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Marta Calegari — quando mudar de país virou profissão

37m 41s

Marta Calegari — quando mudar de país virou profissão

Marta Calegare, psicóloga clínica brasileira, compartilha sua trajetória de migração para Barcelona, Espanha, motivada por um evento traumático: um tiroteio em uma floricultura no Brasil, em 2015. Esse episódio a levou a decidir experimentar viver fora, mesmo sem nunca ter idealizado isso. Ela já possuía cidadania portuguesa e uma carreira sólida, mas escolheu se aventurar em um pós-graduação em inteligência emocional na Universidade de Barcelona, enfrentando desafios como o idioma e o choque cultural sutil, que afetou até mesmo sua fala e autoestima. Sua experiência pessoal a levou a se especializar em psicologia intercultural, fundando a Wipcis, uma formação para psicólogos que atendem brasileiros no exterior. Marta destaca que o processo migratório é cíclico, não linear, e que fases como o isolamento social podem ocorrer em diferentes momentos da vida, mesmo após anos vivendo fora. Ela explica que o choque cultural é frequentemente personalizado e mal compreendido, gerando cansaço mental e emocional. Além disso, aborda a saudade como um sentimento multifacetado, que pode variar entre nostalgia, melancolia e luto, fazendo parte do chamado "luto migratório". Sua palestra enfatiza a importância de não acelerar a adaptação e de buscar suporte especializado para lidar com as complexidades emocionais da migração.

