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O horror das mulheres afegãs sob o Talibã

24m 20s

O horror das mulheres afegãs sob o Talibã

Este episódio aborda a brutal realidade das mulheres no Afeganistão sob o regime Talibã, que desde 2021 reverteu décadas de avanços em direitos humanos. O governo Talibã legalizou o casamento infantil, permitindo que meninas de 9 anos sejam casadas, com o silêncio da criança sendo considerado consentimento. As mulheres foram banidas da vida pública: não podem estudar, trabalhar, frequentar parques, academias ou viajar sem um tutor masculino. A jornalista Adriana Carranca explica que essas medidas transformam tradições tribais em lei, eliminando qualquer defesa legal. Ela relata histórias de meninas que, após 20 anos de oportunidades durante a ocupação americana, viram seus sonhos desmoronarem. Muitas fugiram, como a violoncelista Mina, que hoje estuda no exterior, mas a maioria permanece presa em casa, sem perspectivas. A comunidade internacional, especialmente os Estados Unidos, cortou ajuda humanitária, deixando essas mulheres sem apoio. O episódio alerta que direitos conquistados, como os das brasileiras em 1962, não são perenes e exigem vigilância constante para não serem perdidos.

Transcription

3700 Words, 21450 Characters

Portuguese
A gente liga no 29,8% do Brasil. Liga histórias, liga momentos, liga vida, distribuidoras de energia. A gente liga o Brasil. Antes de começar um aviso, este episódio contém descrição de violência contra mulher. Se você é ou conhece alguém que a vítima procure ajuda, liga em 180, a central de atendimento à mulher, a ligação gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. Em 1962, a sociedade brasileira fez um movimento que parece simples, mas que na prática transformou a vida das mulheres. Além de 4.121 de autonomia financeira, garantiu voz na guarda dos filhos e assegurou direito ao voto sem depender de ninguém. Foi um passo que colocou as brasileiras dentro da própria vida. Mas isso tudo isso desaparece se amanhã. E se de um dia para o outro, essas portas se fechassem de novo. Isso já aconteceu antes. Não foi aqui. Mas é uma história bem recente, a gosto de 2021. Os moradores do Afeganistão acordaram com uma nova realidade no país. Porque depois de 20 anos, o país agora não tem mais o domínio americano e passou a ser integralmente comandado pelo Taliban. Antes do Taliban, nas grandes cidades do Afeganistão, mulheres em uma universidade trabalhavam e ocupavam cargos públicos. Desde 1965, as Afegans pudiam votar. Todos esses direitos estão sendo apagados, linha por linha. O golpe mais recente é tão brutal que parece inacreditável. O Taliban legalizou o casamento infantil. Agora, meninas de 9 anos podem se casar. E ainda pior do que parece. Durante a cerimônia, para consentir com esse absurdo, basta o silêncio da criança, que no texto da lei é chamada de Virgem. Não de criança. Tudo isso está em um documento oficial, chamado de princípios de separação entre congis escrito pelo Taliban. O Taliban, basicamente, conseguiu destruir em um ano avanços em direitos humanos que os Afegans levaram duas décadas para conquistar. Com todas as limitações que enfrentam as meninas e as mulheres, metade da população do país se tornou excluída. Quando dezenas de mulheres desafiaram a proibição e foram as ruas de cabul protestar, elas pedem pão, trabalho e liberdade. Mas em poucos minutos recebem esse tratamento da polícia Taliban. Tire os pro alto e violência. Nós fará um saber! Ao redor do mundo, especialistas têm usado outra palavra para essa mudança. Legalização do estupro infantil. Hòriamos a DIC, ativista afegante direitos humanos, disse o jornal britânico de Times, que este é mais um exemplo de atrocidade do Taliban. No exagero, mesmo que haja crueldade contra a esposa, mesmo que ela seja vendida, isso não basta para um divorço. E tudo isso acontece em um país onde as mulheres já foram proibidas de frequentar escola secundárias, universidades, parques, academia, salões de beleza, e até de viajar sem um tutor masculino. Beneste se lembra bem do que sentiu, quando se tornou juíza, um país passando por tantas mudanças. Foi a sensação no mais maravilhosa que tive na vida. Fomos a primeira geração, mas agora acho que tudo acabou. Nosso escolas foram fechadas para as meninas depois da sétima série e também as universidades estão fechadas. Na vitória do Taliban, as mulheres são as grandes derrotadas. A tragédia que as afegãs vivem nos lembra que direitos humanos, como as nossas conquistas em 