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O que é uma Leitura Estranha?

from Leitura Estranha

49m 57s

O que é uma Leitura Estranha?

O podcast "Leitura Estranha" surge como um espaço de diálogo entre autores e leitores para explorar obras literárias que desafiam categorias tradicionais, como ficção científica, fantasia e realismo mágico. Os participantes — Artur, Ana e Jorge — compartilham suas trajetórias intelectuais e pessoais que os levaram ao gosto por textos estranhos, marcados por incerteza, contaminação e tensões entre o familiar e o desconhecido. A literatura estranha é vista como um território de crise e transformação, que questiona a realidade, a linguagem e a capacidade humana de representar o mundo. Autores como Lovecraft, China Mieville e Cortázar são analisados não apenas por sua temática, mas pelo modo como eles revelam limitações da compreensão humana e a angústia do que não pode ser descrito. O podcast propõe uma estrutura quinzenal com temporadas para permitir uma leitura profunda e reflexiva. A discussão enfatiza que o estranho não deve ser reduzido a alegórias políticas, mas deve ser aberto a múltiplas interpretações — psicológicas, psicanalíticas, ambientais — que ressoam com crises contemporâneas, como a crise climática. O objetivo é criar um espaço seguro para a experimentação, onde o leitor se sinta angustiado e ao mesmo tempo despertado, reconhecendo que o estranho é, em muitos sentidos, uma reflexão da própria condição humana e do mundo em transformação. A proposta também inclui um programa de apoio, com acesso a grupos exclusivos e participação em gravações ao vivo, para sustentar o projeto.