Transcription

6408 Words, 35707 Characters

Portuguese
Tem uma pergunta que eu quero tentar responder. Quem a gente vira quando recomece a vida longe de casa? Vai saber a encamosquera e a seu quem a gente vira. Onde eu converso com brasileiros que se inventaram vivendo fora pra entender o que muda na gente quando muda tudo ao redor. Vem comigo. Hoje, Marta Calegare. Cicola que foi morar na Espanha e a mudança mexeu tanto com ela que vira para o céu. A marca especialista em papel e agintiva completamente al. Trapea do esquema, tem posa inteligência emocional à pro Universidade de Barcelona e certificação do Härtmacht Institute. Que trabalha estresse, ansiedade e auto-fegulação. Fundou a Wipcis, uma formação de capacita psicólogo do brasileiro, sacudar de quem recomeçou longe de casa. Como ela mesma diz. A experiência de viver fora foi tão transformadora que vira a minha profissão. Comecei com a laje proposta. Ninguém me melhora pra abrir esse programa do que quem estuda na prática. Quem a gente vira quando vai embora. Marta, obrigada por estar aqui. Tá tão feliz. Daí eu também, tô muito feliz. Me sinto super honrada de estar aqui estreiaando contigo nesse momento tão especial. Vai ser uma honra e acho que a gente vai se divertir muito também, contando e compartilhando um pouquinho. Também um pouquinho mais de mim. Só daquilo que eu faço, mas acho que contando alguns. Tem quizinhos assim da minha vida pessoal também. Obrigada, tô super eliminada. Então vamos lá. Vamos lá. Quem amarta hoje? Ah, isso é uma pergunta complexa, né? [risos] Mas eu sou amarta, eu sou mãe da duda, sou casada com julhano, sou psicóloga clínica. Eu conto que eu sou brasileira de corpo e alma, mas que eu tenho muito uma coração dividido entre Brasil e Espanha. Ainda que obviamente hoje em dia, eu adoro viver aqui. E eu acho que Barcelona sempre ocupou um espaço muito importante assim no meu coração. Acho que foi a primeira grande conexão que eu tive com uma cidade que não fosse uma cidade do Brasil assim. E um pouquinho sobre mim, eu sou super intensa. Meu marido já diria isso. É muito profunda por natureza. Eu acho que sempre foi uma característica que eu tive. Eu amo estar com a minha família, adora a natureza. Não gosto de mosquitos. Então seu poder tá na natureza, na praia, sem mosquitos pra mim é um lugar ideal. Não é a toa que eu moro na praia. Felícia. E Marta me leva pra gente que você decidiu sair do Brasil. O que tá na conselho na tua vida naquele momento? O dia que eu resolvi sair do Brasil, na verdade, eu nunca fui uma pessoa que idealizava, que sonhava e mora fora, inclusive eu não. Eu escolhi por um tempo não ter essa experiência ainda que eu já tinha a cidadania portuguesa. As minhas irmãs tiveram uma experiência fora e eu escolhi que eu não queria ter. Eu achava um baita perreink. Esse era uma coisa mais. Mas quando foi em 2015, era primavera no Brasil, eu estava indo pra academia, eu evi uma florecultura. E eu adoro plantas, como já dá pra ver. E aí eu parei naquela florecultura, deu um tiro tem pra dentro da florecultura. As pessoas se jogaram todas no chão. E foi um momento muito traumático assim, porque nunca me imaginei naquela situação. Foi acho que um grande marco na minha vida assim, porque eu me lembro que eu saí de trás de um óvel e pensei, "Será que eu tô ferida?" "Será que eu vou morrer?" "Será que tem alguém morto aqui?" E aqui uma limia apavorou. Inclusive, meu carro estava na frente. Então, quando eu vi que eu estava bem, que as pessoas estavam bem, eu saí e vi que tipo assim. Eu não tinha acontecido nada, que meu carro não tinha acontecido nada comigo. Eu não tinha acontecido nada com ninguém. Não sei, com os vidros da florecultura e com grande trauma que as pessoas estavam vivendo. Então, aquele foi um dia que eu tomei a decisão de que eu não queria mais morar no Brasil. Naquela época, eu estava super bem na minha carreira. Eu trabalhava na verdade, eu já fazia alguns anos. Eu estava super bem, eu estava crescendo, eu estava me desenvolvendo, eu fazia o que eu gostava. Eu sentia que eu tinha muito reconhecimento. Mas eu também tinha uma vida um pouco difícil assim, eu saí a muito cedo, voltava muito tarde. E aí, naquele momento, eu tomei a decisão de que valia a pena fazer um experimento fora. Eu não tinha intenção de morar o resto da vida fora. Acho que o resto da vida é muito tempo para definir até hoje. Não me arrisco a dizer isso, mas era um experimento. Assim, eu queria restar. E aí, eu achei após a graduação Inteligencia Emissimocional na Universidade de Barcelona. E, claro, foram 8 meses de planejamento, de muitas economias. Porque, afinal de contos, eu estava fazendo um grande investimento na minha vida. Eu tinha um relacionamento muito longo naquela época, mas um relâsono é muito instável. E ele decidiu ficar e ficar indo durante esse tempo. Mas, a verdade, eu passei bastante tempo sozinha. Era exatamente esse ponto que eu estava quando resolvi migrar. Mata, depois de chegar na Espanha, você viveu tudo isso, depois foi estudar tudo isso. Então, que ponto que da tua história, esse virou profissão? Olha, eu acho que foi algo bem lento. Assim, eu não tinha muita clareza de que isso ia se tornar a minha profissão ainda aqui. Eu já era psicóloga. Eu já trabalhava com desenvolvimento de pessoas, sempre foi a minha área. Minha paixão dentro das empresas, assim. Eu sempre usei a psicologia, que foi a minha principal ferramenta de trabalho. E aí, com o tempo, claro, quando eu cheguei, eu sabia que eu não estava tão feliz trabalhando com a Erragá. Mas eu não tinha ideia de que aquilo poderia se tornar uma profissão. Mas eu estava com muitas dúvidas do que eu queria fazer. A única coisa que eu sabia naquele momento era que eu queria estudar inteligencial emocional e que eu queria questionar, entender-se realmente. Olha, eu já questionava e eu queria entender se eu realmente fazer sentido continuar trabalhando com a Erragá daquela forma. A minha