O episódio aborda a rejeição como uma das feridas emocionais mais dolorosas, comparável à dor física, e explora suas origens psíquicas desde a infância, quando a criança perde o lugar de centro do universo no complexo de Édipo. Essa experiência inicial pode gerar um "complexo de rejeição", que leva o sujeito a repetir padrões de abandono e a se sentir permanentemente desamparado. Os apresentadores criticam os discursos de autoajuda que pregam o "ame-se primeiro" como solução, apontando que isso pode ser uma armadilha narcísica que nega a dependência humana e promove relações descartáveis, baseadas no consumismo. Eles destacam que a rejeição não é apenas amorosa, mas também social (escola, trabalho) e que sua vivência varia conforme a história de cada um. Uma saída neurótica comum é tentar rejeitar antes de ser rejeitado, criando uma casca de indiferença que impede a intimidade. A chave para lidar com a rejeição, segundo os psicanalistas, é reconhecer que o desejo é inconsciente e que ninguém controla totalmente o desejo do outro. Em vez de tentar se encaixar em um "eu ideal" para agradar, é preciso aceitar a falta e a diferença do outro, lembrando que "o que é do outro é do outro". A rejeição, embora dolorosa, pode ser uma oportunidade para lapidar o narcisismo e transformar o sujeito, desde que não seja vivida com vergonha ou segredo.
poucas coisas podem ser tão paralisantes quanto tomar um fora, ou tem medo dele. Aquele calor no peito, as orelhas vermelhas, a sensação de cacos de vidro na garganta. Esse outro que eu tanto quero não me quer. O pior, esse outro que eu nem queria tanto não me quer, e talvez agora que eu realmente queira. Daí você questiona a sua própria aparência, sua inteligência, seu valor. Não é atou o que o sentimento de rejeição é frequentemente descrito como uma das piores feridas emocionais que o ser humano pode experimentar. A quantidade de cultes de rejeição hoje na internet é um fenômeno impressionante. Então, é impressionante que a gente decidiu falar sobre isso aqui nesse último episódio da temporada. Só para ver se a gente consegue elaborar alguma coisa diferente dos mantras de autoestima que a gente vê por aí. São aquelas coisas tipo "não insista em quem não quer você, ou não perca a sua dignidade, não se contente com migalhas, você merece muito mais". Não leve pro lado pessoal. A rejeição é uma oportunidade para você se amar ainda mais. Sucorro, não é atou aqui, a gente não tá sabendo lidar com a rejeição, porque são tantas mensagens desse tipo circulando por aí. Pensar na rejeição é importante, porque a gente não experimenta esse sentimento só no campo afetivo amoroso. Mas também no ambiente familiar, na escola, na faculdade, na entrevista de emprego. Só que a rejeição não é uma dor igualmente distribuída, pelo contrário, tem gente que vai sentir muito mais abandonada, disamparada, eternamente aderiva. E não é fácil mesmo. Alguns estudos científicos já mostraram que quem é submetido à situações de rejeição tem uma atividade no Cortex Singulado anterior, a mesma região do cérebro que ativada em resposta às dores físicas. Lida a congão do outro, realmente, uma das coisas mais difíceis e também mais importantes para um processo de constituição e transformação do sujeito. Ainda que seja dolorido é isso que a gente tem para lapidar a prepotência do nosso narcisismo. No entanto, a receita mais comum para a gente tentar superar esse tipo de sofrimento é justamente um hiperinvestimento no ego. Um tiro no pé, porque isso só legitima o nosso complexo de rejeição. Oi, eu sou André Alves. Eu sou o LucasLid, que esse é o vibes e análise, um podcast onde a gente busca analisar algumas vibes que estão submerças no nosso inconsciente coletivo. O Lucas e eu somos psicanalistas e pesquisadores e as nossas análises estão no perfil a Roba Flute Vibes no Instagram, no TikTok e no nosso Newsletter no Substack. E se você quer ajudar a manter esse podcast no ar, pode fazer uma contribuição no apoia-se. Todos esses links estão aqui na descrição do episódio. O outro recado é que o vibes e análise tendo a aparecer com a livraria dois pontos. Então, os livros de cada episódio estão a venda em 2 pontos, ponto com o bar Flute Vibes, e você pode comprar com descontos usando nosso coupon Flute Vibes, o link também está aqui na descrição do episódio. E antes da gente começar realmente o episódio, tem uma notícia que a gente quer muito compartilhar. O vibes e análise acaba de virar um livro. Sim, junto com os nossos parceiros da editora nacional, a gente atualizou e aprofundou 15 dos episódios mais marcantes do podcast em uma publicação, com novos questionamentos, referências teóricas, bibliográficas e participações de especialistas. Cupa, consumo, tesão, vergonha, amizade, sonhos, política, solidão gay, memes e muitos outros assuntos. Enfim, é uma grande surre de vibes. E assim como no podcast, a gente espera que as vibrações que a gente escutou e escreveu nesse livro estimule em novos contornos simbólicos por aí. E quem sabe algumas transformações? Em breve, a gente conta mais sobre os eventos de lançamento e também outros conteúdos. O link pra adquirir o livro está aqui na descrição do episódio. Mas então, bora lá pra nossa provocação do começo de episódio, André. Qual é o seu segredo pra lidar com a rejeição? Conta pra gente. Essa cascuda, mas eu vou começar envertei num pouco a pergunta. Pimpe de canalista, bastante. Não sei se existe um segredo pra lidar com a rejeição, mas talvez uma das piores ideias que a gente tenha, seja tentar manter a rejeição em segredo. Essa história de que fui rejeitado, ninguém pode saber. E a gente desloca muito automaticamente pra vergonha. Que a gente sabe, é uma defesa que pode ser por vezes muito paralisante catalizar o sentimento de na adequação. Então, não tem problema ter sido rejeitado. Conteço com todo mundo. É isso. Exato. Todo mundo passa por isso. Inclusive, se a gente não passar pela rejeição, a gente pode ter um desenvolvimento psiquico bem comprometido. Mas aí vou problematizar uma questão, já, de começo que às vezes não é rejeição. No sentido de que será que toda negativa do outro ou para o outro, é sempre rejeição. Por que essa palavra ficou tão presente no nosso vocabulário? Rejeição é muito mais forte do que só uma negativa ou uma recusa. Tem um tom de repúdio, tem um tom até meio de humilhação, como estava falando dessa vergonha. Fiquei pesquisando a origem do termo rejeição e é sobre rebater e afastar jogando pra longe. A Maria Almane tem um vídeo que acho muito interessante que diz que esse é um dos termos talvez mais equivocados do mundo. Eu fiquei pensando também, sabe onde que aparece muito o rejeitar quando você está em sites ou plataformas e vinha aquelas duas opções de botões, sabe? De termos de privacidade ou os de dados, aquele blablabla, ou você aceita ou você rejeita. Geralmente é um blalco a gente nem lê. A gente só é