A transcrição explora a relação entre futebol e masculinidade no Brasil, revelando como o esporte serve como um espaço único de expressão emocional para homens. Torcedores entrevistados admitem chorar no estádio — por alegria ou tristeza — mas raramente fora dele, refletindo a pressão social para que homens não demonstrem vulnerabilidade. O futebol é descrito como um "reduto masculino" que desde cedo ensina meninos a serem fortes e competitivos, ao mesmo tempo que permite certas permissões emocionais dentro do contexto do jogo.
Pesquisadores como Vinícius Carbone e Eliene Lopes faria apontam que o futebol tanto reflete quanto produz normas de gênero, influenciando comportamentos dentro e fora dos estádios. Dados alarmantes mostram que, em dias de partida, os registros de violência doméstica aumentam significativamente, com homens canalizando frustrações (derrotas, pressões) contra suas parceiras. Grupos reflexivos para homens autores de violência, como os coordenados por Adão Monteiro, utilizam o futebol como tema para discutir masculinidades, mostrando que é possível mudar as "regras do jogo" e construir formas mais saudáveis de ser homem.
A transcrição destaca que, embora o futebol possa reforçar padrões machistas, ele também oferece brechas para questioná-los, como quando torcedores aprendem a chorar e se conectar emocionalmente através do esporte.
Pessoa 1
Estou aqui para aproveitar.
Pessoa 2
O Corinthians já te fez chorar?
Pessoa 1
Vamos dizer que já, já, já me fez.
Pessoa 3
Chorar de Alegria ou de tristeza?
Pessoa 1
As 2 coisas já chorei, de tristeza e de Alegria também.
Pessoa 2
E fora do futebol, você costuma chorar?
Pessoa 1
Fora do futebol, é difícil.
Pessoa 2
É.
Pessoa 3
Difícil.
Pessoa 2
No dia 24 de maio, o Corinthians jogou em casa.
Uma partida contra o Atlético Mineiro, pelo Campeonato Brasileiro.
Estava um frio em São Paulo, aquele ventinho e eu fui ao estádio em Itaquera, zona leste da capital Paulista, com o jornalista Gustavo Luiz, produtor do café da manhã.
Pessoa 1
Que que o Corinthians já te ensinou?
Pessoa 4
Corinthians me ensinou AA lutar mais pelos meus ideais.
Pessoa 2
A gente estava ali investigando como as pessoas se relacionam com o futebol, que tem um valor cultural, afetivo e social tão grande aqui no Brasil.
Pessoa 4
Ser mais um pai presente, procurar dar o melhor para minha família e viver mais intensamente, porque antigamente.
Eu era só um torcedor.
Hoje eu não sou um torcedor.
Eu vivo Corinthians e a minha filha.
Eu consegui transmitir isso Pra Ela.
Pessoa 2
Ah, então gostar de um lugar que vocês se conectem?
Pessoa 4
Demais a gente veio de Fortaleza assistir o jogo.
Pessoa 2
A gente queria saber como o futebol entra na vida das pessoas, que papel ele tem quando ele ganha espaço?
9 anos?
Você sempre vem ao estádio?
Pessoa 3
Sempre que eu tenho oportunidade, sim.
Pessoa 2
Você vê o feminino também.
Não, não é?
Desde que idade você vem ao estádio?
Desde quando eu estava com 7 para fazer 8 anos.
E com quem você vem normalmente?
Pessoa 4
Meu pai?
Pessoa 2
Mas como a gente foi até lá para fazer um episódio sobre a masculinidade e o futebol, a gente estava especialmente interessado em ouvir o que esse esporte significa na vida dos homens.
Vai chorar?
Pessoa 4
Eu já já chorei.
É jogos de decisões, Copa do Brasil.
Hoje eu não choro mais.
Pessoa 2
Fora do estádio, você chora?
Pessoa 4
Eu chorei nos últimos 18 anos, 2 vezes só falecimento da minha mãe.
Faleceu meu pai.
Então, não tenho chorado tão fácil, não.
Pessoa 2
Que a gente não precisou de muitas entrevistas para encontrar.
Um padrão?
Pessoa 1
Já de?
Pessoa 2
Alegria de tristeza.
Pessoa 1
Sempre de Alegria.
Pessoa 2
Fora do estádio, você costuma chorar?
Pessoa 1
Não, aqui é sempre, aqui é diferente, né?
A emoção aqui dentro, aqui é diferente.
No estádio é diferente.
A energia, né?
Da torcida e todo mundo no mesmo, na mesma pegada, né?
É diferente.
Pessoa 2
Claro que tem as exceções posso?
Pessoa 1
Te falar uma coisa?
Pessoa 4
Eu fui no eu fui na final contra o Palmeiras de 1974.
Tem 52 anos.
Eu choro ainda quando eu me lembro disso.
Pessoa 2
Fora do estádio, o senhor também é Chorão?
Pessoa 1
Sim, eu sou de maios taurino.
Taurino é Chorão.
Pessoa 2
Mas é do padrão e não das exceções que a gente vai falar hoje, gente, vocês só para responder umas perguntinhas.
Pessoa 1
Mas responde.
Pessoa 2
Como você chama, Diego?
Pessoa 1
Márcio.
Pessoa 2
Do padrão que alimenta o futebol e de como o futebol alimenta um padrão.
Pessoa 5
O esporte ele agrega em todos os sentidos, né?
Seja social, seja pessoal.
Eu acho que o esporte ele delimita várias Barreiras aí, né?
Pessoa 1
No sentido de.
Pessoa 5
Educacional, né?
A gente sabe que o esporte ele ele gera disciplina, todo esse contexto voltado mais para o lado humano, né?
Pessoa 1
Ah, para mim.
Eu venho para descontrair, para tirar o peso da semana, a Carga Pesada de empresário, muita coisa para fazer.
Aí eu venho desestressar aqui.
Pessoa 2
É isso?
Pessoa 1
Gritando vai, Corinthians.
Pessoa 2
E se tem um jeito de futebol ajudar a fazer o contrário, quebrar o padrão.
Pessoa 1
Ah, Corinthians é demais, principalmente naquele gol do Romarinho.
Pessoa 5
Na Libertadores, né?
Pô, não teve como não chorar aquilo lá.
Aquilo lá estava com a minha filha no colo, um ano recém nascido, e eu não podia gritar, né?
Porque ela estava dormindo.
Mas aquilo ali não teve como não chorar, né?
Ah, claro, foi.
Pessoa 1
Ah, várias vezes eu já.
Mas eu não sou muito fanático não.
E eu vou te falar uma coisa, eu precisei fazer um curso de autoconhecimento para aprender a chorar.
É porque eu sou da geração que que homem não chora que.
Você tem que ser como é que se diz representar a família, aquelas coisas, aquelas aquelas idiotices de crenças, né, que a gente pega quando criança e vai levando para vida.
Aí quando chega lá na frente você sente o peso dela, né?
Que a foi bom, foi bom.
Pessoa 2
Ah.
Pessoa 1
Agora eu desabafo, eu não tenho mais vergonha.
Isso aí é é coisa do passado, mas eu precisei aprender isso.
Pessoa 2
O café de hoje discute o papel do futebol na formação de homens e meninos.
O Gustavo, Luiz e eu, Gabriela Maia, ouvimos gente no campo, nas arquibancadas, nos bastidores e nos estudos do futebol para entender o que esse esporte tem a ver com a masculinidade que a gente costuma ver por aí.
E se dá para fazer do futebol um ambiente menos machista, a gente já volta.
Enquanto a gente entrando no estádio passa pela segurança, mostra a credencial, aquela coisa toda, a gente foi pensando que aquele talvez fosse um jogo importante.
Porque era o primeiro jogo em casa depois da convocação da seleção para copa e nenhum jogador do Corinthians estava na lista do técnico Carlo antelotti.
