Neste episódio do "Psicanálise de Botégua", os anfitriões Alexandre Patrícia e Felipe Pereira discutem os efeitos nocivos da pornografia na sociedade contemporânea. Inspirados por uma entrevista do ator Chay Suede, que descreve a pornografia como algo que "canibaliza o desejo sexual", eles exploram como o consumo excessivo de conteúdo pornográfico distorce a sexualidade, criando fantasias irreais e violentas. A partir de dados da BBC e da USP, destacam que a exposição começa cada vez mais cedo, aos 12-13 anos, e que muitos jovens desenvolvem um vício que afeta sua capacidade de se relacionar. Sob a ótica psicanalítica, os apresentadores relacionam o problema à falha na "transicionalidade" de Winnicott: o prazer imediato e solitário da pornografia substitui o brincar compartilhado e a construção de vínculos afetivos. Isso leva a um encapsulamento narcísico, onde o indivíduo busca satisfação rápida sem se abrir ao outro, agravando dificuldades como disfunção erétil, ejaculação precoce e isolamento social. O episódio conclui que, embora a pornografia possa ter um uso lúdico em alguns contextos, seu consumo descontrolado, especialmente entre jovens, representa uma epidemia que compromete a saúde mental e as relações humanas, reforçando a necessidade de problematizar esse hábito na clínica e na cultura.
Olá, sejam bem-vindos ao psicanálise de Botérgua. Aquele podcast que te lança nas profundezas do inconsciente e te coloca para pensar em coisas que talvez você nunca tenha pensado antes. Eu sou a Alexandre Patrícia de Almeida, psicanalista, professor, escritor, mestre doutor em psicologia clínica pela pucite São Paulo. Atomente sou pesquisador de pós doutorado e também, dono da página, a rouba Alexandre Patrícia no Instagram, em que eu compartilho conteúdo de psicanálise e algumas futilidades da vida cotidiana. Eu sou o Felipe Pereira Vieira, psicólogo, psicanalista, professor, escritor e pesquisador. Sou mestre e doutorando em psicologia clínica pela pucite São Paulo, dono da página, a rouba Felipe V, no Instagram, em que eu compartilho reflexões psicanalísticas e alguns recotes da minha vida introspectiva. Aqui, falamos de psicanálise, filosofia, literatura, cinema e questões atuais da nossa sociedade e cultura, sem jargões e sem pedentismo. Às vezes sozinhos e às vezes com convidados. Os episódios inéditos saem aos sábados. Então, dates no divã, e se jogue nas suas neurosas ou psicózes. Porque não. Porque não. Fala pessoal, tudo bem? Sejam bem-vindos a uma nova temporada do psicanálise de butéco, nossa quinta temporada, né, FI? Pois é, estamos aqui novamente mais um ano. Ah, é que alegria, 2025, começando com a nossa quinta temporada e a gente só tem a agradecer a audiência. Estamos quase batendo 4 milhões de reproduções no Spotify. Wow. É muita coisa, é um público muito grande. E a gente só tem a agradecer os nossos fiéis butékers. E esse ano promete, a gente pensou em muitas coisas novas para o nosso podcast, em convidados, em quadros diferentes e novos autores aí nos nossos cafés, vinhos, etc. Não é, FI? Quero saber. Bom, gente, hoje a gente vai falar sobre um assunto extremamente necessário, importante, delicado e crucial. A gente vai falar de uma coisa que sempre digamos assim choca a sociedade quando a gente menciona, né, porque eu froide em 1905, ele escreve o primeiro testamento, o antigo testamento, o primeiro testamento da FI? Analis, né, FI? Que é o que? Três em saiu sobre a teoria da sexualidade. E choca o todo mundo, né, o froide foi apedrezado. Na choca até hoje. Chamaram ele de ver uma lucro pedófilo, né? O que você vai tá escrevendo que as crianças têm sexualidade, né? Obcê-no. Obcê-no. E ele chocou todo mundo e hoje a gente vai falar de um assunto querendo não, tá relacionado essa sexualidade, mas tá causando aí muitos prejuízos, né? Na nossa saúde mental, nas relações afetivas. Principalmente na atualidade, porque tá fácil? Exato, a gente vai falar de pornografia, gente. E eu queria começar essa episódio, lendo um trechinho de uma entrevista concedida pelo ator Chai Swede ao Jornal Globo, e a entrevista foi realizada pela jornalista Maria Fortuna. E o Chai, ele diz, "A seguinte passagem, né, a seguinte fala." Ele diz assim, "A pornografia destruiu a sexualidade do homem de uma geração inteira. É uma das peores coisas que se pode fazer com a vida sexual de alguém. Cada um faz o que quer, mas eu, por experiência própria, não consuma anos. Cannibaliza e Destroio desejo sexual. Fantasias que poderiam ser ricas e acabam se tornando tristes e deprimentes. Você deseja menos, você fica menos atento aos detalhes ao presente. A coisa imagética toma um lugar mais importante do que deveria ter. O contato sexual e físico pode ser muito além do que você enxerga. Temos muitos sentidos. A pornografia resume tudo a um super close e a coisas que não são reais." "Guau." Eu achei essa entrevista importantíssima, ainda mais vindo de um autor tão talentoso, com alcance que o Chai tem nas redes, com o excelente trabalho que ele faz nas novelas. Eu acho que é importante uma figura pública conhecer alcance e falar das questões dele relacionadas à pornografia. "Se vulnerabilizar essa forma?" Exato. E a gente sabe que a pornografia é um grande problema. A gente ouve isso na clínica frequentemente, sobretudo com pacientes adolescentes. Sim, principalmente. Principalmente. E não atoa vários jornais já se debrussaram sobre essa temática e fizeram matérias especiais. A BBC News Brasil publicou em 30 de novembro de 2024 uma matéria super recente com o título "Os elatos de quem ficou obcecado por pornografia" e aí usam a fala de uma pessoa entrevistada não conseguia parar de assistir. E aí eles trazem um recorte de uma pessoa entrevistada ali do Reino