obrigado a aceitar pra poder continuar navegando. Mas sim, acredito com nas relações humanas, às vezes de fato, rejeição é rejeição, mas é muito uma forma de encarar uma leitura que a gente pode fazer ou não também. O que faz de um não ou uma rejeição? Eu entendo isso que você está falando de alguém geralmente dizer "Eu não estou te rejeitando e o outro responder, mas eu estou me sentindo rejeitado". Mas como tudo que é complicado na vida, a rejeição ela nunca age sozinho, ela está sempre embando. Ou melhor, quando a gente passa por alguma experiência que resvala o que tangência minimamente a rejeição, a gente não está lidando só com aquela rejeição. A gente está ativando uma trilha, uma história inteira de rejeições pelas quais a gente passou ao longo da vida. A primeira delas, acho muito difícil a gente escapar disso nesse episódio, é a grande queda do narcisismo. Eu vou resumir. Mas o complexo de édipo, esse conceito tão caro para psicanálise. Caro no sentido de que inclusive é o que faz muita gente cancelar a psicanálise. Comece exatamente com essa crise narcísica. Você não é o único filho amado, você não é o centro do universo, sua mãe vai trabalhar, o pai sai de casa, você entende que não é o falo dos seus cuidadores. A perda dessa identificação com o lugar do falo não é fácil e muita gente nunca se recupera dessa angústia, da castração, da privação. Essa crise na posição de ideal. Então olha isso. A gente começa a nossa vida como uma espécie de extensão do corpo de alguém. A gente é desejado por alguém ou não, a gente vira o centro das atensões. E a gente vai perdendo esse lugar, é uma grande rasteira. Por que eu estou indo lá na infância para explicar a rejeição Lucas? Porque é para lá que a gente geralmente volta quando está lidando com a rejeição ou com qualquer coisa que se assemelha ela. A gente regridi. Porque entra em contato com muitos registros psíquicos que foram marcantes e marcados logo no início das nossas vidas. Nos faz entrar em contato com aquela sensação de que o professor da escola não gostava de mim. Ou a minha mãe na verdade elogiava muito mais aquela prima do que é necessariamente a mim. E por aí vai. Toda perda ofende o nosso narcisismo. Inclusive a perda da imagem que a gente acha que estava sustentando no olhar do outro. Isso faz ou isso provoca algum tipo de perda narcísica. Faz um que eu perca algo em mim mesmo. Por tudo isso, a experiência da rejeição ou a ameaça de entrar em contato com algum tipo de rejeição é um pouco apavorante para o sujeito. Porque não é pouca coisa, entende? É, a gente tem que voltar a meus preenfância e tem que voltar para essas situações onde você viveu alguma concorrência de atenção e afeto que você enfrentou. Então, a todos aqueles momentos em que, de fato, a sua cuidadora, a cuidadora, se já quem for, não estava lá para você. Estava com outro ou estava investindo em fazer outra coisa. Uma atividade que era só para adultos inclusive e você simplesmente não tinha um lugar enquanto criança. E ficava do lado de fora. E aí a criança chora. Mas, em teoria, ela aprende. Ela internaliza a noção de que não vai dar para se sentir sempre, sempre o cento amado pelo outro. Isso assim, crianças que tiveram muita sorte de sentir assim. E aí, pela inserção da linguagem, da comunicação, dos afetos, a gente consegue segurar as pontas, porque a sua mãe pode dizer "eu te amo, mas eu volto à noite para casa". E você vai ficar relativamente impasco com isso. A gente aprende outra coisa muito importante também, que a gente não vai ser amado por todo mundo, que vão ter algumas pessoas no mundo que não vão ser tão fascinadas assim pela gente. De preferência, isso acontece num contexto mais social, mais público, como na escola. Ou depois quando você aduto, a entrevista de emprego, você não é escolhido e tudo mais. Agora, quando esse sentimento de desamore e rejeição vem muito intensamente, muito precocemente, no próprio núcleo familiar, esse sujeito pode desenvolver uma espécie de complexo de rejeição. É, ou em alguns casos um pouco mais sério,
a gente pode pegar aquele conceito tão bom do Michel Ballant, o psicanalista Ungaro, que é a falha básica. O Ballant estudou bastante sujeitos que têm uma redução muito drástica da sua vitalidade, e que isso também compromete a sua capacidade de reagir às frustrações, aos insultos, aos problemas da vida. E se instala uma patia quase fundante nesses pacientes, são falhas traumatizantes do ambiente dos objetos primários. E esse psiquismo vai estar marcado para sempre pela falha básica, essa morte dentro, como chama Winicote. Algo que alguns autores vão descrever como sujeitos cujo psiquismo se assemelha a um pouco a uma cripta. Algo muito mortificante, muito desvitalizante. É muito triste porque esse sujeito vai sair procurando de alguma forma repetir as experiências porque é a experiência que ele ou ela conhece. Já vai conhecer olhar. Então é aquela coisa de você fazer uma lista de quem não te deu para a bem-explução inversária, ao invés de ficar feliz para os parabéns que você recebeu. Ou até sair agindo de forma a fazer a rejeição acontecer, para confirmar a sua propriedoria, o seu lugar no mundo, dando motivos para o outro de rejeitar, fazendo isso de forma inconsciente, obviamente. E aí culpando o outro, o outro está me rejeitando. Essa é instalando uma espécie de gozo do abandono. E aí é muito difícil mesmo lidar com a pessoa que fica cobrando você ou demonstrando muitas careências do tempo todo e vira-me que essa profecia é autorrealizável. Eu acho interessante que você já abriu o episódio puxando essa história de "mas é a rejeição mesmo". Ou será que apenas um "não" ou "apena-os uma negação", enfim, tem uma gramática um pouco mais ampla do que tudo a rejeição ou a aceitação absoluta. Como se a gente não pudesse rejeitar partes. Isso é uma saída bastante neurótica. Se a gente pensar que o cálculo básico do neurótico é não querer perder. No nosso tempo isso fica ainda mais difícil. Tanto a gente fala de narcisismo. Mas qual que é o puro suco ppsíquico desse mecanismo? Não querer perder, pelo contrário, querer se manter num suposto lugar de ideal. Eu sou o máximo, a poderosa, o fodeu, o monstro, o dono da porra toda. Hmm, hoje ele vai usar mais palavrões. Mas também é interessante, Lucas, como vem pairei no ar um discurso meio anti-rejeição. Que aquele bom e velho eu me basto. Ou atualizando um pouco, eu não vou deitar. A gente vê uma quantidade bastante grande de narcisismos brilhosos e lustrosos. Esse empuxo narcisismo tem uma pequena silada que é o jeito que essa pessoa ou que esses sujeitos vão se vincular. Que é assim. Usando de um jeito mais informal, o narcisista precisa ser amado primeiro e depois amado. Que é uma experiência muito específica de autoridade e de autoridade. Entendo o que você está dizendo, mas o que vem se falando ultimamente é o contrário. Que também não concordo, mas que é, primeiro você