Quando o Gustavo chamou atenção para isso, ele acompanha o futebol bem mais que eu.
A gente achou que seria interessante ver se algum tipo de frustração aparecia em campo.
Não, porque o comportamento dos jogadores nos interessasse de forma especial.
Mas porque a gente aprendeu nas entrevistas para esse episódio que o que acontece no campo tem impacto no que acontece na torcida e vice versa, uma torcida, por sinal, que estava aquecidíssima antes mesmo de o jogo começar.
Pessoa 4
Às vezes, antes de um jogo começar, ao olhar para a forma como a torcida está se comportando.
Você tem certeza de que seu time vai sair daquele jogo vencedor?
Porque a energia faz com que seja impossível outro resultado de alguma forma.
Da mesma forma, aquilo que acontece dentro do campo produz muitos efeitos sobre aquilo que acontece na arquibancada.
Pessoa 1
O Vinícius carbone é psicólogo e pesquisador e fez o doutorado dele estudando masculinidade de futebol, traçando paralelos entre as formas de torcer e as formas de ser homem.
Pessoa 4
Quer dizer, como determinadas formas de se relacionar e de se comportar e de se posicionar de homens que são referências, né?
Pra principalmente pros jovens torcedores vão produzir efeitos sobre a forma como esses torcedores entendem o que é ser homem, é entendem o que é tido como um jeito certo de ser homem.
Pessoa 1
No fim das contas, não deu pra gente ter uma dimensão concreta se a frustração estava ou não presente nos jogadores que não foram convocados pra copa.
Mas os 90 minutos de partida e mais 1 hora de pré e pós jogo em que a gente ficou ali com a torcida deixaram bem clara a simbiose que rola entre o time e a arquibancada, algo que o Vinícius descreve na pesquisa dele.
Pessoa 2
O Vinícius cita o escritor uruguaio Eduardo Galeano, que era um super amante do futebol.
Em uma frase que diz assim é raro, o torcedor que diz meu time joga hoje sempre diz, nós jogamos hoje.
Saber que não há exatamente uma separação entre quem está em campo e quem está na arquibancada era uma pista pra gente entender como o futebol molda jeitos de se comportar.
Pessoa 4
É importante que a gente consiga entender o futebol para além de uma prática esportiva, né?
Como?
Um elemento que ele é, ao mesmo tempo um reflexo da cultura que existe na nossa sociedade, especificamente no Brasil.
E também um produtor dessa cultura, né?
Então ele atua nesses nesses 2 sentidos.
Pessoa 1
No caso dos homens, essa influência nas formas de se relacionar tem peso especial, segundo o Vinícius, porque o futebol tem sido um espaço bem masculino e o estímulo ao futebol pros meninos vem bem cedo.
Pessoa 4
O futebol ele afeta a subjetivação?
Dos homens de maneiras muito distintas, né?
É daqueles homens que são mais próximos do futebol.
Ele pode afetar a partir do justamente do contato com as culturas torcedoras, com a com a cultura de arquibancada ou para quem não frequenta esse estádio, com outras questões relacionadas a essa temática.
É, mas também é importante pensar em homens que não gostam ou não se interessam por futebol e que de alguma forma também são afetados, tendo um certo não lugar nesse universo.
Masculino em que Oo futebol se torna tão, tão importante assim?
Pessoa 2
Isso não significa, claro, que quem não gosta de futebol, os dissidentes, para usar a palavra do Vinícius, não reproduz comportamentos machistas e nem que todo mundo que gosta de futebol é mais machista.
Pessoa 4
Essa dissidência, ela pode ser uma forma de enfrentamento a uma certa forma de masculinidade que prevalece na nossa sociedade, mas esse enfrentamento também pode acontecer dentro de um universo.
No qual o homem tem interesse por futebol, inclusive dentro do contexto de de torcidas organizadas, por exemplo.
Pessoa 2
O Vinícius falou aí das torcidas organizadas porque ele olhou especialmente para elas.
Na pesquisa dele, ele sempre frequentou o estádio.
Achava meio raso o olhar que a gente costuma ter sobre as organizadas, só pelo ângulo da violência.
Inclusive.
Na conversa, ele citou um dado do pesquisador e sociólogo Maurício muradi de que de 5 a 7% dos integrantes de organizadas.
Tão interessados em se meter em brigas mesmo, a maioria está lá por outros motivos.
Pessoa 1
E esses outros motivos inclui, por exemplo, uma participação e uma formação política, segundo o que o Vinícius encontrou entrevistando os torcedores.
E, claro, tem também uma questão de pertencimento e para pertencer, tem que seguir alguns códigos.
Pessoa 4
Um exemplo bastante evidente, né, é a relação com o que se faz diante de uma derrota do seu próprio time ou do seu do seu time.
Está perdendo o jogo, né?
Muitas vezes, no setor de torcidas organizadas, existe um certo código de apoiar o time até o final e depois da derrota poder cobrar, criticar e protestar de alguma forma.
Se você anda algumas cadeiras para o lado e vai na arquibancada vizinha, muitas vezes esse mesmo código não é seguido da mesma forma.
As pessoas reclamam, né?
Ou usando um termo mais próximo do campo do.
Futebol cornetam, né?
Criticam os jogadores, xingam os próprios jogadores do time, o que no ambiente de determinadas forças organizadas, não.
Não é aceito assim, né?
Pessoa 1
Códigos aqui são um tipo de regra não escrita, um jeito de se comportar que a gente pactua no silêncio mesmo.
Pessoa 2
Tem códigos no futebol e códigos em qualquer outro lugar para definir qualquer comportamento, inclusive os comportamentos que vão te fazer ser lido como um homem ou ser lida como uma mulher.
E como muita gente ainda organiza as coisas de um jeito bem binário.
Por isso a gente está falando nesses termos aqui, homem e mulher.
Enfim, como tudo ainda é bem binário, quando o código da outra pessoa não é tão claro, dá até um nó.
A gente não sabe bem o que é para fazer.
Pessoa 5
Como é que a gente sabe que você é uma menina e que Gustavo é um menino, você é uma mulher e você é ele é um homem?
Né, nós estamos em jogo completo, né?
Vocês estão vestindo cores diferentes, roupas diferentes.
Vocês apesar de estarem numa mesma profissão, mas geralmente podem dividir os assuntos.
Ao você falar sobre isso, você fala, né?
Porque tem coisa que pega mal, tem coisa que pega bem.
O que que é isso?
É jugo.
Pessoa 2
Esse que você está ouvindo agora é o Adão Monteiro, professor de arte do instituto federal de Aracaju e facilitador de grupos reflexivos para homens autores de violência.
Enxuta, como chama a pesquisa que ele fez no doutorado, gênero em jogo, subtítulo, dispositivos de montagem e desmontagem das performatividades masculinas.
Pessoa 5
O jogo tem estrutura, ele tem um espaço.
Ele ele não é real, mas ele também não é só ficção.
Ele tem regra.
Ele tem 11 arena, né?
E o gênero também.
Nós nascemos em jogos, né?
Culturais, que aí tu vai ter uma estrutura, um processo, uma experiência, uma função.
São isso que é característica do jogo, que tudo isso é característico do gênero também, né?
Que a gente pode mudar tanto o gênero como o jogo.
A gente pode mudar as regras para conviver.
Pessoa 2
A gente pode mudar as regras para conviver.
O trabalho que o Adão e outros facilitadores fazem nos grupos reflexivos com homens autores de violência tem a ver exatamente com isso.
Mostrar que dá para mudar as regras do jogo, que a violência não precisa ser a regra da masculinidade, por exemplo, e que, aliás, dá para falar no plural.
Masculinidades, eu sei, tem gente que não gosta desse plural aí, mas aí dá para usar outro, sei lá, padrões.
