A transcrição discute a profunda transformação no mercado de trabalho brasileiro, que em 2025 atingiu a menor taxa de desemprego da série histórica (5,6%), configurando um cenário de pleno emprego. Este aquecimento é impulsionado por anos consecutivos de crescimento econômico, mesmo que moderado, e por mudanças estruturais, como a expansão da economia digital e de plataformas, que facilitam a recolocação profissional. Como consequência, as empresas, especialmente nos setores de comércio, serviços e construção civil, enfrentam grande dificuldade para contratar e reter funcionários. Isso transferiu poder de barganha para os trabalhadores, que agora priorizam não apenas salários acima da média, mas também benefícios como vale-alimentação turbinado, convênios médicos e, sobretudo, flexibilidade — incluindo escalas mais curtas (como 5x2) e autonomia sobre o tempo. Este novo equilíbrio força os empregadores a repensarem modelos rígidos e a adotarem políticas mais atrativas. Embora positivo, o pleno emprego prolongado traz o alerta de que aumentos salariais não acompanhados por ganhos de produtividade podem gerar pressões inflacionárias no futuro. O debate sobre a flexibilização da jornada de trabalho, com experiências de escalas como 4x3 mostrando resultados neutros ou positivos em produtividade, ganha força neste contexto de mercado competitivo e em busca de um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
"Ei, você que está em busca de uma nova oportunidade? Calma, presta atenção." Bonos para quem não faltar e nem chegar atrasado, mais bonos para cada indicação que for convertida em um novo funcionário. "Divertino da invernamento do envolvimento profissional e blano reais." Transporte fretado, folga no dia do aniversário, escala 5x2. Valha alimentação turbinado e salário acima da média do setor. "Muito mais, vale transporte, valha alimentação, convenio médico e odontológico e benefícios incríveis." Hoje, na construção civil e no comércio, por exemplo, não basta mais abrir vagas. É preciso disputar os trabalhadores. Para conseguir contratar, empresas estão criando mecanismos que até pouco tempo atrás pareciam a exceção. É uma mudança importante na relação empregado em pregador que tem várias camadas. Aumento da escolarização, mudança geracional, a chamada "economia dos aplicativos" em um mercado que vem registrando nos últimos anos baixa o índice de desemprego. O setor de serviços que inclui atividades como comércio, bares e restaurante e saúde, educação, foi o que mais contratou em 2025. Ajudando o país a terminar o ano passado com uma taxa média de desemprego de 5,6%. É o menor índice desde 2012, quando começou a ser histórica do IBGE. Em 2025, o Brasil teve 6,2 milhões de brasileiros em busca de uma vaga, um milhão a menos do que no ano anterior. Supermercado, os farmácias logísticas, comércio popular, todos enfrentam dificuldades para preenche vagas. E aí, que a conta começa a não fechar mais. A Camila tem 17 funcionários entre a loja e a oficina de costura. Precisaria de mais três, mas é marcar em entrevista e levar camo. Algumas pessoas nos falaram assim, "Ah, eu achei que é muito longe do meu casa, a questão do transporte impacta bastante, o salário é que é gostei dos benefícios, mas achei um entrego mais perto que até pagar menos, mas é melhor para mim." Na entrada desse posto de gasolina, a faixa nãocia vagas para frontistas. Na rua atrás do posto, tem a oficina mecânica. Aqui o proprietário diz que são 9 vagas em aberto. São 4 vagas de borrâcheiro, 2 de secretária, 2 de vendedor e 1 de alinhador. Enquanto isso, do outro lado do balcão, o trabalhador faz as suas próprias contas. E cada vez mais, elas não passam só pelo salário. "Em muito bom, 5x2 é realmente vida, a gente consegue ter uma vida fora do trabalho e a gente fica só um morrinho a mais e ganha um dia inteiro de folga, é muito bom." Flexibilidade é a palavra chave. A possibilidade de escolher horários, ter menos dias presenciais e mais autonomia sobre o próprio tempo, passou a ser mais sedutor do que a promessa de estabilidade. Aquele modelo mais rígido, com jornadas fixas dentro da estrutura da empresa, deixou de ser o objeto de desejo de muito trabalhador. "Meu carro é o meu escritório, é a minha empresa, com tempo a experiência, acaba que transforma você num ótimo profissional." Da redação do G1, eu sou Natus Anere e o assunto hoje é, o mercado de trabalho em transformação. Meu convidado errou do FUTUBLER, mestre em economia e finanças pela FGV e superintendente adjunto no FGV IBRI, quinta-feira, 5 de fevereiro. Rodolfo, em 2025, a gente chegou ao menor patamar de desemprego da história e a população ocupada chegou ao recorre de 103 milhões de pessoas. Dito