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Lula na ONU e os recados sobre soberania

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Lula na ONU e os recados sobre soberania

O discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU, em meio à proximidade das eleições brasileiras, teve como eixo central a defesa da soberania nacional. Lula afirmou que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém", rejeitou interferências estrangeiras no processo eleitoral e defendeu que o país resolve seus próprios problemas. Abordou ainda o fim da escala 6x1, igualdade de gênero, mudanças climáticas, regulação das big techs e combate à fome. O analista João Paulo Charleaux avaliou que o discurso foi calculado para legitimar Lula como ator internacional, mirando o Sul Global e a reconstrução do multilateralismo. Trump, por sua vez, fez um discurso de exercício de poder, com ameaças militares à América Latina e defesa da Doutrina Monroe, sem citar o Brasil nominalmente. Não houve encontro entre os dois. Charleaux criticou Guterres por não citar Trump diretamente e por não estar à altura da crise do multilateralismo. O podcast também noticiou a morte do cantor Rick, em queda de helicóptero, e do jornalista Zuenir Ventura, aos 95 anos.

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7395 Words, 42511 Characters

Portuguese
0:02 Os principais pontos do discurso de Lula na ONU e a defesa da soberania O fim da escala 6 por um. 0:04 Pessoa 2 O trabalhador precisa de tempo para descansar, se qualificar e conviver com a família no Brasil. Concretizar esse objetivo passa pelo fim da chamada escala 6 por um. 0:16 Pessoa 1 A igualdade de gênero. 0:17 Pessoa 2 Estamos construindo um Brasil onde as mulheres não precisam pedir licença para ocupar espaço de poder. Oferir no mercado de trabalho. 0:28 Pessoa 3 As mudanças climáticas. 0:30 Pessoa 2 A resposta à mudança do clima estava consolidada no centro da agenda Internacional. Este ano, o tema desapareceu do debate do g 7 no debate do g 20. 0:42 Pessoa 3 A aposta no petróleo? 0:44 Pessoa 2 E seguiremos pesquisando o potencial de novas reservas comandar margem Equatorial. 0:50 Pessoa 1 A regulação de empresas e tecnologias. 0:53 Pessoa 2 Seria uma omissão histórica? Imperdoável não enfrentar o desafio da regulamentação da big tech e da inteligência artificial. 1:03 Pessoa 1 A lista de temas foi longa. No discurso que abriu a assembleia geral da ONU, Lula falou de bets, de combate à fome, de vacinas, multilateralismo, de guerras, combate ao crime organizado. Mas uma ideia que se repetiu foi a da soberania. 1:19 Pessoa 2 O Brasil não cabe no quintal de ninguém. 1:23 Pessoa 3 Sem apontar diretamente para os Estados Unidos, mas com recados claros, a Casa Branca Lula costurou no discurso dele a mensagem de que o Brasil dá conta de resolver seus próprios problemas. 1:36 Pessoa 2 Mas não vamos terceirizar a responsabilidade de defender nossas Fronteiras e de garantir à população o direito de viver sem medo. Não precisamos de porta aviões vigiando nossas águas. 1:49 Lula acusa interferência estrangeira e o contraste com o discurso de Trump E, sem citar nominalmente Donald Trump, o presidente acusou tentativas estrangeiras de interferência na eleição brasileira. 1:57 Pessoa 2 Teremos um pleito transparente, competitivo, que em todos os candidatos desfrutam da mais ampla Liberdade de expressão. Sabemos que alguns abusos dessa Liberdade para se associar. Há interesses estrangeiros contrários ao país? 2:18 Pessoa 3 Lula está entre os chefes de estado que mais discursaram até hoje na assembleia geral. Ontem foi a décima vez dele. O líder do Brasil é sempre o primeiro a falar no evento, seguido pelo dos Estados Unidos, que são o país sede da ONU. 2:32 Pessoa 1 Justamente por isso, porque um daria lugar ao outro. No púlpito da ONU, havia a dúvida se Lula e Trump se encontrariam nos bastidores, como no ano passado. Mas, segundo o Itamaraty, dessa vez eles não se cruzaram. 2:46 Pessoa 3 Trump também não tratou do Brasil no discurso como em 2025. Diante do plenário, ele se gabou da própria gestão, aprovada por 32% dos americanos, e falou muito de temas internacionais. Repetiu o dado enganoso sobre ter encerrado 8 guerras. 3:01 Disse que não haverá recuos na guerra do Irã. Exaltou o poderio bélico americano e ameaçou militarmente a América Latina. 3:10 Pessoa 4 Trump disse que as ações na Venezuela são prova de que o governo americano não vai mais permitir que ameaça aos Estados Unidos ganhem força no hemisfério ocidental. Se necessário, usaremos o nosso poderio militar para garantir os nossos interesses. 3:29 Pessoa 1 O republicano ainda comparou cartéis de drogas ao estado Islâmico. Ontem, ele se reuniu com líderes Latino americanos, aliados dele no chamado escudo das Américas. Os 14 países integrantes do grupo, entre eles Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru, vão passar a classificar mais de 20 grupos criminosos como organizações terroristas, como faz a Casa Branca. 3:54 A designação inclui as facções brasileiras PCC e comando vermelho e prevê sanções e um reforço nas ações de enfrentamento. 4:07 João Paulo Charleaux analisa o tom e o público-alvo do discurso de Lula O café de hoje trata do discurso de Lula na assembleia geral da ONU há dias das eleições no Brasil. O jornalista e analista político João Paulo Charleaux discute os temas que o presidente abordou, como eles ecoam no público interno brasileiro e fala também do discurso de Donald Trump. 4:23 Pessoa 1 A gente já volta com A Entrevista. 4:42 Charlot, o discurso do presidente brasileiro na assembleia geral da ONU coincide com a proximidade da eleição presidencial. A cada 4 anos e a cada 4 anos a gente sempre cai na discussão sobre o tom da fala, o desafio de de falar a chefes de estado e ao público interno ao mesmo tempo, né? 4:58 Como é que você avalia esse aspecto do discurso do Lula nessa terceira? Essa feira a quem ele falou e com que tom? 5:04 Pessoa 5 Acho que ele falou sobretudo para o sul global. Acho que a ONU tem 195 países. Ele se dirigiu sobretudo a países que não se sentem representados pela atual estrutura da ONU. E não são poucos esses países. São muitos países escandalizados com o fato de os Estados Unidos estarem fazendo um uso extremamente arrogante da força, sem dizer que é um uso ilegal da força também, perturbando o comércio Internacional, a paz e a segurança Internacional. 