tem que amasse mesmo o imperativo do automore. Que é esses recados que a gente vê de alta ajuda, TikTok, Instagram, que é bem rápido pro consumo e não dá pra elaborar muito. Com a mensagem de que se está faltando amor do outro, um, mais a si próprio, preencha-se consigo mesmo. E aí o outro vai vir. De fato, é óbvio que é importante você se cuidar e se acolher e conseguir curtir a sua solitude, não sofrer tanto com a solidão. Mas essa é uma grande armadilha narcísica do nosso tempo, de uma promessa de independência absoluta. É que para tentar negar uma das maiores verdades da existência humana, que é como a gente é dependente. Exato, e que não tem nada de um milhante você precisar dos outros para se sentir melhor ou para se fortalecer. O que não dá é para achar que o seu ego é feito de aço, que é uma armadura e nabalável porque aí também ninguém vai chegar perto. Então, mas esse é o ponto porque quando você fala desse "eu preciso me amar primeiro" e pelo menos na clínica eu escuto um pouco de um deslocamento que é "precisa-me amar primeiro" quando alguém quer entrar em contato comigo, nunca um pouco mais afetivo. E aí esse "Não voltei tar, vira um pouco o texto para um subtexto que na verdade eu não vou me aproximar". Só que aí vamos lá. Como a gente está falando, o ser humano é esse ser o meio complexo que não sobrevive sem as relações. O déficit de intimidade, produz irritação, descontentamento, até deprime a doce. O sujeito narcisista sabe disso. Então qual é a solução de compromisso? É se invincular o outro na chave do consumismo. Na chave de ser profundamente desapegado. Porque o bom consumidor não é quem acumula, mas sim quem compra e joga fora para comprar mais. Então se fixa no objeto, esse é o goso consumista, que é uma capacidade muito grande de deslizar de um objeto para o outro sem jamais encontrar o que se satisfaz. Qual é o segredo aqui? O objeto? Primado do objeto. Tudo o objeto. Todos são objetos, inclusive o outro. E que acaba sendo uma outra saída infeliz desse complexo dessa fíria de rejeição. Que é um medo. Então o sujeito que acaba preferindo rejeitar antes de ser rejeitado, que se antecipa para não sofrer e assim vai ficar difícil mesmo fortalecer ou aprofundar esses laços. É incuriosa quando a gente fala em complexos de rejeição, a gente imagina vem na mente assim uma pessoa mais tímida, envergonhada, aparentemente em segura, pode ser também. Mas não necessariamente, pode ser muito bem o contrário, inclusive. Tem um grande problema quando a gente não aceita que está sentindo rejeitado e cria uma casca. E cria um bloqueio. Isso não me afetou. Isso não me afeta. Eu nunca senti um pingo de rejeição na minha vida. Essa pessoa se torna um monstro. E vamos lembrar que os monstros nem sempre sabem que são monstros. O problema é que essa pessoa não vai ter nenhum tipo de empatia e humanidade com outro. Viram um problema de caráter mesmo, porque essa pessoa vai rejeitar das piores maneiras possíveis. E de uma forma até meio perversa, se vingando do mundo, sem perceber que está se vingando, mas fazendo-os com as pessoas erradas. É muito bom isso que você está trazendo, porque a operação é como descrever muito bem o André Green, o Narcisismo, sendo uma forma de apagamento da marca do outro no desejo do um. Que é uma frase que eu sei que você gosta bastante. Mas que no final vai desembocar exatamente numa dificuldade radical da gente sustentar a diferença. Tem um trecho do "A gente mira no amor" e a certa na solidão da Ana Sui, que discreve muito bem esse ponto que eu estou começando a trazer aqui. Eu vou ler um pouquinho. Tendemos a tomar a diferença do outro como o "disamor" e tomar a outra idade do outro como o "rejeição". Como outro "ouza" não atender aos meus desejos. Como outro se atreve a pensar diferente, a querer outras coisas, a agotar de outro modo, é que o outro é sempre um outro, especialmente quando é ele mesmo. Eu vou juntar isso com uma frase que a minha análise está a diz e eu gosto muito de repetir Lucas. O que é do outro é do outro. Claro que o nosso desejo é que o outro nos deseja. Mas a gente precisa ter consciência desse empuxão de potência narcísica. Essa tentativa de passar por cima do outro porque a gente quer que seja desse jeito. E aí o outro tem que ser exatamente o objeto que a gente desenhona nossa mente, só que o outro é o outro. Aí a gente pode puxar um aspecto da psicanálise, bem psicanalítico mesmo que não se trata de escolhas conscientes ou predeterminadas. Não dá pra gente escolher quem quer rejeitar ou não. Mesmo que racionalmente, intelectualmente ética ou esteticamente, algo alguém faça mais sentido pra você no fim, é o inconsciente que vai decidir. Tem uma pretensão de controle que a gente precisa se descolar dela, porque ninguém tem um controle total e absoluto do seu sim ou do seu não ou do sim do outro ou do não do outro. Só que essa é uma promessa contemporânea que a gente vê cada vez mais difundida. O sistema cultural que existe hoje nos dias que está tudo na sua mão, que basta você se se forçar, que você vai conseguir. Obvio que a gente tem tanto sofrimento por rejeção, porque não vai dar. As mensagens mais comuns e ordinárias de empoderamento que a gente vê por aí é que você precisa saber o que você quer, que precisa saber quem você é, autoconhecimento, mas calma lá, o desejo não é do ego, ele é do sujeito e o sujeito é do inconsciente. A gente tem um objeto a aí que fica circulando, dando volta em si mesmo, nos deixando muito tonto, sempre sendo inalcançável na sua totalidade. Então essa arrogância é do ego, de achar que a gente vai controlar o desejo ou o desejo do outro, que está nos botando um pouco pra baixo. E aí é uma pretensão ainda maior, a gente não se lembrar de que o outro também está passando por isso. O outro também sofre da mesma falta de clareza que a gente, ou seja, se a gente está sendo radicalmente psicanalítico aqui, e bancando que a gente nunca sabe totalmente o que a gente deseja e a gente nem sempre quer o que a gente deseja. Se eu não sei muito bem, porque eu quero tanto aquele outro, o outro também não sabe muito bem, porque que não me quer. Tem várias ausências, tem várias faltas, tem várias possibilidades pra em certeza. Indo nessa trilha que setrou-se, a gente também sabe muito pouco da fantasia do outro. Exatamente, a gente vai fantasiando sobre a fantasia do outro e vai fazendo essas especulações que aí vem aquela clássica pergunta de onde foi que eu errei. O que que eu não tenho, o que o outro quer tanto que eu não tenho. E aí a gente tem dinâmicas tão performativas das relações que isso nos deshumanizou de alguma forma. Parece que a gente está sempre numa empreitada meio de marketing pessoal pra seduzir o nosso público alvo. Então, como que eu posso melhorar? Se começou a falar do "eu ideal", sim, a gente abre o mão do "eu ideal", mas a gente vai colecionando ideais de "eu", que é ótimo, incrível.