O ponto é mostrar, aqui tem vários jeitos de ser homem.
Pessoa 5
A violência vem vem dessas frustrações, frustração, de não ser o homem que né, deseja ser, que é o provedor, né?
O homem forte que não adoece, que tem desejo sexual pela mulher e que consegue, né, prover esse desejo sexual.
Então, quando isso não vai fazer nesse checklist, né?
Que é impossível fazer para todos nós.
É, ele vai tendo a frustração, então?
Pessoa 2
E aí entra o futebol de novo.
Porque o Adão contou que esse tema também aparece nos encontros do grupo, inclusive porque por causa da frustração de que ele falava dia de jogo é um problema.
Pessoa 5
Vai despejar essa raiva em alguém, né?
Se não for um outro homem quando vai lá no estádio, né?
Quando eles brigam, né?
Porque essa energia tem que sair.
Né?
Canalizar pra um lugar quando chegam é na esposa, né?
Mas é sempre no que eles acham que pertence a eles, né?
É a minha esposa, não é qualquer mulher, porque muitos falam também da droga, né?
Ah, eu tinha bebido demais, mas só quando ele bebe, né?
Ele não bate em qualquer mulher, ele bate na que ele acha que pertence a ele, né, que tá no âmbito do seu poder.
Pessoa 1
A pesquisa futebol e violência contra a mulher, feita em 2022 pelo fórum brasileiro de segurança pública, com apoio do instituto Avon, que hoje incorporado pelo instituto Natura, analisou dados de 5 capitais brasileiras com times da série a do Brasileirão entre 2015 e 2018.
Essas capitais são São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador e Porto Alegre.
Ouve só o que acontece em dias de jogo.
O número de registros de boletim de ocorrência de ameaça contra mulheres aumenta 23,7% e o de registros de lesão corporal contra mulheres cresce 21%.
Quando o time joga em casa, esse registro de lesão corporal sobe mais ainda.
Quase 26%.
Pessoa 5
Eles trazem também, tipo, é, mas era um momento que era meio, né, tipo assim, ele teve que dividir esse espaço com ele, que é outro espaço também da frustração, tava triste, eu queria ficar sozinho, não queria falar com ninguém.
E é lá tem AA esposa, né?
Ele tem que compartilhar seus sentimentos e aí volta, né?
Nós não fomos socializados para compartilhar sentimentos, então a forma de extravasar vai vir nessa forma de violência.
Pessoa 1
Os homens que estão em grupos como o que o Adão coordena foram encaminhados pela justiça ainda durante o processo ou como parte de sentença por um crime de violência de gênero.
A lei Maria da Penha prevê esses espaços de reeducação, mas não há grupos suficientes no Brasil.
Aliás, há muito poucos.
Nos encontros, eles falam de leis, de masculinidade, de paternidade e, de novo, de futebol.
Pessoa 5
É um dos temas que a gente.
Data, né?
Sobre a socialização masculina, então, o futebol sempre vem, vem como profissão, como lazer, mas o futebol vem sempre como uma coisa de menino, né?
Brincadeira de menino.
Profissão de homem é um Reduto, né?
É coisa de homem.
Pessoa 2
É, acho isso interessante, né?
Que você fala desse espaço de socialização, de sociabilidade, quais são os principais espaços em que esses homens se sentem à vontade pra exercer essa sociabilidade?
Pessoa 5
Bares, né?
Rua, futebol, o trabalho deles, né, o trabalho que no caso é uma socialização bem limitada, né?
Inclusive o sobre o que conversa, né?
Conversa sobre trabalho e o lazer é, é isso, é futebol e churrasco.
E a gente pergunta, né, o que que é falado nesses lugares?
E aí vem muito pouco do de de sentimentos, né?
Pessoa 1
Não foi a toa que a gente perguntou pra tantos torcedores se eles choram no estádio e fora dele também.
Quando a gente nasce, um dos sinais que mostram que a gente tá vivo é o choro e em algum momento da vida chorar.
Fica mais difícil pra gente que é homem.
Mas a gente ouviu de muitas pessoas que no estádio existem outras permissões.
Pessoa 3
Muito, não?
Pessoa 1
Muito difícil, mais mais.
Pessoa 3
O futebol ele vem trazer para os meninos a dimensão, né, de que eles são machos, que eles não podem chorar, que eles precisam de vencer, que eles são Fortes e.
Mas existem cenas.
É em que a emoção do jogo, ela é uma afirmação também da masculinidade.
Então você tem cenas do futebol que os meninos estão chorando e isso é ser macho também, porque é a emoção pelo time, é a emoção pela prática masculina, né?
Pessoa 1
A Eliene Lopes faria, professora de educação física do coutech UFMGO, colégio técnico da Universidade Federal de Minas Gerais.
Pessoa 3
Alguns tipos de toque, né?
É um pegar na bunda do outro, deitar aquele tanto de homem em cima um do outro, segurar as mãos, abraçar, né?
Essa é uma cena que eles estão protegidos pela própria prática, né?
Então a ele é o fato deles estarem dentro do futebol e naquela cena eles poderem realizar.
Isso não coloca em questão AA masculinidade, é porque eles são mesmo.
Daquele lugar e ocupam aquele lugar e tem o reconhecimento de serem masculinizados, né?
Dentro da prática que eles podem realizar isso.
Pessoa 1
A Eliene fez mestrado e doutorado em educação, sempre fazendo a ponte com práticas esportivas, sobretudo o futebol.
No doutorado, ela fez estudos etnográficos no futebol de Várzea de Belo Horizonte.
Pessoa 3
Várzea é engraçado isso, porque eu gosto de assistir o jogo, então assim eu fui ao Mineirão, ao.
Algumas vezes, mas muito pouco.
Não era uma prática que a minha família realizava.
E é isso, uma família que só tem mulheres, só meu pai e 4 mulheres.
Mas no futebol de campo que eu tinha perto da minha casa, um conjunto de Campos assim, acho que 10 Campos de Várzea, um seguindo o outro.
Eu aprendi a apreciar o futebol de Várzea, então eu gosto de assistir.
Pessoa 1
E estudando futebol de Várzea por alguns anos, ela notou 2 coisas, a primeira que jogar futebol é assim mais comum para os homens.
Pessoa 3
Da da observação que eu?
Eu realizei no doutorado.
Os meninos tinham em média é 18 horas de de acesso ao futebol no cotidiano da semana, sim.
E as meninas tinham 45 minutos da aula de educação física dividindo espaço com os meninos.
Então, assim, não é possível aprender nessa cena, né?
Então, pensando.
Pessoa 1
E a segunda coisa que Eliene observou é que também tem SIM 1 jeito certo de ser homem nessa prática.
Claro, tudo tem nuances, né?
Mas tem algo ali que se repete.
Pessoa 3
No Brasil, o futebol é uma prática de exercício de masculinidade hegemônica.
EE tá posto aí a ideia de machismo, né?
É e não é um exercício de falar sobre, é um exercício de modo de ser.
É do cotidiano, da forma de ser.
Então essa cena de construção do machismo No No futebol, ela é muito miúda.
Assim, é 11 coisa que passa pelos poros, na forma de organização, no estar lá, nas na linguagem, no na forma de agir, de se comportar, de estar entre homens.
Pessoa 2
A Eliene disse que foi estudar o futebol mais detidamente, porque desde a graduação, quando ela estava olhando para dentro das escolas, ela entendeu que tinha uma coisa diferente ali.
E ela faz o tempo todo uma ponte entre o futebol da educação física, o futebol da Várzea e o futebol que a gente vê na TV ou no estádio, porque eles têm tudo a ver e um vai influenciando o outro, abrindo ou fechando caminhos.
Pessoa 3
E ainda é muito, muito forte na nossa cultura essa ideia de que as mulheres elas são é socializadas, né?
