Maurício Andrés Ribeiro — O que significa, de fato, sermos ÁGUA?
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O podcast "Somos Água" recebe Maurício Ribeiro, especialista em gestão hídrica, que discute a importância de reconhecer que somos parte do ciclo da água. Ele destaca que, ao contrário da visão tradicional do ciclo hídrico (precipitação, infiltração, evaporação), a espécie humana e os animais são frequentemente excluídos desse desenho. Maurício reflete sobre sua trajetória profissional, desde fotógrafo até arquiteto e gestor ambiental, incluindo experiências na prefeitura de Belo Horizonte e na Agência Nacional de Águas. Ele critica a lei de recursos hídricos por focar na água como recurso econômico e por permitir que atores poderosos dominem os comitês de bacia. Para superar isso, propõe a hidrosofia, uma sabedoria que integra dados técnicos com aspectos afetivos, espirituais e culturais, promovendo uma civilização hidrocêntrica. A hidroalfabetização é vista como primeiro passo para educar cidadãos urbanos, que perderam a conexão com o ciclo da água. Maurício também enfatiza o papel da arte e das tradições espirituais, como rituais de imersão, para resgatar essa relação sensível. Ele conclui que a água é o elemento central para enfrentar mudanças climáticas e que aprender a conviver com ela é fundamental para o bem-estar humano e planetário.
A Consciência de Ser Água e a Eternidade do Ciclo Hídrico
Olá, estamos aqui novamente nesse espaço chamado somos água, nesse podcast que reúne pessoas que se dedicam a esse tema, a esse elemento, essa grande entidade viva que é a água.
É com esse intuito de dar voz a esse ser e compartilhar.
Os o que está sendo feito, né?
Pra promover essa cultura de cuidado das águas, né?
E hoje eu estou com com a presença do Maurício, André Ribeiro e né, que vai nos trazer um Monte de coisas muito interessantes assim.
Estou super curiosa, mas como eu sempre começo, eu sempre começo perguntando, e aí, Maurício, como está o estado das tuas águas nesse momento?
Pessoa 2
Olha, é o estado das minhas águas.
Está muito bom no momento, né?
Eu acho, inclusive, que o tema desse podcast, né, somos água, chama atenção pra um aspecto que é muito importante, é a consciência de que nós somos parte do ciclo da água, né?
A água nos atravessa, né?
A água tá na nossa vida desde a concepção até o momento final, né?
AA água é um elemento assim.
Normalmente, quando a gente fala do ciclo da água e quando vê aquelas imagens sobre o ciclo da água, ali se fala muito assim, da da precipitação, do escoamento superficial, da infiltração da água no subsolo, da transpiração das plantas, né?
E depois a formação das nuvens.
Todo aquele ciclo que que a água faz aqui dentro do nosso planeta, mas em geral.
A nossa espécie, a nossa espécie e os animais é não são desenhados ali naquele ciclo da água.
Fica faltando essa parte.
E é uma parte importantíssima, né?
Essa parte de saber que nós somos água, nós somos AA água atravessa o nosso corpo, né?
O tempo todo.
E isso, inclusive essa consciência de que nós somos água, acho que é importante de estar.
Também presidente, na própria, na própria mitologia, né?
Na própria, nas tradições espirituais.
A gente tá muito acostumado a ouvir falar que nós aquela frase tu és pó e ao pó voltarás, né?
Essa é uma frase assim é que tá na bíblia, né?
E a gente tem que lembrar também que isso é parte da verdade, né?
Porque a outra parte da verdade.
É que nós somos água.
E no ciclo da água permaneceremos, né?
Quando a gente morrer, quando eu morrer, cada um de dos 8 bilhões de pessoas que existem hoje no planeta, quando nós morrermos, se a gente for enterrado, a nossa água vai virar água subterrânea.
Vai lá percolar, vai virar necroxorume, vai se integrar no ciclo da água lá no subsolo.
E se a gente for cremado?
A água que está no nosso corpo vai evaporar e vai se integrar no ciclo da água na atmosfera.
Então, nós, de uma certa forma, o nosso corpo, de uma certa forma, ele é eterno.
Nesse sentido de que ele ele vai continuar a permanecer no ciclo da água, nesse ciclo da água, de uma forma mais ampla, né?
A água que circulou no meu circula no meu corpo agora.
Ela pode ter sido parte do corpo de um dinossauro há milhões de anos atrás, ou então ela pode ter estado numa nuvem no alto dos himalaias, né?
Então é, eu sou parte desse todo, é.
Acho que isso é é importante da gente tomar essa consciência, né?
A Trajetória Profissional de Maurício Ribeiro na Gestão das Águas
Vai vai ser bom esse papo, Hein, Maurício?
Mas antes da gente conversar, aprofundar um pouco essa conversa, gostaria que você se apresentasse, né?
Por gentileza aí?
Pessoa 2
Tá certo, olha eu, eu eu nasci em Belo Horizonte, né?
Morei lá durante 50 anos, agora tem 25 anos que eu moro em Brasília, né?
É, eu me no início da minha vida, eu fui fotógrafo, né?
Fiz audiovisuais, fiz é fotografia de cinema, né?
É, fiz inclusive um audiovisual chamado lama, que.
Era um pouco essa alegoria assim do a as a vida surgindo da água, né?
E depois se transformando numa vida humana e com 111 trilha sonora de um canto gregoriano, então deu um sentido assim, sagrado foi uma foi 11 ensaio no início da minha vida profissional, já tratando do tema da água, né?
