O golpismo e o risco diplomático na fuga de Flávio Bolsonaro
from Café da Manhã
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A transcrição detalha a fuga cinematográfica de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após a derrota eleitoral. O senador passou a maior parte de terça-feira no Brasil enquanto aliados espalhavam versões falsas sobre seu paradeiro para despistar a imprensa e as autoridades. Só à noite cruzou a fronteira terrestre em Foz do Iguaçu, apresentando passaporte italiano na Argentina. O jato particular decolou de Porto Iguaçu às 23h30, desviou da rota para evitar o espaço aéreo brasileiro, reabasteceu no Equador e pousou em Miami na manhã seguinte. Flávio entrou nos EUA com passaporte diplomático e registro humanitário de um ano, descumprindo determinação de Alexandre de Moraes que o proibia de sair do país. O avião pertence a empresa cujo dono é investigado por lavagem de dinheiro na Argentina. Já em solo americano, Flávio divulgou carta golpista autodenominando-se "verdadeiro presidente eleito", com versões corrigidas após erros grosseiros. O professor Guilherme Casarões analisa que a reação diplomática brasileira será limitada, pois não há crime aparente nem mandado de prisão, e que pressionar Argentina, Equador e EUA pode ser contraproducente. A fuga reforça a narrativa de perseguição política, insere Flávio na rede transnacional de extrema direita e pode contaminar as relações Brasil-EUA no médio prazo, embora Trump tenha interesse pragmático em manter o diálogo.
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Detalhes da fuga cinematográfica de Flávio Bolsonaro
Ao vivo, às 10:00 31 minutos, o desembarque do candidato que perdeu a eleição no Brasil, recebeu quase 60000000 de votos e fugiu para os Estados Unidos.
Flávio Bolsonaro, a esposa, acompanhado também das 2 filhas, desembarcando nos Estados Unidos.
0:25
Pessoa 2
O plano de fuga teve um que cinematográfico.
Incluiu versões plantadas por aliados ao longo de toda a terça-feira.
0:34
Pessoa 3
A verdade sobre o paradeiro de Flávio Bolsonaro se manteve nebulosa e o que auxiliares do candidato derrotado à presidência diziam era que ele tinha chegado aos Estados Unidos na tarde de terça, como a gente contou aqui no café.
0:48
Pessoa 2
Enquanto os aliados disseminavam isso como fato, Flávio Bolsonaro passou a terça-feira no Brasil.
Segundo o governo argentino, ele só entrou no país para ir em direção aos Estados Unidos no final da noite.
1:01
Pessoa 4
A Argentina, por meio de seu governo serviço de imigração, diz que Flávio Bolsonaro entrou no país na noite de terça-feira.
E voou com destino ao Equador, Flávio Bolsonaro cruzou a ponte Internacional Tancredo Neves, que faz a ligação, né?
1:18
Ali, entre Oo estado do Paraná, Foz do Iguaçu a Puerto Iguaçu, a província de missiones.
1:25
Pessoa 3
A folha contou que Flávio Bolsonaro, a mulher e as 2 filhas não teriam passado por nenhum posto de controle da polícia federal ao sair do Brasil.
Essa exigência não existe quando brasileiros cruzam pela Fronteira terrestre.
Na entrada da Argentina, o senador apresentou o passaporte italiano.
1:42
Pessoa 2
O avião em Porto Iguaçu era o mesmo que tinha Aparecido no noticiário na terça e que levou à especulação da fuga com a família a bordo, o jatinho saiu da Argentina às 11:30 da noite e desviou a rota para não passar pelo espaço aéreo brasileiro e evitar uma intercetação da força aérea.
2:01
O avião fez uma parada no Equador para reabastecer e decolou de novo às 6 da manhã de ontem, antes de chegar a Miami às 10 e 20, pelo horário de Brasília.
2:13
Pessoa 3
O senador usou o passaporte diplomático brasileiro para entrar nos Estados Unidos, como mostra o registro do governo americano.
Esse documento deveria ter sido entregue às autoridades brasileiras.
De acordo com a determinação da PF, Flávio descumpriu as medidas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.
2:31
Que o proibiam de sair do país?
2:33
Pessoa 2
O avião usado na fuga, um jato particular de luxo, é operado pela bytesfly, empresa citada em um esquema de corrupção na Argentina.
2:42
Pessoa 5
Esse empresário que forneceu o jato, Sérgio Daniel mastro Pietro, que é investigado na Argentina por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro.
Desviado da agência nacional de deficiência do governo Javier milei, esse empresário, o mastro Pietro, teria participado de um esquema de desvio de algo como 27000000 de reais.
3:06
A irmã do ravier, milei, também está acusada nesse esquema.
3:09
Pessoa 3
Ao desembarcar em Miami, Flávio Bolsonaro e a família foram escoltados por agentes de segurança.
3:15
Flávio Bolsonaro e a carta golpista nos EUA
Na terça-feira, o departamento de estado americano já tinha dito que concederia vistos para família.
A entrada foi com um registro humanitário, que autoriza a permanência por 1 ano.
3:25
Pessoa 2
Donald Trump afirmou que aprovaria a entrada do bolsonarista nos Estados Unidos.
Ele disse, abre aspas, são pessoas decentes e as eleições foram estranhas.
Então, por mim, tudo bem, fecha aspas.
Trump tem ecoado suspeitas sobre a Vitória de Lula sem provas e repetido que não tomou partido.
3:45
Pessoa 3
Ontem à tarde, o blogueiro Paulo Figueiredo, aliado da família Bolsonaro, escreveu nas redes sociais que Flávio estava bem e que o senador deve dar uma entrevista coletiva hoje em Miami.
O senador não falou, mas os aliados dele e depois ele mesmo divulgaram uma carta golpista em que Flávio se diz, abre aspas, o verdadeiro presidente eleito do Brasil.
4:08
Fecha aspas.
Flávio perdeu a eleição por uma diferença de mais de 4400000 votos.
4:15
Pessoa 2
Uma primeira versão do documento usava um brasão com o nome errado do país Estados Unidos do Brasil escrito com z no texto, Flávio agradece a Trump e milei, faz acusações sem provas ao processo eleitoral e diz que vai liderar a oposição estando nos Estados Unidos.
