O episódio do podcast "Ciência Suja" aborda a crise dos opioides na América do Norte, destacando como esses analgésicos poderosos foram promovidos de forma enganosa por décadas. O pesquisador Julho Fiore Junior, da Universidade McGill (Canadá), liderou uma revisão sistemática que mostrou que opioides como codeína não são mais eficazes que analgésicos comuns (paracetamol, ibuprofeno) para dores pós-cirúrgicas de pequeno e médio porte, mas apresentam maiores riscos de efeitos colaterais e dependência. A crise teve origem no marketing agressivo da Purdue Pharma, que lançou o OxyContin em 1995 afirmando que seu risco de vício era inferior a 0,03%, quando estudos posteriores do CDC mostraram que até 25% dos usuários de longo prazo se tornam dependentes. A família Sackler, dona da Purdue, lucrou bilhões enquanto ocultava evidências de abuso. A crise evoluiu em três ondas: primeiro com o OxyContin, depois com heroína e finalmente com fentanil sintético, causando mais de 600 mil mortes nos EUA. O Brasil já mostra sinais preocupantes de aumento nas prescrições de opioides (465% entre 2009 e 2015), e a Mundipharma, braço internacional dos Sackler, já comercializa OxyContin no país. O episódio alerta para a necessidade de uso criterioso desses medicamentos, baseado em evidências científicas sólidas.
O ciência surge até o selo da rádio guarda chuva, jornalismo para quem gosta de ouvir. Trasindo por pouco até pro pessoal, porque você sabe que uns tempos atrás eu caí sozinho e caí com braço do torto. Tive fazendo uma cirurgia de curso aqui assim. É sozinho não, quase foi atropelado. Isso, eu quase foi atropelado, eu colhei para trás e caí todo torto aqui. Fica, filha, cirurgia, tudo certinho. No fim, na alta a prescrição foi Codainna. Esse seu estudo, por exemplo, se uma pessoa pode levar a ferra a fogo seu estudo, ele estaria sujeirindo que talvez não seja o caminho a tomar Codainna, talvez um motor analgésico desse conto do recado. Sim, provavelmente você, o que eu nosso estudo sugere é que em comparação a tomar analgésicos mais simples, você tomar, por exemplo, um paracetamol, um ibuprofeno, qualquer tipo de antiflomatório, você conseguiria resultado semelhante, se relação ao controle da dor, em comparação a tomar Codainna. E você estaria sob o risco bem menor de desenvolver os efeitos adversos que eu comentei. É, às vezes jornalista não resiste e fala da própria vida com as fontes. Mas em minha defesa, esse meu caso tem a ver com a história que a gente vai contar aqui. Pra quem não sabe, a Codainna, esse remédio que foi prescrito depois da minha cirurgia, é um opioide. Os opioides são analgésicos derivados do ópio e a morfina é um opioide mais famoso. E ok, a Codainna é um opioide de baixa potência entre aspas, mais fraco que a morfina. Mas ainda assim é um opioide e pode causar vômito, em jogo e dependência. A fonte com quem eu tava falando aí é o Julho Fiore Junior. Ele se formou em Fisioterapia no interior de São Paulo e tem toda uma linha de estudos com pacientes em recuperação pausoperatória. Ele se especializou na escola paulista de medicina da UniFesp e depois foi pra fora do Brasil. O Julho já teve na Austrália, mas agora faz seus estudos na Universidade Magu, no Canadá. Ele tá tanto tempo fora que diz que começou a esquecer uma outra palavrinha do português. "Explicar meu trabalho em português tem sido muito difícil. Eu tô com problema agora com o tráer da que eu tinha quando eu não devia ver Brasil." Mas não deu nada não. O Julho explicou muito bem esse estudo dele que saiu em junho desse ano no delícete. Em resumo, ele e os seus colegas fizeram uma revisão sistemática de pesquisas randomizadas sobre o uso de opiores na auto-aspitalar depois de cirurgias de pequeno de médio porte. Como a minha? É uma prática meio comum na medicina de hoje. Você dá um opioide pra aliviar adornos primeiros dias de alta. E tem esse pequeno adendo. A revisão se concentra na alta mesmo e não quando o pessoal ainda tá no hospital. Mas vamos lá. Foule encontrados 47 experimentos randomizados e controlados. O Julho consolidou os dados de todos eles e aí descobriu que os opiores não são mais eficazes do que outros analgésicos em reduziador depois da alta. Só que eles provocau mais efeitos colaterais. Então a princípio paciente que passa por uma cirurgia de pequeno ou médio porte não deveria sair do hospital com uma receita de opiode salva algumas exceções. A prescrição de opiores pra tratado do orpós-operatório é algo que tá bem raizado na cultura médica norte-americana aqui no Canadá e nos Estados Unidos. Então quando o impacto da cirurgia sobre aqueles dos opiores começou a chamar atenção na literatura científica os integrantes do nosso grupo, principalmente os integrantes de estenacionais, ficaram bastante entregados. E, ao com pesquisador, a principal pergunta que veio na minha cabeça é se existidamente a gente acha como a evidência científica mostrando que a prescrição de opiores beneficia dos pacientes cirurgicos, que compara seu condicion analgésicos mais simples como parcetamol, anti-flomatórios, etc. E aí que tá? Uma cultura médica de prescrever um remédio com o potencial de dependência depois de pequenas cirurgias foi criada em cima de vapor, porque como o Julho mostrou, nunca teve evidência de alta qualidade de que essa prática reduz mais ador do que intervenções menos intensas. E não é só nesse contexto que a ciência dos opiores não bate com seu uso na prática. Esses medicamentos foram usados muito, mas muito além da conta nos Estados Unidos, no Canadá, em alguns outros países. Foi esse uso indiscriminado que causou a tal crise dos opiores que o Julho mencionou na América do Norte. Desde 1999, quando esse problema de saúde pública começou a ganhar força, mais de 600 mil mortes foram causadas por overdose de opiores nos Estados Unidos, um número que continua subindo em ritmo acelerado. Só que essa epidemia não surgiu do nada. Ela foi causada, farmácias, profissionais de saúde corruptos, agência reguladora de medicamentos, farmacêuticas, todos tem culpa no cartório. Mas tem uma turma que merece destaque. É a família Sácler e a farmacêutica deles a Perdio Farma. Em 1995, eles lançaram o remédio Oxiconte, que continha Oxicodona, um opiode mais forte que a morfina. E se fosse só isso, tudo bem. E há casos em que é mesmo necessário usar remédios potentes assim para conter a dor. Só que a Perdio alegou que a fama dos opiores de causar dependência era injusta. Na verdade, segundo eles, esse risco era baixíssimo, menor do que 0,03%. E que por isso, o Oxiconte e outros opiores poderiam ser usados numa boa como primeira linha de tratamento para vários casos de dor. Inclusive, as crônicas. E não só aquelas mais intensas e agudas, como as dores de uma cirurgia pesada ou as de um câncer. Tá com dor nas costas ou de cabeça que não vai embora, Oxiconte enelas. Os representantes de vendas da Perdio diziam insistentemente pros médicos que esse era analgésico. "Para se iniciar e para permanecer com." Só que era mentira. O centro de controle prevenção dos Estados Unidos, o CDC, mostrou que até um quarto das pessoas que tomam o opiode de maneira prolongada viram dependentes. E investigações revelaram