ao mesmo tempo, de desespero e de descanso. É como se fossem umas férias em que a gente faz muitas trilhas. - Perfei. - A gente está de coisa mais linda. A gente está no lugar de lazer, mas é muito cansativo. - Inesquecível. - Inesquecível, e marca, e faz uma ruptura na linha do tempo. Então, eu tenho sempre a sensação de que o apaixonamento é uma das poucas saídas possíveis de si. E sair de si, para mim, é uma delícia. É difícil, é cansativo. Voltar é bom, mas que nessa viagem que a gente faz para a trilha, quando a gente chega em casa, aquele sofá que a gente queria mandar para lavar, porque estava horroroso, ele parece perfeito. Porque a gente saiu, porque a gente foi para outro lugar. Então, esse é apaixonar, se ele se ir para outro lugar, e depois voltar é um resignificar também da gente. E é revisitar os lugares que a gente já conhecia, só que, sob uma outra perspectiva, que é a perspectiva desse poxa uff. - Estar muito consciente de si nos impossibilita encontrar coisas novas? - Eu acho que sim. - Eu acho que sim. Eu acho que esse excesso de consciência de si, no pior sentido do termo, é um emci-mesmamento, a gente fica emci-mesmado, a gente fica aprisionado. E quando você vai falando da trilha, do caminho, da viagem, eu fiquei pensando muito numa palavrinha que eu acho que ela está colada na paixão, que é a coragem. Não sei de você ter, não sei de de beber inteira, que não leu leia, ali tem um poema lindo sobre a coragem e a paixão. Tem vários, enfim, de marcô, nem marcou muito, porque tem um que você, eu sinto aqui, do sede, que é paixão. - É um amor que tomou muito café. - Eu amo essa expressão, eu amo demais. Paixão é um amor que tomou muito café. Gente, isso é muito maravilhoso. Porque tem um lugar, eu acho que a gente tem também uma tendência e eu falo sempre assim que eu gosto de deixar os conceitos para os outros, né? Então o conceito filosófico, antropológico e psicanalítico deixe para os outros, eu vou um pouco para sensibilidade. - A sensibilidade? - Eu vou um pouco para sensibilidade da coisa. Tem uma tendência, talvez, a criar uma relação hierárquica entre amor e paixão. Então a paixão é um negócio que vem antes do amor, ou a paixão é um negócio que você sente sempre, e amor, é um negócio maravilhoso dos deuses. Eu acho que as coisas estão ali um pouco na mesma fonte, porque o apaixonamento é um encantamento pelo outro. É um detalhamento da fantasia, é você vestir o figurino, você cuidar do cenário, é você querer entrar num lugar e falar "Agora vai", né? Esse agora vai, que muitas vezes a gente cai com a cara, agora vai, cai com a cara no chão, né? Agora vai quebrar os dentes da frente. - Que medo, todo mundo tem esse medo, né? - É, todo mundo tem, mas ao mesmo tempo essa sensação do "Agora vai", que você tem na paixão, é muito deliciosa. - É gostoso mesmo. - Eu acho que o amor, que é essa coisa talvez mais complexa, nem sei também, acho que é muito difícil definir o que é o amor, que é a paixão, mas talvez a paixão seja mais sintomática. do que o amor e a gente possa até trazer um pouquinho mais de contorno, mas esse amor, ele tem essa memória do "Agora vai", né? Talvez a paixão seja a infância do amor, talvez a paixão seja o lugar para onde a gente volta, quando a gente precisa. - É, é, é, se nutrir de novo, de esperança, talvez a paixão seja aquilo que fica, né? Como um álbum de fotografias, a gente precisa de vez em quando olhar e falar uma realidade, eu ti amo, porque não é sempre que a gente lembra que a gente chama alguém, né? A gente precisa lembrar que a gente chama alguém, esse lembrar que a gente chama alguém, talvez a gente vai fazer isso no álbum da paixão, que é o momento que a gente tira mil fotografias. - A gente não tira mil fotografias, né? O amor tira uma purana, né? - Ai, gente, enquadra isso, eu amo demais, enquadra isso, eu mou dura isso, faça um posto com essa fala da Liana e marquem a gente, porque. - Gente, gente, que coisa linda, eu ainda não me rego pereca. - Gente, como é importante, a gente buscar recursos nas artes, para aquilo que a gente vive na vida, pois ir a literatura é isso. - Quando a Liana fala da paixão e esse lugar, da infância, esse lugar, né? Acho que a infância tem isso, a gente vive se apaixonando por tudo, porque todo é uma descoberta. - E, de repente, a gente vira adulto, a vida se torna muito chata, porque a gente vai se acomodando, se acostumando com as coisas. - E o Freud disse que o nosso aparelho psíquico, ele busca tendência, uma tendência ao zero detenção. - O que ele quer dizer com isso? A gente gosta de ficar acomodado, a gente não quer desconforto. - E a infância é o oposto disso, a infância é o momento que você está descobrindo, o que é aquilo, como que acontece tal coisa, da onde vem os bebês, né? - Por que que chove? Por que que passa a imagem na TV, a criança vai perguntando, perguntando e descobrindo, ela está o tempo todo inquietação. - Infância é eros, é pulsão de vida. Quando a gente se torna adulto, a gente vai se acomodando, caindo no cotidiano, na rotina, e vai se amortecendo, digamos assim. - E eu acho que por isso que a paixão, ela traz essa vibe, essa perspectiva meio regredida. - Quando a gente se apaixona, a gente volta a precisar do mais infantil, mas que é um estado necessário, para se permitir se encantar com outro. - Ai, eu adorei essa cara, está com uma cara tão linda. - É apaixonada, é apaixonada. Porque eu acho também que essa coisa do se apaixonar, né, a gente fica nessa coisa da doença, tudo eu entendo, entendo que tem um recrutamento do corpo, né? - A doença recruta o nosso corpo, a gente de repente está ali deitado, porque a gente precisa passar a dor de estômago e todo o corpo está cuidando da dor de estômago. - A paixão acho que faz um pouco isso também, de repente todo o corpo está cuidando da paixão. - Mas ao mesmo tempo, existe algo no apaixonamento que é muito vital e existe algo que pode ser de certa forma forjado quando você se coloca a disposição da paixão. - Porque a gente tem também essa ideia da paixão e do cronograma da paixão, né, então vou me apaixonar, ai vai dar certo, ai vou casar, sei lá, fazer qualquer coisa, volte