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Naruhodo #369 - É mais difícil fazer amigos quando envelhecemos?

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Naruhodo #369 - É mais difícil fazer amigos quando envelhecemos?

O texto discute a dificuldade em fazer amigos na idade adulta, abordando a importância das amizades ao longo da vida. São mencionados os diferentes tipos de amizades, como a utilitária, por prazer e por virtude, destacando a influência do contexto cultural e histórico na concepção de amizade. São apresentados exemplos de amizades baseadas na virtude, que são consideradas as mais raras e valiosas. Além disso, a discussão se estende para a importância evolutiva da amizade para a sobrevivência, especialmente em espécies sociais. Por fim, enfatiza-se a relevância de cultivar amizades construídas por meio da virtude como uma meta importante na vida.

Transcription

8991 Words, 50228 Characters

É mais difícil fazer amigos quando envelhecemos. - Nari Rodolfo. - Nari Rodolfo. Bem-vindo ao Nari Rodolfo, pode que este para quem tem fome de aprender. Eu sou quem fugioca. Eu sou o Otai de Souza. E hoje é dia de quê? Futezinha antes. Você quer apoiar a ciência? Quer apoiar o pensamento científico? Quer ajudar o Nari Rodolfo a se internoar? O vírus episódios e espalhar a palavra já é um grande passo. Mas existe um outro jeito. Quem possibilita isso é a orelho. Você escolhe um valor de contribuição mensal e tem acesso a conteúdos exclusivos, conteúdos antecipados e vantagens especiais. Além disso, você pode ter acesso ao nosso grupo fechado no Telegram e conversar comigo com o Altai e com outros apoiadores. Toda vez que você ouviram fizer download de um episódio pelo orelho, vai também estar pingando os trocadinhos para o nosso projeto. Combinado? Então baixa agora mesmo o app orelho no indereço orelho.cc, ou na sua loja de aplicativos e ajude a fortalecer o conhecimento científico. E chegamos ao momento a Lura, querido ouvinte e querido ouvinte. Você quer dar um verdadeiro mergulho no mundo da tecnologia? Migrar para uma nova carreira? A profundar-se nessa carreira? Então assine a Lura agora mesmo. Você vai estudar, praticar, discutir e se aprofundar em uma plataforma que respira a tecnologia. Na Lura, você terá acesso completo ao conhecimento onde e quando você quiser, com novos cursos todas as semanas. E ainda tem vantagem. O vinte e narodô tem desconto especial, mas para isso é preciso acessar a seguinte URL, a nota aí, alura.com.br, barra promoção, barra narodô. Nesse indereço além do desconto especial, você vai conhecer histórias reais de transformação de pessoas que estudaram na Lura. Então repetindo, acesse alura.com.br, barra promoção, barra narodô. Altair, temos pergunta de ouvintes, Altair. Pessoas com alguma dificuldade de fazer amigos, que é uma dificuldade mais comum do que as pessoas acham. Não é mesmo? Pois é. O primeiro e-mail, Altair, veio da Marina Paván, que é designer de user interface, e o iDesigner, ou seja, um designer de interface de usuário, e mora em Teutônia Rio Grande do Sul. Lá braço aí, pessoal, de Teutônia. Nunca te conhecia essa cidade. Não é mesmo, conheço não. Fica, não faz ideia de onde fica. E ela diz, seguinte, uma dúvida surgiu algumas semanas quando eu estava pensando sobre amizades. Algumos amigos meus, de longa data, acabaram se mudando para outras cidades ou países. Porém, sempre que entre nosso círculo de amigos, voltamos a nos falar, alguém comenta que amizades antigas são duradoras. O que me lembrou? Será verdade aquela frase "Uma amizade dura em média cinco a sete anos e passar disso aprovável que dura a vida inteira"? Obrigado e continuem o bom trabalho. Também temos o email do Aruan da Silva, que é postdoctorresearchassociate na Universidade de Chefio, na Inglaterra. E gostaria de deixar uma pergunta um tanto filosófica que tem me assolado recentemente. Olha só da Inglaterra, tá aí. Pois é, mais um pesquisador na nossa grande evasão de cérebros. O grande legado do governo genocida é o falecimento da nossa ciência. E ele disse que já estou por volta dos meus 30 anos e por ser imigrante num país diferente, tem uma certa dificuldade de fazer novas amizades e me inserir na cultura. Às vezes, quando converso com outras pessoas na minha idade, me sinto muito velho entre aspas. Ou o assunto das pessoas se tornam desinteressantes por ser algo que encaram como o mesmo oficial ou superflu. Ao passo que temas complexos e reflexivos de que eu gosto, ficam chatos para as outras pessoas. Em geral, me dou melhor com pessoas mais velhas, mas elas também são mais fechadas para amizades novas. Já tem família, etc., etc. Refletindo sobre isso, eu gostaria de perguntar, se alficarmos mais velhos, aumenta a nossa dificuldade de socializar e ou se realmente os adultos estão ficando mais infantis, aparentemente estencido um tema bastante debatido em certas áreas. Acompõem vocês desde o Mind Blowing Fucking Episod, de como eu sei que você e não sou eu. Desde já, grande abraço, grande abaço, aruã e para todos os ouvintes, que estão no exterior, não está aí, acompanhando a gente. Pois é, eles devem sofrer entre aspas um pouco com essa coisa, com essa dificuldade de fazer amizades quando eles estão num ambiente cultural diferente. Pois é, não é? E como é que a gente pode usar ciência então para abordar esse tema, não está aí? Ah, esse é um tema interdisciplinar assim, a gente vai usar as quatro causas amizades. Olha só, Aristóteles aqui novamente. Ah, como sempre, o film conductor, dos roteiros do narulador, as quatro causas de Aristóteles. Ok, você tem muitos amigos? Olha, até que sim, velho. Eu acho que eu tenho mais amigos do que eu consigo administrar. E esses amigos foram mudando ao longo da sua idade? Foram, muito. Então existem aquelas pessoas que você considera que são seus amigos, mas você não vê muito tempo. Sim, na verdade, os meus amigos do ensino fundamental, eu já não tenho mais contato, porque era de outra cidade, então realmente eu perde totalmente o contato assim. É do ensino médio que eu fiz a colégio técnico, né? Ainda tem alguns contatos, especialmente para o WhatsApp, e tem dois amigos que eu vejo quando possível, sabe? Não é tão frequente, mas a gente ainda se vê, e quando a gente se rever, parece que a gente se viu ontem. Isso, né? As outras amizades atuais, elas aconteceram todas depois que eu já já vi adulto, e muitas delas, na verdade, são bem recentes. E elas relacionadas ao trabalho? Também tenho algumas já de vários anos, mas eu diria que os mais recentes são os que eu estou mais vendo frequentemente. Se você parar para pensar, né, nesse exemplo que você falou, "Ah, de que eu tenho amigos que eu não vejo sei lá, dez anos, e de repente a gente se vê, e parece que foi ontem". Isso é um tipo de amizade, não tipo de formação. Outro tipo é aquele amigo que você fez, por exemplo, no trabalho, e teve alguma afeição, mas aí, por exemplo, você mudou de emprego, outra pessoa mudou de emprego, vocês perderam um contato, mas você lembra eventualmente da pessoa, né? Mas quando você encontra ela, não é o mesmo que encontrar seus amigos do colégio, é diferente, é uma outra classe. E tem aqueles tipos de amigo que são relacionados ao momento presente, que são as pessoas mais próximas de você hoje, então são seus amigos