transição de carreira foi algo muito lento, muito subtil. Eu queria me sentir segura, acho que todo mundo que faz uma transição de carreira, assim, quer essa segurança para trazer uma nova estabilidade. Mas eu sabia que não era algo que eu iria conseguir fazer assim tão rapidamente. Mas tem algo super macante, assim, que foi o meu primeiro dia de aula na facturidade, na Universidade de Barcelona. Foi a grande convite para eu começar a estudar o que estava acontecendo comigo. Eu cheguei na aula, quando eu contratei aquela posse, era. sei lá. 90% era em espanhol, 5% era em catalão e 5% era inglês. Então, tinha muito claro que eu ia falar em espanhol, ainda que meu espanhol era assim um caos. Então assim, já fui aqui, o início de que eu comecei tudo isso sem falar o em espanhol incrível. E aí quando eu cheguei no primeiro dia de aula, o professor que estava fazendo a aula de inauguração, apresentando, apresentando o curso, falou tudo em catalão. Não imaginava que o 5% de catalão viriam no primeiro dia de aula. E aí aquilo, assim, caiu como uma pedra em cima de mim. E eu comecei, acho que foi o primeiro contato que eu tive com o grande questionamento do processo migratório, que é "vou-to-não-vou-to"? O que eu fiz a minha vida? Eu tinha a sensação de que todas as pessoas que sabiam que eu tinha largado tudo, estavam sentadas numa arquibancada me olhando para ver se eu ia fracassar ou não. Sabia que muitas pessoas me apoiavam, mas que no fundo, no fundo, elas também se perguntavam "Será que isso vai dar certo?" Aquela coragem misturada com loucura, que muitas vezes, assim, nossa, que coragem a gente interpreta como o tá bom, entende isso? Não, é, na verdade, era uma grande loucura. Então assim, naquele momento, assim, eu vi aquela arquibancada, assim, na minha frente, pensei fracassê, não deu certo. Não vou conseguir sustentar meu plano. E aí sentou um colega meu do lado, que eu não conhecia, obviamente. E quando ele sentou de uma lado, ele perguntou em Catalan, "Seja, tinha uma apresentada muitas coisas." E eu, obviamente, não entendi o que ele me perguntou. E respondi em español daquele jeito super troncado, falei "olha, eu não falo Catalan, então eu não tenho nem ideia." Desculpa, não, eu consegui te responder. Eu acho que ele viu na minha cara assim que eu estava meio triste, né? Meu chocha. E aí o que aconteceu foi que ele rapidamente levam com a mão. Eu pensei "nossa, que exposição". "Vai eu milhar". Eu pensei "paro". Como você não bastasse, tudo que eu já imaginei agora. De fato, eu vou me sentir humilhado. E aí ele perguntou em español. "Tu sabe se as pessoas que estão aqui, falam Catalan?" E o professor disse assim "nossa, é verdade". E aí ele falou assim "ah, professor, a gente está numa pós-interingência emocional, acho que valeria". Até hoje eu agradeço para ele que eu tenho contato com os seus legas. Porque naquele momento, assim, o professor parou, como eu só falo em espanhol, foi super empático. E a maioria da turma era nos transgers. Então, assim, eu relaxei, aproveitei, passei um ano incrível. Mas ali foi o grande convite para eu entender que aquilo tudo que eu tinha construído, eu estava morando aqui, fazer um quatro meses, não ia ser bem assim. Então, eu fui aí que eu decidi voltar para terapia. Eu não encontrei na época ninguém, claro que foi antes da pandemia, então eu não encontrei ninguém que realmente fizesse esse atendimento especializado para pessoas que tinham migrado. E aí eu comecei a estudar por conta própria. E comecei a me apaixonar por assunto. Obviamente passa muito pela minha história. No primeiro momento, era para uso pessoal. Eu não imaginava que aquilo podia virar minha profissão. Eu só queria entender porque eu tinha um currículo que precisava bancar aquilo. Então, a psicóloga, eu entendi, eu não sou eu, e vou fazer uma pós-gradoção inteligência emocional. E hoje eu tinha muitos anos de experiência lidando com a parte de desenvolvimento de pessoas e tal, e para mim era muito assustador me ver naquele lugar. Eu sentia que eu tinha ferramentas, mas que eu não consegui. e a usar elas porque tinha uma série de coisas que estava acontecendo comigo, que não estava entendendo, não estava no meu script inicial. E assim, muito mais flow, afinal de quando estava morando na Europa, meio que passando um ano sabático, né? Então, não combinava com aquilo tudo que eu tinha construído. Foram anos construindo uma transição de carreira sustentável, assim. Então, a virada de chave foi bem aos poucos, tanto é que eu somei duas carreiras por um bom tempo, para como se ligar internamente, transitar entre elas duas, assim. E agora, a gente entra um pouco no bloco, marca psicóloga. Você acompanha muitos brasileiros que recorrem que recomeçam aqui fora, né? E o que todo mundo passa e acha que não é com ele? Eu acho que hoje em dia, a gente tem mais conhecimento, tem nas redes sociais. A gente está mais em contato com o que significa um pouco mais o processo migratório, mas eu gosto de dizer que a experiência e ela é. A gente é em capacas de antecipar qualquer tipo de experiência. A ansiedade tenta, mas ela não consegue antecipar de fato o que é uma boa experiência e o que que a experiência não pode proporcionar. Então, eu acho que o choque cultural ainda é, para mim, o grande ponto, porque a gente entende choque cultural, como sendo aquela coisa muito gritante, muito escancarada, mas o choque cultural é uma coisa muito mais sutil do que a gente imagine. Então, por exemplo, assim, até postei nas redes sociais a pouco tempo, quando cheguei aqui, me duía boca falando espanhol. Ninguém nunca tinha me falando que o corpo muda, que o posicionamento da minha língua, da minha boca, que aquilo é a medadora de cabeça. Era muito ruim conviver com aquilo sem entender. Eu acho que a sutilesa do choque cultural ainda é algo que a gente desconhece, porque a gente personaliza ele, né, é comigo isso. Não é com todas as pessoas. E aí, quando a gente vai convivendo