que ser e que bom mesmo são esses tantos atributos que a gente acredita que precisa ter para ser mais desejado. Você tem que ser interessante, você tem que ser bonito, você tem que ter dinheiro, você tem que ter boas histórias para contar, você tem que ser divertido, ser um bom ouvinte, bajular outras vezes, isso vira uma trabalhera. Agora também é intrigante a gente se perguntar e analisar porque que a gente quer agradar tanto alguém que está dando tanto trabalho para a gente, para fazer essa pessoa gostar da gente? Por que a gente vai tentar tanto fazer uma coisa da certo que obviamente parece que não vai dar certo e aí a rejeição é mais livramento do que a rejeição. Sabes vir uma temosia narcísica, essa ideia de tentar completar a estrutura desejante do outro e que ela só consegue funcionar se a gente conseguir operar essa desumanização que você mencionou, porque pro narcisismo operar, de uma forma um pouco mais perversa como você descreveu mais no começo da nossa conversa, é preciso insistir numa crença radical de que o outro não tem um mundo interno. É mais do que o papo da internet, o outro tem o direito de não me querer e se a gente lembrar que o outro tem um mundo interno é uma coisa um pouco mais do tipo o outro tem o direito de não saber se me quer, inclusive o direito de mudar de ideia, se você se to a Maria homem e tem um daqueles aforismos dela muito bons, rejeição é a cara passa imaginária da nossa unipotência narcísica, vamos devagar. A gente acha que sabe o que é e que controla o que quer, daí muitas vezes a gente também usa acreditar nisso em relação ao outro como você estava descrevendo, para se aumentar a gente fecha o sentido, o jogo é pro imaginário, eu tenho certeza disso, eu tenho certeza que ela não me quer agora, mas ela vai me querer se eu fizer x, y, z, h, da iconabilidade insiste, a gente é obrigado a se confrontar com tudo isso e com o outro a gente desloca, para não ameaçar todo o nosso sistema de crenças, todas as certezas das quais eu estou falando, eu sei, eu controlo, eu desejo, a gente empacota isso como rejeição, e fica puto, o outro está me rejeitando, isso é um absurdo, e aí assim agora ainda pro gelo-finofil da navália como a gente gosta às vezes, isso tem entrada nos últimos anos, num casamento bem mortífero com as discussões sobre pautas e dentitárias, vamos lá, a gente sabe que o desejo também está profundamente imerso no contexto sócio político ou psicosocial, certo, e como a minha chrana-vaça diz muito bem no direito ao sexo, a gente sabe que o índice de facability ou de foda-bilidade das pessoas, numa perspectiva interseccional a gente sabe que raça, gênero, expressão e de sexualidade, enfim, todos esses marcadores têm grande influência em a gente ter mais ou menos acesso direito ao sexo, ou ao amor, ou a relação em sociais específicas, só que não dá para a gente também justificar qualquer tipo de afastamento como rejeição e justificar essa rejeição só em cima de cortes dentitários, é complexo mesmo, porque sofre uma rejeição é um golpe no nosso ego e faz questionar o nosso valor, e isso, como você está dizendo, vai ser muito mais complicado para quem já tem algum traço dentitário que desfavoresse essa pessoa socialmente, claro, então é uma rejeição que não vem só do que é no outro mais do grande outro, de como a estrutura social rejeita alguns sujeitos mais do que outros, rejeita alguns corpos mais do que outros, é óbvio que isso vai comprometer as relações interpessoais também, é um pouco do papo que a gente estava falando de social e íntimo que a gente trouxe no episódio anterior sobre masculinidade, porque o sentimento de rejeição é mais forte entre as mulheres, porque existe um construto social de que o desejo do homem é mais importante do que o desejo da mulher, soberano, então tem camadas a mais aí para serem tratadas, para serem superados ou atravessadas, não foi só aquele homem, foi um masculino, não foi só aquele branco, foi a estrutura e lógica obreçora da branquitude de todas as normatividades que me excluem, o meu ponto com tudo isso Lucas é que todos esses mecanismos estão em operação, ou todas essas questões são válidas, não sei se igualmente, cada caso é um caso, cada rejeição é uma rejeição e de novo, se ser rejeitado faz a gente entrar em contato com partes bem pouco nobres de nós mesmos, as nossas esquinas mais escuras, a gente também costuma ter reações um pouco mais primitivas, ouregidas por registros psíquicos que são um pouco mais trascueros, nesse contexto tem uma certa sabedoria naquela frase tão popular de não é sobre você, é sobre você e não é, porque você não é tão do nozinho do seu desejo, não é sobre você, porque o outro também não tem esse domínio, a grande pergunta é beleza, como é que a gente desmonta tudo isso, ou encara tudo isso, não é fácil, mas a gente tem que conseguir abrir mão desse ideal de ser ou objeto desejado pelo outro, em muitos casos a gente vai ter que abrir mão de algo mais intrincado ainda nesse tempo, os tecnonarsízicos nos quais a gente vive, de que a gente é o objeto desejado por todo mundo, é, aí vai complicar mais ainda, como assim ele ou ela me rejeitou, logo eu que sou bonita pra caramba, eu que estudei nas melhores escolas, eu que sou famosa, eu que sou pegador, enfim, muito predicados que a gente convoca nessa hora, mas aí vale a sabedoria daquele título de filme antigo, filme bem qualquer nota de gase de passagem, ele ou ela simplesmente não está afim de você, é andré aí é interessante, eu acho que a gente pode fazer uma distinção, uma coisa pra gente conseguir diferenciar aqui, que uma coisa é rejeitar uma pessoa e outra é rejeitar uma demanda, um pedido, muito bom, a gente confunde muitas coisas justamente porque as relações ficaram também muito transacionais e interesseiras, como se a gente de novo soubesse sempre exatamente o que a gente quer do outro e por que? Mas a gente não sabe, então convém a gente tentar diferenciar essas demandas do tipo, olha isso aqui eu não consigo, isso não topo, mas será que isso outro aqui funciona, te interessa, essa negociação dá pra fazer de uma forma humanizada e empática, então eu não quero viajar com você, mas o topo toma um café pra gente bater um papo, sabe? Ou não, eu não quero namorar, mas vamos transar de novo? Ou mãe, o Natal e família não vai rolar, mas não seu adversário eu vou estar aí com você. A contra partida é o mínimo que a gente pode fazer, se a gente quer cultivar aquela relação, e se o outro não se contenta relativamente com o que você tem para oferecer, isso também não é culpa sua, essa questão da demanda é muito fascinante assim na clínica, dá pra explorar isso muito bem de uma forma que é tão segura, protegida ali neutralizada, porque o analista ele não vai nem aceitar e nem negar a demanda do analisando, ele vai colocar a demanda em análise, na vida real a gente não consegue fazer isso, mas na análise é o que a gente tem que fazer. É, e aí os manejos disso são muito interessantes, eu ando meio obcecado pro pessoal que gosta de referências um pouco mais densas da psicanálise, por um texto que uma das minhas pervisoras me passou, que é assim a clínica psicanalítica e seus vértices, falando sobre continência com fronto e ausência. Muito inspirado no B, ou claro, mas formas diferentes da gente lidar com a demanda, mas você falou de demanda, Lucas, e eu pensei, obviamente, no