Unido, da Inglaterra, dizendo que desde os 11 anos ele começou a assistir pornografia, após ter sido apresentado esse tipo de conteúdo por um amigo. Fiquei fisgado, quase mediatamente, diz ele hoje com 30 anos. Foi tipo algo. O que é isso que as pessoas estão fazendo e parece estar se divertindo muito. A curiosidade dele rapidamente se transformou em algo que ele achou o difícil de conterem. Ele descreve que, como é assistir pornografia de manhã, a tarde à noite e diz que se tornou tão comum quanto escovar os dentes. Certo. E como a gente acabou de mencionar, essa questão é muito frequente na clínica paciente de 20, 30, 40, 50 anos, trazem isso e trazem os impactos desse vício em pornografia na vida sexual. Então acho que como o Shai bem menciona, fica tudo muito imagético, tudo muito idealizado, tudo muito excessivo. A pornografia é muito violenta, sobretudo conteúdo dirigido a homens, heterossexfais, mas também a gays. Sim, é tudo muito informal geral. Informa geral é tudo muito idealizado, tudo muito perfeito, corpos, perfeitos, órgão genitais, perfeitos e você começa a construir uma imagem de sexo que não corresponde a realidade. Sim. Então, eu conto fantasias às vezes muito agressivas até, sobretudo em situações de dominação, do homem com a mulher, então a gente tem machismo ali, misogenia presente, são nichos, são nichos, que perpetuam uma violência já registrada na nossa configuração social, que acaba sendo ampliada pela pornografia. Então acho que os impactos disso nas relações afetivas, eles são imensuráveis e não atou a gente ver essa epidemia de vício em pornografia, porque como você falou no início do episódio, está tudo muito fácil. Então hoje você não precisa comprar um DVD, roubar uma fita vhs do seus paracéis. É, é sítio escondido, não é? É o celular, é só se coloca um site. Exatamente, então eu acho que está muito banalizado. E essa reportagem da BBC, vocês podem ler lá na integra depois, ela está aberta disponível na internet, esse rapaz que abrem a reportagem com a entrevista com a fala dele, ele diz assim, "Eu não queria jogar futebol, só queria estar dentro de casa, mas havia culpa e a vergonha que vieram com isso. E no imposto que eu tentasse fazer, eu não conseguia parar de assistir, foi quando eu soube que havia algo acontecendo. Embora nem todo mundo que assiste para a pornografia desenvolve um relacionamento prejudicial com ela, a gente sabe que ela pode ser utilizada para apimentar as relações, sair da rotina, a gente pode usar a pornografia numa espécie de área lúdica, de área transicional fazer disso brincar. Eu acho que o sexo pode ser encarado de forma muito mais leve quando a gente consegue trazer para esse brincar, quando a gente consegue compartilhar o prazer. Eu acho que quando a relação sexual, ela gira em torno de uma única pessoa, "Ah, eu estou buscando prazer, não importa, eu quero sentir esse prazer, eu passo por cima do outro." E de novo, a gente volta para a questão aqui ter o sexual, esse machismo presente na nossa cultura, é muito normal para o homem, assiste por pornografia desde cedo, é muito normal para o homem ter prazer e usar o corpo da mulher como um objeto. Então isso ficou entrojetado na nossa história. Então, eu acho interessante a gente poder problematizar isso, né, Fim? Bom, eu acho que a gente já pode pensar o seguinte, o caso do rapaz da entrevista que da BBC, ele se abdicou da vida social. Ele não conseguia mais jogar futebol, ele preferia ficar em casa, provavelmente no quarto, ou em algum outro, como de, enfim. Se masturbando, de algum modo, alcançando o clima, o prazer, a ejaculação. E não é assim.
porque? É a pergunta, né? Porque a pessoa precisa alcançar esse clímax? Será que falta esse ápice? Será que a pessoa se viciou num prazer que pode ser alcançado com alguns minutos? Será que falta prazer na vida dessas pessoas? Dá pra pensar em muitas coisas? Eu acho que claro, não tenho incomodos presar que a questão do neoliberalismo, essa cultura, essa filosofia do imediato, do prazer, e de um prazer solitário, né? Exato, a pessoa não se mostra, não brinca junto. Não, esse culto ao eu, sabe que essa sociedade neoliberal é cada um por si e ninguém por ninguém, né? Então, a gente tem esse, esse pensamento desse culto ao eu, né? E esse prazer curtido a sós, né? E além disso, a gente tem uma dificuldade enorme de comunicação entre os pares, né? Entre os sujeitos porque as pessoas elas não tão bem consigo própria, né? Essa gente tem um culto ao narcisismo, ah esse eu, né? Eu não vou me abrir pro outro, então a gente tem um encapsulamento narcísico. Então, eu fiquei pensando nisso, é claro que tem essa questão do encapsulamento narcísico, né? Esse culto ao eu, mas eu também penso no por um viés mais, mais retraimento da pessoa que não consegue se mostrar. Ótimo, esse ponto de vista excelente, né? Que se esconde. Que busca a solução do, não sei se ser um problema, ah seria a solução para aquilo que ela deseja por si própria? Não, eu concordo super, antigamente você tinha aquele imagem, né? Muito característica, até pergirativa, né? Do cara que se masturba muito é aquele nerd, né? Que não consegue se relacionar com ninguém. Você tinha isso em séries, em fios, né? Sim, sim, né? Porque ela coisa bem clichê, do cara com óculos, isso, esquisóidão, né? Super retraído que não consegue se relacionar com ninguém, fica o dia interaccínio por noce masturbando porque é a forma que ele tende a satisfazer a sua necessidade. Exato, sim, né? Mas eu gosto de pensar por esse caminho, né? A gente tá abrindo o leque da nossa conversa, e eu acho que sim, a gente tem pessoas que têm dificuldade de relacionamento interpessoal, não atou a gente ver, né? A explosão de sites de relacionamento, de aplicativos