A transcrição discute o mito da multitarefa cerebral com o neurocirurgião Fernando Gomes. Explica-se que o cérebro não executa múltiplas tarefas simultaneamente, mas alterna rapidamente o foco de atenção entre elas, um processo que consome muita energia e geralmente resulta em um produto final de qualidade inferior comparado à execução de uma tarefa por vez. A prática crônica de multitarefa, frequentemente incentivada pela tecnologia e redes sociais, cobra um preço alto: pode levar à fadiga mental, estresse, ansiedade, prejuízos na atenção seletiva e na memória de longo prazo, além de aumentar o risco de problemas de saúde como doenças metabólicas. A ideia de que algumas pessoas, especialmente mulheres, são biologicamente mais aptas à multitarefa é mais influenciada por fatores sociais e culturais do que por diferenças cerebrais estruturais significativas. Por fim, destaca-se a importância crucial do ócio e de momentos de "tédio" para a saúde cerebral, pois são nesses períodos que o cérebro consolida aprendizados, regula emoções e estimula a criatividade.
Telas estímulos por todos os lados são incontáveis notificações, mensagens, vídeos, tudo isso no meio de dias já atarefados, com trabalho, estudos e o cuidado da casa e dos filhos, dias cheios de demandas, algumas delas que parecem urgentes e que se sobrepõem o tempo inteiro. Vai no Instagram, por exemplo, você fica ali, só passando o feed, ou então os stories do povo, você não acaba não, se você não impusar um limite, você vai continuar ali e vai fazer suas atividades, aí para o que você está fazendo, entra ali, responde uma coisa, vai por WhatsApp, responde outra, atenção fragmentada. E nessa preça do dia a dia inventamos mitos, como de que somos capazes de nos multiplicarmos, que dá para sermos dois, três, cinco ao mesmo tempo. Então não automaticamente essa multistarefa, tem dificuldade de tudo, tem que dar conta de tudo, acaba entrando na rotina, né? Exessa dinâmica, cobra um preço alto, como explica a neurologista Nancy Ruang. Da redação do Jammu, eu sou Natus Anéri e o assunto hoje é, o cérebro multitarefa, um episódio para explicar como funciona este órgão central para a nossa existência e qual a importância do ócio para mantê-lo saudável. Meu convidado é Fernando Gomes, neuro cirurgião, neurocientista e professor livre docente da faculdade de medicina da USP. sexta-feira, dois de janeiro. Doutor Fernando, esse episódio está indo ao ar no dia 2 de janeiro, que é um período em que quase todo mundo está com aquela vontade de fazer tudo diferente, de mudar hábito, de começar novas rotinas, novos compromissos e por aí vai. Então eu começo de perguntando se o nosso cérebro é de fato capaz de realizar várias tarefas ao mesmo tempo, como o Sense Comundis. O cérebro no mundo é capaz de realizar coisas incríveis, e uma delas é essa habilidade multitarefa. Qualquer pessoa pode ter na sua tela mental, mais ou menos 5 até 9 itens diferentes abertos ao mesmo tempo, né, numa média de mais ou menos 7 coisas que podem ser levadas em consideração do ponto de vista cognitivo. O grande fato é, quando você faz mais de uma coisa ao mesmo tempo, o cérebro faz uma mudança de padrão de atenção para cada uma dessas tarefas, e o produto final nem sempre é o melhor do que quando você entrega realizando apenas uma tarefa de cada vez. Entende? E que tipo de tarefa da pra fazer o mesmo tempo? É qualquer coisa, eu posso pegar 7 projetos diferentes, a reforma da minha casa, um livro que eu tô escrevendo, o roteiro de entrevistas, do assunto, pagamento de contas, enfim, já tô até cansada só de dizer e nem cheguei a 7 tarefas. Então, na verdade, sim, né, porque o nosso cérebro ele gasta muita energia sempre que você tá fazendo alguma coisa nova ou uma coisa de cada vez e demande um processo atenção maior. Você cruzamos mais neurônios na região anterior do crânio, na verdade, no lobo frontal, mais precisamente no Cortex Prefrontal. Mas como existe um gasto energético muito grande quando você faz uma nova tarefa, e principalmente quando você faz novas, novas tarefas ao mesmo tempo, existe um processo relacionado à neuroplacidade e aprendizagem que se faz presente. Então, se você vai fazer 7 tarefas, por exemplo, que habitualmente você já tá acostumado, é muito comum que você consiga da conta do recado, mas existe um grande detalhe aí. Muitas vezes a pessoa que se diz, ou até se gaba, né, por ser uma pessoa multitarefa e acha que faz isso com muita maestria, no fundo, na verdade, ela