Depois eu me tornei arquiteto, né?
E fui trabalhar na questão da gestão ambiental.
E aí tive uma série de experiências, tanto no na prefeitura de Belo Horizonte, como secretário lá de meio ambiente.
É de conviver com o tema da água, né?
Particularmente é relacionado com aquelas aquelas questões do saneamento urbano, a tentativa de fazer com que os fundos de vale fossem mantidos.
É, não, não encaixotados, não.
Cimentados, né?
111 mudança de cultura urbanística, né?
Que precisava de haver naquela época, né?
E que ainda hoje precisa de haver, né?
E depois eu fui também gestor ambiental na FEA, na fundação estadual de meio ambiente de Minas Gerais, onde novamente o tema da água apareceu para mim com uma importância grande.
Teve um episódio na durante a minha gestão, em que eu estava lá na frean e me procurou um coronel da polícia militar, né?
Ele pra relatar um problema que estava acontecendo no norte de Minas Gerais, na bacia do Rio Verde grande, né?
Que a população estava revoltada porque estava havendo uma extração muito grande de água para irrigação.
Naquela bacia.
E não estava sobrando água pra eles se abastecerem lá Rio abaixo, né?
Isso foi na década de 90.
Não existia ainda a lei brasileira de recursos hídricos.
Não existia ainda esse sistema que foi montado de comitês e conselhos de gestão de recursos hídricos.
Então aquilo era um problema que poderia gerar 11, situação até de violência na região.
Aí, naquela ocasião, a gente encontrou uma maneira de resolver paliativamente esse problema, né, limitando a extração de água para irrigação e liberando água pra aqueles usuários a jusante lá que precisavam dela.
Então foi 11 episódio que me mostrou muito diretamente como essa questão ambiental, da gestão ambiental e da gestão das águas.
É, é também uma gestão de conflitos, de interesses, é 11 processo de construção de uma cultura de paz, né?
Entre esses vários usuários da água, pra pra que eles, pra que todos eles tenham o direito de ter acesso a esse bem precioso, né?
Então essa foi uma experiência de trabalho que eu tive, depois vindo pra Brasília, eu.
É, trabalhei no Ministério do meio ambiente e durante os últimos 20 anos eu trabalhei na agência nacional de águas, né?
Participando dos conselhos, né, do Conama, conselho nacional do meio ambiente, do conselho nacional de recursos hídricos, né?
É estimulando os processos de participação social no âmbito da Ana, né?
As consultas públicas, as audiências públicas.
Então, toda minha vida profissional, de uma certa maneira, foi relacionada com essa questão das águas, do meio ambiente e da gestão participativa e democrática que foi, é, vamos dizer assim, é formalizada, né?
Pela lei da política nacional de recursos hídricos.
Então, em linhas gerais, eu acho que essa é minha, é trajetória no que se refere à relação com as águas.
A Transição da Civilização Hidrocida para a Sabedoria da Hidrosofia
Então e aí, né, te ouvindo, né?
Ouvindo essa trajetória, né?
Sua em relação a as águas, né?
EAEEA natureza, né?
É também isso me remete muito a esse olhar que a gente tem aqui no podcast, né, que foi aí criado pelo instituto somos abra.
Que tem esse foco em criar uma cultura de cuidado das águas, né?
Uma cultura que tem a água como centro, né?
Até mais do que o centro, né, uma vez que somos 70% de água e né, a água que corre, né, pela superfície do planeta, né?
Também é aí tem seus 70% da superfície do planeta.
E a isso me remete, né, a essa temática que você traz com muita força, que é essa.
Que é essa civilização hidrocêntrica, né?
EE traz também esse seu trabalho atual, que é esse essa publicação, né, que é sobre hidrosofia.
Você pode trazer um pouquinho desse seu olhar sobre essa temática, o que que seria, né?
O que que você traz nesse livro?
O que que você propõe quando você coloca aí a água como centro da nossa vida?
Pessoa 2
Olha, basicamente o que eu trago é um é um é um produto assim, de uma reflexão durante todo esse esse trabalho que eu participei, especialmente agora, nesses últimos 20 anos na agência nacional de águas, é, é o seguinte, a nossa lei da política nacional de recursos hídricos.
Ela é muito boa, ela trouxe trouxe ganhos muito importantes assim pra gestão, né?
Mas ela tem alguns problemas, né?
O primeiro problema que eu vejo é que ela focaliza muito na água como um recurso, um recurso econômico, né?
Então ela dá um enfoque muito grande pra a questão dos usos da água.
É um enfoque utilitário, né?
E é um enfoque voltado pra colocar a água como um recurso pra ser utilizado pela sociedade e pelos seres humanos, né?
Esse é um é uma primeira questão.
AA lei fala várias vezes da água como recurso econômico, mas não fala nenhuma vez da água sobre um como um patrimônio público, como 11 Riqueza a ser cuidada, a ser protegida, né?
Esse é um primeiro, uma primeira questão.
Uma segunda questão também que eu vejo é que o sistema participativo, democrático que se procurou criar.
Com a legislação, a lei de recursos hídricos, através dos comitês de bacia, da dos conselhos de recursos hídricos é também foi 111.
Ideia muito boa, mas que ao longo dos anos desses 30 anos de aplicação da lei, já mostrou algumas limitações, né?
Normalmente nas nos comitês de bacia e nos conselhos.
Aqueles atores que tem mais poder econômico, mais poder político, mais conhecimento e informação, eles tendem a ir dominando as decisões que são tomadas.
