O episódio introduz a perspectiva evolucionista do mito na antropologia do século XIX, destacando como os pensadores da época, como Edward Burnett Tylor, James George Fraser e Luciano Febvre, viam os mitos como reflexos de um processo de evolução mental linear e universal. A teoria sustentava que as sociedades passam por estágios definidos — selvageria, barbaridade e civilização — com o desenvolvimento tecnológico como indicador de avanço, sendo a sociedade europeia a referência de progresso. Nesse contexto, os mitos eram interpretados como expressões de um pensamento primitivo, anterior ao raciocínio científico, passando de uma fase mágica à religiosa e, finalmente, à racionalidade. Essa visão, embora pioneira no estabelecimento da antropologia como ciência, foi fortemente criticada por sua etnocentrismo, determinismo e preconceito contra culturas não ocidentais. A ideia de uma mente humana unificada e a redução dos mitos a etapas evolutivas ignoraram o contexto social, histórico e simbólico em que eles se desenvolvem. Com o tempo, a antropologia contemporânea substituiu essa abordagem por abordagens mais culturais, históricas e sensíveis, reconhecendo a diversidade, a complexidade e a autenticidade dos significados culturais. Apesar das suas limitações, o evolucionismo deixou um legado importante na formação da ciência social, influenciando grandes pensadores do século XX.
Olá, viajantes! Bem-vindos ao Antropoquesti, um podcast que vai te levar a
singrar os mares da antropologia. Eu sou o Fred Lúcio e vou acompanhá-los por essa
maravilhosa viagem pela ciência do ser humano.
Em nosso percurso, vamos parar em pequenas ilhas do conhecimento, sempre encorados por uma pergunta
que orientará a nossa inspiração. Prontos para embarcar comigo? Então vamos nessa, pessoal!
Estamos em nossa terceira expedição, uma navegação pelo mito.
Episódio de hoje, o mito na perspectiva evolucionista, primeira parte.
O Rei do Bosque, na ativa livre baseada em o ramo do urado de Sur James George Fraser,
século 19. Na ração, Guilherme Omeda.
A via, no Bosque sombriu e profundo de Nemi, o marvo e singular, cujos galhos abraçavam o céu
e cujas raízes mergulhavam nos segredos da terra. Era a árvore sagrada do ramo do urado,
uma criatura de mistério e explendor, que parecia transbordar o encanto que desafiava o tempo.
Seu tronco retorcido e nodoso guardava memórias ancestrais em suas folhas, susurros da natureza
dançavam a um menor toque do vento. Douradas como por do sol, suas folhas brilhavam com uma
luz própria, um brilho suave e cálido que evocava as promessas e os temores de um mundo
invisível. O povo de Nemi venerava essa árvore como um espírito antigo, uma ponte viva entre o céu
e a terra, entre o visível e o oculto. Os moradores não haviam apenas como uma árvore, para eles,
ela era aguardiante os mistérios e dos ciclos da natureza, uma oferenda perenne de vida e morte.
Sabiam que essa árvore guardava um ramo dorado, um galho de brilho incomum, como se a própria
aurora tivesse repousado sobre ele. De tempos em tempos, ela conseguia sua dadeva quem se atrevesse a
desafiar o seu guardião, o rei do bosque de Nemi. Para o povo, a árvore era uma confidente, uma
manha ancestral que abrigava em suas sombras, os segredos da criação. Mulheres, homens e crianças
vinham até ela, trazendo oferendas singelas, pedaz de pão, flores, silvestres, pequenas joias,
feitas de madeira e pedra. Ajoeleavam-se diante dela e murmuravam orações pedindo proteção, saúde,
boas colheitas e até o perdão pelos segredos mais recôndidos em suas almas que não usavam revelar.
Em troca, a árvore parecia ouvir, suas folhas brilhavam com uma sabedoria profunda e distante,
como se respondesse com silêncio e eternidade. Mas poucos, na verdade quase ninguém,
ou usava tocar a árvore. Sabiam que o ramo dourado não era uma simples oferenda. Ele
simbolizava a passagem entre mundos, a promessa de poder e ao mesmo tempo o preço que tal poder
exigia. Para os habitantes de Nemi, o ramo dourado não era para ser colhido levia na mente,
era uma dadeva, com preço fatal, o prenúncio de um destino que uniu escolhido a natureza
inabalável do ciclo, o renascimento e a morte, a luz e a escuridão, em constante equilíbrio.
Assim, ano após ano, geração após geração, árvore permanecia bela e assombrada, testemunha
de reis, de oferendas, de segredos. Ela segurava seu ramo dourado, como um presente
nos afil esperando talvez para aquele que compreenderia o valor da vida em sua plenitude e que aceitaria
seu fardo de um destino escupido pelas raízes do mundo. E para o povo de Nemi, enquanto ela permanecesse,
o bosque continuaria pulsar com um mistério eterno, em uma dança de luz e sombra devido em entrega,
ao redor da árvore sagrada que guardava o segredo do ramo dourado. No coração deste mesmo bosque
sagrado, onde as demais árvores se erguem como antigas guardiãs, e as sombras se entrelaçam em um
velho de mistérios, vive o rei do bosque, um senhor que governou o reino não com um tronos de
ouro, mas com a leveza de folhas que dançam ao vento. Ele era o guardião da árvore sagrada do ramo
dourado. Este rei, porém, não é feito de matérias dos res mortais. Ele é um sacerdote e um
guerreiro, um guardião e um prisioneiro de sua própria coroa. E sua realesa, assim como seu poder,
é efémera, pois ele reina sob a lei imutável de um antigo e sombrio ritual, aquele que o derrotar
em combate, tomará o seu lugar e erdará o título de rei. É somente ele que tem um direito de
portar nas mãos o ramo de ouro. A chave mistica para este reino, onde a natureza parece entrelaçar
ser com o próprio tecido de sagrado. Em cada hora, ele caminha pelo lago que reflete o céu como um
espelho, sempre atento ao menor movimento entre as árvores, onde qualquer sombra, qualquer farfalear de folhas,
pode ser o pronúncio de seu sucessor. Este é um bosque que não conhece misericórdia, pois o rei só
mantém o seu lugar enquanto for invencível. O rei do bosque é uma oferinda viva, uma representação
dos ciclos da natureza, vida e morte, luz e escuridão, enovação e decadência. Como Deus da vegetação que
morre no inverno, para renacer na primavera, o rei cumpre o seu papel nadança eterna dos ciclos do tempo,
carregando peso de uma responsabilidade que echoa pelos séculos, como se cada folha e cada galho,
susurrasse o seu nome em um lamento ao vento. Ao redor dele, o povo observa com reverência e temor,
sabendo que o bosque exige de seu guardião sacrifício máximo, a constante ameaça de que um estranho
movido por coragem ou por ganância, venha desafiá-lo. Nesse instante o rei do bosque saberá que chegou
sua hora, e ele lutará com a força de quem guarda um segredo antigo, um segredo que pertence ao
mundo onde as raízes das árvores tocam o velho do envisígio. Assim vive o rei do bosque em name,
entre o sonho e o pesadelo, entre a glória fémera e a certeza de sua mortalidade. Enquanto reina,
ele mantém um mundo em seu ritmo sagrado, um mundo onde cada árvore, cada folha, cada raio de
sol filtrado pelas copas, é testemunha de seu reinado solitário, um reinado em que cada momento
é uma lembrança da beleza fulgais e do mistério eterno do qual somos todos parte.
