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Lula procura saída para um impasse que não reconhece

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Lula procura saída para um impasse que não reconhece

A edição do programa WW, da CNN Brasil, abordou três temas centrais: a economia brasileira no novo mandato de Lula, a crise política no Paraguai e as lições eleitorais da vitória democrata nos Estados Unidos. No Palácio do Alvorada, Lula reuniu economistas e ex-ministros alinhados ao PT para discutir a política econômica. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou que o governo manterá responsabilidade fiscal sem abandonar as promessas de campanha — combinação que analistas consideram inviável diante de uma dívida bruta prevista acima de 80% do PIB e do aperto orçamentário. Segundo os comentaristas, o governo debate apenas moderar o ritmo de crescimento dos gastos, sem cortes efetivos, e Lula resiste a sinalizar ajuste para não parecer atender ao mercado. Pressões inflacionárias futuras, como a reforma tributária, o fim da escala 6x1 e o El Niño, devem limitar a queda dos juros. No Paraguai, a quebra do banco Ueno levou à renúncia do presidente Santiago Peña, em um caso com semelhanças ao Banco Master no Brasil. O episódio gera preocupação com a estabilidade financeira e institucional paraguaia, dada a presença de quase 300 mil brasileiros e bilhões em comércio bilateral. Por fim, a vitória democrata nos EUA foi atribuída a candidatos moderados, escuta do eleitor e foco em saúde e custo de vida, em contraste com a concentração de poder de Trump, que agora enfrenta um Congresso hostil e o impasse da guerra no Oriente Médio.