que você passa tempo hoje, porque você conheceu a menos tempo e aí o laço se está se construindo ou se constrói por um contato frequente com as pessoas no momento presente. É isso, né? Os que estão fazendo parte do meu momento presente, eles enregra são relações que se aprofundaram nos últimos cinco a sete anos. Então, esse é o ponto. Então, a amizade não é uma coisa só, ela tem características comuns, mas ela leva muito em conta você, o seu estado. Esse é um episódio bem interdisciplinar, assim, porque quando a gente fala em amizade, não dá pra falar em amizade, sem olhar para o agente, sem olhar para você mesmo. Então, se você tivesse quinze anos, os seus padrões de amizade são uns, porque você tem quinze anos. Se você tiver trinta anos, são outras coisas. E aí, a gama e a variabilidade de amizades tem a ver com você, com indivíduo, tem a ver com a sua idade, tem a ver com seu padrão cultural de criação, e tem a ver também com um momento atual presente onde você está. Então, o importante é construir todo esse, esse mosaio com mesmo, né, de relações. Eu fiquei curioso também, vou deixar aqui uma pergunta para nosso querido original do completar, eu, eu, eu, eu acho que vai dar diferente do quem, né? Comunição, é gostaria de saber que o Reginaldo colocasse um áudio responde aí no seguinte. Você tem muitos amigos, Reginaldo, como foi o seu padrão de amizades ao longo do tempo? Salve, mestre, esquem, alto aí, hola, ouvintes, respondendo sua pergunta alto aí. Realmente, eu tenho um pouquíssimos amigos, você acertou. Assim, o que eu considero, realmente uma relação de amizade, não chegou a três. E algo tão raro, tão raro, você confiar e conseguir estabelecer uma relação próxima, dura-doura, e sem nenhum tipo de interesse. E é claro, né, que é uma experiência que eu tenho que eu aplico para a minha vida, é muito difícil ter amigos. No caso desses meus amigos, é muito raro encontrar coisas, é muito, muito, muito difícil, encontro uma vez a cada quatro anos. E olha lá, mas toda vez que a gente se encontra, aquela relação gostosa, aquele bate-papo bacana, mais colegas eu tenho bastante. E conhecidos, então, aí dá para encher um estádio de futebol. Olha o pessoal, grande abraço. Eu, eu, pessoalmente, não tenho tantos amigos assim. No meu ensino na escola, por exemplo, o ensino fundamental e médio, não me mantive contato, né, muito pouco. Acho que uma, uma, duas pessoas muito raramente, quando eu entrei na USP, aí eu tenho mais contato com as pessoas que eu entrei na universidade, né, porque o, a vida de nerdola, né, sabe como é que é, né? Então, assim, eu melhorei muito minhas habilidades sociais depois que eu entrei na faculdade. E aí isso possibilitou fazer mais amigos. Isso, isso é ópio. E aí, pós-graduação, mestrado, doutorado, então você vai, você vai criando amizades a partir daí. Na graduação foi mais difícil, mas, na pós-graduação, e depois, eu fui, eu fui amadurecendo mais tardiamente, nessa parte de habilidades sociais mesmo, né? Mas, as coisas foram dando certo, né? Então, a partir do momento que você estuda sobre, reflete sobre, você vai melhorando e vai ficando mais proficiente, né? Isso é muito importante. Então, o e-mail do nosso colega Aruã, eu concordo com ele, eu sinto, eu tenho uma empatia por ele em parte, né? Não quero dizer que as pessoas adultas estão ficando mais infantis, isso não faz nenhum sentido. Mas, de fato, dependendo dos temas que você tem interesse, você vai filtrando pessoas de um certo tipo de outro e às vezes elas são mais ou menos numerosas. Então, deixa eu dar um exemplo bem idiota. Se você gosta de Big Brother, provavelmente você vai ter muito mais pessoas pra compartilhar coisas do que se você não gosta, sabe? Pensando na massa geral de pessoas da população, ou se você gosta de futebol ou se você gosta de coisas que são muito comuns, séries e tal, você tem mais coisas pra compartilhar, logo a chance de fazer amizades é maior. Se você é interessado por temas mais restritos, vai ter uma maior dificuldade de encontrar pessoas que partilham disso, isso faz parte, tá? É normal, e tal. Não é ligado a algum problema, algum problema de adaptação, algum problema, sei lá, emocional, não necessariamente, depende dos seus interesses. Se você tem interesses mais restritos, você vai ter uma gama de possibilidades de amizade, mas restri-se também, tá? Isso faz parte e é normal. Então, começando do começo, essa discussão sobre amizade, ela tem um papel cultural ou muito importante. Então, por exemplo, você descreveu quem, de forma muito boa, diferentes amizades em fases diferentes da sua vida. Se você fosse um ruso, você teria muito menos amigos do que você acha, sendo ruso. Então, russos, eslavos, até mongois, na China não entra tanto, mas pega a mongolha, rússia, aí toda aquela parte de baixo, turquia, armenha, agressa já não entra, mas toda que ele me rolou ali, eles têm uma percepção de amizade, a amizade é muito mais importante até do que a família. Então, em geral, eles têm muito poucos amigos. Todos os outros, as outras pessoas, por exemplo, da escola, coisas do tipo, são conhecidos, eles chamam palavras diferentes. Amigo é aquele cara que você, se você cair na rua, passando mal, pra quem que você ligaria? Essa é uma pergunta importante pra você fazer pensar também, quem. Então, imagina que você passou mal na rua. Tá? E só que assim, você tem acesso ao telefone de todo mundo, tá? Não é um problema de memória. Você cair na rua passando mal. Certo. Pensando agora, você teria alguém para ligar? Não vale, não vale esposa, nem família. Tem vários. Então, essa é a ideia. Para o ruso, o amigo é isso. Para o ruso, para o turco, o sírio, o armenho, é esse tipo de coisa. Você passa mal para quem que se ligaria, mas em sociedades mais individualistas, então aí entra o Brasil, entre os Estados Unidos, entre a Canada, a Amizade é mais dispersa. A Amizade é aquele. Ah, tem os amigos da escola, tem os amigos do futebol, tem os amigos do trabalho. O termo Amizade é mais disperso, assim, ele é aplicado em mais situações. Para sociedades menos individualistas e mais coletivistas, a Amizade é aplicado em situações muito particulares, que é contra-sensual, que parece que seria o contrário, mas não. Desde os gregos, se estuda, se fala sobre a ideia de Amizade, eu gosto muito, já que estamos falando do Aristóteles, também, né? No livro, no texto, grande texto, texto fantástico, filosófico, que é ética nicômano. Aristóteles fala, tem uma parte do livro grande, mas tem um capítulo, eu acho que é o nove, que é sobre Amizade, né? E Aristóteles fala dos três tipos de Amizade, que a gente tem, toda Amizade tem um motivo, e aí ele fala dos principais motivos para Amizade, né? Então, você tem a chamada de Amizade Utilitária, que é Amizade por um uso, você tem a Amizade por prazer, pra dividir, pra fruição de coisas, por prazer, e você tem a Amizade por virtude, né? Que é a busca do bom, do bom coletra-maíscula. E aí, quais são as características dessas Amizades, né? A Amizade por Utilidade é aquela que você é amigo de alguém, porque a pessoa tem algo que você precisa e viceversa. É uma troca, é uma Utilidade, tá? Isso é visto como um tipo de Amizade, né? Aristóteles, ele diz que isso não é Amizade Verdadeira, mas sim, é uma metáfora do que seria Amizade Verdadeira. E não é um