Olá pessoal, bem-vindos a mais uma etapa dessa nossa grande aventura pela fascinante ciência que é a
antropologia. Como espero que vocês estejam constatando, o assunto do mito é realmente fascinante,
né? E nós estamos apenas no início dessa exploração. Para a gente poder fazer uma exploração bacana
nessa ira sobre mito e mitologia, eu propuse que nós percorrecemos algumas das principais linhas
teóricas e alguns dos principais autores que contribuíram para uma visão mais rica e mais
abrangente do fenômeno do mito. E nada mais adequado do que nós começamos pelas primeiras análises e
as primeiras abordagens feitas pela antropologia, ainda lá no século 19. E eu já quero chamar a
atenção para um fato importante, pessoal, não se trata apenas de uma iludição de saber um pouco
da história da antropologia, tudo isso é maravilhoso, muito interessante, mas vocês não percebem que essa
linha teórica que eu vou explorar nesse episódio, ela foi responsável pelos principais preconceitos e
compreensões equivocadas a respeito do fenômeno do mito. Por isso que é importante a gente entender muito
bem a sua runlação em que eles fizeram, para a gente entender o processo de descostrução e de
reconfiguração da interpretação dos mitos dentro da antropologia.
E essa questão do preconceito não é só sobre o mito não, mas muitos dos preconceitos, especialmente sobre a
sociedade chamada as tribais ou o sociedade sem estado, que é o termo que a gente custa
de utilizar em antropologia na África, nas Américas ou na Polícia, e, por exemplo, aliás,
muitas das raízes profundas do fenômeno do racismo também estão coradas aí nessa teoria,
mas isso a gente vai explorar em outras ocasiões, e o nosso foco por enquanto aqui será o mito.
Nesse momento inicial de Fundamentação da nossa disciplina, as formas de religiosidade da
Sociedade Sastralianas, da Sociedades Africanas e Amirindias, atraíram bastante a atenção desses
primeiros antropólicos. E dentro desse espírito religioso dessa sociedade, claro, eles encontraram
um rico e exuberante material mitológico, e aí, pessoal, é exuberância.
se não estava apenas o sentido de sua quantidade e da qualidade desse material,
mas sobretudo, porque eles perceberam que os mitos ocupavam um lugar muito central na vida dessas sociedades.
Algo muito próximo, do que décadas depois, na verdade, no século seguinte, que é o século XX,
o antropólogo e sociólogo Maciel Mos chamaria de fato social total, ou seja, um fato social no conceito do caminhano de fato social,
que articula os principais aspectos da vida social de um determinado grupo.
Como a gente vai ver, o fenômeno do mito está relacionado a vários aspectos da vida social desses grupos,
a religião, parentesco, rituais, casamento, e até mesmo em muitos casos a economia em sistemas políticos.
A gente vai explorar isso bastante ao longo dessa série.
Então, seguindo a nossa exploração aqui no território do mito, nesse episódio, nós vamos começar a refletir sobre esses primeiros estudos a respeito do tema,
que foram feitos pela primeira corrente teórica de pensamento da antropologia, que foi o evolucionismo cultural.
E isso aconteceu entre a segunda metade do século XIX e a virada do século XX.
Na verdade, essa é uma corrente bastante envolvida e uma nuvem muito densa de polêmica e de problemas teóricos, problemas conceituais,
e até mesmo questões políticas e sociais.
No entanto, apesar de tudo isso, o evolucionismo teve um mérito de ter contribuído pra fundar, pra afundamentar e firmar a antropologia como ciência,
ou seja, foi a primeira teoria efetivamente consolidada como um campo de estudos e um campo de pesquisa com método bem estruturado.
E aí que reside a sua bigüidade, não dá pra simplesmente descartar o evolucionismo, pessoal, pelos grandes problemas que essa teoria trouxe.
Com um destaque aí, pra sua associação íntima com o sistema imperialista e conel colonialismo europeu.
É claro que isso é um problema gigantesco, porém a realidade é um bigo, a gente vive em tensões, antagonizmos, e é preciso pensar de forma dialética.
Então, apesar disso, vejam que no cenário, em que as ciências humanas tentavam se firmar frente a ciências naturais, estabelecer um método fundamental e conseguir colocar a antropologia no quadro das ciências no época coisa.
E aí, pessoal, tive uma ideia, porque não aproveitar essa expedição, essa temporada do topoquest sobre o mito, pra já poder começar a apresentar pra vocês algumas das principais escolas de impressionamento da antropologia.
Na medida em que muitas delas têm abordagem específica sobre o mito e estabelecer a diferença entre elas, ajudaria nesse sentido.
E de quebra, eu já colocaria em prática um pouco daquilo que eu tinha falado no episódio sobre o toutemismo, né, que é falar da teoria a partir de questões bem concretas.
Eu acho essa estratégia bastante idática e torna mais fácil essa tarefa de fazer esse comparativo e estabelecer as diferenças.
Então, eu resolvi fazer o seguinte, a medida que nós avançamos pra cada abordagem do mito, eu vou fazer um episódio comentando as expectas da escola teórica correspondente, e no episódio seguinte, a abordagem do mito propriamente dita.
Isso para os episódios não ficariam muito grandes, né?
Então, por exemplo, eu já vou começar a partir desse episódio falando sobre a corrida teórica do evolucionismo, e no seguinte, eu vou apresentar as análises de alguns autores evolucionistas sobre o mito.
E assim por diante, né, com esse inclusive vai ficar mais fácil, a gente pode entender os argumentos específicos dos antropólogos, essas teorias, a respeito do mito e as diferenças entre eles.