isso, preciso te perguntar. O que está acontecendo com o mercado de trabalho, a gente sabe que está aquecido, mas quais são as explicações para isso, porque a economia não está crescendo essa maravilha toda. Então, queria entender essa equação. Tem alguns fatores que ajudamos a explicar, porque o mercado de trabalho tem estornado bastante aquecido, ainda até além das expectativas que a gente tem no início de cada ano. Esses últimos anos foram muito favoráveis, a gente viu uma criação de vagas muito positiva e uma redução da taxa de desemprego, de desocupação, para os mínimos históricos, o que foi até além das nossas expectativas iniciais. A taxa de desocupação ficou em 5,1%, com o resultado, o desemprego encerrou 2025 no menor nível da história. A taxa chegou a 5,6%, um ponto percentual a menos do que no ano anterior. A população desocupada somou 6,200,000 brasileiros, redução de cerca de 1 milhão de pessoas. Já a população ocupada alcançou sempre 3 milhões, o maior número da série histórica e 1,7% acima do registrado em 2024. Acho que primeiro, a gente tem uma explicação da economia, acho que a economia é o principal motor que ajuda a explicar por que o mercado de trabalho está avançando, por mais que ela não tenha crescido, não esteja ali no seu melhor ritmo de crescimento, a gente está vindo pro quarto ano consecutivo de crescimento. Isso é um pouco raro nos últimos anos no Brasil, as últimas décadas a gente acabou enfrentando muita crise e muita instabilidade, se a gente lembrar, a gente teve uma crise de 2014-2016, depois a gente teve um crescimento um pouco mais tímido, quando se esperava alguma menor um pouco mais forte a gente teve a pandemia. E agora, nesses últimos anos, a gente teve crescimentos aí acima de 3%, né, 2022-2023-2024, uma expectativa que 2025 ainda cresça perto de 2,5%, então esse crescimento econômico consecutivo contínuo, isso favorece o mercado de trabalho, isso favorece que as empresas acabem conseguindo gerar mais vagas também, principalmente por setor formal. Acho que, além disso, para ajudar a explicar por que está indo talvez no ritmo até mais forte, esse ritmo de queda tem sido mais forte, tem que o ritmo de crescimento da economia, a gente tem algumas mudanças estruturais no mercado de trabalho, que a gente tem visto é que o regime de trabalho mudou, né, as que se a gente pensar há 10 anos atrás que não é um período tão longo assim, as pessoas que pergiam o emprego precisavam, esse grande data algo uma vaga, abriu algum processo seletivo, hoje a gente tem uma economia muito mais conectada, o meu economia muito mais digital, então, por exemplo, a gente pode citar aqui as plataformas, né, as pessoas que trabalham para plataformas, transpostes passageiros, de entregas, enfim, e outros tipos de trabalho, ficou um pouco mais fácil das pessoas conseguirem o emprego, conseguir algum tipo de trabalho, então na medida que alguém perde sua ocupação, hoje ela consegue através de plataformas, já no dia seguinte, começar um novo trabalho. O número de empregados com carteira assinada no setor privado também foi o maior registrado pelo IBGE, no sentido oposto, ouve e recude 0,8%, o que significa quase 14 milhões de trabalhadores sem carteira assinada. A taxa de informalidade caiu de 39% para 38,1%. Uma leve melhora, mas ainda assim faz parte da realidade de milhões de brasileiros. Então, isso ajudou a dinâmica do mercado de trabalho brasileiro, abaixando essa taxa de desocupação e chegando nesse mínimo histórico. Eu já fui seletê, há muito anos, mas por conta da routine, né, da manhã, porque eu preciso escolher, eu fui nada assim. Eu venho alguns dias quando eles precisam, né, e quando ele tem alguma consulta, aí eu não venho. Prefere assim, por enquanto, no momento assim. A gente vê que isso ajuda um bem de pouco de negocia, essa previsibilidade é muito importante. Quando a gente fala até para o sietor formal, é porque o custo de contratação, ele existe, né? O empresário não pode contratar e no mês seguinte, demente, porque ele vai acabar perdendo dinheiro. Então, quando a gente vê essa, esses anos, consecutivos de crescimento, essa melhora dá demando, aumenta o consumo com a gente vê nos últimos anos, isso favorece para que as empresas também têm um pouco mais de clareza e possam criar limas vagas, né, contratar mais pessoas. Bom, o Brasil é um país em que se considera, pleno emprego, quando essa taxa está em 6%, aí eu vou te fazer uma pergunta, o que é exatamente o pleno emprego? É quando todo mundo está trabalhando? Ou, não, o que é exatamente essa taxa de 6%, porque quando a gente fala de pleno emprego, a gente não fala que 100% das pessoas estão trabalhando nesse momento? Exatamente, o pleno emprego não consegue