problema, muitas nas nossas Amizades são Utilitárias, pensam em relações de trabalho. Então, a pessoa que você trabalha, você vê todo dia, você não vai se chata com ela, só porque a relação de vocês é Utilitária. Então, assim, as Amizades podem evoluir, pelo menos em geral, as Amizades de trabalho, né? Que quando a pessoa não trabalha, são Utilitárias, né? Então, tudo bem. Aí, você tem as Amizades onde o foco é o prazer, o reconhecimento do prazer, que é aquele amigo de balada, o amigo de festa, tem inglês, a expressão, né? Friends with Benefits. Amigos só pra fazer sexo, por exemplo, entraria nessa coisa do prazer. Esse outro, é um outro tipo de Amizade também. E aí, o que Aristóteles chama de Amizade Verdadeira, é a Amizade pelo reconhecimento da virtude, né? Que é quando cada pessoa, cada pessoa aproveita as virtudes um do outro. Então, eu sou seu amigo porque você tem coisas que eu admiro e vê esse vérdice. Então, a Amizade é focada das virtudes. E aí, ele, até o Aristóteles coloca que assim, que se você consegue ter pelo menos um amigo por virtude, necessariamente você é uma boa pessoa, porque você despertou o interesse da suas virtudes por alguém. E vice-versa. Então, isso é garantido, toda a pessoa que tem pelo menos uma amizade por virtude, é uma pessoa que é visto como uma pessoa boa. As duas, né? Porque é construído na relação. Repetindo, então, as virtudes altas, você poderia? Então, é a Amizade por virtude, a Amizade por Utilidade e a Amizade por Prazer. São esses três tipos. E não quer dizer que uma não possa ser muito transformar na outra, mas a Amizade por virtude é a menos comum. A mais rara, exatamente porque demora mais. Para construir, às vezes depende de uma série de fatores, inclusive, da própria pessoa. Era assim mais ou menos como os gregos vieram. Então, os gregos achavam a Amizade, a Amizade gerais eram muito utilitárias. Então, eu sou seu amigo porque a gente tem que dividir coisas e eu não vou ser chato por você, com você, só porque a gente tem coisas para juntos. E aí, quando acaba, perde-se o motivo e tudo bem. Fica a memória, mas a Amizade não se mantém. E tudo bem. Se a gente parar para pensar, a maior parte dos nossos contatos é assim. E beleza. E aí, essa ideia grega, ela permanece até hoje, sobretudo, nas sociedades mais individualistas. Então, o modelo de Amizade grego, ele é mais presente, Brasil, Argentina, América. A América do Norte Central e do Sul. E uma parte de Europa. Esse é o modelo mais grego de Amizade. A gente tem o outro tipo de Amizade, que é aquela Amizade mais, que é amigo de verdade, só que ela pessoa aqui se mataria por você. E aí, um pensamento mais coletivista. Tem uma palavra, por exemplo, em coreano, que é "tion", "tion", "tion", "tion", "tion", "tion", "tion", tem um sentido mais raso e o sentido mais profundo. Quando você tem a atração por alguém, "tion", mas é mais do que isso. Tem um sentido mais além disso. Que é um "tion", é um tipo de Amizade, que é, por exemplo, o exemplo que eles dão, quando você vai estudar textos, textos coreanos, que é o seguinte, sabe quando, por exemplo, imagina que a gente não se conhece quem e a gente se alistou no exército, porque o país está em guerra. E aí, a gente caiu na mesma divisão. A gente vai lutar junto, mas a gente não se conhecia. Mas a gente está lá para matar e morrer, na guerra. E aí, tipo, eu vou correr, você me cobre e vice-versa, sabe? Tipo, tomateiro e vive aquele momento juntos, que é muito forte, muito, muito importante a vida de cada um está na mão do outro. E aí, a guerra acaba, a gente volta para as nossas casas e nunca mais se vê. Isso é o "tion", aquela experiência que a sua vida esteve na mão de alguém por algum momento. E aí, não importa, você pode ficar 50 anos sem ver aquela pessoa. Se você vê de novo, você faria qualquer coisa por ela. Essa é a ideia do "tion", sabe? Essa é a ideia da Amizade Russa, por exemplo. Essa é a ideia. É uma visão metrágica, assim, nada. Sim, sim, por que? Porque é um dos poucos momentos onde o coletivismo se quebra. Por isso que esse tipo de Amizade é muito comum em sociedades coletivistas. Porque em sociedades coletivistas, o que importa é o grupo e não você. Nesses momentos de crise, guerra, privação, é quando as relações 2 a 2 se tornam mais fortes. E exatamente por isso, mais preciosas. Então, assim, a gente tem, basicamente, de uma forma antropologicamente estável, até esses dois padrões de Amizade. O padrão, aquilo, tipo, a pessoa que eu morreria por ela, mesmo que eu não tenha contato a memória dela é vivida, que aparece isso mais em sociedades mais coletivistas. E em sociedades mais individuais, essa é a ideia dos tipos de Amizade grego. Assim, é mais complexo que isso. Vamos deixar na descrição até um livro da antropologia da Amizade, mas para o efeito geral de divulgação dá para dividir nesses dois modelos. Porque esses dois modelos são muito importantes. Não tem como estudar Amizade se você não estudar o contexto histórico cultural. Então, por exemplo, se você for na China, por exemplo, na Coreia, do Sul, do Norte, enfim, e chega lá, você tem amigos. A pessoa fala assim, mas, em geral, ela vai falar um ou dois. E aí, como é que você conheceu? Em geral, são nesses momentos de desgraça, nos momentos muito difíceis, sabe? E aí, mas você tem contato com seu amigo? Não, não tenho. Assim, aquela pessoa, tipo, vira quase a mentidade, sabe? A mentidade presente em você. Essa é a ideia do Tion. É muito interessante, assim, e que é interessante você. Você só sabe que tem um amigo por Tion quando você tem mesmo. Não dá para forçar isso, é quando acontece. É muito interessante. A gente tem muito mais empatia por essa, a Amizade Grega, os modelos gregos. Então, você sabe das amizades por utilidade, das amizades por prazer e das amizades por virtude. Por sorte, espero que todos os nossos ouvintes tenham, pelo menos, um amigo, que seja construído por meio da virtude. Esse é o foco, essa é a meta. E aí, indo pra estudos mais, saindo agora da causa final, isso seriam uma ideia ligada a causa final, o efeito cultural da Amizade, tem uma questão, outra causa final evolutiva, importante que a importância de ter Amizade é pra sobreviver, sobre tudo pra espécies sociais. Então, eu confio em você, você confim em mim e tal, e aí tem a pensão em causa final, tem uma coisa bem interessante, que é assim a definição de Amizade, teve uma discussão muito grande, mas ele chegaram mais ou menos no consenso do que seria Amizade pra dar uma definição pra conseguir estudar. Então, abriáspos, Amizade seria um estado de afeição e intimidade e estima duradouros entre duas pessoas. Então, Amizade é um estado. Então, tem uma atentada duração aí, a durabilidade como uma variada importante aí nessa definição. Sim, tem que ser duradouro, tem que ter um estado de afeição e intimidade e estima. Você tem que ter afeto pela pessoa, intimidade e estima por ela. E tem que ser algo que dura, claro, mesmo não estando na presença da pessoa. E aí, pensa assim, por exemplo, quem, eu tenho a afeição e intimidade e estima por você. Mas isso implica que você tem o mesmo? Não, necessariamente. Muito bem, então, não necessariamente. Então, se não for bidirecional, não é Amizade. Então, assim, para você configurar uma Amizade, tem que ter cinco características. A primeira