de relacionamento. Cada vez mais. Cada vez mais. E pessoas que mantêm uma relação sem sequer se conhecerem pessoalmente, né? Eu não sei se é só um fete e chefe, eu acho que costura tudo, sabe? Eu acho que costura a dificuldade de lidar com outro, esse retraimento que você mencionou, mas isso também é reforçado por assim dizer, por essa cultura do culto ao eu, esse encapsulamento narcísico, então assim, se relacionar da trabalho, né? A gente precisa sair, desconstruir as nossas convicções, se abrir ao novo, servisto, servisto, lidar com os nossos defeitos, né? Porque lidar com as causas, né? Tipo, de servisto, né? Tipo as consequências. Exatamente, você tem que sair dessa bolha, furar essa bolha e se haver consigo próprio, né? Isso é muito desafiador. Dentro de um contexto social que a gente tem esse culto ao eu, será que a gente quer mesmo, né? Então você consegue perceber que a gente tem uma gama de fatores que contribuem para esse vício na pornografia, porque tá ali, né? É uma solução inmediata. Perfeito, é uma solução inmediata, né? E, mais ao mesmo tempo, os impactos disso, no nosso psiquismo, eles são imensuráveis, porque eles acabam configurando as nossas fantasias, é como se eles, o vício na pornografia se estímulo, né? Constante, ele vai construindo as bases de uma fantasia que a gente acredita que o sexo, ele sempre gira em torno dessa imagem, né? É imagético, como diz o Acana, né? Não vai pro simbólico, o real também é aquilo que a gente não pega, o inalcançável, é o não dito, né? Então a gente vai pro imagético, para aquilo que a gente constrói com base naquilo que a gente vê, né? E isso obviamente vai gerar ainda mais dificuldades para a gente poder se relacionar, porque a gente já se relaciona com base naquilo imagem pré-definida, né? Então, o sexo ele tem que acontecer nesse formato e aí a cobrança ela não vai só em relação ao outro que eu estou me relacionando. Não, não, imagina. Você tem uma cobrança de performance e consigo próprio. E se você não consegue? Exatamente, você não consegue você colapsa. Então você tem hoje na clínica frequentemente, a gente conversa com outros amigos analistas que atendem também a dolescentes, o fi eu atendemos a dolescentes, a gente é uma clínica que foi sempre forte desde o nosso início do nosso trabalho psicanalítico e a gente percebe a dolescentes com, ejaculação precoce, com dificuldade de direção, sobretudo meninos. Exato, porque também tem, né? Se a gente está falando de uma sociedade machista, você também tem uma exigência muito grande em cima dos homens, eles virem de ser importantes, a potência fálica. Exato, né? Então, sei lá, esse dia eu vi na clínica de um paciente, nossa, eu fico achando que eu não sou suficiente, porque eu vejo lá o cara performando e daqui a pouco eu estou com uma mina e eu acho que não vou conseguir alcançar aquilo que eu vejo no fim por não. E aí vem a questão de segurança em relação ao tamanho do penis, em relação ao corpo, o corpo não é sarado como o cara que eu estou lavendo, o ator por não. E aí também tem essas projeções de fantasia em cima do outro, a mina que eu estou ficando não tem ali o órgão genital com uma mina do filme por não, ela não performe igual a mina e eu brochei. Então, você consegue perceber essas bases das dificuldades também de se responsabilizar pelo que está acontecendo, pode ser uma das causas da reatividade desses indivíduos, né? Perfeito. De realmente ficar muito nervoso e às vezes até projetar isso no outro, como tipo, "Ah, você não está conseguindo me satisfazer, enfim, é um assunto muito delicado, né? É muito difícil para o indivíduo conseguir olhar para isso, olhar para dentro e entender o que está acontecendo, quais são as raízes desse mal estar. Perfeito. Perfeito. Voltando essa matéria, eu acho muito interessante, embora ela seja totalmente dedicada a questões quantitativas, e a gente está falando da BBC e aí eles colocam uns dados interessantes, mas eu já vou compartilhar com vocês também alguns dados aqui do nosso contexto brasileiro, né? No Reino Nido, 29% dos adultos acessaram pornografia online em mais de 2024. Segundo, o relatório online Nation, 2024 do OFCOM, o órgão regulador do serviço de comunicação. Além disso, uma nova pesquisa do centro de tratamento de dependência, o CART sugere que milhões de britânicos vem pornografia regularmente, com 1,8 milhão, assistindo diariamente alguns várias vezes ao dia. De acordo com as instituições que oferecem tratamento, mais pessoas estão procurando ajuda para uso problemático da pornografia. E aí eles entrevistaram algumas clínicas que oferecem esse tratamento e um dos diretólis da clínica falou, né? A 10 anos, a maioria dos nossos clientes eram homens casados na faixa dos 40 e 50 anos que procuravam ajuda porque a pessoa, parceira, descobriu que eles recorrem a profissionais do sexo, diz ela. Mas cada vez mais, nossos clientes estão na faixa dos 20, 30 anos, muitos dos quais são solteiros e reconhecem o impacto crescente do uso da pornografia em suas vidas e em sua capacidade de obter ou manter um relacionamento. No Brasil, um estudo conduzido pelo Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP aportou o que imédia os brasileiros começam a consumir pornografia aos 12 anos. Não, isso é muito precoce. E aí, depois que você começa, não tem como parar, né? É uma coisa que está ali fácil. É um prazer me de ato, né? É, acaba se tornando uma adicção, né? Um vício. E se a gente for falar, né, no âmbito psicanalítico das adicções, inclusive a gente indica que, vehementemente, a leitura de um livro bárbaro do Dessio Garfinkiel, que é o livro adicções, né? O Dessio faz um estudo das adicções passando por Freud e o Inicot e também um pouco de André Grim, o livro é bárbaro.