que os séclers e os dirigentes da Perdio já sabiam do alto potencial de dependência do Oxiconte, pouco tempo depois de lançamento. Mas eles resolveram ficar quietos para continuar lucrando com a dependência dos outros, o que beneficiu até o tráfico de drogas. Só o Oxiconte em geral, 35 bilhões de dólares em receitas para Perdio. E olha que tinham outras farmas, como aendo, a teva e a John Soe Johnson correndo atrás desse mercado e vendendo seus próprios opiodes. Por outro lado, o CDC calculou um custo anual de 80 bilhões de dólares com a crise. Entre tratamento para a dependência, mortes, perda de mão de obra, Estados americanos que processaram a Perdio estimaram um prejuízo de 2 trilhões de dólares. E apesar da empresa ter pedido falência em 2019, seus donos, os séclers, continuam sendo uma família bilionária com contas offshore, mansões e tudo mais. Tem um documentário excelente que se é o Neitibio ao Soe Brouassunto, com um título que dá o tom da gravidade que ele merece. É o crime do século. Neste episódio, a gente vai trazer a ciência surja que promoveu a crise dos opiodes e o que mais inflou esse problema gigante de saúde pública na América do Norte. E também vamos mostrar como essa epidemia pode invadir outros países, inclusive o Brasil. Um relatório de fevereiro de 2022, da comissão para a crise dos opiodes do Lancet, cita o nosso país entre os que estão na mira do braço internacional dos séclers, a Munde Pharma. Essa farmacêutica, inclusive já comercializa o oxicontinho aqui. O mesmo documento aponta um crescimento na prescrição de opiodes da ordem de 465% de 2009 para 2015 no nosso país. Pode ser que antes o Brasil tivesse tratando pouco a dor, realmente pode. E a gente também não quer menos presar a dor de ninguém não. Sofre condores intensas é bem complicado. E os opiodes às vezes têm um papel nesse cenário. A gente deve valorizar o uso adequado que segue as melhores evidências e lida com os riscos de forma transparente. O problema é que várias das justificativas meia boca usadas para bombar os opiodes nos Estados Unidos estão chegando aqui no nosso quintal. Meu nome é Téu Preste. E eu sou Tais Manarini. Esse é o quarto episódio da segunda temporada do Ciência Suja, o podcast que mostra que incrimes contra ciência, as vítimas somos todos nós. E vamos começar com um momento de recunha história. Os opiodes são substâncias originalmente derivadas do ópio, que é um sub-produço da papola. 3.400 anos antes de Cristo, os sumérios, que viviam na mesopotâmia, estraiam uma espécie de leite dessa flor para fins medicinais. Aliás, a papola era chamada de planta da alegria por lá. Na gressa antiga, o hipócrate, o pai da medicina, recomendava tomar uma mistura com esse nectar por diferentes problemas. Então, desde muito tempo, o pessoal já sabia que sub-produço dessa planta ali viavam ador. Mas vamos ser sincero aqui, né? O pessoal gostava também de se divertir com os efeitos do ópio. Não era só para saúde não. No século 19, 12 milhões de chineses ficaram viciados depois que a Inglaterra inam dois em esse país com o ópio contrabandiado e produzido na Índia. Isso, culminou nas chamadas "guerras do ópio" e terminou com uma China derrotada em 1860, tendo que engolir a legalização dessa droga.
e a perda de Hong Kong. Um pouco antes, no comecinho do século XIX, o químico Friedrich Certurner da Prúcia tinha isolado o princípio ativo do ópio. Ele chamou essa substância de Morfina, uma lusão ao Deus-Grego Morfew, o Deus do Sono. A Morfina meio que imita substâncias naturalmente produzidas pelo organismo, como a Indorfina, e tem quem chama a Indorfina de nosso analgésico natural, embora a Morfina seja muito mais potente que ela. Como que funciona? Se você tiver, por exemplo, um corte cirúrgico, e essa cirurgia provoca a lesão testidual. Então, tem ali, naquela ferida, vai gerar uma série de substâncias que vão ativar o seu sistema nervoso. E para o corte que será brau, você vai perceber aquele estímulo, aquela inflamação que está tendo naquele local da cirurgia. Como o tor? A Angela Solz, que se ouviu aí, é médica a anestesologista e coordena uma equipe que lida com as dores de pacientes com câncer, no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e Céspia. Ela vai voltar mais para frente um episódio. Mas a gente só queria que ela explicasse aqui como os remédios à base de opióides funcionam. Essas substâncias atuam desses receptores, modificam o funcionamento dos sistema nervoso e diminui a chegada de estímulo doloroso no cérebro. E tem um caso clássico da história dos Estados Unidos que deixa claro o potencial dos opióides, para o bem para o mal. Eu tirei essa passagem do livro Reportagem "Pire of Pain", é em pé do dador em português, do jornalista Patrick Redden-Kiff. Nelhe, o Patrick conta a história da crise dos opióides e principalmente da família séclica e da pérdil, a farmacêutica que desenvolveu o oxicontin e que a gente falou lá atrás. Muitas informações aqui desse nosso episódio estão baseadas nessa investigação que durou anos e que tem um texto gostoso para a bulw de ler. Aliás, quando eu vi a capa do "Pire of Pain", eu fiquei com uma sensação que conhecia o nome do autor. Aí veio o estalo. O Patrick Redden-Kiff do "Pire of Pain" é o mesmo Patrick do podcast "Wind of Change", que investiga uma história maluca de que a música mais conhecida da banda de rock-scorpions teria sido encomendada pela ciência na guerra cultural contra a União Soviética. É um podcast espetacular, mas voltando aqui ao nosso ciência suja. A história que eu queria contar é a da guerra da secessão. O agarra se viu a americana de 1865. Durante ela, a morfina foi muito usada por soldados machucados de ambos os lados da batalha, porque ela realmente é liviador. Só que isso produzia uma geração de veteranos vidrados em morfina, tanto no norte como no sul do país. O livre "Pire of Pain" diz o seguinte. Em 1898, 250 mil americanos eram dependentes por morfina. Uma década depois, o presidente Tioda Roosevelt apontou o Dr. Hamilton Wright como comissário do ópio para conter o flagelo do abuso. Nessa mesma época, a Bayern refino a morfina e começou a vender o que chamou de um remédio heróico. Daí o nome de "Eroína". A formacêutica legava que esse medicamento teria todas as vantagens dos opióites, mas sem a dependência. Aliás, tinha gente defendendo o uso de heroína até contra a dependência por morfina, só que o tempo passou e ficou claro que a heroína era mais potente e igualmente viciante. Em 1913, a Bayern parou de produzir a heroína em 1924 ela foi proibida nos Estados Unidos e só aí passou a ser vista como droga. Ou seja, já na virada do século 20, tinha farmacêutica querendo criar narrativa de um opióide que não viciava, ou que mal viciava. Então a pôrde, o afarmacêutica da família Séclair, basicamente reciclou essa estratégia de marketing com os seus próprios opióites, umas décadas para frente. E de marketing médico, os sécleres manjavam. O Arthur Séclair, da primeira geração da família, a ficar rica, era meio que um gênio inescrupuloso da propaganda médica. Era um gênio do mal, vai? Em 1998, o holda fama da publicidade médica, e sim, e se visita nos Estados Unidos, apontou o seguinte. O