A série "A Vestruz Master" revela como uma empresa de avestruzes no Brasil operou como uma pirâmide financeira, fingindo ser um negócio sustentável com aves. Apesar de prometer retornos altos, a investigação do Procon mostrou que não havia correspondência entre os certificados emitidos e o número real de aves. A contagem feita com ajuda da polícia militar revelou uma diferença de 1.429 unidades, provando que a empresa não tinha lastro físico. Além disso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) detectou que os contratos prometiam retornos garantidos, caracterizando um investimento em ações, não em bens reais. A empresa tentou justificar o modelo com certificados de produto rural, mas os vendedores continuaram prometendo recompra de aves. O colapso ocorreu em novembro de 2005, quando investidores começaram a não receberem seus valores, e a sede foi invadida por desesperados. A empresa, liderada por Jerson Maciel, havia criado uma imagem de riqueza e sucesso com propaganda ostensiva, mas a realidade era uma fraude financeira. O caso mostra como a falta de regulamentação e o uso de linguagem de investimento enganosa podem ocultar um esquema fraudulento. O episódio finaliza com a evidência de que o ativo principal – os avestruzes – ainda estava vivo, sugerindo que o crime foi apenas um dos lados de uma operação que permaneceu em atividade.
[Música]
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Tem uma coisa que eu aprendi recentemente sobre os avestrosos.
Apesar do tamanho da força deles, eles são presas na natureza.
Quer dizer, naquela equação do lutar ou fugir, eles são bem mais do time fugir.
Até por isso a carne deles é tão magra. Eles conseguem correr muito.
A gente já falou aqui que eles chegam a 70 quilômetros por hora.
Só que tem um detalhe. Quando um bando de avestrução se assusta,
às vezes eles começam a correr em ciclos.
2, 3 gravando.
Eu me chamo Antônio Cardo de Lima e até agosto de 2003,
eu fui designado para ser o superintendente do Procum, o estado de Guayaz.
Antônio Carlos era o superintendente da agência de proteção aos consumidores goianos.
O que que é Procum? Pro, proteção com consumidor.
Então Procum é proteção do consumidor.
E aí, quando ele estava completando quatro meses nessa missão?
No mês de dezembro, eu recebi, lá no Procum, a visita de um fazendeiro.
Esse fazendeiro estava ali para registrar uma queixa contra uma empresa.
Chamada Arrestruz Master. Ele falou, olha ele legado.
Eles estão prometendo 10 a 12% de lucro. Não dá isso.
O fazendeiro sabia que não dava tudo isso de lucro porque ele mesmo era criador de avestruzes.
E pela experiência dele, o preço que a master estava dizendo que dava para vender um avestruz
no mercado brasileiro naquela época era completamente real.
O plano que o Antônio Carlos desenhou para começar essa investigação era bem simples.
Fiz uma notificação para a Vestruz Master para saber quantas aves eles tinham
no plantel deles.
No primeiro momento, uma coisa pode parecer não ter nada a ver com a outra.
Mas para saber se o negócio parava de pé, ele queria averiguar o mais básico.
Se tinha mesmo um avestruz para cada certificado de posse.
Cada título que a master emitia.
O Procum atificou a empresa e eles voltaram com um número.
Nas três fazendas que a empresa tinha naquele momento, na cidade de Bela Vista de Goiais,
tinha cinco mil e oitocentas avestruzes lá.
Cinco mil e oitocentas certificados, cinco mil e oitocentas aves.
Tudo microchipado e documentadinha.
O próprio Gérrdio Somaciel garantiu para ele.
Ai, pelo auditor, não tem erro.
Isso pode ficar tranquilo, ninguém vai tomar pro juízo.
Todo mundo vai ganhar.
Então, é um negócio como outro qualquer.
É uma empresa, né?
Em desenvolvimento, eu trouxe todo o normal da África do Sul, lá deu certo.
E vai dar que também.
Então os senhoros consumidores que o senhor representa podem ficar tranquilos.
Beleza, agora o Procum, na pessoa do Antônio Carlos,
só precisa vir lá para checar a sarei su mesmo.
No outro dia, eu visitei a primeira fazenda para olhar esses animais.
Olha, era tranquilo.
Mas não dava para pedir para os avestruzes formarem uma fila
para o Antônio Carlos e ali contando um aunha.
Elas não deixam a gente ficar perto delas, só os tratadores.
Então, eu tinha que entrar num pasto, ou de moto, ou de quadriciclo.
Só que na hora que o pessoal do Procum entrava. Para contar, levar o dedo e contar,
no movimento assim de defesa, principalmente os machos que eram mais agressivos,
eles rodou piavam.
Se a gente saísse no pasto, de moto, ou de quadriciclo,
que eles tinham lá, faziam o barulho, eles faziam o mesmo comportamento.
Rodou piando como proteção para não deixar ninguém chegar perto.
Então, tornou essa contagem quase que impossível.
Sempre que eu penso nessa cena, eu imagino o pessoal do Procum
meio de um tubilhão de plumas, de pescoços e de pernocas,
tentando distinguir um avestruz do outro.
Como se milhões de anos de evolução,
tivessem preparado bicho para esse momento.
Eu sou Paulo Escapim, e esse é o avestruz master,
uma série original da Rádio Novedo.
Episódio 3. No rastro do avestruz.
O Antônio Carlos não desistiu de fazer a compagem das aves,
mas ficou claro que não ia dar para fazer naquele dia.
Conversando com os tratadores,
ele sob que os avestruz estavam mais acostumados com a presença de cavalos no pasto.
Então, ele se viu obrigado a apelar para instância os superiores.
Aí eu pedi a cavalaria da PM para nos ajudar nessa contagem.
E assim fizemos.
Eu vou deixar a cavalaria da polícia militar rodando no pasto um pouquinho,
contando pescoço por pescoço, enquanto eu te explico algumas coisas.
Essa visita do Procum nas fazendas da Vestruz Master
aconteceu no começo de 2004,
mas o menos na mesma época que saíram as primeiras repotagens
sobre a empresa no jornal o sucesso.
