Speaker 1Boa noite, esta é a CNN Brasil, este é o WW. Câmara e Senado correram hoje para aprovar matérias que Lula considera importantes para a reeleição dele. O Senado aprovou agora, instantes atrás, o fim da escala 6x1, com o apoio também do candidato da oposição, Flávio Bolsonaro, pois o Brasil é prisioneiro da ideia de que um populismo, o de Lula, só se consegue combater com outro populismo. Seja como for, a lista eleitoreira desta quarta-feira, além do fim da 6x1, incluiu aumento para o faturamento do MEI, o microempreendedor individual, incluiu perdão de dívidas com a União para esse mesmo segmento, incluiu aumento da contratação de funcionários, transferência de R$ 5 mil para novos negócios. Com mais essas benesses eleitoreiras, o governo Lula. Depende do cálculo, mas há consenso. Em torno de R$ 300 bilhões foi aqui elevada a gastança para se conseguir votos. Para parte disso, sequer há previsão orçamentária. Mas essa é a essência do populismo. A festa é hoje, alguém que paga a conta amanhã. No caso das eleições, a pergunta é a seguinte. As benesses levam Lula a virar sobre a desolação? A vantagem com a qual saiu no primeiro turno? Até aqui não? Ou ainda não? O problema é o contraste entre medidas pontuais de última hora e os fatores mais abrangentes que explicam o primeiro turno para as eleições presidenciais, estaduais e especialmente para o legislativo. É o cansaço generalizado do eleitor e a persistente alta taxa de desaprovação do governo. Esse, digamos, climão geral. Continua o mesmo, fazendo com que continue difícil a empreitada da campanha de Lula. Espaço para uma virada continua existindo, mas continua apertado. Nessa edição, vamos falar também da complicada situação da guerra da Ucrânia. Situação complicada agora criada pelo próprio Donald Trump. Antes aos participantes da roda nesse momento, está conosco agora, agradeço a Murilo de Aragão, advogado. Cientista político, CEO da consultoria Arco Advice, que é também nossa parceira de conteúdo no site do WW. Obrigado por estar conosco. Boa noite, Murilo.
Speaker 2Boa noite, William. Boa noite, Thaís, Caio, Daniel. Boa noite, ouvintes.
Speaker 1Remoto está Caio Junqueira. Boa noite, Daniel Ritner, lá de Brasília também. Boa noite, Thaís, aqui comigo em São Paulo. Boa noite, Thaís. O Senado concluiu agora e há pouco. Não dá nem 10 minutos atrás. Duas votações para aprovar a PEC pelo fim da escala 6x1. As duas votações ocorreram em sequência. O placar foi esmagador. 75 votos a 1 pela aprovação. No Senado está a nossa repórter Carol Rosito, postada ao vivo. Boa noite, Carol.
Speaker 3Oi, William. Boa noite para você também. Boa noite a todos. Olha, foram mais de 5 horas de discussão aqui no plenário do Senado. Mais de 30 senadores se inscreveram para falar. Usaram a tribuna e também falaram por videoconferência. A sessão foi semipresencial e o presidente Davi Alcolumbre deixou todos os inscritos participarem. Claro, a maioria governistas defendendo o texto, mas a oposição, que também mudou o discurso nas últimas horas, acabou fazendo críticas à matéria como estava sendo colocada em discussão, mas defendendo o voto, sim, depois da mudança de postura também do senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro. Os dois turnos de votação tiveram o mesmo placar, 75 votos sim e apenas um contrário. Eram necessários no mínimo 49. A votação hoje foi possível em dois turnos, depois de toda a articulação envolvendo a senadora Tereza Leitão, líder do governo aqui no Senado, que conseguiu coletar as assinaturas necessárias para apresentar um calendário especial e, na prática, encurtar o prazo de discussão entre o primeiro e o segundo turno. O segundo turno de votação. O governo, então, comemora neste momento, segue comemorando aqui dentro do plenário, a vitória e bandeira de campanha do presidente Lula com o encerramento dessa discussão da PEC. O último passo agora é a promulgação que será feita pelo presidente do Congresso. Volto com você.