pode apresentar algumas alterações neuropsychológicas e nem sempre entregar tudo aquilo que poderia entregar na sua totalidade. Quando a gente faz coisas que são automáticas, tudo fica muito mais fácil. Eu vou dar um exemplo para você. Se nós dois aqui, estamos aprendendo a andar de bicicleta e queremos andar na praia de bicicleta e conversar ao mesmo tempo, provavelmente isso vai ser algo muito difícil de ser feito. Porque existe toda uma demanda do próprio cérebro em ajustar o equilíbrio, a força motora, a velocidade da perna, visualizar o caminho na frente e mexer com o vidão. Então, uma conversa nesse momento, ela seria totalmente inadequada, poderia me tirar o foco e eu poderia cair. Mas depois que a gente passa pelo processo de treinamento e de aprendizagem, e quando a gente fala aprendizagem, é mudança no padrão do circuito de cerebral mesmo. Isso fica mais fácil porque o cérebro acaba entregando aquela tarefa de uma forma mais automática. E aí sim, se é muito tarefa nesse contexto, é muito mais fácil. Então, quando você faz mais do mesmo para gastar menos oxigênio, menos glicose, o seu cérebro lança a mão da neuroplacidade para te entregar tudo isso que a gente sabe que o ser humano no mundo moderno deseja. Ou seja, o cérebro vai ser mais exigido se a tarefa que chegar para mim, for uma tarefa que eu não estou esperando, for uma tarefa não automática. E aí chega no meu WhatsApp, uma informação de uma notícia urgente que eu não estava esperando. Automaticamente, eu preciso acionar a minha equipe para começar e atrás daquela informação enquanto eu estou fazendo a entrevista com você. O que vai acontecer com o meu cérebro para dar conta da entrevista e dessa mensagem urgente que acabou de chegar? Ponto de vista neuropsychológico, a gente está trabalhando com uma atenção dividida. E disso acaba acontecendo até uma outra denominação que seria o Brain Suite. Ou seja, eu faço a transição de um foco attentional na minha consciência para outro foco attentional. Agora, dependendo do grau de exigência para conseguir dar conta daquela nova demanda, o sistema líbico que é a parte emocional do cérebro, ela acaba sendo recrutada quase que involuntariamente. Você vai ficar mais irritado, você pode ficar nervoso, você pode, na verdade, ter até comportamentos que, usualmente, não teria de ficar mais ríspida. Imagina que a situação ao contrário, você está escutando um podcast e, de repente, chega uma amiga, uma amiga, filho, conge, sei lá, com uma demanda que precisa conversar sobre alguma coisa que, no seu entendimento, não tem toda aquela relevância. É natural que a sua parte emocional responda aqui, de uma forma, até mesmo afastar aquela pessoa de perto, naquele momento. Porque existe um gasto metabólico muito grande, você precisa de oxigênio, você precisa de glicose, e todo o fluxo sanguíneo cerebral para aquela tarefa terá que ser mudado conforme você. Então, permite que a sua atenção, ela passe a funcionar não de uma forma concentrada e sustentada numa sua tarefa, mas, em duas, alterando, então, essa disposição, isso cansa, isso leva ao cérebro a um processo de exaustão, se for feito, não por um período curto ou por uma demanda emergencial, mas ao longo prazo. E esse é o grande problema das redes sociais, e, sobretudo, da tecnologia tão celular, tablet e computador, que muitas vezes oferece algum recurso, porque a gente está falando de produto, então, está cada vez mais fácil, na verdade, você lidar com muitas coisas e telas ao mesmo tempo. Mas, por outro lado, você acaba fazendo mais do mesmo. Ou seja, as pessoas multitarefas, não que todo mundo nos seja em si, potencialmente multitarefas, mas as pessoas que realizam com frequência, multiplas tarefas ao mesmo tempo são pessoas mais irritáveis, são pessoas com as relações acabam sendo afetadas por essa habilidade de fazer de girar vários pratos ao mesmo tempo. Sim, e ao mesmo tempo, já existe evidência científica, por exemplo, tem um trabalho que foi feito em instante, porque faz alguns anos de 2009, mostrando que, até mesmo, a sensação que a pessoa tem de super-eficiente, na verdade, ela cai para o terra, quando analisada com avaliações neuropsychológicas, mostrando que, até mesmo critérios atentionais de atenção seletiva, de memória, elas ficam a quem, quando a gente compara com pessoas que não têm esse mesmo comportamento. Então, isso é uma grande falácia, fazer muita coisa ao mesmo tempo, como se diz do ponto de vista biológico, por exemplo, uma mãe consegue