Eles vão se tornando ali representantes mais Fortes, né?
E aí colocam, capturam, vamos dizer, esses, esses colegiados, esses comitês e conselhos para defender os seus próprios interesses e não o interesse mais amplo.
Público, coletivo, da sociedade, né?
Então esse é um viés que é na vida real, acontece assim, né?
Então esse é também um problema da gestão de recursos hídricos, como hoje está, é estruturado no Brasil, né?
E então ele, todo esse sistema que foi montado há 30 anos atrás teve ganhos, né?
Inegáveis assim, muito importantes, mas.
Também mostrou essas limitações, durante esse período em que eu trabalhei na agência nacional de águas, eu convivi com pessoas muito qualificadas, doutores, especialistas, mestres, ingestão de recursos hídricos que dominam com muita, com muita proficiência, os seus conhecimentos, as suas técnicas, né?
E durante esse período, eu fui eu fui chamado pela UnB, Universidade de Brasília, para dar aula no curso do mestrado profissionalizante para especialistas em recursos hídricos, né?
Quando eles me chamaram para falar sobre isso, eles falaram assim, ó, nós temos muitos especialistas aqui que conhecem muito a fundo a outorga, conhecem a cobrança pelo uso da água, os instrumentos da gestão.
De de recursos hídricos, os planos de bacia, et cetera.
Mas nós precisamos de uma visão generalista, de uma visão como se fosse um clínico geral, né?
Que antes de entrar os especialistas é, ele tem faz um diagnóstico geral do seu, do seu corpo e te fala, ó, você tá?
Pode ter um problema aqui ou ali, inclusive isso sempre baseado em exames, no caso nosso exame de sangue, por exemplo, que mostra a nossa.
O triglicédes, o colesterol, a glicose, et cetera, né?
O os elementos que estão presentes no sangue e que eles denotam qual que é a sua saúde e qual que é Oo problema de saúde que você tem, né?
Então eu, durante esses vários anos, eu dei essa aula para esses esse grupo de do prof.
Água que chama, né, profissionalizante.
De recursos hídricos pra especialistas.
E fui constatando também que era necessário cada vez mais integrar outras áreas.
Não apenas a área de recursos hídricos, mas área de meio ambiente, área de saneamento, a área de mudanças do clima, né?
Todos esses aspectos que tem a ver com a questão da água e que às vezes ficava um pouco em segundo plano, né?
Então eu passei a trabalhar 11 a partir desse mestrado profissionalizante, com a ideia não de gestão integrada de recursos hídricos, mas de gestão integral do ciclo da água, né?
O ciclo da água na atmosfera, na superfície, na água subterrânea, a água em estado sólido, líquido, gasoso, né?
E a água Salobra, a Água Doce, a água salgada.
Então, todas essas.
Essas questões relacionadas aos vários aspectos em que a água se manifesta.
Eu passei AA integrar nessas minhas aulas que eu dava lá e isso evoluiu naturalmente pra um aspecto que é esse da hidrosofia, né?
A hidrosofia ela não.
Ela é uma palavra que vem do grego, né?
Hidro água, Sofia, sabedoria, sabedorias relacionadas com a água.
E ela É Ela, não, ela não substitui a hidrologia, né?
A hidrologia é aquilo com que os engenheiros, os especialistas trabalham, né?
Dados, dados meteorológicos, dados de fluxo de água, dados de vazão de rios.
Depois eles integram isso em informações, depois trabalho, interpreto, isso vira conhecimento e é com esses dados, informações e conhecimento.
E eles.
Trabalham na gestão dos recursos hídricos, né?
Agora a hidrosofia, ela vai 11 ponto a mais, né?
É na questão da sabedoria, né?
Assim como lidar com sabedoria, com todo esses, com todos esses dados, informações e conhecimentos que nós dispomos, né?
Esse é que é o aspecto da hidrosofia e que.
Ela ele chama atenção pra um a nossa relação com a água, né?
A relação amigável, a relação mais de cuidado que nós precisamos de ter com a água.
Porque hoje em dia, na minha leitura, a gente vive numa sociedade, numa civilização que é hidrocida, né?
Ela mata a água, ela usa a água como?
O local de despejar o lixo, de despejar o esgoto.
Ela não tem grandes cuidados com a água, né?
E sobre explora a água também exaurindo os aquíferos subterrâneos, né?
Então nós vivemos uma civilização com um viés antropocêntrico, né, que coloca a água como um recurso a ser usado e abusado pela nossa espécie, né?
E a.
A proposta da hidrosofia, ela muda isso pra 11, viés mais hidrocêntrico, né?
Colocando a água no centro da nossa, da nossa preocupação e das nossas ações.
Então esse que foi OA essa que foi a motivação pra ter, vamos dizer assim, criado esse esse neologismo, né, que ainda não tem nos dicionários hidrosofia, mas que tem essa esse significado, né?
De.
Trazer questões que não sejam apenas intelectuais racionais, mas questões mais de ligação afetiva, emocional, espiritual, cultural com a água.
Pessoa 1
E dentro dessa caminhada, né?
Quando eu te ouço assim, pra mim vem.
Fica muito claro que isso realmente se trata de uma mudança de mentalidade, né?
Dessa.
Desse olhar da água enquanto recurso, né?
Enquanto algo utilitário pra pra essa água, enquanto esse esse ser precioso, né?
Esse, né, esse ser que garante aí toda, toda a vida na Terra assim, né, que é tão essencial na nossa no nosso bem viver nesse mundo, né?