Arthur não tem nada a ver com o oxiconte em si. O principal responsável pelo lançamento desse medicamento foi o sobrinho dele, o Richard. Mas o Arthur abriu um caminho para a estratégia de promoção usada para os opióides modernos, a partir de campanhas de outras drogas. Seu trabalho mais famoso foi com o Válion, um calmante lançado em 1963, sem muita restrição de indicação. O Válion gerou um hype gigante. Ele foi o primeiro remédio a alcançar um bilhão de dólares em vendas. Enquanto outros calmantes eram vendidos para pessoas com transtornos psiquiátricos mais severos, a roche sugeria que o Válion ajudava com os picos de ansiedade do dia a dia. A mensagem passada era de que o Válion não tinha efeitos colaterais severos e não viciava. E o Arthur enxeu as ruas representantes de vendas, que batiam na porta dos consultórios médicos para dizer isso e apontar a entre aspas literatura científica. Para ele, isso não era publicidade, era educação médica. E o lance é que no mercado dos remédios, muitas vezes o anunciante não mire o usuário final, ou só o usuário final. Ele olha para o prescritor, o cara que manda o paciente comprar seu produto. Essa foi uma das grandes sacadas do Arthur. Só que assim como no caso da heroína da Válion, o Válion não tinha nenhum estudo clínico apontando que não causava dependência. Até porque ele causava. E isso foi visto em pesquisas posteriores. Mas a roche resistiu no seu discurso até quase o fim da validade da patente. Isso, em 1973, ela concordou a entre aspas, voluntariamente, submeter seu remédio é um processo controlado de prescrição. E agora assim, a gente chega no oxiconting, que foi lançado no finalzinho de 1995 como a gente disse no começo. Oxi vem de oxicodona, aquele opioid mais potente que amorfina e contem remete a contino. É que o comprimido vinha com um espécie de revestimento que liberaria substância aos poucos. E isso supostamente evitaria crises de abstinência e dependência. A oxicodona em si foi desenvolvida em 1916 pelos alemãs durante a primeira guerra mundial. A novidade era essa liberação fracionada, a PERDIO não fez nenhum estudo mais detalhado pra de fato avaliar o potencial de dependência do oxiconting. Ao invadir isso, ela investiu o tempo de dinheiro em negociatas com membros da FDA, a agência que regula medicamentos nos Estados Unidos. Nove meses antes da aprovação final do oxiconting, executivos a PERDIO já sabiam que o medicamento seria liberado, segundo trocas de e-mails. O principal responsável da FDA, por essa falhação e aprovação, era um homem chamado Curtis Wright. E o negócio chegou absurdo de ele receber por semanas uma equipe da PERDIO pra ajudar a fazer a revisão das evidências de eficácia e segurança. Os caras alugaram um quarto de hotel do lado do escritório do Wright pra agilizar o serviço. E aí, só com base no racional de um mecanismo de ação, em um estudo antigo cheio de limitações que a gente vai explicar mais pra frente, a PERDIO conseguiu implacar na bula a seguinte frase. Acredita-se que o sistema de entrega na droga reduz a capacidade de abusos da droga. Acredita-se. A linguagem é uma maravilha, né? Quem será que acredita nisso? Eu não sei. Só sei que cerca de um ano depois, o Wright foi trabalhar dentro da PERDIO com um salário de mais ou menos 400 mil dólares por ano. É isso que o pessoal chama de porta-giratória. O sujeito sai da instituição que limita, regulamenta ou fiscaliza as ações da empresa e aí vai trabalhar na própria empresa, trazendo com ele um monte de informações valiosas e até confidenciais. Bom, aí o Richard Sackler seguiu a cartilha do Tio Arthur e contratou um monte de representantes de vendas que saíram repetindo pros médicos o seguinte discurso. O oxicomptin não precisa ser usado só em último caso e sim em qualquer caso de dor moderada ou intensa, porque afinal de contas, ele é super eficaz e não vicia. Ele era o remédio pra iniciar e manter o seu tratamento. Lembra? No primeiro ano, foram 44 milhões de dólares em vendas. No segundo, isso dobrou e no terceiro dobro de novo. Em quatro anos, o oxicomptin bateu 1 bilhão de dólares em receitas e superou viagra a droga sensação dos anos 90. No quinto ano, o time de vendas da pôrde o duplico de tamanho. O mercado de opióides estava voando e fazendo um monte de gente ganhar dinheiro. Era um distribuidor de medicamentos, clínica de dor, redes de farmácia, outras farmacêutrias com seus próprios opióides, só caíam os problemas começaram a pipocar. Quer dizer, eles ficaram mais difíceis de negar porque a verdade é que desde 97, os representantes de vendas já traziam relatórios com casos de abuso e os sécleres esconderam esses documentos. E foi isso aí que deu origem a uma epidemia de dependência imortes por overdose. Para alguns especialistas, essa é a mais grave crise de drogas enfrentada da história dos Estados Unidos. Aquele relatório do Lancet fala em três ondas da crise. A primeira veio nos anos 90 com oxicomptin e a campanha de marketing pesada da pôrde. A segunda veio em meados dos anos 2000 quando o número de dependentes de opióides cresceu ao ponto de turbinar o tráfico de heroína, uma droga mais barata. E a terceira veio com o pior de sintéticos altamente potentes, como o fentanil, que é produzido por farmacêuticas mais também por traficantes e ainda mais barato que heroína. Essas ondas foram se somando e gerando um salvo
do assustador, como a gente disse, mais de 600 mil mortes foram provocadas nos Estados Unidos por causa de opióides, lícitos ou não. E a pandemia piorou o cenário, como mostrou o julho fiore. Desde 2020-2021, os números do Canadá acabaram de ser reportados. Cerca de 7 mil pessoas morreram no Canadá em média por ano e nos Estados Unidos números subiram para 70 mil mortes por ano. Três fatores que são apontados como causas desse aumento de mortalidade por opióides durante a covid. Um é que o isolamento social e a covid em si causam estresse e fazemos usuários de drogas consumirem mais drogas. Outro é que a restrição de viagens e o maior controle de fronteiras mexeram com o mercado ilegal. O fentanil ganhou espaço e alavancoas overdose. Às vezes, o cara até achava que estava consumindo heroína, mas a droga estava batizada com o fentanil. Também com a covid de 19 isolamento social teve uma diminuição de acesso a serviços de usuários de drogas, como centros para os suprivisionados, até o acesso a uso de terapia com metadona e etc. Segundo uma reportagem da Vice, há cada 15 minutos um bebê nasce nos Estados Unidos com dependência por opióides. Entre 2006 e 2014, 100 bilhões de comprimidos de opióides foram distribuídos por lá, de acordo com a Stonepulse. De 2015 a 2017, as convulsões causadas por fentanil triplicaram. Por ter catalizado essa cadeia de eventos e principalmente por ter maquiado escondido em formações, a pôr de foi processada por diferentes estados e indivíduos, indiferentes ou casiões. Quando dava, ela pressionava o judiciário a arquival caso, quando não dava fazer acordos com outro lado para silenciar o assunto. Enquanto isso, os sécleres foram drenando dinheiro da Perdil e colocando nas próprias contas bancárias. Em 2019, a Perdil entrou com o pedido de falência e declarou só ter um bilhão de