'Nunca quis ter filhos até que meu marido quis', com Fê Neute
43m 32s
O podcast, apresentado por Amanda Noventa, aborda a liberdade de escolha sobre maternidade, com foco em mulheres que optam por não ter filhos. A convidada Fernanda (Feneut) relata sua trajetória, desde a infância, onde nunca demonstrou interesse em brincadeiras maternas, até a vida adulta, reforçada pela experiência de cuidar da irmã recém-nascida e pelas responsabilidades familiares. Ela detalha seu relacionamento com o marido, Mark, inicialmente alinhado na decisão de não ter filhos, que foi abalado quando ele, após alcançar sucesso profissional e enfrentar uma depressão, começou a questionar o desejo de paternidade. Fernanda entrou em terapia para explorar suas motivações, lidando com culpa, pressão social e o medo de uma possível separação. Após um processo intenso de autoconhecimento, ela reafirmou sua convicção, e Mark acabou por aceitar e apoiar a decisão, priorizando o relacionamento. A conversa destaca a importância de respeitar escolhas individuais, encontrar propósito além da maternidade e a necessidade de diálogo e compreensão em parcerias.
Ainda tem medo de envelhecer sozinho. Eu não quero ter filhos, mas meu marido quer. Não aguenta o mais, minha mãe nem cobrando. Será que eu sou normal? Eu tô muito na dúvida. Não quero ser mãe, e agora? Meu nome é Amanda Noventa, tenho 41 anos, tô com o mesmo parcer a 10 anos, não quero ter filhos, e por aqui a coisa tá bem resolvida faz tempo. Mas eu sei que nem pra todo mundo funciona assim. Foi por isso que eu decidi reunir algumas mulheres pra uma conversa de escontra e da sobressaciunto pra que você possa perceber que não tá sozinha nessa. E quem sabe até ajudar você a se resolver? Esse é um podcast sobre liberdade de escolha, pra mulheres que têm dúvidas, que já se decidiram, ou que simplesmente gostam de um bom pato. Minha convidada de hoje é a Feneut, que é espoblistária, já morou em vários lugares do mundo como uma digital, e é uma década cria contra o do pre-internet dando conselhos práticos sobre desenvolvimento pessoal, saúde, longevidade, e também tão com o soleim sobre planejamento de vida. Depois de 7 anos, o Buranino Avaíor, que decidiu se mudar pra Los Angeles, onde vivia atualmente com o seu marido. Afeita em 42 anos, e também não tem o desejo do semãe. Foi aquele legal você aqui. Ai, eu mei tanto esse convite. Que a gente já falou tanto sobre esse assunto, em off. E por anos, né? - Boa necessidade de conversar. - Exatamente. Então vai ser legal a gente gravar essa conversa pra outras pessoas ouvirem, né? E aí eu queria que você começasse contando para o pessoal de conhecer essa sua jornada, assim, de quando você conheceu o mar, que é o seu marido americano, Mark Mainsson pra quem não sabe. E depois, enfim, você saiu como numa digital. Conta um pouco dessa sua fase transitória pra gente depois entrar no assunto de não maternidade. Então eu era publicitária, vivia a vida louca, aqui em São Paulo, que muita gente conhece. Mas eu menos com 30 anos, eu estava exatamente onde eu queria na minha carreira, pensando em qual seria o meu próximo passo. Nessa mesma época, eu conheci meu marido numa balada e nunca achei que fosse dar alguma coisa, porque conheceu um gringo na balada, às três a manhã, - obviamente, não vai dar nada. - Tem tudo pra dar, viu? É. Mas a gente foi ficando e foi dando certo, e aí eu comecei a pensar onde esse relacionamento ia dar. E na época, o Mark estava aqui porque ele era numa digital. E aí eu fiquei pensando, falei, "Poxa, eu acho que eu posso tirar um ano sabático, viagem com ele, viu essa vida nova de se deserto, ótimo, vai ser um ótimo teste, se deu tudo errado, volto e volto pra minha vida, como o era antes". E foi isso que aconteceu, em 2013, eu pedi demissão do meu trabalho, embarquei nessa viagem e nunca mais voltei. - Você ficou com o tempo como nomas? - Dois anos e meio. E aí a gente decidiu se estabelecer nos Estados Unidos, e eu achei que o melhor lugar pra fazer isso era Nova York, por cebrasileira, emigrerem-se, quase oito anos, em Nova York, e agora estou em Los Angeles faz dois anos. - Você se mudou mais uma desapandemia, né, para Los Angeles? - No finalzinho, em dezembro de 2021. Bom, quando é que você percebeu nessa história toda, que você não tinha vontade de ser mãe? Nossa, quando eu nasci. Desde muito nova, na verdade. Eu engraçado, quando eu olho pra trás, eu nunca gostei de brincar de boneca bebezinho, por exemplo. Eu nunca gostei de brincar de manzinha. Eu gostava da barba, porque a barba era tudo o que eu queria ser. Eu queria ser adulta. E eu gostava de brincar de escritório, de empresa, de qualquer coisa que não fosse mãe. Então, hoje, quando eu olho, eu já percebo que nunca existiu, nem essa vontade mesmo criança. Quando eu era adolescente com quinze anos, a minha mãe teve a minha irmã. E eu já era velha o suficiente para entender o que é ter um recém nascido dentro de casa. Eu também cresci muito pobre. Então, assim, eu morava numa casa muito pequena, que não tinha lugar pra todo mundo. Então, a vinda da minha irmã foi muito sentida por todos. Porque a minha casa tinha um quarto com porta. E aí, o quarto que eu dormia com meu irmão não era um quarto quarto, porque não tinha porta. A minha volta também morava com a gente. Então, era um quarto que a gente dividia entre três pessoas bem pequenos. E a minha irmã tinha que dormir com a minha mãe e meu pai no quarto. Só que o meu pai era o único que trabalhava na época. A minha irmã chorava muito à noite. E aí, a minha mãe tirava ela do quarto para o meu pai poder dormir. E a casa inteira ficava acordada. E isso me trouxe muita privação de sono na época. E eu entendo perfeitamente o que é ter um recém