Para serem mães mulheres e os homens estarem em práticas sociais mais externas, né?
Na rua, para aprender a se colocar.
E não não na rua de uma maneira geral, mas em práticas que envolvem esse esse estar no espaço social.
Então, o aprender das meninas no futebol, ele é 11, aprender muito, é sutil, assim, pequeno também, de muito pouco tempo de de exercício.
Elas aprendem, inclusive, anão participar.
Isso acaba favorecendo a ideia de que o futebol é para os homens, né?
Então.
Pessoa 2
Para Eliane, não dá para pensar o padrão masculino que o futebol alimenta sem pensar na falta de acesso que meninas e mulheres ainda encontram, mesmo que as coisas estejam melhorando.
E aí, de novo?
O futebol da educação física é um primeiro retrato da falta de acesso que vai se repetir nas outras instâncias desses.
Pessoa 3
Esportes muitas cenas de futebol que acontecem na escola são cenas pedagogicamente tratadas para que as meninas possam participar e professor de educação física.
É muito comum professor criar alguma regra para que as meninas possam ter mais oportunidade de tocar a bola.
Então elas.
Participam e aí só vai valer OOO gol se tocar se alguma menina tocar a bola naquela jogada.
O processo de aprender, ele precisa de permitir que a pessoa possa perceber um Horizonte de realização da prática.
As mulheres, elas ficam sem referência.
De onde é, de onde aquilo pode chegar, de o campo da prática?
Madura, né?
Então, o menino que começa a ver com o futebol, com o pai dele lá desde cedo, ele tem um Horizonte que ele olha e fala, nossa, é eu poderia, eu posso ou eu não quero, né, chegar no futebol profissional?
Mas as mulheres não é elas nem sequer tem isso como Horizonte.
Pessoa 2
Eu me lembro.
Eu sou a caçula de uma família com Dois Irmãos mais velhos.
A gente foi criado em oposição.
Eles iam pro estádio de futebol.
Eu queria ir, sou Corinthiana e o meu pai não deixava.
Minha mãe não deixava eu ir e falava, estádio, coisa de menino.
Pessoa 1
Essa que você está ouvindo agora é a Isabela Venturosa, antropóloga e professora da fesp SPE, cofundadora do instituto feminista de cuidado.
Foi engraçado porque quando a gente entrevistou a Isabela, esse episódio seria um pouco diferente.
IA falar de masculinidade, mas não pelo recorte do futebol, mas ela trouxe o futebol para conversa várias vezes.
Pessoa 2
Por exemplo, o espaço do futebol é um espaço que reforça muito uma perspectiva machista.
Não porque o futebol em si e a prática esportiva e torcer por um time é machista, mas porque é muito calcado no machismo muitas vezes, né?
É um espaço que reforça os homens, onde os homens se cultuam.
E a gente vê um exemplo recente com A Juíza no jogo do Bragantino e do São Paulo, né?
Pessoa 1
Você talvez se lembre desse caso, o zagueiro Gustavo Marques, do Red Bull Bragantino.
Ele falou isso aqui depois que o time dele foi eliminado do Campeonato Paulista desse ano pelo São Paulo.
Eu acho que a federação Paulista tem que olhar para para os jogos desse tamanho, não colocar uma mulher.
Todo respeito as mulheres do mundo.
Eu sou casado, é, eu tenho minha mãe.
Então desculpa aí se eu tô falando alguma coisa para as mulheres, mas ela depois de ele questionar a capacidade da árbitra Daiane Muniz Por Ela ser mulher.
A repercussão, claro, foi muito negativa e o Gustavo Marques pediu desculpas, citando mulheres da família dele.
Quero que possa me perdoar pela minha fala.
É, estou mal?
Pessoa 2
Estou triste a.
Pessoa 1
Minha esposa já me xingou, a minha mãe já me xingou.
Então estou aqui para pedir perdão.
Estou sendo homem, estou sendo ser humano.
É todo ser humano erra.
O zagueiro foi punido por esse episódio.
Ele foi suspenso por 12 jogos e multado em 30000 BRL pelo tribunal de justiça desportiva.
Pessoa 2
Também pegar o jogador do Bragantino como se ele fosse o pior do homem do mundo e fosse o único que pensasse o que ele falou.
Ele só teve coragem de falar em voz alta.
Pessoa 1
A Isabela Venturosa de volta?
Pessoa 2
Os colegas, eles devem pensar a mesma coisa.
O cara que está assistindo em casa pensa a mesma coisa.
A Isabela e outras pessoas que a gente ouviu enfatizaram que não dá para gente isolar contextos e ambientes.
Tipo, o futebol não está apartado do mundo.
E se a gente ainda vive num mundo machista, meio difícil que qualquer lugar não seja assim, mas o futebol pode ter alguns elementos que acentuem isso, como você está ouvindo até aqui, né?
Para Isabela, um desses elementos são rituais, às vezes violentos, para que um homem seja aceito em um grupo trotes.
Nada em comuns em ambientes em que homens convivem quase que exclusivamente com homens.
Como é o caso de alguns ambientes do futebol.
E acho que também tem uma coisa aí que me chama muito, que é o quanto esses espaços são também são espaços de violência em primeira pessoa.
Então, para você se tornar o ídolo, talvez vocês, você tem que levar várias chicotadas de toalha molhada.
Então é um jogo de parte, perde.
Topar ser alvo de violências mais ou menos graves, mais concretas, mais simbólicas, para pertencer.
Não tá só no vestiário.
Sofrimentos de várias naturezas são uma espécie de referendo de atestado também para o torcedor, como se o sofrimento te fizesse mais.
Torcedor tenta puxar aí na memória.
Quantos gritos de torcida você conhece que evocam essa ideia de sacrifício?
Tá, não precisa puxar da memória.
A gente vai te ajudar.
Você ouviu aí, né?
Os gremistas estão dispostos a acompanhar o time caminhando, correndo, seja lá como for.
Bom.
Já os cruzeirenses abrem mão de qualquer coisa pelo Cruzeiro.
Os torcedores dariam tudo pelo time do coração.
Tipo o que a torcida do esporte canta.
Quer mais exemplos?
Tem bom, tem o palmeirense de coração partido.
E tem o clássico grito corintiano.
Pessoa 1
Vinícius carbone, psicólogo e pesquisador que você ouviu mais cedo, explica que em alguns contextos que ele chama de monossexuados, nesse caso, homem convivendo com homem, alguns comportamentos ajudam a garantir o acesso.
Pessoa 4
Claro que é hoje em dia e cada vez mais existem.
Mulheres que fazem parte de torcidas organizadas.
Mas é importante a gente poder olhar pra esse contexto como 11, contexto em que a masculinidade de alguma forma prevalece, né, e um certo tipo de masculinidade prevalece, pra que a gente seja capaz de de entender esse amor como a possibilidade de entrada naquilo que um autor francês chamado Daniel welzerlang vai chamar de casa dos homens.
Esse autor vai trabalhar com a ideia da capacidade de suportar o sofrimento como uma condição de acesso a essa casa dos homens.
Pessoa 2
E suportar o sofrimento é o que permite se emocionar.
Enfim, é tem uma permissão para sentir, ao ter uma permissão para sofrer ou ao ter uma capacidade de sofrer de suportar o sofrimento.
Pessoa 4
É quando a gente pensa no espaço das arquibancadas.
Ele, ao mesmo tempo, é um espaço de uma certa virilidade, de criar casca.
Mas ele é um espaço em que, como vocês colocaram, homens choram de uma forma que não choram em outros, em outros contextos.
Abraçam outros homens desconhecidos como se fossem parentes íntimos, no contexto de uma comemoração, né?
Então existem performances corporais.
EE existem sentimentos que aparecem no contexto de um estádio de futebol?
Que muitas vezes não não tem tanto espaço na vida de homens em outros contextos.