dólares em dinheiro ou ativos pros credores. Isso é estranho para uma empresa que vendeu a equivalente a 35 bilhões de dólares só com uma droga e que era de uma família com uma fortuna de 14 bilhões de dólares segundo a lista forbes de 2015. De acordo com o emparrof PEN, o procurador geral do Estado da Carolina do Norte disse isso aqui. "Os sécleres extraíram quase todo o dinheiro da Perdil e empurraram a carcaça da companhia para a falência. Multi-bilionários são oposto de falitos." A história do séclere e da crise dos opióis é cheia de complexidades e das evindas e ainda tem o absurdo que nenhum dos membros dessa família foi condenado criminalmente. A gente até queria entrar mais a fundo, mas a verdade é que já existem reportagens, livros, filmes e até séries espetaculares que detalham o caso. De novo, a gente recomendo em Pair of PEN e o documentário crime do século, que é dividido em dois episódios. Tem também a série dramatizada doopsyque, com Michael Kitt andando um show. "Mas só para fechar esse capítulo com mais umas picareitagens rápidas, eu vou chamar de vocês de novo para me ajudar aqui com as nossas listinhas do Censia Suja. Bora lá, tá isso?" "Bora!" Número 1. Segundo a Perdil, o oxiconte não era aviciante por causa daquela liberação contínua ou lenta do oxicodona que a gente comentou antes. A Perdil dizia que o paciente a recebendo a dose aos poucos durante 12 horas, o que evitava abusos. Mas até esse tempo de efeita era mentira. Graficos foram manipulados para vender essa suposta ação da droga para os médicos. Quando começaram a chegar aos relatos de que os efeitos do remédio não duravam esse tempo todo, a solução da Perdil foi simples para escrever uma dose mais alta. Número 2. Para provar que doses altas não eram um problema, nos anos 90 a Perdil conduziu um estudo de caso com um ex-dependente de heroína, um cara que tinha alta tolerância oopióides. Ele chegou a receber 50 pilas de 160 miligramas por dia, o equivalente a 200 doses de heroína e ainda assim ele sobreviveu. Só que esse caso para lá de específico foi usado por vendedores da Perdil para argumentar que o oxiconte era seguro mesmo se tomado em doses altíssimas. É mole. Número 3. Em 2007, a Perdil foi processada e parte da diretoria admitiu sua culpa pela venda irresponsável do oxiconte. Aí, ela fez um acordo com o departamento de justiça dos Estados Unidos para pagar uma multa de 600 milhões de dólares. Parece alto, mas é um valor relativamente baixo, já que a Perdil tinha lucrado 9 bilhões de dólares só com a venda desse remédio até 2006. Enfim, tem muito mais absurdo, mas a gente aqui do Ciencias Sur já resolveu seguir outro caminho até para não repetir as mesmas coisas do que já tem publicado por aí. Então agora nós vamos tentar responder duas perguntas. A epidemia americana dos oopióides pode se tornar uma pandemia e atingir países como o Brasil e os fatores que impulsionaram esse problema de saúde pública por lá estão sendo exportados, depois intervalo a gente fala disso. Oi gente, essa paradinha aqui é para lembrar que a segunda temporada do Ciencias Surja só se tornou possível por causa do Instituto Céra Pileira, que apoia projetos de pesquisa e divulgação científica. Dá uma olhada no site deles para ver o tanto de coisa bacana. E o Ciencias Surja faz parte também da Rádio Guarda Chua, uma rede com um podcast jornalístico melhor que o outro. Entre eles tem o Pauta Pública, o podcast da Agência Pública. Cesta sim, sexta não, eles trazem jornalistas de diferentes redações e mais entrevistados para abordar perspectivas que nos ajudam a entender esses tempos tão complexos. O pessoal de lá gravou um recadinho para vocês. Oi eu vi em Ciencias Surja, aqui é Clare Saliví, eu sou apresentadora do podcast Pauta Pública junto com André Adip. Então aqui para convidar vocês para ouvirem o Pauta Pública, que é um podcast semanau em que a gente faz entrevistas com pessoas que nos ajudam a explicar o Brasil. Nosso último episódio, por exemplo, 42, a gente conversou com um pesquisador que explica como e por quê? Tantas armas foram liberadas para a população civil durante o governo Bolsonaro. Acada a sexta-feira de manhã em sedginho, saiu um novo episódio com entrevistas exclusivas. Espero vocês lá no Fidi do Pauta Pública. Um abraço até! [Música] Sabe aquele relatório da comissão para a crise dos opiões do Lancet que a gente já mencionou? Então, tem um parágrafo dele que merece ser lido na íntegra. O consumo de opiões percape está na Holanda, quase dobrou na década que terminou em 2017. Internações e mortes relacionadas aos opiões, te aplicaram no mesmo período. Os últimos dados sobre prescrição de opiões das anções unidas, mostram o aumento de consumo de 96% na Islândia nos últimos 7 anos. Mortes por overdoze e estão em franca a sensão. E agora, a Islândia tem uma das mais altas taxas de morte por overdoze dos países nóticos. Entre 98 e 2016, a dosagem dispensada de morfina por pessoa na Inglaterra cresceu 127%. De 2009 e 2015, as prescrições de opiões no Brasil aumentaram 465%. Segura que a gente já vai focar no Brasil. Volta pro texto, clé. Na Austrária de 1992 a 2012, a dispensação de opiões cresceu 15 vezes. No mesmo período, as hospitalizações associadas a uso de opiões mais do que dobraram. E agora superam as internações por eroeína. No México, a prescrição de opiões aumentou em média 13% cada bemestre entre 2015 e 2019. Embora taxa média seja cerca de 150 vezes menor do que nos Estados Unidos nesse mesmo período. A proporção de finlandeses recebendo prescrições de opiões saltou de 1% em 95% para 7% em 2016. E o que a gente apurou é que os próprios argumentos da PURDIO se disseminaram para outros países e outras farmacêuticas. A clé Pinheiro, a nossa produtora, foi atrás do Peter Gotte para tentar pegar esse lado da história. O Peter é um médico de na Marques que escreveu o livro "Medicamentos mortais", que fala dessa e de outras histórias de ciência surge envolvendo a indústria farmacêutica. E aí ele indicou para a gente um colega dele, o também médico de na Marques, Karsten Jorgensen. O Karsten é líder do centro de medicina baseada em evidência de odência na Dinamarca e protagonizou um caso meio a la PURDIO entre 2017 e 2018. Ah, e o Karsten não fala português. Então o Pedro vai fazer as vezes de Karsten agora. Eu. eu estava envolvendo. Então, na verdade, eu me envolvi nisso porque a televisão de na Marquesa Nacional, o canal está tauta da Dinamarca, entrou em contato com o nosso centro de pesquisa. A nossa especialidade é avaliar e sintetizar a ciência médica. Ah, um médico só. Os repórteres estavam interessados em um derivado moderno de opioid de farmacêutica grunental, que também atuam no Brasil. Toda a campanha de Marques tinha dizia que ele, abre aspas, raramente causava dependência. Só que o consumo desse remédio estava aumentando no nível preocupante, e os repórteres entrevistaram várias pessoas que tentaram parar, mas sofriam com claro sinais de abistinência. Como tremores, vômito, malestar, eles então pediram para a agência regulatória local os documentos que justificaram a aprovação e essa legação de que esse opioid dificilmente ficiava. Depois mandaram para o Karsten analisar.