teve uma edição mais recente agora, ele vai falar que existe um problema quando a gente tem um vício na transicionalidade. Se a gente puxar aqui a teoria do desenvolvimento maturacional do Inicote. Então aquilo que deveria fazer a transição, a passagem do mundo subjetivo, da realidade subjetiva, para realidade objetiva, que querança recorre ali, a ursinho, a um paninho, a um gesto, a uma canção quando a figura cuidadora sai, se alcenta. E aí ela passa a perceber que o mundo já estava lá, já é uma realidade objetiva, ela recorre a esse objeto transicional, esse fenômeno transicional. Quando existe uma falha na transicionalidade, você cai, você pode se fixar no objeto de fetiche, não é um objeto transicional. É um objeto que vai repor essa falta, esse buraco, que não fez essa passagem gradual da realidade subjetiva para objetiva. E se a gente traz isso para o nosso contexto atual, em que as pessoas, as crianças, adolescentes, são lançados na realidade objetiva, de forma muito bruta, de forma muito violenta, a gente até falou mais disso no episódio chamado a capacidade de acreditar, que bateu recordes de audiência, que inoviu ouça. Por favor. Por favor. Essa transicionalidade, quando a gente é jogado na realidade objetiva, muito rapidamente, ela fica comprometida. Já não é mais transicionalidade. Exato. Se você vai pegar alguma coisa e aí vem o prazer imediado que você mencionou, esse recurso que eu preciso ter, que está na palma da mão, que está na palma da mão, e é utilizado de forma muito fetistizada. Isso, perfeito? Sim. Sim. E aí perde a função do brincar, dessa terceira área, da transicionalidade, porque eu acho que quando a gente alcança um certo grau de maturidade, a gente percebe que o sexo é um brincar, é um brincar adulto, ele pode ser extremamente prazeroso, ele pode ser extremamente lúdico. Compartilhado, até porque o sexo não é somente chegar lá e resolver o problema. Isso, mas tem preliminares, tem brincadeiras, tem um carinho. É uma coisa natural, e espontâneo vai se construindo, átimo, sera, vai sendo criada conforme as duas pessoas estão inseridas da mesma cintonia. Isso é brincar, isso é lúdico. Agora, quando você não tem essa capacidade de transicionar, é entre a sua realidade subjetiva e o objetivo, o concreto? Compartilhado. Compartilhado. Então você acaba resolvendo o problema por meio da ejaculação rápida. E sozinha, solitário, de não tem brincar? Não, realmente, me parece muito objetivo. E é um encapsulamento narcísico, né? Porque nesse sentido, a pessoa não brinca, ela não tá acompanhada, né? Ela também não tá compartilhando da presença de alguém, ela não tá compartilhando a realidade de objetiva com outro, né? Não consegue ficar só na presença de alguém. É muito objetivo. Perfeito. A Fazendo uma ponta com o ínico, acho que seria mais ou menos para essa via. Total, total. E nessa matélula BBC, a gente não consegue ler. No entanto, embora usa o problemático de pornografia, tem a característica de um vício, ele não é reconhecido como tal em termos diagnóstico. Enveja isso a categorizado como uso prejudicial de pornografia online ou comportamento compulsivo. Para as pessoas que desenvolvem essa relação com a pornografia, os efeitos podem ser negativos. E para os mais jovens que crescem com conteúdo gratuito e forte acelocância, o impacto da grande exposição precoce pode ser extremamente prejudicial. Uma pesquisa recente do comissário das crianças parendo a terra, descobriu que em 2023, 10% das crianças tinham visto pornografia aos 9 anos de idade. E 27% tinha visto pornografia aos 11 anos. Os jovens nos dizem a nós que a sua exposição pornografia é generalizada e normalizada, sendo a idade média em que as crianças vêm pornografia pela primeira vez aos 13 anos, diz uma das coordenadoras do Instituto de Pesquisa. A pornografia já não está mais confinada à sites dedicados a adultos. As crianças dizem que podem ver conteúdo violento retratando auto sexoais correcivos, degradantes ou inductoris de dor nas próprias redes sociais. Indutora de dor. As implicações de ver esse tipo de material são vastas. A minha pesquisa, de pesquisadora, descobriu que os usuários frequentes de pornografia têm maior probabilidade de desenvolver em auto sexoais fisicamente agressivos. Ela afirma que a vital que o relacionamento de alta qualidade e educação sexual tem a oparidade de importância com outras disciplinas para ajudar os jovens a compreender que a pornografia não é realista. Não é realista? Que coisa, né? Se você tem contato com essa realidade tão bruta, né, e cruel de forma tão precoce, é claro, você vai ter uma dificuldade enorme de distinguir o que é real do que é fantasia. E assim é curioso, é interessante, porque sei lá, 11 anos, 12 anos, 13, vamos por, geralmente a idade que os adolescentes estão experimentando essas primeiras relações, né, que eles estão começam a afler estar, começam a olhar e as experimentam até o primeiro beijo. Mas isso começa a se relacionar, né, pode acontecer mais ou menos por acidade. Mas se você já está consumindo pornografia, como que fica isso, né? O que é experienciado numa relação com uma outra pessoa? O que é sentido? O que é fantasiado? Será que existe fantasia? Ou será que existe somente aquela coisa, né, que a gente tem que chegar a um objetivo. E o homem ou a mulher precisam agir de tal forma para alcançar esse ideal? Fica, parece que você foi falando, eu fui construindo aqui na minha cabeça, parece que essa violência ela, ela impede o gesto espontâneo de acontecer, sim, né? E se a gente foi falar de novo aqui da teoria Unicotiana, o gesto espontâneo é a base da nossa criatividade, a base do nosso ser, né? E se a gente tem tudo isso atravessado por coisas tão violentas e de forma tão precoce, antes que a gente tem algum recurso psico para poder processar tudo isso, como que a gente vai ter essa espontanidade que é tão preciosa na relação com o outro? O indivíduo não tem, é, ele não sabe, não existe de outra forma. Sim, que é a nossa capacidade de ser e também permitir que o outro seja ele mesmo, né? Então é o performance, ele precisa performar. Total, olha quanta coisa a gente já conseguiu falar sobre esse vício, né? E que está aí atingindo muita gente, acometendo muita gente, fazendo muita gente às vezes procurar ajuda, né? E é importante que a gente possa falar sobre isso e oferecer oportunidades para que essas pessoas