nascido dentro de casa. Troquei a minha irmã, eu dava banho, eu fazia tudo que uma criança precisa. E eu não dormia. Então, assim, era super estudiosa. E é muito bem na escola. E o ano que a minha irmã nasceu, por exemplo, eu dormia em todas as aulas. Eu fui chamada no Conselho da Escola para entender o que estava acontecendo. Porque eu sempre tinha sido boa luna e eu estava dormindo em todas as aulas. E eu falava, gente, eu tenho uma irmã pequena, eu não dormo em uma noite. Então, a minha consciência do que é ter uma criança em casa veio daí. E com ela, o meu desejo muito intenso em não ser mãe. Mas, assim, você já entendi. Porque você conhecia o Mark com 30. Você já tinha, assim, você entendi a que era o que era ter uma criança em casa. Mas você já tinha formado nossa conversa do tipo assim, cara. Você já tinha entendido que, para você, você não queria ser mãe, já. -Aus 30. -Conto 15. -É. -É. E como é que foi essa conversa com ele? Eu tinha uma opinião muito forte de que eu não queria ser mãe. E as pessoas, como muitas pessoas daqui, provavelmente vão dizer. As pessoas querem te dizer, "Ah, mas o dia que você conheceu alguém. " "Ah, mas quando a idade chegar, ah, mas quando aquele desejo bater. " E eu, dentro de mim, mais ou menos, eu sabia que não ia acontecer. Mas a gente também não sabe, eu também nunca achei que eu fosse mudado o Brasil. Eu, honestamente, achei que eu nunca fosse casar, casar, casar mesmo. Então, eu pensava. Eu contrei uma pessoa que eu tenho vontade de casar, eu larguei tudo. As mesmas vontade mudaram a longo da vida, de repente um dia também vai mudar. Quando eu conheci o Mark, ele era nomad, ele era um pouco mais novo que eu era não. Ele ainda é um pouco mais novo do que eu. A gente teve uma conversa muito breve, assim, quando começou a namorar. Ah, aquela coisa muito mais por curiosidade do que qualquer coisa. E aí, mais de notamente, ele falou, "Nossa, eu também não quero ter filho, eu falei, pronto, mate, perfeito!" Eu não quero, ele nunca quer, nunca vai sustir separando, exatamente. Assuntar errado, eu nunca parei pra pensar, porque pra ele também era muito certo que ele não queria ter filho. Mas aí as coisas mudaram ao longo do tempo. É, quando que mudou? Isso é uma coisa que o Mark é bem aberto, a respeito. Quando ele lançou o livro dele que se tornou o maior best seller. Fala o nome do livro pra você saber. Assuntiu a arte de ligar o foda, assim. Ele teve uma depressão muito grande. As pessoas não imaginam isso. Mas ele atingiu um sucesso astronômico aos 32 anos. E ele, de verdade, achou que era isso, assim. Cheguei, é um pico daqui, ela derabaste, não tem mais nada pra acontecer. De importante na minha vida. E no meio desse processo que foi dele, ele começou a questionar. Não vontade de ter filho que ele achava que tinha. E aí ele falou, "Não, eu, pra quê que é tudo isso?" Obviamente, com esse sucesso veio bastante dinheiro. E aí ele começou a se questionar, tipo, "O que que é a vida?" "Se a gente não vai passar nada pra frente e tal." E aí eu entrei em pânico real, assim. "Não, calma, calma, não, é isso que eu me mando." A gente já tá casado, eu casei pra isso agora, né? Exatamente, nessa época eu já tinha 35, quase 36 anos. E pra mim era uma coisa estabelecida, assim. Não vou ser mãe, a minha vida é ótima, eu amo tudo isso aqui, sem filho. E aí ele começou a ter esse questionamento. E aí entra aquela questão que também é muito forte pra muita gente, que é o seu parceiro querer. E você não tem. Porque ao mesmo tempo, é uma coisa que depende de você, sem do mulher, né? Numa parceria entre uma mãe e uma mulher. E que ele não pode fazer sem você. Então, eu comecei a ficar preocupada, porque eu falei isso. Eu já tive amigos que se separaram, porque queriam ter filho, um querido, outro não queria. E aquilo começou a me dar uma insegurança, assim. Eu falei, "Não, como é que vai ser isso?" E é desse dia entrar na terapia. Eu lembro que no meu primeiro dia de terapia, ela falou, "Apí, isso daqui, eu fui porque eu não quero ter filho." Mas a verdade eu não sei, mas talvez eu queira. Eu quero descobrir. Eu quero ver se eu realmente não quero aqui. E aí eu acho que nessa primeira conversa, conclusão que eu cheguei foi. Eu não tenho o desejo, mas eu queria entender da onde vem essa não vontade. Porque se for consequência de um trauma, de alguma coisa que ao longo desse processo, eu consegui entender. Perceba que poxa. Talvez é uma coisa que eu queira, mas estava reprimindo. Foi uma experiência do passado que estava impedindo de abraçar a experiência. Eu to aberta. Comecei a fazer terapia. Dois anos de terapia nunca falei da maternidade. Pode tudo da vida, mil coisas e tal. E aí, eu não falei. Nem era um assunto que eu tinha vontade de explorar, assim. De tão, não importante. Só que começou a minha própria pressão, da idade, de tudo, pensando, "Não, eu dei as upsisos." E nesse tempo, Mark vinha com esse assunto de vez em quando. Como ele ficava meio que jogando, como é que era? Não, ele é muito. Ele me respeita muito, assim. Então ele já sabia que era um processo difícil para mim. Então, era uma coisa assim, "Ah, seis meses de terapia." E a gente conversou muito, mesmo antes de eu começar a fazer terapia, eu fui muito nesta. Eu não quero que você cria esperanças de que eu estou indo para terapia e que esse processo vai me levar a uma mudança de ideia. Talvez reenforce a minha convicção. E ele falou não, tudo bem. Eu, você está indo por você e eu, todos posto, a esperar, a entender, conversar, porque não é uma coisa que eu queira fazer sozinho sem você. E isso foi uma coisa muito legal também, porque quando ele me manifestou essa vontade, ele falou, "Eu só quero ter um filho se for com você. Não é ai, eu quero