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Lula vai virar ou Flávio vai se distanciar?

47m 6s

Lula vai virar ou Flávio vai se distanciar?

O programa WW da CNN Brasil debateu a reta final da eleição brasileira, com pesquisas indicando oscilação positiva para Lula ante Flávio Bolsonaro. Três levantamentos divulgados na sexta-feira mostram redução significativa da vantagem do candidato do PL, com o Poder Data registrando empate técnico em 50% dos votos válidos para cada candidato. Analistas apontaram que os dois debates televisivos previstos para os dias 20 e 23 de outubro serão decisivos para determinar se haverá virada de Lula ou confirmação do favoritismo de Flávio. As campanhas adotam estratégia cautelosa, buscando evitar confrontos diretos que possam gerar desgaste. O fator idade foi discutido, com os 80 anos de Lula representando experiência mas também desgaste de imagem, enquanto os 45 anos de Flávio trazem vigor mas falta de experiência em gestão pública. Outro tema foi a disputa entre o PT e a Meta, com acusações de tratamento assimétrico nas redes sociais e decisão do TSE proibindo limitação de alcance de conteúdo político. Sobre os Estados Unidos, a demissão da secretária de imprensa Kate Zaharia após apenas cinco dias evidenciou o improviso na administração Trump, que enfrenta crise de imagem às vésperas das eleições de meio de mandato, com aprovação pouco acima dos 30% e perspectivas desfavoráveis para os republicanos no Congresso.