Speaker 1Obrigado, Carol. Boa noite para você aí no Congresso. Murilo de Aragão, as consequências econômicas é algo abrangente, que nós já tratamos algumas vezes. Eu vou propor. Eu vou propor que a gente se consente agora no impacto eleitoral do que acabou de acontecer no Senado. Qual é a sua avaliação?
Speaker 2William, é um impacto positivo para o universo lulista, sem nenhuma dúvida. Agora, é um impacto positivo numa área que já é eleitora do lulismo. É claro que as decisões referentes às MEI podem ter algum impacto fora do votante tradicional, do votante já. em favor do Lula. Porém, a escala 6x1 tem um impacto maior junto ao eleitorado que é o eleitorado do Lula. E também tem uma repercussão junto às pequenas e médias empresas que não têm a condição de implementar essa pauta imediatamente sem algum auxílio do governo. O fato é que eleitoralmente é positivo para o Lula. Agora, não sei se é suficiente para a vitória do presidente. Não é uma bala de prata.
Speaker 4Caio. Bom, William, a minha percepção vai na linha também do Murilo. É uma agenda positiva, sem dúvida alguma, para o presidente Lula. Mas eu ainda tenho dúvidas se aponto positivo o suficiente a ponto de determinar uma virada. Primeiro, pelo aspecto que trata diretamente com o público que já é majoritariamente eleitor do presidente Lula. Mas, principalmente, pelo timing dela. Acho que ela se insere dentro das outras medidas de pacotes de bondades que começaram há mais ou menos um mês no governo Lula, como o reajuste de Bolsa Família, desenrola 4, que leva o eleitor a se questionar. Por que não antes? Por que agora? Por que há três dias do primeiro turno? Por que há dez dias do segundo turno? Então, acho que esse efeito, para além de ser um público e um eleitorado cativo que beneficia essa PEC, também tem esse questionamento. É quase que. Como uma sensação de que o governo começou há um mês. Porque o governo Lula 3 começou a querer fazer tudo agora, justamente, pela situação mais frágil nas pesquisas eleitorais em relação ao principal oponente.
Speaker 5Daniel. Concordo com a avaliação do Murilo, do Caio, mas queria trazer muito menos uma interpretação e mais do que eu acabei de ver conversando com o PT, com o Centrão, com o Direita, lá no Senado, onde eu estava até agora há pouco. Vi uma oposição, uma direita. Em torno do Flávio Bolsonaro, preocupado, com um sabor um pouco amargo na boca, porque, fazendo uma autocrítica, foram curtir uma euforia do resultado do primeiro turno, a partir do dia 4. Muitos se desmobilizaram, senadores eleitos, governadores, foram passear, foram tirar uns dias de férias, se desmobilizaram. O núcleo da campanha começou a dividir o ministério de um eventual governo Flávio, enquanto o governo Lula. Lula conseguiu uma coisa que não conseguiu em três anos e nove meses. Uma mobilização digital bastante forte, recuperação da rua e o domínio da agenda. Quase todo dia a gente tem falado de alguma coisa em torno de Lula e do PT. Os trackings internos do PT estão já quase mostrando um empate. Havia um grupo grande do MDB próximo de Lula, no Palácio do Planalto, no momento em que a Quest, foi divulgada, dando só dois pontos de vantagem entre um e outro. A descrição que me foi feita ali daquela reunião é que só faltou um grito de gol, que houve um otimismo bastante grande em torno de Lula.
Speaker 6É isso. William, a gente já tinha trazido aqui essa preocupação dos aliados de Bolsonaro com a aprovação da PEC. Eram dois focos de preocupação, a PEC 6x1 e o outro é a reação do eleitor jovem, em função da. A mobilização das ruas. Agora, a gente já cansou de trazer aqui os custos econômicos do micro ao macro. Agora, o que me preocupa é, sob que condição que o Lula conseguiu criar tanta agenda. As favas com a lei eleitoral. Desde que ele anunciou o reajuste para o Bolsa Família, até essa aprovação de agora, como eu já disse aqui, o pudor foi embora. Então, a quantidade. De benefícios que ele lançou ontem, ainda lançou o pé de meia para todos os universitários.
Speaker 1Ele quer lançar, né? Ele quer lançar.