por episódio casamento. - Volte duas casos. - Não, mas assim, acho que a gente tem um cronograma da paixão e eu gosto de pensar que a gente pode ser apaixonado de forma meio sistemática como um modo de estar no mundo. - Eu me sinto capaz de me apaixonar de forma simultânea por muitas pessoas e acho que essa paixão ela também não quer dizer seguir um cronograma de "ah, vou me apaixonar logo, vou ter alguma coisa com essa pessoa", nem nada disso, acho que se apaixonar é necessário e pode se manifestar de várias maneiras. - Eu acho que a gente se apaixona na vida por muitas pessoas, mas também por muitas coisas, né, a gente que trabalha com escrita, com arte, com, a gente precisa estar apaixonado para produzir. - Se não, não tem produção, se não tem espontanidade. - Sim, e acho que esse apaixonamento, por exemplo, pelo trabalho, é um apaixonamento muito necessário. - Muito, porque a maior parte da sua vida só vai passar trabalhando. - Então, se você conseguir se apaixonar pelo seu trabalho, você está muito privilegiado mesmo assim, né, porque vamos fazer aqui já um recorte necessário de classe, de contexto social, rara, as pessoas que vão poder se apaixonar pelo próprio trabalho. - Mas é nesse tido, estou falando de paixão de um jeito bem, mas amplo mesmo. - Claro. - Mas acho que a paixão com essa coisa da gente temer tanto, né, precisa tanto da afirmação do outro, precisa tanto desse carimbo, desse aval do outro. - A paixão entrou um pouco no lugar das coisas indesejadas. - Perfeito, concordo. - Não quero me apaixonar. e às vezes a gente, eu vejo assim, que as relações até, pensando, né, as relações românticas, amorosas, sexuais e tal, a pessoa que é uma relação, mas só que a paixão se ela tiver alguma garantia de reciprocidade, né, porque não quer correr risco nenhum, de sofrer, de ser rejeitado, de sofrer, e a paixão ela precisa super risco, né, total, tem que ter risco na paixão, aliás você fica doente na paixão, nessa doença aí que recruta seu corpo, porque justamente você está entregando um monte de coisa, e talvez você ganhe e meia coisa de volta, ou talvez você ganhe nada, né, e tem, a gente estava falando livre, você leu esse poema, e tem um momento também, que é isso que eu falei do momento de mil fotos e que a gente tem que revisitar na hora do amor pra, pra nutrir de nova essa relação, que é um momento em que essas fantasias caminham juntas, cara, quando você acha que você encontrou a pessoa que vai fazer de você, a pessoa mais feliz do mundo, e a outra pessoa acha essa coisa de você, aproveita, tipo, uma viagem que você faz muito boa, vai durar 15 dias, tá, você vai voltar pra casa, mas porque não aproveitar essa viagem, eu sou muito a favor, eu quando eu vejo casais assim apaixonadíssimos, né, e as vezes essa coisa de relato de amiga, amiga já está nervosa. Ai, amiga, estou muito apaixonada, eu for cara aproveita, porque vai passar, mas é a vida, vida é isso também, né, vida vai passar, então assim, você tem alguns dias de uma mega paixão, muito arrebatador e deliciosa, que você tem essa sensação de que você nem mortal é, não, cara, a gente é tão, tão casal, perfeito, tão apaixonado, tão maravilhoso, que assim nem a morte vai alcançar a gente, é uma sensação de ônipotência, de ônipotência que a gente tem, voltando um pouco, que a gente tem na infância, né, total, total, eu tenho uma coisa pra acrescentar, quando ali começou a falar sobre a paixão como algo apriório infantil, eu tive uma recordação, uma lembrança infantil, eu lembro, bom, os psicanalistas só vezes me analisem, vejam, inclusive esse que tá aí de seu lado, sim, mas não tenho problema de me vulnerabilizar aqui, vamos lá, eu tive uma lembrança, eu acho que eu tive até uns cinco anos de idade, talvez mais um anos por aí, acho que a primeira vez que eu fui pra praia com a minha mãe, e eu lembro dela, ela tava, não sei se ela tava de bichinho, mas eu não lembro da roupa dela, mas enfim, eu lembro do olhar dela, dos olhos brilhantes dela, presenciando a felicidade dos filhos dela, estarem ali na praia brincando e apreciando aquela força da natureza que é o mar, né, e assim, ela tava apaixonada olhando pra gente, e eu acho que talvez eu tenha me apaixonado ainda mais pela minha mãe nesse momento, porque eu acho que quando a gente se apaixonada a gente se entrega, da mesma forma que a gente se entrega quando a gente se apaixona pra alguém, então assim, eu acho que pra se apaixonar, a gente precisa ter presenciado o apaixonamento de alguém antes. Sim, eu acho que é bonito esse que você falou de um amor primário, né, de você, a paixão estava visível nos olhos da sua mãe, e vocês se apaixonaram vendo a alegria da sua mãe de proporcionar aquele momento pra vocês, né, e eu acho que assim como Freud vai dizer que no narcisismo primário, a gente precisa ser amado pra ter um eu, um dentro e um fora, saber quem a gente quer o outro, pra depois amar o outro, se a gente ama muito bagunçado, né, e a paixão ela cobra isso, ela tira o nosso apete, a gente perde as bases, eu acho que dificilmente alguém pode se apaixonar, assim não se apaixonou lá no começo, por alguém, por qualquer coisa da vida, sabe, a melônica lá em vai dizer, da paixão é do conhecimento, de algo, do desejo da criança por buscar o saber, algo extremofílico, né, busca pelo saber, que é isso que é o desejo infantil, e eu acho que a criança que foi tão bloqueada, não é um parada, ela vai ter dificuldade, né, de se abrir, de se apaixonar, de se relacionar com o outro, acho que por isso que a gente vê hoje na clínica e na vida cotidiana, tantas pessoas com dificuldade de se colocar nesse lugar vulnerável, a gente se protege daquilo que nunca foi vivido, então a, eu não vivi isso, né, com a vida, com algum momento, com a minha mãe, com meu pai, então dificilmente eu vou poder dar isso para o outro, e aí acho que nesse sentido o conteúdo desse episódio se costura bastante com o episódio anterior, porque quando a gente fala de uma cultura machista e patriarcal, o homem não pode se vulnerabilizar, né, e aí a gente tem uma questão também relacionada ao feminino, masculino, que a cultura pressupõe sobre isso, porque