Transcription

5318 Words, 30802 Characters

Portuguese
Speaker 1Olá, boa noite. Esta é a CNN Brasil e este é o WW. A semana termina com pesquisas que sugerem uma oscilação positiva em favor do presidente Lula ante Flávio Bolsonaro. A grande dúvida hoje é se isso é uma virada ou se Flávio ainda é favorito. A favor de Lula estão a mobilização nas ruas e nas redes, da militância, o amplo pacote de bondades quase que diário anunciado pelo governo. A favor de Flávio estão a onda da direita no primeiro turno e a desaprovação ainda alta de Lula, que indicam um teto para o presidente. Além de pesquisas internas da campanha e do mercado que mostram Flávio na frente ainda com uma folga maior do que as pesquisas oficiais. Não há uma resposta clara e definitiva sobre essa dúvida, mas há uma certeza. Os grandes fatos, os novos previstos. Aqui, até o dia 25 de outubro, o segundo turno, serão os dois debates ao vivo na TV. O desempenho de Flávio e Lula neles é que deve determinar se haverá uma virada de Lula ou se o resultado do primeiro turno se repetirá no segundo turno. WW, hoje a gente vai falar também sobre a acusação do PT de que a meta interfere nas eleições brasileiras e sobre a crise de imagem e de comunicação enfrentada por Donald Trump. Participa do WW hoje aqui conosco nos estúdios. Da CNN em São Paulo, na Avenida Paulista, o jornalista e cientista de dados, Sérgio De Nicoli, senhor da AP Exata. Bem-vindo, meu caro. Obrigado, Caio, pelo convite. Tirar seu tempo e vir passar a sexta-noite aqui com a gente. Foi um prazer. Prazer. Lá de Brasília, a Jussara Soares, nossa analista. Bem-vinda, Jussara. E comigo também aqui em São Paulo, a Thaís Herédia, apresentadora, âncora, repórter, analista, né? Sua amiga. E tudo mais, principalmente, né, Thaís? Bom, três pesquisas eleitorais divulgadas nesta sexta-feira mostram números que animam a campanha de Lula e levantam ali uma apreensão, um sinal amarelo, na campanha de Flávio Bolsonaro. Vamos ver os dados a seguir na reportagem de Carol Rosito, de Brasília.
Speaker 2A Futura foi uma das pesquisas que apontaram Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula na véspera do primeiro turno. O levantamento Futura 100% Cidades, divulgado nesta sexta-feira, colocou Flávio com 50 ,8% dos votos válidos e Lula com 49,2%. Na terça-feira, a Futura indicava Flávio com 51,8% e Lula com 48,2%, ou seja, a vantagem do candidato do PL oscilou de 3,6% para 1,6 ponto percentual. A diferença é menor que a registrada nas urnas em 2022, quando Lula venceu Jair Bolsonaro 1,8 ponto percentual dos votos válidos. O Instituto Poder Data também divulgou números nesta sexta-feira. Foi a terceira rodada de pesquisas desde o primeiro turno. O levantamento Poder Data AIA mostra Flávio e Lula empatados, com 50% dos votos válidos cada um. Na pesquisa divulgada na última terça, o candidato do PL tinha 51% contra 49% do petista. E no levantamento realizado na semana passada, o candidato do PL tinha 51% contra 49% do petista. Na semana passada, Flávio tinha 53% e Lula 47%. Assim, o que era uma diferença numérica de 6 pontos percentuais a favor de Flávio caiu para zero, segundo a Poder Data AIA. Outra pesquisa, a CNT-MDA, apontou o saldo de desaprovação do governo em 1,7 ponto. Antes do primeiro turno, a avaliação negativa superava a positiva em 5,9 pontos. A avaliação negativa superava a positiva em 5,9 pontos. Outra pesquisa, a CNT-MDA, apontou o saldo de desaprovação do governo em 5,9 pontos.
Speaker 3Um eventual. enfim, em escala de 5 por 2. Então, isso foi muito falado, tanto que hoje ele aproveitou o espaço que ele teve no Jornal Nacional para poder rebater isso. Funcionou de certa forma, só que não foi uma efusividade tão grande quanto o PT esperava. Porque nós temos aí, como eu falei, uma margem muito pequena, a empate, a rejeição dos dois é muito grande, então é preciso convencer muitos eleitores, principalmente os que não foram votar, porque as pessoas estão muito certas, as pesquisas mostram isso. A dificuldade de virar voto é muito grande nessas eleições, então é muito difícil, realmente, com esses pacotes de bondades que vão aparecendo, haver uma massa tão grande de pessoas ao ponto de mudar o resultado da eleição, que no primeiro turno foi mais favorável ao Flávio.
Speaker 1Jussara, a gente tem o debate de domingo na Band, 8 da noite, depois tem o debate no dia 23. Muita gente, nós aqui inclusive, os colegas analistas da CNN, dos outros veículos, colocando os dois debates, as campanhas também como. Os dois potenciais fatos novos, grandes, de impacto para decidir essa eleição, se o Lula vira ou se o Flávio confirma esse favoritismo. Do que você tem conversado nas duas campanhas, o que esperar desses debates? Vamos falar primeiro, obviamente, do de depois de amanhã, que é o da Band, que está aí na nossa frente já. O que o público pode esperar dos dois candidatos?