5:28 Então eu acho que foi um discurso do Lula muito focado no país. Papel que o Brasil almeja ter no cenário Internacional, que é um papel que tem que estar muito calcado no apoio do que se convencionou chamar de sul global. Eu senti ele muito conectado com isso, porque várias pautas que ele levantou foram muito associadas pelo público brasileiro com assuntos brasileiros, mas não são só são assuntos muito conectados com preocupações de outros países. 5:51 Quando ele fala, por exemplo, que a gente não precisa da presença de um porta aviões nas nossas águas, não é só a situação do Brasil, não é só a situação da América Latina, porque a gente tem que lembrar que tem um conflito acontecendo agora no Irã, que foi iniciado pelos estados. De forma ilegal. Quando ele fala sobre técnico tecnooligarcas, a questão das big techs, isso é uma grande preocupação da Europa, que tenta também regular. 6:10 Quando ele fala interferência eleitoral, a gente associa com os Estados Unidos no Brasil, mas a Europa tem pânico de interferência russa nas eleições europeias. Então são vários elementos que foram filtrados no Brasil com um filtro muito nacional, porque a gente está num período muito encrespado associado à eleição que está chegando, mas são elementos muito dirigidos para o resto dos países. 6:28 Por isso ele foi aplaudido 4 vezes. E eu acho que foi um discurso muito calculado para. Instruir uma legitimidade Internacional do Lula, de um Lula que olha para além da eleição de outubro. Tanto porque se ele perder, ele vai ter que arrumar uma outra coisa para fazer da vida, quanto porque se ele ganhar, ele só fica mais 4 anos e 4 anos com é um tempo muito curto. 6:45 Significa que ele queira ser secretário geral da ONU? Pode ser, mas não é a única forma de protagonismo. Ele se crê revestido de uma legitimidade muito grande para ter uma atuação Internacional transcendente, e eu acho que ele fala apoiado por um Celso Amorim que percebe isso e que também trabalha por isso. 7:00 O impacto eleitoral do discurso de Lula e sua busca por legitimidade Então eu senti diferente da maioria dos meus. Colegas, um discurso que, embora tenha contemplado questões domésticas, visou muito a essa legitimação do Lula como um ator da reconstrução do multilateralismo num nível Internacional e. 7:11 Pessoa 3 Mas como é que chega para o público doméstico, né? Pensando que é nessa lista de temas de que ele tratou ali? É, havia muitos deles que já vinham sendo comunicados anunciados internamente, inclusive a defesa da soberania, que. Acho que vai para além do do público doméstico e tantos outros. 7:28 Que temas que você mencionou que tocam? É em outros países também, mas é coisas ligadas à vida prática do Brasil, né? O fim da escala 6 por um é as bets, o Pix. Falar essas mesmas coisas que já vinham sendo falado, mas falar isso na ONU de alguma maneira tem outro efeito, pensando na campanha e considerando que Lula poderia falar essas mesmas coisas, sei lá, no horário eleitoral. 7:51 É o palco da ONU, agrega algo aos objetivos políticos dele? 7:55 Pessoa 5 Mas volto a dizer, não é só para o público nacional. Quando ele fala sobre Betty, ele está falando de big pack, de empresas, desse grande universo da tecnologia que afeta a vida das pessoas. Quando ele fala de escala 6 por um, esse é um debate também na Europa, é um debate que tem um elemento civilizacional de desenvolvimento nas relações de trabalho. 8:12 Então não é só nacional, mas ele é muito fortemente nacional e, mais do que nacional, ele é muito fortemente eleitoral. Se me pergunta qual utilidade disso para o público doméstico, é fazer corte, colocar na. Eleitoral colocar na internet, conseguir votos. Então, o Lula não está alheio à eleição, não é isso que eu estou dizendo, mas ele buscou fazer um discurso no qual os elementos eleitorais se combinam com preocupações internacionais mais amplas e, mais importante que isso, ecoam internacionalmente. 8:36 Vários países ali sofrem dos mesmos males ou debatem os mesmos temas. Agora, sem dúvida, totalmente preocupado com a eleição no Brasil também. Acho que prova disso foi, sobretudo, a conclusão do discurso, quando ele falou que o Brasil vai enfrentar um dilema entre reeleger ele e regredir na. Democracia foi o momento que eu acho mais eleitoral e mais partidário do do discurso dele. 8:56 Pessoa 2 No dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do poder legislativo. 9:13 Vamos decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades, o regressar a um passado de exclusão? 9:28 Pessoa 3 Você acha que essa instância, né? Você falar na ONU de alguma maneira dá um tom de estadista que vale algo para o público brasileiro e para os eleitores brasileiros. 9:38 Pessoa 5 Eu acho que as pessoas que escolhem votar no Flávio não querem saber do Lula e vice versa. Os 2 têm 47% de rejeição, não conseguem se mover nas pesquisas em relação a angariar mais votos. A possibilidade de pessoas mudando. De voto é muito pequeno e vai se tornando cada vez menor, de maneira que objetivamente não é um discurso que vai fazer alguém mudar de voto porque o escândalo do master não fez, os problemas no supremo não fizeram nada, tem feito as pessoas mudarem de de voto, envolvimentos com milicianos, o que você quiser, financiamento legal de filme com dinheiro, de empresário preso. 10:06 Então não é um discurso na ONU que vai mudar esse esse cenário, né? Ainda assim, claro, está no calendário. Tem que fazer, ele vai fazer, ele vai tocar em elementos eleitorais e ele vai tentar extrair ganhos, sobretudo se colocando como um estadista contra. Desgastando com o que o presidente Jair Bolsonaro foi, com o que o Flávio Bolsonaro pode ser? 10:24 Mas não acho que isso chegue a conquistar votos em favor dele. 10:27 Pessoa 1 Vou aproveitar que você trouxe há pouco. 10:29 A questão da interferência externa e a posição ambígua do Brasil na diplomacia AA parte final do discurso do Lula é no meio já ele falou, né? De que há ingerências externas em processos eleitorais, falou em investidas neocoloniais. E aí, na parte final, ele falou especificamente da eleição brasileira, citando candidatos que se associam a interesses estrangeiros contrários ao país, dizendo que a democracia brasileira pertence aos brasileiros. 