representar essa situação onde todo mundo está trabalhando, porque a gente acaba tendo sempre alguma rotatividade na economia, né, no mercado de trabalho. Alguém que eventualmente saiu de um emprego agora, trabalhava num restaurante, saiu, passou duas semanas e foi trabalhar num outro restaurante, num restaurante concorrente, é isso? Exatamente, ela pode estar, eventualmente, esperando uma vaga melhor que ela já passou, mas só começa daqui algum tempo, ela pode estar se preparando ali para algum processo seritivo que ainda está em andamento. Então, isso tem uma taxa de rotatividade que faz com que a gente tenha um volume de pessoas que estão desocupados ou desempregados como seria o termo mais popular. É natural que se tem isso, não tem como a gente ter num momento ali como se faz a pesquisa, né, quando se calcula taxa de desemprego, todas as pessoas ocupados, porque a gente tem naturalmente essa rotatividade. No Brasil, a gente estima que essa taxa hoje seja perto de 6%, porque além dessa questão da rotatividade, e aqui no Brasil a rotatividade é um pouco maior, por seu economia um pouco menos dinâmica, podemos dizer assim, a gente tem questões estruturais também, a gente sabe que em determinadas regiões, mesmo quando se abre vaga, ou quando aquela pessoa se qualifica para trabalhar em algum determinado trabalho, não é exatamente as vagas que estão sendo geradas ali, então ela acaba ficando um pouco mais tempo fora do mercado de trabalho fora, né, de algum trabalho para poder buscar sua ocupação ideal, vamos dizer assim. Então nesse sentido, hoje a gente estima que seja perto de 6%, a gente estaria um pouquinho abaixo desse pleno emprego. Isso então é um cenário positivo, claro, mas assinais a pontos de atenção nesse pleno emprego? A ponto de atenção, quando a gente vê uma economia, quando a gente vê, por exemplo, aqui no Brasil, se a gente permanecer com uma taxa de desemprego, muito abaixo do pleno emprego, isso pode gerar um risco de inflação no segundo momento. Quando a gente observe esse dado, né, poste por que que não pode todo mundo estar trabalhando? Por que que não se crie emprego para todo mundo trabalhar agora e resolver essa questão da taxa de desemprego? Porque se a gente gera mais vagas do que o crescimento de produtividade, isso vira um problema. Então por exemplo, se a gente tem hoje uma empresa que tem sem funcionários e ela precisa aumentar, né, ela precisa talvez substituir um funcionário, ela busca algum tipo de trabalhador fora. A economia já está no seu pleno emprego, já está aquecida, a mão de obra está escasse, se não consegue contratar um trabalhador igual aquele que está saindo pelo mesmo preço, você sobe esse valor. Então se aumenta o salário dessa pessoa que vai entrar, mas ela acaba entregando a mesma coisa que o trabalhador anterior que recebi um pouco menos. Então você tem um ganho de renda, né, economia, ou seja, tem mais gente recebendo mais salários, mas você não tem o mesmo de ganho de produtos, gente valor, entregue para economia de volta. Então isso acaba gerando um aumento ali de inflação, porque tem mais gente podendo consumir e isso faz com que esse, os preços acabem aumentando no segundo momento. Então nesse sentido, por isso que é um pouco, é um alerta que se tem, quando a gente está muito abaixo do pleno emprego, para um período muito grande. Nesse momento do Brasil, a tendência que a gente se aproxime desse pleno emprego ao longo de 2016, e aí a gente chega mais perto desse equilíbrio da economia com mercado de trabalho. Então não chega agora a ser um problema muito grande, mas isso é algo que o bom que o central fica de olho, porque ele pode acabar tendo que intervide alguma maneira para poder fazer com que essa taxa se aproxime desse pleno emprego. Você já viu outros momentos parecidos com um este no Brasil, já vivenciou? É, a gente observa ali no início desse século, né, a gente vê uma economia que ainda estava muito aquecida, só que a gente não tinha uma redução tão grande da taxa de desocupação, nessa taxa de desemprego. O que a gente tem visto nos últimos anos, é que essa taxa que a gente chegou agora no final de 2025, é a menor da série histórica que o BGE divulga. Essa é uma pesquisa que o BGE, né, a taxa de desemprego, o BGE divulga dados desde 2012, mas existiu algumas variáveis antes disso, que a gente pode fazer alguns exercícios para tentar reconstruir. E o que a gente observa é que essa taxa de desemprego atual de 5,6%, ela é menor e muito tempo. Alguns exercícios indicam que a gente só vê uma taxa de desemprego baixa nesse, nesse patamar, lá para a década de 60, a década de 70. Bom, eu quero olhar agora para esse efeito, né, de um mercado de trabalho super aquecido para o