O contrabando de canetas emagrecedoras do Paraguai para o Brasil explodiu nos últimos anos, com apreensões saltando de 7.500 unidades em 2023 para mais de 115.000 em 2024. A maior apreensão ocorreu em uma van com fundo falso, contendo 5.850 canetas. Estudantes de medicina foram flagrados tentando trazer cargas adulteradas, que eram diluídas e vendidas a clínicas particulares. As autoridades reconhecem a fiscalização insuficiente na fronteira, enquanto o crime organizado recruta pessoas para transportar os produtos, oferecendo R$ 500 por viagem. Os medicamentos paraguaios, mesmo quando contêm princípios ativos autorizados no Brasil, podem ter concentrações até 60% maiores e conter contaminantes, representando riscos graves à saúde, como pancreatite e morte. O uso indiscriminado para fins estéticos, sem prescrição médica, agrava esses perigos. A demanda é impulsionada por preços mais baixos e pela falta de acesso a tratamentos contínuos para obesidade e diabetes, doenças crônicas que exigem uso prolongado de medicamentos. Especialistas alertam que o contrabando compromete a segurança e eficácia dos tratamentos, além de expor pacientes a substâncias não regulamentadas.
A explosão do contrabando de canetas emagrecedoras no Brasil
Estudantes de medicina foram.
Pessoa 2
Flagrados.
Pessoa 1
Tentando contrabandear medicamentos emagrecedores pela Fronteira entre o Brasil e Paraguai.
Pessoa 2
A polícia descobriu uma.
Pessoa 1
Carga de canetas emagrecedoras adulteradas a suspeita é de que elas eram diluídas.
Pessoa 2
Em um líquido transparente.
Pessoa 1
E vendidas para uma clínica particular.
Segundo as investigações, as canetas eram oferecidas.
Sem controle sanitário em anúncios que indicavam os valores e disponibilidade imediata do produto.
Pessoa 3
As apreensões de canetas emagrecedoras na Fronteira do Brasil com o Paraguai explodiram.
Pessoa 2
No ano passado, em maio, foi proibida a entrada no Brasil de produtos fabricados no país vizinho.
Entre maio e dezembro, a receita e a polícia federal apreenderam quase 7500 canetas e ampolas.
Nesse ano, são mais de 115000.
Pessoa 3
Na sexta-feira passada aconteceu a maior apreensão de todas, uma van com placa do Paraguai foi parada na ponte da amizade.
Num fundo falso do capô estavam 5850 canetas e ampolas.
Pessoa 2
As autoridades brasileiras reconhecem que a fiscalização na Fronteira para pedestres e veículos é insuficiente.
Outros pontos contribuem para uma invasão das canetas paraguaias no Brasil, os preços, na média, mais baixos e a facilidade de compra por lá.
Pessoa 3
Os repórteres da folha Marcelo Toledo e Danilo verba estiveram em Ciudad del este e viram promoções em farmácias do tipo compre 3 unidades, ganhe uma amostra.
Eles também perceberam lá que os brasileiros dominavam a busca pelas canetas.
Pessoa 2
Os vendedores ensinam a driblar a fiscalização.
Pessoa 1
Para passar.
Pessoa 2
Na Fronteira e faz.
Pessoa 1
Como?
Pessoa 3
Então, a pessoa.
Pessoa 1
Aqui não é bascia de mim, está?
Pessoa 2
Tudo.
Pessoa 1
Escondido, senhor, está tudo proibido.
Pessoa 2
Algo que autoridades como um delegado da receita disseram conhecer bem.
Esse transporte de do Paraguai para cá é feito por minguinha.
Uma pessoa vai lá, traz 10 caixas, aí vai, depois atravessa de novo e com +10, vamos dizer, se ele fizer 10 viagens, ele traz 100 caixas.
As autoridades também apontam que esse contrabando não é feito só pelos chamados sacoleiros.
Tem envolvimento do crime organizado que Alicia pessoas, incluindo estudantes de medicina, oferecendo 500 BRL pelo transporte.
Ações coletivas na justiça também tem desafiado a Anvisa pedindo a liberação da importação de canetas paraguaias.
Pessoa 3
Organizações médicas no Brasil falam em riscos potenciais à saúde com o uso de medicamentos que não tem a Val da Anvisa, como é o caso dos fabricados no Paraguai, mesmo os que tem princípios ativos autorizados aqui.
Pessoa 2
Em uma análise feita a pedido da folha, uma caneta paraguaia tinha uma substância autorizada, mas em concentração 60% maior.
Um coordenador da sociedade brasileira de endocrinologia e Metabologia fez a comparação, um vinho adulterado pode até ter uva e álcool, mas pode ter também contaminantes, impurezas e ingredientes em dosagem irregular.
Pessoa 3
O café de hoje explica que substâncias estão vindo dentro das canetas paraguaias e como os produtos contrabandeados se disseminaram entre pacientes.
O médico endocrinologista Júlio Américo Batatinha, doutorando do hospital das clínicas da faculdade de medicina da USP, fala dos riscos desse uso e discute como o brasileiro incorporou a caneta entre os seus medicamentos.