Transcription

9146 Words, 49948 Characters

Portuguese
Muito bem, então está começando a primeira edição deste podcast que é cada 15 dias vai indicar pra você uma leitura estranha. Acho que também é um pouco estranho porque estamos conversando aqui agora sem saber muito bem pra onde vai esse podcast, para onde vamos, que vai fazer. Mas aparentemente o que temos aqui em comum é essa intenção de compartilhar leituras esquisitas como diz o selo que eu estou tentando fazer funcionar nas redes sociais de lêquois esquisita. Gostou de mais? Muito bem. Acho que então pra gente começar para esses ouvintes que podem ser os nossos primeiros que já podem conhecer a gente de outros projetos que podem ouvir de vários caminhos, vamos se apresentar cada um pra gente saber quem quer, vamos começar em ordem alfabeticana, quem é você o que você faz de um e veio? Eu sempre caiu na ordem alfabetic, eu sou na raíça, eu gosto de me apresentar por aí como leitura, é isso que eu sou, não sou mais pesquisadora, sou o linguista na minha vida privada, então não é disso que eu quero falar aqui, olha a minha vida se viu, eu produzi com lucas mortas durante algum tempo, ou se fosse a leitura, que era um podcast quenzenal de literatura com mais ou menos 1,40 minutos, a gente discutiu muita coisa legal, a gente fez uma comunidade muito bacana, e encerramos o projeto com 200 episódios que estão no nosso acervo, por aí sendo ouvidos até hoje, me formei em letras, sou o linguista, e eu me formei em letras achando que eu ia fazer letras pela literatura, chegou lá o picado pelo bichinho da linguista, o que eu gosto, porque eu gosto de brincar aqui na literatura, eu sou civil, então quantas pessoas estão falando sério, eu me dou ao luxo de achar bonito, que lei não, de casa nossa, e aí isso é, acho que faz bem, e eu sou uma leitora que volta e meia se depara com a literatura esquisita, com a leitura estranha, com uma coisa meio novo, eu gostei, mas não sei por quê, eu perdi as contas de quantas vezes eu já indiquei livro falando assim, para as pessoas olha, lei eu não consigo explicar, então é uma coisa que me estiga assim, o estranho que está na margem ali do, será que eu entendi, será que era essa intenção, o que aí, para onde estou indo, como leitora a gente começa a adivinhar uns caminhos, né, eu acho que vocês já devem ter esse sentido assim também, você começa a adivinhar uns caminhos quando o narrador te poxa um pouquinho e se fala, "Ah tá bom, eu sei, quero ir por aqui, é por aqui que eu vou", e alguns narradores fazem assim, "Ah então, não é por aí que a gente vai não", e isso também é muito bom, e eu acho que a gente precisa discutir mais, eu acho que a gente tem que fazer o selo do Arthur ganhar vida, porque é ler coisa que quiser, é gostar demais. Eu não, na verdade, esse selo ele surgiu num 30 minutos, porque a gente estava lá na, enfim, eu sou Artur, faço mais do que esse 30 minutos, escrevo também aí nos Leraer.nemo, inscreva-se para o Jornal Hascun, também, às vezes para revistava PESP, sou jornalista de informação, fiz um estrado em sudando crítica literária e booktubers, fiz um doutorado pesquisando o Zvetlana Lexievich, que eu acho que tem também uma parte de coisa diferente ali, acontecendo no formato e nos relatos que ela traz, faz parte de 30 minutos há alguns bons anos, e recentemente a gente tem comentado, a gente tem lido bastante coisa no grupo dos apoiadores de livros que a gente lê, eu acho exquisito, né? E aí nessa troca, é uma das apoiadoras, a camina lá fez o selinho de ler coisas que visitam gostoso demais, e aí eu adotei e comecei a colocar nas resinhas que eu faço do Goodyreads, às vezes eu colo no Instagram, o selinho ali, fiz o esticurzinho na WhatsApp, ele é grande, de literatura esquisita, porque eu acho que eu sempre tive essa relação que Ana comentou um pouco, de gostar dessas obras esquisitas que você olha e precisa entender um pouco do que está sendo proposto ali. Não necessariamente relacionado a isso, mas eu sempre li muitas coisas que me agradaram na forma com que ele ter atureli escrita, né? A gente que se pega muito pela temática, quando vai discutir algumas questões sociais ou algumas das coisas, eu gosto muito da forma de olhar para a forma das coisas. Então esses livros que são mais desenvolvidos para esse caminho me chamam muito atenção, mas às vezes eles têm um enredo mais fraco, às vezes eles não têm muito esse foco, sei lá, para quem já lheu, é a casa de folhas, né? Que é um livro famoso, a história dele é bastante básica, a brincadeira lita muito no jogo de quando eu formato ou o próprio S que fez bastante sucesso quando saiu aqui, ele tem muita brincadeira da escrita na imagem das pessoas que vão conversando ao longo do tempo enquanto tem um livro com mistério, tal, que faz uma coisa de jogo às vezes também, e essas coisas que ficam no meio do caminho não interessam muito, essas coisas que são misturadas, contaminadas e bridas, isso que me pega bastante, né? E eu acho que o espaço dessa literatura de escrita me pega muito aí assim, porque não são coisas muito definidas, não são coisas que consegue falar que é isso ou aquilo, que tá lá ou que tá casam, coisas geralmente estão no meio do caminho, isso é uma coisa é outra ao mesmo tempo, e isso eu gosto bastante, né? Fazendo um adendo do que a Ana tava falando, parte da conversa começou no dia em que eu terminei de leite de solenoide, do Messia Cartadezco, e eu comentei, e ela falou, você gostou, eu falei, olha, é bem legal, mas é um livro estranho, assim, não sei se você gosta, mas eu sou muito desse bom antigo, eu gosto muito desse tipo de coisa que vai por esse caminho, ela falou, não eu gosto muito, eu falei, então veja bem, aí eu comecei a gente começou a conversar do livro, né? Eu falei, eu gosto do mal sabia eu, aconteceu a mesma coisa, para onde o Arthur está me levando, caz tu eu, pesado, e aí para a gente eu vi o George foi um pouco por aí também, né, George? Eu tinha recebido o livro do George, e a George falar, tô por aqui também, e falei então, venha, vamos fazer isso a acontecer, Oi, também tô nesses estranhamentos aí, e você conta para o ouvinte que tá te conhecendo agora, quem é você, o que você faz? Então aí eu sou George Amaral, eu sou na vida civil, sou psicanalista, também em escritor, escrevo também umas coisas estranhas, você viu tanto do lado teórico quanto na ficção, dois, vou pelos dois caminhos estranhos aí, muito bom, enquanto vocês falaram, tava pensando aqui, de onde que veio, né, esse gosto pela coisa mais estranha, eu acho que a raí está lá naquelas coisas muito doidas que tinha nos anos 80, sabe? Ele desfio mesmo com, sei lá, com o David Bow e uns demonios, né, uns coisas assim. Eu gostei, sempre gostei dessas misturas assim, muito estranhas, e desde sempre, né, e foi ainda assim, esse tipo de literatura ou de cinema, coisas assim, era algo que me despertava, né, algo diferente, diferente daquilo que talvez seja o mais usual, né, que vinha assim com o impacto, não sei, isso é, é meio bizarro, é legal, não sei se é legal, mas você falou, é muito isso, muitas coisas dessa época realmente se encaixam aí. Tudo era muito bizarro, né, a vida era meio bizarro, né, e aí, né, partir disso que foi indo minha vida, assim, agora, digamos de uma forma mais profissional, né, eu me aproximei realmente do estranhamento no mestrado, que eu fiz no estrado em letras, interoeliterário, e eu estudei o China Mieven, né, o estação perdido dele, e aí na época eu queria juntar de alguma forma psicanálise com a literatura e com esses livros estranhos que eu já gostava, e aí que eu fui tentar, ainda não era psicanalista na época, né, então fui conhecendo ali mais o caminho do Freud, ele tem um ensai especificamente sobre o estranho, o infamilhado, essas coisas, né, que causam essa sensação, assim, né, e aí eu entendi, né, nossa, então existe uma sensação por trás, né, da gente entrar em contato com essas coisas, pode ser tanto meio ruim, tanto também meio divertida, assim, uma coisa na interessante, e aí fui por esse caminho, não me aprofundei tanto, assim, na psicanálise no mestrado, acabei indo mais para uma coisa mais de gênero, né, estuda ficam científicas, as misturas, né, com horror, com fantasia, tá, e aí depois eu fui, quando eu fui para o doutorado, aí eu continuo aí um pouco no estranho, mas aí