ter um filho ponto." Então isso também me deu um pouco de segurança de falar, "Ah, vamos lá, mas nunca é uma segurança completa." Porque você está sempre assim, e se eu falar que não, e aí, de fato, perceber que não vai ter, e a consciência não é o pior. E aí, eu fui para terapia, tal. Quando eu fiz 39 anos, bateu. Porque eu falei, "Eu preciso resolver isso aqui. Não dá. Eu estou enrolando a verdade essa." E isso também é um dado, porque eu acho que é importante a gente entender os sinais que a gente cidadem. Eu estou fazendo terapia três anos. Não estou aqui nessa assunto ainda. Entrei para isso. Fato que não, né. E aí, eu falei, "Poxa, 39 anos, eu também tive uma questão de saúde muito séria que eu consegui resolver." E aí, eu falei, comecei a olhar para isso, para a minha fertilidade, do ponto de vista de saúde da mulher, e não de filho, que daí é uma outra conversa, que também mostra o quanto a indústria só está preocupada com a sua fertilidade, se você quer ter filhos. E aí, eu falei, "Poxa, 39 anos, eu devo isso ao mar, que eu preciso ter uma convicção e uma resposta." Mesmo que ele não me cobrasse. E aí, eu comecei mais intensamente a falar sobre isso na terapia, no tipo, "Tá, eu quero explorar esse assunto específico." E, ao longo do tempo, eu percebi que, assim, muito da minha vontade, ou da minha falta de vontade, de fato, tinha raízes, na forma com que eu fui criada, na forma com que a minha mãe me tratava, no fato de eu ter acompanhado essa coisa da minha irmã, desde o nascimento, eu sou muito mãe da minha irmã, desde sempre até hoje. Até hoje. Até hoje. O meu pai faleceu quando eu tinha 25 anos e eu meio que virei mãe da casa. Então, assim, eu sou mãe, sem ter filho, já, eu tenho responsabilidades de mãe, preocupações de mãe. Então, tudo isso também foi influenciando na minha vontade de não ter um filho. E eu comecei a explorar bastante isso na terapia. E aí, o tempo começou, de fato, até aquela sensação de bomba relógio. Eu vou fazer 40, eu preciso decidir e tal. E aí, na minha cabeça girava muito essa coisa, e se eu falar que eu não quero mesmo, e aí isso foi um deal breaker no meu casamento, eu comecei a explorar isso na terapia. E aí, eu acho que teve um dia assim que foi muito importante e foi um divisor de águas nesse meu processo que foi. Eu preciso explorar aqui o fato de que se eu decidir não ter filho, talvez eu me separe. E eu preciso estar confortável com isso. E nesse momento eu tive um olhar completamente diferente, porque eu estava indo por uma coisa de medo de me separar. Ai, meu Deus, se eu falar que talvez eu fique sem marido. Pra, se esse foi o que acontecer, eu tenho que estar bem. Porque eu não vou abrir mão de uma convicção muito grande que eu tenho pra salvar um relacionamento. Não vou, por mais incrível, maravilhoso e perfeito que o relacionamento seja. Se ele decidir embora, porque eu não tenho filho, então é porque não era tudo isso que eu acho que é. Eu tenho que confiar. E aí, quando eu tomei essa decisão, fez uma diferença enorme. Porque daí, menos de seis meses assim, eu comecei a trabalhar de fato o que estava me agonhando, me trazendo um gustia. E aí, eu me libertei de fato dessa coisa da dúvida que nunca existiu pra falar bem, na verdade. Da cobrança que você tava fazendo com você mesmo, do tipo "porque?" Será que eu não quero mesmo? E eu senti a muita culpa, porque eu pensava se for algo que é muito importante pra ele. Eu vou estar tirando essa oportunidade dele, e isso era muito forte pra mim, porque eu sou muito apaixonada pelo meu marido. Quero que ele seja feliz, eu não quero que ele não viva todo o potencial de vida que ele é capaz por uma decisão que é minha. E aí, uma coisa muito interessante aconteceu, porque nesse processo eu tive a minha última assoção de terapia antes do meu aniversário de 40 anos. Uma catásia assim, eu chorei a sessão inteira, eu falei, "Eu não quero, eu não quero." "Eu não quero teu filho, eu não quero com gelavos, eu não quero fazer viva, eu não quero fazer nada, eu não quero ser mãe." Mas foi muito, eu precisava desse processo por mim. E aí, no meu aniversário de 40 anos eu marquei um jantar com o meu marido, falei, "A gente precisa conversar." É isso, eu não quero. E eu tô feliz com a minha decisão. "Você está livre para fazer o que você quiser, eu não quero." E ele olhou pra mim e falou, "Eu também não quero então." E aí, foi coroado a decisão por nós dois. E aí, "Ah, virou, sim, ficou leve, porque daí não tem mais. Não tem mais isso, não tem mais medo." "Eu não quero teu filho, tá bom." Acho muito interessante que você falou da terapia, porque faça a terapia um tempo em pão, assim. E eu nunca tinha tocado nesse assunto, porque pra mim foi um assunto sempre tão bem resolvido. E a única vez que eu toquei nesse assunto foi porque eu pedro um dia, também chegou nessas meio que parecia do com aque. Sendo tipo, "Ah, não sei, está faltando alguma coisa." E ele, assim, eu acho que nem ele estava falando sério, mas ele meio que mencionou. "Ah, não sei, fiquei pensando, será que não é um filho que falta na minha vida?" E assim, ele só falou isso meio por cima e a gente estava na mesa, assim, do jantar, eu olhei, já me bateu aquele apavoramento, assim. E eu falei assim, amor, você tem que pra terapia ver isso, porque você sabe que eu não quero ser mãe. Mas eu quero muito que você analise isso pra sua vida, se você, como é que vai ser? Se você realmente quer ser paz, você não quer falar, você precisa trabalhar isso. E eu fiz ele começar a terapia por isso. E aí foi a única vez que eu cheguei pra minha analista e falei, "Olha, aconteceu isso em casa." E aí que eu mencionei esse assunto e a gente ficou, né? E eu lembro que o Pedro fez essas sessões de análise