Speaker 4Olha, antes do que o público pode esperar, eu vou trazer um pouco do sentimento que eu tenho nas conversas nas duas campanhas. É que, obviamente, eles têm traçado uma estratégia bastante cautelosa e querem aproveitar esse espaço para serem propositivo, mas também com o cuidado de não subir em muito tom. E aí tem um motivo, porque ambos os lados, cada um, cada candidato, tem acusações para fazer contra o seu rival. Então, a ideia das duas campanhas é justamente calibrar isso de um modo que um ataque não vire um revide que possa tirar a pessoa, quer dizer, o candidato do prumo. Isso vale para as duas campanhas. Em determinado momento, eu sinto que tanto a campanha de Flávio quanto a campanha de Flávio e Bolsonaro querem ir para esse debate, se expor, mas querem sair dali com empate, justamente para tentar ali nas suas comunicações mais diretas com o eleitor, por rede social, nas ruas, alcançar um outro eleitor. Então, eu observo também muito medo deles nesses debates, porque veem como uma oportunidade, mas também veem com um risco muito grande, porque nesse cenário apertado que as pesquisas apontam agora, o cálculo é qualquer erro pode ali tirar um percentual importante nessa reta final. Então, por isso que eu fico com essa sensação de que eles estão indo para um debate com a vontade de sair com empate, nem tanto com ganhar, mas com um empate ali de um lado ou outro. Seria um resultado bom para eles, obviamente. Se conseguirem sair ali vitoriosos do confronto, seria ótimo, mas ao tentar essa vitória, se expõe também a tomar gol. Quem gosta de futebol, geralmente é assim, vai sair para o ataque e fica exposto.
Speaker 1E você falando de empate, eu fiquei com a impressão que o empate, em princípio, pelo menos neste caso, favorece quem está na frente, que é o Flávio Bolsonaro. Quem precisaria arrebentar, vamos dizer assim, os dois precisariam, se quiserem vencer e chegar com mais tempo. Com mais segurança na outra semana. Agora, o Sérgio, eu tenho tido uma reflexão, ontem eu falei um pouco disso aqui, sobre o fator idade neste debate, tanto de domingo quanto da outra sexta. Fator idade sendo, possivelmente, um fator a favor e contra, cada um dos dois. No caso do Flávio, se a juventude, e ter mais energia, naturalmente, tem 45 anos de idade, é um fator para ele aproveitar, o sujeito com 45 anos falou, pô, é agora, preciso ganhar isso aqui, não vai acontecer de novo. Ou se o fator idade de ter 45 anos e nunca ter passado por uma experiência como essa vai ser um peso para ele, uma dificuldade para ele enfrentar. E no caso do Lula, se os 80 anos dele vai ser algo a seu favor, o cara debateu com o Maluf, com o Brizola, com o Covas, o Caiado, José Serra, Geraldo Alckmin, Jair Bolsonaro, enfim, está desde 89 participando de debates ao vivo. Se ele usa isso a seu favor, ou se os 80 anos também pesarão num raciocínio mais lento, numa dificuldade ali de buscar uma resposta rápida, e eu queria te ouvir sobre isso.
Speaker 3A gente tem visto uma mudança geracional, muitos deputados muito jovens sendo eleitos, senadores muito jovens, governadores muito jovens, eu acho que é uma era muito mais focada na juventude. Mas a questão do etarismo, ela não apareceu no primeiro turno, ela vem aparecer no segundo turno, justamente pelo desgaste. O desgaste do Lula, mais pela figura dele muito cansada, do que pela própria idade. Porque tem a questão da experiência também, eu acho que hoje ele demonstra um certo vigor, não se demonstra como uma pessoa cansada para exercer o cargo, mas há um cansaço de imagem mesmo, muitos anos, e o que se fala muito nas redes é que o Lula tem reiterado promessas feitas em várias campanhas. Então, é um discurso que já está um pouco mais antiquado na visão das pessoas. Já o Flávio Bolsonaro, pronto, é mais jovem, é mais novo, tem esse vigor dessa juventude, mas também traz algum desgaste, justamente por conta do pai, da, enfim, rejeição que o Bolsonaro abarcou e traz para ele. Mas eu acho que é uma questão, realmente, de nós vermos uma mudança de nacional, mas não é o tema principal da campanha, certamente.
Speaker 5E tem o ponto que o Flávio tinha apontado como não experiente, né, ele não tem experiência em gestão pública, né. Então, esse é o contraponto, mas diga, Caio.
Speaker 1Não, era exatamente sobre isso que eu queria a sua percepção, Thaís, esse seu olhar, a idade é um. É um ponto a favor ou contra, os dois, num evento como esse, cara a cara, ao vivo, Brasil inteiro vendo?
Speaker 5É, eu acho que a idade em si, eu vejo ela muito mais um problema para a esquerda brasileira, especialmente para o PT, que esses anos todos, sob o comando e a liderança do Lula, jamais permitiu que uma outra liderança assumisse um lugar forte o suficiente. Então, hoje, o PT e a esquerda brasileira. Chega com o único candidato viável, leva anos para você fazer essa construção, então, um país jovem que elege um Congresso Nacional jovem, vários governadores também abaixo de 50 anos de idade, e ter a esquerda brasileira com o único candidato viável, o Lula de 80 anos, ele está mostrando vigor, ele corre o tempo inteiro, faz ginástica e tal, então, e hoje, os 80 são os 9,60, está tudo bem. A questão é geracional. Então, mas eu acho que pesa o ponto. Eu acho que o ponto do Flávio não ter experiência. Eu acho que pesa o ponto dele ser, da maior fortaleza dele, ser o sobrenome dele. Porque o histórico dele, mesmo na política, não é um histórico robusto. Então, ele não tem experiência em gestão pública, então, esse é o contraponto com o Lula especificamente. Com outros candidatos, eu não sei, mas com o Lula especificamente, a idade do Lula pesa menos nessa história, porque o Flávio, o único contraponto dele à idade do Lula é ser jovem.