empresário. O empresário, ele olha para o mercado de trabalho e normalmente ele vem reclamando da isca 6 de mão de obra, quer entender o que está acontecendo. Está faltando mais trabalhador o que que as empresas estão fazendo ou tendo que fazer, muitas estão se virando nos trinta para preencher determinadas vagas de trabalho, postos de trabalho. Faz um diagnóstico para a gente, por favor. Então esse é um sinal bem claro de uma economia que é sido de um mercado de trabalho que é sido, né, quando a gente vê, a gente vê uma pesquisa agora, nossa, do Ibre, da FGV, no final de 2025, a gente vê o que 6 em cada 10 empresas reclamam. De dificuldade de contratação ou de reter aquela mão de obra que ela tem dentro da empresa. Então essa dificuldade, essa esca 6 bom de obra que a gente vê na economia é um retrato bem claro de um mercado de trabalho muito aquecido. Isso acaba sendo uma dificuldade para a empresa, porque para ela pensar em crescimento, para ela pensar em evoluir um pouco mais e produzir um pouco mais, ela precisa contratar pessoas muitas vezes qualificados, que tem algum tipo, né, de habilidade para que ela vaga, ela está abrindo. E com essa dificuldade, ela acaba limitando o crescimento dela, ou ela tendo que oferecer mais benefícios e mais salários, que é o caso que a gente viu muitas das empresas da nossa pesquisa reportando isso, que estão oferecendo mais benefícios, que estão oferecendo mais salários para contratar aquele trabalhador. Isso, por determinado momento, pode não ser um grande problema, mas como a gente já falou esse crescimento muito grande dos salários, se não via acompanhado de uma produtividade, ou seja, de uma entrega maior também, isso pode acabar gerando alguma inflação. A gente viu que algumas empresas também já estão falando, é, cerca de um quarto das empresas que estão com essa dificuldade, falando que tem que repassar os preços pro produtio final. Eles pensam que se elas estão aumentando o custo dela, elas vão ter que passar ali para produtio final, isso acaba chegando no consumidor também, nesse sentido que a gente tem visto isso, que é uma barreira muito grande, a gente vê no ser toda construção, de serviços, de comérceis, especialmente, são os que mais reclamaram disso, que mais apontaram essas cassês, e quais são as atitudes que elas estão tomando, né, muitas vezes qualificado dentro da empresa, mas também tendo que oferecer mais salários e mais benefícios. Aqui, salário de admissão no Brasil com base em dados do Cajede, era 1792, 2007, salário vai variando, agora está em 2013, 2004, crescendo em várias categorias em várias áreas, acima da inflação, então com esse salário de entrada, está maior do que estava comparado, e também está maior do que a inflação do período se for comparar, ainda Cajede, isso aqui sempre salário de admissão. Mais, 1880 reais, o crescimento 4,4%, tem crescimentos menores, restaurantes ali, está 1883,7%, e com o São Silvio ficou ali estar com o salário de 2,340, Bruno e Maison, economista do Afore Intelligence. Tem uma solução, um de assim fácil, né, para estes setores, se você quiser realmente atrair retetamento, ou havia salário, ou havia benefício também, você não funda cada senão um pouco a essa, um de assim, a segunda rodada, né, a segunda parte ali dos salários, né. Espero um pouquinho que eu já volto para continuar a minha conversa com Rodolfo Tobler. Isso nos leva a um cenário de maior equilíbrio entre o que, o empregador precisa, e o que o trabalhador quer, porque esse desencontro é um desencontro clássico, né. Ele está menor agora em razão desse cenário positivo do mercado de trabalho. Esse desequilíbrio diminui um pouco, porque muitas vezes o que acontece é que, olhando pro Brasil, a gente tem uma tarde desemprego mais elevada, muita gente procurando emprego, e aí o empregador acaba tendo um poder de barganho, ele acaba podendo tomar algumas decisões, reduzir alguns custos e acaba sobrando um pouco mais pro trabalhador. Quando a gente chega nesse momento de um mercado de trabalho mais aquecido, quem ganha um poder de barganho é o próprio trabalhador, porque ele acaba vendo que ele é uma mão de obra escassa, né, que ele está com um pouco mais de poder. Então se ele trabalha em determinado local e abre uma vaga da mesma vaga, da mesma atuação numa empresa vizinha, vamos dizer assim, ele pode negociar um salário mais alto, ele pode negociar mais benefícios. Então isso faz com que o trabalhador tenha um poder de escolha maior, as empresas quando as falam em aumentar benefícios não só benefícios de vale transporte, vale alimentação, mas também muitas vezes de cargarar, que é um debate que se tem bem recente, né, da questão de cargarado, 6 por 1, 4 por 2. Então isso tudo também