e vai compartilhando um pouco mais isso, a gente vai entendendo que está nas pequenas coisas, né, que está nas sutilesa de um olhar, de uma interpretação, de algo que a gente não consegue interpretar totalmente, de achar que a gente não está entendendo as coisas, de que a gente não está entendendo a cultura, assim. No geral, os processos psicológicos, eles são muito solitários. Não é ruim. A arte da vida, né, a gente vive em primeira pessoa e a gente sempre vai viver em primeira pessoa, ainda que o coletivo tende nos dizer o que quiser dizer. O choque cultural é na fase e tal, no mês e tal. Não é pra todo mundo. Depois a gente vai falar um pouquinho mais sobre isso, assim. Então, que ainda tem umas questões assim, como parece que a gente não tem tanto espaço, ainda que tenha tenha tanta informação no mercado, a gente ainda não tem tanto espaço para esse nível de vulnerabilidade. Eu senti isso, assim. Eu não tinha espaço para dizer que o Arabes Cóloga, que eu estava estudando Inteligência Emocional e de dizer se a gente estou perdidíssima, e não tem nada. Isso daqui saiu como é pra mente do meu plano. E sem que viersem aquelas típicas perguntas, assim, que eu não tinha menor de ed, como responder a maioria das perguntas que me faziam. Eu acho que a gente se dá conta, né, de que o idioma interfere, na forma como a gente se apresenta pra vida, pra as pessoas. É lógico que isso vai interferir na nossa autoestima. É inevitável. Então eu acho que isso tudo fala sobre o choque cultural, da um cansaço enorme, né? Um estresse emocional muito grande, assim. Cortes ovos lá em cima e a gente fica super impervegilante. E tudo está meio que dando errado. Tudo a gente está meio postos, né? Pra verificar se está dando certo se não está a dor de projetos, caso, sabe? Concordo, oportunamente. Nesta fase de espatriação, tem alguma fase comum que pega todo mundo de surpresa? E qual é essa fase? Eu acho que ainda tem. Que pra mim assim é o isolamento. Assim o isolamento pode acontecer de muitas formas. O isolamento social é o metapa do processo migratório e pode acontecer de diferentes maneiras no sentido de que. Porque vem muito com uma comparação, né? E vem junto uma série de pensamentos que acompanham e que trazem esse comportamento de isolamento. Então, por exemplo, uma pessoa pode, né, ser espatriar, migrar, e não querer conviver tanto com as pessoas no Brasil, né? De precisar fazer um certo corte nessa relação por que, de uma forma ou de outra, explicar essas coisas que eu falei antes, realmente é tão difícil dizer que não está dando certo sem questionar se volta. O civilmente, esse é um questionamento recorrente ainda que, às vezes, com sofrimento e sem sofrimento. Não quer dizer que a pergunta vem e sempre ela vem carregada de uma carga emocional. Mas, às vezes, ela só vem a pergunta. E, às vezes, a gente consegue responder e, às vezes, a gente não consegue. O isolamento social pode vir relacionado ao Brasil. Pode vir relacionado ao país de escolha. Pode vir relacionado ao ambos. A questão do isolamento social vem muito porque é cansativo. É uma carga mental, é uma carga emocional. A gente cansa de falar outro idioma, cansa de pensar de querer sentir não sentindo idioma. Até que começa a sentir a nossa hiperesigência. Também contribui para que a gente não se sinta performando e escolha muitas vezes se isolar. Tem aqui algo que pode se assemelhar até uma questão mais depressiva. Nem sempre, nem sentomas depressivos. Muitas vezes é um metapa do processo migratório. E por isso que eu construí também, junto com a Laura, a poter que me socia a web cis, porque o que eu vejo é que muitas vezes a interpretação de psicólogos que não conhecem e psicologia intercultural é de que aquilo é um sentoma depressivo. Porque se assemelha menos energia mais cansado, um esgotamento emocional, se assemelha muito ao início de burnout. Mas isso tudo tem a ver com os sinais do processo de adaptação. O que a gente não pode fazer? Queria acelerar a adaptação. Não dá. Queria acelerar a adaptação é só um fator anseogênico. Dá mais intensidade para ancêdade. Então a gente precisa entender aquele momento, explicar, a gente fala muito em psicóeduca. É uma etapa do processo migratório. O que a gente precisa fazer? Muitas vezes acionar o nosso comportamento para como o seguinte entender. E como o seguinte, encontra formas de aos poucos e saindo disso. O que não quer dizer que essa etapa acontece só no início do processo migratório. Ela acontece em vários momentos. Mesmo que a pessoa mora em 20, 30, 40 anos. Eu acho que isso é algo que ainda não se fala tanto. Mas que seria importante porque enfim é uma etapa e assustas pessoas. A gente fica assustado quando se vê, se isolando um pouco. Marta, na nossa prévia, você me falou que essa jornada emocional não é uma linha reta, ela é cíclica. Com você mesmo me desagora, pode durar 20, 20, 3 anos da vida toda. Me explica como é que funciona esse? Eu vou fazer uma relação entre o processo de luto com o que eu construí. É, é, essa etapa é emocionais. Todos os estudos de luto, principalmente os mais antigos, definiam que a gente viviu o luto de uma forma muito linha reta. Essa etapa, dentro de essa etapa, e a gente ia dizendo assim, "Uô, a pessoa não passou por essa etapa, o que será que aconteceu, como é que ajuda ela a entender essa etapa?" Até que se redesenhou, se reentender, se estudou novamente o processo do luto. E se entendeu que o processo do luto, ele é cíclico. A gente não precisa passar categoricamente por todas as fases naquela estrutura, mas é importante que em algum momento a gente passa por alguma naquelas etapas. E a mesma coisa acontece com o processo migratório. E ao longo desses anos, o que eu fui fazendo, foi desenvolver essa regua, o que acontece é, quando a gente migra, a gente sente e entra em contato com algumas coisas, mas cada vez que a gente muda de etapa da vida, a gente volta para as etapas e outros. Vou dar um