Speaker 1Sim. Então, um pensamento também de que o Lula, ele não quer, de maneira alguma, acabar a carreira dele perdendo para o filho do adversário. Então, isso pode ser um fator motivacional a mais, além de todo o contexto político, agendas, políticas públicas e tal.
Speaker 5E os seus aliados também não querem, nem seus apoiadores.
Speaker 1E o Flávio tem uma questão de honrar o pai, vamos dizer assim. O pai foi preso, está lá, enfim, todas as questões envolvendo, sob a ótica dele também, pode ser um fator motivacional a mais. Eu vou chamar o intervalo, a gente vai continuar falando de eleições brasileiras daqui a pouco, mas sobre especificamente a questão da meta. Hoje é muito forte, já desde ontem, na verdade, a campanha do presidente Lula reclamando da atuação da meta nas eleições. Até já. WW de volta e conosco agora, Carlos Afonso Souza, que é professor de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a UERJ, e também é diretor do Instituto Tecnologia e Sociedade. Carlos Afonso também é um dos autores da proposta do Marco Civil da Internet. É o CAF. Carlos Afonso, bem-vindo, meu caro.
Speaker 6Obrigado, Caio. Obrigado a todos. Um prazer estar aqui com vocês.
Speaker 1Prazer é todo nosso, meu caro. Nessa reta final da campanha, a gigante. A gigante da tecnologia meta, meta é dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, se tornou um ponto de disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula. O PT critica supostos tratamentos assimétricos da companhia, que se defende dizendo que não toma partido nas eleições brasileiras, muito embora tenha admitido falhas técnicas.
Speaker 7Acompanhe. A insatisfação da campanha de Lula com a empresa não é recente, mas ao longo da última semana, as críticas passaram a crescer. Na última quinta-feira, a equipe do petista apresentou supostas falhas técnicas cometidas pela meta a observadores internacionais das eleições. Seriam oito ocorrências demonstrando um favorecimento a Flávio nas redes, além de afrontas à legislação. Em um dos casos, o PT acionou o Tribunal Superior Eleitoral por um tratamento desigual por parte da meta EA, ferramenta de inteligência artificial da companhia. Usuários relataram conseguir solicitar a criação de uma bandeira, com os dizeres Flávio XXII, mas não uma. com o Lula 13. Em outro, o partido citou uma redução no alcance digital das contas de Lula. Nesta sexta-feira, a meta se defendeu das alegações do PT. A companhia afirma que não toma partido em eleições e que os pontos que a campanha de Lula apontou eram falhas técnicas globais, não cenários de manipulação. No fim do texto, a empresa disse que os eleitores brasileiros merecem fatos e não uma narrativa política construída pela combinação de problemas técnicos sem relação entre si e que seguirá aplicando regras e cumprindo a legislação local. No meio da confusão, o TSE atendeu em parte à ação da campanha de Lula. O tribunal proibiu a gigante da tecnologia de limitar o alcance de conteúdo político dos dois candidatos. Em caso de descumprimento, a multa diária é de R$ 500 mil. Em outra frente, a corte definiu regras para os canais de WhatsApp ligados às campanhas. Isso é um problema que não se pode evitar. Isso ocorreu depois de uma série de impasses envolvendo o espaço chamado de Exército do Lula. Entre os critérios estão uso de recursos financeiros para estruturar, manter ou operar o canal, uso de estrutura ou pessoal da campanha, utilização de suporte técnico ou tecnológico da campanha, divulgação nos canais oficiais da candidatura, direcionamento sistemático aos perfis oficiais da campanha e orientação da campanha sobre o conteúdo.
Speaker 1Carlos Afonso, diretamente ao ponto, a meta está interferindo na eleição brasileira, na sua percepção?
Speaker 6Olha, Caio, o que me parece nesse caso é que, com as informações que nós temos hoje, essa é uma afirmação que não dá para se cravar. Tanto é assim que o próprio TSE não aplica esse entendimento. E acho que é bem da verdade, a gente tem que olhar para os dois pontos que estão em discussão, porque às vezes eles parecem um tanto quanto misturados. De um lado, o que está se discutindo é distribuição do conteúdo em redes sociais e, em especial, a questão ligada a anúncios. E aqui, a meta reconhece que houve uma falha em que a conta de anúncios do Lula ficou bloqueada de maneira indevida. E, nesse ponto, o TSE acaba fazendo o que precisa ser feito, que é mandando que a meta efetivamente rode os anúncios do Lula que foram pagos e que não foram distribuídos na plataforma. Então, uma primeira discussão diz sobre distribuição de conteúdos. A segunda diz respeito à inteligência artificial. E aqui, em especial, a Meta AI, que é a ferramenta de inteligência artificial embarcada nas redes sociais, mas, em especial, aqui no caso do WhatsApp, que ela criaria uma imagem escrito Flávio 22 e não criaria uma imagem escrita Lula 13. A própria meta reconhece que estava bloqueado também expressões ligadas como, por exemplo, Bolsonaro. Você não conseguiria criar Bolsonaro 22, mas a empresa entendeu que o nome Flávio em si, sozinho, seria genérico demais, seria geral demais e que não haveria ali uma necessidade de se fazer um bloqueio. No final das contas, se percebeu que se você poderia gerar Flávio 22, mas você não consegue gerar Lula 13, você acaba tendo que fazer um bloqueio. Então, a Meta AI, que é a ferramenta de inteligência artificial embarcada nas redes sociais, é uma ferramenta de inteligência artificial embarcada nas redes sociais. Então, a Meta AI, que é a ferramenta de inteligência artificial embarcada nas redes sociais.
