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O crime da Praia dos Ossos

54m 23s

O crime da Praia dos Ossos

O áudio inicia com um convite da Rádio Novelo para um curso gratuito de podcast narrativo. Em seguida, apresenta o episódio "Praia dos Ossos", que reconta o assassinato de Angela Diniz por Raul Fernando do Amaral Street (Doca) em 1976, na Praia dos Ossos, Búzios. O caso, amplamente coberto pela mídia, envolvia personalidades da alta sociedade. A narrativa detalha a fuga de Doca, sua entrega dramática à imprensa antes da polícia, sua prisão e a defesa que alegou seu estado emocional fragilizado, utilizando até sonoterapia. A investigação foi marcada pela teoria do delegado Nilton Vatsão sobre um suposto traficante, "PR", como mandante, uma versão amplamente divulgada sem provas, mas que refletia a dificuldade em aceitar a violência doméstica como motivação. O episódio vai além do crime, analisando seu impacto como divisor de águas para os direitos das mulheres no Brasil, criticando a cobertura sensacionalista da época e explorando o contexto social e judicial. A história é reconstruída através de pesquisas, arquivos e entrevistas, buscando compreender a vida de Angela Diniz e as consequências de sua morte.

Transcription

7166 Words, 39399 Characters

Portuguese
Oi, aqui é Paulo Descarpim, e se você já teve vontade de fazer uma reportagem em áudio, a gente queria te fazer um convite. A gente aqui da Rádio Novelo montou um curso gratuito de podcast narrativo para o Centro Night para o Jornalismo nas Américas. Ele parte de como identificar uma boa história, passando por como apurar em áudio, como pesquisar, como entrevistar, como organizar o seu material até chegar em como escrever pro ouvido. O curso vai ser dado por toda a redação da novela, e no final das quatro semanas, a ideia de deixar pronto para produzir uma história. Seja para você mesmo, num projeto independente, seja para algum veículo. E quem sabe até que para a gente na Rádio Novelo, né? Você pode ter experiência com o Jornalismo ou não, não importa. O importante é ter curiosidade e gostar de podcast. O curso se chama Contando Histórias Em Áudio com a Rádio Novelo e vai começar no dia 4 de maio. Todas as informações, o link para se inscrever já estão lá no nosso site. Oi, aqui quem fala é a Carolina Morais da Rádio Novelo. E no episódio de hoje, a gente tem duas histórias sobre sancões. Uma delas é uma literal, geográfica, diplomática, que está bem no meio do noticiário hoje. Na primeira história, o Roberto Caes visita uma ilha brasileira num território bem inesperado. Se você estará em quinta-feira em Abadana, eu consigo arrumar para você o VIP do estádio, para você assistir jogo e ver de verdade e todo mundo com bandeira do Brasil. A outra história tem uma sancão mais metafórica, mas com consequências bem reais, inclusive para a minha vida. O episódio sobre sancão já está em todos os tocadores. Rádio Novela presenta. Toda semana, histórias que você não sabia que precisava ouvir. Olha aqui. Olha, você é aquela lá, hein? Será? Ou é essa aqui? Não, essa é a direita. Essa aqui não. Saiu, não sei. Essa gravação foi feita em junho de 2019. Naquele mês, eu fui para a Búsa e o Escua Flora Tomson devô, pesquisadora desse podcast. Não tinha dois andares. Não. Mas isso está para o constante. Não está para fazer, né? É. Era a primeira vez da flora lá e a minha primeira vez depois de muitos anos. Mas a praia dos ossos continuava do jeito que eu me lembrava com aquela cara de vila de pescador cenográfica. Por favor, pode ser. Não tinha esse muro aqui, eu acho. A gente ficou a maior parte do tempo de costas promares, aminando uma filera de casas a poucos passos da areia. Parecia que a gente estava tentando identificar o culpado naquelas filas de suspeito na delegacia, sabe? A gente, eu to com uma sensação muito esquisita de ter depois de ter visto as fotos acendo do crime. É. Depois de mês e de apuração, finalmente a gente estava chegando perto. Aqui, numa das casas dessa praia, a Angela de Nis foi assassinada em 1976. Eu vou. não tenho ninguém, eu já sabe, eu tenho ninguém, então eu vou olhar por cima do. Quase no final da praia, a gente achou. Tem um carro. Tem um carro? Tem um carro? Não, não, não, não. Não, não. Não, não tenho guarda só. É, eu acho que a casa mora é tão grande. Não, a casa foi estendida, né? - Superbio. - Tá cima e pra trás. Sim, Bobiânia tem aquele pate mais onde ela foi morro. - É. Mas eu não estou vendo quem se é anunada. Mesmo espianto, por cima do muro, não dava pra ver muita coisa. Mas dava uma sensação que era ao mesmo tempo estranha e familiar. - É uma coisa que eu lembrava que era uma das últimas. - A sensação era de que se a gente abrisse o portão e entrasse pelo corredor e edad cara com um corpo no chão. Vou ler o laudo do perito aqui. Da vítima, tratava-se de um cadáver do sexo feminino, já em início de rigidez cadaverica, de cor branca, aparentando 32 anos de edade, estando bastante empregnado de sangue coagulado. Isso que você está ouvindo é a descrição da cena do crime que motivou essa séria. Trajava Bikini Azul, tendo na região frontal o desenho de uma cabeça de pantera, de cor preta. - O bikini estampado de pantera, estando descalso. Se fosse ficção, a gente achar a exagero do roteirista. - Isso porque a vítima, o cadáver do sexo feminino ali no chão, era a Angela de Niche. - Ela costumava dizer, "Sorrica, bonita e boa de briga". E ela tinha também um apelido bem altura desse combo, era chamada de "apantera de minas". E sabe dessas pessoas que você não entende direito porque são famosas, mas estão sempre nas revistas? Ela era assim, desde a adolescência. - Subiu curco, encontrava-se. - E eu vou dizer uma coisa já, se você está pensando naquela mulher que foi a praia de bikini quando estava grávida e