E qual você percebe ser a.
Tipo os primeiros passos pra gente criar essa mudança de mentalidade, né, pra gente viver, sair desse antropocentrismo, pra gente ir pra esse hidrocentrismo.
A Importância da Hidroalfabetização para Reconectar com a Água
Olha, é, acho que a própria realidade atual já vai nos induzindo nessa direção, né, quando a gente fala hoje de mudanças climáticas, né?
AAOA grande substância que reage a variações de temperatura é a água, né?
Quando AA temperatura se eleva, ela evapora, quando a temperatura diminui, ela congela, quando esquenta um pouco também ela derrete o gelo, né?
Então, OA as mudanças climáticas que hoje a gente tá vivenciando aí no mundo inteiro, né?
Elas têm como um vetor.
Principal, a água, né?
A gente tá falando atualmente muito do super el ninho, que vem aí esse ano, né?
E que é o que que ele é?
No fundo é um super aquecimento das águas do pacífico e que tem repercussões sobre o clima em várias partes do mundo, inclusive aqui no Brasil também, né.
É trazendo mais seca, mais estiagens pro norte, pro nordeste e mais enchentes.
E é inundações.
No sul do país, então, a água é é esse elemento que está é pelo qual a natureza se manifesta pra nós, né?
Então, aprender a conviver com a água e aprender como se comporta esse ciclo da água é um primeiro passo, né?
Então isso eu chamo um pouco de hidroalfabetização, né?
Nós, cidadãos urbanos, principalmente.
Perdemos um pouco a conexão com esse ciclo geral da água, né?
O cidadão urbano, ele não sabe, ele abre uma torneira, não sabe de onde é que ela água veio, como é que Ela Foi tratada.
Quando a água some lá no ralo ou na descarga de um de um vaso sanitário, ele não sabe para onde ela vai.
É como é que ela vai ser tratada, se vai ser tratada ou não, né?
E o cidadão urbano, ele se tornou hidro alienado, né?
Ele só percebe trechos.
Muito é pequenos desse ciclo geral da água, né?
Diferentemente de outras populações, por exemplo, as populações ribeirinhas, as populações indígenas tradicionais, que precisam de pra sua própria sobrevivência, precisam de compreender melhor o ciclo da água.
Elas têm uma visão mais integral desse ciclo, né?
Mas nós nos tornamos os cidadãos urbanos.
Em grande parte ignorantes em relação a isso, né?
Então, o primeiro passo que eu vejo para caminhar em direção a uma civilização hidrocêntrica é esse processo de educação, de hidroalfabetização nós nos tornarmos mais conscientes do ciclo integral da água do que que significa um aquecimento de água lá no oceano pacífico ou no Atlântico?
E como é que isso repercute a nós que estamos aqui a milhares de quilômetros de distância, né?
Então, e inclusive conhecer também OOO ciclo da água fora do planeta, né?
Porque a água é o elemento principal quando se busca sinais de vida em qualquer corpo celeste, é encontrar sinais de existência de água.
A água tá presente na calda dos cometas, né?
No gelo da calda dos cometas, então.
Ela está no cosmos também.
É um elemento que está aí circulando pelo universo, não só aqui na no nosso planeta.
Então, acho que essa consciência e essa esse trabalho na linha da cultura e da educação é um primeiro passo, né?
E depois tem outros passos também que eu acho interessantes, mas a gente pode conversar em seguida.
Explorando a Relação Humana, Arte e Espiritualidade com a Água
É Maurício.
O que me me vem também, né?
Quando eu te ouço assim, né?
O que você?
Né?
Em síntese, me vem esse esse envolver se com a água, né?
E eu tô vendo que você tá aí na beira do Lago, né?
Do Paranoá.
E aí assim é dentro, né?
Da minha caminhada, né?
De nesse mergulho aí, nesse universo das águas.
Né?
Alguma informação sempre que me que sempre me chamou muita atenção.
Assim foi que se a gente permanece aí, sei lá, 15 minutos em contato com a água, não precisa nem ser dentro da água, mas só visualmente eu já afloro aí todos os meus hormônios relativos ao bem-estar, né?
Ocitocina, endorfina, dopamina, enfim, né?
E eu tenho.
Eu moro aqui numa cidade litorânea, né?
Moro em Itacaré, na Bahia, e eu tenho tido essa prática de de remar todas as manhãs e eu vejo que isso tem mudado assim absurdamente.
O meu dia, né?
De estar em contato com as águas, de estar é de estar aprendendo mais com elas.
Na prática assim, né?
E aí é.
Queria também saber um pouquinho de você, assim como como você percebe esse lugar dos seres humanos no mundo hoje?
Assim, porque a gente está afastados, né?
Não só dessa perceção racional, né?
Do ciclo da água, né, desse ser água.
Mas dessa presença em relação à água, né?
Nessa consciência do tipo, ao invés de você falando bastante disso assim, né, do tipo Ah, desde o momento, né, do copo de água que a gente bebe, né, do banho que a gente toma no alimento que a gente come, né?
Tudo isso, né, envolve esse elemento, envolve esse organismo.
E a gente tem muito pouca consciência sobre isso, né, sobre quanto a água ela tá.
Presente no nosso cotidiano 24 horas por dia, né?
E como que você percebe essa essa presença da água no cotidiano das pessoas, né?
Pessoa 2
Olha, tem.
Aí.
Acho que a arte nos ajuda muito, né?