Speaker 5Porque o medo da interferência internacional, vou botar entre aspas "internacional", sobre as eleições, é um medo compartilhado em todos os lugares. Aqui na América Latina, durante as eleições, foi também. Na Europa, que vai enfrentar eleições agora também, há esse medo, ainda mais em função da guerra na Ucrânia. O quanto você enxerga a legislação brasileira, que você participou, e mesmo o Tribunal Superior Eleitoral, com os mecanismos que tem, minimamente preparados para responder com rapidez, porque o que a gente viu, por exemplo, agora no caso dessa discussão do canal do WhatsApp, essa discussão começou há 10 dias e só hoje saíram as regras.
Speaker 6Olha, Thais, eu fico com a impressão de que o anúncio dessas novas regras para os grupos de WhatsApp mostra, é um cenário que talvez seja mais revelador de como, quando se lida com tecnologias digitais, você precisa estar preparado para ser surpreendido, ainda mais quando a gente fala em eleições como acontecem no Brasil, que se desempenham num curtíssimo período de tempo. O TSE tem, o que talvez seja, o conjunto de regras mais robusto que diz respeito ao uso de inteligência artificial para fins eleitorais das democracias. Você tem uma aplicação, acho que bastante recorrente, dessas normas e um olhar para internet e redes sociais nas resoluções do TSE há mais de década. Mas a gente está vendo, há nove dias do fechamento do segundo turno, novas regras sendo criadas, porque a discussão toda que se deu com relação ao grupo de WhatsApp do Janones mostrou que as regras que a gente tinha de pé não davam conta das peculiaridades da discussão que surgiu, nesse caso, do grupo de WhatsApp. E a gente vê o quanto essas regras muito robustas que nós temos para a inteligência artificial, que tratam de rotulagem de conteúdo para dizer que aquele conteúdo foi criado por IA, proibição do uso de avatares e outras questões que existem nas regras do TSE, talvez não estivessem no detalhe para pegar uma discussão, como a gente está vendo agora, que é não conseguir gerar uma figurinha, uma figurinha ou um pôster que utilize o nome de um candidato e permite gerar o de outro. Então, no final das contas, me parece que, por mais que, nesse caso em si, o TSE tenha agido bem no que diz respeito a essa contestação sobre a atuação da meta, quando a gente vai olhar no retrovisor para o que aconteceu nessa eleição, acho que fica um sentimento um tanto quanto agridoce, porque, se, por um lado, o Brasil criou várias regras que foram importantes, muitas delas sendo aplicadas nessa eleição, elas não foram suficientes. E aqui me parece que a culpa cai dos dois lados. Cai para as empresas de tecnologia que fazem da moderação de conteúdo e do treinamento dos seus modelos de inteligência artificial uma situação de opacidade, de pouca transparência. Esse é um conteúdo, quando a gente olha para a moderação de conteúdo, que ela é pouco transparente. Pouco informativa, pouco coesa. Então, tudo isso atrai um grau de incerteza para o próprio funcionamento das empresas. E, por outro lado, quando a gente olha para as autoridades e aqui, em especial, para o TSE, regras criadas faltando nove dias para o fechamento do segundo turno também é um componente de incerteza. Por isso que me parece que o legado dessa reta final da eleição, quando a gente olha para temas de tecnologia, é justamente a criação desse cenário de uma dupla incerteza. Tanto de como funciona a tecnologia, que é central para o debate eleitoral, tanto como são aplicadas as regras que a própria corte definiu para si própria.
Speaker 1Bom, Carlos Afonso Souza, muito obrigado. Vou me despedir de todo mundo aqui, daqui a pouco a gente vai falar de Donald Trump, mas começar pelo CAF, pelo Carlos Afonso Souza, professor de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, a UERJ, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade, também um dos autores da proposta do Marco Civil da Internet. Muito obrigado, meu caro. Bom final de semana.
Speaker 6Obrigado, Caio. Obrigado.
Speaker 1Nós que agradecemos. Sérgio De Nicoli, jornalista e cientista de dados, CEO da Pesada, meu caro. Bom final de semana, muito obrigado.
Speaker 3Obrigado, Caio. Bom fim de semana para todos.
Speaker 1Jussara Soares, bom final de semana. E também a Thaís Heredia está aqui. Bom, daqui a pouco a gente muda de time, muda de assunto, vamos falar sobre Donald Trump em meio à crise de imagem. O presidente dos Estados Unidos demitiu a secretária de imprensa cinco dias depois da posse. Até já. ♪ De volta e conosco agora, Carlos Gustavo Poggio, especialista em política dos Estados Unidos e professor de ciência política da Barrier College, no Kentucky, de onde participa de forma remota. Bem-vindo, professor. Perdão. ♪