Eu acho que vai funcionar legal.
Bom, vamos lá então, vamos começar a fazer uma introdução ao evolucionismo.
E vinha gerais, pessoal, nesses primeiros anos de constituição da antropologia como ciência, a vista predominante dos primeiros antropólogos e também de outros acadêmicos, era de que a cultura geralmente se desenvolve, ou se vocês quiserem usar a palavra a cultura evolui de forma uniforme e progressiva.
Ou seja, era predominante a ideia de que a sociedade se desenvolve em de acordo com uma ordem universal de evolução cultural.
E essa evolução, além desse caráter universal, tem o caráter unilinário e necessário.
Aliás, universal, necessário e natural, ou seja, está aí presente, está subjacente a essa ideia, um princípio determinista, que as coisas estão sempre ligadas desde determinadas pelos elementos da natureza.
E uma vez que ele é natural, universal e necessário, todas as sociedades do mundo deveriam passar por esse mesmo processo.
E esse processo de evolução aconteceria de modos diferentes, mas, sobretudo, em velocidades diferentes em cada sociedade.
E é isso que, no limite, explicaria as diferenças entre as sociedades.
Seria então porque diferentes sociedades se encontram em diferentes níveis ou diferentes estágios de evolução.
Essa é uma ideia que não era exatamente nova nesse momento, então ela já havia sendo gestada desde a antiguidade clássica.
Mas começou a ganhar corpo e se consolidou um pouco desde um período iluminista no século XVIII.
Por exemplo, o Montesquê, que era o filósofo francês desse momento, chegou a propor um esquema evolutivo que consistia em três estágios, caça ou seu vagaria, pastoreio ou barbari e a civilização.
Essa divisão proposta por ele se tornou tão popular e tão enraizado entre os teóricos sociais do século XIX, que se estruturou de maneira bastante detalhada e com alguns fizes diferentes, com antropólogos como o Eduardo Artyler e o Lewis Morgan, como a gente vai ver no próximo episódio.
E é importante já adiantar também, vou falar sobre isso um pouco mais a frente, mas se eu quero ponto a agora, é que, nessa teoria, a ideia é que esses estágios obedeceriam uma hierarquia de qualidade,
que seria construído historicamente, ou seja, as sociedades mais antigas, concebidas como sendo as primeiras fóramas de organização social humana.
E por isso mesmo era chamada de primitivas, nesse processo de evolução, que é uma história, começaria de uma forma mais simples, mais desorganizada, mais rudimentar.
Bem próximo mesmo, do estado animal, da condição natural, quase centa de cultura. Essa sociedade antiga, também chamada de primitivas, eram necessariamente mais atrasadas, arcaicas e as sociedades atuais são mais avançadas, são melhores.
Nota em que tudo isso é avaliado a partir do reverencial da sociedade europeia, do referencial do critério que a sociedade europeia escolhe para isso, que é o critério da tecnologia, das artes de uma série de elementos que são próprios da sociedade europeia, mas não necessariamente são universais.
E o outro aspecto importante é que a própria história europeia era atida como um modelo supostamente universal. Algumas ou menos assim, gente, eu sou um inglês, e ver do no auge da revolução industrial.
Aí eu olho para um passado longínco da história do meu país, na história inglesa, e eu vejo tecnologias estruturas de organização social e religiosa, muito semelhantes a dos povos indígenas as américas, aos nativos australianos e da África.
Aí eu deduzo que eles, esses povos, estão no estado como os meus antepassados longínicos estavam os primeiros ingleses, daí eu termo primitivo, palavra que deriva de primeiro.
Eles estariam bem atrasados nesse processo linear de evolução, essa é mais ou menos a ideia, nós vamos desenvolver mais elementos dela ao longo do episódio.
E observem também que esse tipo de pensamento se considerou bastante no imaginário do mundo ocidental, e ainda hoje há uma referência para muita gente, ele está muito presente.
Ter isso em mente vai ser muito importante para as nossas discussões aqui.
É importante a gente ter em mente que, por esse momento, o europeu se viu um auge do seu sistema colonial e imperialista.
Eles exploraram, conquistaram e colonizaram com sucesso, partes importantes do globo.
E esse movimento global levou o seu europeu a ter contato com povos e culturas que viviam estilos de vida bem diferente dos deles.
E claro que isso levantou muitas questões políticas, e até mesmo questões científicas, na medida em que vivendo as coisas com esses do iluminismo e do pensamento científico, o auge do pensamento científico,
eles buscaram uma explicação para toda essa diversidade.
E vamos deixar claro uma explicação com bases científicas.
E for esse contexto que surgiu, então, uma antropologia elaborando as primeiras teorias sociais para a explicação desta diversidade.
E aí a ideia de uma evolução cultural surgiu como uma primeira teoria etnológica de forma sistemática dentro da antropologia.
E essa teoria pretendia ajudar a explicar essa avaliação de povos do mundo todo.
E outro aspecto que é bastante importante terimente é que a ideia de evolução já estava razovelmente forte no campo de uma ciência muito importante na época que era a biologia.
Então, no campo científico, ela vai se estruturar se consolidar primeiro na biologia para depois ser incorporada nessa perspectiva de análise social que estava falando agora a pouco.
Mas o que é exatamente então o evolucionismo?
Como eu acabei de dizer, essa é uma teoria que é guarda fortes relações com o campo da biologia, de que ela sofra influência bastante fortes e eu diria que ir determinantes.
Só pessoal, aqui é importante a gente se lembrar que antes do surgimento da antropologia como ciência propriamente digita,
do ponto de vista científico, o seu humano era estudado pela biologia, afinal nós somos animais, não?
Nós estaremos bastante sobre isso em alguns dos episódios anteriores do antropoceste, especialmente para quem quiser dar uma checada no episódio sobre antropologia física ou biológica e também nos episódios que falam sobre o surgimento da antropologia.
nesse momento, a ideia de que os fatos da cultura, os fenômenos relacionados à produção da cultura
nas suas cidades humanas, estavam intrínsecamente determinados pela natureza. Essa é a ideia de determinismo natural
ou determinismo biológico, que eu vou desenvolver isso um pouquinho mais daqui a pouquinho.
Eu acho que o termo evolucionismo é relativamente familiar para a maioria das pessoas.
Eu diria até a riscaria dizer que talvez para todo mundo, a ideia de evolução das espécies,
teoria da evolução, nomes como o Darwin, como o Lamarque, enfim, todo mundo de alguma forma,
em algum momento, já se deparou com esses nomes e também com esses termos, né?