Pessoa 2
A gente já volta com A Entrevista.
A ascensão das canetas emagrecedoras e seus riscos
Doutora, a gente é, já tratou das canetas emagrecedoras em outros momentos aqui no café, né?
A sensação é que dá em relação a elas.
Agora É Que É uma disseminação e uma consolidação.
Talvez, né?
É como você definiria o momento que o Brasil vive hoje em relação às canetas emagrecedoras, tanto em relação à demanda e ao interesse por elas quanto em relação à regulação?
Pessoa 1
Perfeito.
Acho que o Brasil vem na vanguarda.
Tanto ao uso da caneta de como e também como a gente vê essas canetas, é, elas vieram realmente pra consolidar.
Uma demanda reprimida muito grande que existia de uma das principais doenças crônicas que a gente tem no Brasil e no mundo, que é a obesidade.
Pessoa 4
Dados do Ministério da saúde mostram que, entre 2006 e 2024, a obesidade entre adultos cresceu 118% no Brasil, no mesmo período, os casos de diabetes aumentaram 135%.
E os de hipertensão, 31%.
Pessoa 1
Então esse tratamento, até comparando, como por exemplo, os inibidores de bomba de prots que a gente tinha com as úlceras pépticas, úlceras gástricas, que os pacientes faleciam, faziam muitas cirurgias.
A partir do advento dessas medicações, a gente conseguiu revolucionar o tratamento.
A gente tá nesse momento, a gente tá revolucionando o tratamento, tanto da obesidade, mas também do diabetes.
É que foram inicialmente.
Pelo qual o motivo pelo qual essas canetas foram criadas?
Então, sim, é.
O Brasil vê essa consolidação, assim como o mundo está vendo essa consolidação.
Não tem mais como a gente falar sobre o tratamento de obesidade, essa doença crônica, tratamento de diabetes é sem pensar nessas novas classes de medicamento, não só pela sua efetividade, mas também pelo também pelos benefícios adicionais que elas trazem ao tratamento, como por exemplo, um dos principais benefícios que é a prevenção cardiovascular, diminuição de infartos de derrames, os pacientes que convivem com essas comorbidades.
Pessoa 3
E aí tem o uso que se faz pra além da receita, né, digamos assim?
Da receita, não da é da prescrição, é.
Pessoa 1
Exatamente, exatamente.
Então essas canetas, como eu falei inicialmente, foram desenvolvidas pro tratamento do diabetes, quando se pensava a fisiopatologia da doença.
Mas se descobriu ao longo dos estudos que elas também geravam emagrecimento.
Daí você entendeu que poderia ser utilizado para obesidade e se foi testado para tal.
Então fizeram grandes estudos para conseguir validar que elas seriam não só efetivas, mas seguras para o tratamento de obesidade.
E a consequência é o emagrecimento.
E aí veio esse uso secundário, não indicado, bastante perigoso, porque ele não costuma ser saudável, não costuma ser sustentável, que é uso para perder aqueles alguns quilinhos que a pessoa fica está insatisfeita com.
Composição corporal quer perder alguns quilos?
E não que ela não possa estar insatisfeita, não que ela não possa querer perder esses quilos, mas acabou se utilizando muito hoje em dia essas as medicações que não foram desenvolvidas para tal objetivo e acabou, né?
Se criando esse uso indiscriminado.
Pessoa 3
E quais são os riscos desse uso indiscriminado?
Pessoa 1
Vários, diversos.
Primeiro que como qualquer medicamento, qualquer medicamento, a gente sempre vai ter os efeitos colaterais.
Uma vez que eles existem, a gente precisa identificar se o risco benefício compensa.
Enquanto o paciente tem uma doença com uma obesidade, um diabetes, que vai levar consequências a curto, médio e longo prazo, mesmo que o paciente passe para esses efeitos colaterais ou possa ter consequências até graves, é quando a gente coloca no risco, a gente entende que os benefícios devem ser muito mais prováveis.
Então você pega uma pessoa que vai utilizar uma caneta por fins estéticos e você tá submetendo ela AA riscos eventualmente graves.
A gente entende que é uma coisa que não se compensa.
Fora isso muito, esse uso indiscriminado vai desde uma prescrição inadequada por médicos que não orientam direito seus pacientes até uso por conta.
E aqui a gente vai para os os efeitos colaterais que são mais corriqueiros, mas que são intensificados.
São pessoas que procuram pronto socorros por diarréias mais intensas, vômitos mais intensos, dor abdominal, pancreatite é e casos que podem até.
Mesmo levar a morte?
Então, de fato, esse uso não é supervisionado pelo médico ou que não seja o mais adequado porque não foi para o que as canetas foram desenvolvidas pode ser bastante perigoso.
Variedade de produtos ilegais e legais vindos do Paraguai
É AA sensação que a gente tem, como o Maggi falou na primeira pergunta é que o Brasil virou também 11 polo do consumo de canetas e um dos reflexos é talvez do do aumento ou da consolidação desse uso é o contrabando, né?
A folha produziu uma série de reportagens.
É é recentes que.
Mostraram que as canetas emagrecedoras ocupam hoje o lugar que já foi de videocassetes e de uísque no contrabando do Paraguai.