A gente falou sobre isso no episódio passado.
Mas mesmo antes dessas repotagens,
já tinha um clima de desconfiança parando no ar.
Brasília, 22 de julho de 2003.
Esse é lentíssimo senhor presidente Luiz e Nácio Lula da Silva.
Antes de qualquer coisa,
quero para benisá-lo pelo ótimo trabalho
que vem desenvolvendo a frente do governo.
Essa é uma carta anônima.
Quem tá lendo é a Carolina Morais,
que fez essa série comigo e com a flora Tom Sondevo.
A carta foi enviada por Lula,
mas com cópia para o Ministério Público,
para o Banco Central,
para a Comissão de Valores Mobiliários
e para a Receita Federal.
Senhor Presidente, a conclusão que se chega
conforme a informação da estado empresa
é que não existe negócio melhor que esse no Brasil
ou em qualquer outro lugar do mundo.
Imagino que somente o tráfico de drogas
sabando de armas bem uma lucratividade maior que essa.
Acontece, presidente,
que por estar fazendo a captação de poupança de terceiros,
teria que ter lastro, o que não tem,
teria que ter autorização do Banco Central para fazê-lo,
o que não tem.
E se não me engano,
também da Comissão de Valores Mobiliários,
o que também não tem.
Segundo o autor ou autora da carta,
a massa não estava vendendo aaves.
Ela estava vendendo papel.
Providências precisam ser tomadas, presidente.
Pois, a continuar assim,
muitas famílias perderão dinheiro,
algumas as economias de uma vida inteira.
E isso, sem dúvida,
irá respirar nos órbãos públicos competentes
que não fiscalizaram como deveriam essa empresa,
que atua de maneira descarada nesses mercados.
Essa empresa é um novo boigordo,
só que com uma cara muito mais feia.
À dois anos atrás, eu investi em gado e realisei um velho sono
de me tornar fazenda.
No final dos anos 90, a boigordo estava em todo lugar,
inclusive nos intervalos da novela ao rei do gado.
E essas propagandas eram protagonizadas pelo ator
que fazia o próprio rei do gado, o Antônio Fagundo.
Faça como eu, indista com a boigordo.
Fazendo as reunidas boigordo.
Entendi a cabeça, investe em gado.
A proposta das fazendas reunidas boigordo era simples.
Você investe em bois magros,
e o seu dinheiro servia para engordar esses bois.
No final de alguns meses, o seu boi magro tinha virado um boigordo
e tinha valorizado.
Eu podia até dizer que qualquer semelhança com modelos de negócios
da Vestros Master é mera coincidência.
Mas a pessoa que escreveu a carta para o Lula e para a Geral
achava que não era coincidência coisa nenhuma.
A boigordo entrou em colapso em 2001 por um simples motivo.
O dinheiro que os investidores estavam recebendo
não vinha da venda de gado.
Ele vinha de outros investidores que tinham entrado depois.
Ou seja, o dinheiro que o Fula nos tacava não era da venda
do boigordo dele.
Era o dinheiro que o cicrano tinha acabado de botar
para engordar um boizinho magro e potético.
Tem um nome popular para isso.
Pirâmide financeira.
E uma hora, toda pirâmide financeira cai.
Agora, para saber se a Vestros Master era uma pirâmide
ou só um case de sucesso,
você tinha que ver se a empresa estava operando
com tudo nos conformes a ponto de justificar
a rentabilidade que ela oferecia.
E o primeiro passo era simples.
Contamos esses animais e foi constatado
que tinham somente 4.371 investidores.
O Procon contou mais de mil aves
a menos do que a empresa tinha relatado.
Falei ótimo, então, está emitindo título sem lastro.
É tudo que o Procon precisa.
Lastro, no caso, é a coisa palpável por trás do papel.
A Master teria lastro se ela tivesse uma ave
no pasto para cada ave vendida.
E o Antônio Carlos descobriu um buraco
do tamanho de 1429 aves gigantes.
Ou seja, quase 1 quadro.
menos do que eles tinham declarado.
Depois de constatar esse buraco com uma ajuda da cavalaria da PM, o procompidiu pra
master uma lista dos investidores e dos investimentos.
A empresa tinha um prazo pra responder.
Porém, deu os 15 dias e ele não forneceu a resposta.
Eles não mandaram a documentação e a punição prevista era séria.
A interdição temporária, ou seja, eu iria fechar aquilo lá porque não tinha lasto.
Pois bem, convoquei a coletiva 10 horas da manhã quando foi 8 horas a secretária
me chamou, falou do torre, tem um oficial de justiça aí.
O oficial de justiça tava com uma liminar dizendo que o procomo não tinha competência
pra interditar a master.
Que o Antonio Carlos não ia dar coletiva nenhuma e que ele entrega toda a documentação
dele pro Ministério Público.
Frustrante, né?
Mais pelo menos as investigações e um continuar.
E outras cavalarias, figurativas dessa vez, e um começar a rondar as fazendas.
A primeira vez que houve falar da master foi na solicitação de uma expressão.
Esse é o Luis Paulo Canália, que é o inspeitor da Comissão de Valores Mobiliários
com a CVM, esclarecendo que todas as observações, opiniões aqui são de cunho pessoal e que não
tem uma relação direta com a entidade, com a Comissão de Valores Mobiliários.
Beleza, notado.
Bom, isso foi em agosto de 2004.
A CVM tinha entrado na jogada justamente pro causa da denúncia ao procomo de Goiás.
E tinha uma coisa que eles repararam logo de cara, quando as pessoas investiam em
a vestuízes da master, no contrato, tinha uma rentabilidade garantida.
Isso caracterizava como instrumento que não seram, porque a pessoa não ficava com a vestuízes.
Ou seja, era como se a master não tivesse vendendo animais e sim ações de uma empresa.
E não tem nada de errado com isso, em princípio.
Investimento em ações não é uma coisa legal, mas as empresas que trabalham com isso tem
que ser cadastradas na CVM.
Foi isso que a CVM avisou para a master.
Ou eles se cadastravam como instituição financeira, ou eles têm que parar de prometer
lucro na recomprada dos avestruz.