4:34
Pessoa 3
Flávio Bolsonaro publicou mais 2 versões do documento.
Na quarta e última versão, a expressão verdadeiro presidente foi trocada por.
Líder Trump foi perguntado por jornalistas sobre a carta.
O presidente americano disse que não vai se envolver no Brasil.
4:53
O presidente do tribunal superior eleitoral, Cássio Nunes Marques, divulgou uma nota reafirmando que a votação transcorreu com normalidade e respeito às leis, mesmo diante de instabilidades.
Ele falou em vontade soberana do eleitorado e disse que questionamentos dentro do devido processo legal vão ser respondidos.
5:12
Pessoa 2
A fuga de Flávio Bolsonaro tem o apoio de figuras ligadas à Extrema direita.
O pastor Silas Malafaia disse que foi corretíssimo ele fugir do país.
Aliados afirmam que o senador seria perseguido por Alexandre de Moraes se ficasse no Brasil.
5:28
Pessoa 3
Flávio Bolsonaro é alvo de 2 investigações que tramitam no STF, uma, que tá sob relatoria de Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo uma casa de apostas do advogado Willer Thomaz, amigo do senador.
A outra é sobre irregularidades no financiamento do filme Dark Horse, filme que aparece como justificativa do senador impedidos de dinheiro feitos a Daniel vocaro, do banco master.
5:54
Esse caso é relatado pelo ministro André Mendonça.
5:59
Pessoa 2
O café de hoje analisa a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos e a participação de governos de outros países nisso.
6:08
Guilherme Casarões sobre impactos diplomáticos da fuga
Guilherme casarões, professor de estudos brasileiros da Florida International University, discute os impactos para o Brasil e as possíveis reações do governo Lula.
6:19
Pessoa 3
A gente já volta com A Entrevista.
6:35
Pessoa 2
Professor, a gente conversa já sabendo algumas coisas sobre a fuga de Flávio Bolsonaro, que saiu do Brasil pela Argentina, pegou um avião que parou no Equador para abastecer e de lá seguiu para os Estados Unidos.
É, o governo brasileiro pode fazer cobranças a esses 3 países.
6:54
E também, quanto importa para o governo Lula saber qual foi a participação de autoridades nesses países para fuga?
Não é isso.
Bom, gente, a reação do Brasil.
7:06
Pessoa 6
Ela é natural.
Ela é justificada do ponto de vista diplomático, porque há de se entender melhor.
É quais foram as condições.
É em que se permitiu a passagem do Flávio Bolsonaro pela Fronteira do Brasil com a Argentina, depois esse voo que parou no Equador, se não me engano, para evitar o espaço aéreo brasileiro e que chegou aqui nos Estados Unidos.
7:28
Agora, eu acho importante notar que tudo indica que não há exatamente um crime.
Então o Flávio, ele não seria 11 criminoso com um mandado é de prisão pela polícia e que fugiu do país para isso?
Parece que esse pano de fogo já já vinha sendo elaborado há algum tempo como uma espécie de plano b, caso ele perdesse as eleições.
7:49
Foi o que aconteceu.
Mas me parece que o que precipitou essa decisão de sair do país da maneira como aconteceu.
Ou pelo menos a maneira como a narrativa se colocou, porque houve mudanças ainda nas histórias sobre a viagem do senador Flávio Bolsonaro, me parece que teve muito a ver com a decisão do ministro Alexandre de Moraes.
8:08
É a partir do inquérito da polícia federal de com fiscal passaporte do do do ex candidato à presidência.
Eu acho que é importante que o governo brasileiro.
Exige esclarecimentos por parte dos países por onde Flávio Bolsonaro passou, Argentina, Equador e Estados Unidos.
8:24
Por não haver crime ou pelo menos nenhum crime aparente, nenhum mandado específico, eu acho difícil que o governo consiga é convencer qualquer um desses parceiros de que é deveria ter sido feito uma extradição ou alguma coisa.
Nessa linha, o máximo pode haver uma expressão de descontentamento.
8:42
E, claro, nesse momento em que o governo Lula tá aí numa.
Um processo de transição para um quarto mandato, preocupado com as questões internas, preocupado com pós eleição.
A ressaca, né?
De tudo que que foi esse processo do segundo turno, eu acho que criar rusgas diplomáticas ou caçar, nesse momento, culpados por esse plano de fuga do Flávio vai ser contraproducente para o próprio governo.
9:07
Então, pode haver um descontentamento, pode haver uma manifestação pontual, mas eu não vejo muito sentido também insistir nesse ponto que só.
Acirraria a própria narrativa, que nesse momento convém muito a ao ao senador Flávio Bolsonaro, que é de perseguição política, então qualquer coisa poderia gerar mais motivos ainda para direita se mobilizar em torno dessa fuga ou desse exílio, como eles têm chamado do Flávio Bolsonaro.
9:32
Pessoa 3
Mas dá para supor que os governos do Javier milei na Argentina e do Daniel noboano Equador toparam?
9:40
Envolvimento argentino e impacto nas relações EUA
Um papel no plano de fuga?
No caso argentino, acho que há há evidência ou há suspeita de que o estrategista do milei Santiago Caputo, parece ter se envolvido em tudo, né?
É o milei não parabenizou o Lula pela reeleição, mas o noboa sim, né?
9:55
Isso pode acabar afetando as relações com o Brasil lá na frente, que seja.
10:00
Pessoa 6
Eu acho improvável que isso mude as relações do jeito que elas estão agora com o Brasil.
Porque, em primeiro lugar, o Brasil é um país muito importante para os vizinhos.
A prontidão com que a maioria dos líderes Latino americanos congratulou a Vitória do Lula eu acho que diz muito sobre o lugar que o Brasil ocupa na região e a importância que qualquer governo de direita ou de esquerda no Brasil tem para organização regional, digamos assim.
10:28
O caso do milei é um caso excepcional e muito específico, porque o milei, ele tem uma música pessoal com o Lula que vem é desde a eleição do do milei contra o né, o candidato do Alberto Fernandes lá em 2023.
Ou seja, é essa questão pessoal contaminou as relações entre Brasil e Argentina já há algum tempo.
10:47
Pessoa 3
E na eleição brasileira escalou, né?
10:48
Pessoa 6
Escalou porque o milei não faz a menor questão de esconder a sua antipatia pelo Lula.