10:49 Que não vai permitir que inimigos da democracia atentem contra a vontade popular internos e externos. Como é que essas falas, esse tom de falas, ressoam numa plataforma como a ONU? Para quem ele está falando essas coisas? 11:03 Pessoa 5 Novamente, não é só o Brasil que sofre com essas questões. E não são só os Estados Unidos que interferem em eleições. Então isso é recebido de diferentes formas, a depender do contexto de cada país. Os europeus estão extremamente preocupados com a interferência russa nas suas eleições. A China também interferem em eleições. Empresas privadas, as big. 11:19 Interferem em eleições? 11:21 Pessoa 1 Então não é 11 pedido de ajuda específico. Olhem para o Brasil. É, é. Vamos tratar dessa situação globalmente. É mais ou menos isso que você quer. 11:27 Pessoa 5 Dizer é também um pedido de ajuda. Uhum também. Ele tenta ali passar uma nota promissória para todos os países que podem simpatizar com o Brasil e cobrar depois da eleição um apoio, dizendo, olha, eu avisei, vocês sabem do que se trata. Eu senti ele também fazendo um seguro de vida para a democracia brasileira, no sentido de buscar apoio Internacional para a situação que o Brasil pode vir a atravessar, caso haja tumulto na eleição, como houve na eleição passada, com tentativa frustrada de golpe. 11:50 Então, certamente ele calcula isso também. Mas se a gente quiser descer um nível e problematizar um pouquinho essa posição, eu encontro o Lula muito frágil. No momento de pedir esse tipo de ajuda para a Europa, por exemplo, porque ele joga um papel muito ambíguo em relação à democracia aos olhos da Europa, quando ele se aproxima da China e da Rússia. 12:06 Do ponto de vista europeu, China, Rússia e Estados Unidos são parte do mesmo mal no que diz respeito à degradação da democracia. E do ponto de vista brasileiro, é uma posição mais ambígua. A gente está sem embaixador da Ucrânia e a Ucrânia está sendo atacada pela Rússia, e o Brasil não tem muito a dizer a respeito disso que não seja uma posição sempre ambígua. 12:24 Então ele vai ali tentar angariar um apoio, mas ele tem um déficit. A gente está sem embaixador. Ucraniano. Nosso diálogo com a Europa depende muito desse tipo de postura em relação a um conflito que é muito importante para a Europa. Então, ele tenta equalizar uma porção de temas que estão flutuando ao redor desse discurso. Nunca é uma questão objetiva. 12:39 Pontualmente, é sempre um conjunto de coisas que orbitam ao redor desses eixos, né? 12:44 Pessoa 3 Eu queria falar um pouco dos Estados Unidos ou da dos recados que foram que apareceram no discurso do Lula. 12:49 Os recados de Lula aos EUA e a relevância da Doutrina Monroe É para os Estados Unidos. O Lula em nenhum momento cita o Trump nominalmente. Ele fala em um momento presidente dos Estados Unidos e quando ele fala em intervenções, interferências e. Estrangeiras ele também não cita diretamente os Estados Unidos nesses casos. É, mas ele manda um recado que parece bastante direto ali, que ele fala que o Brasil não cabe no quintal de ninguém, né? 13:08 É. Outros discursos nesse mandato também tiveram os Estados Unidos como o centro das mensagens, às vezes mais diretamente, às vezes menos diretamente. Mas dado esse momento que a gente vive, um momento delicado da relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos, mas também a proximidade das eleições, que está aqui desde o início da nossa conversa, eu acho que tem que estar. 13:27 Mesmo você acha que pode ter algum efeito a partir dessas falas, desses recados? 13:33 Pessoa 5 Efeito na relação direta Brasil, Estados Unidos? Aham acho que não. Agora é essa interferência Americana, é preciso dizer, e eu tenho dito isso sempre que posso, existe um documento de novembro de 2025 sobre a segurança doméstica Americana está na internet, acho que tem 29 páginas, algo assim. Esse é o documento basilar que diz como os Estados Unidos vão se comportar no mundo e particularmente na América Latina durante os 4 mandatos do Trump. 13:52 As pessoas têm que ler isso e elas não leem. Esse é um documento fundamental que tem sido levado em conta pelo itamaratyra de acesso. O público está na internet e ele menciona 4 vezes a doutrina Monroe. A doutrina Monroe é do século 19, na qual os Estados Unidos proclamaram que a região das Américas inteiras era uma região de proeminência Americana, e no caso dizia que os europeus, as monarquias europeias, deveriam se afastar da região. 14:13 Ele reeditou o Trump, reeditou isso, pensando agora que Rússia e a China tem que se afastar na região, porque essa é uma zona de influência Americana, o Trump. 14:20 Pessoa 3 Diz isso no discurso dele na ONU, inclusive. 14:22 Pessoa 5 Exatamente, e o Marco Rubio frequentemente se refere à região como quintal dos Estados Unidos. A fala do Lula vai muito contra essas posturas Americanas, que aparecem tanto em discursos vulgares, conversas de entrevistas à imprensa quanto em documentos oficiais americanos. Então, na medida em que isso é expresso de forma clara pelos Estados Unidos em documentos oficiais, é de se esperar que um presidente brasileiro possa refutar essas posições num lugar como a ONU. 14:45 Por quê? Porque a carta da ONU de 45 é justamente a oposição a isso tudo. Se existe um cartório mundial onde essas questões podem ser levadas, são as Nações Unidas. Que ela não tome decisões a respeito, bom, é parte do imbróglio que a gente vive, da crise do. O multilateralismo, mas se tem um lugar onde esse assunto tem que ser mencionado ali, porque, do ponto de vista da carta da ONU, nenhum país deve ter proeminência em relação aos demais. 15:05 Pessoa 1 E não seria a arena para fazer acenos a Trump ou os Estados Unidos, pensando aí no contexto da volta de negociações sobre as tarifas, né? 15:13 Pessoa 5 Eu não acho que seja o lugar, não acho que o Trump tenha interesse, não acho que ele seja sensível a isso, não acho que produziria resultados. E não acho que ele assistiu o discurso do Lula. Isso assistiu, deve ter visto de maneira muito lateral. A gente tende a dar muita importância para o discurso do nosso presidente na ONU, mas isso é feito no 190 e. E 5 países, se você abre agora o jornal da Turquia, eles vão dizer que o discurso do edorgan foi isso e aquilo. 