A master entendeu que a segunda opção era mais fácil.
E foi aí que eles passaram a adotar um modelo de CPR, certificado de produto rural,
que é o comprovante padrão de transações do agronegócio, como sacas de soja e cabezas
de gado.
A partir de ali, uma pessoa que tivesse investindo na master não estava mais, pelo menos
em teoria, comprando o investimento com o retorno garantido.
Ela estava só comprando uma ávea fricana gigante.
Só que daí, alguns meses mais tarde, um pessoal da CVM saiu para fiscalizar alguns escritórios
da master e eles ouviram os vendedores fazendo as mesmas promessas.
Quer dizer, era um pouquinho diferente.
Em vez de ter a venda e a recomprar no mesmo documento, tinha um documento da venda e outro
prometendo a recomprar, o que continuava sem derrregular.
Depois dessa segura leva de uns pressões, a empresa voltou a prometer que ia interromper
essa forma de capitalização.
Isso já era final de 2004.
Olá amigos, parceiros, criadores e avestros.
2004 foi um ano fantástico para a estrutura brasileira.
A criação de avestros em nosso país deu um grande salto em nossas fazendas que vemos
o nascimento recorde 12 mil filhotes.
2005 será aí da melhor.
Imagina todos os personagens dessa história se recolhendo para o Natal, Feres de Verão.
Todo mundo tirando o respirinho, as avestros estirando um cochilinho no pasto.
2005, maravilhoso para vocês, parceiros e criadores de avestros.
Logo no começo do ano, Luis Paulo voltou para a Guiânia para visitar a sede da Vestros
Master.
Na primeira visita que ele tinha feito uns seis meses antes, o escritório ficava numa
casinha.
Agora, a sede da empresa era na Avenida, uma das Avenidas principais da cidade, e era
um prédio.
Não era mais uma casa, era um prédio pela três andagens, com ovo de avestros gigantes,
no topo da torre do ano do prédio.
Ainda não dava para saber se a avestros master era um boi-gordo, mas a empresa com certeza
tinha engordado nesse tempo.
Me lembrou até, me lembrou até o choque de filme de Jurassic Park, né?
Aquelas coisas é grandiosas.
E assim, como em Jurassic Park, as coisas estavam saindo um pouco do controle.
Foi até comentado que estava tendo uma crise mobiliária nas cidades, pessoas vendiam
em móveis para comprar investimento e tudo isso.
Isso da porta é pra fora, né?
Agora, vamos dar um pulo pra dentro do prédio com o ovo em cima.
É o último andar da Vestros Master, era só do seu gesto.
Ninguém mais tinha certo.
Ninguém mais tinha certo além do gesto maciel, e desse cara que está falando, o reinaldo
macido.
Olha, a vestrosinha dormia a vida assim, no momento que eu precisava.
O reinaldo estava trabalhando como garçom numa feria grupicoária e acabou chamando
atenção do gesto maciel, que fez uma proposta pra ele mudar de estande e vi servir os clientes
da Vestros Master.
Mas ele logo passou a servir o patrão também.
"Se ele desce um espírito, eu estava ali para falar-me, e a gente era assim."
Quando o seu gesto me chamou pra trabalhar com ele, ele foi bem franco com ele.
O reinaldo, eu preciso uma pessoa 24 horas pra mim, aonde eu tive, eu quero que a pessoa
para me servir, ou para servir as pessoas que estão comigo.
Veem muita gente fora, veem gente de fora dos países da África, dos Estados Unidos,
entendeu?
Eu queria ter um atendimento mais exclusivo, mais especial.
É exclusivo mesmo, tu tipo, se o gesto não precisasse dele meio à noite, não importa
se o reinaldo tivesse em casa, quando a morada. Cheguei em casa, era com a toda a manhã, ai já começou a brigar, ai eu laguei na morada,
laguei tudo, vai ver.
O reinaldo se descreveu pra gente como um cara fiel ou patrão, mas essa dedicação também
tinha certas vantagens.
"Eu só tenho a agradecer, desaparecendo minha vida, que foi uma mudança radical, onde
é assim, tudo o que eu pude experimentar de coisas boas na vida, isso não é ter na época
da vestruz."
Todo dia, o reinaldo tava do lado do seu gesto, um servindo isso, que frios, e o que mais
ele que exerce.
Mas ele tava servindo também, de testemunha da expansão do imperio da mast.
"Me ligava, o reinaldo saia em de casa, prepara a mensala, então eu já peguei a minha chave,
lá abriia."
"Pocando para a sala."
É assim, porque ele gostava de manhã ser, tomar um caputino, bem forte, entendeu?
Ele tinha os brilhos, que ele gostava de comer, os tipos de coroaçã, eu ia na padaria,
já tinha comendado, já trazia, deixava a mesa dele por volta, há um suco de laranja,
coisa simples.
Então ele chegava a tomar um café, não era dele, e aí começava os para mais, né, né?
Eu já tinha gente esperaneiro para. Tinha gente que levava o dinheiro na nossa cola, para fechar o dinheiro, porque não queria
né?
Agora não seria assim, nem nada.
"Pra ajudar a zeitar ainda mais os negócios, os gestos são chamos reinaldo para assumir
mais uma função."
"Muito adianto para o fato de um degustação, nos conhece a carne."
Aí ele pegou a minha sujeira, e o fato de assumir essa parte, eu falei, vamos fazer.
Além de ser viu, o reinaldo tinha bastante experiência com cozinha, e ele já tinha
trabalhado com carnes exóticas, tipo, já careja, valia, a vestruza era novidade, mas
ele estava confiante que ele ia pegar o jeito.
Contempero dele, a master foi conquistando corações.
Tipo de um cliente meio desconfiado que apareceu no lançamento em Recife.
Tinha um senhor lá que ele não comia carne de jeito, ele falava essas carnes, uma
dia a vestruza, e o que?
Eu peguei tomei a liberdade, era nele, eu posso fazer.
Se o senhor não gostar, se eu pode falar normalmente, eu vou fazer isso.