62, não são perenes. E que a vigilância constante é necessária para a sua manutenção. Da redação do G1, eu sou Natus Anéri, e o assunto hoje é o horror das meninas afegãs sobre o Taliban. Neste episódio, converso com a jornalista escritora Drana Carranca, ela foi correspondente em internacional em países da África e da Ásia e tem livros publicados sobre o Irã e o Afeganistão. sexta-feira, 22 de maio. Adriana, a gente vai ter uma conversa sobre algo que mais parece uma distopia ou um filme tenebroso de terror, mas que, infelizmente, é a realidade. Desde 2021, os direitos das mulheres afegãs foram simplesmente demolidos pelo Taliban. Só que nas últimas semanas a situação piorou ainda mais, se é que isso era possível. Explica para a gente o que está acontecendo? No afeganistão, tradicionalmente, pelo código pastunque, vamos lembrar, é um código tribal, lá de 4 mil anos atrás. As mulheres são consideradas propriedade do homem. A mulher na afeganistão, ela não é herda, o que o marido tinha. Ela é herda junto com o que ele tinha. Ela é herda pela família dele, junto com a casa, com os animais, com a terra, com o que que ele tivesse. Muitas vezes elas são obrigadas a se casar com o irmão do marido que morreu. Então, o que que acontece agora? Era muito comum já o casamento nas as onas curais, casamento infantil. Muitas vezes, na turza, as meninas são dadas como prêmios de esputas entre famílias. Então, existe uma disputa por terra, ou isso aqui, no entrefamilhas, e no acordo entre essas famílias, uma delas concordem da a outra. 5 animais, uma menina virgem e tanto em dinheiro. Ela é considerada uma coisa, né, Adriana? Uma coisa, uma posse, uma tósaque, uma terra, como os animais, como a casa, como tudo que é do homem. O que que é pior agora? Eles são transformando essa, que é uma tradição milenar que em outros países já existiu coisas medievais que mudaram depois, eles são transformando em simleim. Uma vez que se torna ler, essas meninas que tiveram acesso ao universidade que tem contato com pessoas fora do país, elas não têm mais como nutar contra isso, né? Se o casamento infantil agora é lei, elas não têm mais a quem recorrer. Nenhum ativista vai poder contestar isso, dar uma tradução, e se eles tivessem mantido a constituição de 2004, que foi a primeira aprovada depois da invasão dos Estados Unidos e com a anuência dos Estados Unidos, ainda haveria uma brecha para você contestar tradições com base na lei, mas eles estão transformando as que era a tradição passada de gerações para gerações muito verdesoralmente, eles estão transformando tudo isso em lei. Então, desde que eles tomaram o poder, eles transformaram em lei 250 novas emendas e decretos e desce 157, especificamente restringindo direitos das meninas e das mulheres. Você tem ideia de como essa nova forma da lei bateu para as mulheres lá? Ela já imaginava isso, já era assim como tradição, mas hoje elas não têm mais os mecanismos de defesa legais, porque essas tradições milenárias, tribais, brutais, que eu estava libanjar em punha, se transformaram em lei. E elas se casam até por proteção, se casam às vezes o pai, as obrigas se casar com alguém que ele escolhe para que elas não sofram a sede do Taliban, e elas vão sair de casa, essa é a realidade do Afeganistão hoje. Queria dar uns passos para trás contigo para entender a realidade das mulheres no Afeganistão. Você que estuda esse tema, cobre ele, conversa com fonte, já escreveu um livro sobre o Afeganistão, conta para a gente, Adriana, como era a vida das Afeganas antes do primeiro governo, tal e ban. O Afeganistão é um lugar de passagem. São tem uma história que vai mais de 4 mil anos, e aquela população vem ao longo desse tempo, sofrendo uma série de invasões, as mais recentes na história moderna, começaram com a invasão da União Soviética no Natal de 1979. Soviéticos ocuparam a Afeganistão por 10 anos, e por isso os Estados Unidos durante esses 10 anos, da invasão soviética armaram e treinaram várias milícias. O Afeganistão é um país que é dividido em itemias. E os Estados Unidos, na época com apoio logístico de Osama Bin Laden, que na época era um parceiro, um aliado dos Estados Unidos, nessa missão contra a invasão dos soviéticos. Uma Bin Laden foi indicada como responsável pelo pior atentado, sofrido pelos Estados Unidos, eu estou falando do ataque a as torregemes de Nova I, que no dia 11 de setembro de 2000. E o que eles fizeram? Depois que os soviéticos se retiraram, em 1989, os Estados Unidos também se retiraram, perderam o interesse no Afeganistão. E o