Speaker 8Bom, Caio, prazer em conversar com você e quem nos assiste. Bom lanche a todos.
Speaker 1Lorival Santana também comigo aqui, meu chapa, meu amigo. Bem-vindo, Lorival. Presidente Donald Trump demitiu nesta sexta-feira Kate Zaharia do cargo de secretária de imprensa da Casa Branca apenas cinco dias depois da posse. A reportagem é de Mariana Janjácomo.
Speaker 9A demissão encerra o turbulento período de Zachariah como principal porta-voz da Casa Branca. Sua inexperiência ficou evidente na primeira vez que ocupou a tribuna de imprensa, quando pareceu nervosa e respondeu a apenas três perguntas. Mais tarde, no mesmo dia, deu uma resposta confusa a uma questão sobre onde havia prestado o exame da ordem dos advogados. Como se descobriu depois, ela nunca havia passado no tal exame. Tudo isso levou a questionamentos cada vez maiores sobre quanto tempo Zachariah conseguiria permanecer no cargo. Nesta sexta-feira, a caminho de um comício na Geórgia, Trump disse que pediu a Kate que reconsiderasse seu papel, praticamente decretando o fim do breve ciclo da então secretária de imprensa no cargo. O republicano afirmou que a aliada foi maltratada pela mídia e a elogiou como uma apoiadora leal. Mas deixou claro que não acredita que Zachariah é a pessoa adequada para falar em seu nome.
Speaker 10O mandato de cinco dias de Katie Zachariah acabou
Speaker 9sendo mais curto do que os 11 dias de Anthony Scaramucci como diretor de comunicações, e que eram usados até aqui como parâmetro para medir a longevidade de funcionários da Casa Branca em apuros. A troca na posição de principal porta-voz do governo é mais um problema para Trump, a menos de três semanas das eleições legislativas de meio de mandato. Um dos principais obstáculos para os republicanos tem sido justamente a imagem pública e a aprovação do presidente, que hoje registra o pior índice de aceitação entre o eleitorado de seus dois mandatos, pouco acima dos 30%.
Speaker 1Ju, o que essa demissão, quase que sumária, cinco dias no cargo apenas, de uma secretária de imprensa, a gente que cobre governo sabe que é um cargo chave, e quando ocorre um episódio como esse, de uma demissão rápida de alguém que acabou de chegar no cargo, numa área tão sensível como é a comunicação de governo, na principal potência do mundo, é porque nos revela algo sobre o estado das coisas no governo Trump. Qual é? O que nos revela essa demissão?
Speaker 8Eu acho que a sua pergunta, Caio, vai no coração do problema. O problema é como Donald Trump seleciona para um cargo tão importante, como você falou, uma pessoa que não tem as qualificações para tanto. Claramente, Donald Trump, isso demonstra, na verdade, a forma do Donald Trump administrar o país, que é muito de uma forma improvisada, e as coisas que ele valoriza. Ele valoriza a lealdade, ele via nela uma pessoa leal, que participava de televisão. Outra coisa que Donald Trump dá muita atenção é essa questão da televisão. Ele assiste muito a televisão, e ele trata muito a presidência como um grande show televisivo. Então, ele olhou para a Zacharia e achou que ela tinha características interessantes para aparecer na televisão, seja pela aparência dela, seja pelo fato de ser uma comentarista de mídia. Mas o trabalho de lidar com jornalistas, o trabalho de comunicação de um governo, ele é muito mais complexo, na razão pela qual outros porta-vozes, eles emergiram de dentro do governo, eles tinham uma carreira que já vinha de alguma forma na campanha, ou que eram jornalistas experientes, porque demandam um tipo de habilidade que é algo que não se constrói do dia para a noite. Então, eu acho que o que revela é o que a gente tem visto em vários desses nomes de Donald Trump, que é o improviso e a preferência pela lealdade sobre a competência. Agora, Lourival, dá
Speaker 1uma atualizada para a gente da situação das militêmias. Como que se encaminha, como que dialoga com o que a gente viu hoje?
Speaker 11Sim, veja, a Câmara dos Deputados deve ir para as mãos dos democratas, e lá a maioria é simples para tomar decisões, com exceção, obviamente, de mudar a ordem, a Constituição, mas faz muitos anos que a Constituição não é mudada nos Estados Unidos, porque nunca nenhum partido obteve uma maioria, uma margem tão grande assim. Agora, o Senado é dúvida, e o fato de ser dúvida já é um ganho para os democratas. Por quê? O Senado é renovado a cada dois anos em um terço, e aí depende de quais estados que vão ser renovados para a gente ter a tendência, porque se forem estados republicanos, normalmente continuam nas mãos dos republicanos, democratas, democratas. Isso é um pouco, tinha pouca mobilidade, este ano não. O quadro, são 35 cadeiras que vão ser renovadas, das 100, das quais 22 são de estados republicanos, estão nas mãos de republicanos, e 13 de democratas. No entanto, há uma perspectiva dos democratas. Hoje é 53 republicanos e 47 democratas, de os democratas virarem isso, talvez para 51, 41. O que revela que estados que são profundamente republicanos, como Texas, o Kansas, a Carolina do Norte, o Alaska, e estados que ultimamente têm sido mais republicanos, já foram pêndulos, como Ohio, estão em disputa. O Trump contribuiu com isso ao, por exemplo, no Texas, forçar a candidatura. No caso do Ken Paxton, que é impopular, ele se envolveu em muitos escândalos e tal, ele era procurador-geral do Texas, contradizendo o desejo dos republicanos texanos, então isso também acabou contribuindo, mas o importante é que a simples, o fato de os democratas muito provavelmente obterem a Câmara de volta, já criará muitos irritantes, muitos problemas reputacionais para todos. O Trump, com isso eles dominarão os comitês, que vão fazer subpinas, que são intimações contra funcionários americanos, expor o governo, acusar de corrupção, de abuso de poder,