A questão é que a gente aprende tudo isso a partir do campo da biologia. E aí, quando a gente fala de evolucionismo,
a gente sempre acha que está falando apenas deste campo de saber.
E aqui, pessoal, exatamente sobre isso, venham um primeiro ponto super importante para o qual eu já quero chamar a atenção de vocês.
A gente precisa diferenciar o que é a teoria evolucionista dentro do campo da biologia,
como eu disse lá onde ela nasce, e onde a gente também está acostumado a ter como referência,
e o que é a teoria evolucionista no campo da ciência sociais.
Os nomes são os mesmos, porque a teoria no campo social vai se inspirar no na teoria biológica.
Na verdade, ela é uma importação, uma transposição das ideias e tezes do campo da biologia
para dentro das ciências sociais.
Mas as questões tratadas são bem diferentes, são bem distintas,
e bem mais problemáticas, quando a gente pensa a partir do campo das ciências sociais, principalmente.
Aqui nesse momento, vale muito a pena apontar aqui um dos primeiros teóricos responsáveis por essa importação de maneira mais estruturada,
do campo da biologia para o campo das ciências sociais, foi um pensador inglês chamado Herbert Spencer.
A ele, inclusive, é atribuída a criação da expressão da arvinismo social para esse processo.
E essa talvez seja a expressão mais conhecida para esse tratamento teórico conceitual,
que os fatros da cultura receberam nesse momento.
Acho que praticamente todos vocês já escutaram essa expressão da arvinismo social.
Mas claro que isso tudo é só para a gente ponto a, porque havia um processo bastante intenso de produção, de textos, de análises,
de vários pensadores do campo da sociologia, no campo da antropologia,
todas eram ciências sociais que estavam nascendo nesse momento.
Bom, pessoal, fica aqui o registro disso.
Muitas dessas questões, elas já estão analisadas no episódio, lá atrás,
o episódio que eu fiz sobre antropologia biológica e também no episódio sobre o surgimento da antropologia.
E elas vão voltar também quando nós abordarmos alguns outros assuntos, como, por exemplo, racismo.
Outro aspecto que é muito importante, a gente terimente, é que no pensamento europeu,
especialmente no campo da biologia, havia um debate muito intenso entre duas téssis que se antagonizavam.
De um lado, as chamadas téssis criacionistas e do outro, as téssis evolucionistas.
Nós estamos falando a ita do período iluminista e do período do século 19 também.
Sendo bem resumido, o chamado criacionismo defendia a ideia de que o universo, a terra e todos os seres vivos
foram criados por Deus, num ato único e imediato.
E claro, né, pessoal, todo o risco era como referência, a visante no centro de que este Deus era o Deus tal,
como concebido pela tradição, ajudar que o cristã instituta pela Bíblia, né?
Segundo essas explicações que predominavam inclusive no campo científico da época, não só na biologia, mas em outros campos também, como a física,
por exemplo, tanto a origem da vida na Terra quanto à sua diversidade são frutos de um ato de criação imediata e sobrenatural desse Deus.
E não, um resultado de processos evolutivos, aleatórios e naturais ao longo do tempo.
Deus fez o universo, a terra e todos os seres vivos de uma só vez, do jeito que nós conhecemos hoje.
Esses pensadores criaçãoistas acreditavam que a Bíblia, especialmente o livro dos Genesis, era um relato literal e fiel de como tudo foi feito, como tudo foi criado.
Isso significa que eles levavam a pé da letra, a história de que Deus criou mundo em seis dias e descansou no sétimo.
Para eles, a Danie Eva foram, de fato, os primeiros humanos criados diretamente por Deus.
Olha só, como vocês devem se lembrar? Tudo isso, exatamente do jeito que daram o mito de criação, segundo a tradição judaico cristã, que foi narrado num dos episódios das sagas cosmogônicas,
com os quais eu iniciei essa nossa expedição sobre o mito.
Então, contra essas téssis, cresce também dentro do seio da biologia, a visão evolucionista e essa visão procurava explicar como as espécies se transformam, como elas mudam ao longo do tempo,
no processo que foi denominado evolução.
Essa téssis se baseira a ideia de que todos eles vivos compartilham as estraios comuns e que as espécies atuais são resultado de um longo processo de modificações graduais,
que são provocados por elefadores, todos eles de ordem natural, nada de ordem sobrenatural.
E, como eu falei agora pouco, é importante a gente entender também que essas ideias evolucionistas, elas não são necessariamente ideias novas no panorama do pensamento europeu.
Já existem perspectivas assim, desde a antigüidade clássica, desde a graça é para a sua crítica, por exemplo.
Em vários momentos, as histórias europeias, essas ideias aparecem de formas evidentemente reconfiguradas.
No entanto aqui a importância é que elas estão sendo afirmadas dentro de um dos campos científicos mais sólidos que havia nesse período, nesse momento do luminismo, que é justamente a biologia.
E vamos lembrar de uma outra coisa sobre a qual eu já falei também há muitos episódios atrás, que nesse contexto, nesse cenário histórico entre os séculos 16, 17, 18 e até mesmo 19,
havia um imbate muito pressado entre a perspectiva do renascimento da modernidade, que se consolidou com o iluminismo, da razão, da racionalidade, contra a perspectiva teológica.
Então ainda estamos também diante de um debate bastante forte entre religião e ciência.
Eu tenho um episódio da primeira temporada do antropoceste, que eu falo sobre isso, que é o episódio que eu dei o nome de ciência e religião no século XVIII.
Nesse episódio inclusive, pessoal, eu coloco que muitos cientistas, muitos nomes importantes da ciência nesse momento, eram de autoridades religiosas, eram padres, eram bispos, que também se dedicavam à produção de ciência.
Então essa mistura entre teologia e ciência era muito forte nesse período.
E vamos deixar claro que embora não o episódio eu falo em do século XVIII, mas isso é uma realidade que se sendeu pelo século XVIX adentro também.
Sei se lembra o que eu comentei em algum momento, que o próprio Darwin estava sendo preparado para ser teólogo quando ele descobre a sua avocação de biólogo? Pois é, é só um exemplo entre muitos.
Eu acho importantíssimo escutar esse episódio e refletir sobre isso, pessoal, porque nós estamos vivendo hoje em pleno século XXI, um algo muito semelhante, guardadas,
as devidos proporções de diferenças e tal, mas nós estamos vivendo algo muito parecido com esse debate, com esse debate.