país caiu numa guerra civil, que foi um dos períodos mais violentos, da história do Afeganistão, e que deu então espaço para a emergência do Taliban. Quem são os Taliban? Talibas significa estudante. Eles eram jovens, principalmente de zonas curais, o Molaumar, que foi o fundador do grupo, ele era na Alfa Beto, ele cresceu numa madrasa, que é uma escola religiosa. Essas madrasas também tinham o papel com o apoio da rabia saudita, os alma Bin Laden, etc., de treinar militarmente essas crianças. Então entrevistei vários Taliban que quando criança foram entregues por essas famílias a essas madrasas, e cresceram aprendendo nada além de religião e de estratégia militar e uso de armas. Quando eles emergem, porque se a Imaginófega e a Nistão estavam numa grande sangrenta guerra civil, entre 7 facções, que tinham sido armadas pelos Estados Unidos e que brigavam entre si pelo poder, tá ali, a gente ou poder prometendo ordem que era o que todos afegamos queriam. Então naquela época eles olhavam para esse grupo como puxação jovens religiosos que querem a paz e a ordem. Eles tassenderam ao poder com grande parte de apoio da população, só que eles eram pessoas extremamente religiosas que só haviam aprendido a lutar e que viveram realmente foram para a guerra e lutaram ainda criança contra os soviéticos e que não tinham crescido na tusa com nenhum contato com mulheres. E as madrassem são só para meninos. Então as meninas durante a guerra civil foram para dentro de casa porque era muito perigoso sair ou se refugiaram e os meninos cresceram lutando. Então essa é a background na que permite a ascensão de um grupo como talibã. E eles simplesmente não sabiam o que fazer. É preciso entender também na tusa que o afeganistão é um país extremamente tribal. Tem o seu próprio código de onra, código de conduta. É que se misturou com o esla quando o esla conquista aquela região. E ele é muito mais restritivo as mulheres até mesmo do que as leis islâmicas. E o que acontece com a mulher afegã nesse primeiro governo talibã que vai de 96 a 2001? Elas são banidas da vida pública. É isso que acontece. Elas são proibidas de pré-escola, elas são proibidas de trabalhar. A música é proibida, os esportes são proibidos, um lá o mar só permitinha. Eventualmente jogos de futebol. Isso me benefició muito porque o Brasil é muito querido. Então muitas das entrevistas que eu consegui contar o talibã foi conversando uma conversa sobre futebol e entradas em lugares quando eu entrei na casa da Malala que estava cercada pelo exército. Malala já não estava lá, estava em coma. A libã controlava a área e proibia o acesso de meninas à escola. Malala desafiou essa ordem e denunciou publicamente os extremistas. Um dia, quando voltava da escola, dois militantes do talibã abalearam na cabeça. Ela foi levada para a Inglaterra. Foi conversando sobre futebol, como lá o Margo Gustava de futebol, então ele permitia eventualmente partidos de futebol. E eu buscassei que é um esporte nacional que foi levado ao afeganista pra você ver como eles são medievais. Eu assisti uma partida dessa, desse esporte, na casa do vice-presidente do afeganista na época, que era da Itimia Tajik, o Marxal Farim. E são vários tibes que disputam a carcaça de uma cabra sem cabeça, que é de catada no campo, é uma arena, os jogadores jogam sobre cavalos, é um esporte medieval e era forma como gente descantreinava esses escalaleiros pra lutar e pra proteger as suas terras nas montanhas. Uma dúvida me surgiu. Você, uma mulher, não teve nenhum problema de assistir a essa partida na casa do vice-presidente? Eu era a única e fui acompanhada pelo tradutor, né, a insistir pra ele, me levar, ele até comentou, mas nunca vai mulher, não tem mulher, mas eu queria tentar. Não tive problema, fui até bem recebido, teve um momento que o tradutor foi tirar umas fotos pra mim, assim, que eu estava tentando ficar num canto, que as pessoas não me viciam muito, um soldado veio com uma arma, assim apontou a arma pra mim, mas ele estava tentando me levar pra um outro lugar onde eles me ofereceram uma cadeira, porque os homens todos estavam sentados umas arquibancadas de pedra, eu me ofereceu uma cadeira, eu era a única mulher, só via homens ali, de fato, como estrangeira, a natuza, a gente tinha certas regalias, e eu fui obviamente não durante o período do talibão, mas durante depois da invasão americana. Espero um pouquinho que eu já volto pra falar com a adrenal carranca. A gente chega em 2001, o que acontece então? Em 2001, há 11 de setembro, e a notícia que se tinha que