cuidar do filho, cuidar da casa, cuidar da agenda ao mesmo tempo, e muitas vezes a gente leva, isso como se fosse um atributo feminino heroico. Mas, na verdade, existe uma demanda do cérebro muito maior do que, naturalmente, a gente consegue fazer. E, quando você faz uma avaliação neuropsychológica, o que os trabalhos científicos mostram, é que existe, na verdade, um problema relacionado até mesmo com atenção, e com a memória longo prazo. E isso pode impactar até mesmo no aprendizado. Existe uma relação, por exemplo, no trabalho muito interessante. Você, muitas vezes, pode observar um chefe, falando com o subalterno, passando muitas tarefas pra que ele executa ao mesmo tempo. Mas, olha que interessante, jamais o subalterno vai chegar pro chefe, e simplesmente soltar um monte de informação ou de demanda ao mesmo tempo. Mesmo porque, provavelmente, o chefe vai falar "calma lá uma coisa de cada vez, porque o que o preciso decidir é muito importante". A exigência de um profissional multitarefa é um perde perde, estudos apontam que ao fazer várias coisas ao mesmo tempo, a produtividade do colaborador Kai, o que é ruim para a empresa, já do ponto de vista do funcionário, há impactos na saúde mental. Essa é uma habilidade desejada, porém, impossível pelo menos até que a ciência prova o contrário. O nosso cérebro, ele não tem essa capacidade de múltipla forte. Então, isso acaba gerando problemas, erros, distrações, edificuldades de processamento justamente, porque o nosso cérebro tem essa capacidade limitada de processamento de recursos, de informações. Você mencionou a mãe, que dá conta de muitas coisas ao mesmo tempo. É mito ou é verdade que a mulher tem mais condição de ser multitarefa que o homem. Nós sabemos que o cérebro feminino tem mais fibras de comunicação entre os dois hemisférios direito e esquerdo, quando a gente compara com o cérebro masculino, que tem mais fibras de comunicação axônios entre a hemisférica, tanto direito como esquerdo. Então, existiria uma explicação substrata anatômica até para justificar isso, mas na prática, o que acontece quando a gente fala esse tipo de situação, é que a mulher, nesse contexto, ela é muito mais exposta e existe a necessidade de que ela faça essas coisas ao mesmo tempo, do que o homem, por exemplo. Então, como o nosso cérebro, ele é neuroplástico, ele tem uma placidade, ele é possível da sua mudança microscópica do funcionamento, naturalmente, como a gente tem essa questão social e de jeito de viver, a mulher pode se mostrar até mais multitarefa do que o homem é o mesmo tempo, mas, obviamente, o homem pode ser treinado e também fazer muitas coisas ao mesmo tempo. E a neurologista, Nancy Ruang, mestre doutora pela Faculdade de Medicina da Uspi, que médica de estilo de vida. Existem estudos já mostrando que a estrutura cerebral e o funcionamento dos neurônios de uma mulher é muito, muito semelhante, de um homem. O que tem aqui por trás dessa criança é muito mais a cultura, muito mais a criação, na verdade a estrutura cerebral e o funcionamento cerebral é igual de homem para a mulher. O que existe sim é um padrão de resposta do sistema límbico, que é a parte emocional do cérebro, diferente geralmente o homem tende a ter uma resposta mais irritada, muitas vezes mais ríspida, que pode ser até mesmo interpretada como uma grosseria. Porém, essa demanda energética que o cérebro acaba consumindo, é como se fosse assim, puxa a vida, você está me pedindo para fazer isso, o cérebro dizendo para o ser humano, não me venha com uma coisa que não é tão importante assim, porque a tarefa não vai ficar muito bem feita. Ao ponto que geralmente o cérebro feminino acaba respondendo a uma demanda sobre a maneira como essa que eu estou falando não sempre de uma fermentada ou com grosseria, mas muitas vezes de uma forma um pouco mais pacata e que pode parecer que existe um equilíbrio muito maior com essa situação. Espera um pouquinho que eu já volto para continuar minha conversa com Fernando Gomes. Tem gente que tem mais facilidade do que outras pessoas ou mais capacidade do que outras pessoas de fazer muita coisa ao mesmo tempo, e isso dependeria de que? Veja, nós temos diferenças no ponto de vista do funcionamento cerebral, que são herdadas geneticamente, mas elas se misturam com a nossa própria vivência e a forma com que a gente estimula o nosso cérebro, o que o cérebro é estimulado, desde a infância, de propósito ou por uma demanda do próprio ambiente. Então, pessoas que treinam