lacã, e eu penso que tem outro conceito do lacã muito interessante pra gente pensar a rejeição, que é o amódio, essa relação entre narcissismo e agressividade, o lacã inventa essa palavra a módio pra afirmar que não existe amor sem ódio, pra ele não conhecer o ódio de modo algum, é também não conhecer o amor de nenhuma forma. Se o amor tampona a falta, o ódio escancar a falta, quando a gente perde o objeto amado, a gente sofre não só pela perda do objeto em si, mas sobretudo, porque a gente tem que encarar de novo a falta, o ódio vem daí, da inegável revelação de que o sujeito vai faltante. Quando existe uma ruptura sem aceitação, esse rompimento vai ser sentido como traumático devastador, daí vem essa cruesa insuportável da castração e a face do ódio se revela. Então ali onde antes a gente viu o amor, se instala o ódio pelo índio amado, ou pelo objeto amado, é aqui que brotam as profundas raízes do desejo de vingança, por exemplo. O deslocamento que acontece é ele terminou comigo e isso vira, ele acabou comigo e agora eu vou acabar com ele. Dá pra gente pensar também no que o Freud chamou de identificação alternante. A gente sente culpa porque o objeto se foi, talvez a gente não tenha amado o suficiente, mas a gente também sente ódio, porque o objeto se foi, e talvez não nos amava o suficiente. De alguma forma, a rejeição convoca esses lutos narcísicos, essas perdas que vão trazer algum tipo de perda de algo em nós mesmos. É, André, isso é muito interessante e me faz pensar uma história que eu vou contar aqui por dar uma descontraída. Tem esse papo aí de que a rejeição te torna mais forte. Isso pode ser meio pressor se você está em pleno sofrimento. Isso só nos faz às vezes reprimir o sofrimento não admitir a rejeição e não fazer o luto como deveria fazer. Mas eu fiquei pensando em isso que você estava falando, nesse amódio, nas rejeições que eu já senti, e algumas foram bem doloridas e demoraram mesmo pra passar. Mas eu vou te contar André, que um dos momentos mais importantes tem a vida, foi quando o meu pai falou uma coisa pra mim. Quer não vou falar aqui. O que foi, porque se não todo mundo vai ficar o dia do meu pai. Mas foi uma coisa que ele me falou quando eu tinha um 7 anos de idade, e que na hora eu senti como uma grande rejeição. Foi uma frase bem direta, bem curta, sim bem dura, e foi muito difícil escutar aquilo. E eu fiquei com raiva, eu fiquei triste, eu achei um absurdo, lembro de pensar assim como que ele como pai pode falar isso para um filho. Mas depois, bem depois, eu percebi como aquela barragem que ele criou, me constituiu de um jeito bastante positivo. Isso não me gerou uma descrença no amor, ou uma criança no desamor, mas colocou um limite entre eu e o outro. E foi bom porque abalou realmente a minha criança na arcísica. Me fez ver que eu não era tão perfeito assim, que o amor do meu pai não era tão incondicional assim, e que eu não era tão o meu, eu ideal. Mas que também isso não significaria que eu não teria uma relação como o pai mais. Pelo contrário, nossa relação inclusive melhorou depois disso. Eu não sei se foi o jeito que ele falou o time, mas o resultado foi muito bom pra mim, foi traumatizante, mas o atravessamento do trauma foi benéfico, sabe? Não que eu não tenha sentido rejeições depois na vida, mas aquela foi uma rejeição, eu diria assim, primordial, que me preparou um pouco melhor para as próximas que invirem. Bom, o fato de que você não vai falar, o que foi o jeito? É não só uma tortura comigo e com quem está nos ouvindo, mas também um belo exercício de como analista tem que aprender a controlar a sua curiosidade. É verdade. Bom, vamos mudar de assunto então, não quero me esportar tanto nem espor o meu pai. E vamos chamar o nosso próximo convidado, que ele é tão especial que a gente estava até com medo de convidar ele, mas por nosso alío ele não nos rejeitou. Pra quem não conhece o Daniel Cooperman, é a doutora em teoria psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e presidente do grupo brasileiro de pesquisa Sandra Ferenci. Mas que a gente podia começar falando, por que que a rejeição dói tanto, a gente se pergunta, que todo mundo, por quase todo mundo, eu diria, já passou por situações de rejeição na vida. Quando eu digo quase todo mundo, é porque eu diria todo mundo, mas tem pessoas que negam. Onde eu dizer é que não, eu nunca passei, sempre eu sou ativo, eu aqui rejei pensando na vida morosa. Só que isso a gente sabe que é uma forma, uma defias, um tipo de recurso, que a tende a uma certa onipotência. Então, por que a rejeição dói tanto? A rejeição dói, porque nós temos um napsicanal, um termo técnico, quando eu falar de rejeição, que é ferida narcísica. Mas não o narcisismo como o termo pejorativo, o narcisismo ao constitutivo. Então, esse sentimento de majoridade, ele é fundamental, mas ele é fundamental, porque constitui o síneo, o self, o sentimento de si, a partir do qual eu posso me mover no mundo. De uma maneira criativa, expansiva, a linguagem coloquial vai chamar isso de autoestima. Então, as pessoas sequercham muito hoje, de uma baixa autoestima e a rejeição ela produz isso, porque ela fere o sujeito nesse lugar. Em que situação da vida nós reditamos essa experiência de ser a majestade de alguém? Na situação da paixão amorosa. Então, a paixão é uma experiência que nos leva ao céu e pode nos levar ao inferno, justamente porque ela carrega em si, essa possibilidade do que seria o céu. Você ter a experiência no olhar do outro de que você é a pessoa mais importante do mundo para aquele outro. Então, é a sua experiência que nós chamamos de paixão amorosa. Ela é uma experiência que redita. O olhar da mãe é simples assim, a mesma tempo complexo assim, porque é o que se busca, não ser amado. Nós podemos ser evidentemente muito especiais para alguém, mas é essa experiência que nós tivemos. Se na costuição subjetiva, a partir do cuidado do olhar da mãe, ela efetivamente é a nova experiência perdida. A paixão do estiram do regime, que na psicanálise nós chamamos de castração, que é essa da nação humana, vamos chamar assim de nós lidarmos, na minha logo da vida, como a série de lutas, como a série de perdas, e que o amor, a paixão amorosa e o amor, ele é efetivamente uma possibilidade de proteção da experiência de perda. Mas a gente não pode colocar todas as fichas numa mesma carta. Eu froide uso, inclusive, exatamente essa frase, "Numal está na civilização, famoso, texto dele de 1930, onde ele diz "hora de não deve depositar todas as fichas, da mesma posta, da mesma carta, porque o amor é importante, a verdade, mas o trabalho também é importante, reconhecimento social, então, problema da paixão é que, no momento da paixão, parece que é a única coisa que importa, efetivamente. Isso é uma situação sustentável, a longo prazo ela é sustentável. A não ser que esse casal mirgule, o que se chamava em psiquiatria de folhado, que essa loucura compartilhada, dois, e aí vai tentar maneiras, patológicas de ficar incitando numa paixão e às vezes, firindo muita gente ao redor, e se firindo para que a partir dessa dor acredite a paixão. Eu acho que o que acontece hoje é que nós estamos vivendo tanta, eu ia deseper-tando, mas nós estamos em uma situação de tanta desprotecção, um tema do psicanalista João Bermann, do Rio de Janeiro, que ele diz "nós não vivemos, exatamente o que frate amou como um