escandalizou todo mundo, esquece. Aquela era a Leila de Niche, que era triste e morreu num acidente de avião alguns anos antes. - O projeto de arma de fogo. - A Angela de Niche não era triste, nem cantora, nem escritora, mas era o que a gente chama hoje de celebridade. - Junto a umbre direita da vítima encontrava-se em uma pistola automática. - Ocidada da marca Bereta, ca-libre 7,65 milímetros com carregador vazio. - A pistola Bereta tinha dono, Raú Fernando do Amaral Street. Raú, que todo mundo chamava de "Docca", era de uma família paulista, 4 centona, que já tinha visto de os melhores, mas ainda era recebida nas festas da alta sociedade. - Na noite do crime, não fazia nem três meses que o docca tinha deixado a mulher, a delita escarpa e os dois filhos em São Paulo e se mudado para o apartamento da Angelo em Copacabana. - A Angela era descitada e tinha três filhos que moravam com pai deles em Belo Horizonte. - A Angelo e o docca estavam prestes a comprar aquela casinha de pescador na pré-dos ossos. - Eles iam começar uma nova vida mais simples longe das pedações da Ponta-Éreo, mas essa vida não durou nem dois dias. - Logo no comecinho da noite de 30 de dezembro, eles brigaram e o docca puxou a Bereta. - Depois ele largou a arma no chão e fugiu. - Quando o crime aconteceu, eu tinha só 14 anos e eu não tinha, como aliás, continuo não tendo, nenhum interesse especial por histórias policiais e muito menos por coluna de fofoca. - O crime ficou famoso porque as pessoas envolvidas eram de coluna social, mas não foi isso que me chamou atenção. - Esse caso virou um divisor de águas na vida de muitas mulheres e foi por isso que eu quis voltar a ele mais de 40 anos depois. - Essa não é só a história de coluna social, mas não deixa de ser uma história sobre a imprensa. - A história é também sobre o sistema judiciário brasileiro, sobre como nasce uma mobilização, sobre como as mulheres viviam e morriam nesse país, e como elas continuam vivendo e morrendo. Essa é a história de uma mulher, da morte dela e de tudo que veio depois. - Eu sou a branca viana e esse é o Praia dos Ossos. - Episódio 1, o crime da Praia dos Ossos. Esse primeiro episódio é sobre um fato penal como dizem nos altos. O assassinato de Angela Maria Fernández de Niz, por Raúl Fernández do Amaral Street. Vamos conhecer eles dois melhor ao longo da série, mas nesse primeiro momento o que importa é a história do crime, como ela nasceu e o que ela virou. E para entender isso, precisamos vasculhar a cobertura da época. A pesquisa pré-espoqueote começou em janeiro de 2019. Foram mais de 60 entrevistados, centenas de reportagens, mais os altos do processo. E a gente visitou todos os arquivos e acervos de rádio e TV possíveis. Mas, infelizmente, muita coisa se perdeu, principalmente. e, principalmente, o acerro das emissoras de Rádio. Polícia e a caça do assassino de Angela de Nisso. Para contornar essa falta de registro sonoros da época, a gente pediu para um local torre ler notícias de jornais impressos. Toda a polícia da região dos Lagos do Estado do Rio está mobilizada desde a madrugada de ontem para a captura do industrial paulista Raúf Hernando do Amaral Street. Acusado de assassinar a Aranjara de Nisso, a pantera de Minas, numa residência de veraneio na praia de busos. O crime aconteceu no dia 30 de dezembro de 1976. Os meios de comunicação do país inteiro mobilizaram repórteres para cobrir o caso. Tinha câmera para receber o cofdanjo de Nibelorizonte. Tinha câmera dentro da igreja na missa de sétimo dia dela. Tinha câmera até do lado da cova na hora do interro, tanto que um dos filhos dela jogou uma pedra no cinegrafista. Tudo foi filmado e transmitido. Mas o doca não era visto desde que arrancou com carro na noite do crime. Enquanto isso, buzios estava as voltas com a notícia mais escandalosa desde que a Brigitte Bardor resolveu fazer topless selinos aos 60. Hoje em dia, buzios é quase um estacionamento de cruzeiros. Mas a 43 anos, não passava de uma vilazinha de pescadores com praias estonteantes e desertas. Isso adava para chegar lá de barco ou então por estradas de terra. Naquela época, buzios não era nem o Nissipa ainda. Fazia parte da cidade de Cabofriu. Por isso, a investigação do crime foi tocada pela delegacia de Cabofriu. Alguns meses antes do assassinato da Ángela de Niss, o delegado da cidade tinha declarado pra imprensa que é que ele ia ser um verão diferente. O fruminense 12 de novembro 1976. Ao jornal estado do Rio, os delegados Nilton Fácil adentam os principais problemas a serem atacados. Fortos e hippis começam ambulantes a salto tráfico de tóxicos e ônibus discursionistas. hippis, tóxicos, ambulantes e ônibus discursionistas. Essas eram algumas das preocupações principais do delegado Vatson. Aí, um assassinato de repercussão nacional cai no colo dele. E os ônibus discursionistas não demoraram aparecer em frente à casa do crime. O delegado que já morreu, falou que prendeu doca era uma questão de honra pra polícia de Cabofriu. Folha de São Paulo. Ao saber do crime de bushos, o delegado Nilton Vatson abriu inquérito, mandou fechar as barreiras e avisou as polícias de Macaé, Araruama, e outras cidades próximas, para que desvivessem um maverique com placa de São Paulo em que doca fugia, viscindo apenas Xunga. Mas o doca tinha sumido na noite, e ele ficou semanas sumido. A imprensa estava pressionando e a polícia do Rio e de São Paulo saiu procurando pelas casas de praia e fazendas da família e dos amigos dele. Finalmente, no dia 16 de janeiro, 17 dias depois do crime, o doca apareceu. Mas apareceu pra TV Globo, não pra polícia. O advogado do doca na época, Paulo José da Costa Júnior, escreveu sobre isso nas memórias dele. Dice assim, "Ficou combinado que o doca seria apresentado à imprensa e não a polícia." Os advogados até escolheram quem