AA, entender mais do ponto de vista mais sensível esses aspectos, né?
Tem uma frase do Guimarães Rosa.
Que eu gosto muito.
Ele fala assim, perto de muita água, tudo é feliz, né?
Então essa presença da água, né?
E a imersão na água também é 11, coisa que é sempre foi compreendida mais pelas artes, pelas tradições também religiosas e espirituais, por exemplo, os os vários rituais que existem na nas várias tradições religiosas.
No na Índia, por exemplo, que foi um país que eu vivi, que eu eu admiro muito aquela civilização, eles têm aquelas imersões no Rio ganges, nos rios sagrados, né?
A água é um elemento sagrado que eles é.
Valorizam ali, né?
É na própria tradição cristã também, né.
Tem o batismo, tem essas aquelas, os mitos, como o do dilúvio, por exemplo, né, nas tradições.
Afrodescendentes também, né?
Os vários deuses e deuses, iemanjá e outros que tem é essa relação da água como um ser sagrado, né?
É na tradição hindu, não só a água, mas também os bichos e as plantas são sacralizados, né?
Então a gente talvez recuperar um pouco esse, essa reverência e essa.
Concepção mas assim, de uma relação de cuidado e de sacralização com esses elementos é, me parece que é.
É muito importante, né?
Na tradição também da saúde, tem muita coisa que se relaciona com a água, como por exemplo, a cronoterapia, né?
As águas minerais que são buscadas aí pra tratamentos de saúde.
A hidromassagem, né?
Vários, várias práticas, é.
De de cuidar da saúde.
Tem a ver diretamente com as águas, né?
E eu acho que isso acaba tando presente na nossa, na nossa vida, de uma forma ou de outra.
Conheça o Livro 'Hidrosofia' e a Força dos Mutirões das Águas
E.
Pessoa 1
Aí, Maurício, é, não sei se essas informações, o que que queria saber um pouquinho mais do que que tá nesse livro assim, né?
Eu vi que você.
É, dividiu ele, né?
Organizou ele em várias partes assim, né?
Tem aí desde hidroética, artes, arquitetura, ambiente construído, educação assim, fala um pouquinho mais dessa publicação e como as pessoas podem ter acesso também, né?
É, trago isso também um pouco dentro desse lugar, assim que eu vejo que a gente tá num momento muito.
Propício, né?
Pra trazer esse tema de volta, né?
Assim pra trazer esse essa temática pra nossa vida, né?
Tanto em virtude desse nesse momento planetário, onde a gente tem vivido vários extremos climáticos, mas também dentro desse lugar onde atualmente várias publicações e vários documentários têm surgido pra trazer essa temática da água.
À tona, né?
A gente teve aí há pouco a publicação no livro chamado inteligência das águas, né, que foi uma tradução do livro do Victor chauberger, né?
O seu livro tem aí alguns documentários também.
Então eu gostaria que você trouxesse um pouquinho mais desse livro assim, do que que as pessoas vão encontrar e como elas podem ter acesso.
E mais do que isso, como elas podem.
Apoiar para que esse esse conhecimento, essa sabedoria da água pode é se espalhar, né?
Se transbordar para o mundo, né?
Pessoa 2
Olha, é o seguinte, o livro até tem um exemplar dele aqui, ó, é esse aqui, né?
Hidrosofia saberes sobre as águas.
Ele foi publicado por uma editora chamada imensa editorial.
Eles têm lá uma coleção chamada atravessamentos impossíveis, né?
É, é uma coleção que é publique livros que eles chamam assim de compensamento fora da caixa, vamos dizer assim, são pensamentos transversais, transdisciplinares, como o sirati, por exemplo, o centro de água EE transdisciplinaridade trabalha, né?
Então é o livro, é foi publicado por essa editora e ele.
É dedicado é ao aos meus netos, né?
Eu tenho 4 netos, eu, eu dediquei esse livro a eles e a geração deles também.
Eles tem hoje entre 8 e 12 anos de idade, e eu sei que na geração deles eles vão precisar.
As novas gerações vão precisar de ter um conhecimento e uma sabedoria muito grande de lidar com a água, né?
Nós, felizmente, a gente vê hoje.
Começando a acontecer isso que você falou, né?
Vários livros tratando desse assunto, vários filmes, né, várias manifestações.
Hoje em dia a gente liga Oo noticiário da TV e tem muita matéria sobre esses temas relacionados direto ou indiretamente com a água.
Então, de uma, de uma forma ou de outra, nós, os nossos conterrâneos aqui, os nossos contemporâneos, as pessoas que vivem nessa época, já estão.
Despertando pra importância desse tema.
Eu acho que esse livro aqui pode ser uma gotinha a mais nesse oceano aí de informações e de conhecimento sobre sobre esse assunto das águas.
E eu eu vejo como um assunto cada vez mais central, mais importante para as próximas gerações é conhecerem melhor e se relacionarem melhor com as águas, né?
Então eu procurei.
Nesse livro é tratar do tema em vários capítulos, né?
O primeiro deles é sobre hidroética, né?
A questão de 11 relacionamento ético com as águas, não apenas como 11, recurso que a gente pode usar a vontade e não ter mais cuidado com ele, mas um recurso que a gente precisa de entender como é que a água se comporta também, né?
A água.
Ela tem fluidez, ela tem transparência, ela contorna os obstáculos.
Ela tem toda uma maneira de se comportar que eu acho que pode nos ensinar muito para nós, seres humanos também.