Então, ali os documentos enviados e vi que nenhum realmente examinava essa questão da dependência. Alguns, na verdade, suavam uma alerta. Alguns eram experimentos com animais. Em um deles, macacos apertavam um botão e recebiam esse remédio. Depois de um período relativamente curto, os macacos não paravam de apertar o botão, e eventualmente, um dos macacos morreu. Eles preferiam esses remédios do que comida ou qualquer outra coisa. Já os estudos em humanos não discutiam a questão da dependência. Aí os repórteres voltaram para a agência regulatória e perguntaram. Como vocês deixaram a gruna então alegar, que esse produto raramente causava dependência? E basicamente, o argumento foi que a aprovação de drogas não é baseada no perfil de segurança. Se você documentar que tem o benefício, você pode comercializar e fazer propaganda. Ou seja, o argumento era que como não tem documentação de que causa a dependência e sabemos que é benefícios, você pode vender. É, aí pegou mal, né? A campanha de marketing toda voltada para essa alegação de segurança e, no fim, não tinha evidência disso. Com repercussão do caso, esse medicamento deixou de ser prescrito para todo tipo de dor crônica e foi categorizado que nem é morfina, que é bem mais controlada. Valeu pela moral, Carsten. Por outro lado, nem a gruna e tal, nem ninguém foram punidos nesse caso. E isso, porque essa forma já tinha um histórico aí. No final da década de 50, ela desenvolveu a tal idomida contra em Jouos e permitiu a venda para mulheres grávidas. Poucos anos depois, uma onda de abortos e bebês com deformidades nasceram por causa desse medicamento. A gruna e tal resistiu, mas acabou tendo que indenizar muitas famílias. E esse caso motivou a exigência de estudos randomizados para a aprovação de medicações em boa parte do mundo. E agora sim, vamos falar do nosso Brasil. Em 2013, a farmaceltica Mundefarma abriu um escritório aqui. Seja farmaceltica atuem dezenas de países. E, Txanana, foi fundada pelos sáclores. Sim, a mesma família da pérdio. E a pegada era mais ou menos a mesma. O Livre & Fire of Pendes, o seguinte. Na América Latina, na Ásia, centenas de milhões de pessoas estavam se juntando a classe média. Esses indivíduos de repente tinham maior acesso à saúde e mais dinheiro para gastar em bem-estar. Então mesmo em conta a pérduo, enfrentava diferentes processos nos Estados Unidos, a Mundefarma se preparou para cultivar novos mercados para não-jesicos. Um ano depois de desembarcar aqui, em 2014, a Mundefarma soltou um levantamento que recebeu a atenção da grande imprensa, alegando que 80 milhões de brasileiros, ou cerca de 40% da população, conviviam com dores crônicas. Na Colômbia, o número seria de 47%. No México, 40 milhões dos habitantes sofreriam com esse problema. Depois de acusar uma epidemia silenciosa de dor crônica não tratada, era hora de trazer os entre aspas educadores médicos. Eles aliás fizeram seu trabalho muito bem, porque até hoje, essa coisa de epidemia silenciosa é repetida por muitos profissionais. No Empire of Pain em uma reportagem do Los Angeles Times, o nome do médico Joseph Pergolise Jr. é citado como um dos que vinha dos Estados Unidos para o Brasil, das seminários para os colegas, sobre as ferramentas para lidar adequadamente com a dor. Ele e outros especialistas com a mesma missão eram pagos pela mão de farmã. O curioso é que essa turma reciclava os argumentos jagastos nos Estados Unidos, como de que menos de 1% ou 0,03% para 6% nos usuários de remédios à base de opioids desenvolviam dependência. Então, um adendo aqui para entender esse número mágico que a Pârdio e a mão de farmã doravam repetir para os profissionais de saúde. O principal argumento que foi utilizado pela perdof arma para justificar o reduzido nível de dependência com os diopeóis foi baseado nos dados que foram publicados numa carta o editor publicado no New England Journal of Medicine. E era uma carta que tinha cinco linhas. Tá aí o Julio Fiore de novo colocando os pingos nos is das histórias. Tudo bem que em uma revista científica uma carta o editor pode trazer dados em sites interessantes. Mas o fato é que esse tipo de texto não passa pela revisão criteriosa de outros pesquisadores, como um artigo científico propriamente. Essa carta é editoria em específico foi publicada na década de 80 no período com New England Journal of Medicine. Seus autores eram da universidade de Boston e coletaram dados de 11.000 pacientes que usaram o pior de inhospitais. Mas além da metodologia científica desse levantamento não se conhecida, o fato é que ele se concentrave em indivíduos internados, que em geral fazem um uso mais rápido e com doses calculadas de o pior de inhomiaente controlado. Nessa turma o número de dependentes teria sido de 0,03%. Só que as farmacêuticas dos sécleres estendiam esse número para todo o usuário desses analgésicos, inclusive os condores crônicas que a princípio não tem data para parar com tratamento. Neste cenário, o seu descende cô que na verdade um quarto das pessoas ficavam dependentes como a gente falou no começo, é uma diferença de 0,03% para quase 25%. Com pesquisa básica, a gente consegue medir de certa forma. A beste jeito, o pior de estar nas mais alto nível de dependência junto com nicotina, são as duas substâncias com maior potencial dependente. A voz que se ouviu aí é da Renata Asevido. Era uma psiquiatra especializada em dependência química e coordena o ambulatório de substâncias psiquativas do hospital das clínicas da Unicamp. Foi a Renata que disse na abertura do episódio que tem recebido mais casos de pessoas que abusam de opiões. A gente já vai tocar no perfil desses pacientes, mas antes vamos arrematar umas coisas, começando por essa história de usar o pior de prador crônica de maneira divertida. Então, por exemplo, dor crônica. A resposta tem, já não ser muito boa. A resposta prador crônica é melhor com remédios elevados de gabapentina, com antidepressivos que são já bem estabelecidos prador crônica, principalmente formador crônica tipo fibromialgica, que tem um componente de ansiedade, que também responde bem. A Renata afirma que dá para recorrer os opiões por um tempinho mesmo no contexto de dor crônica, só que enquanto as outras medidas como a fisioterapia não surtiram o efeito, por exemplo. Ou mesmo, pros casos de pessoas com pouca expectativa de vida, em que a dependência não é um grande problema. Seus são uma pessoa com câncer que só tem mais cela, 5, 6 meses de vida, talvez não seja com dependência que eu vou me preocupar, e sim, com meu bem estar e com o manejo da minha dor. Enfim, há outros tantos cenários que merecem se analisados em profundidade, mas, em geral, usar um remédio que gera tolerância, ou seja, que cada vez você precisa aumentar mais a dose para ter o mesmo efeito, e que também gera dependência, não é uma boa, se a prescrição não tem data para acabar, e fora que esses medicamentos causam na auses com estipação, e por aí vai. Agora vai dizer isso para o povo da Pârdio e da Monde-Farma, teve até um diretor da Pârdio, que cunhou o termo "pisseu do adição", em um pamfleto que os representantes de vendas distribuíam para médicos, dava para ler o seguinte. A pisseu do adição parece com a adição em si, mas ela ocorre em decorrência da dor não controlada. Ou seja, a fisura pelo remédio, na verdade, seria apenas uma necessidade urgente de resolver a dor. No mesmo pamfleto, era sugerido que isso se resolveria dando mais o pior de propaciente. Hoje em dia, esse conceito de pseudo adição até pode ser usado por profissionais como a Renata nos contou, mas não como de o explicativa para tomar mais analgesicos, e sim para atraçar o perfil de uma pessoa que tem mais dificuldade de largar uma droga, porque de certa forma, ela placa algum sintoma que ele tem. Segundo o emparrof, bem, outra palavra inventada por um médico pago pela pérdio e outras farmas é a ópio fobia. O termo define o medo de profissionais em prescrever remédios à base de opióides, principalmente em situações de dor crônica. E é provável que existem profissionais que deixem de receitar esses medicamentos por receio, mesmo quando eles são úteis de verdade. Mas vamos combinar que uma dose de cautela com uma das substâncias que mais causam dependência não é de todo ruim, né? De qualquer jeito, o fato é que essas definições foram criadas com o objetivo de seguir empurrando o pioide para casos em que certamente são opções melhores e menos danosas. E esse vocabulário inventado já está desembarcando no Brasil. Em 2019, o material da campanha nacional Brasil-Cendor, da sociedade brasileira para o estudo dador Aizbéd, usa o termo ópio fobia. No site da Aizbéd, a grunental, lá do caso da Dinamarca, aparece como uma das patrocinadoras. Esse tipo de apoio é comum nesse universo, gente. O argumento é o de que se tiver tudo as claras e com limites bem estabelecidos, beleza? Mas não dá pra negar as relações aqui. Em 2018, um ano antes, aconteceu o seminário viver condor, realizado pela Folha de São Paulo, com o patrocinno do laboratório cristália e apoio da Mundo e Farma e daizbéd. Ali, os palestrantes também apontaram o medo, como uma das principais causas de subtratamento dador no nosso país. Mas esse medo pelo visto deve estar diminuindo. Como a gente já disse, de 2009 a 2015, as prescrições de opiões aumentaram 465% no Brasil. E uma matéria de abril de 2022, da mesma folha, traz mais