Transcription

6913 Words, 41010 Characters

Portuguese
Speaker 1Boa noite, esta é a CNN Brasil, este é o WW. Lula fez hoje uma reunião na sua residência, que é o Palácio do Alvorado, para ouvir pessoas ligadas à economia, de uma forma ou de outra. Elas eram todas, evidentemente, ligadas ao PT, com ideias sobre a economia bastante conhecidas. Essas pessoas passaram os últimos quatro anos, algumas delas diretamente, cumprindo ordens de Lula ou dizendo mais ou menos o que ele gostaria de ouvir. Ao final do encontro, o atual ministro da Fazenda, Dario Nourigan, recitou o mantra de campanha. Lula vai demonstrar responsabilidade fiscal e vai manter as promessas que fez para se reeleger. Pode se chamar isso de busca do santo grau, busca do moto perpétuo, quadratura do círculo. Pois é consenso entre um grande número de pessoas do ramo da economia, que Lula não ouviu, que uma coisa, promessas, não cabe dentro da outra, equilíbrio fiscal. Para a escola de pensamento, para se dar um nome elegante a isso, que Lula colocou todinha lá, juntou todinha ela hoje lá no Alvorado, equilíbrio fiscal é uma espécie de ficção. Criada por gente má, que só pensa em ganhar dinheiro à custa de pobres e em chantagear o governo. Como o de Lula. Ok, cada um pensa o que quiser dos fatos da realidade, mas eles continuam sendo fatos da realidade. E a realidade é a de que o governo brasileiro gasta mais do que arrecada e gasta muito mal ainda por cima. Tem pouco espaço para remanejar esses gastos e está enfrentando uma situação na qual problemas climáticos afetam o motor da economia, o agronegócio. Juros altos afetam todo mundo. A dívida sufoca empresas grandes e pequenas, milhões de famílias. Vêm ainda mais problemas. O novo CIPOAL tributário e o fim da escala 6x1. Mas haverá novas reuniões, anunciou-se. Nessa edição de hoje falaremos também sobre a crise que derrubou o presidente do Paraguai e sobre possíveis lições eleitorais da vitória democrata lá nos Estados Unidos, aqui. Para a política no Brasil. Vamos aos participantes da roda inicialmente. Está conosco Christopher Garman, diretor executivo para as Américas do Grupo Eurase, a nossa parceira de conteúdo do site do WW. Obrigado, Chris. Boa noite. Boa noite. Daniel Hittner e Thaís Herédia. Boa noite aos meus colegas. Lula passou parte do dia hoje reunido com economistas e ex-ministros do PT no Palácio do Alvorada. Era oficialmente essa reunião. Vamos ouvi-los sobre o que fazer. Reportagem, Pedro Moreira.
Speaker 2A reunião começou por volta de meio dia e durou até às três horas da tarde. Nela participaram atuais e ex-ministros, além de outras figuras ligadas ao presidente Lula. Entre os presentes estavam o vice-presidente Geraldo Alckmin, os chefes da Fazenda, Dario Durigam, da Casa Civil, Miriam Belchior, e do Planejamento, Bruno Moretti. Também participaram o presidente do BNDES, Aloysio Mercadante, e os ex-ministros do BNDES, Fernando Haddad e Guido Mantega. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi convidado. Ele, no entanto, rejeitou o convite devido ao chamado período de silêncio do COPOM, que proíbe declarações do Comitê nas semanas próximas à definição da taxa Selic. O grupo debateu a política econômica do governo Lula 4, mas evitou entrar em detalhes do que foi colocado na mesa. Durigam disse que o foco da reunião foi apresentar ao presidente um diagnóstico sobre a economia, e não discutir medidas.
Speaker 3A gente tratou de quais são os pontos positivos da economia brasileira e quais são os desafios à frente. E a necessidade de ter uma agenda resoluta e bastante clara para o futuro, que a gente, como disse o ministro Bruno Moretti e eu, vamos terminar com método, bastante previsibilidade, ainda com escuta de diferentes setores, apresentar para o presidente no retorno da viagem dele.
Speaker 2O cenário fiscal é um desafio para o quarto mandato de Lula. Para este ano, a previsão é que a dívida bruta do governo fique acima dos 80% do PIB e sem tendência de queda. Junto disso, chega um aperto orçamentário, com um aumento nas despesas obrigatórias, deixando pouco espaço para gastos discricionários. Aos poucos, o governo tenta passar uma mensagem de maior previsibilidade para o mercado. Sem apresentar propostas, a equipe econômica busca ampliar o discurso de reforço das regras fiscais. E caminhos para uma solução do déficit.
Speaker 4"E nós precisamos saber que, para a gente atrair, a gente vai ter que ter uma economia arrumada. Ninguém vai querer vir fazer investimento numa economia totalmente desordenada."
Speaker 2Para embasar as medidas orçamentárias esperadas, o mercado financeiro cobra sinalizações de quem deve ocupar os principais nomes econômicos do governo. Mas o Planalto ainda mostra resistência. Aliados de Lula aconselharam o presidente. O presidente foi o primeiro presidente a evitar a antecipação da equipe, focando também em apresentar outros ministros que formarão a esplanada.
Speaker 1"Christopher Graham, é difícil acreditar que investidores em geral e os estrangeiros em particular, aos quais sobretudo a agência que você representa aqui se dirige ao redor do mundo, levem muito a sério esse tipo de reunião. O que eles estão esperando?"
Speaker 5"Olha, os investidores estrangeiros estão olhando as mesmas coisas. Os investidores estão olhando as mesmas coisas que os investidores estrangeiros estão olhando. Os investidores estão olhando as mesmas coisas que os investidores locais. Como muito bem você colocou, William, a economia brasileira vive uma crise de juros altos. As empresas estão sufocadas com custos de capital enorme, famílias estão endividadas e existe um reconhecimento amplo entre economistas que é necessário você endereçar as regras do gasto e ter um controle maior fiscal, senão não vai se abrir espaço para o Banco Central poder reduzir juros. O que a gente está vendo nessa reunião? "Ele está falando de uma mudança de direção de investidores. União, ou pelo menos a gente tem acompanhado aqui na Eurásia, é que está havendo sim um debate no governo sobre que medidas de arrumação das contas fiscais podem ser tomadas, mas é importante a gente ser muito preciso da natureza do debate dentro do governo, não existe um debate de corte de gasto, o que existe é um debate de implementar medidas para tentar reduzir o ritmo do aumento do gasto, que pode incluir medidas mais amenas ou medidas um pouco mais críveis via uma proposta de emenda constitucional, no fundo o que está se debatendo é a proposta que o Fernando Haddad colocou na mesa dois anos atrás, onde o presidente Lula optou por não encampar, por uma variação que estava na metade do mandato e eram medidas impopulares, mudando as regras de indexação de saúde. educação, limites no BPC, é um diagnóstico que já foi socializado dentro do governo, então quando o presidente Lula e Lula e Lula-Supeter dizem que não vão voltar atrás de promessas dos benefícios dados, é correto, porque não está debatendo o corte de gastos, e aí o Ireno diria o seguinte, todo mundo está de olho se pelo menos algum sinal de redução do ritmo do aumento de gasto vem, eu diria que ninguém está acreditando que vem corte de gasto, o que está em jogo é pelo menos sinalizar ao longo do tempo mais controle, e nesse sentido, o que eu sinto dos nossos clientes lá fora, eles estão procurando algum sinal nesse sentido, se vier algum sinal nesse sentido, até podemos ter um alívio no câmbio, na curva de juros futuro, mas ainda assim tende a ser uma correção de rumos fiscais insuficiente, o debate é o grau dessa insuficiência não ser feita. Se de fato vai ter corte de gastos que possa reduzir a trajetória da dívida nesse curto prazo.