exemplo, maternidade, algo que nós duas vivemos de formas diferentes, assim, porque tu teve a livre ja na Holanda e eu tive a duda Brasil. Então quando cheguei, tinha um vocabular com um teneio e ideia. Como é que eu explica tudo aqui? Eu já tinha morado fora, porque eu não contei ainda, mas eu voltei para o Brasil depois da minha posse, depois retornei já casada com o juliano e já com a duda. E então você já tinha uma experiência de um ano e meio morando fora. Eu já achava que tinha vocêado. Eu conto de muitas coisas, só relembrar. E antes eu não tinha filha. A maternidade me fez voltar etapas, porque a minha insegurança era proporcional a insegurança que eu sentia quando eu cheguei. Eu já tinha passado daquela fase do cansaço mental e tal. Para mim eu já falava espanhol, já era fluente, então eu já tinha passado ali. Só que eu voltei, porque eu tive que repreder todo um vocabular. Quando a gente começa um novo trabalho, quando a gente começa a trabalhar internacionalmente, é com outros países, por mais que seja uma pessoa que tenha um conhecimento mais internacional. É completamente diferente trabalhar com outros países. Então eventualmente a gente volta as etapas para revisitar elas e aí conseguia evoluindo nelas de novo. E é muito legal, assim, porque quando eu compartilho essa regua, quando eu sinto que a pessoa precisa de um suporte mais técnico e mais visual, eu compartilho essa regua que eu construí. Pessoas assim, "nossa, que bom!" Eu adorei. Eu que adoro em uma ferramenta e uma estrutura adorei. E eu queria falar agora de saudade, que é o sentimento bem presente nesse processo. E o que é, de verdade, do ponto de vista de tempo? psicológica. O que ele faz com a gente? Ah, é a saudade linda, né? Às vezes ela dói, né? Mas assim, saudade, só essa palavra, realmente o mundo tem que conhecer essa palavra, porque ainda que as pessoas nunca vão conseguir sentir o que a gente sente quando fala sobre saudade. Mas a saudade é um misto de sentimento, depende muito de que saudade a gente está falando. Saudade melancólica, nostálgica, né? Às vezes é uma saudade triste, uma saudade mais do luto, do luto da morte, por exemplo. Mas o luto migratório também existe, a gente sabe disso. Ela mexe com tantas coisas, mas acho que tem uma coisa que é a saudade e ela não pede perguntas. Ela não é sobre voltar, sobre si você está feliz. Ela pede carinho, troca, pede contato, conexão. Quando a gente sente saudade, pega uma foto de alguém que a gente gosta. Quando a gente relembra uma história, saudade, ela só quer se conectar. Ela não quer responder nada, não tem essa necessidade na saudade. Ela quer lembrar, ela quer, por o afeto. E a gente só consegue dar conta da saudade quando a gente entra em contato com ela. Então, pode ser através de lágrimas, de um carinho, de um sorriso, de uma gargalhada, de uma mensagem nos nossos casos, de uma mensagem de carinho de dizer, "Olha, lembrei de ti, isso por si só." É um fator lindo de conexão. Quando eu falo que a saudade precisa se manifestar, é porque muitas vezes ela vem carregada das nossas crianças, dos nossos esquemas mentais, e fazem com que a gente não consiga expressar aquela saudade. Uma forma como a gente gostaria. E muitas vezes a gente não consegue nem reconhecer que aquilo é saudade, e aí ela acaba se manifestando de outras formas. Sabe como uma falta? Porque ela é profuma. E. E aí, não é algo que a gente precisa. Só que muitas vezes, dependendo da história de vida, como foram feitos os vínculos, parece que não tem tanto espaço para a gente demonstrar a saudade. Para a minha saudade ela é essencial, para a gente querer se livrar dela, não. Ah, você tem muita. E o meu abraço me prenda pra você sobre o padrão. Então, eu imagino que deve ter um padrão, das pessoas que mais sofrem, mais foressem. E conta como teoriares psicóloga, o que você vê? Sabe que existe? E eu acho que muitas vezes esse padrão não está só no processo migratório, mas está na forma como a gente lida com as questões emocionais e com a vida. Eu achei linda essa tua pergunta, porque eu acho que florecer é uma parte das etapas emocionais. A gente precisa dela, a gente precisa, porque ela transmite estabilidade. Quem não quer? Eu avante a mão, quem não quer que daí eu. Como a pessoa que eu sou a pessoa para entender, o que isso significa para ela, sabe? Também tem a ver com isso. É só que, de fato, tem algumas pessoas que ficam muito racionais. Isso é uma característica do processo migratório. A gente sabe que é difícil. A gente sabe que comunicar uma saudade muitas vezes dóem quem não está com a gente. Firmando de contas, vamos nós que escolhemos essa vida. Essas vezes, uma saudade que injusto comigo. Eu também toi. O que eu faço com isso? Não é fácil. É duro. É difícil. Só que se a gente investe nessa racionalidade, a gente fica inflexíveis. E as nossas emoções, elas precisam se manifestar e a gente precisa dar flexibilidade para as nossas emoções, para a nossa co-ignição e para o nosso comportamento. Esse seria o nosso lado mais saudável. Entender que o nosso racional é extremamente importante. É inevitável a usar dele para infinitas coisas. Mas tem um limite. E eu acho que saber que o nosso lado racionado tem, um limite, ajuda que a gente conhece e enfrentar as coisas por uma perspectiva não só positiva, tóxico, mas para encontrar soluções, para encontrar caminhos emocionais, encontrar formas de lidar com aquilo. Se sentir capaz de lidar com suas próprias emoções. Eu acho que uma das formas, ainda acho que ela é mal vista. Vamos ver se alguém se manifesta aqui com o teu podcast para nos contar um pouquinho ou se você não pediu para o povo, para se fazer um pouco. Porque acho que isso ajuda a interpretar um pouco mais. A regulação emocional ainda não é uma coisa bem vista, porque ainda a gente tenta controlar as emoções. Mas eu quero romper com algo muito importante. Controlar as emoções é intensificar as emoções. Ou seja, dá errado. Bara que pra mim, se