Eu me lembro daquele episódio em que ele veio.
Ele foi ao Brasil para uma reunião.
É da cepac, né?
Que é a conferência de ação política conservadora.
E no mesmo momento, no mesmo dia ou na mesma semana, teria uma reunião do Mercosul.
11:07
É que ele faltou pra pra poder ficar lá com os amigos bolsonaristas.
Então é existe essa rusga que de novo ela não vai melhorar nem piorar.
Por causa disso, talvez o Lula faça alguma declaração.
É colocando pelo menos parte da culpa no governo milei, o que faria sentido, pelo que a gente até aqui sabe.
11:26
Então é dentro dessa história confusa e mal contada, claro que houve.
O papel é do governo argentino, não só pela figura do Santiago Caputo, mas pela própria maneira como é.
Foram noticiadas as primeiras menções ao Flávio ter pegado um avião próximo da Fronteira, ali em poeta Iguaçu.
11:44
Quem deu essa primeira notícia foi um portal argentino, que tem ligações.
Né, com grupos liberais econômicos, né?
O infoby, então, é de se especular, de que a própria estratégia de desvio de atenção que permitiu que o Flávio, né?
12:00
Desse 11 drible aí nas autoridades brasileiras e acabasse indo pros Estados Unidos de uma outra forma, num outro dia, desprovando aquilo que a imprensa tinha noticiado.
Eu acho que a Argentina tá muito envolvida nisso sim.
O que mais me preocupa com tudo é, é como isso vai desembocar ou ou espirrar na relação com os Estados Unidos, que esse é o problema que me parece mais grave, porque, afinal de contas, Oo.
12:25
Flávio Bolsonaro, a partir de agora, ele vai se tornar uma espécie de exilado político autoproclamado nos Estados Unidos, assim como o irmão Eduardo, que já está aqui há algum tempo.
E isso, claro, tem o potencial, como já vimos há 1 ano e meio, de contaminar diretamente as relações de estado e estado, Brasil e Estados Unidos.
12:43
Pessoa 2
Sobre a rota e o plano de fuga de Flávio Bolsonaro, há ainda muitos pontos em aberto, né?
12:50
Apoio estrangeiro e narrativa de perseguição política
A gente sabe, por exemplo.
É que o jato em que Flávio Bolsonaro foi para os Estados Unidos é de uma empresa citada em um esquema de corrupção que derrubou um aliado de milei, né?
Mas, na sua visão, quais são os mais importantes pontos que precisam ser esclarecidos?
13:08
Pessoa 6
Olha, vamos partir aqui, a imagem do pressuposto fundamental que é a Extrema direita, ela é altamente conectada.
Ela é transnacional em larga medida.
A gente vê o apoio cruzado de diversos grupos políticos na Argentina, no Brasil, na Colômbia, na Venezuela, sobretudo entre a oposição venezuelana, nos Estados Unidos, em certos países europeus como a Espanha e Portugal.
13:33
Então, a grande questão que se coloca é, em que medida existe apoio oficial de governos estrangeiros para facilitar a fuga de um político brasileiro?
Com investigações nas costas, ainda que não tenha nenhum mandado e ele não seja gerenciado por nenhum crime específico.
13:53
Então essa é uma questão que eu acho importante.
Por que que governos estrangeiros, como o argentino ou o equatoriano ou o americano, colaborariam diretamente para esse plano de fuga?
E, claro, a que propósito isso atenderia, porque claro que existe, dada essa conexão da Extrema direita hemisférica.
14:13
Um elemento ideológico, quer dizer, é importante para o Flávio Bolsonaro sedimentar uma narrativa de perseguição política, de que o Brasil tá virando uma Venezuela.
A gente pode voltar nisso daqui a pouquinho de que é a Suprema corte brasileira é corrupta?
De que as eleições foram fraudadas?
14:29
Eu acho que tudo isso cai como uma luva para as narrativas locais de vários desses líderes de Extrema direita, embora alguns tenham é parabenizado o presidente Lula pela Vitória.
No caso dos Estados Unidos, isso é particularmente sensível dada a proximidade das eleições de meio de mandato, né, que vão acontecer na próxima semana e que, né?
14:48
No caso americano, também se ancoram muito numa narrativa binária de combate ao comunismo.
As pessoas trans do banheiro.
Quer dizer, você tem uma série de narrativas que são muito convergentes entre os 2 países e isso pode, de alguma maneira, incitar toda essa movimentação ideológica.
15:04
Também é além de Fronteiras.
Agora, se os governos ajudaram, acho que essa é a grande questão.
Exatamente porque é.
Nesse caso, haveria uma espécie de estímulo externo, a construção não só de uma narrativa que cabe para todo mundo, mas que é particularmente crítica no caso do Brasil.
15:22
E mais do que isso, é 11 postura por parte desse governo.
Se houve esse apoio, que pode mudar bastante o próprio equilíbrio político interno, já que Flávio Bolsonaro.
Tem se autoproclamado e as pessoas no entorno dele tem falado que ele será o novo líder da oposição desde o exílio, né?
15:40
Então existe aí um fato político novo que a gente tem que considerar também.
15:50
Pessoa 3
Você citou as relações Brasil, Estados Unidos, ou o risco para as relações é a partir de agora?
15:56
Impacto de Flávio Bolsonaro na política americana
E as mitturms, que são as eleições de meio de mandato para o Congresso americano, que acontecem na semana que vem?
A folha mostrou que o governo Trump estava ciente dos planos e participou ativamente do plano de fuga do Flávio Bolsonaro via departamento de estado.
16:11
Queria entender melhor, professor, qual é o qual pode ser Oo cálculo da casa da Casa Branca?
Porque as mid firms devem dar um revés pra Trump?
E eu fico pensando, que atenção o Brasil tem por lá agora?
E se dá abrigo a Flávio Bolsonaro, pode repercutir em parcelas do eleitorado americano.
16:31
Pessoa 6
Olha, Gugu, eu estou aqui nos Estados Unidos já há 1 ano.
Fala se muito pouco do Brasil, muito menos até do que a gente gostaria, bem ou mal, porque é um tema secundário.
É um tema de nicho, que interessa, claro, a comunidade brasileira que vive nos Estados Unidos.