Speaker 1O que você traz para nós dessas reuniões, Daniel Hittner?
Speaker 6William, não temos uma resposta, mas eu trago várias pistas aqui que juntadas a gente consegue ter um pouco do ambiente. Primeiro, Lula tem sido bombardeado por pessoas da ala política ali do Palácio do Planalto. Primeiro, ele não pode legitimar a agenda do tesouraço que foi vencida nas urnas. Isso não é um juízo de valor, não estou entrando no mérito, estou descrevendo o que ele está recebendo em termos de pressão. Uma pressão tão grande que a turma da equipe econômica, William, não está nem conseguindo, está se policiando para usar a expressão ajuste fiscal. A estratégia tem sido falar em racionalização. Em pente fino, em revisões, mas nem tocar nessa expressão que seria uma forma de não convencer o presidente a fazer. O que está claro? Não vai haver revisão de aumento real do salário mínimo, desvinculação de aposentadoria, uma revisão mais forte de pisos constitucionais da saúde e educação. Para onde vai a aposta? Taxação de aplicações financeiras, IOF sobre LCI, LCA, CRI, CRA. Alguma agenda de racionalização, eliminação de sobreposição de programas sociais e alguma moderação no ritmo de crescimento dos gastos estabelecidos no salário mínimo. O risco é de se repetir a experiência do final de 2024, quando o governo anunciou uma agenda muito nessa linha e Fernando Haddad, contrariado, teve que anunciar também a isenção do imposto de renda até R$ 5 mil. Ou seja, uma coisa que você fez para sinalizar acabou passando uma mensagem muito ruim e criou desgaste do mercado para com o governo Lula III.
Speaker 7A semântica é quase tudo, mas ela não é tudo. Eu acho ela importantíssima na vida da gente. Trocar de nome, de ajuste fiscal, ainda mais num diálogo com um político experiente como o presidente Lula, me parece uma coisa quase utópica, mas tudo bem. Mas é muito interessante, Daniel, essa história de procurar palavra nova para lidar com o problema velho. Eu tenho conversado bastante com economistas-chefes. Das grandes instituições, gestoras, bancos e tal, para entender onde é que eles estão botando o preço deles. Porque o mercado também não quer perder o tempo inteiro, os fundamentos da economia também têm limite para aguentar mais correção, correção para pior dos ativos financeiros, que são esse primeiro termômetro da leitura de risco, uma correção muito grande já foi feita depois da eleição. E, William, as expectativas hoje estão no menos pior. O menos pior é o tal do corte de gastos. Eu acho que isso já saiu do cenário da maioria, né? Isso está muito na boca da direita e tal. A expectativa é que acha, não é nem racionalização, é racionalidade no plano do governo, mesmo que ele adote alguma medida gradualista, tem que ser mais gradualista no discurso do que na prática. Então, por exemplo, você pode manter o discurso de vai dar aumento real para o salário mínimo, mas em vez de dar 5%, você vai dar 0,5%.
Speaker 1Mas tem mais. Essa é a regra, né?
Speaker 7É, então, mas essa regra pode mudar. Eles estão pensando lá, ou vai fazer uma PEC, ou vai fazer projetos de lei. O Dario Durigan já tem falado isso, que eles querem, inclusive, embasamento legal e querem aproveitar o Congresso Nacional até o final do ano. Como a gente vem dizendo aqui, o timing é que vai determinar. E hoje o Lula deu mais uma demonstração daquilo que o Caio Junqueira vem trazendo, a gente que vem conversando com as pessoas próximas, o Lula não está com pressa. Até porque. Ele já está convencido de que se ele responder rápido a essa cobrança, é quase como se ele estivesse atendendo ao mercado. Então, também tem essa visão um pouco teimosa de achar que se responder rápido não é pelo país, é pelo mercado. Agora, os sinais estão aí. E essa lista de pessoas que estavam hoje, que almoçaram hoje com o presidente, fala muito sobre quem ele quer ouvir. Ele não quer ouvir ninguém diferente. Ele quer ouvir quem confirme o que ele quer fazer.
Speaker 1Christopher, se a gente combina alguns dos dados da realidade, a gente vê. Como no noticiário que precede aqui o WW, que é muito bem feito pelos nossos colegas do agro, no de hoje, por exemplo, eles estão combinando dois problemas para a agroindústria brasileira. El Nino e a questão de endividamento e redução da atividade. Agora, cinco minutos. Antes da gente ir para o ar. É preocupante, do ponto de vista da economia brasileira, sobretudo se a gente leva em consideração o fator agro no nosso PIB. A gente pega as inadimplências. A gente pega o ambiente geral de negócios, que é calcado por dificuldades que parecem que só vão aumentar em função de coisas que coincidem. A reforma tributária coincide com esse momento. A abolição da escala 6x1 também. Entrar no mérito dela para prever que vai dar confusão. Portanto, vai dar custo. Portanto, vai atrapalhar. Qual é o risco que você vê do governo brasileiro acabar fazendo muito pouco muito tarde?
Speaker 5É, você colocou, William. Nós temos vários choques inflacionários que estão por vir. Assim, a repercussão de aumento de preços com a redução da jornada de trabalho. O repasse de preços com a reforma tributária. O efeito é o Ninho, que também vai aumentar o preço de alimentos. Nossa visão na Eurásia é que o Trump deve escalar o conflito no Oriente Mésio, mesmo com a derrota nos mid-term elections. Então, o preço do petróleo, na nossa visão da Eurásia, também deve subir. Então, nós temos várias pressões inflacionárias que vão colocar limites também, e pressão no Banco Central, que evite uma corte de juros. E aí você tem desencoragem de expectativas com o mercado não sabendo se, em uma medida de racionalização, usar a palavra aí que não é corte de gastos, venha. Eu só diria o seguinte, tem uma boa notícia e uma não tão boa notícia. Eu acho que integrantes do governo, membros que estavam nessa reunião com o presidente, reconhecem que algum ajuste nas regras do gasto é importante para poder garantir o gasto discricionário e também eles reconhecem a necessidade, podia fazer alguma arrumação da Casa Fiscal, senão o Banco Central não terá espaço para poder reduzir juros. Esse diagnóstico eu acho que existe dentro do governo. O debate hoje é quais medidas devem ser tomadas nessa direção. Como a Thais