acaba entrando nesse momento. Então isso faz com que o trabalhador tenha um poder de barganho mais alto, isso ajuda a equilibrar um pouco mais esses desejos dos produtos de empresário, dos donos de negócio, e também daquelas empresas. Então isso faz com que o trabalhador tenha um poder de barganho mais alto, isso ajuda a equilibrar um pouco mais esses desejos dos produtos de empresário, dos donos de negócio. Então isso também daquelas pessoas que estão entrando para trabalhar. E você acha que esse cenário de pleno emprego mais permanente pode facilitar uma mudança na legislação, ou seja, criar um ambiente mais favorável para a mudança dessa escala 6 por 1? Eu acho que sim, eu acho que esse já é um debate que está muito claro, né, a gente já tem vista acompanhando aí ao longo do último ano. Então isso tem muitas coisas que tem que ser vista, pensar em políticas públicas que sejam de fato eficiente, então como o governo pode entrar nesse debate para ajudar a promover de fato esse equilíbrio maior. Mas o que a gente já tem visto é que se já tenha até começado a acontecer. Algumas empresas acabam tendo que reduzir a sua própria cargarada oferecer vagas com uma cargarada um pouco mais reduzida, talvez não seja por 1, 5 por 2, para atrair aqueles trabalhadores. Aquelas empresas que já estão com dificuldade, que já estão com uma escacismo de obra, elas já começaram até ver isso, já ter começado a rever um pouco de como pode ser feito isso. O professora Duinsper Tatiana, a life in da escala 6 por 1, seria um migrado para escálas mais flexíveis, né, em comparação, por exemplo, 4 adicional 5 por 2, e também em comparação inclusive com a mais flexível ainda que é a 4 por 3. De maneira que você consiga ir equilibrar melhor períodos de trabalho, mas também com períodos de descanso do funcionário. E o que a gente tem hoje é que nos experimentos que são feitos com escalas mais flexíveis, 4 por 3, essas empresas que optaram por fazer essas experimentações, e isso está construindo em vários países do mundo, Brasil e Incluso, são pilotos ainda, mas ainda assim a gente já consegue ter, vamos dizer, alguns resultados preliminares. Os resultados preliminares mostram que não houve um impacto negativo em termos de produtividade, em termos de comprimento de prazos, em termos de capacidade de entrega, em termos de performance mesmo o reporte dessas empresas, que já dotaram uma escala mais flexível, é que as coisas funcionam bem em termos de entrega e produtividade, ela não foi negativamente impactada. Acho que a gente tem algumas questões do mercado de trabalho que a gente precisa avançar agora, acho que chegar nesse nível de desempreio que a gente chegou, que é baixo, é muito favorável, mas não quer dizer que a gente está com o melhor cenário do mercado de trabalho possível, a gente tem muitos desafios, tem muitas questões estruturais pra avançar, pensar em como a gente pode melhorar a qualidade do mercado de trabalho, acho que é um grande momento, quando a gente tem o mercado que é cedo, é justamente um momento pra se pensar em políticas públicas pra avançar isso, em questão de caguardar, em questão de redução de desigualdade, em questão de redução de informalidade, que também é muito alta no país, em como a gente consegue absorver essas pessoas que estão em trabalhos de plataforma, pra tentar formalizar de alguma maneira, então tem diversos assuntos que ajudam a falar um pouco mais sobre a qualidade do mercado de trabalho, que eu acredito que possa ser uma agenda agora a partir desse ano. Tem uma pesquisa de um colega teu do FGV Ibril, Daniel Duke, mostrando que a renda de um motorista, de aplicativo, por exemplo, é mais estável do que a renda de um trabalhador CLT, porque ele não enfrenta períodos longos de desemprego, sempre tem dinheiro entrando, claro, tem uma série de outras coisas que ele não tem, mas olhando só pra essa renda, você mencionava no começo do episódio que a economia mudou, porque entre outras coisas, porque encontrou um novo modelo pra absorver esses trabalhadores menos escolarizados. Eu queria te ouvir sobre o impacto disso, porque não me parece irrelevante ao contrário, me parece uma mudança muito elementar. Acho que aqui a gente tem sempre uma questão do copo meio cheio e copo meio vazio, né? Tudo no Brasil, Rodolfo, tudo no Brasil é isso, você comemora a redução do juro pelo Banco Central, mas é quando se olha pro copo de novo, a taxa ainda está muito alta. Você comemora que você tem uma situação de pleno emprego, mas tem o risco de impacto na inflação, ou seja, tudo no Brasil não dá para ser só feliz, você tem que ser feliz e tem o mais depois. A gente sempre tem uma cautela, acho que os economistas também têm de ser assim de trazer