15:33 E eu sei porque venho da área Internacional e monitoro jornais internacionais e parece que só existe um assunto no mundo, e parece que o mundo inteiro olhou o discurso daquele presidente, né? A gente faz isso com o Lula, mas o Lula é o primeiro a discursar, tem esse diferencial, né? Foi aplaudido, isso também não é comum. Eu acho que ele tem ali 11 papel um pouco diferente, mas não acho que o Trump esteja atento a isso. 15:51 Acho que é mais significativo, por exemplo, o telefonema de 1 hora e 20 que ele teve com o Trump há um tempo atrás e que desde então a gente não teve novas medidas. Das hostias dos Estados Unidos contra o Brasil. Isso para mim tem mais possibilidades de leitura do que o que aconteceu na ONU agora. 16:04 A ausência de encontro Lula-Trump e as ambições internacionais do presidente Havia é, enfim, uma expectativa sobre um possível encontro dos 2 nos bastidores, Lula e Trump, como no ano passado. É se disse, né, que o encontro do ano passado foi coreografado por diplomatas, assessores com antecedência e nessa terça-feira as autoridades brasileiras disseram que isso não rolou nem coreografia, nem encontro, nem nada. 16:22 Como é que você sugere que se interprete isso, charlot? Oo que um encontro poderia gerar de bom ou de ruim? E. Que não vai ser possível. 16:30 Pessoa 5 Ao contrário da maioria dos meus colegas, eu não dei bola para aquele encontro. Essa história de boa química eu acho uma bobagem, porque depois da boa química teve lei magnits que tarifácio 2 vezes facções criminosas, ou seja, que boa química é. 16:41 Pessoa 1 Essa, Hein? Mortes e assopras constantes ali, né? 16:43 Pessoa 5 É isso sim. Vale a pena conversar. É que eu acho que a parte de uma estratégia estruturada dos Estados Unidos na negociação agora, essas questões, simpatia pessoal e tudo mais. Eu acho que tudo é muito filtrado pela perceção do Lula a respeito da interação que ele tem com o Trump. As informações que nós temos sobre as conversas dele com o Trump são muito filtradas. 16:59 Por ele, a gente não tem o Trump falando na mesma quantidade, com a mesma clareza e intensidade sobre como ele vê as conversas com o Lula. 17:06 Pessoa 3 Inclusive porque algumas vezes ele nem se manifestou depois do encontro, depois da conversa. 17:10 Pessoa 5 Para você ter uma ideia do quanto isso importa para ele ou do quanto ele quer manter a posição dele, ignora. Desconhecida do ponto de vista jornalístico, para dizer o mínimo. É um material muito precário para a gente tirar conclusões. Então eu não considero que o esbarrão deles no bastidor e a história da química seja significativa. É um fato, um fato a ser registrado e tal, mas não acho que seja significativo. 17:28 E o fato de não terem sido barrado também consideram que não é significativo. Eu prefiro olhar para questões mais substanciais, que é, existe tarifa, não existe? As facções foram classificadas como terroristas. À revelia do Brasil ou não, o Trump entregou para o Congresso americano 11 documento dizendo que o Brasil não faz nada contra OPCCEO comando vermelho ou não, a lei magnífica foi imposta, depois foi levantada, em que circunstância? 17:47 Ou seja, vamos olhar para coisas objetivas mais do que para o anedotário, que é muito saboroso, mas que eu acho que revela muito pouco sobre a qualidade dessa conversa. 17:55 Pessoa 3 A gente queria falar um pouco do discurso do Trump também, mas antes eu só queria entender. Se você acha que todas essas é impressões que você está compartilhando aqui com a gente, essas análises, se elas é, encontram eco também nas repercussões que vieram depois dos discursos. 18:10 Porque de alguma maneira, o peso do discurso acaba se dando pelo que pelo que vem de repercussão depois, né? Cada um tentando puxar a sardinha para o seu lado, fazendo críticas ou elogios de acordo com o que convém. Você acha que de alguma maneira as primeiras repercussões? Já ecoam essa visão que você está está trazendo. 18:27 Pessoa 5 A minha avaliação de que o Lula teve uma fala de estadista que mirou algum papel que ele possa ter internacionalmente, para além do papel que ele tem no Brasil, eu não não encontrei muito por aí. O que me deixa de um lado satisfeito, porque pode ter sido uma sacada minha e de um lado preocupado, pode ser uma grande bobagem também. Eu posso estar com esses 90% que dizem bobagem, mas é um fato muito quente que acabou de acontecer. 18:45 A gente só pode interpretar assim a luz dos fatos que estão disponíveis agora e correr o risco das análises que a gente faz. 18:51 Pessoa 3 Né, você acha que isso que você trouxe no início da conversa? Persa de o Lula ser secretário geral da ONU está no Horizonte dele. 18:57 Pessoa 5 Não. Eu acho que pela idade dele, pelo mandato que vai começar agora de um novo secretário ou uma nova secretária geral, isso torna, do ponto de vista do timing, um pouco ruim para ele. Mas, como eu dizia, secretário geral não é o único cargo ao qual ele pode almejar. E ele não precisa de um cargo formal para ter o papel que ele almeja, tem internacionalmente. 19:14 Eu acho que ele vê a si mesmo como 11 pessoa de estatura Internacional, que pode transitar nessa área de muitas formas. Por exemplo, se você tiver uma reforma séria das Nações Unidas, é possível que sejam feitos grupos de estudo, grupos de trabalho com personalidades internacionais para redesenhar essa arquitetura. O Brasil é um dos países que mais insistem nisso. 19:31 O Lula, pessoalmente, o Celso Amorim também. Eu não tenho dificuldade de visualizar o Lula que queira se credenciar para participar dessa reestruturação, dessa reorganização da comunidade Internacional, mesmo que ele não seja secretário geral da ONU. 19:47 O discurso de Trump na ONU: exercício de poder, ameaças e ilegalidade internacional Bom, então vamos para o discurso do Trump falar um pouquinho do que ele trouxe, né? Eu queria te perguntar se você vê a fala do Trump como uma fala voltada a eleições, no caso, a eleição de meio de mandato que acontece em novembro nos Estados Unidos. Ele até cita diretamente as eleições na fala dele, mas o que eu queria entender é se a escolha de temas, o tom que ele é, traz e tal, se isso mira o eleitor americano. 