trazendo uma questão da crise climática, nossa, atual, e também traz um estranhamento, que é o nosso clima hoje, é uma coisa louca, assim, uma coisa muito estranha, né, eu sempre falo que assim, aquilo que era o mais banal, que era a conversa de elevador sobre o clima, virou um negócio muito estranho, né, então é um pouco, e aí por aí que vai, né, o que é estranho, o que é algo que antes era familiar para a gente virou estranho, é algo que só é bizarro demais que a gente não entende, né, então tudo isso tá por trás aí, né, dessas questões estranhamentos. E no doutorado vocês tu dou o Jeffanden, né, do Aniquilação. É, o Jeff foi um deles, o Jeff, estudei o inaço de Loyola Bredão, assim, né, junto, e a partir deles, né, a partir dos dois, tem que tirar ali, né, umas conclusões sobre como que também a própria forma da literatura que mudou, né, ou tá mudando essas questões atorais da crise, ambiental, né, da nova forma de ver um mundo, né, que impacta também a literatura de alguma forma. Se vocês quiserem saber também, o nome dos livros que o George já publicou nos últimos anos, ele tem um manual de sobrevivência na escrita com Ana Rúste, com o autoria dos dois, que é uma parte mais prática, né, que eles fazem de botar a escrita em andamento efetivamente. E aí, ele tem também uma não-fixão, um estranho tão familiar, teorias e reflexões sobre o instrumento na ficção publicado pela literatura bandeirola e também com uma introdução do Alexandre Meireiras da Silva, um professor da Federal de Goiás, na Regional Catalan, tem também o livro de ficção Carcaças de Abyssais, que foi publicado em 2024? 23. 23. Com o Maurício Pessoa e a autoria, né, então também é um livro com alguns outros estreamentos que vocês podem ver hoje. de Jorge Amaral, hein? -Várias frintes. (risos) -É, eu estou também no Instagram, no GEL, Underline Amaral e no Substac. Jorge Amaral.Substac. -Muito bem. Acho que a gente podia conversar e compartilhar agora também com as pessoas que estão tentando entender o que a gente está fazendo um pouco dessa proposta, né? Primeiro acho que a gente conversou sobre a estrutura do podcast numa tativa de achar um meio termo, né? Que a gente pudesse apresentar essas temáticas da leitura estranha sem fazer as coisas do ritmo muito rápido, pra que todo mundo pudesse aprofundar as discussões tanto no tempo de produção, né? De leitura e estruturação da pauta, quanto também dos ouvintes, né? E aí, o propósso a gente fazer uma separação de episódios em temporadas, né? Então, em tese vocês vão ouvir acompanhar esse episódio quinzenamente por quatro meses depois de uma folha de dois meses e aí retorna esse ritmo de quatro, dois, quatro, dois com os episódios quinzenais e a gente medindo aí o que consegue fazer em outras frontes e outras possibilidades pra manter a conversa rolando, né? O Jorge Inclusive teve uma experiência recente com os contos, né, Jorge? Acho que se quiser contar pro vídeo acho que é interessante dele visualizar também onde os diálogos são possíveis com esses estreamentos, contar um pouco dessa iniciativa que você fez com dos encontros. Recentemente fiz um clube de leitura voltado pra contos, né, narrativas curtas. Que a ideia ali era trabalhar histórias que fossem estranhas, também de alguma maneira, mas eu tentei buscar como se fossem temas. Então, por exemplo, o gótico, o estreamento no fantástico, o estreamento na ficção científica, um pouco na fantasia e também trazer algumas outras que às vezes não parecem que são, a gente não costuma interpretar como uma literatura estranha. Então trouxe Clive's respecto, Lígia Fabun Esteles, escolhendo ali alguns contos que pudessem ser vistos por esse prismo. E também o realismo mágico, é Borges, por exemplo. Então foi ali atrás de uma gama bem ampla, pra não ficar só naquilo que é tradicionalmente visto como estranho, mas outras coisas que a gente pode olhar pelo Viesse de uma teoria de estranha mente. Tentei focar ali algumas questões mais teóricas também. E aparentemente teve uma boa repercussão sem as pessoas. Muita gente veio e disse, "Nossa, nunca tinha olhado pra essa história desse jeito." Abriu ali a cabeça pra uma outra forma de entender o mesmo texto não percebia dessa maneira. Isso é interessante. A gente estava conversando selecionando os livros e a Ana, a gente não só fala da Clive's respector, né, Ana? Oi. E é isso? Você dá um outro olhar? Eu lembro, eu lembro quem não lembro quem falou, mas nunca saiu da minha cabeça, mas eu lembro de estar uma conversa sobre literatura e alguém falando que o preconceito da editorial do livro como comércio, como produto, com a fantasia, era tão grande que ninguém nunca teria coragem de dizer que o saramago é o que é, que é fantasia e ficção científica. Isso nunca mais saiu da minha cabeça. E é, assim, se você for ler o Memorial do Convento, você tem ficção científica ali, você tem uma passarola que voa, você tem a fantasia, você tem tudo ali, mas você tem que apresentar a literatura como o sério, e às vezes você acaba cortando uma perna ali, né, pra cabena, é um sapatinho da cindarela ali, pra cabena, não sapatinho, você corta os dedos ali, porque, "ah, imagina, você vou dizer que tô lendo, que sei lá, Clare's respecto, é esquisito que baixam os segundos de H, é fica todo mundo assim, nossa, é porque, em cómodo, é esquisito, nome desse em cómodo que você tá sentindo, né? E é muito interessante, a gente compartilhou essa lista de contos do que hoje citou e a gente foi vendo ali, isso é um nome muito interessante, assim, porque logo no primeiro encontro, por exemplo, tem um encontro do Guimarães Rosa, que dificilmente a gente pensaria como um primeiro nome pra colocar nesse tipo de literatura, né? A gente tem, a gente já faz alguns térios, tem Clare's respecto, já citou, a gente tem nomes que são pouco associados necessariamente com isso, né, jogo do rio, julho lote deameida, tem a maramura, que também é uma autorcodepora, tem a sua cor raciol, que a gente já tá mais acostumado a pensar, né, visualizando a cabeça do santo, a cabeça do santo, e o começo do coração, pra desaparecer, que já é a morta, é, é, aparecendo, é, é, mais são nomes que não estão necessariamente ligados a essa estrutura de, de, de nicho, né, pensando na ficção científica como a, na falou, a gente tem muito, essa construção do espaço da ficção especulativa, como um escudo, com uma espécie de escudo, né, pra falar, não, não tô escrevendo isso, né, o caso o estiguro, quando ele ganhou o Nobel, teve muito isso, né, com o, o nome abandono já mais, não é ficção científica, eu não faço isso, tipo de coisa, eu tô fazendo isso. [risos] É, a própria Margarati Etude levou décadas pra assumir que ela fazia ficção científica, que ela queria ser lida como autora séria, né, então ela mesma não ia admitir, ela achava agora, agora que tá na moda, agora que é legal gostar, aí eu acho que não tinha autor nenhum que, que vai se furtar, né, mas, até ali, sei lá, década de 80, alguém fala, era, é, é, mesma coisa, falar, e Marains rosa, é, estranho, é, sei lá, ficção científica, é, fantasia eda, não, você tem que colocar, você meio que faz um cano, né, então você acaba niixando demais a literatura e, e precisando de etiquetinhas, assim, quando você vira, além de pro outro lado, é isso, que eu acho que é essa, essas referências do, do custo de hoje, que eu fiz, assim, é, quando você, a gente sabe, com essa madola assim, né, eu vou procurar o que é, é estranho, o que é exquisito, é, eu vou ler aqui, chá na minha velha, ai, quando você virar, além de pra casa fala, não, você pode ler Marains rosa também, ai, você já fica assim, calma, não era esse tipo de extremo, que, e eu falei, portura, nossa, a sorte, quando a gente estava conversando, ele me mostrou que, ele já vinha pensando em fazer e tal, a sorte é que o custo de hoje já acabou, porque a gente não ia começar, nada, antes de fazer esse custo, nada, a gente se avouquei, esse semestre não, semestre vem, e aí, eu não sei, vocês assim, mas eu acho que, a literatura estreinda, tem uma coisa muito específica, e que me parece, não só essa tentativa de, caber num espaço, ou de podar essa, identificação, mas, me parece, às vezes, eu sinto que tem uma, uma simplificação, ou uma poda, no que esses livros tratam, né, como se a gente só pudesse olhar, pra isso, como se fosse uma resposta