seria o repórter que foi até ele num sítio isolado no interior de São Paulo. Eu não tinha mais muito mais, mas a mulher que marcou muito a minha vida lá me deixou. "Fara de mim é a brada nem mulher, a brada nem filho." Não estou te falando isso pra te emocionar. Estou te contando a verdade. Na mesma época, ele também falou pra revista Manchete. O entrevistador foi o jornalista Salomão Schwarzmann. A gente entrou em contato com o Salomão mas ele já estava mal de saúde e morreu poucos meses depois. O texto que saiu do encontro dele com o doca é uma mistura perfeita de coluna social e reportagem policial. A descrição da assassino sou a comum em saio de moda meio trágico. Olha só. Raú Fernandocastrite, 42 anos, 1 metro e 80 de altura, vestindo um conjunto de dins desbotado, chapéu para amar, causando elegante par de bordas e óculos escuros que tiram nesse instante para estender minha mão. Doca parecia um farrapo de gente. Só queria dizer que essa reportagem ganhou uma menção arroz no primeiro éço de 1977. O objetivo da reportagem da Manchete era dar espaço pro doca abrir o coração. A primeira aspada dele é essa. Sei que estou vivo por ressofro. Sofre a saudade de Angela, sofre o amor alucinado que ele dediquei. Jamais conseguiria amar alguém como a meia Angela de Niche e que era morrer. A reportagem da Manchete fala sobre o crime. Mas também tem muita informação sobre a biografia do doca até aquela noite em busos. A gente aprende que ele foi salva vidas em Miami e secretário de um diplomata saudita em Washington. Doca fala da ismulera, delita e dos dois filhos. Se diz arrependido, morto por dentro. Mas mesmo assim, ele não assume toda a culpa da tragédia. Nas palavras dele. Eu quis dar a Angela uma outra imagem. Queria que ela viver esse outra vida que tornasse a seus filhos perto dela como verdadeira mãe. Ela me prometeu que mudaria o seu comportamento, mas infelizmente a bebida acabou estragando o nosso amor. As entrevistas do doca eram tapas na cara da polícia que tinha sido incapaz de pegar ele. Nesse meio tempo, seus advogados organizaram todos os detalhes para que eles se entregasse, só que ainda não na delegacia de cabo frio. Na manhã do dia 18 de janeiro de 77, logo depois das entrevistas, o doca deu entrada numa clínica médica em São Paulo e foram os médicos dessa clínica que ligaram para a punícia. Doutor de mundo maior diretor da clínica mais localizada em tabuã da Serra foi nessa clínica que Raú Fernandes Street chegou pela manhã e procurou a internação. E como é que eles estão deprimidos e intoxicados em estado de pé-precoma? Quando o doca chegou no aeroporto de Congões para embarcar pro Rio, já tinha um insame de jornalistas para registrar o momento. Mas não deu para fazer muita pergunta. Está vendo? Está vendo? Está vendo? Está vendo? Está vendo? Carregar os dois? Esse é o que é de sudêmica? Esse áudio é da jovem pã. O doca estava sendo carregado por dois policiais e praticamente arrastava os pés. Não tem uma coisa que ela chegou a feira do baclinico hoje. Por que ela chegou feira? Ele não responde, é uma sua edadção. E a gente chegou para o balão. Interamente, a bobalhada. Esse estado, a bobalhada do doca, se devia a uma combinação de calmante com duas garrafas de whisky. Os remédios foram receitados na clínica. O whisky ficou por conta do próprio doca. Alô, alô, alô, alô. São ambientes, chegadas do doca, e frente a delegacia de Cabofrio. No dia seguinte, em Cabofrio, o delegado Vat se eu estava apóstos para receber o doca. E não estava sozinho. E volta da delegacia, não passava nem um whisky. Tanto a gente que tinha. Esse é o Paulo Roberto Pereira, também conhecido como Paulo Badu, um advogado de Cabofrio, que fez parte da defesa do doca. Até agora, tudo nesse caso vem sendo filmado e coberto obsessivamente. Então, uma gente não ficou tão surpresa assim quando a gente sobe como o Paulo Badu foi contratado pela defesa. Porque eu estava. eu fui entrevistado como advogado, que é a chava do crime e tal. Eu não conheço, mas algo deve ter acontecido, né? "Ah, gente, uma preferência, uma espécie defesa dele." Ele estava lá escudido e viu na televisão. Então, quando ele chegou aqui, ele chegou na delegacia e pediu ao delegado Tonya Tom Vatt, eu queria que isso me chamasse aquele advogado que se apresentou antes de ontes na TV Globo. A gente foi conversar com Paulo Badu na casa dele em Cabofrio. E, cima do aparador da sala, entre as fotos da família, tinha duas do Badu, com cliente mais e duas trilh dele, o doca. A primeira me diz, o Paulo Badu, foi tentar tirar o doca da cadeia. Se eu estava contando como é que eram as condições da delegacia? É um péssima. Era muito suja. Muito suja. E a gente estava querendo tirar ele da lhe. tinha um estupado chamado Marrom e doca fez a missão de coelho porque doca era a pessoa doce, só falava em hoje da minha amor, antes da minha amor, ele não acreditava que tivesse matado ela, já deu a dar de ela. Como assim? Foi um pesadelo para ele, ele era realmente apaixonado por ela. O Paulo Badu conseguiu convencer o delegado Vátsar, de que o estado emocional do preso inspirava cuidados. E quanto isso, o Badu foi em busca da pessoa certa para livrar o doca daquele pesadelo. E aqui eu apresentei a ele uma pessoa que era meu amigo, que era um médico vocês viviam falar chamado Ivos Aldânia. Eu sou psiquiata e sou o Ivos Aldânia, que fui ciringueiro, ambulante, aí foi gasson de pensão, mensageiros dos corres, então essa é uma escola à vida. E o único que eu chamado por que doca estava preso na liga, era assim, e estava com ideia de fazer alguma coisa, alguma violência ao dirigido. Ele estava com ideias suicidas. Doutorinho tirou o doca da cadeia e levou para o hospital da cidade. Nós internamos e me idiotamente amei uma equipe e começamos a fazer uma sota de terapia. O que é a