É com aprender com esse, essa maneira como a água se comporta, né?
Ela é fluida.
Ela ela se transmuta de um estado para outro, de sólido, líquido, gasoso.
E também se fala do quarto estado da água hoje em dia, né?
Coloidal, então, assim, o primeiro capítulo, a primeira parte desse livro trata desses temas, tema da justiça das águas, né?
É, e outros assuntos relacionados com isso.
Depois tem uma parte sobre artes, né?
Exatamente nesse sentido de o conhecimento que está envolvido com a criatividade artística, né?
Os músicos, os cineastas, os é.
Artistas plásticos na dança, no teatro, né?
Cada tipo de atividade artística é reflete sobre a água, usando aqueles meios que os artistas têm para se expressar, né?
Eu, durante algum tempo dei um curso sobre cultura de paz e que eu é exercitava com os meus alunos.
O que eu chamei de hidrodrama, né?
São dramas relacionados com a questão da água.
Cada aluno assumia um papel dentro daquele daquele drama, né?
Um era Oo policial, o outro era o usuário da água que estava sendo sofrendo com uma poluição, o outro era o dono da empresa que poluía é, o outro era o agente do Ministério público.
Então cada um deles assumia um papel e montava um drama ali.
É coisa que os psicólogos fazem muito, né?
Os psicodramas, né?
Eu fazia isso com a água, com o tema da água, então era 11 pouco o uso do teatro, né, das artes cênicas, pra poder é tratar com esse assunto.
O terceiro capítulo, terceira parte do livro, fala sobre arquitetura e cidade, né?
Nós estamos aqui na beira do Lago Paranoá, que é um Lago que foi construído pelo ser humano, né?
Foi.
Um Barramento que houve aqui e que transformou todo o clima e a paisagem aqui na região de Brasília, né?
A na arquitetura tem muito isso, né?
Os os jardins, as o paisagismo.
O uso da água é de várias maneiras para poder amenizar EE, tornar mais agradável o ambiente.
E tem algumas culturas que tem uma sofisticação muito grande nisso, como por exemplo os japoneses, né?
Os jardins japoneses fazem um uso muito sofisticado da água, né?
E os japoneses, como eles vivem num arquipélago ali cercado de água por todos os lados, eles têm uma também, uma tradição de Harmonia na relação com as águas.
A gente pode aprender muito com a civilização japonesa.
E aí então é falo muito da questão da da água na arquitetura EE também.
Aproveitamento de água, de chuva.
Outros aspectos assim, mais práticos, né?
Dessa convivência com as águas.
E a terceira e o outro capítulo fala sobre ciência, né?
Então pega desde a questão da água no cosmos, né?
A origem da água na Terra, de onde que ela veio, né?
E também vários aspectos científicos que tem a ver com a água, a água virtual que está, que está embutido em todos os produtos que são.
É elaborados por nossa espécie.
É a pegada hídrica, que é um outro conceito também muito importante, né?
Pra verificar o quanto de água foi gasto.
Ou é gasto por uma cidade ou por uma pessoa, né?
Na Na linha do que se chama da pegada ecológica, né?
E também vários outros aspectos, tecnologias que que de dessalinização, tecnologias de fazer chover.
Né?
Então esse capítulo trata de 11 conjunto de temas que tem a ver mais com AA água como ciência, né?
Como h 2 o, como esse essa substância que nós utilizamos de várias maneiras.
E a última parte do livro é, ela fala sobre educação?
Exatamente, né?
Sobre a hidroalfabetização, sobre alguns exemplos de boas práticas.
De educação nas escolas relacionadas com a água, que colocam as crianças pra cuidar do Rio que passa ali ao lado da sua escola e a tomar consciência da importância dele, né?
Então fala da hidroalfabetização, fala da hidro alienação, né?
E então, basicamente o livro fala sobre isso, né?
Agora, AO foco dele não.
Não é apenas refletir sobre a água, mas também agir sobre a água, né?
E aí eu eu trabalho muito com a ideia dos mutirões, né?
Os mutirões das águas, né?
O as ações coletivas que podem ser é desenvolvidas pra poder despoluir um Rio que passa ao lado da sua casa ou da sua escola, no seu bairro, né?
A as ações coletivas, que podem ser feitas também virtualmente, hoje em dia.
Mutirões digitais, né?
Que podem acontecer, né?
Então são é a ideia de mutirão.
Ela Foi muito utilizada na cop 30, em Belém, quando houve aquele grande encontro lá sobre o clima, eles falaram dos mutirões do clima, né?
A necessidade de cada um.
Mutirão é uma tradição indígena brasileira e que é uma obra coletiva, né?
São várias pessoas que se unem em prol de um objetivo comum que beneficia a todos, né?
Então, no caso da cop 30, foi proposto isso, o mutirão do clima, pra poder dar conta dessa grande encrenca que nós estamos metidos hoje em dia.
A nossa civilização, com essas mudanças climáticas e os impactos é que ela tá trazendo pra vida de todo mundo e pra também pra economia e pra sociedade em geral.
Então a ideia é trazer essa ideia do mutirão para a questão das águas, né?
Além das ações individuais que cada um de nós pode fazer, AA importância das ações coletivas, né?
Então, em linhas gerais, eu dei assim, um resumo aí do que está contido nesse livro aqui hidrosofia, né?
Recomendações e a Mensagem Final: O Sonho da Era Hidrozófica
Poxa, que maravilha.
É, quero acessar ele em breve, né?
A gente tem aqui, né?