20:13 Pessoa 5 Não acho que haja um eleitor americano agora muito preocupado com o discurso do do Trump Na Na ONU. Eu acho que as preocupações são mais imediatas, inclusive com inflação, preço de combustível e coisas desse tipo, né? A satisfação que ele dá ali não é muito para o leitor interno americano. Eu acho que, de maneira geral, a opinião pública Americana é muito pouco conectada com as questões internacionais que vão além das guerras das quais os Estados Unidos participam. 20:34 A própria ignorância sobre a distribuição geográfica dos países do mundo é notória nos Estados Unidos e essa tendência a considerar as coisas Americanas como globais, né? O campeonato. Mundial de beisebol, campeonato mundial de de basquete, de coisas que só tem lá. Isso dá conta de uma percepção geral sobre política externa muito limitada, muito mais limitada que a nossa. 20:51 Então não acho que o Trump esteja fazendo o discurso dele na ONU, um elemento de campanha, embora ele esteja numa campanha de uma eleição muito difícil, eu acho que ele faz ali um exercício de poder. Basicamente foi uma fala muito ameaçadora na qual ele joga o poder americano. Ele menciona várias vezes o poder americano, essa expressão. 21:08 Sobre seus desafetos, separa o mundo de forma dicotômica, né? Pessoas boas e pessoas más, ameaça o uso da força contra as pessoas más e toda referência que ele faz ao uso da força é uma referência ilegal do ponto de vista do direito Internacional, porque é um exercício da força, que é unilateral. 21:24 Isso não existe na carta da ONU, então basicamente é ele indo. A ONU defendeu uma ilegalidade não prevista na carta da ONU. É uma implosão da ONU ao vivo, que muita gente não percebe porque não conhece o que que é a carta da ONU, mas é nesse nível de de. De degradação. O discurso dele, toda vez que ele fala, os Estados Unidos vão agir contra isso ou aquilo em tal ou qual região. 21:43 Essa é uma declaração ilegal, porque não existe previsão na carta da ONU para o uso da força contra alguém que não agrediu você. Isso só pode ser feito em 2 circunstâncias, se o seu país foi atacado ou você tem o direito de revidar imediatamente. Os Estados Unidos não estão sendo atacados por cartaz de droga na América Latina, por países Latino americanos ou nem pelo Irã. 22:01 E a outra possibilidade é com a aprovação do conselho de segurança. E o Trump jamais buscou a aprovação do conselho de segurança para fazer as operações militares que está fazendo. Então quem entende de direito Internacional vira essa fala, uma fala flagrantemente ilegal, flagrantemente contra as Nações Unidas no principal. 22:17 Palco das Nações Unidas, que é a sua assembleia geral. 22:19 Pessoa 1 É e ele reclama e minimiza ou ridiculariza várias agências e órgãos da ONU ao longo de de todo o discurso, né? Agora, essa citação direta as mid turms que a Gabi citou veio quando o Trump falou da guerra no Irã, né? E o ponto central é desse trecho do discurso, talvez tenha sido o fato de o Trump ter dito que ele pessoalmente, vai fazer uma escolha entre aniquilar o Irã ou negociar para o país ser próspero, etcétera e além de aniquilar, ele usou termos. 22:46 É bastante Fortes, com bastante desassombro, como quando ele falou é em destruir a civilização person meses atrás, né? É o que que essa postura indica, charlot? 22:57 Pessoa 5 Ilegalidade, crime, crime de guerra, crime contra a humanidade, genocídio. A aniquilação não é prevista no direito Internacional. As operações militares são legais na medida em que são dirigidas contra alvos militares legítimos. Qualquer ameaça de usar força indiscriminado que seja contra uma população como tal, um país inteiro como tal, com uma ideia de aniquilação. 23:16 Sugere. É flagrantemente ilegal, assim como forem legais as bombas de Hiroshima e Nagasaki, por exemplo. Talvez puxando um exemplo, que as pessoas reconheçam melhor, qualquer ataque militar indiscriminado é ilegal. Então, toda vez que ele fala sobre apagar uma civilização do mapa ou aniquilar um país, é uma fala ilegal. 23:32 E, no caso do genocídio, a própria declaração de intenção genocida já é um crime em si, pelo qual ele poderia estar sendo julgado e condenado. Mas não vai, porque justamente a instância que poderia fazer isso, uma delas. Principalmente o tribunal penal Internacional é frequentemente perseguida por ele, né? Congelamento de bens é tira visto e direito de trânsito dos procuradores do tribunal penal Internacional. 23:52 Então é um homem que proclama intenções, é criminosas e castra as instituições de responsabilização que poderiam existir contra ele e ameaça a todos os demais países, caso também não saiam do tribunal penal Internacional, não denunciem o estatuto de Roma. Então é um crime perfeito sendo cometido à luz do dia e as pessoas sequer percebem porque o conhecimento sobre tudo isso. 24:11 Isso é muito baixo em geral. 24:13 Pessoa 3 E como você vê o que ele falou sobre a América Latina, né? Que ele fez uma ameaça militar. América Latina não é inédito. Não é a primeira vez que ele faz uma ameaça desse tipo. Mas é considerando que, como você tá dizendo aí, né? É, é um a um flagrante desrespeito da Casa Branca, de Trump ao multilateralismo, a ONU e a todas essas instâncias. 24:31 Faz alguma diferença? Ele fala isso na ONU, considerando que ele já chega lá mostrando que ele não respeita aquele espaço. 24:37 Pessoa 5 Ele mostra arrogância. Agora, o envolvimento dele, sobretudo militar e policial, na América Latina pode ocorrer de 2 formas. A primeira é completamente ilegal, que é executar operações militares em países que não desejam a presença militar Americana, exemplo, Venezuela. A outra é de firmar acordos com países que, sim, desejam a presença militar Americana, exemplo, Equador, Colômbia. 24:54 Pessoa 1 Ou a Venezuela da delsi que ele, ele celebrou o acordo do petróleo, né, aqui? 24:58 Pessoa 5 Depois dele ter mudado a chefia do governo, basicamente. Exatamente. Aquilo virou uma colônia e ali ele faz o que ele quiser. Mas você tem essas 2 possibilidades. Então, a presença militar Americana é legal dentro de países que aceitam essa presença, que fazem parcerias e tal. E aí legal naqueles lugares em que os ataques são feitos à revelia do país, como aconteceu na Venezuela. 