O cigarro ainda é o produto mais contrabandeado, mas as canetas emagrecedoras vem crescendo o número de apreensões, por exemplo, na Fronteira em Foz do Iguaçu.
O que exatamente está vindo do Paraguai, doutora?
É, é uma variedade de produtos legais e ilegais.
Pessoa 1
Até explicando um pouquinho da primeira pergunta sobre a regularização, o Brasil também está na vanguarda da regularização.
Tem feito a regularização dessas medicações, como é feita com qualquer outra medicação.
Mas como tem esse interesse público, tanto interesse de uma demanda reprimida de pessoas que tinham diabetes, tinham obesidade, difícil tratamento e agora conseguem ver um tratamento bastante revolucionário?
Também tinha essa demanda de emagrecimento e aí voltado mais para a parte estética.
Respondendo a segunda pergunta, o que tem vindo do Paraguai em relação aos medicamentos?
É, a gente tá falando tanto de é contrabando.
Então, medicamentos que são de fatos produzidos pelas farmacêuticas, que são autorizadas a fazer esse uso, que foram regularizadas e, portanto, a gente sabe que esse uso ele é seguro.
A gente sabe quais riscos e quais efeitos colaterais a gente pode enfrentar.
Mas claro, né, como existe toda uma taxação e são medicamentos que foram.
Então é, tiveram um custo muito alto pra ser produzidos, pra serem desenvolvidos e, portanto, esse preço chega nos consumidores nesses primeiros anos pra compensar o investimento que foi feito.
Se é essas pessoas conseguem esse medicamento por outra via, fica muito mais barato.
Então o primeiro motivo é desse acesso.
Contrabando é obviamente a questão financeira, mas um segundo ponto em uma outra tentativa de baratear ainda mais, são farmacêuticas.
Farmácias, na verdade, né?
De manipulação.
Que não são autorizadas a manipular o medicamento de uma forma comercial, de uma forma de distribuição, é não são avaliadas em relação à sua segurança, sua eficácia, se estão realmente colocando a concentração dos medicamentos de forma correta.
Esses medicamentos que são produzidos de forma ilegal, são armazenados de forma ilegal também acabam chegando pro pra população brasileira.
Geralmente mais por via terrestre, desde pessoas que por conta própria, vão até o Paraguai, atravessam a Fronteira e compram, aliás, diversos tipos de canetas, formulações.
Às vezes nem caneta são, são ampolas, vão precisar ser injetados através de seringas e agulhas.
É até mesmo grupos mais organizados que fazem se contrabando desses produtos ilegais pra venda aqui no tanto estado de São Paulo, mas obviamente em todo o Brasil.
Pessoa 2
Então tem os produtos ilegais dos quais a gente não sabe.
É Oo conteúdo, né?
O que que a gente vai estar ingerindo?
E tem produtos é legalizados no Paraguai, autorizados no Paraguai, mas que não poderiam entrar aqui no Brasil, né?
Eu penso no exemplo é dos medicamentos com a tirzepatida, que é o princípio ativo do monjaro lá no Paraguai.
Tem vários medicamentos com esse princípio ativo, mas que eles não podem entrar aqui no Brasil porque o único medicamento que a Anvisa autoriza.
No Brasil, com esse princípio ativo, é o monjaro, é mais ou menos isso.
Pessoa 1
Exatamente.
A gente vai ter desde medicamentos, como você disse, que são produzidos de maneira inadequada, não regulamentada e medicamentos que são regulamentados em outros países, mas ainda não foram aprovados pela Anvisa e que, portanto, não poderiam ser comercializados aqui no nosso país.
E mesmo por um monjaro que é em outros países, podem ter um preço um pouco menor por diversos motivos.
E as pessoas recorrem a esse outros países, conseguem fazer essa compra e contrabandeiam pro nosso país.
Pessoa 3
E aí a questão é a maneira como esse produto faz a viagem, né?
Porque ele precisaria ser resfriado e aí a gente não sabe em que condições ele acaba chegando aqui.
Pessoa 1
Exatamente.
Tem desde a questão da produção que não tem nenhuma fiscalização, nenhuma segurança.
A gente não sabe concentração, não sabe o que mais existe nesses frascos.
Que estão sendo injetados.
EE, como você bem colocou, mesmo os medicamentos que foram adequadamente produzidos pela farmacêutica precisam ter todo um transporte muito seguro.
Refrigerado, que, aliás, é um dos motivos pelo qual o medicamento é um pouco mais caro.
E se ele é transportado de maneira inadequada, a gente não sabe nem quais efeitos colaterais nem qual efetividade esse medicamento vai ter.
O perfil dos usuários e a demanda por canetas ilegais
Uhum quão representativo você diria que é o contrabando de canetas no consumo brasileiro?
Quem usa a caneta contrabandeada do Paraguai no Brasil?
O.
Pessoa 1
Uso de canetas do Paraguai canetas ilegais, infelizmente é muito indiscriminado e muito difundido.
Pessoa 5
A velocidade com que o medicamento vem se popularizando no Brasil surpreendeu os pesquisadores do instituto locomotiva, que ouviram mais de 1000 pessoas no mês de fevereiro.