Speaker 6Pois é, mas ainda assim, foi criando com um evento no Palácio do Planalto, com anúncio, com apresentação de minuta, de projetos, de decretos e por aí vai, entende? Então, assim, a formalização de uma ação populista, dias de um segundo turno das eleições, a gente já. nunca tinha visto tão próximo das eleições. A gente passou a ver muito próximo das eleições e entre um turno e outro. Então, a próxima eleição vai acontecer o quê? Nós já assistimos de tudo. No STF, a briga do STF dentro dele mesmo, depois do STF contra o TSE, a briga de dentro do TSE e agora essa história de que o incumbente, que pode ser o Flávio Bolsonaro, se ele vencer as eleições, ou quem quer que seja, então, acabou a regra, acabou a autocontenção ali, a compreensão de que a lei precisa ser respeitada. A própria lei da responsabilidade fiscal diante desse monte de medida lançada nesses dias. Então, assim, é mais do que um vale-tudo.
Speaker 1Deixa eu colocar uma coisa na roda. A gente olhou nessa primeira rodada de intervenções o impacto eleitoral disso da perspectiva da campanha do Lula. Começando por você, Murilo, vamos olhar a conduta da campanha da oposição do senador Flávio Bolsonaro. Ele não ia, agora vai, ao debate da bandeirante desmarcada agora para domingo. Ele se manifestou de forma não acentuada, mas implicitamente crítica à aprovação da PEC que acabou de ser sacramentada pelo Senado. E agora, como forma de tirar uma bandeira eleitoral do adversário político, ele a apoia. O que isso traz para a campanha dele?
Speaker 2William, primeiro a gente deve dar alguns passos atrás. Sem dúvida, o Lula conseguiu um respiro a partir da mobilização. Eu discordo um pouco da análise que ele retomou às ruas porque foram manifestações robustas, sem dúvida, mas acompanhadas de manifestações ou de expressões que o eleitorado que vai decidir a eleição fica um pouco preocupado. Queima de bandeiras, mostrar a bandeira da Palestina, depredar a metrô, relembrando um pouco os black blocs naquelas manifestações de 2013. Enfim, então, essa tomada de rua, eu não sei se serve exatamente para trazer aquele eleitor que é indeciso ou que é isentão, ou que não votou nem em Bolsonaro nem em Lula. Enfim, então, essa é uma reflexão. O segundo ponto é que, sem dúvida, houve uma espécie de relaxamento da campanha do Flávio porque ele liderou o primeiro turno. Então, aquela primeira semana, ele ficou surfando aquela onda, cresceu nos trackings, os trackings chegaram a marcar seis pontos a favor dele e depois houve um refluxo, principalmente a partir de segunda-feira, quando o engajamento do Lula nas redes sociais foi o maior desde o início da campanha eleitoral. Então, sem dúvida, a campanha do Lula ganha uma atração. Essa história da aprovação do 6x1 dá narrativa, porém, volto a dizer, é uma narrativa muito conveniente para o universo que já aderiu ao Lula. Agora, me pergunto se as manifestações que ocorreram e o próprio impacto dessa decisão será positivo junto àquele eleitorado, que não é nem bolsonarista nem lulista, o eleitorado que votou em Cury, Zema, poucos votos, mas sim, Caiado, enfim, e Renan, eu tenho minhas dúvidas. Então, hoje, eu vejo que o Lula ganhou o respiro, ele assumiu, vamos dizer, a derivada é positiva, ele voltou a crescer, ele está encostando nos trackings, apesar de que hoje já tem trackings que já dão um ligeiro crescimento para o Flávio. Então, essa questão está muito incerta e muito apertada para se dizer efetivamente quem é que está levando a vantagem. Agora, sem dúvida, seis por um é um ponto importante para ele e isso ele vai faturar eleitoralmente, não sei se é o suficiente. E também tem aí a PEC da Segurança Pública para ser votada. E ali também tem uma espécie de questão que vai obrigar os governistas a se posicionar que é o aumento ou diminuição da maioridade penal no Brasil. É um tema que é meio que uma armadilha porque muitos eleitores no Brasil concordam com essa tese e ela vai ser colocada em votação no meio dessa PEC de Segurança Pública.