usar a minha bem-lada, estava abrigado, uma afeganistão. Os Estados Unidos invaden ao afeganistão em outubro, bem-lada em fógear pra o Paquistão, assim como praticamente toda a Cúpula do Talibã, então começa uma nova era, que tem a desperança na natuza, quando os Estados Unidos entram no afeganistão, com os afegãos celebram com festa na rua em casa, eu tenho amigos que tiveram festa mesmo, com bolo, assim, comemorando realmente a entrada do que está dos Estados Unidos. Só que os Estados Unidos ficam 20 anos no país, já a partir de 2003, as tropas americanas, né, e o governo se distrai em com iráque, eles invadenham o iráque, então eles se dividem em a entre-afeganistão e iráque, muito em grande parte acreditando, que o Talibã estava vencido, os Talibãs, os pastuns, né, que é a itinia do Talibã, fogem pra as montanhas e aguardam um momento certo pra retomar o poder. E aí, em vado nisso, ficam 20 anos mais focam seus investimentos, e principalmente na luta militar, na parte de defesa, na parte militar, se esquecem da parte de desenvolvimento, de educação. Então, muda muita coisa, porque as crianças, as meninas voltam pra escola, né, e essa foi a grande mudança, realmente, da entrada dos Estados Unidos. A maior mudança foi pra as meninas, pra as mulheres, e principalmente as meninas, tiveram a oportunidade de ir pra escola, né, nesses 20 anos, e elas agarraram essa oportunidade natusa, assim, comunhas e dentes. Era muito bonito e emocionante ver a dedicação das meninas afegãs, um dos meus livros, ou entre sonhos e bragões, é baseado na história de três histórias reais, né, uma que se tornou a primeira afegã a disputar um campeonato mundial de box feminino, representando a afegana estão, depois a chance que foi a primeira grafiteira, a primeira artista de rua afrigã, que hoje se tornou uma grande, a artista plástica moring Los Angeles, e depois a mina, que era que eu conheci com 8 oninhos ainda, pequenininho, aprendendo o instrumento musical, se tornou uma grande violoncelista, e precisou quando o talibar retomo o poder em 2021 ela foge, e hoje ela está cursando hardware de natusa. E a partir de 2021, os direitos das mulheres foram demolidos por lá, e aí nas últimas semanas a situação ficou ainda pior, ela já era tenebrosa, e ela ficou ainda pior. E aí o documento Adriana, princípios da separação entre conguges, formaliza em lei. Com princípios, eles representam uma escalada real de perda esses direitos em relação à mulher e a infância também. Principalmente, na tuta, para essas meninas que durante esses 20 anos da opação americana, elas migram para os grandes centros urbanos, que eram onde a vista, transjeros, e elas se formam, vão para a escola, e de repente o sonho acaba. E quando o talibar retorna, porque houve uma negociação novo nem guerra, o talibar resistiu por 20 anos, com atentados terroristas, fazendo atentados contra bases militares americanas, muitas vezes contra as civis também, e então chega 20 anos, depois os Estados Unidos resolvem que bom, já matamos o bin Laden, o bin Laden nem estava no Afeganistão, os Estados Unidos resolvem se retirar e começam essa retirada a partir de 2014, e já venci deteriorando, aí os Afegan já temia, já achavam que o talibar ia voltar. E aí há um acordo de fato, como talibar, em que no dia do prazo final, para que os Estados Unidos retirassem as suas tropas, o talibar aparece na entrada de Kabul e marcha, vitorioso, até o Palácio Presidencial, é uma cena medieval também, eles entram como triunfo, eles praticamente desfilam por Kabul, eles já tinham tomado outras duas grandes cidades, e aí imediatamente quando eles tomam um poder, eles proibem as meninas de pré-escola. São centenas de mulheres que têm ido às ruas, pra pedir que os direitos sejam preservados, educação, trabalho, posições no governo, eu lembro que até quatro semanas atrás, as mulheres ocupavam, acentos no governo do Afeganistão, mas esse governo já não existe mais, o presidente Ghani fugiu do país, quando talibar em Vadil, a capital Kabul, toma conta do país inteiro, assume o controle do país, vocês a gente destacar o primeiro lugar à coragem das suas mulheres, que agora estão indo pra rua fazer essas reventificações, e também que o mundo em 2021 não é o mesmo que em 96, no mundo todas as mulheres passaram a ocupar mais as passas de poder, no Afeganistão esse desejo não é diferente, claro que lá o risco é muito maior. Então, as meninas que em 2021, tinham 12 anos, até hoje elas estão sem escola, elas banem as mulheres das universidades, depois logo em seguida do