bem colocou, o presidente não está querendo tomar uma decisão apressada para o ministro estar fazendo, ele deve só tomar essa decisão depois que ele volta da Turquia, da reunião da COP. Mas eles estão correndo contra o tempo, porque eles sabem que qualquer medida tem que ser feita antes do final de ano, antes que o. um congresso mais conservador venha a assumir. Então acredito que venha alguma proposta sim, mas que vai pelo menos na direção de uma maior racionalidade. Eu acho que praticamente investidores estrangeiros estão. a barra para poder comprar a baixa no Brasil é baixa lá fora, então talvez algum alívio nos preços venha. Mas o grande problema, William, é o seguinte, porque essa proposta não vai crivelmente abrir espaço para uma redução de juros mais. mais ampla. Nós vamos entrar em um desaquecimento, ou pelo menos uma economia deve desacelerar. E a gente olha o que motivou o voto nessa eleição, o que chamou atenção em todas as pesquisas qualitativas é um leitor que está se sentindo muito estagnado. Então não vai. Assim, se você tem um desaquecimento da economia, acho muito provável que o presidente venha a sofrer uma queda na aprovação popular ao longo desses próximos seis meses, que pode chegar a uns 10 pontos percentuais. Então a dificuldade da política econômica, como é que o Lula vai reagir quando isso vier? E aí a qualidade da política econômica pode deteriorar nesse momento. Então o que. Nossa visão, acho que o primeiro passo vai pelo menos ir na direção correta, mas insuficiente, e aí o grande risco é como fica a governabilidade, a reação do presidente quando esse lado econômico deteriora e a aprovação do presidente também.
Speaker 1Daniel, você está me pedindo a palavra e a gente encerra esse segmento com você.
Speaker 6Só para contar, William, que muita gente do PT no entorno do presidente o está aconselhando muito fortemente de que ele não antecipe o anúncio do novo ministro da Fazenda, não repita 2014. Quando eles falam de repetir 2014, é fazer uma referência ao anúncio de Joaquim Levy, de Nelson Barbosa, de manutenção de Alexandre Tombini no Banco Central, quando Dilma sinalizou o que seria o novo ministro da Fazenda. E uma equipe econômica para fazer um ajuste, que é parecido com o necessário hoje, mas não anunciou outros cargos importantes. Então há uma preocupação de acenar também para a militância em áreas que importam para a esquerda, que certamente não é o ministro da Fazenda. Lula vai fazer uma viagem na semana que vem para a Ásia, para a cúpula da ASEAN, para a COP31, deve levar, pelo menos convidou Davi Alcolumbre e Hugo Mota, boa parte da montagem ministerial vai ser discutida ali, e hoje voltou a circular um nome para assumir o ministério da Fazenda. Isso ainda é tratado com uma certa especulação, mas hoje se vê no Palácio do Planalto Rafael Fonteles como uma figura menos forte do que uma semana atrás, e voltou-se a falar muito de Fernando Haddad para ministro da Fazenda. Ah, que bom, algo novo.
Speaker 1Eu estou encerrando esses. É, às vezes é melhor a gente ficar mesmo na ironia, senão a ironia supera qualquer realidade. Queria começar por você, Cristóforo Gama, meus agradecimentos pela participação. Cristóforo Gama, diretor executivo para as Américas do Grupo Eurásio. Temos orgulho de dizer a nossa parceira de conteúdo no site do WWW. Obrigado e boa noite, Cristóforo.
Speaker 5Boa noite. Obrigado.
Speaker 1O Daniel continua com a gente, Thaís. Obrigado, boa noite. E o nosso assunto depois dele é a crise que levou à renúncia do presidente do nosso vizinho aqui do lado, Paraguai. Até já. Estamos voltando no intervalo, é o WW, conosco agora participando do programa, o advogado Marcelo. Marcelo Goddke. Marcelo é especialista em direito internacional empresarial e bancário. Obrigado pela disposição de estar no programa. Boa noite, Marcelo.
Speaker 8Boa noite, William.
Speaker 1Tudo bom? Daniel, já apresentei. Lourival Santana, meu boa noite a você. Santiago Pena apresentou sua renúncia à presidência do Paraguai logo depois que quebrou um dos principais bancos do país. O Congresso não quer aceitar a renúncia dele, quer mesmo é um processo de impeachment que o privará de qualquer proteção judicial. O caso Ueno, Ueno era o nome desse banco que quebrou, tem similaridades com o nosso caso Master, um banco que cresceu muito rápido graças, em boa parte, a relações políticas que lá se revelaram suspeitíssimas. Aqui, Idem. Vamos à reportagem.
Speaker 9A sustentação política de Pena na presidência se desfez quando lideranças de seu partido começaram a apoiar a iniciativa da oposição de avançar com o processo de impeachment. Devido ao caso Ueno, a renúncia ainda precisaria ser aceita pelo Congresso, que segue pressionando pelo impeachment de modo a impedir que Pena se torne um senador vitalício. Diante do impasse e de dúvidas sobre se estaria ainda no país, Pena disse nas redes sociais que vai se apresentar ao Congresso para se defender. Focado no segmento digital e prometendo menos burocracia que bancos tradicionais, o Ueno Bank tinha uma carteira de clientes que representava o equivalente a pouco mais de 60% da população adulta do Paraguai. O banco recebeu autorização para operar no Paraguai em novembro de 2023, três meses após Santiago Pena assumir a presidência do país. A autorização ocorreu sob a recém-chegada gestão de Carlos Calavadio Spalding ao Banco Central Paraguaio. Antes de ser indicado por Pena, Caravadio havia presidido a instituição financeira que deu origem ao Ueno. Além disso, Pena tinha, até o início do ano passado, uma participação acionária de cerca de 1% em uma empresa do grupo econômico controlador do banco. O Instituto Previdenciário do Paraguai chegou a aplicar 20% de seus investimentos no banco. A porcentagem caiu pela metade em outubro deste ano, já em meio a uma série de questionamentos sobre a situação do Ueno. O caso estourou após o Banco Central Paraguaio anunciar que o banco não tinha o capital mínimo exigido para cobrir o risco de suas operações, especialmente empréstimos de milhões de dólares, aprovados aquém dos padrões do mercado. O Banco Central e o Ministério Público Paraguaio apontaram que parte desses empréstimos foram concedidos a empresas ligadas ao grupo controlador do Ueno. A constatação levou o BC Paraguaio a anunciar na última terça-feira um processo de intervenção que deve levar à liquidação da instituição. Caravadio renunciou à chefia do Banco Central no mesmo dia.
Speaker 1Marcelo, as comparações, evidentemente, entre o Ueno e o Master, mostraram aí a importância do Ueno na economia paraguaia enorme no sistema financeiro. O Master era muito reduzido, tirando, claro, esses aspectos que eu mencionei anteriormente das relações espúrias com as instâncias da política. Agora, aproveitando o seu campo de expertise, Marcelo, dado ao tamanho desse banco no Paraguai e ao fato do Paraguai ter se tornado um destino de muitas pessoas do Brasil, não só as próximas ali das fronteiras, mas também as próximas ali das fronteiras, mas há indústrias, negócios, serviços. O que essa quebra significa, do ponto de vista do direito, para brasileiros lá?