Bom, voltando ao nosso ponto, né? Como havia uma embaricação muito forte entre a biologia e a antropologia, na medida que são ciências que explicam ser humano, essas ideias foram plotamente incorporadas pela própria antropologia.
Então, o seu desenvolvimento no campo da antropologia se deu a partir de pensadores que importaram a noção de evolução,
que tradicionalmente estava sendo aplicado a organismos biológicos, né? Vamos dizer aos seres vivos, para as sociedades e culturas, isso tudo foi importado também para entender o desenvolvimento, as mudanças das sociedades e culturas.
Com isso, então, esses pensadores propuseram uma nova forma de entender o desenvolvimento humano, como eu falei agora pouco, ou que fez o Herbert Spencer, você só lembrado?
Agora, é preciso aqui um esclaricimento bastante precioso, pessoal, para a gente entender bem a amplitude semântica, ou seja, a amplitude de sentido do termo da palavra "evolução", especialmente nesse contexto,
a gente precisa considerar também que nós estamos em pleno século do áudio da Revolução Industrial, e da ideia de progresso, e eu já mencionei isso aos nos momentos atrás.
Por que que estou dizendo isso, pessoal? Porque eu termo a evolução, a palavra "evolução", originalmente não é um sentido que nós pensamos dela hoje.
Originalmente, o sentido da palavra "evolução" está ligado a ideia de mudança, de transformação, de movimento, tão simplesmente isso.
Como, por exemplo, na expressão, as evoluções surtrapesista, ou as evoluções da bailarina, a palavra "evolução" aqui se refere aos movimentos que eles fazem nas suas apresentações artísticas.
Mas ela não tem repito, ela não tem, no seu sentido original, a ideia de uma hierarquização, no sentido de que evoluir é mudar do inferior para o superior, por exemplo.
Como nós pensamos hoje? Eu tenho certeza que a gente é uma agadora maioria de vocês, senão todos vocês.
Então, eu não entretendo, nesse contexto, eu tenho essa história que é social, em que a ideia de progresso se firma como valor universal e imperativo, né?
A palavra "evolução" vai abandonar esse seu sentido original, e vai assumir, ela vai adquirir um sentido bastante atrelado a essa ideia de progresso.
E aí, que ela vai ter esse sentido que nós concebemos hoje, uma mudança que implica necessariamente, ir do menos para o mais, do atrasado, pro avançado, do simples para o complexo, e claro, no campo social, do primitivo para o civilizado.
E olha só, não é exatamente essa ideia de evolução que está profundamente realizada das nossas mentes e das nossas psíquias.
Acho que todo mundo. tem dificuldade de pensar para a evolução sem sério nesse caráter iráquico, sem ser essa perspectiva hieráquica.
E pior ainda, né, juntando com tudo isso que eu estou refletindo com vocês, é um sentido profundamente estirancêntrico,
porque os avançados seriam os nós e os atrasados seriam eles.
No então eu vou falar mais uma vez, não é um sentido original da palavra.
E esse sentido que nós usamos é um sentido bastante contaminado com essa perspectiva etnocêntrico, que é profundamente preconceituosa.
Bom, reforçando e reiterando esse ponto, é muito importante a gente terimente que, nem sempre a ideia ou a palavra evolução,
teve o sentido que hoje nós atribuímos, que esse sentido foi fortemente licenciado,
ele foi fortemente ancorado, foi fotalecido,
nesse contexto da lógica iorocêntrica e imperialista, em que a ideia de progresso ela foi construída tendo modelo europeu socialidade como referência.
Vou voltando ao nosso ponto, né, para esses antropólogos evolucionistas, assim como a vida na Terra, a natureza mesmo, passou por estágios de evolução,
como se fosse uma escada ou se vocês quiserem uma escala, né, a sociedade humana também evoluíram em estágios,
sempre num processo linear e universal.
E claro, vou repetir mais uma vez, sempre tendo a sociedade europeia como modelo e como referência.
Agora tem um ponto importante, sobre esses antropólogos evolucionistas,
é que eles elaboravam essas teses e essas análises de maneira fortemente especulativa.
Eles não iam a campo, ou quase nunca iam a campo, até por isso eles ficaram conhecidos como antropólogos de gabinete.
Ainda não havia sido inventado nesse momento o método etnográfico.
Como é que eles faziam então? Eles coletavam as análises, os dados de segunda mão,
a partir de relatos de missionários, de religiosos, de comerciantes,
e até mesmo de funcionários do Império Colonial, no caso da Inglaterra especificamente.
Eles organizavam esses dados e aplicaram a teoria geral que eles desenvolveram a todas as sociedades.
E agora que é interessante, foi um desses antropólogos, o inglês Eduard Tyler. A gente falou bastante sobre ele em episódios anterior,
e vai falar mais ainda no próximo episódio até porque ele foi o primeiro formulador de uma teoria sobre os vídeos dentro do campo da antropologia.
Então gente, foi o Tyler que propôs, e vamos lembrar baseado naquela ideia do Montesquia sobre a qual falei agora pouco,
que todas as sociedades passariam por estádios de evolução, que ocorreriam num escalo universal,
mas nessa proposta Tyler eu disse o seguinte, que essa evolução obedeceria a seguinte ordem,
que seria literalmente natural, ou seja, faria parte da natureza, e sobretudo da natureza do ser humano.
Veja se isso sou familiar pra vocês de alguma forma, hein?
Todas as sociedades humanas, quando ele, teriam começado num estágio que ele denominou de selvageria,
o que seria na visão desses antropólogos, o mais primitivo, o mais inferior, próximo da animalidade.
Em seguida passaria pela Barbari, que seria um estágio, mais ou menos, vamos chamar assim, de intermediário,
até chegar a civilização, que seria o mais avançado, o máximo.
E foi um outro grande nome dessa linha teórica, dessa vez, os Estados Unidos,
o outro pólogo Leois Harry Morgan, que propôs ainda uma subdivisão dos estádios da selvageria da Barbari,
ele classificava em baixa, média e alta, ou seja, ele subdividiu esses dois estádios,
cada um deles em três.
Esses estágio serão baseados, principalmente, em características tecnológicas,
mas eles também incluíam outros elementos, como, por exemplo, a orgulização política,
as formas de casamento e orgulização familiar, além, claro, da religião.
E olha só, pessoal, esse ponto da religião vai nos interessar particularmente,
porque é justamente por causa dos estudos sobre religião,
que será desenvolvida a teoria deles sobre o mito.
Então, ainda segundo esses antropólogos, como as sociedades ocidentais tinham a tecnologia mais avançada,
esse desenvolvimento tecnológico colocava essas sociedades no mais alto nível de civilização,
no mais alto nível de evolução.