Quase um quarto dos entrevistados disse que usa ou já usou as canetas.
A pesquisa revelou ainda que 40% dos usuários compraram as canetas por conta própria, sem acompanhamento médico.
Pessoa 1
Então vai ter pessoas que de fato têm diabetes, têm obesidade?
É, iniciaram o uso até legislativamente legal da medicação, comprando em farmácias autorizadas, mas como são medicações muito caras, não conseguem sustentar o uso dessa medicação e acabam recorrendo a opções mais baratas.
Isso vai ganhar importância naquelas pessoas que sabem que não tem uma indicação médica própria, uma obesidade onde diabetes que faz sentido.
Usar essa medicação é, seria mais por fins estéticos e essa pessoa não vai querer.
É encarar os meios legais, passar uma consulta, pagar uma consulta, pegar uma receita que uma receita médica nem poderia na verdade comprar esses medicamentos legais e a pessoa já começa o uso dessa maneira mais paralela.
Pessoa 2
Eu acho que vale a gente explorar um pouco melhor essa ideia de o que impulsiona o mercado clandestino.
Doutor, porque é o Brasil tem mais de uma dezena de canetas emagrecedoras autorizadas.
EE, tem um ponto curioso em relação ao preço, porque algumas dessas versões autorizadas no Brasil tem preço similar ao das canetas que são contrabandeadas, né?
O que que exatamente está por trás dessa demanda das canetas que vem do Paraguai?
Porque.
Tem gente que escolhe a caneta paraguaia.
Pessoa 1
Eu acho que a gente enfrenta, como foi, 2 grandes demandas reprimidas, esse grupo de pessoas que tinham obesidade, que era uma doença extremamente negligenciada na história da medicina e que não se tinha um tratamento de fato efetivo, tão eficaz e que fosse sustentado a longo prazo.
E existe a gente sabe, né?
Essa ditadura da da beleza e da magreza, consequentemente, que está vindo com mais força atualmente.
E também havia essa demanda reprimida de pessoas que queriam perder alguns quilos a mais, mas não tinham uma coisa que fosse mais facilmente tanto disponível quanto eficaz.
É.
E aí essas canetas vieram pros 2 públicos, felizmente pra um, infelizmente pra outro, trazendo essa solução, que é uma solução que, como eu falei, quando a gente pensa em perder poucos quilos, não é uma solução sustentável, muitas vezes insegura, muitas vezes não é saudável, mas é uma solução muitas vezes momentânea.
Mas o fato é que as identificações são muito caras, é muito difícil pra população brasileira de modo geral.
Considerando a renda média, conseguir sustentar esse uso é outro ponto.
É que para obesidade, para diabetes, a gente pensa em um uso a longo prazo, muitas vezes para o resto da vida.
Então uma pessoa que às vezes consegue fazer esse investimento inicial não vai conseguir manter.
E para aquela pessoa que quer perder alguns poucos quilos, ela perde poucos quilos para de usar.
EE vê que os quilos voltam e ela vai querer retomar esse uso.
Então a principal questão é financeira em relação às medicações do Paraguai, que tem um preço similar ao que é disponibilizado nos mercados.
É a grande questão é a comparação.
Então, quando a gente fala de teaserpatida, semaglutida é, mas principalmente a teaserpatida é uma medicação muito mais potente do que as medicações iniciais, aquelas mais antigas, de 5, 10 anos atrás, que eram disponibilizadas no mercado brasileiro e que atualmente estão um pouco mais baratas.
Pessoa 6
As farmácias de todo o país já começaram a vender a primeira versão nacional das canetas emagrecedoras à base de semaglutida.
O medicamento foi aprovado pela Anvisa em maio, 2 meses depois da queda da patente.
Aqui no Brasil, o preço médio é 450 BRL, praticamente a metade da caneta importada, vendida a cerca de 1000 BRL.
Pessoa 1
Então, a busca por medicamentos paraguaios, né, que são contrabandeados e que são um pouco mais em contas, também.
É pela potência.
As pessoas vão querer procurar, principalmente antes de ser partida.
É e eventualmente ainda se procura um pouco a ser magotida.
Tratamento crônico, riscos e substâncias experimentais como Retratutida
O uso contra diabetes é perene assim, porque eu acho que as pessoas que fazem uso por emagrecimento é por um tempo e depois tem até uma fase de desmame e tal.
Pra controle de diabetes é um pouco pra sempre, então o tratamento.
Pessoa 1
Na verdade, o que muitas pessoas não sabem é que a obesidade, ela é uma doença crônica extremamente comparável ao diabetes.
No sentido de ser crônica, é ser multifatorial, ter carga genética, ter carga ambiental e que pra boa parte das pessoas o uso das canetas é que até a gente tenta né?
Endocrinologia, utilizar mais um um termo anti obesidade pra não pensar que o emagrecimento é o que é o mais importante, mas sem tratar e controlar essa doença, o uso é de longo prazo.
A gente tem estudos mostrando que mesmo pessoas com obesidade, que param de usar caneta depois de alguns anos, voltam a ganhar peso.