às vezes a mulher se entrega tanto, e homem se entrega tão pouco, e as migalhas que o homem doa para o outro, né, para a outra, às vezes é muita coisa, né, é, não poema tem, né, a Cecilia tá imaginando todo um futuro com o cara que, sei lá, mandou um like, acho, né, mandou um coração na tela, mandou um coraçãozinho, mandou um negócio, ele conseguiu dar um pouquinho, e ela já pegou esse pouquinho, o fermentou e transformou num negócio imenso, né, porque tem uma coisa nesse apaixonamento, que é, o Fital falando dos olhos da mãe, né, e quando eu penso nos olhos, eu penso muito no espelho também, eu acho muito bonito imaginar, quando você olha alguém de perto, se você olha alguém bem de perto, você vai se ver refletido nesses olhos, né, então o apaixonamento, muitas vezes não é pelo outro, mas é por você mesmo na presença do outro, né, então tudo bem a pessoa me dá um coraçãozinho numa tela, porque o coraçãozinho faz comigo, faz com que eu me apaixone, por isso. É uma espécie de validação, um reflexo. Acho que sim, mas talvez um pouquinho mais assim, que a validação, que a validação para mim, quando eu ouço essa palavra, ela tem, tem uma tendência negativa do tipo "ah, eu não preciso da validação do outro", mas eu preciso do olhar do outro, né, porque o olhar do outro me reflete, e aí eu fico mais bonita, refletida aos olhos de tal pessoa, logo me apaixonam por ela. - Perfeito. - Essa pessoa me reflete bonita, e estou falando aqui de bonita, não estou falando de estética, de imagem, estou falando assim, essa pessoa, os olhos dessa pessoa me enxergam de um jeito que eu me apaixonam por mim. - O reflexo real. - Real será. - Real, o que que é real, né? Difícil, fi. Eu acho que. Eu acho que não sei se é real, ou se é da invenção necessária, porque o real talvez seja super estimado, só que dizendo assim, "Ah, quem sou eu de verdade, quem sou eu de verdade, não sei se importa tanto, quanto quem sou eu quando preciso de mim". Talvez, quem sou eu quando preciso de mim, se eu deconto, e esse eu for inventado, talvez seja melhor do que o real. - Perfeito. - Deu uma pirada aqui, tá? - Não, mas é isso. - Super. - E aí, se essa paixão fizer essa costura desse eu, mesmo que seja o seu inventado, mas devolver pra mim nesse reflexo dos olhos, aí que eu peguei essa imagem dos olhos da mãe do fi, se devolver pra mim um eu que me dá mais vontade, o coragem, ou desejo de estar no mundo, é paixonante. - Perfeito. - Então, outro, e daí assim, eu gosto de pensar não no aspecto negativo disso, de que o outro está ali pra me servir, porque pode ser um viés dessa conversa, mas de que o outro está ali pra me refletir, a partir de algo que não seja só eu, porque eu, sozinha, vou vir com coisas muito repetidas, e essas figurinhas repetidas, elas são também ruins pra mim. - Coisas de si mesma. - Coisas de mim, e coisas repetidas, itraumáticas, e ruins. O outro ilumina, um outro ângulo em mim, e aí eu me vejo e falo essa, é uma pessoa possível, possível pra quê? Possível pra felicidade, possível pra existência plena, ou com a ilusão de plenitude, tanto faz, porque a gente está aqui desmistificando o real. - Então, esse outro me devolve com os olhos, uma imagem de mim, que é mais possível de suportar. - Perfeito. aí eu fico apaixonada, só que essa paixão. eu tenho uma coisa muito. assim, se eu consigo perceber que essa paixão sou eu, eu posso me apaixonar todos os dias, porque eu sei que tem alguma coisa em comum com todos esses objetos, sou eu. Mas se você se desconhece nessa paixão e coloco no outro, aí todo dia eu sofre. Sim, é o que o Freud vai falar do ideal, né, Diego? A gente, quando tenta corresponder ao ideal, a gente se perde muito da gente, mas é isso, esse olhar do outro que reflete um pouco da gente e mostra que ela face que a gente não quer ver, ou que às vezes a gente não percebe, é muito cedutora, né? Essa postura, esse olhar é muito cedutora, né? E ao mesmo tempo, como eu acho que tem um perigo nisso, acho muito perigoso isso, eu acho também pegando aqui, a gente está falando de Cecilha e tem a Cecilha Mereles, que é a amosa inspiradora da Cecilha, que fala que a vida só é possível reinventada. Eu acho que a vida é um mistério tão grande, que o que a gente precisa, o que a gente precisa pra lidar com ela, a gente deixa ver. Então, se o outro me dá uma ilusão de eu que me permite viver, eu aceito. Nossa, isso é tão crejoso. Eu não sei se isso é bom, em termos. - Sim, que é muito pequena lítica. - Escanalíticos, mas eu sei que talvez isso seja um jeito gostoso de viver. - Pode ser, sim, é, veja, eu acho que isso combina muito com o que o Freud fala sobre, principalmente sobre a ideia de ideal de ego, enfim. Mas o Inicote diz uma coisa bem interessante, que ele prioriza muito no processo analítico, que é a possibilidade do analisando se surpreender consigo mesmo. - Então. - Mas aí que tá, se surpreender consigo mesmo, desde que a priori se sustente uma ilusão de anipotência. E quando você fala isso, é interessante, quando a gente está em processo de construção do ser, o Inicote vai dizer, que no início da vida, é fundamental que o bebê tem o seu gesto espontâneo sustentado pelo ambiente, e que sua ilusão de anipotência seja mantida. O apostinamento não seria esse revgate dessa ilusão de anipotência. Pois é, e a gente tava falando da infância, né, nem sabia disso, mas costurou. E eu acho que por isso que é gostoso viver nesse lugar, estar nesse lugar. Eu acho que a paixão, quando a gente coloca ela nesse lugar de cura ou doença, muita gente fala assim, né, acho que a gente trabalha com processos criativos, a gente houve. "Ah, só consigo escrever, só consigo compor, só consigo. " "Quando eu tô muito mal, quando eu tô na força, quando eu tô sofrendo. " "Em contrapartida, a gente houve também o outro lado, eu só consigo escrever, produzir, pensar, quando eu estou apaixonado, quando eu estou impulsionado por eros." Eu acho que aí, nos dois casos, já que eu tô aqui numa vibe polêmica hoje, vou dizer assim, tudo bem, você pode até escrever quando está muito mal, escrever quando está muito apaixonado. A notícia é que provavelmente esses textos eles são bons só pra