mais fazer mais coisa ao mesmo tempo, elas começam a executar essas mesmas tarefas, geralmente, com uma melhor facilidade e com entre aspas menor sofrimento, do que aquela pessoa que, usualmente, faz apenas uma coisa e, de repente, precisa fazer, ou quer fazer mais de uma coisa simultanemente. É lógico que o mundo moderno, ele traz alguns artificios, bengalas, muletas ou até mesmo facilitadores, então podemos falar que a própria inteligência artificial ou a maneira que nós nos relacionamos com os aplicativos e com as telas, elas estão cada vez mais fáceis para justamente entregar para você a sensação de que você está fazendo mais de uma coisa ao mesmo tempo. O cérebro acaba entre aspas se viciando pelo movimento da tela, o movimento do rolar da tela e isso a gente vai recebendo pequenas recompensas de tudo que a gente vai vendo nesse rolar da tela. E isso acaba viciando cada vez mais o nosso sistema dopaminégico, que é o sistema de divisios, de dependência. Com isso, a gente acaba não conseguindo ficar sem nada, porque ficamos viciados desse rolar da tela. Mas uma vez eu falo, a gente está lidando com o produto que, justamente, quer passar para você, quer transmitir para você essa sensação. E que, de fato, acaba tendo ali um grande problema aguardado, né? Porque você imagina, você começa a acelerar um determinado processo e você sabe que o desfecho não é o melhor possível. Primeiro, você não está estimulando o seu cérebro de verdade, você não está entregando o melhor da sua curiosidade, da sua criatividade ou até mesmo da sua memória e quando você está criando um ambiente ansiogênico, né? Então, se você já tem uma prisão genética para a ansiedade, depressão ou burnout, às vezes aquilo que falta do comportamento para você então abrir um quadro bem complicado do ponto de vista neuropsychiático. Menos que 2% da população realmente conseguem fazer 2 ou 3 tarefas muito bem ao mesmo tempo. Os 98% podem até entregar um resultado, mas com certeza o resultado não é tão bom quanto se a pessoa conseguir focar ou atenção, bem focada naquela única tarefa. Uma pessoa que é muita tarefa de hábito pode gerar o fado de estresse crônico, ansiedade, depressão, a pressão arterial, acabo ficando um nível mais elevado, isso aumenta a resistência insulínica, então tem risco maior para, por exemplo, doenças metabólicas, diabetes, por exemplo. Doutor Fernando, num artigo recente no estadão, você cita um estudo de Stanford sobre o cérebro das pessoas que são consideradas multitarefas crônicas. O que esses dados mostram? O que que mostra esse estudo? Esse estudo ele mostra que, apesar de conseguirmos realizar mais de uma coisa ao mesmo tempo, a pessoa que faz muitas coisas ao mesmo tempo, tende a apresentar problemas relacionados com atenção seletiva e também com processo de memorização. Eu, Doutor Fernando, estou falando de mim, porque muitas vezes isso passa aquela falsa sensação de que você deu conta do recado e eu posso dizer para você, isso ainda pode ser potencializado com a intrusão da inteligência artificial. A gente está falando um estudo que foi publicado em 2009. Imagina, hoje em dia, em 2025, muita coisa mudou. Então antes, por exemplo, se eu entrasse na sua rotínia e pedisse para que você escrevesse um texto sem a inteligência artificial, isso daria um pouquinho mais de trabalho. Isso pode criar uma falsa sensação de utilizando alguns aplicativos ou recursos e você conseguiria me entregar o que estou solicitando de uma forma praticamente mágica. Mas a verdade, o que acaba acontecendo é que certamente esse texto não vai ser a sua melhor entrega em termos de tarefa. Então, existe uma sensação, mas quando se faz avaliação neuropsychológica, se percebe que o cérebro está entregando bem menos, do que realmente ele poderia. É lógico quem ainda tem o poder para que isso não evolua para alguma coisa muito ruim é a própria pessoa, de saber entender que a gente pode se for necessário para uma questão de sobrevivência, fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo, mas fazer muitas coisas ao mesmo tempo sempre podem aumentar o nosso grau de alerta. Isso acaba impactando no funcionamento do cérebro, com maior acionamento do eixo e potálamo e pofes de adrenal, então é mais adrenalina, que faz com que a pessoa fique com aquela percepção de maior atenção, que a longo prazo se transforma numa liberação crônica e mais elevada do cortisol. E a gente está falando aqui de estresse, e a longo prazo até esse cortisol um pouco mais