específica, como se aquilo não fosse um efeito construído, pra gente sentir extremamente, como se fosse uma, uma alegoria direta, um espelhamento direto, pra falar, olha, esse livro está dizendo de tal coisa, é, um exemplo, que eu sempre falo, é do senhores solidão, né, é, os senhores solidão, tem várias cenas ali, de fontasia, de relação, mas, majoritariamente, as pessoas nunca deixam o texto, florece com o, o que está dito ali, né, eles sempre, geralmente simplificam ali, olha, isso aqui, na verdade, é uma analogia com tal coisa, é, é isso aqui, ó, tá falando da América Latina, ah, mas eu, não, não, nessa relação que você fez, eles estão fazendo disso daqui, né, então, acho que a literatura, que trabalha com esse estranho, com esse estranho, com esse estranhamento, às vezes, me parece muito aquela, aqueles, aquelas piadas de, de, de, de, de pretação escolar, porque que a Curtina está azul? A Curtina está azul, por causa disso, e aí você acaba com o efeito de estranhamento, como se fosse só um, uma, uma resposta direta, né, é, e isso, sempre me causou um pouco desse incômodo, de não olhar, pra, pra, pra proposta, como ela tá sendo feita ali, né, porque me, pra, porque me parece que me revela, não sei se você tem essa sensação, mas vocês acham que, é, é uma coisa que incomodou, com o modo de vocês, essas discussões? Sim, na, com certeza, porque essa leitura, esse tipo de leitura, alegórica, muito determinista, assim, né, causa uma redução, você reduz ali, uma obra, sim, imensa, como, né, sem anos de solidão, por exemplo, há uma coisa, aí você é só isso, né, e, e isso, é matar ali, né, toda a potencialidade de uma obra de literatura. Tem até, aí indo pra, pra parte mais estranha, assim, né, na merve, por exemplo, ele costuma falar, que ele escreve, literatura, que tem um fundo político, né, tem, ele tem, ali em tensões, políticas, até de alguma forma alegórica, as metafóricas, por trás, mas ele sempre diz assim, aqui, além de tudo isso, além de tudo que está aqui, remetendo ao mundo real, as relações, políticas estruturais, tal, meu mundo, nele mesmo, é algo que, alguém precisa conseguir viver lá dentro, né, alguém precisa conseguir ler e morar lá um pouquinho, ele precisa existir enquanto ele mesmo, né, muito além de qualquer outra relação que está fora, do próprio livro, e a pessoa curtia aquele momento ali dentro da obra, né, então, não pode ser só didático, né, é o só alegórico, ou só, é, um espelhamento de alguma coisa, e eu acho que, essas obras que a gente está comentando aqui, né, que são estranhas, elas têm justamente esse potencial, né, de poderes reelidas de muitas formas, e às vezes, de se misturar, umas faz outras, assim, né, as gêneras literários, misturar estilos, né, movimentos, e aí, a gente pode olhar para ela de vários ângulos, pode olhar para um ângulo alegórico político, mas a gente pode olhar para um ângulo, né, mais psicológico, por exemplo, psicanalítico, né, mais interno de cada personagem, mais da estrutura ali do próprio estranhamento, né, dos monstros, quando eu tenho, de alguma coisa assim, então, eu acho que, Talvez uma coisa que pode definir algo como estranha, talvez seja essa intercambiação, sem essa palavra existia, ficou estranha, tá, não? Essa améscula, nessas margens aí que se desfazem. E eu acho interessante ver essa literatura, é por esses ângulos, todos entender que ela tem esses ângulos, todos, sem ressalros, sem indicar senhores solidão para alguém, por exemplo, e ter que falar que, olha, então, na verdade ela não vou ouro o céu, é por que quer dizer, não, ela vou, é isso, ela vou. Olha, na verdade, Fulano não tinha 200 anos, é por que, sei lá, pensando em outros livros do Gabriel Garcia Marcos, assim. Então esse ditador ele não tinha 500 anos, na verdade ele estava falando de toda a história de opressão na América Latina. Não, mas você pode ler, ela vai funcionar se você me imaginar que esse cara tinha 500 anos, ou que a remédio subiu para o céu, ou, sabe, a gente indicar esse tipo de leitura sem ressalros, assim. Eu falei do Memorial do Convento, que é um livro que eu amo, amo, amo. E a primeira vez que eu li, porque eu sou uma pessoa que não leste no ópice, basta você me dizer assim, ler esse livro, eu já quero ler, nem precisa me contar. Olha, você tem que ler, confio muito também. Então eu fui ler, porque também eu tinha uma outra história com ele, que eu tinha, foi o primeiro livro do Saramaco que eu tentei ler, mas eu tinha 13 anos, eu não ia conseguir mesmo. E esse livro ficou meio assim, né, eu li outras coisas do Saramaco, eu gostei muito e tal, e chegou o momento. E eu amei, e eu não sabia desse elemento que tinha tanto o elemento mais, né, que esse é outro pessoa que eu não lembro que é a chamada ficção científica, ou a questão da fantasia, né, de ser um livro que se passa na idade média, e de uma moça que ela consegue ver dentro da pessoa, se literalmente. Se ela tiver com fome, ainda tem essas coisas. E eu gostei muito disso, muito, assim, muito, ela tem um combinado com uma área dela que ela não podia olhar pra ele antes do café da manhã, porque ele não queria que ela fizesse ele por dentro, porque ele achava esquisito, e por dentro, por dentro, assim, estômago, ossos. E aí, eu não sabia. E todas as vezes que eu indiquei esse livro pra alguém, eu refrei minha vontade de falar assim, olha, tem uma coisa que pode ser estranha assim. Porque eu queria que as pessoas tivessem essa boa surpresa que eu tive, porque a nossa tendência é essa. Você vai apresentar um filme pra alguém, você fala, olha, de terror, mas é porque esse terror é político. Não deixa a pessoa se assustar, e aí ela vai ainda nem ficar político. Não sabe, deixa a pessoa estranhar, então a gente falar dessa literatura, sem essa ressava, do olho parece uma coisa mais esquisita e lúdica das vezes, mas no fundo é uma literatura séria, porque já estamos em 2025, não precisa mais fazer essa diferenciação, né? Não, se falando ler coisas séries. Pode ter esse estranhamento, ele pode ser, não ser uma ressava, né? Ele não precisa ser as primeiras vezes que eu ouvi falar do Txana Mievo. Foi todo mundo falando, olha, é um literatura político, é um literatura político, então tem um negócio também, né? Talvez você não consiga ler. A primeira vez que eu tentei ler as idade, simplesmente não foi, mas não de achar ruim, é de assim, olha, esse não é o livro que eu volente, de dormir, eu preciso estar guardada da pinta pra ler esse livro. Então, disso não são a ressava, para você tira, se você tira a cor por cima, que isso vai ver que a madera é sólida não, eu quero a cor também. O estação perdido e específico, né, que eu outo do Txana Mievo, eu percebei bastante, porque é uma linguagem muito barroca, né? Ele faz uma mistura também na linguagem, então fica uma coisa muito esquisita, trabalhado em vários níveis, né? - Em relação. - As coisas interdimensionais em relação ao funcionamento político da cidade, a arte feita pelos diferentes rastros, mas também é a própria questão da linguagem trabalhada aqui, né? E, enfim, foi uma naturela bastante difícil, mas muito gostosa de ser feito assim. Acho que a gente pode aproveitar esse papo, então, pra gente tentar esclarecer, o ouvinte chegou até aqui, identificando nomes de livros e sensações que, provavelmente já teve em suas leituras, pra gente tentar fazer uma definição primeira, antes de a gente começar a comentar sobre isso nos próximos episódios, sobre afinal o que a gente pode entender com uma literatura estranha, alguma coisa que gera esse estreamento, por onde a pessoa vai começar a criar uns contornos, ou pelo menos visualizar as áreas nebulosas de contato com outras formas narrativas assim, pra gente contornar, eu posso começar, pra dar tempo de vocês pensarem nesta pergunta complexa e difícil, compartilhando um pouco como foi o meu trajeto, né? Porque, enfim, eu sempre senti um pouco dessa sensação de gostar dessas coisas estranhas, sem saber que existiu o nome pra isso, e vi que vieram um outro escritor também, que gosta bastante de coisas quisitas, que, enfim, inclusive, dividiu uma mesa comigo em entrevistando o ano do VanderMeer, que a gente tava falando justamente, né, do Word, e ele fala bastante de como ele, quando ele lê o China-Miavel, pela primeira vez, que ele fez um Putz, um da pra escrever desse jeito, existe um