dados nessa linha. A pedido da reportagem, a Anvisa fez um levantamento de comercializações desses remédios. No primeiro semestre de 2021, o ritmo de vendas indicava um crescimento de mais de 33% nas prescrições em relação ao ano anterior. E só nos primeiros seis meses do ano passado, as vendas de oxicodona e metadona já foram 29% maiores do que em 2020. Isso porque, em 2020, foram 20 milhões de embalagens vendidas. E lembra que eu falei que eu saí do hospital com prescrição de opioid, depois de uma cirurgia no pulso, sendo que aquela revisão do Júlio Fiore indicava que o mais adequado era recorrer a outros analgésicos. Então, na verdade, o médico me receitou codeína sem nem perguntar se eu tinha históricos de dependência na família. E eu tenho. E eu recebi uma de codeína, eu também nem, na época nem entendi, é muito bem. E vou te falar, é porque era curto, não foi atrás, mas assim, a sensação é muito diferente. E oque codeína é pouco poderosa, dizem, né? Mas é um liberação de, sei lá, que acontece aqui, eu percebo que eu não tinha mais dor nenhuma. É, muda toda a percepção à oxicadora-organismo, né? Quando eu terminei minha residência na França e na época, lá, no 22, faz muito tempo. Eu trabalhei num bom serviço que tinha bastante dependência de heroína. No Brasil, nem passava perto dessa questão. E um paciente me falou que a sensação, que ele não lembra como ela, mas a sensação a ele acha que a sensação para ele era de uterma tempo, que ele se sentia termicamente acolhido, como se fosse um ambiente meio fofo, no bom de vista tátil, e um silêncio, um silêncio paz, não é um silêncio incomodo, né? Então, é uma descrição, que é melhor passar longe mesmo, porque realmente é arriscado. Meu caso é anedote, que eu sei. E eu também sei que é aumento de prescrição, mesmo quando é um belo aumento. Não significa que a gente necessariamente vai ter uma crise como nos Estados Unidos. Naquele seminário da Folha, foram mostrados dados de 2016, que apontam que a média de consumo percapta de remédios à base de opiões nos Estados Unidos era da ordem de 500 miligramas. Aqui, tá vim 10. Então, a gente tá em outro patamar mesmo. E muita gente refuta a possibilidade de algo parecido a acontecer por aqui. Mas o ponto é, parece que não é medo ou opiofobia que vão segurar o abuso não, no Brasil ou em qualquer outro lugar. Pelo menos, não vão segurar isso no médio prazo. Aliás, um estudo de 2019 da Fio Cruz mostrou que 4,4 milhões de brasileiros já fizeram uso ilegal de opiácios, sempre à inscrição médica. Tá, se não é um medo, o que mais poderia ajudar a evitar uma epidemia de apiões por aqui? Talvez nosso perfil de uso de drogas ilícitas? Como consumo de heroína inespressivo no país, isso daria uma segurada no mercado ilegal de opióides. Só que tem dois pontos. O primeiro é que antes da pérdio e de outras farmas inundarem a América do Norte com esses remédios e criarem uma legião de dependentes, o mercado de heroína também tava caídinho lá. Foi por volta de 2010 que o negócio começou a mudar. De acordo com a sociedade americana de medicínia de são, 4 a cada 5 pessoas nos Estados Unidos que usaram heroína nesse período tinham começado com analgésicos prescritos por médicos. O segundo ponto é que o mercado ilegal não se resume ao que o traficante produz. Na crise norte americana dos opióides, um dos grandes problemas na verdade era o desvio de remédios fabricados pelas próprias farmacêuticas. Haviam várias clínicas de dor que abasteciam o mercado paralelo. No Empire of Pain, o Patrick Redden Kiff conta um caso digno de filme. Em Los Angeles, membro de uma organização criminosa recrutava um moradores de rua, colocavam nos invãs e pagavam 25 dólares para cada um ir até a clínicas-leique-medical para uma valiação médica falsa. Depois eles escutavam esses pacientes de mentira para uma farmácia onde apresentavam uma prescrição que o doctor sentia água havia acabado de receitar e pegavam um pote de oxiconte. O crime organizado então vendia esses comprimidos para traficantes de drogas. O detalhe é que a Perdil contratava um sistema de monitoramento refinado de vendas e prescrições de oxiconte. Então, lá sabia que essa tal clínicas-leique-medical estava prescrevendo quantidades de opióides muito fora do padrão. Em setembro de 2008, a gerente da região da Perdil, Michelle Ringler, visitou a clínicas com dos representantes de vendas. De fora, o prédio parecia abandonado, mas dentro eles encontraram um pequeno escritor lotado de pessoas. Ringler relatou depois que alguns dos indivíduos ali pareciam que tinham acabado de sair da prisão. Estou certa que é um esquema de crime organizado ali. A polícia não deveria ser contratada, ela escreveu para um oficial de complanhecia da Perdil, mas a lei que médica não foi reportada para as autoridades. Aqui no Brasil, no ambulatório da Unicamp, que a Renata trabalha com dependência química, há basicamente dois perfis de paciente. Então, no ambulatório que tem chegado, profissionais de saúde, que começaram a engerar o acelato para escrever. E aí começa a ter uma relação problemática com esse uso de escalados e de não conseguir se abstê, de ter problema no abente de trabalho. E outro grupo é de pessoas que receberam uma prescrição de opioid por contrário de um quadro de dor, que alguém julgou, que era grave e suficiente, para merecer uma prescrição de opioid e, em um não dado momento, o profissional derresouve que passou do ponto. Então assim, também não vai ser por incapacidade do contrabando que a gente vai ficar mais protegido de um eventual crise dos opioids. Mas é a questão da publicidade. Diferente dos Estados Unidos, o Brasil não permite que farmacêuticas divulguem remédios vendidos com prescrição para a população em geral. Por lá, os opioid eram anunciados em propagandas de TV cheias de gente feliz e jovem, dançando, em anúncios e revistas de grande circulação, e até em altidores. É, só que o próprio Arthur Sackler ensinou que o marketing nessa área é muito voltado para o prescritor, ou seja, um médico. E isso também acontece aqui. Para entender melhor esse cenário, a gente conversou com o Mateus Falcão. Ele é uma divulgado especializado em saúde coletiva muito gente boa que trabalha no IDEC, um Instituto de Defesa do Consumidor. Bom, eu sempre gosto de começar esse assunto falando que a indústria farmacêutica é uma das indústrias que mais investem em marketing no mundo. A Comissão para a crise dos opioid do Lancet relata que em 2016, as indústrias farmacêuticas investiram 20,3 bilhões de dólares em marketing dos seus produtos para os médicos. Segundo o Mateus, em muitas farmas, os gastos de publicidade inclusive superam os com pesquisa e inovação. A indústria farmacêutica é uma toda, inclui aquelas visitas de representantes aos consultórios, mas vai muito além disso. E aí, abriu um pouco debate. A gente consegue pensar em estratégias específicas do tipo levar o profissional do céu de pôr-congresso. Então, por exemplo, convido o profissional do céu de pôr-congresso. Às vezes até o congresso com