dele e um dia a gente voltou a conversar sobre isso. E eu acabei até chorando, assim, nessa conversa, porque foi justamente isso. Foi a primeira vez que eu me senti um pouco culpada por não querer e eu falei pra ele. Eu falei, "Cara, eu acho que sou bem resolvida com isso, mas não fim das contas." Não é fácil não querer também. A decisão mais fácil ponto de vista do que a sociedade espera é você simplesmente ser mãe, né? Faz parte do pacote, né? E ele me disse uma coisa parecida com o que o Marco falou, que ele é assim, ele fosse a manda pra minha mais importante estar com você do que tão filho. Então, assim, tá tudo certo. E hoje eu sou muito orgulhosa e aliviada, sempre que toda vez que alguém pergunta pra gente, "Ah, vocês não vão ter filhos?" Ele é o primeiro que vir e fala, "Não, a gente não vai." "Não, a gente, eu nunca fiz questão, a manda não quer, nunca fiz questão, não, a gente não vai." Ele quer essa pessoa que traz essa palavra, assim, sabe? Isso é ótimo, porque tem algumas coisas que acontecem, né? É quando você fala que não vai ter filho, que é a primeira "É, mas e o seu marido?" "Ah, mas você vai fazer isso com ele e tal." Eu recebo muito, sabe? Eu acho que ele seria um ótimo pai. É. Que pena, não será? E eu acho que tem outras duas coisas que são pouco faladas, que um é filho é a maneira mais fácil de você ter propósito na vida. E quando eu percebi que o marque, a grande questão dele era uma falta de propósito, aquilo me preocupou, porque eu falei, "É, é o caminho curto." "Ah, vamos ter um filho." E eu falei, "E eu sei que ele vai encontrar outros propostos, a carreira dele não acabou aqui, a vida dele não acabou aqui." E eu também sei que, no momento em que ele encontrar, se esse filho já existia, a responsabilidade desse filho vai ser minha. Por mais que a gente de vida tudo, que ele seja um cara mega parceiro, que ele faça tudo isso, a carreira dele no nosso relacionamento tem um peso muito maior. Então, quem teria que abrir mão de coisas? De muito mais coisas, não só pelo que a sociedade e a forma com que o mundo é estruturado hoje, seria eu, mas como o nosso relacionamento é estruturado, também seria. E isso foi uma coisa que eu falei com ele muito seriamente, porque as consequências de se ter um filho seriam muito maiores para mim, as consequências negativas, do que para ele. E quando ele entendeu isso, também ficou mais fácil de justificar. Porque quando você pensa de fato, se analisa e entende o que é trazer um ser humano para o mundo, cara, é uma responsabilidade muito grande. E eu acho que hoje tem muita gente frustrada, porque ou não entendia que era esse trabalho e responsabilidade, ou porque acha que vai dar para fazer tudo? Não vai. Não vai. E eu sempre tive muito essa consciência, não vai dar. E se eu tiver que abrir mão de várias coisas que hoje me fazem muito feliz, por causa de um filho, por mais felicidade que esse filho do mitrocesse, que eu imagino que teraria, não vai ser suficiente para mim. E eu vou ser uma pessoa frustrada e eu vou ser uma pessoa ressentida, eu tinha muito essa consciência. Então a gente não pode deixar que o propósito da nossa vida seja apenas ter um filho. E aí entra parte difícil, porque quando você não decide não ter um filho, você, de fato, precisa encontrar outros propósitos que te preenche, porque não dá para viver uma vida só de alegrias. Sabem? Então assim, eu acho que quando você toma essa decisão, você precisa estar ainda mais consciente de que você ativamente vai ter que encontrar propósitos a longo da vida. E qual são seus? Hoje eu quero viver a minha vida. O meu propósito hoje é um poder viver a minha vida plenamente, em todas as capacidades que eu tenha. Então eu quero ter saúde, eu quero poder praticar esportes, eu quero poder fazer tudo o que o meu corpo me permitir. E eu quero poder deixar algum tipo de legado com o meu trabalho, que não necessariamente venha de um filho. E eu acho que essa é a outra questão, que traz muita dificuldade nas pessoas. Mas qual vai ser o seu legado sem um filho? De várias formas, legado é impacto. E o impacto que a gente deixa é que é o mais importante. E hoje eu acho que eu tenho uma capacidade muito maior de trazer impacto para mais vidas pelo fato de que eu não tenho um filho. Eu acho que eu acabaria focando muito mais em um ser humano, se eu tivesse, do que hoje dividindo o meu tempo em coisas, trabalhos. Enfim, várias coisas que eu posso fazer tragam um impacto maior por um número grande de pessoas. Eu acho que é legal você falar essa questão também da responsabilidade de tão filho, da mudança, de vida, esse monte de coisa. Principalmente porque você é uma pessoa que você teria condições de tão filho, tanto financeiras como estilo de vida que você tem na você morar numa cidade, que é muito mais seguro do que morar no Brasil, por exemplo. E aí é interessante porque a gente não entra só na questão do. O teu filho não é uma questão só financeira, de estrutura de vida que você tem. É uma questão do impacto também que aquilo tem no seu dia a dia, na sua vida, na questão de você abrir mão de outros sonhos e de outros desejos que você tem para isso. E essa é uma outra coisa que eu acho importante falar. Eu penso muito em tudo. Toda decisão que eu vou tomar na vida, ela é tomada com base em muito planejamento, muita pesquisa. Enfim, e prate filho, quando eu entrei nessa coisa da aterapia, será, vai, não vai. Algumas das conversas, das muitas conversas que eu tive com Marque, foi em relação a como seria logística da nossa vida se a gente tivesse filho, porque a gente mora fora. Nós dois moramos longe dos nossos pais. Os pais deles são bem mais alhos do que os meus. Hoje, o pai do Marque tem 76 anos, está super ativo e tal. Mas, já