Speaker 1de ilegalidades. Opoj, você também projeta, imagina esse cenário da Câmara com a oposição e do Senado ainda nessa indefinição, como você traça essas semanas até o 3 de novembro?
Speaker 8Eu não tenho uma dúvida nenhuma da vitória democrata. A vitória democrata na Câmara e o que a gente tem visto cada vez mais é uma vitória democrata também no Senado. Acho que uma indicativa muito forte disso, Caio, para além das questões das pesquisas e a gente ver como está se movimentando o Partido Republicano e mais importante para onde está indo o dinheiro. A gente tem visto muitos doadores de campanha e muitas campanhas sendo feitas em estados seguramente republicanos. A gente vê o Donald Trump e vê o Partido Republicano concentrando recursos no Senado do Texas, em Oklahoma, em Alabama. Em lugares onde os republicanos estariam seguros. Ou seja, o cenário que nós temos hoje, se a gente olhar como as campanhas estão se desenvolvendo, é um cenário de proteção onde os republicanos são mais fortes e meio de abandono onde eles teriam alguma chance de ganhar. Então, me parece que nesse momento a gente tem uma situação de um alerta amarelo muito forte dentro da campanha republicana, com a possibilidade de perder alguns assentos. Um assento muito seguro republicano, por exemplo, que é a Carina do Sul, que é do Lindsey Graham, que morreu recentemente e agora a irmã dele é candidata. Nesse estado, existem algumas pesquisas que dão algum tipo de indicativo de que os democratas podem ir bem. Então, os republicanos estão sendo obrigados a colocar dinheiro de campanha num assento que seria seguro dos republicanos. Então, acho que esses indicativos nos mostram um cenário bastante preocupante numa situação em que a história está contra os republicanos, já que o presidente costuma perder, o partido presidente costuma perder cadeira. E o presidente Donald Trump tem uma popularidade muito baixa e isso é um outro fator que dificulta muito a vida dos republicanos nas eleições de meio de mandato.
Speaker 1Olival, essa crise é dele sozinho ou é uma crise dos republicanos e o quanto que essa crise pode afetar, se for o Jay DeVance o candidato, a sucessão dele?
Speaker 11É uma crise muito do Trump, porque os democratas estão super desarticulados, eles não conseguiram se reorganizar depois da derrota. Derrota da Kamala Harris, está havendo, por exemplo, radicalização dos democratas de esquerda e isso, por exemplo, está colocando em perigo uma cadeira do Senado no Michigan, que é um estado democrata, então os democratas também não estão bem, só que a situação econômica dos Estados Unidos, ela se agravou em vez de melhorar e essa foi a pauta da eleição de 2024 e o Trump não cumpriu as promessas. Não cumpriu as promessas de atacar o alto custo de vida e de não se envolver em guerras distantes. Então, ao contrário, ele veio com a política das tarifas, a política das imigrações, isso sim, dos imigrantes foi uma promessa dele, mas isso também acaba gerando inflação porque aumenta o custo da mão de obra, a escassez de mão de obra e essa guerra contra ele criou um choque de energia e não só de energia, mas de fertilizantes, de transporte, de cereais, enfim, um choque na oferta de coisas que são essenciais. Isso afeta, principalmente, as pessoas mais pobres, os eleitores latinos e negros, que são aqueles que têm, no fundo, decidido as eleições, ido para o lado dos democratas e depois pendulado para o lado do próprio Trump e agora voltando para os democratas.
Speaker 1Em 30 segundos, Lourival, não seria o Jay DeVance esse nome natural?
Speaker 11Ainda não é certeza, o Trump gosta do Marco Rubio e gosta dos dois, mas tem demonstrado que prefere o Marco Rubio, que concentra muito poder no governo, secretário de Estado e conselheiro de segurança nacional, mas ainda é cedo para isso, temos ainda quase dois anos pela frente para essa definição.
Speaker 1Lourival, muito obrigado, bom final de semana. Obrigado, Carlos. Carlos Gustavo Poggio, especialista em política dos Estados Unidos, professor de ciência política do Beria College, no Kentucky, de onde participou conosco de forma remota. Bom final de semana, Poggio. Muito obrigado. Obrigado,
Speaker 8bom final de semana.
Speaker 1A todos vocês que ficaram conosco até agora, a WWW termina aqui, uma boa noite, um excelente final de semana, agora continua com um grande debate com a Juliana Lopes e migra com a Jussara Soares. A gente continua expediente aqui, só muda um pouco o time. Até já. Bom final de semana a todos. Um abraço e até a próxima. Um abraço e até a próxima.