mais cautela ainda, mas quando a gente olha essa questão do trabalho, acho que o trabalho mais digital por aplicativos, a gente tem alguns efeitos positivos bem claros, acho que essa é uma das questões muito diretas, assim, é uma facilidade de entrar, de se conseguir um trabalho muito rápida, se não tem uma barreira ali, então podemos falar aqui como exemplo um trabalhador de transporte de passageiros. Ele se ele perder sua ocupação no dia, no dia seguinte ele pode baixar o aplicativo, tendo um carro, começar a fazer algum tipo de serviço, pode ter uma burocracia pequena, mas é um trabalho mais digital, ele pode conseguir atrair ali um tipo de trabalho, um tipo de remuneração, que muitas vezes é até acima da média da população, a gente tem essa possibilidade de trabalhador ter ali com uma chance de dar algum tipo de rendimento, que é até mais favorável. Eu começo às 8 da manhã e para só às 10 da noite. Tá bom, não tá ruim, se você pegar filme mesmo, no Brasil são mais de 1 milhão e 600 mil profissionais que trabalham para empresas de aplicativo como entregadores ou motoristas. É o que mostra a pesquisa feita pelo centro brasileiro de análise e planejamento e pela associação brasileira de mobilidade e tecnologia. Entre os motociclistas, a esmagadora maioria de homens, 97%. Os motoristas não ficam longe, 95% são do sexo masculino. A pesquisa também traçou o perfil étnico dos trabalhadores, nos aplicativos de delivery, mais de 2 terços são pretos ou pardos. Entre os motoristas, o índice é similar. Com relação a renda, perto de 80% dos entrevistados nas duas categorias, pertencem em as classes C ou inferiores. Deixa alguns estudos apontando que até a questão de entrega, né, os aplicativos de entrega de alimentos, né, que desses deliveries que hoje são febre no Brasil, principalmente nas principais capitais, pode ter ajudado a reduzir a criminalidade, porque muitas vezes, esses trabalhadores são jovens, são homens que estão entrando ali no mercado de trabalho e que estão deixando de entrar para alguma atividade lista, que geralmente é o mesmo perfil de pessoas. Então, as pessoas que têm às vezes uma escolaridade não estão elevada, que têm uma dificuldade de conseguir um trabalho, acabam encontrando ali e não precisam ir para uma atividade lista. Por outro lado, quando a gente olha o copo meio vazio, a gente tem alguns pontos. Primeiro que, muitas vezes, esse trabalhador, ele pode estar sendo sub-proventado. Pode ser uma pessoa que tem uma qualificação um pouco maior, que ela poderia estar fazendo alguns tipos de trabalho que gerasse algum renda maior para economia, que gerasse uma produtividade maior para economia. Então, a gente estaria sub-proventando essa mão de obra e estar impedindo o nosso crescimento mais de longo prazo, crescimento da nossa produtividade. Além disso, também, muitas vezes esses trabalhadores são aqueles trabalhadores que estão mais ligados à informalidade. Além de ser um trabalho muito das vezes, é um pouco menos produtivo, quando te olha para a economia como um todo, é um trabalho que as pessoas têm menos proteção social, que têm menos benefícios sociais. Então, fica um pouco mais vulneráveis. É um trabalho que traz uma certa vulnerabilidade e, se a gente pensar no longo prazo, pode ser um trabalho que é até, inclusive, seja que não tem direito ali uma aposentadoria, que não tem direito a um benefício, quando a pessoa chegar numa idade um pouco mais avançada. Então, isso vira até um problema pro governo para pensar, que é uma recadação que não está entrando agora e vai acabar se eu não custo, mas lá na frente. Então, nesse sentido, a gente tem esses copos, meio cheivos e meio vazios, né? É, esse é um drama, né? Primeiro porque a sociedade brasileira é bastante mediatista. Segundo, porque a gente vive um, a gente é fruto, né? De uma, de economia muito desigual, de um país muito desigual. Então, os trabalhadores de aplicativos hoje, que têm essa renda maior do que quem é SLT, não está se preocupando com a aposentadoria. E aí, eu te pergunto se, diante desse desafio imenso, porque a gente pode ter gerações sem direito a aposentadoria lá no futuro, se não seria o caso de repensar o nosso modelo, inclusive, o da SLT. Está ficando cada vez mais claro que é um momento de se repensar isso. Já se tem algumas agendas, né? A gente já viu, até no início desse governo alguma tentativa de conversas com os aplicativos, para ver como pode ser feito algum tipo de formalização dessas pessoas. É difícil, porque ainda não é uma classe que está se iniciando, né? Até para ter algum tipo de negociação, não é tão simples, mas é o momento de se pensar, porque todos essas transformações venha acontecendo e estão ficando cada vez mais