mercado de trabalho com algumas exceções, que eram organizações humanitárias, internacionais que continuavam no Afeganistão, mas eles recentemente baniram também as mulheres dos empregos na ONU, e em organizações como internação da cruz vermelha, eles baniram as mulheres de parques, academias, clubes, baniram os esportes, escola de música, as mulheres não podem sair mais sem um estarem acompanhados de um homem da família, não podem viajar, então praticamente tudo que era antes voltou, como se esses 20 anos não tivessem existido, na turza. Agora, como a experiência que você tem, você que entrevistou mulheres afegãs, mães afegãs, estudantes afegãs? Qual é o tamanho desse trauma, para essas famílias, para essas meninas? Eu queria que você. e ilustrar-se isso pra gente. - Desesperador, a maioria das pessoas que eu conhecia se refugiaram. Só que claro, se tornou muito mais difícil, porque os talibãs voltaram ao poder. E a mina, naquele dia que eles voltaram, liguei pra ela, e ela chorava, ela nunca mais oupedeça a casa. A minha vida acabou. Um mês depois, com a ajuda de algumas pessoas, ela conseguiu fugir com a ajuda de coiotes, que isso existe também lá. E depois, no Paquistão, ela foi resgatada. É muito emocionante a história dela na atusa, porque ela tinha 15 anos. E o pai dela falou pra ela, filha. Se você resolver embora, eu te dou a minha benção. Eles nunca vão aprovar que a família inteira migre. Na era a única que tinha ido pra escola, que tinha seguido uma carreira em música, e ele falou. A decisão é sua, mas se você ficar, você precisa saber que nunca mais, você vai sair do acaigana e estão. E eu vou precisar acedir as regras do talibã. Então ele tava querendo dizer até que assim, se você ficar, eu vou ter que casar você, porque não é aceito mulheres com essa idade vela que não estejam casados. E ela decide o fugir. Hoje ela vai estudar um dinharvado. Você conversou com alguma dessas mulheres com quem você tinha contato sobre o que está acontecendo neste momento? Mulheres no Afederestão foram banhidas da vida pública. Ela não podem ir pra escola, não podem mais trabalhar. Ela não podem ir a parques, nem clubes, nem fazer esporte, nem frequentar academia. E ela só podem sair pra ir a coisas como supermercado, como mercadinho ali se elas tiverem na presença de um homem da família. Então elas passam a maior parte do tempo, em casa. É um pavor real na tusa. Real. Então as mulheres que ficaram pra trás, elas estão em casa. Elas têm feito protestos silenciosos, elas têm feito protestos em que elas se filmam, cantando, sob a burca, mas é muito difícil hoje. Não tem quem lute, nem por elas, e nem elas podem lutar pelas crianças que vão ser obrigadas a se casar aos nove anos de idade. A Comunidade Internacional abandonou essas meninas. Nos Estados Unidos cortou toda a assistência profedeira. Estamos agora em março. Já vinha de diminuir e cortou agora em março. Por muitos anos, nos Estados Unidos e os países europeus usavam a ajuda humanitária como moeda de troca para liberdades, como democracia, direitos humanos, direitos das mulheres. Então se fazia, olha, eu te dou essa ajuda, mas você precisa deixar as meninas ir em pra escola. Depois da morte do Bin Laden, quando Estados Unidos resolve sair do afedemistão, não há mais isso. O Taliban, nenhum país reconheceu o Taliban como um governo oficial. E a gente entende que, claro, é uma forma de fazer pressão, mas ao mesmo tempo é a população que sofre porque a população tá completamente abandonada e não tem nenhum país, fazendo essa moeda de troca com o Taliban, na troca de benefícios, de direitos humanos e direitos principalmente das meninas e mulheres. Nossa, Adriana, é impactante de ouvir. Primeiro pelo seu recorre histórico e segundo pelo estado de coisas e o abandôno absoluto dessas crianças, dessas meninas e mulheres e eu te agradeço profundamente por ter topado conversar com a gente sobre esse assunto. Eu te agradeço pela oportunidade de falar aqui sobre as afegas que moram no meu coração. Este foi o assunto, pode ter que este diário disponível no G1, no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo, na equipe do assunto, estão Luis Felipe Silva, Sara Resende, Carlos Catele, Luis Gabriel Franco, Juliana Morete, Stefani Nascimento e Guilherme Gama. Eu sou Natus Anére, e fico por aqui. Até o próximo assunto. A tecnologia Precision Core. Você não vai querer continuar usando impressoras com toner. Vai, saiba mais em appson.com.br/tonerfree. A gente mativa as ações ambasiadas em dados internos e de terceiros.