Na Na ecovilla onde eu vivo.
Aqui a gente tem um espaço.
Chamado templo das águas, né, que é o que é a sede do instituto somos água, né?
E é um é um, é um espaço que a gente está transformando, um museu vivo da água também, é um espaço todo bioconstruído, tem 7 níveis de água no telhado, né, tem um telhado de água, enfim, né.
E aí a gente já tem aí várias publicações relativas a esse tema, quero estar acessando, né, essa próxima, essa sua publicação também.
E aí, antes da gente terminar, também queria saber de você, que outras pessoas você curtiria ver nesse podcast aqui, né?
A gente sempre parte desse princípio de que as as gotas sozinhas se evaporam, mas quando a gente se junta, né?
A gente que consegue criar rios bem maiores, né?
De transformação e de né, de conexão e de Regeneração também, né?
Então a gente.
Ele vai podcast, vai, se vai se espalhando nesse lugar assim, né?
Uma gota que chama outra.
E quando a gente vê tem aí rios grandes, né?
Vai pensando em que que você gostaria de ter aí por perto também nessa caminhada?
E.
Pessoa 2
Aí eu já lembro de 2 pessoas que eu acho que fazem um bom trabalho sobre esse assunto.
Das águas uma é o Apolo Lisboa, de Belo Horizonte, com o projeto manuelzão, né?
É um projeto de recuperação do Rio das velhas, que é uma fluente do São Francisco, que passa lá por perto de Belo Horizonte, né?
Ele, acho que o projeto manuelzão é um projeto interessante.
Assim, que vale a pena é ser bem divulgado, né?
Um segundo projeto também, que eu gosto muito, é um projeto chamado esse Rio é meu.
É realizado no Rio de Janeiro pela Silvana Gontijo e pelo por uma ONG chamada planeta.com, né?
É que também é, é.
Eles fazem esse tipo de trabalho nas escolas com as crianças, mobilizando as crianças em todas as disciplinas, né?
No português, na matemática, na Geografia, na história.
A estudarem os rios que passam ali ao lado das escolas.
E a se mobilizarem em mutirões pra poder cuidar desse Rio.
Eles escrevem, aprendem a escrever e escrevem ofícios para as autoridades pedindo pra tomar.
É alguma providência em relação ao lixo, em relação ao esgoto, né?
Então, as crianças, ao mesmo tempo que aprendem, elas se tornam assim, ativistas pela água, né?
Acho que esse projeto é bem interessante também, de de ser melhor conhecido.
São 2 dos que eu lembro agora aqui.
Mas eu tendo outras lembranças, depois te falo.
Pessoa 1
Maravilha.
E aí pra gente ir finalizando, eu queria que você trouxesse aí uma síntese, né, um pouquinho trazendo né, essa síntese do que a gente conversou, mas já emendando aí nesse vamos lá nessa mensagem final pra quem está nos ouvindo assim, né?
O que que você considera o mais essencial pra que as pessoas?
É, se lembrem, né?
E pratiquem nessa caminhada de de amor pelas águas.
Pessoa 2
Olha, acho que essa tomada de consciência de cada um sobre a importância das águas na sua própria vida, né?
É um passo importante, né?
Outra coisa é essa busca pelo maior conhecimento sobre aspectos das águas que não seja apenas.
É técnicos, gerenciais, utilitários, mas também essa busca por conhecimentos da água, como 11 substância sagrada que precisa de ser cuidada com carinho.
É uma é 11.
Outro aspecto que eu acho importante, né?
AAA, no fundo, a meta do livro é uma espécie de um sonho.
É uma espécie de uma utopia, né?
É utopia que nós possamos evoluir de uma sociedade.
É antropocêntrica, né?
E hidrocida, né, que mata a água pra uma civilização hidrocêntrica, né?
Essa essa é uma utopia que pode ir sendo construída gota, gota, né?
Há uma outra utopia, maior ainda, talvez seja de inserir a questão da água na, no, na, na, na visão da evolução e da história natural, né?
A nossa história natural do planeta, ela passa por bilhões de anos.
E aí chega no momento em que surge a vida na era paleozóica, né?
A era bem antiga, quando surgiram os primeiros os elementos vivos na Terra, a era mesozóica, que é a era dos dinossauros, e a era senozoica, que é a era dos mamíferos.
Essa em que a gente está vivendo.
Nós estamos num estágio avançado dessa.
Era senozóica.
O que que vem depois dessa era senozóica?
Aí tem vários cenários possíveis, né?
Várias pessoas pensavam sobre isso.
Tem o, por exemplo, o Thomas Berry e o Brian swing falaram da era ecozoica, né?
Uma era em que a ecologia passe a ser o aspecto dominante.
Tem tem gente que fala da era tecnozoica, né?
Da era eremozoica, né?
Do dos seres humanos eremitas no espaço, ali, Na Na.
Nas viagens interplanetárias, né?
Tem gente que enfatiza o aspecto mais subjetivo, né?
A era subjetiva, como, por exemplo, se orobino fala dele disso aí, né?
EE, eu tenho assim imaginado, né, como uma utopia possível.
Uma era hidrozófica, né?
Uma era em que a gente passe a atuar com sabedoria em relação às áreas, né?
Então.
Isso pode ser um sonho, pode ser uma utopia de longo tempo pra se realizar, mas não custa a gente ter Liberdade de pensar e de imaginar essas coisas, né?
Então pensar, cosmicamente, agir localmente um pouco aquele aquela fala dos movimentos ecológicos lá da década de 70, a gente pode é resgatar, né?