não é uma idade que você pode contar com os pais para ajudar. A minha mãe mora no Brasil. A gente teria condição de contratar, babar, empregada, teria. Mas a gente não gosta. Hoje, por exemplo, eu não tenho empregada na minha casa, porque eu não quero ter uma pessoa comigo todos os dias da semana. Na minha casa, o trabalho em casa, eu quero ter paz. Nossa, tenho medo de sentimento. Prevacidade. Então assim, a gente não tem ajuda, teria que contratar. Falei, e ele também não gosta, porque a gente já tentou, a gente já tentou contratar alguém para vir cozinhar. Não rola. Então é uma coisa que, assim, isso também traz mais trabalho para a gente, mas é uma coisa que a gente testou e entendeu o que faz sentido. Então, falei, ó, tem um filho. A gente vai ter que ter alguém para fazer as coisas da casa. Vai ter que ter alguém para ajudar. São mais, gente. Então, assim, não é só o filho que vem, né? Vem outras coisas. Obviamente, falando de um gás muito privilégio. É um equipe. Mas é um fato. E aí, as pessoas que trabalham bastante, tal. Eu não me sentiria bem, deixando um filho muito tempo com outra pessoa. Eu não me sentiria bem indo viajar só com o Marque e deixando o meu filho com uma babar. Porque eu não teria mãe, pai, dios, família, ninguém para cuidar. Então, tudo isso. Eu me conheço. Eu sei que eu nunca mais viajarei a sozinha. Eu nunca mais viajaria com o Marque. Então, isso teraria coisas para a minha vida. E aí, a explicação. "Ah, não, mas aí você vê que depois, as coisas que você resolvem." Mas eu não quero pagar para ver, porque é uma coisa muito séria. Então, todas as pessoas. Eu não quero me acostumar com essa ideia que eu não gosto da ideia. Eu não quero me acostumar ela. Exato, só que além disso, eu também pensei em tudo o que mudaria na minha vida, o que envolveria, ter um filho. E aí, quando você coloca no papel, tudo que vem junto, você tem que querer muito. E depois que você teve essa conversa com o Marque no seu aniversário de 40 anos? Eu toco nosso assunto de vez em quando? Como é que ela? Assunto morreu. Morreu. E sempre tem as pessoas que perguntam, mas hoje em dia não tanto, porque todo mundo que conhece a gente já sabe. E é engraçado porque o Marque. Eu acho que é me ver tão convicta, trouxe para ele uma convicção que ele já tinha. E que só essa falta de propósito entre aspas trouxe uma dúvida. E hoje ele fala, porque a gente tem poucos amigos que têm filhos também. E aí quando a gente vai a casa de alguém, eu venho alguém visitar a gente que tem filho, primeiro que a nossa casa totalmente inapropriada para a criança. E aí a gente percebe, o quanto. Não é a nossa fala. E aí ele fala, "Não, essa bonitinho, o filho do Flan, mas eu já estava enjoado depois de assim como ele não tosso." E de uma certa forma, eu já sabia que era assim que ele pensava. Sabe? Então hoje eu falo, olha como se a gente cede a pressão, quanto a gente muda tudo sem, de fato, avaliasse aquilo. Traria algum tipo de realização para a vida. Você falou dos amigos, eu sei que você é uma pessoa que super valoriza fazer novas amizades, reforçar seus amizades. Que você já tem ainda mais mudando de cidade como você já mudou. Como é que é o seu círculo de amizades? Porque na nossa idade, a maioria das pessoas, elas têm filhos pequenos e tal. E a gente sabe que muitas vezes, principalmente, quanto menores eles são, né? Para os que os interesses são um pouco diferentes. Como é que é para você? Eu estou no mais conhecido de limbo social, também engraçado. Como eu mudei recentemente, faz dois anos que eu mudei para Los Angeles e quando se pensem amizades na vida adulta, é pouco tempo. Eu tenho grupos de amigos de 30 anos, então 30 a 30 é pouquinho que não tem filhos. E aí, eu comecei muito, de uma forma muito interessante fazer amigos com que eles chamam dos Estados Unidos de Empty Nusters, que daí são de 50 que tiveram filho, mas jovens os filhos já estão na faculdade, mas eles são superativos e tal. Só que é engraçado porque a galera de 30, em algum momento, vai ter filho, todo mundo fala. E os de 50 são outras gerações. É tão engraçado isso. Enfim, é legal, mas eu estou nesse limbo social com as novas amizades. Aqui no Brasil, eu tenho um grupo de cinco amigas que são muito unidas e nenhuma tem filha. Caramba! Todas de mais de 40. Não sei porque eu achei que seus amigas aqui tivessem filhos também. Eu tenho poucas amigas com filhos. Eu tenho assim. Eu também, na verdade, as minhas amigas de mais longa data, assim, que as duas de infância mesmo tem filho, mas as amigas que eu conheci dos meus 20 poucos anos, assim, faculdade, 20 poucos anos, nem uma teve filho. Então aqui, eu tenho um grupo de amigo muito sólido e incomum para a nossa idade, que são mulheres sem filhos. E aí, nas novas amizades, é que fica mais difícil mesmo, porque quem é da nossa idade já tem filho pequeno e é o que você falou. Eu acho que não é nem só uma questão de interesse, é uma questão de fase de vida mesmo, porque a pessoa que tem um filho pequeno é impossível você continuar. Não tem conversa com a criança perto. Quando a criança não está perto, essa pessoa tem um tempo curto, que ela geralmente reclama do concansada e tal. E ela acaba se relacionando com gente que também tem filho, porque daí fica mais fácil para as crianças também. Trocar experiência, enfim, exatamente. E isso se carrega a longo da vida, porque é essas amizades que você constrói quando você estava grávida, quando você teve filhos, aí os filhos vão crescendo juntos, são as amizades que acabam se fortalecendo. Então eu me encontro nesse limbo, assim, as amigas aqui são amizades muito fortalecidas, que eu já tenho em queitem filho, e as que eu estou fazendo novas são. Eu percebo que elas são vão passando, então