é uma relação diádica, é dois a dois. Não tem Amizade de grupo. Tipo, a definição de Amizade não se aplica um grupo. Não se aplica uma empresa, a ativa de futebol, nada. Eu e você, é dois a dois. São uma relação diádica, a primeira característica. Segundo a característica, é recíproco. Eu tenho a afeito estima e intimidade por você e vice-versa. É recíproco. Terceiro, não é obrigatório. Você não pode sentir obrigado a ser meu amigo e vice-versa. Então, tem até essa expressão, eu ouvi, inclusive, do professor Milhone, o meu socorro, que os amigos, você não escolhe, você descobre essa ideia. Você descobre, aparece, florece a ideia da Amizade. Isso é um modelo grego. Não é obrigatório. Você não é obrigada a ser amigo de ninguém. A não ser que seja amizade por utilidade. Então, é uma relação diádica, é recíproco. Não é obrigatório. É igualitário. Então, a gente está no mesmo nível, enfim, e o último, na nossa Amizade, existem tarefas que são divididas. A gente divide tarefas com um objetivo último de gerar companheirismo. Tudo bem, a gente divide atividades. Então, sai pra jantar, conversa, tipo, troca mensagens. Então, essa força pra manter algum tipo de contato, mesmo que seja cada 10 anos. É uma divisão de tarefas. Então, por exemplo, se eu fico mandando mensagens pra você, você não responde. Já começa a quebrar o cinco. Então, isso acontece em muitos casos. Muitas amizades são assim. Às vezes um lado fica procurando. E aí, a amizade esfria, porque falta essa ideia da tarefa dividida, da divisão de tarefas. A amizade é uma relação diádica, é recíproco. Não é obrigatório. É igualitária. E tem tarefas divididas para gerar companheirismo. Tá bom? Então, tem um livro e vários artigos com essas referências e tal. É uma definição razoável. Não sei para propensar, ela explica bem as ideias das amizades. Mas tem um pouco importante, que eu vou cantar uma pedra aqui, não vou alongar muito pro episódio num mudar de tom. Mas podendo propensar nessas cinco características. Existe a amizade de você com seu gato ou cachorro? Porque pensa, ó, é uma relação diádica, é você com o bicho. Tudo bem? É recíproco. Vai, você gosta do bicho, vou ter supor que o bicho gosta de você. Apesar de não ter, a gente não tem empatia pelo bicho. É obrigatório. Então, assim, a questão da amizade é quebrada em duas coisas. Você pode não ser amigo do gato ou do cachorro. Mas ele não tem escolha. Ele não tem escolha. Então, quebra obrigatoriedade. É igualitário. Também não é. É uma relação que não é igualitária. Exatamente porque a obrigatoriedade é quebrada. Tem tarefas divididas para gerar companheirismo. Também não tem. Tipo, você sai e deixa o bicho sozinho, o tempo todo, quando você chega, o bicho vem, fazer festa. Ele gosta de bingo. Desgraça. Sabe aquele amigo, sabe aquele amigo que você tem, que sempre quando você precisa, ele está lá. Mas quando ele precisa você não está. É tipo isso. Pensando nesse adesco ordança na literatura, tem uma galera que briga contra isso. Mas, em geral, o povo da etologia, que é a área que estou puxando mais, não considera que existe amizade nos termos formais. Entre organismos que não sou coespecíficos. Entre eu e você a gente tem amizade. Agora, você e o gato, o cachorro, o papagaio, o trilobita, não é assim. É uma relação diferente. Tanto é que eu não domesticuei você. A gente pode se auto domesticar. Mas domesticar um a outro não acontece. Diferentemente o coitado, o gato e o cachorro. Então, isso é um ponto de ponderação também. Vai ter episódio mais pra frente sobre isso. Estou juntando evidências. Tipo, estou batendo o devagar. Estou assoprando antes. Então, é questão disso. E aí, como é que aparece a amizade? Pensando em crianças pequenas. Isso é bem interessante. A partir de quando, quem você acha que uma criança pequena começa a reconhecer os outros como amigos? Olha, na minha memória foi quando eu tive um processo socialização maior assim. Quando eu fui no preprimário. Então, tinha sei lá, seis anos. Mas eu imagino que antes disso eu já chamava um outro de amiguinho. Já tinha os amiguinhos. Então, o começo da ideia de amizade na infância começa com a linguagem. Dois anos. Dois anos começa. A partir de dois anos a criança já começa a ter alguma preferência em brincar com algumas pessoas em vez de outros. Já começa a ter alguma afeição assim. Não tem muito consenso, mas em torno de dois anos com a linguagem ou que aparece. E aí, é legal os artigos mostram assim. Imagina o jardim de infância com um monte de criança. Você ficou olhando elas brincando. É assim que você coletou os dados. Quando você pergunta pra criança, o que é o seu amigo ou amigos? A criança aponta. E aí você faz uma rede de amigos. Você diz, "Ah, você é amigo de quem, quem?" Aí você fala do Johnzinho, da Maria, está total. Aí você pergunta pra Maria, "Quem que é o seu amigos?" Claro que não vai bater. Então eu posso falar que você é meu amigo, mas você não pode não falar o contrário. Em estudos com crianças de dois a cinco anos, mais ou menos 50% das amizades são unis laterais. Eu digo que você é meu amigo, mas a receita porque não é verdadeira. Isso é muito comum, muito comum em crianças pequenas, normal. Mas quando você olha a criança brincando com alguém que ela acha que é amigo dela, que ela diz que é amigo dela, o padrão da brincadeira é mais igualitário e tem menos briga, tem menos relação de dominância. Sabe, de tirar a brinquedo ou esse tipo de coisa, é mais harmoniosa a brincadeira. É mais cooperativa, né, a relação. Isso, é menos conflitoosa. Às vezes quando a criança tem dois, três anos, ela é muito egoacentrada. Então, mas por exemplo, ela não chora quando a outra pega o bonequinho. E quando existe conflito, a resolução é um pouco mais rápida do conflito. E aí, assim, tem estudos com dados da América do Norte, aqui da América do Sul também. Se você pega crianças de dois a cinco anos, 75% delas diz que tem, pelo menos, um amigo na escola, 75%. E aí, esse amigo, né, é uma pessoa em que a criança se sente mais a vontade para ter a abertura, para brincar, para divider em coisas incomuntas em alguma similaridade e se diverta em da mesma forma. Então, você gosta de chutar bola, eu também gosto. Sabe, é bem motor, é bem comportamental. Então, os tipos de brincadeiras que são parecidos, que as mesas crianças gostam, aumenta a chance de gerar amizades entre elas. Beleza, né? O desenvolvimento da amizade em crianças pequenas tem muito a ver com o desenvolvimento da empatia. Empatia é a capacidade de se colocar no lugar do outro, para emoções. A empatia é muito interessante, né? Na verdade, isso nunca foi explorado em outro episódio, mas a gente vai falar um pouquinho mais agora, tem três tipos de empatia. Empatia não é uma coisa só, não é essa coisa que se fala se colocar no lugar do outro, não é só isso. Tem três graus da empatia. Tem a empatia emocional, a empatia motivacional e a empatia cognitiva. A empatia emocional, ela é muito ligada, por exemplo, a dor. Então, tem um experimento, que é um adulto, ele faz isso, ele pega uma agulha e ele espeta agulha nele mesmo. Ele espeta agulha nele mesmo na frente da criança, e a ideia é ver as reações da criança. Se ela frãs e o rosto, se ela faz uma sensação de "ai", se tem algum desconforto na criança quando o adulto espeta uma agulha nele mesmo. Sabe