sota de terapia? Então terapia é você fazer uma cedação do paciente, nesses momentos do mutuato distresse. A soma terapia não é comum hoje em dia porque é praticamente um coma induzido, pode até matar, mas naquela época estava na moda, tanto para criminosos quanto para vítimas. E o doca passou alguns dias dormindo. Naquele mesmo ano de 1977, o G.S. Faladão lançou o filme "Os Amores da Pantera". A trama, supostamente, fixional, reencena a morte da Angela de Niz, retomando as especulações mais bizarras sobre o assassinato. No filme, os amantes Rafael Stalk e Tamara, que não tem sobrenome, se envolvem com uma rede internacional de criminosos. E tem um traficante chamado Jean-Paul, que é o verdadeiro assassino da Angela, quer dizer, da Tamara, o namorado da vítima coitado, só leva a culpa. Acontece que o roteiro do filme teve uma inspiração bem concreta. Lembra que, por delegado Vatsal, os maiores problemas da comunidade naquele verão seriam os rips, os excocionistas, os tóxicos e os ambulantes? Do jeito que ele viu o mundo, o crime da praia dos ossos não podia ter explicação diferente. Um cara que brigou com a namorada e acabou matando ela não se encaixava na linha de investigação dele. Foi aí que apareceu mais um suspeito de envolvimento na morte da Angela. O telégado Vatsal informou-te levantado a identidade de PR, o rapaz apontado como pivô do assassínio de Angela e que espera a qualquer momento sua presença na delegacia. Esse novo personagem, o tal PR, trouxe mais uma camada de intriga pro crime. Segundo uma versão, a Angela tinha ficado com ele no dia do crime e por isso o doca matou ela. Outra história era que o PR vendia drogas pro casal e essas drogas teriam em loquecido doca a ponto de fazer ele matar a Angela. Quando o doca voltou da sonoterapia pra cadeia umas duas semanas mais tarde, o Vatsal ficava chamando ele pra tomar uns cafésinhos e insistindo pra ele confessar. Não pra confessar que tinha matado a Angela e isso já estava mais do que confessado. Mas o delegado não acreditava nessa confissão. Ele defendia a tese de que os verdadeiros assassinos eram traficantes, talvez o tal do PR, e que o doca tratando os bandidos por medo de morrer também. A polícia de cabo frio levantou mais de dez rapazes chamados PR, mas nenhum deles batia com a descrição nos jornais. A dificuldade de se encontrar o verdadeiro PR tinha uma razão simples. Não tinha nenhum PR. O tal PR tinha surgido no depoimento de uma das empregadas da casa na segunda ou terceira vez que ela foi interrogada. Não tem como saber o que passou na cabeça dela, porque logo depois ela própria desmintiu a história e ela já morreu. Mas fato é que mesmo sem mais evidências, os jornais e o delegado Vatsal pegaram a bola e correram com ela levantando uma pade especulações. É difícil entender por que a história do PR durou tanto. Eu só consigo pensar que talvez tivesse uma vontade generalizada de achar algum motivo pro crime além do si homens agerado do doca. O francês misterioso chegou para preencher esse buraco, fornecendo uma traição, um crime que a Angela teria cometido e que custou a vida dela. E de quebra ainda inspirou um roteiro do Jéssevaladão. A gente entrevistou uma das amigas da Angela, Charadella, Angela Teixeira de Melo. E claro que, entre outras coisas, a gente pensou se ela lembrava do PR. Não. Nem um pouco. Quer dizer, nem um pouco o cara não existia ou nem um pouco você não lembra? Não, nem um pouco esse cara escia. Não tinha PR. As Angela já se conheciam há alguns anos. Eu acho que eu estava tentando me lembrar, conheci ela no Antônio. Era um bate aqui, no Leblon, a gente se conheceu lá. E elas ficaram amigos rapidinho? Quando ela chegava, ela chegava, né? Era uma mulher interessante, era uma mulher de papo, de gargalhada, de uma gener. generosidade enorme. E, lógicamente, também, ser doutora. O que é não? Não? Aí, no final de 76, as duas Angela resolveram passar o Revejona, mesmo para aí em Búzios, a praia dos Orsos. A Angela Teixeira de Melo estava com o filho e o namorado e a Angela de Nis com o doca. Os dois casais passaram amanhã do dia do crime juntos na praia. Mas, nesse dia na praia. E eu fiquei ali, entendeu? Judo, rindo. E. bebeu-se! Bebeu-se, realmente, bebeu-se. Mas uma coisa normal. Eu não vi nada, nada que comprometesse. E nem nada que sugerisse o que ia acontecer. A gente não tem que encontrar. Sobre a teoria PR, a Angela Teixeira contou que doca a marcava tão serrado, que seria impossível que a Angela de Nis saísse para encontrar quem quer que fosse. Se um me assim, entendeu? Olha, a ficar volhando para quem ela tá volhando. Mas ele sempre. sempre é dela de vista, né? Já que o PR tinha sido um boato, outra personagem foi chamada para o olho do furacão na investigação do crime. E dela a Angela Teixeira se lembra. Aquela senhora. lora. A Gabriela, dá-a? Tem algumas polaroides daquele dia, dá para ver no site da Rado Novelo. De todas as fotos, uma ficou mais famosa. Nela a gente vê Angela de Nis sentada na areia com a Angela Teixeira do lado dela. Atras das duas estão doca com as mãos posadas no ar. Parece que ele acabou de ajustar o chapéu da Angela de Nis. E do outro lado dela tem uma mulher lora. Essa era Gabriela e Daher, uma alemã que tinha chegado em busos fazia poucos meses. Aparentemente ela ganhava a vida vendendo umas bolsas de pano que viravam tabuleiro de gammão. A gente até agora não internetava. como essa mágica da bolsa tabuleira acontecia, mais a Gabriel e a de Prai em Praia vendendo a mercadoria. Ou seja, ela era bem o tipo de hip-ambulante que o delegado Vatsil queria enxotar da cidade. Na manhã do dia 30 de dezembro, ela passou pela Praia dos Ossos e encontrou o grupo da Isângelas. Ela passou algumas horas com eles. E isso acabou dando motivo para muita especulação em torno da relação dela com a Ágela