25:16 Agora mesmo, numa atuação legal, feita a partir de uma parceria e tal, podem acontecer atos ilegais. 25:21 Pessoa 3 Por exemplo. 25:22 Pessoa 5 Bombardear embarcações em alto mar. De pessoas acusadas de participar de atividades criminosas. Porque isso não pode sequer ser comparado a uma pena de morte. Porque mesmo a pena de morte passa primeiro por uma sentença dada por um juiz depois de um julgamento justo, com direito à à defesa. 25:37 Isso é simplesmente uma execução sumária. Então ele pode usar o termo que for, mas toda vez que você busca, a partir de uma aeronave, uma embarcação explodir, alguém que você não sabe muito bem quem é ou sobre quem você imputa um crime, mas não está numa situação de guerra, não são combatentes do lado contrário. Isso é um crime sob todo o ponto de vista. 25:54 A atuação de Guterres e a crise do multilateralismo na ONU Essa assembleia geral teve uma despedida. Acho que dá para dizer, né? Do secretário geral António Guterres, que fez uma fala, enfim, foi muito aplaudida por todos os presentes, menos pela delegação Americana. É em defesa do multilateralismo, de reformas da ONU, da inclusão de africanos no conselho de segurança. 26:11 Isso foi repetido também pelo é presidente da assembleia geral, né? É. E todos esses pontos estavam também em outras falas, não na do Trump, mas na do Lula, na do presidente da assembleia geral. É. E essas falas sempre aparecem, né? Nesse mesmo palco, como você colocou há pouco. 26:27 É, entendo que é melhor com elas do que sem elas, ainda que elas muitas vezes caiam no vazio, mas para que serve repetir essas defesas? 26:35 Pessoa 5 De alguma forma, impossível não comparar ele com Edson Fachin também, porque, mesmo do ponto de vista moral, ele poderia ter sido mais assertivo, mesmo que não tivesse o poder formal para fazer transformações na ONU. E ele moralmente ficou aquém, eu acho, porque são termos muito brandos para se referir ao que está acontecendo. 26:50 Eu acho que ele teve aquém da do momento político que ele atravessou a frente das Nações Unidas. Acho que é um cara que sai diminuído do cargo que teve, já entrou pequeno, mas não é propriamente um secretário geral de atuação marcante, nem teve altura dos desafios do momento atual. Você vê que a fala do Lula, por exemplo, que a gente trata aqui como um próprio secretário geral ou alguém que teria intenções nessa direção, é muito mais assertiva. 27:11 Claro que são cargos diferentes, mas você percebe muito mais substância, muito mais emoção, muito mais compromisso com o que está sendo dito do que a fala do Guterres, que eu acho extremamente. Colar o poder do secretário geral já é muito baixo, já é muito pouco, e por isso ele se chama secretário geral. Ele não é presidente da ONU. 27:27 O secretário, ele assessora quem toma a decisão. Então ele é só um secretário. Ele não tem moto própria, ele não decide nada por conta própria, mas ele tem um papel revestido de muita autoridade moral. Ele poderia ter falado mais. Acaba sendo um pouco como o papa no Vaticano. Você sempre sabe o que ele vai dizer, é alguma coisa a favor do bem. 27:42 Você sempre sabe que não vai prevalecer e que todo mundo vai noticiar e virar a página e seguir a vida. Agora, isso é muito pouco para o tipo de desafio que o mundo está vivendo, eu diria, um desafio inédito desde a Segunda Guerra Mundial, que é basicamente a implosão de todo o corpo do direito e da diplomacia, que costumava servir de anteparo entre os países para que eles não entrassem em guerra indiscriminadamente. 28:03 Isso ruiu. 28:04 Pessoa 3 Mas você acha que alguém estaria à altura, porque assim você foi falando. Eu fui pensando até pela sua associação na sua comparação entre o Guterres e o Fachin, quando a gente está diante de crise, sempre é precedentes. É quando a gente está diante da implosão dos regimentos, dos procedimentos, dos combinados, né? 28:21 O que que pode ser feito, né, nesse caso? Em relação ao multilateralismo, em vários momentos, no discurso do Lula, que ele fez muitos acenos, né? O multilateralismo falou da OMS, falou da importância de várias instâncias dentro da ONU. E eu pensava, nossa, mas a essa altura, será que faz sentido ainda falar, fazer essa defesa? 28:37 Pessoa 5 Eu acho que ele deveria ter radicalizado, deveria ter acusado nominalmente o Donald Trump de implodir as Nações Unidas. Eu acho que ele deveria ter pautado uma discussão sobre o status. 28:46 Pessoa 3 O Guterres, acho. 28:47 Pessoa 5 Uhum. Acho que ele deveria pelo menos ter vocalizado algo nesse sentido. E, nomeado. Acho que essas culpas difusas não servem para nada. O multilateralismo está sob ataque de quem, quando, por quê, em que circunstância? O que pode ser feito? Porque se você está diante de uma ameaça existencial. Então a coisa muda de figura, porque se você não tiver alguma reação eficaz, você deixa de existir. 29:06 Pessoa 1 E no contexto da sucessão dele, de uma transição para alguém que vai chegar, é poder chegar num num posto diminuído como você usou há pouco, acho que ainda mais, mais arriscado, mais perigoso, né? 29:16 Pessoa 3 E desafiador, né, para quem chega? 29:18 Pessoa 5 Sim, e com uma corrida que vai se estreitando e que candidatos talvez mais expressivos vão ficando de lado, como foi o caso da Michelle bachelet, que é uma Latino Americana, é uma mulher. 29:26 Pessoa 3 Foi presidente do Chile, foi. 29:27 Pessoa 5 Presidente do Chile foi ministra da defesa do Chile, dizendo que o pai dela foi morto pela ditadura. Uma figura política muito interessante. 29:33 Pessoa 6 A ex presidente do Chile, Michelle bachelet, desistiu da candidatura ao cargo de secretária geral da organização das Nações Unidas. A desistência acontece depois de bachelet perder força nas votações informais. Realizadas pelo conselho de segurança da ONU, a economista e ex vice presidente da Costa Rica, Rebecca greenspan, liderava a votação com 9 votos favoráveis, 5 contrários e uma abstenção. 29:59 Pessoa 5 Já era, não vai, não vai ser secretária geral da ONU. Alguma outra solução vai ser dada. Qual solução? Provavelmente uma solução que mantenha as Nações Unidas castradas. Como estão agora, sem dentes, sem poder, um conserto de segurança paralisado? Isso não é só de interesse americano, isso é interesse russo. 