Eu peguei em fissu, uma moda 4 queijo para ele, mas fiz na mesa, peguei na chapa na hora,
entendeu?
E ele comia a partir dele, falou assim, por cada essa comida do sur, eu vou passar a comprar
a vestruza.
E virou um dos nossos maiores criadores, através dessa degustação que ele fez.
Tinha um vela boca.
Tinha um vela boca, era essas na vida, né?
A estratégia era boa demais para ficar só na nedota.
A Fazenda Sede, a Master 1, já tinha uma lojinha com artigos em couro de avestruz para
impressionar os visitantes, com a qualidade ou com o preço.
Mas ficou óbvia a ideia de colocar lá também um restaurante, para os clientes e potenciais
clientes, poderiam degustar a prato de avestruz.
E ele me chamou para assumir essa parte cominha, da avestruz massa.
Foi nesse restaurante, que nos ídios de 2005, o tempero do reinaldo deixou de conquistar
um freguês bem importante.
Eu te conto já já, depois intervalo.
A Vestruz Master é uma empresa que atua no mercado da Estruti Cultura Brasileira
há cinco anos.
Durante esse tempo, bem crescendo com o apoio dos nossos clientes, parceiros e de todos
criadores de avestruz do Brasil.
Essa é uma propaganda, que o Jerson Maciel gravou no final de 2004.
O começo é bem parecido com todas as outras propaganas que a Macera andava veiculando.
Mas aí vem isso daqui.
Nos últimos meses, a CVM, Comissão de Valores Mobiliário, vem espeicionando e acompanhando
todos os nossos negociações, mesmo que os nossos negócios não sejam por ela ao regulamentado.
Tinha muita investigação, rondando a Master, né?
Pelo jeito foi por isso que o Jerson resolveu gravar este vídeo, para tentar calmar os
investidores.
Na versão dele é como se as investigações da CVM
e fossem um selo de qualidade, um cuidado a mais.
Quer informar que a Verstruz Massen já está se adicuando as deliberações finais da CVM,
cujo orientações vieram em contra de nossas mentas.
Só que a história não era bem assim.
Aquela altura do campeonato, a CVM estava tentando ajustar os contratos da empresa para eles
parecerem mais com compra de animal e menos com investimento financeiro.
Mas esse processo, que nem a gente ouviu agora pouco do Lis Paolo Canal e esse processo
não estava sendo simples.
A master adequava aqui, diz adequava ali e os investidores ficavam cada vez mais inquietos.
Foi aí que o Jerson resolveu procurar uma ajuda.
Naquela altura, depois de tentar bastante, ele tinha finalmente conseguido fazer alguns contatos
na política.
Por exemplo, ele tinha ganhado a simpatia do prefeito de uma cidade no interior do Tocantins.
O prefeito Paolo Moura, prefeito de um município do Tocantins chamado Porto Nacional.
Onde tinha uma fazenda da master?
O Jerson pediu para o prefeito Paolo Mourão para intercer de por ele junto a um senador
do estado do Tocantins, o leu Mark Intenilha.
E por sua vez, o senador Intenilha pediu a ajuda de um consultor.
Em geral, tudo o que o senador escreve ou assina, em geral, é feito pelos consultores.
Não é pelo senador, né?
A primeira coisa que eu vi quando eu entrei na consultoria é esqueça a autoria de qualquer
coisa que você escreve, porque tudo que você escreve que assina são os senadores.
Esse consultor, o Ghostwriter de senador é o Hipólito Gadilha.
Eu fui chamado, para o Marreo Inham, com o próprio pessoal, diretores da Vestruz-Masta
e o senador leu Mark Intenilha, e nessa oportunidade, me foi exposto tudo que estava
acontecendo.
Tudo o que estava acontecendo era, segundo o Gerson Maciel, que eles estavam ali só
tentando empreender no Brasil, mas a CVM estava dificultando.
E daí a CVM me explicou que o que ele estava acontecendo é que essa empresa estava
fazendo um sistema de pirâmide, mas assim, muito claramente, de qualquer, vamos ver.
Vele literalmente, porque a Master convidou tanto ele quanto o senador, para conhecer a
fase ainda principal, a Master 1, em Bela Vista.
Daí, nós fomos de carro até Goyane, e qual não foi a nossa surpresa aqui, chegando ao
local, havia um helicóptero à nossa espera.
Teve a tradicional sobrevouada dos piquetes, e espero que dessa vez sem maiores incidentes
para as aves no chão, e eles foram convidados para almoçar no restaurante da fase ainda.
E depois vamos sanos lá, e eu não com o carro de avestruz, por um questão religioso,
mas tinham lá pratos com avestruz, e tal.
Que estão religiosos, ou seja, não foi por culpa do Cardápio do Reinaldo, o Hipólito
nunca botou uma garfada de avestruz na boca, mas nessa altura da conversa, a gente
precisou fugir um pouco da pauta que a gente tinha preparado para entrevista, porque
a gente precisava entender, o que estão religiosos era essa?
A gente perguntou se eles se incomodavam de explicar?
Não, eu não posso dizer, não, contrário, se então rali dizer, eu frequento a igreja
de ventista do sétimo dia, creio na Bíblia com a igreja de ventista, creio, sabe?
Até aí, a gente ainda não estava entendendo.
A igreja de ventista acredita nas instruções que Moisés deu a cerca da alimentação, e por
causa delas eu não com o carro de boca, não com uma prestruz, não com outros, nem um marisco,
nem um peixe de couro, nem um ruidor, como coelho, o coisa dessa natureza, né?
Que certas elejões não permitem o consumo de carne de pouco, de vaca, de frutos do mar,
a gente sabia, mas a vestruz, então acontece que a vestruz aparece bastante na Bíblia.
Essa é a flora Tomson Devu, e eu preciso dedurar que ainda durante a entrevista com Hipólito,
ela abriu uma nova aba no computador, e começou a pesquisar versículo atrás de versículo.
E assim, eu não estava esperando a virulência com que a Bíblia fala sobre o nosso novo
bicho preferido, a verdade é que muita gente na antigüidade desconfiava do avestruz.