caminho, né? E eu vendo ele falar sobre isso e falei, "Ah, então existe também isso, né? Porque também um pouco do meu entender isso, foi lendo um texto dele do Barqueiro que saiu pela Plutão, né, de topitura Plutão." E, a partir daí, eu fui tentar entender um pouco essas definições assim, e aí, meu primeiro contato, e acho que por isso que eu tenho bastante carinho, pela definição que ele faz, foi o contexto do Mark Fisher, que efetivamente eu via, primeira vez, o nome, dado inglês ali, do Word, eu fui ler, tinha lido a niquilação antes, tinha lido outros textos antes, mas eu fui ver ali um arquifiche falando do estranho. E ele tem uma pegada bastante política, ele vai pegar bastante de alguns outros pensadores, enfim, que eu não vou ficar aprofundando isso agora, porque se não vou acabar. Complexificando mais que o necessário, mas a ideia é que ele vai trabalhar ali do ídio, ele vai fazer uma definição bastante ampla. Dessas narrativas que são meio colagens, que vão tratar de temas que estão sobrepostos de caminhos que são transversais, e que a gente não identifica muito aquilo que está ali. Ele cita, por exemplo, uma coisa que talvez seja mais perceptível para as pessoas, que é o próprio trabalho do David Lynch, que faleceu recentemente, e que, enfim, a gente tem visto aí uma chama-se reacesa do próprio Twin Pix, que a gente tem ações publicitárias e várias questões acontecendo, e o até reis e visão do cinema dos das doções, que sei você não precisa nem ler esse nome, senão, né? Eles já colocaram no título já, que é pra poupar, pra poupar. Eu sou já poupo o trabalho. Você decide ali quando você ler o título, você decide se cede ou não? Mas aí a definição que ele faz dele é isso, assim, que o Twin Pix e, no próximo das doções, a gente tem a mescla desses espaços, né? Então, a gente tem ali um espaço que é o mundo com o funcionamento, com o que a gente entende, a mesma tempo em que a gente recebe nesse espaço um outro funcionamento, uma outra ideia, uma coisa que entra em conflito, né? Que gera essa sensação de, porra, o que está acontecendo aqui? O que que eu estou vendo, que tipo de mensagem? Por que eles estão recebendo informações porções? Por que essas informações correspondem, é o que acontece de fato? O que é isso? É uma coisa que está dentro da outra, então essa definição foi criando muito pra mim uma sensação do que eu gosto de ver, do que eu curti ali, né? Então, comecei a revisitar vários autores que eu já tinha ali, do porquê que gostava, vai formar quem que eu fui revisitar, será Lovecraft, entender o que ele tava trabalhando ali, o que que ele vai propor com a relação dos deus e tal. Então, pra mim, a literatura estranha, ela ficou muito nesse espaço do conjunto, da coabitação, da contaminação, das coisas que são uma coisa e outra ou de espaços que se confundem no momento em que você não sabe muito bem o que você tá lendo, né? E aí isso, acho que eu identifico em várias formas, né? Acho que pensando em alguns livros que tratam disso, acho que a gente tem uma aniquilação no DEFONDERMIDA, ele vai falar muito dessa questão da contaminação ali envolvida com o ambiente, né? Então, a gente tem uma bióloga, a gente tem a natureza, a gente tem a mezcla desses espaços, a gente tem seres ibertos que aparecem ali, a gente tem que questões ao longo dos outros livros da sérida da burocracia, acho que me pega também no espaço de um absurdo, que a gente tem uma tradução de teatro absurdo aqui em casa, que são diálogos que causam completamente do porra, mas por que que o mundo é desse jeito, né? Por que as coisas são estruturadas assim, né? Me pega um pouco nesse espaço assim, eu não sei se pra vocês, é mesmo que até cinco, com mansas que falam de romances, em que você se questiona o que de fato você está lendo, né? Se o viagente, numa noite de verna do Itadacol vindo, começa com um narrador conversando com você enquanto você está falhando o livro dentro de uma livraria e você fala "perai, de quem que é essa história, o que que está acompanhando, o que que que eu estou acompanhando, o que que está acontecendo, né? Eu acho que o estranho me pega nesse espaço assim, nesse espaço da incerteza. Então eu acho que pra mim também tem essa pegada que você estava falando, Arthur, que é pouco dessas contaminações, assim, algo que não deve estar lá aparece no âmbito, como se quebraça um pouco a realidade ali de alguma forma, né? Mas assim, eu tenho cada vez mais, né? E quando eu fui pesquisar a teoria por trás de estranhamento, a partir de Freud, e aí depois fui, né, pra Brecht, depois pros formalistas russos, pra toda essa galera que já pensou de alguma maneira, né? Eles não se comunicam diretamente, né? Mas acho que é possível ver por trás de tudo uma mesma raiz ali, que é uma espécie de ideia de que existe uma tensão na realidade entre o que a gente está acostumado, a entender ou enxergar de uma forma muito automatizada, praticamente, de uma forma muito familiarizada que a gente vê como se fosse dado, assim, como se fosse óbvio, digamos, né? Então a gente olha pro mundo e acha que é assim mesmo, né? E aí tem um certo tipo de arte que consegue mostrar isso, mas ainda mostrar que fazer uma brecha, né? E mostrar assim, olha, será que é isso mesmo? Será que é só isso mesmo? E será que não pode ter algo além? Então, eu gosto, acho que muito mais desse tipo de estranhamento, que cria uma atenção entre o que é familiar, o que é estranho, ou coloca dentro de alguma coisa muito estranho, algo de familiar. Então, por exemplo, na obra do China que a gente está comentando, tem um mal momento que eles estão assim, no maior romance de ser desse. Ah, uma cena de namorados ali, tomando café da manhã. E ele vai descrevendo como se fosse, assim, nosso maior amor, tal. Faz um pom para mim, que você vai comer, você já levantou, tal. E aí, quando você continua lendo, você percebe que, bom, um é humano. E a outra tem a cabeça de escaravelho. Aí você pariu. Não, peraí, não, peraí, deixa eu começar, deixa eu voltar, né? Eu lendo. E aí, esse tipo de tensão existe em obras, às vezes, como essas que a gente estava falando aqui, nem sempre estão tão estranhas na aparência, mas tem ali uns detalhes de estranho. É quem faz isso muito bem, que eu acho a Murilo Rubiano, por exemplo. Ele tem alguns contos que você tá ali. Aí, você não sabe se a pessoa está sonhando, se ela está surtando com umas memórias que vem na cabeça dela e mudam a realidade. Ao mesmo tempo, ele tem uns que, por exemplo, os dragões, não é o ponto dele que tem dragões na cidade. E as pessoas não tratam eles como dragões, tratam como estrangeiros, que é parecendo ali, então. Peseu, tomaticamente nesse conto. Não é? Ah, e o João é o dragão, e ele não foi bem aceito. Ele começou a beber no bar e virou a cola. E aí, deu um monte de problema, porque ele saía com muita gente e em festas, não sei o quê. O outro teve problema na escola, então. Tem todo um problema em torno dos personagens, mas não é porque eles são dragões. É por causa de uma outra questão que tá por trás ali, tal. Mas ao mesmo tempo, eles ainda são dragões e costos bem fogos. E certo momento, o fogo que eles costam, então, é um problema. Cria uma dualidade diferente, assim, entre o que é estranho, o que não é, o que é realidade, o que não é. E eu acho que o anequilação faz isso muito bem também. Ao mesmo tempo que tem coisas muito estranhas, tem algumas coisas que não são, ou não eram pra ser. Mas ali, na maneira como tá contado, na maneira como as pessoas interagem, ali, naquele mundo, se torna algo muito diferente. A maneira como a natureza aparece, por exemplo. E às vezes, são plantas que existem, mesmo, como um samondá, e as fungos. Mas na maneira como tá articulado, ali, naquela. dentro do mundo da história, elas saltam aos olhos como algo muito estranho. E aí, a gente pode parar e pensar, nossa, mas. Se isso é estranho, isso é real, tá realidade também estranha. [Risos] Esse é uma grande verdade, né? [Risos] E é isso, no fundo. Quando a gente olha. Quando sai desse automático, assim, e passa a olhar pra realidade direito, assim, com um olhar mais agussado, um olhar mais disposto, talvez. A gente começa a ver que tem coisa muito estranha acontecendo, né? Tem coisas que a gente não devia achar normal. Isso é uma coisa que eu admiro nesse tipo de literatura, e que conversa de alguma