Pessoa 1
E isso me lembra bastante Vinícius, por exemplo.
Assim como homem, eu tenho uma dificuldade genuína de descrever o meu sofrimento fora do futebol.
Eu não sei, às vezes, falar se eu tô.
Bem, se eu tô mal, se eu devia sentir aquilo como eu tô sentindo, se eu tô emocionado o suficiente ou tô emocionado demais.
É um dilema que eu vivo.
Só que no futebol eu consigo descrever meu sofrimento.
Pessoa 2
Fala como ninguém, como ninguém.
Pessoa 1
Consigo falar assim, pô, era aquele jogador que não foi convocado, aquele lateral que subiu demais, aquele zagueiro que de repente fez uma atrapalhada e a gente acabou tomando um gol.
Então, assim.
Me parece que o futebol ele ele tem pros homens um contexto linguístico, né?
A gente fica dentro de um mesma esfera de código, de mesma esfera de cultura, de poder reconhecer o sofrimento de outros outros homens.
Pessoa 2
Léxico, exatamente, essa era a palavra.
Pessoa 4
Acho sensacional essa aproximação que que vocês fazem, porque acho que sim.
Acho que para a gente ser capaz de falar sobre o nosso sofrimento, né?
E isso é algo que, na minha experiência.
Como o psicólogo clínico comparece bastante, muitas vezes parte do processo envolve construir a possibilidade de narrar esse sofrimento.
Se por um lado o futebol permite que a gente acesse uma série de de emoções que em outros contextos, elas ficam um tanto.
Fechadas não são expostas.
Por outro, o fato de em muitos círculos masculinos, esse tipo de de conversa às vezes é o que prevalece e às vezes é a única coisa que que existe na relação entre homens.
Isso também configura 11 desafio ainda maior, né?
Para que esses homens possam aprender a falar do próprio sofrimento, das próprias angústias, com outros homens.
Pessoa 1
Quer dizer, o futebol pode ser um limitador para falar de emoções se ele travar o resto da conversa e ficar só nisso, mas ele também pode ser uma porta de entrada.
Pessoa 4
Muitas vezes na clínica, principalmente com homens que se colocam de uma forma mais fechada e que não tem tanto tanto interesse Na Na clínica da psicologia, por exemplo, abordar os temas que são de interesse dessas pessoas ajuda muito, né?
Então, às vezes, começar a falar sim, sobre o sofrimento que é ver seu time perder, sobre o sofrimento que é viajar pra acompanhar seu time EEE, ter uma derrota ali ou os conflitos que acontecem numa viagem como essa.
Acho que falar sobre as emoções é relacionadas ao futebol, pode ajudar a falar sobre emoções em outro âmbito.
Mas isso existe trabalho, né?
Não, não.
Acho que é algo que acontece naturalmente, digamos assim.
Pessoa 2
Com trabalho, então, pode ser que uma conversa que comece com e o Goiás, Hein?
Termine em grandes reflexões sobre a subjetividade masculina.
Pessoa 4
Olha, eu gosto de acreditar que sim, né?
E pra mim isso faz muito sentido, porque é um pouco da minha experiência pessoal.
Passa por aí grande parte das minhas grandes amizades.
As pessoas mais próximas que eu tenho na minha vida hoje são amigos, dos quais eu fiquei muito próximo por causa do futebol e que hoje em dia a gente.
Tem uma construção de parceria e de camaradagem que tá muito além das arquibancadas e que a gente é capaz de de falar sobre os assuntos mais íntimos e de e de dar suporte e sustentação um pro outro nas condições mais mais difíceis, né?
E também nos nos melhores momentos da vida, então.
Pessoa 2
Quando a gente tava produzindo esse episódio, a escritora Luísa Romão lançou um livro infanto juvenil pela editora quelonio.
Ontem vi meu pai chorar.
É o nome do livro, é a história da Gigi, uma menina que investiga porque o pai tava chorando.
Um fato tão inédito que virou o nome de uma história que ela tava contando.
Pessoa 1
O pai, claro, disse que não foi nada.
Aos poucos, ela vai associando o choro dele a camisa listrada que veste quando chora aos gritos de gol que rola nessas ocasiões.
E É Ela quem ensina o pai que tudo bem, ele chorar.
Não tem problema.
Ô Gigi.
Tem muita gente que tá precisando te ouvir, viu?
Pessoa 4
Pra mim é uma.
Pessoa 1
Diversão pra gente é você poder expressar, né?
Com às vezes o estresse do dia a dia, você consegue vir pro estádio você desabafar aquele aquela tensão, o estresse.
Pessoa 4
Que você vá a raiva que você passa no dia a dia, né?
Eu gosto.
Você bafa gritando gol, né, comemorando.
Pessoa 2
Né?
Pessoa 4
Aí você vai embora bravo.
Pessoa 1
Aí.
Aí acho que é pior.
Pessoa 4
Ainda, né?
Aí você fica mais já não, nunca chorei nunca.
Pessoa 2
Chorar é difícil.
Pessoa 4
É muito.
Não sei também.
Eu não consigo.
Parece que.
Pessoa 1
Não, não tenho sentimento assim pra chorar assim consigo chorar.
Pessoa 4
Não sei porquê, não, quando criança não, mas depois de grande parece que.
Pessoa 1
Depois de grande, parece que parece que trava.
Pessoa 2
A trava que existe no mundo do futebol para falar de masculinidade e de machismo ficou bem marcada para gente de cara, porque ninguém queria falar.
Se a gente vai falar de futebol, é importante ouvir jogadores, né?
Foi o que a gente pensou.
Mas os jogadores e os clubes não pensavam a mesma coisa.
A gente levou não atrás de não a cada pedido de entrevista.
Até que o Coritiba abriu um espaço e um jogador topou falar.
Pessoa 5
Eu comecei muito cedo, né?
Comecei desde os 8 AA jogar bola, né?
Em alguns clubes e.
Pessoa 2
João Vitor benassi.
Pessoa 5
Comecei na ferroviária, né, que é o clube da de Araraquara, da minha cidade, então nunca me imaginei no mundo sem o futebol.
Pessoa 2
O benassi tem 22 anos e é goleiro.
Pessoa 5
No Brasil, você um você já nasce querendo jogar bola, né?
O país do futebol você já nasce com esse desejo, tá?
Tá incluído na minha infância desde sempre, jogar a bola na rua, jogar a bola com os meus amigos, então.
Pessoa 2
Como ele contou, ele começou na ferroviária, que era da cidade em que ele e a família moravam, e isso, esse fato, jogar na cidade dele fez bastante diferença.
Pessoa 5
Então, minha base inteira foi ao lado da minha família, que eu acho que é algo que facilitou muito a minha vida, porque.
Tem meninos que saem de casa com 1314 anos, né?
E eu acho que estar junto com a família facilitou muito, muito minha vida.
Pessoa 2
Como muitos meninos mudam de cidade e de estado para poder jogar bola, o clube de futebol em que eles treinam tem um papel grande na vida deles.
É ali que eles aprendem muita coisa.
Pessoa 5
Eu sou de uma geração mais nova já, né?
Eu sou nascido em 2003, então minha minha época de base já vem um pouco mais dessa época recente, né?
Então, na ferroviária, eles sempre estimularam muito essas conversas, questão de racismo, questão de machismo, futebol.
Eu acho que ele que ele tá aí para moldar a vida.
Então, desde sempre, na base ali você consegue moldar seres humanos, né?
E na ferroviária sempre foi algo que foi muito frequente essas conversas.
Pessoa 2
Você é um jogador jovem.
Imagino que em alguns momentos conviva com jogadores.
É de outras idades, né?
EE, talvez jogadores que tenham algo a te ensinar.
É, você sente isso que você aprende com os jogadores mais velhos?