disamparo, subjetivo, faz parte da vida humana, nós vivemos um desalento, então nós não temos mais, não está do forte para cuidar da gente, não ferecendo saúde, educação, aposentadoria, nós não temos segurança nos entregos, nós vivemos um nudo e perviolerno para atravessar a tua cultura de ódio, então o amor se torna efetivamente, dessa tentativa de encontrar segurança, proteção, na experiência amorosa, escapando, portanto, de qualquer dor da rejeição, pode ser que ela se incremente numa cultura que é uma cultura muito individualizada, uma cultura que foi cada vez mais se tornando, aquilo que o Christofelach chamou na segunda metade do século passado de cultura do narcisismo, que existem formas de rejeição, que atingem a grupos, grupos étnicos, povos, numa situação dessas, existe o mecanismo que foi tipificado pelo psicanalista Sandofarence, psicanalista importantíssimo, umguero, principal interlocutor do Freud, que vem sendo, inclusive, bastante estudado, atualmente, não é a torra, as pessoas que sofrem esse tipo de rejeição no social, social política, elas corre o risco de se identificar e com o discurso do agressorra. Então, alguém que é alvo, do racismo implica uma escolaridade às vezes menor do que a parcela perviljada da população, salários menores, oferta de trabalho menor, ou acessormente, é um tipo de ocupação que é menos presada, que é menos valorizada. Então, isso tudo vai levando, tende a levar a pessoa, a ela própria se rejeitar, ou seja, ela acaba de alguma maneira a identificação com o agressorra é justamente isso. Ela acaba constituindo que a gente chama de alto desprezo, alto rejeição ou alto ódio. Então, esse segundo nível de rejeição, que não é individual, é uma rejeição por aí, fazer parte de wittinha, ou de o povo, ou de um grupo, e aí nós podemos ir além, pensar, bom, e a comunidade, hoje chamada de LGBTQ+, ainda não se inventou, uma anestesia para a dor moral, e não vai se inventar. A anestesia para a dor moral é exatamente essa possibilidade resistir a rejeição institucionalizada, talvez em busca desse chamado orgulho, de ser, porque nós somos humanos, então nós temos direito de existir, de celebrar uma resistência, de tornar a nossa vida uma coisa interessante, uma coisa bela, todos nós, a princípio. Mas, isso é um ideal evidentemente. A gente olha pro mundo, e não é exatamente isso que a gente vê. É uma grande honra poder escutar o Daniel até porque muitos dos livros que ele escreveu ou a coleção que ele coordenou nas Agodône, por exemplo, são bem influentes na minha clínica e também nos meus aportes teóricos, e a gente cita muitos deles aqui, inclusive. Sim. E acho curioso pensar no fériens e como alguém que pode nos mostrar, como a rejeição pode ser, de uma forma bastante escancarada, muito traumática. Mas, de novo, também, há de se respeitar o trauma. E a gente não pode se enganar de que a nossa rejeição pode ser muito traumática para o outro. A ponto da gente não querer bancar a rejeição. Muitas pessoas têm dificuldade de dizer "não". Esse é outro clássico da cultura popular. Muitas pessoas têm dificuldade de serem claras com suas respostas, ou com que elas querem ou não querem, de comunicar isso para o outro. E assim, tem gente que só não quer demonstrar tanto o interesse logo de cara, tem algum tipo de receio, tem gente que. Tem um jogo estérico também. que é baseado em "rejeitar" e depois seduzir.
e rejeitar esse dos i, faz parte chamante do. E tem gente que simplesmente não entendeu. Que aquilo era uma declaração, que foi um pedido, que era uma demanda um pouco mais clara e aberta, só que eu queria lembrar que não é sinal de saúde mental, não conseguir dizer não. E que todo mundo tem o direito de ser rejeitado. Ou de quando está passando por algum tipo de experiência, ligado à rejeição, dessa rejeição se comunicada da forma mais clara possível. Eu queria muito conseguir construir uma espécie de manual da rejeição, Lucas. Eu sei que esse canalista fala em manual é algo muito problemático, porque a gente acredita na singularidade radical, esse é um dos princípios básicos da nossa prática. Mas, me impressiona como a rejeição é bem difícil de bancar. Vida a quantidade de formas de ghosting e desinvestimento essa gramática do desaparecimento que foi se estabelecendo nos últimos anos. Falando um pouco sobre ghosting, é esse jeito de pegar no calcanhar de aqueles da fantasia do outro. Porque qual que é a fírica que o ghosting faz sangrar? Fazer alguém ser radicalmente reduzido essa posição de objeto que a gente estava falando anteriormente. O mundo interno inteiro se reduzido de tal maneira que tinha tirado um dos direitos mais fundamentais da experiência humana que é o de se despedir. Isso amarra o outro, porque impede que se faça o marco simbólico do fim do fechamento. A gente falou um pouco sobre isso no Sobre de Zera Deus. Qual é a arma dília? Não é só quem foi ghosted, que fica preso, mas também quem fez o ghosting. O assombrado e a sombração. Porque o elo que não foi claramente rompido acaba se remontando. Esse sair sem sair. E a gente segue lá, supondo uma presença de algo ou de alguém que não necessariamente se foi. Não dá pra abrir mão da ideia de que o outro me quer, ou de que eu quero o outro. Porque isso pode me colocar em contato com a tragédia de eu não ser tão desejável assim. Isso é muito importante de ouvir e de pensar, inclusive pra quem pratica a forma de ghost. Você está tirando algo do outro, que vai te cobrar um preço lá na frente. Porque você também vai se retirar o direito da despedida. Vai enfiar o outro no armário psíquico, que o maior é vai transbordar. A vida vai virando uma espécie de trein fantasma em que simplesmente encontrar com o outro pode ser tão impactante quanto vê um fantasma. É muito bom isso que você está falando, André. Realmente é um. É uma arte você conseguir rejeitar. Se rejeitada é muito difícil, mas rejeitar também não é nada fácil, com certeza. E a gente faz se metendo umas furadas que você não estava a fim, você é capaz de ficar anos casado como a pessoa que você já sabia que não queria mais. No fim, não estabelecer ali os seus limites, ou as suas condições de convívio é enganar o outro, é trair o outro, é iludir o outro, é fazer de tudo para sustentar essa sua posição narcísica. É até usar o outro, é propagando em ganosa. Às vezes é só para ter alguém correndo atrás de você. Então, muitas vezes a gente não consegue colocar esses limites, dizer não, por sentimento de culpa também, a gente tem um episódio de culpa aí que vale a escuta e que essa pretensão de o outro vai ficar muito arrasada. Eu sou muito importante. Mas dá para fazer isso com delicadeza. Tem muitas maneiras de declinar o outro. A gente vai fazer isso com base nas nossas lembranças de rejeições. É para te dar aí que a gente vai ter algum cuidado para conseguir rejeitar, ou fazer isso de uma forma ética, respeitosa, com algum nível de sinceridade. Não precisa ser 100% sincero, porque isso pode machucar demais também. Mas tem que ter algum nível. Até para a pessoa não ficar nessa imaginação, nessa fantasia de coisas que não tem nada a ver, de bom, então foi isso, onde foi que eu errei. Eu gosto da ideia do manual, eu sei que é bastante polêmico. E tem muita gente fazendo algumas coisas assim, tentando trazer um pouco dessa lucidez para as pessoas de alguma forma é interessante, mas também pode virar um bom papinho