vários ares luxuosos para se indivê-lo. Transatlante como a se indizei, a gente sabe que isso existe. Eu convido esse profissional e tenho ele aí por quatro dias a minha disposição pagando tudo para ele para tentar convincê-lo cada vez mais que meu medicamento deve ser prescrito. Mais vezes. As farmacêuticas ainda patrocinam os próprios congresso científicos ou eventos específicos desses congressos, onde trazem sua visão sobre determinada doença e o tratamento dela. Elas também financiam sociedades médicas e até ações de associações de pacientes. E eu não toquerem do dizer que todo congresso, sociedade médica ou ONG, é comprada. Não é isso. Mas a gente pode ser adulto e dizer que as farmas investem nessas linhas para influenciar o mercado a seu favor. Aí aquele jogo de como o apoiado e o apoiador lidam com o outro. E de como as autoridades regulam essa relação com transparencia e limites claros, baseados em evidência científica séries. Na pôr-de-o, o pessoal alocou 9 milhões de dólares só para pagar um programa de jantares aos médicos. Em um email escrito em 96, o próprio Richard Sackler escreveu que. "Médicos que vão aos nossos programas de jantar ou aos encontros de fim de semana, escreveram mais que o dobro de prescrições de oxiconte no que o grupo controle." Sim, eu também tirei essa história do Empire of Pain. E aliás, o livro conta que a PURDU e outras fabricantes de analgésicos gastaram 700 milhões de dólares entre 2006 e 2015 em lobby político nos Estados Unidos. Isso é 8 vezes mais que o lobby armamentista. Mas para além disso, as farmas investem bastante em inteligência de dados. E eu consigo ver quem está consumindo o quê, qual que eu perfil dessa pessoa e até qual médico está prescrivendo o quê, qual que eu perfil de prescrição desse médico. E com isso eu consigo agrupar os médicos, como médicos que prescreve muito o que eu quero. E médicos que prescrevem pouco que eu quero e conseguem fazer um marketing perfilizado, direcionado para aquele personado de saúde específico e chegar até ele abordá-lo e convencer, ou tentar convencer a prescrever o medicamento que eu estou fabricando. Então a gente nota que é uma indústria com estratégia de marketing muito sofisticadas. É verdade que a crise dos opiores na América do Norte gerou um aprendizado pro resto do mundo. Angela Souza, que contou lá atrás sobre o mecanismo de ação desses remédios, disse que as próprias empresas puxar no
freio de mão em ações mais ostensivas. Nessa hora que ela disse isso, a gente estava conversando sobre outra estratégia de marketing das farmas, que é pagar médicos respeitados pra darem aulas aos seus pares. Então assim já teve situações em que a pessoa me chamou pra da aula e que eu fui pra só ler o do aula de opioid. Eu não vou dar aula sobre o seu remédio, da aula sobre um opioid. Porque é importante que as pessoas saibam usar. Então eu vou dar aula sobre isso. E aí depois que terminou a aula a pessoa veio e que falava "ah mas você não falou muito de tal medicamento, falei se olha, como eu falei pra você, eu aceitei da aula porque eu ia falar de opioid. Não vinha aqui pra dar aula sobre o seu remédio, se você tá querendo alguém que vem aqui estimular o uso indiscriminato de tal medicamento, então achou outro pessoa." É esse tipo de cobrança mais cara de palco diminuiu o segundo ela. Depois dessa questão aí dos Estados Unidos diminuiu. Bem, hoje as coisas estão mais tranquilas né, porque tem os complais e das empresas, não podem mais fazer coisas muito assim fora da. mas hoje tá bem mais difícil de acontecer isso, mas isso já aconteceu assim. 10 anos atrás, 15. Mas mesmo com esse aprendizado, a verdade é que os médicos brasileiros também são frequentemente impactados por ações das farmacêuticas, então essa porta pra uma crise de opioid também segue a entreaberta pra dizer o mínimo. Mas e o nosso SUS? Ele não seria capaz de reduzir o risco de abusos? Esse é um bom ponto, até porque nos Estados Unidos a forma de encarar a saúde pública é diferente da nossa. Lá é quase cada um por si mesmo, naquela lógica de entre aspas alto-regulação do mercado. Principalmente no Estados Unidos não tanto no Canadá, mas os hospitais recebem ou reimbouço dos planos de saúde são altamente dependentes da dos reláduos de satisfação dos pacientes, então todo o paciente que sai do hospital eles preenche o questionário de satisfação com tratamento, então os hospitais que tenham o nível mais baixo de satisfação eles recebem menos dos convenios. Isso tem um lado interessante de ouvi quem tá sofrendo, mas também faz com que os profissionais supervalorizem ações que agrada um cliente no curto prazo. Se o cara tá com o mador e eu prescrevo um negócio que some com essa dor em poucos minutos ele tende a ficar mais satisfeito do que se eu mandar ele fazer fisioterapia por uns meses. Então as instituições tinham uma motivação pra receitar soluções que focam no hoje e não no amanhã. Então isso foi um dos fatores dos fatores que acabaram levando esse uso inscriminado de opioid por aqui. O SUS é outra história. Ele tende a olhar mais para o sistema de saúde e a estruturado em cima de protocolos clínicos que determinam caminhos específicos de tratamento. Se não protocola para um problema X, não tá escrito que pode dar o pior de, o médico do SUS vê a de regra não vai dar o pior de. Quem contou isso para a gente foi o médico Jorge Bermudes, ele é pesquisador da escola nacional de saúde pública da Fio Cruz. Por isso que é importante um instrumento ou um mecanismo que existe aqui no Brasil, né, que são protocolos de tratamento que tem que ser utilizado. Então eles eles são derivados em consenso de especialistas, vai discutir se esse é o melhor produto ou não. Essa é uma lógica interessante porque em teoria ela ajuda a blindar os pacientes de interesses comerciais. No caso dos apiões ele não deixa de ser diferente. O interesse em dominar esse mercado não são muitas as empresas estão produzindo. Então eles têm interesse em esse mercado muito bem dominado e fragmentado ou impondo a sua marca e o bondo é uma outra questão gravíssima que nós temos que a problema é legal, é apatente. Agora só para não deixar de falar, esses protocolos também podem ingerçar o tratamento e aumentar o tempo de chegada de novas tecnologias no SUS. A Lange lacha que isso acontece com os opiões, especialmente no caso de pacientes com câncer. O que que tem no SUS? Se você vai pegar as portarias do Ministério da Saúde sobre os medicamentos disponíveis na rede para os pacientes, a gente vai ter coda ainda é morfina e acho que meta-dona também. A limitação de acesso é muito grande para os pacientes do SUS. Como contra ponto, a Comissão Nacional de Incorporação de Technologias no SUS, a Cone Tech, chegou a avaliar a inclusão de novos opiões para a dor crônica no sistema público e concluiu que isso não seria custo efetivo. De qualquer forma, realmente parece que um sistema universal de saúde serve de amortecedor contra prescrições endevidas de opiões. Esse é um argumento que todos os nossos entrevistados usaram. Só que assim, no Canadá, todo mundo também tem acesso gratuito a saúde, independente disso, a crise dos opiões atingiu em cheio a população. Claro que o Canadá está colado nos Estados Unidos e, inclusive, compartilha tradições e culturas médicas com o vizinho. Mas isso é para dizer que o SUS provavelmente não aguentaria branca sozinho, porque nenhum sistema é capaz de fazer isso sem que a sociedade entendam os reais riscos e benefícios dos remédios à base de opiões e desculta isso de maneira franca, inclusive com leis que desestimulem abusos e práticas predatórias. No mais, 25% da nossa população tem seguros de saúde ou parte para atendimento particular mesmo. E nesse segmento, há uma mercantilização constante segundo Mateus. A gente entrou em contato com a Mundi Farma e eles devolveram os nossos questionamentos com uma nota. Eu vou resumir um pouquinho aqui. Abre aspas. A Mundi Farma reconhece que o uso de medicamentos opióides prescritos está associado a riscos, incluindo o uso indevido, abuso, dependência e uso recreativo. Como uma empresa que vem de medicamentos opióides para o uso médico apropriado e responsável, estamos comprometidos em