E aí eu pergunto o inverso também, se de alguma maneira você sente uma pressão dos jogadores mais velhos.
Se, por exemplo, eu me deparo com meu ídolo e meu ídolo, na prática é um pouco machista.
Eu vou bancar não ser machista na frente do meu ídolo?
Pessoa 5
Gabi, eu acho que essa é uma questão que que assim OA gente aprende mais, né?
Com os mais velhos, demais, demais, demais.
Eu acho que o futebol.
Ele grande parte é de aprendizado no dia a dia, com pessoas que já passaram por experiências que que você ainda quer passar, né?
Que no coxa a gente tem, tem vários campeões de Libertadores, né, que é um sonho que muita gente tem.
Eu tenho um sonho de ser um campeão da Libertadores e eu acho que aprendendo todo dia com eles você fica mais forte, né?
Eu acho que uma pessoa sozinha ela é forte, mas aprendendo com outras ela fica mais forte ainda.
E a questão da pergunta que você me fez, eu acho que.
A gente, claro, você é um jogador jovem, no meio de de muito jogador, experiente, muito jogador que tem uma bagagem assim.
Você se contém um pouco mais, né?
No que você pensa, no que você vai falar e tal.
Mas com o convívio, isso daí tende.
AA ser tranquilo porque viram amigos, né?
Pessoa 1
O benassi sente que há esforços para melhorar o ambiente machista no futebol.
Tipo a parceria que o Coritiba, o time dele, fez com a Defensoria pública do estado do Paraná para desenvolver iniciativas de conscientização contra a violência de gênero.
Ele também vê outros movimentos que aos poucos vão tendo resultado e vão sendo sentidos dentro do campo.
Pessoa 5
Era rotineiro.
Antigamente, gritos homofóbicos quando, sei lá, o goleiro IA bater o tiro de meta.
E esse tipo de coisa, né?
Eu acho que vem diminuindo muito.
A gente sente de dentro do campo, é muito menos menos comum você ouvir isso, né?
E quando?
Acho que uma coisa boa, que hoje em dia, quando é ouvido, é repreendido, né?
Então só tende a diminuir.
Pessoa 2
É uma questão mais de medo ou de entendimento.
Assim, as pessoas deixam de falar porque há uma punição ou deixam de falar porque entenderam que bom, não dá para falar.
Pessoa 5
Eu acho que assim, uma coisa levou a outra, né?
Eu acho que no começo, muito provavelmente por por questão das punições e por.
Por você perder alguma coisa ali.
Mas eu acho que uma coisa levou a outra.
Eu acho que o entendimento hoje ele é muito mais, tá muito mais na cabeça das pessoas, sabe?
Pessoa 1
Essa mudança a gente também sentiu no jogo do Corinthians que eu e a Gabi vimos no estádio e não teve um xingamento machista, homofóbico, nem nada do tipo, mas assim, tinha um lembrete lá o tempo todo.
Pessoa 2
Proibido, proibido manifestar tantos discriminatórios apareceu lembrando, né?
E aí tem uma lixinha mais racista.
Vamos torcer com garra e sem homofobia.
O Corinthians não tolera desrespeito a lá mensagens lembretes agora falando dos cartazes também, né?
Proibido cortar cartazes, Bandeira simples ou outros com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista.
Estromofoto e com xenófobo caso presencie atos discriminatórios.
Alerte nossa equipe de orientação e segurança.
Pessoa 1
Então.
Pessoa 2
Para que fosse um espaço educativo, precisaria de novas regras.
Pessoa 5
Podemos nos apoderar dessas novas regras, ser 11 processo educativo, por exemplo.
Os meninos lá aprendem o que é.
É regras de jogo.
Pessoa 1
Esse é o Adão Monteiro, facilitador do grupo reflexivo de homens autores de violência.
De novo e ele tá pensando com a gente o que seria preciso pra que o futebol passasse pro outro campo e, em vez de estimular um padrão, ajudasse a quebrar o padrão.
Pessoa 5
A também a obedecer, apesar da gente ir na TV, que não obedece um juiz.
Mas tem lá, tem um hierarquia também, tem comandos, tem tempo.
Isso tudo é aprendizado de jogo, né?
Assim como é na escola também.
Pessoa 1
Mudar as regras é um processo bem longo e pouco simples, mas tem que começar em algum lugar, às vezes em ações educativas mesmo, segundo Adão.
Pessoa 5
Teve o uma campanha menos ódio, mais futebol da federação Paulista de futebol que eles proibiram, né?
Os pais na categoria de base, né?
Os as crianças lá fazendo aquelas peneiras, aqueles joguinhos.
E os pais são proibidos de irem.
Por quê?
Porque os pais iam chegar aos meninos de viado.
Né?
E xingar suas mães, xingar os outros pais.
E os meninos estavam lá, né?
Sem entender ainda.
Eles estavam jogando bola, né?
Mas eles começam a entender que é uma disputa de de cenário.
Pessoa 3
Na torcida pelo seu filho, ele acaba xingando o adversário ou até entre eles eles brigam tal, né?
De uma forma geral, então a gente tem também trabalhado com esse tema pros pais das mães terem assim a consciência do papel, da importância deles na arquibancada, né?
Pessoa 1
Faz 20 anos que a Regiane Cristina Ferreira integra o núcleo educacional, social e psicológico do Corinthians.
Pessoa 3
E aí nessas atividades educativas, a gente tem dialogado também com eles, diversos assuntos.
Pessoa 1
Eles são jogadores da base.
Ela, que é assistente social, e outros profissionais do núcleo trabalham com meninos de 7 a 17 anos às.
Pessoa 3
Vezes a gente vai falar da violência, a gente sempre vai.
Se posicionar é a questão, né?
Do do combate ao machismo, em dizer é de uma sociedade que a gente vive patriarcal, né?
De opressão contra a mulher.
E a gente também vai conversando com ele sobre isso.
Pessoa 1
Nessas 2 décadas, as conversas que ela leva para os jovens jogadores foi mudando de cara, novos temas foram chegando, inclusive falar de masculinidade, de machismo, e ela viu a receptividade a esses temas mudar também.
Pessoa 3
Até com os meus colegas de trabalho, né?
O pessoal das comissões técnicas gestores percebe que há uma maior é abertura no entendimento deles.
Pessoa 1
Mas isso não significa que as portas estejam totalmente abertas.
Pessoa 3
A gente percebe que existe algumas resistências porque vive nessa sociedade independente, né?
Deles estarem ou não jogando bola, agora treinando.
Eles são frutos de uma sociedade machista, né?
Então, por mais que hoje na sociedade que se fale sobre isso, a gente percebe que há uma outro lado que vem também forte de negar isso, de ter uma questão muito mais conservadora.
É alguns atletas, são evangélicos, alguns atletas dentro de casa não tem essa discussão, como eu falei, além de.
Antes de ser atletas, eles são adolescentes de uma frutos de uma sociedade, então eles também trazem isso de casa.
Pessoa 1
Muitos clubes brasileiros têm feito um trabalho multidisciplinar com a base para levar conversas que talvez esses jovens não tivessem fora dali, falar de racismo, de machismo, de homofobia, de jeito de ser homem.
Mas esse trabalho não começou Do Nada.
Veio depois que falas e comportamentos violentos passaram a ser punidos com mais rigor.
E que cobranças externas por posicionamentos dos clubes cresceram.
Pessoa 5
Tudo partiu da percepção do que a torcida esperava do clube num sentido mais amplo, né?
Pessoa 2
O Vitor Ferraz é diretor de relações institucionais do Bahia.
Pessoa 5
Claro que em se tratando de futebol, é óbvio que esperam triunfos, conquistas, resultados, mas é é a partir da da visão de que o torcedor tem de que o seu clube ele representa em diversas esferas e que o clube.
É, tem um lugar de fala ali o clube é ouvido, é percebido.