forma com várias das teorias, pode tanto pela forma literária, né? Às vezes, na maneira como você descreve alguma coisa, pode ressaltar os olhos, quanto pelos temas, os mundos, os mundos de ficção científica, nos mundos de realismo mágico. Eu vou muito pra essa pegada, assim, dessa dualidade entre estranho e familiar, que é o que me pega mais, assim, que me chama atenção. Jorge, eu gosto quando você fala isso do familiar, né? Desse valho do estranhamento, e que morra de acara da gente, quando a gente vê certas coisas, porque foi isso que me chamou a atenção. Da primeira vez que eu li o homem da areia, e eu fiquei meu Deus. E foi numa disciplina na universidade, né? Porque eu já tenho muito tempo. E era esse incómodo do duplo ali, ou incómodo do automaton, né? Do, parece muito um pessoal, não é? Que é um incómodo que eu tenho com o IA, com esses vídeos que eu tenho agora tão muito comuns, né? Eu não consigo encarar esse ainda, porque me dá muito medo. E aí, eu pensando sobre, deixa como você conversar com Arthur sobre isso, que a gente começou a falar sobre isso. Eu lembrei do metamofósito do Kafka, porque fiquei pensando comigo mesmo, bem. A gente também não pode colocar tudo no saco do estranho, né? Tudo é estranho agora. Não, mas coisas tem alguns limites existem. E aí, eu pensei assim que a gente tem um metamofós, né? O cara acordou lá, a gente que fala que é uma barata, a gente fala com um bisouro. E eu acho que ele se encaixaria como estranho. Ele é uma alegoria a várias coisas. E é de novo, né? A gente não tem que reduzir toda a alegoria. Mas eu acho que pensando na literatura estranha, se ele tivesse levantado, olhado do espelho, pô, virei uma barata. Se arrumado e do trabalhar, aí. (Risos) É só normal. E ele chega a se preocupar muito, né? Puta, que que eu vou falar no trabalho agora? É a maior situação dele essa, né? Só que, sim, se tudo tivesse continuado normal, não é, o cara. Ok, isso acordou um ambarato, mas você tem. E a família levar mãe e pai levar na. Não, eu tome café com a gente aqui e vai pegar seu metrô. Aí, eu acho que já entraria mais no que a gente tem dito, né? A primeira vez que eu não soube lidar com esse tipo. ainda antes do. de ter lido. Um bem antes, também eu estava em uma fase bem antes do homem da areia e de tudo isso. É. foi quando eu li Lovecraft, porque eu fui naquela, né? Ah, a literatura de terror. E aí, você pensa assim, "Bem, não, mãe, muito isso não." Porque como assim é um horror que o cara não consegue nem me dizer o que é? E aí, você leu outro conta e. Nossa, não, se eu te contar, você também vai enlouquecer, porque fulando e enlouqueceu quando o leu. gravado na pedra, o que era esse horror, e você tá "Ah, então, mas eu aceito, quero continuar." "Ah, não, eu vou te falar, não, é muito terrível." E aí, você vai ficando naquele incômodo, assim. E você começa a aceitar aqui, sim, é um horror espetacular. É, enlouquecedor. Eu não sei o que é, mas é. é terrível. E você aceita, né? E eu acho que teve um movimento recente de querer reduzir. E aí, eu vou falar reduzir como um crítico a minha, e não como uma intenção de quem fez, mas reduzir a alegoria. A obra do Lovecraft, que era meio. Ah, então, é, porque ele era muito racista, e ele nunca saiu da cidade dele. E quando ele saiu e foi a nova orque, ele ficou tão horrorizado com aquela mistura de gente, que a literatura dele também ficou esquisita. E não toda vez que aparece, sei lá, um sercosmico, ele está falando de "Judeus, negros, qualquer coisa". E não é muito isso, é também. Mas não é. você ficar espelhando a literatura do cara com. Olha, o meu 800, o seu que ele estava no se aonde. Então, é isso que está aqui. não é, não é um diário. Não é. é uma forma de elaboração, talvez. Sim, mas a imaginação é criação, né? Não é um espelhamento da realidade dele. E eu acho que, inicialmente, eu não soube compreender muito o que eu estava lendo, porque eu estava muito à luz desse espelhamento. E quando eu consegui me despregar disso, eu gostei mais ainda, né? Que é isso, assim, nossa. É horrível. Não posso nem te contar, as pessoas não conseguem entrar do seu que está nessa pedra aqui, porque é muito ruim, é isso. Tá, eu quero, bora. Não, não vou te contar, não, você porra. Tá, então eu vou só aceitar. Mas você vai entrando naquela atmosfera, e você consegue compreender. Se ela é como um cara acordar toda noite, ouvindo uma música ao longe, tocada por alguém que ele não consegue entender a música, ele não consegue saber quem está tocando, e ele vai ficando maluco com aquilo. É. você consegue viver nesse texto um pouco, e você consegue também viver aquela angústia, né? Uma coisa nessa é a abra porta, e tem uma coisa na soleira da porta, e aquilo é horror suficiente. E é um incomodo. E é um. o que é aquilo atrás e tal. Então, é. quando eu estava pensando nessa diferenciação, né, de nem tudo que foge do convencional, está dentro da literatura estranha, mas a literatura estranha pode estar em várias manifestações. Eu pensei muito no Lovecraft, e eu pensei na metamofose com essa diferenciação. E. ou. Arthur estava falando aí do livro do Ituluk Alvinho, e me lembrou o continuidade dos parques do Cortaza, que é um conto que ele começa a falar, né, que o cara estava lendo um conto curto. Bem, né, como todos os contos do Cortaza são mais enxotes assim, que o cara está lendo um livro, e aí ele teve que parar na metade, porque ele precisou viajar, e aí ele fez a viagem, e ele resolveu que ele tinha que resolver, e tal, e aí ele volta pra casa, e ele senta na pautrona, e no momento que ele pega o livro, que ele vai continuar a leitura, ele está no mesmo ponto que o leitor está agora lendo o livro. E você fica assim, como. como? Como que você fez isso? Cê leio, olha pra trás, mas não. Cortaza está aqui. Como isso foi feito, eu não sei. Então é um pouquinho disso que o Arthur fala quando o autor brinca com a forma, e com o jeito de contar também, né, não precisa necessariamente ser o tema, ou o extremamente ele pode estar na forma do texto. Da mesma forma que está no caso tomada, que é o texto que eu gosto, muitoíssimo do Cortaza. Eu já perdi as quantas vezes eu li, e é um que, toda vez que se discute, o primeiro passo pra tentar entender, e aí a culpa não é do leitor, né? Porque a gente fica tentando se ancorar na realidade. Não, eu preciso entender isso. O que é que eu tenho de arcar bolso sentimental pra entender essa leitura aqui? E aí você já percebe assim, "Ah, alegoria política, ufa, tô salvo." Ai, que ufa, ai, pouxa, Cortaza. Mas isso não basta, porque é uma alegoria política, mas não é só isso. E aí você fica com aquele texto ali, porque ele te causa esse estranhamento, essa angústia, daqueles irmãos que estão ali, e a casa vai ser notomada, eles não sabem porquê, nem porquê. mas eles têm que sair e eles vão saindo um cômodo por vez e as coisas vão ficando para trás, né? Então começa a abrir gaveta, por. Precisava de um tesoura, a tesoura ficou na gaveta que está na parede de lá. E aí, esse vai. Então, às vezes a alegoria óbvia, o espelhamento da realidade não adianta mais e o leitor fica. Às vezes sem conseguir elaborar que é isso, né? Que. Nossa, mas que estranho! E aí você acrescenta camadas na sua leitura, como a gente falou da Clarice? Você pode reduzir muitas coisas e falar de nasa, mulher viu a barata com o meu, né? Eu já vi um perfil no falecer do tuíter. Um tuíter, na verdade, da música que falamos se imaginam. A dona de casa de classe média está tão entediada a ponta de comer a barata. Pera só ter. Pense porra, pode ser o tédio da classe média, pode ser. Pode não ser só isso, né? Então, é discutir sobre isso, vai nos dando esses focos de luz para a gente e se agarrando no, "Ah, como que eu quero entender isso ou pra onde esse texto está me levando?" Sei eu ficar no reducionismo de, "Tá bom, você tá esquisita que é porque é uma alegoria política." Ai meu Deus, que bom, resolveu. Tem uma coisa que você falou do Lovecraft que eu acho que dá pra fazer um gancho com uma outra questão que me parece muito premente também nas coisas estranhas, que é, enfim, uma vez a gente tava gravando um episódio sobre a vegetariana que também tá aí entre esses livros bastante estranhos, que as pessoas têm lido e comentado. E eu lembro que o Gustavo Mano, o convidado, nós, que tava comentando, ele gostava de Lovecraft