E que, portanto, a maior parte dessas pessoas vai precisar utilizar esses medicamentos a longo prazo.
E daí a inefetividade das medicações quando a gente pensa em perder poucos quilos, porque a obesidade basicamente é uma doença crônica de regulação da reserva energética do corpo.
Quando você usa a medicação, o corpo entende que pode reservar um pouco menos, diminuir a fome, você perde esses quilos.
Mas se você não mudou o ambiente ou a genética, ou o que tava gerando o seu corpo a entender que precisava ter esses quilos a mais, se você para a medicação, vai voltar a ganhar, ganhar aqueles quilos.
Seja muitos quilos no caso da obesidade, seja poucos quilos no caso de uma questão mais estética.
Pessoa 3
Bom, você tem atendido pacientes que usam as canetas contrabandeadas, né?
Quando esse paciente chega no consultório, qual é sua maior preocupação em relação a esse uso?
Pessoa 1
São diversas.
Então a primeira é uma conscientização desse paciente novamente, eu não vou denunciar meus pacientes, é mais uma questão de contenção de danos e conscientização.
E o que eu tento convencer eles?
A primeira coisa é, muitas vezes eles compram esses medicamentos de um fornecedor e esse fornecimento acaba, acaba temporariamente ou acaba de maneira definitiva.
Eles vão ter que mudar pra outro tipo de formulação, outro tipo de fornecedor, e a gente nunca consegue ter a certeza, nem no mesmo fornecedor, que aquela concentração é a concentração sempre igual entre as ampolas.
Então eu não sei o que esse paciente está usando.
Eu não sei a dose exata que ele está usando.
Eu não sei qual componente a mais tem nessa ampola, e desse modo, eu é ao longo do segmento.
Se ele apresentar algum efeito colateral, eu não sei se é da medicação.
Eu não sei se é de algum outro componente que tem nessa fórmula, ou não sei se é de alguma outra doença que ele possa estar apresentando.
Então isso torna o acompanhamento dele, o segmento, muito menos seguro e com muito mais riscos.
Pessoa 3
No mercado clandestino do Paraguai existem canetas que tem como princípio ativo a retratutida, que é uma substância que ainda está em estudos de fase 3, não tem aprovação em nenhum lugar do mundo para uso humano.
O que que isso significa na prática?
Pessoa 1
Exatamente.
Então, quando a gente pensa em lançar uma nova medicação, medicamentos no mercado, a gente vai ter 4 fases de estudo.
Fase 3 é a fase que a gente está começando a testar em mais pacientes.
E aqui é uma fase que a gente começa a entender um pouco melhor quais são os riscos, quais são os efeitos colaterais, quais são as cautelas que a gente tem que ter com esse medicamento?
Então, dado que a tratutida ainda não finalizou os estudos de de fase 3, a gente não tem total segurança pra conseguir utilizar é e prescrever essa medicação.
Então um paciente que opta por utilizar esse tipo de medicamento hoje em dia é como se desse um cheque em branco pra uma pessoa, a gente não sabe o que vai vir, a gente não sabe quais vão ser os efeitos colaterais se surgirem, como que a gente pode contornar.
Então seria uma coisa muito insegura, extremamente inadequada, que o médico recomendasse hoje esse tipo de uso.
Claro que os estudos são muito promissores, estamos muito.
Animados na área de endocrinologia, cardiologia, com novas perspectivas do tratamento de obesidade, diabetes e as consequências que essas doenças trazem.
Mas a gente tem que ser muito cauteloso, né?
A história da medicina a gente já viu algumas vezes, medicamentos que não seguiram o trajeto habitual, né?
Da dos protocolos de segurança e as consequências catastróficas que tiveram, então a retratutida não deveria ser jamais uma opção de tratamento atualmente.
Pessoa 3
Até agora que que os estudos apontam para essa substância.
Como ela seria diferente?
É se tudo funcionar depois de todas as fases, é claro, das substâncias que já existem no mercado.
Pessoa 1
O grande benefício da retrato tida que tem é deixado nós acadêmicos, um pouco mais animados em relação a ela.
É só potência, então, a potência de perda de peso e a potência do controle do diabetes.
Então a gente está começando a ver que alguns pacientes em que antigamente.
É a única opção que eles teriam por um controle mais respetivo de suas doenças.
Seriam, por exemplo, uma cirurgia bariátrica.
Talvez agora a gente não precise mais lançar mão da cirurgia, a gente tenha outra opção, como por exemplo, um medicamento.
Então, a gente está falando mais em percentual de perda de peso, como um perfil de segurança e um perfil de de efeito colateral bastante similar a semaglutida, átilis e partida, que são medicamentos que já tem no mercado.
Pessoa 2
E a diferença da átilis e partida pra semaglutida é também uma questão só de potência ou não necessariamente?
Pessoa 1
Além da potência, são medicamentos diferentes, né?
Então a retratotida também.
Então, quando a gente fala da tísepatida, um dual, ela atua em 2 tipos de receptores.
Mas fora essa questão biológica e fisiológica de como que atua a medicação, na questão prática, sim.