Assim, que bicho era esse, que parecia um pássaro, mas era gigante, meu pelado, não voava,
e só tinha dois dedos, eu nunca tinha parado pra pensar nisso, mas o avestruz é de fato
a única ave que só tem dois dedos.
Realmente, pareça um sinal de alguma coisa.
Tive grandes debates entre os antigos sobre a natureza do avestruz.
Até o nome científico dele é meio mal resolvido, strute-o-camelos, ou seja, um pássaro-camelo.
A gente costuma não gostar daquilo que a gente não entende, né?
E na Bíblia tem vários momentos de strute-ofobia explícita.
No livro de Jó, capítulo 39, a ave é chamada de uma péssima mãe e de uma bela de uma burra
que não sabe voar.
Vou ler aqui.
A ave estruz bate as asas alegremente, embora nem a sua plumagem, nem as suas asas,
possam ser comparadas às da Següência.
Ela abandona os ovos no chão e deixa que a areia usa queça, esquecida de que um pé
poderáis magalos, ou de que algum animal seu ovagem poderá pisoteá-los.
Ela maltrata os seus filotes como se não fossem dela e não se importa de ter trabalhado
em vão.
Isso porque Deus lhe privou de sabedoria e não lhe concedeu bom senso.
Com tudo, quando ela se levanta pra correr, rio do cavalo e do cavaleiro.
Ok, burra mais rápida.
Mais um três, lamentações, capítulo 4, versículo 3.
Até os chacais oferecem o peito pra aumentar os seus filotes, mas o meu povo não tem mais
coração, é como as avestruzes do deserto.
Burra rápida e sem coração, Putz.
E me quer exisaí-as, o avestruz é mencionado junto com o chacal como um bicho que habita
lugares hermos, meio amados suados, e em deutronome 14, tem uma lista dos bichos que pode comer
e os que não podem.
Aí entra a lista que o hipóleto citou, boy pode, o velha pode, cabra pode.
Não tem uma lista de aves que pode, mas tem uma longa lista de aves chamadas imundas.
Águia, corvo, vários tipos de curúja, morcego, que não é uma ave, mas ok, e avestruz.
Olha, eu queria dizer que o pongo não tá nessa lista, tá?
Não tá.
Mas a ave estruz, então, é burra, rápida, sem coração, e imunda, bíblicamente falando.
Tem uma outra história antiga que eu lembrei que não tem nada de ver com a ave estruz.
É dos comedores de lotos, da Odisseio de Omero.
A história de uma ilha, onde cresci um tipo de lotos que dava uma fruta doce como mel.
E quem parece na ilha o comesse desse lotos, não ia querer saber de mais nada na vida.
As pessoas que moravam lá existiam num tipo de trânsia.
O Lisseio só consegue fugir de lá porque ele se recusa a comer da fruta.
Eu lembrei disso quando a gente ouviu do hipóleto, que foi pra ver estruzmaste, mas não
comeu a ver estruz.
É como se a dão e Eva tivesse negado a oferta da serpente de comer o fruto proibido.
Então.
Mas então vamos fechar essa aba da história antiga aí, porque eu te conheço e sei que
isso pode longe.
Tá bom.
Parei.
Bom, de volta pro hipóleto, que saiu da master um bem desconfiado e não pro motivos religiosos.
Esse negócio nos levá de alicóptero, demonstrando a riqueza do projeto e lá na fazenda eu
vi alguns carros que confesso pra você que nunca nem conheci na vida porque carros muito
bonitos, importados, sem dúvida alguma, carros, eu não sei, não saber dizer nem o nome
desses casos, só de um que eu me lembro que era um runner.
Essas tentação toda pro hipóleto tinha cara de golpe.
As pessoas que costumam dar golpe, elas, ao que me parece, elas gostam de parecer
ricas, costam desnobar, gostam de ostentar a riqueza, porque isso provolve na cabeça do
pretenso investidor, da pessoa pra quem está querendo deixar mensagem, de que aquilo ali
é uma empresa sólida, aquilo é um trabalho que está produzindo bons resultados, veja
aí, ele está rico, é porque o negócio deve ser realmente muito bom.
Até aí pode ser só mais uma estratégia de marketing, né, chamar atenção pra quanto
a empresa estava rendendo.
Mas quando o hipóleto recebeu a contabilidade da máster que ele tinha pedido pra consultar?
Olha, até uma pessoa que estudava de o primeiro semestre de contabilidade, veria
com clareza que aquilo ali era, aquela contabilidade era rigorosamente fraudada.
É uma coisa meio simples de suplória, o dinheiro que entrava ali, a partir da captação das
pessoas, era tudo contabilizado como se fosse receita da empresa e não como se fosse
uma obrigação, um passivo que a empresa tem que devolver, então se você fosse pegar
o balanço daquela empresa, você ia ver um ativo e vamos dizer assim, na casa das centenas
de milhões de reais, as receitas mensais, só que nada disso era receita, tudo isso era
o que?
Era passivo, tudo isso era obrigação de devolver.
Olha, nenhuma de nós três aqui tem nem o primeiro semestre.
de contabilidade, mas o ipóleto explicou direitinho e é bem fácil de resumir.
Por contrato, você comprava um avestruz da máster com a promessa de receber esse dinheiro
quando quisesse vender, com retorno que chegava 10% ao mês.
A maioria dos investidores não resgatava, reinvestia.
Só que eles podiam resgatar quando eles quisessem.
Era um dinheiro deles, dos investidores.
E nas contas da Vestruz máster, esse dinheiro era entendido como um dinheiro da empresa.
Eles contabilizavam como eles nunca fossem ter que devolver.
A agronomicamente não era viável aquilo, mas foi feito para impressionar qualquer pessoa
que quisesse investir sem que parasse para observar que a relação entre o dinheiro aplicado
e a capacidade de produção de resultados econômicos, era absolutamente discrepante.
Portanto, quem aplicasse naquela lei e entender se em que está aplicando seguramente
um dia iria perder o dinheiro.
O hipólito já tinha o veredito dele.