Interessa alguns grupos latinos e alguns ideólogos do partido republicano, sobretudo.
16:50
Cada vez mais a gente tem visto uma adesão do outro lado, que é o partido democrata se interessando.
Pela figura do Lula, pelo trabalho que o PT fez no Brasil ao longo de muitas décadas.
E agora, nesse segundo turno, uma coisa que me chamou muito atenção são políticos democratas aqui nos Estados Unidos elogiando e buscando compreender o que foi essa virada entre o primeiro e o segundo turno, sobretudo pelo engajamento nas redes sociais para o governo Trump ter o Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos.
17:18
É, não muda muito o jogo, não muda o jogo da Smith, com certeza.
E acho que não.
Não faz nenhum grande efeito de curto prazo para os interesses americanos.
É sobre o Brasil ou para as relações bilaterais Brasil e Estados Unidos.
17:33
Agora, dado que o secretário Marco Rubio sabia desses planos, estaria ciente, de acordo com relatos da imprensa, isso tem 11 implicação, eu diria, mais para o campo bolsonarista do que para Casa Branca.
Pode ser que haja algum tipo, alguma tentativa de utilização dessa narrativa.
17:53
Né?
De que mais um aliado nosso está sendo perseguido politicamente e por isso temos que dar um fim aos democratas.
Isso pode ter alguma utilidade pontual, embora com esse pouco tempo que a gente tem, eu acho que o efeito disso é é muito pequeno, mas certamente no médio e longo prazo para o movimento bolsonarista, essa decisão do governo americano terá consequências importantes.
18:14
Eu acho que a consequência mais importante é de que agora você tem 2 Bolsonaro morando nos Estados Unidos, 2 figuras que tem uma influência sobre o que seria esse campo bolsonarista no Brasil.
Eduardo Bolsonaro, muito mais na no plano da articulação política, dos contatos com as lideranças.
18:30
É de Extrema direita ao redor do mundo.
Eduardo Bolsonaro tem.
Recorrentemente ido a Washington, ele tem os ouvidos de algumas pessoas da Casa Branca.
E o Flávio provavelmente vai entrar nessa esteira também, junto com Paulo Figueiredo, com outras figuras que estão aqui no entorno desse mesmo grupo.
18:46
E claro que isso vai facilitar o acesso do Flávio Bolsonaro a Casa Branca naqueles que são os seus objetivos políticos pessoais.
E a gente não sabe exatamente nesse momento quais são.
Mas eu entuo, por exemplo, que se o Flávio quiser reativar toda a discussão sobre fraude eleitoral, ele vai estar numa posição muito confortável para poder ter ali, né?
19:08
Alguns interlocutores na Casa Branca que vão comprar essa narrativa e que vão empurrá la para uma decisão política concreta por parte dos Estados Unidos.
19:16
Pessoa 2
Eu queria falar um pouquinho mais sobre o Marco Rubio.
19:19
Marco Rubio e a narrativa de 'Brasil Venezuela'
É o secretário de estado americano.
É que parece ter sido central nesse plano.
E também é dessa dinâmica, né?
Da existência dessa figura que é um antagonista direto de Lula no governo Trump, um aliado do bolsonarismo na Casa Branca, né?
19:36
É o que é possível pensar dessa articulação.
Você acha que existe a possibilidade dele ter assumido essa articulação pra preservar Trump?
19:46
Pessoa 6
Eu diria que sim.
Por um lado, porque, afinal de contas, existe uma divisão de de tarefas dentro da Casa Branca e, sobretudo, nas questões de política externa.
A gente vê, por exemplo, alguns assuntos que vão ser entregues na mão do diário de Kushner, que é o genro do Trump.
20:02
Alguns assuntos que vão para mão do JD vence, alguns assuntos que ficam na mão do Marco Rubio, que é OA principal figura é da diplomacia Americana hoje.
E o próprio Trump, ele tem de maneira muito seletiva assim envolvida.
Nesses grandes temas internacionais, de acordo com as circunstâncias do momento e de acordo com o cálculo, que são os ganhos políticos que ele pode ter ou não ter com engajamento nesses temas.
20:25
Então, por exemplo, quando o assunto Irã está mais complicado, está pesando sobre a bomba de gasolina no posto, o Trump, ele tende a se afastar desse assunto e aí ele transfere para outras figuras ali dentro do do governo.
No caso do Brasil, a gente está falando de um assunto que, como eu já falei.
20:43
É, é pouco falado nos Estados Unidos, mobiliza muito pouco politicamente.
Você não tem nem sequer uma comunidade brasileira.
É organizado o suficiente para ter um, digamos, lobby brasileiro nos Estados Unidos, como outros grupos é nacionais.
Têm então AA capacidade de ganhos políticos ao se envolver com temas de Brasil?
21:03
Por parte do Trump, é muito pequena, anão ser que tivesse ali um inimigo muito claro contra o qual o Trump tivesse lutando, o que não me parece ser o caso.
Então, o Marco Rubio, ele acaba assumindo o tema de Brasil, sobretudo porque não é um tema politicamente relevante na organização geral dos astros da política externa Americana.
21:20
Para o Rubio, é muito interessante ter acesso e ter protagonismo sobre esse tema, porque o Brasil cai, na visão dele, numa vala comum.
Do combate ao comunismo na América Latina, esse combate ao comunismo, ele tem um tema geral, né?
21:35
Que é reduzir a influência chinesa na região.
E convém ao Rubio também, porque, de certa maneira, quando eu falo em vala comum é porque não há nenhuma nuance na narrativa do Marco Rubio sobre como funciona a América Latina.
21:52
Tudo é bem e mal.
Capitalismo ou comunismo, ditadura ou democracia?
E essas categorias binárias?
Elas são muito convenientes, porque é como se tudo que a política externa Americana produz para a América Latina fosse filtrada pela dinâmica dual, vamos dizer, ditadura Cubana, comunista.
22:13
Exilados cubanos lutando pela democracia, e o Brasil acaba sendo um outro modelo em que essa lógica se aplique.
Embora a gente saiba, Lula não é Maduro, não é chaves, não é Fidel Castro.
Flávio Bolsonaro não é Maria Colina Machado, não é Juan guaidó.
22:29
Então também a gente tem que guardar as proporções.