Agir localmente.
Eu eu diria que é uma.
Pessoa 1
Utopia realizável, né?
Eu brinco muito com esse lugar de que é o meu grande sonho é é dominar o mundo com o cuidado das águas, né?
Com esse amor pelas águas, né?
Então acho que juntando, né, e intencionando e agindo nesse caminho, a gente consegue muito assim, né?
Somos.
Não somos poucos, somos muitos, mas estamos espalhados, né?
E as águas precisam se juntar.
Então queria.
Pessoa 2
Eu tenho toda solidariedade e a minha também concordância com essa essa esse sonho que você falou aí, né?
Estamos aí na caminhando pra isso, né?
Assim, acho que OA gente não pode deixar o sonho não acabou, né?
O sonho continua e aí vamos ver aí pra frente, pro bem dos das próximas gerações também, né?
Daquele lado que esse mundo nosso vai evoluir, né?
Então, agradeço aí.
Pessoa 1
Imensamente tua disponibilidade de né pra essa conversa, né?
Desejo aí que esse que esse livro aí se espalhe, né?
Que essa sabedoria das águas se espalhe pelo mundo, né?
Transborde e chegue onde tem que chegar.
E é isso.
Seguimos aí plantando e cultivando essa cultura aí de cuidado.
Grande abraço.
Agradeço eu que.
Pessoa 2
Agradeço aí, muito obrigado.
Podcast Summary
Key Points:
A consciência de que somos parte do ciclo da água é essencial, pois a água nos atravessa e permanece no ciclo mesmo após a morte.
Maurício Ribeiro tem uma trajetória profissional dedicada à gestão das águas, incluindo experiências em Belo Horizonte, Ministério do Meio Ambiente e Agência Nacional de Águas.
A lei de recursos hídricos no Brasil foca excessivamente na água como recurso econômico, negligenciando seu valor como patrimônio público.
A hidrosofia propõe uma abordagem mais integral e sábia, substituindo a visão antropocêntrica por uma hidrocêntrica, que coloca a água no centro das preocupações.
A hidroalfabetização é crucial para reconectar cidadãos urbanos com o ciclo da água, promovendo educação e cultura de cuidado.
A arte e tradições espirituais ajudam a resgatar a conexão sensível e afetiva com a água, como exemplificado por rituais e pela frase de Guimarães Rosa.
Summary:
O podcast "Somos Água" recebe Maurício Ribeiro, especialista em gestão hídrica, que discute a importância de reconhecer que somos parte do ciclo da água. Ele destaca que, ao contrário da visão tradicional do ciclo hídrico (precipitação, infiltração, evaporação), a espécie humana e os animais são frequentemente excluídos desse desenho. Maurício reflete sobre sua trajetória profissional, desde fotógrafo até arquiteto e gestor ambiental, incluindo experiências na prefeitura de Belo Horizonte e na Agência Nacional de Águas.
Ele critica a lei de recursos hídricos por focar na água como recurso econômico e por permitir que atores poderosos dominem os comitês de bacia. Para superar isso, propõe a hidrosofia, uma sabedoria que integra dados técnicos com aspectos afetivos, espirituais e culturais, promovendo uma civilização hidrocêntrica. A hidroalfabetização é vista como primeiro passo para educar cidadãos urbanos, que perderam a conexão com o ciclo da água.
Maurício também enfatiza o papel da arte e das tradições espirituais, como rituais de imersão, para resgatar essa relação sensível. Ele conclui que a água é o elemento central para enfrentar mudanças climáticas e que aprender a conviver com ela é fundamental para o bem-estar humano e planetário.
FAQs
A hidrosofia propõe integrar dados técnicos com sabedoria e afeto, priorizando a água no centro das decisões. No planejamento urbano, isso significa preservar fundos de vale, evitar a canalização de rios e adotar soluções baseadas na natureza, como áreas de infiltração e telhados verdes, para respeitar o ciclo natural da água.
Na bacia do Rio Verde Grande, a extração excessiva de água para irrigação ameaçava o abastecimento da população a jusante, gerando risco de violência. A solução paliativa foi limitar a extração para irrigação e liberar água para os usuários a jusante, mostrando que a gestão hídrica é uma gestão de conflitos e construção de paz.
Hidroalfabetização é o processo de educar a população urbana, que se tornou 'hidroalienada', sobre o ciclo integral da água, desde a origem até o destino. Nas escolas, pode ser implementada com visitas a estações de tratamento, projetos práticos de captação de água da chuva e discussões sobre os impactos das mudanças climáticas, como o El Niño.
A lei foca na água como recurso econômico, ignorando seu valor como patrimônio público, e os comitês de bacia são dominados por atores com mais poder, capturando decisões. Melhorias incluiriam incluir a água como bem comum a ser protegido e fortalecer a participação de comunidades tradicionais e minorias.
A arte, como a frase de Guimarães Rosa 'perto de muita água, tudo é feliz', e rituais espirituais, como imersões na Índia, despertam uma relação afetiva e sensível com a água. Elas nos lembram que a água é um elemento cósmico, presente em cometas e na busca por vida em outros planetas, promovendo cuidado e reverência.
A hidrologia trabalha com dados técnicos, como vazão de rios e precipitação, para gerar informações e conhecimento. A hidrosofia vai além, integrando esses dados com sabedoria, afeto e espiritualidade, para promover uma relação de cuidado com a água, em vez de apenas uso utilitário.
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