Da contabilidade com a ostentação e com o fato de que a CVM estava fiscalizando,
se juntas três coisas de risco, está fechado o círculo, o assunto está encerrado na minha
cabeça.
Isto é uma pirâmide desfazada de investimento em produção de avestruz.
E aí?
O que você faz com a informação dessas?
O que que aconteceu é eu levei esse assunto para o senador, ler uma arquentanilha, escrevi
um lado e pedia ele que deixasse esse lado como confidencial entre mim e ele ainda coloquei
o rótulo de confidencial na cara daquele lado, na primeira página, dizendo para ele o
seguinte, senador, essa empresa vai quebrada, que há alguns meses, se o senhor divulgar
esse lado vão dizer que o senhor que provocou a quebra, mas brevemente essa empresa não
terá caixa para satisfazer as demandas de saques dos investidores, portanto essa empresa
vai quebrar brevemente e se o senhor divulgar isso aqui vão dizer que o senhor era quem provocou
isso.
Então só aguarde e ela vai quebrar sem precisar que o senhor entra nesse assunto.
A hipólica além de Ghostwriter é bom conselheiro e assim tanto ele quanto o senador ficaram
quietos.
Enquanto isso a negociação da master com as autoridades continuava, porque a CVM as outras instituições
não estavam olhando para a contabilidade interna da master.
Ela só estava tentando regularizar os contratos e as formas de investimento que a master
estava oferecendo.
Então em junho de 2005 a empresa se não termo de ajustamento de conduta, se comprometendo
a mudar o jeito que eles vendiam os avestruzes.
Eles não podiam mais usar palavras como investidor, aplicação, juros, lucro e nem podiam
garantir que eles iam recomprar as aves, ou seja, da lindia antes quando você comprava
um avestruz, a transação era exatamente essa, a compra de um avestruz.
Mas será que era mesmo?
Pro hipólica estava claro como tudo isso ia terminar.
Só não estava tão claro como tinha começado.
Pela minha natureza de estudioso do direito, eu me sinto no dv de sempre, a partir do
preso posto de que as pessoas são inocentes até que provem a contrário.
Então eu os recebi de coração aberto, de mente aberta, sem fazer qualquer juízo sobre
as pessoas em si, se eram ou não pessoas que estavam dando um golpe, ou se eram pessoas
de bem, podia ser uma das três coisas, né, pessoa de bem que estavam fazendo uma coisa
rada sem perceber, podia ser que fossem pessoas de bem, que estavam deixando de ser de bem
sedurmal, e podia ser pessoas que realmente são profissionais do crime.
Essa é a Bet, a Elisabeth Maciel, e o Bruno é o filho dela que estava para fazer um ano
em outubro de 2005.
Como é para falar?
Meu neto é fazer um aninho e a gente quer funcionar os todos, tudo vai participar.
Então foi um festão, se tivesse passada na ideia de que fosse acontecer um ano, a gente
não ter negácio que não nos gastamos numa festa de um ano do Nenei.
Tem flechas, tem imagens, assim, que me fazem recordar um pouco desse dia.
Esse é o jornalista Paulo Galvez, que foi apresentador do canal do Alvestrus, um programa
exibido na TV Goyonne, e bancado pela Master.
O que a gente cobria?
A gente cobria as fazendas, a gente cobria os eventos, as atividades, tudo muito ligado,
né?
A Vestrus Master, né?
Então fui ver o nascimento de filiotes, fui ver o tratamento que tinha e era tudo
uma coisa assim de primeiro mundo, sabe?
O Paulo também editava uma revista, também patrocinada pela empresa, o guia do Alvestrus.
E o dia que ele lembra, só em Flash, foi 4 de novembro de 2005.
Eu lembro que nesse dia que surgiu a notícia, né, de que tinha investidor que não tinha
recebido, a gente foi para a Sede da Vestrus Master.
Amanhando dia 4 de novembro, essa notícia foi correndo por muitas bocas.
E, lógico, era uma notícia que interessava o canal do Alvestrus.
Fui com a equipe do canal do Alvestrus, porque a nossa ideia naquele primeiro momento era
uma crise que seria contornável, e a gente iria, inclusive, fazer a cobertura da explicação
da empresa.
Quando eles chegaram no pradinho de três andares na avenida até 10, a empresa estava de portas
fechadas.
Estinha muita gente, muito jornalista e muito investidor.
Eu não vou saber de precisar quanto, mas assim tinha já um pequeno, do mundo lá na
porta.
Olha, são tantos da até 10, por causa da Vestrus Master.
Esse som é de um vídeo que mostra a avenida com gestionada com uma pequena multidão ao
longe.
E esse vídeo, acho que deve ter dado para perceber, não é do canal do Alvestrus.
Ele é o único registro que a gente achou até agora desse dia fatídico, que foi postado
no YouTube com a legenda, o dia em que a avenida até 10 parou.
O Paulo ficou lá, um tempinho, no meio das bozinas e da confusão, tentando entrar em
contato com o pessoal da produção do canal, e quando ele finalmente conseguiu ter notícias,
elas não eram boas.
Eu acho que a verdade, o seu gesto não para me atendendo mais, e eu acho que realmente
o problema é sério.
O reinaldo, o braço direito do seu gesto, ele estava na estrada, voltando de uma fazenda
em minas quando ele ficou sabendo.
Quem te contou na vida?
Só sabe que ex-mulher é a pior coisa que tem, né?
Eu estava no meio da estrada, já chegando ali, mas eu acho que estava em pídeos do riso
do caminhão.
A mesma ela ligou para mim, falou "tá vendo?"
Só vence tudo, esquedro, "ah, acabou!"
De boca em boca, a notícia foi voando.
E eu estava trabalhando fazendo manejo quando a minha amiga, Kellen, ligou e falou "para
tudo", a master faliu.
Essa é a Nicole León, a veterinária que a gente ouviu no episódio passado.
A primeira coisa que essa amiga da Nicole mandou ela fazer foi escondeu o carro em que ela
estava.
A Nicole usava um carro da master, e todos os carros da master eram plotados com imagens
enormes de avestruzes.
Pega o carro esconde e vá para sua casa.