claras. A gente já viu em estudos aqui também do Ibre que a gente faz uma pesquisa consultando pessoas para atender um pouco melhor a sedenâmica do mercado de trabalho. A gente foi atrás dos empreendedores para entender os motivos despeços de estar empreendendo, porque muitas vezes a gente acha que as pessoas estão indo para um empreendedorismo por uma necessidade. Perdeu seu trabalho, preciso de uma renda extra, vou empreender aqui para conseguir algum dinheiro. Mas o que a gente viu é que é um pouco dividido. Tem uma boa parte das pessoas que está indo para esse empreendedorismo, muito por esse lado imediatista que você mencionou. Então as pessoas querem ganhar um rendimento, querem ter uma flexibilidade do trabalho, querem ter uma independência maior e vem ali muitas vezes no empreendedorismo, uma chance mais rápida de ganhar um salário um pouco mais elevado, um rendimento um pouco mais elevado, do que talvez ficasse numa carreira um pouco mais, vamos dizer assim tradicional como a gente sempre teve ao longo das últimas décadas. Então tem essa diferença que já está bem claro que existe, não só nos empreendedores, mas até na informalidade. A gente tem visto que dentro da informalidade temos pessoas que estão lá porque querem, não é todo mundo estar lá por uma necessidade, porque teve algum problema. Então entender como pode captar esses trabalhadores informais, conseguir absorver eles de alguma maneira, para que se tem, pelo menos alguma previdência, para que se tem pelo menos algum tipo de recurso guardado ali para algum problema eventual. Então isso é muito importante repensar esse novo regime de trabalho, que não é mais aquela CLT tradicional, é muito importante para que a gente não tenha problemas estruturais lá na frente até agora, porque assim as pessoas que estão na informalidade são pessoas que não estão contribuindo, que poderiam contribuir. Então até uma questão de arrecadação para o próprio governo no momento atual. A gente viu agora esse crescimento do mercado de trabalho recent, muito puxado pelo emprego formal até a geração de vagas, foi vi em presa e tudo mais, mas a gente ainda tem hoje mais de 37% de pessoas do mercado de trabalho na informalidade. Se a gente olha alguns estados, especialmente ele por norte, mais da metade dos trabalhadores são informais. Então é um desafio muito grande, é uma desigualdade que a gente observa ainda muito grande, e isso vai acabar aumentando se a gente não pensa em um novo modelo. Pois é, lembrando todo mundo que nos ouve, que o imposto que a gente paga hoje, o que a gente contribui hoje, é o que está garantindo aposentadorias das pessoas que estão fora já, e que já saíram do mercado de trabalho. No momento em que for a nossa vez de se aposentar, talvez não tenha tanta gente assim contribuindo a ponto de termos aposentadorias. E assim, sucessivamente, isso vai passando de geração em geração, né, Rodolfo? Se não soma questão desse aumento da informalidade, que faz com que menos pessoas contribuam, a gente está passando também por uma questão demográfica, né? A gente está tendo um velecimento da nossa população, então a gente tem cada vez mais pessoas entrando nessa faixa de aposentadoria, que vão acabar recebendo esse benefício do NSS, de algum tipo de aposentadoria, e tem cada vez menos gente contribuindo, porque tem menos gente trabalhando. Está entrando cada vez menos gente no mercado de trabalho. A população jovem está diminuindo, as pessoas têm cada vez menos filhos, então o futuro é que a nossa população seja cada vez mais envelhecida, vamos dizer assim. Eu acho que repensar um pouco essa questão da informalidade, como a gente consegue trazer essas pessoas da informalidade para dentro, de algum tipo de emprego formal, algum tipo de contribuição, eu acho que é uma agenda que a gente não vai ter confusgindo os próximos anos, acho que vai ser realmente importante pensar nisso e pensar nesta nova relação de trabalho, não só mais aquela CLT antiga e tradicional. Rodolfo, muito obrigada pelos esclarecimentos, foi um prazer receber-lo aqui no assunto. Eu vi agradeço e estou aqui sempre aquele exposição para conversar, enfim, muito obrigada pelo convite. Este foi o assunto, pode caíste o diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Este episódio ou áudios da TV Cultura, comigo na equipe do assunto estão Luis Filipsilva, Amanda Polato, Sara Resende, Carlos Catelã e Luis Gabriel Franco. Colaborou neste episódio Paula Paiva Paula. Eu sou Natus Anérei e fico por aqui, até o próximo assunto. [MÚSICA DE FUNDO]
Podcast Summary
Key Points:
O mercado de trabalho brasileiro atingiu o menor nível de desemprego da história em 2025, com uma taxa de 5,6%, indicando um cenário de pleno emprego.