Speaker 8Olha, pode significar algumas coisas. Em primeiro lugar, precisa ver se o governo paraguaio vai agir de maneira eficiente para evitar uma corrida aos bancos. Se ele conseguir fazer isso, as coisas vão voltar ao normal, né? Porque a gente sabe que a quebra do Banco Master, não obstante ela ter sido importante, ela não tem a mesma magnitude em proporção à economia paraguaia. Então, se no Paraguai as pessoas perceberem que há um risco de contágio, a gente vai ter corrida aos bancos e a economia pode entrar em colapso. Então, o governo vai ter que agir de maneira rápida para resolver isso. A gente precisa perceber que o brasileiro típico que vai para lá é o empresário. Ele talvez tenha um pouco mais de experiência em lidar com questões bancárias e talvez ele não concentre todas as suas atividades bancárias em uma única instituição financeira, que isso é a coisa mais inteligente de ser feita. Então, por mais que um brasileiro possa ter dinheiro depositado no Eno, ele não deveria deixar todo o dinheiro depositado no Eno, porque a gente sabe que o risco de colocar todos os ovos dentro de uma única cesta é bastante grande. Então, aí vai depender um pouco da experiência do brasileiro que foi fazer negócio lá.
Speaker 1Lourivaldo, do ponto de vista político, o que a gente está vendo é desabar, sobretudo, a liderança do presidente anterior, que era o protetor do Lapenia. Como é que fica agora?
Speaker 10O Pedro Aliana, que deve assumir que é o vice-presidente, ele tem exatamente a mesma visão que o Santiago Penha sobre as relações com os Estados Unidos. Tanto assim que ele esteve no dia 4 de agosto em Washington, se reuniu com Marco Rubio e Christopher Landau, que é o número 2 da embaixada do Departamento de Estado, que, aliás, depois, mais recentemente, visitou a Assunção. E o Pedro Aliana celebrou esse momento das relações entre Paraguai e Estados Unidos, como o mais importante da história e tal. E o Paraguai é um dos países que está na linha de frente da parceria militar com os Estados Unidos, no âmbito do escudo das Américas, inclusive com a previsão de entrada de forças militares americanas para operações, basicamente, quando elas quiserem. Só não foi aprovada a criação de uma base militar americana no Paraguai, mas o resto já está. Então, nesse sentido, esse alinhamento, que é bastante preocupante para o Brasil, porque esse alinhamento continua, e é preocupante porque é uma fronteira, talvez a fronteira mais delicada que nós temos, uma das mais delicadas.
Speaker 1Aliás, há décadas.
Speaker 10Exato. Então, o Brasil vai continuar com essa, digamos, essa dor estratégica ali na fronteira com o Paraguai, a menos que haja um movimento político. Um movimento maior que possa levar a uma convocação de eleições. As eleições estão, em princípio, previstas só para agosto de 2028.
Speaker 6Daniel. William, existe uma preocupação por parte do governo brasileiro com a estabilidade institucional paraguaia pós-Penha. O que vai ser dos próximos dois anos até a realização de eleições previstas para 2028? Existem quase 300 mil brasileiros no Paraguai. 5% da população total. A corrente de comércio é de 8 bilhões de dólares. O Brasil é o maior investidor estrangeiro no Paraguai. Uma crise mais aguda que coloque em risco a estabilidade do sistema financeiro pode prejudicar também essas teias comerciais e o relacionamento empresarial de investidores brasileiros no Paraguai. Para além disso, uma preocupação, por exemplo, com o futuro da cooperação policial. Vai dizer, puxa, mas a fronteira ali é uma. De certa forma, ela evidencia todas as fragilidades que existem do lado paraguaio e do lado brasileiro. Mas um exemplo que me foi dado hoje, foram erradicadas, eliminadas, 5 mil toneladas de maconha graças a essa cooperação policial em um ano. Se ela deixa de existir, é muito mais droga entrando em território brasileiro. Por fim, uma observação de que sim, Penha e o seu vice-presidente, que agora deve assumir, Pedro Aliana, tem essa relação próxima com os Estados Unidos, entraram no escudo das Américas, mas isso em nenhum momento, ao contrário da Argentina, se traduziu em prejuízo às relações dentro do Mercosul ou numa agenda bilateral hostil à relação com o Brasil. É uma expectativa de que isso continue, não seja mexido, mas com certa preocupação.
Speaker 1Marcelo, se a gente considera, pelo menos aqueles motivos que as pessoas têm, que as pessoas que transferiram suas atividades lá para o Paraguai mencionaram, no topo da lista está, curiosamente, o ambiente de estabilidade no Paraguai, uma regulação menos rigorosa do que no Brasil, particularmente no que se refere a questões trabalhistas, e o que a gente chamaria aqui no Brasil do ambiente geral de negócios favorável. O que os acontecimentos de hoje alteram nesse quadro?
Speaker 8O que vai alterar muito, porque o que tem atraído o investimento estrangeiro, principalmente o brasileiro, é justamente essa liberdade contratual, a estabilidade jurídica, etc. O que precisa ser feito nesse momento é reforçar a regulamentação bancária, a fiscalização, como a gente vem fazendo no Brasil também. Então, cada crise que acontece, a regulação bancária tem de ser muito reativa. Então, aparece um problema, vai lá e tenta se sanar o problema. Aí aparece outro problema, e aí vai ter uma nova norma para tentar sanar aquele novo problema. Mas a impressão que eu tenho é que isso não. Não vai afetar sobremaneira a maneira de se fazer negócio no Paraguai, porque eles sabem que é isso que está atraindo o investimento estrangeiro para lá.
Speaker 1No caso do Mercosul, Lourival, nós tivemos, com o tipo de simpatias políticas mútuas recentes nessa parte da América do Sul, uma tendência a agir de forma diferente do que o Mercosul tem sido até aqui. Altera alguma coisa no caso do Paraguai?
Speaker 10O Paraguai e o Uruguai. Nesse sentido, tem posições parecidas, embora governos de linhas ideológicas distintas. O Uruguai se alterna entre esquerda e direita, atualmente está com a esquerda. O Paraguai sempre está com a direita, com exceção daquela aventura lá com.
Speaker 1São os colorados, o do Bispo Lugo.
Speaker 10O Bispo Fernando Lugo, que acabou dando uma crise no Mercosul em torno de 2012, até cobrir isso. Mas o Paraguai é muito pragmático na relação com o Brasil. E na relação com os outros países também. Tem uma relação curiosa com Taiwan, reconhece Taiwan em vez da China. Mas tem negócios, business com a China e muitos investimentos chineses e tal. E 230 empresas brasileiras instaladas lá desde 2007. Então, é um país pequeno, que navega com muito pragmatismo, buscando as oportunidades que o Cone Sul e o resto do mundo lhe oferecem. Então, tem essa questão tributária, um país que é praticamente um paraíso fiscal, embora o Uruguai seja isso num outro sentido. O Paraguai é no sentido industrial, no sentido das importações, de cadeia de valor, ele é um paraíso tributário, vamos chamar assim. O Uruguai é um paraíso fiscal no sentido financeiro. A Argentina, então, nossa. É, exato. Mas o fato é que o Paraguai, exatamente, o Santiago Peña tem uma ótima. Uma ótima relação com o Lula, uma ótima relação com o Trump e eles vão navegando sem muitos obstáculos ideológicos.