E não passe na rua com esse carro, não se vai ser apedrejado, aí eu falei "pronto,
maskou".
Eu no meio da fazenda trabalhando, saí da fazenda, me lembro que você hoje, eu ajudeu
elei como você achorar, aí um técnico, um funcionário da fazenda de hotelaria fez
assim, para o outro, fica quieto até ter morrido um parente dela.
Não esqueço.
Eu falei assim só levantei e falei assim "o parente é nosso".
Naquele momento as informações eram confusas e apocalípticas.
O único que se sabia com certeza era que a sede da master em Goiânia manheceu fechada
sem ensinar o dos sócios, mas o pânico e a raiva não demoraram para se alastrar.
A gente não sabe exatamente o que aconteceu dentro da vestruzmaster nos primeiros dias de
novembro de 2005, mas a gente tem um relato da Sara Sandra Lemes, que era secretária da
Patrícia, a diretora financeira da vestruzmaster, que também era a filha do Gerson Maciel.
A gente não conseguiu contato com a Sara durante a puração, mas a gente teve acesso
a um depoimento que ela deu que a polícia naquele mesmo mês, no final de novembro.
Ela disse que no dia 1 de novembro, abre aspas.
Patrícia estava muito nervosa e chorando, fecha aspas, e contou para ela que muitos cheques
predatados de investidores tinham sido depositados.
Aparentemente a empresa estava sem fundos para cobrir esses cheques, e o gerente do Bradesco
tinha dado um prazo para a master honrar.
Aqui mais um trecho do depoimento da Sandra, abre aspas.
Patrícia foi embora da empresa por volta de 15 horas, quando sua colega Rosana acabou
achando um papel que havia sido manuscrito por Patrícia, no qual ela dizia que não estava
aguentando mais, e que iria embora, pois não soportava mais seu pai, que na carta também
pedia para cuidar de seus cachorros e que não sabia o que iria fazer da vida, fecha aspas.
No depoimento, a Sara disse que ela puxou os estratos das contas da master em vários bancos
entregou tudo para o Gerson Maciel, e que ele teria dito para ela que um grupo de
Esses estavas.
para investir na empresa e a cobrir todo o rumbo.
Ela disse ainda que no dia 3 de novembro a Patricia voltou a trabalhar, segundo ela ainda
nervosa e chorosa, e que no fim do dia, ela saiu do escritorio levando as coisas dela,
inclusive algumas fotos que ela tinha na mesa de trabalho.
E que quando a Sara estava para sair também no fim do expediente, ela recebeu um recado
do Jerson.
Ele teria dito para ela que ele ia fazer uma viagem de três dias, e que ela poderia receber
algumas ameaças, mas era para ela permanecer na empresa.
A gente não sabia o que realmente ia acontecer, que foi muito rápido.
Não houve uma coisa que você fala se ela vai acontecer alguma coisa, não houve isso.
Essa aqui de novo é a Bet, ela foi a única dos irmãos que quis dar emprevista para a gente.
Simplesmente, no dia 3 de novembro eu fui no escutado do meu pai para rendar uma fazendo
60 alqueres para os novos incubatorios que em 2006 não ia dar o que nós chamamos.
E cheguei lá e já estava até numa puta, numa confusão, com um banco específico.
A Bet não quis falar o nome do banco, mas todos os documentos indicam que era o bradesco.
Um banco específico que tinha recebido ordem da chefia, que era para forçar a devolução
cheque.
Por quê?
Tinha vazada informação que a Master estava abrindo um banco.
E tinha de perguntar essa coisa do banco, é a primeira vez que eu estou escutando assim,
era uma ideia do seu pai, era brindando um banco.
Então, ele tinha comentado comigo, eu achei que não tem muita importância, que o menor
vai ser que eu estava ligado na nos bichos, mas ia abrir um banco, porque a gente tava
tendo problema com o banco, entendeu?
A gente tem horário para você colocar o dia no banco e um certo banco tava sabotando.
E meu pai colocou uma ofensão adora enorme na época, que era a foto dele, escrutassem
aos bancos.
Os cães ladram e acaravam na par, se a flessor não devia ter feito isso.
Soreu disso errado, foi o golpe de misericórdio foi ali, aí que o banco sacanhou.
A gente não encontrou nenhum outro indício de que tava nos planos da Vestros Master,
abriu um banco.
Mas uma reportagem do popular, alguns dias mais tarde, tem uma versão diferente, um advogado
que representava dezenas de investidores, contou que os cheques do Bradesco começaram a
voltar, porque as contas da massa estavam negativadas em 3,8 milhões de reais.
Isso em valores da época.
A gente pediu outro lado pro Bradesco, mas a sessoria respondeu que eles não iam comentar
por causa do sigilo bancário.
O fato é que fosse por um motivo por outro, no dia 4 de novembro, a Vestros Master
fechou as portas e dezenas de milhares de investidores se desesperaram.
Uma matéria da época, o Antônio Carlos do Procô, é citado dizendo que o estoque de
Lexotan, que é um tipo de ansiolítico, acabou em Goiânia.
A sede da Vestros Master, ela foi invadida, quando esses investidores, né, foi dezenas
deles, centenas aliás, chegaram lá, encontrar as portas fechadas, eles entraram e começaram
a depredar lá e pegar computador, mesa, o que tinha lá dentro, os investidor, cada um
saiu com aquilo que é regando aquele levando para sua casa.
Pois bem, esse foi o fim da Vestros Master.
Prontônio Carlos, a Mastera acabou naquele dia, mas muita água em de arrolar e muitos
ovos também.
Eu sei que quando aconteceu o volamento da Vestros Fechá, teve algumas pessoas vando
nos que entraram e destruíram, quebraram a vidaça, roubaram muitas coisas que tinham lá dentro,
inclusive o piano de calda, tinha um piano de caldo muito bonito, entendeu?
O piano de calda, gente, mas o cara chegou, entrou com a camineta de porta dentro, quebrou
a porta principal, a gente não encontrou outros relatos desse roubo do piano.
E nem aliás da quebradeira na sede da empresa.