Então a tísepatida é uma, é um medicamento mais potente e que, comparativamente com a semaglutida, consegue ter um pouco menos de efeitos colaterais, então costuma ser mais aceito pelo paciente quando inicia o seu uso.
O que falta na análise de canetas emagrecedoras paraguaias
Bom, a pedido da folha, um laboratório da Unicamp fez uma análise.
Análise independente é de canetas fabricadas no Paraguai.
E aí?
Canetas produzidas por laboratórios, né?
Que são regularizadas por lá, vendidas na farmácia, não as clandestinas ou as manipuladas.
Enfim, as canetas testadas seriam versões da tirsepatida, que é, como a gente explicou aqui, o princípio ativo do monjaro.
A análise encontrou o princípio ativo similar da tercepatida nas canetas e é importante dizer que ela se prestou a isso, não avaliar eficácia, segurança, enfim, a Anvisa, depois dessa reportagem, emitiu uma nota para reforçar a importância de testes específicos para as canetas paraguaias.
No que é essas análises ajudariam, doutor?
Esses testes poderiam levar a uma discussão pra liberar os medicamentos, por exemplo.
Pessoa 1
Quando a gente faz um teste, como por exemplo, OCA Talks, são centros de toxicologia, fazem pra identificar um componente.
Isso é importante pra saber que esse componente de fato existe nesse medicamento.
Então esse seria um primeiro passo, mas ele é um passo muito pequeno pra gente conseguir regularizar uma medicação.
Pessoa 7
Tanto a Anvisa quanto a Lili que fabrica o monjaro.
Afirmam que em contrato e fizepatida não basta para dizer que o medicamento é seguro ou equivalente ao original.
A análise respondeu 2 perguntas importantes, as canetas analisadas continham sim de fizepatida e elas não estavam adulteradas com ser magnutida.
Mas a pergunta sobre a segurança e eficácia desses medicamentos continua dependendo de uma avaliação muito mais ampla do que apenas em identificar o princípio ativo.
Pessoa 1
Outras coisas que precisam ser feitas é saber qual que é o nível de pureza?
De tiros e partida que tem nesses medicamentos é qual precipiente, ou seja, em qual tipo de substância essas reivindicações estão diluídas.
É se tem peptídeos truncados ou subtipos de síntese.
O que isso significa?
Quando a gente vai produzir o peptídeo é como se fosse 11 parte pequena de uma proteína que é esse medicamento.
A gente pode ter coisas que vão junto no processo e estão junto nessa medicação que podem trazer mais ou menos efeitos colaterais.
Se alguma toxina, qual foi a esterilidade do processo e principalmente, qual que é a farmacocinética?
Uma vez que esses outros medicamentos que não são referência são injetados no corpo, como que eles vão se comportar no corpo, quanto tempo que vão durar, como que eles vão, se é correlacionar em relação a dosagem?
Então vários outros testes, tanto de segurança, de eficácia.
Né?
De metodologia de produção precisam ser feitos pra essas medicamentos de fato serem considerados similares e portanto, serem provados, seguros, pra aí sim eles conseguirem entrar no mercado brasileiro.
Soluções para o contrabando e acesso a tratamentos no SUS
Na sua visão, onde estão os gargalos pra frear o uso da caneta contrabandeada, o crescimento do contrabando?
Pessoa 1
Acho que o grande gargalo é a gente ter oportunidades de tratamento pra obesidade e diabetes efetivos no Brasil.
E quando eu digo efetivos, não só mais acesso à população, a esses medicamentos.
Então, quando a gente pensa no SUS em termos de equidade, igualdade, integralidade, a gente precisa disponibilizar esses medicamentos pra população brasileira.
Não tem como pensar hoje em dia, por exemplo, diabetes sem medicamentos no SUS.
E obesidade é uma das doenças como diabetes, uma das mais prevalentes.
Então, a primeira coisa é ter acesso a esse tipo de tratamento que a gente conseguiria pegar boa parte dessa demanda reprimida com obesidade, diabetes e conseguir um tipo de tratamento.
Essas pessoas não precisariam recorrer a um mercado paralelo a um, a um uso ilegal desses medicamentos e até perigoso dessas medicações que a gente não sabe muitas vezes o que tem dentro dessas ampolas.
Então a primeira coisa seria a gente de fato conseguir tratar obesidade do ponto de vista populacional, um segundo grande gargalo.
E aí acho que é uma resposta muito complexa a gente entender o porquê que se tem essa necessidade cada vez maior e impositiva de beleza magra, de magreza na verdade pra população.
E aí é como que a gente consegue trabalhar isso, para as pessoas entenderem que elas não precisam a ferro e fogo e até colocando sua saúde é em risco utilizar substâncias pra pra perder alguns quilos.
Pessoa 2
Você citou o SUS e o sistema único de saúde.
Começou um projeto piloto recentemente em Porto Alegre.
É de tratamento da obesidade justamente com canetas emagrecedoras a base de semaglutida.
É como você vê essa iniciativa e como seria possível equilibrar a democratização desse tipo de medicamento que você destacou que é um ponto chave, que é importante nesse momento.