Speaker 1Ok. Caio, vamos dar uma espiada na campanha do Flávio.
Speaker 4William, a campanha do Flávio passa a primeira semana depois do segundo turno entre articulações políticas, isso foi natural, ele sai favorito do primeiro turno e faz uma campanha na primeira semana, semana passada uma campanha de gabinete, conseguindo reunir os principais partidos, os principais candidatos derrotados, os governadores e nesse meio tempo a campanha que perdeu o primeiro turno vai pra rua e ocupa redes e se reestrutura a partir de uma lavação de roupa suja sobre o que deu errado no primeiro turno. Esse foi o primeiro momento. O segundo momento é mais ou menos o que a gente está vivendo agora. Este segundo momento, a aproximação do presidente Lula, do Flávio nas pesquisas gera uma confiança e um otimismo grande no governo e no partido dos trabalhadores e obriga a campanha do Flávio a se reorganizar. Como ela tem se reorganizado? Tem sim questões internas, críticas internas principalmente do bolsonarismo mais aguerrido, o bolsonarismo mais raiz ao PL pela forma como conduziu a primeira semana em uma campanha de gabinete, uma campanha tímida, uma campanha de salto alto, uma campanha fatiando o que seria um governo Flávio e a partir dessas críticas com a aproximação do Lula no Flávio, eu senti de um dois dias pra cá quase que um redespertar da necessidade desse grupo político do Flávio Bolsonaro, do bolsonarismo e dessa frente ampla da direita que ele estruturou ir para as ruas e ir para as redes e isso está sendo feito. O Murilo citou alguns trackings ali, o próprio tracking da campanha do Flávio hoje, ele dá um espaçamento maior a favor do Flávio em relação ao presidente Lula e alguns trackings de bancos também dão, os bancos, eu digo, do setor financeiro, os agentes econômicos fazem bastante trackings e também dão um espaçamento maior do que em relação a Quest. Então eu diria que a partir de agora começa uma terceira fase do segundo turno, tendo dois eventos-chave que pra mim são decisivos, que são os dois debates, o da Band no domingo e o da Rede Globo na outra quinta. Ali pra mim. Que pode sair uma bala de prata para um lado e para o outro. Pacote de bondades, o Lula já citou de tudo, aliás, é uma campanha da oposição contra três máquinas administrativas, a do executivo, a do legislativo e a do judiciário e só do fato de estar na frente acaba dando ali uma pequena vantagem ao Flávio. Mas a gente entra ali na reta final, num terceiro momento do segundo turno.
Speaker 1Caio, deixa eu só chamar o intervalo, a gente volta no mesmo assunto, estamos esperando vocês daqui a um instante, pessoal, até já. Estamos voltando no intervalo da ABDAB. Daniel Ritner, deixa eu retomar ali onde a conversa parou ao final do último segmento. Nós estávamos olhando para a campanha de Flávio Bolsonaro em função das aprovações hoje no Congresso.
Speaker 5Vamos lá. William, o Caio comentava no bloco anterior, são três semanas, passa muito rápido entre o primeiro e o segundo turno. A primeira semana foi dedicada a uma campanha de gabinete, recebendo apoios de partidos que muito dificilmente se traduzem na ponta, em mais votos de eleitores, não são os caciques partidários que detêm influência sobre esses eleitores e uma semana praticamente dividindo ministérios de um eventual novo governo. Me parece que tem um ajuste aí de rota. Os próximos dias serão muito dedicados à rua. Flávio não estava no Senado hoje, votou virtualmente, remotamente, pelo fim da 6x1, mas estava ali na rua em Porto Alegre. Tem mobilização importante da direita que consegue colocar a gente também na rua em Santa Catarina, no fim de semana também vai ter em São Paulo, como um contraponto que foi a da esquerda no fim de semana passado. Então tem uma retomada de rua e tem uma mensagem mais importante ali que está sendo preparada, que é de colocar Flávio nos debates. Para passar uma mensagem de equilíbrio emocional e de que ele não é uma réplica do pai, é um Bolsonaro moderado. Por que isso importa? Porque afasta, a ideia é afastar aquela ideia exposta, por exemplo, do Valdemar da Costa Neto de que, olha, em 2030, Jair Bolsonaro está de volta, ou Eduardo Bolsonaro pode ser o chanceler no Itamaraty. A mensagem básica é equilíbrio emocional,
Speaker 1Bolsonaro moderado. Taís, as lideranças empresariais registram hoje um estrondoso fracasso. Tradicional na política brasileira é que vozes influentes em vários campos da economia sempre foram ouvidas no Congresso. Dessa vez levaram uma banana.