Podcast Summary

Key Points:

  1. Três pesquisas divulgadas na sexta-feira mostram oscilação positiva para Lula em relação a Flávio Bolsonaro, com a vantagem do candidato do PL caindo de forma significativa.
  2. A pesquisa Futura 100% Cidades apontou Flávio com 50,8% dos votos válidos contra 49,2% de Lula, redução da vantagem de 3,6 para 1,6 ponto percentual.
  3. O Instituto Poder Data registrou empate técnico entre os dois candidatos, com 50% dos votos válidos cada, eliminando a diferença de 6 pontos que existia na semana anterior.
  4. Analistas apontam que os dois debates ao vivo na TV, nos dias 20 e 23 de outubro, serão os grandes fatos novos capazes de determinar se haverá virada de Lula ou confirmação de Flávio.
  5. As campanhas adotam estratégia cautelosa para os debates, buscando serem propositivas e evitando subir o tom para não sofrer revides que possam desestabilizar os candidatos.
  6. O PT acusa a Meta de tratamento assimétrico nas redes sociais, e o TSE atendeu parcialmente à ação proibindo a empresa de limitar alcance de conteúdo político dos dois candidatos.
  7. Donald Trump demitiu a secretária de imprensa Kate Zaharia apenas cinco dias após a posse, evidenciando improviso e preferência por lealdade sobre competência na sua administração.
  8. A crise de imagem de Trump ocorre a menos de três semanas das eleições de meio de mandato, com seu índice de aprovação no pior patamar dos dois mandatos, pouco acima dos 30%.

Summary:

O programa WW da CNN Brasil debateu a reta final da eleição brasileira, com pesquisas indicando oscilação positiva para Lula ante Flávio Bolsonaro. Três levantamentos divulgados na sexta-feira mostram redução significativa da vantagem do candidato do PL, com o Poder Data registrando empate técnico em 50% dos votos válidos para cada candidato. Analistas apontaram que os dois debates televisivos previstos para os dias 20 e 23 de outubro serão decisivos para determinar se haverá virada de Lula ou confirmação do favoritismo de Flávio.

As campanhas adotam estratégia cautelosa, buscando evitar confrontos diretos que possam gerar desgaste. O fator idade foi discutido, com os 80 anos de Lula representando experiência mas também desgaste de imagem, enquanto os 45 anos de Flávio trazem vigor mas falta de experiência em gestão pública. Outro tema foi a disputa entre o PT e a Meta, com acusações de tratamento assimétrico nas redes sociais e decisão do TSE proibindo limitação de alcance de conteúdo político.

Sobre os Estados Unidos, a demissão da secretária de imprensa Kate Zaharia após apenas cinco dias evidenciou o improviso na administração Trump, que enfrenta crise de imagem às vésperas das eleições de meio de mandato, com aprovação pouco acima dos 30% e perspectivas desfavoráveis para os republicanos no Congresso.

FAQs

As pesquisas indicam uma oscilação positiva em favor de Lula, com Flávio ainda numericamente à frente em alguns levantamentos, mas com vantagem reduzida. A dúvida é se isso representa uma virada ou se Flávio continua favorito.

A favor de Lula estão a mobilização nas ruas e redes e o pacote de anúncios do governo. A favor de Flávio estão a onda da direita no primeiro turno, a alta desaprovação de Lula e pesquisas internas que mostram vantagem maior.

Os dois debates ao vivo na TV, até 25 de outubro, são apontados como os grandes fatos novos que devem determinar se haverá virada de Lula ou se o resultado do primeiro turno se repetirá.

O PT critica supostos tratamentos assimétricos da Meta, citando falhas técnicas que favoreceriam Flávio e redução no alcance das contas de Lula. A Meta nega tomar partido e afirma que foram falhas técnicas globais.

O TSE proibiu a Meta de limitar o alcance de conteúdo político dos dois candidatos, com multa diária de R$ 500 mil em caso de descumprimento, e definiu regras para os canais de WhatsApp ligados às campanhas.

A demissão ocorreu após um período turbulento, com inexperiência evidente em entrevistas e respostas confusas. Trump afirmou que ela foi maltratada pela mídia, mas não era a pessoa adequada para falar em seu nome.

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