alto, e pode ter um impacto deletério em algumas regiões do cérebro, como por exemplo, por campo, ali é extremamente importante para a consolidação da memória. Então é algo que muitas vezes se engane, né, a gente acha que fazer muita coisa ao mesmo tempo é um sinal de heroismo e na verdade a gente está subutilizando o nosso cérebro e estamos nos ajoelhando, na verdade, a um elemento externo que nos cobra algo que só a gente mesmo pode falar não, eu vou até aqui e tá tudo bem. E esse é o ponto, existe uma romantização, né, da pessoa multitarefa, é quase esse ser, como você disse, heroico que dá conta de muita coisa ao mesmo tempo, talvez por um traço, uma demanda da sociedade pelo ser eficiente. Mas pelo que eu estou entendendo no Espírito General do que você nos conta, a pessoa multitarefa crônica, ela tem mais predisposição para não dormir bem, ela tem mais predisposição para desenvolver problemas de saúde mental, e ela tem mais predisposição ao envelhecimento. Os multitarefas crônicos podem envelhecer mais rápido. De doutor Fernando, se eu fizer bastante palavra cruzada, eu vou ter, acho que menor de ter usar-me, realmente quando você estimula o seu cérebro, você está estimulando a neuroplacidade, mas quando você faz muita palavra cruzada, por exemplo, você simplesmente vai ficar muito bom em fazer palavra cruzada, né, se proteger da demência do envelhecimento é algo muito mais complexo. Então, se você faz muita coisa ao mesmo tempo, muita coisa superficial e não se aprofunda em nenhum assunto, o perfeito que você pode esperar é conseguir fazer muitas coisas ao mesmo tempo no mesmo grau de superficialidade, ou com alguma outra ilusão que acaba sendo alimentada pelo que a tecnologia nos oferece. Como por exemplo, essa demanda que eu te falei, eu te peço para fazer um texto, e aí você joga pra gente artificial escrever pra você. Bom, vamos combinar, não vou você escrever-o. Então, na verdade, você conseguiu se dar um comando pra que alguém fizesse aquilo que você não é capaz de fazer ao mesmo tempo e simultaneamente. Então, lidar com isso é muito importante, porque conforme a gente diminui a entrada no nosso cérebro através do problema, principalmente nesse recurso que é entrada mental, né, a atenção, você pode simplesmente esperar que a aprendizagem ela fica comprometida, que a memória ela fica comprometida, e que as emoções ainda por cima, ela só afrem um processo que não é muito legal, na verdade, de requinibro e de retroalimentação. Falando mais principalmente nesse comportamento mais ansioso, e às vezes a pessoa entra nesse processo e não precisa, porque ela poderia ter suas pausas naturais acontecendo, mas mesmo na pausa, ela não respeita, essa pausa e não curte uma coisa de cada vez. O tédio faz bem por seu cérebro, saiba na criança, fica sem nada pra fazer, simplesmente inventa alguma coisa, você não é diferente, só porque cresceu. É nos momentos de vazio que a gente aprende a regular as próprias emoções, a refletir sobre o que acabou de acontecer, a planejar o que nós vamos fazer em seguida e até aproveitar melhor o momento presente. Então, da próxima vez que você sentia aquele vazio, não corra para o celular. Dá pra dizer que a gente vive um espécie de epidemia do cérebro sobrecarregado. Dá, dá, dá, e a gente tem a chave para sair disso a todo momento. O que seria essa chave, por exemplo, eu me recusar a realizar duas tarefas ao mesmo tempo, não, eu vou primeiro terminar uma. Eu vou falar do maior por menor, tá? O maior, o maior, é a gente entender que existe um pilar da saúde que cada vez ele se mostra fundamental, mais importante até do que outros, que é o sono. O período do sono é um período mágico pro cérebro, é um momento em que o cérebro não para, ele continua funcionar. E muitas coisas acontecem nesse momento, durante o período do sono, as experiências do dia anterior, elas são organizadas, me pocão, pelos circuitos dourais. Durante o período do sono, o sistema glimfático que, basicamente, faz a limpeza do cérebro, entra em ação com mais vigor, levando neurotoxinas e produtos de metabolismo para fora da caixa criniana. Então, primeira coisa, entender que o sono é sagrado. E se a gente faz que, em geralmente, tem esse comportamento multitarefa, ele não tem esse comportamento multitarefa só de manhã de tarde, geralmente de noite, e entra até mesmo invadindo um período que deveria ser considerado sagrado que é o período da noite. Aí, falando no processo menor, na cerca de ano, durante o