a partir de que idade acontece em empatia emocional? Essa é empatia emocional, ligada principalmente a dor. Sabe a partir de que idade a criança reativa isso? Quatro meses. Quatro meses, em quatro meses, ela já consegue ser empática com a dor de uma outra pessoa. É física, tem que ser dor física. Mesmo que ela nunca tenha sido espetada. Isso é fantástico. Ela sabe que um adulto que está na frente dela se espetando, assim próprio, provoca nela essa empatia da dor. Isso, mas só dor. Isso é muito cedo. Você vê o bebêzinho, por exemplo, ali no verso, no carinho. Aí de repente o adulto se estabaca todo se cai no chão, se lasca todo. A criança percebe que a quando deu ruim. Ela percebe um matrimento fantástico. Isso é o primeiro nível de empatia. E empatia emocional começa lá há quatro, seis meses. Aí depois, vai evoluindo, vai maturando. Você tem a ideia da empatia motivacional. A empatia motivacional é mais comportamental. Não é assim, tipo, uma coisa aconteceu aí do eu. Não é isso, está? Isso é emocional. O motivacional é quando eu faço algo por você. Então, por exemplo, caiu uma coisa na minha frente e eu pego e te dou. Isso é empatia motivacional. Ou, por exemplo, você não está conseguindo abrir a porta do armário ou vou ir abro. A criança assim, você não dá nenhuma ordem para ela. Ela percebe que tem alguma coisa que está estranha, ela vai e faz. Isso acontece a partir dos três anos. Então, com três anos, os experimentos clássicos do gasânica, que é um adulto, ele segura uma caixa e ele tem que colocar a caixa dentro do armário. E aí ele fica batendo com a caixa no armário, porque ele não consegue abrir, porque ele está com as mãos ocupadas. E a criança com os três e quatro anos vendo, boa a partir das crianças vai lá, abre o armário para colocar a caixa. Então, esse é o tipo de empatia motivacional. Ela leva em conta não só a percepção de algo, ela leva em conta o comportamento. Então, esses dois tipos de empatia emocional e a motivacional não depende de descolaridade, depende só de causa material mesmo, maturação do cérebro e um pouco de aprendizagem social. Então, rapidinho você desenrola. O difícil é empatia cognitiva. Empatia cognitiva também é chamada de teoria da mente. A teoria da mente, aí depois dos seis, sete anos, inclusive adultos, tem dificuldade de ter teoria da mente, depois da teoria da mente que vai nascer a alteridade. A alteridade é adulto só, mas teoria da mente é eu saber como que eu sei o que você está sentindo para eu saber o que fazer. Eu tenho uma ideia de que existe uma mente além da minha, isso é depois dos seis anos, há cinco, seis anos. Aí tem vários experimentos que mostram isso, mas o experimento mais clássico é o experimento da Sally e da N. Então, você faz o experimento com dois bonequinhas, tem a Sally e a N. Sally Ana, o jogo é assim, você pega dois bonequinhas, coloca na frente da criança com cinco anos, na frente dela, e aí você coloca duas caixinhas. Tem que ser diferentes nas caixinhas, então imagine que a Sally tem uma sexta e a Ana tem uma caixa. Você coloca lá o bonequinho e a caixinha, aí a Sally pegou uma bola e colocou dentro da sexta dela. E aí você pega o bonequinho, a Sally pega o bonequinho e coloca dentro da sexta dela, e a Ana estava do lado com a caixa. Aí a Sally saiu para ir no banheiro, ela saiu da sala, e você tira a Sally, a bonequinha da sala. A Sally saiu da sala. Aí o que a N fez? A N pegou a bola da sexta da Sally e colocou na caixa dela, tudo bem? Certo, ok. E aí depois volta a Sally, do banheiro, e aí você pergunta para criança, onde que a Sally tem que procurar a primeira bola? Vai quem? Onde que a Sally tem que procurar a primeira bola? Na sexta ou na caixa? Ela vai olhar primeiro, provavelmente onde ela colocou. Onde a Sally colocou, que é na sexta? Essa é a resposta de adulto, porque você sabe que a Sally saiu do quarto, foi no banheiro, logo na cabeça da Sally que saiu, a bola está na sexta, não na caixa. Só que o que a criança com cinco anos fala? Não, ela tem que olhar na caixa, porque ela viu, ela criança viu. Ela não consegue concebir que a Sally saindo, a mente da Sally é outra, a criança não consegue perceber isso, com cinco anos. Então quando a bola saiu da sexta e foi para a caixa, como a bola está na caixa e a criança viu? Ela vai falar, a Sally tem que olhar na caixa, ela não consegue perceber que a Sally não sabe que a bola foi trocada de lugar. Entendi. Essa é a falta de empatia cognitiva. Crianças com quatro, cinco anos costumam ter esse tipo de erro. Por um adulto, é meio normal. Não, a criança saiu da Sally, ela não sabe que foi trocada a bola de lugar. Então ela vai olhar primeiro onde ela achava que estava a bola. Tudo bem? A criança pequena, ela só vai conseguir ter essa capacidade a por depois dos seis anos. Então demora um tempo. Demora um tempo para ela desenrolar isso. Precisa de muita maturidade neuronal, muito desenvolvimento do cérebro mesmo. Para você saber que quando uma pessoa sai da Sally, a mente da pessoa sai com ela e a mente dela é diferente da sua. Então isso é a teoria da mente. Então por exemplo, pensa quando você é uma criança pequena, que você só tem de seis a seis, oito meses, você só tem capacidade de ter empatia emocional. Como é que você vai fazer amigo? É difícil, né? Então para você começar a ter amizades, você tem que ter pelo menos a empatia motivacional, que é você ver uma criança com uma dificuldade, você vai lá e ajuda. Então é por isso que as amizades começam lá pelos dois, três anos, porque é quando se desenvolve a empatia motivacional. Quando tenho desenvolvimento da empatia cognitiva, que é depois do seis, sete, oito, nove anos, que é quando eu consigo saber que tem na sua cabeça diferente da minha cabeça, aí as amizades ficam mais complexas, porque você sabe coisas que eu não sei, será que você está gostando de mim mesmo? Que aí onde aparece, por exemplo, criança com oito nove anos, começa a falar que ninguém gosta dela. Tem isso também, por que? Porque a criança tem dificuldade de saber se os outros gostam dela, porque ela tem dificuldade de perceber essa empatia cognitiva. O que está na cabeça dos outros? Ela não sabe, né? Então por isso que quando você vê, por exemplo em escola, criança com oito nove anos, fala muito assim, eu gosto de você, eu amo o meu amigo, sabe? Como uma forma de concretamente reforçar os laços. E aí quando eu falo, eu gosto de você, quem você não responde, punta, a punta palada, né? Porque eu dou meu concreto, mas não tenha concreto de volta. Puxa, aí é difícil. Então pensam, as pessoas acham que, tipo, pessoas que são extremamente cruéis, genocidas, essas coisas não é, é criança de seis a doze anos. Pense a crueldade em pessoa nessas crianças aí. Então, por exemplo, como elas são muito concretas, né? Eu gosto de você, porque você tem coisas incomum comigo, né? E muitas dessas coisas incomum são físicas. Então, por exemplo, eu tenho óculos, você não tem. Já é um motivo pra não ficar amigo. Não dá voltar da camassada de pão na criança, dá voltar. Claro, né? Porque o motivo imbecil, mas é o desenvolvimento, fazer o quê? O problema com você tem 30 anos na cara e ainda faz isso, né? É verdade. Isso é o problema, né? Aí faltou, faltou, função cognitiva e faltou séria em algum lugar. Aí é complicado. Mas com criança pequena, isso