você. Assim, é. "Furro!" A notícia pra você, eles não tiverem um olhar de novo, num lugar um pouquinho mais consciente, porque a gente está falando da unipotência, né, da sensação de unipotência, da ilusão de unipotência. Tudo bem, você pode ser essa criança, esse bebê, com a ilusão de unipotência, mas você, quando o adulto, pra mim, me parece fundamental que você saiba que é uma ilusão. E aí, você pode falar assim, "Vou entrar aqui nesse túnel do terror da Disney pra fingir que existem monstros, mas eu sei que é uma mentira." É muito diferente, é uma criança que entra no túnel do terror da Disney, fala, "Ah, monstros, um adulto fala, deixa eu fingir que os monstros existem, porque quero me assustar." Não me diga que ilusão não é ilusão. Exato, não é? Quando um adulto se apaixona, ele pode estar revivendo essa delícia da ilusão do unipotência, mas tem uma luzinha ali acesa falando, "É ilusão, aproveite, descanse, tem a muito tesão e se divita, mas é uma ilusão." Se essa luzinha se apaga, a gente tem esses adultos bebês, pra mim, o túnel do terror é o adulto bebê. O adulto bebê. É o túnel do terror, assim, total, que se fala assim, essa pessoa fica o tempo inteiro nesse processo e não vai pra frente, desse tempo esse adulto bebê, que acha que alguém tem que ir limpar sua bunda do tempo inteiro, assim. Então, tem um lugar que você sabe que você tá vivendo uma ilusão, você aproveita, a vida só é possível reinventar. Quando a Cecília fala isso, ela sabe que ela tá inventando a vida. Quem não sabe que tá inventando a vida não fala que tá inventando a vida. Só fala, "Estou vivendo". Então essa consciência é o que faz a gente adulto e ser. Não sabe a tua. E ser adulto é importante. Muito. Aí que tá, eu acho que eles aí o paradoxo da paixão, ela pode ser uma cura no sentido da gente descobrir que a gente tá adentrando o estado de ilusão, um estado que a gente tá se vendo refletido pelo olhar do outro, naquele lugar de ideal, naquele lugar de perfeição imaginário e não cansável, mas que a gente se permite curtir. Mas a gente sabe que os monstros estão lá no meio do túnel. Isso, que é um túnel, vou passar. Que é um túnel, eu vou passar. Vou pagar ingresso. Eu acho que a gente cai numa falácia e aí a gente tem o pato do sofrimento quando a gente vai numa perspectiva muito onipotente, muito infantilizada e nesse lugar, a gente se funciona no outro. E não é a tua que o Inicord fala que o brincar se localiza na terceira área, né, entre a transição da realidade objetiva e a realidade subjetiva, ou seja, entre a ilusão e a concretude da vida. E eu acho que a paixão se encaixa muito nisso, não. No brincar? Você não acha? Acho que sim. E a gente precisa se permitir, né? Bom, eu sou a atriz, né? Escritora, o artista é um brincante, né? O artista fala assim, "Ah, então agora eu sou um médico, tá?" Sim. "Sou aqui em 1920, sou um médico nesse palco." Sim. E chama isso de profissão, né? É uma brincadeira. Então eu levo muito a sério brincar. Então nesse sentido, acho que sim, a paixão é um brincar. Mas um brincar aduto. O Inicord fala que, no brincar, ninguém pode falar pra criança e seu objeto foi criado por você, ou esse objeto sempre foi assim, ou seja, a criança ela cria o objeto que tá lá pra ser encontrado. Ninguém pode dizer pra uma criança que é uma caixa de papelão, não é um caminhãozinho, né? Ou um pedaço de papel, uma dobradura, não é um aviãozinho. É um pedaço de papel. Sim. Isso seria trazer a criança pra uma objetividade que a distanciaria do brincar. Sim, sim. Eu acho que, na paixão, a gente acaba vivenciando algo que a gente nunca quer colocar como concreto. Tipo, "Ah, você não conhece essa pessoa?" Eu sei que eu não conheço, mas eu tô gostando do que eu tô vivendo. Isso, eu acho que é isso. E acho que a Cecilha, no livro, ela tem muita essa consciência, né? Ela fala, "Não, gente, me deixa um pouco com a mentira que eu preciso descansar. Me deixa um pouco aqui com essa ilusão de que a gente vai dar certo. Me deixa com essa ideia de que eu encontrei o amor da minha vida. Eu sei que não é. Mas me deixa quieta aqui com isso." Não ia ainda mais depois de uma separação, né? É isso. Porque eu não posso viver essa ilusão. Ainda que eu saiba que é uma ilusão. Ainda que eu saiba que eu posso quebrar a cara. Eu acho que aí tá a maturidade, né? É, e aí juntando um pouquinho com um episódio anterior. Do quanto também a gente falando cada vez mais sobre isso entre as mulheres, a gente distrói um pouco esse cronograma da paixão que o capítulo 2 da paixão é o amor, e o capítulo 3 do amor é o casamento, né? Eu acho que a mulher que se permite brincar de se apaixonar, vai quebrar esse cronograma. Se ela for adulta, né? Se ela for criança, ela vai seguir o cronograma. Se ela for adulta, ela vai quebrar esse cronograma, pra falar o capítulo 1, e o capítulo final é esse, assim. Pode ser que alguma outra coisa aconteça, mas eu não estou seguindo uma inevitável linha do tempo da paixão. Eu estou aqui vivendo isso, porque existe algo de urgente na minha felicidade e não na correspondência de uma função social. Porque coisa a gente pensa no cronograma da paixão, a gente tá falando. Olha, eu só estou vivendo aqui essa ilusão e essa alegria pra depois virar esposa, né, que é a função social. Se eu penso, A minha felicidade importa tanto quanto a função social. O capítulo 1, que é a grande paixão, já se basta. Mas eu acho que isso já seria muito concreto. Eu acho que o brincar, ele só acontece em algum relaxamento. Se já existe essa rigidez de que a paixão vai se tornar amor, ou seja, tem um objetivo, já não se brincar mais. Exatamente, por isso que eu acho que também juntando com outro episódio, eu acho que mesmo os homens que estão em outro lugar, nessa linha do tempo da paixão, eles também têm isso. Essa cronologia da paixão, amor, casamento. Mas eles deixam o brincar para algo fora dessa linha. Nossa, que incrível. Também acho. Também acho. Bom, vou ler aqui um outro poema depois dessa. O bom, né, porque dava quebrada, né? Não, bom. Vou ler outro poema aqui que eu acho muito maravilhoso. Aliás, é um dos nossos preferidos, porque ele tem uma mensagem subliminar