também possam se vulnerabilizar e falar sobre isso, se perceberem nessa situação e procurarem ajuda. Sim, né? Um processo psico-trapêutico, às vezes, um acompanhamento até que a atriz, sim, né? Porque a gente precisa trabalhar aí com a questão sintomática, enfim, né? Mas questões secundárias, com os outros sintomas que são ocasionados às anteriores, a depressão. Sim, existem raizes, né? Pode ser que o vício na pornografia seja só a ponta do iceberg. Exato, exatamente. Ou pode ser realmente a raiz do problema. Perfeito, perfeito. Bom, mas a gente ainda tem muita coisa para falar sobre isso. Sim, vamos tomar um cafézinho? Vamos sim. Bora lá. Primeiro mês do ano, e qual seu monte? Tando aquele clima de renovação, se organizando para começar tudo do zero, hoje abateu aquele cansaço antecipado só de pensar na rotina. Bom, seja qual for o seu momento uma coisa certa. Estar bem consigo mesmo, faz toda a diferença. E sabe quem te ajuda nisso? Porque convenhamos, já basta a vida com seus altos e baixos. Pelo menos o que você veste precisa ser simples e funcional, né? Então, bora começar o ano com conforto bem estar. A insider preparou um kit especial com 12% de desconto para vocês usando cupom Pici Botecu. 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e também. Bom, agora falando mais do território brasileiro da nossa situação aqui no Brasil, a gente encontrou uma reportagem também bastante recente, na verdade essa não é tão recente. Essa saiu em 26 de abril de 2023, no jornal o estado de Minas. E o título da matéria excessa de pornografia faz o cérebro regredir ao estage infantil. Então se vocês derem o Google, vocês vão encontrar a matéria na íntegra. Começa assim a reportagem, com a internet, o consumo de pornografia ganhou maior amplitude e atualmente é um dos mais acessados na rede mundial de computadores. Só no Brasil, 22 milhões de pessoas assumem consumir pornografia, 76% são homens e 24% são mulheres. A maior parceia é o público jovem, 58% tem menos de 35 anos. De classe média alta, 49% pertence à classe B e está em um relacionamento sério, 69% são casados ou estão namorando. Desse montante, 49% concluiu em sino médio e 40% tem um curso superior conforme dados do quanto as pesquisas estudam do mercado para o canal sex-rote realizado em 2018. O estudo reforço quanto mercado é grande e tem alta demanda no país, principalmente pelo público masculino. Mas aqui a gente está falando também de um canal de assinatura, então os dados são outros. E tem muitas pessoas que assumiram consumir a pornografia. A gente sabe que. Tem pessoas que não conseguem assumir isso porque podem talvez ver isso como algo indesejável ou vergonhoso. É uma auto-sensura também, aquele sentimento de vergonha. É falar sobre isso também. É uma coisa íntima. O consumo de pornografia pelos homens é tratado pela sociedade como uma prática corriqueira, ou seja, normal, especialmente durante a pubertade, mas que pode estar relacionada à saúde e gerar muitos transtornos. Então como a gente falou no bloco anterior, pode ser a ponta do iceberg ou a base dele. A gente pode ter o vício na pornografia e ter uma série de consequências a partir disso, depressão, ansiedade, falta de relacionamentos, isolamento social, retraimento, a gente pode ter uma série de consequências que estão diretamente ligadas a esse vício em pornografia. E a gente tem também questões physiológicas, então problemas de dysfunction herética, de ejaculação precoce e outros tipos de adoecimentos. Segundo um estudo publicado na revista alemã, Jama Saiquei, a assistir as cenas pornográficas pode atrofear parte do cérebro deixando o órgão menos eficiente. Nossa, interessante, né? Eu acho que existe também outros estudos de base neurofisiológica, que também confirman que certas adicções, certos vícios também vão atrofeando parte do cérebro. Ter interessante isso, então é algo que não é só também emocional, mas a gente está falando de algo também physiológico que afeta o nosso cérebro. Sim, sim, o uso fetitizado de qualquer coisa pode gerar algo impacto na nossa saúde. Sim, sim. O vício em conteúdo por não pode estar mascarando um problema físico emocional, como a gente já mencionou, servindo como uma válvula de escape, o momento de fuga da realidade, além de afetar as relações pessoais e profissionais da pessoa. E aqui a gente pode ir para Freud naquele texto clássico dele maravilhoso, que tem até uma situação separada pela editora autêntica, as pulsões e seus destinos, ou os instintos e seus destinos na tradução da companhia das letras. O Freud vai dizer ali que muitas vezes a gente, quando tenta satisfazer as nossas pulsões mais desloca ela, desloca ela, ela para outros objetos, muda meta, desvia, você tá ali achando que você tá satisfazendo, mas você não tá satisfazendo nada, é uma grande enganação, o que aconteceu por exemplo na esteria, a mulher tá lá desejando o cunhado, mas aí não pode desejar, então ela mesma estabelece essa repressão consigo própria, então você tem uma conversão estérica, então você tem um sintoma que surge em decorrência daquele sentimento, daquele afeto que foi reprimido. E a mesma coisa, essas pulsões, você tá ali achando que você tá se satisfazendo, se auto satisfazendo, mas na verdade é uma compulsão, a repetição, essa satisfação ela não cansa uma verdadeira, um verdadeiro ápice, um verdadeiro prazer, né? É momentâneo. É momentâneo e a busca ela continua, esse movimento segundo Freud poderia ser caracterizado como um processo de repetição, no qual em divido se vê preso em um ciclo compulsivo, incapaz de experimentar a verdadeira satisfação do desejo. Então você vai jogando pra baixo do tapete, né? Como você tem dificuldade de se relacionar com outro, ou você se relaciona com base nessas imagens construídas no conteúdo da pornografia, você tá camuflando algo que deveria ser colocado em prática, ser dito, ser exercido, mas você não consegue, né? Isso acabou me recordando, aquela frase icônica do Freud, né? Que ele fala que um foge egoísmo protege contra a doisimento, mas afinal é preciso começar a amar para não adoecer e é inevitável adoecer quando devido à frustração, não se pode amar. Ou seja, eu acho que a plena satisfação aí nesse sentido seria se relacionar. É, na verdade, eu acho que a pornografia também, se a gente pensar por uma perspectiva mais Freudiana, ela entra no lugar daquilo que eu não