EEO.
Torcedor dedica uma atenção a tudo que o clube fala.
A gente tinha uma inquietação de que maneira a gente poderia extrapolar um pouco o âmbito do campo, de que maneira o clube poderia influenciar socialmente os seus torcedores a debater temas?
Não impor verdades, não impor é visões, mas é sobretudo a promover debates.
Pessoa 2
O Bahia faz campanhas e parcerias para evitar a discriminação e a violência nas redes sociais.
É um time que se posiciona de forma bem clara, contra opressões diversas.
Fala de tudo isso que o Gustavo citou, racismo, machismo, homofobia e também dissemina mensagens para estimular reflexões.
Agora em junho, por exemplo, como parte de uma parceria com o fundo de população da ONU, o Bahia postou masculinidade positiva.
O que significa?
Era um Carrossel de fotos e textos que falavam sobre homens, que cuidam, que jogam ao lado de mulheres que dialogam e dizia que tudo isso também é força.
Ações assim, segundo Vitor, tem uma repercussão enorme entre a torcida e também ecoam dentro de campo.
Pessoa 5
Temos percepção clara de que isso é alcança os nossos atletas a partir de depoimentos que alguns atletas já nos fizeram.
Um atleta chamado Flávio, um meio campo que é 11 das campanhas que nós fizemos, nós estimulamos o uso da camisa 24, que por por motivos é é banais.
Era vulgarizado e era estigmatizada como 11.
É o número relacionado à questão da homossexualidade, que é era tido como um tabu no futebol.
E esse atleta resolveu que iria encampar essa campanha e passou AAA utilizar a camisa 24.
Pessoa 1
E.
Pessoa 5
Isso isso foi super comentado e o atleta ganhou uma notoriedade também por conta disso.
E ele passou então a utilizar a camisa 24 em outros clubes depois que ele que ele saiu do Bahia.
É a partir da identificação que ele encontrou com o tema é e da importância que ele compreendeu que ações dessa natureza tinham.
Pessoa 2
Mas esse não é o cenário geral do futebol.
Pelo menos não ainda.
O Vitor disse que os clubes têm conversado mais sobre isso, inclusive um clube conversando com outro.
E ele enxerga um movimento crescente dos times para passar mensagens mais claras para a torcida e para os jogadores, sobretudo aproveitando Datas especiais.
Pessoa 5
É, não há uma agenda permanente de debate sobre temáticas.
Dessa natureza, mas há em diversos momentos, é muitas interações pra que hajam colaborações e campanhas em conjunto sobre temas específicos.
Então eu posso dar um exemplo pra vocês que até 45 anos atrás da data do orgulho LGBTQIA+ apenas 2 clubes fizeram manifestações em redes sociais sobre esse tema.
É, no ano passado apenas 2 clubes não fizeram.
Pessoa 2
Os clubes fazerem isso significa eles tentarem fazer as pessoas pensarem.
E as pessoas que a gente ouviu acham que o futebol tem um potencial educativo, um potencial que vem também do peso enorme que esse esporte tem sobre homens e meninos.
No Brasil, ele ocupa um espaço tão relevante que tem uma linguagem própria, um jeito todo dele.
E pode estar aí uma chave de mudança.
Se eu chegar nesse menino e quiser falar feminismo de de cima A baixo e apontácio você não.
Se você é um machista, etcetera, ele não vai me ouvir.
Ele não vai mudar de perspectiva.
A antropóloga é Isabela aventurosa de novo.
Então eu acho que falta para gente essas estratégias que de fato dialoguem na ponta com os meninos, não é?
Isabela dando palestras falando feminismo, 4 ondas do feminismo, etcétera, equidade.
Você tem que falar a linguagem dos meninos.
Você tem que estar no streaming, você tem que estar nos jogos e no futebol.
Pessoa 1
Se você pensar bem, a linguagem do futebol tem muito a ver com mudança.
No futebol, ele alimenta muitos sonhos, principalmente entre meninos e homens, que vislumbram o futuro dentro do campo, um futuro que mude a vida deles e da família deles também.
Você viu que a ideia do provedor tá aí de novo, mas enfim, são poucos entre eles que vão ganhar milhões e milhões.
Mas tem outro jeito de futebol mudarmos que nós conquistamos.
A despeito da desses altos e baixos.
O que que o meu pai conquistou, da onde nós chegamos também são.
Graças ao futebol se hoje eu sou doutor na USP, o graças ao esporte, ao amor que eu tenho pelo esporte e pelo futebol.
Esse é o pesquisador Donald verônico, doutor pela escola de educação física e esporte da USP e filho do ponto esquerda Abel verônico, que jogou no Santos do Pelé.
Primeira oportunidade que ele tentou na categoria de base foi do Botafogo.
Minha avó, mãe do meu pai, falou com o Garrincha.
Ele ficou lá um tempo.
Aí acabou não dando certo, voltou lá para a Terra dele e depois acabou estourando no ameriquinha.
Foi quando ele jogou no América do Rio, aí o Santos contratou.
A gente foi ouvir o Donald, porque ele estuda a sub representatividade de treinadores negros no futebol brasileiro e no mapeamento de jeitos para melhorar o futebol, ele encontrou caminhos que talvez possam ser aplicados para enfrentar outras coisas além do racismo.
Exemplos, por exemplo, nos Estados Unidos, lá tem uma lei.
Desde o início do século desse século que se chama Rooney roo, que é a regra de Rooney é uma política da NFL, a liga profissional de futebol americano dos Estados Unidos, que bem resumidamente, toda vez que uma equipe da NFL da do da liga norte Americana profissional vai contratar um treinador, a Lee diz que elas são obrigadas AA entrevistar pelo menos 2 antes era um, depois passou, passaram a ser 2.
Treinadores negros?
Se vai contratar ou não é outra história.
Hoje, essa regra determina que sejam entrevistadas 2 pessoas de vários grupos sub representados no esporte, inclusive mulheres.
É um jeito de obrigar o futebol lá no caso futebol americano, a ficar se olhando no espelho, lembrar que nem todo mundo tá ali.
Pessoa 2
No Brasil, o acesso de mulheres tem crescido em todos os âmbitos.
O interesse feminino por futebol cresceu 25% entre 2022 1025, segundo uma pesquisa ibope repucon.
A participação delas em jogos cresceu 32% nos últimos 2 anos, de acordo com o levantamento da bps, uma empresa especializada em Reconhecimento facial nos estádios.
E uma reportagem do jornal o valor econômico mostrou que o número de jogadoras com carteira assinada cresceu 8 vezes em 20 anos.
Mas os acessos ainda não estão todos abertos.
A gente vai chamar a professora de educação física Eliene Lopes faria aqui de novo, porque, como a gente já disse, ela acha que não dá para mudar a forma como futebol impacta meninos e homens.
Sem falar do futebol para meninas e mulheres.
Pessoa 3
A educação física já tem feito esse movimento, mas ele ainda é pouco.
É um movimento pequeno porque a cena do futebol é ampla, ela é maior, ela é midiática, ela é cotidiana para maioria dos meninos no Brasil.
Então ela precisa de talvez ultrapassar esse muro e trazer uma possibilidade de diálogo maior, sabe?
Pessoa 2
Aí, segundo Eliene.
Entram políticas públicas, entra a mobilização dos clubes.
Tudo sem abandonar essa etapa que ela considera tão importante, a educação física já na escola, um espaço que também é cheio de desafios e cheio de provocações.
Pessoa 3
Um dia desses, estava dando aula para as meninas e para os meninos numa prática de futebol.
E os meninos perguntaram, posso jogar sem camisa, professora?
Estava um calor danado e eu falei, olha, não vejo problema.
Aí uma menina virou e falou assim, podemos jogar sem camisa, professora, nossa, ela me travou toda na hora que ela falou isso, eu falei, nossa, se eu deixasse jogar de top da direção, baixaria lá na hora.