tem que mediar isso, né? Não é porque. Aí, isso tem que ser congresso, tem que falar. Não é porque o Joãozinho tem óculos, que ele é diferente de você. Tem que ser dito. Não conta que a criança vai desenvolver isso na cabeça dela, porque tá desenvolvendo a teoria da mente, empatia cognitiva. Então, você expor a criança ao contraditório, ao diferente, aumenta muito a capacidade da teoria da mente se desenvolver melhor. Então, se eu estudo com branco, negro, amarelo, óculos, senhóculos, galtogord, bago, baixo, tudo, na verde, tudo, né? Se eu estudar com o máximo de diversidade possível, eu tendo a não usar esses atributos físicos concretos para determinar quem são os meus amigos ou não. Então, quanto mais homogênios os grupos, maior a chance das amizades serem determinadas por questões concretas, branco, negro, óculos, não óculos, sei lá, classe A, classe B. Quanto mais diverso, mais complexo é o critério para seleção, e aí você presta mais atenção nos outros, em quem eles são, e não reduz o outro a só óculos, o branco, o que quer que seja. Muito importante, muito importante. Mas uma, mais um ponto positiva aí para a diversidade em um grupo, né? Não, com com certeza a literatura é vasta a respeito, né? E aí passando essa fase, né, entra a adolescência, adolescência também é desgraça, né? Também, porque a adolescência não se entrei direito, aí a busca do adolescente é por amizades em que você tem qualidade de relacionamento recíproco. Eu não sei se você nem, eu não sei como era no seu ensino médio, quem, mas tinha as panelinhas no ensino médio, tinha um povo celular, os roqueiros, tinha os baladeiros, tinha sei lá que, sabe? Tinha um povo do baseball, sabe? Não, não, na federal tinha o povo do baseball dentro da federal? Tinha um outro. É, então, a ideia na adolescência é você dividir, assim, buscar amizades em função das coisas que as pessoas fazem. Sim, sim. Então a gente faz coisas em comum, a gente divide tempo e, e nesse momento da vida, né? É um momento, assim, que você tá junto com alguém, porque vocês estudam juntos. Sim. Mas isso é fundamentalmente diferente do trabalho. Então, como você só está na mesma escola que o outro, além do estudo, você divide muitas coisas afetivas. Então, por exemplo, você fazer amigos na escola, você gera relações duradoras muito mais significativas do que se você fizer amigos no trabalho. Por quê? Porque o trabalho, a escola ela é um motivo pelo qual as pessoas se encontram. Em geral, você não escolha a escola que você vai por causa dos colegas, é meio raro. Mas no trabalho, você não escolhe com quem que você vai trabalhar, você entrou no trabalho, tem as pessoas lá. Na escola, e sobretudo por que você é mais jovem, as relações são mais significativas, por que? Porque você é jovem, tá buscando essas relações, e a escola dá vazão pra isso. Porque na escola, você não tem que bater meta, você não tem que entregar coisa lá de madrugada, não é isso, a escola não é agência. Ou uma empresa, o que quer que seja, tá? Não tem isso. Já no trabalho não, o trabalho é uma desculpa pra você encontrar as pessoas. Você não queria tá com aquelas pessoas, o trabalho é um meio pra isso. Então, amigos de trabalho é fundamentalmente diferente de amigos de escola. É por isso que muitas pessoas mantêm amizades das escolas, da escola, e aí eu inclui ensino superior da universidade. Então, sei que tá na universidade com 18, 19 e 20 anos, é um período crítico do desenvolvimento. O cérebro amadoresse até os 25, então até o final da graduação. Então, muitas vezes você tava na faculdade, você fez aquele amigo de faculdade que foi muito importante na sua vida, mesmo que você não tenha mais contato com ele. Mas uma pessoa que vira e mete você lembra, que estudou com você e tal, isso é o chão. Voltando lá no exemplo coreano, isso é um tipo de chão. É uma pessoa que dividiu um momento muito importante da sua vida e você não esquece dela. Me lembra, até uma frase de quem que era, tem aquela frase do Drummond, que reflete muitos momentos de amizade na adolescência, que é a definição do que é eterno. É eterno, é eterno, é uma coisa que dura uma fração de segundo, mas com tamanha significância que se consolida e nenhuma força já mais resgata. Então, é como se fosse uma coisa que aconteceu assim e gerou um resultado tão profundo, que você nunca consegue reproduzir aquela sensação de novo. E exatamente por isso você nunca esquece. É bonito, né? É coisa interessante. Isso é bem é coisa da amizade da adolescência, da universidade, que são pessoas que você convive pouco tempo relativamente, proporcionalmente a sua vida, mas de forma muito significativa. Já, então, nesse momento da adolescência, o início da fase adulta, a gente tem muitas amizades que a gente mantém para boa parte da vida, já na fase adulta, o número de amigos aumenta, mas a qualidade da amizade não. Em geral, por causa do trabalho, né? Então, você pode até fazer amigos no trabalho, porque vocês dividem tempo juntos, mas aí, quando um sai do trabalho, eventualmente a relação se desfaz. Não quer dizer que não fique a memória, mas a relação de significância se desfaz, isso faz parte. Aí é o tipo de amizade utilitária, não é? Faz parte. Acho que você deve ter tido experiências disso. Pensa, por exemplo, quem, sei lá, uma empresa que você trabalhou, sei lá, cinco anos, e tinha uma pessoa que você conviveu cinco anos com ela, muito tempo. Conversava, sai, vamos sair, tudo mais, eventualmente você saiu da empresa ou a pessoa saiu, eventualmente se perdeu. Isso acontece, às vezes não, às vezes mantém, mas aí depende do estado de afeição, da relação diádica, entre as pessoas. E o que acontece depois, né? Então, na fase adulta, a gente começa a ter mais amigos, mas a qualidade é menor, né? A qualidade da amizade, do contato é menor. E conforme a gente vai ficando mais velho, aí depois de 60 anos, por exemplo, o número de amigos diminui. Mas por que que ele diminui? Ele diminui, porque eventualmente você perde contato com as pessoas. Porque casaram, ou seja, porque mudaram de lugar ou ficaram ou morreram. Mesmo às vezes, quando você tem mais 70 anos, boa a partir das pessoas que você conhece morreu, uma fração razoável. E aí, a amizade, ela ganha um outro sentido. Então, quando você pega a pessoa, e aí é bem interessante os artigos, você pega pessoas com 80, 90 anos, por exemplo, elas não são sozinhas. Elas têm pessoas que estão em volta, que visitam, que cuidam, ela consegue estabelecer boas relações. Mas elas têm menos amizade. Por que? Porque a amizade tem que ter tarefas divididas com foco no companhierismo, uma das cinco definições, lá, cinco características. E tem que ser igualitário. Então, muitas pessoas mais velhas sofrem com falta de amizade, porque elas não têm interlocutores. O que seria o interlocutor? É aquela pessoa que viveu o mesmo que você viveu, sabe? Então, assim, imagina que você tem 70 anos. E você tem um amigo, um amigo que tem 30. Ele é seu amigo. Você divide coisas e tal, mas falta um pedaço. Falta essa coisa não é igualitário. Por que, por exemplo, você viveu coisas que ele pode até saber, a pessoa com 30 anos, você tem 70, a pessoa tem 30. A pessoa com 30 pode até saber, até conhecido, mas não é a mesma coisa. Sabe, não é igualitário, a relação. Então, tipo, tudo bem, você tem alteridade por