Agora, a narrativa que se vê por aí, sobretudo depois da da da fuga do Flávio Bolsonaro, é exatamente essa.
O Brasil está virando uma Venezuela.
O Flávio liderará a oposição a partir do exterior.
De novo, uma narrativa que só convém, do ponto de vista político externo americano, a essa leitura vermelha, azul ou ou preto branco que eles têm da América Latina.
22:53
Pessoa 3
É, fica a dúvida de para quem o Brasil vai virar uma Venezuela a partir de agora, né, professor?
22:58
O papel da desinformação no método bolsonarista
Mas pra essa próxima pergunta é, eu queria voltar um pouco no tempo pra terça-feira porque?
Ao longo de toda terça, os aliados do Flávio Bolsonaro foram despistando a imprensa plantando informações desencontradas, né?
Enquanto eles diziam que o Flávio tava sumido, depois que ele tava em voo, depois que ele teria pousado, depois que ele teria ido via Venezuela na Argentina, depois que ele teria se encontrado com o Eduardo em Miami, é enquanto eles diziam isso tudo, o Flávio Bolsonaro teria passado o dia no Brasil e só cruzou para Argentina às 11:30 de terça, perto de 11 da noite de terça-feira.
23:32
É que papel você diria que a desinformação tem no método bolsonarista e o que setores da sociedade, inclusive a imprensa, é, precisam ter em conta a partir desse?
23:46
Pessoa 6
Caso essa é uma excelente questão e eu diria, para início de conversa, que a desinformação ela está no bojo do que é o movimento bolsonarista não existiria bolsonarismo da forma como ele se configurou, inclusive em torno da figura de Jair Bolsonaro.
Se não fosse o papel da desinformação nas redes sociais, sobretudo e no WhatsApp, nesse caso, me parece que algumas pessoas não vou dizer do circo mais próximo.
24:09
Mas algumas pessoas aliadas do Flávio Bolsonaro foram de fato enganadas.
Elas não sabiam onde o Flávio estava.
Eu acho que essa informação.
Sobre o paradeiro do ex candidato, ela ficou nas mãos de pouca gente, efetivamente.
Até porque o Flávio levou a esposa, as filhas, né?
24:25
É aqui pros Estados Unidos.
Então era algo que exigia uma certa postura, mais reservada, que pouca gente ali de fato conhecia.
E, nesse caso, a desinformação.
Ela teve muito a ver também com o plano de tirar completamente a atenção da polícia federal.
24:44
E das autoridades judiciais no Brasil, depois que o Flávio se negou a entregar o passaporte para ele?
Claro, foi uma estratégia para que as autoridades simplesmente parassem de procurar.
Na verdade, foi uma dupla estratégia, né?
Por um lado, desvia a atenção das autoridades.
25:01
Elas ficam confusas, perdidas, já achando que ele está fora do Brasil, não podem mais fazer nada, quando na verdade, ele ainda estava ali se preparando para ir embora e ao mesmo tempo, ele já lança.
A sementinha da narrativa da perseguição política, que desde segunda-feira à noite já tá mobilizando as redes sociais de maneira recorrente.
25:22
Então você também usa essa mobilização como uma espécie de cortina de fumaça tanto para o pleito frustrado da anulação das eleições que ele tentou fazer no primeiro, no primeiro momento e não conseguiu, quanto das autoridades que começaram a bater cabeça e discutir, por exemplo, se.
25:39
A própria decisão do Alexandre de Moraes, da do confisco dos passaportes, teria sido oportuna.
Teria sido adequado ao mesmo legal, né?
E aí começa a gente ouvir o relatos da imprensa de uma briga entre o PT ou pelo menos um descontentamento de setores do PT com Alexandre de Moraes pela maneira como ele havia tomado essa decisão, a intempestividade.
25:59
Então, acho que tudo isso acaba ajudando a construir essa narrativa de venezuelização do Brasil a partir dessa nova liderança que surge.
Do além nos Estados Unidos e que passa, a partir de então, liderar a oposição.
O que que a imprensa pode fazer?
Eu acho que o que a imprensa fez nesse caso foi tentar apurar com o maior número de Fontes possível, autoridades próximas ao ao próprio Flávio Bolsonaro, autoridades ligadas a né?
26:24
AA parte fronteiriça e aeroportuária da Argentina e do Brasil.
O problema todo se dá na medida em que essas informações elas já se originam a partir de uma premissa falsa.
26:41
Pessoa 2
Professor, na sua visão, a fuga é de Flávio Bolsonaro e o acolhimento dado pelo governo Trump podem prejudicar a imagem do processo eleitoral e da democracia brasileira no exterior, ainda que injustamente, né?
26:57
É porque não sei em que medida as informações dos métodos bolsonaristas e das suspeitas que pairam sobre Flávio tão assimiladas internacionalmente.
Né?
27:08
A imagem da democracia brasileira no exterior
É come com quem?
Repercute a postura de Trump de lançar suspeitas sem provas sobre a eleição brasileira.
27:15
Pessoa 6
Eu diria que a maioria dos espectadores internacionais, sobretudo na Europa, na América Latina e nos Estados Unidos, já entende bem qual é o jogo que está sendo jogado.
Até porque a gente tem o exemplo do Trump, a gente tem o exemplo de uma Extrema direita europeia que não necessariamente recorre aos mesmos artifícios, mas que tem elementos muito semelhantes.
27:37
A gente tem uma direita Latino Americana que também de alguma maneira se abastece e estimula essas narrativas compartilhadas, transnacionais das quais a gente tava comentando.
Então é, existe, vamos dizer, já, um entendimento, uma compreensão sobre como essas coisas funcionam.
27:54
E eu acho que pouca gente vai comprar o argumento de que o Flávio Bolsonaro é é uma vítima absoluta lutando contra um regime ditatorial.
E de que, portanto, a democracia do Brasil já já foi para o espaço há muito tempo?
28:09
É, acho que talvez essa narrativa caile sirva para alguns grupos aqui na Flórida.
É que ainda tem de novo esse espectro da Venezuela pairando sobre sobre a cabeça.
Eu acho que existem certos interlocutores que inclusive querem estimular essa narrativa por razões políticas próprias.
28:26
Mas de uma maneira geral, acho que tem uma compreensão.
Ampla aí hoje.
Sobre que tipo de jogo é esse?