porque mesmo nessa chave, né, da escrita dele como uma escrita preconceituosa, já que, enfim, os monstros são todos frutos de misse de anação e de culturas de não-ocidentais europeias, não-ocidentais do norte global, enfim, a definição que a pessoa que fez o tanto, porque meio que ele aponta a crise da própria visão dele, assim, né? É uma coisa meio entrelimentada, que a forma de ver o mundo, como ele era visto até esse momento, ele não funciona mais. E aí eu acho que é interessante esse gancho, porque de alguma forma, me parece que o que essas literaturas parecem resaltar, o evidenciar ou apontar pra gente, que aí eu acho que é o grande problema de simplificar essas leituras, é que de alguma forma, elas estão apontando uma limitação, uma crise. Existe algo que a gente não consegue comunicar, conversar ou representar muito bem, e mesmo assim, eu vou tentar fazer. Sei lá, eu vou tentar escrever um livro na perspectiva de um cachorro. Eu não sei como cachorro pensou, eu não tenho como escrever dessa forma, uma coisa que vai escapar a linguagem que eu tenho, que eu não consigo reproduzir isso de forma nenhuma, né? E me parece que o jogo vai pra ir, então, né? Porque a gente tem uma literatura, uma narrativa, um filme, enfim, o que for estranho que você quiser tratar, que vai evidenciar justamente uma parte dessa crise, né? E não consigo representar tudo, eu não sei fazer tudo, eu não consigo trabalhar tudo. E evidenciar muitas vezes é deixar esses buracos, deixar esses passos, essas coisas quisitas, que a gente não pode fazer nada, porque até difícil de completar, justamente por essa falta, né? Eu não sei se vocês acham, se o George também passa por aí, quando ele vai tratar de algumas coisas, que imagina que sei lá, pensando em vários desses autores que a gente comentou, e que é intencional a gente não falar muito deles, porque é pra vocês entenderem o que vem aí. Mas imagina-se lá, a ansiedade que a gente tem com a catástrofe climática, ou as questões que a gente tem de definições de gênero também que perpassam, eu não sei se também vê um pouco a questão por aí, assim. Eu acho que, no Lovecraft e outros, ele tá ali mais do que dizendo de algo que é muito pessoal dele, ali, na preconceita, etc. Ele tá demonstrando um sentimento de uma época. Essa coisa insuportável também, talvez, assim, impossível de aprender ali do que estava acontecendo, a primeira guerra mundial que vinha vindo. Toda uma sensação maior do que ele mesmo, que ele discreve nessas coisas que são indiscritíveis nos monstros, que ele mesmo não consegue dizer o que é que são, porque ele não conseguia também dizer o que é que estava acontecendo no mundo. De alguma forma, né? E eu acho que isso é também uma potencialidade desse tipo de literatura, e pelo viés de algo estranho, a gente consegue tentar dar uma espécie de contorno para algo que a gente não deu ainda na realidade. Às vezes, até antecipar uma sensação de alguma coisa que tá vindo, o que parece que tá mudando, que tá se transformando, e que, uma literatura mais estável, digamos assim, é algo que já tem algum tempo e já tá estabilizado numa certa pegada, assim, de visão de mundo, talvez ainda não tá demonstrando. E aí vem algo estranho, tá falando assim, não pere aí, alguma coisa se estabilizou, alguma coisa rompeu as barreiras das paredes aqui que a gente tinha de estável, o que era que tava estável. E a crise climática é uma dessas coisas, a gente não consegue dizer direito o que tá acontecendo e para onde sovai. Isso aparece muitas vezes na escrita, parece no aniquilação, parece em outras obras que eu vou mostrar ali, tem algo que se desestabilizando. E com que isso se torna representável na literatura, às vezes por algo que a gente não consegue descrever, ou por algo que é uma mistura estranha, é algo que muda um duplo, um duplo de nós mesmos ali no espelhamento. Então, eu acho que tem um pouco isso de capitar um sentimento de época também, em algumas dessas obras, acho que o Kafka também tá indo tanto por aí. Esse sentimento, que é esse sentimento que me angustia, que eu não consigo dar uma representação tão clara que vai se transformar numa obra mais estável, mais setinha de gamba. Então, eu estou aqui mostrando essa angústia. E aí, eu acho que é uma via de mão dupla, porque é uma obra que traz isso ela angustia quem lê. E ela é fruto de uma angústia de quem escreveu. Então, essa é uma comunicação de angústia, assim, é uma coisa aqui. E até nesse ponto é legal falar que uma obra desse tipo que a gente tá falando, não é uma obra que só é assim tão bizarra que não tem nada a ver, e a gente não consegue nem identificar nada de. Só é estranho demais, assim, "Ah, então é tão estranho que eu não perdem ver isso, mas. " Não, é algo que diz da gente, né? É algo que diz do mundo, que diz das coisas. É estranho, mas é nossa, assim, é algo que. Então, eu acho que tem muita estilada, assim, estilado, de um sentimento de época, que é um lado de um sentimento de uma transformação, de uma mudança, de algo ainda incompreensível, que, talvez, a gente só compre ainda mais pra frente. Isso que você falou muito interessante, porque ouvindo também as pessoas, o que que para elas é estranho, se elas gostam de ler litoria estranha, uma das coisas que surgiu foi exatamente isso. Às vezes eu tenho problema de ler coisas estranhas, e aí a pessoa que me respondeu isso falou majoramente. Mas talvez seja também, porque eu vejo alguma dessas coisas estranhas em mim, e talvez eu não gosto de fazer esse paralelo. E eu falei, puxa, realmente, acho que, em alguns momentos, isso é muito forte na leitura. Se ela, talvez, se eu virasse uma barata, talvez, realmente, minha preocupação seria, puxa, que que eu vou falar no trabalho hoje? [risos] Então, vence, não seja a reação ideal. Porque, olha, se você já se acha uma barata, né? E aí, o meu Deus, agora eu virei. [risos] A sua angústia de já ser uma barata já estava linda. Então, é pra isso que nós estamos aqui pra passar a sangústia pra frente, né? Porque a gente viu aí pelo que Jorge falou. Isso, o escritório está angústiada, ele passa pra frente. A gente leia e passa mais pra frente ainda. Vamos todos nos angústiar juntos, né? Descubriu. Como que a gente está se sentindo aí a partir da literatura? Meu Deus, descobri que eu me sentiam um ser das profundezas, saves mais, e muito antigo, e vindo do universo eterno. E aí, se puxa, é a minha natureza. [risos] [música] Muito bem, pra quem eu viu, a gente até aqui, então, acho que a gente conseguiu contemplar alguma das coisas que aparecerão aqui, de qualquer forma, acho que essa questão do cotidiano, da linguagem, da política, de meio ambiente, enfim, todas essas questões que permeam, escritas estranhas, brucacia, absurdo, mundo moderno, crises, tudo isso são elementos que aparecem com bastante frequência, que vocês vão ver por aqui. Então, essa jogada de vários nomes, autores, romanças conhecidos, sem muitos sinopsis, vai um pouco por aí, que acompanha a gente, e a gente vai destacando, né? Então, de repente, se você ouvir esse episódio, quiser comentar no Spotify algum livro que você acha estranho que você gostaria que a gente abordasse, em algum momento, pode comentar e também encontrar a gente nas redes, pode mandar pra gente também, que a gente vai postar. A gente vai deixar nossas redes sociais e contatos prioritários aqui na descrição, vamos deixar também o link para o nosso apoia-se, apoia.se/leituristraia, como o nome do podcast, e lá vocês podem apoiar a partir de 10 reais para fazer o programa funcionar. Na gente tem algumas recompensas, como acesso ao grupo exclusivo, com discussão, embaçador, também assistiu a gravação ao vivo e algumas possibilidades de votar nas próximas temporadas. Então, acessa aí o link que vai estar na descrição do episódio, ou mais uma vez, apoia o ponto SE/leituristraia e considera apoiar esse programa para a gente conseguir custiasas, adições, comprar os livros que a gente precisa, enfim, fazer o projeto se pagar e a gente não precisa apagar para trabalhar. Tá bom? Espero que vocês gostam dessa dúvida e vocês tão ansiosos, Anaí e Jorge, acho que vai ser coisa boa aí. Já estão a gostar, saiu umas coisas bem estranhas, pra dizer o mínimo. Então é isso, muito bem, a gente aguarda vocês nos próximos episódios e até mais. Até mais pessoal. Tchau, gente.