muito potente. Eu quero compartilhar com vocês. Esse poema, acessile a chama de Assassino Underground. Ela diz assim. Descubri estudando filosofia, que amar você assim, desforme a simétrico patologicamente, me mata. Pois me tira tenho isso tio silenciosamente, a força, faísca, energia, que me impulsiona a vida. Eita. Aí, a paixão deu um fã para um lugar, né, você vai conferir. Até acessile-se, perdinho, ainda bem, hein? Mas você pode mais, gente. Mas se já tiveram numa brincadeira que o amiguinho tem que embora no meio, é muito triste, não é muito legal. Não é ruim, não é ruim, não é bom. Não é bom. Próximo. E doutor, por exemplo, você tá lá brincando. E quando o amiguinho adono do brinquedo, então. Nossa. O amiguinho pode embora. Você quer brincar mais. Eu acho que a paixão, quando ela vai. Né, me enguando, só de um lado, hum, como é triste. A outra pessoa ainda quer brincar muito, e a outra tá falando, se embora, eu vou levar o brinquedo. O Inico acha que fala uma coisa interessentíssima de que o brinquar compartilhado, uma conquista, porque no princípio da vida, o que existe é um brinquar onipotente. E olha só, eu acho que aí que tá a grande questão. Pra gente poder ter uma paixão minimamente equilibrada, eu acho que tem que ter um investimento de ambas as partes, né, Cecilia, ela cai de cabeça, ela se joga. Ela é louca. Ela é louca. Tem outro que ela escreve assim, aí o analista dela é que lute, né, no casee eu. Que bom que não é a gente, né, não é nem você nem eu, né, alei? Nossa, o analista da Cecilia, né. Opa! Tem outro que ela escreve assim, gente, olha isso, se essa não é a síntese da paixão, o nome do poem é bem suggestivo, tem um título de escolha, e ela diz assim, "A-B-C-D-E-O." Múltiplas, eu sei, mas por favor, me escolha, e aí conta pra nós. Ah, é porque a paixão, eu acho que essa coisa do brincar pode ser um bom lugar pra gente pensar nisso assim, me escolhe pra brincar, me tira pra brincar com você, me tira pra dançar, vamo junto, porque eu quero muito, né, e assim, quais são os mecanismos que fazem uma pessoa querer ou não brincar com a outra, dançar ou não com a outra? Isso tá tão no lugar do imponderável, e ao mesmo tempo a gente acha tanto que a gente pode se moldar pra que o outro nos escolha, né, então tem quase uma suplica mesmo do tipo, eu tô aqui, eu quero muito brincar, porque eu preciso dessa ilusão da unipotência, porque estou quebrada, você precisa me dar isso, porque eu preciso de um descanso, eu preciso de uma, eu tô ali no meio da travessia, eu preciso de uma ilha pra dar um, pra te cansar e tomar um coco assim, acho que é isso, não é o tipo, não, vou parar a minha travessia, não, mas eu preciso de um descanso, e você é meu descanso, só que se você é meu descanso, e você não vem, que eu faço com isso, né, perfeita, então essa coisa da escolha, e de toda essa sensação de que a gente pode fazer com que o outro nos escolha, isso é muito triste, na verdade, né, é muito triste, mas é muito humano também, então talvez esse seja o lado doente da paixão, o lado humano, é, acho que sim, o lado doente da paixão é o lado humano, o humano que aceita que nós somos o centro do mundo, ou seja, machuca, né, machuca, machuca, mas tem um outro problema que ela fala assim, não vou lembrar totalmente, mas vou aqui de cabeça, ela fala desesisto, eu sei que você existe em mim, de um jeito diferente do que você existe, e você, e eu existo em você de um jeito diferente do que eu existo, desesisto, portanto aceito que você desista de mim, então a ideia de que se eu sei que o outro está projetando algo que não sou eu, é possível aceitar que o outro desista de mim, porque ele não está desistindo de mim, mas das projeções dele, das projeções dele, anirno, né, no paixão simples eu sinto ele aqui, comento ele, no poema de amor no diva, eu uso esse livro como referência aqui, pra mim é o meu preferido da anirno, eu acho fantástico, e aí ela diz assim, a parte final do livro ela fala assim, olha, depois dessa paixão louca que eu vivi, eu descobri que lucho na vida, não é ter casaco de pele, tem uma casa, beira mar, lucho na vida, pode viver uma paixão, e ela sofre nessa dela né, sofre, eu amei esse livro também, porque acho que tem uma coisa que eu tentei muito trazer com a Cecilha no nosso, que é, gente, quando a gente está apaixonado, a gente não responde muito pelos nossos atos, e é isso, a gente tem que se terceiriza, né, a gente se terceiriza e é isso mesmo, e vai acontecer, então quando a anirno, que é essa mega escritora, pra quem não sabe, a escritora que ganhou o Nobel de 2022, de literatura, de literatura, e ela se apaixona nesse livro por um cara, e ela fica completamente refém dessa paixão, ela fala, tudo que ela faz a pensar nesse cara, ela chega ao limite de eu congresso, porque ela pensa, se eu for esse congresso no outro país, eu tenho uma desculpa pra mandar um cartão postal pra ele, ela vai ao congresso pra ter uma desculpa pra falar, "Moi, pro cara", aí você fala, "Ok, estamos todos sujeitos", é isso, e acho isso é muito importante, porque a paixão fica parecendo um pouco como uma coisa de sujeitos menores, né, assim, "Ah, quem não está, quem não é, mulher empoderada, ah, quem não é, a pessoa que se basta, e quem não é, bambam banda da análise ou do autoconhecimento, sei lá do que, que se apaixona, nós, que conhecemos tudo, a gente está. impermeável, protegido, a gente vai se apaixonar, vai ficar bobo do mesmo jeito, cachorrinho, caba reguinha pra cima, e isso que torna paixão tão humano e tão necessária, né, eu acho porque ela nos humaniza, que é exato, ela traz de novo que a gente vai perdendo pelo caminho, né, isso me traz a recordação, uma passagem de um seriado que eu amo, que eu assistia mais, não estou acompanhando tanto, mas enfim, este muito, Greza nato me quando a Meredith Gray fala pro Derek Shepherd, na temporada 2, episódio 5, eu menti, não estou fora dessa relação, estou dentro, isso é tão humilhante, porque estou aqui, te implorando, sua escolha é simples, ou ela, ou eu, eu estou segura que ela é realmente incrível, ótima, mas Derek, eu amo, eu te amo, é realmente grande, fingir que gosta da sua