Speaker 6Levaram, William, porque assim, primeiro, a própria classe empresarial se dispersou. Se dispersou também nesse movimento daqueles que ficaram mais ligados ao bolsonarismo e outros que quiseram se afastar. E aí ficaram sem ponte com nenhum dos lados, porque não tem. ficaram nem muito ligados, não ficaram mais ligados ao bolsonarismo e também perderam qualquer ponte com o governo, um grupo, inclusive, que tinha muita interlocução com Lula nos seus governos passados e que, dessa vez, não conseguiram. Então, uma turma que ficou meio no limbo e uma turma reconhecida por ter história na condução dos grandes negócios no Brasil. Então, essa interlocução, primeiro, ela se dispersou e depois o Congresso Nacional também está disperso. Aquela atuação que a gente via antigamente de defesa de pautas ou de defesa de interesses do setor privado, o Congresso Nacional mudou a forma de receber essa pressão, porque as emendas parlamentares, a dispersão partidária, a própria radicalização. Então, o que eu ouço muito é que piorou também a interlocução com o Congresso. É assim, olha, não adianta o que a gente fala, primeiro, porque ninguém presta atenção. O cara está querendo saber 20, 30 segundos para ele postar as coisas na rede social. Então, toda essa mudança estrutural acabou provocando uma perda de poder dessa interlocução. E a PEC 6x1 é o resultado um pouco disso, porque não foi só o setor privado e o grande empresariado que alertaram para os efeitos nocivos da PEC, da forma como ela foi pensada. A Academia também alertou, a Academia Séria, a Fundação Getúlio Vargas, enfim, também alertou para esses efeitos e o Congresso também não ouviu. Então, é uma conjuntura de dispersão dos dois lados, tanto do Congresso Nacional quanto do lado de cá.
Speaker 1Bom, agora nós vamos para uma questão de segurança pública, que você já vinha trazendo, Murilo, na sua última intervenção no segmento anterior. Marcado para amanhã, às duas horas da tarde, sessão no Senado. Foi aprovada agora com um calendário especial, ou seja, provavelmente veremos uma tramitação apressada de uma PEC de segurança pública, que resume, em boa medida, uma enorme preocupação do eleitor, que é um medo, crime e crime organizado. Como é que o Senado vai se comportar?
Speaker 2William, o Senado vai aprovar a PEC, provavelmente, porque fica ruim eleitoralmente para o Flávio e para o Lula não avançar com a pauta. Então, o governo está fazendo barba, cabelo. O governo está fazendo barba, cabelo. medo no olho, faca na boca, faca na bota, não serão debates fáceis. E ali o problema é que um escorregão pode ser decisivo quando se tem uma eleição tão apertada, William.
Speaker 1Deixa eu passar rapidamente, que acabou o nosso tempo, Caio e Daniel, uma frasezinha para cada um. Alguém carrega um peso maior que o outro?
Speaker 4Bom, se eu for resumir uma frase, William, acho que é o debate que vai definir essa eleição para um dos dois lados. Acho que nada que evolua até lá vai resolver isso a não ser os dois debates.
Speaker 5Daniel, para encerrar. O peso que o Flávio precisa tirar das costas é o risco de escorregar numa casca de banana e viralizar nas redes sociais numa situação ruim. Ele é pouco experimentado em debates. O risco para o Lula é mostrar que, mesmo vencendo, não terá um Lula 4. Ingovernável, porque a oposição fala até, ó, se ele ganhar, é risco de impeachment do jeito que está o Congresso hoje.
Speaker 1Deixa eu começar por você, Murilo, meus agradecimentos. Muito obrigado, Murilo de Aragão, advogado, cientista político, senhor da consultoria Arco Advice, que é a nossa parceira de conteúdo no site do WW. Obrigado por ter estado conosco. Boa noite aí em Brasília, Murilo.