de Nis. Uma tese, Angela era uma mulher anormal, empurrou a vítima para o crime? Queria só chamar atenção para a palavra vítima aqui. Estamos falando de um assassinato, né, de que a Ágela de Nis foi vítima. Mas nessa versão parece que a Ágela teria empurrado doca para fazer o que ele fez. E aí, a vítima seria ele. Mas o que a Ágela teria feito de tão terrível? Pelo jeito, a imprensa achava que a alemã tinha a resposta. E a chave tava ali, na palavra "anormal". Você teria notado no comportamento de Ágela a alguma coisa que pudesse ser classificado como uma inclinação anormal ou certo encantamento por você? Não, nada disso. A Gabriela falava português bem mal, mas isso não impediu que ela fosse interrogada várias vezes em português pela polícia e pela imprensa. Gabriela diz que ao sair da água, Angela ainda discutia com doca sobre o almoço. Angela caminhou em direção a Gabriela e caiu sobre a doca, tempo ajudá-la a levantar-se, mas Angela o empurrou. Gabriela cresce a entra. Quando caiu em cima de mim, eu me levantei e saí. E ela me sentiu sexualmente. E eu. Aqui a Gabriela aparece em um trecho do Glova Reporter Especial sobre o assassinato da Angela de Niche. O Toque Sexual Wies, ou de maneira sexual ou sensual, foi a base pro argumento de que o doca tinha sofrido uma ofensa irreparável. Ele não só tinha sido trocado, como tinha sido trocado por uma mulher. Essa informação ia servir de base para a montagem do caso do delegado Vázzo e também ia para vimentar uma das estratégias de defesa do doca. Mas os depoimentos traduzidos da Gabriela e da AER tinham várias contradições. Primeiro, ela diz que Angela tinha tocado nela. Depois se desmintiu, depois confirmou de novo. O delegado Vázzo até me assou processar a Gabriela por falso testemunho. E ela culpava a tradução pela confusão. Nessas idas e vindas, a Gabriela ia ganhando peso na história e virando uma semicelebridade. "Ah, da multicebática, muitoicebática, ela. Todo mundo gostava dela. Ao contrário da felicidade lá, ela é muito querida. Todo mundo gostava da Gabriela." Só um parentes aqui. Porque a gente perguntou para o palo d'Ou, o que ele queria dizer com isso? Que as pessoas de lá não gostavam da Angela. "Ela dava de bikini com um vestido de rética, do respeito todo de fora." Não conseguimos confirmar essas histórias em lugar nenhum. Mas, meio que não importa se isso aconteceu ou não, porque é a cada história, né? Reputação é tudo. E a reputação da Angela era essa. Uma mulher meio perigosa. "Aquim, cabofrinha, ninguém gostava de Angela." Avançada. "E que eu não sei se cabofrinha estava atrasada, ou se ela estava de atar de maria. Porque ela ia pelopa e para Paris. Paris é muito avançada." O palo d'Ou falou várias vezes sobre essa coisa dela fazer toa plése. Numa hora, ele falou assim. A Angela era bonita, mas não era simpática. E é engraçado, porque quem realmente fazia toa plése e além da Brigitte Bardot era a Gabrielha. Tem foto e tudo. E isso, aparentemente, não incomodava. Se a Angela era a pantera de minas, a Gabrielha agora era a alemãzinha de búzios. E como as revistas não perdem tempo, ela posu nua para revistas, tatos e apareceu na fatos e fotos dando dica de gammão. Todas as incorências dos depoimentos criaram uma super-espectativa sobre o que que agabriaria e dizer no Tribunal. Mas cinco meses depois do crime, ela simplesmente desapareceu. Ela sumiu até hoje na padeceu nada dela. Há um carro no mar, fazendo uma escalada? Ninguém sabe, ninguém viu. Ela sumiu. O meu Deus, depende de sumiu. Não sabe se ela voltou para a Alemã, mas se o que ela sumiu. Porque ela ficou também muito assustada com a Ita. Toda a hora, ela é milhões de fotógrafos. Trair dela, né? Por incrível que pareça, a versão mais redonda da história é a seguinte. A Gabriela e saiu para passear com uma amiga por uma trilha bem complicada, não me encosta da praia da ferradurinha. E acabou dando um passo em falso, caiu de um penhaseco, bateu com a cabeça e morreu no mar. Essa é a versão que é amiga que estava com ela no dia, Argentina, Mercedes e a Vela Neda, deu para a polícia na época. A gente chegou a conversar com Mercedes por telefone e na nossa conversa, ela confirmou tudo o que disse a polícia lá atrás. Mas ela é tão traumatizada com a história, até hoje que não quis gravar entrevista para o coit-quest. Na época do acidente, a Mercedes tinha só 17 anos e decidiu voltar para Buenos Aires logo depois. As buscas duraram alguns dias, mas o corpo nunca apareceu. E o sumiço de uma suposta pivô do crime obviamente abriu mais uma série de especulações. Bom, vamos supor que a Angela tivesse traído doca com PR, ou que PR tivesse drogado os dois, ou que a Angela tivesse tentado seduzir a Gabriela. O que essas três histórias têm em comum é que elas amenizam a culpa do doca. No limite, ele teria motivo para matar. A Angela estava morta e enterrada em Belo Horizonte, mas o doca continuava lá sofrendo e ganhando as impatidas pessoas, entre elas uma muito importante. Eu tão vá, sendo de errado maravilhoso, prendia bandido e, na casa do bandido, não tinha medo de nada. E com as pessoas de bem, ele tinha um tratamento. Foi o caso doca. O Jornalista da Machete, que foi entrevistar o doca no sitio onde ele estava escondido. Depois, ele foi visitar o doca que já tinha saído da sonor da rapia e estava de volta na cadeia de cabo frio. E aproveitou para conversar com o delegado Vatson. O delegado diz que tinha lido aquela entrevista arranjada pelos advogados do doca. E gostou. Diz que tinha mexido com ele, que tinha um apelo romântico, ele diz, é como se o doca fosse um donque shot moderno dentro do nosso mundo materialista. A nova história era assim. O doca era um apaixonado que perdeu a cabeça no momento de desespero e feijo, do nada, algo totalmente fora do perfil dele. É o que chamam de crime