consigo dar conta. Então eu me ocupo para satisfazer meu prazer, momentaneamente, mas aquilo que eu tô tentando esconder, continua me atormentando, então eu preciso cada vez mais descontar na pornografia, recorrer a pornografia para poder cubrir esse buraco ainda que de forma superficial, já que eu não consigo lidar com essa pução que tá ali explodindo, que seria se relacionar com outro, que seria colocar esse eu em cheque, sair desse encapsulamento. E essa menção que você trouxe do Freud para quem quer procurar, que quem quer ler a estudar mais afundo, tá no texto Introdução a Narcisismo de 1914, que é clássico e que costura com a opção em seus destinos, que também é um texto barbaro que. Tá ali, juntinho, né? São textos metapsychológicos do Freud e que servem para a gente pensar justamente nesse funcionamento de trocar algo por outro, e essa negociação que a gente faz com inconsciente, nem sempre ela dá certo, ela acaba escondendo muitas faltas. Deixa eu te fazer a pergunta, isso não seria uma sublimação, né? Não, a sublimação, na verdade, o Freud fala de sublimação poucas vezes, mas a sublimação é quando a gente consegue fazer essa troca de forma bem sucedida, sem tantos prejuízos para o nosso psiquismo. Então sei lá, sublimar essa compulsão pela pornografia, sublimar essa ausência de satisfação, seria, não sei, você pintar um quadro. Não, não saísse. A gente idealiza muita sublimação, mas pode ser algo mais sutil, você pode sublimar isso, uma boa conversa com amigos, você pode sublimar isso, treinando, você pode sublimar isso, escrevendo, falando, fazendo análise, correndo. Correndo, a gente acha que sublimar é algo muito dos deuses, algo muito inalcançável, é algo assim. O puro suco da sofisticação psiquica, mas sublimar pode ser algo muito mais simples do que a gente imagina. Como cuidado jardim? Também. Cuidado os dogues do jardim. Fazer uma boca humida. Exato. Mas é isso, eu acho que essa compulsão, esse visto, eles condui uma falta que a gente não quer lidar com ela. E aí a gente se defende, vai se preenchendo e vai. Já se torna uma compulsão à repetição, que não é sublimação. Exato, é o oposto disso, porque isso não nutre o psiquismo, isso impobrece o psiquismo. Por isso esse sentimento de vazio. Na sublimação parece que você é meio que lavora por outras vias. E você deixa a pulsão caminhar para outros destinos. E isso? Na composição, a repetição você fica ali meio que. Impobrecendo esse sentido, né? Martelando mais do mesmo. Martelando. Ok. Ter interessante, né? Mhm. Bom, eu acho que. Dá pra gente falar muita coisa ainda sobre isso. Mas eu gosto muito de. Eu acho que tem uma música, né? Que faz a gente pensar, claro que a gente não está falando de sexo aqui. Mas. Também estamos falando de sexo porque a pornografia influencia as nossas formas de se relacionar com o outro, né? Como a gente falou ali no primeiro bloco. Essa construção imagética, ela meio que contamina os nossos relacionamentos e faz com que a gente tenha mais dificuldade ainda de se relacionar com o outro e com nós mesmos, né? Porque a gente tenta alcançar ideais que não são alcançáveis. Afinal de contas, a gente está falando de uma indústria que produz algo pra ser consumido. Sim. Então é a mesma coisa de você assistir um filme de super-herói e tentar sair voando por aí. Essa não vai dar conta. Sim. Mas tem uma música da nossa musa maravilhosa, perfeita, rita ali. É o amor. Que é. Que ela diz tudo, né? Eu acho que é sobre isso. Eu acho que ela fala desses paradoxos, mas ela fala do quanto eles podem dar certo, né? Do quanto eles são opostos, mas que se complementam. Então ela diz, amor é um livro, sexo é esporte, sexo é escolha, amor é sorte, amor é pensamento. Teorema, amor é novela, sexo é cinema, sexo é imaginação, fantasia, amor é prosa, sexo é poesia. O amor nos torna patéticos, sexo é uma selva de epilepticos. Amor é cristão, sexo é pagão, amor é latifúndio, sexo é invasão, amor é divino, sexo é animal, amor é bossa nova, sexo é carnaval. Amor é para sempre, sexo também, sexo é do bom, amor é do bem. Essa música é pura poesia. Ah, estamos que incrível. E eu acho que vai justamente por aí, né, gente? A gente não tá aqui condenando a pornografia, até porque ela pode entrar nesse espaço lúdico, casais que vão assistir um filme por noz juntos e compartilham dessas fantasias. E se divertem nesse momento, mas a gente tá falando de quando isso se torna algo extremamente prejudicial, sendo consumido constantemente de forma compulsiva, e gerando outros problemas, outras formas de adoecimento, de sofrimento psíquico, que impactam a vida do sujeito, né, tanto no âmbito pessoal, profissional, tanto no sujeito ele com ele mesmo, e num slasso sociais. Até porque quando a gente se relaciona com outra, a gente também se relaciona com nós mesmos, né, o que nós somos, visto pelo outro, né, a gente é obrigada se mostrar. Sim, perfeito, muito bom. Bom, vamos tomar um cafézinho e a gente continua para finalizar no próximo bloco. Bom, gente, para finalizar esse episódio, a gente vai apresentar aqui dois quadros novos do psicanalho de butéco para essa nova temporada. É a coisa nova. Primeiro, é um quadrinho de indicações, né, e aqui a gente vai fazer indicações que não estão diretamente relacionadas ao tema do episódio. Então, a gente vai indicar músicas, filmes, séries, livros. Música já foi, né? É, a gente já indicou a música maravilhosa para vocês ouvirem a Morissexa da Rita Li. E eu queria indicar uma leitura que eu estou fazendo, estou terminando aliás, e estou extremamente apaixonado, que é o livro da Camila Souza Vilada, tese sobre uma domesticação. Gente, esse livro é barbaro, ele está me pegando e me virando do avesso. E ele tem muitas camadas, camadas políticas sociais, e é uma história fantástica, fantástica, não vou dar muito spoiler, mas vale a pena. Leion, e depois vocês me contam lá no meu insta. E você, você tem alguma intercação? Eu estava obcecada. [Risos] Adoro as referências. Não, não, gente, não, realmente. Eu comecei a ler os livros do Eduardo Luí, e eu lhe dou-es de uma vez porque eles são tão fininhos. E falei assim, gente, mas acabou. Eu quero próximo. [Risos] Aí eu acabei lendo quem matou meu pai, que eu achei interessante, sem maravilhoso. Eu achei incrível a forma como o Eduardo. Ele consegue se colocar nas linhas, consegue se mostrar. Ele tem uma escrita bastante visceral, não