Eu acho que quem sai o manchado dessa história, se é que a gente pode chamar assim, é o próprio Flávio Bolsonaro.
28:40
Pessoa 3
Essas pessoas podem olhar, como sugeriu o Otávio Guedes na GloboNews, para o processo eleitoral brasileiro e ver que o Flávio Bolsonaro concorreu de forma livre, foi o vitorioso no primeiro turno.
O partido dele fez maioria no Congresso, elegeu governadores, a madrasta dele, o irmão dele foram eleitos.
28:56
Enfim, fica um pouco difícil emplacar esse.
É discurso de ditadura sob todas essas condições, né?
29:03
Pessoa 6
Exato.
A gente tem uma eleição muito eficiente, livre.
Claro que tem problemas com todo processo eleitoral, tem problemas, mas problemas que foram sanados ao longo do processo.
A gente teve narrativas muito articuladas ali para tentar criar um argumento de fraude eleitoral.
29:23
Narrativas que passaram.
Primeiro que a matemática não fecha.
Né?
Tentando ali provar que pelos números ser impossível o Lula ter ganhado um segundo turno.
Aqueles que querem insistir numa história ainda mais surrealista, de que o Flávio deveria ter ganhado no primeiro turno e tentam mostrar aquela pausa na apuração como evidência cabal de que isso teria acontecido, alguns vão falar de novo da da história, da extensão do horário do voto.
29:49
Como prova cabal de que houve fraude eleitoral.
29:51
Pessoa 7
A campanha do senador Flávio Bolsonaro pediu a ampliação do horário de votação ao tribunal superior eleitoral.
Nas cidades que estão com problemas, principalmente por causa da chuva, ele pede que 17 municípios dos estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina tenham a prorrogação do horário de votação em 2 horas, até às 7:00 da noite.
30:22
Pessoa 6
Mas nada disso se sustenta, é EE, eu acho que ao contrário.
De uma tentativa até um pouco mais sofisticada, ainda que igualmente problemática, de contestar as eleições, falando em código fonte, falando em em pressão, é física e tal que, no passado, abasteciam essas narrativas contra a urna eletrônica brasileira.
30:42
Tudo que está se apresentando hoje para tentar desprovar a Vitória do Lula é absolutamente frágil e não sobrevive a uma pesquisa no Google, né?
Ainda que tenha algumas pessoas, eu vi, por exemplo, um artigo daquele instituto.
Keito o Catho, né?
30:57
Que é um instituto libertário e tal. 11 que um sujeito escreveu justamente sobre a suposta ditadura brasileira usando esses manjados argumentos de extensão do horário do voto e da matemática que não fecha assim, nem mesmo as pessoas que estão ali lendo e consumindo essas narrativas estão dispostas a comprá las de maneira tão simples assim.
31:20
Então, de novo, quem sai muito?
Prejudicado dessa história o próprio Flávio Bolsonaro, porque, afinal de contas, por mais que ele diga que queira liderar a oposição daqui para frente, ele abandonou um país em que ele teve 60000000 de eleitores, né?
E a gente tá falando de 3 dias ou ou ou menos, na verdade, 2 dias e meio entre uma coisa e o outra.
31:39
Ou seja, é no mínimo embaraçoso pensar que uma liderança com potencial de 60000000 de votos simplesmente abandone o Brasil a partir de uma narrativa artificial de perseguição.
E por mais que você possa dizer anão, o passaporte não deveria ter sido demandado da forma como foi, etc.
31:56
Mas assim, transformar isso no Flávio como a próxima Maria Corina Machado e no Lula como o próximo Maduro não se sustenta.
E, de novo, fora de um ambiente em que as pessoas já estejam, é propensas a olhar para as coisas de forma binária e absolutamente radicalizado.
32:13
Essa narrativa, eu diria, não cola e acho que ninguém sai dessa eleição, quer dizer, ninguém ao redor do mundo.
Sai desse processo eleitoral brasileiro achando que o Brasil é menos democrático do quinto.
32:24
Pessoa 3
Queria olhar para o outro lado também.
32:26
O milagre político de Lula e a esquerda global
A Magê falou da de como fica a imagem do processo eleitoral da democracia brasileira.
Porque, ao mesmo tempo, a imagem do Brasil como um Farol para o campo progressista diante de ameaças autoritárias, foi talvez reforçada nos últimos dias, né?
Até na Espanha.
32:41
Na França, surgiram exércitos digitais no WhatsApp, aos moldes do que o André Janones fez aqui para campanha do Lula.
É o que que isso disse sobre o resultado das eleições é e como isso pode inclusive ser usado pelo governo Lula?
32:55
Pessoa 6
Olha, o Lula conseguiu uma espécie de milagre político com a sua retomada ali no segundo turno, desafiando, inclusive é opiniões.
Eu mesmo tinha uma opinião de que o Lula teria muita dificuldade de virar essa eleição, seja pelo precedente histórico, seja pelas circunstâncias em que a sua candidatura é estava envolvida, ou seja.
33:17
É a capacidade que ele teve de 2 coisas fundamentais.
Primeiro, criar o recriar uma estrutura de mobilização absolutamente distinta daquela que marcou o primeiro turno e as campanhas anteriores do PT.
Nessa combinação de Rui rede que o PT não fazia da melhor maneira e que A direita é, por incrível que pareça, a Extrema direita no Brasil sempre fez de maneira muito competente.
33:42
Agora o PT começa a jogar também nesse campo.
E fazendo as coisas muito bem.
Esse segundo turno foi uma mostra inquestionável disso.
E somado a isso, houve também 11 mudança de registro a campanha.
Ela parou de olhar para trás, para o legado, para o passado, para as glórias, e passou a olhar para O Presente e apontar para o futuro.
34:03
Então, uma mudança de retórica também, ou de narrativa sobre o que que o Lula pode proporcionar foi um elemento fundamental nessa história.
E isso, claro, chamou atenção do mundo porque, como pouca gente esperava que o Lula fosse capaz de virar esse jogo, na hora em que ele vira, todo mundo fica se perguntando, como é que ele conseguiu isso?
34:22
Então a gente tá falando de algo que tem muito a ensinar pra esquerdas ao redor do mundo que viram isso um, vamos dizer uma, chama reacesa ali da capacidade que A esquerda tem histórica, de mobilização.