passional. Mas a gente sabe que o relacionamento tinha ficado tóxico bem antes daquele dia na praia. Vários pessoas confirmaram que o namoro não ia bem e não só os amigos da ángela. As empregadas que trabalharam para o casal nos poucos meses em que eles ficaram juntos deram relatos parecidos. Uma dizia que a ángela apareceu uma chocada, sangrando. Outra que o doca não deixava ela sair do quarto. A Manicure contou que a ángela aproveitava as horas que o doca ia no banheiro para ligar para os amigos. Ela me contava tudo que aconteceu à vida dela. Uma das pessoas para quem a ángela aproveitava para ligar nessas horas era o Fritz Dorei, um dos melhores amigos dela. Ela era muito inteligente e era muito self-centred, não quer dizer. Ela era a rainha de tudo, onde ela entrava, pelo centro. Eles eram amigos muito próximos. De todas as pessoas com quem a gente conversou, ele foi o que pareceu mais emocionado até hoje ao falar dela. Então às vezes a gente foi em restaurantes, coisa assim, e ficava todos olhando. E ela gostava disso também, né? Eu não sei, ela era muito sufrida ao meu tempo, sabe? Porque quando ela estava com as pessoas, ela estava sempre rindo isso aqui. E aquilo era meio forço, na minha opinião. Com migas, às vezes ela chorava até. Quantas vezes ela chorou comigo? O Fritz conheci o doca desde a infância. Ele também é Paulista e as famílias eram amigas. Quando a Ángela começou a falar de terminar com o doca, o Fritz ficou preocupado. Na vez que ela morreu, ela deixou-no. Ele estava banheiro agora. E eu já falei que não quero mais, porque ele não aceito e isso, aquilo me foi texado em quarto. Já me bateu várias vezes, não aguento. mas. Eu falei, então não vai pra abusos, não, não, não, eu vou acadar pra lá e abusos, eu vou ter de dar com ele lá e busso. Eu falei, não vai pra abusos, eu sei que é tia. A versão da doca já foi pra abusos. E o que aconteceu depois? A gente já sabe. A gente tentou remontar exatamente a cena do assassinato, mas não é simples. A versão do doca a gente tem bem detalhada e mais de 400 páginas do seu livro "Mei a culpa". Mas a única testemunha do crime que ainda tá viva é a Ivania Gonsalves de Souza, a Copera, que tinha 17 anos na época. Ela não recebeu na casa dela em busos pra tentar contar o que ela lembrava do dia. Boa tarde, tudo bem? Vocês não querem ir lá na pra dos ossos? Vamos? Vamos, vamos, vamos. A Ivania tinha trabalhado na casa da praia dos ossos desde os 12 anos. Mas a casa tinha sido vendida e ela foi apresentada aos novos patrões a Angela e o doca. Olha, eu conheci a Angela, deixa eu me lembrar, ela se apresentou como dona da casa. O patrão antigo explicou que a nova proprietária da casa a Angela pretendia manter os mesmos empregados. E aí, ele conversou comigo com meu pai que queria que a gente continuasse trabalhando. Só que tem pessoas que acham que a minha sinceridade é falta de educação. E quando ela se apresentou, eu falei pro meu patrão, o seguinte, eu não vou trabalhar pra essa mulher. Aí ela falou, mas como eu não tenho como arranjar outra pessoa. Eu falei, eu não vou trabalhar pra ela porque eu não gostei da cara dela. Aí ela foi me chamou de senha do cação e a trevida. A gente perguntou por que a Ivania não tinha gostado da Angela. E ela disse que a Angela não tinha feito nada, mas que tinha nariz em pé. Depois desse desentendimento, a Angela foi atrás da Ivania e pediu pra ela trabalhar só no revenom até que ela arranjasse outra pessoa. E a Ivania atopou. E depois eu tive que ver o que eu vi. A gente sentou a varanda da casa dela e a Ivania pegou umas cachinhas de remédio em cima da mesa pra usar como uma quete da casa pra explicar o espaço e a movimentação das pessoas. No meio da explicação dela, começou a ventar e chover. Ela sentou no banco de aveniria e aí ela começou a discutir com ele e tentando acalmar, não conseguia calmar ela. Aí ela foi na hora que ela, ele se ajulhou. Aí ela foi mandou-lhe embora. Depois da cena na praia com a Gabrielle, eles tinham tido uma briga física. Depois de meses de ciúmes e tapas, a Angela resolveu que não queria mais. Aí entra em 1917 sem o dó. Não quero mais ficar com você, você vai embora. E aí o que ele fez? Ele estava com uma bolsa, ele pegou uma bolsa dentro do armário, o quarto. Eu lembro era uma bolsa marrom de couro, e meio é que ele segurou assim. Ele só pegou a bolsa e saiu e ele ligou o carro. O dóca pegou a bolsa, saiu da casa e foi até o carro. A discussão poderia ter terminado ali. Eu nunca ia adivinhar que ali dentro daquela poxeta tinha uma arma. Sai de casa assim, era na verdade uma insenação. Era uma estratégia que o dóca tinha usado algumas vezes para reverter uma situação de briga. Aparece várias vezes no livro de memórias dele. O devogado Paulo Badu conta sobre o que se passou na cabeça do dóca naquela hora. Ele disse que ele saiu, que saia todas as vezes, brigava com ela. A dizer que ele foi um boalho, fingia, cavamala, amava, consiga a cavamala, garrava, ele desava. Trazê-se de volta e um transá. E nesse dia ela não fez. Ele ficou esperando na esquina. Dessa vez a tática não fez efeito. Ela disse que ele era um boalho, que saia a casa com a pistola que estava dentro da bolsa. A Angela foi sentada de novo num banco da varanda. No livro, o dóca conta que, naquele momento, ele pediu de novo para a Angela a citar e de volta. E ela disse que sim, só que aí, de novo, segundo ele, ela crescentou o seguinte. Se quiser me dividir com homens e mulheres, pode ficar seu corno. Boa da dorca e batido na cara dele. Dóca escreveu que caiu com um golpe da Angela, a bolsa se abriu e a pistola caiu no chão. E aí, quando ele levantou, aí foi tiro para tudo ser lá. Ela não deu um ai. Quando eu to tomando banho, eu só escuto assim uma curva, um carro, um barulho horrível. E a babá entrou correndo e falou da