poupa palavras, não poupa sentimentos, não poupa fetos. E eu acho que o fantástico do Eduardo Luí é que ele consegue pegar uma questão extremamente singular, a vida dele, a relação dele com o pai, em que ele matou meu pai, e traz uma série de questões sociais e políticas. Sim. Então, também é um livro de manifesto. Exato. A mesma coisa bastante. Depois eu fui e lhe lutas em metamar fósis de uma mulher. Que é barbora. Eu falava, a mesma coisa que ele faz, eu me feliz. Exatamente. Eu só achei um pouco mais leve do que o primeiro, mas os dois são muito bons. Ah, maravilha, gente. Leio um literatura, tá? Porque eu sempre falo aqui. Esse canalista que só lheps e canalha, ele fica burro. Então, não façam isso. Esse canalistas precisam se nutrir de outras coisas. Estou tentando. [Risos] Bom. Bom. E o segundo quadro novo se chama Pergúntas dos Buteckers. Ah. E da onde vem essas perguntas dos Buteckers? Na verdade, nem vocês sabiam desse quadro, mas eu costumo abrir uma caixinha de perguntas aos domingos lá no mês da grã. E tem perguntas que me pegam muito assim, que eu acho que não dá para responder na caixinha. E teve uma pergunta que eu achei fantástica, né? E eu vou compartilhar aqui com vocês. Então, todo episódio nosso no final vai ter esses dois quadros, dinticações e as perguntas dos Buteckers. Então, a pergunta foi a seguinte, né? Como construir uma nova narrativa sobre si mesmo? Nossa. Eu sei essa pergunta linda, né? E eu respondi em poucas palavras e eu queria falar um pouquinho mais. Eu penso que toda narrativa adivém das nossas vivências. Para ter novas narrativas é preciso viver coisas novas. Ainda que esse novo seja mais do mesmo, mas reinventado. Acho que quando a gente revivensia com outros olhos aquilo que a gente faz, né? E a gente estava falando aqui, "Ah, você precisa ter uma vida fantástica?" Eu gosto muito daquela fala do Caligares, né? Então é a vida para ser bem-vivida, ela tem que valer a pena, né? Tem que ser uma vida interessante. Interessante, sim. Ele diz isso. E fazer a vida interessante não precisa, né? Você pensar em coisas miraculosas, como a gente estava falando da sublimação agora pouco. É você fazer aquilo que você faz, mas trazendo uma nova perspectiva, um outro olhar, né? Ou você tentar enfiar coisas na sua vida que você consiga fazer com leveza, com bem-estar, né? Com outros olhos, com novas lentes. Então, se você faz um caminho para ir trabalhar todo dia, que você possa apreciar esse caminho, escutar as pessoas ao sorredor, tentar estabelecer novos laços, para que você tenha tenha novas narrativas. Quando a gente procura essas novas narrativas, a gente precisa vivenciá-las, não tem segredo para novas narrativas. O segredo de novas narrativas é viver. Isso conversa muito com a ideia o Inicotiana do Fazer e do Ser. Porque quando a gente precisa resolver uma série de questões, continuar vivendo mesmo que seja por meio da sobrevivência, a gente está fazendo algo a respeito, né? Talvez nós estejamos sendo nós mesmos. Fio. Então, eu acho que tudo isso que você falou está muito relacionado ao ser que deve vir antes do Fazer. E não oposto. E eu acho que quando a gente está muito sobrecarregado por essa realidade objetiva, né, esse fazer, trabalhar, treinar, se alimentar bem, dormir bem, performar, postar, entregar, entregar, né? Você não tem tempo para ser. Você não tem tempo para se narrar. Não atoa o Bionchoran escreve um livro maravilhoso que o Liano passado, que eu super recomendo também, a crise da narração. A gente vive hoje uma grande crise da narração. As pessoas não conseguem sentar ao redor de uma mesa de bar, até mesmo em casa.
e na raar contar as suas histórias, a gente não tem paciência para ouvir o outro, a gente também não consegue se implicar na nossa narrativa, então acho que. replete isso sobre isso faz todo sentido. Sim. E queria convidar vocês para assinar em a nossa Newsletter, né, a nossa News do Espaz potencial, a gente sempre tem, posta lá nos nossos stories, mas também se vocês entrar em o site do Espaz potencial, que é o nosso Instituto de Formação Continuo em Psicanálise, onde a gente oferece os nossos seminários teóricos e outras atividades mais acadêmicas. Vocês vão encontrar lá no site o link para se inscrever, no final da página, se inscrever para receber a News. E a News, gente, é um exercício que eu tenho feito, descrita, em forma de crônica, né, eu fiz um curso na escrever-deira sobre crônicas e tenho praticado bastante, tenho vários cronistas que eu admiro muito no Brasil, né, a minha amiga Tatberna Arde, o Antônio Prata, que é maravilhoso, e o Julien Fuchs, né, que são pessoas que são referências para mim, e que eu tenho exercitado esse estilo literário na News, e o pessoal tem gostado muito. Então eu mando um testinho por mês, às vezes dois, então vale a pena se inscrever na News para receber esse estilo. Vale assim. E foi que eu estava olhando apaixonado. Não, não, mas porque é bonito mesmo. Que bom que você está conseguindo se jogar nesse outro tipo de descrita, e está muito bonito mesmo. Obrigado. Então, gente, para finalizar, a gente falou, falou, né, das questões, das causas, os sintomas, e a gente não deu uma alternativa, né, F, a gente não gosta de dar resposta pronta, nem dá espaços para, mas é importante se você se sente viciado em pornografia, se você deixa de fazer essas coisas, as coisas importantes na sua vida, coisas importantes para você mesmo, se você sente esse impobrecimento psíquico, essa desvitalização, essa ausência de sentido, busca ajuda, procura um tratamento psicoatratêutico, psicanalítico, psicológico, se você não tem condições, procura um lugar que ofereça atendimento social, um profissional que trabalha com clínica social, e conversa sobre na arre, isso para alguém, conte isso para alguém, compartilhe, se vulnerabilize, a gente que essa porta de entrada, o primeiro passo, né, o primeiro passo para a gente tentar encontrar alternativas para amenizar esses prejuízos, aí ocasionados pelo vício em pornografia, que é um problema do nosso tempo. Sim, fala, F, eu acho que seria uma boa oportunidade também para a gente compartilhar com os nossos botekers, que nós temos inscrições abertas para os nossos grupos de estudos. Ah, com certeza, esse semestre eu vou trabalhar, né, nos seminários teóricos, nossos grupos de estudos que acontecem desde 2020, a gente já teve mais de mil alunos que