Podcast Summary

Key Points:

  1. O podcast introduz uma proposta de leitura "estranha", buscando explorar obras que desafiam padrões convencionais de gênero e narrativa, como ficção científica, fantasia e realismo mágico.
  2. Os participantes — Artur, Ana e Jorge — compartilham trajetos pessoais e acadêmicos que os levaram ao gosto por literatura estranha, marcada por contaminação, incerteza e contradições entre o familiar e o estranho.
  3. A literatura estranha é vista como um espaço de tensão entre o cotidiano e o inesperado, onde a realidade é questionada e a linguagem se torna ambígua, criando um efeito de angústia e reflexão.
  4. A discussão destaca que a leitura de obras estranhas não deve ser reduzida a alegórias políticas ou sociais, mas deve permitir a exploração de camadas múltiplas, como psicológicas, psicanalíticas e ambientais.
  5. Autores como Lovecraft, China Mieville e Cortázar são citados como exemplos que revelam crises em suas narrativas, apontando limitações da representação humana e da linguagem.
  6. O podcast propõe uma estrutura quinzenal com temporadas, permitindo que os ouvintes desenvolvam uma leitura mais profunda e reflexiva ao longo do tempo.
  7. A literatura estranha é apresentada como um reflexo da crise contemporânea, especialmente da mudança climática e da desestabilização do mundo moderno.
  8. O foco é criar um espaço de diálogo aberto, onde o estranho seja celebrado por seu potencial de provocar, questionar e revelar o que a linguagem e a realidade não conseguem dizer diretamente.

Summary:

O podcast "Leitura Estranha" surge como um espaço de diálogo entre autores e leitores para explorar obras literárias que desafiam categorias tradicionais, como ficção científica, fantasia e realismo mágico. Os participantes — Artur, Ana e Jorge — compartilham suas trajetórias intelectuais e pessoais que os levaram ao gosto por textos estranhos, marcados por incerteza, contaminação e tensões entre o familiar e o desconhecido. A literatura estranha é vista como um território de crise e transformação, que questiona a realidade, a linguagem e a capacidade humana de representar o mundo.

Autores como Lovecraft, China Mieville e Cortázar são analisados não apenas por sua temática, mas pelo modo como eles revelam limitações da compreensão humana e a angústia do que não pode ser descrito. O podcast propõe uma estrutura quinzenal com temporadas para permitir uma leitura profunda e reflexiva. A discussão enfatiza que o estranho não deve ser reduzido a alegórias políticas, mas deve ser aberto a múltiplas interpretações — psicológicas, psicanalíticas, ambientais — que ressoam com crises contemporâneas, como a crise climática.

O objetivo é criar um espaço seguro para a experimentação, onde o leitor se sinta angustiado e ao mesmo tempo despertado, reconhecendo que o estranho é, em muitos sentidos, uma reflexão da própria condição humana e do mundo em transformação. A proposta também inclui um programa de apoio, com acesso a grupos exclusivos e participação em gravações ao vivo, para sustentar o projeto.

FAQs

É uma forma de escrita que desafia a realidade familiar, misturando elementos estranhos, fantásticos ou inesperados, criando tensões entre o familiar e o desconhecido.

Elementos como contaminação de realidades, dualidade entre o estranho e o familiar, uso de linguagem barroca ou absurda, e narrativas que questionam a realidade do leitor.

Porque essas obras provocam uma sensação de incerteza e desconexão, despertando sentimentos de angústia comum em momentos de crise ou transformação social e emocional.

O estranhamento revela críticas sutis sobre a realidade, como preconceitos, crises climáticas ou limitações da linguagem, mostrando o que não conseguimos descrever com clareza.

Ela não se limita a narrativas claras e previsíveis, mas explora ambiguidades, misturas de gêneros e realidades, criando um espaço onde o leitor é convidado a questionar o que é normal.

Autores como China Mieville, H.P. Lovecraft, David Lynch, Clarice Lispector e Cortaza são mencionados por sua abordagem criativa e inovadora ao estranho.

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