Angela, passou um carro aqui que quase pegou a gente. E nesse momento chegou o casero da Angela, berrando, dona a Jo, dona a Jo, dona a Jo, dona a Jo, morreu. E o dadinho não deixou, eu saí. Ele foi lá. Ele foi lá ver o que tinha acontecido. É o que tinha acontecido, porque era muito perto. E foi aí que eu soube, não é? E aí, o que ele falou pra você quando ele voltou? E tinha levado alguns tiros que ela estava estirada, para não ver direito nenhuma. As Angela tinham combinado de fazer um ano de seguinte as seis horas da tarde. E foi muito triste, foi uma perda muito triste, muito brutal, né? Entendeu? De perder a vida disto, pitamente. Porque eu tenho assim muito na cabeça isso, né? Seis horas da tarde estava marcado. De vocês irem fazer amanhã. E por que você fica pensando mesmo? Porque se você fosse um amanhã sem ido. Podia ser diferente, né? Pela destino, né? O destino da vida, né? É as coisas. Desde o começo, não tinha uma única narrativa do crime. Com o tempo, as testemunhas foram se contradizendo, a especulação se misturou com as peças mais ou menos fixionalizadas e inspiradas pelo caso, e a história foi ganhando vida própria. A única coisa que é comum em todos os relatos, o que podemos chamar de verdade, é que a Angela terminou o relacionamento com o doca naquela noite. E a outra verdade, incontestável, é que ele matou ela. Mas com o tempo, até esse fato foi saindo de cena. Depois de se entregar a polícia, o doca ficou preso sete meses no estado do rio até conseguiu abrir as corpos. Aí foram mais meses e mais recursos e o julgamento ia sendo adiado. Quanto mais o tempo passava, mais o assassinato sumia no horizonte. E com ele, a Angela de Nist também sumia como pessoa. Surgiram camisetas com a cara do doca, um restaurante começou a servir filé doca-street e tinha até um drink com o nome dele, que era servido com quatro balinhas no copo. Tem um texto da época, uma coluna da jornalista acidinha a campos que saiu no jornal dos esportes, que diz assim. No começo, Angela de Nist era vítima. 15 dias depois, virou o barco. Doca passou a ser a vítima. É aplaudido pelo povo, virou mito. As mulheres já estremessem pelo coração de doca. E foi Angela que foi assassinada, não sei se vocês se lembram. Em menos de um mês, ela foi promovida de mulher mais sexy a sapatão. Eu não vou estranhar, se no final do julgamento, doca seja condenado a pagar uma pequena multa apenas por ter caçado uma pantera fora da estação. O Enfio, no Pascim, foi mais sintético. Então quase conseguindo provar, Angela matou doca. O clima era a esse, quando doca se apresentou no Fora de Cabo-Fri, para ser julgado. em 79 quase três anos depois do crime. Tinha uma legião de apoiadores a suspere. Alguns grupos ergueram cartazes e faixas de apoiadoca e street. No julgamento do docastrite, a reputação da ângela acabou virando uma prova contra ela. Aí, por causa disso, algumas mulheres começaram a se mobilizar. E entre aquelas mulheres, estava minha mãe. Durante a pesquisa para a espaqueste, a flora descobriu o manifesto que surgiu depois do julgamento com o título de "Contra o machismo na sociedade brasileira". E entre as 400 e tantas assinaturas, a flora achou o nome da minha mãe, o nome da minha mãe e o meu. Eu tinha 17 anos naquela altura e não tenho a menor lembrança de ter assinado aquele texto. A minha mãe deve ter botado na minha frente e me mandado assinar. Mas foi curioso reencontrar aquela assinatura 40 anos depois. Porque aquele manifesto e esse podcast não deixam de ser duas tentativas de resposta a mesma pergunta. Como é que um homem mata uma mulher com quatro tiros na cara e virerói? Ou então dá pra dizer assim, como uma mulher desarmada é morta com quatro tiros e vira a vilanda história? É isso que a gente vai tentar responder no próximo episódio de Praia dos Ossos acompanhando o julgamento do docastrite pelo assassinato da Angela Dinesh. A Rádio Nacional, transmissão exclusiva do plenário. Ela não podia debitar. Sertos princes. Ela queria vida livre, libertina da grava. Atoção vissão destina bem, pensando a mente esquelidez a. Nessíntima decisa da dignidade será mais uma assassinata de Angela. Praia dos Ossos é uma produção da Rádio Novelo. Se você ficou curioso pra saber um pouquinho mais, tem conteúdo no nosso site rádionovelo.com.br/praia dos Ossos e na g de sociais sempre em @radinovelo. Pra não perder nenhum episódio, assina aqui o nosso fim de. Eu sou a branca-viana, idealizadora e apresentadora desse podcast. A flora Tomson levou é responsável pela pesquisa e coordenou toda a produção. A montagem é da Laís Bixi. A direção criativa da Paula de Carpín, que assina o roteiro com a flora e com o Orélia Aragão e Rafael Espínola da Segunda Andar. A coederação digital é da Querem Moracho. Nosso diretor executivo é o Guilherme Alpendre. A produção é da Claudian Nogaroto e a captação pra esse episódio é a do estúrro rastro do Rodrigo Pereira e do Caiba Reto com transporte do Carlos Louriro. Pesquisa áudio visual de Antônio Venâncio. Usamos áudio de arquivo da Jovem Pan, Rádio Nacional e TV Globo. E a loucção das reportagens de arquivo é do Ingostropski. A identidade sonora do pré-dos-osos foi composta pelo Pedro Léu da Vi e a finalização e missagem são obra do João Jabáceo. Nosso identidade visual é da Elisa Pessoa, nossos vídeos são da Marina Quintanilha e o nosso site é da Café. A checagem foi do Eric Melo. A música Anjo do filme "Os Amores da Pantera" foi gravada pelo Tony Vargas com letra de Chico Xavier e a Rangia de Orlando Silviera. Pra esse episódio, agradecemos a ajuda de Marco, Nicolau e Mercedes-Avela Neda, Maria Lisse-Celidônio e Mario Sergio Bacelar, Ivania Agonçalves de Sosa, Anja Latesteira de Melo, Jacqueline Pitangui, Paulo Roberto Pereira, Yvuss Aldanha, Fritz Dorei e Robin Dahlia. Obrigada e até a semana que vem.