Com os riscos de o medicamento acabar, enfim, acho que banalizado talvez dê para dizer.
Pessoa 1
Temos alguns cuidados a serem tomados na comercialização do SUS.
Com uma medicação muito cara, não poderia, imagino eu, com uma simples prescrição qualquer um conseguir ir num posto de saúde e tirar esse medicamento.
No entanto, o que esse estudo é vai começar a tentar responder e provavelmente vai precisar de novos estudos no futuro.
É a custo efetividade, apesar do seu medicamento muito custoso, muito caro.
A gente pensa populacionalmente.
Isso geraria um grande uma grande demanda para os cofres públicos.
Por outro lado, se a gente consegue tratar e controlar melhor a obesidade, a gente consegue diminuir muito os custos decorrentes das consequências dessa doença crônica tão prevalente no país.
Então, a gente provavelmente vai conseguir diminuir bastante a quantidade de infarto, a quantidade de derrames, consequentemente, a quantidade de internações, que são muito caras para essas consequências, infartos, derrame.
A quantidade de pessoas que deixam de trabalhar, deixam de produzir, porque tiveram também alguns desses desfechos cardiovascular, então eu vejo com olhos muito positivos a comercialização dessas medicações no SUS.
Claro que mais importante seria prevenir a obesidade, então diminuir o número de ultraprocessados nas escolas, a influência da indústria alimentícia Na Na população, conseguir mais espaços de atividade física pra população, mas isso são coisas que vão demorar muito e a gente não pode deixar as pessoas que hoje tem obesidade impedi las de terem acesso a um ótimo tratamento.
É se por um lado eu acho que vai ser bastante custo efetivo.
Por isso que eu expliquei novamente o reforço que certamente AA gente vai precisar pensar em algumas regulações.
Como despender esses medidos?
Medicamentos, fornecer esses medicamentos de uma maneira segura para que ele de fato seja destinado as pessoas que precisam ali de por uma indicação clínica e não aquelas pessoas que querem perder 2, 3 kg e acabam utilizando uma medicação que vai custar para o SUS 500 e 600 BRL por pessoa, algo que não faria sentido.
A história e origem do sobrenome Batatinha do doutor
Eu queria só fazer uma última pergunta, se você me permite uma curiosidade, que eu acho que seus pacientes devem fazer também em relação ao seu sobrenome, de onde vem Batatinha?
Pessoa 1
Perfeito, então sim, é.
É sobrenome ou Batatinha?
Ele é um sobrenome 100% brasileiro, baiano, então minha ascendência é baiana, apesar de é de eu ser um homem branco.
Ele tem 11 origem ali da da libertação dos escravos, uma origem negra da qual eu tenho tenho bastante orgulho.
Então é isso, um sobrenome baiano.
Pessoa 2
É a única família Batatinha do Brasil é a sua?
Pessoa 1
A princípio, sim, eu vi.
No último censo do IBGE, se eu não me engano, tinham registrado cerca de 250 batatinhas, a sua maioria ali Na Na Bahia.
De piritiba, da onde meu avô veio e mais alguns aqui em São Paulo também.
Pessoa 2
Muito maravilhoso, obrigado, doutor.
Pessoa 1
Imagina, prazer, gente, bom dia para vocês.
Tarifas dos EUA, pesquisa eleitoral e encerramento do episódio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acatou a recomendação do USTRO, escritório do representante de comércio do país, para tarifar produtos brasileiros em 25%.
A decisão põe fim à investigação do escritório sobre o Brasil com base na sessão 301 da lei de comércio Americana até a conclusão desse episódio.
O governo Trump não tinha divulgado detalhes da medida, como a lista de produtos que devem ficar de fora da taxação e a data em que as tarifas vão começar a valer.
A investigação do USTR Miro temas que são motivo de atrito com os Estados Unidos há vários anos, como as tarifas brasileiras sobre a importação de etanol, além de queixas novas, como o Pix e o desmatamento.
Nas últimas semanas, apesar de reuniões acontecerem entre as partes, o governo Lula tinha a perceção de que não havia espaço para negociação.
O setor privado tinha a mesma avaliação e lutava para que o maior número de setores ou produtos fossem poupados.
O novo tarifácio deve fazer com que o Brasil passe de 13º para segundo país mais taxado pelos Estados Unidos sobre Trump, atrás da China.
E é mais um capítulo de rutura nas relações entre os países.
O governo Lula deve aguardar a aplicação das taxas para decidir como reagir e se vai ser o caso de mobilizar a lei de reciprocidade.
Uma pesquisa genial Quest divulgada ontem mostrou que o presidente Lula tem uma vantagem de 8 pontos sobre o senador Flávio Bolsonaro.
Na simulação de segundo turno, Lula tem 45% das intenções de voto, contra 37% de Flávio.
Brancos, nulos e declarações de que não vão votar somam 14% e indecisos, 4.
Em junho, a vantagem de Lula era de 6 pontos percentuais.
A rejeição do nome do PT também mostra a tendência de queda e hoje é de 50%, enquanto a do pré candidato do PL, em viés de alta, é de 57%.
A Quest ouviu 2004 eleitores entre 10 e 13 de julho.