período do dia, você pode entender que os nossos hormônios, eles são liberados de formas diferentes, e até o nosso nível atentional e performas mental, é diferente. Você adconviu comigo que, depois de um alboço muito copioso, se eu faço uma reunião com muita demanda, que eu preciso da tensão de todo mundo, da presença de espírito ativa nesse encontro, ela não vai ter a mesma performance, e se eu faço essa reunião, as nove ou dez horas da manhã, com todo mundo descansado, alimentado e sem fome, pensando na região hipotalâmica, sendo estimulada, próximo da hora do almoço. Então, entender essa estrutura do nosso dia, esse ciclo biológico, é extremamente importante, porque em alguns momentos do dia do nosso tarefa, é inexorável, todos nós somos e seremos mais estimulados a atuarmos dessa forma multidarefa, e está tudo bem, só que está na nossa chave, quando você para, por exemplo, uma pausa para tomar um café, para para tomar um copo d'água, para para para o banheiro, realmente realizar uma desconexão com essa demanda multidarefa ao mesmo tempo, e tentar se conectar com o que está acontecendo. Por que o nosso cérebro precisa de momentos de tédio de vazio? Qual a importância de se fazer uma faxina mental, por exemplo? É como se a gente pudesse, de alguma maneira, descaigar toda aquela entrada que nós tivemos de dados, de informação, no plano consciente, porque, do ponto de vista inconsciente, a gente não consegue nem filtrar isso. A informação está chegando a todo momento, mas pelo menos o que chegando no plano consciente, no ponto de foco, que isso possa ser, de alguma maneira, hygienizado. É algo que pode parecer terem, mas não é, é bem concreto mesmo, por isso uma dica prática e com evidência neurocientífica, é o hábito de meditar. E a meditação, ela pode simplesmente começar com o entendimento de que um ator reflexo, que é fundamental para a nossa vida, que a respiração, ele acontece automaticamente, mas eu posso prestar atenção nele, por três a cinco minutos, com olhos fechados ou não, simplesmente sentindo o meu corpo e trazendo essa minha conexão mental para a percepção da minha existência física em um determinado ambiente físico. Isso é uma dica boa, a gente pode incorporar no nosso dia a dia, mas tem uma alerta muito pior que eu gostaria de fazer aqui. Nessa vontade de aumentar cada vez mais a eficiência multitarefa, muitas pessoas que não têm, se querem o diagnóstico de transtorno, do déficit atenção e operatividade, muitas vezes estão sendo medicadas com psicoestimulantes, com fetaminas. E isso tem a sensação, causa a sensação de que elas ficam mais poderosas, do ponto de vista de clareza mental e de conseguir realmente ser ainda mais multitarefa. Isso é um grande engano e um grande problema, porque você desregula totalmente o funcionamento do cérebro, as custas de ter essa percepção, essa sensação de entrega e muitas vezes abrindo brecha para uma manifestação clínica de algo que estava ali sobre controle. Então, depende da pessoa, tem a predisposição a um transtorno de ansiedade, ao pânico, a depressão, mas que não vai se manifestar. E, de repente, isso era o que faltava, uma intoxicação para um remédio que é desnecessário para ela naquela situação leva na verdade um problema de saúde. E aí, a pessoa entra num burn out, entra numa situação de crise e não é simplesmente as telas ou a proposta de se viver sendo multitarefa simples. É um pouquinho a mais, né? A pessoa quer buscar uma performance e por isso que a gente está aqui para alertar, que isso é totalmente inadequado para a manutenção da saúde do cérebro, do corpo e da mente de qualquer pessoa. Já vou baixar um programa aqui de meditação, porque esse não, meu cérebro, não aguenta até o final de 2020, de 2026, Dr. Fernando. Muito obrigada pela entrevista, bom trabalho. Muito obrigado. Um trabalho de cada vez, por favor. Com certeza, vamos em frente. Este episódio usou áudios da TV Cultura e do canal do Dr. Draus de Varela no YouTube. Se você ouvir o episódio até aqui, eu vou te fazer um convite, baixar o aplicativo do G1 no seu celular. Por lá, você pode ouvir o assunto, claro, e pode também acompanhar todas as notícias do dia em tempo real e de graça. Este foi o assunto, pode caçar o diário disponível no G1 no YouTube ou na sua plataforma de áudio preferida. Comigo na equipe do assunto, Estão Mônica Mariote, Amanda Polato, Sara Resende, Luis Felipe Silva, Tiago Casuroski e Carlos Catelã. Eu sou o Natus Anérei, fico por aqui, até o próximo assunto.