música, deixar você comer o último pedaço da cheesecake, aguentar o rádio com a minha cabeça fora da janela, infelizmente as coisas que fazem te odiar, fazem me chamar assim, fique comigo, me escolha, "Me ame". Ah, sou. Lembre também da Julia Roberts, né? Ah, não é assim, Rio. Não é assim, Rio? É. Fala uma linda mulher também, que ela super, né? Ah, aquela fala assim pro Yugi Grant, né, que a gente não lembra das personagens, né, só dos atores? Exatores. Que ele fala, "Você é uma mulher, você tem tudo, eu nunca vou poder corresponder". Ela fala alguma coisa do tipo assim, "Não, nesse momento eu sou uma menina na frente de um menino pedindo pra que ele, ua, a âmina". Nossa, é clássica. É clássica, que é tipo, não importa, que eu seja estrela de Hollywood, você é um livreiro, de uma livraria de rua e tudo mais, agora sou eu pedindo pra você, por favor, me ame. Nossa, que lindo. Sim. Essa cena mexe muito comigo. É que tá onipotência ou consciência, ai, é tão difícil, porque nessas duas frases têm um quesinho de consciência, não tem? De consciência da. Da paixão em si. Existe uma paixão, existe algo acontecendo aqui dentro. Eu não consigo controlar, mas estou falando, estou narrando. E do tipo, eu acho que a gente pode brincar bem ainda, por favor, não vai embora com seu brinquedo. Exatamente. Fica mais um pouquinho. Vamos ver se a gente não vai brincar, se a gente não vai ser feliz, brincando com isso. E esse papo todo, esse tema tão necessário, pra gente pensar a vida, me faz pensar também no processo analítico, porque quando a gente começa com a analista, a gente idealiza ele. E o Freud vai dizer que a cura para esse canalítica é uma cura pelo amor, a análise começa pelo amor, pela relação transferencial. Então, você começa realizando aquele analista, ele sabe tudo de mim, ele vai me ajudar em mil coisas. E aí, você vai percebendo com o tempo que ele é um humano vulnerável, com tantos problemas tanto quanto você, mas está ali no lugar dele, discutando, mas você vai tirando ele daquele patamar e a relação vai se tornando mais consciente, por assim dizer, mas você vai caminhando numa direção de se separar dessa fusão, que, no início, você se torna muito dependente. Então, eu acho que a paixão, no âmbito de ser uma paixão madura, e aí que é difícil entrar nesse mérito, né, porque a gente regride, a gente volta duas casas para trás, a gente esquece de tudo isso, mas eu acho que é uma paixão madura justamente a gente saber onde a gente está entrando e bancar isso. Por mais que você vai cair, quebrar a cara, né, vai sofrer, é assim. E sabe que eu acho que às vezes também a gente entender o mecanismo da paixão, quer dizer que a gente não vai tirar do outro uma coisa que supostamente nos fere, mas que é o que mantém a paixão, muito louco, assim, mas por exemplo, vamos dizer que você está lá, tem uma pessoa e você está apaixonada, só que essa pessoa é meio ausente, meio tá, meio não tá, desse fica, seja presente, seja presente, seja presente. A pessoa é ok, fica completamente presente, você desapachona, porque tem alguma coisa na ausência ou nesse jogo que faz com que você seja apaixonado por ela, né? Se você ainda é chamado de idealização? Não sei, você é só o ideal, porque às vezes a gente continua apaixonado com o ideal cai. E eu acho que aí vem a paixão madura, aí vem o amor madura. Quer falar, se eu. Poxão madura. (risos) Nova novela, né, espetida. Eu acho que a gente vai precisar de um terceiro episódio. (risos) Porque por exemplo, se eu entendo que a minha paixão tá também encorada em algo que supostamente não é bom, supostamente, tá? Então assim, de novo a gente tá falando de padrão, né, gente? Então assim, por padrão, não seria bom que a gente fizesse assim. Então eu vou dar um exemplo aqui, sei lá, por padrão, depois de um tempo, os casais moram juntos, vai? Vamos dizer assim. Mas eu entendo que morar separado me gera algum tipo de angústia, que é, não sei onde essa pessoa está agora, não sei o que essa pessoa está fazendo agora, não sei se ela não tá falando com uma pessoa e sei lá, não sei o que lá, sei lá, vamo, vamo, alguma coisa que me dá um negócio assim. Aí eu falo, não, vou aplacar essa angústia, vou deixar essa pessoa o tempo inteiro perto de mim. Mas, se eu tenho uma paixão madura, na Nova novela, espetida, eu sei que essa pequena angústia é fundamental para que eu mantenha essa atenção entre nós, que é a paixão. Então eu sustento isso, eu sustento esse meu pequeno medo, desde que isso não seja maior do que o que a gente tem de bom, mas eu sustento esse pequeno medo, então eu sustento esse medo de perder, por exemplo, e falo isso me angústia, me angústia, mas isso também alimenta essa paixão. Então acho que a paixão madura tá nesse lugar, no lugar do assim, eu não vou aplacar a minha angústia, porque eu sei que talvez aplacando a minha angústia, eu mate também. A paixão. É interessante isso, né, porque nessa paixão madura, a gente já tem um breve conhecimento de que o outro é um eu diferente de mim. Isso, nossa, perfeito, eu acho que é isso, a paixão bebezinha acha que eu e outros somos um ser. A paixão madura sabe, o outro é diferente de mim, e as nossas atenção que me mantém ligada essa pessoa, pressupõem algum tipo de sofrimento em mim também, que é o medo da perda, que é a sensação de não controle, porque se eu acho que o outro sou eu, eu não tenho nenhum tipo de sensação de não controle. É a compreensão de que o outro tem uma autonomia, tem vida própria. Sim, mas a tendência a gente querer aplacar isso, né, quando a gente tá doente de paixão, a tendência é, não, vou deixar o outro aqui muito perto, porque eu quero a garantia de que isso não vai acabar, né, só que na garantia de que isso não vai acabar, acaba. Acaba. Acha, é justamente na autonomia, é saber que o outro consegue te deixar nessa falta, nesse vazio, e que enquanto isso acontece, você tá sendo impulsionado pelo desejo de querer mais. E isso? Quando você descobre tudo, né, eu acho que aí que entra uma noção do Inicó, que eu acho preciosíssima, e a gente fala muito pouco, que ele diz que todos nós temos uma parte secreta do self, que não é. é uma parte que deve ser