Speaker 1Essa queda de um aliado do Trump, do ponto de vista do governo brasileiro, não muda nada, se a gente considera o que foi exposto nessa roda até aqui, Daniel.
Speaker 6William, houve até uma certa tímida, mas uma certa celebração ali por parte de alguns diplomatas, pessoas do governo brasileiro, de que, olha, mais um expoente da direita sul-americana que está se dando mal agora, nessa onda azul, nessa onda de direita que foi contida já pela vitória do presidente Lula. Mas isso me pareceu um bocado infantil, até, em termos de análise. O que eu acho relevante, quando você pensa no Paraguai, o Brasil tem um enorme interesse ali, além daqueles que eu mencionei, que é na usina hidrelétrica de Itaipu. A energia gerada por Itaipu é dividida de forma igual entre Brasil e Paraguai. O Brasil, desde sempre, consome os seus 50% que tem direito. O Paraguai não consome ainda e era obrigado, pelo tratado de Itaipu, a ceder esse excedente, aquilo que ele não consome, para o Brasil. O Paraguai tem aumentado de forma exponencial o seu consumo próprio de energia, acredita-se que até 2032, talvez até 2030, consiga consumir integralmente, possa até virar um importador de energia do Brasil. Mas, na situação de hoje, a revisão do anexo C do tratado de Itaipu, que se prometia fazer desde 2023, está rigorosamente parada. Isso significa que o Brasil não tem um arcabouço de compra de energia excedente do Paraguai, por preços baixos, que são importantes para o setor elétrico brasileiro, e isso continua, absolutamente,
Speaker 1indefinido. Mas, na situação de hoje, a revisão do anexo C do tratado de Itaipu, que se prometia fazer desde 2023, Obrigado e boa noite para você, Thiago, aí nos Estados Unidos. Que cidade você está hoje?
Speaker 11Hoje eu estou em Chicago.
Speaker 1Ótimo, Michigan. Vamos lá. Não, Illinois. Estou louco. Está louco. Michigan é ali do lado.
Speaker 10Onde o J.B. Pritzker foi reeleito governador. Um grande algoz do Trump.
Speaker 1Exatamente. Vamos falar hoje, um corte, como a gente fala, um pouco dessa eleição americana com, digamos, tão complexos são esses resultados. Nós vamos pegar um deles. Vamos tentar entender como é assim. Os democratas vão ter a maior bancada nos últimos 20 anos na House of Representatives. É realmente uma sacudida política enorme nos Estados Unidos. Como é que os democratas fizeram isso? Como eles foram capazes de virar tantos votos e conseguir eleger gente em algumas das áreas mais republicanas da história recente do país?
Speaker 12Confira. Projeções da CNN indicam que os democratas terão mais de 250 cadeiras entre os deputados. Seria a maior bancada do partido desde 2008. O futuro controle democrata na Câmara e no Senado, onde a onda azul deve conseguir até o momento 10 cadeiras a mais, levou os republicanos a buscar culpados. Muitos no partido de Donald Trump apontam para o secretário de Defesa, Pete Hegseth, depois de o presidente e o vice, Jay DeVence, reconhecerem que a guerra no Irã influenciou na derrota histórica nas midterms. O partido captou as maiores insatisfações dos americanos com o governo Donald Trump, como a alta no custo de vida e a truculência contra imigrantes. Ao mesmo tempo, colocou nomes com identificação com o eleitorado conservador. No Texas, o senador eleito James Talarico é um seminarista presbiteriano. No Kansas, Adam Hamilton, que também quebrou um tabu histórico para os democratas do Senado, é pastor metodista. Além da religião, ambos se apoiaram em um discurso moderado e voltado a soluções para as dificuldades da classe média. Ao mesmo tempo, o partido conta com nomes ligados ao eleitorado bem mais progressista, o que garantiu vitórias ao Senado de novo. Nomes como o do muçulmano Abdul El-Sayed, no Michigan.
Speaker 1central de inteligência política, que basicamente chega à seguinte conclusão. Vale a pena lutar contra os republicanos, mesmo onde eles são fortes? Desde que a gente entenda, um, o que é que realmente preocupa o eleitor. Dois, a gente consiga escalar candidatos que sejam capazes de falar para uma audiência além da base democrata, que sejam capazes de, como a gente diz na gíria aqui no Brasil, furar a bolha. Não é o caso dos Estados Unidos, não estou falando de bolhas. Os democratas teriam consistentemente trabalhado isso? Essa seria a grande explicação?
Speaker 11Olha, eu vejo como um conjunto de explicações. Por exemplo, em alguns estados, os democratas ofereceram ao eleitor do Trump uma maneira de mudar de voto sem necessariamente. mudar de identidade. Então, eles conquistaram alguns eleitores oferecendo a eles uma saída respeitosa, ao invés de exigir que eles confessassem que estavam errados desde o início. Isso foi um ponto importante. Um outro ponto que eu vejo é que a saúde foi uma ponte muito importante entre a pauta social dos democratas e a ansiedade econômica que tomou conta de muitos eleitores, principalmente no Meio Oeste. E essa argumentação de saúde acabou sendo. sendo muito efetiva em alguns estados, como, por exemplo, no Kansas. Um outro ponto importante, que eu acho que também foi muito interessante, foi que o partido ganhou uma amplitude muito forte, tendo muitos candidatos que eram muito diferentes entre eles. E isso gerava uma rede de notícias novas todos os dias, porque o candidato de Michigan afeta e influencia o voto na Carolina do Sul, que influencia o voto no Texas, e assim por diante. Então, tendo uma amplitude de candidatos muito diferentes, os democratas conseguiram multiplicar as mensagens de uma forma que um candidato só não conseguia. conseguiria, ou que uma rede de candidatos muito parecidos, eles também não conseguiriam. Um outro ponto que eu acho que foi muito relevante nesse processo é que a maioria dos candidatos democratas, eles enfatizaram também no excesso de poder concentrado nas mãos do Trump. E esse excesso de poder concentrado nas mãos do Trump levou, e aí fizeram uma ponte muito bem feita, um efeito dominó muito bem feito, levou à guerra no Irã, que afeta o preço dos alimentos, que afeta o preço do combustível, ou seja, o excesso de força e de poder na mão do Trump e, consequentemente, dos republicanos, invariavelmente levava a decisões equivocadas. Então, muitos eleitores, tradicionalmente até do Trump ou de democratas ou de republicanos como no Kansas, eles votaram não necessariamente. Não necessariamente porque eles se alinharam a pautas democratas, mas eles entenderam que esse equilíbrio de poder, ele pode dar um alívio ao eleitor, ao invés de ser sufocado diariamente por decisões que não passam por diálogo, não passam por debate, pelo fato de ser, de que tínhamos um ambiente completamente republicano.