mim, mas não tem empatia. Entende? Então, assim, quando a gente viveu a mesma situação, eu e você a gente viveu o mesmo momento, a gente não tem só empatia cognitiva, tem a motivacional também. E, no caso da guerra, tem até emocional. Você tomou um tiro, você, a bomba e tal, conforme você vai ficando mais velho e tem menos pessoas que viveram a mesma coisa que você, os outros que compartilham a amizade com você, tem até a empatia cognitiva, mas não vai ter a emotional e motivacional. Só para dar um exemplo de como isso é importante, por exemplo, no final do ano, no final do ano passado, 2022, perdemos o Pelé. Por exemplo, Pelé é uma figura imemorial, independente de tudo, uma figura imemorial no mundo inteiro e tal. Imagina que hoje você tem 30 anos. Hoje, 30 anos, você, boa parte da sua vida, você conhece o Pelé, lembra, viu coisas, tem empatia emocional, motivacional e cognitiva com a figura do Pelé. Imagina que hoje você tem 30 anos e ele morreu. Quando você tiver 60 daqui a 30 anos e você for conversar com alguém de 30, aquela pessoa não vai ter a mesma experiência do Pelé que você teve, mesmo apesar dela saber quem é, eventualmente, tudo bem? Pega esse ponto. Então, assim, a redução das amizades é um fato da vida, então ela depende da sua idade, conforme a sua idade passa, você vai ficando com menos interlocutores mesmo, isso faz parte. É um tema de terapia, tratamento, enfim, tem que ser trabalhado pelo indivíduo, mas antes disso tem que ser vivenciado, conforme você vai ficando mais velho de fato, ou você ressignifica as amizades, ou muda, ou é sempre importante pensar sobre isso. Não deixar pra quando acontecer, quando você ficar muito mais velho, pô, agora não tenho mais amigo, não é assim, tem que ir construindo. Isso responde a pergunta, do nosso ouvinte, por exemplo, o aruã, que diz, conforme a gente vai ficando mais velho? Almenta a dificuldade de socializar e fazer amigos? Sim, sobretudo porque a gente precisa de interlocutores, e esses interlocutores se tornam mais raros. Não é uma questão só da idade, é uma questão dos interesses, mas também é da idade, eventualmente, seus interlocutores acabam, eles se tornam muito raros. Faz parte, e de novo, não é para saber de vibes, é uma situação que todo mundo tem que vivenciar, é até interessante você pega pessoas bem mais velhas, 90 anos, por exemplo, e eu tenho um contato com algumas, não é que a pessoa fica realmente saldozista, porque ela vive muito pensando, poxa, eu queria alguém que tivesse vivido isso que eu vivi, as memórias não parecem tão vive das mais, porque pra você é uma memória no corpo, é uma memória emocional. Por outro, é uma memória cognitiva, é distanciada da vivência. Então, até a gente, eu deixo isso aqui como uma garrafa solta por um outro episódio, será que você quer, será que você querer ir viver para sempre? Será que vale a pena? Eu tenho certeza que não. É, então, é interessante, é uma questão terãs humana, tem ela ver com nosso episódio sobre terãs humanismo, então as pessoas que conseguirem viver 150 anos, porque tiveram acesso, tenho muito dinheiro e tal. Como é que vai ser uma vida que merece ser vivida, do ponto de vista dessa coisa das amizades, das memórias e tal, até que ponto, uma semente de reflexão. Então, pra fechar o episódio, falamos de um aspecto amplo da questão envolvida das amizades, os tipos de amizade, o modelo grego e o modelo mais oriental entre aspas, a pergunta da nossa ouvinte marina, essa coisa é uma amizade que dura em média de cinco a sete anos, se passar disso, é provável que dura a vida inteira? Não, não. Pela pela minha experiência em divido, inclusive, não. Isso, mas depende muito da sua idade. Então, por exemplo, se eu fui seu amigo por cinco anos, dos seus 15 e os seus 20 anos, é muito mais provável que essa amizade seja mais duradora do que entre os 30 e os 35. Porque é o motivo que fez a gente ficar junto a diferente. Então, de 15 e a 20 é quando a gente estava estudando, partilhou muita coisa no período crítico do desenvolvimento emocional, só seu afetivo, entre 30 e 35 em geral, a gente fica o passo cinco anos juntos por causa do trabalho. E aí, o trabalho é o motivo pelo qual a gente está junto. E não, a gente em si. Isso tem que ser desenvolvido e, às vezes, não dá tempo, ou simplesmente não tem as pessoas não criam o motivo pra isso. Então, espero que vocês tenham aproveitado esse episódio interessante sobre a amizade. É um episódio reflexivo, tem muitas coisas interessantes, muitas referências, as referências são interessantes e eu quero deixar um artigo final. 2023, esse artigo, um artigo fantástico que mostrou o seguinte, eles pegaram grupos de pessoas que eram amigos mesmo, pessoas que cumpriam cinco critérias de amizade e pessoas que eram diziam que eram amigos, mas eram, na verdade, conhecidos. Sabe, brother, sabe que você convive bastante, então tinha lá o grupo dos amigos, amigo, mesmo, e o chão, e o grupo dos conhecidos, que aqui a gente chama de amigo. E aí colocou esses dois grupos de pessoas na ressonância magnética e mostrou-se vídeos para ambos os grupos, para cada par de amigos, mostraram para você e para mim, o mesmo vídeo, verificavam as áreas cerebrais na ressonância magnética onde tinha maior quantidade de sangue. Que tinha mais oxigênio e era mais ativada. Quando as pessoas são amigas de verdade, o padrão de atividade frente ao mesmo estímulo é similar, ou seja, quando a gente é amigo de verdade, a gente vê o mundo do mesmo jeito. A gente rea a nosso cérebro reagir da mesma forma, aos mesmos estímulos. Muito interessante, muito interessante. Isso é louco, isso é louco. E quando as pessoas são só conhecidos, não dá essa atividade. Tanto é que nesse mesmo artigo, eles fizeram assim. Eles pegaram a atividade das áreas cerebrais, com base nas atividades do cérebro. Eles tentavam descobrir quem é amigo de quem. E a taxa de acerto foi noventa e oito por cento. Com base na sua atividade cerebral, eu consigo saber. A sua atividade cerebral, frente é um filme. Por exemplo, quem? Eu pego todos os seus conhecidos e mostro o filme para eles. Aqueles que tiveram um padrão de atividade mais parecido com seu são seus amigos mais próximos. Eu não preciso perguntar para você. Olha só. Muito legal esse experimento? Tomar aqui Netflix, essas bombas e não descubram isso. Não conseguem implementar. Porque se não vai desgraça, porque se não vão usar isso para controlar a gente, eu vou saber seus amigos sem perguntar para você. Não faça isso, mas esse artigo, 2023, fantástico. Não a feria e direcionalidade, então eu não sei se meu cérebro é parecido com seu. Por isso a gente é amigo ou por ser amigo de nosso cérebro ativa na mesma forma. Não se tem esse resultado ainda, mas esperemos estudos futuros para acessar causar a idade desse aspecto tão interessante da amizade. Amigos são amigos quando o cérebro vibra igualzinho. Enquem? Olha só a definição científica, eu tô aí. Isso daí, naro rodou ilustríssimo vinte. E você já sabe, aqui no naro rodou, quem faz a pauta é você. Você tem alguma pergunta para a gente, ou quer comentar algum episódio? Escreva para nós. Pode caçar o naro rodou.com.br. E lembre-se, mande nome completo, idade, profissão e acidade de onde você está falando. Isso aí. A gente pode fazer esse cérebro apresentado por os benove.com.br.