Últimos anos ou décadas foi se perdendo e foi dando espaço pra uma outra forma de mobilização, pra um outro conjunto de narrativas sobre a política, sobre a vida e que A direita é conseguiu utilizar muito bem.
34:48
Então a gente tá vendo no Lula 11, quer dizer, na campanha desse segundo turno, sobretudo, e sejamos específicos, a gente tá vendo uma capacidade de de retomada é de um protagonismo popular, de uma democracia popular, que sempre foi uma Bandeira muito forte da esquerda.
35:05
Agora, claro, traduzida datada pro mundo digital, mas que produziu um efeito muito significativo, que foi AAA virada que o Lula teve ali, com 10000000 de votos a mais do que no primeiro turno.
O que em qualquer medida é surpreendente é como é que o Lula vai poder usar isso daqui pra frente?
35:23
Ele já deu pistas disso nos discursos que ele fez depois da da Vitória.
Ele parece estar mais animado do que nós, que estamos de longe, analisando, porque a gente sempre fala, Ah, o Lula vai ter uma minoria ou pelo menos uma dificuldade de construir maioria na Câmara, no Senado.
35:39
São muitos problemas, do fiscal ao problema, né?
Da segurança pública, que ele vai ter que endereçar.
E o que ele sugeriu nesses últimos dias tem sido o uso justamente dessa estrutura construída ao longo do segundo turno.
Como um instrumento de barganha, como instrumento de projeção, como instrumento de é mobilização política.
35:59
E, por incrível que pareça, o único exemplo que a gente tem disso no Brasil de 11 líder usando a mobilização como instrumento de governança ou como alavanca pra legitimidade foi Jair Bolsonaro, no primeiro ano de governo antes da pandemia.
36:17
A experiência do primeiro ano do governo Bolsonaro, que foi o único ano em que ele não estava preso.
Né?
Tanto Na Na pandemia quanto ao centrão, é, foi, ali, é.
É uma tentativa, um balão de ensaio em que ele conseguiu avançar determinadas agendas e políticas públicas pela pressão da da mobilização popular.
36:36
E é claro que isso não garante sustentabilidade do governo a longo prazo.
É claro que isso não garante sucesso necessariamente na aprovação de determinadas pautas, mas essa é uma experiência que pode é com sinais trocados.
Ajudar o Lula numa condição muito desfavorável de governabilidade, sobretudo junto ao legislativo, tentar alguma solução diferente.
36:59
Você acha casarões que?
37:01
Pragmatismo americano e pressão política no Brasil
Que a gente pode ficar de olho em outras coisas além de tarifácio com a ação do Flávio, né?
Digo, eu tenho.
37:08
Pessoa 6
A sensação de que uma das razões pelas quais o Flávio veio para os Estados Unidos da maneira como veio é justamente para posicioná lo de maneira muito mais.
Próxima do governo americano para que ele possa ter mais controle sobre aquilo que o governo americano pode ou pode não fazer.
37:27
Com relação ao Brasil, a expectativa é a de que o governo americano primeiro é siga, sem reconhecer o resultado das eleições.
Esse é um ponto importante, porque isso pode se desdobrar em problemas diplomáticos no futuro.
Democracia e.
37:43
Pessoa 8
Multilateralismo venceram, disse a presidente da comissão europeia, mesmo tom adotado pela mexicana Cláudia chenbau, da Europa, muitos recados, A direita, com francesa Emmanuel Macron falando em um mundo mais justo, e A esquerda, com o espanhol Pedro Sánchez, dos brics, Narendra Modi, da Índia, falou em Vitória notável.
38:04
O sul africano, sírio ramaposa, chamou Lula de querido irmão.
Pragmáticos, os chineses mandaram felicitações protocolares.
E o governo russo disse que continua contando com o Brasil.
Por exemplo, se a gente chega?
38:17
Pessoa 6
Na hora da Posse e o governo americano simplesmente não não reconheceu a Vitória do Lula e dependendo do que o Trump queira com relação ao Brasil daqui para frente, pode vir sanção.
Pode haver algum tipo de tarifaço novo, tarifácio como forma de pressionar o Brasil.
38:35
Mas eu acho que a pergunta fundamental aqui é o seguinte, pressionar para quê?
Com que objetivo?
Porque tudo indica que não é do interesse do Trump ter uma relação cortada com o Brasil.
O Brasil tem um impacto importante sobre a economia Americana.
O Brasil é é um país estratégico para os Estados Unidos.
38:52
O Lula, inclusive, nunca negou a perspectiva e a possibilidade de negociar com os Estados Unidos coisas que são do interesse mútuo.
Então, eu não consigo ver nenhuma circunstância nesse momento.
Para além do interesse, é específico e Estreito da família Bolsonaro como líder desse, desse grupo de oposição.
39:12
Fora desse interesse, eu não vejo nada que os Estados Unidos possam se beneficiar diretamente de uma relação é conflagrada com o Brasil.
A gente pode esperar medidas e sinalizações e ameaças, como a gente viu ao longo desse último ano e meio acontecerem.
Mas qualquer coisa mais tangível ou que é de fato é enfraqueça AA relação do Brasil com os Estados Unidos ou que corte as relações em algum momento?
39:36
Eu acho isso muito pouco provável de acontecer.
Não porque não tem aí um fundamento ideológico para que isso seja feito, mas sobretudo porque não é do interesse pragmático do presidente Trump que isso aconteça.
40:12
Indiciamentos por crimes financeiros e encerramento
vocharo
e outras.
40:13
Pessoa 3
14 pessoas foram indiciadas pela polícia federal por suspeitas de crimes financeiros na venda de carteiras de crédito ao banco de Brasília, o brb.
O indiciamento vem com a conclusão do primeiro inquérito sobre suspeitas relacionadas ao banco master.
40:28
Ele foi enviado ao Supremo Tribunal Federal.
APF atribui a vocaro o papel de líder da organização criminosa.
Entre os indiciados também então o ex presidente do brb, Paulo Henrique Costa.
E o sócio divocaro Augusto Lima.
Segundo APF, entre julho de 2024 e outubro de 25, o master transferiu ao BRB cerca de 17 bilhões e meio de reais em ativos de crédito.