preservada, mantida, aquela parte que a gente não leva nem para análise, mas é uma parte essencial, que eu acho que é uma parte, e aqui filosofando horros, eu nunca pensei nisso, que faz com que a gente se apaixone por nós mesmos, saber o quanto a gente tem de desconhecido em nós. Porque é a manutenção dessa atenção, da falta, né? Eu me espanto com as coisas que eu trago para mim, que eu trago a tona, que eu trago para a superfície da consciência, é espantoso. Exato. Eu tenho um texto que eu escrevi, não sei lá, nem sei, acho que nem tá aí nenhum livro, que é um texto sobre isso. Por favor, não me conte todos os seus segredos, eu quero descobrir alguma coisa sobre você, amanhã, que é isso, assim, eu não me entrega tudo, porque se você me entrega tudo, eu vou esgotar a minha angústia, a minha falta, mas eu não quero me desligar de você, eu sei que sem essa falta, eu vou me entediar, eu não vou mais querer. Ou me estere sempre bom, né? É, eu me estere bom, mas acho que de ambas partes, né? Deixe que se estente os dois, né? Não, gente, tudo isso, só é bom se o outro quer brincar. Se tem um amiguinho aqui esperando com brincadeinho, o outro nunca chega, e eu inferno, aí não. Aí não é paixão. Não, aí vai viver o trabalho, achar outro amiguinho. Eu acho que só, aí, enfim, é, acho que é interessante essa ideia do brincar. Porque se a gente brincar sozinho, a gente tá brincando de uma paixão solitariamente, isso não é legítimo, não tem graça. Eu acho que a gente acaba caindo numa regidez, numa concreto de muito rápido, ou numa ilusão total, uma pura psicosa de você. E a gente não conseguiu entender isso, né? É, não, de você achar que o outro é total criação sua. É, mas o brincar sozinho é legal também, porque a gente tem esperança de quem algum momento a gente vai brincar com o outro. Exatamente. Aí já vou aqui falar o iricote, quer dizer como é que é? Não, mas tem mais esperança. Tu se esconder, que se esconder, alguma é isso? É uma maravilha se esconder, mas é uma catástrofe não serem encontrada. Tá vendo? Não é? Boa assustação para esse momento. Maravilhoso. Ou seja, o indivíduo tá ali na esperança de ser encontrado, ó, tô aqui. Você vai me encontrar no vai? Gente, assim, eu acho que. É assim. essa discussão, ela nos mostra o quanto a paixão é complicada, né? - E deliciosa. - E deliciosa. Porque eu sou, estava falando no outro episódio, eu falei da militância do desejo feminino, da manutenção desejo. Eu sou uma militante da paixão também. Eu acho que a paixão é movimento, a paixão é delícia. Sofre a besa, mas eu não trocaria. Eu sou completamente emocionada, entregue, louca, não é assim? Eu não trocaria nada disso para, tipo, me apaixonar e não sofrer, acho que é melhor ter isso do que não ter nada. Eu acho que a paixão é vida, saindo agora da esfera de Winicott indo para Freud, de novo, por são de vida, eros, né? Eu acho que sem paixão, sem ter um mínimo de paixão, digamos. A gente não se movimenta, né? A gente não segue em frente, a gente tem que se apaixonar, a gente tem que ver, deslumbrar, fantasia, soenhar, imaginar, sabe, indireção a. Nesse não, as coisas não se movimentam. É, essa coisa complicada, mas ao mesmo tempo deliciosa. Deliciosa, façamos, vamos amar, como a gente, né? O Chico Boar, que é os usuários. O maravilhoso, gente, eu acho que a gente termina sem concluir, né, ali. Que se acha, Fio? Talvez nós precisemos de mais um episódio. Não é a conclusão possível para a paixão, gente. Eu acho interessante pensar nisso, porque se a gente buscar uma conclusão para a paixão, a gente deixa de brincar, aí a gente joga para a mais fera concreta e objetiva, não existe objetividade na paixão, a paixão é algo que a gente sente e ponto. É isso, gente. Nossa, que delícia, quantas coisas dicas num episódio sobre a paixão, como a gente pode se apaixonar em diversos momentos da vida, por diversas coisas da vida, por diversas pessoas, e que a gente possa se permitir, não é? Eu acho que nessa onda neoliberal produtiva, cada um olhando por si, ninguém olhando por ninguém. E acho que tem um sequestro aí de alguns conceitos, né, e assim, tanto nas nossas áreas, né, tem um sequestro aí de frases que seriam conceitos de bem-estar, de autoconhecimento, de poesia, em direção às respostas das coisas, né, e isso que eu falei do aplacar angústia. Então, aí, faça isso logo, você não, gente, eu acho que tem que ficar mesmo abraçado com a dúvida, sabe, se divertir com isso. Então, eu sou uma militante da paixão, eu acho que eu tenho que ser apaixonar, sem medo. Aí, depois, você com certos dentes, entendeu, você caiu, que eu brou os dentes, com certas. Ai, gente, maravilhoso. Eu. eu volei um poema final, que eu acho que amarrabém essa questão do ser, da independência, da conquista, da essa paixão madura, da essa paixão infantil, desse se perder no túnel, desse se surpreender na vida, de tudo isso que a gente falou, tem um poema da Cecilha que, pra mim, uma preciosidade, se chama Ato, e ela diz assim, mais do que ser, que era acontecer, acontecer tanto, e tão repetidamente, acontecer tanto, e tão suavemente, que, por ação continuada, terça, corpo e sonho, terça vida e nada. Ai, que linda. Não seria isso, a paixão, não é? É, seria. Sim, acontecer, mais do que ser. Ai, gente, é isso. Se você gostou desse episódio, a gente tem vários outros temas também discutidos ali sobre sentimentos, paixão, depressão, amor, na casa do saber, que é a nossa patrocinadora oficial dessa temporada do podcast e psicanális de butéculo, e os nossos butéculos, nossos ouvintes, tem um dos condespecial nas natura noau da casa, basta digitar o cupom, patrício 10, e a gente indica aqui a casa do saber, outros episódios do podcast, os livros da Liana que são maravilhosos, eu sou suspeito, porque ela é minha amiga descrita. Enfim, eu sou um grande admirador, e eu espero que essa reflexão nos ajude a tornar a vida um pouco mais leve, diante de tantas pressões. Eu acho que a paixão, sobretudo, ela é leveza. - Sim. - Deixe que a gente possa habitá-la espontaneamente. - Sim. - Não é? - Perfeito. - Um beijo, gente. Até o próximo episódio. - Beijo, pessoal. - Beijo, gente. [MÚSICA DE FUNDO]