te não é um caminho saudável. O que a gente faz quando a gente controla? A gente intensifica elas. Quando a gente regula elas, é que a gente entra em contato com as emoções. Entrar em contato com as emoções dá medo, claro que dá. Mas eu não é um emoção. Ela não é uma ação. A gente justamente tem que cuidar dela para ela não virar uma ação de escontrôlada. Mas a gente ficou contando o medo de entrar em contato com elas que a gente quer eliminar e eliminar para intensificação dela. Não dá. De fato. E eu vejo muito isso acontecendo. Mas eu não quero sentir isso. Mas isso não é uma escolha. Pra sentindo. E faz parte. Só esse. Mas eu estou sentindo e algo que estou sentindo. Já é uma forma de acolhimento. Quando a gente desce, mas a colher essa emoção, o que significa? É isso. É a emoção que tem para o momento. Faz parte. Antes de entrar aqui, eu estava super nervosa. Por que? Porque é a primeira vez que eu estou na segunda. A primeira vez já faz bastante tempo. Que eu estou não pode caçar. Então assim, não é algo comum para mim. Faz parte aquela emoção. Que delícia pode aprender com isso. Mas claro, a emoção da ansiedade de fazer errado, de fazer mal, ela também entra. E é ok. Se fizer mal, a gente tem recursos tecnológicos para isso. A gente vai fazer errado. Em vários momentos. Então eu acho que a gente precisa de flexibilidade para lidar com a diversidade e com a adaptação. A gente precisa disso para fazer as mudanças internas que a gente precisa para conseguir chegar onde a gente precisa. De fato, o caminho é mais importante. Por que nos ajuda a chegar no estado que a gente quer. Então a gente chega num resultado aleatório. Acho que não é o que a maioria gostaria. Adorei. Pessoa prescente. E para a gente se faz esse bloco. Quem está ouvindo isso no meio da travessia, no meio do tribilhão. O que ajuda de verdade? Além de acolher as emoções. Eu acho que o meu recado vai para as pessoas que ainda não embarcaram. Então a natravescia, assim, porque já tomaram uma decisão. O meio da travessia depende de cada um, assim. Mas eu ainda acho que as pessoas que não embarcaram têm uma possibilidade de investir nessa pré mudança que é parte das etapas emocionais do processo migrato. Porque eu desenhei, defini como ser uma fermenta de trabalho. Ainda é um movimento muito baixo das pessoas que buscam a terapia nessa pré mudança. Porque, enfim, a gente sabe que é um momento delicado de muitas despedidas, de uma tomada de decisão muito importante. De muitos encontros tem muita demanda racional nessa hora. Da tempo, aparentemente parece que não dá. Mas essa conta vem em algum momento. Não é para todo mundo, que vem. Mas de uma forma ou de outra essa conta, em alguma situação, ela aparece. Então, o grande recado que eu daria para as pessoas que ainda não embarcaram é de investir no alto conhecimento. Não é uma mudança fácil, não é uma mudança qualquer. Toda mudança, quem olha de fora, pensa que foi uma linha reta. Ah, do nada, a pessoa disse "Vol" não dá. Mas, nenhuma mudança, se a gente for internamente cada um de nós que está ouvindo o topo de teste, pensar em qualquer mudança que tomou na sua vida, nenhuma foi uma linha reta. A gente dá muitas curvas, só que elas estão todas aqui dentro. Algumas vezes a gente compartilha, mas na grande maioria ela está interna. Se nenhuma mudança grande é fácil, porque essa seria. Então, se a gente investe em alto conhecimento, a chance de a gente conseguir responder a pergunta anterior do Florecer de uma outra forma com o acompanhamento. E eu sei que a terapia ela ainda é algo do mundo dos privilégios. Infelizmente. Mas dá para investir, dá para o vi o topo de teste, dá para o vi outros, dá para conversar com alguém, dá para participar de um grupo terapêutico. Para investir nesse alto conhecimento, e aí de novo, a cidade tenta ter tanta essa fase de experiência, mas as experiências elas são únicas. E quando a gente está na experiência, a gente sente o tamanho da bagunça que às vezes acontece. Então, eu colocaria assim nessa bagagem esse alto cuidado, esse carinho que a gente consegue entregar para a gente mesmo quando investe no processo terapêutico, porque a gente está investindo na gente mesmo, a gente está investindo no plano. Para mim, o processo migratório tem três grandes pilares. Pilar financeiro é muito importante. O pilar opcional é muito importante, mas o que dá sustentação pro plano é o emocional. Eu já vi gente com muito dinheiro não conseguindo continuar investindo. Eu já vi gente profissionalmente muito bem estabelecido, não conseguindo ir para a frente. Mas eu já vi muita gente que não tinha nenhum desses dois indo para a frente, porque estava emocionalmente preparando para tudo que viria. Não para tudo, mas estava se preparando enquanto estava vivendo o caminho. Dá para investir nos três, da forma que consegui. Mas eu acho que não. Na bagagem, a gente leva toda a nossa história de vida, todos os nossos padrões emocionais, desadaptativos, aqueles que não funcionam muito bem. A gente leva todo o funcionamento da nossa família, a gente leva todos os nossos padrões de comportamento. E isso tudo não vai embora, vai no bagagem, e vai se transformar. A terapia é a grande colchão para que a gente ajude a que tudo isso fique um pouquinho mais confortável. Você já prepara ação para esse processo, na preparação emocional. Muito legal. E Marita, quero voltar agora um pouco para a tua história. Eu acredito que todo o recomeço, ele cobra um preço. Qual foi o seu de recomeçar a vida fora e recomeçar essa carreira? Olha, eu acho que tem vários, acho que eu consigo reconhecer alguns preços que eu tive que pagar. Acho que o principal foram dos relacionamentos com as pessoas do Brasil. Acho que esse é um preço duro de pagar. Tras muitas saudades, então, principalmente com a família, e a adulta agora com 7 anos já tem nos perguntado, isso eu conto para amigos próximos que quem enfrentou essa primeira pergunta foi Juliano. Que foi qual? Por