O nível de confiança das estimativas é de 95% e a margem de erro é de 2 pontos percentuais.
O resultado veio depois da publicação do vídeo em que a ex primeira dama, Michelle Bolsonaro, disse que o enteado a desrespeitou e a maltratou.
O senador depois leu uma carta atribuída a Jair Bolsonaro, em que o ex presidente reafirma apoio à candidatura do filho.
O caso levou o ministro do STF Alexandre de Moraes a proibir visitas de Flávio Bolsonaro ao pai por 90 dias, pelo descumprimento da proibição de Bolsonaro divulgar, inclusive por terceiros, mensagens nas redes sociais.
A defesa do ex presidente disse ontem ao STF que ele não sabia que a carta seria tornada pública.
O texto lido por Flávio Bolsonaro tem como título carta aos brasileiros e começa com o seguinte trecho.
Saudoso do contato com o povo ao qual devo lealdade, escrevo num momento de decisão para todos nós.
Os advogados de Bolsonaro disseram que ele já escreveu outras mensagens sem ser questionado sobre descumprimentos das medidas cautelares da prisão domiciliar.
Pessoa 3
Esse foi o café da manhã, podcast mais importante do seu dia, parceria entre a folha e o Spotify.
Pessoa 2
Eu sou o Gustavo Simon.
Pessoa 3
E eu majé flores.
Pessoa 2
O roteiro foi escrito com Jéssica Cruz, a produção é dela, do Gustavo Luiz, da Laura Lever, da linvertime e da Pamela Queiroz e a edição de som do Rafael contle.
Pessoa 3
Esse episódio usar audies de Globo, Record, CNN Brasil, ETV folha.
Pessoa 2
É isso até amanhã até.
Podcast Summary
Key Points:
Apreensões de canetas emagrecedoras contrabandeadas do Paraguai dispararam no Brasil, com aumento de 7.500 para 115.000 unidades entre 2023 e 202
Estudantes de medicina foram flagrados tentando contrabandear medicamentos adulterados, que eram diluídos e vendidos a clínicas particulares.
Produtos paraguaios podem conter concentrações até 60% maiores do que o autorizado no Brasil, além de contaminantes e impurezas.
O contrabando é impulsionado por preços mais baixos, facilidade de compra e envolvimento de crime organizado, que recruta "sacoleiros" com pagamento de R$ 500 por transporte.
O uso indiscriminado de canetas para fins estéticos traz riscos graves, como pancreatite, desidratação e até morte, além de efeitos colaterais intensificados.
A obesidade é uma doença crônica que requer tratamento de longo prazo; o uso de medicamentos contrabandeados compromete a segurança e eficácia do tratamento.
Summary:
000 em 2024. 850 canetas. Estudantes de medicina foram flagrados tentando trazer cargas adulteradas, que eram diluídas e vendidas a clínicas particulares.
As autoridades reconhecem a fiscalização insuficiente na fronteira, enquanto o crime organizado recruta pessoas para transportar os produtos, oferecendo R$ 500 por viagem. Os medicamentos paraguaios, mesmo quando contêm princípios ativos autorizados no Brasil, podem ter concentrações até 60% maiores e conter contaminantes, representando riscos graves à saúde, como pancreatite e morte. O uso indiscriminado para fins estéticos, sem prescrição médica, agrava esses perigos.
A demanda é impulsionada por preços mais baixos e pela falta de acesso a tratamentos contínuos para obesidade e diabetes, doenças crônicas que exigem uso prolongado de medicamentos. Especialistas alertam que o contrabando compromete a segurança e eficácia dos tratamentos, além de expor pacientes a substâncias não regulamentadas.
FAQs
Os vendedores orientam os compradores a esconder os produtos no corpo ou em fundos falsos de veículos, como foi visto em uma van com 5.850 canetas e ampolas no capô. Eles também sugerem fazer várias viagens com pequenas quantidades para não chamar atenção.
No Brasil, versões nacionais de semaglutida custam cerca de R$ 450, enquanto importadas chegam a R$ 1.000. No Paraguai, o preço é mais baixo, com promoções como 'compre 3, ganhe 1', mas sem garantia de qualidade.
A tirzepatida é o princípio ativo do Monjaro, um medicamento mais potente para emagrecimento. No Paraguai, há versões mais baratas e com maior concentração, mas a Anvisa só autoriza o Monjaro original no Brasil, e o contrabando traz riscos de dosagem irregular.
Sem refrigeração adequada, a eficácia do medicamento pode ser reduzida e a segurança comprometida, aumentando o risco de contaminação ou degradação. Isso pode levar a efeitos colaterais imprevisíveis, como reações alérgicas ou infecções.
O crime organizado oferece R$ 500 por viagem para estudantes de medicina transportarem canetas do Paraguai para o Brasil. Eles usam a aparência de estudantes para passar pela fiscalização com mais facilidade.
É uma abordagem médica que foca em reduzir os riscos à saúde, mesmo quando o paciente continua usando o produto ilegal. O médico orienta sobre dosagens seguras, monitora efeitos colaterais e tenta convencer o paciente a migrar para opções legais.
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