Speaker 2Boa noite a todos.
Speaker 1Despeço também dos meus colegas. Muito obrigado, Daniel. Boa noite, Caio. Tá isso, querida. Obrigado. A gente vai para o intervalo. Depois é o. A Ucrânia acusa Elon Musk de restringir satélites e prejudicar a Ucrânia na guerra que a Rússia iniciou. Até já. O WW está voltando do intervalo. Conosco agora no programa, Sandro Teixeira Moita, professor de Ciências Militares da Escola de Comando Estado-Maior do Exército, ICM. Sandro, muito prazer tê-lo de volta ao programa. Boa noite. Obrigado.
Speaker 7Boa noite a você, William, ao Lourival e a todos aqueles que nos assistem agora. Boa noite a todos.
Speaker 1Ótimo tê-lo a bordo, Lourival Santana. Boa noite. Boa noite. A dependência tecnológica e militar da Ucrânia em relação aos Estados Unidos voltou a ficar exposta da pior maneira possível nessa quarta-feira. Dessa vez foram os satélites da SpaceX de Elon Musk. É bom que se diga, não é o Starlink. É o Starshield. É um tipo de satélite com sinal militar. Um pouco diferente desse que todo mundo conhece aí comercialmente. Eu não estou fazendo propaganda para ninguém, só para ficar claro. Esse Starshield, eles deixaram Vladimir Zelensky na mão, literalmente. Vamos entender o caso na reportagem.
Speaker 8Autoridades ucranianas afirmaram que terminais de comunicação da SpaceX instalados em drones militares perderam conectividade ao atingirem determinadas velocidades. Os relatos se concentraram na rede Starshield, a versão militar dos satélites comerciais Starlink. A Ucrânia utiliza terminais linkados aos satélites de Elon Musk para operar drones e missões dentro do próprio território ucraniano. Esse uso inclui não apenas ações defensivas, mas também ataques contra alvos em regiões ocupadas por tropas russas. As forças ucranianas não foram avisadas previamente sobre as limitações de velocidade, o que levou a interrupções. de missões militares, segundo um assessor do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky. No X, Elon Musk disse que o Starlink comercial deve ser utilizado unicamente em atividades civis ou defensivas. Já sobre o Starshield, o empresário disse que o sistema é controlado pelo governo americano e que qualquer restrição sobre o serviço é decidida por militares americanos e, em última instância, pelo presidente dos Estados Unidos. Essas restrições ocorrem em meio à pressão de Donald Trump, sobre Zelensky, para que a Ucrânia interrompa ataques contra refinarias russas. O preço do barril de petróleo está acima de US$ 100 no mercado internacional há mais de um mês. Os ataques ucranianos contra refinarias colaboram com essa alta. Mas o principal fator ainda é a guerra iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã, que reduz o fluxo de petróleo para fora do Golfo Péssico há mais de oito meses. No radar de Trump estão as eleições legislativas de meio de. mandato nos Estados Unidos, marcadas para daqui a menos de três semanas. A preocupação da Casa Branca é com o mau humor dos eleitores com os preços dos combustíveis.
Speaker 1"Sandro, o que o Trump está aprontando?"