que a gente não vai falar? Porque eu tenho que viver longe dos meus avós. Porque eu só não tenho os avós todos os dias por perto. Por que de fato, ela vê os avós e os avós dos coleginhas buscando a escola. E a gente até tem isso quando a nossa família está aqui. Ainda é fazer um parentes importante essa é a nossa história também. Ainda que a adulta veja essa realidade através dos colegas dela, de fato a adulta nunca viveu essa experiência na íntegra. Como nós quem teve essa presença familiar mais próxima, e eu, Juliano, a gente teve a voz próximos. A gente teve, eu acho que tenha uma pitada maior, de dor, do tipo, não estou proporcionando para ela algo que fez muito sentido para mim. Mas é difícil manter as relações vivas. É difícil manter uma proximidade tão intensa nas relações com o Brasil, ou, afinal de contas, a gente também convive com os fuzorários, com a rotina das pessoas, com o filho pequeno, também acaba atropalhando muito, a gente não consegue se relacionar tanto de noite porque tem que fazer dormir. Então, ainda que a gente abre essasções muitas vezes. Então, é algo que eu acho que é um preço meio incalculável assim. Mas com o preço duro. É exatamente assim. Mas sabe que com o passar do teio, assim, eu fui entendendo, que ainda que seja um mador, ela faz parte das nossas escolhas conscientes. Eu sinto ela reconheço ela, a colha, a minha da duda, às vezes é duro, choro, e choramos juntos. Mas é uma escolha, que eu acho que os julhanos explicou para a duda. Hoje é a escolha que a gente está fazendo. E faz parte da nossa história. E casa para você? Um doje lugar que, onde vocês consideram como casa? Hoje, minha casa é o julhano e a duda. A minha casa já foi Barcelona, não redei o preço. Quando eu conheci o julhano, disse para ele assim, eu tenho um lugar que eu vou morar e não estou negociando a essa parte. Então, acho que, aquele momento, eu poderia chamar de casa Barcelona. Mas hoje, a minha casa é a julhana e duda, onde eles tiverem autôpicos. Assim, a gente, todos juntos, acho que a gente dá conta, sabe? E os trezes, sim. E para a gente fechar, e quer dizer, é a pergunta que dá na minha programa. Quem é a pessoa que você virou, viveu andufora, e ela teria existido se você estiver lá. Eu aprendi muitas coisas assim, e acho que não foram um aprendizado que vieram com tanta sutileza. Eu aprendi que a gente consegue ter vínculos profundos sem falar algo idioma nativo. Tem belíssimos amigos aqui, catalanzi, e vamos te paixão. São pessoas que quer levar para a raza da minha vida sem nenhuma dúvida. Mas eu também aprendi que a distância é uma escolha. E que não necessariamente ela é um rompimento. Algo que não é fácil da gente lidar. Não é algo constante na minha vida que eu consigo falar com as minhas amigas do Brasil, que eu também é muito paixão. Esses dias eu mandei um fidezinho para elas e a gente se emocionou muito. Foi um momento de muitas lembranças, porque tem muito carinho ali, tem muita história, mas não tem mais petanto como o vível. Eu acho que não rompe com essas amizades ou aceitar que a distância não faz com que a gente perca as coisas. E acho que a vida adulta também tem esse ensinamento. A gente acha que no Brasil está todo mundo se encontrando, mas não é bem assim. Todas as minhas amigas me dizem isso. É que bom quando tu venhas a gente se encontrando todo mundo, eu falava vocês não se encontram sempre e aos. Não. Isso vai ser uma fantasia também, né? O que tem acontecendo em troado? Os nossos monstros, nossa mentiras internas que a gente vai construindo. Mas eu aprendi que o medo não é uma barreira, assim, que é um grande conselheiro, sabe? Não dá pra gente desinvestir no medo, porque ele dá bellíssimos recados pra gente ter cuidado com as coisas. Mas hoje em dia aprendi a entender em que momentos o medo quer tomar decisões por mim. E a gente tem que ter a pia. Não é porque eu sou psicóloga, não é porque eu estudo isso constantemente, não é porque eu trato disso com pessoas que eu vou conseguir aplicar 100% comigo. Eu também me re-exupirado. E eu invisto muito nisso. Quando tá tudo bem, a terapia continua. E justamente para que eu aprenda constantemente a lidar com as adversidades que eu vou encontrar na minha vida. Teto esse cuidado comigo, né, e ter voltado pra terapia lá em 2015. E não ter parado. Eu estou pedando as minhas emoções também. Eu acho que eu cuido pra o meu medo não ser protagonista nas minhas decisões, pra de ser esse grande conselheiro, pra que eu consiga responder as perguntas difíceis da duda, pra eu consiga lidar com o medo de, às vezes, não pertencer, com o medo de, às vezes, não agradar. E que vão fazer essas coisas no fazer parte da vida. Mata, e pra quem quiser achar e conhecer seu trabalho? Não, não é que as pessoas já acham. Me acham no Instagram, concentrei tudo ali, não uso outras plataformas alhemas, uso mais de forma pessoal, né, profissionalmente eu estou no Instagram, no MartaCaliGari.psi. E não o ipsis também, pra quem tem interesse em conhecer um pouco mais sobre essa formação de psicologia internacional, intercultural, também pode aproveitar um pouquinho dos conteúdos que a gente coloca ali. Mas eu estou principalmente no MartaCaliGari.psi. Mata, foi mal onda, em um prazer, ter você aqui no primeiro episódio do quem a gente vira. Estou muito feliz de poder compartilhar essa nossa conversa com um amigo, família, e quem sabe colocar a palavra longe, pra quem está passando a plaza pra vestir. Obrigada mesmo. Obrigada, Tinha, eu realmente vi isso, foi emocionada com convite. E eu vou continuar escutando os próximos episódios, né, desejando que tenha vida longa e feliz esse projeto tão bonito. E que entrega tanto pras pessoas. Obrigada, Viu. Obrigada. Um beijo grande. Obrigada pra ficar até aqui. Essa conversa mexeu com você. Manda praquele brasileiro que você conhece que também recomeçou lá fora. Encontro no Instagram @biancamosquera e por lá que eu sigo essas histórias. Até a próxima.