EE eu falei, puxa vida, meninos, voltem com as camisas, ninguém pode jogar sem camisa.
Eu tenho que pensar sobre isso, porque foi um choque para mim.
Não era parte do do daquilo que eu tava pensando que as mulheres pudessem pleitear a ideia de jogar sem camisa, né?
Então é se ver.
É muito difícil e as mulheres podem realizar esse tensionamento a cada dia, eu percebo.
Pessoa 2
Esse tensionamento é as mulheres estarem ali e estando ali mostrarem que pode ter outros jeitos de estar na torcida e de estar também em campo.
Pessoa 3
A presença das mulheres, uma presença qualificada, o diálogo, a abertura de espaço para o diálogo, formas de interação e de realização das práticas que possam dar acesso a mais pessoas também pode ser um caminho, né?
Se eu tenho um espaço que ele é hegemônico na presença dos homens, é mais difícil que eles possam perceber.
É aquilo que está estruturando o espaço, porque a ideia de que atravessa o meu trabalho é de que aprender e viver são sinônimos que a gente vai sempre aprender.
Mas nem sempre o que a gente aprende é bom, né?
E no caso da do machismo, da misoginia, é preciso desaprender.
É mais difícil desaprender.
Pessoa 2
Em votação apertada, a Colômbia elegeu ontem o candidato de ultra direita Abelardo della sprietia, como presidente.
Com 99,58% das urnas apuradas, o advogado apoiado por Donald Trump conseguiu 49,66% dos votos contra 48,69% do adversário, Ivan sepeda, apadrinhado do atual presidente, Gustavo Petro.
Essa contagem preliminar, que confirma a tendência observada por pesquisas de intenção de voto, costuma coincidir em quase 100% com os resultados finais, que devem ser divulgados só nos próximos dias.
A primeira vez que esperei vai ocupar um cargo público.
Na campanha, ele mostrou desprezo à classe política e usou uma retórica agressiva nos comícios, que fazia atrás de um vidro blindado, chamando os adversários de criminosos, tentando colar o candidato da esquerda às guerrilhas.
Credenciais de acesso de 2 agentes da defesa civil do Pará foram usadas no disparo de alertas falsos a milhões de celulares de várias partes do Brasil na noite de sexta-feira e na madrugada de sábado.
Documentos enviados à polícia federal e obtidos pela folha dizem que o governo federal afirma que o uso de credenciais de agentes estaduais autorizados a enviar mensagens só para o Pará agrava a ocorrência porque foi possível extrapolar a restrição territorial que deveria valer para eles.
A principal suspeita do governo é de que um hacker tenha usado as senhas dos 2.
Para emitir os alertas falsos com conteúdos variados, as mensagens tinham menções à misantropia, que é aversão a pessoas ou ao que é humano e ataque alienígena, entre outros textos, a depender da cidade ou do estado.
Os alertas chegaram a celulares de 6 capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba e Rio Branco e foram enviados para a população de vários municípios de São Paulo, do Rio de Janeiro, do Mato Grosso do Sul e do Distrito Federal.
No próprio sábado, APF abriu investigação para apurar a invasão dos sistemas da defesa civil.
A plataforma de envio de alertas foi retirada do ar na madrugada de sábado, logo depois das mensagens chegarem aos celulares.
Ontem, o Ministério da integração e do desenvolvimento regional afirmou que o sistema de alertas está operacional.
Mais eventuais disparos que sejam necessários só poderão ser feitos pelo centro nacional de gerenciamento de riscos e desastres porque o acesso dos estados foi bloqueado.
Esse foi o café da manhã, podcast mais importante do seu dia, uma parceria entre a folha e o Spotify.
Eu sou a Gabriela Mayer e apresentei esse episódio com o Gustavo Luiz.
A produção é do Gustavo e da Jéssica Cruz, a supervisão de roteiro é do Gustavo Simon e da margê flores e a edição de som do Rafael concli.
Esse episódio usar áudio GTNT esportes Brasil, ESPN Brasil, do canal torcida Brasil e de canais das torcidas de Grêmio, Cruzeiro e Palmeiras.
Obrigada pela companhia e até amanhã.
Podcast Summary
Key Points:
O futebol é um espaço de forte expressão emocional para homens, que choram mais livremente no estádio do que fora dele.
A masculinidade tradicional, que ensina que "homem não chora", é reforçada e também desafiada dentro do ambiente futebolístico.
Homens frequentemente canalizam frustrações (inclusive do futebol) em violência doméstica, com aumento de agressões contra mulheres em dias de jogo.
O futebol funciona como um reflexo e produtor de normas culturais de gênero, influenciando desde a infância a socialização masculina.
Iniciativas como grupos reflexivos para homens autores de violência usam o futebol como tema para discutir masculinidades e quebrar padrões machistas.
Summary:
A transcrição explora a relação entre futebol e masculinidade no Brasil, revelando como o esporte serve como um espaço único de expressão emocional para homens. Torcedores entrevistados admitem chorar no estádio — por alegria ou tristeza — mas raramente fora dele, refletindo a pressão social para que homens não demonstrem vulnerabilidade. O futebol é descrito como um "reduto masculino" que desde cedo ensina meninos a serem fortes e competitivos, ao mesmo tempo que permite certas permissões emocionais dentro do contexto do jogo.
Pesquisadores como Vinícius Carbone e Eliene Lopes faria apontam que o futebol tanto reflete quanto produz normas de gênero, influenciando comportamentos dentro e fora dos estádios. Dados alarmantes mostram que, em dias de partida, os registros de violência doméstica aumentam significativamente, com homens canalizando frustrações (derrotas, pressões) contra suas parceiras. Grupos reflexivos para homens autores de violência, como os coordenados por Adão Monteiro, utilizam o futebol como tema para discutir masculinidades, mostrando que é possível mudar as "regras do jogo" e construir formas mais saudáveis de ser homem.
A transcrição destaca que, embora o futebol possa reforçar padrões machistas, ele também oferece brechas para questioná-los, como quando torcedores aprendem a chorar e se conectar emocionalmente através do esporte.
FAQs
Segundo torcedores ouvidos, a emoção coletiva do estádio, a energia da torcida e o contexto do jogo criam uma 'permissão' para expressar sentimentos que fora dali seriam vistos como fraqueza. Um torcedor mencionou que precisou fazer um curso de autoconhecimento para aprender a chorar, pois foi criado com a crença de que 'homem não chora'.
O pesquisador Adão Monteiro trabalha com grupos reflexivos para homens autores de violência, onde discute-se que é possível 'mudar as regras do jogo' da masculinidade. O futebol aparece como tema para mostrar que a violência não precisa ser a norma e que existem múltiplos jeitos de ser homem.
Dissidentes são homens que não gostam ou não se interessam por futebol. Segundo o psicólogo Vinícius Carbone, eles ocupam um 'não lugar' no universo masculino, o que pode ser uma forma de enfrentamento aos padrões hegemônicos de masculinidade.
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2022) mostram que ameaças aumentam 23,7% e lesões corporais 21% (quase 26% em casa). A frustração masculina com o resultado do jogo é frequentemente canalizada para a parceira, que é vista como 'pertencente' ao homem, segundo relatos de grupos reflexivos.
O escritor Eduardo Galeano destacou que o torcedor raramente diz 'meu time joga hoje', mas sim 'nós jogamos hoje'. Isso reflete a simbiose entre time e arquibancada, onde a identidade masculina se funde com o desempenho do clube.
A professora Eliene Lopes Faria explica que, dentro do futebol, gestos como abraços, deitar uns sobre os outros ou segurar as mãos são 'protegidos' pela prática esportiva. Como os homens já têm o reconhecimento de sua masculinidade ali, esses toques não a ameaçam.
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