de terapia, dependendo de como você faz. Mas eu acho que é bom a gente trocar um pouco desses exemplos mesmo de história. Então, por exemplo, é óbvio que você não vai dizer para alguém. Eu não quero transar de novo com você, porque eu odiaia aquela noite, acho que foi o pior sexo da minha vida. Mas você pode dizer, com honestidade, algo tipo, olha, para mim, não senti que a gente teve muita química. Você não achou? Mas eu acho que nosso papo sobre aquele assunto foi legal, talvez quero te encontrar de novo naquela festa que a gente se conheceu. Sabe qualquer coisa assim que não reduz o outro? Somente aquilo que você não gostou no outro. Aquilo que o outro não te entregou, é importante dar alguma explicação e que vem de algum lugar verdadeiro e profundo. Tem que ter uma exposição de si. Tem que ser específico e não genérico, por isso que eu acho que o manual não funciona. Tem que ter uma espontaniedade daquele encontro, do fim daquele encontro. E não fazer essa covardia de deixar o outro no vaco. Simplesmente não responder para ver se o outro se toca. Isso é meio bicho do maton, né? E aí, eu você bem antropocêndrico agora e dizer que. Eu acredito que o ser humano, pela conquista do simbólico, da linguagem, dá para dizer que a gente. É mais evoluído no que um bicho do maton. Isso que você trouxe me faz pensar em como a rejeição também não pode ser. um recurso de isolamento ou um deslizamento para não se espor mais. Porque de novo, a rejeição rasga o veldo de zampar o da condição humana. E só a gente sabe o trabalho que dá para costurar esse velho de novo, para remendar. Só que isso, a gente precisa manter um velo. Não é dre-donso, perispesso. Não uma curtina anti-ruído ou um cachão que vai nos impedir de entrar em contato com o outro. A gente não pode estabelecer uma relação para a nóica com a rejeição. Até porque. E é isso, dava um episódio inteiro. A gente também sabe que a rejeição tem muitos outros significados se a gente está falando de uma condição mais psicótica. O bion com as esquisofrenias, o lacan com as para nós, pensaram bastante sobre essas questões. - Hum, hum. Esse é um efeito triste mesmo da rejeição que é você desistir e entre aspas da brimão do seu desejo. E entrar num recurso depressivo sem conseguir reinvestir, sem conseguir fazer um reinvestimento mais ou menos pleno em outros objetos. E caindo ao vetimismo, o vetimismo que é sem volta ou que é muito difícil de sair dele. De não ter mais paciência para ver como você se sente com algumas satisfações que são partiais. Não são toda aquela fantasia que você tinha. E aí a gente reduz também. Então o namoro terminou, então eu vou bloquear essa pessoa porque eu tenho muita raiva. Eu não vou nem tentar talvez ser amigo ou saber como ela está. Eu tenho ódio, tenho ressentimento. Ou assim, não fui promovido como eu achei que eu seria. Então eu vou pedir demissão. O problema é expectativa. Não tem como esse papo de não criar expectativa também não faz sentido. Não tem como viver sem expectativa. Mas qual que é a regidez dessas expectativas? De que tem que ser sempre desse jeito, a sentenciidade nesse momento. Se não, não é bom para mim. Eu acho que isso tem a ver como é coisa que a gente fala muito aqui que é essa sensação. E a gente ouve tanta gente falando disso, que é "se eu não tô ganhando nessa relação, eu vou pular fora". É um cálculo. Isso é cripto amor, isso é cripto amizade. É muito bom, os extermos. E tem dias que o outro não vai te entregar, nem perto do que você quer. Porque o outro vai estar mal, porque nem sempre o encontro vai ser divertido. Talvez o outro não esteja tão interessado em você naquele dia porque ele está com os seus próprios problemas na cabeça. E você vai ter que segurar um pouco mais aquela relação. Tem aquela história da Burnett Brown que ela chega em casa com o marido dela e pergunta aí aí. Você está 50%, 20%, hoje eu tô só 20%. Você vai ter que segurar um pouco mais. Também é uma forma de fazer cálculos, mas pelo menos ela respeita que não vai ter uma simetria completo o tempo inteiro. Esse delírio da relação semérica. É, a gente tem muito medo de relações abusivas e as seméricas. Só que qualquer desequilíbrio já estremesse a base completamente. Você tocou num ponto muito sensacional, Lucas, que é. Você sabe que eu tô bem embrenhado nas histórias de psicanálise e vincular. E pensando um pouco mais nessa psicanálise intersubjetiva e não só na entra subjetiva. E isso é uma das coisas mais poderosas quando a gente pensa num vínculo. Quando é que uma relação acaba? Quando um vínculo perde a capacidade de continuar se transformando. Quando a gente rejeita a dor que inclusive existe nos vínculos ou quando a gente deposita expectativas de que aquele vínculo só vai ter afetos positivos mobilizados. Se a que existem afetos puramente positivos, a gente também está comprometendo a capacidade desse vínculo se transformar. A gente está deixando de acolher as nossas turbulências. Tem toda uma linha de pensamento na Melonicline que eu acho muito bonita que é como ela insistiu em a gente precisar aprender a tem intimidade com a nossa vida psíquica e também com a vida psíquica do outro. Reconhecer que a gente tem necessidade de ser amado e compreendido e que o outro também tem isso. Que isso vai ser muito importante, mas isso também vai ser muito difícil. Se compreendido e ser sustentado na nossa turbulência, na nossa ambivalência afetiva, é um balsa-mul da experiência humana e também é uma parte do inferno da experiência humana porque a gente precisa conseguir sustentar isso com o outro. Mas se dá para a gente continuar no nosso manual, um dos capítulos para mim seria "não dá para a gente viver sem sentir dor". A rejeição é uma espécie de parasita nessa ideia dos amores leves. É algo que corroi essa possibilidade ou ilusão ou delírio de que dá para viver as relações de uma forma 100% harmônica e zenta de dores e renúncios. É até uma eginização, uma esterelização das relações. Ou é uma saída das relações puramente na via do ódio. Quando a gente fala sobre vingança, quando a gente diz desse algo que é, então, eu vou. compensar essa rejeição que eu sofri, a gente tem que prestar bastante atenção também no que a gente está tentando fazer escapar pela via do ódio. Ou da vazão, eu sempre costumo dizer na clínica Lucas que é o que o ódio está mascarando, que outros afetos estão sendo tamponados pelo ódio, porque muitos de nós encontramos bastante conforto no ódio. Ainda mais em tempos tão polarizados e que a gente confia tanto no nosso pensamento rápido. Tem pessoas que confundem, por exemplo, ódio e tristeza. Nem sempre a gente precisa afastar a tristeza, afastador. Pelo contrário, aliás, em análise a gente toca exatamente nos pontos de dor. Então, vamos esquecer que muitas vezes a gente pode se sentir infurecido porque foi rejeitado, indignado. E aí já convoca aquele nosso lado mais cálstico, começa a detonar a pessoa que nos rejeitou. Mas vamos com calma. Tem uma tristeza aí que precisa ser respeitada. Tem uma dor na rejeição mais banal que merece ser escutada. Porque de novo ela está ligada com toda uma cadeia de rejeição, com toda um histórico, com toda a historicidade do sofrer que cada um de nós carrega. É André ambivalente, complexo. No fim, retornando uma coisa bem psicanolítica, cada um vai ter a sua forma de amar. E a gente aprendeu a partir do amor que a gente