Podcast Summary

Key Points:

  1. A paixão é apresentada como um estado vulnerável, de fusão e vulnerabilidade, que traz tanto cura quanto doença, sendo um ponto de retorno à infância e à sensibilidade do ser.
  2. A paixão é vista como um brincar, um ato de ilusão onipotente, onde o outro reflete o eu, permitindo uma nova forma de autoconhecimento e existência plena, mesmo sendo um processo doloroso.
  3. A paixão madura reconhece a autonomia do outro, sustenta pequenas angústias e medos de perda, e rejeita a tentativa de aplacar a dor, pois é nesse espaço de instabilidade que o desejo e a conexão se fortalecem.

Summary:

O episódio explora a natureza complexa e contraditória da paixão, posicionando-a como um estado tanto de cura quanto de doença, que envolve vulnerabilidade, fusão e um retorno à infância. A paixão é descrita como um brincar onipotente, onde o outro atua como espelho do eu, permitindo que o indivíduo se reconheça e se sinta vivo. A análise destaca que, na paixão madura, o indivíduo aceita a autonomia do outro, mantendo o medo da perda como elemento essencial para a manutenção do desejo.

O texto debate a ideia de que a paixão, ao invés de ser uma busca por segurança, é um ato de liberdade e criatividade, ligado ao desejo de se perder, se surpreender e se reinventar. A paixão é apresentada como um espaço de resistência à rigidez da vida social, onde o amor não segue um cronograma linear, mas se expressa em momentos espontâneos e não definidos. A influência da psicologia de Freud e Winnicott é destacada, especialmente na ideia de ilusão de unipotência e no brincar como forma de existência.

O episódio também reflete sobre a importância de se permitir a dor, a ausência e o medo, pois são esses elementos que alimentam a conexão. A paixão, por fim, é vista como uma forma de leveza, de vida, de movimento e de desobediência ao controle, sendo essencial para o crescimento e a autenticidade do ser humano.

FAQs

A paixão é descrita como um estado vulnerável e transformador, que envolve fusão com o outro, desespero e descanso, além de ser um momento de regredência infantil e brincadeira.

A paixão pode ser vista como cura porque permite a descoberta de si mesmo e a construção de um novo eu através do olhar do outro. Também pode ser uma doença por envolver forte dependência, dor e risco de perda.

A paixão exige que a pessoa se abra, se entregue e se expresse com fragilidade, o que contrasta com a cultura de autocontrole e autoimagem, tornando-a um ato de vulnerabilidade profunda.

A paixão é comparada ao brincar, pois envolve ilusões, liberdade de criação e uma desconexão com a realidade objetiva, refletindo a infância como um estado de descoberta e liberdade.

A consciência permite que o indivíduo reconheça a paixão como uma ilusão, mas também como um espaço de descoberta e transformação, onde o amor é vivido como um jogo de presença e ausência.

A paixão madura reconhece a autonomia do outro, aceita a possibilidade de perda e mantém a conexão com o medo, o que fortalece a relação e o sentimento de liberdade mútua.

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