participaram nesse tempo todo. Os seminários teóricos, eles acontecem dois encontros por mês, todas as informações estão lá, também no site do espaço potencial, na página do Instagram do espaço potencial. E nas essas páginas pessoais também? Também, né, então a gente vai, eu vou trabalhar esse semestre com um livro do Freud, também com um livro do Sandoor Ferenc, né, que é uma analista dos casos difíceis, pacientes borderline, pacientes traumatizados, vou trabalhar o livro 4 do Ferenc, ele inteiro, e um livro bárbaro de uma altura pouco conhecida no Brasil, mas extremamente necessária, que trabalha com autismo e psicanálise. Eu acho que já passou da hora da gente falar sobre autismo e psicanálise, sobre os autismos, porque a gente vê afirmações, às vezes, colocações muito grosseiras, muito antiquadas, ultrapassadas, de alguns psicanalistas, da própria psicanálise de anti-duautismo, então a gente precisa estudar esse tema, falar sobre isso, isso é super necessário, então eu vou trabalhar com o livro Companha Viva da Anilvárez, que saiu pela editora Blucher, livro maravilhoso, que traz técnicas, manejos, questões elacionadas, a Metapsychologia também, trabalhando autores como Freud, Milani Clien, Bion, é a linhagem que ela trabalha, então um grupo interessante. Gente, eu também vou trabalhar com dois autores esse semestre, então todos convidados nas quarta-sfeiras, das 19h2030, eu vou trabalhar o livro Processe de Amadoressement e Abente Facilitador do DW Inicot, eu pretendo trabalhar esse livro inteiro, então a minha intenção é trabalhar ele durante o ano todo, né? E também nasceram essas feiras de manhã, das 9 horas da manhã, as 10,5h, eu vou trabalhar o livro "A Morku, Perreparação da Mélana Nkline", também intenso trabalhar ele todo. Então, serão dois semestres de muito estudo Cláiniano, eu e Nkortiano, pra quem gosta desse com a lenguesa, é um prato cheio. Lindo. Ah, eu não falei os dias dos meus, né? O Freud já acontece as segundas das 19, as 20, 30, o Sandoor Férem se acontece as terças das 19, as 20, 30, e o livro Daniel Vares, que a gente vai trabalhar autismos e psicanálise, acontece as quintas das 19, as 20, 30. Lembrando que todas as aulas elas acontecem ao vivo, pelo Zoom, com a interação dos alunos em tempo real, mas também a gente oferece a gravação que fica disponível por 15 dias e o certificado de horas no final dos seminários teóricos. É isso, gente. Muito obrigado. Compartilhem esse episódio com quem vocês acham que vai fazer algum sentido que possa tocar. Eu acho que é um episódio importante, tratando de um tema bem delicado e que a gente tentou trabalhar com leveza. Espero que a gente tenha atingido esse objetivo. Sim, sigamos refletindo, porque dá para refletir, dá para pensar em muitas coisas. Mande as perguntas, lá não está grando do Ale, quando ele abri a caixinha, e vamos continuar dialogando, vamos continuar problematizando, vamos continuar elaborando aí por meio da psicanálise as nossas questões internas. Que venha a 2025 com muita coisa boa, né F, porque esse ano acha que promete? Assim, espero. É isso, gente. Um beijo e até o próximo episódio. Um beijo pessoal, tchau tchau.
Podcast Summary
Key Points:
O podcast "Psicanálise de Botégua" inicia sua quinta temporada e aborda o impacto da pornografia na saúde mental e nas relações afetivas.
A pornografia é criticada por criar expectativas irreais sobre sexo, baseadas em imagens idealizadas e violentas, prejudicando a sexualidade real.
O consumo precoce e excessivo de pornografia, principalmente entre adolescentes, leva a dificuldades como ejaculação precoce, disfunção erétil e isolamento social.
O vício em pornografia é analisado à luz da psicanálise, com destaque para a falha na "transicionalidade" de Winnicott, onde o prazer imediato substitui o brincar compartilhado e a relação com o outro.
Dados da BBC e da USP mostram que a exposição começa aos 12-13 anos, com 1,8 milhão de britânicos assistindo pornografia diariamente, e que o problema afeta cada vez mais jovens solteiros.
Summary:
Neste episódio do "Psicanálise de Botégua", os anfitriões Alexandre Patrícia e Felipe Pereira discutem os efeitos nocivos da pornografia na sociedade contemporânea. Inspirados por uma entrevista do ator Chay Suede, que descreve a pornografia como algo que "canibaliza o desejo sexual", eles exploram como o consumo excessivo de conteúdo pornográfico distorce a sexualidade, criando fantasias irreais e violentas. A partir de dados da BBC e da USP, destacam que a exposição começa cada vez mais cedo, aos 12-13 anos, e que muitos jovens desenvolvem um vício que afeta sua capacidade de se relacionar.
Sob a ótica psicanalítica, os apresentadores relacionam o problema à falha na "transicionalidade" de Winnicott: o prazer imediato e solitário da pornografia substitui o brincar compartilhado e a construção de vínculos afetivos. Isso leva a um encapsulamento narcísico, onde o indivíduo busca satisfação rápida sem se abrir ao outro, agravando dificuldades como disfunção erétil, ejaculação precoce e isolamento social. O episódio conclui que, embora a pornografia possa ter um uso lúdico em alguns contextos, seu consumo descontrolado, especialmente entre jovens, representa uma epidemia que compromete a saúde mental e as relações humanas, reforçando a necessidade de problematizar esse hábito na clínica e na cultura.
FAQs
É um podcast que aborda psicanálise, filosofia, literatura, cinema e questões da sociedade, sem jargões ou pedantismo. Os episódios inéditos saem aos sábados.
O episódio discute os impactos da pornografia na saúde mental e nas relações afetivas, especialmente na atualidade.
A pornografia pode destruir o desejo sexual, criar fantasias irreais e idealizadas, e levar a dificuldades como ejaculação precoce e problemas de ereção, especialmente em adolescentes.
Pode causar isolamento social, encapsulamento narcísico e dificuldade de se relacionar com outras pessoas, além de reforçar o machismo e a objetificação do corpo.
Segundo um estudo da USP, a idade média é de 12 anos, o que é considerado muito precoce e preocupante.
É um conceito de Winnicott que descreve a passagem da realidade subjetiva para a objetiva, mediada por objetos transicionais. O vício em pornografia pode comprometer essa capacidade, substituindo o brincar por um prazer imediato e solitário.
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