40:51
Desse total, pelo menos 12 bilhões e 200000000 corresponderiam a créditos vendidos sem comprovação de que eles existiam.
As carteiras tinham sido compradas pelo master, da consultoria t Reno.
E teriam origem em empréstimos consignados feitos por meio de associações de servidores públicos da Bahia.
41:10
Investigações apontaram suspeitas de que os créditos foram forjados e usados para inflar o Balanço do banco divorcaro.
A carteira foi repassada ao BRB quando o master enfrentava dificuldades de liquidez no relatório de 700 páginas entregue ao STF.
41:26
A polícia federal afirma que os elementos são compatíveis com as suspeitas de gestão fraudulenta do brb.
APF pediu mais 60 dias de investigação para concluir perícias e análises complementares sobre contratos, documentos e registros.
As defesas de vocaro e de Paulo Henrique Costa negam irregularidades.
41:46
A defesa de Augusto Lima não tinha se manifestado até a noite de ontem.
41:53
Pessoa 6
Esse foi o.
41:53
Pessoa 2
Café da manhã podcast mais importante do seu dia, parceria entre a folha e o Spotify, eu sou Gustavo Simon.
42:00
Pessoa 3
E eu majé flores.
42:01
Pessoa 2
O roteiro foi escrito com Gabriela.
42:03
Pessoa 3
Mayer, a produção é de Giulia Perus, o Gustavo Luiz, Jéssica Cruz e Pamela Queiroz e a edição de som de Rafael concley esse episódio áudio.
42:11
Pessoa 2
GCNN Brasil, GloboNews, UOL ESBTA saúde ainda não voltou completa.
42:17
Pessoa 3
Mas está melhorando, então até amanhã merece.
42:19
Pessoa 6
Muito, mas.
Vai melhorar, estou torcendo.
42:24
Pessoa 2
Até amanhã.
42:24
Pessoa 3
Até tchau.
Podcast Summary
Key Points:
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de terça-feira pela fronteira terrestre com a Argentina, em Foz do Iguaçu, apresentando passaporte italiano na entrada argentina.
O jato particular que o levou aos Estados Unidos decolou de Porto Iguaçu às 23h30, desviou da rota para não passar pelo espaço aéreo brasileiro, reabasteceu no Equador e chegou a Miami às 10h20 de quarta-feira.
Flávio entrou nos Estados Unidos com passaporte diplomático brasileiro e registro humanitário válido por um ano, descumprindo medidas de Alexandre de Moraes que o proibiam de sair do país.
Aliados plantaram informações desencontradas ao longo de toda a terça-feira para despistar a imprensa e as autoridades, enquanto Flávio ainda estava no Brasil.
O avião usado na fuga é operado pela empresa Bytesfly, cujo dono, Sérgio Daniel Mastro Pietro, é investigado na Argentina por suspeita de integrar esquema de lavagem de dinheiro.
Flávio divulgou uma carta golpista em que se autodenomina "verdadeiro presidente eleito", com versões corrigidas após erros como o brasão com o nome "Estados Unidos do Brasil".
O professor Guilherme Casarões avalia que a reação diplomática do Brasil será limitada, pois não há crime aparente nem mandado de prisão, e que pressionar Argentina, Equador e EUA pode ser contraproducente.
A fuga reforça a narrativa bolsonarista de perseguição política e insere Flávio em uma rede transnacional de extrema direita, com possível impacto de médio prazo nas relações Brasil-EUA.
Summary:
A transcrição detalha a fuga cinematográfica de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos após a derrota eleitoral. O senador passou a maior parte de terça-feira no Brasil enquanto aliados espalhavam versões falsas sobre seu paradeiro para despistar a imprensa e as autoridades. Só à noite cruzou a fronteira terrestre em Foz do Iguaçu, apresentando passaporte italiano na Argentina.
O jato particular decolou de Porto Iguaçu às 23h30, desviou da rota para evitar o espaço aéreo brasileiro, reabasteceu no Equador e pousou em Miami na manhã seguinte. Flávio entrou nos EUA com passaporte diplomático e registro humanitário de um ano, descumprindo determinação de Alexandre de Moraes que o proibia de sair do país. O avião pertence a empresa cujo dono é investigado por lavagem de dinheiro na Argentina.
Já em solo americano, Flávio divulgou carta golpista autodenominando-se "verdadeiro presidente eleito", com versões corrigidas após erros grosseiros. O professor Guilherme Casarões analisa que a reação diplomática brasileira será limitada, pois não há crime aparente nem mandado de prisão, e que pressionar Argentina, Equador e EUA pode ser contraproducente. A fuga reforça a narrativa de perseguição política, insere Flávio na rede transnacional de extrema direita e pode contaminar as relações Brasil-EUA no médio prazo, embora Trump tenha interesse pragmático em manter o diálogo.
FAQs
Sem crime aparente ou mandado específico, o Brasil teria dificuldade de convencer Argentina, Equador e EUA a extraditá-lo. No máximo, segundo o professor Casarões, caberia uma manifestação de descontentamento diplomático.
Uma, sob relatoria de Alexandre de Moraes, apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo uma casa de apostas do advogado Willer Thomaz. A outra, relatada por André Mendonça, trata de irregularidades no financiamento do filme Dark Horse e de pagamentos feitos por Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo relatos da imprensa citados no episódio, o secretário de Estado sabia dos planos e o Departamento de Estado participou ativamente. Para Casarões, Rubio assume o tema Brasil porque ele é politicamente pouco relevante nos EUA e se encaixa na narrativa binária de combate ao comunismo na América Latina.
Ela serviu para desviar a atenção da Polícia Federal e das autoridades judiciais, que passaram a achar que Flávio já estava fora do país. Ao mesmo tempo, plantou a semente da narrativa de perseguição política, mobilizando as redes sociais.
Segundo Casarões, a imprensa deve apurar com o maior número possível de fontes, incluindo autoridades próximas a Flávio e ligadas à área de fronteira e aeroportuária do Brasil e da Argentina. O problema é que muitas informações já partem de uma premissa falsa.
Casarões aponta duas razões: a recriação de uma estrutura de mobilização combinando rua e rede, algo que a extrema direita fazia melhor, e uma mudança de retórica da campanha, que deixou de olhar para o passado e passou a apontar para o futuro.
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