Mas o que a gente sabe que teve sim investidor querendo recuperar a grana a todo custo.
E o ativo maior da empresa ainda estava rodopeando pelo pasto.
A gente te conta isso no próximo episódio de Vestros Master.
Ah, é por lei da toma, filitou mais pobre.
Como eu conheço bem a região de Bela Vista e saber de algumas fazendas que tinha Vestros,
calcei uma bota e fui correr atrás, não é?
Se eu não pegar meu dinheiro, eu pego o ovo, eu pego a Vestros, eu pego o que tiver para
eu pegar, né?
Ficou o Jerson Júnior aqui, que não sabia do que estava acontecendo, e ele foi gente
agora para que lá que ocorra, né?
A gente ficou muito perdido, você entendeu?
Era como se a gente tivesse devolvendo o produto do crime ao criminoso.
Eu vi muita discussão entre as pessoas, porque a gente faz setador, sabe pra que fechar
essa porcaria, essa merda?
Se eu ou não, setador é que a gente nunca vai ver.
A Vestros Master é uma série original da Rádio Novilo, pra quem quiser mergulhar
mais tem conteúdo extra no nosso site, do tipo imagens da expansão das fazendas, das
propagandas da master e aquele vídeo da avenida lotada em frente ao escritório da empresa.
Pra ganhar ainda mais conteúdo dos originais da Novilo, é só vi pro clube da Novilo.
Tem um link aqui na descrição do episódio.
Aqui na série A Vestros Master, a pesquisa e a reportagem são da Carolina Morais, da
Flora Tomson Devô e Minhas, e eu lembrando sua Paula Skarpin.
O desenvolvimento do roteiro é da Valentina Castelo Branco, contexto da flora e tratamento
final meu.
A produção executiva é da Marcela Casaca e a estratégia de produto é da Bia Ribeiro.
A produção foi da Carolina Morais com a assistência da Tayna Nogueira e da Ashley Calvo.
A montagem é da Evelyn Agenta, eu fiz o desenho de som e a mixtagem é da Juliana Matos.
A presidência da Rádio Novilo é da Branca Viana.
A edição executiva é da Natalha Silva.
A gerença de produto é da Juliana Yeager e a de parcerias é da Luisa Sade.
A identidade visual da Vestros Master foi feita pelo celográfico com a Natacha Gongres
a Julha Resende e a coordenação do Gustavo Nascimento.
A Larry Constantino faz vídeos com motion design para as nossas redes.
Nossa estagiária é Isabel Santana.
A produção musical é da Estela Nesrini e do Amor Medrado, em colaboração com os músicos
Jordi Amorina Ascordas e Gudino Mirana na bateria.
A gente usa também música adicional da Blue Dot.
O apoio de pesquisa em Goiânia foi deduada a veríssimo e do Gustavo Marx.
A chicagem é da Eta Rodnitzki e a revisão da transcrição dos episódios é feita pela flora
Vieira.
Obrigada e até o próximo episódio.
Podcast Summary
Key Points:
A Vestruz Master prometia retornos de 10 a 12% ao mês, mas a investigação revelou que era um esquema de pirâmide financeira, não uma operação real com aves.
O Procon descobriu que a empresa tinha apenas 4.371 investidores, enquanto declarava 5.800 aves, evidenciando um buraco de 1.429 certificados, o que indica falta de lastro real.
A empresa usava um modelo de "certificado de produto rural" para fingir que os investidores compravam aves, mas continuava prometendo retornos sem garantia, tornando-se um esquema de capitalização ilegal.
Summary:
A série "A Vestruz Master" revela como uma empresa de avestruzes no Brasil operou como uma pirâmide financeira, fingindo ser um negócio sustentável com aves. Apesar de prometer retornos altos, a investigação do Procon mostrou que não havia correspondência entre os certificados emitidos e o número real de aves. 429 unidades, provando que a empresa não tinha lastro físico.
Além disso, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) detectou que os contratos prometiam retornos garantidos, caracterizando um investimento em ações, não em bens reais. A empresa tentou justificar o modelo com certificados de produto rural, mas os vendedores continuaram prometendo recompra de aves. O colapso ocorreu em novembro de 2005, quando investidores começaram a não receberem seus valores, e a sede foi invadida por desesperados.
A empresa, liderada por Jerson Maciel, havia criado uma imagem de riqueza e sucesso com propaganda ostensiva, mas a realidade era uma fraude financeira. O caso mostra como a falta de regulamentação e o uso de linguagem de investimento enganosa podem ocultar um esquema fraudulento. O episódio finaliza com a evidência de que o ativo principal – os avestruzes – ainda estava vivo, sugerindo que o crime foi apenas um dos lados de uma operação que permaneceu em atividade.
FAQs
A Vestruz Master prometia retornos de 10 a 12% ao mês para investidores que compravam avestruzes. Na prática, era um esquema de pirâmide financeira, onde os investidores não compravam animais, mas recebiam títulos sem lastro, e o dinheiro era contabilizado como receita, não como obrigação de devolução.
O Procon descobriu que a empresa tinha mais certificados de posse do que aves reais, com um buraco de 1.429 aves. Além disso, a contabilidade era fraudulenta, contando o dinheiro dos investidores como receita, quando na verdade era um passivo que deveria ser devolvido.
Os avestruzes, especialmente os machos, reagem com piadas e agressividade quando se sentem ameaçados. Isso dificultava a contagem direta, forçando o uso de equipes de segurança, como a polícia militar, para realizar a contagem de forma segura.
A CVM percebeu que os contratos prometiam retornos garantidos, como se fossem investimentos financeiros, mas na verdade não vendiam aves. A empresa usava certificados de produto rural para mascarar um esquema de pirâmide financeira.
A empresa fechou as portas e muitos investidores se desesperaram. A sede foi invadida, com centenas de pessoas quebrando objetos, roubando e levando itens para casa, mostrando o colapso do negócio.
Jerson Maciel, o gestor da empresa, tentou calmar os investidores com uma propaganda que apresentava as investigações da CVM como um selo de qualidade, mas os dados revelavam claramente que a empresa era uma pirâmide financeira.
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