Sociedades e um estágio de selvageria, a Urte Barbari, por exemplo, eram vistas como inerentemente inferiores,
as sociedades colocadas no patamar de civilizadas.
E eles afirmavam mais.
Tomando como referência às configurações sociais e culturais das próprias sociedades europeias,
as centenas de anos, que eram sociedades que viviam, segundo eles, no estilo de vida,
muito parecida com as atuais sociedades indígenas,
eles estabelecem um parâmetro de comparação com a proposta de ser universal,
e isso vai ser um ponto metodológico bastante criticado dentro do evolucionismo.
E essa comparação em devida, que vai fazer com que eles digam que as sociedades indígenas, por exemplo,
são primitivas, na medida em que se parecem com as primeiras formas de organização da sociedade europeia.
Na verdade, eles falam das primeiras organizações humanas, mas eles estão tomando a sociedade europeia
como referência a isso, o ponto sobre qual que era chamar atenção.
E o que teria acontecido, então, para gerar essa diferença tão grande?
Por ele e fatores, se a gente fizer um recorte num determinado tempo,
vamos colocar que o exemplo nosso próprio presente, o nosso próprio tempo,
algumas sociedades teriam congelado no tempo,
elas teriam interrompido o processo natural de evolução de um estágio a outro,
e isso explicaria as diferenças, por exemplo, entre uma sociedade indígena que vive na floresta,
em Chopinas, usando arco e flecha na visão deles,
e as sociedades mochosas de corte ou as sociedades da área industrial.
Não é exatamente a ideia de evolução que nós temos,
os povos indígenas e os povos africanos não foram chamados de selvagens,
exatamente pulsarem povos cujas características contrastavam de maneira brutal
com o modelo de organização política, social, cultural, religiosa dos povos europeus,
que patilhavam do estatuto de civilizados. Olha só!
E mais, pessoal, a palavra selvagem que, como nós sabemos,
ela remete a selva, e ela tem exatamente essa connotação.
Seu vageria ou seu vagem, deriva de selva, que, por sua vez, remete a dimensão da natureza,
ou seja, seriam povos desprovidos por tanto de cultura,
levando em conta aquele nosso hobidarismo, a nossa grande divisão de cotomia, natureza e cultura.
Olha como ela está presente aí com toda a força, estão percebendo?
O ponto importante para a gente entender a abordagem evolucionista sobre o mitro é que é o seguinte.
Existem duas principais suposições, embutidas do evolucionismo social
ou evolucionismo cultural, se vocês quiserem.
Uma delas a gente já abordou aqui, que é a presoposição da superioridade das culturas ocidentais.
A segunda é a presoposição de uma unidade psicética da espécie humana.
A suposição da superioridade cultural da sociedade europeia sobre as demais sociedades
era uma ideia bastante comum nesse momento.
E essa suposição estava profundamente realizada na ideia de progresso.
Também no auge da revolução industrial, no culto ao desenvolvimento tecnológico,
artístico e cultural da Europa, e claro, no próprio colonialismo e do imperialismo europeu,
no sistema colonial e imperial.
Essa ideia de superioridade estava baseada no fato de que as sociedades ocidentais
tinham uma tecnologia muito mais sofisticadas tecnologicamente
e uma crença de que o crucialismo era a verdadeira religião.
O outro aspecto que caracterizar o evolucionismo do campo da antropologia
é a ideia de uma unidade psíquica.
Isso, como eu disse, vai ser muito importante para estudar do mito.
Isso é um conceito que sugere que as mentes humanas compartilham características semelhantes
em todo o mundo.
Isso significa que todas as pessoas e as suas sociedades passaram pelo mesmo processo de desenvolvimento.
Essa ideia, a gente, vai ser central nas teorias sobre o mito que se desenvolveram dentro do evolucionismo.
A gente vai ver isso no próximo episódio, especialmente nas ideias de um dos três teóricos que vão ser analisados,
que é o francês Luciano Livibull, que, na verdade, ele não era um antropólogo, como a gente vai ver,
mas era um pensador mais vinculado à psicologia e a filosofia.
E de quebra, vai ser uma ideia central também para o desenvolvimento, por exemplo,
da psicologia e da psicanálise.
Então, resumindo aqui, pessoal, a antropologia evolucionista do século XIX,
com esses seus presupostos de progresso lineário universal, e também de superioridade anopeia e da unidade psíquica,
ela dedicou considerável atenção ao estudo do mito.
Como a gente vai ver, esses antropólogos entendiam os mitos como reflexos de um estágio mental primitivo,
que seria anterior ao desenvolvimento do pensamento racional e científico.
Claro que, como a gente vai ver, essas tezes estudos são bastante inconsistentes,
elas vão ser completamente desconstruídas, mas isso não impediu que, no senso comum,
na mentalidade de grande parte das pessoas, elas ainda persistam e muita gente pensa dessa maneira.
Dentro desse panorama de consolidação do evolucionismo no campo social e cultural,
os mitos, que é o nosso foco, os mitos passaram a serviços como fenômenos culturais
que poderiam revelar algo sobre a evolução da mente humana, sobre as estruturas sociais,
e também sobre o pensamento religioso.
Olha aí a ideia de fato social total do Marcelo Mosque, eu tinha anunciado lá atrás.
E nesse contexto todo, é interessante nós fazemos uma pequena digressão importante,
até para a gente poder entender por que essa questão do pensamento, da mente,
era um foco de preocupação desses pensadores, desses antropólogos.
É que essa é a seguinte, pessoal, aqui nesse momento uma outra ciência estava se consolidando
junto com o antropólogo.
e ela atraia muito a atenção dessas pensadores, que era a psicologia, até porque essa ciência, a psicologia nasce de maneira muito vinculada também ao campo da biologia, principalmente no formato que foi conhecido como psicologia experimental.
Na medida em que muitos se pesquisavam sobre as relações entre cérebro e mente, ou seja, entre o subtrata e o fisiológico, que são os neurônios, todo o corta que cerebral e o pensamento amente humana.
Eu mencionei isso porque um dos focos de preocupação de alguns dos antropólicos evolucionistas estava justamente investigar o grau de humanidade dessas sociedades que eles cascicavam como primitivas, como pré-aumanas, etc., justamente a partir dessa estrutura mental, dessa estrutura de pensamento dessas pessoas.