Speaker 1O que surge muito interessante nessa descrição também que o Tiago está fazendo, Lourival, é o seguinte. Normalmente eu estou. Estou citando aqui muito o exemplo brasileiro. Decisões sobre o santo candidato são tomadas pura e simplesmente porque as pesquisas dizem. O que a tática, a estratégia, enfim, democrata que levou a esse êxito eleitoral desses últimos dias parece nos dizer é que foi estruturada de outra maneira. Ela não foi estruturada depois do que alguma pesquisa disse. Ela foi estruturada, em primeiro lugar, em cima do que o eleitor quer, qual a mensagem que precisa celebrar. Ela foi levada a ele. Qual é o melhor perfil de candidato? Qual o perfil que consegue falar não só para esse eleitor e aí sim depois vamos falar de pesquisas. É uma lição.
Speaker 10É uma lição que o Chuck Schumer deu. Ele resumiu exatamente esse percurso aí no discurso que ele fez de Vitória, ele que agora será o líder da maioria democrata no Senado. Ele falou exatamente isso. Enquanto os republicanos. Os republicanos ficavam ali tentando lidar com Donald Trump, sem saber se assumiam o distanciamento do presidente ou se de alguma forma atenuavam os prejuízos causados pelas políticas do presidente. Enquanto isso, nós batíamos de porta em porta. Ele falou, nós fomos para as cozinhas, para as salas de estar dos americanos, independentemente de quem eles eram filiados, de que partido, para ouvi-los, para ouvir quais eram as dores, o que eles queriam de nós. Então, isso realmente é um manual que se aplica a qualquer país do mundo. E existe um dado que você, inclusive, trouxe outro dia, William, sobre uma pesquisa da Fox, a preocupação com a corrupção.
Speaker 1Essa pesquisa causou grande sensação.
Speaker 10É, e a Fox é insuspeita, né? Nesse caso, não. Está surgindo um dado de que essa vitória dos democratas é a maior vitória de mid-terms desde Watergate, em 1974. Então, é interessante essa âncora, né? Essa âncora da corrupção como sendo um driver. Como você disse, são muitas causas. Não existe uma causa única para a vitória democrata. Não existe uma causa única para a vitória democrática. Não existe uma causa única para a derrota republicana. Mas esse é um ponto de atenção.
Speaker 1Deixa eu trocar um pouquinho de assunto e deixar os democratas um pouquinho de lado agora, Tiago. No segmento anterior, do qual participou o Christopher Garman, da Eurásia, ele disse que na avaliação deles, como agência que desenha riscos, como o Arco também faz, há possibilidades de um endurecimento. Endurecimento, não. Ele foi um pouco mais contundente até, de um acirramento da guerra no Oriente Médio. Agora está mais claro. Agora, depois do resultado eleitoral, quais são as perspectivas?
Speaker 11Olha, o Trump, ele precisa sempre de uma saída para uma situação, mesmo as situações que ele se coloca, uma saída que ele consiga desenvolver uma narrativa. A narrativa, ela vem antes da solução, no caso do Trump. E a narrativa, ela tem que ser uma de vitória, independente da forma como a solução é desenhada. O problema no Oriente Médio. O problema no Oriente Médio é que os iranianos, principalmente, eles entenderam que eles têm um poder muito maior do que eles acreditavam ter. Não só pelo estreito de Hormuz, mas porque eles conseguiram, desde talvez a eleição do Carter, influenciar diretamente e de uma forma muito aguda na eleição americana. E eu comentei aqui há alguns meses que eles acreditavam que eles iam. levar isso até depois do midterm, porque eles entendiam que o resultado dos midterms sendo contra o Trump, levaria o eixo gravitacional do presidente americano voltar para a política doméstica. Isso não vai necessariamente acontecer, porque o Trump, ele não tem hoje uma saída fácil. Ou ele negocia com o Irã e encerra a guerra em termos que vão ser amplamente desfavoráveis aos Estados Unidos. Ou ele. Ele continua a guerra e, eventualmente, em poucos meses, ele vai precisar pedir para o Congresso mais dinheiro. E pedindo mais dinheiro para o Congresso num Congresso democrata vai ser extremamente difícil de acontecer. Obviamente, ele vai aproveitar isso para culpar, porque agora ele tem um bode expiatório doméstico, que não é a imprensa, que são os próprios democratas. Isso vai. Ele vai conseguir jogar muita culpa nele. Mas o problema no Oriente Médio é que a escalada pode acontecer por total. Ausência de solução. E não necessariamente. E porque essa ausência de solução não é vinculada a uma narrativa vitoriosa que o Trump precisa ter. Para o Trump assumir que errou, é muito difícil. A não ser que isso tudo caia no colo do Hegseth e que ele acabe sendo o grande culpado dessa história toda que o Trump entrega a cabeça dele para o Congresso americano.
Speaker 1Essa analogia que você faz no arco histórico é interessante. Os reféns naquela época que impossibilitam a reeleição de Jimmy Carter no final da década dos 70 eram os diplomatas que os seguidores do Ayatollah Khomeini mantinham sequestrados dentro da embaixada americana inteirão. O refém agora é o Estreito de Hormuz. De qualquer maneira, refém com refém, essa é a sabedoria asiática milenar de impérios que sabem lidar com a questão do poder. Mas isso aí são divagações de cunho histórico. Vamos chegar mais próximos agora aqui. Lourival, o que resta para a relação de Putin agora com os Estados Unidos?
Speaker 10Acho que o Putin tem novas oportunidades que ele provavelmente saberá explorar. Porque por mais que o Congresso se torne hostil ao presidente Trump, o Trump, ele, ainda mantém nessa órbita da política externa e da política de defesa muito espaço, muito território para agir. E com os problemas domésticos fazendo água e pressionando muito o governo dele, pode ser que num segundo momento, mas eu acho que a prioridade dele é o Irã, ele precisa resolver a questão iraniana. E provavelmente com. Com algum tipo de negociação, porque ação militar, ele não tem nem munição para ação militar. E o fiscal está também muito complicado, os deputados falam que não aprovam o orçamento de um trilhão e meio. Então, mas num segundo momento, eu acho que a Rússia sempre oferece saídas interessantes para o Trump no sentido de busca de oportunidades de negócio. E como o Tiago falou, não é que vai haver soluções, mas vai haver narrativas, e narrativas o Putin oferece para o Trump e vice-versa.
Speaker 1Eu estou encerrando essa edição. Queria agradecer a você, Tiago de Aragão, CEO da Arco Advice International, nossa parceira de conteúdo no site LabLab, pela presença e participação no programa.
Speaker 11Boa noite, Tiago.
Speaker 1Boa noite. Muito obrigado. Lourival, igualmente. Obrigado. Boa noite. Mais conteúdos na já mencionada página do www no site da CNN Brasil. Agora sim, essa edição chega ao final. Obrigado e boa noite.