Speaker 7"Mais uma vez, William, ele está deixando claramente aquilo que ele adorava dizer e disse até uma vez naquele fatídico encontro do Zelensky no Salão Oval, que muitos chamam não de um encontro, mas sim de uma emboscada. No qual ele dizia que o Zelensky não tinha as cartas na mão. Ele não tinha a posse das cartas na mão que os americanos tinham a posse das cartas na mão. Então, ele está utilizando as suas ferramentas de pressão sobre o Zelensky. E a Star Shield, nesse momento, ela é extremamente importante. Lembro aqui que, acompanhando o conflito, os ucranianos conseguiram fazer uma impressionante contra-ofensiva, recuperaram 277 quilômetros quadrados com a Operação Vivaldi, nesse momento. A Star Shield foi decisiva para essa ofensiva, porque não só com os drones, mas com toda a comunicação ucraniana. William, a dependência ucraniana dessa tecnologia é tão dramática, que para a gente falar de uma coisa no meio militar chamada de comando e controle, ou seja, a sua capacidade de comandar tropas, a sua capacidade de controlar as ações militares, sejam ofensivas ou defensivas, a Ucrânia tem basicamente hoje dois caminhos. Ela possui as redes providas pela SpaceX, pela Star Shield, ou mensageiros humanos, tal como era na guerra, desde as priscas eras da antiguidade. Então, a diferença é muito grande e a agilidade é muito grande nesse sentido. E o Trump está usando isso como um instrumento muito forte de pressão à Ucrânia, e ao qual a Europa não tem como prover à Ucrânia nenhuma alternativa, e a própria Ucrânia, apesar de toda a sua inventividade, de toda a sua capacidade, com mais de 700 startups, não conseguiu e não tem como criar agora, por causa de todo o esforço de guerra, um programa alternativo de satélites. Os russos até estão fazendo isso porque foram vedados a ele a utilização de uma rede parecida com a Star Shield. No caso, a utilização ilegal da Starlink por meio de pirateamento de sinal. Eles até estão lançando satélites agora, que é o sistema Hazvet. Então, a gente está vendo mais uma vez os Estados Unidos mostrando que são o grande ator desse conflito, sem estar envolvidos diretamente em combate.
Speaker 1Tem mais um aspecto, Lourival, nisso que o Trump vem fazendo em relação à Ucrânia. Semana passada, em discussões que reuniram os seus negociadores prediletos de Trump, o V. Witkoff e o Jared Kushner, e mais os europeus, ele propôs aos europeus descongelar ativos russos em troca de algum início de negociação. É justamente o contrário do que os europeus pensam fazer.
Speaker 9O Trump está muito preocupado com a questão da carestia, do custo de vida nos Estados Unidos. Dia 3 tem eleições que trocam toda a Câmara e um terço do Senado. Então, ele está atacando o problema do preço da energia. O galão do diesel quase duplicou de valor nos Estados Unidos, assim como o galão da gasolina. E isso está machucando muito o eleitor que está deixando de ter interesse em votar nos republicanos. E ele pode perder maioria na Câmara e no Senado. Então, diante disso, ele tem adotado várias medidas e anunciou que a Rússia estava suspensa as sanções contra a Rússia para a venda de diesel: 300 mil toneladas em outubro, 500 mil em novembro e um milhão depois disso. No mínimo isso. Isso é quase nada, porque o mundo consome 29 milhões de toneladas de diesel por dia. Mas é simbólico e é político para ele demonstrar que ele está preocupado com a opinião pública americana depois de ter dito que era um custo pequeno para os americanos pagarem pelo Irã não ter arma nuclear. Então, ele está exercendo essa pressão sobre a Ucrânia para que pare de bombardear as refinarias russas, porque isso tem degradado muito a capacidade russa de vender, de processar óleo diesel e gasolina, e para que pare de fazer esses bombardeios. Como a Ucrânia não quer parar, porque essa é a única forma que a Ucrânia tem de conter ou de elevar o custo para os russos da invasão da Ucrânia, então ele usou esse artifício. Ele fez um post no sábado criticando o Zelensky por manter os bombardeios e o Elon Musk comentou imediatamente: "O Zelensky foi longe demais". Isso demonstra o desejo do Elon Musk de atender ao Trump, de ajudar ao Trump nessa pressão. Então, o que ele fez? Cortou a transmissão dos star shields, de um satélite para o outro, de veículos que estão a mais de 160 km/h. E isso é o que diz respeito aos drones e aos mísseis de curto alcance. alcance ucraniano. Os mísseis de alcance mais longo, intermediário e tal, não são atingidos porque eles usam navegação própria, GPS, reconhecimento de terreno, não precisam disso. Mas os de curto alcance, os drones, são muito importantes para a Ucrânia.
Speaker 1No caso das operações ucranianas, Sandro, os russos conseguiram um grande ataque às instalações, sobretudo as instalações de energia da Ucrânia. Aparentemente, a Ucrânia se mantém dentro dessas, entre aspas, restrições, mas os russos não. Ou seja, do ponto de vista militar, o que Trump está fazendo é dar uma carta importante para Putin.