Podcast Summary
Key Points:
O cérebro não é verdadeiramente multitarefa; ele alterna rapidamente entre tarefas, o que reduz a qualidade e a eficiência.
A multitarefa frequente pode levar a fadiga mental, estresse crônico, ansiedade, prejuízos na memória e na atenção, e até impactos na saúde física.
A sensação de eficiência ao realizar várias tarefas simultaneamente é muitas vezes uma ilusão, com estudos mostrando queda no desempenho real em avaliações neuropsicológicas.
Fatores sociais e culturais, mais do que diferenças biológicas significativas, podem explicar por que algumas pessoas (como mulheres em certos contextos) parecem mais multitarefa.
O "ócio" e momentos de tédio são essenciais para a saúde cerebral, permitindo consolidação da memória, regulação emocional e criatividade.
Summary:
A transcrição discute o mito da multitarefa cerebral com o neurocirurgião Fernando Gomes. Explica-se que o cérebro não executa múltiplas tarefas simultaneamente, mas alterna rapidamente o foco de atenção entre elas, um processo que consome muita energia e geralmente resulta em um produto final de qualidade inferior comparado à execução de uma tarefa por vez. A prática crônica de multitarefa, frequentemente incentivada pela tecnologia e redes sociais, cobra um preço alto: pode levar à fadiga mental, estresse, ansiedade, prejuízos na atenção seletiva e na memória de longo prazo, além de aumentar o risco de problemas de saúde como doenças metabólicas.
A ideia de que algumas pessoas, especialmente mulheres, são biologicamente mais aptas à multitarefa é mais influenciada por fatores sociais e culturais do que por diferenças cerebrais estruturais significativas. Por fim, destaca-se a importância crucial do ócio e de momentos de "tédio" para a saúde cerebral, pois são nesses períodos que o cérebro consolida aprendizados, regula emoções e estimula a criatividade.
FAQs
O cérebro pode alternar a atenção entre várias tarefas, mas o produto final geralmente é inferior ao de focar em uma tarefa por vez. Isso ocorre porque ele muda o padrão de atenção para cada atividade, comprometendo a qualidade.
Pode levar a estresse crônico, ansiedade, depressão, aumento da pressão arterial e maior risco de doenças metabólicas como diabetes. Além disso, prejudica a atenção seletiva e a memória de longo prazo.
Embora existam diferenças anatômicas, como mais fibras de comunicação entre hemisférios no cérebro feminino, a exposição social e a necessidade frequentemente tornam as mulheres mais treinadas nisso. Estrutural e funcionalmente, os cérebros são muito semelhantes.
Elas oferecem estímulos constantes e recompensas imediatas (como rolar a tela), que viciam o sistema dopaminérgico do cérebro. Isso cria um ambiente ansioso e reduz a capacidade de foco sustentado.
É a transição do foco atencional de uma tarefa para outra na consciência. Isso recruta o sistema límbico (parte emocional), podendo causar irritabilidade e esgotamento, especialmente se feito a longo prazo.
Não. Estudos mostram que a produtividade cai, a qualidade do trabalho é prejudicada e os erros aumentam. Apenas menos de 2% da população realiza bem 2 ou 3 tarefas simultaneamente.
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