mitigar esses riscos. A decisão de prescrever analgesicos opióides deve considerar cuidadosamente as circunstâncias individuais do paciente, o histórico médico e equilibrar a necessidade de alívia adequado dador com os riscos associados a efeitos adversos da terapia com opióides. O acompanhamento médico regular é essencial para garantir que o uso contínuo desses medicamentos atenda a uma necessidade de saúde e para garantir que seja cuidadosamente prescrito, a dose mais baixa necessária e que adoração de tratamento não seja maior do que o apropriado clinicamente. A Mundi Farma segue rigorosamente todas as leis, regulamentos e diretrizes nacionais e internacionais que regem o desenvolvimento, fabricação, promoção e distribuição adequados de medicamentos opióides, fech aspas. A nota completa você pode ver no nosso site na página do episódio. Não houve uma resposta sobre o nosso questionamento a respeito da pesquisa da Mundo de Farma que teria descoberto que incríveis 40% da população brasileira tem dor crônico. Não dá pra fazer pouco caso das milhões de pessoas que sofrem com dores não tratadas. A própria comissão, pra crise dos opióides do Lancet, reconhece isso naquele relatório e diz que o abuso de opióides não deveria destrair as autoridades de que a falta dos mesmos opióides causa sofrimento em vários países pobres. Mas aí vem uma frase na música. Paises de baixa renda não deveriam ser forçados a escolher e de deixar seu cidadão, sofrerem necessariamente ou cederem a predação corporativa. Na crise dos Estados Unidos, as atitudes criminosas da Perdio não foram contidas por outras empresas. Pelo contrário, mais Farma's tentaram capturar esse filão com práticas questionáveis. Empresas gigantes que distribuímede medicamentos pagaram milhões de dólares em acordos judiciais por terem negligenciado alertas de prescrições abusivas vindo dos seus próprios softwares de trabalho. Redes de farmácia também deixaram de barravendo as suspeitas e alertar as autoridades só pra ganhar mais dinheiro. Clinicas de dor pipocaram pelos Estados Unidos receitando opióides sem qualquer critério e ainda seguem fazendo isso. Não dá pra as instituições públicas esperar em que a mão invisível do mercado resolvo problema das dores não tratadas. Nos Estados Unidos isso terminou em 600 mil mortes. Tem uma frase de efeito do livre em Pirates Payne que cabe bem aqui. E ela diz o seguinte, a crise dos opióides é uma parábola sobre a incrível capacidade da indústria privada subiverter instituições públicas. O ciência surge apresentado por mim, Taís Manarini e por mim, Tellu Prest. A produção é da nave reportagens do Felipe Barbosa e do Pedro Bello. Este episódio teve apuração da clóipenheiro, do Pedro Bello e do Tellu Prest. O roteiro é do Tellu Prest e foi revisado e editado pelo resto do time. Aliás, quando a clota var revendo o roteiro, ela falou que toda vez que lhe as seckles lembrava dos slackers, que é uma banda de escamericana que todo mundo aqui do ciência surge à curte e até já foi em show. O Felipe, Get Santos, This Upbeat. Disque lá em 2006 veio pra São Paulo ver os caras tocarem, isso meio que ajudou a decidir que se mudar pra cá seria legal por causa do cenário cultural e tudo mais. Então vivos slackers, e vocês devem imaginar o que eu acho dos seckles.
♪ Ei, tá, voltando aos créditos aqui pra evitar o processo. As trilhas e a edição de som são do Felipe Barbosa. Nesse episódio, nós usamos três shows de áudios do documentário crime do século, do filme Guerra do ópio, do podcast Wind of Change, de um vídeo promocional da Purdy, o Farma de 1997, de uma versão de 1904 da música Peral Cry of Freedom, da Guerra da Sessão Americana, da música propaganda da Bandas Lakers, que foi lançada pelo selo Hellcat Records e de áudios encontrados no YouTube em Red Sociais. O nosso projeto gráfico e as artes de capas do episódio são o trabalho da dupla Mylotan Ferre e Guilherme Henrique. Para saber mais e para ter acesso ao conteúdo extra desse episódio, acesse o nosso site, que é uma criação do estúdio Barbatana ou as nossas redes sociais. A gente está no Instagram, no Twitter e no Facebook. Você encontra o nosso podcast nas principais plataformas de áudio e no YouTube. Esta segunda temporada tem um apoio do Instituto Cé rapileira, que promove pesquisas e projetos de divulgação científica. Sem esse financiamento, não teria ciência surja. As vozes complementares são do Pedro Bello, da Clue Pinheiro e do Felipe Barbosa. A gente volta com mais um episódio nédito em duas semanas e com o mês a cash imparceria com o Instituto de Ciência na Quinta Que Vem. Até lá! [Música]
Podcast Summary
Key Points:
Um estudo revisou 47 experimentos e concluiu que opioides não são mais eficazes que analgésicos comuns (paracetamol, ibuprofeno) para dor pós-cirúrgica de pequeno/médio porte, mas causam mais efeitos colaterais e risco de dependência.
A crise dos opioides na América do Norte, especialmente com o OxyContin da Purdue Pharma (família Sackler), resultou em mais de 600 mil mortes nos EUA desde 1999, impulsionada por marketing enganoso que minimizava o risco de vício.
A estratégia de promover opioides como seguros e não viciantes recicla táticas usadas anteriormente com heroína (Bayer) e Valium (Roche), focando em influenciar prescritores médicos.
O Brasil está na mira da expansão internacional dos opioides, com aumento de 465% nas prescrições entre 2009 e 2015, e a Purdue já comercializa OxyContin no país via sua subsidiária Mundipharma.
Summary:
O episódio do podcast "Ciência Suja" aborda a crise dos opioides na América do Norte, destacando como esses analgésicos poderosos foram promovidos de forma enganosa por décadas. O pesquisador Julho Fiore Junior, da Universidade McGill (Canadá), liderou uma revisão sistemática que mostrou que opioides como codeína não são mais eficazes que analgésicos comuns (paracetamol, ibuprofeno) para dores pós-cirúrgicas de pequeno e médio porte, mas apresentam maiores riscos de efeitos colaterais e dependência. A crise teve origem no marketing agressivo da Purdue Pharma, que lançou o OxyContin em 1995 afirmando que seu risco de vício era inferior a 0,03%, quando estudos posteriores do CDC mostraram que até 25% dos usuários de longo prazo se tornam dependentes.
A família Sackler, dona da Purdue, lucrou bilhões enquanto ocultava evidências de abuso. A crise evoluiu em três ondas: primeiro com o OxyContin, depois com heroína e finalmente com fentanil sintético, causando mais de 600 mil mortes nos EUA. O Brasil já mostra sinais preocupantes de aumento nas prescrições de opioides (465% entre 2009 e 2015), e a Mundipharma, braço internacional dos Sackler, já comercializa OxyContin no país.
O episódio alerta para a necessidade de uso criterioso desses medicamentos, baseado em evidências científicas sólidas.
FAQs
É uma grave crise de saúde pública na América do Norte, causada pelo uso excessivo e indiscriminado de opioides, como o OxyContin. Desde 1999, mais de 600 mil mortes por overdose foram registradas nos Estados Unidos.
A Purdue Pharma, controlada pela família Sackler, lançou o OxyContin em 1995 com uma campanha de marketing enganosa, minimizando o risco de dependência. Eles sabiam do alto potencial de vício, mas esconderam informações para lucrar, contribuindo significativamente para a epidemia.
O estudo mostra que opioides não são mais eficazes que analgésicos simples, como paracetamol ou ibuprofeno, para controlar a dor após cirurgias de pequeno ou médio porte, mas causam mais efeitos colaterais e risco de dependência.
Opioides como a codeína podem causar vômitos, tontura e dependência química. O estudo sugere que analgésicos mais simples oferecem alívio semelhante com menos riscos.
A primeira onda começou nos anos 1990 com o marketing agressivo do OxyContin. A segunda veio em meados dos anos 2000 com o aumento do tráfico de heroína. A terceira envolveu opioides sintéticos como o fentanil, mais potentes e baratos.
Sim, o Brasil é citado como um país na mira da indústria farmacêutica internacional. A prescrição de opioides cresceu 465% entre 2009 e 2015, e estratégias de marketing semelhantes às usadas nos EUA estão chegando ao país.
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