Em outras palavras, uma das preocupações fortes que eles tinham, é como a estrutura mental desses povos poderia ser um elemento comprobatório do seu estágio evolutivo, do grau de estágio evolutivo em que elas se encontravam, se inferior, se atrasado, ou se superior ou avançado.
Tendo todas essas considerações que eu acabei de fazer, como pano de fundo, para esses estudiosos, então os mitros não eram apenas histórias narradas pelos povos, seja com que propósito do foco.
Na verdade, eles consideravam os mitros como pistas deixadas do caminho, como se fossem vestigios que mostravam como a mente humana tinha evoluído ao longo do tempo.
E aqui a ideia de evolução, pensada nesse mesmo modelo, entre o da mais primitiva, que muitos deles associavam ao pensamento mágico, por exemplo, passando por estágio os intermediários, que eles associavam ao pensamento religioso, que era um pouco mais estruturado, que é magia, segundo eles, até chegar ao estágio civilizado, em que nós teríamos a forma científica de pensar.
Então, mais uma vez aqui, a gente tem essa contracosição entre pensamento científico de um lado e mito do outro. A gente vai desenvolver isso um pouco mais ao loco do restante do episódio.
Olha só, como exemplo, essas ideias, a respeito desses estádios de evolução da sociedade, vão ser decisivas da criação, por exemplo, das teorias do chamado pai da sociologia, que foi o Augusto Conte. Acho que muitos de vocês estudaram isso no ensino médio. Isso só para citar um exemplo, talvez um dos mais conhecidos.
Então, nesse cenário, nesse contexto, outro ponto importante também precisa ser salientado para ajudar a compreender a análise que vem pela frente. Que é o seguinte, o fenómeno do mito foi trabalhado por esses pensadores, naquela perspectiva de narrativa situada do plano religioso.
Então, a gente vai ter que entender que as três análises que vocês vão ver no próximo episódio, elas vão entrar um pouco no campo psíquico, no campo das mentalidades do pensamento, mas, sobretudo, pegando o mito como um fenômeno religioso, nesse sentido, a religião tratada como uma manifestação do tipo de mentalidade que essa sociedade possui.
Lembra, o que a gente fala agora, né? O pensamento religioso se opondo ao pensamento científico. Agora, é importante, tem mente também, pessoal, que toda essa debate, toda essa discussão que a gente está fazendo aqui,
era, se situa apenas no campo da iludição, não, é claro que é interessante saber um pouco dessa área de antropologia, saber como essas discussões foram feitas e tal, mas o que eu acho mais interessante, isso é que me empolga bastante nesse tipo de reflexão de discussão invocando os clássicos,
é perceber como muita coisa que a gente vai debater aqui, está presente em gaújo, com tudo que a gente já avançou em temas de produção de conhecimento, de produção de saber, de produção científica, tanto no século XX, contra no século XXI, a gente ainda está enfrentando problemas muito parecidos com as questões que eram enfrentadas ou que eram pensadas no século XIX.
E é isso que eu acho que torna esse tema e essa discussão bastante relevante, bastante interessante.
A verdade em evolucionista, tem sido o alvo de uma crítica ampla desde o século XIX, porque diversas razões.
Primeiro é porque, como a gente já constatou, ela tem um viás fortemente no centro.
Os antropólogos evolucionistas construíram os parâmetros de evolução e de proagresso, tendo as culturas ocidentais entre elas, as culturas europeias, como aapse da evolução.
Esse era o parâmetro para eles poderiam fazer essa mensoração, considerando as outras culturas como inferiores.
E no caso da Sociedade Africanas, Amerídias e Polineses, eram chamadas de primitivas, como a gente já falou várias vezes aqui.
Um outro aspecto importante associado ao evolucionismo é o conceito, a ideia de determinismo, e isso vai aparecer sobre três formas diferentes.
O chamado determinismo cultural, determinismo geográfico, e o determinismo racial.
O determinismo cultural é aquela ideia de que as culturas passam obrigatoriamente por estados evolutivos fixos, e isso explicaria a diversidade cultural.
Na medida em que, no mesmo momento histórico, as culturas se encontrariam estados diferentes.
Outra forma de determinismo, bastante associado ao evolucionismo é o determinismo racial, chamada determinismo racial.
Que é a ideia de que as culturas são determinadas também por suas configurações raciales.
Isso também poderia ser um fator que explicaria por que que algumas sociedades teriam conjurado no tempo.
Na verdade, suas configurações raciales inferiores estariam impedidos de avançar no processo evolutivo.
Essa ideia vai ser muito importante para as discussões sobre o fenômeno do racismo.
O mesmo aconteceria com a terceira forma de determinismo, que é o determinismo geográfico.
Essa ideia associava a diversidade cultural, a determinantes ambientais, nos mesmos módios que o determinismo racial.
Esse tipo de explicação da diversidade das culturas por esse vés de determinista, e ignora que a diversidade cultural acontece por uma série de fatores sociais históricos, o que aumenta bastante a complexidade das mudanças sociais.
Uma outra crítica importante ao evolucionismo é que ao reduzir os mitos as pressões de momentaridade preventiva, esses antropólogos evolucionistas negligenciavam completamente o papel social e cultural que os mitos exercem e exerceram nas várias culturas, nas diferentes sociedades.
Como a gente vai ter oportunidade de ver em várias ocasiões, com o tempo, com o avanço e o desenvolvimento da antropologia, a teoria evolucionista foi perdendo espaço e foi sendo substituída por abordagens mais relativistas e culturalmente mais sensíveis.
Então, por exemplo, antropólogos como o Frans Boas, ou mesmo o Brunes-Almarinoves, que enfatizaram a importância de estudar as culturas nos seus próprios termos, sem por sobre elas esquemas evolutivos preconcebidos, ou quaisquer outros fatores determinantes para a produção da diversidade cultural.
E resumo, pessoal, embora antropologia evolucionista tenha atido como enfatizar algumas vezes o mérito de oferecer uma das primeiras tentativas de sistematizar um estudo dos fatos ligados a cultura entre eles o mito, mas ela tinha limitações teóricas e metodológicas muito sérias, isso atornaram o obsoleta.
Os seus principais autores deixaram o legado bastante importante, inclusive influenciando alguns dos nomes mais relevantes da sessas humanas, como, por exemplo, Calma Axe, Friedrich Engels, e também o próprio Segundo Freud.
O inteto, as reações críticas ao evolucionismo trouxeram uma nova compreensão dos fatos da cultura, e aqui eu destaco mito por seu nosso foco.
Antropologia contemporânea reconhece fatores históricos, fatores sociais, políticos, e também aqueles elementos jodem simbólicas na produção da diversidade, da complexidade, da dinâmica e da construção de significado para os fatos da cultura.