30:16 As operações militares que a Rússia faz na Ucrânia, que são absolutamente legais, constituem um crime de agressão. Para início de conversa, só se beneficiam dessa paralisia do conselho de segurança. Então é uma situação confortável para todo mundo, todo mundo correndo atrás de bomba atômica. Agora, até no Brasil se fala disso. Então é uma descrença absoluta no direito Internacional e no multilateralismo. 30:34 Todos os discursos do Lula falam de multilateralismo e crise da ONU. Isso é uma constante. Alguns temas mudam, mas esse aí, combate à fome e desigualdade sempre está presente. O Brasil é um dos líderes na advocacia por uma reforma do conselho de segurança e busca fazer isso ao lado de outras democracias grandes que se ressentem entre não estarem representadas Indonésia, África do Sul e Índia, vários outros países que têm expressão importante que teriam o que dizer, mas que não podem participar e ficam à mercê de um conselho de segurança muito restrito, baseado numa ordem ultrapassada. 31:00 Porque já não é nem o grupo dos 5 países atômicos. Porque agora o grupo de países atômicos se ampliou indefinidamente e, entretanto, tem o poder formal de fazer coisas que não faz e a sua inação passa uma conta muito cara. Então, se esse sistema é disfuncional na melhor das hipóteses, ou falido na pior das hipóteses, e o secretário geral não tem uma fala a altura, eu não consigo entender qual é a relevância dele, ainda que fosse uma fala revestida de razão moral, ainda que sem o poder formal. 31:27 Eu acho que isso estaria mais à altura do momento que a gente atravessa e isso nunca aconteceu. 31:58 Detalhes sobre o caso Banco Master e a atuação da advogada Camila Ramos Visitas frequentes de uma advogada, Daniel vocaro, na prisão, tem deixado em alerta outros profissionais que atuam na defesa dele. A informação foi revelada ontem pela colunista da folha Mônica Bergamo. Advogada Camila ramos é sócia de um escritório que firmou um contrato prevendo honorários de até 427000000 de reais com o banco master. 32:19 Ela também é apontada, ao lado do marido, o desembargador Newton ramos, como integrante da chamada turma do KN. Em mensagens encontradas no celular de vocaro, kaene seria o ministro do Supremo Tribunal Federal Cássio Nunes Marques, de quem o casal é amigo. 32:36 Vocaro mantém uma lista de 23 advogados que podem visitá lo na prisão. A maioria deles faz parte de escritórios de criminalistas que cuidam dos processos ou acompanham a liquidação do master. Segundo 3 deles, a presença constante de Camila na prisão. 32:52 Causa estranheza porque ela não atua na área criminal nem em processos de interesse direto do ex banqueiro. O contrato do escritório foi revelado na segunda-feira pelo portal Metrópolis. Segundo a reportagem, o documento previa o pagamento de 5% sobre os valores recebidos pelo banco em caso de sucesso em 12 processos relacionados a precatórios. 33:14 A estimativa de que as ações poderiam render cerca de 8 bilhões e meio de reais ao master. Os processos discutem indenizações ligadas ao controle de preços no setor de açúcar e álcool, e o banco aparece nos documentos como credor ou cessionário dos créditos. 33:30 Segundo metrópoles, mensagens do celular de vocaro mostram Camila comemorando o voto de Cássio Nunes Marques no julgamento sobre o tema. Cássio nega ter pedido qualquer coisa a vocaro ter trocado mensagens ou autorizado terceiros a falar em nome dele. 33:46 A advogada afirmou que vai à prisão para atualizar borcaro do andamento de ações movidas pelo master contra a união e que a atuação dela em defesa do banco ocorre dentro dos limites legais. 34:01 O adeus ao cantor Rick e ao jornalista Zuenir Ventura O cantor sertanejo Rick, da dupla com Renner, morreu em uma queda de helicóptero em Santa Catarina. A informação foi confirmada ontem pelo corpo de bombeiros. Os destroços da aeronave foram encontrados na Serra catarinense com a ajuda da força aérea brasileira. Outras 4 pessoas estavam no helicóptero, o empresário Bruno Avelar e o videomaker Paulo Soares, além do piloto e de outro passageiro, que não tiveram a identidade divulgada. 34:26 Ninguém sobreviveu. As causas do incidente vão ser investigadas. O voo saiu de Porto Belo, no litoral do estado, e tinha como destino o São Joaquim, na Serra. O helicóptero perdeu contato na região de Urubici. Rick tinha 59 anos, compôs mais de 600 músicas e era uma das vozes de sucessos Como Ela É demais. 34:46 A dupla com Renner, que teve 2 separações, soma 25 anos de carreira e foi uma das mais famosas dos anos 90. Nascido no Tocantins com o nome de Geraldo Antônio de Carvalho, ele deixa a companheira Geralda, 6 filhos e 2 netos. 35:05 Pessoa 3 Também ontem, a cultura brasileira teve outra perda. O jornalista Zuenir Ventura, imortal da academia brasileira de letras, morreu aos 95 anos, no Rio de Janeiro. Ele foi vítima de uma pneumonia. Ventura nasceu em Além Paraíba, na zona da mata mineira. Começou a carreira de jornalista na tribuna da imprensa e depois passou por muitos outros veículos, incluindo o jornal do Brasil, a revista Cruzeiro e o jornal o Globo. 35:28 Ele ficou conhecido como mestre zu entre colegas e alunos e formou gerações de repórteres. Também escreveu vários livros, entre eles 1968, o ano que não terminou, sobre a Juventude dos anos 60. Ventura também ajudou a ampliar a compreensão sobre a exploração da Amazônia, quando cobriu o assassinato do ambientalista Chico Mendes, nos anos 80. 35:49 Entre os prêmios que recebeu o tal troféu especial de imprensa da ONU, em 2008, o imortal deixa a companheira, a jornalista Maria kristein, 2 filhos e 2 netos. 36:04 Agradecimentos e créditos finais do Café da Manhã Esse foi o café da manhã, podcast mais importante do seu dia, parceria entre a folha e o Spotify. 36:09 Pessoa 3 Eu sou a Gabriela Mayer. 36:11 Pessoa 1 E eu, Gustavo Simon. 36:12 Pessoa 3 A produção é de Giulia perusi e Jéssica Cruz, a edição de som de Rafael concluir, Pamela Queiroz. 36:17 Pessoa 1 Esse episódio usa áudios de ONU, TV Globo e Metrópolis. 36:21 Pessoa 3 Obrigada pela companhia e até amanhã tchau.