recebeu, mas também da nossa autocritica, a nossa autoconhecimento, da cultura, dos livros que a gente leu, dos filmes que a gente viu, etc. E se cada um tem a sua forma de amar e a sua forma de rejeitar, talvez, sempre vai ter alguma coisa estranha aí. Tem uns jeito bem esquisitos inclusive e a gente não está aqui para julgar ninguém. Porque a alteridade é estranha. Se você não tem alguma estranheza, algum desencontro na relação, você não está enxergando esse outro. Você está vendo só a sua demanda de amor ali refletida no outro, de uma forma idealizada. Então, se você não está recebendo o que queria exatamente do jeito que você queria, primeiro, vamos se acostumando com a insção, desmontar esse castelo e, segundo, talvez o outro simplesmente não queira ou não tem isso para dar para você. Por mais, dolorido que isso seja para você. Pode ser até um alívio meio estranho você considerar que a angústia de alguma forma o agústia da castração ou a dor da privação mais cedo mais tarde vai voltar e vai incomodar ainda mais. Principalmente quando a gente não se dá conta que não se trata da impotência de conseguir agradar o outro, mas sim da impossibilidade de conseguir agradar o outro em sua totalidade. Ou o tempo todo, ou de conseguir agradar todo mundo, ou de garantir que o outro vai estar agradado. E aí eu queria voltar para um ponto, lá do começo, André retomando até a história que a Maria homem falou de como rejeição é um dos termos mais absurdos que já se inventou. Adianta a gente tentar convencer alguém de que um não que ela recebeu não foi uma rejeição. Se o sujeito sente a negativa do outro como rejeição, o que que dá para fazer? A gente falou muita coisa aqui hoje, de que a gente não tem que negar que está se dindo rejeitado, que a gente vai ter que lidar com isso, ver o que isso traz das nossas lembranças mais antigas de rejeição, e são trabalhos muito interessantes de se fazer em análise. Recapitular todas essas histórias e mais histórias dos vários tipos de não que a gente recebeu e que a gente vai continuar recebendo na vida. Essas histórias não são todas iguais, tem contingências diferentes, contextos diferentes, e a gente vai fazendo essas interpretações dos movimentos afetivos dos outros. Essas lituras podem estar mais certas ou mais erradas, se é que existe certo ou errado aí. Só que eu acho que o ponto aqui é que a gente tem que ficar de sobreaviso, que a gente pode se afundar mais ou menos em interpretações muito imaginárias, sem um viés da confirmação com a realidade. Então, a gente falou de "Tá, tem os sinais, a gente tem que saber ler os sinais, ainda que existem os sinais, a gente vai ter que conversar sobre esses sinais. Quando dá para ficar supondo que o outro talvez tenha tentado dizer, e nessa questão, então, da recusa e da rejeição, convém mesmo a gente tentar distinguir melhor os diferentes tipos de negativa que vêm do outro. E aí você vai vendo que, talvez, uma determinada indisponibilidade é uma coisa e rejeição é outra, que desatenção do outro é uma coisa, mas que indiferença é outra, que você não ser elogiada a uma coisa, mas que você ser reprovado é outra, que o distanciamento é uma coisa, mas que o sumiço ou ghosting é outra. E o mais importante, que ausense a uma coisa e o abandona a outra. É muito sutil, mas a gente precisa se atentar para tentar identificar essas variações no nosso comportamento e no do outro, e não projetar tanto as nossas neuroses e inseguranças em cima do outro. Se não identificar a sua projetiva é o único idioma que a gente consegue falar, achei muito legal isso que você trouxe Lucas, porque é também um lembrete de como a gente precisa trazer o outro mais pra perto, o outro mais concreto, não só a versão do outro que mora dentro da sua cabeça, entende? É, mas cuidar também para não ser tão capturado pelas neuroses e inseguranças que o outro projeto na gente. É, no fim, Lucas, é por tudo isso que a gente vai ter que encarar as nossas regiências. É isso, Andre. Vamos ficar por aqui. Tá bom. A gente se vê na próxima. Até mais. Até, tchau. [Música]
Podcast Summary
Key Points:
A rejeição ativa a mesma região cerebral da dor física (córtex cingulado anterior) e pode desencadear regressão a experiências infantis de perda narcísica.
O termo "rejeição" é frequentemente confundido com simples negativas ou recusas, carregando um tom de repúdio e humilhação.
A infância é crucial
Discursos contemporâneos de autoajuda (como "ame-se primeiro") podem ser armadilhas narcísicas, pois negam a dependência humana e promovem um desapego consumista nas relações.
A rejeição não se limita ao campo amoroso; ocorre em família, escola, trabalho, e sua intensidade varia conforme a história psíquica de cada um.
Para lidar com a rejeição, é importante reconhecer que o desejo é inconsciente e que ninguém controla totalmente o desejo do outro, evitando a armadilha de tentar se moldar a um "eu ideal" para ser aceito.
Summary:
O episódio aborda a rejeição como uma das feridas emocionais mais dolorosas, comparável à dor física, e explora suas origens psíquicas desde a infância, quando a criança perde o lugar de centro do universo no complexo de Édipo. Essa experiência inicial pode gerar um "complexo de rejeição", que leva o sujeito a repetir padrões de abandono e a se sentir permanentemente desamparado. Os apresentadores criticam os discursos de autoajuda que pregam o "ame-se primeiro" como solução, apontando que isso pode ser uma armadilha narcísica que nega a dependência humana e promove relações descartáveis, baseadas no consumismo.
Eles destacam que a rejeição não é apenas amorosa, mas também social (escola, trabalho) e que sua vivência varia conforme a história de cada um. Uma saída neurótica comum é tentar rejeitar antes de ser rejeitado, criando uma casca de indiferença que impede a intimidade. A chave para lidar com a rejeição, segundo os psicanalistas, é reconhecer que o desejo é inconsciente e que ninguém controla totalmente o desejo do outro.
Em vez de tentar se encaixar em um "eu ideal" para agradar, é preciso aceitar a falta e a diferença do outro, lembrando que "o que é do outro é do outro". A rejeição, embora dolorosa, pode ser uma oportunidade para lapidar o narcisismo e transformar o sujeito, desde que não seja vivida com vergonha ou segredo.
FAQs
A rejeição é uma ferida emocional que ativa memórias de experiências passadas, especialmente da infância, como a crise narcísica do complexo de Édipo, onde a criança descobre que não é o centro do universo.
Estudos mostram que a rejeição ativa o Córtex Cingulado Anterior, a mesma região do cérebro responsável por dores físicas, explicando a intensidade do sofrimento.
Rejeição tem um tom de repúdio e humilhação, enquanto uma negativa ou recusa é mais neutra. Nem todo 'não' é uma rejeição.
É um padrão psíquico onde a pessoa, devido a experiências precoces de desamor, tende a repetir situações de rejeição, às vezes até provocando-as inconscientemente para confirmar seu lugar no mundo.
O hiperinvestimento no ego, como nos mantras de 'ame a si mesmo', pode criar uma casca que bloqueia a empatia e a capacidade de lidar com a dependência do outro, levando a uma rejeição antecipada.
Manter a rejeição em segredo gera vergonha e paralisia. Compartilhar a experiência ajuda a normalizar o sofrimento e evitar o isolamento.
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