Isso tudo vai muito além das explicações simplistas e linearistas da teoria evolucionista.
Veja só para reiterar e deixar claro que eu já falei nos episódios sobre cultura, a cultura é sem resultado da interação de várias dimensões da nossa vida, inclusive a biológica, mas não há uma determinação dos fatores jodematural sobre a produção da cultura, isso que é o ponto importante que a gente precisa reter.
Bom pessoal, como introdução ao evolucionismo, eu acho que nós podemos ficar por aqui.
No próximo episódio eu vou focar em três pensadores que produziram reflexões importantes sobre o mito no campo da antropologia, na verdade são três grandes referências na teoria evolucionista e também na construção da própria antropologia como ciência.
Um deles foi o inglês Eduardo Burnett Tyler, sobre o qual a gente já falou algumas vezes, se lembra, onde ele foi, por exemplo, cara que publicou um livro que trouxe a primeira definição científica de cultura.
E eu comentei isso lá, na comecinha do episódio da temporada sobre cultura.
Outro nome importante foi o Escossés James George Fraser, de cujo livro mais importante, o ramo dourado, eu tirei a história do rei do bosque com a qual nós iniciamos esse episódio.
E por fim, o terceiro autor importante que eu quero trazer para vocês foi o Francesce Luciano Evibru, que não era exatamente um antropólogo, ele navegava muito mais no campo da filosofia
e até mesmo da psicologia, mas ele fez muitas pesquisas e muitas reflexões a respeito do mito nesse campo religioso e o mito como uma característica do desenvolvimento da mentalidade dos polvos ditos por eles primitivos.
E ele vai influenciar bastante muitos pensadores desse período, desse momento.
Cada um desses pensadores trouxe ideias bem próprias, bem inovadoras com algumas perspectivas diferentes, mas que se igualavam nesse fortíssimo viais etnocentrico, ou viais determinista e claro.
nessa perspectiva, evolutiva e unirienar e isso a gente vai trabalhar na próxima episódio.
Por enquanto eu acho que tá de bom tamanho pessoal.
Vamos nos preparar para o nosso próximo destino?
Este foi o Antropoquest, um podcast que é uma viagem pela antropologia.
Eu sou Fred Lucio, filósofo, antropólogo e professor universitário.
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Podcast Summary
Key Points:
O evolucionismo cultural, predominante no século XIX, propunha que as sociedades evoluíram de forma linear, universal e progressiva, com estágios definidos como selvageria, barbaridade e civilização.
Essa teoria baseava-se na ideia de uma unidade psíquica humana e na superioridade das culturas ocidentais, especialmente europeias, como modelo de progresso e referência para a avaliação das demais sociedades.
Os mitos eram interpretados como vestígios do pensamento primitivo, anteriores ao raciocínio científico, refletindo estágios evolutivos da mente humana, da religião e da sociedade.
A análise do mito dentro do evolucionismo foi fortemente influenciada pelo modelo da psicologia e pela visão de que a mente humana evolui do mágico ao religioso e, finalmente, ao científico.
A teoria foi criticada por ser etnocêntrica, determinista e preconceituosa, negligenciando a diversidade cultural, o contexto histórico e o papel social dos mitos.
Autores como Edward Burnett Tylor, James George Fraser e Luciano Febvre contribuíram com reflexões sobre o mito, mas operaram dentro de um quadro evolucionista e determinista.
O evolucionismo foi substituído pela antropologia contemporânea, que valoriza a relatividade cultural, a história social e a complexidade da produção de significados.
As ideias evolucionistas, apesar de suas limitações, influenciaram pensadores como Freud, Engels e Marx, e ainda hoje são relevantes para compreender os debates sobre cultura e ciência.
Summary:
O episódio introduz a perspectiva evolucionista do mito na antropologia do século XIX, destacando como os pensadores da época, como Edward Burnett Tylor, James George Fraser e Luciano Febvre, viam os mitos como reflexos de um processo de evolução mental linear e universal. A teoria sustentava que as sociedades passam por estágios definidos — selvageria, barbaridade e civilização — com o desenvolvimento tecnológico como indicador de avanço, sendo a sociedade europeia a referência de progresso. Nesse contexto, os mitos eram interpretados como expressões de um pensamento primitivo, anterior ao raciocínio científico, passando de uma fase mágica à religiosa e, finalmente, à racionalidade.
Essa visão, embora pioneira no estabelecimento da antropologia como ciência, foi fortemente criticada por sua etnocentrismo, determinismo e preconceito contra culturas não ocidentais. A ideia de uma mente humana unificada e a redução dos mitos a etapas evolutivas ignoraram o contexto social, histórico e simbólico em que eles se desenvolvem. Com o tempo, a antropologia contemporânea substituiu essa abordagem por abordagens mais culturais, históricas e sensíveis, reconhecendo a diversidade, a complexidade e a autenticidade dos significados culturais.
Apesar das suas limitações, o evolucionismo deixou um legado importante na formação da ciência social, influenciando grandes pensadores do século XX.
FAQs
O evolucionismo cultural é uma teoria do século XIX que propunha que as sociedades humanas evoluíram de forma linear, universal e progressiva, passando por estágios definidos, como a selvageria, a barbarie e a civilização, com a sociedade europeia como modelo de avanço.
A ideia de evolução foi usada para classificar as culturas não europeias como 'primitivas' ou 'inferiores', enquanto as sociedades europeias eram vistas como avançadas, baseando-se em critérios como tecnologia e desenvolvimento industrial, que eram considerados universais.
O evolucionismo cultural acreditava que todas as sociedades compartilhavam uma mente humana comum, passando por estágios mentais primitivos, como pensamento mágico, para o religioso e, finalmente, para o científico, o que justificava a análise dos mitos como reflexos dessa evolução mental.
Os mitos foram interpretados como vestígios de um pensamento primitivo, anterior ao racionalismo científico, que simbolizava um estágio inicial da evolução da mente humana, passando da mágica ao religioso e, por fim, à ciência.
Os principais estágios eram a selvageria (mais primitiva, próxima da animalidade), a barbarie (intermediária) e a civilização (mais avançada), sendo que cada estágio era considerado progressivo e necessário na evolução da sociedade humana.
O evolucionismo foi criticado por ser etnocêntrico, reduzir as culturas a estágios evolutivos fixos, negligenciar o papel social e cultural dos mitos, e por promover preconceitos raciais e geográficos que justificavam a superioridade europeia.
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