você tem aquela grupo de amigos, aí as pessoas começam a ter filho, e elas se afastam, aí você preenche com novas. Mas como eu tenho 40, eu tenho esses dois, né, o povo de 30, o povo de 50, e a gente no meio. E você vê a diferença sobre esse assunto aqui, e lá nos Estados Unidos, porque o Estados Unidos também tem bastante gente, acho que não é o tua bolha de lá, mas tem bastante gente conservadora também. Você vê a diferença nesse assunto? É muito difícil para eu falar, porque São Paulo, eu acho que é fora da curva no Brasil, e eu moro em Los Angeles, também moro em Nova Iorque, então são duas cidades que são muito fora da curva, mas a cultura americana, principalmente do que a gente chama de Miro America, os Estados Unidos mesmo, a galera tem 4, 5 filhos, todo mundo começa a ter filho com 30 anos considerada velha, nossa velha, 30 anos eu não tenho filho ainda, meu Deus, culturalmente é muito pesado, mas não na cidade que eu morei até hoje, é muito tranquilo, você fala que não vai ter filho ninguém nem pergunta por quê? Também não há uma pergunta que surge, como muita frequência lá, eu acho que as pessoas são muito mais discretas do que aqui, eu acho que aqui a pressão é muito maior, né, de "ah, mas por quê, mas vai mudar de ideia", lá você não vê, né, não, é uma resposta completa. E você já sentiu alguma vez julgada por isso? Olha, eu não sei, porque eu também não me preocupo, com quem que é julgar, eu já recebi mensagens, assim, DMs de Instagram, mas aí eu não ligo, né, a pessoa não me conhece, então eu também não ligo, mas nas minhas pessoas próximas não e nem dos pais, assim, a única pessoa que me ensionou brevemente foi a minha sogra, eu tenho duas sogras, eu tenho uma sogra, a sogra é uma dasta, a minha sogra mesmo, o mãe do Marque, e eu acho que até no piloto automático, quando a gente casou, tal, ah, aí, quando que vocês vão planejar, isso foi até engraçado, porque ela falou, "Ah, quando vocês vão construir a sua família, vocês estão planejando em construir a família?" E aí, eu ali pra ele falei, "Não, eu e o Marque já somos uma família." E aí, na refor é aquela coisa, causou um certo estranhamento, porque também é isso, assim, eu sou uma família de duas pessoas, completa e feliz. E aí, nunca mais estou com a assunto, então eu também nunca tive pressão dos pais, de nenhum lado, todo mundo já meio que perguntou uma vez, porque, né, "Ah, vocês estão pensando em ter filho, não, pronto." Acabou? Então, eu sou muito sortuda nesse sentido também, mas não, não tenho. Você falou da família de dois, é interesse de porque em casa, em casa, para as pessoas tal, foi um exercício e que eu comecei a fazer muito de exercitar isso, assim, "Nós somos uma família, a nossa família, mesmo se enguel eu pedrei, a gente tem duas cachos, que são tudo para a gente, mas enfim, não é como ter um filho, mas a gente fala a nossa família, "Ah, não sou que tira foto da nossa família", sabe, assim, é o exercício interessante, porque é como muita gente vai ser daqui para frente. Exato. Uma coisa engraçada é que, quando eu falo que não vou ter filho, imediatamente as pessoas são "Ah, mas você tem cachorro, né?" E eu falo, "Não, e aí gera mais estranheza nas pessoas, o fato de que daí eu também não tenho um peste, mas assim, mas nem um gato, não, mas você vai ter, né?" Não, não sei, mas não sinto a necessidade. Mas você compara um trabalho de um de teu cachorro com tão filho. Mas eu acho que é isso que as pessoas não entendem, assim, de fato, não falta nada na minha vida hoje. Eu me sinto muito completa, o meu relacionamento é muito completo, assim, muito cheio. E eu acho que eu não sei se é isso, porque muita gente tem essa falta, "Ah, falta alguma coisa" e tal, mas é muito engraçado, assim, a pergunta já vai "Ah, mas então vocês vão pegar um cachorro?" Não, também não, tudo certo. O fé, e esse mito da mulher egoísta, de você ser egoísta, por você não que ele é filho, o que você acha disso? Eu sou egoísta. Eu não tenho problema nenhum em relação a isso. Eu acho que a verdade é que a gente precisa parar de colocar uma connotação negativa no egoísmo, porque o fato de eu ter sido uma pessoa egoísta ao longo da minha vida me permite hoje, por exemplo, ajudar a minha família inteira, me permite fazer um trabalho que ajuda pessoas, porque num determinado momento eu sabia o que eu tinha que fazer, e eu fui muito egoísta nas minhas decisões, inclusive de mudar para fora do Brasil e tudo isso. Então eu acho que primeiro, precisamos acabar com esse mito, no geral, do tipo, não é uma coisa negativa a ser egoísta. E a segunda coisa é "Qual é o problema?" "Deu querer que a minha vida seja coisa mais importante para mim?" Porque no fundo, a gente só vive com a gente mesmo, assim, tem um filho, na verdade, é uma doação que a gente faz para o mundo. E eu acho que muito a gente não entende isso, a pessoa entende o filho com uma propriedade dela, uma extensão dela, uma pessoa que vai realizar desejos e expectativas. E eu acho que isso é mais egoísta, na verdade, do que ter um filho, porque você está colocando numa outra pessoa que você não tem controle nenhum, expectativas, desejos que não são dela. Eu não tenho problema nenhum em relação a isso, zero. Mas é que tanto você não querer ter um filho, quanto você querer ter um filho, são decisões individuais e egoísta. Sim, as duas são, não é porque você não quer que você é egoísta. Eu falei sobre isso também, porque estava contando para no episódio com a vania, que quando eu era mais nova, eu era chamada, assim, de egoísta. "É, até para a minha família, assim, você não sabe?" "Não, eu também." "Cê também, olha o interessante!" E na época, eu não entendi a isso, mas hoje, eu consigo entender que eu era vista como egoísta, mas