Podcast Summary

Key Points:

  1. No discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, Lula defendeu a soberania brasileira, afirmando que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém" e rejeitando interferências estrangeiras nas eleições.
  2. Lula abordou temas como o fim da escala 6x1, igualdade de gênero, mudanças climáticas, regulação das big techs e inteligência artificial, além de bets, combate à fome e vacinas.
  3. O analista João Paulo Charleaux avaliou que Lula mirou principalmente o Sul Global, buscando legitimidade internacional para além da eleição brasileira.
  4. Trump, em seu discurso, fez ameaças militares à América Latina, comparou cartéis de drogas ao Estado Islâmico e defendeu a Doutrina Monroe, sem mencionar o Brasil diretamente.
  5. Não houve encontro entre Lula e Trump nos bastidores da ONU, diferentemente do ano anterior.
  6. O grupo "Escudo das Américas", com 14 países latino-americanos, classificará PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas.
  7. Charleaux criticou a fala do secretário-geral António Guterres por não citar nominalmente Trump e por não estar à altura da crise do multilateralismo.
  8. O podcast também noticiou a morte do cantor Rick, da dupla com Renner, em queda de helicóptero, e do jornalista Zuenir Ventura, aos 95 anos.

Summary:

O discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU, em meio à proximidade das eleições brasileiras, teve como eixo central a defesa da soberania nacional. Lula afirmou que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém", rejeitou interferências estrangeiras no processo eleitoral e defendeu que o país resolve seus próprios problemas. Abordou ainda o fim da escala 6x1, igualdade de gênero, mudanças climáticas, regulação das big techs e combate à fome.

O analista João Paulo Charleaux avaliou que o discurso foi calculado para legitimar Lula como ator internacional, mirando o Sul Global e a reconstrução do multilateralismo. Trump, por sua vez, fez um discurso de exercício de poder, com ameaças militares à América Latina e defesa da Doutrina Monroe, sem citar o Brasil nominalmente. Não houve encontro entre os dois.

Charleaux criticou Guterres por não citar Trump diretamente e por não estar à altura da crise do multilateralismo. O podcast também noticiou a morte do cantor Rick, em queda de helicóptero, e do jornalista Zuenir Ventura, aos 95 anos.

FAQs

É uma doutrina do século 19 que declarava as Américas como zona de proeminência americana e pedia o afastamento das monarquias europeias. Trump a reeditou para afastar Rússia e China da região, e o documento de segurança doméstica dos EUA a menciona quatro vezes.

É um grupo de 14 países latino-americanos, incluindo Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Paraguai e Peru, que passará a classificar mais de 20 grupos criminosos como organizações terroristas, incluindo o PCC e o Comando Vermelho.

Apenas se o país foi atacado e tem direito de revidar imediatamente, ou com aprovação do Conselho de Segurança. Nenhuma dessas condições se aplica às ações de Trump contra a Venezuela ou o Irã.

Porque mensagens no celular de Daniel Vorcaro a ligam ao ministro do STF Cássio Nunes Marques, de quem ela e o marido, o desembargador Newton Ramos, são amigos. Ela também é sócia de um escritório com contrato de até R$ 427 milhões com o Banco Master.

Bachelet é ex-presidente do Chile e ex-ministra da Defesa, e desistiu após perder força nas votações informais do Conselho de Segurança. A economista Rebecca Greenspan liderava a votação com 9 votos favoráveis.

Rick, da dupla com Renner, morreu em queda de helicóptero na Serra catarinense. Havia cinco pessoas a bordo, incluindo o empresário Bruno Avelar e o videomaker Paulo Soares, e ninguém sobreviveu.

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