Speaker 7Sem dúvida, William, e uma carta que vai ser muito bem explorada. A gente tem visto a mudança no padrão da campanha aérea estratégica russa contra a Ucrânia, então ela tem sido contra a energia, mas há uma novidade cruel também. Ela também tem sido contra a exportação de alimentos da Ucrânia. Os russos têm conseguido destruir todas as infraestruturas de estocagem de grãos da Ucrânia, principalmente próximos a portos, principalmente a do principal porto ucraniano, que é Odessa, e além disso, também de locomotivas. Então, houve recentemente o caso de um trem que foi atacado próximo a um outro trem que transportava uma série de VIPs internacionais, como o ex-primeiro ministro do Reino Unido, o Boris Johnson. O antigo diretor da CIA dos Estados Unidos, David Petreus, e outras figuras de relativa forma e que são apoiadores da causa da Ucrânia. Então, o que a gente está vendo aqui é uma campanha diversificada e que também um efeito dessa limitação de velocidade do Star Shield que o Lorival trouxe é a dificuldade de interceptação. A 160 quilômetros, os sistemas, os drones interceptadores da Ucrânia não conseguem interceptar os drones russos.
Speaker 1Lorival, os europeus se preparam, aparentemente, pelo que a gente lê, sobretudo na imprensa alemã, para responder em espécie ao Putin? Está claro o que seria?
Speaker 9Pois é, é que, bom, eles vão manter as sanções econômicas e tentam aumentar o apoio militar, mas aí é que a superioridade americana conta muito, né, William? Por exemplo, existe uma empresa europeia, Euterstat, que tenta concordar com a União Europeia, que tenta concordar com a União Europeia. Por exemplo, existe uma empresa europeia, Euterstat, que tenta concordar com a União Europeia. Por exemplo, existe uma empresa europeia, Euterstat, tenta concorrer com a Starlink barra a Star Shield, mas não tem a mesma cobertura, a mesma intensidade de conexão que a Star Shield. E existem tantos outros exemplos. Então, sim, a resposta é sim, os europeus vão tentar cobrir esse gap criado pelos Estados Unidos, mas não vai ser a mesma coisa. E isso num momento em que a Ucrânia estava realmente conseguindo frear os avanços russos e elevar o custo da campanha russa contra a Ucrânia.
Speaker 1O Tim mantém a coesão interna suficiente, Sandro, para a gente terminar o segmento?
Speaker 7William, o projeto da Ucrânia para a Rússia, e aí eu lembro uma frase muito famosa de um geopolítico americano, o Izbigniew Brzezinski. Que era muito claro o peso que a Ucrânia tem para a Rússia. Sem a Ucrânia, a Rússia é mais um país, um mero país. Com a Ucrânia, a Rússia passa a ser um império. Então, esses avanços, mas mais do que isso, William, o fato desse acordo com os Estados Unidos ter sido muito alardeado pelos americanos e pouco pelos russos, dá a Putin uma coisa que é mais especial ainda do que um apoio para a guerra. É uma mostra de reconhecimento de que ele está sendo olhado por uma grande potência, como um ator relevante, ou como um ator igual, a depender de como ele vai trabalhar isso na propaganda. E isso é algo muito forte para que ele possa trabalhar no imaginário da sociedade russa nesse momento.
Speaker 1Queria começar por você, Sandro Teixeira Moita, meu agradecimento. Você é professor de ciências militares da Escola de Comandos de Estado Maior do Exército, a ICM. Obrigado por ter participado do programa. Boa noite, Sandro.
Speaker 7William, obrigado. Boa noite a você, Alorival. Um abraço especial a todos os professores. Tudo para o pessoal amanhã.
Speaker 1Bem lembrado, bem lembrado. Fica o nosso. Obrigado. É que ele é professor. Eu sei, eu sei. Meu grande respeito. Professores, a gente precisa deles mesmo. Alorival, muito obrigado. Boa noite. Antes de me despedir de vocês, por favor, a gente tem um monte de material para vocês na nossa página do WWW no site da CNN Brasil. Vá até lá. Agora sim, essa edição chega ao fim. Obrigado e boa noite. Transcrição e Legendas Pedro Negri