que, na verdade, era porque eu estava correndo atrás das minhas coisas, da minha dependência, do que eu queria, dos meus objetivos, e as pessoas achavam que tinha essa visão de que eu era egoísta por isso. E que já não é errado? Não, não é! Essa é que a questão é. O que é errado é a visão das pessoas do que é o egoísmo. Será que o egoísmo está não está errado? Eu também acho. Eu acho que quanto mais a gente trabalha para conquistar as nossas coisas, para construir os nossos objetivos, melhor a gente consegue se doar pro mundo depois. Eu acho que existem momentos em que é importante, inclusive, você ser egoísta. Eu acho que as pessoas mais frustradas que eu conheço são as pessoas que não foram egoístas entre aspas, acabaram abrindo um monte de coisas ou deixaram de fazer coisas porque tinham que atingir certas expectativas aí, acabam tendo ressentimento depois. Então assim, eu tenho zero ressentimento na minha vida. Zero, justamente com sua egoísta. Qual tive um egoísmo, gente? É ótimo para ressentimento. E falando do emvelhecer para a gente fechar, como é que você se vê na sua velhice? Como é que você se vê emvelhecendo? Olha, eu tenho construído um relacionamento muito positivo com o emvelhecimento nos últimos anos. Não foi sempre assim. Eu sempre tive muito pavor de emvelhecer, acho que a palavra correta assim. Meu pai faleceu com 51 anos e eu acho que isso me trouxe uma consciência por um lado, de cuidado com a saúde e tal. Mas por outro assim, eu venho de uma família em que todo mundo morre muito cedo. Então, para mim, o emvelhecimento sempre foi associado a morrer. Você morre rápido, assim, a velhice é isso. Então, eu tive que descontruir um pouco isso, inindo, tipo, não necessariamente emvelhecer igual a morte. Então, esse foi o primeiro passo. E aí, o segundo passo foi que, principalmente para mulher, o emvelhecimento é muito cruel. Em termos de sociedade, de julgamento e tal. E eu era a pessoa que julgava. Eu era a pessoa que falava "Ah, eu vou envelhecer o mal." "Ah, eu vou fazer todos os procedimentos estéticos, possíveis." Na verdade, eu pensava que tinha que ganhar dinheiro só para isso. Se eu puder cobrir as coisas, deu uma toda a edição, está ótima. E engraçado porque um cinco anos atrás, quando tive uma questão de saúde, eu falei "Cara, eu não vou mais fazer essas coisas." Assim, não faz sentido, não me faz bem. Eu não era, eu não fazia muito que era nova, não precisava, mas eu já estava com aquele plano do tipo "Norrasta, quando tiver talidade, eu vou começar." E eu mudei muito, assim, em relação a isso. E hoje eu vejo um emvelhecimento com uma mulher muito positivo, do tipo "Cara, o seu mais velho é que eu consegui." Tipo, porque senão que eu vivi uma vida longa. E eu amo muito a minha vida. A minha vida é muito boa mesmo, assim. Então, eu quero estender o máximo que eu puder. Então, hoje eu cuido muito da saúde. Eu vejo um emvelhecimento dessa forma, assim. Como é que eu posso fazer o que tal, meu alcance, para ter uma vida continuata e numa vida boa? E estender essa vida o máximo que eu puder, porque acho que é um presente. E isso é uma coisa que eu também acho engraçado, porque é um dos outros pontos que as pessoas trazem. "Ah, mas como vai ser a sua vida na velhista, sem filhos?" "Cara, eu consigo ver uma vida muito cheia de coisas, assim." Como a minha vida é hoje, assim, não tem um espaço, sabe? A minha vida é completa mesmo. E eu estou muito animada. Quero ficar bem velhinho. (risos) -Velhinha bem. -Exato. Tem uma coisa que eu penso. Sempre que eu falava, né, pras pessoas que eu não ia ter filho e tal. E aí vem aquela história do "Ah, mas é um amor que você nunca vai conhecer." Esse é bom. E aí, nossa, porque inexplicável não dá para explicar. E, de fato, não dá, porque, assim, existe toda uma mudança hormonal que acontece no corpo da mulher, que é feita para que exista esse amor que não existe mesmo, e que no pai não vai existir e tal. Mais uma coisa que eu cheguei à conclusão, e eu quero que fique bem claro que eu não estou comparando as coisas. Eu sei que esse é um amor que eu nunca vou sentir. E eu estou totalmente confortável com o fato de que eu não vou. Mas eu percebi conversando com amigas, por exemplo, que tinham o sonho de semana e acabaram depois se separando ou tendo problemas do casamento, em que eu conheço um tipo de amor que eu encontrei no meu parceiro de vida, que eu não sabia que era possível encontrar. Eu, de verdade, não sabia. E eu encontrei. E ele é um amor tão grande, tão grande, tão grande que ele é suficiente para mim. E eu acho que muitas mulheres na ansia de semana acabam casando com pessoas que não eram a pessoa certa, ou que não eram momentos certo. E aí, por isso, elas nunca conhecem esse amor que eu conheço. E acabam encontrando nos filhos, esse amor. E de novo, eu não estou comparando, não estou dizendo que esses amores se comparam. Mas eu queria muito que as mulheres conhecerem esse amor também. Porque eu acho que muitas não conhecem. Eu tenho um sentimento muito parecido que é assim que eu estou com o Pedro hoje, meu marido, simplesmente porque, 100% porque eu escolho estar com ele todos os dias. Não é porque eu quero ser mãe, não é porque, enfim, eu preciso deixar esse legado da maternidade. Não é simplesmente puramente por amor. Sabe, não tem, a gente não está junto porque, "ah, vamos manter a família", né? Porque é ruim se separar, porque a gente tem uma família. Não, é simplesmente por uma escolha. E aí, a gente consegue sentir esse amor verdadeiro que você está falando. É muito forte. E que eu acho uma pena que muita gente não sinta também. E ninguém fala sobre isso, sabe? E uma outra coisa que as pessoas me perguntavam muito, muito. E hoje eu também encontrei uma