Podcast Summary

Key Points:

  1. Lula reuniu-se no Palácio do Alvorada com economistas e ex-ministros alinhados ao PT para discutir a política econômica do novo mandato.
  2. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que Lula manterá responsabilidade fiscal e cumprirá as promessas de campanha, combinação vista como inviável por grande parte dos economistas.
  3. O cenário fiscal é desafiador, com dívida bruta prevista acima de 80% do PIB, aumento de despesas obrigatórias e pouco espaço para gastos discricionários.
  4. Analistas apontam que o governo debate apenas reduzir o ritmo de crescimento dos gastos, e não cortes efetivos, e que Lula resiste a sinalizar ajuste para não parecer subserviente ao mercado.
  5. Pressões inflacionárias futuras — reforma tributária, fim da escala 6x1, El Niño e possível alta do petróleo — devem limitar a queda dos juros e pressionar o Banco Central.
  6. A crise do banco Ueno levou à renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, em caso com paralelos ao Banco Master no Brasil e riscos para investidores brasileiros no país.
  7. A vitória democrata nas eleições americanas foi atribuída a candidatos moderados, escuta do eleitor e foco em saúde e custo de vida, em contraste com o excesso de poder de Trump.
  8. A guerra no Oriente Médio e o Estreito de Hormuz devem seguir como focos de tensão, com Trump precisando de uma narrativa de vitória diante de um Congresso hostil.

Summary:

A edição do programa WW, da CNN Brasil, abordou três temas centrais: a economia brasileira no novo mandato de Lula, a crise política no Paraguai e as lições eleitorais da vitória democrata nos Estados Unidos. No Palácio do Alvorada, Lula reuniu economistas e ex-ministros alinhados ao PT para discutir a política econômica. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reiterou que o governo manterá responsabilidade fiscal sem abandonar as promessas de campanha — combinação que analistas consideram inviável diante de uma dívida bruta prevista acima de 80% do PIB e do aperto orçamentário. Segundo os comentaristas, o governo debate apenas moderar o ritmo de crescimento dos gastos, sem cortes efetivos, e Lula resiste a sinalizar ajuste para não parecer atender ao mercado. Pressões inflacionárias futuras, como a reforma tributária, o fim da escala 6x1 e o El Niño, devem limitar a queda dos juros.

No Paraguai, a quebra do banco Ueno levou à renúncia do presidente Santiago Peña, em um caso com semelhanças ao Banco Master no Brasil. O episódio gera preocupação com a estabilidade financeira e institucional paraguaia, dada a presença de quase 300 mil brasileiros e bilhões em comércio bilateral. Por fim, a vitória democrata nos EUA foi atribuída a candidatos moderados, escuta do eleitor e foco em saúde e custo de vida, em contraste com a concentração de poder de Trump, que agora enfrenta um Congresso hostil e o impasse da guerra no Oriente Médio.

FAQs

Para ouvir pessoas ligadas à economia e ao PT sobre um diagnóstico da economia brasileira. Segundo o ministro Dario Durigan, o foco foi apresentar pontos positivos e desafios, não discutir medidas.

A dívida bruta deve ficar acima de 80% do PIB em 2025, sem tendência de queda, com aumento das despesas obrigatórias e pouco espaço para gastos discricionários.

Segundo o analista Christopher Garman, não há debate sobre corte de gastos, mas sobre medidas para reduzir o ritmo de aumento do gasto, como mudanças na indexação de saúde e educação e limites no BPC.

O risco depende da reação do governo paraguaio para evitar corrida aos bancos. Especialistas recomendam não concentrar todo o dinheiro em uma única instituição financeira.

Há preocupação com a estabilidade institucional e financeira paraguaia, que pode prejudicar o comércio bilateral, investimentos brasileiros e a cooperação policial na fronteira. Também está parada a revisão do Anexo C do Tratado de Itaipu.

Eles focaram nas preocupações reais do eleitor, escalaram candidatos capazes de dialogar além da base do partido e usaram temas como saúde e excesso de poder de Trump para atrair eleitores.

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