Podcast Summary

Key Points:

  1. A Rádio Novelo oferece um curso gratuito de podcast narrativo, "Contando Histórias Em Áudio", com início em 4 de maio, aberto a todos os interessados.
  2. O episódio do podcast "Praia dos Ossos" investiga o assassinato de Angela Diniz em 1976, explorando o crime, a cobertura midiática sensacionalista e o contexto social da época.
  3. O caso gerou grande repercussão nacional, envolvendo figuras da alta sociedade, uma investigação policial conturbada e teorias conspiratórias, como a de um suposto traficante chamado "PR".
  4. A narrativa aborda temas como violência contra a mulher, justiça, mobilização social e o papel da imprensa, indo além do sensacionalismo para refletir sobre mudanças sociais.

Summary:

O áudio inicia com um convite da Rádio Novelo para um curso gratuito de podcast narrativo. Em seguida, apresenta o episódio "Praia dos Ossos", que reconta o assassinato de Angela Diniz por Raul Fernando do Amaral Street (Doca) em 1976, na Praia dos Ossos, Búzios. O caso, amplamente coberto pela mídia, envolvia personalidades da alta sociedade.

A narrativa detalha a fuga de Doca, sua entrega dramática à imprensa antes da polícia, sua prisão e a defesa que alegou seu estado emocional fragilizado, utilizando até sonoterapia. A investigação foi marcada pela teoria do delegado Nilton Vatsão sobre um suposto traficante, "PR", como mandante, uma versão amplamente divulgada sem provas, mas que refletia a dificuldade em aceitar a violência doméstica como motivação. O episódio vai além do crime, analisando seu impacto como divisor de águas para os direitos das mulheres no Brasil, criticando a cobertura sensacionalista da época e explorando o contexto social e judicial.

A história é reconstruída através de pesquisas, arquivos e entrevistas, buscando compreender a vida de Angela Diniz e as consequências de sua morte.

FAQs

É um curso chamado 'Contando Histórias Em Áudio com a Rádio Novelo', que ensina desde identificar boas histórias até escrever para áudio, com duração de quatro semanas.

Qualquer pessoa, independentemente de experiência em jornalismo, desde que tenha curiosidade e goste de podcast.

O curso começa no dia 4 de maio, conforme anunciado na transcrição.

É uma série que investiga o assassinato de Angela Maria Fernández de Niz em 1976, explorando aspectos sociais, judiciários e de gênero no Brasil.

O principal suspeito foi Raúl Fernández do Amaral Street, conhecido como 'Doca', que confessou o crime mas teve sua motivação questionada.

O delegado Vatsal liderou a investigação, mas defendeu teorias alternativas, como envolvimento de traficantes, apesar da confissão de Doca.

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