Podcast Summary

Key Points:

  1. Marta Calegare é psicóloga clínica brasileira que migrou para Barcelona, na Espanha, após um evento traumático (um tiroteio em uma floricultura no Brasil).
  2. A experiência migratória a levou a estudar inteligência emocional e a se especializar em psicologia intercultural, fundando a Wipcis, uma formação para psicólogos que atendem brasileiros no exterior.
  3. O choque cultural é mais sutil do que se imagina, afetando o corpo, o idioma, a autoestima e a percepção de si mesmo.
  4. O isolamento social é uma fase comum no processo migratório, podendo ocorrer em diferentes momentos, mesmo após anos vivendo fora, e não deve ser confundido com depressão ou burnout.
  5. A jornada emocional do migrante é cíclica, não linear, e pode ser revisitada em diferentes fases da vida, como maternidade, novos trabalhos ou mudanças.
  6. A saudade é um sentimento complexo, que varia entre melancolia, nostalgia e luto, e faz parte do chamado "luto migratório".

Summary:

Marta Calegare, psicóloga clínica brasileira, compartilha sua trajetória de migração para Barcelona, Espanha, motivada por um evento traumático: um tiroteio em uma floricultura no Brasil, em 2015. Esse episódio a levou a decidir experimentar viver fora, mesmo sem nunca ter idealizado isso. Ela já possuía cidadania portuguesa e uma carreira sólida, mas escolheu se aventurar em um pós-graduação em inteligência emocional na Universidade de Barcelona, enfrentando desafios como o idioma e o choque cultural sutil, que afetou até mesmo sua fala e autoestima.

Sua experiência pessoal a levou a se especializar em psicologia intercultural, fundando a Wipcis, uma formação para psicólogos que atendem brasileiros no exterior. Marta destaca que o processo migratório é cíclico, não linear, e que fases como o isolamento social podem ocorrer em diferentes momentos da vida, mesmo após anos vivendo fora. Ela explica que o choque cultural é frequentemente personalizado e mal compreendido, gerando cansaço mental e emocional.

Além disso, aborda a saudade como um sentimento multifacetado, que pode variar entre nostalgia, melancolia e luto, fazendo parte do chamado "luto migratório". Sua palestra enfatiza a importância de não acelerar a adaptação e de buscar suporte especializado para lidar com as complexidades emocionais da migração.

FAQs

Marta Calegare é uma psicóloga clínica brasileira que mora na Espanha. Ela é especialista em inteligência emocional, estresse, ansiedade e autorregulação, e fundou a Wipcis, uma formação que capacita psicólogos a atenderem brasileiros que recomeçaram a vida longe de casa.

Marta decidiu sair do Brasil após vivenciar um tiroteio em uma floricultura, que foi um momento traumático. Isso a fez repensar sua vida e optar por fazer um experimento de morar fora, mesmo sem ter idealizado isso antes.

A transição foi lenta e gradual. Marta começou a estudar inteligência emocional para se entender, voltou à terapia e, ao perceber a falta de atendimento especializado para migrantes, se apaixonou pelo assunto e criou a Wipcis, unindo sua experiência pessoal à prática clínica.

O choque cultural vai além do óbvio e se manifesta em pequenas coisas, como mudanças no corpo, na fala e na interpretação de gestos. Ele é frequentemente personalizado, fazendo a pessoa sentir que é um problema individual, quando na verdade é parte do processo migratório.

O isolamento social é uma fase comum que surpreende, pois vem com comparações e pensamentos que levam ao afastamento, tanto de pessoas do Brasil quanto do novo país. Ele é cansativo e pode se parecer com sintomas depressivos, mas muitas vezes é apenas uma etapa da adaptação.

Assim como o luto, o processo migratório é cíclico: a pessoa revisita fases antigas em diferentes etapas da vida, como a maternidade ou um novo trabalho. Isso significa que não se supera tudo de uma vez, mas se evolui em espiral, revisitando e superando fases novamente.

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