Podcast Summary

Key Points:

  1. Dificuldade em fazer amigos na idade adulta.
  2. Importância da amizade ao longo da vida.
  3. Tipos de amizades
  4. Contexto cultural e histórico influencia na concepção de amizade.
  5. Amizades duradouras são construídas por meio da virtude.

Summary:

O texto discute a dificuldade em fazer amigos na idade adulta, abordando a importância das amizades ao longo da vida. São mencionados os diferentes tipos de amizades, como a utilitária, por prazer e por virtude, destacando a influência do contexto cultural e histórico na concepção de amizade. São apresentados exemplos de amizades baseadas na virtude, que são consideradas as mais raras e valiosas.

Além disso, a discussão se estende para a importância evolutiva da amizade para a sobrevivência, especialmente em espécies sociais. Por fim, enfatiza-se a relevância de cultivar amizades construídas por meio da virtude como uma meta importante na vida.

FAQs

Não necessariamente. A duração das amizades varia de acordo com diversos fatores, e não há um prazo fixo para sua longevidade.

A socialização pode se tornar mais desafiadora com a idade devido a diversos fatores, mas também é possível construir novas amizades em qualquer fase da vida.

Aristóteles menciona a amizade por utilidade, a amizade por prazer e a amizade por virtude como os três tipos de amizade.

Cada cultura tem sua própria visão e valorização da amizade, o que pode influenciar a forma como as pessoas estabelecem e mantêm relações de amizade.

As amizades desempenham um papel crucial na sobrevivência das espécies sociais, contribuindo para o apoio mútuo e a cooperação necessários para a vida em comunidade.

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