resposta que me confortou e eu espero que conforte outras mulheres que estão ouvindo. E se você se arrepender. E eu acho que a gente também tem que estar confortável com o arrependimento na vida em relação a várias coisas. A gente vai se arrepender é impossível viver uma vida sem arrependimentos. Mas, parece que quando o assunto é maternidade, é uma coisa assim, nossa, não pode existir. Então é melhor ter do que se arrepender. E o que eu entendi é que num cenário em que o arrependimento vai ser inevitável, eu prefiro me arrepender de não ter tido, de ter tido. E isso me trouxe um conforto muito grande assim. Tudo bem, se eu me arrepender, eu estou confortável com esse arrependimento. Eu acho que muitas vezes esse papo do arrependimento é um pouco equivocado, porque ele também traz a ideia de que você semanha, só você gerar uma criança. E tem muitas mulheres que acabam ficando mais velhas e adotando alguma criança, mudando de ideia, elas podem sempre percorrer esse caminho da doção. Mas eu entendi o que você falou. Agora, mas eu tenho uma coisa, não sei se você sente isso assim, a gente tem mais ou menos a mesma idade. Ah, esse arrepender tal, mas eu sinto que cada vez essa decisão é mais consolidada na minha vida, sim. Cada vez eu estou mais distante desse arrependimento. Eu também, enquanto mais eu fico, mas eu convita a decisão. É isso, assim, porque eu estou tão feliz com a minha vida que não cabe, eu não consigo imaginar. Por isso que quando eu recebo alguém que tem filho em casa e estava em um óleo falando, gente não cabe na minha vida hoje. E é isso. E se você parar para pensar, é muito raro. Sim, nem lembro de alguém mais velha que tenha dito que você arrependeu de não ter assim. Não que não exista, com certeza existe, mas é muito raro você encontrar alguém que tem arrependidos de não ter tido filhos, né? É porque eu acho que você acaba encontrando maneiras de preencher a sua vida, que são maravilhosas. É que eu acho que tem um estigma muito grande da mulher que normalmente é solterona entre asas, que não teve filho. Ou que ficou praticia. Ai, aquela tia que não teve filho, aí adotam o subrinho, mas não. E eu, honestamente, dos meus propósitos voltando no assunto, é inspirar mulheres a terem uma vida incrível sem filho. A gente é a geração que vai mostrar que é possível, que não somos tristes, não somos sozinhas, não ficamos isoladas. É, não ficar os pratitias, somos mulheres incríveis com vidas ótimas. É isso, foi eu adorei o papo. Também. A gente já teve esse papo várias vezes no ófio, foi muito bom a gente gravar quem sabe, a gente não vai inspirar outras mulheres, né? Nossa, é só o que eu quero. Muito obrigada, viu? Obrigado a você. O podcast não quero ser mãe e agora foi criado e apresentado por Amanda 90 e tem o apoio da mina. [MÚSICA DE FUNDO]
Podcast Summary
Key Points:
A apresentadora Amanda Noventa conduz um podcast sobre liberdade de escolha, focando em mulheres que não desejam a maternidade.
A convidada Fernanda (Feneut) compartilha sua jornada pessoal, desde a infância até a vida adulta, explicando as raízes de sua decisão de não ter filhos.
O casamento de Fernanda enfrentou um desafio quando seu marido, Mark, após um período de depressão e sucesso profissional, começou a questionar o desejo de ser pai.
Fernanda buscou terapia para explorar suas motivações e medos, lidando com pressões sociais e a possibilidade de o casamento terminar.
Após um processo introspectivo, ela reafirmou sua convicção de não ser mãe, e seu marido acabou por aceitar e apoiar a decisão, fortalecendo o relacionamento.
Summary:
O podcast, apresentado por Amanda Noventa, aborda a liberdade de escolha sobre maternidade, com foco em mulheres que optam por não ter filhos. A convidada Fernanda (Feneut) relata sua trajetória, desde a infância, onde nunca demonstrou interesse em brincadeiras maternas, até a vida adulta, reforçada pela experiência de cuidar da irmã recém-nascida e pelas responsabilidades familiares. Ela detalha seu relacionamento com o marido, Mark, inicialmente alinhado na decisão de não ter filhos, que foi abalado quando ele, após alcançar sucesso profissional e enfrentar uma depressão, começou a questionar o desejo de paternidade.
Fernanda entrou em terapia para explorar suas motivações, lidando com culpa, pressão social e o medo de uma possível separação. Após um processo intenso de autoconhecimento, ela reafirmou sua convicção, e Mark acabou por aceitar e apoiar a decisão, priorizando o relacionamento. A conversa destaca a importância de respeitar escolhas individuais, encontrar propósito além da maternidade e a necessidade de diálogo e compreensão em parcerias.
FAQs
Sim, é completamente normal e uma escolha pessoal válida. Muitas pessoas optam por não ter filhos e levam vidas plenas e felizes.
É importante ter uma conversa aberta e honesta, considerar terapia de casal e respeitar as decisões individuais. Às vezes, pode ser necessário reavaliar a compatibilidade do relacionamento.
Reflita sobre seus desejos, valores e experiências de vida. A terapia pode ajudar a explorar se a decisão é genuína ou influenciada por fatores externos, como pressão social ou traumas.
Sim, o propósito pode vir de várias fontes, como carreira, hobbies, relacionamentos, saúde e legado pessoal. É importante buscar ativamente atividades que tragam significado à sua vida.
Lembre-se de que a decisão é sua e do seu parceiro. Estabeleça limites em conversas e busque apoio em comunidades ou pessoas que respeitem sua escolha.
Sim, a terapia é um espaço seguro para explorar sentimentos, medos e desejos relacionados à maternidade, ajudando a tomar uma decisão mais consciente e alinhada com seus valores.
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