Podcast Summary

Key Points:

  1. - Em 1962, o Brasil garantiu autonomia financeira e direitos de guarda e voto às mulheres, mas esses avanços não são permanentes. - No Afeganistão, o Talibã, desde 2021, vem demolindo direitos das mulheres, culminando na legalização do casamento infantil a partir dos 9 anos. - A lei do Talibã trata meninas como propriedade, permitindo casamento forçado sem necessidade de consentimento, apenas o silêncio da "virgem". - Mulheres afegãs foram proibidas de estudar, trabalhar, frequentar espaços públicos e viajar sem tutor masculino. - A jornalista Adriana Carranca descreve o trauma de meninas que perderam o acesso à educação e ao futuro, com muitas fugindo do país. - O Talibã transformou tradições tribais em leis, eliminando qualquer recurso legal para contestar abusos. - A comunidade internacional reduziu ajuda humanitária, abandonando as mulheres afegãs à própria sorte.

Summary:

Este episódio aborda a brutal realidade das mulheres no Afeganistão sob o regime Talibã, que desde 2021 reverteu décadas de avanços em direitos humanos. O governo Talibã legalizou o casamento infantil, permitindo que meninas de 9 anos sejam casadas, com o silêncio da criança sendo considerado consentimento. As mulheres foram banidas da vida pública: não podem estudar, trabalhar, frequentar parques, academias ou viajar sem um tutor masculino.

A jornalista Adriana Carranca explica que essas medidas transformam tradições tribais em lei, eliminando qualquer defesa legal. Ela relata histórias de meninas que, após 20 anos de oportunidades durante a ocupação americana, viram seus sonhos desmoronarem. Muitas fugiram, como a violoncelista Mina, que hoje estuda no exterior, mas a maioria permanece presa em casa, sem perspectivas.

A comunidade internacional, especialmente os Estados Unidos, cortou ajuda humanitária, deixando essas mulheres sem apoio. O episódio alerta que direitos conquistados, como os das brasileiras em 1962, não são perenes e exigem vigilância constante para não serem perdidos.

FAQs

Desde 2021, o Taliban demoliu direitos das mulheres, proibindo-as de escolas, universidades, trabalho, parques, academias e esportes, além de restringir viagens sem tutor masculino.

É um documento oficial que legaliza o casamento infantil, permitindo que meninas de 9 anos se casem, e considera o silêncio da criança como consentimento, chamando-a de 'virgem'.

Antes do Taliban, as mulheres podiam votar desde 1965, estudar em universidades e trabalhar em cargos públicos, mas após a invasão soviética e a guerra civil, seus direitos foram gradualmente restringidos.

O Taliban transformou tradições tribais em lei, considerando mulheres como propriedade, e o casamento infantil agora é legal, sem mecanismos de defesa para as meninas.

Muitas protestaram nas ruas de Cabul pedindo pão, trabalho e liberdade, mas foram recebidas com violência pela polícia Taliban, e agora fazem protestos silenciosos em casa.

Após a invasão dos EUA em 2001, as meninas voltaram à escola e ganharam oportunidades, mas o foco militar e a falta de desenvolvimento permitiram que o Taliban retomasse o poder em 2021.

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