As empresas enfrentam escassez de mão de obra, o que aumenta o poder de barganha dos trabalhadores e força as companhias a oferecerem salários mais altos e benefícios atrativos, como flexibilidade de horários.
O crescimento econômico contínuo, mudanças estruturais (como a economia digital e de plataformas) e a rotatividade natural do mercado são fatores que explicam o aquecimento, mas também geram alertas sobre possíveis pressões inflacionárias.
Há um movimento em direção a modelos de trabalho mais flexíveis (como escalas 5x2 ou 4x3), que buscam equilibrar vida pessoal e profissional, sendo visto como um diferencial competitivo para atrair talentos.
Summary:
A transcrição discute a profunda transformação no mercado de trabalho brasileiro, que em 2025 atingiu a menor taxa de desemprego da série histórica (5,6%), configurando um cenário de pleno emprego. Este aquecimento é impulsionado por anos consecutivos de crescimento econômico, mesmo que moderado, e por mudanças estruturais, como a expansão da economia digital e de plataformas, que facilitam a recolocação profissional. Como consequência, as empresas, especialmente nos setores de comércio, serviços e construção civil, enfrentam grande dificuldade para contratar e reter funcionários.
Isso transferiu poder de barganha para os trabalhadores, que agora priorizam não apenas salários acima da média, mas também benefícios como vale-alimentação turbinado, convênios médicos e, sobretudo, flexibilidade — incluindo escalas mais curtas (como 5x2) e autonomia sobre o tempo. Este novo equilíbrio força os empregadores a repensarem modelos rígidos e a adotarem políticas mais atrativas. Embora positivo, o pleno emprego prolongado traz o alerta de que aumentos salariais não acompanhados por ganhos de produtividade podem gerar pressões inflacionárias no futuro.
O debate sobre a flexibilização da jornada de trabalho, com experiências de escalas como 4x3 mostrando resultados neutros ou positivos em produtividade, ganha força neste contexto de mercado competitivo e em busca de um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
FAQs
As empresas estão oferecendo bônus por pontualidade e indicações, vale-alimentação turbinado, salário acima da média, transporte fretado, folga no aniversário, escala 5x2, convênio médico e odontológico.
O mercado de trabalho está aquecido, com baixa taxa de desemprego (5,6% em 2025), o que torna a mão de obra mais escassa. Trabalhadores agora priorizam flexibilidade, benefícios e localização, não apenas o salário.
No Brasil, considera-se pleno emprego quando a taxa de desocupação está em torno de 6%. Isso não significa 100% de ocupação, pois há uma rotatividade natural no mercado, com pessoas em transição entre empregos.
O setor de serviços, que inclui comércio, bares, restaurantes, saúde e educação, foi o que mais contratou em 2025, ajudando a reduzir a taxa média de desemprego para 5,6%.
Com a mão de obra escassa, as empresas precisam oferecer salários e benefícios maiores para atrair trabalhadores. Se esse aumento não for acompanhado por ganhos de produtividade, pode gerar pressão inflacionária, pois os custos são repassados aos preços.
A flexibilidade, como a possibilidade de escolher horários, ter menos dias presenciais e mais autonomia, tornou-se mais atrativa do que a promessa de estabilidade. Modelos rígidos com jornadas fixas deixaram de ser o principal objetivo de muitos profissionais.
Chat with AI
Loading...
Pro features
Go deeper with this episode
Unlock creator-grade tools that turn any transcript into show notes and subtitle files.